terça-feira, 23 de agosto de 2011

GUEST POST: MINHA FILHA QUER SER MISS! ONDE FOI QUE ERREI?

Gente, o relato desta leitora (que chamarei de Dora ― outros nomes também foram trocados) representa meu pior pesadelo. Conservadores vez por outra acordam gritando no meio da noite: “Ai meu deus, e se meu filho for gay?!” Pra mim, se eu tivesse filhos, seria “Ai meu deus, e se meu filho virar um consumista acéfalo rendido ao padrão?!”. E se eu tivesse uma filha, e ela quisesse se encher de maquiagem, Barbies, silicone, bolsas de 22 mil reais?! Imagino que esse seria o ato de rebeldia supremo pra quem tem uma mãe feminista e anti-consumista. Mas mostra que a gente não tem tanto controle sobre os filhos quanto gostaria de ter. Eles não se tornam cópias nossas (eu gosto de mim, então acrescentarei "Infelizmente"). Por isso que é absurda aquela acusação de sempre de que são unicamente as mães que perpetuam o machismo na sociedade. Sim, porque as crianças vivem sós com suas mamães numa ilha sem internet, em completo isolamento do resto do mundo, né? Sei.
Espero que vocês possam ajudar a Dora, que está passando por maus (e sérios!) apuros com sua filha. Não é brincadeira, apesar do título meio exagerado e brincalhão que dei ao post. Help, pessoal!

Lolinha, me desculpe te incomodar com meus problemas particulares, mas estou passando por um momento delicado. Lendo os posts da Ana, percebo que estou vivendo um pouco dos problemas dela, porém de forma contrária. Tenho duas filhas adolescentes, uma de 17 anos e uma de 15. Embora sejam bem diferentes uma da outra, felizmente elas são muito amigas, ou pelo menos eram há um tempinho atrás. Mafalda, a mais velha, é muito descolada, desde pequena demostrou ser feminista, como eu. Nunca engoliu historinhas de contos de fadas. Ela sempre achava essas histórias melosas demais. Já a Susanita sempre amou tudo isso, desde nova sempre sonhou com seu principe encantado no cavalo branco. Quando elas eram crianças, sempre fiz questão de levá-las para escolherem suas próprias roupas e nunca as recriminei por escolherem algo que não estivesse do meu gosto. Sempre achei que elas deveriam ter opinião própria, principalmente quanto ao que vestem. Já fui questionada muitas vezes do porquê das meninas estarem usando camisetas do "Super-Homem", ou calçando tênis de menino. A Susanita sempre chegava chorando quando ouvia essas coisas, se incomodava muito, e "aprendeu" que meninas devem usar rosa, vestidos e sandalinhas. Sinceramente, não gostava das escolhas dela, que passou a querer usar só vestidos e tamancos que não pareciam tão confortáveis quanto os tênis, mas mesmo assim era o que ela queria. E sempre respeitei suas opiniões. Quando ela faz nove anos, ganhou um estojo de maquiagem, e queria ir para a escola maquiada. Isso eu não permitia. Conversei muito com ela, dizendo que ela era muito nova pra isso, que maquiagem era só para usar quando tivesse uma festinha. Falei que se ela usasse todo dia poderia prejudicar sua pele. Um dia ela me disse que eu estava parecendo crente, que maquiagem era normal, que todas as amigas dela usavam e que eu era a única mãe do grupinho dela que não tinha uma maquiagem decente. Perguntei o que isso representava pra ela. Ela ficou meio sem graça, disse que eu era bonita, mas que não custava nada ser um pouco mais vaidosa.
Lola, nunca achei que precisasse me enfeitar, ou que pintar a cara fosse
algo realmente necessário. Mas estou muito preocupada com a Susanita, porque ela está neurótica demais, e esses dias tivemos uma briga feia, eu quase perdi a linha e lhe dei uns tabefes, mas felizmente me controlei, porque isso realmente não iria ajudar em nada. Durante o jantar ela enrolou o tempo inteiro. Perguntei se ela não iria comer. Ela disse que estava sem fome e a Mafalda me disse que não a viu comer nada no colégio. As duas começaram um bate-boca, eu fiquei muito nervosa, não quero ver minha filha morrer de anorexia ou bulimia. Após uma discussão desgastante, pedi para ela desabafar e não deu outra. Ela disse que gosta de se arrumar, de estar bonita. Ela quer ganhar um concurso de beleza que vai acontecer na sua escola, e contou que uma das candidatas já colocou silicone e que todos estão de olho nela. Ela me disse que está fora dos padrões ainda, que todas as meninas estão de dieta, todas têm a barriga chapada e talz, que ela não quer ser diferente das outras garotas, que precisa estar nos padrões para ser aceita, que é só na minha cabeça que as pessoas são aceitas por serem boas ― na turma dela, quem não está “de acordo" com a moda, sobra. Lola, ela malha de segunda à sexta e ainda joga vôlei.
Honestamente não sei onde errei, não consigo reconhecer a minha filha. Sempre procurei dexá-la à vontade para ela ser quem ela quissesse ser, mas não posso admitir que ela ocupe o tempo com essas coisas que certamente não vão acrescentar muito em sua vida; acredito que só trarão sofrimento. Não vejo nenhum mal em uma pessoa ser vaidosa, mas do jeito que ela está, não posso deixar. Quando ela era criança, gostava de jogar e assistir futebol, correr, ser livre. Hoje em dia ela não gosta nem de ouvir falar nesse esporte. Lembro de estarmos separando umas fotos dela para fazer um painel para sua festa de 15 anos. Quando ela viu as fotos dela uniformizada junto com o time do bairro, quase teve um ataque e disse que não colocaria tal foto, porque ela não estava feminina e as amigas iriam achar aquilo ridículo. Não consigo acreditar que ela esteja deixando se levar por valores que não ensinei, ou que a mídia realmente tenha esse poder todo. Já venho tentando fazer algumas coisas, como por exemplo, não a tenho deixado ir a certas baladas, tenho reduzido o tempo que ela fica na internet e até mesmo vendo TV. Tento conversar com ela o máximo possível, tento mostrar o quanto ela é bonita naturalmente, e ela realmente é, mas a vaidade se tornou ideia fixa, e eu e o pai dela estamos com medo que essa neurose tome conta da cabecinha dela e isso lhe custe a saúde.
Conversei com a coordenadora do colégio dela, e ela disse que irá organizar uma palestra sobre anorexia na escola, mas para eu não me preocupar demais, porque isso é só uma fase. Discordo dela. Já pensei em mudá-la de escola, mas acho que para este ano não será legal. Vou conversar agora com os organizadores do concurso, quero saber exatamente o que eles têm falado com as meninas, o que têm cobrado delas. Acho que vou tirá-la desse negócio. O desfile é daqui a poucas semanas. Estou de olho nela, de olho na alimentação principalmente. Não quero ser autoritária, mas poxa, sou a mãe dela. Se eu não zelar por sua integridade, quem irá fazê-lo? A mídia? As amigas de 15 anos já siliconadas? Os organizadores do concurso?

128 comentários:

Ginger disse...

Oie Dora :)

Você não errou em nada! Imagino que vc seja uma mãe super bacana e consciente, mas infelizmente não pode impedir que o mundo lá fora influencie sua filha em alguma coisa.Cabe a Susanita filtrar o que é bom e o que é ruim.

Eu tb sou adolescente, e eu procuro manter a minha mente aberta, não ser levada para o padrão mas é dificil pra caramba! E as vezes me apego tendo meus momentos de Susanita tb...

Comigo tem funcionado procurar observar de perto o comportamento das pessoas ditas como "legais" "normais", vc poderia sugerir a sua filha a procurar reparar mais em como as amizades entre essas pessoa funciona.

Posso te garantir que é tudo na base do interesse e da troca!

Se a sua filha for capaz de perceber que a vida das amigas siliconadas dela nunca serão completas pq estarão sempre numa expectativa nova, algo que elas nunca vão conseguir superar, pois sempre estarão dependendo da aprovação dos demais.

Ela vai conseguir entender que essa vida de aparencias a levará para um circulo infinito de expectativas e frustrações, mágoas.

Eu acho que um pouco de "chantagem" pode funcionar, ela quer fazer concurso de Miss? Legal. Mas vai ter que ler um livro ! E fazer um resuminho dele pra vc!

Pode ser um tema que fale de liberdade, de existencia, não sei eu tenho lido sobre Focault e Camus, tem me ajudado muito :)

Não acho que impedir ela de participar deste concurso seja algo bom, pq ela não vai passar pela experiencia e vai ficar imaginando mil coisas, que poderia ter ganhado, que poderia ser recohecida. Amada...

E que vc estragou tudo.

Melhor deixar ela quebrar a cara e ver por ela mesma que o mundo não é um tapete vermelho não!

bjus e boa sorte!Espero ter ajudado!

Daní Montper disse...

Adolescentes prezam muito por amizade nessa fase, querem muito pertencer e serem aceitos por outros - que não pais ou mães, então é normal haver esse distanciamento e ela querer encaixar de qualquer jeito , e não acho que há solução amigável para isso, ou a Dora se torna a mãe autoritária e a tire do colégio e do convívio com as amigas - correndo o risco do novo colégio e das novas amigas serem iguais - ou então tente levar numa boa, mas mostrando outros caminhos, outras opções.

Estava pensando nisso outro dia, em como atingir adolescentes com o feminismo, pois é nessa época que eles estão buscando se sociabilizar, formar grupos, querem pertencer e se unir com outros da mesma idade, e é um problema para nós, feministas, porque não temos um templo ou um clube em que possamos nos reunir sempre como igrejas ou escolas, e mostrar outro viés. E é justamente nas escolas e nas igrejas que buscam mais aceitação, para terem amigos, e com isso vão se impregnando de vários conceitos consumistas e conservadores, que depois são mais complicados de desconstruir.
Outro ponto também é que não temos livros de literatura infanto-juvenil que aborde o feminismo, ou uma educação não sexista, tudo que temos é sempre feito de adultas para adultas, de mulheres para mulheres.
A gente nem sabe com chegar nesses adolescentes, nãos abemos o que falar para os atrair e então nos escutar, pois tinha que ser de forma que lhes interesse.

Um caminho que achei foi através da sexualidade, pois é tema que tod@ adolescente se interessa, então dá para abordar várias questões de gênero no tema, mas também não temos espaço para isso, pois nas escolas não se aborda o tema, em igrejas muito mesmo - ou se fazer é da maneira mais conservadora, sexista e preconceituosa possível.

Acho que esse é/será o mal de todas as mães feministas - e tias também, pois sempre penso em como desconstruir várias questões para minhas sobrinhas e meu sobrinho, de forma que não sejam sexistas, homofóbicos, racistas, porém, tenho a sensação de que nado contra a corrente sempre, então me dou satisfeita com pequenas vitórias - como minha sobrinha corrigir a dona da padaria que disse para ela que o chiclete x era de menino e por isso ela não podia comprar "não, é de criança".

Boa sorte, Dora, tente não perturbar sua filha todo dia com isso que ela se afastará ainda mais de você, tente dar espaço para ouví-la e diga que entende, mas quer que ela siba que há outros caminhos, outras possibilidades, que ela tem que ver se ela quer sempre viver esperando ser o que outros desejam ao invés de ter controle sobre a própria vida - minha sugestão rsrsrs

Não que eu possa sugerir algo, né? rsrsrs

Leila Silva disse...

Nossa, para mim também seria um pesadelo, mas minha irmã está com um problema parecido com minha sobrinha de 13 anos. É duro saber o que fazer, acho que essa mãe está indo no caminho certo, ou pelo menos fazendo o que pode, tem que ir mesmo nessa escola para saber se eles não têm coisa melhor para inventar do que um concurso de beleza, é uma falta de responsabilidade arquitetar essas coisas. Enfim, não me espanto tanto, trabalhei em escolas particulares e tenho muitas amigas que ainda trabalham, já contei aqui de uma amiga que foi chamada para uma reunião na escola onde trabalhava por ser 'gordinha', a diretora analisava a coisa da seguinte forma 'se a pessoa não tinha controle sobre o próprio corpo como ia ter controle sobre uma sala de aula'? Pedagogia moderníssima, né?

