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sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

OS MELHORES ROTEIROS DE TODOS OS TEMPOS, SEGUNDO OS ROTEIRISTAS

Então, já faz tempo que o Writer's Guild of America (espécie de sindicato dos roteiristas americanos) divulgou uma lista com os cem melhores roteiros de todos os tempos. Como um leitor pediu, vou falar um pouquinho dela. Tenha em mente que é roteiro, não o filme completo. Mesmo que várias dessas produções apareçam frequentemente da lista de melhores, vamos tentar focar no roteiro (aliás, eu adoro ler roteiro!). Num livro que li do William Goldman, roteirista oscarizado (com três menções nesta lista) de Butch Cassidy, Todos os Homens do Presidente e Louca Obsessão, ele mostra a parte do roteiro de Psicose escrita para a famosa cena do chuveiro, em que uma pobre moça é assassinada por Norman Bates. É incrível que tanta coisa que vemos nessa cena clássica esteja no roteiro de Joseph Stefano - os cortes, as mãos, o close do olho... A gente tende a achar que a inspiração vem toda de um diretor genial como o Hitchcock, e se esquece que alguém pôs as ideias num pedaço de papel antes (por sinal, Psicose ficou em 92o lugar na lista).
Vamos às primeiras dez colocações (lembrando, é claro, que praticamente inexiste qualquer roteiro que não esteja em inglês na lista):
1. Casablanca (1942) - embora eu goste muito do filme, às vezes o considero superestimado. O roteiro realmente contém alguns dos melhores diálogos da história do cinema (acho que o meu favorito é quando o personagem do Claude Rains pergunta pro Rick do Humphrey Bogart por que ele veio a Casablanca. “Eu vim por causa das águas,” ele responde. O capitão retruca: “Que águas? Estamos no meio do deserto”. E Rick: “Eu fui mal-informado”). Mas também há diálogos terríveis no mesmo filme, embaraçosos mesmo, como a mocinha falando pro seu amado, durante um bombardeio: “Isso são bombas ou é o meu coração batendo?”. E milagrosamente ninguém se lembra dessas falas. Na realidade, todos os flashbacks de Paris são fracos, na minha opinião.
2. O Poderoso Chefão (1972) - sem dúvida, um senhor roteiro, ainda mais considerando que o livro de Mario Puzo em que foi baseado não é visto como grande literatura. Era mais um bestseller que as pessoas liam na praia naquele verão de 1969 (eu nunca li). Bom, essa lista idolatra o Coppola, Woody Allen, e o Billy Wilder. Cada um tem quatro filmes citados.
3. Chinatown (1974) - adoro o filme do Polanski, mas o que o faz grande são qualidades não exatamente do roteiro, como o clima, as magníficas interpretações de Jack Nicholson, Faye Dunnaway e John Huston, a música... Claro, o roteiro de Robert Towne é impevel. Só não podemos esquecer que um ingrediente importante do seu sucesso esteja no final noir e sem esperança. Esse final foi imposto por Polanski. Towne defendia um happy end (aliás, o relacionamento entre Polanski e Towne enquanto trabalhavam no roteiro, narrado com maestria por Peter Biskind no livro Easy Riders, Raging Bulls, por si só já daria um roteiro divertido).
4. Cidadão Kane (1941) - minha ídola Pauline Kael dedicou um livro inteiro defendendo que o principal responsável por este grande filme é o roteirista Herman Mankiewicz, mais que o próprio Orson Welles. Não sei se concordo. O que mais amo do cinema de Welles (os ângulos incomuns de câmera, as sombras, a fotografia em preto e branco) não estão no roteiro. Mas lógico que a escrita é fenomenal. É uma aula de como fazer uma biografia no cinema sem ser banal. Ajuda que Welles não tenha o menor apreço por Kane, que na verdade era o então magnata da imprensa William Randolph Hearst (que não permitiu que nenhum de seus jornais mencionasse o filme).
5. A Malvada (All About Eve, 1950) - pra mim, esse filme deve ter a melhor narração em off de todos os tempos. É pura ironia do começo ao fim. Só que são principalmente as atuações estupendas que ficam na memória. E um elenco espetacular: Bette Davis, Anne Baxter, e George Sanders. Tem até a Marilyn Monroe aparecendo um pouquinho. E é para o mundo do teatro o que Rede de Intrigas é pra TV.
6. Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (Annie Hall, 1977) - não é meu favorito do Woody Allen, mas o roteiro é inventivo, cheio de gracinhas interrompendo a narração. Por exemplo, enquanto Woody e Diane Keaton esperam numa fila de cinema, um carinha atrás deles não pára de falar. Quando Woody diz ao sujeito que ele (o sujeito) não entende nada de Marshall McLuhan (teórico que formulou os conceitos de “o meio é a mensagem” e da aldeia global), o carinha responde que dá um curso de mídia numa universidade. Woody decide então chamar o próprio McLuhan, que concorda com Woody que o professor está distorcendo tudo que ele escreveu. Woody conclui, “Se a vida fosse assim tão simples...”.
7. Crepúsculo dos Deuses (Sunset Boulevard, 1950) - um filme narrado pelo cadáver. Tá bom pra você? Também tem toda uma homenagem a uma época do cinema que não volta mais. É um grande clássico. Mas Otto Friedrich conta no ótimo A Cidade das Redes como a primeira versão do roteiro quase afundou a obra. O público-teste odiou como Billy Wilder inicialmente abria o filme: com o narrador conversando com outros cadáveres num necrotério. De fato, só ver um corpo na piscina e saber que ele é do narrador já é suficiente. A propósito, já que a lista é de roteiros, não pode faltar um diálogo deste filme. A estrela decadente conta ao roteirista que pretende fazer um filme com um diretor mitológico, sem saber que o roteiro em questão é uma bomba. Otimista, ela insiste: “Meu astrólogo leu meu horóscopo e leu o horóscopo do De Mille”. E o protagonista: “Seu astrólogo leu o roteiro?”.
8. Rede de Intrigas (Network, 1976) - pra quem quer entender como a mídia funciona, principalmente as notícias dadas pela televisão, Rede e Nos Bastidores da Notícia (em 51o lugar) formam uma dupla imbatível. O desabafo do âncora de TV em Rede, mandando seus espectadores gritarem pela janela “I'm mad as hell and I'm just...”, permanece atual até hoje. Ah, como estamos em tempos de Oscar, vale lembrar que Peter Finch (o âncora) tem a honra de ser o único a receber uma estatueta depois de morto. Será que agora Heath Ledger se iguala?
9. Quanto Mais Quente Melhor (Some Like it Hot, 1959) - acabo de descobrir que este roteiro é baseado num filme alemão! Excelentes tiradas no que é considerado um dos filmes mais engraçados de todos os tempos. Mas imagine esse roteiro sem Jack Lemmon, Tony Curtis e Marylin Monroe dando voz aos diálogos de Billy Wilder e I. A. Diamond? Difícil, né?
10. O Poderoso Chefão 2 (1974) - não entendo como o pessoal faz pra decidir qual é melhor, o Chefão 1 ou o 2. Eles tiram no par ou ímpar? Ambos são maravilhosos.
Bom, entre esses primeirões, cinco são roteiros originais (escritos diretamente pra tela), e cinco são adaptados (de outro material como livros, peças - no caso de Casablanca e A Malvada -, e até de outro filme. Não vou comentar a lista toda aqui porque o post ficaria gigantesco. Mas note que o filme mais recente a aparecer entre os primeiros é Pulp Fiction (16o lugar), que já é de 1994 (quinze anos!). O mais recente mesmo deve ser Brilho Eterno de uma Mente sem Lembrança (de 2004, em 24o lugar). Gostei que Harry e Sally - Feitos um para o Outro foi lembrado (em 40o). A Nora Ephron e a Callie Khourie (por Thelma & Louise, em 72o) são as únicas mulheres da lista inteira. O único negro deve ser o Spike Lee, por Faça a Coisa Certa (pra mim, numa posição que deveria vir bem antes da 93a). Numa lista minha de melhores roteiros de todos os tempos, eu não incluiria De Volta para o Futuro (56o), Tubarão (63o), Leão no Inverno (em 71o; acho esse filme com a Katherine Hepburn chato), e Rocky (78o - o sindicato acha que um dos melhores roteiros da história foi escrito pelo Stallone!). Nem Campo dos Sonhos, Forrest Gump, Patton - Rebelde ou Herói?, e Meu Ódio Será sua Herança (88o, 89o, 94o, e 99o lugar, respectivamente - simplesmente não gosto deles). E lógico que eu incluiria mais filmes do Kubrick, principalmente Laranja Mecânica, O Iluminado e Nascido para Matar. E cadê Cabaret? E vários do Almodóvar, como Tudo Sobre Minha Mãe e Fale com Ela? Mas enfim, lista é lista, é algo muito pessoal. Esta ao menos serve como um bom guia de clássicos que a gente deve ver (ou rever). Crianças, façam seu dever de casa.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

