segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

O SIMULADOR DE ESTUPRO E SEUS ENTUSIASTAS

Está longe de ser o único, mas há um video game japonês chamado Rapelay. Nele o usuário, numa estação de trem, deve seguir algumas mulheres, como uma mãe e suas duas filhas, passar “mãos invisíveis” com o mouse por cima delas e, depois, estuprá-las. Existem também opções para que haja estupro em grupo. Tem que chegar num ponto em que a moça, chorando, diga “Eu quero morrer”. Nessa hora o usuário pode transformá-la numa escrava sexual para que ela aprenda a gostar de ser estuprada ou estuprá-la mais ainda, para que ela aprenda a calar a boca. Há também um contador marcando quantas vezes o estuprador ejacula dentro da mulher (a palavra vítima nunca é usada). Mais adiante, o estuprador tem que fazer as mulheres abortarem. Se elas tiverem o bebê, o estuprador será jogado nos trilhos de trem.
Encontrei um fórum (não vou dar o link) perguntando, em inglês, “O que você gostaria que estivesse presente no seu Rapelay 2?”. Um usuário respondeu (minha tradução): “Opções para as roupas e características físicas das personagens seriam boas. Também, uma maior escala de reações emocionais, maior variedade de cenas de sexo, mais interação entre os personagens, e mais 'ovos de páscoa' (maneiras de se matar)”. Um outro disse: “Pra ser direto... Mais maneiras de humilhar e torturar as garotas. Espancar. Amarrar. Talvez até convidar o cachorro da família para fazer parte da diversão!”.
A Amazon não aceitou vender o jogo. O site feminista Shakesville fez uma simulação e tentou buscá-lo, e o jogo não aparece. No entanto, em seguida a maior livraria virtual do mundo pergunta: “Procurando mais produtos de estupro?”. E oferece uns 1100 itens, entre eles filmes que contem longas e terríveis cenas de violação como Irresistível e I Spit on Your Grave (Cuspo na sua Cova), e o totalmente anti-estupro O Silêncio de Melinda. Outro ponto chocante é que, nos tags dos “produtos relacionados” da Amazon, entre 31 itens - entre eles horror, amor e sexo - as palavrinhas violência e mulher vêm por último, como se não fizessem parte do negócio.
Como informou a revista eletrônica The Onion num artigo que não pode ser sério, a indústria de entretenimento para adultos no Japão movimenta 5.5 bilhões de dólares por ano. Isso inclui filmes pornográficos, clubes de strip tease e jogos. Os nichos de mercado são muitos, mas há preferência para “produtos de estupro”, o chamado rape porn, que vai de pornô de estupro que mergulha as vítimas em vômito a cuidar de idosos em coma e estuprá-los. Recentemente, o Ministro da Cultura japonês pediu desculpas por alguns produtos que, segundo ele, têm como objetivo apenas “entreter e excitar”. O governo vai se reunir com os fabricantes para tratar de algumas leis mínimas de decência. Tipo: uma das propostas é fazer com que, em sexo grupal que envolva sete ou mais participantes, pelo menos quatro sejam humanos. Essa preocupação não foi causada por grupos de mulheres que protestaram. Não, claro que não, desde quando mulheres têm alguma coisa pra opinar? O problema foi que muitos usuários (homens) de outros países tiveram crises de vômito após assistirem ou brincarem com esses produtos. Estuprar mulheres tudo bem, mas pô, fazer o carinha que aluga “Travesti Grávida Sodomizada com a Cabeça numa Tigela de Arroz” ir parar no hospital após vomitar 45 minutos - ah, não pega bem. O Ministro da Cultura prometeu analisar os produtos para tentar entender o que os outros países podem ter contra a pornografia de seu país.
É claro que esse tipo de pornografia não se restringe ao Japão. O artigo da Onion pode ser satírico (ainda assim se baseando em alguns fatos), mas é inegável que a procura por rape porn é imensa. O meu blog, que logicamente critica ao invés de promover essas atrocidades, nos últimos meses recebeu mais de 6 mil visitas através do Google de gente buscando as palavras pornô, estupro e estuprada. Eu selecionei algumas das buscas que mais me fazem perder fé na humanidade (ou pelo menos em metade da humanidade). Tudo sic, ou seja, não corrigi o português:
- Porno mulheres apanhando parater q dar
- Estupros reais
- Filmes gratis de estrupo com muito sangue com adolecentes
- Estupradas e chorando de dor
- Videos de sexo gratis de meninos estuprados
- Ver filme porno tipo estupro
- Mulher sendo estuprada sem querer
- Vidio porno com adolecente violentadas por cães
- Fotos de ulheres estrupadas por tranzar de mais
- Imagens reais de mulheres mortas por estupro anal
- Video e fotos de novinhas de 10 anos transando
- Video porno com mulheres drogadas
- Fotos de menina que foram estupradas e mortas
- Pornografia brutal - cenas de um homem estuprando menininha
- Vadias torturadas e violentadas muita violência
- Video de estrupo clocante
- Emagens de mulheres estupradas
- Mulheres sendo f****as, violentadas, humilhadas, estupradas
- Onde eu consigo achar videos porno de crianças?
- Manina istrupa gosto muito sexo videos
- Quero estuprar uma vadia
- Eu gosto de estuprar
Aí eu fico pensando: será que essas buscas todas têm relação com esta?
- Por favor me ajude preciso marcar uma pericia em florianoplis preciso do numero do telefone
Eu sou que nem o ministro japonês, também quero entender. Quero entender o que leva rapazes a se excitarem com o sofrimento de mulheres e crianças. Quero entender por que a gente condena pornografia infantil e instigação ao ódio contra várias minorias, mas, quando se trata de odiar mulheres, tá tudo liberado. Já aprendi pela Amazon que estupro não tem quase nenhuma relação com violência ou com mulheres, mas quero saber: até quando os homens vão continuar fingindo que também não tem nada a ver com eles?