Dokho de Libra disse...

Mesmo eu sendo um masculinista e completamente anti-feminista, eu devo confessar que senti compaixão dessa mãe, infelizmente é verdade, quem não está de acordo com os ditames da moda é sumamente excluído em colégios, festas etc, é coisa da idade, mas assim como acontece com as meninas ocorre com homens, se o cara não é sarado, bonitão e não tem barriga tanquinho é sumamente excluído tanto pelos caras que o são quanto pelas mulheres, não é só mulher que sofre com isso de exclusão não, por isso eu sou anti-social hoje, e sou contra o feminismo, o qual criou esse padrão de mídia, justamente porque as mulheres são muito facilmente moldáveis e influenciáveis.

Daní Montper disse...

Leila, sério que a diretora falou isso? Nossa, o que tua amiga fez? Uma vez vi mães de algumas coleguinhas da minha sobrinha falando sobre ser magra que é ser elegante e bonito para as meninas de 3 a 5 anos enquanto esperavam a aula de balé, fiquei tão indignada vendo as meninas comparando as barrigas por causa das mães irresponsáveis!

Ginger disse...

Ah sim claro Dohko!

As mulheres criaram esse padrão de midia para elas mesmas serem perseguidas por ele!

Flávio Brito™ disse...

Assunto complicado esse.

A Lola mais uma vez para ajudar começa vomitando seus preconceitos contra conservadores. (Lembrem-se: Aqui preconceito contra mulheres, gays e negros não pode mas contra conservadores esta valendo!)

Afinal de contas os reaças são malvados e os revolucionários comunistas de esquerdada são bonzinhos!

Concordo com a Lola: nenhum conservador (ou reaça malvado) quer que seu filho seja gay (Duvido muito que alguém sonhe que seu filho seja gay, mesmo que seja um revolucionário de esquerda bonzinho)

Mas deixando de lado os preconceitos da Lola é preocupante o fato de que a sociedade está forçando esse tipo de comportamento nas crianças, uma espécie de amadurecimento forçado, o tipo de coisas que levam crianças a se maquiar e agirem como adultos, adolescentes a colocarem silicone...
A mídia passa um padrão de beleza ridículo, como mulher bonita é mulher magra e tem que ter cabelo liso...
Acredito que a participação da família é importante, mas em casos extremos como o da anorexia ajuda médica/psicológica se torna indispensável.

Escarlate disse...

Ai que tenso, pesadelo mesmo. Mas não acho q o melhor seja proibir, não faz muito tempo q eu fui adolescente (tenho 19), e ela ia ficar te odiando por mto tempo, e sempre pensaria que ganharia, que ia ser diferente. É foda, mas os filhos escolhem seus caminhos. Não é a toa que existem feministas num ambiente tão desfavorável.

O sonho da minha mãe era que eu continuasse na igreja, casasse de véu e grinalda com algum cara bem "arranjado". E não foi o que aconteceu. Eu larguei a religião, me descobri feminista, transei. Ela ficou arrasada, disse que tinha "perdido a filhinha dela".

Então eu falo pra vc não fazer isso com a sua filha. Deixa ela descobrir o mundo (lógico q com vc aconselhando) e se precisar, quebrar a cara. Proibir só vai atiçar mais. Ela um dia vai perceber como isso é fútil. Mas tome cuidado com ela: eu mesmo tive bulimia e emagreci 13 quilos com essa idade, 15 anos. Se vc perceber q ela ta ficando doente, leve para um psicólogo e psicoterapia, pq isso é sério mesmo.

Tanize Monnerat disse...

Acho que a idéia de conferir porquê da escola fazer um concurso de beleza é fundamental! E exigir que eles se posicionem com relação a meninas de 15 anos fazendo cirurgias para se sairem melhor nesses concursos mostra a direção a mensagem que eles estão passando.

Creio que dar espaço pra "Suzanita" se abrir com você é o melhor caminho. Fale com ela dos medos e frustações da adolescência, mostre que todas as outras meninas estão passando pelo mesmo e tentando resolver da mesma maneria errada (comprando um padrão de beleza) ao invés de se amar e se respeitar.

Não proíba tudo, porque senão você será a ruim. Tente mostrar outras visões sobre as escolhas dela. Eu sugiro também leituras, filmes e seriados pra vocês lerem/verem juntas, sem ter que falar abertamente sobre feminismo e etc. Gosto do seriado Glee, porque por mais conservador que seja quanto a sexualidade (feminina) é bastante aberto quanto a questão da aceitação na adolescência.

Espero que você consiga ir aos poucos se aproximando das angústias da sua filha.

Liana disse...

É bom ver estes relatos porque tudo o que acontece acaba caindo na conta da mãe que supostamente não criou direito, como se nós pudéssemos anular todas as más influências do mundo.

A escola onde minha filha de 10 anos estuda está começando um trabalho interessante sobre auto imagem e bullying e dinâmicas sociais. Ela sempre chega empolgada em casa contando o que conversou nessas aulas. Cobrar um posicionamento mais firme da escola é um direito dos pais, afinal as crianças e adolescente passam tempo demais ali para que eles não se responsabilizem pelos valores que reforçam ou criticam.

Não há uma fórmula pronta e a abordagem costuma ser multidisciplinar mas como a Ginger falou estimular a adolescente a observar criticamente o comportamento dessas pessoas tidas como "legais" e copiáveis é um bom exercício. De perto, ninguém é normal, nem os populares que costumam nadar em neuras e extrema cobrança. É uma maneira de desconstruir essa imagem de deuses. Se a coisa acabar ficando mais grave terapia pode ser uma boa opção.

Quanto a proibir, não acho uma boa pois a garota vai ficar com raiva e descontar na família se afastando ainda mais. Mas é difícil dizer assim olhando de fora.

Mariana Krewer disse...

Lola, obrigada pelo post excelente! Acho que ter um filho "classe média sofre" é um medo de todo mundo que lê teu blog (menos os trolls é claro). Me identifiquei demais. Tanto que acho que posso dar meu pitaco pra Dora:

Dora, posso te dizer algo que talvez te reconforte: eu, que era uma criança super feminista, e sou uma jovem adulta igualmente feminista, fui uma adolescente neurótica com a aparência, que insistia para a mãe comprar roupas da marca x ou y que eu tinha que ter, e que me achava gorda e feia por ter, tipo, cinco quilos a mais do que o padrão (observe: a mais que o PADRÃO, não a mais que o ideal para minha altura/idade), etc...

Pela minha experiência, isso tem muito a ver com as pessoas que ela convive. Na minha escola, particular, católica e em uma cidade super provinciana, era comum e até estimulada entre as meninas uma certa concorrência, um bullying recalcado. Quem não tinha a roupa da moda e não era bonita o suficiente (beleza produzida, a beleza natural não contava) não chegava a ganhar apelido pejorativo ou apanhar, mas não conseguia grupo pra fazer trabalho, e não entrava nos times da educação física, por exemplo. Você não tinha nem direito de achar ruim, porque afinal ninguém estava sendo violento, né? É uma seleção natural, por afinidade, os professores diziam. Ou você se adapta ou se conforma em ser o perdedor.
É uma pressão muito grande, principalmente pra gente sensível e de natureza generosa como era a minha naquela época, querendo abraçar o mundo e deixar todos felizes. Que deve ser o caso da sua filha também.

E se eu, que tive pais que jamais iriam contrariar a "moral" que escola ditava, mudei e saí dessa, com uma educação e apoio como os seus tenho certeza que sua filha também sai. E melhor; conhecendo bem de perto esse mundo mesquinho, dá pra escolher pensar diferente sem medo de estar sendo preconceituoso. Quem sabe daqui uns anos ela não é a maior crítica disso tudo?

Niemi Hyyrynen disse...

Nossa que complicado! Pude sentir a dor dessa mãe! Acho que meu chão cairia, ela está sendo muito corajosa.

Como foi muito bem colocado pelas demais comentaristas, o dialogo é o melhor caminho, proibir só lhe vai ortogar a imagem de autoritaria. E sua filha se afastará mais de vc e se aproximará mais ainda das amigas futeis.

Mas eu acho que seria até interessante mudar de escola no fim do ano...não acho essa atitude tão dramática, ela vai odiar, mas vc tem a chance de ter a sorte dela se deparar com uma turma melhor.

Mya disse...

Eu não sou mãe, mas de certa forma entendo o que você está passando. Eu estou no meio termo, eu diria. Tenho 21 anos e consigo ver o lado das duas.
Quando mais nova, fiz várias dietas malucas que me deram variados problemas de saúde com os quais eu batalho até hoje. Ainda me lembro da última vez que eu saí com as pernas não depiladas na rua, eu tinha 12 anos. Um colega de escola perguntou se eu não me depilava, num tom meio enojado, como quem pergunta se eu não tomava banho. É meio que um choque você de um dia para o outro ter todas essas cobranças, de ser feminina e vaidosa e tudo mais. É difícil para ela lidar com isso, eu posso dizer.
É importante tratar esses problemas com cuidado. Não a deixe ficar fazendo dietas malucas, mas ao mesmo tempo vá com ela a um nutricionista. Converse com ela sobre alimentação saudável e cheguem em um meio termo. Proibir tudo e brigar não adianta, isso só faz com que ela fique na defensiva e se ache incompreendida, excluída do grupo de amigos. E buscando mais e mais formas de se sentir incluída.

Juliana disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Bruna disse...

Olha, sem querer ser pessimista, mas dificilmente falar com as professoras e/ou coordenadoras da escola vai resolver alguma coisa.

Sabem por quê?

Porque elas TAMBÉM estão alienadas pela mídia, elas também são siliconadas e lipadas (ou se ainda não são, estão juntando dinheiro para isso. É só questão de tempo)!

Meu namorado é professor, e sempre que pode conversa com as turmas sobre essas questões. Ele queria fazer um projeto realmente grande na escola toda sobre isso, mas não consegue ganhar força porque CINCO (cinco!!!) professoras da escola são siliconadas (numa escola minúscula de 50 alunos!). Até a FAXINEIRA (!!) tem peito de plástico!

Ou seja, é uma máfia.

Luz disse...

Dora, que barra! Eu também acho que proibir sua filha de participar do concurso também não vai ser legal. Poxa, ela vai ficar chateadíssima! Pode ser incompreensível, mas isso é uma coisa que ela quer muito. Realmente não cabe na minha cabeça alguém achar isso legal, mas não é na minha cabeça que isso tem que caber, né? Ela acha e pronto, fazer o que?!
Eu acho que uma coisa muito importante, mais do que se preocupar a limitar esse movimento, é tentar abrir outros caminhos pra sua filha. Ela tem que conhecer outras coisas, outras pessoas, ver que o grupinho de amiguetes da escola não é a única coisa que existe nesse mundo tão grande. Se vocês tiverem condição de fazer uma viagem, olhar para outras coisas nem que seja por dois dias. Ou colocar ela num curso de teatro, de dança, algum espaço de expressão mais livre, pra ter a oportunidade de ter outros tipos de encontros.

Mas principalmente, convide a sua filha a refletir pra quem ela está fazendo todos esses sacrifícios... e se são pessoas que estão preocupadas com ela, que enxergam o que ela é. Eu tenho 24 anos, ainda lembro muito bem dos meus tempos de escola e, sinceramente, aqueles que se preocupavam com que eu fosse assim ou assado estavam cagando pra mim e não valiam nem meio sorriso forçado. Por sorte (ou porque o meu desajustamento era muito grande pra evitar), eu soube ver isso bem cedo.

