domingo, 20 de fevereiro de 2011

OS DONOS DO PEDAÇO

Viram essa notícia recente sobre o gato ladrão na Califórnia? Parece que, em três anos, o pequeno felino surrupiou 600 dos mais diversos objetos de seus vizinhos. Uma câmera o pegou no flagra (adoro essas fotos de flagrantes de gatos! Observem as pupilas!). Imagino que ele coletava uma esponja num banheiro de alguém, levava pra casa, e a deixava de presente pro seu dono. Melhor que encontrar baratas e lagartixas decapitadas na cama da gente, à la Poderoso Chefão. Mas esse tipo de comportamento felino pode acabar com um casamento: de quem é essa calcinha aqui? Se bem que se todo dia você encontrasse objetos estranhos na sua casa (“esse dinossauro de brinquedo é seu?”), você desconfiaria. E o gatuno deve dormir o dia inteiro depois de uma noite tão movimentada... Mas o mais legal é que ninguém pode acusar o dono de treinar o gato pra roubar. Porque tente treinar seu gato pra fazer qualquer coisa (não quero me gabar, mas meu Calvin joga futebol que é uma beleza).

*Palavras como meu gato e dono são puramente ilustrativas. Se é pela hierarquia na casa, eu sou a humana do Calvin.

A crônica que segue é antiga, tem vários anos, mas nunca foi publicada na internet.

ZONA FRANCA DE JOINVILLE
Preciso relatar que os gatinhos da região estão em pé de guerra contra meu vizinho, que trocou o portão de sua casa. Eu explico: tenho a honra de ser vizinha do Silvestre, c
onsagrado diretor de teatro da cidade. Ele é meio indiferente aos animais, não gosta nem desgosta, então sua casa é a única por perto sem cachorros no quintal. E os gatos adoravam essa zona franca. O portão do Silva tava velho, tinha uns buracos, e os gatinhos aproveitavam a passagem pra se divertirem lá à noite. Não no sentido de diversão que você tá pensando, já que o Calvin, meu gatinho amarelo, a Blanche, minha gata esplendorosamente preta, e o gato de outro vizinho, que minha mãe chama de Sadô porque ela jura que ele gosta de sofrer (o gato, gente, pelamordedeus, não o vizinho!), são todos castrados. Ninguém sabe ao certo o que os gatos fazem nesses territórios comunitários, sem dono (o Silvestre não conta, coitado). Mas há relatos que eles deixam as desavenças de lado, pois as desavenças costumam ser territoriais, e nas zonas livres não existe o rei da cocada preta. Pode até ser que a Blanche e o Calvin, que normalmente olham feio pro Sadô, dêem banho de língua nele quando estão na Terra de Ninguém. Ou talvez eles só conversem. Quer dizer, agora não mais. Agora o portão novinho do Silva não dá mais acesso.
Só pra você saber, os gatos têm meios de marcar território, entre eles arranhar, fazer xixi e se esfregar nas coisas. Portanto, quando um gatinho se esfregar em ti, ele não está necessariamente declarando seu amor, mas avisando os outros gatos que “este humano é meu, cheguei primeiro”. Outro dia presenciei uma cena bizarra – o Calvin se esfregou no meu cachorrinho Hamlet que, sentado, imóvel, tentava vigiar sua comida. O Cal não quis nem saber: passou deixando suas glândulas aromáticas no Ham até chegar à comida dele, e aí pôs a patinha no prato, só pra garantir. Ao cão, só lhe restou ficar estupefato com a cara de pau felina. São ou não são bichinhos admiráveis?

21 comentários:

Shoujofan disse...

Eu amo gatos... Também, se tenho cinco, como não amá-los? Curioso é que cada um deles têm uma personalidade diferente, habilidades diferentes. Dois dos meus gatos sabem abrir portas. Na verdade, três, mas esse terceiro é preguiçoso e se os outros podem fazer por ele, por que se esforçar? Enfim, quem não tem gatos deveria experimentar... ^_^

Mas estou passando por uma angústia aqui. Um dos meus gatos, o maior da casa, o mais peludo, o meis inteligente, está com suspeita de tumor... E é como é doloroso saber que a supeita deve estar certa...

betina moraes disse...

lola,

meu bóris e meu bassey agradecem a descrição divertida do comportamento felino (meu animal preferido!)

ótimos textos, garota!

um beijo.

Pedro Alexandre Sanches disse...

Hahahaha, Lola, sensacional!

Só por coi coincidência, tô no meio de uma experiência encantadora de monitorar o convívio de uma cachorra com duas gatas recém-chegadas (e já bem donas do pedaço). Fico aqui às lágrimas com as paqueras na madrugada que elas pensam que eu não tô vendo...

Pat Ferret disse...

