segunda-feira, 16 de novembro de 2009

O FILHO DE FHC E O SILÊNCIO CÚMPLICE DA MÍDIA

“Se a mídia me blindou? Só um pouquinho, quase nada”.

Pena que a grande imprensa brasileira não tenha um pingo de autocrítica, porque seria interessante saber o que ela tem a dizer sobre o fiel silêncio com que encobriu o filho bastardo de FHC. Eu li sobre o caso pela primeira vez numa reportagem de capa da Caros Amigos de abril de 2000. Não conseguia acreditar: como assim, FCH tem um filho fora do casamento? Como assim, todo jornalista sabe do caso, e ninguém noticia? Ué, um fato desses não é notícia?
Depende. Vamos imaginar se fosse Lula quem tivesse um filho ilegítimo: seria notícia? Sobre a vida de Lula a gente sabe absolutamente tudo. Lula perdeu as eleições de 1989 pra Collor por uma margem mínima de votos, e eu insisto que isso de deu por três motivos: 1) a manipulação da Globo na edição do último debate entre os candidatos, claramente favorecendo Collor; 2) imagens dos sequestradores do Abilio Diniz vestindo camisetas do PT que a polícia do Fleury os forçou a vestir (eles não tinham nada a ver com o PT; sequer eram brasileiros); e 3) o depoimento (pago) de Miriam, ex-namorada de Lula no horário eleitoral do Collor, dizendo que Lula tinha pedido que ela abortasse e que ele era racista. Esse depoimento foi amplamente divulgado pela mídia, num dos maiores golpes baixos de qualquer eleição no mundo (deve ter sido lindo pra Lurian, filha—sempre reconhecida—de Lula com Miriam, ouvir que seu pai queria um aborto).
Toda a grande mídia apoiou Collor no segundo turno. Alguns, como Roberto Marinho, fizeram isso mais publicamente que os Frias da Folha, os Civita da Abril, ou os Mesquita do Estadão. Mas foram todos. Eles morriam de medo que o PT ganhasse. E esse apoio não se dava apenas na escolha de fotos mais favoráveis a um candidato, na edição de debates, ou em capas que mais pareciam material de campanha, mas também num silêncio cúmplice. Collor não tinha um passado nada exemplar. Havia sido um playboy viciado em cocaína e que, direta ou indiretamente, estava ligado ao estupro e à morte de uma menina em Brasília. Como que eu sei disso? Não graças à imprensa brasileira, que não abriu o bico. É que a Vanity Fair publicou uma vasta reportagem investigativa sobre o candidato (o que ela não descobriu é que Collor tinha um filho não-reconhecido fora do casamento). Os americanos sabiam mais sobre a vida pessoal do nosso presidente do que a gente! A gente só sabia sobre a vida pessoal do Lula.
Mas claro que os jornalistas brasileiros sabiam sobre o Collor. Eles leram a Vanity Fair. Só não podiam, ou não queriam, falar. A mídia não morria de amores pelo Collor, não. Sabia que ele era perigoso e pouco confiável. Só o apoiou porque apoiaria qualquer um contra o Lula.
Já com FHC foi diferente. Esse a mídia gostava, não precisava fazer esforço. Então óbvio que não iria sair uma linha sobre o filho ilegítimo do cara. Todos os jornalistas sabem desse fato desde 1991, quando nasceu o menino. Inclusive porque o romance de FHC foi com uma jornalista da Rede Globo, Miriam Dutra (essas Mirians!). Uns dizem que FHC circulava à vontade com Miriam antes d'ela ficar grávida, apesar de casado com Ruth Cardoso; outros que eles se encontravam no apê do Serra. Quando ela engravidou e lhe comunicou, ele não gostou, lógico. Como ela não quis abortar, o jeito foi fazê-la desaparecer. Como? Mandando-a para o exterior, para sempre. A Globo a enviou para ser “correspondente”da emissora em Portugal, depois na Espanha (eu ponho correspondente entre aspas porque, sinceramente, você já viu alguma matéria feita por ela? Eu não!). Tomás hoje tem dezoito anos e, dizem, FHC vai finalmente assumir a paternidade (ele desmentiu essa notícia, dada na coluna de Monica Bergamo. A primeira vez que sai na grande imprensa qualquer palavra sobre o filho de FHC!).
O caso é um pouco mais grave porque extrapola os limites pessoais. Sabe, não foi FHC que fez Miriam sumir do mapa. Foi a Globo. Por que fez isso? Pra poupar FHC, claro, porque gostava (e continua gostando) dele. Mas também não podia ser pra exercer algum tipo de influência, uma tentativa de chantagem? Algo como: se você fizer alguma coisa contra nossos interesses, a gente pode fazer uma matéria bem interessante sobre você. De um jeito ou de outro, FCH retribuiu o favor. Foi um cordeirinho com a Globo e com toda a mídia. Quando ainda era ministro da Fazenda, isentou de CPMF todos os meios de comunicação. Em 2000 houve o Proer da Mídia, que custou entre US$ 3 e 6 bilhões aos cofres públicos. Ele também mudou a Constituição para permitir que a mídia brasileira, então falida, pudesse contar com 30% de capital estrangeiro. E autorizou que o BNDES fizesse um empréstimo milionário à Globo.
O Brasil não é tão fascinado como os EUA pela vida pessoal dos seus homens públicos (e note que a palavra aqui é homens mesmo, porque quando é mulher é diferente, é só ver tudo que foi falado da Marta Suplicy e da Erundina), e isso é bom. Mas se não fala do filho de um, que não se fale de nenhum, né? Porque vamos recapitular: Lula era viúvo quando teve o caso com sua Miriam. Nasceu Lurian, ele reconheceu. Toda a grande mídia falou disso, em tom de denúncia. FHC era casado quando teve o caso com sua Miriam. Ele não reconheceu o filho. Durante 18 anos, não saiu uma palavra na mídia, que ainda deu uma ajudinha pra fazer Miriam sumir de cena. É, um tratamento quase idêntico. Paranóia minha achar que a mídia é partidária.

