sexta-feira, 12 de setembro de 2008

CRÍTICA: MAMMA MIA / Eu queria um musical arrebatador

- Mãe, por que estamos tão rosas? O iluminador faltou?

Hoje chega ao Brasil Mamma Mia!, que fez tanto sucesso nos EUA (nada como Batman, lógico, mas entre os filmes “pra mulheres”, só perde pra Sex and the City) que algumas salas seguem reservadas para um sing along (sessão em que as espectadoras são encorajadas a cantar no cinema). Eu tinha tudo pra amar Mamma: sou mais ou menos da faixa etária do público-alvo (talvez alguns anos mais nova), adoro a Meryl Streep, sou apaixonada por musicais, e passei minha pré-adolescência ouvindo ABBA. Então por que não gostei tanto?

Sinceramente? Porque tá mal-feito. Um crítico americano disse que Mamma pode entrar pra história como o musical com a pior coreografia em cem anos de Hollywood, como se o pessoal tivesse começado a filmar já no primeiro dia de ensaio. E é verdade. Desperdiça-se bastante ao fazer um musical só com canto, sem dança. Existe apenas um belo número, “Dancing Queen”. Meryl e suas duas amigas saem cantando por uma Grécia encantadora, e, no caminho, todas as mulheres largam seus afarezes e as seguem, cantando também. Essa cena é tão liberadora que chega a ser tocante. Duas lagriminhas rolaram pela minha face, e notei que a madame sentada ao meu lado chorou também. Mas é pouco. Um número marcante num musical cheio de canções viciantes?! E ainda por cima baseado num show da Broadway que já vendeu mais de 30 milhões de ingressos?

Meryl está ótima, como sempre, e canta muitíssimo bem. É ela a alma do filme. Mas a fotografia trata pessimamente mal mãe e filha. Meryl aparece sempre com os olhos vermelhos e o rosto muito rosa. E a filha, feita por Amanda Seyfried (da série de TV Big Love; a garota mais burrinha de Meninas Malvadas), tem olhos enormes saltando das órbitas, o que deveria vir com manual de instruções do tipo “proibido closes”. O efeito é assustador. Às vezes ela lembra um batráquio; noutras, faz muitas caretas (inclusive, todas as jovens do filme têm olhos claros e a mesma expressão: olhos arregalados e boca aberta), e seu canto é nulo. Acho que ela é até docinha, mas a impressão é a de uma atriz fraca.

Nada se comparada à impressão deixada pelo Pierce Brosnan (007). Quando o Pierce cantou os primeiros acordes de “S.O.S.”, o pessoal no cinema engasgou, e em seguida caiu na gargalhada. É ruim assim. Indescritivelmente ruim. Você vai ter que pagar ingresso pra ver. Eu só pensei: “Iiic! O que é isso saindo da boca dele? Uma voz?!”. Nessas horas Mamma vira filme de terror. O grande suspense é imaginar quando que ele vai cantar de novo. E ele canta mais uma vez, tão terrivelmente mal como da primeira. Olha, não tenho nada contra o Pierce. Enquanto ele tá só decorativo no filme, não há problema. Mas não deixem o carinha se aventurar no canto, por favor! O Colin Firth se sai um pouquinho melhor, e o Stellan não tem que cantar mais que duas linhas. Acho que ele só tá no filme por ser sueco, como o grupo pop.

Mas os três são lindos, e é legal ver homens de verdade de vez em quando. Tudo bem que a gente sabe que todos os astros e estrelas fazem plástica, usam Botox, estão ultra-maquiados e tal, mas há limites. Uma perna magrinha (que é o que acontece com quase todas as pernas masculinas depois de uma certa idade) é difícil de disfarçar. O Colin tem papada, e quer saber? A gente não liga. Ele é sexy de qualquer jeito. Claro que, se ele fosse mulher, não teria mais trabalho em Hollywood há no mínimo cinco anos... Ou você acha que toda atriz consegue ter uma carreira como a da Meryl? A única restrição que faço a ela é que todas as canções da ABBA começam com um solo, e logo um coro se junta. Aqui no filme o coro também se junta, mas na maior parte não o vemos. O que vemos é a Meryl cantar como se fosse umas cinco.

Outro problema é que a filha tem 20 anos. Ou seja, tudo isso aconteceu duas décadas atrás. Eu posso acreditar numa boa que esse pessoal (Meryl, Pierce, Stellan & cia.) tenha 50 anos, mas pedir pra que eu creia que eles têm 40 é um pouco demais. Na vida real, a Meryl tem quase 60. Ela passa por 50, sem dúvida, mas 40?! Ninguém diz especificamente que eles têm 40, só que tá implícito. Os rapazes se vestiriam de hippies e metaleiros aos 30? Mais difícil de acreditar. E a Meryl conta que, quando engravidou, sua mãe a pôs pra fora de casa. Eu só pude pensar: você não deveria estar morando com a mãe aos 30, querida.

