sábado, 25 de outubro de 2008

DONOS DE MULHERES S.A.

Só agora vi a página do assassino Lindemberg no orkut. Como ele está “impossibilitado de usar o orkut”, quem modera por ele é o primo, que escreveu (traduzido pra linguagem de gente, ou seja, naum por não):
“Aí galerinha na moral, vamos dar uma força pro Leke, quem nunca errou na vida? Ele é sangue bom, nunca fez m**** nenhuma na vida... A mina deixou o cara doido, é f**a. Também ninguém tava lá na hora, pra saber se a polícia invadiu do nada, agora é fácil eles falarem que ele atirou. Pensem nisso, toda história tem duas versões! A Eloá também não é nenhuma santinha não. Pelo que parece tem bastante gente que odeia ela e fico[u?] feliz com sua morte. Todo mundo sabe também que ela era bem p***inha, bem nem falo mais nada... Agora que virou presunto é santa. Hipócritas. Nem trabalho era, mas sim um bacanal. Mundo injusto”.
(O primo do Leke escreveu “tem bastante gente que odeia ela e fico feliz com sua morte”. Como ele também parece estar feliz com a morte de Eloá, não sei se ele queria dizer se ele ou muita gente ficou feliz).
Demorei uns cinco minutos pra entender o que o gigante emocional quis dizer com “Nem trabalho era, mas sim um bacanal”. Concluí que ele só pode estar se referindo ao trabalho de geografia que Eloá, Nayara e dois meninos estavam fazendo no apartamento quando Lindemberg, Leke pros íntimos, entrou armado. Sim, eu acredito plenamente que quatro jovens de 15 anos estavam participando de um bacanal no começo da tarde, bem no apê dos pais... Além disso, alguém tem dúvidas que, se fosse mesmo uma suruba, Lindemberg já chegaria atirando nos quatro? No entanto, na remotíssima hipótese que os quatro estivessem mesmo no meio de um bacanal, isso seria motivo pro criminoso atirar em alguém? Algumas pessoas não entendem que nada justifica atirar em alguém. Nada. Nem a não-virgindade da menina ou o passado do pai de Eloá (os fãs de Lindemberg colocam os dois episódios - uma menina não ser virgem e o pai dela ter matado alguém antes mesmo dela nascer - na mesma balança) mudam o fato que Lindemberg matou Eloá e tentou matar Nayara.
A comunidade “Eloá virou presunto” não é a única a homenagear o criminoso. Há uma outra, “Força Lindemberg estamos com vc!”, que diz que não concorda com o que ele fez e que ele até deveria ficar “uns meses preso”. Mas que foi a polícia que foi incompetente, “sem falar q as 2 eram vadias”. Um comentário diz que é uma pena Nayara não ter morrido, mas pelo menos ela levou um tiro na boca, e vai ter que ficar sem (traduzindo pra uma linguagem menos chula) fazer sexo oral em mulheres por um tempo. Porque uma amizade entre duas meninas só pode existir se houver alguma “perversão” por trás (pros membros dessas comunidades, mulher se envolver em qualquer atividade sexual é perversão). Essa comunidade já tem 1700 membros, se bem que a maioria parece estar lá só pra torcer que Lindemberg seja estuprado na cadeia. Mas o desejo de vingança não exclui a misoginia. Parece haver muitas pessoas que querem que o criminoso seja estuprado e morto, mas ainda assim reclamam da “promiscuidade” das meninas. “Deu” uma vez, é promíscua! E notem que não usam o termo “transar”, mas sim “dar” - porque “dar” é passivo.
Lindemberg fazia parte de quase 300 comunidades, entre elas “Amo Minha Namorada + do Q Tudo”, com 74 mil membros. Espero que nenhum dos outros 74 mil decida que “mais do que tudo” inclui passar por cima da lei. Porque matar é proibido por lei. Mesmo matar mulher é proibido. Depois que a gente vê acontecer um caso terrível desses, e percebe que ele só não é totalmente rotineiro porque, em geral, o homem mata a atual ou ex na hora, sem essas frescuras de cárcere privado de cinco dias, fica difícil ler uma enquete da comunidade sem sentir medo. A enquete pergunta: “Quanto você ama a sua namorada?”, e uma das respostas é “até o fim da vida”. Assim, sem sequer especificar de qual vida estamos falando, a dele ou a dela. Isso me lembra (não que eu havia nascido na época) os faraós egípcios, que quando morriam eram enterrados com todos os seus pertences - incluindo aí suas mulheres. A gente vive numa sociedade em que muito homem se considera dono da propriedade particular que é sua mulher. Dono vitalício e intransferível, pra piorar.