P.S.: Azenha faz algumas perguntas pertinentes. Paulo Henrique Amorim resume o episódio com humor.
P.S.2: E eu juro que li em blogs de direita comentários como “Que orgulho ele deve ter por ser fiho do FHC!” e “Isso só aumenta meu respeito pelo homem”.

45 comentários:

Junior disse...

Lola, tudo bem?
A cada dia aparecem mais e mais casos desses, onde vemos que nosso 4 poder não é nem nunca fui imparcial de verdade.


Totalmente off topic, você viu isso aqui?
http://muitopelocontrario.wordpress.com/2009/11/15/nao-somos-racistas/

L. Archilla disse...

ahhahahaha

"isso só aumenta meu respeito pelo homem"

não adianta. quem quer ser tapado, vai ser tapado pro resto da vida.

Samantha disse...

hahahahahaha parabéns grande FHC, queridinho da imprensa.

E depois dizem que a imprensa "mainstream" não é de direita, não defende o PSDB e os partidos relacionados.

Essa capa da Veja com o Collor fez eu me lembrar de quando ela foi lançada, eu devia ter uns 8 anos, mas me lembro como se fosse hoje do diálogo lá em casa:

- Pai, o que é marajá?
- Uma pessoa muito rica, filha.
- O Color é rico?
- Sim.
- E quem vai caçar ele?

hahahahahaha e lembro do meu pai desesperado querendo convencer toda família a não votar no Collor. A imprensa realmente conseguiu manipular as pessoas, de modo que na época xingavam o Lula de nomes horríveis. Lembro das minhas tias ofendendo o Lula e meu pai tentando defende-lo, dizendo que ele era a escolha certa.

Estórias Daqui disse...

Afe, ter orgulho de ser filho de um tipo desses? Socorro!

Lá em casa minha mãe sempre foi Lula e eu também!

L. Archilla disse...

Estórias Daqui, eu teria orgulho de receber toda a pensão atrasada com juros e correção.

Anônimo disse...

Sou divorciada e crio minha filha sozinha, o pai apenas dá apoio financeiro. Sei o que é batalhar para manter a casa e criar um filho sozinha, longe dos parentes. Quando o filho completa DEZOITO anos e depois que a esposa morreu (nada contra ela, que eu achava ótima e não sei o que viu nele), ele lembrou de fazer o reconhecimento legal da paternidade? Pa-lha-ço!

beto disse...

