segunda-feira, 29 de agosto de 2011

PRA QUEM NÃO GOSTA, TODO FEMINISMO É RADICAL

Minhas leitoras e leitores são demais! Aprendo muito com el@s. Eu escreveria um post gigantesco pra expressar claramente o que a Liana foi capaz de dizer em um parágrafo:
Misandria = ódio ou desprezo pelo sexo masculino. Feminismo = movimento que defende direitos iguais e uma vivência humana liberta de padrões opressores baseados em normas de gênero. Bem diferente. Qualquer mulher que diga que homens deveriam não existir, que estaríamos melhor sem eles, estão propagando ideias misândricas, e não feministas. Aí está o termo extremista, já existe, não precisam inventar nenhum xingamento ou expressão chula. E tampouco relacionar uma com a outra. Se alguma mulher dessas se envolver em querelas feministas, relacionem a atitude dela com aquilo que ela é... uma misândrica”.
Perfeito. De fato, uma coisa não tem nada a ver com a outra. Achar que feministas odeiam homens é ideia (fixa) de quem odeia o feminismo, mas está longe de ser verdade. Na realidade, eu não conheço uma só feminista que se encaixe nesse perfil, e olha que eu conheço um monte (mais virtualmente que na vida real, mas ainda assim). Conheço algumas mulheres que, não sei se realmente odeiam homens (quem é louc@ pra odiar metade da humanidade? Opa, os mascus!), mas vivem dizendo “Homem não presta”, “homem é tudo igual”, e emitindo opiniões muito desfavoráveis aos homens de forma geral. Ironicamente, nenhuma dessas mulheres é feminista. Pelo contrário, elas detestam o feminismo.
Também não entendo por que algumas pessoas têm a necessidade de um rótulo para chamar @s “extremistas” de um movimento. Quem é extremista? Quem é radical? De acordo com que padrão? Se extremistas existem em todo e qualquer movimento, eles são minoria. São tão minoria que a maior parte dos ativistas nem sabe que existem. Mas sabe quem sabe, ou acha que sabe, que extremistas existem? Quem vive de criticar todo e qualquer movimento social. Pra essas pessoas, o próprio fato de existir um movimento social que luta por direitos já é um ato extremista. Essa gente ou quer manter seus privilégios intocados ou acha que ninguém tem que se mexer, que revolta é coisa de comunista, ou, como disse um leitor esses dias, de “estudante de Humanas”. Porque o mundo é uma maravilha só do jeito que tá, e em time que está ganhando não se mexe, se melhorar estraga, né?
Os mascus, por exemplo, que têm como missão declarada destruir o feminismo, que tanto empobreceu as mulheres (eles gostariam de voltar à década de 1950), só conhecem uma feminista: Valerie Solanas. Eles têm muito mais familiaridade com a Solanas do que eu. Apesar de eu me considerar feminista desde criancinha, só ouvi falar na Solanas quando vi um filme independente, Um Tiro para Andy Warhol. E no filme o mais importante é o que tá no título (ela atirou num artista super conhecido; felizmente não conseguiu matá-lo), não que ela é feminista. Ela escreveu um manifesto chamado SCUM, cujas iniciais talvez (isso não está em nenhum lugar do livro) signifiquem Society For Cutting Up Men (Sociedade para Mutilar os Homens). O manifesto é absurdo, e muita gente acha que Solanas estava sendo sarcástica. Obviamente quem pensa que todas as feministas são como Solanas creem que ela estava falando seríssimo. De um jeito ou de outro, achar que Solanas representa o feminismo, que ela é sequer um nome importante, é tão ridículo quanto dizer que Jack o Estripador representa os homens.
Enfim. Nunca vi o termo “feminista radical” (ou seu insulto pesado, feminazi, criado por Rush Limbaugh, um dos maiores reaças americanos) ser usado com um mínimo de bom senso. Ele é empregado toda vez em que uma feminista não fica lá, quietinha no seu canto, calada e fofinha, deixando que os homens falem por ela, ou quando critica alguém. Qualquer um. Qualquer coisa. Como disse a Liana num outro comentário, em quase 100% das vezes que ela ousou dizer que algo era machista, falaram pra ela relevar, não dar importância. Tem algum post aqui sem algum comentário do tipo “Tem tanta coisa mais importante acontecendo no mundo e vocês ficam falando disso”? Se essa mesma feminista que ouve um “Releve, deixa estar”, não relevar e criticar, o que acontece? Aí ela deixa de ser feminista, esse conceito abstrato, e torna-se uma feminista radical.
Não que haja algo errado em ser radical. Radical quer dizer que você realmente defende uma causa? Que pessoas que já não gostam da sua causa vão se irritar? Que você vê machismo até em inofensivas piadas? Que você não acha que um filme é só um filme? Se for isso, sou radical.
Tem quem defenda o uso de femista pra diferenciar feministas de mulheres que odeiam homens. Nunca usei femista e não sei de onde veio, mas desconfio que foi da mente torpe de alguém sem apreço pelo feminismo, que cria um termo com uma só sílaba a menos para confundir. Não tem por que usar femista, até porque o termo associa ódio ao homem exclusivamente a mulheres e feministas. Quando a gente se refere a alguém que odeia mulher usa só o prefixo mis, que quer dizer ódio, com o radical gino, mulher. Por que com ódio aos homens deveria ser diferente? Misândrico segue o mesmo princípio correto: o prefixo mis com andro (homem).
Nessa confusão sobre o que é feminismo radical se misturam outras besteiras. Por exemplo, isso de achar que toda mulher é feminista. A gente sabe que não é, e que inclusive tá cheio de mulher com os mesmos valores machistas dos homens. Mas, na hora de atacar femininista, vale tudo ― até inventar que mulheres num programa de TV americano que riram de um pênis decepado seriam feministas. Essas mulheres nunca se declararam feministas. É um programa de auditório bem baixo nível. Mas, pronto, elas viraram feministas de uma hora pra outra pra quem tava louco pra atacar o feminismo.
Rir de pênis decepados, sacanear homens, objetificar homens, odiar homens, piadinha sobre homem incapaz, comercial de produtos de limpeza tratando homens como incompetentes (e assim perpetuando a lenda de que só mulher pode cuidar da casa) ― nada disso é feminismo. Nem feminismo limpinho e cheiroso nem radical, seja lá o que for isso.

124 comentários:

Yúdice Andrade disse...

Lola, talvez você goste de saber que uma juíza criticou duramente o réu e seu advogado, durante um julgamento do tribunal do júri, no qual tentaram culpar a mulher pelo crime que sofreu. A juíza subiu o tom de suas palavras e pôs o dedo na ferida. Para conhecer o caso, leia aqui: http://www.conjur.com.br/2011-ago-28/juiza-critica-reu-defesa-tentar-atribuir-mulher-culpa-crime
Gostaria de ver uma opinião sua sobre o caso. Um abraço.

Leila Silva disse...

Lola,

Muito bem, mais um excelente post.

Entrei também para dizer que estou lendo um livro que você sugeriu aqui, O MITO DA BELEZA, e para agradecer a sugestão, estou gostando muito e vou sugerir sempre que tiver a ocasião. Acho uma leitura importantíssima, como você já frisou no post daquela moça que não consegue ser feliz com o corpo que ela tem. Eu espero que ela tenha lido o livro, não dá para garantir que vai mudar a vida de uma pessoa, mas pode nos alertar, mostrar outros ângulos ou reforçar coisas que já sabemos, mas que faltava um índice, um número, um nome importante para confirmar. Agradeço de todo coração essa sugestão assim como aquela outra do PRECONCEITO LINGUISTICO (não sei se já agradeci), amei esse livro também. Li um e outro em PDF, mas comprei esse do Bagno e já dei de presente para minha irmã e outra pessoa, se tiver como vou comprar também um exemplar do MITO DA BELEZA.

Abraços

Lucas disse...

Genial, Lola

Seu blog faz um serviço público de informar.
Com tanta desinformação e preconceito em relação ao feminismo, posts que abordem esse tipo de tema são essenciais.
Já tive que me desdobrar pra tentar explicar pra uma mulher que feminismo não era machismo ao contrário. Mas gente conservadora, sabe como é...

Já vou mandar pro facebook!

Blanca disse...

Pelo contrário, essas propagandas que dizem que homens são todos uns incompetentes para serviços domésticos é machismo, pessoal!

Só está reforçando que homens só servem pro trabalho pesado, ou pro trabalho "lá fora" - lavar louça, limpar a casa, fazer comida, ah, não, não, são incompetentes.

É muito confortável, para os homens, pensar assim. Isso é machismo, não sei de onte tiram que é feminismo.


"Bombril, o produto que evoluiu com as mulheres" Se isso é estar na melhor, porran. Que que é tá mal, né.

Daní Montper disse...

Lola, se não entenderem agora, nem com desenhos entenderão! :p

Niemi Hyyrynen disse...

Parabens à Liana que tem mais coerência para escrever sobre determinados temas do que alguns editores da wikipedia ...

Mateusz disse...

Lola, perfeito seu post. Mas é óbvio que todo movimento que discorda do status quo tende a ser visto como radical, o mundo é tão bom (para os dominantes), se alguém discorda realmente está exigindo privilégios, afinal todos já temos direitos iguais.

Nossa, Yúdice tem um comentário tão idiota nesse link que você postou. Homem que odeia mulher é muito doentio. Como você se relaciona com alguém que você não considera igual? No mesmo nível para uma conversa, uma relação...? Como se relacionar com alguém que você acha que não tem os mesmos sentimentos, as mesmas intenções? E é mais comum ver isso do que se imagina. Tem que ter muita terapia e muita política pública pra mudar isso.

Flavia Vianna disse...

Ainda tento entender por que boa parte dos homens acha que feminismo significa "ódio mortal ao sexo masculino". Dá vontade de perguntar o motivo deles pensarem desse jeito.

denise disse...

Eu tambem queria entender Flavia, pq eles odeiam tanto o feminismo, e atribuem todos os males do mundo a essa luta das mulheres, acho que mexemos com muitos privilegios deles e só pode ser isso, parece que esse tipo de homem não consegue enxergar os beneficios que trouxemos tambem, só posso esperar que um dia eles realmente caiam na REAL, como eles dizem e nos aceitem não como inimigas e sim parceiras.

aiaiai disse...

Yúdice, adorei a atitude da juiza. Valeu...até tuitei a história.

miss m disse...

Nossa, me identifiquei muito, não necessariamente em relação ao feminismo, mas porque eu sempre defendi que contar"piadas inocentes"sobre negros é sim, preconceito, piadinhas e musiquinhas sobre cabelo afro, se elogiada porque"sou bonita pq tenho traços de branco" É RACISMO sim( e cansei de ouvir isso a vida toda)enfim, sem pre fui considerada xiita e na verdade, racismo não existe.No Brasil não tem isso, só nos Eua, segundo o que ouvi a vida inteira.Quando qualquer um que observe as coisas sabe que não é bem assim né?

Thiago Pinheiro disse...

Todo movimento contestatório é tomado por "radical" por seus detratores. Mesmo aqueles altamente integrados a democracia liberal como trabalhismo vez ou outra sofre uma avalanche de vitupérios. É cada senhor que demonstra umas atitudes e palavras que deveriam ser incompatível com a função pública que exerce para rechaçar uma simples reivindicação de aumento salarial do professorado.
Quando se trata de algo que põe em questão toda a ordem social só tende a proliferar os comentários mais raivosos.
De todo modo, as pessoas empenhadas em desacreditar ideias e movimentos quase nunca empregam palavras como radical ou extremista com um mínimo de precisão que se possa compreender o que definiria tais coisas para elas. Prevalece a atitude reativa, não sabem se quer do estão dissertando quando mais propor uma classificação. Particularmente, gosto da acepção que o Karl Marx usa para radical, quem toma as coisas por suas raízes. Já para extremismo é proveitoso lançar umas pistas. Por exemplo, é extremista aquele que se situa nos extremos do espectro político, que de um ponto de vista espacial se encontra bastante distante do centro? Ou é quem faz uso de expedientes para minar ou destruir os institutos e canais de discussão política com um outro? Desse modo, o terrosismo é um de seus meios.
Então, não se verá que mesmo os mais radicais personagens não tem defendido atos terroristas.

Velásques disse...

Perfeito Lola. Lembrei de uma cena do documentário José y Pilar, que acompanha quatro anos da vida de José Saramago e de Pilar del Rio, companheira dele. Em um determinado momento eles estão discutindo sobre as prévias dos democratas no EUA e Saramago defende a vitória de Obama e Pilar a de Hillary, por ela ser mulher, ter se sacrificado pro marido ter sido eleito presidente, quando ela era mais capaz, etc. A Pilar faz uma defesa apaixonada da sua ideia e aí a amiga deles fala:Pilar, seu feminismo é muito radical, ao que ela responde: Meu feminismo tem que ser radical,pra compensar a falta de feminismo de umas e outras! Achei genial!!!