41 comentários:

Masegui disse...

Lola,
Você é sempre muito educada e cuidadosa com o que diz e parece que pensa bastante antes de faze-lo. Talvez mais tarde eu me arrependa do que estou falando agora, mas preciso externar toda a raiva que estou sentindo no momento. É inadmissível a banalidade com que essas pessoas tratam a vida dos outros. Esse sujeito que está defendendo o assassino é outro assassino em potencial.

Por essas e por outras que sou a favor da pena de morte. E torço para que esse lindemberg morra na cadeia, mas não antes de sofrer horrores.

Eu fico imaginando se essa menina fosse minha filha. É puro egoísmo eu sei, mas eu gostaria de botar as mãos nesse sujeitinho apenas alguns minutos.

Desculpe.

Anônimo disse...

Eu nem sei se ter lido o que vc escreveu me deixou mais desanimada com o mundo em que vivemos ou se aumentou a minha esperança nele, hehe. É um desalento enormeeee saber que existem pessoas que ainda defendem um cara desses, mas tb me alegra saber que não sou só eu que acredito que essa menina merecia antes de tudo VIVER, errando e acertando como todos nós, tendo uma viva pela frente pra aprender e ser feliz.

E é novidade para mim o fato de que o assassino participava de inúmeras comunidades no orkut... ainda preciso pensar mais sobre isso. Mas de cara isso tira dele, na minha opinião, qualquer chance de alegar que é uma "pobre-vítima" que nunca teve oportunidade de aprender que dá pra reagir às frustações da vida sem usar violência. Pois muitas vezes é isso mesmo que alguns advogados alegam, que o criminoso é na verdade a grande vítima de um "destino cruel", que nunca teve oportunidades de conhecer alternativas, etc. Como se todas as pessoas com poucas oportunidades fossem necessáriamente violentas... absurdo!

Defendo os direitos humanos e valores éticos, mas em casos como esses não consigo deixar de desejar que o cara sofra, e muito.

Bjsss e boa festa da vitória amanhã.
Taia

Anônimo disse...

Ai Lola eu não queria contar uma coisa aqui, mas vou contar:Conheço
uma mulher que todos os dias levava
porrada do marido.
Um dia ela esperou, apanhou e depois meteu TRES balas no meio da cara dele.
Felizmente foi absolvida por todos os jurados
Pronto. Contei. Sou cristã mas apanhar todos os dias TAMBEM CANSA.
Fatima. Laguna.

Anônimo disse...
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Anônimo disse...

Pois é Lola, esse acontecido nos mostra que a nossa sociedade tem feridas nas quais as pessoas não param muito para questionar. É desconcertante quando uma pessoa começa a ficar feliz (e desejar ardentemente)a morte de outras pessoas. De facto há casos de pessoas que não merecem a vida, pessoas que não são pessoas, mas esse não foi o caso, está impregnado de machismo e preconceito. E há as leis.

Eles querem culpar essas jovens do quê afinal? Será possivél ser tão retrógrado nos dias que correm?
Eu não sei nada de Leis, mas acho que a lei não diz que é proibido fazer qualquer coisa que seja, ela apenas diz que se você fizer...como matar uma pessoa...vai ter que arcar com as consequencias. Que é o que ele merece.

Unknown disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Unknown disse...

Sorry Lola, eu tinha mandado o link errado, o video nao existe mais no youtube.Achei outro link, do site da NBC, demora para carregar mas vale a pena.
Veja aqui

Unknown disse...

Ai,ai o link no comentário anterior nao funciona. Veja se vc consegue acessar o site:
http://www.poltrona.tv/apos-imitacoes-sarah-palin-aparece-no-saturday-night-live/

lola aronovich disse...

Mario Sergio, se alguém que me conhece pessoalmente ler o seu comentário, vai rir muito. Acredite, não sou exatamente conhecida por pensar antes de falar ou ser muito educada e cuidadosa com o que digo. (Não que eu seja grossa, mas eu sou do tipo brucutu-honesta-demais, sabe?).
Entendo a sua raiva. Eu também fico indignada com o que Lindemberg fez, com que outros homens fazem, com a misoginia dessas comunidades no orkut. Mas não sei como a morte dele resolveria alguma coisa.
Também não sei como a morte de Eloá resolveu alguma coisa pra ele. Agora que ele está na cadeia deve estar arrependido (o que não significa que não deve ser punido) e lamentando o que fez. O que a gente precisa fazer é reclamar toda vez que ouve algo que denote ódio às mulheres, e interferir nos casos de violência. Enfim, deixar claro que isso - bater, xingar, matar mulheres - não é normal, tolerável, ou muito menos admirável.

lola aronovich disse...

