sábado, 30 de agosto de 2008

PLATAFORMA DE CAMPANHA REPUBLICANA

Recebi um email dos republicanos pedindo doações pra campanha do John McCain pra derrotar o democrata Barack Obama. Começa assim: “Você acha que a redistribuição de renda pelo governo federal é uma das maiores tradições americanas? E creches grátis? Sistema de saúde gratuito? Universidade gratuita? Seguro-desemprego? Estatizar refinarias de petróleo? Uma taxa global paga às Nações Unidas?”. E eu pensando: Uau! É muita cara de pau o McCain prometer que vai fazer tudo isso. Afinal, o partido republicano sempre foi a favor do estado mínimo. Mudou de idéia? E óbvio que ninguém em sã consciência vai ser contra essas coisas (saúde universal, distribuição de renda etc). Só que o email segue: “Se nenhuma dessas características soa como as maiores tradições da América, é porque elas não são. Mas para Obama e os democratas, esse é exatamente o tipo de programa de governo-babá que você pode esperar se eles tomarem o controle do nosso governo”. E continuam, afirmando que podemos derrotar essas medidas esquerdistas se contribuirmos com a campanha republicana. Pô, a direita deles é algo estranho, não? Aqui no Brasil, mesmo partidos conservadores como o DEM e o PSDB, que gostariam de privatizar tudo, não teriam coragem de defender o fim das creches e universidades públicas. Ainda que fizessem isso depois de eleitos, uma agenda dessas jamais faria parte da campanha. E nos EUA, ser contra o seguro-desemprego e a distribuição de renda é motivo de orgulho! Os sistemas de proteção social que funcionam tão bem na Europa são considerados coisa de babá. E por quê? Ah, porque “essas reformas de esquerda do Obama seriam devastadoras para os americanos que trabalham duro”, diz o email. E ninguém liga que não oferecer saúde universal deixe 50 milhões de americanos (todos vagais, suponho) sem qualquer acesso a um tratamento. Isso não é devastador (também é estranho o que é visto como esquerda nos EUA. Estava eu lendo os comentários de um blog americano qualquer quando vi que aquele blog, que pra mim é moderadíssimo nas suas posições políticas, é considerado ultra-esquerda. Eu não fui a única observadora atônita. Um leitor europeu escreveu: "Nunca vou deixar de me espantar com o que vocês americanos consideram esquerda-radical").

Agora é oficial: declaro que minhas últimas esperanças de que primeiro mundo exista de verdade residem na Escandinávia. Porque a América só é primeiro mundo pro capital. Não pra sua população.

9 comentários:

Juliana disse...

cada coisa estúpida que a gente vê na vida...
manda esse e-mail pra mim??

Leo disse...

Gente que coisa engraçada isso! É no mínimo muito corajoso!
O que você achou da escolha da Sarah Palin como vice do McCain?
Foi uma jogada de mestre né? A mulher é mega-ultra-super conservadora, mas vai apelar aos votos feminos.
Mas se, em caso de calamidade, o McCain vencer, eu não "torceria" pra nada acontecer com ele e ela se tornar presidente não. Uma mulher presidente pode ser algo bem interessante, mas precisa ser uma tão quadrada?!

lola aronovich disse...

Leo, o que eu acho da Sarah Palin tá no post de baixo, e nos comentários tb.

L. Archilla disse...

Lola, não vi a série, não tenho tv a cabo! mas um professor meu recomendou muito, tô pensando em comprar os dvds!

Daniel disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Daniel disse...

Não concordo com o inchaço da máquina estatal, ainda mais no Brasil, onde isso certamente implica ineficiência e corrupção.
Acho que o Estado deve sim promover a igualdade social, mas sem se imisquir na atividade privada, a não ser quando realmentenecessário (isso é algo que tá na nossa constituição)
Agora, ser contra saúde gratuita, creches, universidades públicas, afff...
Isso é pensamento liberal do século XVIII!
Essa direita americana não pára de me surpreender!

Pernambucobebendoparaomundo disse...

Agora pergunta a qualquer Cons/Republicano, se ele é contra usar os impostos na compra de armas...

lola aronovich disse...

Ai, Ju, deixa eu encontrar o email pra poder mandá-lo. Vou procurar.


Leo, te respondendo com um pouco mais de tempo agora, não acho que a Sarah Palin vai puxar os votos das mulheres. Isso seria achar que mulheres votam numa mulher (o que já não é verdade), sem ligar pra plataforma política dela. É só ter vagina pra receber o meu voto? I don't think so... E isso equivale a subestimar a Hillary, que tinha/tem um baita currículo. Sarah e Hillary são totalmente opostas. Vai ter gente que vai votar no McCain por causa dos valores conservadores tanto dele quanto de sua vice. E, pra essa gente, é importante que a Sarah seja mãe de cinco filhos. Mas as mulheres conservadoras que odiavam a Hillary, que a chamavam de bitch, certamente já iam votar nos republicanos independente do vice! E duvido que as mulheres que iam votar na Hillary votem no McCain. Algumas, claro, mas não a maioria, jamais!

lola aronovich disse...

Então, Lauren, eu pus o link pra série In Treatment num comentário de post mais em cima. Não precisa comprar os dvds, tem tudo na internet.


Daniel, eu não acho que a iniciativa privada é tão santinha assim que dá pra deixá-la andar sozinha, sem fiscalização e montes de regulamentações. Mas é isso mesmo que digo no post: que a direita daqui do Brasil, apesar de ser a favor do estado mínimo, jamais defenderia, durante as eleições, um estado tão mínimo que deixasse de fora educação e saúde. A direita americana defende isso na bucha! Impressionante pra mim tanta gente ser CONTRA creches públicas, por exemplo. Nesse sentido, os EUA parecem ser um país muito atrasado. Mais do que a gente!


Aí não, né, Gio? Segurança nacional em primeiro lugar! Incrível isso. Saúde universal é ruim e não funciona, mas gastar todo o orçamento em guerras é bom. Matar é melhor que tratar!