49 comentários:

asnalfa disse...

Gostei do texto mas .... quando vc vai voltar a falar de filmes?

olhodopombo disse...

nada a declarar,,,
apenas abominavel,,,,

Ana Rute disse...

lola estou chocada. tenho nem o que falar

claudiamay disse...

Oi, Lola!
Existe um livro chamado "Hentai - A Sedução do Mangá" que conta a história das produções eróticas japonesas--hentai, nomenclatura que vale tanto para animê como para mangá. Infelizmente não pude ler o livro com atenção, só dei uma olhada nele na livraria. Só posso comentar o seguinte: mesmo com as "boas" intenções do livro, nota-se que, como toda pornografia (dá para generalizar?), vê as mulheres como objetos com funções diversas para servir à diversão masculina. O mais interessante é ver as justificativas para as tais "pênis invisíveis" ou o loli-con (diminuição para "lolita complex", estou certa que dá para concluir do que se trata), por exemplo. Se a lei diz "não pode mostrar o órgão sexual masculino", são feitos hentais com cenas de mulheres fazendo sexo oral em pênis invisíveis. Se diz "não pode mostrar pelos pubianos", faz-se um hentai com personagens de idade tal que ainda não tenham desenvolvido os pêlos no corpo (e essa justificativa é usada por fãs de hentai para proteger a produção como algo que não apóia a pedofilia). O caso das "mãos invisíveis" que você falou, em jogos, geralmente é justificado como uma forma de permitir que o jogador se identifique ainda mais com o personagem que ele é no jogo. Isso acontece também nos jogos de namoro, em que você tem que agradar uma garota até que ela saia com você--ou até que ela deixe que você tire toda a roupa dela, coisas assim. Eu só gostaria de ressaltar que nem toda a produção de jogos/animês/mangás tem esse tipo de conteúdo. E também gostaria de ressaltar que não é só o Japão que produz esse tipo de coisa. Eu gosto muito de animê/mangá/tokusatsu e fico muito triste quando vejo uma "caça às bruxas" generalizada se organizando contra produções japonesas. Opa, não estou dizendo que você fez isso no seu post (mas creio que isso você pôde ver), mas acontecem freqüentes "ondas" de crítica às produções japonesas por grupos que só levam em conta um dos aspectos do todo.