Juliana disse...

Oie, Dora! Enfrento mais ou menos o mesmo problema que você, mas no meu caso não se trata de uma filha, e sim de uma prima de apenas 11 anos.
Com 10 ela já havia depilado a sombrancelha com cera! Pra mim foi o absurdo dos absurdos. Hoje ela já coloca a própria maquiagem sozinha: lápis, rímel, batom, etc etc, e eu, no máximo no batonzinho "nude" (vulgo cor-de-nada). Ao menos ela é daquelas chamadas de "magras de ruim", e por isso tenho muita esperança que ela nunca passe pela fase da anorexia ou bulimia. Mas morro de medo desse modismo de colocar silicone. Ela já veio me dizer que uma amiga disse que ela não tinha bunda. Minha vontade era perguntar se ela era "aleijada", mas resolvi apelar para a psicologia grotesca que elas mesmas usam entre si para tentar persuadi-la de alguma forma (apelei!): "aposto que foi uma gordinha, não foi?!" Vergonha própria. E ela confirmou que a menina era gordinha mesmo. Desespero. Lá estava eu pregando que o padrão era ser magro. Me sinto completamente perdida qdo tento explicar alguma coisa relacionada a subjetividade da beleza pra ela. Não acho que uma menina dessa idade tenha ainda maturidade para ouvir e compreender, e não quero afasta-la de mim pq pretendo ficar de olho.
Um agravante: não sou a mãe! Isso significa ver tudo errado e ter q engolir a seco na maioria das vezes. Mas eu sinto um amor tão grande pela guria que tem horas que não dá pra assistir o teatro dos horrores sem me meter. E como eu gostaria que a mãe dela PELO MENOS mostrasse as outras opções, assim como vc tenta fazer com a sua filha.
Não se sinta culpada de maneira alguma. Se todas as mães fossem conscientes como você, sua filha, minha prima e nenhuma outra menina seriam tão precocemente inseridas nesse mundo pró aparência.

denise disse...

Não sei se ajuda saber, mas também tenho duas filhas, totalmente diferentes, a mais velha super inteligente e antenada, é um orgulho pra mim, já a segunda só faz a gente aqui em casa rir, ela já foi gótica, depois virou emo, depois rockeira , vocalista de uma banda , baladeira, bêbada, ela engorda muito depois emagrece rrrsss, é uma verdadeira metamorfose ambulante, e em cada fase ela mergulha de cabeça, eu ajudo ela embora achasse meio estranho quando até as unhas dela eram pretas na fase gótica, só me revoltei um pouco na fase de bêbada que ela passou, mas por sorte depois que eu a fiz limpar o seu próprio vomito ela parou com essa fase.
Hoje ela esta bem normalzinha, estuda numa boa faculdade, esta namorando um rapazinho da mesma turma, e já trabalha, tenho muito orgulho dela também.

Lucas disse...

Oi Mãe Preocupada!

Como muitos aqui, eu acho que proibir não é a melhor solução. Se aqui concordamos em ser libertários e democráticos, essa atitude não seria coerente.

Se fosse uma mãe religiosa ou conservadora, nós apoiaríamos a proibição de andar com meninas mais liberais, de usar maquiagem, de usar roupas diferentes, de namorar? Creio que não.
Temos que pensar que nossas opiniões não são universais, e que as pessoas são diferentes.
Por isso acho que essa coisa de proibir não seria ideal.

Claro que você está preocupada, é mãe e é natural. E claro que você tem que aconselhá-la, mostrar outras opções, acompanhar de perto, tomar cuidado com excessos (problemas de saúde e tudo o mais), conversar e tentar fazê-la entender a lógica do que ela está fazendo.

Mas ela é uma pessoa, um ser individual que, feliz ou infelizmente, por mais que você doutrine, não vai ser o que você espera.
Vai fazer as próprias escolhas e seguir o próprio caminho, e você vai ter que lidar com isso.
Seu papel é mostrar as opções, que escolhas tem consequências, e fazê-la ter senso crítico.
Mas no final é ela quem vai decidir, e quem vai lidar com isso ou se arrepender depois.

E pense também que pode sim ser uma fase. Pra quem se lembra, é muito difícil ser adolescente. Ela ainda vai crescer, quebrar a cara, ter outras n mil referências e experiências. Tem muito chão pela frente ainda pra saber a mulher que sua filha vai se tornar.

Desejo tudo de bom!

Beijão.

Arlequina disse...

Sinto verdadeira compaixão pelo post dessa mãe.

E gostaria de dizer aos mascus de plantão que sim, os homens também tem sofrido mais com a pressão do meio, com a pressão da sociedade. Na classe do meu irmão mais novo, tem um moleque que é, certamente, anoréxico. Mas na mesma classe, tem pelo menos umas 3 garotas distintas que acredito que sofram do mesmo problema.

Acho que em nenhum ponto a Lola ou a Dora falaram que isso não acontece com vocês, homens, viu? Só é injusto pensar que acontece na mesma proporção que acontece com as mulheres.

Eu mesma vejo meu irmão mais novo, que está com quinze anos, sofrendo muito... primeiro, ele tentou se encaixar no 'padrão' normal. Não deu certo. Consegui convencê-lo de que roupas de marcas não são sinônimos de que você é ou não uma pessoa legal.

Daí ele resolveu apelar pra contra-cultura (que, pra mim, é quase tão ruim quanto a cultura em si, sendo um reflexo da mesma...).

E tasca dizer que julgar pessoas pelo gosto musical é tão ruim quanto julgar pessoas pela camisa de marca que ela usa.

Como você explica pra figura que ele pode, SIM, sair da Matrix? Que não adianta ser rebelde, porque isso também é uma das reações esperadas da sociedade? Que ser 'tr00' também é se conformar com um padrão... mesmo que seja um padrão não muito bem aceito pela sociedade!

E, principalmente, como convencer a figura que dá pra ser feliz além disso?

No meu caso, eu apresentei o seu blog, Lola. Eu espero que ele esteja lendo e saiba que tem uma irmã que o ama muito e que se preocupa com ele todos os dias.

Dora, converse muito com suas filhas, não proiba que isso só pode contribuir pra mais mal. Acho que estimular a leitura, como a Ginger comentou, talvez seja uma saída interessante!

E boa sorte. Torço o melhor, de verdade.

[desculpem o post extremamente longo. ele foi um desabafo.]

Denise disse...

Este é um dos maiores medos em relação a minha filha. Eu sou fe inista desde adolescente. Briguei com meus pais pela igualdade dos afazeres em casa, não fazia escova e nem me maquiava quando adolescente. Eu era meio paria em relação às gostoso hás, mas como eu era a primeira aluna, não ligava. Na faculdade me senti mal quando falaram que minhas pernas eram cabeludas... Mas fui do contra e parei completamente de depilar (doce liberdade...) até finalmente atingir mais ou menos um equilíbrio. Hoje em dia me depilo 1 ou 2 vezes por ano, maquiagem só para sair e estou gordinha. Mas sou feliz.
E se a minha filha cai nessa de consumismo e vaidade? E se quiser ser modelo em vez de cientista? Não sei como lidar com isso... Ela só tem 1 ano, mas algumas providencias eu já tomei. Barbie na minha casa não entra e eu faço propaganda contra. Ela usa de tudo quando é cor e estilo. Sem essa de vestidos unicamente rosinha. Brinquedos de todas as formas, carros, quebra-cabeça, livros e bonecos só de pano. Não furou a orelha, apesar da insistência da família, e nem vai até ficar grande. Cu cursos, nem pensar. Só depois de ser dona do seu nariz. E já falei pro marido que temos que juntar um fundo de emergência para levar elar para trabalhar em um orfanato na Índia ou África (bem longe do Brasil), para ela ter mais contato com o mundo real.
Não sei se nada disso vai funcionar, mas tenho que tentar algo. Também não acredito em liberdade total. E dependendo da criança, conversa também não adianta muito. É difícil saber o que funciona.Ne tão a gente tem que fazer o que acha melhor.
Mas, Dora, você fez o que achou certo e por amor. Não se sinta culpada. E continue fazendo o que acha certo. Ela vai ficar revoltada com você, independente da atitude que você venha a tomar. Faça o que for melhor para ela a longo prazo, e não se deixe levar por chantagens emocionais. Você enxerga o futuro muito melhor que ela. Adolescência passa logo. O resto da vida dela é muito mais importante.

Mari Lee disse...

Bom, já tem muita coisa boa nos comentários acima.
Eu só queria dizer que concordo com o que algumas pessoas já falaram: impedir que ela participe do concurso só vai piorar as coisas. Aí, sim, ela vai ficar ressentida, e vai ficar imaginando como seria se ela tivesse ganho.

Tirá-la do colégio também.

Acho que você deve, sim, conversar muito com a coordenadora da escola, com os professores e com quem está organizando esse concurso estúpido.
Por que resolveram fazer isso, em primeiro lugar?

Seria bom se ela pudesse conhecer pessoas diferentes das amigas dela (talvez em algum curso, não sei), ver que essa não é a única maneira de viver.
Se você puder pensar numa situação em que ela sinta-se deslocada por ser tão vaidosa...

Terapia em grupo poderia ser uma boa, também.

E não fique se culpando, que você parece ser uma ótima mãe!

Roberto Lima disse...

Pela madrugada...eu queria saber qual foi o médico maluco que concordou em colocar silicone em uma adolescente!
O organismo está em crescimento, e uma cirurgia desse tipo dessa idade pode ter consequências péssimas.
Não é de agora que vemos a mídia tentando ( e conseguindo ) impor padrões de beleza que acabam sendo captados por adolescentes e crianças. Crianças, quase bebês, querendo usar maquiagem...e escolas fazendo "concursos de beleza"...acho que as escolas deveriam promover não concursos, mas festivais culturais, afinal a função da escola é educar. Sou relativamente contra concursos "radicais", onde alguns são enaltecidos e outros diminuídos. Mas um festival ou feira de ciências, artes e literatura, onde cada um@ pudesse apresentar suas habilidades em cada setor, seria muito melhor que um concurso de "beleza".

Roberto Lima disse...

"cirurgia desse tipo NESSA idade"...desculpem, foi a pressa.

Mari Lee disse...

Só queria acrescentar, para todo mundo, que brincar de Barbie simplesmente não é nenhum determinante do futuro caráter da criança.
Eu e minhas amigas adorávamos Barbies. Inventávamos histórias, adaptávamos enredos de filmes ou novelas...

Eu também brincava muito de "casinha", mas a brincadeira sempre incluía deixar as crianças na escola e ir trabalhar.

Também tive carrinhos e soldadinhos, mas nunca achei muita graça neles.

Rayssa disse...

Meu filho ainda é pequeno e tem fixação por motos. Eu nunca gostei de motos e já tive conhecidos que perderam a vida em acidentes. Eu sempre achei que essa coisa de menino gostar de carros e meninas de bonecas era simplesmente imposição da sociedade. Ele tem uma boneca, gosta de brincar com ela, mas quando me chama pra brincar, é sempre "mamãe, vamos brincar de moto?". Resultado: depois de algum tempo eu comecei a gostar de motos também! E de bicicletas. Andamos muito de bicicletas juntos, gostamos de ver vídeos no youtube. Lógico que eu ainda fico preocupada de ele se machucar quando for adulto. Mas eu acho que o meu papel não é proibir e falar pra ele que aquilo é ruim. Só posso dizer pra ele ter cuidado.
Temos que deixar nossos filhos experimentarem e aprenderem por eles mesmos.
Muitos aqui devem ter se lembrado do filme "Pequena Miss Sunshine". É muito legal no filme que a família inteira vai levar a menina no concurso acreditando no sonho dela. Quando chegam lá ela faz uma apresentação totalmente fora dos padrões. É bem provável que aquela menininha (se fosse real) se sentisse com dever cumprido e visse que aqueles concursos não são pra ela. Mas ela foi lá e fez. Se não tivesse feito iria querer isso pro resto da vida.
Percebi no texto que você está distanciando cada vez mais a sua filha de você. Na minha opinião, você não deve proibir nada. Você não falou que elas podiam escolher a roupa que quisessem? Você tem que respeitar a opinião dela, não pode achar ruim que ela não escolheu a roupa que você queria. Se coloque no lugar do pai conservador que sofre vendo um filho hippie. Você pode se preocupar com a alimentação, se você realmente achar que ela está ficando anoréxica (aí você deveria até procurar um tratamento) mas se ela está só fazendo um regime, você tem que respeitar. Você pode (e deve) ensiná-la a não ter preconceitos e que as pessoas que não se encaixam nesse padrão podem ser pessoas legais também. Mas se você proibir que ela se arrume e participe do concurso, você está ensinando que só tem valor quem é diferente. É você que está sendo preconceituosa. Converse com ela, diga que respeita o jeito que ela escolheu para se vestir e fale que você se preocupa se ela está fazendo isso por vontade própria ou se ela só quer ter a aceitação dos outros. Diálogo é sempre melhor que proibição.

