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sexta-feira, 1 de outubro de 2021

"A SUA FAMÍLIA NÃO É MELHOR QUE A MINHA"

É muito importante registrar a fala histórica que o senador Fabiano Contarato (Rede-ES) fez ontem durante a CPI da Covid. 

O empresário bolsonarista Otávio Fakhoury foi chamado para depor porque é acusado de patrocinar bolsominions para espalhar conteúdo negacionista sobre a pandemia, além de discurso de ódio e atos antidemocráticos. Contarato chamou a atenção de Fakhoury porque, em maio, o senador errou a grafia num tuíte, escrevendo "estado fragrancial", em vez de "flagrancial", e o empresário, homofóbico como todo bolsonarista, aproveitou para tuitar: "O delegado [Contarato foi delegado da Polícia Civil antes de ser eleito senador], homossexual assumido, talvez estivesse pensando no perfume de alguma pessoa ali daquele plenário... Quem seria o 'perfumado' que lhe cativou?" 

Contarato, além de pedir à Polícia Legislativa que investigue Fakhoury por homofobia (que é crime), disse, emocionado: 

Muitas pessoas, quando eu tomei posse como senador da República, me perguntaram se essa Casa me respeitava, se meus colegas me respeitavam. 
E eu nunca titubiei. Eu sempre falei: todos têm um respeito, um carinho, admiração e deferência por mim, como deve ter por qualquer pessoa. Mas eu queria falar pro depoente, eu não posso perder essa oportunidade, porque sr. Otávio, o dinheiro não compra a dignidade. O dinheiro não compra caráter. Cursos não compram humildade, compaixão, caridade. Eu sempre pergunto, qual o tipo de imagem que eu vou deixar pros meus filhos? Eu amo a Mariana, que Deus me deu na pandemia -- Deus nos deu, a mim e ao meu esposo, com muito orgulho, e não pense que pra mim é fácil falar isso aqui, me expor, não é fácil. Hoje eu sei muito bem o que é local de fala. [...]

O senhor pegou um tuíte meu e por um erro de grafia de rede social, o senhor fala isso. E é aí que mais me admira. Porque o senhor não é um adolescente. O senhor é casado, tem filhos. A sua família não é melhor do que a minha [o senador, o único homossexual assumido no Senado, é casado com um homem e tem dois filhos, um menino e uma menina]. 

Eu não consigo entender o que leva um ser humano, que tem maioridade, e a maioridade é de 18 anos. O que leva o senhor [a isso]? O senhor tem filhos... Qual imagem enquanto pai, enquanto esposo, enquanto cidadão, o senhor vai passar pros seus filhos? Isso é o seu princípio da legalidade?

Porque o Supremo Tribunal Federal, tardiamente, o mesmo Supremo que o senhor defende extinguir, criminalizou a homofobia equiparando ao crime de racismo. Aliás, um dos poucos crimes que são considerados inafiançáveis e imprescritíveis. O senhor está obedecendo o princípio da moralidade? Qual o conceito de moralidade do senhor? Qual o conceito de legalidade? Qual imagem que você vai deixar para os seus filhos? 

O senhor pode ter todo o dinheiro do mundo. Eu tenho minha vida modesta e com muito orgulho, cuidando da minha família, um orgulho com o meu esposo e com os meus dois filhos, Gabriel, de 7 anos, e Mariana, que fez 2. E eu quero que eles tenham a certeza de que eu lutei e vou continuar lutando para reduzir essa desigualdade que há no Brasil. 

Porque se o senhor obedecesse o princípio da legalidade, o senhor saberia que no artigo 3o, inciso 4 da Constituição Federal, está expresso que um dos princípios, um dos fundamentos da República Federativa do Brasil é promover o bem-estar de todos e abolir toda e qualquer forma de discriminação. O senhor não é um adolescente, então eu não poderia deixar de me pronunciar. 

