sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

HO HO HO, FELIZ NATAL, DIZ HOLLYWOOD

Sei o que vc tá pensando: o que essa imagem tem a ver com o natal?

Particularmente conheço mais gente que odeia o natal (porque a data traz pressões para sermos felizes) do que gente que adora o natal. Natal, pra mim, nunca teve o menor cunho religioso, e o cunho consumista terminou quando eu virei adulta (acho que só tem graça dar presentes se tem criança envolvida). Eu já achei o período um tanto deprê, mas hoje até gosto, porque é como se fosse um passe livre pra comer coisas muito gostosas, e sem culpa. Bom, se o natal é delicioso, não posso dizer o mesmo sobre filmes de natal. Esses quase sempre são detestáveis, sem graça, piegas, e veículos pra atores de terceira, como o Tim Allen. Mas existem filmes bons com cenas passadas no natal. Vou falar de alguns que me lembro:
- A Guerra dos Rose (1989) – lembro porque revi esta ótima comédia de humor negro outro dia, só isso (vou escrever mais sobre ela). Na cena natalina, Kathleen Turner e Michael Douglas já estão brigados, e um curto-circuito faz com que a árvore de natal pegue fogo e quase incendeie a casa toda. A culpa é do marido, que não admite a culpa, lógico. Típico.
- Truman Show (1998) – amo este filme, e gosto da montagem das pessoas que aproveitam pra aparecer ou pra tentar avisar o Truman (Jim Carrey, na melhor atuação de sua carreira, até agora) que sua vida não passa de um reality show. Uma dessas pessoas é um sujeito que sai de um pacote gigante de natal gritando pra um Truman menino: “você está na TV!”.
- O Estranho Mundo de Jack (1993) – esta bela animação com stop-motion (ou seja, cada quadro é fotografado) do Tim Burton une duas festas tradicionais pros americanos, halloween e natal. É uma gracinha ver um menino abrir seu presente e encontrar uma cabeça decapitada dentro. O filme é bem profético também, porque pouco depois uma turma cristã mais fundamentalista iria declarar guerra ao dia das bruxas e a qualquer celebração de feitiçaria, tipo Harry Potter.
- O Diário de Bridget Jones (2001) ― é só uma ceninha rápida de festa de natal em que Bridget observa o suéter ridículo do seu futuro amor. Mas qualquer momento que representa o dia em que a gente conhece o Colin Firth torna-se inesquecível. Melhor que isso, só quando Colin e Hugh Grant brigam pela gente, ao som de “Está Chovendo Homem”.
- Harry e Sally, Feitos um para o Outro (1989) ― na real, de espírito natalino nesta que deve ser a melhor comédia romântica de todos os tempos, só lembro da Meg Ryan e do Billy Crystal escolhendo um pinheirinho juntos. Hoje isso seria considerado ecologicamente incorreto (cortar uma futura árvore grandona pra me servir durante poucas semanas? Tô fora!).
- Simplesmente Amor (2003) ― como diz o título, várias histórias de amor que acontecem durante as festas. Nem lembro das cenas natalinas, mas querido papai noel, quero um Hugh Grant só pra mim de presente de natal.
- A Felicidade Não se Compra (1946) – James Stewart faz um candidato a anjo que, na véspera do natal, impede o suicídio de um empresário. Não sou a maior fã do mundo de Frank Capra, pois considero seus filmes pra lá de datados, mas muita gente ama de paixão a ingenuidade e falta de cinismo de toda a sua obra. Impossível encontrar um espírito natalino mais legítimo.
- Natal Sangrento (1984) ― só pra quebrar o encanto; não é um bom filme nem a pau. Um menino vê seus pais serem mortos por um cara vestido de Papai Noel. Como todos os serial killers de filmes de terror, ele fica traumatizado e cresce pra se tornar um grande matador de gente. Vestido, claro, de Papai Noel. Meio como se fosse o Jason de barba branca.
- Náufrago (2000) ― um dos mais assustadores desastres aéreos já visto nas telas acontece exatamente quando? Na noite de natal. Ok, talvez a gente se lembre mais de Náufrago na categoria “acidentes aéreos horríveis” que “natal”. O melhor acidente aéreo ainda é o de Vivos, sobre o time de hockey uruguaio nos Andes que precisa recorrer a canibalismo pra sobreviver. Graças ao bom velhinho, não tem nada a ver com natal.
- Prenda-me se For Capaz (2002) ― cada vez que revejo essa fantasia, mais eu gosto. E fico totalmente apaixonada pelo Leonardo Di Caprio. Tem uma cena ótima em que gato (Tom Hanks) e rato (Leo) conversam por telefone sobre a solidão no natal, já que ambos são criaturas sós.
E, como estou falando de cinema, o melhor presente de natal neste final de ano é mesmo ver Avatar, um filme que, além de ser um espetáculo visual (eu quero vê-lo em 3D!), é feminista, anti-imperialista, e ecologista. Cheio de ótimas mensagens pra gente se inspirar a fazer um mundo melhor. Eu também poderia ir ver Sempre ao seu Lado, sobre Richard Gere e seu cachorro. Porém, passei mal e quase inundei o cinema só de ver o trailer (veja aqui), e vou ter que pular o filme. Ordens médicas.

