segunda-feira, 1 de agosto de 2011

ADMIRÁVEL MUNDO PLASTIFICADO

Saiu no jornal uma notícia cheia de revelações surpreendentes. Ok, surpreendente talvez não seja a palavra, porque a gente supõe que essas coisas acontecem. Mas eu não estava a par que começavam tão cedo. A matéria diz que o sempre crescente número de cirurgias para implantes de silicone tem mais procura nos meses de julho. Por quê? Porque é o mês das férias escolares. E há cada vez mais meninas adolescentes, dos doze aos dezoito anos, recorrendo a implantes. Elas ganham de presente dos pais; vêem as mães colocando silicone e pedem pra elas também. Essas garotas, antenadas, sabem muito bem o que querem: querem se conformar ao que a sociedade quer delas.
Isso não é novidade. Nessa idade todo mundo quer fazer parte do mundo. Eu lembro muito bem quando, durante a minha adolescência, na primeira metade dos anos 1980, eu olhava pros meus peitões (ainda por cima um maior que o outro), comparava com os que via na TV, nas revistas e no cinema (não existia internet), e constatava que eles estavam muito fora do padrão aceitável. Sempre pensei em reduzi-los. Naqueles tempos ainda não havíamos importado para o Brasil o padrão americano que Millôr Fernandes chamava (preconceituosamente) de “vacas premiadas”. Era muito mais usual fazer cirurgia pra diminuir os seios que pra aumentá-los. Mas existia também uma certa ética, uma certa responsabilidade dos cirurgiões, e também um certo lugar comum de que o corpo se transforma bastante durante a adolescência, e tudo isso impedia que as mocinhas entrassem na faca antes dos dezoito anos. Mas me recordo de uma conhecida minha e da sua felicidade por, aos dezoito, ganhar dos pais o tão sonhado presente: reduzir seus seios.
Agora já não é mais assim. Hoje não precisamos perder tempo esperando chegar a maioridade (a idade média das adolescentes que se submetem aos implantes é de 15 anos), e a onda é aumentar os seios, não diminui-los. Na mesma reportagem li, surpresa, que existe um concurso de Miss Teen Brasil (ou seja, para menores de idade), cujo prêmio, entre outros, é a quantia de 20 mil reais para torrar em cirurgias plásticas. Eu sou um pouco devagar e tenho dificuldade pra entender como o prêmio por ganhar um concurso de beleza é ser cortada pra ser corrigida (de repente os 20 mil não poderiam ir pra quem ficou em último lugar?, perguntou o maridão). Mas é como diz um missológo, um dos maiores criadores de misses brasileiras hoje em dia, que vê uma mulher bonita e diz: “Esta eu demolia e transformava em monumento”. Estamos sendo demolidas, mas ei, monumentos são erguidos em nossa homenagem. Sinal de respeito, não? Grandes homenagens!
A notícia de que até meninas de doze anos já estão colocando próteses de silicone nos seios me fez pensar num anúncio vintage de uma marca de refrigerante. Traduzo: “Para um melhor início de vida comece a tomar refrigerante mais cedo! Quão cedo é cedo demais? Nunca é cedo o suficiente. Testes de laboratório nos últimos anos têm provado que bebês que começam a beber refrigerante durante seu período de formação inicial têm uma chance muito maior de conseguirem ser aceitos durante aquela estranha época adolescente e pré-adolescente. Então, faça um favor a você. Faça um favor a sua criança. Inicie para ela um regime rígido de refrigerantes e outras bebidas açucaradas gaseificadas agora mesmo, para uma vida cheia de sucesso garantido”.
Pois é, este anúncio é dos anos 50, quando testes de laboratório “provavam” até que cigarro prevenia câncer de pulmão. Não se fazia ideia (ou fingia-se que não se fazia) que refrigerantes repletos de açúcar podiam levar à obesidade. Mas sou só eu que consigo imaginar cirurgião plástico dizendo pras suas pacientes cada vez mais jovens que “nunca é cedo o suficiente”? É forte a ligação entre o anúncio de refri e querer ser aceita a qualquer custo na adolescência. Na matéria do jornal sobre cirurgia plástica, mais de uma menina diz ter passado por bullying na escola. Sem peito pra mostrar, elas eram ridicularizadas e chamadas de “retas”. E, claro, em vez de combatermos o bullying, corrigimos o diferente. Mas não é o corpo com seios pequenos, ou com seios grandes, ou com seios assimétricos, ou com seios caídos, que está errado. É o bullying, ué — este bullying que se baseia num padrão único de normalidade para toda forma de aceitação e tolerância.
No mesmo dia da divulgação da matéria sobre cirurgias, no entanto, li uma boa notícia: a Grã-Bretanha baniu dois anúncios de cremes de beleza. Um deles mostrava a Julia Roberts, 43 anos, com a pele lisinha, zero linhas de expressão ou rugas. A deputada inglesa que pediu a retirada dos anúncios disse que eles estavam fora da realidade, que os distúrbios alimentares como anorexia e bulimia mais do que dobraram nos últimos quinze anos, e que “Há um problema com aceitação do corpo. O modo em que o photoshop em excesso se tornou corrente na nossa sociedade contribui para esse problema”. Em outras palavras: propaganda enganosa. Enganosa e horrorosa. O que é esse troço saindo da Christy Turlington?

Mas costumamos pensar que toda propaganda exagera e, como toda a propaganda (de todos os produtos) é no fundo enganosa, tudo bem. Também caímos na ladainha de que, ao contrário dos anos 50, hoje há fiscalização em cima do que toda uma indústria — a cosmética, por exemplo — promete e o que ela cumpre. E, acima de tudo, acreditamos que essas mentirinhas e essas imagens falsas não têm efeito algum nas nossas crianças e adolescentes. Como não têm? Se até nós mulheres adultas corremos para nos adaptar ao padrão, imagine o que sentir-se fora da normalidade não faz pra autoestima de meninas. E aí, é isso mesmo que queremos? Uma sociedade inteirinha plastificada em que garotas de doze anos já têm seios artificiais e um distúrbio alimentar pra combinar com o visual?

77 comentários:

Patrick disse...

Deputada do Partido Liberal Democrata do Reino Unido. Porque se uma deputada brasileira emitir a mesma opinião no Brasil, vai ser rotulada de comunista, subversiva e de querer acabar com a "liberdade de expressão" e destruir a "livre iniciativa".

Daní Montper disse...

Li ambas as notícias na semana passada, inclusive, essa em que a deputada inglesa proíbe propaganda da Julia Roberts teve um cara dizendo que ela deveria ser horrível, que não fazia tratamento (porque envelhecer é doença, logo, precisamos tratar) e por isso queria banir a propaganda, e ainda falou como que a deputada poderia saber se era enganosa se não tinha usado!

