terça-feira, 28 de outubro de 2008

LIBERDADE, LIBERDADE, ABRE AS ASAS SOBRE NÓS

Meu leitor João Neto, assumidamente de direita, escreveu ontem este comentário no meu post sobre eu ser forçada a ser "do lar". Como é tudo longo demais, vou responder aqui. Primeiro, o comentário dele, um pouquinho editado:"Eu acho que a gente estuda para aprender e produzir e dar retorno à sociedade com o que aprendemos com esse estudo. Sinceramente eu não entendo essa de eterno estudante. Eu já tive alguns amigos assim. Você tem quarenta anos e ainda é estudante? Não tá na hora de trabalhar? Por isso seu blog é sempre excelentemente atualizado. Seu marido é desempregado? Como assim? Isso é o retrato da esquerda. Plano de saúde de graça, transporte de graça, educação de graça. Mas quem paga? Quem trabalha e quem produz. Você [...nem pode pagar o aluguel de um carro], e se diz de classe média? Que classe média é essa? A classe média trabalha e paga os desmandos desse país, dessa esquerda que distribui o que não é dela. Classe média não vive de bolsa de estudos para estudar eternamente, pelo contrario, paga estudo para seu filho para não depender da caridade insolente desse governo obtuso, e ainda banca estudo de quem só estuda. Se você fosse 'do lar' seria mil vezes mais digna do que uma doutora sem profissão, ou seja, sem contribuir para a sociedade. [...] Minha mãe foi um dona de casa, ou seja, 'do lar', e eu tenho certeza que ela era muito, mas muito mais realizada que você! Não insulte essas mulheres com suas idéias preconceituosas! Ser 'do lar' pode, e na maioria das vezes é, tudo o que uma mulher quer, para criar seus filhos e ser feliz. Se você tivesse filhos saberia disso. [...] A direta faz, a esquerda implora e tenta distribuir o que não é dela. Produza! Viva e deixe viver!"

Bom, João, seu comentário é tipicamente de direita. Impressionante como vocês são previsíveis! Olha, eu também sou um clichê. Nós de esquerda também somos previsíveis. E depois vem gente falar que não existe mais diferença entre esquerda e direita...
Por que seu comentário é de direita? Pela insistência em “produzir”, em “ser útil”. E pelo que você acha que todas as mulheres querem, o que é altamente ofensivo a... bem, a todas as mulheres!
Se você acha que 6 anos de estudo é demais, então você tá dizendo que não deveriam existir mestres e doutores. Porque esse é o tempo que se leva pra fazer um mestrado (2 anos) e um doutorado (4 anos). E eu fico confusa: o capitalismo atual não prega que “nunca se deve parar de estudar”? As empresas não querem profissionais cada vez mais capacitados? Ah sim, mas capacitar-se pra trabalhar pruma empresa é uma coisa. Estudar por prazer é outra. Não tem utilidade.
Mas quem determina o que é útil ou não pra sociedade? Você? O governo? As empresas? Ué, se dependesse de gente como você, o meu curso, Literatura em Língua Inglesa, nem existiria. Porque eu não estou encontrando a cura pro câncer, certo? Nem estou construindo pontes pra carros, esses pilares ambulantes do capitalismo. Outros cursos que, se o critério fosse “produtividade” (medida em dinheiro), não existiriam, além de Letras: Filosofia e Sociologia. Psicologia, Jornalismo e Pedagogia pode? São úteis? Olha, na dúvida, melhor acabar com todas as ciências humanas e deixar só os cursos que produzem coisas concretas: Engenharia, Medicina, Arquitetura. Direito é importante também, pra defender a propriedade privada dos poucos que têm alguma propriedade, e pra mandar pra cadeia quem levantar um dedinho contra os poucos que têm propriedade. E depois o pessoal de extrema direita critica o socialismo, que não nos permite liberdade de opções... Se dependesse de você e do seu critério de produtividade, que opção eu teria?
Você, que é de direita, tem uma visão de ver as coisas. Eu, de esquerda, tenho outra. Eu nunca falaria de saúde e educação como algo “de graça”, porque pra mim são direitos de todo cidadão. Pra você, as pessoas deveriam pagar empresas privadas por esses direitos. E quem não tiver dinheiro pra pagar, azar! Como é nos EUA: é melhor que os 50 milhões de americanos sem plano de saúde não fiquem doentes, porque senão morrerão. E, se americano quiser cursar faculdade, melhor se endividar pro resto da vida (porque todas as universidades são pagas), ou servir numa das inúmeras guerras que eles promovem pra manter o sistema (aí o exército custeia os estudos), e torcer pra não levar um tiro. Incrível como esse mesmo país tão rico e poderoso, que despreza seus próprios cidadãos mais pobres, “menos úteis”, tem dinheiro pra gastar em guerras.
Sobre a parte que me toca, eu trabalho desde os 19 anos. Não estou trabalhando agora (aliás, faz 5,5 anos) porque cursei mestrado e estou terminando o doutorado, dois cursos puxados, que exigem muito tempo. O maridão está desempregado porque voltamos dos EUA em agosto, e sabíamos que iria ser difícil pra ele, que é professor de xadrez, encontrar um outro emprego ainda este semestre. Não estamos muito preocupados porque somos responsáveis, sempre gastamos menos que ganhamos, e temos dinheiro guardado pro nosso sustento. Quando eu terminar o doutorado, vou prestar concurso pra tentar ser professora em alguma universidade federal (hoje mesmo fiquei sabendo de três concursos: um em Marabá, PA, um em Garanhuns, PE, outro na região de Diamantina, MG - opa, será que essas cidades merecem ter universidades públicas? Ou só as capitais?). Mas, se o que estou cursando já é inútil, eu deveria também ser proibida de lecionar algo tão sem valor, não? Imagina, discutir Shakespeare com alguém nascido na terra do Lula! Como é que pode? Onde esse mundo vai parar?
Agora, mesmo que eu nunca tivesse trabalhado na vida, por que eu não poderia fazer uma pós aos 40 anos? E por que não poderia receber uma bolsa pra isso? Quem decide que eu não posso, você? Na Pós-Graduação em Inglês da UFSC, onde estudo, é assim: há mais ou menos umas oito bolsas de mestrado por ano, e umas quatro de doutorado. Todos passamos por um processo de seleção. No meu curso ninguém tem privilégios e não existe isso de panelinha. Eu tive a sorte (e, talvez, o talento? O esforço? Vocês de direita apreciam muito esses termos) de passar entre os primeiros, e recebi bolsa. Em contrapartida, quem tem bolsa deve se dedicar integralmente. Não pode trabalhar, e tem que fazer estágio-docência (ou seja, dividir um curso com o orientador/a). Se eu não terminar o doutorado, precisarei devolver ao governo todo o dinheiro investido em mim, com juros e correção monetária. É uma grande responsabilidade. Ah, sabe o que mais? Todos meus colegas da pós são de classe média também. O governo Lula, com sua política de cotas (que você certamente é contra), está tentando fazer com que pessoas com menos recursos também possam cursar universidades públicas. Por ora, é só classe média. Como eu.
Sobre a sua mãe ser mais ou menos realizada do que eu, eu não a conheço, e, lamento desapontá-lo, mas nem tudo na vida é uma competição. Não sei se é possível medir graus de realização pessoal. Só posso dizer que gosto muito da minha vida, e gostarei ainda mais quando terminar o doutorado (porque estou exausta). Não sou eu que estou insultando as mulheres. É você, ao proclamar que ser “do lar” é “tudo que uma mulher quer para criar seus filhos e ser feliz”. Que coisa, João! Falar isso em pleno século 21! Nós, feministas, defendemos o direito de escolha. Se uma mulher quiser ser dona de casa, maravilha. Se quiser trabalhar, ótimo. Se um homem quiser ser “do lar” enquanto a mulher trabalha, ótimo também. É isso que queremos: liberdade de escolha. Justamente o que você parece não querer.
E, já que estamos falando em liberdade, permita-me o direito de não ter filhos. E de não querer ter filhos. Afinal, da última vez que chequei, a gente ainda vivia num estado não-totalitário.

77 comentários:

Claudinha disse...

Lola!
Apoio tudo o que vc disse sobre as escolhas. Acredito que nós mulheres, hoje buscamos justamente isso: poder escolher sem ser tolhidas ou discriminadas por estas escolhas. Só fiquei chateada com sua visão acerca dos advogados...sou recém formada, uma jovem advogada com todo o gás para atuar de forma efetiva na proteção dos direitos do cidadãos, como um instrumento de mudança, de transformação social. Não cabe neste seu espaço tão democrático e de alto nível crítico generalizar desta forma essa profissão. Acredito que, como em qualquer profissão, temos as maçãs podres do cesto.

Taia disse...

Oi Lola!
Quando entrei no blog hoje vc ainda não tinha editado esse post e eu deixei um comentário para o Seu João lá onde ele escreveu a sua tão "sábia" opinião sobre as mulheres. Não sei usar tão bem as palavras como vc, mas acredito que o sentimento de revolta com esse tipo de pensamento é parecido, mesmo que dito com formas e palavras diferentes. Parece não haver lado para onde as mulheres possam olhar sem enxergar preconceito, velado ou assumido.

Eu não conseguiria imaginar uma resposta melhor para o Seu João do que a tua. Mas um mérito devo admitir que o Seu João tem, é um homem corajoso, que assume o que pensa. Assim é possível discutir/dialogar. Me assustam ainda mais as pessoas que pensam como ele mas não assumem. Não assumem no discurso, pq na prática a realidade fala por si...

Bjsss
Taia

Suzana Elvas disse...

