quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

GUEST POST: FUGINDO DO CLICHÊ QUE CRIARAM PRA MIM

Talita é uma professora inteligente e capaz, adorada pelos alunos. Ao ler o post da Yohana, Talita, como todas nós, se identificou muito e me mandou este email, que eu perguntei se poderia publicar como guest post, já que ele amplia a discussão da falta de roupas para um ponto de vista mais racial. Ela consentiu, e aqui está:

Não sou gorda, mas me identifico muito com a questão de "não estar nos padrões". Não me encaixo em vários deles... Este do tamanho é um. Tenho 1,75m de altura, e peso 83 kg. Tenho ossatura considerada "grande". Já pesei menos, 76 kg é como me sinto mais saudável. Menos que isso sou puro osso.
Enfrento também uma batalha na compra de roupas: Calças que ficam curtas e não acomodam meu bumbum e quadris ― generosa herança africana. Blusas curtas na barriga, mangas que não chegam aos punhos, camisas que não abotoam.
E vendedoras que sempre se espantam quando as roupas da loja não me servem. Elas dizem: "Mas você não é gorda! Como não serviu?"
"Não, você não pode usar 48, vai ficar grande pra você!" (Isso quando há 48 na loja. Geralmente a numeração cessa no 44).
E depois...
"Ué... não é que precisa de um número maior mesmo?"
"Você é alta e tem um corpo bonito, não entendo!"
Uma mostra de que não há NADA DE ERRADO COM NOSSOS CORPOS. A indústria é que não fornece a variedade necessária para a diversidade humana. Não há como um mesmo manequim servir a todas as mulheres. Roupas são a nova cama de Procusto...
Também já escutei muita coisa desagradável em relação à minha aparência. Comentários de espanto pela altura são o de menos.
A impressão que fica é que todas nós mulheres somos encaixadas em determinados “rótulos” e estes sempre tem papel de grilhões, de prisão. Ai daquela que quiser ser mais que o clichê que lhe foi imposto. O que me incomoda mais é o estereótipo de "globeleza", "mulata do carnaval" (argh) como já ouvi. E como ouvi...
Uma amiga de longa data (cursamos faculdade juntas e ela convive comigo no meio profissional) disse: “As pessoas têm dificuldade em entender que uma mulher negra, bonita, considerada 'gostosa', possa ser inteligente e articulada.”
E que não, isso não me faz obrigatoriamente querer calçar uma plataforma purpurinada e sair me exibindo com pouca ou nenhuma roupa.
Quantas e quantas vezes já não ouvi acerca da minha escolha profissional: “Professora?! Ah, vai ser modelo! Com o corpo que você tem...”
Uma professora durante o magistério chegou ao cúmulo de falar "Vai pra Globo menina, que aqui você está perdendo tempo!"
E isso sempre me incomodou demais, porque nunca quis ser definida pelo corpo que tenho, por uma aparência que sei que muda, e após os 25 anos eu já estaria "velha" para o mercado de modelos.
Esta não era a única questão: ser vista como um objeto, um cabide no qual a roupa desfila, e todo o ambiente de menosprezo à mulher, não era o que queria para mim.
Cheguei a ser convidada para trabalhar como modelo aos 16 anos. Eu era incrivelmente magra ― coisas da adolescência, um corpo em formação, estirão de crescimento etc ― e pesava 20 kg a menos que hoje. Puro osso. Mesmo assim, quando fui à agência, o cara que ia avaliar falou que eu ainda precisava emagrecer mais, que onde eu pensava que ia com aquela barriga?
Eu tinha CERTEZA de que não tinha barriga coisa nenhuma, era magra até demais, e o cara querendo por nóia na minha cabeça. Fui embora e não voltei mais. Tinha certeza de que não queria aquela maluquice na minha vida.
Boa remuneração é bom? Com certeza. Mas a que custo? Sempre gostei muito de ler, de aprender, e sempre quis que o meu papel no mundo fizesse alguma diferença para melhor na vida das pessoas. Não quero ofender quem trabalha na indústria da moda, mas da maneira como está, do jeito como o sistema funciona, não é uma indústria a favor das pessoas e sim do capital.
Gosto de usar roupas bonitas, me enfeitar, pois aprecio a beleza em tudo o que me cerca, como aprecio a beleza de uma paisagem, de um pássaro ou de uma flor. Ninguém deveria ser considerado belo às custas da infelicidade de quem não é espelho.
Penso que eles não fabricam roupa para nenhuma mulher feliz. Há que ser infeliz para agradar a indústria da moda. E como as irmãs de Cinderela, cortar fora dedões e calcanhares para caber no sapatinho de cristal.