já eu acho que a mídia estava certa em não trazer à tona o caso do filho ilegítimo do FHC. Era relevante para o papel dele como político? não era. Ele era hipócrita e saía esbravejando contra filhos ilegítimos? Tb acho que não (pois nesse caso acho que aí sim se tornaria um fato político ao expor hipocrisia).
Nesse terreno, prefiro o estilo da imprensa francesa do que o da americana. Nos EUA se expõe qualquer detalhe da vida pessoal de políticos, seja relevante ou não à atuação pública.
Na França... toda a imprensa, de direita e de esquerda, JAMAIS soltou um pio sobre a filha ilegítima do presidente socialista Mitterrand, apesar de todo mundo saber.
E falar de Marta Suplicy como exemplo de perseguição... bom, ela mesmo (ou os marqueteiros dela, com a autorização implícita ou omissão explícita dela) não hesitaram em tentar usar o armário do Kassab politicamente. Marta deu um tiro no pé e perdeu anos de reputação por causa de um comercial de 1 minuto... Muito conveniente se colocar de vítima quando atacada e logo em seguida fazer a mesma coisa. Justamente por ter sido vítima de ataques à sua vida pessoal é que um político realmente decente deveria dar o exemplo e não usar do mesmo expediente.

L. Archilla disse...

beto, a Lola não está dizendo que a vida pessoal deve ser trazida a público, e sim que o tratamento é diferente de acordo com o político/candidato.

"O Brasil não é tão fascinado como os EUA pela vida pessoal dos seus homens públicos (...), e isso é bom. Mas se não fala do filho de um, que não se fale de nenhum, né?"

e quanto às candidatas mulheres, sugiro o blog "Sexismo na Política", www.sexismonapolitica.wordpress.com. tá cheio de post lá apontando as perguntas e manchetes que saem na mídia sobre assuntos que não tem absolutamente nada a ver com a vida política das candidatas - o que não se faz com candidatos homens.

Masegui disse...

O Collor é um psicopata, FHC um grande FDP... e não estamos livres, o Aécio tá vindo aí.

A notícia abaixo, que eu saiba, só foi noticiada no blog do Juca Kfouri:

http://blogdojuca.blog.uol.com.br/arch2009-11-01_2009-11-07.html

aiaiai disse...

Muito bem colocado, Lola, como sempre!
Eu quero aproveitar que vc citou a erundina para falar que não tenho visto nada sobre a condenação dela.
Parece que ela foi condenada por usar dinheiro público para fazer uma campanha de uma organização não governamental, dai já saiu a condenação dela. O maluf e o pitta nunca foram condenados por toda a roubalheira que fizeram, mas a erundina já foi e terá que vender apartamento próprio e o carro para pagar.
Eu gostaria de ver isso analisado por algum advogado ou jurista, então, como sei que devem ter muitos entre os seus leitores, coloco aqui essa questão.
Será que a erundinha merece mesmo a condenação? O que ela fez de tão errado para ter um processo tão rápido, enquanto malufs e pittas seguem "inocentes"?

Masegui disse...

beto, meu filho, você está repetindo o papel da mídia, só diz o que é conveniente aos seus interesses...

aiaiai disse...

E mais uma coisa:
Beto, antes de escrever é bom a gente aprender a ler!

Raiza disse...

Eu fico me perguntando se o garoto sabia que era filho do FHC.Imagina:
"Mãe,quem é meu pai?"
"Fernando Henrique Cardoso, meu filho"
Imagina o desapontamento.Era melhor continuar sem pai.

Camila disse...

Lola, vc resumiu bem o que eu sempre pensei, sempre discuti a respeito da imparcialidade da imprensa com os tucanos, os partidos de direita e etc... Não sou petista, mas sei que tanto o partido, como seus partidários como o próprio Lula, Marta Suplicy e outros são e foram prejudicados pela imprensa, sempre elitista e preconceitusosa. Eu tenho guardada esta edição da Caros Amigos, foi a primeira edição da revista que eu comprei e desde então sempre me perguntei porque ninguém fala no assunto. Ninguém fala nada da inércia do Alckmin, do Serra em SP. Tuitei seu texto, muito bom!

Bípede Falante disse...

Palhaço infiel igual a muitos outros!

Alba Almeida disse...

Olá, Lolíssima.
(estou me achando hj, por causa do orkut- hahahaha!Obrigada)
Como você sabe trabalho em escola. Estou sempre me deparando com casos desses. Pela experiência, muitos deles não querem mais a mudança no registro, já ouvir de muitas crianças, quando quase a chegando a maior idade dizerem,”... eu queria mesmo era ter um pai pra mostrar a meus amigos, ao menos nas festas da escola”.