Das gurias... te falei que tinha loja vendendo sutiã com bojo para meninas de 6 anos? E que um mercado mundialmente famoso lançou uma maquiagem infantil rejuvenescedora? É, isso existe, não é ficção.
O Instituto Alana faz denuncias em relação a essas coisas, e nem sempre conseguem mudar porque pais aprovam isso...

Lamentável, Lola, lamentável. Não sei o que podemos fazer para mudar isso.

Bruna disse...

Lola,

muito obrigada por também tratar desse assunto tão sério (e tão encarado com a maior naturalidade.

Eu também já escrevi muito sobre o silicone em meu blog, e acho que hoje esse é um dos elementos mais representativos do machismo moderno.

http://angustiaetica.blogspot.com/2009/07/porque-sou-contra-o-silicone.html

http://angustiaetica.blogspot.com/2009/05/pelo-direito-de-me-sentir-bem-com-um.html

Paula disse...

Eu vi as duas matérias semana passada.

Eu espero viver para ver o dia em que as pessoas comecem a entender que é legal envelhecer e estar fora do padrão. O problema é que nem um nem outro geram retorno financeiro pra toda poderosa indústria da beleza.

Como disse a @Dani Montper, não sei o que podemos fazer pra mudar isso. :(

Anônimo disse...

ahh lola, eu li a notícia sobre o silicone... fiquei chocada: doze anos? doze? claro que 13, 14, 15 ou 16 também não é aceitável.. mas doze? doze é criança, infância, olha a preocupação dessas meninas... :/

Lord Anderson disse...

Cada dia eu percebo que terei mais e mais a conversar e explicar para as minhas sobrinhas...

Mas não importa, de jeito maniera vou deixar esses padrões ridiculos moldarem o conceito delas de serem felizes.

Aoi Ito disse...

Opa! De pouco peito eu sei falar. Sempre tive pouco, sempre amei ter pouco, mas sempre senti muuuuuuuita inveja das meninas que tinham menos que eu. Agora comecei a tomar a pílula por causa do meu namorado e meus peitos incharam e estão super doloridos. :/ Pesquisando, achamos que isso é cansado pela retenção de água e que se parar de tomar eles voltam ao normal, é verdade?

Mas voltando ao assunto principal, eu nunca entendi essa obsessão por peitos enormes. Tipo... Pra que? Pra que uma menina de 16 anos vai querer colocar silicone? Não é meio precoce demais? É uma decisão para a vida toda e, assim como outras decisões para a vida toda - O que você vai fazer na faculdade, por exemplo - Tomar essa decisão tão jovem assim não é bom.

É... É um mundo muito bizarro esse em que vivemos. Sexualização de crianças, cirurgias invasivas para adolescentes e jovens adultas, tudo porque queremos as mulheres todas iguais, todas tentando ser a mulher perfeita, e se ela não quer, tem algo de errado.

Vou continuar aqui sendo uma tábua (Agora nem tanto ): ). Pessoal acha que me ofende quando me chama de pouco peito, mas eu sinto que só estão reconhecendo uma das minhas qualidades. :D Sim, eu tenho pouco peito e ainda uso top esportivo e faço binding, e isso é muito legal, thanks.

Bruna, lerei seus posts, parecem maravilhosos.

Bruno S disse...

Assusta mesmo a matéria e a banalização de procedimento cirúrgico. Fica a impressão de que passar por uma cirurgia não é mais complicado que pintar o cabelo ou colocar mais um brinco.

Também fico me perguntando se o cara que bota silicone numa menina de 14 anos consegue dormir à noite.

Bruna disse...

Vejam também meu vídeo sobre isso!

http://www.youtube.com/watch?v=DJKXq38qtkg

Daní Montper disse...

Se a gente parar para analisar que ainda hoje em vários países meninas a partir de 9 anos são obrigadas a casar e a consumarem a relação assim que menstruarem, mas se for antes não tem problema porque é direito do marido, e que em alguns países ainda é normal extirparem o clitóris de meninas, e que aqui no Brasil cresce a exploração sexual infantil e que os caras que estupram essas meninas prostituídas são tratados como clientes e não como o que são, criminosos, não nos choca que essas cirurgias em adolescentes sejam feitas e que os cirurgiões não sintam o menor remorso, inclusive, devem fazer nas próprias filhas e sobrinhas, se é que não as incentivam...

Dá vontade de pedir para parar o mundo e descer, né, não? =/

Daní Montper disse...

Oh eu aqui de novo em minutos!

Só para reclamar, Lola, da sua capacidade de deixar minha bipolaridade a mil, já que numa hora entrei aqui e ri, fiquei toda alegrinha, e depois entro de novo e tenho vontade de sumir do mundo...

Como sou sadomasoquista, continuarei voltando :p

Gre disse...

Assustador.

Algumas emissoras de TV estão controlando as cirurgias plásticas em atores uma vez que estão perdento a naturalidade e identidade. Se parecem com mutantes e com toda uma remessa padronizada de narizes e tudo o mais. Perde-se a autenticidade e a graça em sermos diferentes.O belo está nas características e não na similaridade.

Há quem necessite mudar algo em nome da auto-estima, mas penso que crianças não tem esse discernimento e não deveriam pular a fase da infância para maturidade com tanta rapidez.

Recordo que para eu fazer minha primeira e única tattoo repensei muito, isso aos 18 anos, porque antes disso minha mãe não permitia. Hoje me arrependo.

Cirurgias são reversíveis, a ponto de voltarmos à nossa beleza natural? Penso que há controvérsias a esse respeito.

Há alguns exemplos de beleza natural na mídia, e ainda que sejam minoria, são mulheres lindas, desprovidas de silicone e claro de uma geração que o belo é sinônimo de natural. Isso perdemos há algum tempo já.

Lamentável.

Sati Sukalpa disse...

Que medo dessa última foto da menininha.

Estamos ficando todos malucos por um padrão de beleza.
Essa beleza que virou sinônimo de saúde e estar bem consigo mesmo.

Estou preparando um workshop onde retrato antropologicamente como foram mudando os padrões de beleza, nas e culturas e períodos históricos.
Muito interessante pra percebemos como chegamos a onde estamos agora

Arlequina disse...

Interessante isso que você comentou de antigamente a moda ser diminuir peitos. Minha avó fez DUAS reduções de seios, uma quando jovem e outra quando mais velha, porque, veja bem, o padrão era outro.

Agora, as meninas que estão colocando silicone muitas vezes não tem nem noção do que estão fazendo. Não sabem como é direito o procedimento, as dores que vão enfrentar... e tudo isso com a vã esperança de que serão, finalmente aceitas. Não, pelo contrário. Ficarão eternamente marcadas como "aquelas que colocaram silicone nos peitos.". Pois quem quer criticar, SEMPRE vai achar o que criticar...

Anônimo disse...

Isso que a arlequina disse é verdade.

As garotas colocam silicone para serem aceitas, mas o que mais ouço por aí não é "nossa, como ela ficou linda" e sim "tudo artificial, credo!". Sempre acham o que criticar, e a pessoa acaba ficando escrava disso.