Tenho 4 gatos, 3 ferrets e uma cachorrinha. A cachorra acha que é minha dona, os ferrets acham que são gente e os gatos acham que sou escrava.

Depois de muita relutância, entreguei os pontos, pq lutar contra o status quo é muito difícil, ainda mais estando em minoria... Rs ;-)

lola aronovich disse...

Valéria, a gente sempre acaba conhecendo bastante gente que, se não odiava gatos, pelo menos os evitou a vida toda. Até que tem um... e se apaixona completamente. Gatos são muito apaixonantes.


Obrigada, Betina. Abraços pro Bassey e pro Bóris (eu quase dei esse nome pro Calvin, mas minha mãe não quis porque era apelido do meu pai, Bernardo. Mas a verdade é que o Cal não tinha cara de Bóris).

lola aronovich disse...

Pedro, ha ha, quer dizer que vc fica espionando sua cachorra e gatinhas na madrugada? Espero que elas se adaptem bem. Eu morro de saudade de ter um cachorrinho, e quero muito arranjar um. Mas dá um pouco de preguiça (cachorro exige muuuuito mais trabalho que gato), e fico receosa que os gatinhos levem um tempo pra aceitar. E além do mais, o Calvin tá no maior grude comigo, me segue pra todo canto, tipo cãozinho carente. Não quero romper a lua de mel.


Pat, tenho muita curiosidade em saber como é essa convivência entre seus gatos e seus ferrets. Assim, os gatos não atacam os ferrets nem de levinho, pra brincar com eles?

Cláudia disse...

Lola, adoro quando você fala sobre gatos e bichinhos em geral. Tenho dois siameses, gêmeos, de 3 aninhos: o Bóris (nome pelo visto mto apreciado pelos pais e mães de gatos) e o Vlad. É incrível como eles têm mesmo personalidades, gostos e vontades bem peculiares. O Vlad por exemplo, adora milho e joga bolinhas de papel como ninguém. O Bóris já é um gato mais molengão e folgado, que adora receber carinho e mimos de quem quer que seja! Eu sinceramente não entendo por que bichinhos tão adoráveis sofrem tanto preconceito e injustiça. E Shoujofan: muita força para você e seu amiguinho. Que tudo dê certo e que ele possa se recuperar!

Roberta disse...

Não gosto de gatos,eles vão dominar o mundo em 2012 e escravizar os humanos.
Vi num site a cara de mau deles.Olha:

http://www.oversodoinverso.com/gatos-com-bigodes-naturais/

Adriana disse...

Oi Lola

Adorei a crônica, alias adoro quando você fala de gatos (bom, quando fala de outras coisas também)! Eu daqui da França morro de saudades do meu Constantin, lindo siamês de 10 anos, que nao pôde vir e hoje mora com minha mae.

Pelo menos mato a saudade do convivio com gatos na casa dos meus sogros franceses - minha "belle-mère" tem cinco, faz parte da Associaçao Protetora dos Animais e esta sempre recolhendo gatinhos doentes ou abandonados.

Alias, uma das coisas que primeiro me chocaram aqui na França foi saber que dezenas de milhares de cachorros e gatos sao abandonados para morrer todos os anos pelos seus (egoistas, desnaturados, monstruosos) donos, quando a familia sai de férias. Sério, da para acreditar nisso?!? Os animais sao simplesmente abandonados no meio da estrada para morrer! Algo em torno de 100 mil cachorros e gatos morrem nesse massacre anual. Na época das férias sempre tem campanha para apontar a crueldade dessa pratica, mas nao adianta muito.

Alias, falando em crueldade. O mais novo morador da casa dos meus sogros é um lindo gatinho cinza, de três meses, carinhoso e brincalhao. A filha de 5 anos de seus antigos donos furou um de seus olhos tentando pentea-lo (imagina o nivel da violência, para conseguir furar o olho de um gato durante uma "brincadeira"). O pior veio depois: os pais da criança levaram o gatinho ao veterinario e simplesmente o abandonaram la!! Bem se vê que o tal "acidente" aconteceu num ambiente familiar sem muito respeito pela vida de um animal.
Dai minha sogra o adotou, porque aparentemente ninguém mais queria um gatinho com um olho so...

Deize disse...

Tem uma frase ótima, que diz o seguinte: "gatos não têm donos, têm staff."

Eu tenho certeza disso! Ai de mim se não fizer o que a minha pede...

Pat Ferret disse...

Olha, Lola, aqui em casa todo mundo vive em paz. Tem uma gata, inclusive, que vai dormir junto com os ferrets de vez em qdo, e a cachorrinha adora brincar com eles... Claro que brincadeira de bicho, às vezes, pega meio pesado, mas os ferrets sabem se "defender". ;-)

A experiência me ensinou que bichos (os bem tratados, claro) só se estranham se o dono for nervoso e lhes transferir estresse. Com tranquilidade e paciência, tudo corre bem!

