quarta-feira, 12 de julho de 2000

CLÁSSICOS: O ILUMINADO / Trivialidades sobre um marco do terror

O que torna um filme comum um clássico? Difícil responder, mas uma das evidências é o quanto a obra influencia as outras, as chamadas citações. Portanto, se dois dos suspenses mais bem-sucedidos do ano passado, O Sexto Sentido e A Bruxa de Blair, se proclamam inspirados por O Iluminado, o terror de Stanley Kubrick é um clássico. Mas nem sempre foi assim. Quando foi lançado, vinte anos atrás, foi massacrado sem dó pelos críticos. Até chegou a ser indicado às Framboesas de Ouro, "prêmio" concedido aos piores do ano. Hoje, tudo isso é passado, e O Iluminado é visto como um marco do horror.

Mais alguns dados sobre este clássico: Stephen King (que, acreditem, meus alunos adolescentes nunca haviam ouvido falar!) tinha 32 anos quando escreveu o romance, na década de 70. Ele já havia vendido 22 milhões de exemplares de seis livros. Ou seja, era pobre se comparado à fortuna que possui atualmente. Stanley Kubrick (1928-1999), um dos maiores diretores de todos os tempos, disse do livro: "O Iluminado não é, de jeito nenhum, uma obra literária séria. Mas a trama está bem construída." King disse do filme: "Parece com um belo e enorme carro sem um motor dentro. Não é divertido porque o cara (Jack Nicholson) é louco desde o início".
Cuidado com a versão feita para televi
são, encontrada nas locadoras. Dura quatro horas, é uma adaptação do próprio Stephen King, mais fiel ao livro, e - vá por mim -, serão as quatro horas mais perdidas da sua vida. É um lixo total. Voltando ao clássico, a trama de um homem que aceita ser o zelador de um hotel durante os meses de inverno, ficando lá sozinho com sua mulher e filho, e que acaba enlouquecendo e tentando matá-los, é, de acordo com Kubrick, "a história de uma família silenciosamente enlouquecendo junta". No livro, não há o labirinto impressionante do filme, mas arbustos em formas de animais (que, claro, ganham vida no final). No fim do romance, há a explosão e eventual incêndio do hotel. Bem diferente do filme.
No livro, o quarto que guarda terror para o menino é o 217. Porém, como as tomadas ex
teriores do filme foram feitas em um hotel de verdade, que possuía o número 217, o gerente pediu a Kubrick que mudasse o quarto, ou ele nunca mais teria hóspedes. Kubrick aceitou, e o quarto virou o 237. A maior parte de O Iluminado foi filmada com uma Steadicam, na época uma invenção ousada. Para o papel de Danny, 5 mil meninos foram entrevistados. O garoto escolhido, que por coincidência também se chama Danny (e Jack Nicholson tem o mesmo primeiro nome que o protagonista), tinha então cinco anos. O filme custou entre 11 e 18 milhões de dólares, dependendo das fontes, e foi muito bem na bilheteria, apesar de ter sido bombardeado pela crítica. Foi a primeira produção de Kubrick em 23 anos a não ter sido indicada ao Oscar. Kubrick, assim como Hitchcock e Welles, nunca recebeu o prêmio. As cenas iniciais das montanhas do Colorado foram depois utilizadas no final de outro clássico: Blade Runner, O Caçador de Andróides (1982), de Ridley Scott. Aliás, também malhado pelos críticos quando lançado.


Mais sobre Iluminado aqui, aqui e aqui.

4 comentários:

otelhado disse...

"O Iluminado" permanece meu filme de terror e suspense favorito -- aliás, permanece um dos meus filmes favoritos, ponto.

Flávia disse...

Olá! Bom dia!

Eu não gosto de filme de terror. Mas para mim, O Iluminado não é filme de terror... ADORO! Esse suspense inteligente é ótimo. ÓTIMO!

Tina Lopes disse...

A pior cena do livro é a que o Jack golpeia o próprio rosto com o taco de golfe, para q o filho não mais o reconheça e não "chame" sua alma de volta à razão. Sinto que o filme não mostre a confusão entre os alcoolismo do Jack e os fantasmas que enfim se divertem com essa doença dele. Mas enfim, adoro ambos, livro e filme.

Knoville disse...

nao acho esse filme para alugar,amo filmes de suspense, drama, q envolva mto misterio, tenho medo dos de terror, mas sempre assisto com algue