Lola, o que o universo masculino não entende é o conceito de escolha. A mulher pode ser feliz, sim, sendo exclusivamente mãe (o que eu adoraria para mim) ou exclusivamente profissional/estudante ou as duas coisas ou não tendo filhos ou sendo solteirona (outro conceito machista) criadora de gatos/cachorros/passarinhos/iguanas ou sei lá. Mas a ela deve ser dada a ESCOLHA. Se ela se sustenta de trabalhos de tricô ou prestando consultoria para a NASA ou para a CIA ou como profissional do sexo (aka garota de programa) ninguém tem NADA a ver com isso.

Lembro-me quando entrei numa crise braba e tranquei a primeira faculdade. Fechei meu apartamento, pedi demissão do meu emprego de meio período e me dei seis meses para pensar o que eu queria da vida - tinha então 20 anos. Comentário do meu irmão à minha reclamação de que ele "esquecia" de lavar a louça que usava (ele: 17 anos).

"Você não trabalha, não estuda, não produz. Tem mesmo que lavar louça e limpar cocô dos cachorros."

Corta para quase 15 anos depois. Eu no trabalho, cheia de resposabilidades com o lançamento de seis livros importantes, equilibrando duas filhas + emprego (porque meu ex-marido achava que cuidar de duas crianças e fazer o serviço de casa não era trabalho. Não rendia dinheiro. Ou seja, não era útil). "Você disse que ia bater essa matéria pra mim." "Eu não posso, vou sair mais cedo para levar as meninas no pediatra e depois eu vou pra FGV pro meu curso. Você não bote bater? São só 15 centímetros de matéria. Eu já apurei pra você. Por que você não pode escrever?" "Porque você se comprometeu, sua inútil."

Esse é o mundo em que vivemos. Não há escolha. Se você fica em casa e não estuda nem trabalha não serve pra nada. Se é mãe e profissional e esposa mas tem dias que não consegue dar conta de tudo, é uma inútil. O que nós precisamos é que RESPEITEM as nossas escolhas. Já seria um excelente começo.

Pernambucobebendoparaomundo disse...

Lola, pra que fazer doutorado no Brasil? Já que a este país só está reservada a produção de comodities, portanto desnecessária a especialização.
Pra que, por exemplo, que há um curso de Filosofia em Pernambuco? (a veja, em 95, numa reportagem sobre a universidade de Viçosa questionou isso)
Pra que as mulheres querem espaço para pensar? Por que as mulheres não se contentam em, apenas, criar seus filhos felizes?
E, fundamentalmente, por que diabos inventou-se de abolir a escravidão em 1888?

;)


Em tempo, Garanhuns é uma das cidades mais frias de Pernambuco, tendo, muito raramente mas possível, geadas devezenquandais

Lila disse...

Me chamou a atenção esse trecho
Você [...nem pode pagar o aluguel de um carro], e se diz de classe média? Que classe média é essa?
Classes sociais conforme o IBGE
Classe E: Renda de R$ 0 a R$ 768,00
Classe D (Remediados): Renda de R$ 768,00 a R$ 1.064,00
Classe C (Média): Renda de R$ 1.064,00 a R$ 4.591,00
Classes A e B (Elite): Renda acima de R$ 4.591,00
http://dinheirama.com/blog/2008/08/06/a-classe-media-e-o-novo-brasil/

Os direitistas se esquecem que, embora o Brasil esteja entre as maiores economias do mundo
http://www.fazenda.gov.br/portugues/releases/2007/r220307-PIB-IBGE.pdf

http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u106421.shtml
é um pais extremamente desigual e com péssima distribuição de renda, portanto quem tem renda mensal de R$ 1.064,00 é classe média sim e desculpe, com essa renda não dá pra alugar carro por R$ 70 por dia.

http://universonosdois.wordpress.com/

Paula Reis disse...

Lolinha,
minha estretégia para a ser a primeira já foi por água abaixo, porque no final de semana eu fiquei sem computador, enfianda no meio do mato sem nem celular. Eu pretendia postar todos os dias com religião, mas não tem problema, não. Comentarei sempre que der e leio TODO dia. Passei para te indicar o blog do Caetano Veloso, mais especificamente este post, onde ele indica o livro do Manguabeira Unger (será que é isso?), O que a Esquerda deve Propor, não lí o livro mas a indicação me parece boa e fiquei com vontade de ler. Olha só, infelizmente, muito advogados mancham nossa reputação com suas atrocidades e sei que o estereótipo existe e em alguns casos, se justifica. Porém, embora não seja recém-formada como a Claudinha (não conto quando me formei nem que me tortureeeemmm!), também faço um serviço social, doando uma tarde por mês para me dedicar às audiências de conciliação, onde sou conciliadora voluntária e posso dizer (não vou dizer que é com orgulho, porque a modéstia é uma das minhas milhares de virtudes kkkkkkk!) que tenho obtido quase que 100% de aproveitamento, onde ambas as partes saem satisfeitas, pois ninguém perde e todos ganham. Também existe a assistência judiciária gratuita, onde patrocino causas, disponibiliando toda a infra-estrutura do meu escritório, sem nenhuma contra-partida e recebendo, como honorários, por um processo que dura 2, 3, 4 e até 5 anos, para receber, ao final, honorários que giram em torno de R$ 300,00, pagos pelo Estado, o que dá, se fizermos as contas, um valor ridículo que não cobre nem o que eu gasto de papel, mas enfim, isso já não é mais um comentário, tá parecendo um tratado e dos ruins! Eca!
Abraços mil, Lola e povo que frequenta.

Paula Reis disse...

Que inferno, falei tanta coisa e esqueci de colocar o link do post do Caetano...
Tsc, tsc, tsc. Por aí vocês já podem imaginar quando me formei...
Tá aí o link: http://www.obraemprogresso.com.br/category/novas-cancoes/lobao-tem-razao/
Bjs,
Paula.

lola aronovich disse...

Claudinha, vc tem razão, eu generalizei e fui injusta (e sarcástica) sobre a utilidade dos advogados. Sei que o trabalho de vcs inclui muito mais do que defender interesses dos ricos. Inclusive, uma das áreas da advocacia que a direita acha que deveria ser extinta é justamente direito trabalhista. Direito trabalhista pra quê, se as empresas são sempre tão bacanas com seus funcionários? E óbvio que os criminalista são importantes também. Eu acredito em direito de defesa. Pra todos.


Taia, vi seu comentário no outro post, obrigada pela resposta! Discutir é bom. Quem sabe dessa forma a gente consiga abrir um pouquinho a cabeça de pessoas como o João. Tem coisas que são tão comuns pros homens dentro do padrão dominante que eles não podem ver o outro lado. Qualquer reflexão é válida.

lola aronovich disse...

Su, é isso mesmo, o conceito de escolha é uma abstração pra eles. Por exemplo, um dos argumentos deles contra a legalização do aborto é que, se ele fosse legal, as mulheres fariam aborto rotineiramente. Esse argumento desconhece totalmente a realidade das mulheres. Até parece que mulher gosta de fazer aborto... O que as pessoas que defendem a legalização do aborto defendem é a ESCOLHA livre da mulher de fazer ou não o aborto. Escolha não quer dizer que vai fazer. Quer dizer que pode fazer. É uma diferença gritante.
Tenho certeza que um monte de mães (e pais) adorariam ser exclusivamente mães, “só” ficar em casa cuidando dos filhos. Isso é até uma contradição pra direita resolver: se o trabalho é tão enobrecedor, tão gratificante, tão gerador de riquezas, tão “útil”, por que tanta gente não gosta de trabalhar? Tenho certeza que, pro João e outros que pensam como ele, é ótimo e até recomendável que uma mulher seja dona de casa. Mas seria uma anomalia que um homem fizesse isso, enquanto a mulher vai trabalhar. Isso é machismo! E limita, inclusive, as opções dos homens.
E isso que vc menciona é um dado importante, que eu não discuti direito no meu post: trabalho doméstico não é valorizado, justamente porque não gera riquezas. E é por isso mesmo que é destinado apenas a mulheres.
Mas esse seu irmão, eu hein?... Eu cortava relações.


Sem dúvida, Gio, a direita (como a Veja) vive questionando algumas escolhas, como a “necessidade” de um curso de filosofia (em Pernambuco e em qualquer outro lugar: filosofia pra quê? Pra quê as pessoas têm que pensar? Tem é que trabalhar! Pensar não é produzir!). Incrível isso. Ainda assim, mesmo com essa linha de pensamento retrógrada, a direita associa o totalitarismo e a falta da liberdade apenas aos governos de esquerda... Muito estranho.
Gananhuns tem geada? Vixe, não sabia!

lola aronovich disse...

Lila, obrigada pelos dados sobre os rendimentos de cada classe. Eu até questiono um pouco que alguém que ganhe R$ 4.590 seja considerado classe C, porque é tão pouca gente que ganha isso que tem que ser no mínimo classe B (mas pra mim seria A mesmo, rico - se bem que eu não tenho acompanhado a inflação, e talvez 4.590 hoje não dê pra tanta coisa como dava há 5 anos). Mas sim, hoje em dia, pela primeira vez na história, 52% da população brasileira faz parte da classe C. Bem classe média mesmo! Alugar carro por 70 reais por dia sai quanto por mês? R$ 2.100? De fato, eu não poderia. Mas de novo vem a questão de ESCOLHA. Eu posso escolher não querer ter carro? Não? Porque sou classe média não posso ficar sem carro? Eu tenho dinheiro pra comprar um carro, pô! Inclusive porque antes de ir pros States a gente vendeu o nosso. É só pegar esse dinheiro e comprar um. Mas seria dinheiro jogado fora hoje, porque tanto eu quanto o maridão estamos saindo pouco de casa. Quando saímos, usamos ônibus. A gente tá economizando uma barbaridade por não ter carro, e eu adoro isso!