Taia, entendo. Eu sempre tento ver o lado bom, encontrar alguma coisa que me deixe otimista. Mas não sei se consigo ver o lado bom no caso Eloá, ou nessas comunidades de pessoas que odeiam mulheres. Torço pra que elas reflitam um pouco no que estão dizendo e mudem.
Pessoalmente, não quero que Lindemberg (ou ninguém) sofra, nem morra. Mas quero que ele seja punido, ficando o máximo da pena preso.


Fátima, um caso assim de uma mulher que mata o marido a tiros não é muito comum. Como eu contei pra Su num outro post, conheci presidiárias que haviam matado o marido. Mas era tudo em defesa própria, e com armas encontradas na hora (faca, ferro de passar). Tudo mulher que apanhava do marido. Bom, fico feliz que essa mulher tenha sido absolvida. Pra mim é legítima defesa. É matar antes de ser morta. Mas em geral, se a mulher é pobre e negra (como as que eu conheci), elas não são absolvidas, não.

lola aronovich disse...

Cavaca, acho que desejar e torcer pela morte e pelo sofrimento de alguém é até normal (eu já desejei a morte de alguns vizinhos barulhentos meus). Mas pensar é pensar, agir é outra coisa. Também não sei do que esse pessoal está culpando as jovens. Sinceramente, acho que é só por elas serem mulheres mesmo. Porque se fosse homem ninguém estaria falando da sexualidade dele, chamando-o de baranga ou de gordo.


Clau, assim que tiver um tempinho vou tentar assistir, obrigada. Chato como o Saturday Night Live não deixe os vídeos no Youtube!

Anônimo disse...

DO-EN-TIO, Lola, não tem outra explicção. Nunca participei desse orkut e dessas comunidades, ainda bem! Por que as pessoa perdem tempo com isso não sei... Imagino que aqui na América existam essas comunidades tb e de gente que não sabe escrever mas tenho medo de voltar pro Brasil, sabia? Ainda bem que não é a minha realidade, no momneto, anyway.

bom fim de semana,

Antigravidade disse...

Lolitcha,

A verdade é que a polícia deveria ter acertado um tiro no coco do retardado quando teve chance.

Quem sabe aprenderam como devem agir da próxima vez.

Beijos,

Mau

P.S.: E, pra quem não me conhece, sou o cara menos reacionário do mundo. Mas, depois de ter feito o Pena de Morte com o Mucinho (http://www.youtube.com/watch?v=DwK2G49Q_Es), estou começando a pensar numa continuação com o nome de "Pena de Morte 2: Mudamos de Idéia".

Raiza disse...

Eu já tinha visto isso,vi num site chamado "Tolices do Orkut" que posta as idiotices que o pessoal posta na rede,felizmente esse animal colocou o telefone e o endereço do próprio trabalho,então o que vai ter de gente ligando pra mandá-lo praquele lugar não tá no gibi,é só isso que me consola um pouco.

Anônimo disse...

Olá Lola!
Tentamos (eu e meu namorado) denunciar a comunidade do orkut citada (não sei se deu certo..não sabemos fazer direito essas coisas.)
Que barbaridade.
Não concordo com a pena de morte. No estado que está a nossa sociedade, me dá medo de pensar quem na prática iria morrer se houvesse tal institucionalização.
Mas o machismo rola solto mesmo.

Particulamente, o que me dá medo é a total relativização que estamos passando. Por isso qualquer coisa é passível de "ter dois lados da mesma moeda", "dependendo do ponto de vista". O que é muito diferente de uma verdadeira coletividade. Pois para viver em uma coletividade precisamos de reflexões críticas a respeito da humanidade.
Acho que é um reflexo de nossa sociedade, e neste caso, de um pensamento pós-moderno tão presente hoje em dia. Onde tudo é válido...assim todos nós estamos nos individualinzado..
E até o machismo se torna passível de mistificações e "depende do ponto de vista"... que triste.

Abraços..
Mari

Anônimo disse...