Miriane disse...

O texto está realmente excelente!
Mas eu vou te dizer, há uma certa proliferação da imagem errada do feminismo, há até blogs que acham que mostram em seus posts que ser feminista é cuspir no chão e coisas parecidas.
Uma segunda tendência atual é achar que feministas são lésbicas. O que retoma a idéia de ódio/aversão à homens.
Não vi o filme, achei absurdo o programa americano, mas temos que ser críticas também com o que nos cerca. Você faz parte disso, mtu bom!

André disse...

Flávia,
O feminismo não é um assunto de muito interesse para a maioria dos homens. De um modo geral, nosso primeiro contado com o feminismo se dá quando somos repreendidos por fazer alguma coisa que sempre estivemos acostumados a fazer. E ser repreendido, principalmente quando já se tem uma certa idade, nunca é muito agradável. Além disso, muitas das vezes em que alguém se dispõe a romper um "limite de civilidade" e fazer uma repreensão dessas é por algum tipo de saturação ter sido atingida, o que acaba acarretando uma certa animosidade.
É bom lembrar que, a partir da adolescência, quase tudo que fazemos é pelas mulheres, mas não por elas. Somos criados (em maior ou menor escala) e bombardeados incensantemente para nos comportarmos como machos alfa. Pode observar, todo adolescente (por mais remelento e fedido) sempre deseja a menina mais bonita da escola, nem se toca que a gordinha de óculos não é um prêmio de consolação que deve ser escondido dos amigos. Se esse adolescente não for ensinado, existe grande chance de (não) crescer achando que foi profundamente injustiçado pelas "mulheres".
Quando crescemos somos confrontados com o feminismo. Mas o que é o feminismo? Talvez a definição mais aceita seja a de que é a luta por direitos iguais. Mas, legalmente falando, as mulheres tem mais direitos que os homens. Então as coisas começam a ficar mais confusas. Porque a busca de igualdade passa por questões culturais, que são bastante distintas conforme a região do país ou o nível de renda envolvidos.
Não vivemos suas dores e não conseguimos aceitar o papel de algozes históricos de vocês.

Vivien Morgato : disse...

Realmente, quem mais repete frases no estilão "homem-é-tudo-igual" são mulheres que repelem o feminismo e que reagem a ele como se fosse uma nódoa.
Engraçado.

Lord Anderson disse...

Excelente o post com certeza.

Qualquer pessoa de boa fé tem suas duvidas sanadas desse jeito.

Agora só para continuar acreditando no contrario só se quiser mesmo.

mas é incrivel mesmo nivel de desinformação sobre o feminismo.

Quando adolescente eu achava que feminismo era sinonimo de mulher brava, rs

felizmente convivi e conheci muitas mulheres que eram feministas de fato e me ensinaram oq exatamente feminismo é. e não consigo ver como alguem pode ser contra.

Lord Anderson disse...

Sobre mulheres que não gostam do termo feminismo, tem algumas que tem preconceito justamente por causa da anti-propaganda de que seria algo "radical", o machismo asavessas

conheci uma garota assim que adorava esnobar as feministas etc.


ai perguntei para ela:

"vc gosta de poder cursar uma faculdade? de não ser obrigada a casar com quem seu pai escolher? de não ser apedrejada em publico pq faz sexo fora do casamento? de poder trabalhar sem precisar da permissão por escrito do pai/marido? de poder viajar a sua escolha? de poder ter bens em seu nome?

gosta? queria perder isso? então vc tem muito que agradecer as feministas."

diegopfranco disse...

Anarca-feminismo, ecofeminismo, feminismo cultural, feminismo descontrutivista, feminismo de gênero, feminismo espiritual, feminismo francês, feminismo pop, feminismo liberal, feminismo libertário ou individualista, feminismo mágico, feminismo materialista, feminismo marxista, feminismo radical, feminismo de libertação sexual, feminismo separatista, feminismo terceiro-mundista e transfeminismo. Mas feminismo bom é o SEU. O feminismo da Lola, o verdadeiro feminismo.

O feminismo, hoje, não mais obtém autonomia para representar as mulheres, enquanto classe, o que impossibilita a categorização homogênea que as incluem nas mesmas formas de atuação, opressão e subordinação. A base radical dos discursos emancipatórios que persiste até hoje não mais se sustenta, já que o fracionamento social desclassifica as teorizações universais. Os discursos generalistas, como o seu, renunciam a complexidade das identidades sociais e não asseguram a pluralidade flagrante. O movimento feminista, ou o que sobrou, desconhece que sua existência não mais reflete uma necessidade, pelo contrário, e que sua natureza vanguardista, se existiu, foi aniquilidada pelas mesmas conjecturas que o fizeram florescer.

Joel Bueno disse...

As mulheres que dizem "homem é tudo igual" são mais ou menos a contrapartida dos "masculinistas", né não?
A propósito, Lola: esperei, esperei, não teve post sobre a Marcha das Margaridas, um dos mais importantes atos públicos feministas do ano - talvez o mais importante.
É claro que eu não devo ensinar o padre-nosso ao vigário, nem pautar o blog dos outros... releve a minha audácia... ;)
Mas é que o feminismo não é, não deve ser um movimento de classe média. E as "margaridas" deram um show em Brasília.
Abç

Joel Bueno disse...

Melhor dizendo: o feminismo não é, não deve ser um movimento EXCLUSIVAMENTE de classe média.

Lord Anderson disse...

"O movimento feminista, ou o que sobrou, desconhece que sua existência não mais reflete uma necessidade, pelo contrário, e que sua natureza vanguardista, se existiu, foi aniquilidada pelas mesmas conjecturas que o fizeram florescer."

serio???

e todas essas mulheres se afirmando como feministas, todas as pautas que elas colocam, todas os moviemntos as reivindicações...

é isso que sobrou do feminsmo?


olha quem diz que feminismo acabou geralmente são homens, assim como são brancas a maioria das pessoas que dizem que o movimento negro não tem oq reivindicar.

desculpe-me, se eu levar mais a serio as pessoas que participam dos movimentos e que são diretamente afetadas por eles.

m4v3r1ckk disse...

"O feminismo, hoje, não mais obtém autonomia para representar as mulheres, enquanto classe, o que impossibilita a categorização homogênea que as incluem nas mesmas formas de atuação, opressão e subordinação"


Na boa, o feminismo que não consegue defender ninguém é o de pessoas boçais, que ficam preocupadas em efetivar um termo que represente "adequadamente" a ação que se pretende realizar junto à sociedade.

Enquanto uns ficam relativisando tudo e estão mais preocupados com nomenclaturas, outras pessoas estão preocupadas em dissiminar idéias, propor debates e praticar ações efetivas.

Só sendo muito petulante ou preguiçoso pra não saber qual destes dois "feminismos" é o que causará mais impacto na sociedade.

passar bem

letícia disse...

Eu acho que já comentei por aqui, em algum post, que eu achava que feminismo era aquilo de ser contra os homens, qur toda feminista era contra casamento, depilação e maquiagem. Massss...eu só achava isso porque eu não buscava informações. Quando passei a ler mais sobre o assunto, principalmente em blogs, que há opiniões de diversos ângulos, vi que é BEM diferente.
O feminismo luta pela igualdade dos gêneros.

Lembrei de algo que aconteceu sexta-feira: (primeiro saibam que eu tinha uma mente meio conservadora - nem eu sei pq - então eu era do tipo que achava que homem tem que abrir porta e deixar mulher passar primeiro) Eu estava voltando do trabalho, ônibus lotado, eu em pé. Um homem parou do meu lado, segurando uma pasta, diversos livros e uma blusa, mais a mochila. Estava se equilibrando entre as viradas bruscas a cada curva (porque a maioria dos motoristas de ônibus não respeitam os passageiros) e eu fiquei pensando 'poxa, ninguém que está sentado para para perguntar se quer que carregue os cadernos etc' porque quem anda de ônibus sabe que com as 2 mãos já é difícil, agora segurando com uma mão e um monte de material, pior ainda.
Eis que o moço que estava perto de mim ia descer e eu, ao invés de sentar, falei para o homem-cheio-de-cadernos sentar. Ele ficou nos 'não, senta vc' mas sentou. Após isso ainda disse, dando uma risada "não precisava não, eu sou homem, sou forte" (pq eu havia comentado que é difícil carreegar um monte de material e se equilibrar ao mesmo tempo.
Na hora que ele disse "eu sou homem, sou forte" deu vontade de falar "ah, já que vc é homem e forte, então levata ai que não vou mais te dar meu lugar não...afinal, sou mulher e por isso sou fraca" ¬¬
Machismo e Misandria tem em todo local, nos detalhes que todo mundo prefere deixar pra lá.
Infelizmente.

Yúdice Andrade disse...

Mateusz, acredito que você se referiu ao comentário (na verdade, três) de um engenheiro, que fez um desabafo triste. Ele até me inspirou uma postagem no meu blog: http://yudicerandol.blogspot.com/2011/08/donos-de-vacas-e-mulheres.html

Quero esclarecer, falando como advogado, que ainda hoje é raro um juiz sair do figurino da suposta imparcialidade e transformar uma decisão ou sentença em um libelo por alguma causa. Quando acontece, normalmente são libelos contra a criminalidade ou violência, quando então o juiz entra em sintonia com a classe média. Mas é raro defender alguma causa diferente, como neste caso, a das mulheres.
Quando acontece, sempre há reações, como a dos sujeitos criticando a "falta de imparcialidade da juíza" - como se houvesse juiz imparcial!
Vamos ver se o caso termina aí ou se a juíza ainda será chamada a se explicar por "excesso de linguagem" ou "falta de isenção para presidir o júri". A defesa pode se aferra a isso para tentar uma anulação do julgamento.
Só o tempo dirá.

[.ingrid.] disse...

Lola, acho que o feminismo é cada dia mais necessário, principalmente quando vejo mulheres e bebês sendo enviados para a MORTE CERTA nos hospitais públicos por terem a falta de vergonha na cara de quererem nascer no dia que o dotô não está de bom humor.

Aoi Ito disse...

Poxa, se o feminismo comum (Liberal) é radical, o que é o feminismo radical? A morte para todos os homens e tudo mais?

(Niemi, nunca perguntei mas vou perguntar agora. Por que você odeia a Wikipédia?)

Niemi Hyyrynen disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
sintonia73-attak disse...

O problema do feminismo é ser a favor do aborto.ja ouvi falar de feminista contra o aborto.mas nunca vi nenhuma manifestação feminista delas.

Niemi Hyyrynen disse...

Aoi Ito

Não odeio a wikipedia a "enciclopédia livre".

Só não gosto dos papinhos do Sr.Walles sobre dinheiro (a falta dele) pq não é bem assim.

E como a wikipedia é omissa na questão da guerrinha de ego dos seus editores, quem colabora sabe que rola ali um "ranking" (para ganhar o que eu não sei) de quem publica mais.

Isso as custas da informação, a anos o Sr Walles vêm dizendo que vai tornar a ferramenta democrática de fato, mas não, ele não faz isso pq não o interessa.

Tem a questão técnica tb, quem quer fazer um artigo descente naquele troço sofre. O Word é melhor!

Fora que eles simplesmente engolem outros projetos de wikis que começam a despontar, isso pra mim não tem NADA de democrático.

Flasht disse...

Feminismo na teoria é lindo na pratica é outra teoria

Vejam quando homens estão reclamando de privilégios femininos/ prejuízos masculinos, o que que as feministas dizem? R: a gente não tem nada a ver com isso, se unam, protestem, se virem... ou seja querem igualdade no que lhes convem, no que não convem deixa como estar, muito bonito né?
Por essas e outras que o feminismo é criticado pq ele é falso, é um movimento pelo direito das mulheres e não por direitos iguais... inclusive o Femmem lutou contra a igualdade na aposentadoria, sendo que se formos avaliar a proporção de expectativa de vida a mulher ainda fica no lucro tsc tsc tsc

Lucas disse...

Flasht

Talvez não fosse assim se todos que reclamassem de opressões que o homem sofre não o fizessem só pra deslegitimar e atacar o feminismo.

Não vejo nenhuma manifestação ou movimento para lutar contra os "prejuízos" do homem (causados pelo machismo, geralmente). Só vejo alguém reclamando de alguma coisa quando as feministas reivindicam um direito e um monte de gente cai matando nelas porque não reivindicam pra eles também.

Se essas reivindicações soassem mais como parcerias na luta contra o machismo e as injustiças sociais e menos como antagonismo do tipo "você não pode pedir nada porque eu também sofro também", talvez um consenso pelo bem comum pudesse surgir.