Paula, há há, vc é muito engraçada. Tomara que vc possa comentar todo dia, mesmo que não seja na disputa pra ter a Top Comentator Tabajara. É como eu já respondi pra Claudinha aí em cima, generalizei feio quanto aos advogados. Sei que vcs não são todos assim. Mas como nasceu essa profissão? Não foi pra atender exclusivamente os direitos da burguesia?
Acho ótimo que vc faça serviço social! Que legal, Paula, parabéns.
Obrigada pelo link. Vou dar uma olhada quando puder desafogar. Mas tenho que entregar um capítulo da minha tese “inútil” até sexta!

L. Archilla disse...

eu sei q esse comentário é totalmente desnecessário... mas, Lola, VOCÊ ARRASA!!! quando crescer quero escrever igual vc!

ah, mudando um pouco de assunto... não lembrava que o seu doutorado era em literatura inglesa... por acaso vc já leu "Quem ama literatura não estuda literatura", do Joel Rufino dos Santos? eu li e recomendo, acho q vc vai gostar bastante.

Lila disse...

Exato, Lola. Apóio totalmente as escolhas de cada (desde que sejam lícitas é claro). Eu também ando de ônibus e estou muito bem assim, nem tenho carteira de motorista, até hoje não senti necessidade. Mas acho que vou começar tentar tirar a CNH ano que vem, porque meu noivo fica me cobrando e vou querer revezar com ele o carro, não acho justo ele ficar de meu motorista.

Anônimo disse...

Minha amada:
estou orgulhosa de você, as usual. Adorei a resposta que você deu ao João. Ele precisa escutar outras vozes e conhecer outros pontos de vista. Vai ver que ele cresceu monolítico. Mas o que mais gostei e que você foi bem educada.Beijos mil.
La Mamacita

Pernambucobebendoparaomundo disse...

Engraçado que não houve o comentário:
"O desemprego atual é fruto da divisão do trabalho existente entre os gêneros..."
(falácia completa, pero que los hay, los hay...)

Leo disse...

Acho que o seu leitor foi um pouco equivocado e até mesmo grosseiro em vários pontos.
Não acho demérito pra ninguém estar estudando na sua idade e nem acho que só porque você não esteja trabalhando, não está devolvendo algo pra sociedade com o que você aprende. Está produzindo conhecimento.
Concordo que ser "do lar" é uma profissão digna, mas não senti no seu texto que você a estava desmerecendo. Estava apenas querendo ter a possibilidade de ser vista de outra forma.
Concordo com o leitor em relação aos programas assistencialistas. Lamento que tenhamos que pagar tantos impostos e ainda assim recorrer a uma escola particular, porque o ensino público é sofrível. Lamento que, sejam invadidas áreas de proteção ambiental para a construção de favelas irregulares que não pagam IPTU, água, gás, luz e, no fim das contas, o dinheiro que eu pago pra tudo isso seja destinado a melhorar as condições de vida nas favelas, enquanto a minha rua continua esburacada com serviços precários.
Quanto às cotas, é importante ficar claro que ela não "está tentando fazer com que pessoas com menos recursos também possam cursar universidades públicas". Ela não está vinculada a padrões financeiros, mas sim étnicos (e diga-se de passagem, bastante duvidosos). Isso na minha opinião é preconceio reverso. Um estudante negro multimilionário vai roubar a vaga de um branco pobre que tirou melhores notas no vestibular.
É difícil ser classe média neste país!

Cecilia Barroso disse...

Gente! Estou pasma!
A gente sempre pensa que não existem mais pessoas assim e é só virar para o lado que elas aparecem...
Estou chocada com todos (isso mesmo, TODOS, os comentários desse sr. João).
Parabéns pela resposta!

Babs disse...

WOW! Lola, que resposta ótima.
Alguém que tem, em pleno século XXI a cara de pau de dizer:

"Ser 'do lar' pode, e na maioria das vezes é, tudo o que uma mulher quer, para criar seus filhos e ser feliz."

Pior é que sei que não é o único. É por causa de pessoas com essa mentalidade que a mulher ainda é pressionada para ter filhos e ficar por conta deles até o fim da vida.

Olha, tenho três filhos, sou louca por eles, amo demais.
Mas, com o perdão da expressão, nem a pau eu vou ficar em casa por conta o resto da vida! Já fiquei, e fico bastante, não temos empregada e sou estudante de um curso "inútil" de filosofia", mas definitivamente não é isso que quero pra mim. Sinto bastante realizada com a minha maternidade sim, mas mãe é apenas um adjetivo da minha pessoa, não é algo que me define a existência absolutamente.

Lola, sempre vai ter um homem pronto pra te mandar ir pra cozinha, ou trocar fralda. É só uma questão de tempo que os reaças se revelam...

Anônimo disse...

Ai, ai! esse orgulho besta de fazer parte da classe média me cansa. Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é, e eu não preciso saber de nada disso.
Parabéns, Lola, você é uma artilharia pesada. Leio seu blog sempre, mas é a primeira vez que comento.
Luiz

Masegui disse...

Outra vez, palmas para uma resposta absurdamente lúcida "clap clap clap"

Vem dar aula na UFV, Lolinha, vem!
São só 45Km da minha terra, vem, vem!

Lila disse...

Pois é Lola, acho que quem tem renda mensal a partir de R$ 3 mil devia ser considerado no mínimo classe B, no Brasil. Mas há outro critérios como por ex. se a família tem eletrodomésticos em casa - o Brasil é tão desigual que isso é critério de avaliação econômica.
E claro, pra que Garanhuns precisa de faculdade de filosofia? Pra ensinar os pobres a pensar, principalmente se eles forem nordestinos? Nasci na Bahia e fico muito indignada com esses preconceitos.
Isso me lembra uma terapeuta que tive na adolescência que dizia: pra que as ONGs ficam ensinando teatro aos favelados? Deviam ensinar cursos profissionalizantes.
Fiquei pasma ao ver uma mulher culta, professora universitária de psicologia falar uma absurdo desses. Ela uma profissional de saúde (e de saúde mental ainda por cima) devia saber melhor que ninguém o poder transformador da arte e da cultura na vida das pessoas, especialmente na vida daqueles que nunca tiveram acesso a essas "futilidades".

Meire disse...

maldito dinheiro...pfff...
é só isso que tenho pra dizer hoje!

^_^

Anônimo disse...

Falou pra ele tudo o que eu falaria, Lola.

Acho lamentável que as pessoas não valorizem o conhecimento. Para o João, é inadmissível que uma pessoa estude aos 40 anos porque ele acha que a única função da escola e da faculdade é te preparar para fazer o que o mercado exige de você (e, assim, você arranjar um emprego). Logo, alguém de 40 anos já devia ter emprego e, se não tem, é um fracasso. Como se vc medisse o valor de alguém por um emprego, somente.

Esse tipo de fala se esconde atrás do "bem comum" (eles dizem: "você não está produzindo para a 'sociedade'!! Seu egoísta!"), para defender, no fim das contas, o interesse das empresas. Por exemplo: eu trabalho para a Reuters. Poderia me iludir dizendo que a sociedade se beneficia da informação que eu passo, mas sei que não é bem assim. O critério editorial aqui é: "essa notícia tem impacto no mercado financeiro? Se não, não precisa". Quando tava tendo genocídio no Zimbábue, o chefe daqui veio e disse: "vcs está dando notícia demais sobre o Zimbábue. Nossos clientes estão reclamando. Eles não investem lá".Então, eu não me iludo. Trabalho porque preciso, mas se pudesse não colaboraria com esse sistema. Tenho consciência de que, além do mercado, quem mais se beneficia do meu trabalho é o dono da Reuters, que lucrou 17 bilhões de dólares no ano passado (enquanto os funcionários se acham super classe alta por ganhar 2mil reais...). A sociedade é a última a se beneficiar do jornalismo.

Acho a visão do João lamentável não por você e pelas pessoas que têm de ouvi-lo falando isso, mas por ele. Ele é o que mais vai perder com isso, pois vai deixar de aprender muita coisa interessante simplesmente porque acha que elas não utilidade mercadológica ou porque acha que está velho para estudar.

*****

Quanto ao machismo, outra coisa lamentável é ver que declarações machistas são feitas mesmo por pessoas das quais vc esperaria uma cabeça mais aberta. Os alunos de jornalismo da USP, onde estudo, têm uma lista de discussão. Estávamos debatendo aquela (infeliz) coluna da Trip.

Aí vem um cara e solta: "não acho que a tal da Luisa tenha sofrido tanto assim com isso. Eram moleques, ela podia ter evitado. Essa coisa da iniciação sexual com a empregada é muito comum".

É claro que o cara foi massacrado na lista de emails (que é predominantemente feminista, ainda bem). Aí ele respondeu o seguinte:

"Acho que as mulheres saíram perdendo com o feminismo. Porque antes elas eram o núcleo da vida do homem e hoje não são mais. Hoje elas foram resumidas a um alvo da indústria da publicidade".

Bom, pelo menos meio caminho andado ele já tem: percebeu o bombardeio da publicidade. Mas achar que a mulher tinha que ser "núcleo da vida do homem" é o fim...

E, como cereja no sundae, o cara finalizou o email com:

"O movimento se aproveitou da fragilidade das mulheres feias, enrustidas e sem competência de manter um relacionamento saudável com seus maridos, e as vitimizou, as poupou. Tirou delas a responsabilidade sobre seus atos e atribuiu toda culpa ao recém-inventado 'machismo'".

O cara foi massacrado de novo e depois até tentou corrigir, dizendo que se referiu a mulheres de "personalidade feia", pois prioriza a beleza interior e já achou bonita "até uma mulher sem braço".

Eu nem respondi o cara porque nem sabia por onde começar. Como derrubar um preconceito tão estruturado na pessoa? Difícil. As outras pessoas bem que tentaram, mas ele continuou defendendo seu ponto de vista.