30 comentários:

Ana J@zz disse...

post brilhante.

aiaiai disse...

Lindo, Talita!

Janaina disse...

Muito bom! Ótimo texto!

Aline disse...

Eu já fui muito magra e mesmo assim tinha dificuldade de achar roupa. Tenho 1,72 e pesei 50 Kg... Quando cheguei aos 55 Kg é que as coisas ficaram mais fáceis. Quando passei dos 60 kg começou tudo a complicar. Agora que peso mais de 70Kg, saio do shopping sempre chorando... Me sinto muito mal por que NADA serve...

Beijos

Aline

Márcia disse...

Pois é...

Tenho 57kg em 1,63m de altura e só encontro sutiã que caiba em mim (bojo 46 em uma magra) se for aqueles que as alças são removíveis, aí de vez elas em quando se soltam.

E olha que há um ano eu pesava apenas 52kg e 6 anos antes 49kg...

Pois é, sou magra e tenho seios muito grandes. Uma aberração para a indústria...

Bem, os sutiãs últimos que comprei ficaram em torno de R$ 37,00 (os de alças removíveis). Já me recomendaram certas lojas que sei que vou gastar tubos pelo conforto, muito mais que os R$ 37,00. A primeira que entrei só tinha modelos básicos, nenhum enfeitezinho sequer, nem cheguei a experimentar. Não há opção, qualquer sutiã mais bonitinho não tem o meu nº, ou se tem fica muito folgado nas costas. Como se só pessoas gordas tivessem seios maiores (me pergunto onde essas pessoas imaginam que vivem...). Todos os meus sutiãs são de modelo básico. Estou determinada achar modelinhos mais enfeitados que caibam em mim, mas acredito que vou gastar a maior nota.

Isso me irrita...

Pat Ferret disse...

Vocês já assistiram algum episódio do programa "Se ela dança, eu danço", do SBT? Um dos jurados, João Wlamir, se esmera em agredir os dançarinos que lhe parecem "acima do peso" (principalmente as mulheres) com termos como "baleia" etc.

É claro que manter um peso saudável é essencial para dançarinos profissionais e esportistas (vide Ronaldinho), mas a questão é que "gordo", para esse senhor, é qqr moço ou moça de compleição perfeitamente normal, nem gordo nem magro. NADA justifica a forma como ele fala. E os pobres aspirantes a artistas, coitados, vêem-se forçados a aguentar tudo calados, em troca de uma chance de participação no show (se fosse eu, mandava-lhe um "Vá tomar no...", virava as costas e ia embora, mas...).

Eu tb sempre tive problemas para comprar roupas pq, mais cheinha ou mais magra, continuo com um corpo "violão" e as modelagens no Brasil quase sempre são pensadas para mulheres retas, sem quadril nem seios. Camisetas são um grande problema, pq ficam justas mesmo no tamanho G e SEMPRE ficam curtas: acabo tendo que constantemente puxar a camiseta pra baixo, para não ficar de barriga de fora.

Isso sem contar a incongruência nos tamanhos: na Taco, por exemplo, uma calça jeans "40" pode ir de 38 a 42, dependendo do modelo.

AFF...

Talita disse...

Lola,
Mais uma vez agradeço pelo espaço. Um abração!

Aline disse...

Pessoal, estou assistindo um seriado chamado DROP DEAD DIVA, A história começa com a Deb, uma aspirante a modelo, loira, altissíma, magra e fútil, sofrendo um acidente de carro, e com a Jane, uma advogada extremamente inteligente, gorda, baixinha, não usa maquiagem, não se enfeita e altamente altruísta, levando um tiro no escritório. A Deb se recusa a morrer e quando volta ela acorda... no corpo da JANE!
Ela tem preconceito contra ela mesma, até se tocar que terá que conviver com aquele corpo e com as necessidades dele para o resto da vida, pois o corpo da Deb foi enterrado e ela jamais voltará a ser a Deb... Ela assume o lugar da Jane, de advogada e tenta usar seu conhecimentos "da outra vida" junto com a inteligencia da jane, que permanece com ela.
A série é interessante, por que trata de auto-estima, coisa que a JANE não tinha e a DEB tinha em excesso...
De modelos de beleza e esteriótipos...
E por ai vai. Se tiverem oportunidade, assistam... A Nova Diva, A Deb no corpo da Jane, tem dificuldade para comprar roupas, é excluida em bares que antes ela era a badalação, é ridicularizada por seu peso, e tem um capitulo que ela processa uma empresa de dietas milagrosas...

beijos

Aline

Pili disse...