Quando eu falo que eu espero que ele sofra, e muito, eu estou pensando em 2 aspectos bem específicos: primeiro que ele sofra de remorso/culpa (o que já é uma forma de prisão pra vida inteira), e, segundo, que ele fique décadas preso numa prisão/cadeia. Assim ele não pode mais causar dano a outra menina desavisada e ainda vai pagar perdendo o que ele tinha mas não soube aproveitar: a liberdade. Imagina o sofrimento de um cara que acha que pode fazer tudo o que pensa e quer, até mesmo matar, envelhecer confinado... sem poder fazer mais nada do que pensa ou quer.

Bjsss e até...

Anônimo disse...

Haaa... esqueci de dizer, concordo plenamente que a morte dele não resolveria nada para ninguém. Só faria com que a história fosse esquecida mais rapidamente. Se ele for julgado, condenado e permanecer preso por muitooooo tempo, então sim poderá ser lembrado ainda muitas vezes como um exemplo de que esse tipo de violência não fica impune.

Babs disse...

Em relação à alguns comentários aqui:
Claro que dá vontade de ver esse "ser" sofrer bastante, mas ainda prefiro viver num estado de direito onde aquilo que me causa repulsa não necessariamente me permite "fazer justiça com as próprias mãos".
E garanto que não é falta de sensibilidade, mas é para pensar. É fácil condenar a monstruosidade evidente e não se dar conta da monstruosidade que é passar por cima dos direitos humanos . É uma questão de premissas.
ABraço

Babs disse...

E concordo com a Taia quando ela diz que "eu estou pensando em 2 aspectos bem específicos: primeiro que ele sofra de remorso/culpa (o que já é uma forma de prisão pra vida inteira), e, segundo, que ele fique décadas preso numa prisão/cadeia"
É por aí.

Masegui disse...

"Mas não sei como a morte dele resolveria alguma coisa."
Simples: as outras Eloás não correm mais perigo...

Anônimo disse...

babs! que doidoo... cliquei no teu nick e descobri que vc gosta de bioética e da verdade do "vinho", hehe. Participo de um comitê de bioética há anos na minha cidade... e neste momento já tomei vinho demais para dar a minha opinião sobre o teu post... mas prometo entrar em contato amanhã e ler o que vc escreve nos teus blogs. Bjsss
Taia

Babs disse...

Taia,
Obrigada,e te espero por lá!
Bjs

lola aronovich disse...

Isabella, tem cada louco na internet... Não sei se é porque se pode esconder por trás da anonimidade. Mas tb tem muita coisa boa, lógico. Pena que os loucos tenham a chance de vir à tona. Bom fim de semana pra vc também!


Mau-mau, bom, eu concordo. Se tiver que escolher entre a vida do sequestrador ou a das reféns, que dúvida?
Vc não tá pensando seriamente em mudar de idéia sobre a pena de morte, tá? Lembre-se que as pessoas vão ficando mais conservadoras assim que vão envelhecendo... Agora que o senhor tá cheio de fios brancos, vai virar reaça?

lola aronovich disse...

Princesa, ah, eu vi. O primo do Lindemberg parece ser um desses pit boys, sabe? Pelo menos a julgar pelas fotos. Ele vai receber muitos telefonemas sim...


Mari, concordo contigo, principalmente sobre a relativização. Pois é, não tem nada de “ponto de vista” nessas questões totalmente erradas. São erradas e pronto. Violência contra a mulher é sempre errada (a menos que seja consentida num jogo erótico, mas aí espera-se que não seja violência de verdade).

lola aronovich disse...

Taia, quanto tempo dura a culpa e o remorso? Não sei, depende de cada um, mas não é coisa de anos, da vida toda, é? Mas sim, espero que ele fique décadas na cadeia (pelo menos 30 anos). Essa já é uma bela punição.
Não sei se ele será lembrado por muito tempo. A gente esquece rápido. Só até a próxima tragédia. Mas a influência que ele terá independe da punição que ele merece.


Babs, é isso mesmo: a gente, como indíviduos, pode ter desejos de matar e de fazer outra pessoa sofrer. Desde que fique só nisso, no desejo. Mas o estado, como coletividade, não pode dar vazão a esses desejos bárbaros. O estado não pode exercer vingança. Pode e deve punir, mas isso é diferente de vingança. Direitos humanos são pra todos, não apenas pros criminosos. Não se pode esperar que criminosos tenham ética, não sejam cruéis e sigam a lei. Por isso são criminosos. Mas pode-se esperar isso de um estado de direito.

lola aronovich disse...