Elaine disse...

Olá!
Li seu texto num fôlego só, e dizer o quanto me assusta esse comportamento doentio e cruel é pouco.
Pornografia é, do meu ponto de vista, uma das maiores violências a que a mulher, a criança e minorias de uma forma geral podem sofrer.
Sinceramente não posso compreender como um homem pode de "animar" com coisas assim.
Sei que seu blog é procurado por gente maluca de todo tipo e penso que é maravilhoso que ao chegar aqui eles topem com um texto assim(se é que leem).Parece uma gota no oceano, mas já disse Madre Tereza: "O oceano seria menor se lhe faltasse uma gota"
Afinal, nem só de comentários(bons, aliás)cinematográficos vive um bom blog.
Boa semana, Lola.

claudiamay disse...

Opa, não dá para editar o comentário. Pulei uma parte: Então, se a lei já é interpretada literalmente, de forma que esses pênis invisíveis, pessoas sem pêlos no corpo, "quadriculados" sobre o que a lei diz que não pode ser mostrado, etc, são feitos legalmente, acredito que a lei sobre as produções que contém estupro e outros tipos de violência (como eroguro, por exemplo) tem que ser melhor redigida.

Ana Rute disse...

daqui a pouco inventam um "jogo" desses pro Wii e o jogador usará o console, que tem um formato fálico, para simular os movimentos dos pênis invisíveis no estupro.

Andrea Cristina disse...

Um absurdo! Nada mais a declarar.

Princesa disse...

Eu queria comentar alguma coisa aí mas,de verdade,eu nem sei o que dizer.
Eu só fico pensando que minha liberdade é cerceada o tempo todo,tenho que ter cuidado nas ruas do meu país pra não topar com um doente desses,não posso ir a Europa se não corro o risco de ser atacada por neonazistas.
Aonde eu posso ir com segurança Lola?
Não precisa responder não,eu sei que é a "lugar nenhum".

Chris disse...

Caramba, nem sei o que dizer...

Estou em choque.

Tina Lopes disse...

Lá venho eu com minhas referências de TV, mas olha só - eu estava ontem vendo um Law & Order SVU (que nem curto muito) e a história era sobre um cara que tinha fantasias com estupros, e de consumidor de porno rape, passou a ser um estuprador. A advogada (!) dele o tratava como vítima, pois ficou viciado em pornô e deixou de discernir a realidade; a acusação mostrava que não, pra virar estuprador é preciso, ora, ser estuprador. Enfim, nem deu pra eu ver o episódio todo, mas ele tinha uma questão que sempre me intrigou: há os que dizem que a violência pornô seja uma válvula de escape, quer dizer, o cara se masturba vendo a fantasia da mulher violentada e fica aliviado, não faz o mesmo em casa; por outro lado, o pornô pode simplesmente deixar claro o modus operandi da violência contra a mulher, banalizando-a e disseminando-a. Tendo em vista o monte de estupradores que há por aí, eu fico com a segunda hipótese.

Débora disse...

Para nós mulheres, que somos as vítimas é incompreensível tamanha violência, para eles é tão banal que usam a desculpa de que é só diversão.

Cristine Martin disse...

Oi Lola,

Caramba, como tem gente doente por aí... Isso tudo é chocante, repulsivo e doentio, e para variar seu post está ótimo.

Luma disse...

Meu namorado, que gosta de pornô por sinal, diz que detesta o pornô japonês. Ele diz que os japoneses são doentes e que não adianta tentar justificar dizendo que eles são muito reprimidos e extravasam nesse tipo de coisa (que é a justificativa que as pessoas normalmente dão para as coisas que tem nos pornôs e hentais japoneses).
Eu não entendo esse tipo de obsessão que os japoneses têm pelo estupro. Eu leio bastantes mangás, principalmente os voltados para o público feminino (que normalmente são feitos por mulheres) e, nos que são para jovens e mulheres mais velhas, a mocinha quase sempre sofre tentativa de estupro.