Pat Ferret,
fui atrás da tua dica e recomendo que mais gente vá.
acho que esse momento ilustra tudo:
http://www.youtube.com/watch?v=3sdGHAZJtrQ&feature=related

Alexandra disse...

Eu sempre fui muito magra e com ossatura bem fina (o que me dah muito medo pois pode indicar uma osteoporose no meu futuro). Tenho 1,78m e com 18 anos pesava 47kg apesar de comer igual um caminhoneiro. Hoje tenho 35 anos e peso 60kg, que eh como me sinto mais saudavel. Nao pareco puro osso, muito pelo contrario. Tenho quadril largo e a bunda de quem deve ter tido algum antepassado africano.

Todo mundo me diz "ah vc tem corpo de modelo! deve ser facil comprar roupa!". Eu rio e digo que nao fazem roupas para modelos. Tudo fica curto, ou na cabe no quadril, as mangas nao servem, eh um inferno. ODEIO comprar roupas. Quando encontro uma calca que serve jah compro logo 3, uma de cada cor pq sei que vai levar uns anos ate me animar a sair de novo pra comprar roupa.

Minha tia, que eh bem alta e grandona, um dia foi comprar uma calca numa loja no estado do Rio. Ela perguntou pra atendente que tamanho tinha e a atendente disse que era "tamanho unico". Ao lado da minha tia estava uma senhora magrinha que nao deveria passar de 1,50m. Ela apontou pra mulher e perguntou "vc tah querendo me dizer que a mesma calca vai servir em mim e nessa senhora??" Muito ridiculo.

Brilhante o post.

aiaiai disse...

pensando no problema da Márcia ao contrário: imagine uma mulher mais gorda, com peito pequeno. Também não vai ter sutiã para ela. Depois reclamam que somos feminazis e queremos colocar fogo nos sutiãs kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Ághata disse...

Ai, esqueci o nome dele...!

Lola, uma das imagens que você coloca é de um cara que, na mitologia grega, procurava alguém que era ideal. Ele pegava pessoas nas estradas e as amarrava no molde e ia cortando ou esticando-as até que coubessem perfeitamente no molde, só que, via de regra, elas morriam no processo...
Esqueci o nome dele...

Pat Ferret disse...

Pili,

Nesse ele pegou até leve! Olha esse outro aqui, por volta de 5:00 e 8:00. O sujeito é um grosseirão... :-P

http://www.youtube.com/watch?v=nWHLksSjsRY

Niemi Hyyrynen disse...

Ághata

O rapaz se chamava Procusto.

Está descrito no próprio post...

Isabel disse...

Ótimo post, parabéns!

Mostra como nós, gordas, não somos as únicas "privilegiadas" pela indústria da moda. Qualquer mulher que não pese 45kg, não seja muito alta nem muito baixa e não tenha o corpo reto, sem nenhuma curva, também não pode ser feliz e usar as roupas que quiser. Imagino que seja facílimo para uma brasileira se encaixar nesses padrões que são inatingíveis até pela maioria das mulheres européias, imagino.

Aliás, essa é uma das coisas que não entendo: por que não explorar esse mercado consumidor? Por que excluir tantas mulheres que QUEREM (e precisam) gastar dinheiro com roupas? Será que mantê-las infelizes é tão mais lucrativo que não vale a pena?

Liana disse...

Por isso que fico feliz toda vez que vou pra algum curso ou seminário internacional nos EUA: lá a gente acha tudo de todos os tamnhos, comprimentos, larguras e, o melhor, preços.

Já por aqui... uma pessoa como eu, que basicamente se encaixa nos padrões (1,74 de altura e 64kg) tem dificuldades pra comprar roupas q sirvam na largura e no comprimento ao mesmo tempo... imagino como deve ser pra quem tá fora dos padrões...

Michelle Silva Toti disse...

Vocês viram a nova da Avon e da Mattel? Produtos de beleza para crianças. Segundo o comercial, veiculado na Nick, eles encontraram o segredo de beleza da Barbie (a boneca magrela e peituda que se fosse mulher nem menstruaria, de tão seca). As meninas devem crescer com esse padrão de beleza.
Ótimo post aqui: http://ombudsmae.blogspot.com/2011/02/infancia-do-meu-filho-nao-esta-venda.html

marisss disse...