Como Mamma Mia! é dirigido por uma mulher, Phyllida Lloyd (conhecida por seu trabalho na ópera), escrito por uma mulher, produzido pelo casal Rita Wilson e Tom Hanks, estrelado por mulheres (o que não é nada comum), e feito pra seduzir mulheres mais velhas, eu tenho que elogiá-lo um pouco. Por exemplo, adorei as duas melhores amigas da Meryl. Uma é a Julie Walters (de A Educação de Rita e Billy Elliot. Tá, tá: ela faz a Molly na franquia Harry Potter), que canta “Take a Chance on Me”. A outra é Christine Baranski (de Grinch e Chicago, quer dizer, não sei quem é, mas o rosto parece familiar), que conquista a platéia cantando “Does Your Mother Know”, em que breca as intenções de um rapaz que pode ser seu filho.

Eu já disse na minha cri-crítica do trailer que pedir pra Meryl optar por um dos três lindões é pior que a decisão que tem que tomar em A Escolha de Sofia. Mas na realidade não há muito o que escolher. O sortudo já tá selecionado desde o comecinho. No entanto, Mamma tem recadinhos feministas, como falar que casar-se jovem não tá com nada, que o mais importante é ter um sonho. E, principalmente, que a vida não acaba aos 40. Hollywood nos ensina exatamente o contrário em todo santo filme. A Meg Ryan que o diga.Stellan, Pierce e Colin: Mery Streep revive sua escolha de Sofia. Vou realizar uma enquete pra você também ter que optar por um dos três.

16 comentários:

Kaká disse...

Eu ainda não vi o filme, vou hoje, mas já digo que escolho o Pierce. O Colin é bonitão, charmoso e tal, mas eu acho ele um pouco travado. O Pierce tem um ar sacana que eu adoro, ele parece ser divertido. :)

Suzana Elvas disse...

Pierce Brosnan ganhou meu coração por continuar casado (e apaixonado) por uma mulher que engordou 30 quilos desde que pariu, é chamada continuamente de "baleia" pela imprensa, veste biquini no Havaí e não está nem aí com as celulites.
Nem ele nem ela.

cavaca disse...

Take chance foi a musica que eu mais queria ver....esperava mais, no entanto gostei. E the winner takes at all é uma maçada.

No geral eu gostei lola, o filme não se leva a sério, tem lá o fim para provar isso. E alguns passos ficaram cambaleantes, dá impressão que toda a gente vai despencar dos saltos.

Hei Lola, posso pedir? Que tal cri-critica do dia em que a terra parou?

batatatransgenica disse...

dá vontade de cantar junto? eu adoooro filme niqui arrente começa a cantar junto sem nem perceber...

[ps: pierce é um tipo fiel mas eu gosto também do colin firth, influenciada que fui pelos dois bridget jones.]

lola aronovich disse...

Kaká, vou rever o filme hoje – é o jeito, não estréia nada aqui. Aliás, ainda preciso escrever um post sobre as estréias da semana. Gosto do Pierce, e do Stellan também. Acho os três bem sexy. Mas acho que meu coração fica com o Colin. Quer dizer, depende da ocasião também.


Ah, concordo, Su. O Pierce subiu no meu conceito com essa história toda. Porque imagina a raridade que é um cara rico, desejado, e famoso ser casado com uma mulher gorda?! (pelas fotos que vi, ela nem é muito gorda. Mais cheinha. Mas ela não tem vinte anos! Deve ter uma idade próxima a do Pierce. Só isso já salta aos olhos em Hollywood, ou entre os ricos. Porque pra essa gente mulher é que nem troféu, né?).

lola aronovich disse...

Cavaca, maçada é bom ou ruim? Take a chance tava legal. Essa da mãe que a Christine canta pro garoto eu acho que nem conhecia! Talvez eu só ouvia os greatest hits do Abba? Eu gostei do filme, tanto que vou vê-lo de novo, mas temos de reconhecer que a coreografia é amadora. Ou inexistente. Ah, sim, tava com vontade de escrever a cri-crítica do trailer do Dia em que a Terra Parou. E tenho que escrever também um post sobre o clássico! Seu pedido é uma ordem pra mim, Ca (o que eu não faço por uma sobremesa de chocolate num restaurante de luxo?).


