segunda-feira, 30 de junho de 2008

BELEZA NÃO É “UM POR TODOS, TODOS POR UM”

Acho um erro acreditar que só um tipo de mulher, de uma certa idade, com um só tipo de cabelo e de corpo, pode ser considerada bonita, como se o que é bonito pra uma pessoa é o mesmo pra todas. Claro que existe uma tentativa de padronização de beleza. A mídia faz de tudo pra instituir uma beleza universal, e a gente cai direitinho. Aí vemos que praticamente todas as americanas negras alisam o cabelo. Que tantas mulheres orientais fazem cirurgia plástica pra ocidentalizar os olhos. E que inúmeras mulheres no mundo passam fome e arriscam dietas pra atingir um peso impossível. Em Unbearable Weight, Susan Bordo conta como, na Nigéria, o padrão de beleza costumava ser mais cheinho. Mulher magra era vista como mulher desnutrida. A Nigéria sempre mandava pra concursos como Miss Universo representantes que o país via como mulheres belas. E, nessas competições, as nigerianas sempre se davam mal. Eram eliminadas rapidinho. Até que um dia foi escolhida uma moça mais clara e muito mais magra pra representar a Nigéria. Ou seja, uma que em nada representava as mulheres nigerianas, mas enfim. Essa moça venceu o Miss Mundo. E a mídia local fez tanto auê em cima desse título que, em pouco tempo, todas as nigerianas queriam ser como a miss. Demorou, mas o país finalmente percebeu que magreza era in. A partir daí a Nigéria começou a registrar bons índices de anorexia e bulimia.

Mais de dez anos atrás, eu tive uma agência de casamento. Sério. Eu apresentava pessoas com características comuns para que elas pudessem namorar e, um dia, se tudo corresse bem, casar. Isso é assunto prum outro post. No momento eu só queria dizer que, uma vez, conversei com uma senhora que, pros meus padrões (mais intolerantes na época), me pareceu tenebrosa. Tadinha, nem lembro da mulher, só que ela me causou uma péssima impressão. Uma impressão tão ruim que, quando ela foi embora sem se tornar minha cliente (estava lá só pedindo informações), eu até me senti aliviada, porque eu havia encucado com uma questão como “Pra quem vou apresentar essa ogra?”. Só que a agência ficava na minha casa e, bem no momento em que essa mulher estava saindo, entrou um senhor. E você precisava ver as faíscas. Os olhares que os dois trocaram. A porta fechou e a primeira coisa que o homem me perguntou foi: “Quem é ela?! Eu quero conhecê-la! Ela é linda!”. Ele também não virou meu cliente (é, eu não fiquei milionária com a agência), então não sei se aquele romance à primeira vista continuou. Mas a lição que aprendi foi inesquecível: beleza é algo subjetivo. Depende da visão de cada um, do momento, de expectativas, de tanta coisa. Mais um motivo pra não nos deixarmos afetar pelos trezentos outdoors e anúncios de revista que vemos todo dia. Aquela imagem é só um pedaço de papel alterado por computador. No dia a dia, a gente não apenas vê pessoas, como também as cheiramos, ouvimos, sentimos uma vibração, e às vezes até as tocamos. Beleza é muito mais do que os olhos vêem (e cada par de olhos vê algo diferente, lógico). Ou seja: quem morreu e me nomeou Deus pra eu decretar que aquela mulher não teria chance de encontrar alguém?

Eu sou gorda, baixinha, e já passei da idade de ser considerada bonita. Portanto, eu me surpreendia quando fazia o estágio de Pedagogia e dava aula pra crianças de primeira à quarta série e toda semana recebia um bilhete ou um elogio de alguma das minhas aluninhas. Era “Professora, você é tão bonita!” pra cá, “Você é linda” pra lá. Eu agradecia, mas, por um lado, queria dizer pras meninas não se concentrarem tanto na aparência física (nem na minha nem na delas). Por outro, eu pensava: “Tolinhas! Elas ainda não foram condicionadas a saber o que é e não é bonito”. Naqueles tempos eu não percebia que talvez elas me achassem bonita porque, de repente, eu lembrava a mãe delas. Com trinta e poucos anos, eu podia perfeitamente ser mãe de uma garotinha de 8. E aposto que as mães delas provavelmente tinham mais semelhanças físicas comigo que com a Giselle Bundchen.

Existem pouquíssimas coisas realmente universais no mundo, mas uma delas deve ser uma criança achar que sua mãe é bela. Acho que todas passamos por essa fase com nossas mães. Na nossa opinião, elas eram as mulheres mais lindas do mundo. E a gente achava muito estranho que elas se achassem horrendas. Era bizarro vê-las reclamar em frente ao espelho, fazer dieta após dieta, chorar por não caber numa roupa, passar tanto tempo no cabeleireiro, fazer cirurgia plástica. Como que aqueles símbolos da perfeição podiam se considerar tão erradas? Com o tempo a gente foi crescendo, encrencando com nosso próprio corpo, e vendo que sim, nossas mães tinham razão: elas não eram bonitas como se deve ser. Nossa devoção a elas não durou muito. Já com os primeiros sinais da puberdade nosso pensamento mudou do “Quero ser como ela quando crescer” para o “Será que vou ser como ela quando crescer? Deus me livre!”. Não sei como essa transição acontece, ou porquê. Mas o papai continua sendo bonito pra sempre, não?

Uma vez, não faz tanto tempo atrás, uma amiga foi até à esquina com um amiguinho nosso de uns oito anos (filho de uma outra amiga), e voltou revoltada. Isso porque ela perguntou ao fofo, “Qual a amiga mais bonita da sua mãe?”, e escutou a resposta errada quando o menino disse: “A Lola!”. Juro que entendo sua revolta (de brincadeira). Afinal, ela é mais alta, muito mais magra, e mais jovem que eu. Em suma, ela é linda, dessas mulheres que atraem muitos olhares mesmo. E ainda assim o meu amiguinho fiel me elegeu a mais linda – certamente porque eu havia ensinado pôquer pra ele (naquele momento, se ele tivesse que escolher a mais inteligente, divertida e maravilhosa, eu também ficaria com os títulos). Faz parte. Beleza é também atração, e atração é causada por uma série de fatores. Tudo bem que alguns dias depois o fofinho me disse na cara que eu era feia e gorda. Seus avós tinham lhe falado que gente gorda era feia. Bom, eu sou gorda, sem dúvida, mas não me considero feia. Não vejo como sinônimos gordura e feiúra, nem gordura e pé na cova, nem gordura e desleixo moral, nem gordura e falta de vontade, nem gordura e preguiça, nem gordura e burrice. Mas naquele dia eu vi um menininho querido lutando entre o que ele achava bonito (eu, entre outras coisas) e entre o que a sociedade achava bonito. Falei pra ele que a gente considera bonitos cães e gatos de todas as raças, cores e tamanhos, mas, em se tratando de pessoas, costuma ver beleza em um só um tipo. E que eu achava isso um tanto limitado, estúpido até. Não sei se ele mudou de opinião, ou se continua mudando de opinião todo santo dia.

