skip to main |
skip to sidebar
Um dos pátios da bela Casa da Cultura, em Joinville.
Quinta à noite o maridão e eu fomos prestigiar a formatura da minha mãe. Pois é, agora, além de historiadora e antropóloga, ela também é técnica em Artes Plásticas, após estudar quatro anos na Casa da Cultura, em Joinville.
Auditório lotado. Na parede, ao alto, quadro da minha mãe em exposição (o da esquerda).
Fiquei muito orgulhosa. Não só por todas as pinturas e cerâmicas que tem feito, ou por ela ter sido escolhida a oradora da escola. Ela nem sabia, achava que era apenas a oradora da turma. Mas não, lá estava ela, falando em nome de dezenas de alunos. E isso com sotaque espanhol!
Minha mãe discursa, com as professoras assistindo.
Meu motivo de maior orgulho foi ela ter recebido um cartão das suas colegas agradecendo-lhe por ter combatido vários preconceitos delas. Minha mãe achava que era A Chata, por não ouvir calada as opiniões machistas, racistas e homofóbicas que algumas de suas colegas diziam. Ela sempre rebatia. E agora elas declaram que vão sentir falta! Isso me dá esperança que quem deseja mudar o mundo pode sim fazer a diferença, mesmo que seja de pouquinho em pouquinho, mesmo que seja tachada de cri-cri (pra não usar palavrões).Espero que em Fortaleza minha mãe faça mais arte. Ela não só adora ateliês como é realmente muito boa nisso.
Professoras, eu, minha mãe e o Silvestre, nosso querido ex-vizinho e atual Secretário de Cultura de Joinville, na primeira gestão de esquerda na história da cidade.Claro que placa de cerâmica com os números da casa (e que são um charme! Dão um outro toque à entrada de uma casa), como eu pedi faz anos, nada ainda. Mas tenho fé que na nossa nova casa tenhamos lindos números. E vocês são testemunhas que ela prometeu fazer da nossa casinha um lar digno da Frida Kahlo! Vamos cobrar.
Minha mãe e quem ela chama de sua melhor professora, a artista plástica Asta.
Lembram que eu falei que queria ter um sítio próximo à Fortaleza e bastante gente respondeu "Mas quem não quer?"? Bom, talvez você não seja de sítio e prefira ter um hotel. É, quem já não sonhou em ter um hotel com restaurante? Pra morar e trabalhar lá, sabe?
Tem este aqui, um hotel em Guaramiranga, Baturité (não me pergunte aonde é, só sei que fica na serra do Ceará. Pois é, eu também não sabia que o Ceará tinha serra). Num terreno de 35 mil m2, e 2.432 de área construída. Custa 500 mil. Sabe, o preço de um apê de 120 m2 em Floripa? Porque eu vi alguns imóveis em Floripa, e fiquei pasma.
Eu não sei se daria certo ter um hotel, mas admito que isso já passou pela minha cabeça dezenas de vezes. Tipo, toda vez que fico numa pousadinha mais caseira e sou muito bem atendida.
O que não entendo é por que, se dá pra mais ou menos se aposentar e viver da renda do hotel, muitas pessoas continuam comprando coberturas e trabalhando sem parar pra pagar essas coberturas.
Ok, mostrei praticamente todas as casas, sítios e hotéis que me interessaram vasculhando em vários sites de imobiliarias cearenses. Se algum(a) de vocês for muito minha fã e quiser me surpreender e me dar uma casinha de presente, eu não vou reclamar. O quê?! Pode acontecer, pessoas de pouca fé! Ou senão, olha só: o número de visitas do bloguinho já passou dos 500 mil. Se a cada visita o pessoal pagasse um real, pronto, eu comprava o hotel e convidava todo mundo pra pular nu nas piscinas!
