Se alguém puder dar um pulinho, hoje tem noite de autógrafos na Livraria Cultura (no Varanda Mall, Av. Dom Luis, 1010), em Fortaleza, das 19 às 21 horas. Tenho poucos livros pra vender a esta altura (só vinte e poucos), mas apareça lá nem que seja pra dizer oi, dar um abraço, me presentear com chocolate... E conhecer o maridão e La Mamacita!
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sexta-feira, 14 de setembro de 2012
domingo, 8 de janeiro de 2012
UM DIA INTEIRO COM AMIGAS NA PRAINHA
Antes da gente se mudar de Joinville pra Fortaleza (vai fazer dois anos no final de janeiro!), o maridão e minha mãe pensavam que iríamos morar em frente à praia, dormir numa rede ao ar livre e ficar o dia inteiro tomando água de coco. Acho que todo mundo passa por essa ilusão. Eu sabia que não seria assim, que eu estava vindo pra cá pra trabalhar na universidade. Mas também, admito, não pensei que iria trabalhar tanto e que não teria fim de semana ou feriado pra curtir uma praia.
Tem gente aqui do Nordeste que gosta de dizer pro pessoal mais ao Sul: “Eu moro onde você tira férias”. Parece um slogan bacana, mas, pô, eu também moro aqui e morria de vergonha em revelar que, em um ano e meio de Fortaleza, ainda não tinha pisado na praia (mês passado passei três dias de sonho em Paracuru e tirei o atraso, e agora quero viajar de carro durante uns dez dias por estados vizinhos, chegando até João Pessoa, que ainda não conheço).
Usando legenda que colocaram no Facebook: Lolinha e macaxeira, um caso de amor.
Essa greve de praia acabou quando uma amiga querida veio de Belo Horizonte pra cá, no início de novembro. Como eu não sou a pessoa mais saideira do mundo (e o maridão foi participar dos Jogos Abertos em SC), tivemos que recorrer a outra amiga querida, a Manu, que é como se fosse uma animadora de torcida. Go, Manu!
E lá foi ela convocar o lindo namorado, o Caio, pra nos levar a Prainha (que, pelo Google Maps, na realidade fica no município de Aquiraz). Minha mãe foi também.
Infelizmente não tiram
os muitas fotos (e infelizmente não há nenhuma foto do Caio). Nosso dia na praia foi num sábado com pouca gente. A água do mar estava ótima, mas o mar tinha suas ondas de afogar Lolinhas. Aliás, acho que logo a primeira já me levou pra longe. Eu ainda não tinha comprado um maiô e estava usando um de mais de cinco anos atrás, com elástico totalmente vencido. Não segurava mais nada. E, na primeira onda, a parte de cima do maiô se foi. Claro, em seguida eu pus as alças no lugar, mas tive que aguentar Ju e Manu dizendo que eu “paguei peitinho”. Que, no meu caso, seria pagar peitão.
Mas andando mais pra frente na praia descobrimos o paraíso. Era uma lagoa separada pela areia (de um lado o oceano, do outro a lagoa), rasinha, sem ondas. Entrei lá e não quis mais sair. Aquilo lá é bom demais. É onde uns rapazes ficam fazendo kite surfing o dia inteiro. Mas eles têm o cuidado de não atropelar ninguém. A gente ficou lá horas, fofocando, rindo. E tadinho, o maridão ainda não conheceu o lugar (se bem que você foi lembrado nas conversas. Falaram que se você estivesse lá eu iria "dar uma de Cicarelli", ou algo do tipo). Mas, como eu já disse, é minha resolução de ano novo ir à praia uma vez por mês.
Depois a gente (principalmente Ju e eu) trocou toda a pele. Fazia tempo que eu não descascava tanto. Posso até entender que certas jararacas descamem, mas e eu? E olha que a gente usou bronzeador, só não usou o suficiente pra bloquear o sol de Fortaleza.
Tem gente aqui do Nordeste que gosta de dizer pro pessoal mais ao Sul: “Eu moro onde você tira férias”. Parece um slogan bacana, mas, pô, eu também moro aqui e morria de vergonha em revelar que, em um ano e meio de Fortaleza, ainda não tinha pisado na praia (mês passado passei três dias de sonho em Paracuru e tirei o atraso, e agora quero viajar de carro durante uns dez dias por estados vizinhos, chegando até João Pessoa, que ainda não conheço).
Usando legenda que colocaram no Facebook: Lolinha e macaxeira, um caso de amor.Essa greve de praia acabou quando uma amiga querida veio de Belo Horizonte pra cá, no início de novembro. Como eu não sou a pessoa mais saideira do mundo (e o maridão foi participar dos Jogos Abertos em SC), tivemos que recorrer a outra amiga querida, a Manu, que é como se fosse uma animadora de torcida. Go, Manu!
E lá foi ela convocar o lindo namorado, o Caio, pra nos levar a Prainha (que, pelo Google Maps, na realidade fica no município de Aquiraz). Minha mãe foi também. Infelizmente não tiram
os muitas fotos (e infelizmente não há nenhuma foto do Caio). Nosso dia na praia foi num sábado com pouca gente. A água do mar estava ótima, mas o mar tinha suas ondas de afogar Lolinhas. Aliás, acho que logo a primeira já me levou pra longe. Eu ainda não tinha comprado um maiô e estava usando um de mais de cinco anos atrás, com elástico totalmente vencido. Não segurava mais nada. E, na primeira onda, a parte de cima do maiô se foi. Claro, em seguida eu pus as alças no lugar, mas tive que aguentar Ju e Manu dizendo que eu “paguei peitinho”. Que, no meu caso, seria pagar peitão.
Mas andando mais pra frente na praia descobrimos o paraíso. Era uma lagoa separada pela areia (de um lado o oceano, do outro a lagoa), rasinha, sem ondas. Entrei lá e não quis mais sair. Aquilo lá é bom demais. É onde uns rapazes ficam fazendo kite surfing o dia inteiro. Mas eles têm o cuidado de não atropelar ninguém. A gente ficou lá horas, fofocando, rindo. E tadinho, o maridão ainda não conheceu o lugar (se bem que você foi lembrado nas conversas. Falaram que se você estivesse lá eu iria "dar uma de Cicarelli", ou algo do tipo). Mas, como eu já disse, é minha resolução de ano novo ir à praia uma vez por mês.
Depois a gente (principalmente Ju e eu) trocou toda a pele. Fazia tempo que eu não descascava tanto. Posso até entender que certas jararacas descamem, mas e eu? E olha que a gente usou bronzeador, só não usou o suficiente pra bloquear o sol de Fortaleza.
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domingo, 6 de março de 2011
INSCREVA-SE PRO I ENCONTRO DE BLOGUEIROS DO CEARÁ
Já tem várias coisas começando a se definir para o I Encontro de Blogueiros Progressistas do Ceará. Será nos dias 28 e 29 de maio no CUCA (Centro Urbano de Cultura, Arte, Ciência e Esporte) Che Guevara, em Fortaleza. O tema central é o marco regulatório da mídia. Quem será convidado pra debater: o ex-ministro da Comunicação Social Franklin Martins, a deputada Luiza Erundina (PSB-SP), a deputada cearense Rachel Marques (PT), entre outr@s. Não precisa ser necessariamente blogueir@ pra participar. Pode ser tuiteiro, usuário de redes sociais, ou simplesmente gente interessada ou que pretende começar um blog. Inscrições pelo blogdadilma13@gmail.com ou pelo telefone (85) 9620-7430. A comissão organizadora está fazendo de tudo (procurando patrocínios etc) para que as inscrições sejam de graça. Já há quarenta pessoas inscritas. Vamulá: quem mora aqui perto não pode faltar.