Agora o que parece nesse caso é que daqui a pouco o cara vai sair como herói, (Pô!! ele está reconhecendo o filho, que bacana!!!!) Num duvido que saia uma manchete dessas... E vc?
Beijos e uma semana bem gostosa, ao sabor de chocolate.

Má disse...

Oi Lolaa!

Fora a notícia abafada de que o Aécio bateu em sua namorada esses dias aí, em uma festa cheio de bacanas no Rio.
Até pode pipocar em alguns blogs, mas convenhamos que, diferentemente do que disse uma companheira aí em cima, mesmo que hajam vários lados da história, "o poder" que representa a grande mídia não se compara com alguns blogs né.
A grande parte dos eleitores não vão ficar nem sabendo deste episódio do Aécio, nem do caso do FHC (se é que ter filho fora do casamento tem a ver).
O poder econômico que a grande mídia exerce e por consequencia a sua influência são nefastos a qualquer liberdade de expressão né!

Não podemos esquecer que a censura econômica é também um tipo de censura!

Abração!

Cereja disse...

Essa historia do filho ilegitimo do FHC circula ha' tanto tempo, e' meio que impressionante como nunca deixaram isso vir `a tona (completamente). E e' triste ter plena consciencia do quao ridiculamente comum essa politica de acobertamento de historias escabrosas pela midia mainstream e', e pior ainda imaginar as historias que nunca vazaram... E' uma grande merda o jornalismo nao ter a obrigacao de ser objetivo e nao-tendencioso, mas poder posar dizendo que e'.

/copo meio vazio hoje

lola aronovich disse...

Junior, vi esse vídeo sim, muito bom! Da próxima vez que eu falar de racismo no bloguinho, eu menciono o vídeo.



Lau, essa é engraçada, mas eu ainda prefiro o “que orgulho ele deve ter por ser filho do FHC!”.

lola aronovich disse...

Samantha, ai, eu lembro tão bem dessa capa... Pouco depois o Casseta (que na época era só o Planeta Diário, muito bom) começou a parodiar o Collor e falar de “caçador de maracujás”, e nunca mais consegui disassociar. Eu era tão novinha e trabalhei tanto, tanto, pra tentar eleger o Lula... Eu nunca mais fui tão ativa politicamente como em 89...



Estórias, graaaaande orgulho... Ha, eu não gosto nem um pouco do FHC, mas comparado ao maridão, eu devo ser fã do homi! O maridão não tem o meu fervor político nem de longe, e ainda assim ele detesta o FHC com todas as suas forças.

lola aronovich disse...

Lau, dizem que o FHC pagou pensão. Ou talvez nem tenha precisado, já que a jornalista ganhou um baita salário da Globo, como correspondente na Espanha... sem precisar trabalhar!


Anônimo, mas sabe que eu tô achando que tem algum interesse escuso por trás? A mídia nunca dá ponto sem nó. Por que divulgar isso agora? 18 anos depois? Quer dizer, ontem 3 colunistas da Folha falaram nisso. 18 anos de total silêncio, e de repente há uma ampla “cobertura” sobre isso? Estranho... E claro que era tudo glorificando o FHC. Como disse o Paulo Henrique Amorim, “FHC reconhece o filho após 18 anos e a Folha faz dele um bom homem”, ou algo assim. Olha, das duas umas: ou o FHC tá planjenando se candidatar a alguma coisa ano que vem (senador?), e eles sabem que, com a internet, não dá pra manter tudo tão escondidinho como antes, ou eles estão preparando falar mal da vida pessoal de alguém da esquerda, e estão abrindo esse precedente. Não sei, pode ser só uma teoria da conspiração minha, mas acho estranho...

lola aronovich disse...

Beto, e era relevante a gente saber que o Lula pediu pra Miriam fazer um aborto? E era relevante falar do Renan Calheiros agora a pouco? A mídia teria que espernear muito pra justificar um silêncio de 18 anos pra aliados políticos, e uma rapidez enorme pra falar da vida pessoal quando se é adversário político. Ela não vai nem tentar explicar.
E só porque a Marta usou um expediente duvidoso, isso apaga todos os anos de imprensa marrom que ela sofreu? Aliás, é de se pensar se perguntar “O que vc sabe sobre esse homem?” (no caso, o Kassab) é igual a dizer todas as coisas que falaram da Marta. Foram direto na veia mesmo.