Acho que é o tipo de decisão que deve ser tomada na maturidade (não que aos vite e muitos anos não soframos influencia da mídia e da sociedade, mas acho que podemos aprender a nos dar melhor com essa pressão toda). Sou contra cirurgias plásticas em menores de idade.

Todo mundo sofre pressão, por mais linda que seja. Imagino sim que deve ser difícil lidar com garotos que preferem as turbinadas, ou ser chamada de reta. Mas como a Lola disse, não é o corpo que está errado, e sim o bullying! Ninguém percebeu? Os pais, os médicos..?

Uma vez, no ensino médio, uma amiga minha fez rinoplastia. O nariz realmente não estava no padrão, mas e daí? Era grandinho, meio adunco, mas eu achava ela linda com aquele cabelão liso e preto como de índio, e aquelas covinhas que aparecem quando sorria. E tentei dizer que ela não precisava de nada daquilo. Ela teve uma reação inesperada pra mim: chorou meio revoltada sabe? dizendo que eu, que faço parte do padrão falsa magra/alta/peitão e nariz normal não fazia idéia de como era difícil... Eu ainda tentei aargumentar, dizendo que não era bem assim. Meu cabelo nunca foi liso, pelo contrário, já foi motivo de zoação por ser cheio de mais, e eu nunca pensei em alisá-lo, por que sabia muito bem que depois iam achar outro defeito que nem eu mesma tinha reparado (e aí eu passaria a reparar e me incomodar) Mas enfim.. no fim ela fez a plástica :/

Ághata disse...

Imagino que a mãe ou o pai que proíbam este tipo de coisa iriam passar por 'tiranos', né?

Ter que desestimular a própria filha a fazer uma cirurgia para melhorar a aparência?

Yo já achando que meu maior problema era impedir que ela usasse salto e abusasse de maquiagem e produtos cosméticos.

Meio off, mas...

Uma vez, alguma representante da Contém 1g ligou para minha irmã e fez perguntas a ela sobre maquiagem. Perguntaram a ela "Você concorda que maquiagem é essencial para uma mulher?" e ela respondeu curta e grossa "Não.", aí, a representante disse "Ok, então, concorda em parte..." e ela disse "Não, discordo completamente!", aí, a vendedora passou pra outra pergunta...

Liana hc disse...

Horrível ver até onde chega tudo isso. Tenho uma filha de 10 anos e só eu sei o quanto converso com ela sobre o que é adequado ou não para a idade dela. Das meninas de turma, só ela e mais duas não vão maquiadas para a escola, umas 5 fazem escova no cabelo quase todo dia, uma já fez até alisamento. Hoje mesmo ela passou sombra e eu mandei tirar no meio do caminho para a escola. Há uns dois anos, ela ficou numa de dizer que estava gorda, e ela é magra. Tem hora que desanima.
Dos seus 10 aniversários, ela ganhou estojo de maquiagem em 7. Joguei todos fora, fora as roupinhas sexy igualmente proibidas. A família acha engraçadinho e me taxa de retrógrada.
Eu, mãe dela, nunca tive nóia com aparência, a vejo fazendo essas coisas. Difícil.
Eu fico preocupada de quando ela crescer ir buscar aprovação nos lugares errados.

Nós enquanto sociedade precisamos nos perguntar se queremos que crianças sejam vistas como um nicho de mercado. Se propaganda para o público infantil é algo ético, se faz bem a elas. Se isso já não foi longe demais.
A resposta me parece bem óbvia, mas por experiência própria eu sei que muita gente não pensa assim.

aiaiai disse...

kkkkkkkkkkk, ainda não terminei de ler o texto, mas tenho q fazer um comentário especial de homenagem ao maridão:

"os 20 mil não poderiam ir pra quem ficou em último lugar?"

kkkkkkkkkkkk

Tem certeza q o maridão não quer mudar de profissão? O brasil tá precisando (e muito) de bons humoristas.


(krak ...não consigo parar de rir)

vou ler o resto do texto (q essa história, eu sei, não tem graça nenhuma)

aiaiai disse...

cara...jura q a coca cola fez mesmo esse anúncio? Eu li achando q era uma sacanagem...brincadeirinha, sei lá.
Mas já li também matérias dizendo que nunca é cedo demais para colocar botox (imagina: injeção na testa e em outros locais, pagando!!!), usar creme rejuvenescedor (como vai rejuvenescer alguem q ainda não envelheceu kkkkk), usar sutiã (para os peitos não cairem vc deve usar desde antes de ter peitos kkkkkkkkkk)...ou seja, como disse a dani "lamentável".

Mas acho que a gente pode mudar sim esse cenário, dizendo um redondo não para tudo isso e nos mostrando orgulhosas desse não.

Gaia disse...

Noticia relacionada... O.O

http://gothamist.com/2008/08/15/virgin_bikini_waxing_now_popular_fo.php

Lady Sybylla disse...

Isso é chocante e apavorante para dizer o mínimo.

Adolescência não é fácil para ninguém, mas o modo como a enfrentamos e seguimos para a vida adula vai moldar muito do nosso caráter. Como essas meninas vão encarar o mundo onde é só cortar e corrigir?

Arlequina disse...

http://olhosdosertao.blogspot.com/2011/07/voz-do-proximo.html

Ouvi essa crônica lida por uma professora de português aos onze anos. De vez em quando, ainda a leio, só pra relembrar. Vale a indicação.

Laila disse...

Eu sou um exemplo de "reta", tenho pouquíssimo peito e na adolescência infelizmente não fui madura o suficiente e para não dar ouvidos aos apelos midiáticos de q mulher bonita é com tudo ÃO (peitão, bundão, coxão...) Na escola sofri bastante bullyng, eu era do tipo magricela, a maioria das meninas com 12/13 anos já estavam bastante desenvolvidas e eu cheguei aos 16 com um corpo quase infantil, só tinha tamanho (1,70m).

Mas felizmente sobrevivi à essa fase, aprendi a me amar e vi q essa imagem q tentam nos vender é absurda, é um padrão imposto q vai contra a nossa diversidade... hoje eu adoro meu corpo, ele se desenvolveu depois dos 18, quadris alargaram, coxas engrossaram, não engordei mto... os seios continuam bem pequenos mas estou mto satisfeita, acho q ficou um conjunto bem harmonioso (se o peito fosse grande ia ficar tudo mto exagerado, na minha opinião) e fico feliz d pensar q eles são firmes e saudáveis, tamanho não interessa.

Obviamente q não tenho condições financeiras de colocar silicone, mas essa não é a questão... nem com todo o dinheiro do mundo eu faria isso, minha felicidade e auto-estima podem ser encontradas em diversos fatores e de diversas formas, sem q eu precise me "violar" para me adequar a padrões criados por terceiros.