Por favor, votem no terceiro concurso de blogueiras. Falta só uma semana!

23 comentários:

L. Archilla disse...

legal, Lola, achei que eu fosse a única cinéfila que não babasse pelo Frank Capra. Acho no máximo bonitinho.

Desses que vc citou e eu já vi, o único que eu recomendo e veria de novo é o do Tim Burton. O Simplesmente Amor tá aqui no meu HD, ainda não vi. Ah, gosto de Prenda-me tb. Nem lembrava q tinha cena de natal... hehe

fora esses, não lembro de nenhum com essa temática q seja bom. será uma maldição?

Roseane, disse...

Trumann, ainda quero ver este filme. Sim a maioria dos filmes são piegas demais. Gostei do "passe livre para comer sem culpa", é verdade...é assim também no Círio de Nazaré em Belém. Divirta-se!!!

Loy disse...

Felicidade não se compra é lindo. Ótimo ter lembrado, realmente legítimo

só uma provocação:
"passe livre pra comer coisas muito gostosas, e sem culpa" X presentes.

no limite, não é tudo consumo do mesmo jeito, apenas em níveis diferentes (dependendo da família)? O desejo pela comida X desejo pelo produto não são, no limite, similares?

então não é uma questão de ser ou não adulto... apenas mudou o objeto do apego. Poderia ter sido bebida tb. fulano diria "ah, natal pra mim é uma desculpa pra eu tomar uma garrafa de vinho". Depende daquilo que é socialmente aceito e propagado, talvez.

Gustavo Ca disse...

Marquei a Guerra dos Rose para ver, adoro humor negro.
O Show de Truman é o filme mais angustiante que eu já vi na vida, não tenho coragem de rever.
Já o Estranho Mundo de Jack eu vi umas dez vezes.. amo!
Lembrei de Férias Frustradas de Natal e Esqueceram de Mim, principalmente o 2, dá pra dar umas risadas boas, hehe..

Luma Perrete disse...

Quero ver Sempre ao Seu Lado (Hachiko, no original). Mas j'a sei que vou chorar horrores, especialmente por ser baseado numa história real: http://www.guravehaato.info/vidinha-besta/hachiko-a-historia-que-deu-origem-a-sempre-ao-seu-lado/
Só de lembrar dela já me dá vontade de chorar.

Diana disse...

Amo Truman, O Estranho mundo de Jack, Simplesmente amor, Bridget Jones...

Prenda-me se for capaz, assisti uma vez, mas não lembro muita coisa, preciso rever...

Gosto também de O amor não tira férias, com Cameron Diaz, Jude Law (meu sonho!!), Jack Black e Kate Winslet! E a trilha de Hans Zimmer é uma das mais perfeitas, na minha opinião!

Já anotei as outras sugestões! :)
Bjs

=draupadi= disse...