Flasht disse...

Passa a zero na cabeça dela e põe ela no sertão para carpir mato...como ela precisará da energia ela vai ter de comer
Queima as porcarias de moda dela e leve ela para ser voluntaria em hospitais e tals para ver o preconceito dela

Mariana. disse...

Ia comentar, mas depois do que a Rayssa disse, é completamente desnecessário! disse exatamente o que eu penso!

ana_alice disse...

olha, eu posso dizer oq sempre funcionou comigo: choque de realidade. eu tinha tudo pra ser uma patricinha boboca assim, pq todas as minhas amiguinhas eram, tinha muito essa coisa de competitividade e vaidade. quem tem mais canetas coloridas, quem foi pra disney, quem era assim ou assado.

mas minha mae me apontava a vida de meninas mais pobres e me provava q por mais q eu tivesse a+b, sempre haveria alguem com a+b+c pra me desdenhar, e q se exibir dessa forma não levava ninguem a nada, n ajudava a ter um futuro melhor, nem ser uma pessoa melhor. eu via muitos filmes, lia, e acabei caindo na real.

como ultimo argumento, vc sempre pode dizer "no dia q vc se sustentar e for independente, faz oq quiser, até lá vc está sob minha responsabilidade" (é uma coisa autoritaria, ela vai ter um acesso de raiva, mas vai acabar se conformando, mais cedo ou mais tarde)

Mariposa de Guadalupe disse...

Ser adolescente é uma merda. A não ser que você tenha uma família e amigos bacana e razoável liberdade, a adolescência é uma fase dificílima.
Na minha experiência de amigas próximas eu posso falar que ter uma mãe feminista ou não, não vai fazer diferença se você vive em um ambiente de pressão ou não compartilha com as crenças dos pais. Como foi falado, as meninas foram incentivadas a terem opinião... o problema é a dimensão da ideia de beleza da Susanita.
Acho que essa é a época em que o que os pais podem fazer é procurar um terapeuta que ajude a filha a se encontrar e perceber como o que ela tá se impondo é ruim. Tive várias amigas com problemas mais graves como depressão e bipolaridade que tinham pais ótimos, mas só um bom terapeuta realmente ajudou...

Paloma, a mãe disse...

Eu sou mãe de duas meninas, ainda muito pequenas, mas isso me tocou profundamente e gelei só de pensar em uma delas tomando este caminho. Confesso que, na idade deles, eu simplesmente proíbo e sou considerada (por outras mães) repressora, radical etc. Mas não vou permitir de forma alguma que minha filha de 4 anos pinte unha, nem de brincadeira, nem por 5 minutos. Mas o que vejo, na escola dela, é que ela é das poucas que não pinta unha nunca e não usa batom (nem masca chiclete, nem bala pirulito). Ela me cobra isso, mas não sofre.
Sei que a situação pode piorar, à medida que for crescendo, e eu pretendo sempre dialogar com professoras e diretores sobre o assunto, como já faço hoje.
Eu trocaria sua filha de colégio ontem. Que colégio é este que, ao invés de festival de música ou feira de ciências organiza concurso de beleza? Troca de colégio, Dora, e procura terapia familiar para vcs.
Beijos

Maíra disse...

Ei, Dora,
Os comentários estão mesmo muito bons, e não quero ser redundante demais. Gostaria de ressaltar que realmente acho que o caráter é muito mais formado pelo que os pais ensinam do que por qualquer outra coisa. Talvez a sua filha esteja só passando por um momento em que acha difícil não ser aceita e essa é a maneira que ela encontrou de se encaixar.

Acho que uma mudança de colégio cairia bem. Sempre estudei em colégios meio ripongas e isso foi muito bom pra mim. Mas, ao mesmo tempo, não sei até que ponto as coisas teriam sido exatamente diferentes se eu estudasse em um colégio que faz concurso de beleza.

Um professor meu, uma vez questionado sobre a educação que dava pra filha (que ele deixa ser bem livre etc), até me citou de exemplo (eu era estagiária dele): "olhaí a Maíra, era louca pra ser paquita e hoje em dia lê Erico Verissimo". Foi uma brincadeira, mas com um fundo de verdade. Assisti muita Xuxa e brinquei de Barbie até cansar (carrinhos? que horror! inveja nenhuma dos meus irmãos, rs). Li Capricho/ Atrevida e afins até dizer chega. E não acho que isso tenha me feito mal - porque sempre tive acesso a milhões de outras coisas, como tenho certeza que sua filha tem. Ela vai saber fazer a escolha dela.

Há coisa de uns dois anos, decidi começar a me maquiar e tudo. Hoje em dia não saio de casa sem um batom e não acho que isso seja ruim. É algo que me faz bem (claro, eu já passei dos 20 faz tempo e já tenho uma noção do que estou fazendo e o que minhas escolhas implicam etc), e que vou manter enquanto me sentir bem com isso. Sem pressão - é só porque eu gosto mesmo.

De qualquer modo, acho que a única coisa de fato preocupante é se ela realmente começar a ter problemas com anorexia etc. Sou da turma que acha que terapia é uma coisa que todo mundo merece fazer. Então talvez seja uma...

boa sorte e tudo de bom!

Isabel SFF disse...

Dora, em primeiro lugar: você parece ser uma ótima mãe, pelo seu relato. Não se culpe. A pressão da sociedade e dos amigos é realmente muito grande nessa idade, independente do quanto nossos pais se esforcem para não sofrermos com isso.

Eu me considero feminista desde criança também, já que fui criada com um irmão e nunca aceitei ser tratada de maneira diferente. Minha mãe também era bastante liberal: eu pude fazer judô e aulas de dança quando pequena sem o menor problema. Hoje em dia ela é até um pouco machista, assim como meu pai, mas agora que sou mais velha, consigo me impor melhor. Bom, de não aceitar que apenas eu fizesse tarefas domésticas a não aceitar que alguém ditasse regras sobre meu corpo ou que meu salário seja menor por eu ser mulher foi apenas um pulo.

É difícil deixar o feminismo "palatável" para adolescentes porque ser feminista é fazer algo que eles abominam: não se encaixar. Pensem em quais mulheres são admiradas e vistas como exemplo para a maioria das meninas. Agora pensem em como as mulheres feministas são vistas pela sociedade: machonas, mal-amadas, feias, solteironas, etc. Não preciso recitar para ninguém, não é? A força que a sociedade tem para distorcer nossas percepções é muito grande.

No meu caso, o que me salvou é que eu meio que aceitei a má aparência - o que, obviamente, quase destruiu minha auto-estima. Quase, porque quando eu percebi o que as meninas dentro do padrão eram, eu não gostei. É verdade que eventualmente eu fiquei amiga de algumas delas. Mas decidi que estar naquele padrão não era para mim.

Não é fácil abrir mão da possibilidade de nos encaixarmos num padrão, especialmente nessa idade. E eu não posso te dar conselhos, infelizmente. Talvez, se você mostrar como o machismo está presente na vida de todo mundo, como isso nos prejudica, isso ajude. Mas não há garantias, infelizmente.

Agora, a pergunta que não quer calar: por que diabos uma escola está promovendo concursos de beleza? Isso está errado em tantos níveis.

Muita sorte pra você e suas filhotas, Dora. :)

Isabel SFF disse...

Agora, concordo com a Lola: se tivesse um filho gay, sinceramente, não me importaria e daria todo o apoio do mundo. Mas ter filh@ racista/homofóbico/machista seria muito vergonhoso. Pior ainda, se eu me esforçasse pra dar uma educação de qualidade à criança para, no final das contas, el@ crescer e virar um@ adolescente mimad@ (tipo aqueles do classe média sofre).

Credo.

Thiago Leal disse...

Crianças são carta branca para o destino. Por melhor que sejam os pais e a educação, há sempre um risco de as coisas tomarem um rumo completamente surpreendente.

Bem, eu acho que da minha posição, de homem sem filhos, é muito fácil dizer o que vou dizer agora, então peço de antemão desculpas se eu parecer rude, simplório ou algo do tipo. Não acho que meu comentário chegará aos pés do pessoal mais pertinente que escreveu acima, mas vou tentar colaborar no pouco que puder...

Aos meus quinze anos eu também passei por uma transformação profunda em minha personalidade por conta de colegas de escola; e meu comportamento não era nada louvável (praticava bullying fortemente, passei a desprezar estudos, etc.). Mas "dei sorte" e caí na real pouco tempo depois, por minha própria conta, devido às crises existenciais típicas dessa idade também (e que acabaram me encaminhando para a esquerda hoje). Mas a imensa maioria dos meus amiguinhos continuou nessa, dolorosamente me afastei deles por causa disso e hoje vejo que, definitivamente, muitos deles são por esses traços, talvez de forma indelével.

Tomando assim como exemplo minha própria e limitada experiência (muito distinta, aliás – sou menino e na minha época não havia tanta neura por beleza entre as meninas), eu ouso afirmar que, se sua filha sofre a pressão das amiguinhas e mesmo assim opta por seguir o que elas querem e não o que o conforto do lar propõe, suas palavras como mãe dificilmente surtirão efeito agora. Talvez, como no meu caso, elas sirvam de amparo necessário para quando ela, por si só, entender que esse sofrimento e expectativa que sofre não fazem sentido algum. Mas aí ela terá que amadurecer, e por mais que eu torça por isso, pode ser que isso nunca aconteça de verdade. Digo isso me baseando nos "adultos" com os quais convivo hoje. Uma triste realidade.

De qualquer forma, proibi-la agora não faz mais sentido, já que ela já tem bastante idade e está profundamente envolvida com a coisa. Talvez antes, mas discutir o “se” agora é bobagem. Quem sabe, tomara, num golpe de sorte, nesse próprio concurso ela perceba o vazio disso tudo...

MAAAS... passado esse concurso, eu, no seu lugar, providenciaria sem demoras a troca de escola. Porque aí já é uma questão objetiva: francamente, o que esperar de uma escola que promove concurso de beleza entre as alunas? Com certeza é uma escola horrorosa, para não dizer menos. Eles podem ser capazes de colocar sua filha direto na melhor universidade que seja, mas a que custo? Com todo o respeito, mamãe Dora, mas se houve qualquer erro da sua parte, na minha humilde, distante e limitada opinião... acho que foi por aí, não? E de certa maneira, agora você está sentindo os efeitos disso na Susanita...

Bom... não é muito, mas pelo menos eu também faço votos para que você consiga se entender com a Susanita, e que ela não caia nessa armadilha... boa sorte e abraços!

Carolina disse...