E toda essa influencia sobre as crianças me assusta muuuuito, a ponto de eu me questionar seriamente se quero por um filho nesse mundo louco.

Lu-Bau.Blog disse...

Alguém aqui já fez a brincadeira de entrar no youtube e procurar vídeos sobre makes? Já vi vídeo tutorial de maquiagem, excessiva por sinal, feito por dermatologista! E fico imaginando o quanto de garotas e meninas mesmo que veem estes vídeos e acham isto a coisa mais natural do mundo. Até gosto de uma maquiagem e tal, mas é para festas e olhe lá. Nem para ir ver o show do meu muso Claudio Lins eu uso, mal passo um batom quando não esqueco.

Ana SODIO disse...

td bem... já ouvi q qdo lançaram o leite condensado, os comerciais diziam p/ as mães darem só isso puro p/ os bebês, q era mto melhor q o leite materno (!) e q as crianças ficariam mais espertas e etc, o mesmo papinho dessa do refrigerante... o resultado, é claro, foi um monte d diabetes infantil... sei lá pq as mães querem "estimular" a td custo os filhos a serem + espertos e melhores, ou se é por status q elas fazem isso (pq as outras tb fazem)... mas isso assusta! crianças lendo e escrevendo c/ 4 anos d idade já é normal hj! e as próprias crianças dizem que querem isso, estarem adiantadas e tal... qro mto ter filhos, mas td isso me dá medo! como evitar q eles "sofram" assim, já q a própria mentalidade das crianças está contaminada? elas mesmo se julgam e se rotulam tão cedo, competem como adultos, ou até pior!

Anônimo disse...

Para uma juventude que tem Rafinha Bastos como mártir, é o que temos pra hoje, infelizmente. O cara dá uma entrevista dizendo que bullying é coisa de gordo que não sabe se defender. Olha, ainda bem que você não desiste Lola, porque eu desisti faz tempo.

Anônimo disse...

Fora de pauta, mas digno do seu comentário, Lola:

http://tinyurl.com/3suc6tp

Jamille disse...

Ótimo texto, Lola.

Concordo com o que você disse que não é o corpo com seios pequenos, ou com seios grandes, ou com seios assimétricos, ou com seios caídos, que está errado...

Eu tenho seios enormes e sofri muito com isso na adolescência. Não adianta: se vc é peituda vão te incomodar, se vc é "reta" vão te incomodar também. Na época queria muito fazer plástica pra diminuir e meus pais falavam que só quando eu fosse maior de idade.

Bem, hoje com 30 ainda tenho vontade de diminuir, mas não é a prioridade da minha vida...

Daní Montper disse...

No caso dois seios grandes, dependendo do quão grande é, acho que a cirurgia é válido, vejo por minha prima e uma amiga que têm seios enormes e sentem dores nas costas e os sutiãs machucam por causa do peso.

Estava demorando para surgir algum time esportivo em que as mulheres jogam de lingerie...

Gre disse...

Tenho o mesmo medo que Laila e Nana, desculpe, acho que é esse o seu nick.

Então, quero muito ser mãe, mas se parar para pensar o coerente seria não ter filhos.

Mas aí estou me privando de um direito de ser feliz, e quem sabe um dia posso me arrepender. Penso que vale a pena, mesmo com dois pesos e duas medidas.

Afinal, o mínimo que podemos fazer é insistirmos em uma educação como a que nós tivemos no sentido de que a valorização pelo "belo" não era obrigatório nem tão padronizado.

Sem saudosismos, mas acho necessário a comparação, recordo que na minha infância dentre um grupinho de crianças na rua, pulando amarelinha, brincando de esconde-esconde, não havia sinais nítidos de quem eram os meninos e as meninas a não ser pelos cabelos longos, e até isso não era referência de certeza sobre gêneros, na verdade isso pouco importava. Penso que nessa fase a vaidade era no máximo usar brincos, os mesmos colocados ao nascermos.

Não entendam mal, não quero banir a vaidade de meninas nem a diferenciação natural de gêneros, porque hoje até as brincadeiras são diferentes. Clube do bolinha e da luluzinha. A noção de machismo impregnou essas crianças e vê-se pirralhos batendo e menosprezando menininhas na escola ou na rua do bairro simplesmente por serem meninas.

Denise concordo com você. Está tudo errado mesmo! Mas no que depender de mim, quem eu amar e ao meu redor estiver, certamente irá me chamar de chata, retrógrada e implicante muitas vezes. Eu pago o preço!

Abraços

denise disse...

mas aí a gente pode cair numas de tatuagem pode, peito não pode.
sei lá. acho que o bom desses nossos tempos é termos libertade ATÉ pra ferrar com toda nossa aparência e saúde, porque afinal isso pode ser nosso único manifesto.
abs

Gre disse...

Ops, citei Denise querendo citar Debora, desculpem.

Gre disse...

Denise, quando citei a experiência da tattoo talvez não tenha sido clara o suficiente.

A intenção foi exatamente de dizer que quando jovens fazemos coisas por impulso em nome dessa tal LIBERDADE que me foi dada aos 18 anos.

Se me arrependi é sinal de que poderia também ter feito outras coisas além de tatuagens e hoje não ter como voltar atrás como é o meu caso.

Não tenho grana e nem coragem para remover a tattoo como certamente não teria em caso de cirurgias.

Nada melhor que a maturidade e o bom senso para guiar nossas escolhas. Só.

Aoi Ito disse...

Agora que notei, já posso fazer tatuagem. Quero muito fazer uma, mesmo que me arrependa, que seja um sinal de como eu era quando jovem. OK que a tatuagem que eu realmente quero fazer é grande, mas é muito poser, então... É, deixo pra lá.

Denise, temos liberdade para tudo, mas será que é mesmo liberdade? Será que, por exemplo, homens gostam mais de mulheres loiras de olhos azuis peitudas por liberdade? Será que as moças põem silicone nos peitos por pura liberdade? Ou será que tem alguma mão invisível que nos guia até aqui?

Admirável Mundo Plastificado, oh yes.

Blanca disse...

Sinceramente não sei de onde essas estatísticas vem. Devem ser todas garotas de classe média alta, bem alta, porque já estudei em colégios "de elite" e amiga minha nenhuma fez cirurgia.

Ana disse...

Horrível! Eu, aos doze anos, nem lembro se tinha um sutiã, imagina peitões! Eu tive uma amiga que colocou silicone quando estava quase completando 18 anos e achei uma merda, ela é realmente muito bonita e nem precisava disso. Isso me deixa tão triste, a falta de autoestima das mulheres hoje em dia é impressionante e é mais fácil mudar por fora do que por dentro.

Ximena disse...

Que grande bobagem... Será que os médicos que operam essas adolescentes levam em consideração o desenvolvimento de cada uma? Pode até ser que alguns levem, mas eu duvido que todos tenham essa preocupação. Meu desenvolvimento foi tardio e meus seios foram crescer depois dos 20 anos, e aí, como ficaria??