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O II Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas também já está marcado. Será em Brasília, nos dias 17, 18 e 19 de junho. Sugestões de programação e debate podem ser mandadas para contato@baraodeitarare.org
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O II Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas também já está marcado. Será em Brasília, nos dias 17, 18 e 19 de junho. Sugestões de programação e debate podem ser mandadas para contato@baraodeitarare.org
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domingo, 26 de dezembro de 2010
COMPARANDO NATAIS
Ai, tô com um desânimo pra escrever no blog... E vocês pra lerem, né? Vamulá, confessem: as pessoas deixam sites e blogs de lado nas férias. Eu tô pensando em dar um tempinho, até porque não estou de
férias (só as terei em julho) e preciso montar uma disciplina inteira de Poesia em Língua Inglesa até o final de janeiro. E tem os congressos de praxe, com suas publicações. E o tempo voando.
Bom, meu natal foi ótimo. Minha mãe preparou uma super tábua de frios com torradinhas, salame e vários queijos (camembert, gorgonzola, estepe ― tem um supermercado aqui perto que vende queijo quase pela metade do preço dos outros, o que explica por que estou me alimentando de gorgonzola faz alguns meses. De
ve fazer um bem danado pra saúde!). Eu ataquei esses frios com vigor, e quase desisti do prato principal (torta de frango). Por falar na torta, o gás do fogão acabou bem no meio do cozimento. Felizmente, temos duas cozinhas em casa (uma pra minha mãe, na parte de baixo, outra pra gente, na de cima), e levamos a torta para o nosso forno, torcendo para que o gás não acabasse lá também. Acabou dando tudo certo.
Como sobremesa, torta de chocolate, a famosa Sacher Torte, que eu comi bem pouquinho porque já falei da tábua de frios?
Refletimos durante a ceia, nós três ― eu, maridão, minha mãe, com participação especial do Calvin, que insisti
a muito em subir na mesa ―, que estamos numa situação muito melhor agora do que no natal passado. Em dezembro de 2009, minha mãe tava numa lista de espera, precisando ser operada da catarata; nossa casa em Joinville ainda não havia sido vendida, nem havia previsão; íamos nos mudar pra Fortaleza sem saber se eu seria contratada pela UFC; tinha todos os problemas logísticos de uma mudança enorme, de uma região a outra do país. Enfim, tava tudo no ar, grande indefinição, e eu já havia passado quase um semestre praticamente sem renda. E hoje tá tudo certo: minha mãe conseguiu operar a catarata (aqui em Fortaleza), vendemos a casa e
m Joinville, compramos uma aqui, fui empossada na UFC em março, recebo o que pra minha realidade é salário de gente rica... Estaria tudo na mais perfeita ordem se o maridão estivesse bem empregado (ele até que trabalhou bastante, ganhou torneios, mas precisa ter uma atividade mais constante; deve acontecer em 2011) e, principalmente, se nossa linda casinha não estivesse despencando. Chuif! Fizemos uma reforma grandinha em abril e maio e a casa tava um brinco, todos os móveis, estantes, quadros no lugar. Mas aí, uns dez dias atrás, o piso da sala começou a se levantar sozinho! Choveu muito, e a umidade fez com que o piso se desprendesse. Não é um problema estrutural (ainda bem!).
Segundo nosso pedreiro, o piso da sala (que era novinho e de ótima qualidade ― nem mexemos nele durante a reforma) foi colado em cima de outro piso com uma argamassa inadequada, e por isso está soltando. Tanto que não tá acontecendo nada com o piso por baixo. A gente pensava, inicialmente, que daria pra fazer um recorte nessa parte que soltou. Mas no dia seguinte mais pisos se levantaram. Não tem jeito: vamos ter que tirar tudo e colocar um piso novo. Sabe o que é tudo? É TUDO: sala, sala de jantar, cozinha, quarto da minha mãe, área. Tudo lá embaixo, menos o banheiro (que foi inteiramente reformado em maio). Dá uns 80 metros quadrados. Não quero nem ver quanto vai custar. Mas teremos que tirar tudo, até as duas estantes colocadas sob medida. Estou devastada e querendo adiar essa reforma ao máximo, porque estou sem tempo de escolher piso e fazer mil e uma coisas agora. Não era pra isso ter acontecido! 
Se não fosse esse problemão do Levante dos Pisos que saiu do nada, estaria tudo bem. Logo... o natal de 2011 será muito melhor que este! Sou uma otimista incorrigível, eu sei.
férias (só as terei em julho) e preciso montar uma disciplina inteira de Poesia em Língua Inglesa até o final de janeiro. E tem os congressos de praxe, com suas publicações. E o tempo voando.Bom, meu natal foi ótimo. Minha mãe preparou uma super tábua de frios com torradinhas, salame e vários queijos (camembert, gorgonzola, estepe ― tem um supermercado aqui perto que vende queijo quase pela metade do preço dos outros, o que explica por que estou me alimentando de gorgonzola faz alguns meses. De
ve fazer um bem danado pra saúde!). Eu ataquei esses frios com vigor, e quase desisti do prato principal (torta de frango). Por falar na torta, o gás do fogão acabou bem no meio do cozimento. Felizmente, temos duas cozinhas em casa (uma pra minha mãe, na parte de baixo, outra pra gente, na de cima), e levamos a torta para o nosso forno, torcendo para que o gás não acabasse lá também. Acabou dando tudo certo. Como sobremesa, torta de chocolate, a famosa Sacher Torte, que eu comi bem pouquinho porque já falei da tábua de frios?
Refletimos durante a ceia, nós três ― eu, maridão, minha mãe, com participação especial do Calvin, que insisti
a muito em subir na mesa ―, que estamos numa situação muito melhor agora do que no natal passado. Em dezembro de 2009, minha mãe tava numa lista de espera, precisando ser operada da catarata; nossa casa em Joinville ainda não havia sido vendida, nem havia previsão; íamos nos mudar pra Fortaleza sem saber se eu seria contratada pela UFC; tinha todos os problemas logísticos de uma mudança enorme, de uma região a outra do país. Enfim, tava tudo no ar, grande indefinição, e eu já havia passado quase um semestre praticamente sem renda. E hoje tá tudo certo: minha mãe conseguiu operar a catarata (aqui em Fortaleza), vendemos a casa e
m Joinville, compramos uma aqui, fui empossada na UFC em março, recebo o que pra minha realidade é salário de gente rica... Estaria tudo na mais perfeita ordem se o maridão estivesse bem empregado (ele até que trabalhou bastante, ganhou torneios, mas precisa ter uma atividade mais constante; deve acontecer em 2011) e, principalmente, se nossa linda casinha não estivesse despencando. Chuif! Fizemos uma reforma grandinha em abril e maio e a casa tava um brinco, todos os móveis, estantes, quadros no lugar. Mas aí, uns dez dias atrás, o piso da sala começou a se levantar sozinho! Choveu muito, e a umidade fez com que o piso se desprendesse. Não é um problema estrutural (ainda bem!).