Sobre as tags do Amazon, elas são chamad cloud tags. Esse tipo de tag destaca as que são mais buscadas. As que estão em mais destaque é povavelmente porque as pessoas que fizeram esse tipo de busca clicaram mais nelas. Ou seja, a culpa é dos usuários, não do Amazon.

E já viu isso, Lola? Uma vergonha. http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/gilbertodimenstein/ult508u500752.shtml
Eu, que já estudei tanto escolas particulares como em públicas, sei bem como é essa situação. Pra começar, as coisas nas públicas que eu estudei eram bem mais críticas do que nas particulares. É aquele negócio, né? Numa particular se os alunos não estão rendendo ou fazem alguma reclamação a respeito do professor ele simplesmente é substituído.
Pra você ter uma idéia, durante o meu segundo grau (escola e pré-vestibular) eu só tive 2 professoras de inglês decentes e isso era porque elas tinham aprendido inglês em curso de idiomas, porque a julgar pelo desempenho dos outros que só fizeram faculdade, a situação tá difícil.
Na primeira aula de inglês no 3º ano a professora entrou na sala de aula, começou a explicar o como ia ser as aulas naquele ano e fez um erro tão idiota, mas tão idiota, que eu saí da sala e só voltei nos dias das provas. Ela me escreve no quadro "I like too much clothes" e me diz que isso quer dizer "eu gosto muito de roupas" e quer que eu aceite. Eu, com 15 anos de idade (terminei o ensino médio com 16) e sem na metade do curso de inglês, estava mais apta a dar aula a uma turma de 3º ano prestes a fazer vestibular do que ela, formada pela universidade federal.

asnalfa disse...

Lola, vc prefere o presidencialismo ou parlamentarismo? qual deles é o melhor? vc é a favor de um terceiro mandato pro Lula? ou re-eleição infinita?

Patricia disse...

Mas o feminismo é uma bobagem mesmo, né? A gente é que é histérica.

Não entendo, Lola, fico assustada com essas coisas, de verdade, mesmo trabalhando com a temática de gênero há uns bons anos.

Mica disse...

Lolinha, seu texto me remeteu a este texto: http://shoujo-cafe.blogspot.com/2007/02/sua-boca-diz-no-mas-seu-corpo-diz-sim.html

Dá uma lida, é bem interessante. (não sei qual é o teu conhecimento dos termos japoneses ou às conotações que os fãs por aqui dão aos termos, mas acho que tudo é bastante compreensível).

Paola disse...

Hoje não há nada que eu possa dizer, mas saindo daqui fui ler o Saramago (http://caderno.josesaramago.org/), e olha só que ele escreveu!
Bjs
PAola


Maus tratos
Fevereiro 16, 2009 by José Saramago

Sou em geral conhecido como pessimista. Ao contrário do que alguma vez possa ter parecido, dada a insistência com que afirmo o meu radical cepticismo sobre a possibilidade de qualquer melhoria efectiva e substancial da espécie dentro do que em tempos não muito distantes se chamou progresso moral, preferiria ser optimista, mesmo que fosse apenas por ainda conservar a esperança de que o sol, por ter nascido todos os dias até hoje, nasça também amanhã. Nascerá, mas lá chegará também o dia em que ele se acabe. O motivo destas reflexões de abertura é o mau trato conjugal ou paraconjugal, a insana perseguição da mulher pelo homem, seja ele marido, noivo ou amante. A mulher, historicamente submetida ao poder masculino, foi reduzida a algo sem mais préstimo que o de ser criada do homem e simples restauradora da sua força de trabalho, e, mesmo agora, quando a vemos por toda a parte, liberta de algumas ataduras, exercer actividades que a vaidade masculina presumia de exclusivas do varão, parece que não queremos dar-nos conta de que a esmagadora maioria das mulheres continua a viver num sistema de relações pouco menos que medievais. São espancadas, brutalizadas sexualmente, escravizadas por tradições, costumes e obrigações que elas não escolheram e que continuam a mantê-las submetidas à tirania masculina. E, quando chega a hora, matam-nas.

