quarta-feira, 27 de novembro de 2002

CRÍTICA: O CONDE DE MONTE CRISTO / O corcunda de Monte Cristo

Já que "Homem-Aranha" está fadado a ocupar três das sete salas de Ville, Ville por no mínimo dois meses, principalmente agora que foi liberado geral para menores de 12 anos, e como gostei tanto do Aranhudo que já o vi duas vezes, fui ao cinema em busca de novas paragens. E o que encontrei? "O Conde de Monte Cristo". Era isso ou o veículo da Britney Spears. Desculpe minha ignorância, mas a Britney é uma das Spice Girls, só que americana? Isso quer dizer que seguirá o destino do grupo – fará um filmeco e desaparecerá para sempre? Mal posso esperar.

Eu disse "novo" ao mencionar o "Conde"? Foi um lapso. Soube que é a adaptação número vinte e lá vai bolinha do romance com o mesmo nome. Se você, como eu, nunca leu o clássico de Alexandre Dumas e confunde este título com "O Corcunda de Notre Dame", a história é a seguinte: olha, esquece, é meio complicada, até o Napoleão entra na jogada. Breve resumo. Dois carinhas surgem numa ilha. São melhores amigos, apaixonados pela mesma mulher. Já viu que algo vai dar errado, né? A seqüência inicial mostra a intrépida dupla derrotando sozinha o exército inglês, ou coisa assim. Quando eles voltam à França – ah é, os atores todos falam inglês com gírias modernas, mas guie-se pelo figurino, que mostra roupas francesas de 1814 –, o Guy Pearce (de "Los Angeles, Cidade Proibida" e "Amnésia" mas, como nem tudo é perfeito, também de "Máquina do Tempo") consegue mandar o Jim Caviezel (que vi por último em "Crimes em Primeiro Grau", com a Ashley) pra cadeia. As cadeias daquela época não eram civilizadas e humanas como as brasileiras de hoje, onde os detentos realmente são reabilitados para a vida em sociedade. Não. Eram depósitos em masmorras, onde o prisioneiro permanecia numa solitária e só tinha contato com gente pra ser chicoteado. Mas, pelo menos, ficava num castelo. O Jim está lá, desesperado na sua cela, até conhecer um velhinho que lhe ensinará tudo em troca de ajuda pra cavar um túnel. Esta é, disparada, a melhor parte de "Corcunda", quero dizer, "Conde". Aí vem a minha primeira dúvida. Se o Jim só aprende a lutar na prisão, como que ele e o amiguinho ganham de um monte de soldados no começo? Não importa: herói, quando é bom, é bom até retroativamente. No cárcere, o Jim cava, come uma refeição por dia e pega uns ratinhos como reforço alimentar. Chega um dia em que ele dispensa sua gororoba, é jogado de um penhasco, afoga um vilão, nada um oceano, alcança uma ilha e tem de guerrear contra o mais temido lutador com facas da região, a quem vence com um pé nas costas. Moral da história: carne de rato faz bem pra saúde.

Fim da seção legal de "Conde" e início da parte muito, muito estúpida. Incrivelmente estúpida. O Jim vira conde e, dezesseis anos depois de ter sido condenado, volta para se vingar dos desafetos. Ele está igualzinho, só que de barba; o Guy tá igualzinho, a mulher disputada tá igualzinha, mas ninguém reconhece o Jim. No ato, falei pro maridão: "Amor, eu te reconheceria se você aparecesse 16 anos depois, mesmo que estivesse de barba e rico". Ele discordou da minha desconfiança, achou que o Jim tava a cara do Luciano Zafir, e arrematou: "Eu não te reconheceria de barba 16 anos depois. Esbanjando dinheiro, então, nunca!" Não entendi se o verme rastejante quis me chamar de pão-dura.

"Conde" tá cheio de mensagens edificantes como a vingança não compensa, dinheiro não traz felicidade, e o Senhor é meu pastor e nada me faltará, ainda mais após desenterrar um tesouro. Tente ignorar o Guy, que tá canastrão até a medula, ou a ilustre desconhecida que atua (modo de dizer) como o pivô da briga, ou o filho dela, que mais parece seu irmão mais velho. Concentre-se nas paisagens deslumbrantes, tipo castelo de "Caras". Tem balão e tudo. No mais, "Corcunda" é um mero capinha-e-espadinha. Mas é baseado em obra do Dumas, que anda na moda. O que mais gosto do autor de "Os Três Mosqueteiros" e "O Homem da Máscara de Ferro" é pronunciar seu nome. Dumá. Até me iludo que sei francês.

2 comentários:

Anônimo disse...

Nossa, acabei de ler seu comentário quase 11 anos depois do filme. Você já deve ter ido ao cinema com uma opinião formada, conde não tem absolutamente nada a ver com concunda, se era pra ser ridícula, pode ter certeza, você conseguiu! Bem se vê que você não entende nada de cultura e muito menos de cinema, da próxima vez, limite-se a sua mediocridade antes de tecer um comentário tão ridículo e sem conteúdo algum. Sinceramente, naquela época, vc deveria ter ido ver a Britnei tem mais a ver com você.

Priscila disse...

Vi o filme e gostei muito. Ao ler a sua crítica resolvi fazer um comentário, ou melhor uma observação relacionada a sua "dúvida": o Dantes realmente só aprende a lutar DE VERDADE na prisão, mas no início do filme fica claro sua ingenuidade e sua falta de habilidade com a luta, ao contrario de seu "amigo". Se você prestou atenção nos detalhes, então se lembrará do momento em que o Mondego diz a ele: "Bom, você finalmente acertou". Enfim, no início ele não lutava bem, mas na prisão ele pôde desenvolver essa habilidade, assim como várias outras.