Segundo nosso pedreiro, o piso da sala (que era novinho e de ótima qualidade ― nem mexemos nele durante a reforma) foi colado em cima de outro piso com uma argamassa inadequada, e por isso está soltando. Tanto que não tá acontecendo nada com o piso por baixo. A gente pensava, inicialmente, que daria pra fazer um recorte nessa parte que soltou. Mas no dia seguinte mais pisos se levantaram. Não tem jeito: vamos ter que tirar tudo e colocar um piso novo. Sabe o que é tudo? É TUDO: sala, sala de jantar, cozinha, quarto da minha mãe, área. Tudo lá embaixo, menos o banheiro (que foi inteiramente reformado em maio). Dá uns 80 metros quadrados. Não quero nem ver quanto vai custar. Mas teremos que tirar tudo, até as duas estantes colocadas sob medida. Estou devastada e querendo adiar essa reforma ao máximo, porque estou sem tempo de escolher piso e fazer mil e uma coisas agora. Não era pra isso ter acontecido! 
Se não fosse esse problemão do Levante dos Pisos que saiu do nada, estaria tudo bem. Logo... o natal de 2011 será muito melhor que este! Sou uma otimista incorrigível, eu sei.
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terça-feira, 7 de dezembro de 2010
DADOS DO BOM CENSO
Adoro os dados do censo. É tão bom saber qual a população dos lugares que a gente ama! Joinville cresceu quase 20% em dez anos, e agora já tem 515 mil habitantes. Floripa, 421 mil. Blumenau, 309 mil.
As três maiores capitais do país seguem sendo SP, Rio e Salvador, mas Brasília ultrapassou Belo Horizonte e agora é a quarta. Fortaleza, com seu quase dois milhões e meio de habitantes, continua em quinto. Curitiba e Porto Alegre foram lá pra trás, agora em oitavo e décimo lugar, respectivamente (dá pra ver a população de todos os municípios aqui, mas use o espaço pra busca). Outro dado que amei é que o Brasil, cuja população atual é de quase 191 milhões (acho que não deveríamos arredondar pra 200 mi tão cedo), já tem 23 mil pessoas com mais de cem anos. A expectativa média de vida do brasileiro chegou a 73 anos.
E o país tem 3,9 mi a mais de mulheres que homens. Em compensação, essa diferença está bem distribuída. A cidade com maior porcentagem de mulheres é Santos, e é só 54%. Balbinos, uma cidadezinha no interior de SP, tem 88% de homens. Foi a cidade brasileira que mais cresceu do último censo pra cá. Por quê? Porque foi construída uma prisão lá.
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sexta-feira, 23 de julho de 2010
RESPOSTA AO POST SOBRE PLANO DE SAÚDE
Respondendo de forma geral aos ótimos comentários no post de ontem, sobre minha decepção com a Unimed: um dos motivos pelos quais nunca tive plano de saúde até agora (só num breve período enquanto vivia com meus pais e era adolescente) é ideológico. Na minha concepção, saúde é um
direito de todo cidadão. E saúde deve ser pública e de boa qualidade, simples assim. Outro motivo é que eu não sou uma alienada, e sei muito bem que as empresas de sáude são recordistas (acho que só perdem pra empresas de telefonia, né?) em número de reclamações. Os planos de saúde são ruins e cheios de exceções nas suas coberturas. Nunca confiei neles, e nunca achei que, por ser de classe média, eu tinha a obrigação de contratar um. Tanto que, quase sempre, eu era a única do meu grupo de amigos sem plano. E, pra ser sincera, nunca me fez falta, até porque sou muito saudável, apesar de obesa. E o atendimento pelo SUS em Joinville é bastante bom. Não vou me esquecer jamais quando tive um pequeno incômodo ginecológico e, seguindo a recomendação de uma amiga, fui consultar a ginecologista dela, pa
gando uma consulta social (que hoje custa entre 100 e 160 reais; aqui em Fortaleza, esse termo nem existe). Lembro que, além de eu ter que ficar uma hora e pouco esperando, a médica, que nunca tinha me visto, me atendeu em dez minutos. Pô, eu fazia papanicolau no posto de saúde próximo de casa a cada dois anos, e conhecia bem o atendimento pelo SUS: era excelente! Quem fazia o exame eram enfermeiras super competentes, que conversavam contigo antes e depois e faziam o máximo pra você não se sentir desconfortável. Pra marcar consulta é que demorava, e antes tinha que passar por uma palestra em que a mesma enfermeira explicava a todas as pacientes como funcionava o exame, e falava de métodos contraceptivos, de prevenção a doenças etc. Eu chamo isso de saúde de qualidade. E a que eu recebi pela médica particular – e paguei por ela – foi totalmente diferente. Acho também que nós, de classe média, sofremos propaganda demais, e acreditamos nela. Imagine só, todos os seus amigos têm plano de saúde, todos alardeiam os perigos terríveis que é depender da saúde
pública (apesar de uma boa parte deles nunca ter chegado perto de um SUS). É meio como a propaganda que fazem contra o sistema de transporte público. Aquilo: “Você TEM que ter um carro! Carro é um item de primeira necessidade! Ônibus é horrível!”... vindo de gente que nunca andou de ônibus na vida. Isso eu sempre ouvi. Ouvia em SP, em Floripa, em Joinville, em Detroit, ouço agora em Fortaleza. E eu sempre andei de ônibus, e não é tão traumático assim. Aliás, sorry, mas o sistema de ônibus em cidades menores, como Joinville e Floripa, é bastante bom. Aqui em Fortaleza, fiz a opção de comprar uma casa bem perto do trabalho para poupar tempo (e, a longo prazo, dinheiro), então não ando muito de ônibus. Mas já andei, e não achei ruim. Um colega meu, professor também, não sabe dirigir, e sempre andou de ônibus. E a propaganda que ele ouviu
contra o transporte público daqui foi tamanha que ele quase desistiu de largar Floripa pra vir morar em Fortaleza. E agora ele tá aqui, e pega ônibus numa boa todo dia, e não vê problema nenhum.
Não sei se, no fundo, essa propaganda com que somos bombardeados contra tudo que é público (menos educação superior) não é uma forma de esnobismo, de nos colocarmos acima da massa ignara. SUS é coisa de pobre, sabe? Ônibus também; você até encosta naqueles seres fedorentos, argh! E nós, óbvio, estamos tão acima disso... E não porque tivemos a sorte descomunal de nascer classe média, mas porque merecemos! Nós nos esforçamos! Nós sustentamos esse país! Etc etc (já ouvimos esse discursinho antes).