O mais triste disso tudo foi ver a namorada do cara (que tb estuda conosco) defendendo-o!

***

Enfim, Lola, desculpa o comentário enorme mas é que seu post me fez lembrar disso. Abraço

lola aronovich disse...

Obrigada, Lauren! Não é desnecessário não, eu às vezes gosto de ouvir elogios. Aqui em casa é raríssimo, porque o maridão é péssimo em elogiar (não só eu, mas qualquer um. Acho isso um grande defeito). Não, não li esse livro. Vou tentar encontrar!


Lila, putz, não entendo essa obsessão da direita por carro. Quer dizer, entendo: é a velha defesa do individualismo sobre qualquer coisa coletiva. Então quem tem carro é bom, quem anda de ônibus é estúpido e pobre (geralmente a mesma coisa pra esse pessoal), e dane-se o meio ambiente! (direita não acredita em aquecimento global mesmo). Por enquanto, eu tô bem feliz sem carro. E enquanto não me fizer falta, por que preciso ter um?

lola aronovich disse...

Olha, gente, essa é a minha mãe! Primeiro comentário que ela deixa nesse blog. E foi apenas depois de ahn, dez meses? Acho que é o primeiro comentário que ela deixa num blog, ponto.
Mãe, obrigada. Me espanta um pouquinho ver que vc trata minha habitual “boa educação” como uma raridade. Comentei isso com o maridão seu genro e ele disse: “Ela te conhece”. Apareça sempre, mãe. E vá ao blog da Suzana também (Su, ela te adora).


Gio, pois é. Se mulher ficasse em casa, onde é o seu lugar, haveria mais emprego pros homens. Mas a direita não acredita em desemprego. Só é desempregado quem é vagabundo ou incompetente, certo?

lola aronovich disse...

Leo, Leo... Torço pra que algum dia vc se torne menos conservador, porque acho, sinceramente, que conservadorismo não combina com homossexualidade. Não leve a mal. c chama os direitos básicos de cada cidadão de “programas assistencialistas”? Sobre escola, é fácil eu falar, porque não tenho filhos, mas juro que, se tivesse, eu os colocaria numa escola pública. Porque é meu direito (e também porque não acho as particulares tão maravilhosas assim). E, lá dentro, tentaria fazer com que a escola melhorasse. E vc não menciona o fato das univerdades públicas serem muito melhores que as particulares. Eu não tenho plano de saúde, por exemplo. Saúde é um direito meu. Além disso, não vou pagar uma nota pra uma empresa privada mentirosa que, quando eu precisar dela, vai inventar alguma cláusula de exceção.
Áreas de proteção ambiental não podem ser invadidas, ponto. Mas sim, acho que o seu (e o meu) dinheiro devem ser usados pra melhorar a vida nas favelas. Sabe como é na minha cidade? A gente paga (não com impostos, com dinheiro a mais mesmo) uma obra superfaturada de uma empresa privada pelo asfaltamento da rua. Uma droga de obra. Aí o governo de direita coloca entre suas realizações não sei quantos quilômetros de ruas asfaltadas...
E quanto às cotas, Leo, meu Deus, saia um pouco do seu pedestal privilegiado e veja que “menos recursos” refere-se a quem tem menos oportunidades. E que, neste país (e no mundo), se vc não é branco e homem vc vai ter muito mais dificuldades. Não existem muitos “negros multimilionários” pra ocuparem as vagas que vc tem medo que eles ocupem (de brancos multimilionários, certo?). Mas o lado principal das cotas é que o aluno deve vir da escola pública. E ainda assim, só uma parte das vagas é dedicada a esses alunos. A maior parte continua aberta pros brancos de classe média (a maioria que frequenta universidades públicas). E, por favor, não use uma palavra assim, “roubar a vaga”. Nesse contexto é até racista.
Leo, assuma o seu privilégio. Por mais “difícil” que seja ser classe média neste país, tenho certeza que os pobres adorariam estar na sua (e na minha) posição, apesar de todo o nosso martírio.

lola aronovich disse...

Cecilia, claro que essas pessoas existem... Tem muita gente que pensa assim, aliás. Acho que falta um pouquinho de reflexão a elas.


Babs, exato: ser mãe é UMA das suas identidades, mas certamente não é a única. Acho errado anular todas as outras características da personalidade de uma mulher e ficar só essa “esposa e mãe”. Aliás, essa é a reclamação que mais ouço de amigas minhas que são mães. Elas se sentem anuladas como pessoas, pelo menos temporariamente. É, eu fico impressionada com o autoritarismo de certos patriarcas, que ainda acham que podem mandar na vida de todas as mulheres...

lola aronovich disse...

Luiz, que bom, obrigada por comentar. Comente mais! Também não entendo bem esse orgulho de ser classe média. É bom pra qualquer país ter uma maioria classe média, mas, individualmente, não sei se é motivo de orgulho. Ainda mais se, pra ser classe média, eu TENHA que ter carro, plano de saúde, empregada, celular, e mil outras coisas que não tenho e nem quero ter.


Mario Sergio, obrigada pelas palmas. Olha, acabando o doutorado, vou pra onde for. Quer dizer, se eu conseguir passar em algum concurso, claro. Mas certamente eu gostaria de morar numa capital nordestina... Se eu pudesse escolher.

lola aronovich disse...

Lila, eu também acho. É duro ganhar 3 mil. Quanto aos eletrodomésticos, acho esse critério um pouco ultrapassado. Eu lembro de quando trabalhei fazendo pesquisa de mercado pro Ibope. Faz 20 anos. Eles usam o MESMO formulário pra determinar classe social até hoje. Sério. Eles ainda perguntam se a pessoa tem rádio e vídeo...
Triste isso que vc conta dessa professora de psicologia ser contra teatro pra favelados! Mas é a mesma coisa: querer enquadrar as pessoas em determinadas funções. Favelado só pode ser peão de fábrica (se tiver sorte) ou empregada doméstica, ué. Aí vc lembra qual o principal terror que a direita narra sobre o socialismo? “Eles escolhem a sua profissão!”. Tá, porque a direita não quer fazer o mesmo, limitando nossas opções...


Meire, não entendi. Como está sua gata, melhor? (se for a mesma Meire que estou pensando que seja).

lola aronovich disse...

Marjorie, perfeito seu comentário. Ah, eu queria um guest post sobre como é trabalhar na Reuters! E talvez um texto sobre esse comentário tão bom que vc fez: “A sociedade é a última a se beneficiar do jornalismo”. Tô te passando uma pauta!
Puxa, vc lembra de quando as notícias financeiras sobre bolsa de valores entraram na pauta do dia? Valor do dólar, essas coisas, ser anunciado em todo noticiário? Foi no começo da década de 90, né? Antes disso não existia! Porque simplesmente não fazia parte da rotina das pessoas. Hoje em dia continua não fazendo parte (quantas pessoas a gente conhece que aplicam em bolsa? Assim, em porcentagem da população? Será que chega a 1%?), mas nos é enfiado goela abaixo, todo santo dia. E lógico que isso vira muito mais importante que qualquer notícia “humanitária”. E não é só sobre o Zimbábue que a gente não sabe. É sobre o próprio bairro mesmo!
Agora, que horror isso que vc conta de aluno de jornalismo da USP falando essas coisas. E a cada declaração dele ele se afunda mais, é isso? Esse já tá prontinho pra trabalhar na mídia de direita que controla o país. Não precisa nem ser moldado!
Enfim, adorei o seu comentário inteirinho.

Suzana Elvas disse...

"Um estudante negro multimilionário vai roubar a vaga de um branco pobre que tirou melhores notas no vestibular."

Leo, um estudante negro multimilionário (isso existe por aqui???) não fica no Brasil para ser parado pela PM como ladrão de carro cada vez que sai de casa com seu Land Rover. Ele vai estudar na Inglaterra, na França ou na Suécia.

Babs disse...

Lola, notícias de hoje:

http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u461273.shtml

http://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL839641-5606,00-POLICIA+VAI+INTIMAR+DADO+DOLABELLA+E+LUANA+PIOVANI+POR+CAUSA+DE+AGRESSAO.html

Dureza né?
A notícia do Dado Dolabela me lembrou a dos playboys que jogavam ovos , não sei porquê...
Depois tem gente que acha que é só a geração com mais de 40 que tem problemas com as mulheres...
Bj

João Neto disse...

Lola:

Agradeço-a pelo post especial. Está muito bom!

Faço uma ressalva: Se há um curso que apoio é o de Filosofia, até porque que é a minha formação. Foi por não ter curso de filosofia nas escolas do primeiro e segundo grau que as pessoas perderem a capacidade de pensar e passaram a ouvir qualquer coisa que desse consolo, religião, partidos e gente de esquerda, etc. O que aconteceu? Foram induzidos a eleger quem aí está. Culpa dos ditadores, militares ou não, que, no anseio de manter o controle das mentes para manter-se no poder, tiraram da população a capacidade de pensar pura e livremente; acabaram entregando o galinheiro à raposa.

P.R. disse...

ai, ai, entre todas as outras coisas irritantes que esse indivíduo escreveu, essa de "produzir" como se "produção" fosse só tipo de contribuição que pode ser quantificada, mensurada, materializada, definitivamente me irrita.

seu Zé Mané, digo, João Neto, perdoe-nos pelos nossos mestrados e doutorados, por termos a ambição de fazer o conhecimento (em um sentido amplo, não no puro "academicês")avançar e pensar um mundo melhor.

uma pecadora a caminho do doutorado em ciência política.

cavaca disse...

Lola, gostaria de estar comentando mais por aqui. Só agora vi esse post incrivél e esses comentarios interessantes. Esse pessoal daqui é mesmo ótimo.