Boa parte do voto em Serra é ideológico (no sentido leigo da palavra) e, para votar assim, não são necessários argumentos. Basta acreditar. E nenhum cenário é mais apropriado pro Serra que SP, um dos estados mais conservad
ores do país, com uma longa tradição malufista. Vale lembrar que Lula sempre perdeu pro adversário em SP. Sempre. Até nas eleições de 2006 Lula foi batido por Alckmin, o que realmente diz muito sobre SP.A direita paulista e do resto do país vai estar inteirinha com Serra em 2010, ou com qualquer um que seja o candidato anti-PT. Se for Aécio, belê, a direita estará com ele também. E contra Dilma a qualquer custo. A classe média de direita sente saudades da ditadura militar, quando tudo era melhor, principalmente porque havia menos gente na rua, e gente dá um nojinho, não é mesmo? E vê o golpe militar de 1964 como revolução. Sabe como é, se os corajosos militares não tivessem tomado o poder, estaríamos numa ditadura comunista até hoje. É o mesmo argumento que usam pra defender golpe em Honduras, e pra apoiar o golpe que deu errado contra Chávez em 2002 (do Chile eles não falam muito, porque é chato defender Pinochet, mas é só cutucar um pouquinho que eles vão confessar que qualquer coisa valeu a pena pra derrubar aquele comuna d
o Allende). Se os militares eram heróis, qualquer um que lutasse contra eles era bandido. Evidente. E como o governo militar era um governo legítimo (afinal, necessário pra brecar os comunas), quem protestasse contra era um bando de arruaceiro. Era terrorista. Quem é de esquerda vê com romantismo e orgulho quem lutou contra a ditadura. Pra mim, essas pessoas eram guerrilheiras. Pra eles, eram, e são, bandidos com ficha criminal. É assim que Dilma é descrita por gente com essa ideologia, a bandida com ficha criminal. Não precisa nem explicar por que ela tem ficha criminal. Pra essa gente, bandido bom é bandido morto. Outra pecha que estão querendo grudar na Dilma é a de mentirosa. Esquecem-se a
s acusações (o “caso” Lina vs Dilma, em que Dilma supostamente teria pedido pra secretária da Receita agilizar as investigações contra Sarney, e a mulher entendeu que era pra abafar—se é que houve encontro), fica só o rótulo de mentirosa. Serra não é o candidato ideal pra eles, porque não tem o pedigree de ser um direitista histórico, como Maluf ou o pessoal do DEM. Afinal, Serra foi presidente da UNE e teve que se exilar no Chile. Faltou só um pouquinho pra ele também virar terrorista e bandido com ficha criminal. Mas ele, tal e qual FHC e outros cacifes do PSDB, mudou muito nas últimas décadas. E é o que tem contra o PT, ué, é pegar ou largar, então vão com ele. Mas Serra tem que se empenhar pra convencer esses eleitores que ele merece o voto malufista. O que ele faz, então? Tenta se destacar como grande realizador de obras, um engenheiro competente.
Trata com mão de ferro qualquer manifestação popular (greve na USP, protestos em favelas), jogando a polícia em cima. Malufista gosta disso. E o que vale pra criticar Dilma não vale pro Serra, lógico. Eu rio quando leio ou ouço que a Dilma é antipática, autoritária, e grossa. Porque até parece que o Serra é um Mr. Simpatia! Mas ele pode, porque é homem. São traços que ficam bem em homens, e mal em mulheres, e como um político deve ter pulso forte, justifica-se que as mulheres sejam excluídas do poder. Além do mais, ser antipático e grosso nunca atrapalhou a carreira do Maluf. Não vai ser isso que vai atrapalhar o Serra. Pelo contrário, vai lhe render votos. Outra coisa engraçada é ainda essa pecha de mentirosa que tentam colocar na Dilma. Uma das principais armas pra isso foi a questão do currículo Lattes (que 99% da população nem sabe que existe, e isso inclui boa parte dos críticos da Dilma. Sabe, é que nem Honduras: antes do golpe militar, os direitistas nem sabiam onde ficava Honduras ou o que vinha a ser um Lattes. Pensavam que era algo que se comprava na Starbucks). O currículo Lattes