Batata Naomi, pelo jeito dá vontade de cantar junto sim, porque esses sing along nos EUA estão fazendo sucesso. E a Lolla Moon relatou que foi ver na Inglaterra e todas as senhoras presentes cantaram junto, o que deixou a Lolla chateada. Acho compreensível. Afinal, ela foi ouvir a Meryl, não a Lolinha (não sabe o que tá perdendo). Mas eu considero uma sorte enorme ter tido um coro pra encobrir a voz do Pierce...
O que, ninguém vai defender a beleza nórdica do Stellan? Gosto dele tb. Mas o Colin, principalmente depois do primeiro Bridget Jones, é meio imbatível, né?

Kaká disse...

Eu sou super a favor de sessões sing a long. Quando eu fui ver Across the Universe a tiazinha atás de mim ficava chutando a minha cadeira e eu estava só sussurando as músicas e balançando a cabeça. Logo Beatles, era quase inevitável não cantar junto. :)

Vou até dar uma idéia no gerente do cinema aqui para ele fazer uma sessão tentativa de sing a long no meio da semana com o Mamma Mia.

Tina Lopes disse...

Ai, filme com músicas de Abba? Já não bastaram O Casamento de Muriel e Priscila, a Rainha do Deserto? Vou pegar quando estiver na fileira dos 48h na locadora. Mas eu escolho sempre o Colin. É uma coisa Freud Explica, porque meu pai parecia com ele. E pra terminar: você ama também o Educating Rita? Eu, sim. Saudade de rever.

Suzana Elvas disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Suzana Elvas disse...

Aqui as fotos comparando antes e depois de ela ser mãe e aqui uma matéria dele dizendo que ama as curvas da mulher - e discutindo porque o mulherio tem que ter corpo de tábua de passar roupa e os dois estão andando pra isso.

Então. Meu ídolo.

batatatransgenica disse...

anturdia [tipo 1 mês e meio ou dois atrás] vi um post num blog brasileiro comentando as fotos da esposa do pierce de biquini. alguns [poucos] acharam legal, mas a maioria foi de uma estupidez que me assustou. as mais leves [sem trocadilho] mandavam o cara chutar a mulher e pegar a comentarista, que era "muito mais gostosa". as mais pesadas... bom, as mais pesadas não deixavam nada a dever àquelas que a lola já comentou aqui nos posts das garotas barradas num clube estrangeiro.

lola aronovich disse...

Ai, Kaká, ontem fui ver Mamma Mia de novo e gostei muito mais desta vez. Dá uma vontade de cantar e até dançar... Tem que ter sessões sing along! É um filme pra ir com as amigas, não com o maridão-zumbi, que é o meu caso.


Viu só, Tina? E tanto O Casamento de Muriel quanto Priscilla eram bons filmes. Claro que não me lembro de mais nada fora as músicas do Abba, mas... Ha, gostei da sua prioriedade pra pegar o filme: quando estiver na locadora na seção das 48 horas. E o seu pai parecia com o tesouro que é o Colin Firth? Tava bem de pai, hein? O meu parecia com o Brizola. Eu achava bonito. Morro de vontade de rever Educating Rita. Só vi uma vez, na época, e gostei pacas. Depois só li o roteiro. Mas é difícil de encontrar. Nem sei se tem em dvd...

lola aronovich disse...

Su, Batata Naomi, vcs me convenceram: acho que a mulher do Pierce merece um post. Vou escrever um sobre isso. Obrigada!

Renata disse...

Colin Firth, tranquilamente. Não é só porque adoro ingleses, mas acho esse ator um charme!
Beijo
Renata

Kaká disse...

Lola eu vi o filme!! Adorei! Ah, cantei o tempo todo, ainda bem que as adolescentes não reclamaram. :)

Continuo com o Pierce, ele é canastrão mas aquele olhar dele...uau! Canta mal, mas ele pode. :)

Eu nem gostava muito de The Winner Takes It All, mas depois da interpretação da Meryl passei a gostar.

Fui só eu ou mais alguém achou a Meryl Streep com aquelas roupas de paetê a cara do Terence Stamp em Priscila, A Rainha do Deserto?

Maria Luiza disse...

Postando um comentário 300 anos depois:
Acho que é um dos meus filmes favoritos do mundo. Justamente pelo estilo "caseiro" da coisa. Acho que se ficasse perfeito demais perderia o charme.
Gosto da coisa dos mais velhos terem muito mais importância que os mais novos, acho uma inovação. Sou apaixonada pela Meryl,e talvez eu tenha me identificado tanto por ser filha de mãe solteira. A cena que me fez chorar feito criança foi a delas se arrumando pro casamento e cantando Slipping Through My Fingers, que eu só fui conhecer no filme, mesmo.
Enfim, achei o filme uma delicinha.