Mas sentar, reclamar e apontar o dedo pros outros que estão fazendo alguma coisa não gera muita solidariedade...

kelly f. disse...

Essa imagem resume bem o que a maioria de nós pensa
http://29.media.tumblr.com/tumblr_lqo4y4LTQ81qc1nxuo1_500.jpg

Flasht disse...

Flavia Viana basta ver o feminismo na prática e os frutos dele, sabia que foi ele quem criou a maravilhosa guerra dos sexos?quem precisa de 3ª guerra mundial depois disso?rs

denise que beneficios? dividir muito do bom[empregos ssalários etc] e multiplicar muito do ruim?[poluição, violência etc]

Flavio Mas, legalmente falando, as mulheres tem mais direitos que os homens.
>>sempre tiveram, as mulheres em todas as culturas só precissam ser elas mesmas e cuidar da saude ponto. os homens tem de mostrar poder desde cedo

Não vivemos suas dores e não conseguimos aceitar o papel de algozes históricos de vocês.
>>Pois é elas querem descontar o que nossos avôs fez as nossas avós (segundo elas) em homens que não tem nada a ver com isso?

risoflora. disse...

como diria nossa saudosa Saffioti: radical sim, por uma questão de coerência! :)

Oscar Santos disse...

Outro dia estávamos em uma conferência sobre homofobia e o tema feminismo surgiu. Uma menina perguntou ao palestrante, coordenador de um grande grupo LGBT de POA, Desobedeça, como ele via a relação de contribuição entre os movimentos LGBT e feminista. A mesma que questionou estava atrás de mim e discutimos um pouco sobre toda esta questão de semelhança das lutas, o fato de as mulheres lutarem contra a sobreposição dos machistas e os gays contra a sobreposição dos homofóbicos. Mas esta questão de distorção dos objetivos dos movimentos não surgiu, percebo semelhança neste aspecto também, o fato de lutarmos contra a homofobia, nos torna heterofóbicos, (uma ridícula invenção que falo nestes dois textos: http://janeladaparedeazul.blogspot.com/2011/08/o-projeto-de-lei-anti-heterofobia.html e http://janeladaparedeazul.blogspot.com/2011/08/orgulho-heterossexual.html)... Mas considero essas ignorâncias bem vindas apenas no sentido de fortalecerem nossa luta!

Francisca disse...

Muito bom seu post! Agora virou moda usar este termo do Rush Limbaugh: feminazi! Culpa dos seus discípulos que proliferam por aqui. A coisa toda começou com o tal Olavo de Carvalho e se disseminou através dos idiotas que o seguem. Agora, tudo que uma mulher diz para defender sua dignidade é discurso nazista contra “o homem branco heterossexual”. Tadinho deles!

É mais uma das táticas capciosas que essa turma inventou para calar os que discordam de suas ideias. Assim, sempre que uma pessoa é contra a ideia de superioridade do “homem branco heterossexual”, ela é preconceituosa com ele! Preconceito típico de feministas(essas lésbicas!), homossexuais e gente escura. Afinal, todo mundo já sabe que foi esse espécime que criou o mundo e tudo que existe, sem nenhuma contribuição dessa gentinha que agora vem difamá-los. Porque, além de preconceituosos, nós somos ingratos!

Bi disse...

Radical vem de raiz, então o feminismo radical é aquela vertente do feminismo que quer ir a raiz das questões. Conheço muitas feministas que gostam demais do termo e o acham apropriado. Eu, inclusive.

Não sei, não gosto desse posicionamento "sou feminista e não odeio homens". Porque existe uma grande diferença da misoginia pra misandria. A misoginia é um ódio organizado, estruturado, que tem um efeito real e material na vida das mulheres. A misandria é uma reação, afinal, essa idéia cristã de que o ódio é ruim é realmente inumano. Essa reação de ódio é perfeitamente compreensivel, como não odiar uma classe que vive de explorar, estuprar, que tolera o feminicidio, que tolera a dupla jornada de trabalho, as repressões sociais e etc. Claro, não estamos falando de individuos mas sim de classe: é fato que o patriarcado que é o poder passado de homens para homens tolera isso.

Honestamente, acho que isso de "não odiamos homens" só serve pro feminismo ficar mais limpinho e aceitavel, e pra quem senão pros homens ou pra esses conceitos cristãos de humano? O ódio de reação da mulher é humano. Saudavel? Não sei.. mas é um ódio de classe. E negar a validade esse ódio não seria negar uma consequencia do patriarcado sobre as mulheres? Querer afasta-lo de nossa imagem não é jogar na escuridão uma grande leva de mulheres que sofrem psiquicamente com a misoginia. Afinal, um dos grandes feitos do patriarcado é reprimir a agressividade feminina (ao invés de ensinar a mulher a lidar com ela e canalizar sua agressividade em feitos construtivos) e fazer com que a mulher redirecione esse ódio pra si mesmo, criando o auto-ódio e uma grande leva de comportamentos auto-destrutivos tão comuns a grupos marginalizados...

Definitivamente acho que se posicionar "o feminismo não odeia homens" uma posição ruim pras proprias mulheres (vamos deixar o que os homens pensam um pouco pra lá, né?). Seria legal se sentassemos e conversassemos: odiamos homens? pq? vamos fazer algo pra mudar!!!

Pra mim isso é feminismo, é aceitar a mulher inclusive em seus sentimentos considerados socialmente negativos. Acolher e transformar.

Alice disse...

Gostei muito do post. Concordei quanto ao uso do termo misândrica no lugar de femista. Mas uma coisa me soou mal. Se não devemos falar em femismo, por que empregar pejorativamente o termo masculinismo, ou mascus? Não teríamos que falar em misoginia, já que ao usarmos o prefixo mascus com conotação pejorativa acabamos por fazer referência oblíqua a todos os homens, mesmo àqueles não professam ódio contra as mulheres?

ana_alice disse...

niemi, eu tb odeio a falta de democratizaçao da wikipedia. tudo q envolve panelinha é autoritário. fora q eu acho dificil mexer naquelas ferramentas de edição, devia ser mais acessivel a qm não gosta e não entende de informatica, como os blogs já são.

pro garoto q listou as subclassificações do feminismo... so what? a lola sempre aborda o feminismo em suas inumeras vertentes aqui, fala da questao ecologica, de raça, de classe social, de genero, de cotidiano, de violencia. ela não se importa só com o tema mulheres, mas tb com anti-racismo, anti-homofobia, anti-capitalismo.

alguma desses itens rebatem o argumento de q feminismo não está necessariamente relacionado à misandria?! não. então vc n pode generalizar um discurso.

é a mesma coisa q dizer (comparações com racismo sempre funcionam): "negros são bandidos". há bandidos negros, mas a maior parte dos negros não é bandido. há tb bandidos brancos.

mesmo q vc queira dizer q apenas ALGUNS são, se vc omite esse termo, vc está dizendo, implicitamente, q todos ou quase todos são.

é o problema com a piada do creditcard tão discutida recentemente. se vc diz q todas as outras mulheres q fogem de 2 únicas hipóteses (conquistadas por beijo ou bom papo) podem ser compradas com dinheiro, vc está dizendo q o gênero feminino é interesseiro.

eu, particularmente, sou conquistada com atitudes, não com beijos e bom papo. mas fui incluída no rol de mulheres compráveis, não é engraçado? isso graças à generalização.

ana_alice disse...
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Liana disse...

Bi, entendo o seu posicionamento. De fato, o patriarcalismo deixou marcas negativas muito fortes na formação psíquica das mulheres. Quantas nunca pensaram, ao menos uma vez na vida, se essa perversidade que vemos nos homens machistas e misóginos não seria representativa de todo o seu gênero? É uma reação normal e esperada para quem cresceu sendo discriminada num ambiente em que quase todos os homens agem assim.

Só que penso que isso é contraproducente e mal orientado quando se trata do Movimento Feminista. Não vejo como manter a coerência do discurso, e por conseguinte ações mais efetivas, se esse sentimento rançoso estiver em evidência.

As feridas femininas que estão na nossa base emocional e psicológica precisam de um outro espaço, outra vivência, outra incorporação. Não há lugar para isso num movimento político.

Mas de fato, a ferida existe. Penso que tratar delas é algo que só cabe num espaço primariamente feminino e livre de outras representações. Somente para mulheres e suas necessidades mais internas. Eventos generalistas não são capazes de contemplar a sutileza e profundidade que a questão alcança, nem seria justo esperar isto. Existe a mulher-social ferida, que é "superficial" por definição, e existe o Feminino dentro de nós, psicológico, primitivo, que não é contraparte de coisa alguma, é potência, é autônoma, e é onde a ferida está. O Movimento Feminista não é capaz de lidar com isso, até porque socialmente não existe, nossa cultura sequer reconhece.

Então acho que é cabível dentro do Mov Feminista refutar o ódio aos homens, seja lá o que for que isso realmente signifique, enquanto classe pois é mais coerente e produtivo. Criemos outros lugares para tratar de outras questões.

ChunLi17 disse...

Achei ofensiva a comparação entre Valerie Solanas e Jack o Estripador, tendo em vista quem ele foi: matador de mulheres. Misandria é um reflexo natural da misoginia vigente. Jack o Estripador só botou em prática o ódio instalado contra as mulheres. Solanas, ao contrário, odiava porque se revoltou. Nesse sentido, acho q muitos homens podem sim ser definidos a partir do Jack o Estripador, porque muitos continuam fazendo o que ele fez, de um jeito ou de outro. A Solanas, por outro lado, não é a maioria das mulheres, mas como diz Joanna Russ, todas as mulheres são ela, no sentido que se encontram na mesma situação.

Flávio Brito™ disse...

Quando a coisa é legal é feminismo quando não é legal joga pra outra coisa tipo femismo ou diga que não é feminismo!
Adorei!

Laurinha (Mulher modernex) disse...
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Ághata disse...

Alice,
o termo masculinismo se refere a um grupo de garotos que se intitularam desta forma - logo, só se refere a estes caras.
Feminista alguma se intitula femista (só se for de onda).

E concordo com a Bi.
Não há como comparar misoginia com misandria pelas razões que ela mesmo já enumerou.

Misândricas não pregam o ódio aos homens, não violentam homens, não espancam homens, não cometem "masculicínio" (Isso nem existe!)...

Misandria está mais ligada ao próprio patriarcado, tanto que as mulheres que costumam ter esta aversão aos homens são mulheres que engoliram a história de que os homens são naturalmente "canalhas, sacanas, agressivos, tarados" e coisas do tipo - e algumas criam esta aversão por causa de traumas ligados a episódios de violência.

Ana Vitória disse...

É engraçada a forma como as pessoas apreendem apenas aquele conhecimento que é conveniente para elas. No caso dos machinhos odiadores de feministas, parece que a única feminista famosa que eles ouviram falar foi a Valerie Solanas, sendo que essa está bem longe de ser figura de destaque no movimento feminista. É a mesma coisa que, por exemplo, eu não gostar de austríacos e tentar depor contra eles citando o Hitler como representante dos mesmos. Para mim isso tem um nome: paraplegia mental voluntária.

Ághata disse...

Sim, tinha esquecido de comentar, Lolinha, cê foi injusta com a Solanas! O fato dela ter atirado no cara lá não tem nada a ver com o fato dela ser feminista! O Scum Manifesto não prega o extermínio dos homens tbm.

Niemi Hyyrynen disse...

Não sei se concordo com o que a Bi disse, mas pra isso eu teria que entender melhor o que foi dito.

Pelo que eu entendi, a Misandria para a Bi está mais para repúdio de determinadas ações que os homens praticam contra as mulheres, incentivadas pela cultura que os favorece. Não exatamente um ódio voltado ao gênero...certo?

Eu me considero feminista e não considero que eu odeio os homens, mas não concordo com as práticas abusivas que ferem os direitos de nós mulheres.

Acho que tem uma diferença ai...

Também não consigo entender como ódio pode ser canalizado e virar algo "bom".

Ódio pra mim é vingança, mazela, rancor, ressentimento.

Não vejo ai nada que seja aproveitável para algo construtivo

Ághata disse...

Liana, discordo, se o feminismo não aceitar misândricas e trabalhar este ódio, quem irá fazer? O resto da sociedade só irá intensificar esses sentimentos negativos.

Niemi Hyyrynen disse...

Aghata

"Misândricas não pregam o ódio aos homens, não violentam homens, não espancam homens, não cometem "masculicínio" (Isso nem existe!)..."