DEZENAS DE RESULTADOS ATRASADOS DE ENQUETES LEGAIS

Mil desculpas por deixar de publicar o resultado das quatro últimas enquetes realizadas por aqui. Gosto de postar o que deu pra servir como parâmetro. Quem sabe algum dia o bloguinho cresce, fica famoso, muito mais gente participa, e a mesma enquete revela uma resposta completamente diferente? Ou eu envelheça mais ainda, fique gagá, minhas posições políticas mudem, e eu passe a atrair a mesma fauna que lê o Diogo Mainardi? Aí os resultados definitivamente mudariam, certo?
Bom, a primeira enquete que eu tive preguiça (ou falta de tempo) de anunciar o resultado foi esta: “A Empire elegeu os 500 melhores filmes de todos os tempos. Esses são os quinze primeiros. Qual desses não entraria nunca numa lista pessoal sua dos melhores filmes?”. 142 pessoas votaram. Vamulá, em ordem decrescente (ou seja, quanto menos votado, mais o filme se consolida entre os melhores de todos os tempos): 12) (houve empates mais pra frente) Touro Indomável (apenas um voto - gente, desconfio que pouca gente viu o filme, é isso?); 11) Apocalypse Now, Cantando na Chuva, e Chinatown (1% cada); 10) Era uma Vez no Oeste (2%); 9) O Poderoso Chefão e Os Bons Companheiros (2%), 8) Caçadores da Arca Perdida e Pulp Fiction (4%), 7) Um Sonho de Liberdade (4%), 6) Se meu Apartamento Falasse (5%), 5) todos os filmes são maravilhosos e entrariam (9%) - ah, vocês são tão bonzinhos com Star Wars!; 4) O Cavaleiro das Trevas (11%), 3) Clube da Luta (11%), 2) Tubarão (13%), e 1) Guerra nas Estrelas Episódio V: O Império Contra-Ataca (21%). Pois é, gente, concordo: uma lista dos melhores filmes de todos os tempos que tem a coragem de incluir um Guerra nas Estrelas logo na segunda colocação não pode ser séria.
A segunda enquete foi referente ao erro mais grave da polícia no caso Eloá, em Santo André. 148 pessoas votaram, e o resultado foi: devolver a refém Nayara, com 47 votos, ou 31%; não atirar em Lindembergh quando pôde, com 37 votos, ou 25%; e deixar que a mídia conversasse com o criminoso, com 18%. Em quarto lugar, demorar cinco dias para agir (8%); quinto: valorizar a vida das reféns tanto quanto a do criminoso (7%); sexto: permitir uma estadia confortável a Lindembergh (3%). Em sétimo lugar, com inacreditáveis 2%, “a polícia não cometeu erros”. Não, né? Só se voltarmos à justificativa do coronel: “O que deu errado foi o rapaz ter atirado em Eloá”. Pô, errado já foi Lindembergh invadir um apartamento, manter duas meninas em cárcere privado, e ameaçá-las de morte. A gente só esperava que a polícia servisse pra alguma coisa.
“Você está feliz com o resultado das eleições da sua cidade?” foi a pergunta da penúltima enquete. Das 131 pessoas que participaram, 24, ou 18%, responderam “Mais ou menos”. “Sim”, disseram 36%, mas o vencedor foi o “Não”, com 45%. De onde se deduz que a maior parte dos meus leitores é carioca? Ou paulista? E lá de Porto Alegre também. E que eu tenho pouquíssimos leitores joinvilenses, certo?
A última enquete, terminada hoje, perguntava: “Como você se sente em relação à vitória do Obama?”. 158 pessoas votaram, e o resultado foi um empate entre “Absurdamente Feliz” e “Feliz”, ambos com 63 votos, ou 39%. “Indiferente” recebeu 18%, e “Chateado”, apenas 1%. Mas aconteceu algo curioso: nos primeiros dias da enquete, a alternativa “Absurdamente feliz” estava mais à frente. Assim que os dias foram passando, a euforia também se dissipou um pouco. Anyway, dá pra dizer que a imensa maioria dos leitores do bloguinho tá feliz com a eleição do Obama.
A próxima enquete, já no ar, é pra gente imitar a Proposition 8. Como vocês sabem, no mesmo dia em que os americanos elegeram o Obama, vários estados incluíram na cédula uma votação que poderia restringir os direitos gays. A mais famosa foi na Califórnia, em que os eleitores tiveram que responder se aceitariam incluir na constituição o seguinte texto: “Apenas casamentos entre um homem e uma mulher são válidos ou reconhecidos na Califórnia”. O resultado ficou famoso: mesmo no que deve ser o estado mais liberal dos EUA, 52.3% votaram sim, e 47.7%, não. Em outras palavras, a maior parte dos eleitores optou por incluir na constituição um adendo que restringe os direitos dos gays, discriminando por lei toda uma minoria. Vamos votar pra ver se o meu bloguinho é muito mais liberal que a Califórnia? Liberal no bom sentido, não no sentido neo-liberal, por supuesto.