Mario Sergio, as outras Eloás vão continuar correndo perigo e morrendo, independente do Lindemberg. Se ele ficar na cadeia 30 anos, não estará oferecendo perigo pra mais nenhuma mulher. Espero também, claro, que nenhuma menina se aproxime dele. Porque isso seria atestado de ignorância da parte de alguma mulher.


Taia, Babs, fico feliz que vcs tenham mais isso em comum: vinho e bioética (não sei dizer qual dos dois assuntos entendo menos). Abração!

Antigravidade disse...

Lola,

Na verdade, como comentei com o Muca, a continuação se chamaria "Pena de Morte 2: Abrimos Exceções". Hoje em dia acho que alguns (poucos) casos não tem mesmo solução e não adianta perder tempo. O melhor é cortar o mal pela raiz de uma vez.

E, cá entre nós, confesse: não tem ninguém que você já tenha pensado em matar ou tenha desejado que morresse?

Ninguém???!!!

Mau

Masegui disse...

"as outras Eloás vão continuar correndo perigo e morrendo, independente do Lindemberg".

"Se ele ficar na cadeia 30 anos"

Uma: mas é um lindemberg a menos!

Outra: onde? aqui no Brasil? Só se ele for extraditado!

The Red Death disse...

lola, as tais comunidades só têm tantos membros assim porque alguns engraçadinho roubaram (ou não...) e mudaram os nomes de comunidades. eu mesma estava numa comunidade dessas. fiquei furibunda!

engraçado que sexta fui ao restaurante japonês e dentro do biscoito da sorte tinha a seguinte mensagem: "Acredite na bondade da raça humana".

Tá difícil, viu, Sr. Biscoito?!?

The Red Death disse...

ah, já especula-se que o pai da eloá e o lindemberg tenham "envolvimento", tanto que PARECE que o lindemberg espancou a menina uma vez, e o pai nada fez.
estava comentando com o namoradão que, apesar do meu pai não ser um pai possessivo, se um dia ele - o namoradão - encostasse um dedo em mim, tenho certeza que meu pai teria uma "conversa séria" com ele, no mínimo!!

e o namoradão ainda comentou que, se fosse pra ele um dia encostar a mão em mim, seria pra matar, esconder o corpo e se mandar pra fora do país. sim, somos muito carinhosos um com o outro.

lola aronovich disse...

Ha, Mau, gostei do subtítulo proposto pro seu filme... Claro que já desejei a morte de pessoas! Várias vezes. A dos meus vizinhos, por exemplo. Aqueles que ouvem música no máximo, atrapalham a vida de todo mundo, jogam bombinha na gente quando fazemos abaixo assinado, juram que vão se comportar quando os levamos à justiça, e no mesmo dia colocam a música no volume máximo novamente... E me ameaçam de morte... Eu imaginava todo tipo de tortura e morte dolorosa pra eles. Até já te contei que fantasiava ser uma super-heroína pra poder me vingar. Eu pensava qual super poder seria mais conveniente: mulher borracha pra eu esticar o braço e quebrar o aparelho de som deles? Ou mulher invisível mesmo pra poder matá-los sem deixar pista? Eu queria muito poder fazer que nem os Scanners do filme do Cronenberg...
Mas todas essas fantasias não me faziam bem. O ódio realmente não faz bem.

lola aronovich disse...

Mario Sergio, não, tem chance do Lindemberg ficar na cadeia 30 anos, sim.


Ju R, ha ha, adorei o “tá difícil, viu, Sr. Biscoito?!”. Tô louca pra roubar!
Sobre o pai do Lindemberg, já ouvi isso que o Lind. tinha batido na Eloá, a mãe quis denunciar, mas o pai achou melhor não, com medo de ser reconhecido.
Puxa, não quero nem pensar o que meu amado papi (morto há 15 anos) faria se algum dos meus ex-casos tivesse me batido. Acho que foi por isso que ele adorou o meu atual maridão à primeira vista. Ele sempre odiava TODOS os meus casos, e adorou o maridão. Deve ter visto que ele é da paz...
Seu namoradão é muito romântico... Mas olha só o trabalhão que dá matar alguém . Não é mais fácil só dizer: “Adeus, boa sorte nos seus próximos relacionamentos”, e dispensar a pessoa?

Unknown disse...

Ah o orkut... Sempre fazendo eu perder um tantão de fé na raça humana.