Lau, obrigada por explicar pro Beto. O Sexismo na Política tá linkado no meu blogroll.

lola aronovich disse...

Mario, pois é, eu vi no Juca Kfouri. A assessoria do Aécio desmentiu, e mesmo assim o Juca manteve o que disse: que Aécio bateu na acompanhante em público. E o mais estranho é que Aécio não processe o Juca... Enfim, a reputação que o Aécio tem em Minas não é pouca coisa não, né? Eu fico só pensando se ele fosse mulher. Com essa reputação que tem, ele seria eleito síndico de prédio? Mas como é homem, zuzo bem... E a gente sabe que o controle que ele tem sobre a mídia mineira dá um case study.


Aiaiai, pois é, fiquei impressionada com essa história da Erundina! Ela foi condenada a pagar uns 300 mil reais por causa de um anúncio que publicou em favor de uma greve quando era prefeita de SP, e essa quantia é maior que o patrimônio dela. Duas coisas me impressionam nessa história: a primeira, a óbvia: como que numa cidade governada por Maluf e Pitta a Erundina (que, goste-se ou não dela, sempre foi super honesta, super caxias) é que tenha que devolver dinheiro público?! É surreal! A outra coisa é como que uma pessoa que ganha salário de prefeita, depois de senadora, depois de deputada, faz mais de 20 anos, não tem um patrimônio de 300 mil? Claro que isso é um testemunho que ela nunca roubou, mas, independente disso, pra uma pessoa com um salário alto desses, não seria difícil reservar um pouquinho todo mês. Guardar dinheiro, sabe? Bom, isso não tem nada a ver com o caso, mas sempre que vejo uma declaração de imposto de renda de um político conhecido, e o patrimônio é baixo, eu penso WTF? Porque eu que nunca ganhei bem consigo guardar dinheiro...
Agora, voltando ao que importa, é lógico que a Erundina não merece a condenação! É vergonhoso.

lola aronovich disse...

Raiza, dizem que o FHC via/vê o filho uma vez por ano. Imagino que o guri estranhasse mais o fato da mãe receber salário de correspondente da Globo sem trabalhar...


Camila, obrigada por meu tuitar! Eu tb tenho essa edição da Caros Amigos. Eu fiquei incrédula quando li. Porque, pô, a reportagem foi de 2000, o menino nasceu em 91... E eu pensava: como assim, todo jornalista sabe do caso, e ninguém fala nada? E a gente sabe muito bem que se acontecesse a mesma coisa com um político do PT não haveria esse pacto de silêncio nem a pau. Dois pesos, duas medidas. Total.

lola aronovich disse...

Bipede, às vezes eu penso na vida sexual dos políticos e acho que o poder deve dar uma adrenalina tão grande que eles até substituem o sexo pelo poder. Mas pelo jeito é só imaginação minha...


Albinha, ah, eu acho super triste isso. E odeio também quando falam na mulher, na mãe, como a megera que planejou ter um filho pra fazer um pé de meia (esse é o tom de um dos textos que linkei). Como se usar um anticonceptivo fosse algo que só a mulher deve fazer, e não uma responsabilidade do casal! Como se “acidentes” não acontecessem! (Será que tem alguma estatística mostrando quanto porcento dos bebês nasce por planejamento dos pais, e quantos por acidente? Vcs não têm a impressão que a grande maioria é por acidente?). E, pois é, não entendi por que o FHC seria um herói nessa história. Não mesmo. Abração, querida!

lola aronovich disse...

Má, essa história do Aécio dominou a blogosfera política durante um dia ou dois. Mas não há provas, não há testemunhas, então não dá pra continuar falando nisso, eu acho. Mas pode apostar que, mesmo que houvesse provas, não sairia no Jornal Nacional. Eles não iriam queimar um possível candidato que eles apoiam. Já se fosse um político que eles não gostam...


Cereja, lembra aquela fala do Ricúpero, né? O que é bom a gente mostra, o que é ruim a gente esconde... Eu vi uma palestra do Bob Woodward em Detroit e ele dizia que o público nunca sabe mais que uma porcentagem mínima do que realmente acontece na política... Somos todos patos.

Tina Lopes disse...