Então Misandria é o que?

elen mars disse...

antigamente eu costumava dizer q os homens n prestam também,pq os que eu via em geral eram hipócritas e machistas,ainda vejo.
mas lendo seu blog vi q n é bem assim.

vc ja vi o reality da ana hickman,q é para supostamente conseguir uma nova reporter pro seu programa?
acho q é até pior do q o concurso de beleza do raul gil.

pq se o objetivo é encontrar uma reporter,deveriam testar a competência delas como jornalistas,deveriam ter diploma,mas algumas nem isso tem.

só o q fazem é provas ridiculas como pegar objetos em potes com insetos,cobras,o time q nadar mais rápido na piscina ganha pontos.
tirar fotos sensuais e claro a todo momento mostrando a bun.da ,o corpo todo.

é absurdo essa exploração da mulher,podiam pelo menos serem honestos e dizerem q esse reality é só pra escolher a melhor bun.da.

Ághata disse...

Niemi,
as poucas mulheres que poderiam ser chamadas de misândricas eram as que tinham aversão ao sexo masculino... O problema é que quando se pensa neste conceito abstrato se imagina o oposto de misoginia, quando as 'reais' misândricas (as que eu tive notícias, pq é mto difícil topar com uma, viu?) costumam ser pessoas idosas que após poucas e boas acabam tendo aversão aos homens e tal aversão costuma se expressa verbalmente - aquela conversa que já estamos cansadas de ouvir sobre patriarcado - "Homens não prestam, homem é tudo canalha, é tudo grosso..."

Tem outro tipo de aversão que é aquela desenvolvida por mulheres que sofrem violências graves, mas estas só costumam evitar homens a qualquer custo, engolindo o ódio e o medo.

Não tenho notícia de outro tipo de mulheres que poderiam ser enquadradas como misândricas...

Ághata disse...

Aliás, a Bi poderia até falar melhor sobre isso. Acho que ela até conheceu algumas.

Niemi Hyyrynen disse...

Aghata

Sendo assim tb não dá para usar "Misândrica" como um oposto correlato de "Misógino"...

deixa eu pensar denovo, pra ver seu eu peguei a idéia.

Ághata disse...
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Ághata disse...

Exatamente, misândria não é a mesma coisa que misoginia. Causas diferentes, consequências também diferentes.

Liana disse...

Ághata, eu não falei em não aceitar essas mulheres misândricas ou em não discutir suas questões. Eu disse que incorporar a idéia de ódio aos homens é que não cabe, no meu entender, no Movimento Feminista. Como lutar por igualdade se se tem como premissa o ódio aos homens? Reconhecer o problema, sim; basear o Mov Feminista nisso, não.

Bi disse...

Super concordo com a Aghata


Acredito que o feminismo seja um espaço pra se discutir e trabalhar o ódio-ao-homem. Pois o feminismo é além uma pratica politica, uma corrente de pensamento, que questiona os padrões de comportamento (além de muitas coisas, mas é essa caracteristica que mais interessa pra conversa). E esses comportamentos são motivados por razões profundas. Como falar da mulher e da vida da mulher se não conhecemos a mulher? Se é proibido falar publicamente dos sentimentos da mulher?

Lembra que não conheciamos a sexualidade feminina pq só os homens falavam dela? As necessidades femininas tambem são abafadas quando abafamos a voz feminina (e a misandria está na fala feminina). Não da pra se pensar em uma ação social para a mulher se ela não disser o que realmente sente, necessita. Por isso, acredito que o sentimento e a pratica politica estão intimamente ligadas. O feminismo atua em varios campos do comportamento humano - sexualidade, relacionamentos, produção artistica, produção intelectual, moda, fala, corpo - pq não dos sentimentos? Alias, na historia, o feminismo começou a se organizar a partir de mulheres que se reconheceram, identificaram. O livro Mistica Feminina é um exemplo de atuação após uma identificação entre as mulheres - as mulheres precisam falar entre si. Afinal, o patriarcado tinha (?) uma estrutura que impedia os laços femininos, quando privatizava a mulher.

Tambem não vejo a incoerencia em acolher mulheres com ódio, afinal, sabemos que não existe simetria nas relações de genero, portanto, não existe simetria nos sentimentos. Como a Agatha explicou, não é o mesmo ódio. Mesmo que a mulher declare seu ódio, ele não vai ter uma validade pratica/estruturada como o ódio do homem. Mesmo porque o problema não é o ódio em si, ódios são aprendidos ou motivados. No caso da misoginia é um ódio aprendido, um ódio que estrutura uma sociedade, a misandria é um ódio motivado. tem um texto legal, alias, genial sobre isso aqui ( http://amazonasrenascidas.wordpress.com/2010/02/25/a-nova-misandria/ )

Misandria não é masculinicidio pq as mulheres não saem matando homens pelas ruas. Não é ataque verbal, pq mesmo que uma mulher xingue um homem, ela não vai achar palavras para o genero masculino com carga social tão pesada quanto que para o genero feminino. A mulher misandrica não tem centenas de seguidores no twitter e um programa de tv para divulgar seu humor misandricos - uma ou outra piadinha surge, mas quantos Rafinhas temos pra quantas humoristas misandricas (não consegui pensar em nenhuma)?

Eu já conheci mulheres sim que declaravam odiar os homens. E isso me reforçou a crer que o problema não é o ódio em si. Ódio é uma reação humana - e não masculina.


Uma coisa legal nesse texto é sobre aceitar o ódio, aceitar que é uma possibilidade e aceitar as misandricas, não como uma mancha, mas como uma consequencia possivel e humana do patriarcado - aquele que combatemos.

Bi disse...

Liana, ninguem falou em basear o feminismo nisso...

Liana disse...

Misandria e misoginia são extremamente graves. Isso é assunto para se tratar no consultório psiquiátrico. Eu acho que vocês não estão entendendo o tamanho do problema. Não há muito o que se dialogar com esse tipo de gente. São pessoas que devem trabalhar uma tonelada de sentimentos recalcados primeiro para depois se deixarem afetar pelas premissas do Mov Feminista. Já que ambos são incompatíveis.

Combater o machismo indiretamente ajuda a evitar a formação de sentimentos misândricos mas é só. Não vejo como abordar o assunto de frente com esse tipo de mulher. Parece arrogância achar que nos cabe convencer alguém a abandonar seus ódios e recalques. Não funciona assim.

É preciso ter em vista que para alguém alimentar rancor até esse ponto, é porque há algo de muito grave com ela, independente do meio em que vive. Neste caso, o machismo foi fagulha e potencializador, mas secundário.

Concordo que misandria e misoginia não tem o mesmo peso na sociedade mas essa conversa toda parece uma tentativa de dizer que mulheres misândricas são mais dignas de apreço do que um homem misógino. E não me leva a mal, ódio é ódio, seja contra mulheres, homens, negros, homossexuais, indígenas, umbandistas.. Não vou compactuar com isso nem passar a mão na cabeça dessas mulheres. Lidar com o problema é diferente de se deixar definir por ele ou de esperar que o Mov Feminista assuma a posição de grande curadora dos recalques alheios, inclusive de mulheres.

Aoi Ito disse...

Passando pra dizer pra Bi que AHAZO, conheço um monte de blogs radfems nos relacionados desse texto que passou. E gostaria de dizer que esse trecho é perfeito:

"É um nítido caso de ambivalência. Veja: (1)Você faz algo ruim para mim. (2)Eu te odeio. (3) Você acha desconfortável ser odiado. (4)Você imagina o quão legal seria se eu não te odiasse. (5) Você decide que eu devo não te odiar porque o ódio é mau. (6) Pessoas boas não odeiam. (7) Porque odeio, eu sou uma má pessoa. (8) Não é o que você me fez que me faz de te odiar, é minha própria natureza má. Eu – não você – sou a causa do meu ódio por você."

Logo termino de ler e posto, mas já vou dizendo que gosto muito do meu ódio pelo sistema e não gosto nem um pouco de quem faz de tudo pra mantê-lo. E que, bem, um ódio de um oprimido não pode ser comparado ao de um opressor contra um oprimido... Já que um tem como objetivo a mudança e libertação e outro, manter o status-quo. Acho complicado, também, exigir que oprimidos não sintam ódio. Não precisa sentir ódio sempre, mas, sei lá, uma hora não dá mais. Uma pessoa que pertence a uma classe que é vista como menos que humana (Menos que homem) não pode ser exigida de manter o estoicismo sempre.


Hmmm sei lá depois posto.

Sabrina disse...

sobre os direitos que temos a mais que os homens, é muita má-fé afirmar que são privilégios. é uma realidade que as mulheres são na maioria quem cuida das filhas e filhos, daí a licença-maternidade ser maior. mas quase todo mundo que vejo se manifestar pelo aumento da licença-paternidade é mulher E feminista. nossa aposentadoria vem antes por causa do que se chama de dupla jornada. como a economia feminista demonstrou, se o Estado assumisse as pessoas idosas e as crianças, o custo seria imenso. mas as mulheres fazem esse trabalho de graça, a chamada economia doméstica. por isso, para algumas feministas, aposentadorias com idades iguais seria colocar as transformações na lei antes de na sociedade. do que mais esses caras estão falando? que outro direito a mais que eu tenho e não sei? a luta contra o machismo é a única que pode levar os homens a de fato enfrentarem seus problemas específicos. num brasil menos machista, mais homens farão, por exemplo, exame de próstata e menos deles morrerão desse tipo de câncer. esses ignorantes não leram o que a simone de beauvoir escreveu no segundo volume do segundo sexo
(tive que fazer o link pq não cabia aqui, mas é um trecho curto): http://sabrinalopes.wordpress.com/2011/08/30/simone-de-beauvoir-em-o-segundo-sexo-vol-2

tb recomendo este texto da rachel soihet: http://www.facebook.com/l.php?u=http%3A%2F%2Fwww.scielo.br%2Fscielo.php%3Fscript%3Dsci_arttext%26pid%3DS0104-026X2005000300008%26lng%3Den%26nrm%3Diso%26tlng%3Dpt&h=rAQAK9kUuAQCTWjd84o7WEm62KRFPClHpTGHZrow-jdgrZg

e "a feminista como o outro", da susan bordo.

Liana disse...

Bi, eu li o texto e francamente achei revanchista. Por demais reativo e parcial.

A autora diz.. "Penso que nós devemos decidir que o ódio-por-homens não é apenas respeitável, mas honrável. Para ser misândrica, uma mulher necessita considerável genialidade, originalidade e resiliência. Um misógino não requer tais recursos. Nossos homens são criados para nos odiar; é o homem anti-convencional, inteligente, sensível e verdadeiro aquele que consegue sair dessa tirania e amar mulheres. Nós somos criadas para amar nossos homens – acriticamente, e temendo as conseqüências de não fazê-lo. (Eu não estou falando deste ou daquele homem em particular, mas homens enquanto grupo.."

Ela quer normatizar o ódio social e transformá-lo em algo bonito e defensável. Isso é vitimismo do pesado.

Discutir as questões misândricas é uma coisa, pôr num embrulho para presente e despachar é outra bem diferente.

"Honrável" é lidar com os próprios problemas de forma digna e visando uma melhora interna e nas relações. Chafurdar nos nossos recalques é baixeza moral e fraqueza de caráter.

Como que o Movimento Feminista vai compactuar com isso e sair ileso?

Além do que, achei o discurso dela muito "macho-centrista". Ela se colocou como alguém muito acima das questões patriarcais mas ainda assim baseou seu discurso na premissa de que a misandria é mais "aceitável" do que a misoginia pois, no entender dela, é o que a classe masculina como um todo vem fazendo há muito tempo e sem maiores críticas da sociedade. Como uma CONSEQUÊNCIA a isso, nós mulheres teríamos o direito de praticar o ódio-por-homens. Sendo "genial" até. Note que tudo isso é mera reação, é secundário. Primeiro os homens agiram, depois seríamos nós mulheres.

Seja lá o que cada uma entende por 'ser mulher', não creio que perpassa por cultuar ódio aos homens tampouco ter nossas questões orbitando suas(as masculinas) vidas.

Bi, você mesma se questionou lá no seu primeiro comentário se isso seria saudável. Se não for saudável, porque incorporá-lo ao Movimento Feminista? Queremos um mov doente? Queremos um mov que vende ódio?

Que Feminino é esse que se compraz na dor e na ferida ao invés de curá-la?

Precisamos aceitar que temos feridas e honrar este processo de descoberta(de nós mesmas, de nossa história) e a partir disso buscar caminhos de fato mais saudáveis. Aí estaremos sendo originais, resilientes e sábias. E é com isso que eu espero que o Movimento feminista lide.

Bi disse...