Mas por que estou escrevendo essas linhas tortas? Não é pra que alguém deixe de me achar feia, olhe por um outro ângulo, e descubra a minha beleza. Alguém me avaliar pela aparência física é meio irrelevante pra mim. Não estou num concurso de miss. Ok, eu sou mulher, e desde criancinha aprendi que o determinante mesmo pro meu sucesso na vida seria a minha beleza. Mas estou tentando me livrar desta sina, e se você quiser minha dica, ei-la: não espere até os 40 anos pra achar que tá tudo legal com você. Comece agora. Um outro conselho, já que é de graça: não tem problema você não achar bonita uma mulher gorda (a menos que seja você a mulher gorda). Eu não acho bonito homem de bigode. O que eu não faço é falar que ninguém nunca vai considerar bonito um homem de bigode, e que um homem de bigode está fadado a morrer logo - e sozinho. Demorou, mas eu aprendi que beleza é subjetiva.

Outros artigos relacionados a mito da beleza e aceitação do corpo: aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

51 comentários:

cavaca disse...

Muita gente sabe também que os modelos são um padrão quase inatingíveis, é apenas o extremo visto na tv e na revista, e sabem que a vida real não é assim. Muita gente sabe isso. Eh sei lá, talvez charme seja tão importante numa mulher, assim como num homem, do que beleza. Se bem que um homem feio é mais facilmente considerado bonito. Mas tem que se ter mais alguma coisa, humor, inteligência...um espírito que arde.

mari disse...

hahahaha, meu problema sempre foi que minha mãe era REALMENTE bonita....só pra ter uma idéia, as pessoas sempre achavam ela parecida com a Ava Gardner!! e aí, na comparação, era cruel...o povo encontrava nós duas e sempre comentava "Cora, você sempre linda (minha mãe fazia cara de "é, linda, sim!!") e a Mariana, ehr...a Mariana...ahem...assim, tão EXÓTICA!!!"
mas quer saber, fuck, namorei um bocado, nunca levei um pé na bunda de ninguém, sou super bem casada com um marido super fofo...enquanto isso a top model se joga da janela, a Capucine se suicida...

Juliana disse...

Amém.

Mais um dos tantos problemas socialmente arraigados que não têm solução.

Não estou dizendo que você não tenha sido merecedora dos bilhetinhos nem nada, mas além de terem padrões físicos (se é que têm algum) diferentes dos ditados pela sociedade, acho que as crianças vêem muito mais a beleza interior e não se importam muito com a aparência. Uma pessoa estéticamente "perfeita" que não emane nenhum tipo de energia positiva, beleza interior, whatever, certamente não vai conquistar as crianças. a não ser que elas já tenham sido estragadas por pais podres. Voltando aos pais dos alunos do Menino Jesus que não querem professora "velha"... pqp. Essa gente não se toca que a "beleza", além de subjetiva, é efêmera!! E o "essa gente" somos todos nós. Estamos tão estragados que ninguém consegue escapar de julgar alguém pela aparência física algum dia na vida...

cavaca disse...

Ah, posso responder a pergunta da gorjeta aqui?
Bom, no restaurante em que eu trabalho cada garçon fica com a sua gorjeta (isso significa que o salário é muito baixo), no entanto temos muitos turistas e gorjeta, que aqui chamamos de "casaca" compensa. Ao longo desse trabalho eu fiz uma lista das pessoas que deixam e não deixam gorjeta que nunca falha, assim identifico de imediato os meus clientes. Os melhores são os Ingleses, eles deixam sempre e são extremamente educados e simpáticos. Quando são em grupos de seis ou doze deixam mais que 20% ( para mim 10% é mais que ótimo e justo, não quero nada mais que isso. Mas se quiserem deixar mais...bem...quanto mais melhor). Eu também sou muito bom no que faço, por isso acho que mereço. Os americanos também são fantásticos, muitas vezes me perguntam quanto é que eu quero que eles deixem. Pode?
Não gostamos dos portugueses, são poucos os que dão gorjeta, e os que dão dificilmente chegam aos 5%. Além de serem muito exigentes e não pagarem por isso, e mal educados também, 80% sequer responde um boa noite! Mas isso é em lisboa porque fora daqui eles são mais simpáticos.
Espanhóis, Franceses, Gregos, Escoceses, Belgas, todos do leste europeu estão no mesmo grupos, não deixam nada, são pouco simpáticos e dão pouco prazer em atender.
Alemães deixam sempre e são boa gente, não entendo isso de as pessoas dizerem que são um povo frio.
Brasileiros é difícil prever, normalmente deixam e são muito simpáticos.
Mulher bonita nunca deixa! Exceto se for da elite à qual me referi acima. Os negros também não. Japoneses nadinha. Casais adolescentes, esqueça a possibilidade de ver qualquer centavo! Famosos e jogadores de futebol são os mais pão-duros, Cristiano Ronaldo quando vem aqui não deixa nada. E ele ganha milhões.
México, Costa Rica, Venezuela, Argentina, Chile, África do Sul, essa gente toda são ótimos também e sempre comparecem.
Eu já gostaria de te perguntar se você e o maridão deixam gorjeta, apesar do fato de ser forreta. Eu também sou forreta e sempre deixo, não só por trabalhar na área, mas porquê a pessoa que te serve não é teu escravo.
Sim, eu sou pago para te servir, o que significa colocar a tua refeição a tua frente, tirar o seu prato, oferecer a sobremesa e trazer a conta.
Mas as pessoas esperam mais do que isso quando vão pagar por uma refeição, algumas tem a fantasia de sentirem grandes chefes de estado e tratar o empregado como um verme, outros já te chamam pelo nome, te olham como uma pessoa e por conta disso vão ter um jantar muito mais agradável. Sabe aquela colher pro espaghetti, o queijo parmesão, a pimenta fresca polvilhada no prato, o vinho servido no teu copo o tempo todo, e água. Só quem paga pelo serviço é que tem esse tratamento.
Português sempre reclama que o americano ao lado está receber mais atenção. Por que será? Acho que ele nunca fez essa pergunta.
Há restaurantes eu que eu nunca vou porque não são para mim. São para outro tipo de gente. Por isso as vezes me contento com um mcdonald. Se em alguma ocasião vou comer boa comida, num lugar bacana e tiver um bom serviço, vou pagar por isso claro, pois o serviço faz parte do meu jantar. As pessoas querem economizar no jantar não dando gorjeta. O que talvez elas não realizam é que quando voltam a esse lugar, não serão bem tratadas.
Em Portugal o serviço não é incluído, na Inglaterra e Estados Unidos é, e as pessoas deixam gorjeta além disso. Já ouvi falar de casos (nos EUA) em que restaurantes chamaram a policia porque grupos não deixaram gorjeta. E uma australiana uma vez me disse que em NY os empregado os olhavam de caras fechadas não porque eles não estavam deixando, mas porque não estavam deixando o suficiente, ela pediu desculpas porque não sabia e passou a deixar mais. (Acho isso um pouco exagerado, mas pagar pelo serviço é uma coisa que eles levam mais a sério).

Hotelaria é estressante, estou nisso há cinco anos e quase jogando a toalha. Gosto disso porque fico em contacto com muita gente e aprendo, não importo muito com a gorjeta. Basta que a pessoa seja educada, nem é preciso ser simpática. É essa a satisfação para nós (meus amigos concordam comigo), gente que te trata como gente.

Suzana Elvas disse...

Cavaca;

Meu avô era freqüentador do Cassino da Urca. Jamais jogou, mas levava minha avó para assistir aos shows de lá que, segundo ele, eram memoráveis.

Bom, ele dizia que os garçons tinham um código ultra bem-educado de avisar pra todo mundo do restaurante se alguém era pão-duro. O chão era de madeira corrida, e quando o cidadão mão-de-vaca se levantava o garçom ajudava, mas soltava a cadeira no chão fazendo um PAM! que ressoava pelo salão. Todo mundo já sabia: pão-duro. E o pobre saía constrangidíssimo.