Tenho 1,80 e peso 72 quilos. Seeeeepre tive dificuldade para comprar calças ou blusas de mangas compridas...
O pior foi usar por um bom tempo da minha adolescência sapatos num. 37 para quem tem pés tamanho 39... bela e grandiosa indicação das minhas tias, que me disseram um dia que mulher "feminina" não pode ter "pézão"...
Essa foi uma das imposições... outra igualmente insana, era usar calças de moletom por baixo da calça jeans, pra "engrossar" as pernas compridas e magricelass.... não importa se tá fazendo 40 graus...
Sofri muito com isso, entre outras coisas q fiz, aceitei e acreditava ser melhor aceita por essas atitudes ridículas...
Hoje tenho asco de todas essas "indicações", e claro, das minhas tias....

leituraescrita disse...

Me identifiquei tanto com o post!!!

Tenho a mesma altura e peso da autora e como sofro para encontrar roupas! HOJE, não estou no meu peso confortável (engordei 10kg em dois anos e quero perdê-los para voltar à minha zona de conforto), mas mesmo quando pesava 73 kg era um tormento achar roupas que me coubessem. Essa história do "42 vai caber COM CERTEZA em você!" é algo que já cansei de ouvir.

A moda tem um padrão irreal: qual mulher de verdade consegue achar facilmente roupas que se adequem ao seu corpo? (e não o absurdo de adequar o corpo às roupas).

Infelizmente, se quero comprar roupas que me caiam bem, tenho de pagar caro e nem sempre ficar satisfeita com o resultado.

Gabriele disse...

Excelente texto!
Fiquei pensando no tempo das costureiras e alfaiates predominando no mercado. O mercado atendia ao corpo da cliente. Hoje está tudo invertido.
Minha vó é costureira, fazia tempos que não me fazia um roupitcha, e há alguns dias resolveu fazer uma calça para mim. Coisa boa, tudo com a MINHA medida. Sem comparação.

Koppe disse...

"eles não fabricam roupa para nenhuma mulher feliz." Perfeito. Excelente texto.

Todas as crianças deviam ler muitos textos desse tipo antes de entrarem na adolescência. Ia diminuir muito as estatísticas de anorexia e dietas absurdas pelas gurias e de usos de anabolizantes perigosos pelos guris.

Acho que a indústria sempre vai pelo mais fácil. Trabalham com produção em série, então sai mais barato fazer tudo o mais padronizado possível. Centavos de economia em cada peça, mas eles fazem milhões de peças, então no final deve compensar. Ou então é simples burrice, de não saber que existe demanda para outros tamanhos de roupa. Quem sabe se aumentar o número de posts desse tipo na internet, reclamando disso, eles percebem e comecem a pensar em fabricar em outros tamanhos? Ou alguém perceber que existe demanda e abrir uma loja especializada?

Jéssica disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Jéssica disse...

Ou então é simples burrice, de não saber que existe demanda para outros tamanhos de roupa.

Eu diria que essa é a realidade. A moda brasileira é algo recente. Muitas pessoas vão trabalhar na indústria da moda sem o menor conhecimento sobre como agradar o público nacional. A exemplo disso é que o fato de NENHUMA mulher brasileira conseguir arrumar uma roupa decente no shopping é porque elas são feitas no padrão europeu. Por isso, só européias cabem nas roupas vendidas em lojas brasileiras.

Agora, é muito dificil mudar isso. Eu estudo moda e os professores SEMPRE falam que temos que perceber novos mercados, fazer roupa pra quem precisa (pessoas muito altas, muito baixas, muito magras, muito gordas e etc.), mas boa parte do pessoal só consegue pensar em "dinheiro, dinheiro, dinheiro". E não é que a infelicidade dos outros dê mais lucro, mas sim que ficar pensando demais nisso te faz esquecer que há outros meios, ainda não descobetos, de se ter grana.

*me desculpe os erros de português. Escrevi esses post morrendo de canseira.

Luciana disse...

"Ah, dá uma olhadinha na seção infantil..." ¬¬

"Puxa, quem dera ter um corpinho (barriga/peito, no máximo) que nem o seu. Eu poderia usar a roupa que quisesse" ¬¬

Sério, por que o mercado de moda trabalharia para deixar a mulher satisfeita, atendida e confortável se existem N outros mercados que se alimentam (ahn? ahn? ;-) da infelicidade alheia (aka nossa). Cosméticos, tratamentos para emagrecer, rejuvenecer, aumentar peito, tirar peito, tirar gordura da barriga e colocar na bunda...