Antigravidade disse...

Ódio realmente não faz bem.

Mas, ah... como pode ser divertido às vezes...! :-)

Milena F. disse...

Hoje mesmo vi comunidades desse tipo no orkut e o perfil do tal Lindemberg e do seu primo. Denunciei todas!

As pessoas ficam dizendo que ele tinha "motivos" pra fazer o que fez, mas acredito que não há motivos pra tal crueldade. Me decepciono em ver a que ponto os seres humanos chegaram. Em ver que ao contrário de evoluir estão tentando voltar à irracionalidade.

Não há argumentos que possam justificar isso. E penso que o ERRO do caso, foi o tiro que ele disparou.

Mais infelizmente ainda pensar que se a polícia tivesse o acertado em algum momento, ele se tornaria vítima por ser primário e estar fazendo tal loucura "em nome do amor".

Que tipo de amor é esse? Uma das minhas definições pra amor é que quando se ama, o bem do amado está em primeiro lugar.

A propósito o seu texto foi muito bem escrito. Inclusive traduzeu a parte do "Nem era trabalho, era bacanal"

Beijos!

The Crow disse...

"Imagina o sofrimento de um cara que acha que pode fazer tudo o que pensa e quer, até mesmo matar..."

Essa é a verdadeira liberdade, minha querida.

Anônimo disse...

Ai ai, ler essas coisas me dah um bode... Essas pessoas realmente acreditam que certos comportamentos de uma menina (nao estou questionando se ela era p... ou nao) justificam a morte! Meudeus!

Quando eu tinha uns 12 ou 13 anos, tinha uma menina na minha escola que era muito bonita e que estava comecando a trabalhar como modelo.
Eu ouvia cada historia, de que ela tinha "dado" para Fulano e Beltrano na garagem do predio, que ela tinha feito sexo oral em sei la quem... Eu sei la o que de fato ela fazia, mas era tao obvio que inventavam essas historias so porque ela era diferente... Ainda que ela fizesse, era logico que estavam exagerando e espalhando so de raiva. Raiva de que? De ela ser bonita, de ela estar nas revistas? Triste.

PS: So um comentario desimportante: "leke", ate onde eu sei, nao eh apelido, mas abreviacao de moleke (ou "moleque", em lingua de gente)

Janaína Cordeiro de Moura disse...

Lola, permita-me ser invasiva para apontar só um detalhe: quando você usa o termo "estuprado", e não o coloca entre aspas, leva-me a crer que o julgue correto... O que, na verdade, é um erro comum, até, em profissionais do Direito... Bem, apenas para te dar um toque quando da redação, o crime de estupro tem um tipo penal bastante peculiar: só pode ser cometido contra mulheres, pois trata-se de "conjunção carnal", o que, na terminologia jurídica, limita o ato à existência de um pênis e uma vagina... Então, homens nunca podem ser estuprados... Podem ser vítimas de atentado violento ao pudor, de lesão corporal gravíssima, mas - nunca - de estupro...
Beijão.

Giovanni Gouveia disse...

Janaína, já vi um homem consultando um médico (meu tio) pois havia sido, sim, vítima de estupro, por 4 ou 5 mulheres... Na tipificação jurídica, sim houve conjunção "carnal"...

P.R. disse...

Lola,

cheguei até seu blog por indicações de uma companheira na ONG onde trabalho (Cfemea). parabéns pelo texto e pelo blog como um todo. Suas palavras explicam bem a situação toda e resumem boa parte da revolta e da tristeza que esse caso, emblemático de tantos outros, trouxe à coletividade feminina. estou adiconando.
abraços,
Patricia

Anônimo disse...

"Pernambucobebendoparaomundo", infelizmente, talvez eu não tenha sido muito clara... Quando afimei que é um crime que somente pode ser cometido contra mulher, e que necessita de um pênis e uma vagina, imaginei que ficaria explícito que o homem deve ter a "iniciativa", e não vice-versa. Daí porque o conceito de conjunção carnal é restritivo, referindo-se apenas ao ato de penetração do pênis na vagina (immissio penis in vaginam). É estabelecido no art. 213 do Código Penal, que ainda estabelece, no art.214, a tipificação para ato libidinoso diverso da conjunção carnal (atentado violento ao pudor). Ou seja, na visão penal, para ser considerada a conjunção carnal, é necessário que o pênis seja introduzido além do hímen, ou que da relação resulte gravidez.
Abração,
Janaína.