Liana, ódio não é patologia, nem recalque eu realmente não tenho nada a dizer sobre isso que já não esteja nesse texto aqui http://amazonasrenascidas.wordpress.com/2010/02/25/a-nova-misandria/

eu não falei em compactuar ou passar a mão na cabeça e sim "trabalhar" o ódio e a agressividade. Psicologicamente falando o ódio não está ligado a patologia...

essa tendencia de classficar sentimentos humanos como bons ou ruins vem do cristianismo - aquele que nega metade daquilo que é humano. O problema não é o ódio, mas o que fazemos dele. O qu eeu faço com a minha agressividade? Posso sair por aí chutando os carros, ou posso parar, pensar de onde ele vem, lutar e tentar melhorar.

Não é muito acolhedor dizer assim - olha mulher, vc tem um problema, então vai pro analista. Vamos ouvir? E se de repente for algo com que muitas mulheres se identifiquem, não se tornará social?

Acontece que o ódio ao homem não tem espaço pra ser dito, é tido como doentio (sem ser, acredite, vc não vai achar nenhum psicologo falando que ódio é doença). Isso é repressor as mulheres. Nunca vamos saber se continuarmos com uma atitude de classificar - isso é feminismo isso não é. Principalmente negando aquilo que é da mulher, posi o feminismo radical (aquele que eu disse que vem de raiz) significa voltar as raizes da feminilidade e descubrir o que é da mulher e o que não é. È um exercicio de investigação. Um atitude repressora (cristã) não vai ajudar as mulheres. Tentar limpar a imagem do feminismo pra ele se tornar um movimento agradavel de mulheres amadoras e evoluidas que jamais odiaram os homens seja como classe ou individuo não vai ajudar as mulheres, pq isso não retrata a realidade feminina.

Bi disse...

eu tambem não disse em momento nenhum para acolher o discurso de ódio dessas mulheres. Eu disse pra prestar atenção nessas mulheres e acolher as mulheres. Entende a diferença?

Entender que esse ódio existe, considerar que ele existe e o que deve ser atacado são os fatores desse ódio e não a mulher que o possui (excluindo-a de uma causa que deveria representa-la) isso é acolhimento pra mim.

Quando eu falo em dar voz as mulheres eu falo em dar dentro do feminismo. Não é só a Solanas, das grandes teoricas feministas, que é considerada por muitas outras como odiadoras de homens.


O feminismo não seria um movimento de ódio com isso pq o feminismo não é um movimento de ódio aos homens e sim de amor as mulheres. Entende? Nosso movimento não é em relação aos homens, é em relação as mulheres.

Quando eu digo trabalhar e elaborar, eu não to falando em incluir o ódio no discurso feminista (mesmo pq ele é muito coeso e complexo pra argumentos do tipo "nenhum homem presta") e sim entender o ´odio. Nega-lo é negar uma condição da mulher no patriarcado.

Bi disse...

Vc pode não odiar os homens. Mas mandar as mulheres que odeiam pro consultório é abandono... esse não é o laço feminista que vai nos unir.

Vanessa F. disse...

Essa preocupação com o ódio-aos-homens é apenas de ordem moral, uma espécie de pavor desse ódio se tornar sistematizado. Mas não lemos notícias de atentados terroristas de autoria feminista. Não vemos gangues de feministas cercando homens em becos. Acho honestamente que mesmo o movimento feminista mais radical está longe disso. Então estou com a Bi quando ela diz que pedir que mulheres não odeiem mesmo homens que façam mal a elas é manter o status quo de que "mulheres amam apesar de tudo" e reduzir a questão ao invés de investigá-la.

Sobre o vídeo do cara do Bule Voador em que o cara xinga a mulher que riu do homem castrado, achei particularmente interessante como o ódio e a violência contra homens é facilmente identificado - e repudiado - enquanto feministas têm que explicar coisas óbvias sobre ódio às mulheres - e ainda serem tachadas por isso.

E ainda tenho que evitar sentir raiva por isso :DDD

Vanessa F. disse...

Quando eu disse "feministas" eu quis dizer "misândricas".

Vanessa F. disse...

E depois as pessoas não entendem porque mulheres que apanham não largam os parceiros agressores, por exemplo.

Flavia Vianna disse...

"Flavia Viana basta ver o feminismo na prática e os frutos dele, sabia que foi ele quem criou a maravilhosa guerra dos sexos?quem precisa de 3ª guerra mundial depois disso?rs"

Guerra dos Sexos?? Que guerra? Guerra dos Sexos é discurso de quem não quer aceitar IGUALDADE de gênero. É sobre isso que o feminismo fala. Uma das falas mais bonitas que ouvi, recentemente, sobre o movimento feminista foi de um professor meu. Ele disse: "Se as feministas do século XIX se contentassem apenas com suas primeiras conquistas, não teríamos mulheres nessa sala de aula". Me desculpe, mas eu não gostaria de viver numa sociedade que não pudesse opinar e sempre fosse subimissa a alguém.

Mas sério, Flasht, porque esse ódio todo contra o feminismo e as mulheres? Elas te chamaram de bobo?

Liana disse...

A autora fala.. "Eu considero odiar a outros moralmente preferível do que odiar a si mesma(o); isso dá uma espinha dorsal à espécie humana. É a primeira de todas as virtudes biológicas, auto-preservação, e necessita de mais bravura do que você pode imaginar." - Ela confunde ódio com auto-preservação e diz que ele está em toda a base da espécie humana. Preservar-se é se manter íntegro face aos problemas e perigos, está relacionado com uma consciência primária de si mesmo e com a importância de sua continuidade. Isso não é sinônimo de ódio. Ódio pode vir, ou não, como uma reação posterior a algo que nos prejudicou mas não principia coisa alguma como ela afirmou.

O discurso dela está cheio de incoerências. E vale lembrar que o patriarcalismo é anterior ao Cristianismo. Portanto suas bases não residem na religião(apesar de ela ter se apoderado do discurso) mas sim numa atitude de prepotência, mau-caratismo e ganância de um grupo há milênios.

Em momento algum eu disse que o feminismo não pode falar sobre isso ou que elas devam ser "excluídas", só disse que misândricas não podem ditar os rumos do Mov já que o discurso delas é poluído. Tampouco disse que o ódio deva ser engolido. Um sentimento recalcado(por favor, vide dicionário) pode ser trabalhado para o bem da saúde mental da pessoa na medida que determina seu engrandecimento ético e moral. Sentir ódio não engrandece ninguém, superá-lo sim(ao contrário do que ela colocou ao falar em "honra, genialidade, originalidade e resiliência" na defesa da misandria).

Acho aceitável dizer que quem odeia de forma sistemática metade da população do planeta, que é o caso das misândricas, precisa de apoio psicológico.

Bi, não vejo coerência no que você está falando. Você diz que não defende o ódio em si mas as causas, ao mesmo tempo que reforça sua opinião no texto de uma mulher que diz claramente que o "ódio-por-homens é honrável". O que tem de honrável nisso? Não vejo como conciliar sua afirmação com a dela. Honrável é superar seus problemas e não usá-los como bandeira. Ainda acho tudo isso vitimismo e pura reatividade.

Natália disse...

Concordo plenamente com a Bi.

O Feminismo Liberal precisa se pensar nessas qstões. Qnto tempo e energia a gnt perde qrendo sair bem na fita com os homens, prontas pra apontar e entregar pra eles as 'verdadeiras misândricas' (sempre q surge esse assunto sinto a msm vibe da guerrinha santas x putas), nenhuma tentativa de fazer uma nova leitura, ignorando a história delas q é nossa tmb, negando qlqr forma de compreensão, de ajuda, chegando só pra dizer q elas estão erradas, querendo nos afastar.

Q violência enorme dizer q o problema está nelas e q elas deveriam ir pro psiquiatra! É exatamente isso q a medicina sempre fez com qlqr mulher q qstione a sociedade. Td essa prontidão em ignorar as causas sociais e vontade de mudar os sentimentos das mulheres está perfeitamente de acordo com o patriarcado. Por coerência, uma feminista q acredita nisso deveria abandonar a causa e tmb buscar tratamento pra si msm.

Natália disse...
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Natália disse...

"Essa preocupação com o ódio-aos-homens é apenas de ordem moral, uma espécie de pavor desse ódio se tornar sistematizado."

O problema é q qndo algm sente ódio, essa pessoa n está anestesiada e se culpando. Ela foi capaz de sentir td q foi feito a ela e de identificar seus agressores. Ela n foi morta. Uma pessoa assim é capaz de mobilizar energia e está mais próxima de mudar sua situação.

Homens sempre acusarão qlqr feminista de misândrica pq apontamos os absurdos q nos infligem. Qlqr pessoa q consiga enxergar o q fazem enqnto classe no mínimo sentirá forte desprezo e revolta, uma aversão ao seu comportamento. Simplesmente n dá pra gostar deles enqnto classe, n dá pra gostar do sistema, n dá pra gostar de vários desses indivíduos.

Eles claramente identificam em si msms o q falamos e a legitimidade da repulsa q sentimos pelos comportamentos deles. N dispostos a abrir mão desses comportamentos, até pq sua identidade é baseada neles, concluem q são eles msms os indesejados, akilo q qremos destruir, o q causa aversão, os odiados.

Nós é q continuamos reprimindo e negando nossos sentimentos, usando vários subterfúgios pra negociar e manter nosso foco e bons sentimentos por eles, independente do q façam. Fomos criadas pra isso.

Laetitia disse...

pelo que eu sei, femismo é mais um termo antagônico a machismo, Lola. se dá pra dizer que misoginia é ódio a mulher, enquanto machismo é tudo que coloca o homem em vantagem/superioridade em relação à mulher, ou seja, os termos não se referem a coisas iguais, acho que femismo não poderia ser chamado de misandria. femista não seria exatamente uma mulher que odeia homens, mas uma que acreditasse que a mulher deva ser superior na sociedade: quer dizer, que defendesse que homem não merece estudar, trabalhar fora, fazer sexo ou algo além de cozinhar e limpar o chão :P

eu nunca vi nenhuma misândrica nem femista, mas acho legal usar este termo pra explicar feminismo pras criaturas que têm má vontade em aprender... quando alguém vem com aquela velha conversa "feminista é machista ao contrário", eu digo que não, que isso seria uma femista e tento fazê-los imaginar o quanto seria absurda a vida deles, limitada por essa mentalidade inexistente que colocaria a mulher como melhor que o homem.

quase sempre funciona. :)

D. disse...

Qual é o motivo de (muitos) homens odiarem as mulheres? Ah, sim, Eva acabou com o sonho do paraíso.
Qual o motivo de (algumas) mulheres odiarem os homens? A revolta pelas terríveis condições materiais e psicológicas às quais temos sido submetidas.
E a racionalidade continua a ser um atributo masculino...

Gabriele disse...
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Gabriele disse...

Mais um ótimo texto, Lola. Sobre a Solanas, não conheço muito e ainda não vi o filme, mas o que li a respeito dela é que tinha fortes indícios de ser uma pessoa que sofria de problemas psicológicos mais sérios - o que é outra razão para reconsiderar essa crença de que ela falasse pelo feminismo.

Lucas disse...

Embora a Liana e a Bi tenham posições bastante coerentes, acho que não estão se entendendo em alguns pontos.

Esse "ódio" é uma reação às opressões que as mulheres sofrem. Uma reação natural do oprimido em relação ao opressor, e a capacidade de sentir e entender esse ódio é o que faz o oprimido entender que existe algo de errado e que precisa ser combatido.

Mas um lado parece entender que o outro está deslegitimando essa reação emocional à opressão ao dizer que não é uma coisa saudável.
Bom, não é mesmo. E não é porque é "natural" ao ser humano que é positivo, é só olhar em volta e ver quantas mazelas brotam dos nossos "instintos".
Mas isso não implica deslegitimar a raiz do sentimento, a indignação. Apenas a forma como ele é abordado. Não considerar a reprodução e alimentação desse ódio como algo saudável para o feminismo e a sociedade não significa ignorar ou deslegitimar a razão dele existir. Mas a coisa não pode ficar presa nessa "ação e reação".

Essa coisa de "eles podem odiar e a gente não" parece o Flasht falando.

m4v3r1ckk disse...

Tem muita gente aqui lendo Nietzche e achando que isso é genial, a salvação do bolo podre.

Bom e mau, são conceitos que existem muito antes do cristianismo, ele apenas trouxe para si e perverteu tudo, os dois lados.

É só ler os filósofos da antiguidade, eles já falam de noções do que é "correto" e "moralmente elevado", em detrimento de um comportamento negativo.

Não tem nada de Jesus nisso ai.

Agora sobre o ódio em si, creio que ele seja válido sim, como combustivel para que a pessoa possa sair da sua condição de oprimida, é necessário aprender a não odiar-se e sim transferir esse sentimento para quem a agride, nenhuma misândrica odeia homem por odiar, quem defende o discurso de "homem não presta" pra mim nem misandrica é, está apenas frustrada com o outro genero pq colocou nele uma confiança e expectativa que não foram correspondidas (que expectativa baseada na mentira vai se concretizar hein?).