Eu costumo deixar gorjetas - se o serviço foi nem bom nem ruim, os 10% protocolares. Se foi muito bom e simpático, de 15% a 20%. Mas se o garçom dormiu mal no sofá da sala, sinto muito, não é culpa minha: não deixo um centavo.

Abs

Ale Picoli disse...

Puxa, Lola, você escreveu uma coisa muito importante que eu nunca tinha parado pra pensar. Tem uma época em que as nossas mães são as mulheres mais lindas do mundo mesmo. E eu aprendi, desde pequenininha, a ver a mulher mais linda do mundo embrulhada em uma roupa de plástico, se matando numa bicicleta, fazendo jejum, tomando suco de laranja com berinjela como única comida do dia. Tudo pra ela (tentar) ficar magra, coisa que só aconteceu durante um breve período de tempo lá no fim dos anos 70. Aprendi a ver a mulher mais linda do mundo com um cabelo alto (pra disfarçar a pouca altura, segundo a lógica dela), com roupas enorme pra "cobrir a gordura". Aprendi a nunca vê-la nua, nem em parte, nunca. Não sei como são os joelhos da minha mãe, eu nunca vi mais que os tornozelos e canelas dela, pelo que eu me lembre. Isso pq ela tinha, na percepção dela, pernas tortas e gordas. Nunca vi a mulher mais linda do mundo de maiô. Eu não tenho nenhuma foto de frente da mulher mais linda do mundo pq ela tem vergonha de um suposto "nariz torto" que ela tem. Aliás tenho pouquíssimas fotos dela, ela foge de câmera como diabo foge da cruz.
Eu queria que minha mãe se visse como eu a via quando tinha 7 anos. E como eu a vejo agora, mesmo que agora, mais que nunca, ela use a gordura como desculpa pra esconder a mulher mais linda do mundo.
...
E oh yes, eu não acho que gordura seja sinônimo de feiúra, NÃO MESMO. Tem gordo feio e gordo bonito, assim como tem magro feio e magro bonito. O que determina a beleza puramente plástica e visual (aquela que você vê em fotos), pra mim, é uma certa simetria e harmonia nos traços. Não a conformidade (ou não) a um padrão desejado e divulgado por aí.

nita disse...

E isso é a mais pura verdade. Sabe aquela coisa de gosto não se discute? É a mesma coisa com aparência. Lembro de quando estudava no Cotuca, foi a mesma coisa que aconteceu com você. Todas as meninas do colégio achavam um menino X maravilhosamente bonito, e eu achava ele horrível. Vai entender?

lola aronovich disse...

Oi, Cavaca, muito obrigada pelos comentários. Queria até te pedir autorização pra colocar o seu comentário sobre gorjetas como parte de um post. É um assunto muito interessante que eu gostaria de explorar mais, e o seu know-how sobre o assunto é um excelente ponto de partida.
E sobre o seu comentário sobre beleza: é, concordo contigo, é preciso "um espírito que arde", mais que beleza física.


Mari, ha ha ha, adorei a sua anedota. Sua mãe era parecida com a Ava Gardner?! Isso é bom e ruim ao mesmo tempo... Mas é isso aí. Eu também tive uma boa cota de namorados, nunca levei pé na bunda de ninguém e me considero muito bem casada. E eu sempre fui gordinha (quer dizer, tirando os 12 primeiros anos da minha vida e talvez uns sete anos no meio). Mas digamos assim, fui gordinha mais da metade da minha vida. E nunca faltou homem. Sinal de que aquele terrorismo que fazem com a gente ("se vc não emagrecer não vai encontrar quem te ame") não é muito verdadeiro...

lola aronovich disse...

Ju, vc tá falando que as minhas aluninhas mandaram recados referindo-se apenas a minha beleza interior?! Ha ha, brincadeirinha. Entendo o que vc quer dizer. Antes d'elas serem "corrompidas" pela ditadura do padrão da beleza, os parâmetros delas são bem menos excludentes, concordo. E certamente entra muito mais coisa no pacote "beleza" que só a beleza física.
E concordo também que nós estamos "estragados". Acho que é uma qualidade conseguir ver beleza em tudo, sabe, que nem o rapaz do American Beauty que acha lindo uma sacola plástica voando ao vento. É uma qualidade que pode ser cultivada. E deveria. E claro que, se aprendemos a ver beleza em tudo, aprendemos a ver beleza em todas as pessoas também, de todas as cores, formas, tamanhos...

lola aronovich disse...

Cavaca, se vc me der autorização, eu comento o seu comentário num post. Não que haja muito pra comentar. Vc é o expert no assunto. Eu só posso ficar fascinada com as suas observações sobre "a nacionalidade de cada gorjeta".


Su, obrigada pela sua observação, pertinente como sempre. Esses códigos entre garçons... Vc diz que, se for mal-atendida, não deixa um centavo. Não tenho muita experiência nisso. No Brasil, os 10% são opcionais ou obrigatórios? Se vc se sentir mal-atendida, pode não deixar os 10% de gorjeta?

lola aronovich disse...

Ale, que bonito o seu relato sobre a sua mãe. As mães têm muita influência sobre o que as filhas vão achar do próprio corpo. Muitos dos relatos de adolescentes anoréxicas que leio mencionam a pressão das mães: "Se vc comer isso vc vai virar uma baleia". E se isso começa cedo, e é repetido várias vezes por dia, torna-se uma obsessão, uma espécie de lavagem cerebral (às vezes os pais fazem isso também, não só as mães). Mas as meninas realmente aprendem uma lição errada vendo suas mães, que são as mulheres mais lindas do mundo naquele momento, escondendo, punindo e xingando o próprio corpo. Junte isso à pressão da mídia, e fica bem difícil pra uma mulher ter uma boa relação com seu corpo pro resto da vida. É muito triste.
Estranho vc mencionar não ver os joelhos da sua mãe. Minha mãe, apesar dos seus muitos grilos com seu corpo, sempre andava nua na nossa frente (meu pai também). Outro dia, agora velhinha, ela veio me dizer que seus joelhos são horrorosos. Nunca percebi os joelhos da minha mãe! Tenho certeza que não têm nada de feios, mas olha onde ela foi fixar seu trauma.
E sim, pra mim o peso também não é determinante pra estabelecer a beleza ou feiúra da pessoa. Mas pra muita gente, é. Canso de ler matérias onde "gorda e feia" aparece na mesma frase...

Mary disse...

Cavaca: Gostei muito de toda a sua teoria sobre as gorjetas e quem deixa o quê. Só tenho uma pequena correcção a fazer: Em Portugal o serviço está incluído e as gorjetas são opcionais. Voce deixa o que quer e só se quer. Eu por norma sempre deixo alguma coisa, só mesmo se tiver sido mal atendida, o que tambem não é comum.
Lola: Qt à beleza, sabe o que acontece comigo. Primeiro eu conheço alguem e formulo uma opinião sobre a sua fisionomia e reparo nos traços (tipo se tem borbulhas, dentes tortos, tipo de cabelo, sorriso, olhar etc.), mas passado uns tempos e depois de construída uma relação de amizade com essa pessoa, fico totalmente incapaz de dizer se é feia ou se é bonita e mesmo os traços que tinha reparado no principio desaparecem da minha imagem dessa pessoa. Passam a ser: divertidas ou sérias, extrovertidas ou timidas, faladoras ou mais observadoras... O máximo que retenho é a altura (são quase sempre mais altas quem eu ahahahaha)

lu disse...