Tenho duas filhas também, uma de 11 e outra de 4. Cansei de arrumar confusão por causa de unhas, roupas, excesso de rosa (rsrs) e etc. Como a luta é inglória demais pro meu gosto assumi as coisas terminantemente proibidas em duas regras básicas:
1 - nada que possa prejudicar a saúde (desde sapato de salto até qualquer tipo de droga pois já estou pensando além). Tive muito trabalho pra fazer pré natal, parir, amamentar, papinhas, madrugadas insones pra elas virem estragar a saúde por besteira.
2 - nada que prejudique alguém. Caráter em primeiro lugar sempre. Honestidade, dignidade, respeito ao próximo e amor-próprio são lições que PRECISAM vir de casa.
***
Óbvio que falando assim parece fácil mas, antes de qualquer atitude, faço com que elas reflitam sobre essas regras e explico, explico e explico again! Posso acabar cuspindo pra cima? Com certeza. Existem muitos fatores que conforme a idade delas avançam fica mais difícil de eu controlar mas, assim como a Dora, sei que a minha consciência vai estar tranquila!

Isabel SFF disse...

Ah, quanto a proibir que ela participe do concurso... Sei não, viu. Quando tinha 15 anos, eu morria de vontade de fazer várias tatuagens e furar vários piercings no rosto. Minha mãe nunca deixou e nós brigávamos muito por isso. Hoje em dia, adulta, agradeço a ela por ter me proibido: DETESTO esse tipo de coisa. Teria me arrependido muito.

Acho impossível criar um filho sem deixá-lo com raiva de você às vezes, porque ficar frustrado dá raiva. Ser impedido de fazer o que se quer dá raiva, na adolescência a gente fica puto da vida sem muitos motivos. Enfim, acho que terapia familiar seria um bom caminho.

Ok, parei de floodar agora. Mas é que realmente empatizei com esse post. Aliás, esses tipos de questões me fazem pensar 30 mil vezes antes de decidir ter filhos.

Blanca disse...

Eu sou bem nova, mas é por essas e outras que já penso em não ter filhos. Imagina se minha filha quiser ser miss? Eu não sei como faria, e eu não seria dona dela, só mãe.

Dora, proibi-la de ir a certas baladas não vai ajudar em muita coisa. Com balada ou sem balada, ela vai continuar nessa.

E se Susanita continuar com isso de não comer, converse muito e pergunte a ela se ela quer ir a um terapeuta. Pergunte antes, por favor!

Su disse...

O que me preocupou mais no relato foi essa mostra de início de anorexia. Sorte da Susanita em ter uma irmã e uma mãe preocupada.

Acredito que colocar ela em alguma atividade fora da escola seja um alternativa boa. Assim ela sai um pouco do mundinho do colégio e padrões de beleza.

Comigo aconteceu um pouco ao contrário. Como filha e neta única, mãe e vó me encheram de topes, babados e vestidos. Quando dia uns 4, 5 anos, comecei a dizer não. Brinco com a mãe que deve ter sido horrível pra ela. Passei quase toda infância usando moletom e calça de abrigo. Calça jeans nem pensar. Cheguei a participar de um concurso, mas pq eu quis. E tb pq era compras de votos que revertiam para a instituição de caridade que cada menina representava. Foi uma experiência bacana.

Depois veio o primeiro namorado. E na imaturidade e afobação de adolescência me deixei levar pelo seu machismo. Ele cobrava minha vaidade, e eu comecei a me achar inadequada. Passei a não me aceitar.

Quando terminamos, estava bem depressiva. Hoje em dia, gosto de me arrumar, mas sem excessos. E defendo que cada pessoa deve se sentir bem. E o problemas as vezes é andar com a turma errada e querer a aceitação dessas pessoas. Tive sorte de ter colegas no colégio que valorizam mais o intelecto do que a vaidade, pq nem é questão de beleza.

Sorte nessa luta Dora!

PriscilaѼ disse...

Eu estudava em escola pública, e também já presenciei concursos de beleza. Eu observava que no ambiente escolar, as meninas que participavam do concurso eram as que mais competiam entre si. Em questão de roupa, beleza, corpo, garotos...A amizade era, na maioria das vezes, sustentada por estas características. Algo do tipo: "você só é minha amiga porque usa as mesmas roupas que eu e é bela como eu". Além da mídia ter um impacto direto na formação das garotas à terem este comportamento, o circulo de amizade influência muito mais. Aconselho a você matricular a sua filha em algum curso onde ela entre em contato com pessoas diferentes deste padrão, afim de que ela estabeleça um vinculo de amizade com pessoas com idéias diferentes, de rostos e personalidades diferentes. Só assim, ela vai ver a multiplicidade de visões, além daquela visão que as amigas dela tem e que a mídia induz à ter. Não proíba ela de participar do concurso, e também não mude ela de escola, pois, você fazendo isso, ela ira se sentir oprimida e sem liberdade de escolha, e passará ver você como uma megera. Apenas converse com ela que a vida não é só um concurso de beleza, é muito mais que isso, e procure meios de ela entrar em contato com pessoas que prismas diferentes do dela. Mas não à proíba de fazer o que ela tem vontade, apenas mostre os múltiplos caminhos e as consequências, a escolha é ela quem faz.

Kron disse...

@Dokho de Libra Acho que seus amigos são todos gays, porque eu nunca ví rapazes se preocuparem com este tipo de coisa e serem excluídos por não serem bonitos...

Kron disse...

Agora falando mais da história do post: ví que a mãe em questão tem um certo receio de ser autoritária, no entanto na minha opinião é impossível ser pai/mãe sem jamais ser autoritário. Tem que explicar bem os motivos das restrições e tudo mas independentemente disso enquanto os filhos forem menores e estiverem sob sua guarda você é uma autoridade e eles precisam respeitar isso.

Kron disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
don't call me thaisinha disse...

Oi, Dora!

Hoje tenho 21 anos, fui uma criança feminista, contestadora, mas quando mudei de escola na quinta série a coisa começou a mudar. É difícil lidar com a pressão de ser linda, alta, magra, bem arrumada nessa idade. Eu era bem infantil em relação aos meus colegas, apesar de ter seios, cintura e tal. Eu gostava de pokemon, dragon ball z, jogar bola, ou seja, eu estava completamente fora dos padrões.

Durante a 5ª série eu não ligava, tinha meus amigos. O problema foi no fim da 5ª série pra frente, tinha uma espécie de gincana na escola e eu fominha que era estava em todas as tarefas, adorava aquilo, mas eu tive contado com o pessoal mais velho e realmente me senti deslocada e a partir daí eu queria me encaixar.

Mas eu não sabia como, abandonei minhas camisas de desenhos, passei a usar calça jeans e etc, mas mantinha os óculos, o cabelo ondulado. Nas minhas tentativas de me enquadrar eu era mais e mais zoada. E eu nem me importava, era bizarro.

Na 7ª série rolou altos bullying comigo, sabe? Gente soltando meu sutiã no meio da aula, falando que ganhei de mais bonita da sala e depois falando "ops, foi de mais feia, desculpa aí". Então, eu apelei pra contra cultura e eu quis mudar de escola.

Na outra escola era considerada esquisitinha como sempre, mas minha esquisitice não era só ser do rock, era ler demais e tudo mais. Acabou que eu comecei a ler muito sobre democracia, movimentos sociais, curtia Bikini Kill e etc. Acabou que fui me tornando uma feminista novamente e admitindo melhor minhas diferenças.

Minha mãe é muito vaidosa e sempre penou comigo pra que eu me arrumasse, me maquiasse e eu sempre neguei. Hoje, depois de terapia, eu não odeio meu corpo, não odeio meu rosto, eu me gosto. E é uma sensação ótima.

Como passei pela fase de querer ser aceita, ser desprezada e etc, o que eu sugiro é que não proíba, mas disponibilize uns livros legais em casa, veja alguns filmes com ambas suas filhas, quem sabe elas não debatam e saia uma coisa boa daí?
Além disso, sugiro que você fale com ela sobre fazer algum curso como teatro, desenho, pintura, inglês, alemão... Os meus amigos do inglês me ajudaram muito e são grandes amigos meus até hoje. E nunca vou esquecer que as moças que trabalhavam na escola de inglês como secretárias e coordenadoras conversavam comigo muito sobre assuntos aleatórios e me faziam me sentir adequada, sabe? Querida. E isso também me ajudou.

Enfim, pessoas novas, idéias novas, livros novos, tudo isso ajuda. E uma boa terapia nunca é dispensável, principalmente nessa idade.

André disse...

Você as educou para que fizessem suas próprias escolhas, ela está fazendo. O máximo que você pode fazer é tentar esclarecê-la sobre os riscos de suas escolhas e se recusar a financiar aquilo que você acredita ser errado.

letícia disse...

Um dos meus maiores medos é quando eu for mãe, minha filha querer fazer esse tipo de coisa, ou, se for um filho, de ser aqueles caras que falam "peguei a mina e comi, nem sei o nome dela" sabe?
Pais educam, mas os filhos não vivem em uma bolha, né?

Vou dar um exemplo que aconteceu comigo, ta?
Eu tenho 24 anos. Quando eu tinha 14 para 15, passei a estudar à noite (contra vontade da minha mãe, fiz um inferno para estudar na mesma escola e continuar com meus amigos), nessa mesma época, conheci outras pessoas, passei a querer sair mais, comecei a cabular aula...Só que meus pais sempre fizeram vista grossa, sabiam onde eu ia, com quem eu ia e tinha horário pra chegar. Eu me sentia presa naquilo tudo, de ter que dar satisfação pra tudo. Faltar nas aulas para sair com meus amigos era mais divertido.
Porém, minha mãe descobriu, teve uma longa conversa, me deixou de castigo (que era não sair de casa por determinado tempo, não usar a internet em determinado período, não usar telefone...coisas que eu gostava) e meu pai ia me buscar na escola, todos os dias. Até eu ter uns 16 anos meu pai me buscava.
Eu achava uma injustiça, que era o fim do mundo, que todos meus amigos iam se divertir e eu não...etc etc etc.
Mas depois isso tudo passou. Foi uma fase. Eu sobrevivi sem ter que cabular aula para sair à noite por ai.
E eu fico feliz que meus pais tenham me repreendido, porque muitas das amigas que não foram, acabaram por ai, bebendo feito loucas, ficando com caras que não conheciam, quade implorando atenção dos caras mais velhos que iam na porta da escola e mais uma série de coisas.
Eu achava que vivia em uma ditadura, mas hoje, 9 anos depois (nem eu acredito que faz tanto tempo...rs) eu fico feliz que meus pais tenham me guiado.
Porque quando somos adolescentes, achamos que nossos amigos são tudo, que se não 'entrarmos na deles' seremos excluídos e infelizes, mas a vida é mais que isso. Amigos de verdade ficaram ao meu lado mesmo quando eu estava "presa em casa de castigo".
Eu não sou mãe.
Nem sei se irei ser mãe um dia, porque apesar da vontade, sei que passaria muito nervoso, hehe.
Mas digo, por experiência própria, da visão de filha, que fazer mais "vista grossa" com ela talvez possa ajudar.
Não diria mudar de colégio, porque adolescente é adolescente. Acho difícil ter um colégio com meninas que não usam silicione (hoje em dia), assim como na minha época era difícil ter escolas sem meninas grávidas.
Quando eu queria fazer algo e minha mãe não deixava, eu dizia a mesma coisa "mas a mãe da fulana deixa, só vc não deixa!" e ela falava "é, mas eu não sou mãe da fulana e vc vai seguir o que eu to falando".
Depois que eu passei dessa fase que eu citei, ela foi me dando mais confiança, eu fui podendo fazer as coisas com mais liberdade e hoje em dia ela não precisa me "prensar na parede" para saber algo da minha vida, pois eu mesma vou lá e conto, seja bom ou ruim.
Sua filha ta em um caminho que pode ser uma fase, mas também pode ser algo que vá atrapalhar na vida adulta, dela achar que por mais que faça de tudo, sempre terá algo a arrumar, então eu acho que conversas, proibir algumas coisas (temporariamente) poderiam ajudar...talvez até alguma consulta com um psicólogo.
Eu sou da opinião que é melhor ser "um sargento" agora e ela aprender, do que deixar ela 100% 'livre' e depois não saber administrar essa liberdade.
Mas é minha visão, posso estar errada...não sei!
Espero, de coração, ter ajudado!