Eu aprendi que a orientação sexual não define o caráter, que a cor da pele não define o caráter, que o poder aquisitivo não define o caráter. Eu aprendi isso. E eu fico muito triste, sabe por quê? Porque eu fico me colocando no lugar dos seus filhos. Isso vai ficar aqui registrado no Senado Federal ad infinito. E o senhor não sabe como é difícil pra mim expor a mim e a minha família, os meus filhos, num momento tão delicado como esse. Mas é necessário isso, para que outros não sofram o que eu estou sofrendo. Porque se o senhor faz isso comigo, como Senador da República, imagine num Brasil que mais mata a população LGBTQIA+? Então o mínimo que o senhor deveria fazer é pedir desculpa não só a mim, a toda a população LGBTQIA+, a toda a população.

Assim como Martin Luther King teve um sonho, eu também tenho um sonho. Eu sonho um dia em que eu não vou ser julgado pela minha orientação sexual. Eu sonho um dia em que não vou ser julgado pela minha orientação sexual. Eu sonho um dia em que meus filhos não serão julgados por serem negros. Eu sonho um dia em que minha irmã não vai ser julgada por ser mulher. E que meu pai não será julgado por ser idoso. 

Esse dia ainda não chegou porque o senhor é o tipo da pessoa que retrata muito bem esse presidente da República, que fala na família, na família tradicional. Mas a minha família não é pior do que a sua porque a mesma certidão de casamento que o senhor tem eu também tenho; que fala na Pátria, que fala na legalidade, que fala na moralidade, mas o senhor é o principal violador dessa legalidade e moralidade; que fala em Deus acima de todos. Deus está no meio de nós. 

Então eu não poderia deixar de fazer esse registro e de requerer, à presidência [da CPI], que seja remetido cópia dessas postagens à Polícia Legislativa para que apure o crime de homofobia praticado por esse depoente aqui, na certeza de que nada -- não vai ser a responsabilidade penal, não vai ser a responsabilidade civil, não vai ser nenhuma responsabilidade administrativa que vai tirar a dor que o senhor me causa, que o senhor me ocasionou. O senhor nunca me viu, o senhor nunca conheceu minha família, o senhor não conhece meus filhos, mas nada te dá direito de fazer o que o senhor fez, porque essa dor é incomensurável. Não tem dinheiro que pague isso. Mas eu espero, eu estou expondo mais uma vez a minha família, meus filhos, meu esposo, pra que outros não passem pelo que eu passei. Muito obrigado, senhor presidente [da CPI].

Vejam a fala toda aqui. Ao empresário só lhe restou dizer que foi uma "brincadeira de mau gosto" e pedir desculpas. 

Em seguida o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), sempre atacado por bolsonaristas, que o chamam de "gazela", mostrou um tuíte de Fakhoury em que ele legenda "Saltando sem parar" sobre uma foto de Randolfe. O vice-presidente da CPI também pediu que o tuíte fosse enviado à Polícia Legislativa.

A cereja do bolo é que o favorito para ocupar a vaga no Senado pelo Espírito Santo era o impastor Magno Malta. O povo preferiu eleger Contarato. 

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

JOVENS, A NOVA VOVÓ FALA SOBRE E FAZ SEXO

Publico um post que a historiadora (sem nunca ter sido) Tereza Raquel Pugliese escreveu aqui pro blog: 

Mocinhas e rapazes, saiam da sala, porque a vovó vai falar de sexo. Não vou dar aula de educação sexual, mas sim dizer que nós, as vovós, temos tesão, transamos e, oh! gozamos…

Pois é, se ficaram constrangidos, eu não! Recentemente no Twitter alguém fez um comentário sobre se sentir incomodada porque uma mulher estava sempre fazendo comentários sobre sexo -- e não era eu! Eu comprei a briga da moça que gosta de transar e parece ter mais de 60 anos.

Fiquei indignada com o que li, principalmente com os comentários das e dos jovens. Quer dizer então que nós que ultrapassamos os 50, 60, 70 anos não podemos mais expressar nossos desejos de namorar e transar? A vida acabou para nós?