Uma menina que tem uma desilusão amorosa com um namoradinho e sai por ai em foruns de caprichos da vida dizendo que "odeia cafas" não é uma misandrica.É uma pessoa mimada.

Como já pontuaram aqui a misoginia é sistematica e aprendida, não tem uma razão de causa para ser formada ela é gerada por um interesse consciente.

A Misandria é a consequencia de um mal, uma agressão vejo ai neste ódio uma saída natural, um sistema de auto-preservação da mulher para que ela não se afunde em culpa.

Quando se acontece algo errado, ruim, que seja, se culpa alguem é preferivel que a mulher sofrendo algo culpe a si mesma? Não, é justo que ela culpe o agressor? Sim, ela vai gostar dele? Claro que não.

Ela vai...odiar, isso é natural e esperado, não tem nada de prejudicial nisso.

Prejudicial seria a mulher apenas alimentar este ódio para si e explodi-lo em um alvo aleatório.

O ódio trabalhado ao contrário é uma motivação.

Liana disse...

Pois é Lucas. Foi exatamente isso que eu pontuei. Sentimentos ódio, ganância, pavor, arrogância etc são naturais, devem ser aceitos e trabalhados. O Movimento Feminista pode e deve entender as consequências psicológicas e emocionais do patriarcado. Não deslegitimei ninguém, como insistiram aí em tom queixoso, é só relerem meus comentários. Afirmei apenas que aceitar que o sentimento existe é diferente de pautar o Feminismo nele e foi exatamente o que a autora daquele texto falou.

Não adianta fazerem ginástica retórica, a autora claramente fala em legitimar uma atitude misândrica diante da sociedade, como algo não apenas natural mas DESEJÁVEL, e incorporá-lo ao discurso feminista. Continuo afirmando que não vi coerência, só vitimismo e recalque.

Em momento algum eu fui maniqueísta nem me baseei em um suposto aspecto religioso, como tentaram dizer, até porque acho muito reducionista e simplório. Muito pelo contrário, estou vendo isso no discurso de algumas aqui. "Se eles fizeram, vamos fazer também porque eles nos deram esse direito. O meu sentimento de ódio é válido, o deles não." Quem pode deslegitimar o ódio de homes por mulheres? Eu critico as atitudes posteriores dos misóginos mas não fico aqui dizendo o que eles têm ou não direito de sentir. Isso é absurdo e, mais uma vez, foi o que a autora lá fez. Aceitemos o que nos causa dor mas sigamos em frente para poder superar isso. Estacionar no ódio não é tema pra o Mov Feminista tratar do contrário, não vamos a lugar algum.

E usando o mesmo exemplo que dei em outro post: Legitimar a misandria no discurso Feminista é, a meu ver, o mesmo que legitimar o racismo no discurso Humanista. Não faz sentido, são incompatíveis.

Lola, loucura isso aqui. Muito contorcionismo retórico, e mal feito francamente.

Giovanni Gouveia disse...

Só um adendo. A ação violenta de indivíduo, ou agrupamento, oprimido, quando em legítima defesa, não pode ser considerada um "preconceito em sentido inverso".
Exemplo claro o julgamento que aconteceu semana passada aqui em Pernambuco. Uma mulher, que tinha parido 12 filhos do próprio pai, sob violência sexual clara que durou 29 anos. Matou o dito cujo quando ele começou a tentar fazer o mesmo com a filha/irmã dela. Foi absorvida, felizmente.
http://www.olhardireto.com.br/noticias/exibir.asp?noticia=Mulher_que_matou_o_pai_com_quem_teve_12_filhos_e_absolvida&edt=22&id=200514
Como bem lembra Brecht: "Do rio que tudo arrasta se diz violento, mas não se dizem violentas as margens que o oprimem"...

Ewaldy Marengo disse...

De acordo com o filósofo, astronomo e biólogo David Grinspoon: todo grupo é classificado (enxergado) como a minoria mais barulhenta. Para quem não está no movimento feminista, todas as feministas são radicais, porque geralmente são as que mais se destacam (o mesmo acontece com qualquer grupo: roqueiros, masculinistas, maconheiros, etc.)

Niemi Hyyrynen disse...

Voltei para ler o blog indicado pela Bi e fiquei horrorizada!

A autora do blog é maluca, para ela uma mulher que não odeia o homem e até se relacionada, "fode" e tem filhos com um deles é uma traidora do "movimento cara".

Ela deve ter caido de paraquedas no feminismo, nem de longe a autora está de acordo com o principio de igualdade entre os sexos.

Dado Dolabella mandou lembranças

Liana disse...

Sim Giovanni, com certeza. Lembrando que isso é em caráter de exceção. Não como agressão sistemática e "preventiva". Ação esta que não é necessariamente motivada por ódio nem como reação intelectual a um sistema social desfavorável para a própria pessoa. Não é sempre que se pode alegar legítima defesa por um assassinato mesmo em casos de agressão direta. A justiça vai analisar minuciosamente a situação até validá-la, ou não. E fez bem em absolvê-la pois ela tentou fazer o certo e denunciar, tentou sair daquela situação sem vitimismo, buscou durante muito tempo outras opções e o assassinato acabou sendo um último recurso numa situação desesperadora e da qual ela não via mais saída nem ajuda.

Muito diferente de sair por aí, professando, glamorizando e julgando honrável e muito esperto o ódio indiscriminado por grupos dentro da população.

Pois é Niemi, eu li outros textos e é uma coisa pior do que a outra.

Niemi Hyyrynen disse...

Liana

Pois é, a autora do blog está propondo que o mundo vire uma grande ilha de lesbo (nada contra lésbicas mas querer eliminar os homens da terra não é uma coisa muito "honrável").

Toda argumentação em favor do ódio cai por terra ao defender que este próprio ódio deve ser trabalhado e canalizado (acalmado?), pra mim deixa de ser ódio.

Aoi Ito disse...

Niemi e Liana, recomendo que leiam mais sobre o feminismo Lesbiano. Se encontra muito em blogs de feminismo radical.

Falar que as Lesbianas e radicais caíram de para-quedas no feminismo é dizer que só o feminismo liberal é válido e que outras formas estão erradas imo. É bom ler a argumentação delas com a cabeça aberta, que eu geralmente vejo muito mais questionamento e crítica que no feminismo liberal, que, para mim, está lentamente virando bagunça e se preocupa até demais com manter uma imagem boa para com os homens.

(Digo bagunça porque ando muito no tumblr e o que eu mais vejo é feminismo liberal zoado. Antigamente a gente criticava uma personagem feminina que usava roupas curtas demais para a aventura, saltão e tal, que era claramente uma forma de usar o male gaze e sexualizar a personagem, reduzindo-a ao corpo; até porque, né, ninguém vai correr de minissaia e salto-agulha. Hoje se a gente fala isso é slut-shaming e estamos sendo feministas ruins. Espero que esse tipo de feminismo liberal conte como feminismo para a análise, que é o que eu mais acho em blogs populares internacionais como o Feministing.)

O que eu realmente não tenho gostado no feminismo liberal é que realmente se faz de tudo para manter uma boa imagem. Como disseram, rapidinho apontamos as 'misândricas', as femistas, sem mesmo prestar atenção no que elas têm a dizer e tentar entender, ao homens, mostrando que na verdade somos boas e racionais e não loucas e "caímos de pára-quedas no feminismo", que o nosso feminismo é melhor que o das outras. O feminismo liberal é o único válido? O feminismo Lesbiano ou radical é radical demais? O feminismo liberal é mais feminista que o radical? O que é o feminismo? Uma das definições que mais ouço das liberais é o movimento que advoca pela igualdade dos sexos. As Lesbianas e radicais dizem que é um movimento pela emancipação feminina. Eu acho que muitas feministas liberais dizem a primeira definição para não pagarem de misândricas. Mas porrãn, eu tenho interesse primário em libertar as mulheres. Minha classe.

Então, sugiro que realmente leiam textos Lesbianos e radfems. Não precisa aceitar tudo que elas dizem (Afinal, né), só ver o que elas pensam, de onde surgiu isso, que idéias podemos pensar melhor, que reflexões podemos fazer... Mas cair matando chamando de maluca e dizendo que elas não entendem nada de feminismo é exagerar demais o negócio.

lola aronovich disse...

Pois é, né, gente? Eu dizendo que não conhecia feministas que odiassem homens, e por causa deste post acabei conhecendo algumas. Quer dizer, não conhecendo, mas ao menos lendo o post (e outros posts do mesmo blog) de algumas feministas que consideram desejável a misandria. Não concordo com isso de maneira alguma. Concordo que misandria e misoginia não são iguais (já que misandria é uma reação, não algo ensinado e socialmente aceito, como é o caso da misoginia), mas isso não justifica que um movimento que lute por igualdade odeie metade da humanidade. Concordo que alguns movimentos feministas podem até acolher misândricas, mas não acho nada inteligente que essa se torne a face do feminismo. E também não gosto de certos contorcionismos: acho que pessoas que odeiam homens e/ou mulheres precisam de tratamento sim. Quando recomendamos que os mascus que dispararam suas misoginias nos comentários fizessem terapia, eles reagiram como se tivessem sido XINGADOS. Pra eles essa sugestão é pior que um insulto. Mas nesta caixa algumas feministas também reagiram assim com a sugestão de tratamento pra misandria. Sinto muito, gente: ódio não é uma boa estratégia. Não importa se misandria não faz com que misândricas peguem em armas e saiam por aí matando homens. Misoginia também não faz automaticamente com que misóginos matem mulheres. Quero dizer, há muito mais misóginos no discurso que na prática. Ainda bem! Se todos os misóginos matassem mulheres, teríamos problemas muito maiores do que temos hoje. E mesmo que misoginia não implique em concretizar na prática o ódio às mulheres, não é algo com que possamos compactuar. Pra mim é o mesmo com misandria.
E não tenho apreço nenhum por Valerie Solanas. Uma pessoa desequilibrada que atira em outra? E logo em outra (Andy Warhol) que não era exatamente o suprassumo do machismo e do patriarcado?
Acho que, pra mudar o mundo, é preciso mudar também os homens. E certamente não vai ser com um discurso de "misandria é aceitável" que vamos conseguir isso. O meu feminismo definitivamente não passa por aí... e ainda assim sou chamada de "feminazi" e "feminista radical" a torto e a direito. O que é justamente o ponto deste post: pra ser chamada de radical basta ser feminista.

Niemi Hyyrynen disse...

Aoi Ito

Eu não disse que o feminismo liberal é melhor ou pior que o feminismo lesbiano, apenas disse que a autora do blog, (uma individuo) está proferindo idéias que pra minha subjetividade é estranha e fora de coesão.

Vi naquele blog uma intransigência, e ser radical a este ponto na minha concepção de justiça não está certo. Sendo repetitiva, ao meu ver ela caiu de paraquedas no feminismo sim, não vejo ali nos textos dela uma adepta de um movimento igualitário, mas uma revanchista amargurada. Mas isso são subjetividades não é mesmo?

Liana disse...

Aoi, aceitar que mulheres diversas façam parte do Mov é diferente de compactuar com tudo o que elas dizem.

O que é "radical" no meu entender? Vejo um ódio generalizado pelos homens e uma vitimização absoluta de mulheres nos poucos sites desse tipo que eu visitei. Não concordo com isso e não vejo como simplesmente ignorar esta parte pois permeia e é a base de todo o discurso delas.

Orgulhar-se por odiar metade da população do planeta e se garantir lúcida por causa disso me soa como insanidade.

Não adianta forçar passagem. Esse tipo de mensagem não está de acordo com a proposta do Feminismo que busca relações mais justas e harmoniosas.

Liana disse...

"Do rio que tudo arrasta se diz violento, mas não se dizem violentas as margens que o oprimem"...

É um lado da questão, o outro é que se não houvesse margem tampouco haveria rio. Para que algo exista ele precisa ser contido e limitado. A vida tem esse paradoxo, almejamos a liberdade total, sentimos necessidade dela e nos ressentimos quando não a temos mas ela não é possível em caráter absoluto. Precisamos aceitar nossas limitações como algo que também nos define pois que possibilita nossa existência. Podemos sentar e reclamar ou podemos nos maravilhar diante da vida.

mundomel disse...

É uma canseira ter ficar explicando isso toda hora. Se você se entitula feminista, lá vem uma renca perguntando "Mas você é feminista? Você namora um homem!!!". E eu olho pra pessoa com aquela expressão de "o que uma coisa tem a ver com a outra??????".

don't call me thaisinha disse...