A escola finge ignorar esta realidade, o que não pode surpreender se pensarmos que a capacidade formativa do ensino se encontra reduzida ao zero absoluto. A família, lugar por excelência de todas as contradições, ninho perfeito de egoísmos, empresa em falência permanente, está a viver a mais grave crise de toda a sua história. Os Estados partem do exacto princípio de que todos teremos de morrer e de que as mulheres não poderiam ser excepção. Para algumas imaginações delirantes, morrer às mãos do esposo, do noivo ou do amante, a tiro ou à facada, talvez seja mesmo a maior prova de amor mútuo, ele matando, ela morrendo. Às negruras da mente humana tudo é possível.

Que fazer? Outros o saberão embora não o tenham dito. Uma vez que a delicada sociedade em que vivemos se escandalizaria com medidas de exclusão social permanente para este tipo de crimes, ao menos que se agravem até ao máximo as penas de prisão, excluindo decisivamente as reduções de pena por bom comportamento. Por bom comportamento, por favor, não me façam rir.

Monix disse...

Lola,
Tinha lido sobre esse jogo e cheguei a pensar que poderia ser um desses hoaxes ou lendas urbanas, mas infelizmente parece que é verdade.
Quanto à The Onion, é uma revista humorística, no estilo "Planeta Diário", que simula um formato noticioso mas publica textos inteiramente ficcionais - não é pra levar em consideração as informações dessa fonte. ;-)
Beijocas

cavaca disse...

Acho que toda mulher tem que começar a praticar defesa pessoal o quanto antes.

Elaine disse...

Olá!
Lola,quero indicar a você um blog que eu leio sempre; tem um texto lá que mexeu demais comigo e fala de estupro e violência de um modo cru, real.Se puder, leia e diga o que achou, por favor.
O blog:www.rosachoque09.blogspot.com e o texto em questão é Feminicídio no Congo.
Obrigada.

Juliana Bittencourt disse...

Eu realmente não acreditei no que estava vendo quando me deparei com a existência desse jogo...

Juliana Bittencourt disse...

ah, e eu estou comentando menos, mas eu continuo lendo tudo, só pra vc saber... estou aderindo à prática da minha mãe, hahaha

Nem comentei na crítica, mas a última que li foi do último que vi: Across the Universe. Nem acredito que demorei tando pra ver esse filme sendo fã de Beatles, mas que espetáculo, né? a cena do Strawberry Fields Forever talvez tenha sido a que mais gostei.

Anônimo disse...

procure "easter eggs" no google pra entender pq vc está enganada sobre o sentido.
-2 pts!

(depois de cold turkey, -4)

Ale Picoli disse...

Vale lembrar que até agora a posição da mulher na sociedade japonesa é muito inferior à do homem. Arrisco dizer que, entre os países ditos desenvolvidos, é o que tem a maior disparidade entre homens e mulheres. As mulheres lá simplesmente não "existiam" socialmente até pouco tempo. Agora elas começam a "existir", mas ainda estão passando pela fase de serem objetos de desejo e consumo. Isso mesmo, objetos. "Ser um objeto" já é uma certa evolução em relação a "não existir", mas ainda é horrível.
Eu não sou contra pornografia mas também não sou consumidora, sou só interessada. Olhando bem de fora eu vejo umas características meio gerais por país. Um dia podia analisá-las, fazer meio que uma "antropologia de botequim" pra tentar fazer relações com as histórias de cada lugar. Olha só o que eu acho:
- No Brasil a fixação é por sexo anal.
- Na Inglaterra existe uma certa fixação com punições escolares.
- Na Alemanha tem aquela parte BDSM toda e um pouco de fixação com fezes.
- No Japão tem muito isso de estupro, em especial, estupros em grupo.
Não sei direito sobre os EUA, o mercado deles é tão grande que eu não consigo chutar um padrão.