Mas, como eu disse, fiquei mal-impressionada com a saúde pública em Fortaleza logo que cheguei. Acredi
to também que falhei ao não dar uma segunda chance. Pode ser que eu fui querer ser atendida da minha surdez temporária num hospital de emergência, e lá me deixaram claro que estar surda, com pouca dor, não era uma emergência – emergência era ter um objeto dentro do ouvido, ou sangramento, ou coisa pior (o que pode ser pior, eu não sei). Naquela ocasião, no final de fevereiro, uma assistente de enfermagem do hospital, muito simpática, recomendou que eu procurasse um médico popular, e me explicou aonde era. Eu fui lá. São várias clínicas numa mesma rua, com as mais diversas especialidades médicas. A consulta custa uns 50 reais, e posso imaginar como deve ser o atendimento (médico nem olha pro paciente, já tem a receita pronta etc). O problema é que também tem fila de espera, e estava lotado. Mas essa é uma modalidade que vem crescendo no Brasil; eu já tinha
notado em SC – a medicina privada “acessível” à classe C e, talvez, D. Quando um dos meus milhões de exames médicos venceu, fiz uma bateria de exames (sangue, detecção de doença de chagas, o diabo a quatro) numa clínica particular popular em Joinville, e paguei menos de 50 reais. Foi rápido e indolor, o que realmente me faz pensar se ter plano de saúde faz sentido do ponto de vista econômico. Se eu e o maridão, que, com sorte, não vamos precisar de mais que uma consulta de rotina uma vez por ano, pagarmos 50 reais cada por uma dessas populares, e mais, sei lá, 50 por algum exame, não vale mais a pena que os 180 que estamos desembolsando todo mês? Se a gente aplicar esses 180 por mês pra usar numa emergência, num pronto-atendimento, não sai muito mais em conta? Sem dúvida que sai. Sei que o risco maior é precisar ser internado, precisar de uma cirurgia – isso sim sai uma nota. Mas será que esse terror de que “o SUS vai me deixar morrer
na porta do hospital!” não é só mais um mito, uma lenda urbana espalhada por pessoas da classe média para outras pessoas da classe média? Um mito, inclusive, alegremente divulgado pela mídia, que tem entre seus anunciantes empresas de saúde privada?
Por outro lado, no dia em que fui atendida da minha surdez temporária no hospital de emergência em Fortaleza, eu (e o maridão, que estava comigo) perambulamos pelos corredores do hospital até encontrar o local certo, e o que vimos não foi bonito. Havia macas nos corredores. E todo mundo (menos os médicos) era muito mais pobre que a gente. E eu me senti mal por eu, prestes a ganhar 5 mil reais por mês, salário de rico, estar tirando o atendimento de alguém que precise mais do que eu, e que não pode pagar. Na semana seguinte, eu e o maridão já estávamos pesquisando empresas de saúde privada.
E mais: comecei a fazer pressão para que meus dois irmãos ajudassem a pagar um plano para a minha mãe. O mais barato, da Hapvida, custava 270 mensais. O da Unimed, mais de 500. Minha mãe sobreviveu numa boa em Joinville sem plano, e olha que, por ser idosa, ela precisa de muito mais atendimento que pessoas da minha idade. O que nos incomodava é que ela estava com catarata, progredindo bem rápido, sem grandes expectativas de ser operada logo. Em Joinville, ela estava na fila de espera de uma consulta para uma futura cirurgia havia vários meses, e nós estávamos preocupadas com o quanto demoraria até ela ser operada em Fortaleza. Minha mãe não foi atrás nem nada, mas eu falei com uma amiga cuja mãe está relacionada com a saúde pública daqui, e ela marcou uma consulta pra minha mãe com uma oftalmologista do SUS. Esse foi o único empurrãozinho que ela deu – marcar a consulta. Minha mãe foi lá, foi muito bem atendida, e a cirurgia foi marcada pra três dias depois da consulta. Quer que eu repita?
Três dias depois da consulta! Isso foi em abril. Sábado último minha mãe operou o segundo olho. Tudo pelo SUS. Hoje ela não tem mais catarata.
E aí eu comparo com o atendimento que eu recebi pra uma simples alergia, e penso: acho que minha mãe está melhor servida pelo SUS que pela Unimed! Quer dizer, você acha que eu vou pagar 500 reais por mês pra minha mãe esperar 3,5 horas por uma consulta de 7 minutos? A verdade é que ainda não sabemos como funcionam por aqui os postos de saúde, o hospital universitário, e outros serviços. Certamente um hospital para emergências não é o melhor lugar para uma consulta com otorrino!
Sobre os anônimos que ahn, começaram comentários com “você, que se diz comunista...” (quando que eu disse que sou comunista? Favor fazer uma busca: digite comunista no espacinho aí de cima e veja se aparece alguma revelação. Eu tô curiosa, porque ne
m sabia que era comunista!), e querem saber por que o SUS é uma droga se o governo Lula é tão maravilhoso. Primeiro que eu acho incrível comentários assim, já que a minha crítica toda é para a Unimed, uma empresa privada. São vocês que acham que tudo que é privado é bom, e tudo que é estatal é uma droga. São vocês que querem privatizar tudo, inclusive saúde, educação, e segurança, não nós. Pelo contrário: nós votamos em partidos e candidatos que não têm essa sanha privatizante que vimos no governo passado. A saúde no Brasil é ruim, mas privatizar tudo não é a solução. Recomendo fortemente o documentário Sicko - SOS Saúde, do Michael Moore, pra ver como é o sistema de saúde naquele país onde tudo funciona, os EUA. É o pior sistema de saúde no mundo entre os países desenvolvidos. O Brasil é um país em desenvolvimento. Já estamos muito distantes de países pobres, e hoje a comunidade internacional realmente nos vê como o país do futuro. Mas falta pra chegar lá. E é uma besteira achar que dá pra chegar lá só pensando no econômico, sem investir no social. O governo Lula deu passos importantes, mas a situação está longe da perfeição, e falta muito a fazer. O que não devemos fazer é voltar a eleger um governo sem um projeto social.
Como sabemos que o PSDB/DEM não tem um projeto social? Bom, é só analisar os oito anos de FHC e, se isso não for suficiente, ver o nível de perfeição na saúde e educação em SP, estado governado pelo PSDB há 16 anos. Mas por que nós, da classe média, vamos nos preocupar com o SUS? A gente tem plano de saúde! E tudo que é privado é magnífico, e o senhor é meu pastor e nada me faltará.
pública (apesar de uma boa parte deles nunca ter chegado perto de um SUS). É meio como a propaganda que fazem contra o sistema de transporte público. Aquilo: “Você TEM que ter um carro! Carro é um item de primeira necessidade! Ônibus é horrível!”... vindo de gente que nunca andou de ônibus na vida. Isso eu sempre ouvi. Ouvia em SP, em Floripa, em Joinville, em Detroit, ouço agora em Fortaleza. E eu sempre andei de ônibus, e não é tão traumático assim. Aliás, sorry, mas o sistema de ônibus em cidades menores, como Joinville e Floripa, é bastante bom. Aqui em Fortaleza, fiz a opção de comprar uma casa bem perto do trabalho para poupar tempo (e, a longo prazo, dinheiro), então não ando muito de ônibus. Mas já andei, e não achei ruim. Um colega meu, professor também, não sabe dirigir, e sempre andou de ônibus. E a propaganda que ele ouviu Não sei se, no fundo, essa propaganda com que somos bombardeados contra tudo que é público (menos educação superior) não é uma forma de esnobismo, de nos colocarmos acima da massa ignara. SUS é coisa de pobre, sabe? Ônibus também; você até encosta naqueles seres fedorentos, argh! E nós, óbvio, estamos tão acima disso... E não porque tivemos a sorte descomunal de nascer classe média, mas porque merecemos! Nós nos esforçamos! Nós sustentamos esse país! Etc etc (já ouvimos esse discursinho antes).