Sim, nós mulheres maduras passamos pela menopausa, alterações hormonais, diversas questões físicas que às vezes podem ser muito complicadas, mas dá pra curtir, viver, amar, ser amada, tocar, ser tocada. 

Quem disse que sou obrigada a ficar parada em casa testando receitas novas no fogão, fazendo crochê como minha avó e minha mãe? Quero mais é continuar trabalhando, viajar sozinha ou acompanhada, se assim for minha decisão. Explorar os prazeres do meu corpo, independente da cor e forma que ele tenha -- magro, gordo, alto, baixo, com ou sem pelos, desde que ele me satisfaça, nada mais importa.

Sobre falsos moralismos, não me admira que as mais ácidas postagens à mulher de 60 tenham sido feitas por outras mulheres. Algumas ainda não conseguiram achar a beleza, aceitar a plenitude dos seus corpos, e parecem se ressentir daquelas que estão totais na maturidade e acham vulgar, absurdo expressar esse contentamento nosso.

Ser mulher nunca foi fácil. Ser mulher que se expressa é difícil, ainda mais uma mulher que se assume por inteiro, vivida, madura, completa, que somente quer viver sem pudores, livre de amarras, e expressar seu desejo…Mas ela não pode, porque já é velha, segundo regras nada ocultas de uma sociedade hipócrita e machista.

Quando nós mulheres poderemos finalmente ser donas do nosso corpo, da nossa voz, do nosso pensamento, do nosso tesão e gozo?

Muitas mulheres já estão quebrando as amarras da censura esdrúxula que existe por aí e dizendo: vivo, respiro, amo, danem-se! Meninos e meninas, acostumem-se: a nova vovó usa biquíni fio dental e, pasmem, quem sabe tenha mais de um namorado.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

O SONHO ROUBADO POR SER MULHER

Hoje publico este ótimo post da Chrislly Catta Preta Fulgoni, servidora pública federal, sobre algo que não acontece com os homens.

Deveria começar escrevendo que sempre fui uma mulher empoderada e determinada. Estaria mentindo. Quando mais jovem, era apenas uma menina insegura quanto ao sucesso que poderia ter, tanto na vida pessoal como na profissional. Todas as experiências que me forjaram ao longo dos anos tornaram-me mais forte, reservada e confortável com quem sou e com quem desejo ser no futuro. As reflexões sobre o que é ser mulher se intensificaram após o nascimento da minha filha, em 2017.

Conheci aquele que mudaria muito de mim em 2006: meu marido. Um entusiasta do serviço público que me ajudaria incessantemente a estudar para que eu alcançasse aquilo que passara a ser um sonho: ser aprovada em um concurso público. Foram anos de preparação divididos com faculdade e trabalho, anos de reprovações, anos de “fiquei por um ponto”. Muitas e muitas lágrimas. Finalmente, no dia 20/06/2016, meu nome estava no Diário Oficial: APROVADA no tão sonhado concurso público.

Não há como colocar em palavras a sensação que tive. Não era apenas uma alegria pela conquista profissional. Era como um bálsamo de alívio. Finalmente eu provava a mim mesma e para todos -- família, amigos, colegas de trabalho -- que eu também era inteligente como meu tão bem sucedido marido. Finalmente tinha conquistado algo.

Deixo claro que essa sensação de estar sendo julgada não decorre de atos explícitos. Na maioria das vezes vem dos que mais amamos. Lembro bem de um episódio peculiar que demonstra bem o julgamento do outro sobre nossa vida. Ainda na faculdade em que eu e meu marido (então namorado) cursávamos Direito, ouvi de um colega de classe em tom jocoso que eu era uma “Maria Concurseira”, porque tinha escolhido namorar o rapaz mais inteligente da sala, servidor público desde os dezoito anos. Esse comentário era tão absurdo e ofensivo que não tive reação. Ouvi calada. Cheia de raiva, mas calada. Estudávamos os três na mesma sala, minhas notas sempre foram excelentes, eu tinha desenvoltura nos trabalhos, mas, mesmo assim, um homem achava que era engraçado reduzir-me e reduzir meu relacionamento a um alpinismo ou oportunismo. As mulheres dividimos os mesmos espaços que os homens, mas é como se fosse um favor permitirem que estejamos lá.