Débora disse...

Para as comentaristas que disseram que leem mangá, eu também leio, raramente leio shonen (para meninos), mas mesmo nos shoujos (para meninas) as personagens são constantemente assediadas sexualmente, têm seios enormes, estão sempre vestidas de colegiais e vivem mostrando a calcinha. Tudo fetiche masculino numa publicação para meninas e geralmente escrita por mulheres. Estranho não é?

Um anônimo levantou a bola, só para esclarecer "easter eggs" ou ovos de páscoa, são surpresas escondidas em softwares que são ativadas por uma sequência de cliques e teclas.
Um "easter eggs" super famoso é o simulador de voos escondido no MS-Excel. Num jogo, pode ser um cenário diferente, uma customização ou até mesmo uma arma diferente.

lola aronovich disse...

Obrigada por esclarecer o que são easter eggs, Débora.
Anônimo, felizmente eu só conheço um tipo de ovo de páscoa, e é aquele de chocolate. Eu apenas traduzi o que o usuário no fórum "How do you want your Rapelay 2?" escreveu, e ele colocou easter eggs e a definição logo em seguida. Incrível que um cara diga um monte de asneiras e vc se preocupe com um termo técnico!
Quero meus dois pontos de volta!

Mari Biddle disse...

Lola, é tudo tão absurdo que eu só tive uma reação ao ler: copiei e colei na comunidade de Mamães Brasileiras nos EUA.


E até agora os comentários de minhas amigas virtuais vão do "completamente chocada" a desilusão de como as coisas realmente acontecem para nós, mulheres.


Beijos!

Vitor Ferreira disse...

Tem mente doente pra tudo nesse mundo...

Milla disse...

Alguém aí comentou sobre perseguição ao mercado japonês...
Olhe, me perdoe, eu leio mangás, desenho, pesquiso [não sou uma leiga falando sobre isso] e afirmo com todas as letras que se tal perseguição existe, ela é absolutamente justificada.

Lola, mesmo mangás para mulheres escrito por mulheres [shoujo, josei] contém coisas muito estranhas, pode não conter tanto estupro quanto mangás hentais, ecchi, shonen, seinen, yaoi e por aí vai, mas o nível de relacionamentos doentios, o fato de ter sempre alguém tentando ou tarando uma personagem...
No Brasil, atualmente, tem dois mangás shoujos sendo publicados chamados Kare first love e Galism.
O primeiro é muito água com açúcar, mas a personagem não quer transar - ao que tudo indica - e o namorado dela fica dizendo coisas como 'Não sei mais quanto tempo eu posso aguentar'[???] e a melhor amiga diz 'Vocês já estão namorando a 4 meses, ele tá esperando paciente a um tempão, olha, cuidado que você vai acabar perdendo ele'. Em Galism, no primeiro capítulo, a protagonista já é quase atacada por garotos [e meio que se culpa por isso] e o namorado dela é praticamente um tarado, enchendo o saco o tempo todo para transar com ela.

Milla disse...

Ah, Lola, quero lhe dizer que adoro seus textos sobre Feminismo, situação da mulher e por aí vai. Gosto muito deles!

Luma disse...

Milla, acho que quando falaram da perseguição a mangás e animes é em relação a uma coisa que principalmente a Globo adora fazer. Um exemplo que dispensa explicações é uma matéria que foi veiculada no Fantástico sobre um casal de adolescentes que fugiu de casa porque os pais não queriam que eles namorassem. A chamada da matéria foi algo mais ou menos como "Um casal de adolescentes foge de casa por causa de uma coisa chamada cosplay", sendo que não tinha nada a ver. Eles fugiram de casa por outro motivo e acontece que eles gostavam de anime e mangá e faziam cosplay. Esses dois fatores não estavam relacionados de forma alguma.
Aí depois de um tempo lá vem a Globo fazendo matérias exaltando anime e mangá por causa do centenário da imigração japonesa.
Acho que a "perseguição" diz respeito a coisas desse tipo.