Mas, como eu disse, fiquei mal-impressionada com a saúde pública em Fortaleza logo que cheguei. Acredi
to também que falhei ao não dar uma segunda chance. Pode ser que eu fui querer ser atendida da minha surdez temporária num hospital de emergência, e lá me deixaram claro que estar surda, com pouca dor, não era uma emergência – emergência era ter um objeto dentro do ouvido, ou sangramento, ou coisa pior (o que pode ser pior, eu não sei). Naquela ocasião, no final de fevereiro, uma assistente de enfermagem do hospital, muito simpática, recomendou que eu procurasse um médico popular, e me explicou aonde era. Eu fui lá. São várias clínicas numa mesma rua, com as mais diversas especialidades médicas. A consulta custa uns 50 reais, e posso imaginar como deve ser o atendimento (médico nem olha pro paciente, já tem a receita pronta etc). O problema é que também tem fila de espera, e estava lotado. Mas essa é uma modalidade que vem crescendo no Brasil; eu já tinha
notado em SC – a medicina privada “acessível” à classe C e, talvez, D. Quando um dos meus milhões de exames médicos venceu, fiz uma bateria de exames (sangue, detecção de doença de chagas, o diabo a quatro) numa clínica particular popular em Joinville, e paguei menos de 50 reais. Foi rápido e indolor, o que realmente me faz pensar se ter plano de saúde faz sentido do ponto de vista econômico. Se eu e o maridão, que, com sorte, não vamos precisar de mais que uma consulta de rotina uma vez por ano, pagarmos 50 reais cada por uma dessas populares, e mais, sei lá, 50 por algum exame, não vale mais a pena que os 180 que estamos desembolsando todo mês? Se a gente aplicar esses 180 por mês pra usar numa emergência, num pronto-atendimento, não sai muito mais em conta? Sem dúvida que sai. Sei que o risco maior é precisar ser internado, precisar de uma cirurgia – isso sim sai uma nota. Mas será que esse terror de que “o SUS vai me deixar morrer Por outro lado, no dia em que fui atendida da minha surdez temporária no hospital de emergência em Fortaleza, eu (e o maridão, que estava comigo) perambulamos pelos corredores do hospital até encontrar o local certo, e o que vimos não foi bonito. Havia macas nos corredores. E todo mundo (menos os médicos) era muito mais pobre que a gente. E eu me senti mal por eu, prestes a ganhar 5 mil reais por mês, salário de rico, estar tirando o atendimento de alguém que precise mais do que eu, e que não pode pagar. Na semana seguinte, eu e o maridão já estávamos pesquisando empresas de saúde privada.

E mais: comecei a fazer pressão para que meus dois irmãos ajudassem a pagar um plano para a minha mãe. O mais barato, da Hapvida, custava 270 mensais. O da Unimed, mais de 500. Minha mãe sobreviveu numa boa em Joinville sem plano, e olha que, por ser idosa, ela precisa de muito mais atendimento que pessoas da minha idade. O que nos incomodava é que ela estava com catarata, progredindo bem rápido, sem grandes expectativas de ser operada logo. Em Joinville, ela estava na fila de espera de uma consulta para uma futura cirurgia havia vários meses, e nós estávamos preocupadas com o quanto demoraria até ela ser operada em Fortaleza. Minha mãe não foi atrás nem nada, mas eu falei com uma amiga cuja mãe está relacionada com a saúde pública daqui, e ela marcou uma consulta pra minha mãe com uma oftalmologista do SUS. Esse foi o único empurrãozinho que ela deu – marcar a consulta. Minha mãe foi lá, foi muito bem atendida, e a cirurgia foi marcada pra três dias depois da consulta. Quer que eu repita?
Três dias depois da consulta! Isso foi em abril. Sábado último minha mãe operou o segundo olho. Tudo pelo SUS. Hoje ela não tem mais catarata. E aí eu comparo com o atendimento que eu recebi pra uma simples alergia, e penso: acho que minha mãe está melhor servida pelo SUS que pela Unimed! Quer dizer, você acha que eu vou pagar 500 reais por mês pra minha mãe esperar 3,5 horas por uma consulta de 7 minutos? A verdade é que ainda não sabemos como funcionam por aqui os postos de saúde, o hospital universitário, e outros serviços. Certamente um hospital para emergências não é o melhor lugar para uma consulta com otorrino!
Sobre os anônimos que ahn, começaram comentários com “você, que se diz comunista...” (quando que eu disse que sou comunista? Favor fazer uma busca: digite comunista no espacinho aí de cima e veja se aparece alguma revelação. Eu tô curiosa, porque ne
m sabia que era comunista!), e querem saber por que o SUS é uma droga se o governo Lula é tão maravilhoso. Primeiro que eu acho incrível comentários assim, já que a minha crítica toda é para a Unimed, uma empresa privada. São vocês que acham que tudo que é privado é bom, e tudo que é estatal é uma droga. São vocês que querem privatizar tudo, inclusive saúde, educação, e segurança, não nós. Pelo contrário: nós votamos em partidos e candidatos que não têm essa sanha privatizante que vimos no governo passado. A saúde no Brasil é ruim, mas privatizar tudo não é a solução. Recomendo fortemente o documentário Sicko - SOS Saúde, do Michael Moore, pra ver como é o sistema de saúde naquele país onde tudo funciona, os EUA. É o pior sistema de saúde no mundo entre os países desenvolvidos. O Brasil é um país em desenvolvimento. Já estamos muito distantes de países pobres, e hoje a comunidade internacional realmente nos vê como o país do futuro. Mas falta pra chegar lá. E é uma besteira achar que dá pra chegar lá só pensando no econômico, sem investir no social. O governo Lula deu passos importantes, mas a situação está longe da perfeição, e falta muito a fazer. O que não devemos fazer é voltar a eleger um governo sem um projeto social.
Como sabemos que o PSDB/DEM não tem um projeto social? Bom, é só analisar os oito anos de FHC e, se isso não for suficiente, ver o nível de perfeição na saúde e educação em SP, estado governado pelo PSDB há 16 anos. Mas por que nós, da classe média, vamos nos preocupar com o SUS? A gente tem plano de saúde! E tudo que é privado é magnífico, e o senhor é meu pastor e nada me faltará.
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terça-feira, 13 de julho de 2010
A INTRÉPIDA CAÇADORA DE TRAÇAS
Aqui na nossa casona em Fortaleza tem muita traça. Em Joinville também tinha, mas lá era úmido, e aqui não, então não sei qual a explicação. Quando o nosso ótimo pedreiro
estava fazendo as reformas, ele, experiente, disse que nunca viu tanta traça quanto aqui. A gente chegou à conclusão que só pode ser a tonelada de caixas de papelão que vieram na mudança, por conta da minha mãe (o placar ficou assim, sem exagero: caixas minhas e do maridão, 15 x caixas da minha mãe, 45. Desnecessário lembrar que o matricídio passou pela minha cabeça quando vi os carregadores deixando as caixas na sala, muitas das quais ainda estão lá, após cinco meses).
As traças que temos não são voadoras. São aquelas nojentinhas que parecem um casulo, mas que se mexem, e
tem uma cabecinha na ponta. E elas comem papel e tecido. Não penso muito nas minhas roupas, mas ai das traças se chegarem perto dos meus livros!