Acho que o João não vai mudar de opinião pelos comentários de toda a gente aqui. Talvez não pense muito a respeito...suas opiniões de direitas são muito firmes para ele. Já conheceu pessoas de direita que mudaram de time?
Enfim, acho uma tremenda luta da sua parte se dedicar aos seus estudos, vc é mesmo muito determinada!, ainda bem que você consegue e espero que consiga teminar e passar num desses concursos que mencionou. Pode depois até pedir uma equivalência do seu curso e tentar uma vaga na universidade de Coimbra! Mas enfim...em certos pontos o João faz parecer que você é uma inútil. Quando ele menciona o seu blog, esquece de fazer notar que isso também é um trabalho, não? O que difere as suas crônicas das crônicas do jornal? Apenas muda o meio pelo qual é transmitido. Se você fosse uma escritora,( não publicada...) que ficasse em casa só escrevendo também seria uma inútil. Claro que sim, pois não estaria ganhando nada né...pelo menos não até conseguir publicar o livro.
Aposto que tem blogueiros (homens) que também se dedicam muito aos seus blogs e quem talvez nem trabalhem. Será que o João expressaria as mesmas opiniões? A actividade intelectual, literatura principalmente, pode fazer muito pelo nosso país.

Tina Lopes disse...

Quando eu vi esse post pela manhã não tive tempo de comentar mas pensei, 'ah, hoje a coisa vai ferver'. E tudo que eu tinha a dizer já foi lindamente dito. Lola matou a pau, como sempre. Bem, eu só posso ficar orgulhosíssima por ter apoiado meu marido quando ele tinha uma rala bolsa de mestrado e eu, um emprego melhor; e por ele ter optado em não receber bolsa e continuar dando aulas de Filosofia, mais tarde, enquanto fazia o doutorado; e por eu ter optado em reduzir minha jornada de trabalho pra ter minha filha no dia, hora, local e com a idade que EU escolhi. É preciso alguma sorte, mas acredito que as coisas fluem quando temos escolhas.

Figueiroa disse...

Sou mulher, graduanda em ciências sociais pela Ufba, ganho bolsa de pesquisa,sou nordestina e classe média,dependo do SUS...Acho que o "Neto" ia me queimar na fogueira, ou me obrigar a ser feliz , sendo "do lar" e criando filhos.Lembrei daquele filme, Stepford Wives (Mulheres Perfeitas , com a Nicole Kidman).Não acho o filme lá essas coisas ,mas é curioso como a definição de perfeição dos maridos no filme (espero que vocês tenham assistido) coincide com a do João. As mulheres se ocupam da casa, das crianças, trazem as cervejas pros maridos assistirem o futebol, sempre com um sorriso de felicidade pois estão fazendo o que mais queriam: sendo do lar.Nada contra, é um trabalho muito digno,importante, diria o velho Marx,para a reprodução da força de trabalho.Aqui na Ufba ( federal da Bahia) temos um núcleo de pesquisas chamado NEIM-núcleo de estudos interdisciplinares da mulher, que é bastante importante e vem ganhando projeção nacional.Depois de muita luta,conseguimos criar o curso de graduação em Estudos de Gênero -tenho quase certeza que é o primeiro do país, que, obviamente foi massacrado por críticas sobre sua utilidade.Apesar de achar que o curso tem grande serventia e é maravilhoso que tenha sido criado, aprendi com o tempo que nem tudo precisa servir pra alguma coisa prática.

Ainda bem que temos Lolas por aí!Aliás, acho que vai ter concurso pra cá, agora no fim do ano.Seria ótimo, heim? Bom, o site do NEIM é esse: http://www.neim.ufba.br/site/
Abraços!

L. Archilla disse...

"Foi por não ter curso de filosofia nas escolas do primeiro e segundo grau que as pessoas perderem a capacidade de pensar e passaram a ouvir qualquer coisa que desse consolo, religião, partidos e gente de esquerda, etc."

Tá vendo, Lola? Precisa parar de acreditar em fadas, duendes e esquerda. Acredite em coisas sérias, tipo publicidade...

capabr disse...

Interessante né Lola... você se diz de esquerda, enfim, faz parte daquele grupo que acha uma maravilha tudo nas mãos (ineficientes) do Estado e, fala em outro post, da linha telefônica que você comprou por uma pequena fortuna e que demorava dois anos para ser instalada...claro, obviamente por uma ineficiente estatal...agora vc quer processar a concessionário privada por uma questão de juros da linha que vc adquiriu nos tempos da estatal... porque diabos não processa o Estado ineficiente que lhe fez comprar uma linha cara e com demora absurda prá ser instalada? Ah.. o estado pode tudo....ainda mais se tem um presidente corrupto, com um filho que enriqueceu às custas de esquemas escusos em negócios obscuros com uma concessionária de serviços públicos... um partido que pregava ética e agora se lambuza em "mensalões" e dólares na cueca...não se preocupe Lolinha, não sou de direita, muito menos extrema direita, tampouco sou "esquerdinha patológico".

Silvio Cunha Pereira disse...

Como é exigente essa "sociedade". Quer dizer Se você estuda mas não trabalha , então você não é útil para a sociedade. Se você tem profissão mas não trabalha. também não. Se você se aposenta ( e não trabalha), já não é mais útil.
Aí eu descubro que eu estou pagando ônibus de bobeira porquê é de graça. A tratamento de saúde eu também não deveria ter direito (às vezes é demorado mas existe)pois a sociedade que produz (que é a de direita) nào aguenta mais pagar essa conta. E eu (já que estou desocupado mesmo) vou no INSS e descubro que, durante mais de 10 anos, aquele dinheiro que me foi descontado da folha de pagamento pelos donos de uma das maiores redes de escolas da região, e que, de passagem, tambem não depositavam um centavo do FGTS (certamente são dessa esquerda desavergonhada) nào depositaram nada, nada , nada.
Por acaso a gente transita entre vários mundos (nada como ser um desocupado) e vê e ouve como a direita trata do dinheiro nesta (e noutras também)terra. Ô sociedadezinha..
Agora, dá prazer ver os comentários postados aqui nesse blog.

Cris disse...

Oi, Lolinha!

1. Ei, vi vários concursos para Universidades Federais, inclusive aqui no Paraná, vai no link www.pciconcursos.com.br, sempre tem. A última vez que olhei tinha para alguns estaduais aqui do PR e pra UFPR.

2. Sobre o post, suas respostas são impecáveis.
É impressionante como alguns homens acham que a vida é um clichê, ou melhor, o clichê que eles acreditam que é o certo, a vida das mulheres como eles querem. O mundinho medíocre do "dever-ser" machista.
A vida é muito mais que um clichê.
Sabe, Lola, ano passado namorei um cara que dizia que estava na hora de eu "parar de gastar dinheiro com besteira e começar a trabalhar e ganhar dinheiro". A besteira a que ele se referia era ..pasme...minha especialização.
Óbvio que dei um pé na bunda nele, né, eu que não ia ficar com um cara que não valoriza o estudo.
Meu namorado atual é legal, valoriza o estudo e apóia.
Por um tempo pensei em fazer mestrado, mas agora acho que vou fazer um MBA, ainda não decidi, mas com certeza nunca vou parar de estudar.Adoro e não estudo só coisas da minha profissão, mas de outras áreas, pelo prazer, mas que no fim acabam ajudando.
Eu não tenho a mínima vontade de ter filhos, e tem muita gente que cobra. Não só namorado, que seria normal e aceitável, mas qq pessoa (afinal, nosso corpo é propriedade pública, como vc bem fala).
Tenho amigas que optaram pela maternidade e são felizes assim. creio que justamente por essa palvrinha mágica, foi uma OPÇÂO.
E outra coisa, tem muita gente, e não só homem, mas mulheres tbém, que ficam incomodadas com o fato de uma mulher de 33 anos estar solteira. Fica aquela cobrança, como se eu tivesse algo de errado. Namorado não importa, tem que ser um marido, alguém para mandar na mulher. Nôa é á toa que o termo que mais escuto é "Está na hora de sossegar, casar"...quer dizer, sossegar, parar, ficar restrita ao seu mundinho servil.
Graças a Deus que meu namorado é bem legal e não tem essas babaquices, sabe, Lola, e é por isso que eu pretendo ficar com ele.
Não para "sossegar", já é impossível, mas por amor, que eu acho queó único motivo que deve fazer a gente casar.

Ah, mas por que é que tudo tem que ser resumido a diereita e esquerda?
Não é tão simples assim.
Eu acredito e concordo com muita coisa que vc fala, Lola. Nesse post, por exemplo, eu assino embaixo, concordo com tudo.
Mas eu não sou de esquerda, votei no PSDB aqui.Eu acho que vc pensava que eu era de esquerda, não???
Não sou, e isso não me faz desgostar do Lula, eu acho que ele está faznedo um bom governo.
Mas eu tbém provavelmente não sou de direita, não se a direita for essa busca incansável pela produção e consumo; mas eu não acho que seja, não na minha visão. Talvez minha posição política seja algo em cima do muro...
Eu tbém tenho nojo de gente que só valoriza o outro pelo que o outro "produz"...

Pra mim, Lola,mais que uma razão de posição ideológica, mas de falta de amor e respeito pelas diferenças.

beijos

Cris disse...

Lola, só para completar, qdo eu disse que meu ex falava "parar de gastar dinheiro com besteira e começar a trabalhar e ganhar dinheiro", isso ele dizia isso mesmo eu trabalhando, eu trablho desde os 18, pq ele ficava indignado com o preço da pós, dizia que era dinheiro jogado no lixo.
beijos

Bobby Madhatter disse...

Lola, escreve um post pra mim?!?! Sobre a filmagem de Alice, do Tim Burton??!?!?!?

Escreve vaiiiiiii

Beijos!

cynthia disse...

é impressionante como pessoas que não conhecem a gente saem julgando com base em algumas linhas...