Lola, pode me chamar de ingênua mas eu acho um avanço que a mídia tenha deixado o filho do FHC de lado. Acho que a diferença entre o que aconteceu com o Lula e, mais recentemente, o Renan Calheiros, comparando com o filho do FHC, foi a postura da mãe. E outra coisa: ela ser correspondente e não aparecer na TV não quer dizer que não trabalhe. Uma equipe de reportagem é muito mais do que a repórter e o câmera. Sinceramente, eu me interesso pelo pensamento e pelas atitudes políticas dos nossos homens públicos. Não gosto das primeiras-damas, não acho que elas devessem ter um papel qualquer no Estado somente por serem casadas com quem são; me interesso ainda muito menos pelos filhos bastardos. Acho que a situação pode ser bem resolvida internamente, no nível pessoal. Não suporto o FHC, mas por ter sido um péssimo presidente, não por ter pulado a cerca. Isso era lá com ele, a dona Ruth e os demais envolvidos.

Alba Almeida disse...

Lolíssima
. O cara (FHC)18 anos depois vai decide registrar o garoto e esta até parecendo que fez um FAVOR. E a impressa é tão delicado com ele que, deve ter realmente algo por trás.
E concordo com você sobre os nascimentos serem a grande maioria acidental, a minha pouca experiência mostra isso.
Beijos....

=draupadi= disse...

olha q lindo, q humano:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/videocasts/ult10038u653168.shtml

Anônimo disse...

Desculpe-me pelo comentário off-topic, mas você viu isto no Globo Online? (http://oglobo.globo.com/rio/mat/2009/11/13/juiz-proibe-participacao-de-criancas-adolescentes-na-parada-gay-de-caxias-914750211.asp)

"Juiz proíbe participação de crianças e adolescentes na parada Gay de Caxias
"A participação de crianças e adolescentes na parada Gay promovida pelo grupo GLBTS em Caxias, neste domingo, foi terminantemente proibida pelo juiz Aílton Augusto dos Santos, da Vara da Infância, da Juventude e do Idoso do município. O evento está marcado para o próximo domingo, a partir das 13h, na Avenida Brigadeiro Lima e Silva, no bairro 25 de Agosto.

Na sentença, o juiz ressalta que a medida tem como objetivo evitar que crianças e adolescentes presenciem cenas inadequadas para a sua faixa etária. O descumprimento da decisão implicará sanções administrativas e penais aos promotores do evento, de acordo com decisão do juiz de direito. A decisão foi proferida no dia na última quarta-feira, com base no Estatuto da Criança e do Adolescente."

Oliveira disse...

Lola:

O FHC pode porque é o FHC; o Lula não pode porque o Lula é o Lula.

Entendeu?

Arslem disse...

Heim???
Mas Juiz não faz lei!!! Como ele pode proibir crianças de irem para a parada??

Experiência Diluída disse...

Oii Lola, como está?
Pôxa, estou aqui sempre lendo os seus textos, mas comentando muito pouco por causa do tempo, estou no dilema do meu TCC... Eu ia até fazer uma crítica sobre esse caso do FHC, mas não chegaria aos pés da sua, que está sensacional! Falou tudo mesmo! Parabéns Lola! Vc é ótima!!
Lolinha eu preciso de uma luz, eu queria fazer um livro-reportagem sobre algum tema que eu pudesse contribuir de alguma forma para o feminismo, só que eu não sei delimitar um tema, vc teria alguma sugestão?
Fico desde já agradecida!
Um grande abraço...

Acauã disse...

Parece ser um consenso que a vida particular não importa na política certo? Mas e o julgamento de caráter, fica aonde? Como disse Priscila Goldenberg: "adultério não é crime mas, o cônjuge que trai comete ilícito civil e deve ter consciência da dimensão dos problemas que daí possam decorrer". Eu não quero saber se o presidente bebe (desde que não seja alcoolatra é claro), mas se ele não respeita a pessoa que ele diz amar a historia é outra. Isso pode ser um desvio de carater e me preocupa sim. A propósito, politica não é futebol, assim eu não posso escolher "um time do coração", estamos aqui pelo Brasil e não pelos partidos.

Ana disse...

link pra entrevista completa do lula, vale a pena ver.

http://www.redetv.com.br/portal/jornalismo/enoticia/

Mariana. disse...

Qual o problema de se ter um filho fora do casamento? Fora a desonestidade com a mulher dele, isso não contribui para piorar o conceito que eu faço dele. Nem melhorar.