sábado, 11 de outubro de 2008

OS 500 MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS, SEGUNDO OS HOMENS

O Poderoso Chefão, primeirão da lista, coincidentemente termina com uma mulher barrada.

Ai, ai. Tem tanta coisa errada com a lista da revista Empire dos 500 Melhores Filmes de Todos os Tempos que nem sei por onde começar. Bom, começo dizendo que ela foi elaborada por críticos, 10 mil leitores, e alguns cineastas importantes como Tarantino e Almodóvar, e que esse número, quinhentos melhores, realmente impressiona. Mas acho que tira a credibilidade tentar fazer uma lista tão abrangente. Por que não “os quinhentos melhores filmes americanos dos últimos 50 anos”, que seria um nome mais honesto pra lista? Ou “os quinhentos melhores filmes de ficção científica”, algo assim? Do jeito que está, eu perdi o respeito já no número 3. Primeiro, os dez melhores colocados:

1. O Poderoso Chefão (1972)
2. Os Caçadores da Arca Perdida (1981)
3. Guerra nas Estrelas Episódio V: O Império Contra-ataca (1980)
4. Um Sonho de Liberdade (1994)
5. Tubarão (1975)
6. Os Bons Companheiros (1990)
7. Apocalypse Now (1979)
8. Cantando na Chuva (1952)
9. Pulp Fiction (1994)
10. Clube da Luta (1999)

O Chefão e Caçadores eu posso entender perfeitamente, mas o que um Star Wars tá fazendo em terceiro? E repare que nem é o primeiro da saga intergalática, o clássico de 77, é uma sequência! E sim, eu adoro Sonho, mas acho que até o Darabont admitiria que quarto melhor filme de todos os tempos é um pouco demais. Concordo plenamente com Cantando na Chuva, discordo radicalmente da inclusão de Clube da Luta, que não entraria nem numa lista minha de melhores 500,000 filmes de todos os tempos. Quem votou nessa relação? Só homens? Tirando Cantando e talvez Pulp, oito desses dez primeiros colocados são filmes em que as personagens femininas mal existem. É bem fantasia masculina mesmo, como a de Tubarão: três machões se lançam ao mar pra caçar um peixe grandão e aprender sobre as amizades que realmente importam (aquelas que excluem mulheres). Por esse ângulo, é até interessante que o primeiro colocado seja o Chefão, que por coincidência termina com a imagem da Diane Keaton sendo literalmente deixada de fora, barrada na porta, pelo marido e demais mafiosos. É a imagem que me vem à mente ao pensar nessa lista dos 500.Continuando:
11. Touro Indomável (1980)
12. Se Meu Apartamento Falasse (1960)
13. Chinatown (1974)
14. Era uma Vez no Oeste (1968; foto)
15. Cavaleiro das Trevas (2008)
16. 2001, Uma Odisséia no Espaço (1968)
17. Taxi Driver (1976)
18. Casablanca (1942)
19. O Poderoso Chefão 2 (1974)
20. Blade Runner, o Caçador de Andróides (1982)