Hamanndah disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Gabi disse...

Lola, estou com um problema grave. Lendo esse post, me lembro de uns posts de uma moça chamada Ana e posso dizer que vivo a mesma situação que ela, só que de maneira inversa. Enquanto a mãe dela espera que ela se encaixe em alguns padrões, aqui em casa quem quer isso é minha filha de 15 anos, que já manifestou interesse em colocar silicone e me sugeriu que eu coloque, já que tenho seios pequenos. Não sei o que eu faço, Lola, pq estamos vivendo um grande embate em casa, não estou mais reconhecendo a minha filha. Ela está participando de um concurso de beleza na escola e estamos muito apreensivos, de olho nela, pq ela está ficando neurótica. Sempre dei mta liberdade para meus filhos serem o que quiserem, mas ela está realmente perdendo a linha. O seu blog é tdo de bom e realmente tem nos ajudado bastante, mas está difícil lidar com isso...me dêe uma ajuda, meninas, pq o negócio tá ficando feio...

Barbara disse...

Acho que a grande questão aqui não é a cirurgia plástica. Nunca fiz e provavelmente não farei (sou medrosa pra esse tipo de procedimento), mas cada um sabe onde dói a auto-estima, às vezes um nariz menor pode fazer muito pela segurança e auto-aceitação de uma pessoa.

O problema é a cirurgia em crianças. Isso sim é inaceitável. Fazem isso no Brasil? Porque nunca ouvi dizer. Como a Blanca disse, também não reconheço essas estatísticas. Minha única colega de escola que passou por cirurgia foi para reduzir as mamas, porque eram gigantes e já estava com problema de coluna. Mesmo hoje, só tenho uma amiga que botou silicone, e ela é super alta, era bem reta e tinha amamentado dois filhos - enfim, caiu bem nela.

O Conselho de Medicina deveria verificar esses casos e proibir cirurgia estética em crianças, porque isso caracteriza falta de ética.

lola aronovich disse...

Puxa, Gabi, que impasse, hein? Este é um dos meus pesadelos: imagina se eu tenho filha e ela quer ser uma Barbie?! Imagino só as brigas que teríamos. Ela, filha de pais não-consumistas, pão-duros inclusive, de mãe feminista e de esquerda, fica super influenciada pelo capitalismo? Olha, sinceramente, não saberia o que fazer. Não é a mesma coisa, mas isso me lembra o problemão que meu amado pai teve de enfrentar quando eu, aos 13 anos, inventei que queria ser freira. Eu não era nem batizada e obrigava meu pai e meus irmãos (minha mãe conseguiu escapar) a ir na igreja todo domingo. Mas o pior mesmo é que pra ser batizada com 13 anos não é a mesma folga de quando se é bebê. Precisa fazer cursos, os pais precisam fazer cursos, e imagina a vontade do meu pai, ateu convicto, em gastar horas em cursos católicos... Eu vivia dizendo pra ele “quero ser batizada, preciso ser”, e ele sempre respondia “Amanhã (ou semana que vem) a gente vê isso, amor”. Ele sabia que era só uma fase que iria passar, e passou. Mas talvez no caso da sua filha não passe. O maior cuidado é ver se ela está comendo. Como você sabe, neurose com a aparência e participação em concursos muitas vezes levam a distúrbios alimentares. E anorexia mata. Não sei o que fazer. Tem que conversar muito. Mas também precisa impor alguns limites (nunca pensei que iria dizer isso!). Cirurgia plástica só quando a pessoa for maior de idade. Até lá, o corpo pode mudar, e a pessoa pode mudar de ideia. Fale com ela sobre como o padrão de beleza vive mudando. Espero que as leitoras que tenham filhas possam te ajudar mais do que eu.

Barbara disse...

Hahhah amei a menina da reportagem que disse que ajudou a pagar a cirurgia com o dinheiro que juntou da mesada.

Ela provavelmente ganha mais de mesada que eu de salário!

Hel disse...

Acabei de ver esse micro-documentário sobre labioplastia: (NSFW)
http://vimeo.com/9924049

Anônimo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ginger disse...

Não é fácil, tb sou chamada de garota "tábua" nada na frente, nada atras.

=/ já pensei em botar silicone, mas como eu não trabalho ainda né?foi o que me salvou...

Anônimo disse...

Há alguns anos eu detestava ser flatchest, a ponto de considerar fazer uma plástica quando completasse 21 (mas nunca na época - apesar de tudo, sempre entendi como funcionam os hormônios). Felizmente foi uma fase que nunca mais vai voltar.Por mais irônico que seja, o fator mais decisivo nesse choque de realidade foi porque peguei um pedaço daquele programa do Dr. Hollywood numa noite de insônia e concordei com o meu bom senso que não quero ninguém fazendo aquela nojeira em mim.
Me espanta que não seja crime de ética operar meninas tão novas quanto essa média de 15 anos.

Anônimo disse...

Eh claro q invariavelmente apos ter tido minha filha meu corpo se modificou e eu confesso q pensei em fazer uma intervencao cirurgica ou outra. Pensei mesmo. Mas, uma pergunta nao saia da minha cabeca: "Como vou poder ajudar a minha filha a crescer com auto-estima e boa imagem de si mesma se eu fiz x ou y plastica???". Esse conflito ficou um bom tempo na minha cabeca. Ate q desisti desse negocio de cirurgia plastica...rs.

Ághata disse...

Gabi, é uma questão realmente difícil.
Mas só dá pra pensar em algo sabendo sobre a situação da sua filha em detalhes. Essa questão envolve muita psicologia e talz...

Às vezes, diálogos, mais tempo em família, podem resolver.

Caso não resolvam, colocar ela num curso de línguas ou para fazer alguma atividade interessante e diferente ajude (música, desenho, esporte, dança, algo que ela se interesse). Algo que faça ela relaxar.

Se isso não adiantar, artilharia pesada:
1. ela tá usando a mesada para alimentar a neurose? A diminua. Ou condicione o recebimento do direito a ajudar em casa ou fazer determinadas tarefas (assistir tal documentário, ler tal livro);
2. isso tem a ver com as companhias? Talvez mudar de escola seja uma boa também.
3. dizer umas verdades para ela.

Lívia disse...

Lola, eu tenho 15 anos e há muito tempo pensei que ter seios grandes seriam essenciais pra que eu me sentisse bonita, desejada. Há uns 8 meses essa ideia ja foi totalmente extirpada da minha cabeça. Só pra explicar, esse é o tempo que eu venho acompanhando seu blog... Você me ajuda muito e eu tenho certeza que outr@as se sentem assim. Um beijo, Lola. Tudo de bom pra você!

Blanca disse...

Gabi, não aconselho mudá-la de escola como Ághata sugeriu. Estudei em várias e posso te dizer que não vai funcionar. Sempre vai ter uma pra influenciar, outra pra falar mal. Não vai resolver.