"a gente considera bonitos cães e gatos de todas as raças, cores e tamanhos, mas, em se tratando de pessoas, costuma ver beleza em um só um tipo" - genial, lola.

só uma observação: eu nunca achei minha mãe bonita... quando era criança, e até poucos anos atrás, a achava horrenda, nojentamente horrorosa, repulsiva mesmo! e olha que ela é alta e as pessoas costumam a achar bonita e tal. só comecei a vê-la como uma pessoa normal, não horrorosa nem especialmente nojenta, depois que me casei. ela própria sempre se achou o máximo, nunca fez dieta na vida (nunca precisou, também), nunca fez plástica, reclamou na frente do espelho, nada. é a pessoa mais arrogante e egocêntrica que há - pode ser também por isso, entre outras coisas, que eu própria nunca a achei bonita...
enfim, só pra dizer que não dá pra dizer que isso seja universal! tem mães e mães, e filhos e filhos.

lola aronovich disse...

Então, Nita, nosso gosto é diferente do gosto de outras pessoas pra tudo. Por que não seria em relação ao que consideramos feio e bonito? É muita ditadura!


Gente, os comentários estão ótimos. Continuem, por favor.

Quanto à enquete sobre o Almodóvar aí do lado, acho que está havendo um problema com uma versão mais antiga do Explorer. Tenho dois laptops, e um computador na faculdade. Num deles tem uma versão mais atualizada do Explorer, e lá pude votar sem problemas (na realidade, quem votou lá foi o maridão). Mas no outro laptop e no computador da faculdade, não dá pra votar. Vcs estão tendo o mesmo problema? No Firefox não tem problema.

Suzana Elvas disse...

Lola, isso foi uma briga homérica -se os 10% eram obrigatórios ou não. Terminou que agora os 10% vêm incluídos na conta, mas você paga se quiser - vem especificado o valor da conta, e o valor da conta com os 10%.

Eu normalmente arredondo pra cima - se a conta deu R$ 57 (inclusos os 10%) eu deixo por R$ 60. Mas se o garçom jogou os pratos na mesa, fingiu que não me viu ou destratou minhas filhas - que, modéstia à parte, sabem se comportar em restaurante (eu ODEIO pais que deixam os filhos destruírem o lugar e fazer guerra de comida) - pago a conta e só. E, a depender do caso, ainda me dirijo ao maitre ou ao dono do restaurante e explico porque não deixei gorjeta - já tive caso em que o garçom, de tanta má vontade, literalmente jogou um prato de sopa na minha frente e escaldou o braço da minha caçula, que estava sentada à minha frente. E foi-se embora, sem prestar a menor atenção.
Bjs

Suzana Elvas disse...

Mari, minha mãe sempre foi LINDA (o retrato dela menina você vê aqui: http://breviariodashoras.blogspot.com/2008/06/culpa-dela.html) e as pessoas sempre disseram que eu pareço com ela. Mas sei que sou a cópia sem sal da minha mãe - sem os cabelos de um castanho ardente, sem os olhos verdes, sem os dentes brancos milimetricamente perfeitos.

Agora "exótica" é de doer. Pior é ouvir que você está "fortinha" - eufemismo para "gorda" que eu já levei na lata um dia.

lola aronovich disse...

Pois é, Mary, acho que sou parecida. Mas eu sou estranha, e raramente tenho uma primeira impressão de uma pessoa. Quero dizer, tenho, claro, mas ela nunca é definitiva. Eu nunca nem penso sobre o que achei de uma pessoa que acabei de conhecer. E não levo a aparência em conta mesmo. Depois, com o tempo, todos meus amigos e amigas me parecem lindos e maravilhosos, tanto por dentro quanto por fora. Mas realmente, se eu tenho que "dividir" as pessoas, divido-as entre "simpáticas" e "antipáticas", nunca entre "feias" e "bonitas". Porque pra mim a simpatia é tão mais importante que a aparência física... Ha ha, todo mundo é mais alto que vc? Eu tenho essa impressão comigo tb (meço 1,59). Mas no meu caso eu costumo achar que todo mundo é, além de mais alto, mais magro que eu. C'est la vie.


Lu, que bom que vc gostou da resposta que eu dei ao meu amiguinho-mirim. Mas é verdade, não é esquisito essa diferenciação nossa entre bichos de estimação bonitos e pessoas bonitas?
Quando eu disse que é universal a filha novinha achar a mãe bonita, não quis dizer que todas as filhas achem suas mães bonitas. Certamente deve haver exceções, e vc é uma delas. O que eu quis dizer por universal é que acho (e não tenho certeza mesmo, é um chute) que essa é uma tendência em todas as partes do mundo, em todas as culturas. Será que não? Imagina uma cultura onde as filhas não se espelhem nas mães, e não as considerem bonitas nunca. Esquisito.
Chato vc nunca ter achado sua mãe bonita. Talvez essa postura arrogante dela tenha sido pavorosa pra vc, e influenciado até o que vc pensa dela fisicamente. Mas sabe, esse mesmo amiguinho que mencionei no post teve uma fase em que falava que sua mãe era feia. E todas as amigas dela, eu inclusa, ficávamos chocadas com isso. Primeiro porque ela é linda de morrer, e segundo porque onde já se viu achar a própria mãe feia? Toda vez que ele falava isso ele escutava umas boas broncas da mulherada...

Suzana Elvas disse...

Lola, sobre isso me lembrei de um post que fiz em 2005:

"Claudia Sarmento, da grife Maria Bonita, para a pesquisa realizada pela Revista Marie Claire, edição de outubro de 1998:

'Moda e gordura não combinam. Cheguei a fazer até 46, mas estou parando, porque o que vendo mais é 38 e 40. É uma opção de trabalho - quem faz moda não pode fazer roupa para mulheres gordas. São mercados diferentes. Se a Maria Bonita começasse a fazer roupas grandes, sei que haveria fila na porta, mas não é essa a minha intenção.'

Atente-se ao detalhe que a pergunta era "Sua moda veste mulheres GRANDES?", e Não "mulheres GORDAS".

Esse é o pensamento de quem faz moda no Brasil, negando completamente a nossa herança negra e índia - de quadris largos, formas arredondadas.

Sadie disse...

