quarta-feira, 27 de novembro de 2002

CRÍTICA: TUDO PARA FICAR COM ELE / Revolução sexual pra quê?

Meu instinto radical bem que estava me cutucando pra eu ficar em casa. Mas não, fui ver "Tudo para Ficar com Ele". Imagino que até a aventura com o Tom Berenger, que não faz um filme decente há décadas, seria melhor. O bizarro nesta comédia escatologicamente romântica é que vários personagens falam "nunca vi algo assim" e "esta é a coisa mais hilária que já testemunhei", como se não estivéssemos assistindo a uma baboseira 100% banal. Aliás, como se "Tudo" não fosse o maior plágio de "Quem Vai Ficar com Mary", que também tinha a Cameron Diaz, piadas grosseiras e um pôster de divulgação quase idêntico. Essas frases se esforçam na lavagem cerebral. Seguem a linha do "vai que o público acredita". Quem sabe enganam um bobo?

Querido leitor, desculpe se pareço uma velhinha decrépita, mas não consegui rir de uma única gracinha nessa história onde a Cameron descobre o homem da sua vida. Ela o conhece numa danceteria, belisca seu bumbum, conversa cinco minutos com ele e se apaixona. Tenho certeza que, se eu tivesse usado esta técnica de abordagem com o maridão, nosso casamento estaria muito mais sólido hoje. Ahn, foi pra isso que nós mulheres tivemos a revolução sexual? Pra ganhar a liberdade de passar a mão nos caras e poder tagarelar livremente sobre tamanhos de pênis com nossas amigas? E claro que o objetivo final e supremo é sempre o sagrado matrimônio. Não sei, talvez eu ande com as amigas erradas, mas a gente não fala só de sêmen, não.

Pra não parecer que as moças do filme têm idéia fixa, elas também mencionam odores vaginais. Mas, de modo geral, o único assunto é o falo. Inclusive, numa seqüência numa lanchonete, que começa imitando a clássica cena de orgasmo de "Harry e Sally", as garotas inventam um número musical. A letra diz algo como "seu pênis é tão grande, ele não cabe aqui", e elas apontam para os orifícios costumeiros onde o pênis normalmente – não sei terminar a frase – você entendeu. Sinto até um tiquinho de vergonha de redigir uma coluna meio pornô num jornal familiar, mas a culpa não é minha, é de Hollywood.

Não dá pra não gostar da Cameron. Ela é tão meiguinha... No entanto, me preocupo com o que ela vai colocar no seu currículo. "Atriz que já usou esperma no cabelo pensando que era gel agora leva uma bimbada no olho"?! Não é um tanto degradante? Aí veio um estalo e entendi o significado do título em português. O "ele" do "Tudo para Ficar com Ele" é o salário de US$ 15 milhões que a Cameron recebeu. E, por essa fortuna, eu também toparia qualquer parada, até rebolar de calcinha e sutiã com as cores da bandeira americana. Quero dizer, toparia tudo menos o papel da Selma Blair, coitada. A pobrezinha foi contratada para manusear um vestido com manchas de sêmen, transar com alguém vestido de elefante roxo, e passar por uma cena quase interminável com um pênis preso em sua boca (pra lembrar o chiste do zíper de "Mary" – recordar é viver). Isso que é inferno astral. A Selma precisa fechar o corpo num centro de macumba urgentemente.

Tudo bem, é óbvio que esse tipo de humor não me faz cosquinha. Mas será uma coisa pessoal? Acho que não. Acho que as piadas de "Topa Tudo por Dinheiro" simplesmente não funcionam. Por exemplo, é de rolar de rir ver a Cameron trancada num banheiro durante um casamento? Não, né? Enquanto isso, sua melhor amiga troca caretas com um menino, numa seqüência que não vai a lugar nenhum. O momento em que o bonitão e seu irmão jogam golfe é outra tragédia. Idem para a hora em que mulheres apertam os seios da amiga para testar o silicone. Você espera pacientemente pela gag, e ela não aparece. Até a menos pior seqüência do filme, que deve ser a da lavanderia, acaba de repente. E o que acontece no sonho da Cameron, então? Na hora h, no ponto g do humor, ela acorda. E a piada morre.

Se você reparar bem, notará que uma parte enorme de "Tudo para Ficar" se passa dentro de banheiros. De onde, aliás, essa comédia nunca deveria ter saído.

2 comentários:

Anônimo disse...

Eu ví este filme há cerca de um mês e achei um dos melhores filmes de comédia que já ví. Achei muito engraçado. E olha que é dificil eu gostar de algum filme.

Agora, não sei se você ainda pensa assim, se você não mudou de idéia mas sua aboragem foi conservadora: "Ahn, foi pra isso que nós mulheres tivemos a revolução sexual? Pra ganhar a liberdade de passar a mão nos caras e poder tagarelar livremente sobre tamanhos de pênis com nossas amigas?" e "Sinto até um tiquinho de vergonha de redigir uma coluna meio pornô num jornal familiar". Até parece aquelas velhinhas de 80 anos. Mas que estas dá para compreender: o contexto social onde viveram. Você como feministas deveria lutar por mais liberdade sexual e não por mais limites.

É como o video das Tequileiras: você disse que foi "foi uma tortura ver metade do vídeo" e considera "lamentável", mas não respondeu por que considerou uma "tortura" ver metade do video. Ver mulheres rebolando? (queria ver homens?) Considera imoral? Mas se for você é um pouco conservadora, e não conseguiu quebrar alguns tabus.
A única coisa que lamento foi ver que há muitos idiotas que gastam só para ver mulheres rebolando e esfregando a bunda em outros homens, coisa que poderia ver na Internet, sem gastar um só centavo. É justificável se o cara não possui um computador ou não tem acesso à internet e é o único meio de ver. Mas naquela multidão havia muitos que tinham internet, e gastar para ver algo que poderia ver de graça. É como aqueles idiotas que págam as chamadas prostitutas da WebCam, só pra ficar vendo elas se exibir. Mas não ví tortura nenhuma no video das Tequileiras.

pedro disse...

Comentario tipico que uma piri pipiri pipiri piri piradinha... kkk a revoluçao sexual feminina nao é a liberdade de uma passar a mão na bunda de um cara, ou chupar muitos por aí...e sim de escolher com quem quer ficar, transar e coisas afins. Ficar falada (algo que voce deve gostar de ser) é a consequencias para pessoas que pensam assim. Um abraço, beijo me liga! Safadinha :Г