Enquanto esperava minha nomeação, resolvi engravidar. Acreditava ser o momento certo, pois finalmente não estava sob o estresse da preparação para um concurso público e o decorrente desgaste físico e emocional. Engravidei. Nos nove meses de gestação ouvi coisas assim: “Não entendi por que você fez concurso. Você engravidou, vai trabalhar depois que ela nascer?” -- dita por uma jovem de 20 anos. “Esse salário aí que você vai ganhar é um bom salário para uma mulher!” -- dita por um tio amado.

O tempo passou e há dez dias da data prevista para o parto da minha primeira e única filha, recebi um telefonema de Brasília. Uma pessoa do recursos humanos me ligava para avisar que minha nomeação seria publicada e que eu deveria me antecipar e realizar os exames admissionais. A nomeação foi publicada numa quarta-feira e na quinta-feira, dia 01/07/2017, eu saía de casa para tomar posse no tão sonhado concurso público. Após muito sofrimento, a nomeação estava ao meu alcance. Como num conto de fadas eu estaria empossada no meu cargo e, em seis dias, nasceria minha filha. Como em um roteiro clichê, tudo daria certo.

No entanto, a perita recusou-se a declarar-me apta para o cargo sem um exame ginecológico chamado colposcopia, mesmo com uma declaração da minha obstetra informando que se tratava de  exame invasivo demais para ser realizado no nono mês de gestação. Saí aos prantos do prédio. Meu sonho estava escapando de minhas mãos. Liguei para meu marido. Na minha mente ele estaria mais lúcido e conseguiria me ajudar a resolver aquela situação. Ele e minha grande amiga Ludimila Poirier (advogada também) saíram da cidade vizinha onde ambos trabalhavam e vieram ao meu encontro, para me consolar e pensar no que faríamos. A decisão foi recorrer ao judiciário. Ingressamos com um pedido de tutela antecipada antecedente a fim de afastar a exigibilidade do exame. O juiz negou. Um juiz homem e jovem. Deferiu apenas a reserva da vaga para quando meu exame pudesse ser feito (segundo a obstetra, seis meses após o parto).

Com a negativa, voltei à esfera administrativa. Falei com o gerente executivo, com o chefe do RH local e com o chefe do RH em Brasília. Todos eram unânimes em afirmar que o que tinha acontecido era absurdo, mas que nada poderia ser feito, pois a perita tinha autonomia para decidir. Por fim, procurei a chefe do departamento de perícias. Ouvi da médica chefe: “Não sei por que você está com tanta pressa, você deu sorte de ser nomeada.”

“Sorte”. Após todo sacrifício da aprovação, após toda aquela situação no fim da gravidez, todo o estado emocional envolvido, tive de ouvir que não tive mérito algum. Foi “sorte”. 

Sem nada mais a ser feito e temendo perder a vaga, decidi conversar com minha obstetra sobre o que tinha acontecido. Aos prantos, contei toda a história. Ela deu a solução: “Consigo fazer esse exame em você com um pequeno risco de sangramento, o que é normal, mas sem risco para a bebê. No entanto, será um exame sem efetividade. É um útero todo alterado e ferido pela gestação avançada. Mas, se é um laudo que eles querem, um laudo eles terão.”