da Dilma, desatualizado desde 2000, dizia que ela era mestre e doutora, quando na realidade não se pode ser nem um nem outro a menos que se defenda a tese. E Dilma apenas cursou os créditos de cada curso, sem escrever ou defender uma tese. Pega mal pacas mentir sobre isso, mas a verdade é que o Lattes não é tão fácil de preencher, e eu canso de ver currículo de gente que está cursando o mestrado colocar, sem querer, que o mestrado foi concluído. O que Dilma devia ter feito? Tirado o seu Lattes de campo em 2000, lógico, assim que abandonou a carreira acadêmica, já que um Lattes não tem importância alguma pra um político. Tentem encontrar o Lattes do Serra ou do FHC. Não tá lá.Acontece que o histórico escolar do Serra também é muito suspeito. Ele passou a vida toda dizendo-
se engenheiro e economista, quando não concluiu nenhum dos cursos (largou porque pediu exílio ao Chile). Só é engenheiro quem tem diploma de engenharia, certo? Aí Serra foi pros EUA e, em dois anos, um recorde, fez mestrado e doutorado. Eu sinceramente não sei como alguém pode fazer mestrado e doutorado em dois anos, ainda mais sem ter diploma universitário. Tipo, até pra conseguir meu título de doutora depois de defender a tese, um entre os vários documentos que precisei entregar à secretaria foi uma cópia autenticada do meu diploma universitário. Mesmo eu tendo feito mestrado na mesma instituição, sem o diploma universitário, nada feito. Aliás, não tem nem como entrar no programa de mestrado sem o diploma. Mas a mídia, que apoia o Serra e o PSDB desde criancinha, não investiga isso
, porque não é interessante. Só que a diferença de tratamento é gritante. Foi a revista Piauí que foi atrás e descobriu que Dilma não era mestre ou doutora. Mês passado, a revista fez uma reportagem extremamente elogiosa sobre Serra, e lá pelas tantas toca na questão do seu diploma. Um de seus amigos entrevistados na matéria admite que Serra não tem diploma universitário, “e daí?”. E afirma que essa fixação pelo diploma é algo tão mesquinho, fútil, classe média... Pois é, mas o Lula é chamado de analfabeto desde 89, no mínimo, por não ter diploma universitário. E a Dilma é chamada de mentirosa porque seu currículo Lattes dizia que ela era mestre e doutora. Mas, no caso do Serra passar a vida dizendo-se engenheiro, é “e daí?”. Isso é porque detalhes como fatos não têm importância. O que importa é a ideologia. E, nesse caso, nem tem que ser muito a favor de alguém. Basta ser muito contra o outro.
Nem numa cama Edward se anima.Mas, antes, sobre Crepúsculo, que acabei de rever (minha mãe pegou o dvd porque nunca tinha visto).
- Qualquer filme que termina com a protagonista (uma mocinha, excepcionalmente) dizendo "Eu sei o que quero" não pode ser considerado machista no meu livro. Inclusive, depois dessa fala, a última imagem de Crepúsculo é puro kick ass grrrl power. Fecha com a figura de Victoria, a vampira do mal. Não faz muito sentido que a última imagem seja dela, pois ela aparece pouquíssimo tanto aqui quanto em Lua Nova. Mas o que um personagem sábio fala sobre ela antes é "Não a subestime". Será que isso vale pra Bella também? (E reparem na decepção de Bella ao conhecer o quarto de Edward. Sua primeira linha é: "Não tem cama?").
- Tem um comp
onente importante faltando na equação "Bella como vítima de violência doméstica": o medo. A protagonista repete umas cinco vezes pro Edward que não tem medo dele. Em geral, mulheres que apanham ou são ameaçadas pelo companheiro têm muito medo. Tanto que, mesmo após anos separadas do marido, é comum que elas reajam exageradamente a qualquer detalhe do dia a dia, como um tapinha nas costas. Isso definitivamente não acontece com Bella.