Luciana disse...

Eu fiquei chocada com o guest post, porque mesmo que a mãe tenha dito que ela dar espaco pra filha,isso não parece acontecer, ela tenta empurrar o estilo e os conceitos dela pra filha o tempo todo, e essa dos quase tabefes, numa menina de 15 anos, por esses motivos, pelo amorrrr.
O fato dela querer seguir um padräo de beleza, seja imposto ou não, pode vir a preocupar, mas não pelos motivos que acredito, depois de ler, a mãe coloca.
Essa menina tem muito o que descobrir na vida ainda, muito o que viver, e ela pode sim ser (ou não) feminista, mesmo gostando e usando maquiagem e em cima de um belo salto 16, quem disse que isso são coisas opostas?
A mãe precisa rever este conceito. Nada a ver isso de feminista não poder ser vaidosa, ou bonita, ou bem cuidada, maquiada, de barriga chapada, etc.
Parece mais preocupante que essa menina desenvolva algum tipo de doenca como anorexia ou bulimia do que o fato dela não vir a ser uma mulher que vai batalhar pelos direitos dela como mulher nesse mundo, pois parece que a pressão dentro e fora de casa é grande.
Os pais deviam dar suporte pros filhos, independente das escolhas deles, assim ficaria muito mais fácil pra filhos e pais.
De mais a mais, muitas misses são mulheres inteligentes, cursam faculdades, tem bons empregos, são feministas...
Filhos não precisam e nem devem ser cópias dos pais, cada um tem seu mundo, a gente vem pra essa vida pra fazer descobertas, pra crescer, amadurecer,... Meu conselho pra mãe é que ela dê mais espaco e mais suporte (não significa concordar com tudo que ela queira) pra essa menina.

L. Archilla disse...

Então, né... a menina tem 15 anos. Eu imagino a aflição dessa mãe, vendo a filha se tornar tudo que ela não queria, mas olha, lamento dizer que a gente corre esse risco quando tem filhos.

Pelo que ela diz, foi dada uma boa base pra Susanita. Mas chega uma hora que os filhos fazem as próprias escolhas, e nem sempre são as mesmas dos pais. Minha mãe me criou pra casar virgem, frequentar igreja, não ter vaidades, não falar palavrão, não beber, não usar drogas. Aos 15 anos (bendita idade! hahah) eu já estava quebrando simplesmente TODAS essas regras. Lógico que, quando minha mãe descobriu, praticamente me proibiu de sair de casa sem supervisão. Adiantou? Hoje a gente só convive bem porque ela fez terapia e aprendeu a lidar com isso.

Ah! E falando mais especificamente sobre a vaidade: eu sempre fui de esquerda, feminista. Mas na adolescência encanava com uma mecha de cabelo ondulado que nascia bem na franja. Na época chapinha era novidade e meu secador era uma bosta. Relaxamento (o alisamento da moda, na época) era caro, é fútil, é química pesada e CLARO que minha mãe não queria q eu fizesse. Resultado: juntei meu próprio dinheiro e fiz. Várias vezes. Depois de gastar bastante dinheiro e estragar bem o cabelo, desisti.

Pra desgosto da minha mãe, eu não desisti de sexo casual, de falar palavrão, de beber, nem passei a frequentar igreja. Engraçado que lembrei agora q sou caçula, e que meu irmão mais velho seguiu direitinho a "cartilha" dela. hahaha

A atitude da sua filha pode ser que seja só uma fase, pode ser que seja pra vida toda. Mas o que importa é que a base já foi dada, os valores foram passados. Proibir ou criar caso agora só distanciaria vcs.

Rebecca disse...

Eu to meio chocada. Que escola, com a real intenção de educar e formar cidadãos bem resolvidos para o mundo, insiste em fazer um concurso de beleza? Quer dizer, eles estão dizendo que a beleza é mais importante do que qualquer outra coisa, não? Enfim, não consigo entender essa supervalorização da beleza em um ambiente educacional.

Dora, você deve sim orientar a sua filha, mas como muitas já disseram, proibição só vai fazer ela se voltar contra você. Durante toda a minha adolescência, todas as vezes que a minha mãe tentou me impor alguma coisa, eu corri para o lado contrário. Não, eu não uso drogas e não assalto, mas fiz muitas coisas escondida, como começar a ingerir bebidas alcoólicas e namorar. Nada que tenha me estragado rs

A sua filha te respeitar é fundamental, mas ela também deve ver em você uma amiga =)

Se cuida!

letícia disse...

Ah, complementando (escrevi meu comentário, depois fui lendo o que já havia sido comentado).
Concordo com o que a "don't call me thaisinha" disse, de colocar sua filha para fazer alguma outra atividade, seja um curso de idioma, de desenho, de música...enfim! Algo que fuja dessa coisa que tenha a ver diretamente com corpo, sabe? Porque assim ela vai ver "outro mundo" pessoas que pensam de outra forma. Curso de artes podem ser boas escolhas!
Livros sobre o assunto, filmes etc.
:)

... disse...

Eu trabalhei muito tempo com adolescentes e o único coisa que realmente funciona é escolher direito suas batalhas. Sabe aquilo de " O que é muito visto, deixa de ser percebido " ? Funciona também se algo é ouvido demais...

As vezes mães e pais implicam, reclamam e batem na mesma tecla sobre algum assunto sem perceber quantas vezes fazem isso por dia. Em determinado momento os filhos simplesmente param de ouvir ou de levar a sério.

Se sua filha vive entre duas feministas provavelmente pode se sentir tão pressionada a seguir seus padrões quanto aos padrões impostos pela mídia.Mesmo que você não esteja pressionando...

Passe por cima das pequenas coisas, ou daquelas que mesmo você achando errado não farão mal a ela. Apoie sua filha no que puder, para que ela saiba que quando você é contra algo (como o perigo de regimes exagerados) tem um bom motivo e não está apenas implicando.

Sua filha é um ser humano inteiro, um individuo... Vai fazer escolhas diferentes do que você faria, mas o tempo vai passar e os valores passados a ela vão sempre estar lá, é assim com todo mundo... No futuro ela pode ser uma mulher que adora maquiagem e sapatos de marca, mas mesmo assim se respeita e sabe seu valor. Não é um destino tão ruim...

Liana disse...

É preciso tentar distinguir atitudes de rebeldia, experimentação, curiosidade, normais portanto, daquelas que são francamente danosas e que necessitam de supervisão como indícios de anorexia e coisas do tipo.

Acho importante observar às quantas anda a auto estima dela. Porque, ser vaidosa, gostar de esmalte e concursos de beleza são futilidades mas que não significam grandes coisas se a pessoa é segura de si. Isso acaba virando mera distração mental, ela poderia estar se distraindo com outras piores.

Agora, se ela é insegura, dependente e muito influenciável essas coisas podem tomar uma proporção muito maior. Aí a família deve ficar bem atenta e ser mais assertiva.

Uma abordagem indireta pode ser mais interessante, quem sabe até indicar uma pessoa de confiança de fora da família para que ela possa conversar sem ficar depois aquele clima estranho dentro de casa, olhares de pena e coisas do tipo. Ela precisa de um refúgio, se o ambiente em casa ficar pesado, ela pode se sentir ansiosa e evitar contato com vocês, e vai buscar apoio em lugares menos indicados.

Cada um tem seus próprios processos psicológicos. Como mães, precisamos ter os nossos sob controle para que possamos servir de ajuda e porto seguro quando nossos filhos precisam. Eu sei, fácil falar..

No mais, penso que temos que aceitá-los com seus medos, angústias, estranhezas, pacote completo. Se ela reconhecer no olhar dos familiares o mesmo sentimento de inadequação que há dentro dela, isso vai repelí-la. Ela quer se sentir bem, assim como todos, e vai aos poucos procurar quem de fato a olhe com admiração e respeito. Esse tipo de coisa não se força, vem de dentro.

Ouvir tudo o que ela tem a dizer, sem manifestar nenhuma opinião à princípio. Deixá-la pôr esses sentimentos para fora, sem recriminações ajuda, vai ver é só disso que ela precisa. Aliviar o peso dentro dela, sem que outras pessoas se preocupem em lhe apontar caminhos como se ela fosse incapaz.

Enfim, só agindo para saber.

Tcheis disse...

Olá, Dora.

Tenho 27 anos e ñ tenho filhos, mas a cada dia q passa vejo a dificuldade que é criar um. Vc fez o q é certo, ensinou o certo do errado e q ela deve pensar por si mesma. É importante que continue conversando com ela, esclarecendo e sendo amiga. Mas tome muito cuidado com suas palavras e com as proibições porque isso pode apenas estimulá-la mais e a não te ouvir.
Em relação a bulimia e anorexia, acho muito interessante ela assistir a palestras e, se precisar, já fazer terapia pra prevenir.
Quanto a ser vaidosa, a querer ser miss ou seja o q for, se vc for feminista de verdade vc sabe muito bem q o certo é deixá-la ser do jeito q ela quiser pq isso é o feminismo, liberdade de expressão, seja sendo dona-de-casa, seja sendo presidente do país. É difícil aceitar, mas é a realidade. Gosto muito do filme "Sorriso de Monalisa" porque mostra bem essa questão. A escolha é dela.
Continue vigilante e ajude-a sempre que puder, mas aceite-a como alguém bem diferente de você. Não adianta querer que ela volte a ser como quando era criança jogando bola sem maquiagem.
Espero que sua filha e vc fiquem bem.

L. Archilla disse...

Ah! Tb não entendo essa coisa de "põe ela num curso X", como se ela fosse uma coisa. Matriculá-la num curso, nessa idade, pressupõe que ela o queira, né? Como ela vai fazer teatro, fotografia, filosofia, ou até mesmo terapia, sem vontade? Ou como se fosse um castigo, uma penitência pra ela poder fazer o que a dá prazer (malhar, pintar unha, etc)?

Sabio II disse...

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk, Isso é pq ao invés de cuidar da sua filha vc resolveu ser feminista e passar horas na net ao invés de ver o que se passa dentro da sua prorpia casa!

Sabio II disse...

isso é pq ao invés d cuidar da sua filha, preferiste passar horas na internet escrevendo um blog rancoroso e preconceituoso!

Ana Gabardo disse...

Poxa Dora, que situação complicada. Conversar é o melhor remédio, mas tem coisas que ela só vai conseguir perceber por ela própria, sem pressões. Talvez mostrar vídeos ou artigos de pessoas que já tiveram anorexia, informá-la sobre o assunto ou até mesmo levá-la a um médico que possa explicar que ela pode ser saudável comendo o que quiser, pode ajudá-la a perceber que essa coisa de "fazer dieta" é bobeira e é uma bem ideia perigosa para pessoas que querem ser magras a qualquer custo. Mas a base de tudo é muita conversa mesmo. E claro, esperar, porque cada um tem o seu tempo de perceber o que é bom e o que não é com a saúde e com as pressões e imposições da sociedade. Infelizmente todos "corremos o risco" de ver as pessoas que amamos irem para um caminho que nós não julgamos certo ou até mesmo saudável. Boa sorte.

A.H.B. disse...

