domingo, 14 de novembro de 2010

LOUCURA DE GATO

Quando eu escrevi a crônica abaixo, uns sete anos atrás, não conhecia o magnífico Simon's Cat. Nem sei se já existia. Imagino que hoje em dia todo mundo conheça. Se não, veja o que um gatinho pode fazer com uma caixa (a Blanche faz igualzinho!), ou o holocausto nuclear que um mini-felino pode causar numa casa (o que eu mais gosto é do barulhinho). E mesmo assim vale muito a pena conviver com gatos (e com cães também).

Uma coisa que meu
fabuloso livro El Gato não menciona, mas que qualquer um que tenha gato pode constatar, é que felinos sofrem de surtos de insanidade temporária. Não é uma doença grave, doutor, nada com que se preocupar, mas tô chutando que seja herança de um passado selvagem. Os felizardos “donos” de gato logo se acostumam com essas pequenas loucuras. Quando eu e o maridão notamos as pupilas dilatadas do nosso gatinho, falamos “Ih, ele tá locão”, recolhemos o cão e nos trancamos no quarto, se bem que um abrigo nuclear seria mais apropriado. Não, tô brincando, claro. Gatos locões não fazem mal à ninguém. O Calvin simplesmente persegue a própria cauda, e a Blanche, minha bela gata preta, corre em disparada. O Freud, Fru para os íntimos, meu adorado gato azul que morreu aos 14 anos, gostava de pular nas paredes e no cão, o que aparecesse na sua frente antes. E juro que o cão gostava de ser surpreendido pelo gato locão que se escondia atrás da porta.
Ouso dizer que, se um gato quebra algum objeto, isso geralmente ocorre durante as sessões de insanidade temporária. Mas é injusto achar que felinos são destruidores. O Calvin, por exemplo, em três anos de gatitude plena, quebrou apenas um vaso aqui em casa. E eu vi que não foi de propósito. O pobrezinho caiu ao tentar aterrissar na geladeira, ué. Vai dizer que isso nunca aconteceu contigo? Tá, uma ou outra vez ele tentou chegar ao teto usando as cortinas, mas elas sobreviveram. O Fru, eu tenho que confessar, realmente matou alguns móveis por aqui. Mas não foi por mal! Tenho certeza que os arranhões doíam mais nele que no sofá. Já a Blanche é mais discreta: ela não destrói nada, mas acorda o maridão olhando fixo pra ele e, se ele demora demais pra se levantar e abrir a porta, pulando na barriga dele. Só muito raramente ela o arranha de leve ou morde seu nariz. Nessas ocasiões, o maridão acorda sobressaltado e pronto pra relatar pesadelos em que estava sendo dilacerado por garras, mas é tudo exagero dele.

19 comentários:

Marilia disse...

Eu chamo a loucura felina de "Os olhos pretos da loucura" ou "The black eyes of madness". E confesso que adoro quando Á-gata (nome da minha gata amada) está assim! Adoro vê-la correr, arranhar a porta, rasgar papel, e tudo o mais.

Ela nunca destruiu nenhum móvel. E só quebrou um enfeite uma vez. Eu prefiro a gata aos enfeites, sempre!

Á-gata pula no computador quando quer sair do quarto. Acordo na hora e abro a porta. Ela já aprendeu: não me morde mais, não me arranha, não pula em mim, só no computador.

satya disse...

Eu tenho 3 felinos em casa e nenhum móvel inteiro. Desisti de ter plantas já faz uns três anos e minhas roupas de cama (aquelas de 465748768 fios) são todas furadas.
I wouldn't have it any other way. :)

so sad disse...

eu tinha uma gatinha a Aninha, ela disparava a correr, por toda a casa, em circulos, ninguem consegui pega-la, entao se escondia, passava um tempinho e saia como se nada tivesse acontecido. rs

Júlio César Vanelis disse...

kkkkk... Realmente todo gato tem seus momentos de loucura... Eu tive um gato que era um pouquinho mais louco que os outros, o Johny: Ele simplesmente batia com a cara no muro ao tentar subi-lo, por vezes estávamos fazendo carinho nele e ele simplesmente surtava, dava pulos enormes, nos arranhava e depois saia correndo e sumia por umas 2 horas... Doidinho, né? rsrsrs

Abraços Lola

Andrea disse...

Adoro os posts felinos! ;)

Insana disse...

rs Toda mulher tem uma felina dentro dela...


bjs
Insana

Mauricio disse...

Este post me deu saudade de minha gata, que, como não eu não tinha nenhuma outra gata, eu chamava de gata mesmo.

Era uma bela exemplar da raça "pelo curto brasileiro", vulgarmente chamada de vira-lata.

Quando chegamos na casa ela já estava lá e como não conseguimos expulsar, adotamos.


Era muito branquinha e extremamente dócil.

Jamais me arranhou de propósito, nem quando eu acidentalmente pisava na cauda dela.

Só me arranhava quando eu fazia cócegas na barriga dela.

Mas era mais culpa minha que dela.

Jamais revirou lixo, subiu na mesa ou nos móveis.

Era extremamente agitada mas entendia muito bem um "não". E respeitava.

Uma vez ela apareceu prenha e entrou em trabalho de parto no meu colo.

Teve três gatinhas.

Duas, desconfiadas e agressivas.

Uma, idêntica à mãe, na aparência e personalidade, era extremamente dócil.

Uma vez uma apareceu morta, à dentadas e minha mãe achou que ela estava comendo os filhotes.

Não acreditei.