E agora algumas observações que não couberam na minha crônica sobre Lua Nova:
- Seguem a pleno vapor as referências à gostosura de Bella. Um vampiro mal intencionado lhe diz que ela é muito apetitosa e o faz salivar. Mais tarde, um lobi fala: “Pode entrar, não vamos te morder”. Ao que um outro emenda: “Fale por você”. Quer dizer, todo mundo quer comer Bella, menos o Edward. (Ainda prefiro a fala de Crepúsculo do vampiro caçador pra Edward, sobre Bella: "Ah, você trouxe um lanchinho?"). - Por que todo mundo, inclusive Bella, fica tratando o pai como Charlie? Por que o pessoal não diz “Faça pelo seu pai”, ao invés de “Faça pe
lo Charlie”? Eu ficava pensando nos malditos vietcongues, que eram chamados de charlie pelos americanos.- Sei que é absurdo mencionar isso num filme com vampiros, lobisomens, e adolescentes de 109 anos virgens, mas o mais inverossímil da trama inteira é um carinha vomitar no meio de um filme de ação. Nem em filme do Stalla alguém leva a ânsia às últimas consequências.- Uma das falas românticas de Edward pra Bella é: “
Largar você foi o pior erro que cometi em 109 anos”. O maridão nervosinho tinha brigado comigo antes do filme. Portanto, quando passou aquela cena, eu pus minhas garras no seu braço. E, na saída do cinema, mandei que ele dissesse: “Brigar com você foi a coisa mais ridícula que fiz nos meus 52 anos”. Ele: “Brigar com você foi a coisa mais ridícula que fiz nos meus 52 anos. Isso e assistir um certo filminho aí”.
Ontem um leitor deixou um comentário aqui no bloguinho dizendo que o Lombardi havia morrido. Quando contei isso pro maridão, a reação dele foi igual a minha: “Quem é Lombardi? Aquele do Silvio?”. Acho que nunca havia visto uma foto do homi antes desta semana. Como não vejo TV, muito menos programa do Silvio Santos (se bem que, faz uns anos, peguei a febre do começo do Show do Milhão — até mandei perguntas, nunca selecionadas), mal sabia que o Lombardi estava vivo. Mas entendo por que ele é importante. Faz parte da nossa infância. Acompanhei o maridão ao oftalmologista na quinta e, enquanto aguardava na sala de espera, vi na TV a grande cobertura que uma emissora concorrente dava ao enterro do Lombardi (quando contratam um helicóptero pra imagens aéreas ao vivo, é porque a cobertura é grande). E fiquei pensando: pô, se esse carnaval é com u
m narrador sem rosto, só por conta de uma voz e um nome, imagina o que vai acontecer quando o patrão dele morrer. Sim, porque Senor Abravanel já tem quase 80 anos e, se tudo seguir o curso natural da vida, eu, com 42, estarei aqui quando ele se for. Não digo isso como torcida, mas como pura constatação. Não gosto dele, não vou chorar, politicamente ele é abjeto (ele saiu candidato a presidente em 89 por um partido nanico, após ser convencido pelo PFL, atual DEM, aquele dos panetones; depois teve a candidatura cassada), mas lógico que ele é hiper famoso no Brasil inteiro. É um ícone, s
em dúvida. Mas nenhuma alma me avisou da morte da atriz Leila Lopes. Isso eu vi num jornal online, e minha primeira reação foi “Quem é ela? O nome soa familiar”. E é: qualquer atriz que faça cinco novelas na Globo é conhecida, nem que seja por nome. Li que ela foi a professorinha Lu em Renascer, e esteve também em outras novelas “rurais” (pra mim, as piores, sempre), como O Rei do Gado. Parece que ela se matou tomando remédio
de rato. Deixou bilhetes pra família e tal.É estranha essa nossa relação com a morte de celebridades. A gente pode não ter ouvido falar na figura durante anos, décadas até, mas a notícia da sua morte parece que encerra um ciclo pra gente. Eu não sabia mais nada da vida de Leila. Não sabia que ela não fazia novelas desde 2000. Não sabia que ela fez filmes pornôs após deixar de ser chamada pela TV. E não sei por que esses reality shows com celebridades não chamam pessoas como ela. O que mais me chocou foi saber que ela tinha cinquenta anos, e não os quarenta que dizia em seus documentos
e entrevistas. É tão fácil assim falsificar documentos? E é uma necessidade pra uma atriz mentir a idade? Só sei que, se eu fico abalada com a morte de gente famosa que é meio desconhecida, imagina quando morrer deus (Chico Buarque). Não quero estar aqui pra var isso. Quer dizer, quero estar aqui por muito tempo, o máximo possível, mas realmente gostaria que o Chico vivesse mais do que eu.