Lola, a sua resposta foi perfeita, até porque explica como é pesada a vida acadêmica.

Anônimo disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Anônimo disse...

Oi, Lola! Haha vixe, então corrija uns errinhos, porque deve ter muitos no comentário!
Não sei se meu chefe chegaria até o blog, mas por via das dúvidas, melhor não pôr aquele trecho... (afee, não vejo a hora de não trabalhar mais nesse lugar!)

beijo!

Ju R. disse...

será que esse joão é casado? ao menos tem namorada? e se tiver, será que ele a amarra ao pé da cama?

quero distância de homem assim...sim, porque no primeiro "lugar de mulher é na cozinha", é tchau na mesma hora!

Lasher disse...

Eu gostei sobremaneira das opinioes postadas. E raro a gente se meter nesse vespeiro que e discussao entre direita X esquerda, conservadores X progressistas sem partir pro pugilato.Parabens a todos mesmo. E Lola, eu acho incrivel mesmo o carinho que vc demonstra pela maridao nas coisas que vc fala dele. Ele deve ser um grande homem.

lola aronovich disse...

Realmente, Su, não sei se existe estudante negro multimilionário no Brasil. Mas, se existir, ele, como todo filho de multimilionário branco, tem toda a chance de passar no vestibular (cursinho, professor particular, whatever).


Babs, triste, triste... Apedrejar mulher por adultério é algo inacreditável pra gente. Mas acontece direto em alguns países - países que conseguem ser muito piores que os do mundo ocidental pra uma mulher viver. E o Dado Dolabela... Playboyzinho é tudo igual, né?

lola aronovich disse...

Oi, João. Que bom que vc gostou do post. Ah, quer dizer que, se a decisão do que é útil e inútil passasse por vc, Filosofia estaria liberado? Bom saber. Mas meu cursinho de letras continuaria condenado, né? Sabe, não é apenas em Filosofia que se pensa. No meu curso tá cheio de discussões interessantes, muita política, muito estudo de gênero, estudo de ideologias. Ahn, quando que a população brasileira perdeu “a capacidade de pensar”? Mais ou menos em 2002? Antes disso tava tudo bem?


P.R., puxa, Ciência Política eu acho o máximo! Mas seu curso estaria condenado pelo João.

lola aronovich disse...

Cavaca, ótimos os comentários, né? Também não acho que o João vai mudar de opinião, mas quem sabe ele reflita um pouquinho. E não só ele. Ele foi o único que se manifestou, mas pode haver muita gente que pensa parecido. Pois é, não sei se o meu blog é trabalho, mas que dá um trabalhão, isso dá. Ocupa grande parte do meu tempo. Mas imagino que, por não render dinheiro, não é trabalho. Logo, é inútil. Coisa de desocupado mesmo.


Tina, viu como vc já me conhece um pouco? Então, não consigo imaginar um casal com filhos viver de bolsa de mestrado. Mas isso de dar aula em universidade enquanto se cursa o doutorado realmente me parece o melhor caminho. Mas pra isso vc precisa já estar dentro de uma universidade, o que não é o meu caso... Mas é tudo uma questão de escolhas mesmo. Eu quis fazer mestrado pelo puro prazer de, pela primeira vez na vida, pode estudar algo que eu realmente gostasse. Foi ótimo. Já no doutorado, como dura o dobro do tempo, o sacrifício é muito maior. Então acho melhor tentar fazer algo com o que aprendi depois de terminar. Mas sem stress. Ah, obrigada pela dica de economia! Mas não acabei encontrando nada que me atraísse muito... Vc comprou muitos livros?

lola aronovich disse...

Figueiroa, acho que a gente entendeu que mulher só pode ser feliz se for “do lar”. Isso de estudar, principalmente essas coisas inúteis como o que vc faz na Ufba, pra quê? Interessante vc falar do Stepford Wives. Faz um tempão que quero escrever um post sobre o filme. Não a refilmagem com a Nicole Kidman, que é muito ruim, mas o original dos anos 70. E gosto bastante do livro tb. Um filme como esse faz OS HOMENS ficarem muito mal na fita, não acha? Porque é dose acreditar que tantos homens gostariam de mulheres lobotomizadas que tivessem o corpo perfeito, só cuidassem da casa, e só dissessem “Sim, senhor”.
Que maravilha que vcs conseguiram criar uma graduação em Estudos de Gênero. Deve ser mesmo o primeiro no país. Que venham outros! Bom, o que é útil e inútil é tão relativo, né? Depende pra quem.
Bom, assim que der vou prestar os concursos que aparecerem. Por enquanto, os que vi exigem doutorado. E, pra piorar, acho que uns 70% exigem graduação em Letras. Minha graduação é em Pedagogia... Isso vai ser bem ruim.


Exato, Lauren. A gente (e eu tive Filosofia na faculdade) acredita na esquerda porque nos dá consolo!

lola aronovich disse...

Capabr, o Estado não é muito eficiente muitas vezes, mas desde quando as empresas privadas são? No caso da linha telefônica, sim, levou dois anos, custou uma pequena fortuna, mas eu recuperei todo o dinheiro vendendo as ações, não? Não é o estado que pode tudo. Quem pode tudo são as empresas privadas. Eu tenho direito a voto e posso tirar do poder os governantes que eu não quero. Mas não tenho poder pra tirar o presidente da Telefonica, tenho? Vc fala das concessionárias privadas como se elas não tivessem ganhado nada com a privatização das linhas telefônicas... Eu lembro quando a assinatura da linha residencial custava R$ 3,86, e não os 40 de hoje. E o que me foi prometido com a privatização é que eu ganharia muito! Que haveria concorrência, logo, os preços cairiam. Ha! Aqui onde moro eu posso optar entre Br-Telecom, Br-Telecom e Br-Telecom. A internet é uma porcaria e custa caro. Se isso é eficiência... O pior é que eu pude conferir que nos EUA é parecido: claro, a internet é mais rápida, mas o monopólio existe em muitas áreas.
E não estou preocupada por vc ser de direita.

lola aronovich disse...

Silvinho amado (esse é o maridão), pois é, interessante vc lembrar esse caso. Só o Estado é corrupto. As empresas particulares são um primor em honestidade. Um caso exemplar é a escola onde vc deu aula por mais de 13 anos. Eles descontavam do seu salário o INSS mas não o depositavam. Por causa disso, talvez vc não possa se aposentar quando chegar a sua hora. O seu FGTS eles ainda não pagaram. Êta escolinha de esquerda essa sua!


Cris, legal vc ter dado um chute no seu ex que considerava besteira a sua especialização! Eu também gosto muito de estudar, se bem que agora estou um pouco cansada. Na realidade, tanto no mestrado quanto no doutorado, a parte das aulas, dos créditos, é uma maravilha. Mas a parte de escrever tese trancada sozinha num quarto durante ANOS é fogo... Isso que cansa. É muito bom estudar coisas que a gente gosta, e por prazer!
Quanto a ter filhos e casar, é uma droga essa cobrança constante. Eu, francamente, nunca dei nenhuma bola. A vida é minha e não devo satisfação a ninguém. Espero que, agora que estou ficando velhinha, as pessoas parem com esse papo de “quando vc tiver filhos vc vai ver”, e percebam que não vou ter filhos MESMO. Foi uma opção, minha e do maridão. Nunca tivemos a menor vontade de ter filhos.
E esse termo, “sossegar”, realmente é o cúmulo. É bem isso que vc explicou.
Nem todo mundo é direita ou esquerda, Cris. Tem gente que fica mais no meio mesmo, como é o seu caso. Mas vc tem que ver quais partidos seguem mais a sua filosofia de vida, o seu jeito de pensar, o que vc espera de um governo.

lola aronovich disse...

Bobby querido, eu tô TÃO sem tempo que vc não acredita... Talvez pro final da semana que vem? Tem algum trailer, algo assim? Um link?


Cynthia, pois é, o João não me conhece. Algo que achei estranho foi ele dizer “descobri em não sei qual post que vc...”, como se eu tivesse algo a esconder. Minha vida é um livro aberto. Bom vc ter gostado da minha respostinha.

lola aronovich disse...

Marjorie, vou corrigir sim, não se preocupe. Posso colocar algo como “uma grande agência internacional” ao invés da empresa onde vc trabalha?


Ju R, isso é herança patriarcal. Tem homem que não se conforma em não mandar mais na gente!


Lasher, não é? O pessoal aqui tem um nível muito alto, não só intelectual mas emocional também. Sabe discutir idéias sem partir pra ataques pessoais. Adoro meus leitores/as! Ah, sem querer me gabar, eu leio outros blogs, e é raro encontrar um nível tão alto assim nos comentários!
Fico feliz que, por trás de toda a ironia que uso, vc vê que eu amo muito o maridão. Ele é um grande homem, sim.

carlos dória disse...

Lola,descobri seu blog por acaso. Gostei da sua resposta ao João, um típico representante da direita em nosso país. Eu, próximo dos 70 anos tenho uma cabeça muito mais aberta que esse cidadão.Sou aposentado e tive participação ativa no movimento estudantil contra a "redentora" e ainda mantenho minhas utopias. Resolvi criar em março passado um blog, http://blogdeumsem-mdia.blogspot.com onde procuro divulgar matérias que não saem no Jornal Nacional e nem nos outros veículos da nossa imprensa corporativa, que tenta "vender" para nós, a idéia do pensamento único.Sds Carlos Dória

Anônimo disse...

Pode sim. :)

Liris Tribuzzi disse...