Numa rápida pesquisa na internet, vi que uma traça pode viver quatro anos. Sim, tava escrito anos! Vê se há justiça nesse mundo?! Uma traça vive mais que bichinhos peludos e fofinhos como coelhos e hamsters, e a mesma eternidade que aquele inseto inominável que não tem na Suécia. Não entendi se as traças cascudas estão num estágio antes de virarem voadoras, mas sei que elas
já são exímias devoradoras dos meus livros em qualquer grau de evolução. Li também que, pra afastá-las, é bom colocar folhas de louro. Minhas dúvidas (razoáveis, a meu ver) são: 1) afastá-las pra onde? E 2) e se de repente louro afasta traças, mas atrai outro tipo de inseto ainda mais asqueroso?
Então minha vida tá complicada no momento, e estou numa cruzada contra as traças. Sou eu contra um exército interminável. Cada vez que vejo uma traça numa altura que posso alcançar, eu a caço. Como realizo tal façanha?, você pode querer saber. Bom, eu peguei um papel contac
t que veio na mudança (era do maridão, imagino), e que não tem muita cola faz tempo, e o cortei em dezenas de pedacinhos. Em cada pedaço eu grudo uma média de trinta traças (como você pode ver nas duas fotos que o maridão tirou). Quando o papel tá bem cheio e não dá mais pra pegar nele sem encostar em algum inseto, eu faço um embrulhinho e jogo fora, imaginando que, pra uma traça sair de onde está grudada, embrulhada e no lixo, tem que ser um Houdini. Às vezes, porém, antes do embrulho, várias traças menos coladas conseguem fugir. E lá vou eu caça-las de novo. Meu gatinho Calvin reclama que não estou lhe dando a devida atenção.
Mas, claro, não adianta eu passar meus dias com papelzinho contact na mão, porque n
ão é todo mundo aqui em casa que nota. Por exemplo, ontem falei pro maridão:
- Tô preocupada com as traças.
- Ah, minha paixão! Você se preocupa com elas! E as pessoas ainda ficam falando que você não tem coração! Não sabem o que dizem! Olha, nem São Francisco de Assis, viu?
Odeio o maridão. Odeio as traças.
As traças que temos não são voadoras. São aquelas nojentinhas que parecem um casulo, mas que se mexem, e
tem uma cabecinha na ponta. E elas comem papel e tecido. Não penso muito nas minhas roupas, mas ai das traças se chegarem perto dos meus livros! Numa rápida pesquisa na internet, vi que uma traça pode viver quatro anos. Sim, tava escrito anos! Vê se há justiça nesse mundo?! Uma traça vive mais que bichinhos peludos e fofinhos como coelhos e hamsters, e a mesma eternidade que aquele inseto inominável que não tem na Suécia. Não entendi se as traças cascudas estão num estágio antes de virarem voadoras, mas sei que elas
Então minha vida tá complicada no momento, e estou numa cruzada contra as traças. Sou eu contra um exército interminável. Cada vez que vejo uma traça numa altura que posso alcançar, eu a caço. Como realizo tal façanha?, você pode querer saber. Bom, eu peguei um papel contac
t que veio na mudança (era do maridão, imagino), e que não tem muita cola faz tempo, e o cortei em dezenas de pedacinhos. Em cada pedaço eu grudo uma média de trinta traças (como você pode ver nas duas fotos que o maridão tirou). Quando o papel tá bem cheio e não dá mais pra pegar nele sem encostar em algum inseto, eu faço um embrulhinho e jogo fora, imaginando que, pra uma traça sair de onde está grudada, embrulhada e no lixo, tem que ser um Houdini. Às vezes, porém, antes do embrulho, várias traças menos coladas conseguem fugir. E lá vou eu caça-las de novo. Meu gatinho Calvin reclama que não estou lhe dando a devida atenção. Mas, claro, não adianta eu passar meus dias com papelzinho contact na mão, porque n
ão é todo mundo aqui em casa que nota. Por exemplo, ontem falei pro maridão:- Tô preocupada com as traças.
- Ah, minha paixão! Você se preocupa com elas! E as pessoas ainda ficam falando que você não tem coração! Não sabem o que dizem! Olha, nem São Francisco de Assis, viu?
Odeio o maridão. Odeio as traças.
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terça-feira, 27 de abril de 2010
LOLINHA PUXADORA
Como o marceneiro está instalando nosso primeiro armário embutido (no quarto), fomos a uma loja comprar puxadores (até porque as portas são altas, e sem puxador eu sofro, tenho quase que me pendurar na porta pra conseguir abri-la. Algum dia tiro fotos pra vocês verem). O dono da loja e uma representante comercial que estava lá entregando
os produtos de uma linha específica nos convenceram, mostrando fotos e tal, que era melhor colocar os mesmos puxadores maiores tanto pras portas grandes quanto pras pequenas (o que chamam de maleiro, é isso? Não entendo absolutamente nada do assunto. Aliás, certeza absoluta que nunca comprei puxador nos meus 42 anos de vida!). A gente estava pensando em comprar puxadores maiores pras portas grandes e pequenos pras portas pequenas, sabe? Mas o pessoal realmente se empenhou pra que comprássemos os maiores pra todas as portas. Imagino que é porque sejam mais caros, lógico. Mas, pelas fotos que vimos, ficou bonito ter todos os puxadores do mesmo tamanho. (Falar tão extensamente neste tópico me lembra o Eliot Ness em Intocáveis achando incrível que sua mulher se preocupe com a cor da parede: “É surpreendente queMas o pior veio depois, quando o dono da loja foi buscar os puxadores que escolhemos (todos do mes
mo tamanho, maiorzinhos) no depósito. A vendedora, falante e simpática, decidiu completar o raciocínio: “É como eu sempre digo pra todos os meus clientes. Colocar um puxador mixuruca num armário lindo é como uma mulher se maquiar toda e esquecer de colocar o batom! Não dá pra desprezar os detalhes, não é mesmo?”. E eu e o maridão: “Hm”.
Um homem sorridente, que estava no balcão ouvindo a conversa, já falou logo: “Gostei da comparação!” (claro que gostou, honey). Mas a vendedora deve ter percebido a nossa cara de velório e perguntou: “Vocês não acham que armário sem puxador decente é como mulher sem maquiagem?”. Aí, pô, como ela me perguntou diretamente, eu tive que falar: “É que eu não acho muito legal comparar um troço passivo, um puxador, um objeto, com uma mulher. Eu sou feminista. Não dava pra comparar armário sem pux
ador bom com alguma coisa, não com mulher?”. A vendendora, confusa, se pôs a explicar o seu exemplo... repetindo o mesmo exemplo.
E eu fico na dúvida: será que apontar a besteira da frase dela nessas horas ajuda? Adianta alguma coisa? Será que ela vai parar de usar o tal exemplo? Ou será que ela continuará usando o troço, agora acrescentado de “A última vez que eu disse isso uma mulher ficou brava! Mas também, era uma feminista!”?