(Feminista de 22 anos aqui) - Sinceramente, acho que não é um problema muito sério a obsessão de adolescentes peruinhas de classe média alta por aparência. É só mais um aspecto de uma realidade fútil que não tem problemas de verdade.
Oprimidas de verdade são as mulheres pobres - eles sequer tem o direito de poder se preocupar minimamente com aparência.
Como feminista, acho perda de tempo ficar discutindo como tratamentos de estética nos oprimem, porque estes pertencem a uma realidade dos privilegiados 10% mais ricos da população.
Que bom seria se a única preocupação das mulheres fosse ter que dizer "não" para a obrigatoriedade de padrões estéticos. Seria uma luta bem mais fácil do que a luta por salários iguais, direitos trabalhistas e dignidade econômica.
A autora do guest post deveria se sentir feliz que sua filha pode comprar roupinhas e maquiagem. Se ela escolheu ser uma pessoa fútil, o problema é dela. Agora, essa menina deveria ter vergonha de ter preocupações tão vazias enquanto tanta gente morre devido à desigualdade econômica.

A.H.B. disse...

Concordo com a L. Archilla.
Seria uma forma de censurar a liberdade da menina proibi-la de fazer algo que gosta (e pode fazer!) - Acho que a única coisa seria a mãe tentar mostrar para a filha que ela não tem que fazer nada para agradar aos outros. Talvez mostrar o livro "Mito da Beleza" (que serve de diálogo para as mulheres de classe média alta, embora deixe as pobres de lado).
Tenho ficado muito incomodada em constatar que as feministas da internet, além de perderem tempo discutindo com comunidades misóginas além de qualquer ajuda, ainda estão em um esquema de feminismo liberal, que se preocupa com questões de estética e sexualidade que não representam a maioria das mulheres, trabalhadoras e pobres.

Liana disse...

Dora, ignora os desajustados de plantão que se valem do anonimato para dizer besteiras por aqui.

L Archilla, também acho que essas coisas só funcionam se a pessoa quiser. Mas acho que o pessoal falou em terapia porque pelo relato da mãe pareceu que essa coisa de malhar e fazer dieta, se comparar com colegas siliconadas está indo longe demais e começando a afetar seriamente sua auto imagem, o que é muito diferente de pintar unha e frequentar salão.

Se como a mãe falou, ela realmente acha que só vai ser aceita se estiver dentro dos mesmos padrões que as colegas e que ser uma boa pessoa é algo menor, isso tudo pode levar a problemas muito mais sérios se condicionados à baixa auto estima em pessoas volúveis. Vide os muitos casos de bulimia e anorexia, que nem sempre passam na vida adulta.

As coisas estão cada vez piores nesse sentido, tenho uma filha de 10 anos e sei o quanto a pressão é grande para ela, muito maior que na minha época. Não dá para minimizar o efeito massivo da mídia na cabeça das jovens.

Mães e pais devem estar sempre atentos. Tudo depende do contexto, do peso que estas questões têm para a garota, do quanto isso afeta sua suas atitudes e limita sua personalidade. Pode ser que seja fase, pode ser que não. A mãe não tem como saber por antecedência nem pelas experiências alheias.

Vale a própria mãe se perguntar se a coisa é assim tão grave à ponto da filha estar se anulando e se tornando caricata, sem se sentir representada naquilo que ela imita ou se são só dilemas e exageros bobos da adolescência. Mais uma vez, só dá para saber estiver prestando muita atenção.

Esses cursos podem ser estimulados mas jamais impostos. Conversa e afeto ainda são as melhores soluções.

Barbara disse...

hahahhaah gente, alguém aí sugeriu botar no curso de dança, é exatamente o lugar onde uma menina mais ouve que é gorda!! Esportes, dança, tudo que trabalha com o corpo geralmente exige que a pessoa esteja em forma.

snowhitequeer disse...

don't call me thaisinha, minha experiência foi parecidíssima! Até a 5ª série, a única inveja nos meus colegas era porque a menina rica da minha turma tinha um boné do Ash de Pokémon, não menin@s, maquiagem... saí de lá por causa de bullying, era uma escola pública boa mas nem SOE direito tinha. Mas maioria dos meus colegas tinham pais presentes e de bom nível de escolaridade. Aí saio de lá e vou pra um colégio particular onde a primeira pergunta que me fazem era com quem eu tinha vontade de ficar na turma, choque de realidade total, né.

Mas Dora, apesar de mais próxima das experiências de suas filhas que da sua, também acho que não é uma boa idéia impedi-la de participar desse concurso, por mais idiota que ele soe. Mas talvez mudar de colégio seja bom. Ou você colocar ela num curso de línguas lógica, defesa pessoal ou coisa assim ela encontre outras pessoas, com noções de beleza e de mundo diferentes dessas amiguinhas aí. Alguma pesquisa anterior vai bem, no entanto, vai que as companhias no colégio novo conseguem ser ainda piores?

Mas não se culpe, todo mundo passa por essas fases. Alguns enjoam depois de um tempo, outros não têm vocação pra camaleão, outros percebem que por mais que tentem vão soar menos ridículos se forem el@s mesmos, outros levam um backstab d@s amiguinh@s e sofrem pra burro, mas espero de coração que a Susanita saia dessa e tenha muita vergonha dessa fase no futuro. Porque essa vida de miss não é pra ninguém. :c

Gabi disse...

Oi, Gente, eu sou a "Dora", obrigada pela atenção e os conselhos que vcs estão me dando, realmente estão me ajudando. Tenho passado mais tempo com a "Suzaninha", porque o problema maior para mim realmente é quanto a alimentação. Á uns dias atrás, as colegas de desfile foram na minha casa. Meu marido fez uma lanche "light" para elas. Eu não estava em casa, mas ele me disse que depois que as meninas foram embora, encontrou os lanches na lixeira do banheiro dela. O lanche era pão integral com ricota e suco de laranja. Elas ficaram só com o suco.Fui á escola, conversei com professores e coordenadores, eles garantiram que estão de olho. Os coordenadores do concurso pareceram ficar chocados quando toquei na questão da alimentação, e de fato levaram uma garota que já passou por anorexia para dar uma palestra no colégio e convidou os pais para verem. Gostei muito da palestra, foi como a moça mesmo disse "isso é só um concurso, deve ser divertido". Acho que isso a tocou um pouco, ela está mais desencanada. Depois da palestra fomos ao cinema e depois, adivinhem...comemos uma pizza! Quase chorei ao vê-la comendo com vontade , relaxada, sem paranóia, ou procupada com quantas calorias tinha a pizza.

Bem, a Luciana acha que eu quero impor meu estilo feminista á ela. Não é isso. Eu respeito as opiniões dela! As meninas gostam de milhares de coisas que eu não gosto, assim como foi comigo e minha mãe. O problema é quando essas coisas começa á afetar sua saúde, ai sim tem algo muito errado. Não acho errado ela ser vaidosa e talz, o problema está no exagero. A minha mãe me ensinou quase tudo de feminismo, e ela sempre gostou de maquiagem, pintar o cabelo, essas coisas...acho q vc não compreendeu bem, mas mesmo assim obrigada pelo comentário, é sempre bom ver as coisas por outro angulo...

Liana disse...

Gente, também não vamos exagerar e enxergar males em todos os lugares, o tempo todo, em todo mundo. A coisa não é bem por aí. Ainda que a maioria dessas academias de ginástica, dança, cursos, esportes, artes etc caiam em velhos estereótipos, dizer que todos são assim e não adianta procurar, é paranóico e irreal. Alguns profissionais conduzem muito bem suas aulas, seus grupos, são conscienciosos com seus trabalhos. Tem, é só procurar. E sei de muitos jovens que lembram com carinho de suas aulas na adolescência e de como o grupo ajudou a criar uma identidade mais saudável para si mesmo. Eu pratiquei dança do ventre por algum tempo e a professora era ótima, as alunas eram bem diferentes entre si, magra-alta-loira-gostosa-olhos azuis não tinha nenhuma. Eram todas mulheres comuns e de várias idades, o que era bem legal. Na minha turma tinha uma senhora de 60 anos, super divertida e alto astral. Já pratiquei capoeira que é um ambiente no qual nunca vi cobranças do tipo. Meus irmãos já fizeram curso de violão, pintura, surf em associações diversas, em igreja, empresas.. Perto da minha casa tinha um grupo que praticava trilhas, escaladas. Não é em todos os lugares que têm cobranças por perfeição física. Talvez pareça assim para algumas pessoas quando lhes falta diversificar os ambientes que frequentam e as pessoas com as quais convivem. Enfim, não faz sentido rejeitar tudo sem maiores exames. Mas de fato, só é uma boa experiência quando se pratica por vontade própria.

A.H.B. disse...

@Liana: acho que principalmente grupos de dança contemporânea não ligam muito para aparência física dos participantes. Uma boa ideia para essas garotas seria ir em festivais de dança e ver a diversidade de pessoas que costumam participar, todos dançando perfeitamente bem.
Para teatro, a mesma coisa. E acredito que grupos esportivos não-profissionais também tenham pouquíssima cobrança de "forma ideal". Paranóia de aparência deve ser coisa mais de academia mesmo. :P E novamente entramos em ambientes restritos para certa faixa econômica, aliás. (não querendo ser chata. Nas mensagens anteriores não quis ofender de forma alguma ninguém, só por em perspectiva o ambiente da discussão).

M. disse...

Oi, Lola!
É a primeira vez que escrevo aqui, apesar de te acompanhar ha algum tempo. Só queria deixar um link pra um post que eu li hoje - não pude deixar de pensar em você e em coisas que tenho lido por aqui.
Um beijo!

http://razaoaconta-gotas.blogspot.com/2011/08/o-jornalismo-sexista-jean-wyllys.html

Liana disse...

@A.H.B. Sim, claro. Meu comentário foi por causa de outros dois mais lá pra cima.

Essa idéia dos festivais é legal. Já vi alguns e mesmo que não se pratique dá para se divertir e se enturmar. Pessoas que frequentam esses ambientes costumam ser mais tranquilas quanto aos padrões. É muito agradável estar com uma turma que não liga para a sua parência. É uma higiene mental.

A.H.B. disse...

"Eu pratiquei dança do ventre por algum tempo e a professora era ótima, as alunas eram bem diferentes entre si, magra-alta-loira-gostosa-olhos azuis não tinha nenhuma. Eram todas mulheres comuns e de várias idades, o que era bem legal." - Diversidade é importante. Agora, seria "não-legal" se uma das colegas fosse alta e loira? Não querendo dizer que houve preconceito reverso, até porque isso não existe de forma alguma. Porém, existem mulheres que são magras, altas e loiras e elas não deveriam se sentir culpadas por isso, tampouco melhores que ninguém por algo tão insignificante. Qualquer tipo de aparência deveria ser "comum". - Outra coisa: por que magra-alta-loira incluí gostosa? Não estamos o tempo todo falando que não existe um fator de "gostosura" na natureza? - Aliás, será que com freqüência mulheres que correspondem ao padrão de aparência não são julgadas apenas por sua aparência? Isso não é injusto, já que ninguém pede para nascer com determinada cor de cabelo ou porte físico?
Uma mulher considerada "bonita" por padrões que sabemos ser artificiais seria uma presença indesejada num grupo diversificado? Ela seria anti-feminista por ser considerada "bonita" por padrões de beleza artificiais? Pra mim, isso é a mesma coisa que dizer que a Margaret Thacher é feminista por ter sido primeira-ministra.
Se todas as mulheres fossem iguais em aparência, então o feminismo não teria mais utilidade? - Certamente nada disso.
Acho que por essas coisas que devemos partir para discussões sócio-econômicas. Não apenas falar, mas agir também a denotar a irrelevância de questões estéticas (assim que nos livramos delas).

Alice disse...

Caramba! Só tenho filhos homens, fico pensando o que faria no lugar dela. Muito difícil! Acho que também pensaria de plano em mudar de escola, mas será que alguma está imune a isso? Que lavagem cerebral! Talvez mudar de ambiente seria bom. Sei lá, escola que endossa concurso de beleza não me cheira bem (eu odeio cheiro de perfume :)

Alice disse...