Gostei muito dos comentários da Liana, da Bi, da Agatha e da Aoi Ito. Me fizeram pensar bastante, não concordo com alguns posicionamentos, mas adorei o debate.
E achei que foi maldoso comparar o Solanas com o Jack Estripador, afinal, como alguma a comentarista ChunLi (acho) disse a Solanas se revoltou, enquanto o Jack Estripador exteriorizou o que ele e muitos pensam e fazem até hoje.

E quando a Aoi Ito criticou essas tentativas de uma vertente do feminismo de manter a boa imagem, concordo.

Eu não gosto de algumas idéias proferidas por aí, por exemplo de que andam pregando que feministas usam maquiagem, usam salto alto, fazem chapa do cabelo, se depilam, sabe? Às vezes sinto até uma obrigatoriedade nesse discurso, mesmo que tenha um "algumas feministas".

Mesmo que eu goste de maquiagem, use salto em ocasiões formais, faça escova às vezes e me depile só no verão e só com gilete, o meu "gostar" tá ligado a opressão feminina, né? Eu sou feminista e tenho práticas desse tipo, mas eu acho que dar destaque a isso soa como um feminismo bonzinho, sabe? Manter essa imagem e dar tanto destaque a ela também oprime as mulheres feministas que não querem seguir tais padrões. Enquanto indivíduo, eu posso manter essas práticas, mas como feminista eu não as defendo e não quero nem que pareça que eu acho isso de "se cuidar" legal demais, sabe? Sei que há questionamento por parte das feministas que dizem isso, que há uma escolha de manter tais práticas, mas não gosto desse discurso.
Assim, como acho que ele contribui em afastar lésbicas que também não seguem os padrões do que é "feminino". E outras frases que ouço/lei como "sou feminista, mas não sou lésbica" parece que as lésbicas odeiam os homens, sabe?
Essas atitudes de ficar na defensiva justificando que não somos misândricas às vezes pode ser mais nocivo e segregador do que informativo. Todo cuidado com isso é pouco.

Acho que fica algo meio "Olha só, não nos odeiam, a gente é feminista, mas somos femininas, tá vendo? Somos boazinhas, depiladinhas, maquiadas"

Enfim, não sei se me expressei bem. Mas tá aí.

A.H.B. disse...

Para quem não gosta, claramente todo feminismo é radical. Porém, entre @s feministas existem diversas linhas de pensamento que são muito relevantes para um debate maduro (ao invés de perder tempo discutindo com os masculinistas, que por ão estarem abertos a uma conversa razoável, nunca vão conceder em ponto nenhum de um debate).
Uma das divisões mais importantes do feminismo é entre liberais e feminismo de esquerda (os conservadores não entram aqui porque não há conservadorismo feminista). Essas duas vertentes marcam justamente até onde vai o debate. Por exemplo, ambos concordam que existe misoginia na sociedade, mas o debate já toma rumos diferentes ao ser feita uma análise do que provoca a desigualdade entre os gêneros e qual a melhor forma de resolver esse problema.
Para estudos liberais, como o feito em "O Mito da Beleza" de Naomi Wolf, o problema não é o mecanismo da sociedade capitalista (pelo contrário, ela acredita que através da meritocracia liberal, as mulheres qualificadas irão se tornar gerentes, empresárias, etc), porém mecanismos culturais que insistem em reprimir a porção feminina da população. Segundo essa autora, esses mecanismos adquiriram formas variadas ao longo do tempo e atualmente, estão presentes nos códigos sociais de vestimenta, maquilagem e gestual, que reprimem a participação ativa das mulheres. Para ela, a solução seria uma resistência geral aos padrões estéticos e a adoção de atividades consideradas masculinas, como esportes coletivos.
Vejo a proposta dessa autora como interessante em alguns aspectos, mas falta uma abordagem de classe, que é o tema principal do feminismo socialista, ou feminismo de esquerda.
Para autores(as) socialistas, como Clara Zetkin, Lenin, entre outros, a manutenção de uma sociedade de classes em termos capitalistas significa a manutenção da posição de inferioridade da mulher na sociedade, pois as mulheres trabalhadoras representam uma classe expropriada. A noção de "inferioridade" deve-se à forma como o trabalho das mulheres é explorado.
Seguindo essa linha, ao considerar a existência de uma classe de mulheres trabalhadoras exploradas, é notável que as mulheres de classes dominantes, embora sofram a opressão social de gênero, tornam-se "homens" - socialmente falando - em relação as suas empregas, ou as mulheres de classes inferiores e do terceiro mundo.
Dessa forma, uma mulher rica pode se sentir oprimida por ser cobrada de fazer tratamentos estéticos, porém ela é um agente opressor ao livrar-se do trabalho doméstico contratando uma empregada ou tendo uma babá para cuidar dos filhos, ao invés de procurar eliminar as estruturas sociais que permitem existir esse tipo de desigualdade.
Outra coisa que é importante nessa visão é que não existe meritocracia de fato no mundo capitalista. Na verdade, as mulheres que estão concorrendo nos altos cargos de mercado também possuem privilegios de nascimento em uma classe mais rica, como o acesso às melhores escolas.
A eliminação da discriminação por gênero é conjunta à eliminação da desigualdade social, nessa perspectiva do feminismo.

Vale acrescentar que existem muitas linhas apolíticas minoritárias, inclusive "feminismo separatista". Também podemos falar de "feminismo lipstick" (ou feminismo de batom), que é uma vertente que assume papéis de gênero femininos como uma identidade de "mulher". Claro que vale muito para a discussão atestar o valor acadêmico de cada estudo (e eu considero a Naomi Wolf tão boa quanto o Lenin, embora acredite que ele foi mais longe na análise crítica da sociedade) e, principalmente, tirar a discussão desse vácuo intelectual que são os conservadores. Também é importantissimo trocar textos sérios e não dar bola para retórica de "meninos contra meninas".

A.H.B. disse...

Da questão da "misandria", concordo bastante com o que foi colocado nesse comentário:

"Como já pontuaram aqui a misoginia é sistemática e aprendida, não tem uma razão de causa para ser formada ela é gerada por um interesse consciente.

A Misandria é a conseqüência de um mal (...) um sistema de auto-preservação da mulher para que ela não se afunde em culpa."

Acredito que falar em misadria é bastante semelhante a noção de "racismo reverso". Sabe quando uma pessoa veladamente racista diz que acha que "os negros são muito agressivos com esse negócio de consciência negra ou 100% negro?" - É a mesma coisa que acusar uma mulher de misandrica ou fanática porque ela teve alguma atitude negativa ou generalista. Óbvio que, como a Lola bem colocou, a maioria das mulheres que estão falando "homem é tudo cafajeste" não são feministas ou sequer estão saindo muito do senso comum, mas acusar de "sexismo reverso" ou sair dizendo que isso tem a ver com o feminismo, aí é não estar levando a conversa a sério.

Ághata disse...

Vou logo avisando: Não Li Todos os Comentários!!

Só vou dizer o seguinte - e posso acabar pegando pesado, mas é importante voltar pra realidade ao invés de discutir abstratamente misturando maçãs e laranjas - alguém aqui teria coragem de dizer a uma misândrica que é por ter passado por um estupro coletivo que o ódio dela a todos os homens é recalque...?
Se aquela senhora que matou o pai que tentou abusar sexualmente da filha-neta no nordeste desenvolvesse algum tipo de misandria vocês diriam que ela é recalcada e mal resolvida...?

Você já pararam para pensar porque é que muitas vezes uma mulher quando é gravemente violentada não desenvolve só uma aversão ao agressor mas a todos os homens em geral? E que a mesma coisa não se passa com outras pessoas que sofrem violências graves?

Já se perguntaram também porque vários homens, após lerem textos feministas, se sintam atingidos...? Se sintam 'odiados'? Por que vários deles se identificam com agressores de mulheres...?

Gente, vai montando o quebra cabeça aew...

Escarlate disse...

Minhas queridas, Lola, o Scum Manifesto É UMA PARÓDIA! Só hj eu descobri, por meio de um comentário no orkut:

"Gente, a própria Solanas disse que o SCUM não era para ser levado a sério! Eu li antes de saber disso e quase chorei de rir, pq aquilo para mim é claramente um breve histórico de como boa parte dos grandes pensadores viam as mulheres (de modo revertido) durante milênios com umas hipérboles para dar um efeito dramático! "

"Acho que não tem tradução, mas o livro se chama American Feminism - a contemporary history e a autora é a Ginette Castro. Vendo agora acho que na verdade isso é interpretação dela a respeito do SCUM, e não algo que a Solanas disse numa entrevista ou algo similar.

Mas faz todo o sentido. Mais ainda se se considera que o machismo sempre foi pródigo em projetar nas mulheres todas as suas frustrações e inseguranças (nunca tive isso com tanta clareza depois de ler Backlash) - o que é essa coisa toda em cima do SCUM se não uma reação histérica a uma paródia da situação em que as mulheres foram colocadas durante tanto tempo? (E ainda são!!!!)

Se fazem, ou são mesmo, nem sei, absolutamente incapazes de enxergar misoginia e machismo em inúmeras situações, mas quando a situação se reverte UMA VEZ, EM FORMA DE PARÓDIA, dão chilique em cima de chilique. Seria digno de piedade se não fosse pernicioso. "

Tem o trecho que ela discute isso no google books (pg. 73):
http://books.google.com.br/books?id=DYuBjJXGsZkC&pg=PA73&lpg=PA73&dq=ginette+castro+American+Feminism:+A+Contemporary+History+scum+manifesto&source=bl&ots=1apEQaJNrq&sig=phYfZ83kMLtEdDUUSThYImt-Zss&hl=pt-BR&ei=oVJdTvSPA4zUgAeg1ZzyAQ&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=4&sqi=2&ved=0CD4Q6AEwAw#v=onepage&q&f=false

Ághata disse...

Ah, e não vão ofender as 'malucas que caíram de páraquedas' com as mesmas ofensas que os machistas ou leigos atribuem a vocês enquanto feministas.

Discordar é natural e saudável, ninguém vai acusar vcs de machistas pq não se identificam com esta ou aquela corrente.

Ao discordarem, demonstram que ninguém aqui engole tudo no automático só porque é uma Feminista que está falando - como costuma acontecer em blogs de esquerda, ateus, entre outros.

Mas tentem repensar porque esta aversão tanto as misândricas... O que é a misandria e como ela se manifesta na nossa sociedade...

Don´t call me Thaisinha,
entendo o que você sente. Não entendo bem qual é a desses posts 'olhem só como sou uma feminista legal, só quero igualdades', cuja maior preocupação é provar pros homens que 'sim, feminista tem vida social', 'Nem toda feminista é lésbica', 'Sou feminista, mas tenho namorado', 'sou feminista mas uso batom'!

Não precisamos prestar contas a ninguém, né...

Ághata disse...

Sim, Escarlate. O Scum é uma paródia da nossa sociedade, mas deve ser levado a sério quando descreve o patriarcado (de forma ecagerada mas interessante). Mas é aconselhável mas depois de outras leituras sobre feminismo, ou realmente a pessoa não vai entender.

Pena que é muito comum várias feministas se contentarem em ler apenas blogs e não os livros, pesquisas, estudos...

Niemi Hyyrynen disse...

Caramba, quando eu quis dizer "caiu de paraquedas" eu não estava me referindo a todas as feministas de uma vertente! Quem sou eu pra dizer uma coisa dessas?

Não estou aqui para ofender ninguem!

Só estava me referindo a autora do blog indicado pela Bi.

Pra mim aquele blog tem mais ódio e sangue do que um encarte da banda Kittie.Isso pra mim é paraquedismo.

Ághata disse...

Niemi,
aquele blog pode assustar a primeira vista, mas é apenas mais uma vertente. Claro, não precisa concordar com tudo, mas dá pra aprender coisas bem interessante com ele, lhe garanto.

Aliás, se eu não estiver enganada, uma das colaboradoras é uma feminista com uma enorme bagagem teórica e muita experiência como militante - ou seja, não é uma garota nova nos estudos. ^^

***

Ah, sim, sobre misândricas...

Alguém aqui tem uma obra de Xinran chamada "As Boas Mulheres da China"? Uma das histórias é sobre uma mulher que poderia ser considerada misândrica. Indico a leitura.

lola aronovich disse...