1 - Já tive muita encanação com a aparência, mas agora estou tentando viver melhor com meus defeitos (um desafio para uma pessoa extremamente perfeccionista). Aquele ditado, "beleza não põe mesa" é totalmente verdade. Claro que existem pessoas que ganham milhões por corresponderem a um determinado padrão físico, mas dinheiro não é tudo, pois tem muita beldade milionária se jogando do vigésimo andar. Ser bonita pode garantir conforto financeiro, mas não garante felicidade nem amor eterno. Como esquecer do Hugh Grant, traindo a Liz Hurley com a Divine Brown? Ou o Jude Law enganando a Sienna Miller na maior cara dura, com a babá das crianças? Às vezes, olho para essas mulheres objeto e morro de pena, porque, apesar de toda a riqueza e fama, elas podem nunca achar alguém que as ame pelo o que elas são como pessoas e sim, encontrar oportunistas que não perdem a chance de exibí-las como símbolo de status pessoal.
2 - Apesar de saber que isso nunca vai mudar, por causa da mentalidade pequena da maioria (para comprovar, é só ver como as pessoas desconstruíram o corpo da Karolina Kurkova da maneira mais vil possível, só por causa de uma celulite), gostaria de ver na mídia, a diversidade ser glorificada, sem essa ditadura que determina que você tem que achar pessoa X linda e pessoa Y horrível. Por exemplo, não tem quem me faça achar a Angelina Jolie bonita (aliás, não suporto essa moça pretenciosa, repaginando o conceito de neocolonialismo, dos americanos e europeus levando salvação e civilização para os selvagens africanos. Sinceramente, acho que a África não precisa de doações nem de caridade dos americanos/europeus. O que os eles precisam, de fato, é que os colonizadores tirem seus traseiros brancos de lá e permitam que eles sejam independentes de fato, não só no papel. Principalmente porque, muitas dessas instituições de caridade servem de fachada para alimentar mais exploração aos diamantes, entre outras riquezas naturais), mas acho a Bryce Dallas Howard linda, com seu cabelo ruivo e sardas.
No Brasil, o pior é que o padrão de beleza não corresponde em nada à mulher brasileira. É claro que existem brasileiras de todas as cores e tamanhos, mas dizer que Gisele Bundchen, Raquel Zimmermann ou Caroline Trentini (três das modelos brasileiras mais prestigiadas no mundo da moda) representam o Brasil lá fora é um desaforo. São lindas, mas são 3 alemãs magérrimas que calharam de nascer aqui. Tanto que, as três já nem se lembram mais quantas vezes já foram confundidas com européias. Mas isso ainda não é o pior. O pior é o lance das brasileiras como Angels da Victoria's Secret ou em outras campanhas "porn-chic". Muito estrangeiro racista vem para cá esperando encontrar Isabelis Fontanas a cada esquina, gente bronzeada, de bíquini o ano todo, ou pessoas peladas no meio da rua, devido a esse estereótipo que essas modelos e o Carnaval vendem (nada contra o Carnaval, mas digamos que ele tem muito a ver com essa cultura da bunda tão em voga no nosso país).
3 - Outra coisa que me intriga é, por que no mundo ocidental, Jesus Cristo sempre é representado, em filmes, com aquele físico nórdico, olhos azuis, cabelos louros, pele branquinha, se ele vivia na Palestina, sob um sol escaldante, num local onde quase 100% das pessoas até hoje tem um tom de pele bem mais escuro? Por que Cristo tem que ser louro? Eu suponho que deva ser pelo mesmo motivo que, no cinema, todo mundo fala inglês fluente até na Albânia.

lola aronovich disse...

Su, eu lembro dessa briga homérica dos 10% no Brasil, só não me lembrava do resultado. Ai, isso que vc conta, do garçom jogar o prato e queimar o braço da sua filha, é horrível. Em geral sou bem atendida, mas não sou muito de ir a restaurantes.
Fui até o seu blog morrendo de curiosidade pra ver foto da sua mãe, mas não encontrei. Manda o link quebrado em dois, please? Ou senão faz essa meleca que aprendi a fazer outro dia, pra conseguir colocar link em comentário. Assim:
palavra que vc quer que apareça em azulzinho Opa, será que isso vai aparecer aqui?
"Exótica", "fortinha", todos esses eufemismos são uma droga. Mas sabe, né? Não conheço uma gorda que não tenha ouvido, pelo menos uma vez na vida (geralmente toda semana): "vc tem um rosto tão bonito... Pena que vc não emagrece pro resto ficar bonito também" (há variações, claro).

matteo irma disse...

Oi Lola. Acho que só depois que passam a infância, época em que mudamos de opinião mesmo, a todo momento, e a adolescência, quando o bicho começa a pegar de verdade e a gente surta sem saber o que fazer pra ser aceito, é que criamos mais auto-confiança e segurança. Isso, na medida em que vamos amadurecendo e evoluindo, o que às vezes demora muito a acontecer, ou mesmo nunca acontece. Do jeito que nossa sociedade anda, do jeito que somos robozinhos, moldados desde o berço, fica difícil fugir desses conflitos.
Sou vaidosa sim, mas não consigo entender as pessoas que não sabem envelhecer, as que cuidam só do corpo e nunca da mente, as que não entendem como minha prioridade é a terapia em detrimento da malhação, as que ficam fazendo pressão pra minha mãe pintar os cabelos, que estou achando lindos grisalhos, as que, com a minha idade, fazem lipos e silicones depois que tem filhos. Sabe, hoje me gosto mais do que nunca, mesmo com os quilos a mais e com as marcas (que nem são tantos assim, nem tão fortes assim) que a gravidez e o parto deixaram em mim. Sei lá, meio que tenho orgulho delas. Já me questionei se não estou ficando louca, mas acho que estou mudando mesmo, e estou adorando.
Mas o que queria contar mesmo é que minha maior preocupação, hoje, é com minha menininha de 2 anos e 9 meses. Sinto que tenho uma missão: criá-la para ser livre, segura e emocionalmente nutrida, portanto capaz de ser feliz. Eu versus o mundo como ele é! E parece que criar meninas com esse objetivo ainda tem um plus de dificuldade, né?
Adorei o post, já conhecia seu blog, mas acho que nunca havia ocmentado aqui. Vou adiconá-la ao meu goggle reader e voltarei mais vezes.
Beijo
Renata

lola aronovich disse...

Que droga, não saiu o meu link. Ahn, tentando de novo: coloca aquela setinha < , sem espaço nenhum, e depois
a href="url do link" mais setinha fechando Aqui a palavra que vc quer que apareça em azulzinho mais setinha /a setinha.
Su, sobre a dona ou estilista do Maria Bonita, não acho que é só no Brasil que estilista sinta que moda e mulher gorda (ou, digamos, normal, que não seja uma top model esquelética) não combina. Isso é mais sério e excludente em países como o nosso, onde as mulheres têm mais bunda e quadril. Mas é o pensamento vigente. E acho que tem a ver com elitismo. Não é à toa que as palavras elitista/estilista sejam tão parecidas. Acho que estilista bola estilo pra elite. E a elite é magra. Tem que ser.
Mas eu não sou a pessoa adequada pra falar, porque tô me lixando pra moda. Eu uso roupa que seja confortável, e só. Não tô nem aí se a Maria Bonita não faz roupa pra mim. Eu não compraria roupa de grife nem que fosse magra. Quando fui eu não comprava...

lola aronovich disse...

Sadie, tão legais os seus comentários! (e os de todas aqui, pra falar a verdade. Acho que tenho muita sorte em ter as leitoras que tenho. Falo no feminino porque neste post, pelo menos, leitoras são a vasta maioria).
É, "dinheiro não traz felicidade" é um daqueles clichês verdadeiros. A gente sabe que não traz. Mas dinheiro facilita a vida, sem dúvida. E acho que beleza também não traz felicidade. Imagina uma mulher que conseguiu tudo na vida em cima da sua aparência física. Se nós, pobres mortais, já nos preocupamos em envelhecer, o que dizer dessa mulher que vive da aparência? Deve ser difícil. Eu também tenho pena das "trophy wives" (mulheres-troféu). Juro que tenho.
Ai, eu vi Procurado ontem (escreverei a crítica só quando o filme chegar ao Brasil), e achei a Angelina Jolie tão magra! Uns bracinhos, um corpo sem curvas. Mas, enfim. É difícil que ela não seja considerada bonita. Tem muita endoutrinação em cima da beleza dela. Mas, por exemplo, os lábios grossos que o pessoal tanto louva são comuns em negros. Só que em negros são considerados feios. E em mulheres brancas, são lábios carnudos, símbolos de sensualidade. Legal, né? Acho a Angie um pouco perigosa, porque não sei se esses astros, com o ego do tamanho que tem, batem bem. Não gosto muito que se envolvam com política. Agora a Angie tá usando um colar que o Brad deu pra ela. Tem um revólver de pingente. Ela tá começando a falar como armas são fascinantes. Daqui a pouco vira presidenta da National Rifle Association, como o Charlton Heston. Perigoso.
Sim, Sadie, nossa imagem de país cheio de bundas não é boa pro nosso turismo. Mas isso eu disse num post antigo, Antes Bumbum que Cassetete do Mundo. A imagem do Brasil ainda é uma das melhores possíveis no mundo.
E acho que mesmo estrangeiro babacão sabe que nem todo mundo no Brasil vai ser igual a uma Gisele...
Sobre Jesus Cristo ser loiro de olhos azuis, bom, pra mim é óbvio. Por que Deus é Pai, não Mãe? Por que todas as imagens de Deus são de um sábio velho barbudo? Mais patriarcal, impossível.