Terça-feira, dia 06/06/2017, um dia antes do parto, eu estava com todos os exames exigidos em mãos. Voltei à perita e fui recebida com a frase: “Hoje não posso. Vou ao dentista, volte depois de amanhã.” Indignada, respondi: “Não, doutora. Meu parto é amanhã. Vou sentar aqui e espero quantas horas for preciso.” E esperei. Depois que ela voltou, o exame foi feito. Durou cerca de dez minutos. Ela olhou os exames e disse: “Você fez a colposcopia? Deveria ter esperado.” Fiquei em silêncio, pensando como uma mulher, médica, podia ser tão desumana assim.
Tomei posse na véspera do parto e entrei de licença imediatamente. Não queria encontrar nenhum deles pelos próximos seis meses. Isso faz quase quatro anos e ainda hoje sinto muita tristeza e raiva dessa história. É como se tivessem roubado algo que não pode ser repetido. A experiência da conquista do primeiro concurso após tanto sacrifício. Mesmo vencendo outros, esse, o primeiro, roubaram. 

Quando finalmente comecei a trabalhar, após a licença maternidade, outra pergunta era constante, já que eu estava trabalhando na mesma entidade federal em que meu marido havia trabalhado. Era “óbvio” para as pessoas que nos conheciam que eu “só” estava lá, porque “ele” tinha “arranjado” para mim. “O Ricardo arrumou para você essa vaga?” No começo eu tentava explicar que concurso público não funcionava daquela maneira, que ele tinha me ajudado muito a estudar, mas eu tinha feito prova e conseguido a aprovação por meus méritos. Mas depois de algum tempo desisti e passei a responder: “Sim, foi ele mesmo que arrumou. Você acredita que eu sento até na mesma cadeira?” E a vida seguia.

A filha crescia e os objetivos da nossa família se tornavam maiores. Quando meu marido decidiu estudar para a magistratura eu sabia que exigiria um esforço coletivo ainda maior do que os anteriores, vivenciados em outros concursos. E tem sido assim por quase dois anos. Agora, novamente, a condição de mulher, esposa, profissional e mãe virou questão de debates. A eterna opressão para que eu, mulher, esteja em um cargo melhor, com mais títulos, para que eu permaneça interessante para ele e não seja trocada. O olhar da sociedade para a mulher é eternamente julgador e sem empatia. Novas perguntas surgem: “O marido vai ser juiz, você não vai fazer outro concurso? Vai ficar para trás?” Como se eu e ele estivéssemos numa eterna competição e precisássemos provar que merecemos o amor do outro pelo que conquistamos e não pelo que somos.

É cansativo ser mulher. Mas eu não desisto. Há um mundo a preparar para minha filha. Ela está crescendo, conhecendo esse mundo aos poucos. Precisamos lutar. A luta feminista não é por privilégio. É por igualdade. É por equilibrar a balança entre os ônus e os bônus femininos. O mundo que minha filha vai viver será melhor? Não sei. Mas farei tudo para construí-lo. Utópico? Talvez. Mas como meu marido gosta de dizer, é a utopia que nos faz caminhar. Caminhemos, pois! Lutemos! A mulher pode ser o que ela quiser.