Pô, eles gostam mesmo do Scorsese, né? A lista mal começou e o sujeito já emplacou três filmes, contra três do Coppola, dois do Spielberg, um do Kubrick, e zero do Hitchcock. E o número 12 não é, nem de longe, o melhor filme do grande Billy Wilder. E o Cavaleiro das Trevas foi lançado há três meses e já tá aí em cima? Embora seja um grande filme, ainda precisa comer muito feijão com arroz pra ficar acima de 2001 e Chefão 2, na minha opinião. Mas é nessa terceira leva que eu fico revoltada mesmo:

21. O Terceiro Homem (1949)
22. Guerra nas Estrelas Episódio IV (1977)
23. De Volta para o Futuro (1985)
24. Senhor dos Anéis (2001)
25. Três Homens em Conflito (The Good, the Bad, and the Ugly, 1967)
26. Dr. Fantástico (1964)
27. Quanto mais Quente Melhor (1959)
28. Cidadão Kane (1941)
29. Duro de Matar (1988)
30. Aliens (1986)

Hã? Com todo o respeito, em qual universo alternativo De Volta para o Futuro é melhor que Cidadão Kane (foto)? O Terceiro Homem tudo bem - ele é considerado o melhor filme britânico de todos os tempos - , mas não preciso declarar que Senhor dos Anéis não serve nem pra limpar o chão em que Dr. Fantástico pisa. E, apesar de eu sempre ter achado Aliens, a sequência, muito superior a Alien, O Oitavo Passageiro (que é um dos meus soníferos oficiais, junto com o dos elfos à procura de um anel), não creio que ele teria lugar numa lista minha.
Não vou continuar (você pode ver a lista completa aqui, com fotos legais), mas sinta o drama: E o Vento Levou é lembrado em apenas 31o lugar, e, pior ainda, Laranja Mecânica, em 37o. Alguém se lembra que existiu um tal de Hitchcock só lá pela quadragésima colocação, quando Um Corpo que Cai aparece. ET só telefona pra casa num longínquo 47o. Nascido para Matar, que pra mim tá no mesmo nível de Apocalypse como o melhor filme sobre o Vietnã, tá em 457o. Sabe, quase caindo pelas tabelas? Incrível! Um dos maiores clássicos dos anos 70, Um Dia de Cão, só é citado na 443a posição. Tipo assim, bem depois de Cloverfield (394o), 300 (337o) e Transformers (309a). Mesmo Sexto Sentido é um filmaço, certo? Pros votantes da lista, nem tanto: 332a colocação. E sinto muito, mas qualquer lista que põe Cabaret em 367o e A Malvada em 347o não pode ser séria.
Fico feliz que estejam presentes Psicopata Americano (na 435a colocação), Men in Black (409a), Irresistível Paixão (326a), O Doce Sabor do Sucesso (314a), Requiém para um Sonho (238a), Jackie Brown (215a), e Harry e Sally (90a). São filmes tidos como “menores”, que não surgem em todas as listas. Mas como colocar o melhor Spike Lee, Faça a Coisa Certa, em 403o? E Pulp Fiction é realmente tão mais maravilhoso que Kill Bill Volume I (em 325o)?
E o que é isso? Glória Feita de Sangue apenas em 185o? O “nosso” Cidade de Deus em 177o? Silêncio dos Inocentes em 124o? A Marca da Maldade em 100o? O Iluminado em 52o? Eles realmente podem considerar Uma Noite Alucinante (Evil Dead) o melhor terror de todos os tempos? Assim, na cara dura? Sem passar vergonha? E tudo bem, eu amei This is Spinal Tap, mas não o incluiria como o 48o melhor de todos os tempos nem a pau.
Ah sim, e se você precisava de um argumento final pra desconfiar da lista, saiba que Superman, o Retorno, aquele que muita gente considera um dos piores filmes de super-heróis, ficou em 496o. E o último Indiana Jones, que deixou um gosto amargo (ainda mais depois que Cavaleiro chegou pra mostrar como se faz uma grande sequência), tá em 453o. Campo dos Sonhos em 260o, e Rambo em 253o, são a prova de que esta é uma lista feita por homens. Um clube do Bolinha, onde mulheres não são nada bem-vindas.
E a porta se fecha para Kay. Lá dentro fica o mundo dos homens, distante e inacessível.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

MINHA LISTA DE MELHORES MUSICAIS, SEGUNDO MINHA LISTA DE DVDS – PARTE 2

Minha lista de musicais em DVD continua. Clique em cada coisinha em negrito/azul/vermelho (depende do computador) porque selecionei montes de clipes bacanas pra você ver. A primeira parte da lista tá aqui.