Lola, feliz nataaaaaal!!!
eu gosto do natal... acho que pq meu irmão faz aniversário no dia 24, então sempre associei a data a festas.. (ainda q muitas delas tenham começado e/ou terminado mal pra mim. Em 2007 ano por exemplo meu irmão quase me enfiou a mão - ele me batia muito qdo éramos mais jovens, só deixou de me bater qdo eu saí de casa, aos 17. Aí em 2007 ele quase me enfiou a mão de novo e depois, na hora de cantar parabéns, queria q eu tirasse foto com ele. AHAM... enfim, rs)
Bom, esse foi o primeiro natal q eu passei longe da família, e foi até bacana - tirando o fato de q sou vegetariana e aqui fizeram churrasco pra ceia.
A mãe da roommate me deu de presente uma galinha (tipo uma boneca de pano) q ela mesma fez! O vestido da galinha é um pano de prato, que a gente usa para enxugar as mãos na cozinha!!! E a roupa q ela fez é verde e amarela. Não é o máximo? Eu já amo minha galinha, hehehehe...
Lola, eu queria te fazer umas perguntas sobre vida acadêmica, mas são picuinhas, não sei se faz sentido perguntar aqui. Vc pode me passar seu e-mail? MEu endereço aparece no seu blog, certo?

beijo!!!

Alex Girardi disse...

Lola! Como vai?

Então, um dos que eu mais gosto de Natal é "The Family Stone", com a Sarah Jessica Parker, que não foi listado aí. Não sei se você viu ou gostou!?

Abração... e pra não perder o costume: Feliz Natal!

Aline disse...

Lola,

Segundo o link abaixo, você está mais perto do que nunca de assistir Avatar em 3D em Fortaleza.

http://educacao.uol.com.br/ultnot/2009/12/24/ult105u9009.jhtm

Meu marido também está esperando ser nomeado professor da UFC.

Boa sorte!

Diêgo Cesar disse...

Lola, adorei o post. Eu digo que não, mas também adoro o natal rs! Gosto de acreditar que nessa época as pessoas estão mais humanas, mais solidárias, mais bacanas, enfim. Agora, tenho de discordar: a melho atuação de Jim carrey é em Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças, e o Colin Firth é um sr. chato. Eu ia escrever mais, mas esqueci. Ando esquecendo muito ultimamente, e muito rápido. Devem ser os meus 24 anos pesando... ou não. Feliz Natal, Próspero Ano Novo. Adoro o blog; agora que estou de férias da facu, vou comentar com frequencia.

Diêgo Cesar disse...

Lembrei! É que "Prenda-me Se For Capaz" é um dos filmes fixos desde a estreia, em 2003, na minha lista de filmes favoritos. Bom gosto o seu, hein moça.

Rita disse...

Oi, Lola! (nova tentativa, escrevi o comentário, sumiu, vou de novo)

Foi exatamente o que eu disse ao abrir meu post sobre Avatar: foi meu presente de Natal!

Quanto ao Leo di Caprio, assino embaixo: ele é absolutamente demais. E acho fenomenal ele ser bom desde de tão cedo - já dava show lááá em Diário de um adolescente (confissões de um adolescente? ih, agora não sei).

Bjs!
Rita

Alessandro R. C. disse...

Pra mim o Natal segue sendo uma data mágica!

lola aronovich disse...

Loy, até concordo contigo: desejo por comida e por um produto são parecidos. Só que tem algumas nuances: boa parte dos produtos a gente pode acumular. Já comida, não. E as mulheres têm uma relação muito conflituosa com a comida. Gula muitas vezes está associada a apetite sexual voraz, algo restrito aos homens. Certamente uma mulher comer não tem o mesmo status que uma mulher ter algo que provoque inveja... como um marido rico.


Drau/Debora, que horror! Como assim, o seu irmão te batia?! Que coisa terrível. Olha, pode mandar suas dúvidas pro meu email. Taí na frente, no meu perfil (que eu consegui voltar a incluir no blog na semana passada). É lolaescreva@gmail.com
No que eu puder ajudar...

lola aronovich disse...

Alex, oi, tudo bem, sumido?! Então, na realidade a lista dos filmes era muito mais longa, mas tive que cortar. Daí Family Stone (Tudo em Família) ficou de fora. Não acho um bom filme, mas também não acho ruim.