Às vezes até dá vontade de ser uma porta.
mo tamanho, maiorzinhos) no depósito. A vendedora, falante e simpática, decidiu completar o raciocínio: “É como eu sempre digo pra todos os meus clientes. Colocar um puxador mixuruca num armário lindo é como uma mulher se maquiar toda e esquecer de colocar o batom! Não dá pra desprezar os detalhes, não é mesmo?”. E eu e o maridão: “Hm”. Um homem sorridente, que estava no balcão ouvindo a conversa, já falou logo: “Gostei da comparação!” (claro que gostou, honey). Mas a vendedora deve ter percebido a nossa cara de velório e perguntou: “Vocês não acham que armário sem puxador decente é como mulher sem maquiagem?”. Aí, pô, como ela me perguntou diretamente, eu tive que falar: “É que eu não acho muito legal comparar um troço passivo, um puxador, um objeto, com uma mulher. Eu sou feminista. Não dava pra comparar armário sem pux
ador bom com alguma coisa, não com mulher?”. A vendendora, confusa, se pôs a explicar o seu exemplo... repetindo o mesmo exemplo. E eu fico na dúvida: será que apontar a besteira da frase dela nessas horas ajuda? Adianta alguma coisa? Será que ela vai parar de usar o tal exemplo? Ou será que ela continuará usando o troço, agora acrescentado de “A última vez que eu disse isso uma mulher ficou brava! Mas também, era uma feminista!”?
Às vezes até dá vontade de ser uma porta.
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domingo, 11 de abril de 2010
LOLINHA VAI A UM CASAMENTO
Foi muito estranho. A Manu tinha chamado o maridão e eu pra ir à comemoração do seu aniversário, e eu tive que responder que a data caía bem num casamento. Falando assim, até parece que temos uma vida social muito ativa! Bom, eu raramente vou a casamentos (um a cada cinco anos é o meu limite), não gosto de rituais, não sou religiosa. Mas a este eu não pude deixar de ir. É o seguinte: eu e o maridão descobrimos a família Cabral em Joinville (ahn, o descobrimos foi só uma figura de linguagem malfeita). Três dos quatro irmãos jogavam xadrez (e bem), e eram todos pequenininhos. O Marquinho tinha só 15 ou 16 anos, a Carol 14, a Cris 12, e o Leco, 8, e era desse tamanho (não dá pra ver o gesto que estou fazendo aqui). Só o Leco não se enveredou pelo caminho do xadrez. Eu lembro de muita coisa deles, d
os Akitas que eles tinham, de eu cantando “João e Maria” do Chico pras meninas pra acalmá-las antes de uma rodada por equipe, dos jogos de pôquer, do exemplo de coragem que foi a Ana (a mãe), que nunca tinha trabalhado, sempre ficado em casa cuidando dos filhos e que, após ser trocada por outra pelo marido e ver seu padrão de vida despencar, ao invés de se abater, foi à luta, cursou faculdade, e hoje é psicóloga, totalmente independente, dona do seu nariz. Lembro do Marquinho já adulto indo lá em casa e se refugiando em cima da cama, gritando, desesperado, “Tira esse monstro daqui! Tiraaaa!”, referindo-se ao nosso gatinho Fru.
Depois cada um foi pro seu canto. Marquinho virou engenheiro mecânico, foi trabalhar na Embraer, agora está em Montreal, empregado pela concorrente; Carol virou engenheira de alimentos (que eu sempre confundo com nutricionista, e ela quer me matar), Cris virou violinista, e hoje tr
abalha numa federal, e Leco já está com 24 anos, e estuda Química e Medicina. Ninguém mais tá em Joinville, eu inclusa.
Foi uma enorme surpresa receber um convite pra ir ao casamento de Marquinho e Elvira... aqui em Fortaleza! Prova de como o mundo é minúsculo. Eu havia me esquecido que a família Cabral é originalmente de Recife. Já a Elvira é daqui.
Então. Normalmente, eu já não teria o que vestir numa ocasião formal dessa
s. Mas agora que nossas roupas estão em caixas, imagina a desgraça. Consegui encontrar meu único vestido, um preto que eu tinha comprado em Detroit e nunca usado. Mas nada de sapatos. Ahn, fui forçada a ir de Moleca Comfort. E sem nenhuma maquiagem, porque nem batom eu tenho. Vamos fingir que ninguém notou. Já o maridão encontrou sua única calça social, lavou (mas ninguém passou) a camisa mais apropriada que tem, e pegou emprestado o paletó (grande demais) de um amigo. No caminho, já no carro, lembramos de um detalhe: e a gravata?! Tarde demais. Sem gravata.
Nos perdemos no trajeto (o Google pulou algumas ruas), chegamos atrasados, mas, felizmente, a cerimônia também atrasou. Foi tão legal rever todo mundo! Teve gente que nem reconheci. Rafael e Walda,
lindíssima, nos encararam, e a gente nem tchun (o maridão ainda achou que eles estavam olhando pra ele com cara de "Como essa gente entrou aqui?", ha ha). E devo confessar que mesmo eu, alheia a rituais, me emocionei quando a noiva entrou na igreja ao som da marcha nupcial. Mas casamento religioso realmente não é a minha praia. Antes do início, comentei com o maridão que ele e um tal de Jesus eram os únicos sem paletó e gravata no local. Blasfêmia! O padre também não tinha. E padre é aquela coisa de sempre, desde que aboliram a Teologia da Libertação, pelo menos. Os mesmos sermões de dois mil anos atrás. No penúltimo casamento que fui, em Joinville, o padre aproveitou para pregar que homem e mulher não
casados na igreja são pecadores. E que aqueles que vivem juntos sem o papel vão arder nas chamas do inferno. E eu lá, segurando a mão do maridão, os pecadores prestes a se bronzear.
Desta vez, o padre falou cento e três vezes de fidelidade e de como este é um sacramento sagrado entre homem e mulher (nesta ordem). E que é pra amar o outro sempre. Não é porque o Marco vai deixar uma toalha em cima da cama, segundo o padre, que a Elvira deve deixar de amá-lo. Não é porque a Elvira vai por sal demais na comida, ou porque ela vai se estressar, como toda mulher, “com todo o respeito às mulheres”, que o Marco deve deixar de amá-la. Sério, foram esses os exemplos. Homem nasce incapaz de deixar a toalha no lugar, mulher nasce pra cozinhar. Meu feminismo definitivamente é incompatível com dogmas religiosos.
E senti falta da fr
ase dramática do “quem tiver algo contra esse casamento, que fale agora ou cale-se para sempre”. Porque a minha mente diabólica já tinha arquitetado soltar um gato dentro da igreja, só pra ver o Marquinho subir no altar, horrorizado, gritando “Tira ele daqui! Tiraaaa!”.
Depois fomos pro buffet, que foi chiquérrimo. Enorme, lindo. O que mais gostei é que eu rapidamente deixei de ser a única com calçado inadequado. Um dos brindes dos noivos foi distribuir sandálias de dedo, e praticamente todas as moças trocaram seus saltos altos pelo conforto das sandálias.
Quem me lê sabe que casamento é um dos primeiros itens na lista de “Como evitar situações sem chocolate”. Sabe como é, bolo branco... Desta vez nem deu pra reclamar. Havia umas cinco mesas só de doces, a maior parte chocolates. Eu comi muito, e se arrependimento matasse, estaria morta agora, porque como é que eu não trouxe uns chocolatinhos pra casa?
Pra minha surpresa e do maridão (que não bebeu, porque sabia que iria ter que dirigir — ainda não me atrevi a pegar no volante em Fortaleza), eu fiquei bêbada! Pô, eu não bebo nada, só água. Mas, não sei se pelo altíssimo astral da festa, pelos bombons com u
m tiquinho (imperceptível) de licor, ou (o mais provável) pelo hálito de alto teor etílico dos meus amigos, às três da manhã eu já não respondia muito por mim não. E hoje tô de ressaca, juro. Pode isso? O maridão afirma que nunca viu uma coisa dessas.