A Noviça Rebelde (The Sound of Music, 1965), de Robert Wise – ok, certamente não é meu musical favorito. Mas tem muita coisa agradável. E a Julie Andrews cantando e dançando de braços abertos no topo da montanha é um momento icônico do cinema (não encontrei a cena no YouTube. Lá só tem paródias da cena). Sei que tem muita gente que não suporta Noviça. Minha ídola Pauline Kael perdeu o emprego de crítica ao pichar o filme na época de seu lançamento. Sei que é conservador e tal. Mas alguns números musicais funcionam. E eu adoro fazer “The Hills are Alive” com o maridão. Uh, não, não é nada erótico. Consiste na gente estar feliz no meio da natureza, abrir os braços e dar umas piruetas cantando a musiquinha. Na maior parte das vezes o maridão se recusa a participar. É pelo medo do ridículo, mas também de ficar tonto e cair. Não é absurdo como homem tem medo de parecer menos másculo por gostar de musicais? (É com isso que Tratamento de Choque brinca ao forçar o Adam Sandler a cantar “I Feel Pretty”). Acabei de rever Sweeney Todd. Nos extras, a Helena Bonham Carter revela que seu marido Tim Burton odeia musicais e tem medo que o filho vire gay porque Helena vive mostrando-os pra ele. É uma declaração que não faz o Tim sair bem na fita, mas é a realidade prum monte de homens. Ser másculo é preferir tiros e explosões a belos números de dança? Ou seja, ser homem é ter mau gosto? Desde quando?

Núpcias Reais (Royal Wedding, 1951), de Stanley Donen – a história não vale nada, e a qualidade do DVD é das piores. Mas são detalhes se a gente pensar que o filme contém dois dos mais brilhantes números de dança da história do cinema. Aliás, o número pra “How Can You Believe Me When I Said I Love You” com a divina Jane Powell tampouco é de se jogar fora (veja aqui). Mas os que entraram pro olimpo são o do Fred Astaire dançando com o cabide (aqui), e subindo pelas paredes e dançando no teto (veja aqui, e repare no sorrisinho de satisfação que ele dá no fim. Isso que faz o Fred lindo, embora fisicamente ele era bem feinho). Essa cena tá tão bem feita que uma vez gastei os quinze minutos de um intervalo da minha aula de inglês passando a cena pros alunos e tentando descobrir como o pessoal fez isso (porque não parece ter cortes!). Hoje, com o YouTube, ter este filme já não faz o menor sentido.

South Park: Bigger, Louder, and Uncut (1999), de Trey Parker – tem muita coisa datada já, como o Saddam Hussein sendo amante de Satanás, ou a pegação no pé da Winona Ryder. E o filme cai feio na segunda metade. Ainda assim é uma delícia, uma sátira inteligente e divertida. E “Blame Canada” tem a honra de ter sido a única canção repleta de palavrões a ser indicada prum Oscar de melhor música (você pode vê-la aqui).

Por que não tenho A Pequena Loja dos Horrores? Não a comédia dos anos 60 em que o Jack Nicholson faz uma pontinha. Quero o musical de 86 com uma planta carnívora que vem do espaço, o Rick Moranis, e o Steve Martin como dentista sádico. Deveria ser o filme de cabeceira de todo dentista (veja o número do Steve aqui). Sem falar que adoro o encontro não-musical entre o Bill Murray como paciente masoquista e o Steve (aqui).

Acho que eu deveria ter O Mágico de Oz (1939) também, porque a Judy Garland cantando “Over the Rainbow” é única. E admito que adoro Mary Poppins e A Hard Day's Night, ambos de 64.