Gente, eu insisto: a misandria não é minha linha de feminismo, e eu não acho uma linha eficaz. Se quisermos mudar o mundo (e perdoem minha ingenuidade, mas eu quero), não será através de conversas em grupos restritos -- grupinhos, inclusive, que não aceitam a participação de homens. Não vejo como mudar a sociedade sem mudar também os homens. E não vejo como mudá-los através do ódio. Eu não estou muito preocupada em saber se sou vista como uma feminista boazinha e limpinha ou como uma feminazi. Pra feministas misândricas, eu devo ser a maior xarope. Pra qualquer um que odeia feminismo, eu sou uma feminazi (e costumo ser chamada muito mais de feminista radical que de boazinha, porque obviamente existem muito mais anti-feministas que feministas misândricas). O importante, pra mim, é que meu blog estabele um diálogo com mulheres e homens que compartilham da minha vontade de mudar o mundo. Eu não falo com meia dúzia de mulheres que acham "honrável" odiar homens. Eu falo com muito mais gente. E tenho orgulho disso. E muitas das pessoas com quem falo têm uma ideia deturpada do feminismo -- de que todas as feministas são lésbicas, que feministas odeiam homens etc. Eu quero que mais gente (mulheres e homens) se assumam feministas, e tento combater todo tipo de estereótipo por aqui. Tod@s sabemos que o feminismo é plural, e que há inúmeras linhas de pensamento dentro dele. Há até feministas misândricas que se encaixam no estereótipo que anti-feministas fazem do movimento. Só não acho que são representativas. E pelamor, gente, ter Solanas como heroína? Uma pessoa com sérios problemas que atirou em outra e escreveu uma obra tão exagerada que costuma ser vista como paródia?! Vamulá, pessoal, o feminismo tem nomes muito mais importantes.

Laetitia disse...

eu concordo plenamente com a Lola. até entendo que muitas mulheres tenham motivo pra ter raiva (ou, talvez mais propriamente, mágoa) dos homens que lhes causaram mal. mas vale a pena, como a Lola disse, odiar metade da humanidade por causa de alguns? vale a pena admitir que metade da população mundial não mereça viver, ou, sei lá, ter direitos?

guerrinha de um gênero contra outro não me parece levar a lugar algum, exceto talvez à extinção da humanidade, se for levada a sério (rs). nós queremos isso? acho q ninguém racional quer, né? pra mim, já basta de discriminar as pessoas pelo sexo. um mundo justo é igualitário é um mundo onde mulheres, homens e todos os q não se encaixam em nenhuma categoria possam viver sem relações de dominação, existindo livremente, além das amarras de condicionamento de gênero.

EdFurtado disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
EdFurtado disse...

Ágatha "Você já pararam para pensar porque é que muitas vezes uma mulher quando é gravemente violentada não desenvolve só uma aversão ao agressor mas a todos os homens em geral? E que a mesma coisa não se passa com outras pessoas que sofrem violências graves?"
Os homens que odeiam as mulheres tem o mesmo ressentimento. Se um homem ou mulher está nutrindo rancor contra metade da população humana precisa de ajuda.
Ódio não faz bem, espero que misóginos e misândricas possam superar esses sentimentos mal resolvidos, ódio só gera sofrimento. Claro que catárse não acontece da noite pro dia, mas reconhecer o ódio como problema é um dos passos para superá-lo.
Quero também ressaltar que é um sentimento válido e uma resposta natural a quem sofreu um trauma, mas manter esse sentimento não te permite sair da dor do trauma.
PS: Lola, os mascus tão querendo acabar com o movimento:
http://www.reflexoesmasculinas.com.br/2011/08/masculinistas-e-feministas-um-casamento.html

Flasht disse...

Eterno 2 pesos e duas medidas, agente ver por aqui

Aoi Ito disse...

A gente vê por aqui e por toda a sociedade, Flasht, é por isso que algumas pessoas precisam de tratamento diferente e podem ter interpretações diferentes de fatos para serem protegidas e se protegerem! :D

Ághata disse...

Só um adendo pra não ser mal compreendida: não há feministas misândricas, mas feministas separatistas. Elas apenas são centradas em mulheres, só isso.

O que Bi, yo e outras defendemos é que não devemos excluir mulheres por serem misândricas ou direcionar o desprezo que nos concedem a elas até por serem, em sua maioria, pessoas que sofreram traumas bastante pesados.

***

Ed,
os homens que odeiam mulheres, o odeiam porque são ensinados a odiar mulheres - não costuma ser fruto de nenhuma violência ou coisa que o valha.

E eu não estava comparando com relação aos homens...
Vou explicar:
- gays que costumam sofrer violência não costumam desenvolver uma fobia de heteros (exceto o caso de lésbicas);
- pessoas negras podem devolver a violência que sofrem em determinados contextos, mas não costumam desenvolver aversão aos brancos;
...mesma coisa de crianças com adultos, pessoas idosas e por aí vai.

Coisa similar você verá em casos de guerras violentas de uma nação pela outra, na qual não se confunde a ação do agressor com a de todo um grupo.

***

Claro que ódio não faz bem. Até por isso ninguém quer direcionar mais desprezo a elas, né. Procura-se exatamente direcionar este ódio ao patriarcado, não alimentá-lo e fazerem elas agirem como misóginos.

***

Com certeza há nomes mais relevantes no feminismo. Mas se fôssemos excluí-la da lista só porque não 'fica bem na fita'...

Ághata disse...

errata:

"na qual se confunde" -> sem o não...

EdFurtado disse...

Ágatha, entendi e gostei de tudo o que você disse. Concordo que o fator cultural é crucial na misoginia desses homens, mas quando um homem odeia o gênero feminino inteiro não é só por cultura, ele teve um trauma emocional grave.
A cultura machista não ensina a odiar as mulheres, o machismo não se fundamenta em ódio, mas em conceitos e preconceitos.
NA:O páragrafo acima não é de modo algum uma defesa do machismo.

Max disse...

Eu sei que talvez a Lola nem veja meu comentário, mas me pergunto: será realmente que vcs não tinham conhecimento dessa vertente do feminismo? Eu que não sou um expert em feminismo já tinha lido na internet esses manifestos contra os homens. Acreditemos que elas são uma minoria inexpressiva , mas se por um acaso vierem a se tornar preponderantes no feminismo, qual seria a face e o caráter que o movimento feminista teria no mundo?????

Vinícius E. disse...

Eu acho patético como você diz que feministas não são radicais (e realmente não são) e quem odeia homens são na verdade misândricas.

Mas quando é o contrário, você diz os masculinistas é que odeiam metade do planeta e os misóginos... também! Belo sistema de dois pesos e duas medidas, hein?

Quem odeia mulheres não é masculinista da mesma forma que quem odeia homens não é feminista. É muito conveniente para você dizer que tentar fazer uma diferenciação para apenas um dos lados.

Hamanndah disse...

Querida Lola ou querido(a) leitor(a) deste blog que não seja um "masculinista com raivinha", por favor, postem um comentário no meu blog para o machinho chamado Lucas que insiste em colocar feminismo=Valerie Solanas=mulheres odeiam homens.

http://hamanndah.blogspot.com/2012/01/desequilibrada-da-valerie-solanas-nao.html

Lucas disse...

Não conheces nenhuma feminista que apela à violência porque não queres.

O feminismo, havendo sido fundado por doentes mentais como a Solanis, está cheio de mulheres violentas.

http://omarxismocultural.blogspot.com/2011/12/o-enxame-feminista.html

E que o feminismo é baseado no ódio é feito óbvio pelas palavras das próprias feministas:

http://omarxismocultural.blogspot.com/2011/12/feminismo-movimento-baseado-no-odio.html

Hamanndah disse...

Como eu estava dizendo

Feminismo é diferente de agressão a homens.


Agressão a homens é femismo

Lucas disse...

O feminismo não é porcaria nenhuma diferente da agressão aos homens. O feminismo foi fundando com o lema de que "todos os homens são violadores e todos os homens são bastardos".

A indústria da violência doméstica alimenta o nojo que é o feminismo usando a psicologia feminina para angariar fundos estatais como forma de avançar com a sua agenda.

NA Suécia envergonham rapazes só porque são rapazes.

Feminismo é uma ideologia baseada no ódio. A tentativa de reinvenção para "femismo" é estupidez.

Gabriel Nantes de Abreu disse...

"NA Suécia envergonham rapazes só porque são rapazes."

Quer dizer que em algum lugar desse mundo homens entendem e passam por uma milésima parte do que sofreram Mulheres, negros e homossexuais no decorrer da historia da humanidade e deste pais?

Até me emocionei!

Lucas disse...

Gabriel,

Quer dizer que em algum lugar desse mundo homens entendem e passam por uma milésima parte do que sofreram Mulheres, negros e homossexuais no decorrer da historia da humanidade e deste pais?

Só que as mulheres não "sofreram no decorrer da história da humanidade". Em caso de dúvida, pensa no que aconteceu no Titanic - exemplo paradigmático do "sofrimento" da mulher.

Extremohack disse...

O feminismo ao meu ver pode ser promissor como um agente transformador dos próprios valores da sociedade, se usada pelos propósitos que fizeram esse movimento surgir.

Tal movimento pode ser o início do desenvolvimento de um novo paradigma social, onde exista o respeito não só da figura da mulher, mas da diferença frente à sociedade.

Entretanto, acho a ideia do igualitarismo de sexos algo falacioso, homens são diferentes de mulheres, cada um deve agir em conformidade com que lhe é intrínseco. Cobrar igualdade dos desiguais(diferentes) é como cobrar que a democracia seja libertária(o que é irreal, já que a face verdadeira da democracia seja baseada na ideologia da aparente liberdade, sem contudo, ser verdadeira).

Devemos pensar em ter uma sociedade livre e a igualdade vai contra à liberdade. Cada qual deve manter suas diferenças, sem no entanto, haver distorções ao direito de liberdade que cada um possui.

Anônimo disse...

É por essa e mais outras que o mundo continua violentamente machista.Os homens podem nos violenatr,nos matar,que nós sempre temos que amá-los! Homens crués e machistas são sempre desculpados pela sociedade e acolhido por mulheres.Machismo nunca será crime se continuarmos com ese estilo de pénsamento ou será que negros e gays que querem leis ounitivas contra racismo e homofobia tem que ficar dizendo que amam brancos e heterossexuais?mas as femisniats,ao contrário,morrem de preocupação sobre o que os homens acham delas!

Vos pergunto:será que uma mulher odeia um home á toa?
A autora desse blog tem uma visão ridícula de feminsimo,é puro "feminismo fasghhion" que só vai até onde os supostos homens libertários querem que vá.

Henrique disse...

Sou homem, totalmente heterossexual, mas a cada dia fico com mais ódio das mulheres. Cansei de me aproximar educadamente (bem à minha maneira) de mulheres em baladas, bares etc e ser tratado que nem lixo, tipo “some daqui” ou “se liga, seu trouxa”, coisas que já ouvi gratuitamente.
Pois é. Sou estabilizado financeiramente, na faixa dos 30 anos, muito bem formado, educado, poliglota, muito viajado e me considero sim um homem bonito e atraente, mas as mulheres estão me perdendo (como se estivessem preocupadas com isso, né!?). Mas uma pena, porque sei que poderia fazer alguma mulher feliz… No entanto, hoje estou me tornando mais e mais assexuado. E não consigo mais assumir relacionamentos porque cansei desse papinho frágil feminista, não aguento mais ouvir essa baboseira.
Na minha humilde opinião as feministas estão no caminho errado. Os homens mais lúcidos estão se tornando misóginos, nem machistas mais, agora são misóginos mesmo, ou seja, ódio de mulher.
O objetivo era esse? Jura que é isso!? Então, o futuro guardará a extinção da espécie humana, pois como dois sexos que se odeiam vão procriar e criar filhos?!
Gente, pelo amor de Deus! Vocês conseguem entender como isso é triste?
Nossa sociedade pirou. Imagine a tristeza de Shakespeare que idealizou um lindo romance entre Romeu e Julieta… carinho, admiração de um sexo pelo outro. A mulher admirando a força física e a segurança do homem e o homem se encantando pela feminilidade e delicadeza da mulher…
Hoje a mulher que fica, beija um cara, o faz no automático. A mulher não vê mais o homem com aquele orgulho e admiração que faz até o olho lacrimejar….
Acabou! Uma pena!

Pipoqueiro disse...

Curti o texto.
Só adicionar pra questão da Valerie Solanas, que se não me engno ela foi estuprada por quase todos os homens da família dela e teve uma vida muito difícil e há também muitos relatos sobre ela ter algum tipo de doença mental...

Gil Noronha disse...

Discussão longa e importante, mas só gostaria de ressaltar que consultório de psicologia clínica não é fábrica de normalização. Ninguém é doente por precisar da ajuda de um psicólogo e tampouco se oferece cura. Vá ao psicólogo quando tiver dor que não está no corpo. Doença é da alçada dos médicos e sua vertente psi a psiquiatria.

Outra coisa sobre a psicologia, não existe coerência interna, então se você não quiser a cura e seu psicólogo quiser te curar, procure outro.