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

CIDADÃOS DE BEM SEGUEM APRONTANDO: NUNCA FALHA

Ontem fiquei com muita raiva ao ver o vídeo de um homem covarde (adivinha em quem ele votou? #NuncaFalha) surtando numa sorveteria em Campinas.
A dona do estabelecimento (que no vídeo não sabemos se é funcionária ou proprietária, aliás, nem dá pra ver seu rosto, só que ela é muito franzina, parece uma menina) pediu ao cliente que colocasse a máscara, como exige a lei, e como inclusive estava escrito na entrada. Como ele se negou, ela se negou a atendê-lo. E eis que o covarde fez o maior escândalo que, felizmente, foi filmado por um cliente (e também pela câmera de segurança da loja, que foi entregue à polícia, já que a dona vai processá-lo).
Com o dedo em riste, o covarde histérico xingou a mulher sem parar, aos berros, quebrou uma cadeira e um cone do estacionamento, e a ameaçou: "Faz alguma coisa comigo para você ver se eu não meto a mão na sua cara. Fala um 'a' para você ver o que você vai arrumar. Fica olhando aí que você vai ver o que você vai arrumar".
Enquanto isso, uma mulher, provavelmente a esposa dele, fica parada na porta, assistindo tudo sem reação, uma postura de quem já está acostumada à violência. O bolsominion certamente aparenta ter desenvoltura em agredir mulheres. Felizmente ele não estava armado.
Em entrevista à TV e em vídeo no seu Facebook, ele faz o que o seu mito, sua inspiração de vida, faz: mente sem parar e se coloca como vítima. Diz que estava de máscara (nem na entrevista pra TV ele consegue usar a máscara direito, cobrindo o nariz), e que ele só aparece no vídeo sem máscara porque tinha tirado, sabe, porque a dona da sorveteria não conseguia escutar o que ele dizia (ótima desculpa: o cara gritando e quebrando coisas acha que não está sendo ouvido).
Além disso, ele inventa que o vídeo que circulou só pega o final, e que, antes, ele foi agredido com socos, tapas e empurrões... pela mulher que deve pesar uns 40 quilos, se tanto. Ele só reagiu, tadinho! (Atenção: novas imagens provam que ele está mentindo). E, numa fala reveladora, afirma que ela o incitou pra violência física (algo que a maior parte dos agressores alega).
Piorou ainda mais pro cara -- que está sendo merecidamente escrachado nas redes sociais -- que não é sua primeira vez. Ano passado ele deu piti num posto do INSS porque uma médica-perita não lhe concedeu auxílio-doença. Os seguranças tiveram que colocá-lo pra fora. E de fora ele seguiu xingando e ameaçando. 
Seis meses depois, o covarde vingativo pagou uma consulta pro atendimento particular dessa mesma médica pra poder ameaçá-la de novo! Ainda fez um boletim de ocorrência (como diz ter feito contra a sorveteria) contra a médica. Acusou-a de extorsão. Ainda bem que o Ministério Público percebeu o que estava acontecendo e o denunciou. Ele foi condenado em primeira instância.
Está divertido ver que até bolsominions estão chiando porque a gente está chamando o típico bolsominion covarde metido a machão de bolsominion. Nem eles querem a sua companhia! Antes de deletar boa parte de suas redes sociais, ele assinava com "Brasil acima de tudo, Deus acima de todos". Deve ser petista, não é mesmo?
Confirmado: bolsominion covarde mentiu. Imagens e testemunhas o contradizem. Será processado e vai se dar mal!
Ah, fun fact: ele é empresário, e seu estabelecimento, que tem a ver com impressoras, chama-se 88print. Algumas pessoas notaram que esse número é símbolo pra supremacistas de todo o mundo para "Heil Hitler", já que h é a oitava letra do alfabeto. Mas, eu sei, é injusto sugerir que um bolsominion agressor de mulheres seria também neonazi...
Mas quero focar numa rara boa notícia que me deixou com um sorriso no rosto.
Anteontem um voo da Latam estava taxiando na pista para sair do aeroporto de Guarulhos rumo à Fortaleza. Um comissário de bordo teve que acordar um passageiro para pedir a ele que retornasse a poltrona para a posição de decolagem. O passageiro não gostou e chamou o comissário de "viadinho de bosta". 
O comissário relatou a ofensa homofóbica ao chefe de cabine, que foi chamado pelo passageiro de "outro bosta". O piloto então decidiu adiar a decolagem até que o passageiro fosse posto pra fora do avião pela Polícia Federal. Antes disso, no entanto, o comissário disse ao homofóbico (aposto que ele votou num candidato que disse que prefere ter um filho morto em acidente a um filho gay): "Agora o senhor vai ver como um viado de bosta age".
Parabéns ao comissário e a Latam!
E o Brasil continua mostrando como agem seus cidadãos de bem chancelados pela postura do pior presidente de todos os tempos.