Outra apareceu morta e descobri que eram atentados de um outro gato invasor que batia na minha gata e matava os filhotes.

Tentamos de tudo quanto é jeito, proteger a última, mas tivemos que dá-la.

Um dia cheguei em casa e ela estava morta.

Já vinha doente há muito tempo.

Sempre me lembro com saudades do bicho mais extraordinário que eu tive.

Ela às vezes agia como cão.

Quando batiam ao portão, ela só faltava latir.

Corria do portão até mim, e ao portão de novo, miando, avisando que tinha alguém chamando.

E quando ela queira algo, carinho ou algo para comer, ao invés de miar, ela me cutucava com a patinha, chamando minha atenção.

Enfim, acho que nunca mais vou encontrar uma gata como ela.

Mirella Nogueira disse...

Maurício,

Sim, gatinhos são inesquecíveis e é muito bom tê-los como bichinhos de estimação. Mas, para evitar esse tipo de coisa que aconteceu com sua gatinha, a melhor coisa é a castração. Ainda mais para gatos que saem de casa para passear. Portanto se vc for ter outro gatinho ou cachorro, efim, não esqueça de sempre castrar, seja macho ou fêmea.

Mauricio disse...

Mirella,

nós dávamos injeção de anticoncepcional, próprio para gatos.

Mas depois fiquei sabendo que não é muito bom para a saúde do animal.

O cão não castraria pois estes não escalam muros e não têm como se relacionar com outros animais sem a anuência do dono.

Pode deixar que, se houver uma próxima vez, irei castrar o gato.

Felina disse...

A Mauricio está tão enganado quanto as cães, ahahaha, inocente, tenho um amigo que a cadela apareceu grávida e ela nunca saiu de dentro do pátio da casa, sabe como foi? na rua tinha um macho "pegador" que pegou a cadela pela grade do portão mesmo, instinto é instinto, por isso castre SEMPRE, seja macho ou fêmea, na natureza a anuência do dono parece ser ignorada!

Mauricio disse...

To besta.


Pela grade?!?!?!


Que safados!

=draupadi= disse...

kkkkkkkkkkk adoro!
Teve um dia q tinha um louva-deus [ou similar] enorme e grande no meu quarto. Eu, que morro de medo de bichos voantes, comecei a gritar, e Diadorim veio me salvar. Daí quando eu percebi que ela gostou da idéia de ser minha heroína, travou uma briga semelhante a essa do vídeo contra o inseto. Ás vezes ela dava sinais de cansaço, e eu incentivava: pega, pega, Diadorim, pegaaaa!!! Aí ela ficava valente de novo.
Por fim, ela matou o bicho. Só que colocou na boca e colocou do meu lado na cama.
aaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhh!
Ela foi minha jagunça quase perfeita naquela noite!

Flávia disse...

Ai, que delícia de post e comentários! São histórias ótimas! Quanto a colocar a "caça" ao lado da cama, toda manhã tenho que olhar no chão antes de levantar, pq tem sempre uma "caça" diferente, que eles, Mini-Mini e Romário, orgulhosamente, me mostram.
Os dias de loucura dos dois, geralmente é o mesmo dia! São irmãos! Piram juntos! Mas minha casa é a prova de loucuras. O sofá não é de pano, não tem cortinas, essas coisas que vc vai adaptando para que não vire tudo um monte de quinquilaria após as loucuras felinas. O pupilão dilatado é a característica básica desses dias. O melhor é que eles simplesmente esquecem que dividem a casa com um ser humano, não tão ágil assim, e vc acaba "trupicando" no meio da correria. Mas é sempre divertido de ver!

Ale Picoli disse...

Faltou descrever a "orelha do mal", que é quando eles viram as orelhinhas pra trás nos momentos de loucura. E aquele barulhinho de caçador que alguns fazem? Viver com gatos é jamais ter lençóis com todos os 300 fios que o fabricante disse que tinha, e é praticamente morrer de fofura todos os dias :)

Natee12 disse...

Ai, deu saudade de meu gatinho, Lion, ficou 12 anos conosco, casei, ficou com minha irmã, daí ela engravidou, e tem aquela lenda de doenças de gato, e ela deu nosso bichano...
Adorei Simon! kkkk
Vi este comercial com gatos que é simplesmente fantástico:
http://www.youtube.com/watch?v=Z7vXP3tHzhA&feature=fvst

Ana Lopes disse...

Gato em caixa este vídeo é ótimo http://tumblr.com/xnlq0bgb2

BSvox disse...

Lola,

Li vários post, mas esse me cativou completamente. Tenho gatos a 9 anos e só esse ano começaram os ataques de loucura com uma recem chegada, em 6 meses ja quebrou algumas coisas, uma delas uma garrafa de café bem feia, foi uma questão de bom gosto, claro. As cortinas e os sofás são costumizados por eles.
Adorei o Blog.
Bjs.

Ro Salgueiro disse...

Em minha casa somos eu, marido e 13 gatos, Lola. Sim, eles podem ser muuuuito destruidores. Tem gato de todo tipo, inclusive da categoria "derrubadores", que são os que se divertem derrubando qualquer objeto sobre superfície lisa. Tipo celulares. Resultado: minha casa não tem bibelôs. E eu gosto de bibelôs. mas gosto ainda mais dos gatos. Assim que terminar esse doutorado horrívi vou arrumar um emprego e comprar muitas cristaleiras. E continuar morando com meus lindos gatos loucos e destruidores. =^_^=

N. disse...

Adorei seu post. Vou te seguir, ok? Beijos!