Não sou muito fã de duelos de esquerda x direita, até porque nem os partidos políticos que deveriam ter essas tipo de ideologio não o fazem. Então vão me apegar mais aos argumentos universais que ele usou.
Eu sou a favor do 'Deus deu a vida pra cada um cuidar da sua'. É o tipo da coisa: se você faz doutorado e vive da bolsa que ele provem, ótimo! Que bom pra você. São pouquíssimas pessoas que podem viver do que gostam hoje em dia. E você e o maridão podem. E vivem do jeito de vocês. Não precisam ter carro do ano, cobertura em Ipanema nem o último lançamento de celular. Quem quer ter essas coisas tem mais é que se matar de todas as formas pra conseguir o dinheiro. E se essa é a vida que a pessoas escolheu, que seja feliz!
Pra mim, ele não se conforma com o fato de você ter tudo do que precisa fazendo o que gosta e aproveita que o Estado pode te dar...

ro salgueiro disse...

Lolinha,
como você, estou cada vez mais intolerante com o machismo e com essa direita delirante.

Juliana B disse...

Ótimos argumentos, Lola. LIBERDADE DE ESCOLHA!!! Super apóio a mulher que quiser casar, ter filhos e ficar só cuidando da casa, mas, realmente, achar que isso é o ideal de vida de toda mulher é no mínimo pueril.

Qualquer coisa que eu falar aqui agora corre o risco de ser até redundante depois de tanta discussão, mas é bom pensar que (pelo menos aqui) esse tipo de pensamento ainda é minoria.

Saudades de vc e do seu blog, ando sumida porque ando trabalhando muito (será que estou contribuindo com a sociedade com a inutilidade de ensinar inglês?). E espero que tenhamos todos muita saúde e disposição para continuar sendo estudantes por toda a vida. Se alguém realmente acha que deve-se parar de estudar e aprender em algum momento da vida, essa pessoa já perdeu mais que jamais imaginou.

Juliana B disse...

O pior foi que eu saí do seu blog para me deparar com a notícia que o Dado Dolabella está sendo indiciado por ter agredido uma camareira que tentou apartar uma briga dele com a Luana Piovani (até onde eu esntendi, pra defender a Luana, que devia estar apanhando).
Aí eu só passei o olho na notícia e dei de cara com esse comentário infeliz:

ESPANCADOR DE VADIAS | PB / ALAGOA GRANDE | 29/10/2008 22:38
DADO, PRESIDENTE DOS MACHÕES!
Falou amigo Dado! Você foi eleito nosso Presidente de Honra. Precisamos botar essa mulherada nos eixos. Elas precisam de vassouras, tanque de roupas sujas, louça na pia e muito sexo. Essa emancipação idiota das mulheres está trazendo a infelicidade delas próprias. Daqui a pouco, elas vão ficar implorando para ficar debaixo das nossas asas. Mas, até lá, vamos continuar descendo a porrada nelas.

lola aronovich disse...

Carlos, bem-vindo ao meu blog! Diga, como vc descobriu o blog? Foi através do Google? Dei uma olhadinha muito rápida no seu blog. Desculpa, geralmente deixou algum comentário nos blogs que visito, mas ultimamente estou tão ocupada que não tenho tempo pra nada. Admiro muito a sua luta contra o pensamento único que a mídia tenta nos impor. Apareça sempre!


Li, tá, admito que às vezes sou um pouco maniqueísta com esse negócio de esquerda e direita. Mas é que eu vejo o mesmo padrão se repetindo. E não costumo encontrar gente de direita que tenha cabeça aberta. Mas é isso, eu também sou a favor do “viva e deixe viver”. Não na ótica do João, que é “viva de acordo com os meus dogmas ou deixe de viver”. Vc toca bem no ponto: pra ter carro do ano e cobertura é preciso ter um padrão de vida que eu e o maridão não temos nem queremos ter. A gente gosta muito da nossa vidinha simples. Eu já falei isso antes. Liberdade é viver com pouco dinheiro. E eu não considero que o Estado me “dê” muitas coisas. Considero que o Estado cumpre o que é meu de direito.

lola aronovich disse...

Ro, vc tá me achando intolerante? Eu tô me achando muito mais tolerante esta semana que nas duas anteriores... Mas algum dia minha paciência se esgota.


Ju B, querida, eu tava mesmo pensando em vc: cadê aquela bandida? Me abandonou de vez! Será que já foi pra Detroit? Mas agora vejo que vc só está nessa produtividade de dar aula de inglês. Acho que a direita considera professor de inglês útil, porque a gente ensina a língua do império. Se fosse espanhol, língua tão usada no terceiro mundo, seria uma inutilidade, mas inglês é importante (se bem que a gente vai se comunicar com o império pra quê? Basta obedecer!).
Puxa, essa do Dado eu tinha visto, mas esse comentário é muito representativo. Esse negócio de que o feminismo nos tornou infelizes eu já ouvia na década de 70, quando era criança! E aposto como as mulheres que lutaram pra que a gente pudesse votar, nos anos 20, também ouviam isso. Bom, de fato, tem a parte do “ignorance is bliss”. Mas independência é mais gostoso. E como que a gente pôde querer “sair debaixo da asa” de machos que nos tratam tão bem, na base da porrada? Só podemos ser loucas mesmo. Saudades de ti tb, Ju! (e o Nick, vai votar na terça? Se ele insistir em votar no McCain, pelo menos convença-o a ficar em casa, vai).

Elyana disse...

Haha! Desculpa, mas tenho que dar risada do comentário dele. Adooooro esse povo que acha que apenas quem produz coisas concretas está contribuindo para o mundo. Já ouvi bastante gente (inclusive a Veja) falar que só as disciplinas exatas servem pra alguma coisa e sempre sinto como se vivesse num mundo diferente desse povo. Que seria de mim sem as matérias de humanas que me encheram de idéias que depois se transformaram em sonhos? E como eu iria querer mudar alguma coisa nesse mundo sem meus sonhos?

Lolla Moon disse...

Estou me sentindo 50% digna, agora. Eu sou do lar! (apesar de não lavar, passar ou cozinhar) Mas, não querendo parir crianças, acho que o meu nível de dignidade feminina cai pela metade.

Acho que o governo deve sim proporcionar saúde e educação gratuita para todos, mas como sabemos, o governo não é uma empresa e não gera dinheiro. Para poder ajudar aos mais necessitados, o governo precisa taxar quem trabalha. No SEU caso, Lola, acho válido. Acredito que, como todo mundo, você pague impostos. Mas só pra mostrar uma experiência diferente, eu prefiro ser brasileira e que meus impostos estejam sustentando futuros médicos, professores, pensadores, engenheiros, etc., do que ser inglesa e pensar que estou pagando 40% da minha renda anual + 17% de tudo o que compro para sustentar "famílias pobres" (mas fumando, bebendo, comprando roupa de designer e com uma TV de plasma em cada cômodo) em benefícios porque a) papai tem "depressão" e não pode trabalhar ou b) a menina de 17 anos encheu o saco de morar com a mãe drogada e resolveu virar mãe solteira para ganhar um apartamento de 200 mil libras do governo. Isso enquanto casais que trabalham duro têm que se dividir em vários empregos para pagar a hipoteca da casa e nem têm direito a ter filhos porque não podem pagar childcare.

A saúde pública, que deveria estar pagando salários decentes às suas enfermeiras, contratando profissionais de limpeza para evitar que infecções hospitalares se proliferem (como é o caso) e fornecendo remédios que aumentam a sobrevida de pacientes de câncer que não podem pagar a exorbitância que custam, se preocupa em financiar operações caríssimas de mudança de sexo para transexuais carentes e IVF em lésbicas que se acham no direito de ter um baby pago pelos taxpayers. Existe LIMITE para tudo.

Eu acredito em ajudar a quem precisa, mas não em um estado que confunde política social com "politicamente correto".

lola aronovich disse...

Pois é, Elyana, se esse pessoal de direita pudesse escolher o que a gente deveria ou não estudar, seria realmente lastimável. Mas o que me choca é que eles criticavam a União Soviética justamente por isso: “Se vc mora num país comunista, não pode nem escolher sua profissão! O estado escolhe pra vc!”. Mas me parece que, fechando cursos que eles consideram inúteis, eles estão fazendo exatamente a mesma coisa... Ai, imagina se a gente fosse forçada a ser engenheira... Aliás, haveria engenheiro demais no mundo. Pra nós sobraria o lar mesmo.


Viu que bom, Lolla? 50% digna já é alguma coisa. Como vc ainda é jovem, o pessoal ainda tem esperança que vc cumpra sua missão de mulher e procrie. Mas não demore muito!
Sobre o seu outro argumento, acho que vc está generalizando. Certamente as famílias pobres que fumam, bebem, compram roupas de designer etc são minoria. E uma minoria não deveria inviabilizar todo um sistema de proteção social. A gente vive numa sociedade, e eu prefiro mil vezes que as riquezas sejam divididas (através de impostos), do que acumulada na mão de uns poucos. Do pouco que conheço do sistema britânico, ele me parece estar a anos luz do sistema americano, por exemplo, onde é tudo privatizado, na base do cada um por si, salve-se quem puder. Se não me engano, aqui no Brasil está se começando a oferecer inseminação artificial para casais pobres. E, se vale pra casais héteros, deve valer pros homossexuais. Direitos iguais. E quanto aos transexuais, aposto como é um número bem pequeno. E pra eles a mudança de sexo é muito importante. Se o país tem dinheiro, como certamente é o caso da Inglaterra, por que não?

Lila disse...

Ler coments como a da Lolla é muito bom pq há um pensamento generalizado no sobre os chamados programas assitencialistas, que são coisa de pobres que gostam de "mamar nas tetas do Estado" e que é coisa que só existe no Brasil. Não mesmo. Para mim, são programas de distribuição de renda, e que existem até no ultra capitalista Estados Unidos, embora em bem menor escala.
Engraçado que não via a direita criticando qdo FHC copiou o Bolsa Escola - que foi criado pelo Cristovam, qdo era do PT - e o lançou no nível Federal, pela incrível quantia de R$ 15. Só pq o Lula ampliou e melhorou o programa, aí metem o pau. Isso cansa, viu?