Mas o DVD que mais faz falta nessa minha lista é Hair (1979), do Milos Forman (e Amadeus, também dele, se a gente considerar Amadeus um musical). Hair tá cheio de imagens psicodélicas e coreografias inspiradas da Twyla Sharp, sem falar que é um filme político, pacifista, contra todas as guerras (esta cena sempre me faz chorar). E agora preciso incluir Sweeney Todd na lista. E talvez Across the Universe.

domingo, 4 de maio de 2008

MINHA LISTA DE MELHORES MUSICAIS, SEGUNDO MINHA LISTA DE DVDS – PARTE 1

Esses são os DVDs que tenho de musicais. E se eu tenho o filme é porque gosto muito dele. Pode ser, portanto, que esta seja minha lista dos melhores musicais da história, pra mim, na minha opinião pessoal. Musical é complicado de escolher, já que existem números de dança e canções maravilhosas espalhadas por inúmeros filmes. Mas pra isso a gente tem That's Entertainment (que faz uma bela compilação) e YouTube. Eu tô analisando mais o conjunto da obra mesmo, não números individuais. A lista tá em ordem alfabética. E eu dividi o post em duas partes porque ficou longo demais. Clique em cada link - selecionei um monte de coisa legal pra você ver.

Amor Sublime Amor (West Side Story, 1961) – o número “America” já vale o filme porque, além de uma coreografia incrível, trata-se de uma canção subversiva. O casal de protagonistas não convence (embora eu goste da Natalie Wood cantando “I Feel Pretty”, que foi parodiada de um modo fofinho na única cena que se salva em Tratamento de Choque), mas os coadjuvantes carregam a história. E coreografar um estupro não é pra qualquer um.

Cabaret (1972), de Bob Fosse – você deve ter notado como eu não consigo tratar de nenhum musical sem mencionar Cabaret. É o parâmetro de qualidade. Mesmo que todos os números musicais no filme não fossem absolutamente perfeitos, ainda teríamos um excelente documentário sobre a ascensão do nazismo na Alemanha (veja esta cena de dois minutos e me diga se ela não é mais eloquente que muitos tratados sobre o tema), e quiçá a primeira produção mainstream a ter um personagem gay (ou bi) que não seja ridicularizado.

Cantando na Chuva (Singing in the Rain, 1952), de Stanley Donen e Gene Kelly – outro parâmetro. Não preciso mais falar como amo esse filme.

Chigago (2002) – pode não estar no mesmo patamar dos outros filmes aqui, mas ainda assim é respeitável, principalmente pela presença da Catherine Zeta Jones e da Queen Latifah. Não me canso de ver algumas partes.

Os Embalos de Sábado à Noite (Saturday Night Fever, 1977), de John Badham – na real, é mais drama que musical. Mas como tem vários números de dança e o filme é lembrado mesmo pela trilha sonora dos Bees Gees e pelo John Travolta andando pelas ruas de Nova York (todo mundo devia andar com aquela auto-confiança!), pus aqui. Bom, pra mim foi um filme marcante. Eu tinha dez anos quando foi lançado, nova demais pra frequentar as discotecas que invadiram o Brasil por causa da novela Dancing Days. Aí eu ia nas matinês. Minha preferida se chamava Banana Power. E eu fazia sessões de dança lá em casa pros meus amiguinhos. Ia todo mundo lá e a gente ficava imitando os movimentos do Travolta em Embalos e Grease. Eu também lembro que uma vez preparei um clima de terror pruma amiga. A trilha sonora era “Night on Disco Mountain”, de Embalos.

Grease (1978), de Randal Kleiser – não importa que os adolescentes do filme pareçam ter mais de 30 anos, ou que a trama seja bobinha que só ela. Tá cheio de música boa. É o filme que fez a Stockard Channing ter um lugar reservado no meu coração. As coreografias são menos felizes, mas, ainda assim, dá vontade de imitá-las. Aliás, tenho uma idéia fantástica pra uma nova modalidade de ginástica: imitação de coreografias consagradas. A gente fica vendo o filme em pé e tentando dançar como o Gene Kelly ou o Travolta. Eu fiz isso com meu amiguinho de 9 anos e saiu uma caca, mas pelo menos a gente morreu de rir e deve ter perdido muitas calorias. O que mais uma academia de ginástica pode querer? Pode copiar que eu não cobro royalties.

A segunda parte da minha lista tá aqui.