Ro Salgueiro disse...

Puta merda.

Tatiana disse...

Por essas e outras que ter filhos não está na minha lista de sonhos e planos. Colocar uma criança num mundo onde "pessoas" pesquisam no Google vídeos de mulheres e crianças sendo estupradas, é no mínimo um pecado.E quando paro pra pensar nessas coisas, eu é que sinto muita vontade de vomitar!

Bjs, Lola! Texto incrível como sempre!!

Corset disse...

Credo! O pior é que há pessoas que gostam dessas coisas... acho uma vergonha, inadmissível!!! Onde já se viu fazer um jogo sobre violações?

marjorierodrigues disse...

Não sei se tô viajando, Lola, mas acho que issotem a ver com as pessoas não saberem direito o que é o sadomasoquismo.

Fica aquele discurso "ah, tem gente que gosta de bater/apanhar, isso é uma das facetas da sexualidade humana". Então tá tudo liberado. Essas pessoas não sabem direito o que é o SM e se esquecem de que, nestes grupos, as coisas são feitas de forma consensual (quando não previamente combinadas).

Por isso que eu acho que o machismo é o problema mais entranhado e mais difícil de resolver na sociedade. Porque as pessoas se revoltam com a pornografia infantil (afinal, como uma criança pode consentir?). Mas não aplicam a mesma noção de consentimento para mulheres, porque "ah, tem gente que gosta". As pessoas costumam enxergar o racismo e a homofobia com muito mais facilidade do que a misoginia. Porque a misoginia está entranhada na sociedade como sendo "normal", como sendo um reflexo das "normas de conduta" (arbitrárias) para homens e mulheres. "Homens SÃO naturalmente assim, mulheres são naturalmente assado". E fecham os olhos para o fato de que isto é uma construção.

Enfim, que até pensei em comentar esse videogame no meu blog, mas, cara, a verdade é que eu nem sei o que dizer. Porque só o fato de um negócio desses EXISTIR me deixa muito, mas muito triste.

Elyana disse...

Eu não sei nem como vc consegue escrever sobre isso, Lola. Pq quando eu vejo um tipo de coisa assim, me dá um desgosto e uma tristeza tão grande que não consigo nem raciocinar. A indústria pornográfica acertou em cheio ao explorar o ódio contra mulheres.

Anônimo disse...

Pois é Lola e a gente que não é "especialista" fica muito chocada quando há poucos dias a revista Época publicou um artigo onde Dr. fulano de tal, e mais a doutora não sei das quantas, fizeram pesquisas na casa da mãe joana e chegaram a brilhantes conclusões, tipo: "o estupro é uma fantasia recorrente nas mulheres".
Ah... me poupem! Essa historia eu ouço desde criancinha.
Só se na casa deles é assim!
Só se as mães deles são assim!
Ora a gente perde a paciência e some qualquer chance de falar com elegância!
Não duvido que existam mulheres problemáticas, assim do mesmo modo que existem homens com a mente fixada em gerar violência.
Ora há que se mudar esta cultura de violência. Mas bem disse uma leitora - é uma questão da indústria que aposta no que vai vender. Só que indústria é Economia e isto está ligado a Governo que precisa se comprometer com Educação e Cultura.
Nota mil para o texto no blog do Saramago que a leitora trouxe.
Aliás este portugues vem dando umas chamadas boas nessa horda de monstrengos que assola o planeta.
Depois vem uns senhores posudos da "sociedade" enrolando os bigodes e dizendo que não sabem como é que a Dilma tem chance? E apregoam que não se pode votar na Dilma, etc e etc...
É simples: a Dilma pode ser, esta sim, a fantasia recorrente, um sonho que as mulheres tem de um presidente que pense um pouco nesta sociedade grosseira em que vivemos, onde a mulher é cidadã de última classe.
Nem vou com a cara da Dilma, e sei que há homens maravilhosos, que nos querem ao lado deles como parceiras de vida feliz. Somos em maior número no planeta e precisamos assumir espaços políticos. Legislar e mudar o rumo.
Fatima.