E se o Lula pediu para a moça abortar, isso sim é crime (não concordo que seja crime e duvido que o lula tenha mesmo feito isso).

Mas convenhamos que SE ambos fossem verdade, perante a lei, o primeiro é bem menos grave.

wagner disse...

De modo geral concordo com todo o texto, mas queria comentar uma, na minha opinião, mentira que a esquerda conseguiu transformar em verdade: A Globo não editou o debate Collor x Lula (com editar me refiro naturalmente a alterar o resultado, é claro que editou no sentido técnico, de reduzir o tempo). Eu assisti a esse debate (inteiro) e fiquei muito impressionado como o Lula foi mal, muito mal, impressionantemente mal, sendo fragorosamente engolido pelo Collor. Daí, que a Globo somente mostrou os melhores momentos da vitória (evidentemente que babando de prazer, mas não precisou inventar nada).

beto disse...

ao que eu saiba...
reputação de qualquer pessoa é construída ao longo dos anos.
e pode sim ser fulminada em 1 segundo ao se cometer uma besteira extraordinária.

pior ainda quando não se assume a culpa pela besteira e ainda usa o famoso expediente do não-sabia; não-era-responsabilidade-minha; e agora o mais recente o-caso-está-encerrado-pois-não-é-conveniente-eu-dar-mais explicações.

e depois vcs vem aqui em falar em 2 pesos e 2 medidas na mídia. é só a mídia que faz isso? pois os comentários aqui estão muito na base de nós-contra-eles, nós-estamos-sempre-100%-certas-e-o- resto-todo-do-mundo-sofre-lavagem-cerebral-da-mídia-machista-direitista-exploradora.
um pouco de diversidade de opiniões e olhares não faz tão mal assim.

Anônimo disse...

Desculpe, mas a hipocrisia é imensa em querer falar da vida pessoal dele, seja de forma direta ou indireta. Aliás, ele nunca deixou de dar apoio ao filho, o que já mostra que o caráter não é ruim quanto alguns de vocês gostariam de que fosse e estão loucos para taxar.

luisathf disse...

Mas é claro que a mídia é parcial (parditária acho que já é um conceito preso de mais, ela vai e vem conforme seus interesses). A isenção e imparcialidade estão no mesmo setor do coelhinho da páscoa, universidade sem algum professor picareta e outras ficções.

Agora, de tantos assuntos para serem tratados, acho desperdício de fôlego ficar tratando de esmiuçar casos de vida pessoal - quem é filho de quem, quem assumiu ou quem assumiu, seja de qual lado que for. Essa coisa de ficar metendo a vida pessoal no meio é besteira. Ficha limpa, comprometimento diante do trabalho - é isso o que deveria importar, no fim das contas. O difícil é achar alguém que cumpra esses pré-requisitos - mas de que importa, se todos só se preocupam com miúdos da vida pessoal. Não foi isso que consideraram quando o Lula perdeu para o Collor?

Enfim, excedo meu espaço aqui, só fico um pouco indignada com esses desvios de assunto que tanto atrapalham nossa política. Afinal, contanto que não façam na vida pública o que fazem na privada...

Viviane disse...

Caí meio que sem querer no blog (estava procurando no Google textos sobre o feminismo pois quero dar uma aula sobre o assunto)e só tenho a dizer: Parabéns pelo blog!

Alias sobre o tratamento diferenciado sobre os políticos vamos ver se algum dia a imprensa vai comentar a já "lenda urbana" de BH que o Aécio adora um pózinho no nariz.

Ira disse...

Fiquei estarrecida com o caso Ana Lídia Braga e Rosana Padim abafados pela ditadura. Equiparáveis os monstros assassinos e os que se calaram frente a impunidade.

Yohana ♥ disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Yohana ♥ disse...
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Yohana ♥ disse...

Fernando Henrique como sociólogo posicionou-se sempre de uma forma, mas para chegar ao poder vendeu a alma. É triste quando as pessoas mentem seus ideais, ou simplesmente os abandonam em troca de dinheiro. Se fosse um pouco mais velha e tivesse lido antes teria me decepcionado imensamente. Como só o fiz ano passado, aos 20 anos, já não me surpreendo.


A menina Ana Lídia tinha 7 anos. Ela foi violentada, torturada e assassinada por 8 monstros filhos de famílias muito ricas de Brasília e o caso foi abafado.