lu disse...

ah, tá, outras culturas... aí não sei.
mas é verdade, lola. até já discuti isso no blog: "mãe é mãe", não é mesmo? a minha sempre foi agressiva, e especialmente comigo, mas invocava sua "posição de virgem maria" pra dizer que eu lhe devo a minha vida e portanto minha gratidão... um horror não ter carinho pela própria mãe!...

lola aronovich disse...

Oi, Renata, muito obrigada pelo comentário. Gostei muito. Pois é, eu sempre achei que a maior parte das nossas encanações ridículas sumissem depois da adolescência. Mas tô vendo que não somem. Eu precisei chegar aos 40 anos (beeeeem depois da adolescência) pra dizer pra mim mesma "Chega de não gostar de mim por ser gorda". E acho que esse pensamento só veio porque, depois de uma certa idade, não podemos mais ser bonitas mesmo, somos velhas, acabadas, talvez até percamos nossa função primordial, que é ter filhos... então, curiosamente, a pressão é menor. Parece que já estamos tão longe do padrão mesmo, que somos casos perdidos. Melhor começar a viver.
Fico muito feliz em saber que vc quer poupar a sua filhinha de tanto sofrimento que nós mulheres sentimos. Não vai ser fácil, mas ter pais empenhados já é um bom ponto de partida. Vc vs o mundo é um desafio enorme, mas torço por vc e pela sua filha.
Apareça sempre e, se puder, me inclua nos links do seu blog. Abração!

lola aronovich disse...

Ah, Lu, quem sou eu pra dizer qualquer coisa? Meu relacionamento com a minha mãe não é nada bom. Só melhora quando estamos longe. Beeem longe. Viver com ela não é fácil. Acho que ela está muito melhor como pessoa hoje do que foi a vida toda. Mas ela aprontou tantas que - não sei, não é que eu não a perdoe. Como não penso nas besteiras que ela fez, acho que a perdôo. Eu não fico remoendo mágoas. Mas ter carinho mesmo, eu não tenho. E já faz muito tempo, desde a minha adolescência. Não sei se dá pra "recuperar" um sentimento perdido. E não acho, sinceramente, que a gente tem que amar pai/mãe/irmão etc só por ser parente. O amor tem que ser merecido. Isso de amor incondicional não é comigo. Eu tento ter o melhor relacionamento possível com a minha mãe, mas ela quer amor. Ela tem fantasias de amor perfeito entre mãe e filha (sem que se faça esforço pra conseguir esse amor). Enfim, muitas amigas minhas têm um relacionamento complicado com as respectivas mães. Sei que não sou a única. E a bronca no menininho fofíssimo do post não era por ele não amar a mãe. Isso não estava em discussão. Ele ama a mãe (e, naquela idade, eu também amava a minha). Era por ele falar que ela era feia. Pensar que a mãe é feia, bom, se quiser pensa. Mas falar?! E pra uma mulher, que já sofre tanto com o padrão de beleza imposto? Quer dizer, não estou dizendo que vc falou pra sua mãe que ela era feia. Tô falando desse menininho em particular.

cavaca disse...

Lola, sinta-se livre para usar tudo o que escrevi.

cavaca disse...

Suzana, tentei entrar no teu blog mas nao consegui, achei muito boa a historia do teu avo. E ja passei pela experiencia de ser atendido por um garcon ruim e sei como é. Na Europa os empregados de mesa sao conhecidos pelo mau humor, e sao mesmo. Para mim particularmente o empregado nao precisa ser simpàtico, basta que seja profissional. No local em que trabalho temos um metodo, toda a gente diz que nosso atendimento é muito simpatico. E é mesmo. Quando recebo uma mesa sempre procuro sentir primeiro como vao ser as coisas, se a pessoa permitir uma abertura faço mais que o meu trabalho, se nao, se a pessoa quer comer sem nenhuma interrupçao é isso que ela vai ter, e sera bem servida por isso.

bruna; disse...

e será que tem saída pra isso, Lola? dá um medo, às vezes. de ter uma filha e vê-la crescer no mesmo clima de competição, de padrões insanos, de loucura!
beijinho, cheio de admiração pelo teu texto tão gostoso de ler ^^

lu disse...

oh, tendi, adorei sua resposta, brigada

Suzana Elvas disse...

O post que tema foto da minha mãe menina é esse aqui.
Bjs

Suzana Elvas disse...

Cavaca, não sei porquê mas o blogger só aponta para um blog meu que ainda está fechado porque eu não larguei a preguiça para terminá-lo.

O meu blog ativo é o Breviário das Horas: www.breviariodashoras.blogspot.com.
Bjs

lola aronovich disse...

Bruna, não sei se tem saída não. Mas acho que as mudanças devem partir de nós, mulheres, que somos as mais afetadas pela ditadura da beleza. Se a gente relaxar e levar a questão da aparência muito menos a sério, se nos aceitarmos melhor, talvez possamos influenciar positivamente a geração mais nova. E assim, talvez, essas meninas não tenham que passar por tudo que passamos. Mas é preciso mudar já. Do jeito que tá, a coisa só tá piorando. As meninas começando suas neuroses cada vez mais cedo...


É, Lu, temos em comum isso do relacionamento difícil com nossas mães. Abraço!

lola aronovich disse...

Su, que gracinha a foto da sua mãe quando criança! E gostei muito do post que veio com a foto também. Eu sei tão pouco sobre a infância da minha mãe... Acho que tem a ver com a minha vó ter morrido muito antes de eu nascer.


Cavaca, vc pode comentar o que a Mary falou? (ela é portuguesa e mora aí também).
"Só tenho uma pequena correcção a fazer: Em Portugal o serviço está incluído e as gorjetas são opcionais. Voce deixa o que quer e só se quer".
É que eu queria dar a informação correta no meu post, e não sei qual é.
E só pra eu me lembrar direito: vc trabalha em Lisboa, num restaurante italiano? É isso? (eu esqueço as coisas).

cavaca disse...

Sim lola, o restaurante ao qual eu trabalho se chama Valentino. É o único em que eu trabalhei desde que cá cheguei. Acumulo as funções de chefe de sala e empregado de mesa. Verifiquei no site visitportugal e lá eles dizem que a gorjeta está incluida, mas não especificam se é para o serviço de hotéis ou restauração (comida). Nos lugares em que já comi por aqui nunca encontrei um em que tivesse o serviço incluído...Hard Rock por exemplo não tem. Se a Mary souber de algum por favor me diga, também estou tentando descobrir. Sei de lugares onde a Gorjeta é dividida por todos os funcionários do restaurante (o que é mais comum), e nunca vi um portugues perguntar se o serviço já está incluido. Também não tive tempo para encontrar uma lei que trata sobre a gorjeta (acho que não tem). Dizem que na espanha alguns locais até fixam cartazes proibindo a gorjeta (o que se passa com essa gente?) Por isso tradicionalmente os sites de turismo se referem a gorjeta em portugal como sendo voluntária, a pessoa deixa o que quiser se quiser. E recomendam que seja por volta dos 5 aos 10%.