Milla disse...

Ah, Luma, eu não sabia desta notícia.
O que eu costumo ouvir é um bando de rapazes reclamando quando outras pessoas abrem a boca para falar da violência sexual em mangás como se elas não existissem.
Essa aí da globo só pode ser perseguição mesmo.

Carol Fontes disse...

Eu fiquei completamente chocada com todas as informações do post e sem palavras pra acrescentar algo ao que você escreveu. Parabéns pelo texto e pela pesquisa que fez para criá-lo! Beijos =)

Somnia Carvalho disse...

He hei bá!

eu acordo feliz da vida, pensando no lado bom da humanidade, dai leio seu post e fico descrente novamente!

o texto é excelente, mas claro incomoda!

claudiamay disse...

@ Milla: procuro falar não só de produções que chegam ao Brasil, mas também das produções que não chegam. Posso te garantir que existem bons mangás, bons animês, bons tokusatsus ("bons" no sentido de não conterem essas aberrações).

@ Luma: é exatamente disso que eu falava, obrigada.

Aline S. disse...

Quem eh pior, os que desenvolvem essa industria, criando desenhos, jogos e imagens que divulgam essas ideias absurdas e doentias, OU os que consumem isso????

claudiamay disse...

@ Aline S.: Existe uma regra como "existe porque é consumido, se não fosse consumido, não existiria"?

Huntress disse...

Admito que gosto da idéia de sadismo.. Mas estupro, nossa, tem limite..
E eu chorei de rir com as buscam do google..

Anônimo disse...

O pior é q essa desgraça vai ser baixada no computador de milhares de garotos, sem nenhuma fiscalização, sem q nenhum adulto com um mínimo de consciência ao menos os faça perceber q não são semideuses imines à dor, ao sofrimento, q a vez de serem expostos a tanta violência chegará, seja atingindo alguém a quem amam(?) ou os q os sustentam ou a eles próprios. Eu trabalho numa escola pública e é aterrador ver o nível de descaso com q crianças, adolescentes, jovens e adultos (a escola funciona em tres turnos)lidam com a violência. O toque de celular de muitos deles são gritos de agonia, de dor gravados em locais de acidentes de trânsito ou durante espancamentos. Proteção de tela com cenas de corpos carbonizados em acidentes aéreos, até fotos do menino q foi arrastado pelas ruas preso no carro. Assustador ouvir meninas comentando q a Eloá deve ter feito por merecer e o orkut do namorado (ñ pode chamar assassino, podem até fechar esse blog) com milares de recados se solidarizando com ele a ponto do primo do sujeito colocar mensagem agradecendo tanto apoio ("ele é sangue bom, ela é q deixou ele maluco"-traduzindo-ñ quiz continuar namorando o psicopata). Já peguei menino de 6 anos vendo cenas de videos pornô no celular e outro video com sexo entre uma mulher e um cavalo com o endereço do link escrito em todos os quadros da escola. A parte da humanidade q ainda se escandaza com esss tem q focar na criança e no adolescente para tentar reverter esse quadro. Que aliás é o q fazem os q se beneficiam de todo esse conexto. O cérebro jovem é igual a papel, aceita tudo. Pro bem ou pro mal.

fatimapombophotos disse...

acabei no site de ler aqui,num site de noticias que o fundador da tv muçulmana em nova iorque decapitou a mulher quando ela veio lhe pedir o divorcio...

Shoujofan disse...

Fiz lá o meu texto, também. Mas acho que o seu está muito melhor.

Cantinhos da Surpresa disse...

Isso é sem dúvida,
horrivel para a mulher e ainda mais esse tipo de jogo
concordo com vc
É UMA VERGONHA!!!