...

Já perguntei para uma estilista porque não havia investimento em tamanhos G, GG, etc.
A resposta: por gastar muito tecido em um produto que pode encalhar. Se o/a cliente não gostar do modelo, o prejuízo é maior.

...

Eu tenho 1,64m e 45kg. E há 2 meses eu pesava 43kg. Significa: devo ser a consumidora mais feliz aqui, né?

(imagine com a voz do Nelson) HÁ HÁ!

...

Minha pouca gordura já foi tomada pela celulite. Ai ai.. Vou ali comer um chocolatinho. É melhor ser feia (e mal vestida) que ser triste ahsduahsdukas

bjs

Carol disse...

Tenho mais ou menos a mesma altura e o mesmo peso da moça do post (estou tentando perder uns 5 kilinhos). E ainda por cima, calço 40. Sim, 40.

Como resolvi a situação: compro roupas basicamente em 3 lojas e sapatos em uma (agora descobri uma loja só para quem calça acima de 40 com sapatos bonitos, mas isso só é possível em cidades grandes, como Sampa). Chegou do meu tamanho e do meu gosto? A vendedora liga aqui em casa e já fala: "Carol, chegou, vem aqui experimentar". Como tenho relação pessoal com elas, posso trazer as roupas na minha casa, experimentar direito e ver se eu quero.

Mas se fosse depender de lojas de departamento, esquece, isso seria impossível.

Agora, sobre indústria da moda em geral, existem algumas justificativas para o que acontece:

1- Roupas em larga escala customizadas em massa (diversos modelos com diferentes medidas, por exemplo) saem caro. E aí sai caro para a fábrica. Ainda é impossível manter alta customização com alta produção;

2- Marcas famosas não fazem roupas de tamanhos grandes porque não querem ter sua imagem associada a pessoas gordas (fats are the new blacks). Isso pode estar mudando, pois estão surgindo marcas especializadas e tal.

Conclusão: roupa perfeita, só mandando fazer, pois ninguém é igual ao outro e roupas são fabricadas em série.

Mas... algumas marcas poderiam realmente aumentar a numeração, especialmente aquelas em lojas de departamentos. É provável que ganhassem muito dinheiro, já que não têm esse problema de imagem da marca. E resolveriam alguns problemas básicos das mulheres que sofrem para conseguir comprar uma calça.

Jamille disse...

Tenho o mesmo "problema" da Marcia. Um dia comprei um sutiã pela internet (odeio ter que experimentar e sair frustrada)...
Tinha um modelo bonito de bolinhas e 48! Comprei.
Quando chegou e fui experimentar não entendi nada. A etiqueta 48 com tamanhho de um 46 pequeno.
Poxa...
Fora que nas costas sempre fica grande.
Enfim,
adorei o guest post!

Koppe disse...

Olhem essa charge do André Dahmer: http://malvados.wordpress.com/2011/02/25/1820/

Iseedeadpeople disse...

Jessica,

como assim as roupas brasileiras seguem padronagem européia??? Eu tenho 1,73 e 70kg, ou seja, corpo perfeitamente normal, mas nas lojas q entro só saio com a sensação de que sou muito alta e muito gorda! Blusas tamanho GG que deixam toda minha barriga de fora e calças 42 que deixam minhas canelas aparecendo! Imagine então a mulher européia, q em média é mais alta e mais encorpada q a brasileira!

Eu acho q a moda brasileira segue padronagem de ET mesmo!!!

Roberta Nunes disse...

E as baixinhas, minha gente? 30 centímetros de barra de calça indo pro lixo não deixa ninguém feliz, eu garanto. Pior, calço 31. Não, não tenho 10 anos. Tenho 32, peso 53 kg acomodados em 1,50m. Sempre fui "mignon", com peito 44 e bunda considerável (herança nordestina+italiana), mas comprar roupa em loja infantil é horrível! É isso. Acho que, como a maioria é "fora de padrão", onde está a lógica de "padronizar" tudo?
Amei o post. Reflete uma realidade de muitas!

Lia disse...

O pior é que a indústria da moda faz tudo se baseando em um padrão de peso, altura e nº de calça, e quem estiver acima ou abaixo disso se ferra!!! Minha mãe é mto magra e baixinha, é complexada por isso, ir as compras com ela é mto chato pq nada fica bom, sempre fica mto grande, é muito difícil algo que ela goste pois é tudo pensando em pessoas altas e que têm bunda 38.