Santiago disse...

Sobre o artigo do assunto desta mensagem: beleza é harmonia de traços em qualquer cultura. Há pequenos detalhes que são apreciados em cada, cultura, mas no geral, bonito é bonito, feio é feio. O bonito, mesmo quando fora de forma (não obeso), careca, ou mais velho, ainda é bonito; feio é feio e pronto. A questão subjetiva não é a beleza, mas de qual tipo
você gosta. Vale pra homem e mulher. Uma coisa interessante é como a mulher acha o que é mulher bonita e o que homem acha o que é mulher bonita e, principalmente, o que homem acha que é homem bonito e o que mulher acha que é homem bonito. Quando se vê a beleza de forma sensorial e não estética, acontece o que você descreve no seu post, os padrões pré-estabelecidos pela formadores de opinião da moda não valem nada. Eu
não vejo graça em beleza de modelo (manequim); não acho sensual ou atraente: eu e a maior parte dos homens preferem mulheres mais cheias, com pernas grossas, etc. A mulher sente atração por homens que não primam pela simetria, são harmoniosos, mas não bonecos. Estão aí os Antonios Fagundes e Josés Mayers para provar. Uma Maitê Proença ou Bruna Lombardi é muito mais bonita do que essas modelos "perfeitas" e, as vezes, a nossa vizinha, a prosaica vizinha, é muito mais bonita que todas as deusas da ilusão. Como disse Rita Hayworth "Os homens se deitam com a Gilda e acordam comigo"

Abraços!

fezoca disse...

Lola, eu conheco muita gente considerada bonita pelos padroes impostos de beleza, mas que eu enxergo como monstros grotescos e nojentos. Sao muitos chavoes que a gente ouve e engole, tanto sobre a beleza padronizada, quanto sobre se libertar disso tudo. Eu nunca me achei bonita, me fixei numa frase que o irmao de uma amiga usou pra me descrever uma vez--uma mulher interessante. Entao fiquei com esse rotulo pendurado na testa por muitos anos. Meu marido mudou um pouco a minha auto-imagem, porque ele me acha uma deusa. Eu as vezes fico rindo de boca aberta, incredula das coisas que ele fala. Mas eh assim lindae sem defeitos que ele me ve. Um beijo!

* vou ficar horas aqui lendo comentarios e comentarios de comentarios. right on! ;-)

lola aronovich disse...

Cavaca, muito obrigada pelas informações sobre gorjetas. Vou fazer um post sobre isso. Planejava isso pra amanhã, mas tem outra coisa mais urgente pra colocar, então ficará pra semana que vem. Tomara que renda uma boa discussão.


Santiago, bem-vindo aos comentários! Não sei se a "harmonia dos traços" é uma característica universal pra definir beleza. Não acredito que haja muitas coisas universais - ou seja, aceitas em todas as culturas - no mundo. Mas, quando vc diz "A questão subjetiva não é a beleza, mas de qual tipo
você gosta", vc parece acreditar numa verdade absoluta. Como se beleza fosse uma entidade divina, que paira no ar, e sobre a qual não teríamos nenhum controle. Não acho que seja assim. O tipo que a gente gosta determina a beleza de uma pessoa. Claro que há uma imposição da sociedade, mas ainda é uma questão pessoal. A sociedade condena as gordas, por exemplo, o que não impede que muitos homens as achem bonitas.
É muito interessante isso da mulher tentar sempre ficar mais magra, quando os homens em geral preferem uma mulher com mais carne. Assim como, pra muitos homens, o ideal de beleza é ser uma montanha de músculos, o que a maior parte das mulheres acha feio. Eu acho que, em ambos os casos, essa busca pelo corpo "ideal" (mesmo que não atraia o sexo oposto) acaba sendo uma competição com as pessoas do mesmo sexo. E, nesse caso, não tem tanto a ver com beleza. Tem a ver com desafiar os limites do corpo mesmo, com poder.

lola aronovich disse...

Oi, Fezoca. É, o padrão de beleza nos afeta, claro, mas só até um certo ponto. Acho que afeta mais a nossa insatisfação com os nossos corpos do que afeta o que os outros vão achar dos nossos corpos. É uma estratégia de vendas. A mensagem é que nós somos erradas, inadequadas, mas que "só é feia quem quer". Basta a gente consumir sem parar e pra sempre pra se enquadrar no padrão. É uma grande mentira.
Mas fica muito mais fácil não nos sentirmos inadequadas quando temos uma pessoa que nos ama e nos deseja. É ótimo que pelo menos uma pessoa nos considere uma deusa, e fale isso pra gente.
Acho que tem a ver também com amar o que é nosso. Lá vai uma outra comparação animal. Pra mim, meus gatinhos (e o cãozinho que tive até dezembro) são os bichos mais bonitos do mundo. Deve haver outros gatos mas bonitos, claro, mas, pra mim, eles são os mais-mais. Não só porque são meus, mas porque convivo com eles, conheço suas características, toco neles, eles me fazem feliz, e tudo isso influi no pacote da beleza. Só que isso de amar o que é nosso não funciona sempre. Afinal, nosso corpo também é nosso. Por que não o amamos?

Liris Tribuzzi disse...

Acabei de brigar com meu namorado porque ele dizia que mulher gorda e feia não deveria usar mini saia ou short. Era num tom de brincadeira, mas pra mim toda brincadeira tem um fundo de verdade. Se não fosse pelo telefone, acho que já tinha mandado uma voadora com os dois pés no peito pra ele parar de ser besta.

lola aronovich disse...

Fez bem, Li. Mas estou curiosa: qual foi o contexto da conversa? Como que era o tom de brincadeira? É ofensivo sim. No fundo essa gente acha que mulher feia ou gorda não deveria sair de casa. E mais no fundo ainda, que não deveria existir. É uma idéia um tanto fascista, né? De querer eliminar quem tá fora de um determinado padrão... E é interessante como esse tipo de comentário é sempre dirigido às gordas, não aos gordos. Porque a função de toda mulher é ser decorativa e sexualmente atraente pros homens. Seu namorado pelo menos entende porque esse tipo de atitude é ofensiva e fascista?

Liris Tribuzzi disse...

Desculpa a demora no comentário, é que São Paulo voltou à idade média ontem, quando o Speedy ficou sem sinal o dia todinho.
Eu nem lembro direito o contexto da conversa e ele é meio fanfarrão, tira onde de tudo, mas ele se esquece de que eu não tenho metade do humor dele e já começo a me esaltar, amaldiçoando até a quinta geração dele. Ele sempre usa 'gorda' como sinônimo de feia e sempre leva um esporro meu. Eu já até tô ficando preocupada. E olha que ele não é nenhum Tom Cruise, era um magricelas desingonsado até pouco tempo atrás.

lola aronovich disse...