Olha, Gabi, quando eu tinha uns 12 anos era doida pra por silicone e fazer rinoplastia, e minha mãe dizia que não tinha problema não, que quando eu tivesse idade eu fazia e que ela não tinha nada contra. Na hora eu fiquei super feliz, mas acho que minha mãe deveria ter me dito que eu era bonita e que padrão de beleza existe. Por favor, converse com sua filha. Diga que ela é linda e que só se acha feia porque enfiaram isso goeala abaixo.

Não caia também nessa de se estressar, dizer que é problema pouco, que ela deveria se preocupar com outras coisas. Pra ela, hoje, é o maior dos problemas, tente não chegar ao ponto de fazer descaso.

Boa sorte, viu? :**

Teresa Silva disse...

Antes dessa história tinha visto o photoshop escancarado na Julia Roberts nessa campanha. Em outras fotos ela mostra sinais de idade na área dos olhos. E ela está ótima, só está envelhecendo (alguns leriam isso como piada). Tônia Carrero disse que na vida temos duas opções: envelhecer ou morrer. Mas as pessoas hoje fazem de tudo pra adiar os dois.

E antes dessas duas campanhas o Reino Unido também mandou tirar de circulação, alegando propaganda enganosa, uma campanha com a Twiggy onde ela apresentava um creme antiidade com o rosto liso de photoshop. Assim até eu Bartolomeu!

Bru Holanda disse...

DESCULPA SOCIEDADE! Mas não acho q são seios grandes que vão te fazer alguém na vida... Essa história de rotular as pessoas pela aparencia não é de hoje e já está na hora de acabar, não? Que coisa mais ridicula é essa de julgar sem conhecer? O que importa numa pessoa são suas ideias, sua iniciativas, seu carater, e não o tamanho do sutiã dela. Sou uma garota de 14 anos e estou muito feliz sendo como sou, obrigada por perguntar. Pena que as garotas de hoje não percebem que um dia, mesmo esses seios de silicone, vão cair. A beleza um dia acaba, a inteligência, o carater e o conhecimento não.

Gre disse...

Aoi Ito...

Ainda curto muito tatuagem, e recentemente parei para pensar sobre outra. Só me arrependi da imagem que fiz há mais de 10 anos quando a imaturidade junto do impulso me deu a coragem que hoje me falta rsrs.

Agora, cirurgias plásticas para crianças também penso que é uma atitude precoce e estimulada pelo padrão dos dias atuais. Eis o risco.

Minha irmã é personal. Pensa o grau de exigência quanto ao próprio corpo? Ela sempre foi linda, mas não tinha seios devido a musculatura que desenvolveu também por ser atleta. Fez implante de silicone e ficou mais linda ainda. Até hoje (eu sedentária ao extremo)sou medida nas minhas gordurinhas por ela hehe mas com respeito sem que me ofenda. A exigência da perfeição para ela está relacionada a ser espelho para os clientes dela, mas nada em excesso ou neurose e acho que ela colocou silicone conscientemente e o resultado ficou bom.

São coisas isoladas. Por isso devemos ajudar as adolescentes a repensar e esperar se possível o corpo estabilizar e fazê-las ver se realmente há alguma parte a reajustar sem ser pela pressão mas pela auto-estima mesmo.

Abraços...

Sara disse...

Olha Lola não sou contra que nenhuma mulher busque se cuidar, ficar mais bonita até pra ela mesma. Mas realmente a mídia e a propaganda vendem imagens de mulheres inatingíveis, enganosas mesmo, acho q essa deputada deveria ser seguida por muitos políticos que realmente se preocupam com seus eleitores, não faz nada bem à cabeça de nenhuma mulher ser massacrada com essas imagens de modelos anoréxicas, ou tão fotoshopadas que vc começa até pensar que tem alguma coisa de errado com vc, mas se prestar atenção tem umas imagens de mulher que nem umbigo tem mais, de tanto que distorcem as imagens para parecerem perfeitas, mas na realidade criam imagens surreais, e fico pensando se numa mulher adulta esses efeitos já são tão nocivos, calcule na mente de crianças e jovens em formação, acho q já é uma questão de saúde pública.
O problema é q a publicidade e pra vender seus produtos, e por mais q vc compre os tais produtos nunca será como mostram nos anúncios, o que de certa forma cumpre o propósito do anuncio, e se mostrarem a mulher como ela realmente é, o efeito da propaganda se perdera, afinal quem ira comprar produtos de beleza pra ser normal não é?
Parece-me q a Dove andou tentando ir por essa linha mais natural, só não sei te dizer se as campanhas foram bem sucedidas.

Rê_Ayla disse...

Sou a favor de a pessoa fazer o que bem entender com o próprio corpo e o próprio dinheiro. Porém, qq um q já foi um adolescente ou jovem adulto sabe q não temos muito discernimento nessa idade... logo, acho muitíssimo irresponsáveis pais q pagam cirurgias plásticas desnecessárias para suas filhas, mais irresponsáveis até do q os cirurgiões q as operam. O papel dos pais é educar seus filhos e, pra mim, dar mesadas 'gordas' e pagar cirurgias plásticas é um serviço de deseducação imenso q estes pais prestam às suas filhas.

Aline disse...

vou ser sincera, quando eu era adolescente adorava meus seios grandes, hoje tenho vontade de tirar um pouco, me dá dor nas costas.
Tenho vontade de fazer lipo também, e de emagrecer uns 20 kg.
Recorro a drenagens linfáticas e dietas milagrosas que geralmente não funcionam e não perco a esperança.
Sei que está errado, mas é uma vontade mais forte que minha força de vontade...

aline

Gaia disse...

Alguém aqui falou da Twiggy. Fui no google images ver uma foto atual dela(nem sabia que ela estava viva).
Caio num blog que compara uma foto dela jovem com outra atual:

"essa é a twiggy hoje em dia, com seus 59 anos de idade
horrorosa
um monstro
um saco de pele velha, caindo aos pedaços"


...

Lu-Bau
Eu sempre estou procurando vídeos de maquiagem no YouTube. Eu adoro!
Gosto muito de maquiagem. Cada dia posso ser uma pessoa diferente e uma make caprichada sempre me deixa feliz, embora não use todos os dias.
Trazendo pro contexto do post...
Eu não acho que os vídeos sejam beeeemm o problema. Nem as cirurgias plásticas.
Pra mim, o grande vilão é a grande mídia, que está sempre tentando sabotar nossa auto-estima para consumirmos mais.

Aurelio Coelho disse...

Esse texto me fez lembrar daquela corrente no Youtube "It gets better".

O que eu lembro da minha própria adolescência, essa questão de bullying era e hoje talvez mais presente.
É muito triste ver que se gasta mais dinheiro e força de vontade em consertar o que é diferente, ao invés de promover as diferenças e combater as injustiças.