Lolla Moon disse...

Pois é, você ainda conhece pouco do sistema de saúde britânico. Se o sistema funcionasse muito bem, seria perfeito. Mas acho imoral negar remédios gratuitos e tratamentos a certas pessoas porque elas não moram em determinados CEPs ou não se qualificam por conta de idade, alegando "falta de recursos", e ao mesmo tempo financiar tratamento de fertilidade de casais que poderiam inclusive estar adotando OU arcando com o custo. Ter filho não é direito adquirido de ninguém, e não poder tê-los não é doença, nem o fim do mundo. Há mães morrendo de câncer sem receber Herceptin, enquanto pessoas que vão ao jornal gritar "we have the right to have a baaaaaby" têm dinheiro do governo para o seu "sonho". Fala sério.

Também acho errado pagar salário de fome para enfermeiras, contratar poucos médicos, e usar o dinheiro economizado para contratar "administradores" que ignoram as necessidades básicas do sistema: LIMPEZA e PROFISSIONAIS DE SAÚDE QUALIFICADOS. É por isso que uma consulta no NHS pode levar dois meses para acontecer após ser marcada e o clínico geral reluta até o último segundo antes de encaminhar para um especialista. Isso não pode.

E sobre os benefícios, é só olhar as estatísticas. A Inglaterra é um país rico, e há uns anos atrás precisou buscar imigrantes para assumir vagas no mercado de trabalho, ociosas porque os nativos ou não as queriam ou não estavam qualificados para ocupá-las. Isso num país que oferece estudo gratuito. O número de pessoas que estão fora do mercado de trabalho por conta de doenças que sequer foram diagnosticadas propriamente é impressionante. Uma família afegã ganhou o direito de morar num apartamento de UM MILHÃO de libras em Kensington, um bairro nobre de Londres, enquanto jovens famílias não conseguem pagar a hipoteca de um apartamento humilde por causa das taxas absurdas (que financiam aberrações como essas). Há que se haver bom senso e coerência, né. Esses dados não foram produzidos. Vale dar uma pesquisada pra se informar a respeito.

Política de benefícios SIM, sempre - mas controlada. Do jeito que foi feito aqui, provoca desbalanço e prejudica os cidadãos como um todo.

Ah, sim - quando usei o exemplo das lésbicas e transexuais, estava usando apenas um exemplo. Nada contra e concordo que os direitos são iguais. O que não são iguais são certas prioridades. :)

Lolla Moon disse...

E Lilla, em se considerando que a Lolla a que você se refere sou eu (suponho que sim, por conta dos dois L), ressalto que nunca afirmei que políticas de benefícios só acontecem no Brasil (aliás, acho que o Brasil está muito atrasado quanto a isso, você não acha?) e que não sou contra elas. Políticas semelhantes funcionam muito bem em vários países, não prejudicam a economia e melhoram a qualidade de vida. Sou contra o modo como elas foram implantadas e estão sendo realizadas NA INGLATERRA.
Espero ter sido mais clara agora.

Lila disse...

Sim, Lolla. No meu coment eu não tava reclamando de você especificamente, entendi seu ponto de vista. Estava desabafando sobre uma parcela da população brasileira que critica os programas assistenciais, achando que isso é esmola, qdo pra mim, os programas realizados no molde do Bolsa Família são de distribuição de renda. Desculpa se pareceu que estava te criticando, não foi a intenção, até pq não conheço a realidade inglesa.

Lila disse...

Lola, o Alexandre Garcia comentando o resultado das eleições disse, o DEM encolheu mas como dizer p/ os outros partidos: Eu tenho São Paulo.
Aff, temos que diminuir essa hegemonia paulistana na política, São Paulo - apesar de ser o estado mais rico - não é o Brasil. E o DEM tem a prefeitura de São Paulo? O Kassab é pau mandado do Serra e nem esconde isso.

lola aronovich disse...

Lila, o pessoal de direita vai sempre criticar qualquer programa mais “assistencialista”. Pra eles, pobre tem que morrer de fome mesmo. Porque se é pobre é porque não aproveitou as maravilhosas oportunidades que o capitalismo oferece. Outro dia li numa revista da direita cristã americana - dessas que gostariam de abolir todos os impostos, e fazer com que a gente voltasse aos tempos do Velho Testamento, em que o dízimo a Deus bastava pra atender todas as necessidades da comunidade, e pra que democracia, se os líderes homens e brancos eram escolhidos diretamente por Deus? - que “um homem adulto que não trabalha não pode comer”. Simples assim.
O que eu acho mais legal é que a direita não suporta ver seus impostos usados em saúde e educação, mas tudo bem gastar um trilhão de dólares numa só guerra ou 700 bilhões pra salvar bancos. Nesses casos tem dinheiro sobrando!


Lolla, acho que vc interpretou mal o que a Lila quis dizer. Ela não estava te criticando - ela disse que é BOM ler um comentário como o seu, falando da Inglaterra, porque tá cheio de brasileiro de direita que critica os programas ditos assistencialistas daqui do Brasil, e se esquecem que eles existem também nos países ricos. Esse “choque de volta à realidade” é sempre válido.
Agora, Lolla, não dá pra comparar o sistema de saúde britânico com o americano, que é privatizado (ou seja, recebe tratamento apenas quem pode pagar), ou com o de países pobres como o Brasil. Seria um sonho se no Brasil a gente tivesse um SUS como o britânico - apesar de todos os problemas que vc aponta. Fila de dois meses pra uma consulta especializada não é nada. Mesmo aqui em Joinville, que o sistema é muito melhor que em outros cantos, as filas costumam durar seis meses, um ano...
O argumento que vc usa contra os programas ditos assistencialistas é parecidíssimo com o que a direita brasileira prega: que, com os R$ 50 que um brasileiro pobre recebe através do Bolsa Família, ele não quer mais trabalhar. Prefere só ficar no bem-bom. Tá, bem-bom com 50 reais?! Pergunta pruma dessas pessoas que vc acha que estão tão satisfeitas com o dinheiro que recebem do governo se elas não adorariam trocar de vida com alguém tão sacrificado de classe média, que tem um bom emprego, casa e carro. A maioria aceitaria a troca num instante. Outro dia uma moça reclamou comigo que por causa “dessa desgraça” de Bolsa Família, esse pessoal pobre não quer mais trabalhar por um salário mínimo. Primeiro que não é verdade, porque o salário mínimo tá em R$ 415, e muita gente pobre ADORARIA ganhar isso. Segundo que, like, WOULD YOU?

Lila disse...

Loa, pode apagar o coment de SP aqui, digitei no lugar errado. E apaga este também, por favor. Desculpe.

lola aronovich disse...

Aha, Lila, vc respondeu na mesma hora que eu! Ninguém tá diminuindo a importância de SP, mas óbvio: SP não é o Brasil. Vivemos numa democracia, em que pessoas de outros estados têm o mesmo direito a voto que os paulistas e paulistanos. Mas gosto de como falam de SP como se fosse uma total massa de manobra. SP representa o quê, 20% do eleitorado brasileiro? É gente pra caramba. Mas pensar que toda essa gente vota no Serra é ridículo! Num segundo turno, sempre tem uns 40% que votam no PT. Não dá pra eleger governador do Estado e nem prefeito, mas dá perfeitamente pra eleger presidente - como, aliás, o Lula fez em 2002 e 2006. Isso de achar que “puxa, a capital é governada pelo DEM, e o Estado pelo PSDB, o PT está perdido” é absolutamente ridículo.

Lolla Moon disse...

Concordo contigo, Lola - mas, apesar de parecer, eu não sou direita brasileira não. :) O meu comentário foi direcionado à realidade do lugar onde estou vivendo agora. De fato, acho patético afirmar que o que se paga como benefício no Brasil, transforma os pobres em acomodados. Acomodar-se comendo arroz com ovo? Uau, vidão, hein? Difícil. Já AQUI, é fácil se acomodar ganhando apartamento em lugar nobre (que muitos sublocam pra fazer mais $$) e várias libras semanais por filho parido. Acho complicado o governo desperdiçar dinheiro do contribuinte assim enquanto idosos que vivem de pensão (e, logo, não se qualificam para benefícios) têm que escolher entre pagar o aquecimento OU comer. Muitos morrem de doenças respiratórias decorrentes do frio e infiltrações. Não gostaria de ver algo assim acontecendo no Brasil. Por isso acho que política social tem que ser algo muito bem pensado e realizado, e não feito às pressas para encantar eleitores e garantir votos.

E sobre o NHS ser melhor do que o SUS, well. É melhor que nos EUA, é certo, até porque nos EUA não há nada. Eu nunca tive plano de saúde, sempre usei SUS ou as assistências cristãs (que cobram 20 reais pela consulta e exames com até 80% de desconto). Mas mesmo usando o SUS, eu era atendida no Brasil com mais carinho e atenção do que pelos médicos daqui. Em menor escala que no SUS, mas há pessoas morrendo em macas no corredor em hospitais da Inglaterra. Num país de primeiro mundo. Triste.

Lolla Moon disse...

Lila, me desculpe - tive que reler o seu comentário, devo realmente ter interpretado mal o que você quis dizer. Culpemos o horário (e a meia garrafa de vinho que eu havia bebido antes). ;)

Anônimo disse...

esse joao é aquele mesmo q trolla nos outros posts? esse menino é saído daqueles filmes americanos do velho oeste ahahah

mudando um pouco de assunto (n sei se vc le os comentarios antigos): vc falou q os estados unidos são assim e assado... e o canada? sabe se eles tem uma politica melhor?

cada dia q passa tenho mais vontade de ir embora do brasil, mas n tenho nenhuma informaçao sobre o exterior