Bom, Li, é aquele negócio de todo humor ter um fundo de verdade. E tem um humor misógino (e racista, e homofóbico) que está começando a cansar, porque tem sempre os mesmos alvos. Incrível vc falar que "ele não é nenhum Tom Cruise". Outro dia vi isso em algum lugar, não tenho a menor idéia onde. Na década de 80, um carinha queria namorar uma pré-adolescente escondido porque ela "nao era nenhuma Brooke Shields", e ela respondeu que ele "nao era nenhum Tom Cruise". Mas a maior parte dos caras feinhos que conheço quer namorar uma deusa.
Não sei, Li, tem que conversar com ele, expor os seus sentimentos seriamente, e avisar que tá cansada desse tipo de brincadeira. Mas se é o que ele pensa vai ser difícil de mudar. Boa sorte!

Fernanda disse...

Engraçado, eu quando era criança não achava minha mãe linda. Certa vez fiz um presente pra ela na escola com um acronimo Que incluia a lera L e me foi dificil colocar linda, pois eu nunca mentia. Acho que talvez fosse pelo cabelo curto, pouco comum na epoca, talvez eu ja tivesse sido mais atingida pela tv, as apresentadoras todas com cabelao loiro comprido. E ja me aconteceu de comentar com uma amiga que disse que tb pensava assim na infancia. Bom, fato eh que me marcou e me incomoda um pouco até hj, talvez passe com muitas meninas, com maes ate mais fora do padrao e tem um pouco a ver com orgulho proprio: é como se elas represenassem nos mesmas, como no caso das bonecas negras. Eh muito triste e as pessoas ja crescem querendo mudar, ja preevendo seu alisamento, tintura, silicone e plastica no nariz...falando em silicone até me lembrei do meu primeiro namorado, que me disse que quando fosse medico cirurgiao plastico me colocaria silicone, nao sei oque eh pior, um adolescente querer ser medico cirurgiao plastico ou me falar uma coisa dessas.
Ah, mas agora acho minhamae cada dia mais linda :)
Abraço, parabens pelo blog, que sempre leio mas nunca havia comentado.

Fernanda disse...

Ai desculpa comentar num post tao antigo, me empolguei lendo o blog e nem vi que eh de 2008

Anônimo disse...

coincidencia, estava navegando nos posts de aceitaçao do corpo e caí aqui tambem.

nao sabia que vc tinha problemas com la mamacita, sempre via comentarios dela por aqui tao bonitinhos.

bem, eu nao lembro se achava minha mae bonita. mas eu gostava do fato de ela ser gordinha. lembro que era bom demais abraça-la, ainda mais quando criança. quando ela deitava de barriga pra cima, eu subia em cima dela e ela ficava me balançando que nem um barco. tb achava super divertido encostar a orelha na barriga e ouvir os barulhos do estomago, rs
uma vez ela disse q queria emagrecer, e eu pedi: "por favor, nao!" ela às gargalhadas perguntou pq e eu disse q n queria perder meu barquinho. claro q nao foi por isso q ela n emagreceu mas pq dietas sao ineficientes mesmo hehe

minha mae sempre foi mto especial pra mim e mesmo q a gente brigue muito, de vez em quando, eu a amo mais que tudo. pq ela é a unica pessoa q eu sempre tive e eu sou a unica pessoa q ela tem hoje em dia.
nem acho isso bom pra ela, pq eu agora sou adulta, passo a maior parte do tempo na rua, e ela fica muito sozinha. fico triste por n poder ve-la mais independente. justo ela q me criou sozinha e resolveu a vida toda sozinha, depender de mim pra conversar é meio triste.
qd eu era pequena, ela ainda aturava algumas pessoas de fora, pessoas q a humilhavam até, por uma serie de motivos. mas qd eu cresci um pouco e passei a fazer companhia a ela, a dialogar mais de igual pra igual (eu devia ter uns 13 ou 14 anos) ela se encheu e começou a botar pra fora todos os sapos engolidos q a incomodavam. conclusao: faz bem uns 10 anos (eu tenho 24) q nao recebemos uma unica visita em casa.
nao acho legal, mas tb n achava legal a forma como essas pessoas a tratavam, minando a autoestima dela pra se sentirem melhores e tal.



enfim, nao lembro se achava minha mae bonita. acho q sim, mas nada especial. lembro vagamente de ve-la se maquiando pra ir numa festa e achar um tanto exagerado. ela nunca esteve dentro de padrao nenhum, mas na epoca eu n tinha esses conceitos tao introjetados. achava (e meio q acho até hoje) qualquer coisa q me lembrasse minha mae familiar e, portanto, agradavel.
nao foi o caetano q disse q achava o bin laden bonito, ja q parecia gente da familia dele? eu realmente acho q antes da gente ser contaminado, nosso conceito de beleza é aquilo q parece familiar. a nao ser q seus pais sejam tao infelizes, racistas e gordofobicos a ponto de te fazerem odiar oq te cerca...

Anônimo disse...

lembro de uma vez q peguei um LP de uma cantora (fui até procurar a capa e hoje já nem acho mais tão parecida, rs) e disse q parecia com ela, num tom elogioso. e ela meio ficou ofendida! haha mas qd eu disse q era um elogio, acho q ela gostou. sei la.

mas logo logo eu aprendi q ela n era bonita e q eu n podia achar isso. lembro q no colegio, um dos xingamentos q os meninos gostavam mais era chamar minha mae de gorda, baleia, etc. isso me deixava realmente furiosa. qd me xingavam eu conseguia ignorar, mas qd xingavam minha mae eu virava a monica (do mauricio de souza) e corria atras deles pra dar umas porradas. o problema é q eu era gordinha tb, nunca alcançava os fdp :( haha

minha mae era bem coruja de mim, sempre foi de me elogiar, até demais. até uns 10 anos eu tinha plena convicçao de que era super inteligente. mas ela tb me dizia q eu era bonita muitas e muitas vezes (e gente estranha na rua tb dizia de vez em qd, embora eu ja tivesse meus haters na escola me chamando de feia). mas era engraçado como ela sempre dizia q eu era bonita pq parecia com meu pai. eu realmente acho q sou mais parecida ele, mas eu acho ele horroroso. tem coisas bonitas nele, como os olhos (q eu herdei) e o cabelo (q eu n herdei), mas todo o resto eu detesto (minha boca é identica, odeio odeio). psi-alguma-coisa diriam q é pq eu odeio ele. mas nao é. eu só percebi q ele tem a mesma boca q eu ha pouco tempo, vendo uma foto. eu ja odeio ele ha muito mais tempo e ja nao gostava da minha boca antes de perceber a semelhança. enfim...

Aline Khouri disse...

Beleza é subjetiva, mas cuidar da alimentação e manter hábitos saudáveis não é uma questão apenas estética, é questão de saúde.

As pessoas gostam de inventar desculpas de que estar acima ou abaixo do peso não te faz uma pessoa doente e blablablá e realmente não faz. Agora vai ver os riscos que isso pode te trazer no futuro, a bagagem gigante de doenças que você pode adquirir especialmente se você não se cuida, se tem gordura acumulada etc etc. É a realidade, as pessoas deviam entender que obesidade é questão de saúde pública sim.

Juliana disse...

Lola parece que vc tem preconceito com mulher magra,as magras tb sofrem muita discriminação.

lola aronovich disse...

Sei que magras também sofrem, Juliana, e não creio que eu tenha preconceito contra elas/vcs. Inclusive, já publiquei alguns guest posts de moças magras que sofrem preconceito por serem magras. Este aqui, por exemplo.

Anônimo disse...

Lola,
Agora vc pode estar acima do peso, mas quando tinha o peso "certo" vc era uma tremenda gata.
Quem sabe vc pode postar um post desta fase, quando tinha o peso "certo" e esse olhar de atrair multidões!!!
Troll perdedor.