Porém, realmente vejo hoje a indústria dos cosméticos me influenciando fortemente. A imagem de sem rugas, forte e viril, com a pele lisa e jovem é o que mais vende e ainda se prega como o padrão. (o envelhecimento perdeu o sentido)

alice disse...

pra quem perguntou se cirurgia em crianças/adolescentes existe no brasil, eu garanto: minha amiga fez 2 rinoplastias aos 14 anos. absurdo dos absurdos

eu acho q a partir dos 18 tem q ser tudo liberado mesmo, cada um sabe de si. mas daí a incentivar? a ter milhares de programas de tv (tipo aquele asqueroso do Dr. Rey) colocando nas nossas cabeças q somos monstros se não entrarmos na faca? aí não pode, não... chamem de "censura", se quiserem, mas esse tipo de programa, numa tv que é concessão PÚBLICA, eu desaprovo

Eduardo Marques disse...

Eu tenho medo dessa meninazinha.

Anônimo disse...

Eu particulamente estou pensando em fazer uma cirurgia de redução dos seios, acho que acima de tudo é estarmos felizes com nós mesmas e não com o que os outros vão achar, se eu olhar pro espelho e gostar do que eu vejo problema dos outros se não gostarem, é clichê mas é a pura verdade! No meu caso sobre a cirurgia é questão de estética sim, mas também existem outros fatores, dor na coluna e má postura são alguns desses problemas, ter que usar top esportivo o tempo todo não é legal também e eu não quero que a situação piore durante os próximos anos.

Laila zz ll disse...

Hoje em dia é ate dificil achar sutiã para quem tem seios pequenos "/

Thaís disse...

Algum dos comentarista disse que nunca tinha convivido com quem tinha feito cirurgia plástica.

Aos 13 anos uma amiga minha fez cirurgia por causa das orelhas de abano, aos 16 conheço três meninas que colocaram silicone e na minha sala atualmente tem uma menina viciada em cirurgia, o nariz já está até deformado, cintura finíssima, silicone nos seios e ela passou o que tirou da barriga pro bumbum. Desde que entrei na faculdade ela é da minha sala e a cada período de férias, ela volta com o corpo ainda mais modificado. :/

Eu fico muito triste ao ver que minha mãe aos 52 anos tem tanto medo de envelhecer, ela fez uma cirurgia pra diminuir as pálpebras, não sei o nome, só sei que ela fez também por motivos de saúde, pois atrapalhava muito a visão. Agora ela quer colocar silicone e fazer lipo. Pior é que não adianta conversar. :/

Ah, sobre maquiagem, eu acho interessante demais, gosto porque pode ser colorido, diferente, acho que brincar com as cores no rosto pode ser divertido, adoro. Mas é bem diferente de quem é totalmente dependente da maquiagem, não sai de casa sem base, lápis, batom, blush...

Hoje, aos 21 anos, às vezes ouço bobagem por não ir pra faculdade maquiada. E quando vou porque tenho algum evento depois ou tive uma vontade repentina sempre tem gente que vem falar "nossa que linda, por que você não anda assim todo dia? mulher tem que se cuidar". Nem preciso falar que enquanto o povo fala eu ZZZzzzZzzzZZzzZZzz...

Ni disse...

Não sou mais criança nem adolescente, mas esse final de semana fiquei me sentindo deslocada em um aniversário de uma amiga. Todas as mulheres falando de cirurgias plásticas, botox, se o marido quer filhos ele tem que garantir a lipo e o silicone depois do parto e etc.
Agora, lendo esse texto, me pergunto como as crianças dessas mulheres serão educadas, sendo que elas mesmas só pensam em se enquadrar num padrão longe de ser normal.
E é por isso que acho que a situação não vai melhorar, além dos médicos sem ética, temos pais permissivos demais.
Infelizmente.

Unknown disse...

Trabalho em uma escola de classe média alta e observo muito isso. Meninas novas que começam a desenvolver disturbios alimentares, meninas que pedem silicone aos 15, que acham natural serem cantadas de maneira agressiva entre outros.
Como educadora eu me sentia incomodada, por várias vezes tentei conversar, trouxe textos, levei filmes. Cai no vazio, a cultura e o meio são muito fortes e percebi que estava me desgastando a toa. Me entristeço, quando escuto e converso com as poucas que permitem abertura.
Deixo pra fazer isso em outros espaços onde minhas alunas adoram esse tipo de debate e inclusive já usei alguns de seus posts nas minhas aulas.

Marina disse...

Li esse seu texto e lembrei do que uma amiga minha(tenho 15 anos e ela também) me mostrou, era uma atividade de sala sobre padrões de beleza(em ed. física) e basicamente nos descobrimos completamente fora dos "padrões", mas de verdade, isso foi sempre o que eu busquei, estar fora deles, oras sou negra, tenho cabelo estilo black power, espinhas(como qualquer adolescente normal), uso óculos e aparelho nos dentes e sou muto feliz. Gostei muito desse seu texto porque eu e ela (depois que ela me mostrou) ficamos discutindo exatamente sobre isso( e sobre colegas que fazem de tudo pra ficar bonita,rs), eu realmente nunca gostei muito daquela coisa do "se não gosta, muda", ainda mais tão cedo e sem dar a mínima pra saúde, é triste =/.

Vera Falcão disse...

Muito bom o texto, tenho uma filha com 12 anos e estamos sempre conversando a respeito dessas loucuras... espero que ela não caia nessa cilada! Mas fiquei chocada mesmo com aquele anúncio de refri... caraca! Quase inacreditável que publicavam-se aquelas palavras e nos faziam acreditar nisso e em outras coisas, como o valor de dar leite em pó para os bebês e não o LM. Abraço!

Maria disse...

Lola,você citando sobre os anos 80, lembrei de uma prima que era adolescente nessa época, aos 18 anos ganhou a cirurgia para diminuir os seios, e 18 anos depois colocou prótese de silicone!
Absurdo, acharem normal se mutilar para seguir um padrão pregado pelo capital!!

Anônimo disse...

Eu fico muito triste toda vez que leio esse tipo de coisa. Sou professora e o que vejo nas escolas cada vez mais é esse tipo de coisa: alunas de 10 anos super maquiadas, meninas de 11 anos que só pensam em namorar... É muito triste ver que essa geração só pensa em comprar comprar comprar e ter ter ter. Me lembro de uma vez uma aluna ter chegado perto de mim, aos prantos, dizendo que tinha seios pequenos e que era gordinha e que por isso estava fadada a ser sempre sozinha. Ou de outra aluna que se ausentou da aula durante duas semanas e quando liguei pros pais, descobri que ela tinha anorexia e que estava internada depois de ter ficado uma semana sem comer nada.

Essa cultura do silicone e da cirurgia plástica, das misses monumentais e modelos magérrimas têm efeitos nocivos nessas jovens garotas. E acho que os pais e responsáveis devem ficar mais do que nunca atentos a esses problemas e tentar orientar suas filhas da melhor forma possível.