Se quiser, dá um pulo no meu blog:
www.fucadeferret.blogspot.com

Anônimo disse...

O fato é treinado pra roubar kkkkkk
kkkkkkkkkkkkkkkkkk.Adoro gatos.

Anônimo disse...

Putz,quiz dizer o gato.

Vinícius Ferreira disse...

Oi Lola, minha relação com os bichos mudou muito. Mudei de casa a alguns anos. Tenho o Balu, um Akita e um vira chamado Banzé. Tive um gato doente chamado Baguera, que não resitiu à convivência com Balu e sumiu no mundo.Saudades de meus vizinhos queridos.Saudade da Neli, tua mãe, minha maetra e espanhol.
Silvestre Ferreira

lola aronovich disse...

Silvestre querido, que bom te ver por aqui. Foi seu filho Vini que me encontrou no Twitter. Pois é, eu sei que vc mudou completamente de atitude com os animais. Eu lembro quando, no começo da nossa relação de vizinhos, vc tinha muito medo de um cachorrinho que ficava na esquina (mas também, aquele era um monstrinho, e não devia ficar solto na rua porque atacava todo mundo, inclusive crianças, carteiros de bicicleta, e meu amado cachorrinho Hamlet, quando eu o levava pra passear). E sei muito bem que, apesar de vcs não terem bichos quando moravam em frente a nossa casa, vcs tratavam as visitas barulhentas (vulgos gatinhos que consideravam a sua casa uma zona franca) muitíssimo bem. Mas fico feliz que pouco depois vcs descobriram a felicidade que esses bichinhos todos trazem, e resolveram adotar alguns.
Atenção: meu querido ex-vizinho Silva é, além de um dos melhores diretores de teatro do sul do país e fundador da companhia Dionisos, também Secretário da Cultura em Joinville. Foi através dele que conheci dois políticos que respeito muito, Marquinho e Carlito Merss, atual prefeito de Joinville (e a primeira vez que uma pessoa de esquerda governa a maior cidade do estado). Saudades de todos vcs! Venha visitar a Nelly, o Silvio e eu em Fortaleza.

Luma Perrete disse...

Aqui na casa do meu namorado quem manda é a Aika hahaha

A moça que levou ela e as irmãz dela na feira onde nós a adotamos tem um gato que ela treinou pra fazer xixi e cocô no vaso. Achei o máximo.

Daniela disse...

Também sou fã de felinos, em especial dos gatos. Adoro-os!
Já tive e tenho gatos, e eles são bem diferentes um do outro.
E já fui testemunha de pessoas que não curtiam gatos até terem o prazer de conviver com um, e então se apaixonarem perdidamente!

Engraçado como os gatos podem ser viciantes, né? Quem tem um sempre quer mais.

Flávia disse...

Adoro ler sobre gatos! Tenho o Romário e a Mini-Mini. Eles "ainda" não roubaram nada. Que eu saiba.
Sou staff da Mini-Mini, com certeza. Sirvo para as coisas básicas, comida, água, coçar. Nada muito complexo, graças a Deus. Romário me deixa mais a vontade e me trata de uma forma mais amigável.

Lola, eu tenho um cabrito aqui em casa. O Augustus. A Mini-Mini odeia qlq outro ser vivente que não possa ser staff. O Romário adora o bodinho. Vive por lá, na casa de Augustus. Os dois gostam de dividir o milho.

Anunciação disse...

Fico tão feliz quando tem post sobre os gatos.Tive um gatinho q me adorava:sempre trazia baratas suculentas pra colocar numa sapatilha para o caso de eu precisar;tive q colocar a dita cuja fora e conversar sério com ele explicando q eu tinha horror a baratas.Como nesse tempo tinha um(a)malfazejo(a)que envenenava gatos,na vizinhança,perdi-o,assim como outros.Hoje em dia acho que esse ser abjeto se mudou e eu nunca soube quem era.

Teresa Silva disse...

Gatinho travesso! Poema de Pablo Neruda em homenagem a ele e a todos os gatos:
http://blogs.utopia.org.br/poesialatina/ode-ao-gato-pablo-neruda/

Lola, como o Calvin reagiu à mudança de clima de Joinville para Fortaleza? Sentiu a diferença ou não?
Morro de pena das minhas gatas: me mudei da região serrana do Rio para a capital. Nos dias em que "o forno está ligado", elas ficam de costas no chão e com as patas suspensas no ar, morrendo de calor. E apenas uma entra na sala quando o ar condicionado está ligado, a outra não sei se por causa do barulho ou do ar seco não entra.

olhodopombo disse...

Muitas coisas eu adorei em Israel,
porem ver Gatos bem cuidados por todos os cantos de todas as cidades e a quantidade de passaros e Pombos, foi DEMAIS!