Puxa, Aline, obrigada pela notícia! Vamos ver se eu e seu marido somos nomeados no mesmo dia (28 de dezembro, pelamordedeus?!). De repente a gente é até empossada junta! Vcs já moram em Fortaleza ou vão se mudar pra lá? E qual a área do seu marido?

lola aronovich disse...

Diego, ah, que legal, comente mais sim! Prenda-me é uma delícia, tem um ritmo muito bom, e uma interpretação cativante do Leo. Brilho Eterno eu preciso ver de novo, porque sei que tem muita gente que ama o filme, e eu nunca achei nada de mais (mas só vi uma vez, em dvd, muuuuito depois de lançado no cinema).



Rita, exato! Eu fico bem revoltada com o pessoal que odeia o Leo e o trata como se fosse um ator medíocre que foi descoberto em Titanic. Pô, ele foi indicado ao Oscar de coadjuvante aos 19 anos por What's Eating Gilbert Grape (Aprendiz de Sonhador, acho). 4 anos antes de Titanic... Ele fez um bom Rimbaud, um bom Romeu, e virou ator preferido de um dos maiores diretores vivos, Martin Scorsese. Acho que o Leo tá absolutamente brilhante tanto em Infiltrados quanto em Apenas um Sonho (Revolutionary Road).
Ah, me diz onde vc viu Avatar em 3D em Floripa? E quanto custou? Abração!

Marilia disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Bbel disse...

Em mim só desperta o espírito glutônico, e como bem disse você, sem culpas. [rs]

cheiros,

Loy disse...

eieieei
e um homem de família hein hein?

L. M. de Souza disse...

tá errada essa sinópse da felicidade não se compra. James é o empresário que é salvo pelo anjo na noite de natal. sim, é um filme ingênuo, mas há uma mensagem positiva interessante, há uma crítica ao capitalismo deslavado que só almeja o lucro. eu me emocionei muito no filme e não acho datado, apesar de ter sido feito numa época em que os estados unidos estavam precisando de uma dose de otimismo.

Lord Anderson disse...

Lola e amigos aqui do seu espaço tão especial.

Tb não comemoro o Natal por questões religiosas, mas não posso deixar de desejar excelente festas p/ todos vcs.

Falando de filmes natalinos, eu recomendaria a animação japonesa
Tokyo Godfathers.

É um filme antigo, que saiu em DVD aqui faz tempo.

Se encontrarem deem uma chance, mesmo que não costuma gostar de desenho.

Ele é otimo.

Luisa de Castro disse...

Own, que bom :3 você também gosta de comédias românticas!
Sei lá, as vezes eu tinha a impressão de que você só gostava de filmes feministas, entende? Mas que bom que você gosta de muitas coisas ^^

Mari Lee disse...

Acho bom você não ver Sempre ao seu Lado, não, Lola. É um bom filme e tal, mas é muuuuuuito triiiiiste!

Avatar é Pocahontas com super efeitos especiais.
Até o nome do protagonista tem as mesmas iniciais e o mesmo número de letras!
Montagem comparando cenas de Avatar e Pocahontas: http://raizasas.blogspot.com/2010/05/original.html

Eu adoro o natal.
Dia de reunir a família e comer coisas gostosas. E pode me chamar de consumista, mas ainda gosto de ganhar presentes. E de dar presentes, também (só é chato ter que pensar em que presentes dar para todo mundo).

Dos filmes que você citou, eu só associaria O Estranho Mundo de Jack, A Felicidade Não se Compra e Simplesmente Amor ao natal.
(da lista, só não vi Natal Sangrento, e não fiquei com muita vontade de ver)

Quando eu era criança, gostava de Milagre na Rua 34 (todo mundo deve conhecer, mas é um que tem uma versão mais antiga com a Natalie Wood pequena, e uma mais recente com Richard Attenburgh no papel do Papai Noel...). É bobinho e piegas e bem "americaninho", mas eu gostava. Mas passava tanto na tv que enjoei.

Costumo detestar o Jim Carey, mas O Show de Truman é muito bom. Mas também acho que ele está melhor em Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças - ele consegue quase não fazer caretas!
Eu adoro esse filme!
E aceito o Colin Firth, se alguém quiser me dar um presente de natal.