Ontem descobri que ninguém lê o meu bloguinho. Ninguém! A mulher do Flávio (outro carinha legal de Joinville que virou engenheiro da Embraer) disse “Até que enfim conheço a famosa Lola!”, mas o famosa era porque eu sou aquela do bolão do Oscar do qual o Flavinho sempre participa. A Ana continua me lendo no jornal, mas nunca entrou no blog. Foi ela quem me autorizou a escrever sobre o casamento de seu primogênito (o que já é inédito, pois quase todo amigo e conhecido diz “Não vai escrever sobre isso no seu blog!”).
Se alguém se ofender com alguma coisa, culparei a ressaca. E termino
desejando muita felicidade a Elvira, uma das noivas mais lindas que já vi, e àquele felinofóbico que conheci quando ele tinha 16 anos e era desse tamanhinho.
os Akitas que eles tinham, de eu cantando “João e Maria” do Chico pras meninas pra acalmá-las antes de uma rodada por equipe, dos jogos de pôquer, do exemplo de coragem que foi a Ana (a mãe), que nunca tinha trabalhado, sempre ficado em casa cuidando dos filhos e que, após ser trocada por outra pelo marido e ver seu padrão de vida despencar, ao invés de se abater, foi à luta, cursou faculdade, e hoje é psicóloga, totalmente independente, dona do seu nariz. Lembro do Marquinho já adulto indo lá em casa e se refugiando em cima da cama, gritando, desesperado, “Tira esse monstro daqui! Tiraaaa!”, referindo-se ao nosso gatinho Fru. Depois cada um foi pro seu canto. Marquinho virou engenheiro mecânico, foi trabalhar na Embraer, agora está em Montreal, empregado pela concorrente; Carol virou engenheira de alimentos (que eu sempre confundo com nutricionista, e ela quer me matar), Cris virou violinista, e hoje tr
abalha numa federal, e Leco já está com 24 anos, e estuda Química e Medicina. Ninguém mais tá em Joinville, eu inclusa. Foi uma enorme surpresa receber um convite pra ir ao casamento de Marquinho e Elvira... aqui em Fortaleza! Prova de como o mundo é minúsculo. Eu havia me esquecido que a família Cabral é originalmente de Recife. Já a Elvira é daqui.
Então. Normalmente, eu já não teria o que vestir numa ocasião formal dessa
s. Mas agora que nossas roupas estão em caixas, imagina a desgraça. Consegui encontrar meu único vestido, um preto que eu tinha comprado em Detroit e nunca usado. Mas nada de sapatos. Ahn, fui forçada a ir de Moleca Comfort. E sem nenhuma maquiagem, porque nem batom eu tenho. Vamos fingir que ninguém notou. Já o maridão encontrou sua única calça social, lavou (mas ninguém passou) a camisa mais apropriada que tem, e pegou emprestado o paletó (grande demais) de um amigo. No caminho, já no carro, lembramos de um detalhe: e a gravata?! Tarde demais. Sem gravata. Nos perdemos no trajeto (o Google pulou algumas ruas), chegamos atrasados, mas, felizmente, a cerimônia também atrasou. Foi tão legal rever todo mundo! Teve gente que nem reconheci. Rafael e Walda,
lindíssima, nos encararam, e a gente nem tchun (o maridão ainda achou que eles estavam olhando pra ele com cara de "Como essa gente entrou aqui?", ha ha). E devo confessar que mesmo eu, alheia a rituais, me emocionei quando a noiva entrou na igreja ao som da marcha nupcial. Mas casamento religioso realmente não é a minha praia. Antes do início, comentei com o maridão que ele e um tal de Jesus eram os únicos sem paletó e gravata no local. Blasfêmia! O padre também não tinha. E padre é aquela coisa de sempre, desde que aboliram a Teologia da Libertação, pelo menos. Os mesmos sermões de dois mil anos atrás. No penúltimo casamento que fui, em Joinville, o padre aproveitou para pregar que homem e mulher não
casados na igreja são pecadores. E que aqueles que vivem juntos sem o papel vão arder nas chamas do inferno. E eu lá, segurando a mão do maridão, os pecadores prestes a se bronzear.Desta vez, o padre falou cento e três vezes de fidelidade e de como este é um sacramento sagrado entre homem e mulher (nesta ordem). E que é pra amar o outro sempre. Não é porque o Marco vai deixar uma toalha em cima da cama, segundo o padre, que a Elvira deve deixar de amá-lo. Não é porque a Elvira vai por sal demais na comida, ou porque ela vai se estressar, como toda mulher, “com todo o respeito às mulheres”, que o Marco deve deixar de amá-la. Sério, foram esses os exemplos. Homem nasce incapaz de deixar a toalha no lugar, mulher nasce pra cozinhar. Meu feminismo definitivamente é incompatível com dogmas religiosos.
E senti falta da fr
ase dramática do “quem tiver algo contra esse casamento, que fale agora ou cale-se para sempre”. Porque a minha mente diabólica já tinha arquitetado soltar um gato dentro da igreja, só pra ver o Marquinho subir no altar, horrorizado, gritando “Tira ele daqui! Tiraaaa!”.Depois fomos pro buffet, que foi chiquérrimo. Enorme, lindo. O que mais gostei é que eu rapidamente deixei de ser a única com calçado inadequado. Um dos brindes dos noivos foi distribuir sandálias de dedo, e praticamente todas as moças trocaram seus saltos altos pelo conforto das sandálias.

Quem me lê sabe que casamento é um dos primeiros itens na lista de “Como evitar situações sem chocolate”. Sabe como é, bolo branco... Desta vez nem deu pra reclamar. Havia umas cinco mesas só de doces, a maior parte chocolates. Eu comi muito, e se arrependimento matasse, estaria morta agora, porque como é que eu não trouxe uns chocolatinhos pra casa?
Pra minha surpresa e do maridão (que não bebeu, porque sabia que iria ter que dirigir — ainda não me atrevi a pegar no volante em Fortaleza), eu fiquei bêbada! Pô, eu não bebo nada, só água. Mas, não sei se pelo altíssimo astral da festa, pelos bombons com u
m tiquinho (imperceptível) de licor, ou (o mais provável) pelo hálito de alto teor etílico dos meus amigos, às três da manhã eu já não respondia muito por mim não. E hoje tô de ressaca, juro. Pode isso? O maridão afirma que nunca viu uma coisa dessas.Ontem descobri que ninguém lê o meu bloguinho. Ninguém! A mulher do Flávio (outro carinha legal de Joinville que virou engenheiro da Embraer) disse “Até que enfim conheço a famosa Lola!”, mas o famosa era porque eu sou aquela do bolão do Oscar do qual o Flavinho sempre participa. A Ana continua me lendo no jornal, mas nunca entrou no blog. Foi ela quem me autorizou a escrever sobre o casamento de seu primogênito (o que já é inédito, pois quase todo amigo e conhecido diz “Não vai escrever sobre isso no seu blog!”).
Se alguém se ofender com alguma coisa, culparei a ressaca. E termino
desejando muita felicidade a Elvira, uma das noivas mais lindas que já vi, e àquele felinofóbico que conheci quando ele tinha 16 anos e era desse tamanhinho.
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