Anônimo disse...

Uma matéria sobre esse mesmo assunto acabou de passar no Jornal Hoje e confesso que eu fiquei mal quando vi uma menina de 18 anos dizer que seu MAIOR sonho na vida era colocar um silicone. Como assim, gente? Tanta coisa pela frente e tudo que ela quer é ter um peito maior? Que mundo é esse que a gente está construindo?

Tatiana Favaro Lima Schaper disse...

Até a questão do bulling eu acho um exagero. Quem não teve que enfrentar piadinhas dos colegas na pré-adolescência? Lembro que na minha turma de sexta e sétima séries todos tinham algum apelido... uns por características físicas outros por traços de personalidade. E todos encaravam numa boa e aprendiam a se defender... Hoje ninguém pode colocar apelido que já é bulling.
Não acham?

letícia disse...

Primeiro vou responder o comentário da Gabi, que cita que a filha dela de 15 anos ta entrando em umas paranóias de beleza.
Eu tenho 23 anos. Quando eu tinha uns 14, 15 eu queria porque queria ter DIVERSAS tatuagens (e ok, não é cirurgia plástica nem nada, mas serve o exemplo, creio eu) e minha mãe não deixava de jeito nenhum, ela falava "Somente após os 18 anos, enquanto vc morar debaixo do meu teto, são minhas regras" eu não entendia, não gostava, mas hoje, sou eternamente grata por isso, pq eu teria estragado meu corpo com idéias erradas (não que tatuagem seja errado - eu mesma tenho uma - mas eu não tinha maturidade para saber escolher um desenho/local e tenhoi certeza que hj me arrependeria). Então, hoje ela pode até ficar nervosa com vc e achar que ela é a certa, mas o limite hoje, será o "ainda bem que a minha mãe me guiou" de amanhã.

Sobre o post, é ridículo crianças usarem salto, sutiã com bojo e pior: querer fazer plástica. OS pais deveriam inbvestir em um acompanhamento psicológico, não em cirurgia plástica! Ainda mais em crianças/pré-adolescentes, que ainda estao em crescimento!

Creio que muita gente tem uma coisinha aqui ou ali que não gosta, mas ai é questão de se aceitar, de valorizar quem vc é.

A mídia é avassaladora em cima de quesitos beleza, mas vai também muito dos pais colocarem um freio nessa loucura toda.

Como diria minha psicóloga "não queira ser normal, há muita coisa embaixo desse normal que todo mundo acha que é bom".

Liana hc disse...

Ser Mãe, concordo que é preciso cuidado ao banalizar a palavra 'bullying'.

Aquela encarnação DE LEVE é uma coisa, eu não acho bonito mas é algo que a maioria das crianças podem aprender a lidar sem grandes traumas.

Já o bullying ocorre quando a coisa toda passou dos limites, é agressivo em palavras ou ações, é repetitivo, individual ou em grupo, ocorre entre pessoas em desequilíbrio de poder, intimida, ridiculariza e isola. Isto está em outro nível. Se para um adulto ser alvo de tamanha agressão já faz mal, imagina uma criança passando por isso e todos dizendo que é besteira ou que ela deveria deixar de ser boba e aprender a revidar.

É preciso estar atento e ter sensibilidade para lidar com estas questões. Não cabe à criança resolver isso nem os pais podem ter medo de se indispor com a escola ou com os pais da criança que está agredindo.

Lembrando sempre que cada um tem os seus limites, tem criança que lida bem com certo nível de pressão, tem aquelas que não.

Com relação à influência deste mundo consumista de meodeos, isto com certeza não é assunto para criança. Nós, adultos, pais, cidadãos é que temos que pôr as mãos neste vespeiro e dar um basta no absurdo. Criança é criança, não é um nicho de mercado, não é consumidora, portanto não deveria haver publicidade para esta faixa etária. Por isso que chegam na adolescencia desesperadas para mudar suas 'imperfeições' nem que seja cirurgicamente. Conheço um monte que não fez nem vai fazer mas bem que gostaria de entrar na faca.

Joana disse...

Lola, eu precisava comentar esse post. Eu tenho 28 anos e moro na Alemanha. Aqui o povo tem menos paranóia com o corpo, e me acostumei com isso.
Voltando pro Rio, fui a uma festa de casamento, e previsto ir à costureira apertar o meu vestido. Eu não tenho muito peito, sou quase "reta", mas não ligo (hoje em dia) pra isso.
A costureira reclamou à beça de consertar meu vestido, dizendo que do jeito que eu não tinha peito, vestido nenhum ia segurar, e que eu deveria comprar um sutiã com enchimento.
Respondi que eu estava confortável com o meu corpo, e que não tinha problema se eu "não ficasse bonita".
Não adiantou. Ela me disse que se eu quisesse atrair os homens, tinha que fazer a algo a respeito (como se eu quisesse estar junto de um homem que só se interessa pelos meus peitos). Ao responder que não estava interessada e que era casada e meu marido não era desse tipo ouvi: então tem que botar um silicone pro marido não olhar pras outras. Perai!!!! EU tenho que me cortar, fazer uma cirurgia, porque se não fizer meu marido vai me trocar por outra e a culpa vai ser minha?!?
Sinceramente, se isso acontecer eu prefiro ficar sozinha mesmo. Porque no dia que o meu marido quiser divorcio por falta de peitos eu também quero divorcio, por falta de caráter.
Pois eu, que queria só apertar meu vestido, ganhei um "monte de conselho", que pretendo ignorar.

Leticia Lopes Otto disse...

Gostei do post fiquei chocada com essa notícia quando vi, tenho 22 anos e sei que mesmo desde muito jovens sofremos a pressão do mundo platificado... as vezes não querer usar maquiagem é o fim do mundo...
atualmente faço o curso de corte e costura porque foi alguem que sempre me interessou e acho infeliz os comentários dessa costureira... principalmente para pensar em fazer roupas bonitas pras pessoas GG pra cima (mercado ainda menosprezado salvo raras exceções)
O serviço da costureira é vestir a pessoa da melhor forma possível respeitando suas caracteristicas e se a pessoa está bem consigo mesma não importa a roupa, não importa a maquiagem, nada a confiança da pessoa tem... beijo Lola continue escrevendo sempre...

Alice disse...

Vai piorar:
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1208201115.htm

Robson Fernando de Souza disse...

Até uns anos atrás eu era doido pra fazer uma plástica no meu nariz, que é um tipo diferente de "porrote", não afilado e com calos ósseos no topo. Cultivava esse desejo aos 15 anos.

Mas depois passei a me acostumar, a aceitá-lo. Mas ainda assim acho o nariz feio a ponto de eu não achar que saio bem em fotos frontais - fica aquele nariz grosso destacado no rosto.

É de se esperar quando o padrão de beleza, inclusive o masculino, exige narizes afilados.