Caramba! Só tenho filhos homens, fico pensando o que faria no lugar dela. Muito difícil! Acho que também pensaria de plano em mudar de escola, mas será que alguma está imune a isso? Que lavagem cerebral! Talvez mudar de ambiente seria bom. Sei lá, escola que endossa concurso de beleza não me cheira bem (eu odeio cheiro de perfume :)

Ártemis disse...

Dora,

Em caso de despressurização da cabine, lembre-se: a adolescência passa rs.

É um período de experimentação intensa, mas não é porque ela é assim adolê que vai se tornar uma adulta assim. É um rascunho que tá virando arte-final.

Sente, explique que você se preocupa muito com o quanto ela se deixa influenciar pela aparência. Mas vc vai ter que apoiar, não há outra escolha.

A.H.B. disse...

"É muito agradável estar com uma turma que não liga para a sua parência. É uma higiene mental."
-
Sem dúvidas. ;) Inclusive uma turma que não vai dizer que você é burra por causa da cor do seu cabelo.
Quando era adolescente - e concordo que é muito difícil estar livre das pressões estéticas, ainda mais na juventude e em um ambiente onde isso é considerado importante - o primeiro dinheiro que juntei foi investido para sumir com as madeixas loiras e parar de ouvir comentários inconvenientes. Eu realmente não conseguia entender o desespero das meninas para descolorir o cabelo e, então, as pessoas começarem a tratá-las como se tivessem cinco anos de idade!

Yuuko disse...

Oi, Lola, Oi mãe preocupada! Leio o blog há tempos mas nunca tinha me encorajado a postar. Tenho 15 anos também, e acho que uma visão de dentro sempre ajuda.
Eu acho irônico que, depois de anos e anos de filhas libertárias teimando com mães conservadoras, temos agora o contrário. Os filhos tendem sempre a se rebelar contra os pais, e talvez essa seja a forma da sua filha de chamar atenção. Sua outra filha, feminista, etc se parece mais com você e logo ganha um posto de "preferida"(mesmo que não o seja. Sei porque cabeça de filho é sempre igual, fica caçando motivos pra ser "inferior" aos irmãos, etc). E ela, como resolveu se adaptar a sociedade pra não sofrer tanto desde pequena, o que não é nada covarde- quando se é pequeno, você é frágil e tudo lhe atinge, e as pessoas lidam diferentemente com isso. Algumas conseguem não ligar, mas a maioria acaba chateada. (Ela tentou se adaptar e se incluir quando trocou as camisetas e tênis por sandálias e muito cor-de-rosa) pode se sentir rejeitada no ambiente familiar e quer se destacar aonde conseguir, aonde abrirem as portas. É um ciclo vicioso, mas começou antes que ela tivesse consciência dos seus atos e agora não vai parar.
Meu conselho é que você não desincentive ela a usar maquiagem, ser "feminina" e "fazer coisas de mulher" (DETESTO esses termos, mas vocês entenderam o que eu quis dizer.) A culpa não é da maquiagem, nem do cor-de-rosa, nem da depilação ou no silicone. É injusto julgar as pessoas por isso. É um contra-preconceito. Eu mesma, uso maquiagem e gosto de rosa, tanto que meu cabelo é dessa cor. E não sou escrava de revistas de beleza e etc, sou feminista e por mais que ainda não tenha opiniões totalmente sólidas e de base firme pela minha pouca idade, luto muito pra conseguir chegar a isso. Esses fatores tão criticados(barbie, moda, cor de rosa, maquiagem, silicone) são apenas as consequencias, e não as causas.O feminismo é o direito da escolha, acima de tudo.
A grande questão é: O que sua filha quer com isso?
Ser magra, ser como as modelos, ganhar concursos de beleza, tudo leva a um mesmo ponto: Atenção. Em algum lugar bem dentro dela ela se sente rejeitada, em casa e agora no mundo exterior.
Não proíba. Proibir atiça, cria vontade, tem todo o sabor do desafio. Incentive ela a fazer o que ela gosta, mas de maneira saudável. Se ela quer emagrecer, procure um endocrinologista e faça uma reeducação, que além de tudo ainda ajuda na saúde e qualidade de vida. Se ela quer se sentir na moda, mostra pra ela os segmentos, tudo que moda engloba (porque moda não é só futilidade, é apresentação, uma das expressões que você tem de sí mesmo que compartilha com o mundo. E eu pretendo trabalhar nesse ramo que ao mesmo tempo que é com razão criticado, é muito vilanizado e "demonizado" sendo que engloba muito mais que modelos na passarela e estilistas famosos supervalorizando o que fazem pra sua marca ser sinônimo de status. Moda tá no dia-a-dia). Feminismo, como disse, é escolha. Uma mulher tem direito de colocar silicone sem ser criticada e chamada de artificial, escrava da moda e tudo o mais. Todos nós queremos ser aceitos, e se o corpo é dela, ela que faça o que bem entender. Você como mãe, enquanto ela é menor, faça e ajude sua filha se sentir bem, se sentir aceita principalmente no ambiente familiar. Nessas circunstâncias,tirá-la da escola é uma boa opção, mas você nunca vai conseguir esconder ela da mídia, então dê apoio e encaminhe ela pros resultados que ela quer de uma forma saudável, mostrando sempre as opções que ela tem. Quando você proíbe uma opção só, ela se torna deliciosa, e ignora-se os pontos ruins dela. Mas quando você mostra todas as opções possíveis, ela pode enxergar o que há de bom e ruim em todas elas, e dá pra avaliar calmamente. O que você não pode fazer é agir como uma 'conservadora' só que com opiniões as avessas. Isso beira a hipocrisia e vai de encontro a tudo que você acredita. Boa sorte! :)

Yuuko disse...

Gente, perdão pelo comentário imeeeeeeenso. Espero ter conseguido me expressar direito (:

A.H.B. disse...

Gostei do post da Yuuko. Dentro dessas questões de aparência, feminismo tem a função justamente de demonstrar que não existe uma "aparência correta", ou qual a forma que as mulheres devem se comportar, vestir, etc. Se alguém se sente bem passando esmalte (homens incluídos), sinta-se a vontade a fazer.
Meu problema é a pessoas acharem que "precisam" de tratamentos estéticos milionários ou serão infelizes. (Em geral, criticaria a própria existência desses tratamentos, por não serem socialmente úteis. Acho que cirurgia plástica só tem função para pessoas que sofreram algum acidente, como queimaduras)

A.H.B. disse...

Desculpem os posts massivos. Acompanho o blog da Lola a algum tempo e hoje resolvi começar a comentar :P

Liana disse...

A.H.B. Só citei isso por ser um padrão conhecido a loira-olhos azuis-magra. Minha mãe quando jovem estava nesse padrão, ganhou um bocado de peso depois de vários filhos e continuo achando que ela tá linda. Meu pai é o maior negão e saí um meio termo, além de ter outras etnias na minha família. Cresci com diversidade e acho tranquilo.

A questão não é nem essas mulheres, é todo o estereótipo em torno delas. Quem é preconceituoso não vê uma mulher dessas como um indivíduo, é só a imagem que já se tem construída na mente. Me referí a isso para dizer que as mulheres do curso não estavam ali para representar padrão nenhum tampouco ficavam reparando nas outras. As aulas eram ótimas, muito descontraídas.

Acho horrível que elas tenham cobranças absurdas de um lado e acabem também sofrendo preconceito justamente por estarem dentro do padrão. Com complexo de fútil, burra ou sei lá o que. Algumas familiares minhas são loiras de parar o trânsito, trabalham, se esforçam e fica às vezes parecendo para as outras pessoas que elas conseguiram tudo de mão beijada e não foi assim. Beleza abre portas com certeza mas não é necessariamente centro da vida delas e julgá-las só por isso é demonstrar um raciocínio limitado.

Joel Bueno disse...

Sério, mas sério mesmo, é a possibilidade de a menina estar começando um processo de anorexia. Muita atenção - se necessário, apoio médico.

O resto é coisa de adolescente. Dá e passa. Fazer drama só piora.

Yuuko disse...

A.H.B. entendeu bem meu ponto. O problema não é o esmalte, a maquiagem nem nada. O problema é a imposição disso pra ser aceito. E eu acredito nas cirurgias plásticas, já que nem sempre a aceitação pessoal acontece. Como exemplo, muitas pessoas não se aceitam psicologicamente e procuram terapia, psicanálise, remédios e não são recriminadas por isso. Acho que uma intervenção física em algo que incomoda, por mais que seja pra se adequar a um padrão, é válida se for ajudar a pessoa a se aceitar mais. O problema é quando é uma atrás da outra, sempre querendo mais e mais, já que daí é uma ânsia que não se satisfaz nunca, e acaba por piorar a falta de aceitação própria. Um bom exemplo de cirurgia plástica que ajuda nesse sentido é a feita em transexuais, que se sentem incomodados com um corpo que 'não lhes pertence'.

Isis disse...

Poxa, difícil =/

Passo uma situação parecida com minha irmãzinha, vejo ela crescendo preocupada com futilidades que só trazem angústia a ela.
Mas quer saber? Acho ingenuidade quem acha que pais moldam completamente os filhos. Quem convive com crianças percebe que cada um nasce com sua própria personalidade.
Lógico que os pais, o ambiente, os amiguinhos interferem - e muito! - e que as experiências da criança contam, mas aquela base sempre vai estar lá. Pelo menos é o que eu acredito, pelo que observo.

Não posso te ajudar, nem me arrisco a dizer o que você deve ou não fazer. Só um pequeno conselho, minha opinião: não proíba ela de participar do tal concurso. Acredite, proibições nessa fase só fazem tudo piorar, ela provavelmente vai te desafiar mais e mais, por pirraça mesmo :P

don't call me thaisinha disse...

Oi de novo, Dora!

Que bom que ela agora está mais tranquila, comendo, passar um tempo junto com a família nessa fase é muito importante. Fazer programas juntos, como assistir filmes e seriados, ir ao teatro e etc.

E gente, quando eu falei sobre cursos, eu pensei na Dora dar a idéia, pra que ela escolhesse o que mais a interessasse, claro que não pensei que a Dora deveria obrigá-la, né?

Ela tem liberdade de escolha, mas a Dora como mãe precisa estar atenta se essas escolhas afetam a saúde dela. E se essas escolhas afetam, o que ela pode fazer para minimizá-las?
E a melhor opção é passar mais tempo com a filha, conversar, curtir, se divertir, disponibilizar-se para qualquer assunto, disponibilizar livros, revistas, filmes e possíveis cursos.

Minha mãe é super vaidosa, é católica, não acredita em sexo antes do casamento e etc. Eu passei anos usando blusa do pokemon, nada vaidosa, né? Sou atéia. Feminista numa família que acha que namorado é que tem que ir na casa da namorada, pra vigiar...

Eu não concordo com muita coisas dos meus pais e digo que proibir é o pior, porque a pessoa vai fazer escondido.

Se você teme que sua filha sofra bulimia, anorexia, não tenha auto-estima, tenha depressão por conta da opressão estética, o melhor a fazer é se manter próxima e não proibir e afastar mais. E respeitar as escolhas dela que não afetem a saúde dela, por exemplo, usar algumas maquiagem que contenham protetor solar pode ser uma boa. (Dizem).

Acho que o mais importante é se mostrar disponível pra conversas. Não criticar o rosa excessivo, o salto, a maquiagem, mas se um dia ela vier conversar com você que se cansa de tanto fazer isso e não alcançar o resultado almejado, ou reclamar que não é tão bonita quanto alguém, alguma coisa assim, você conversa com ela, ajude-a a questionar o porquê daquele sentimento.

Gerusa disse...

Antes de tudo, minha indignação com a escola que promove esse tipo de competição hedionda em uma idade em que a insegurança com o corpo é gritante.

Também fiquei indignada com os pais da garota que colocou silicone com 15 anos!!! Sério, algupem tem que intervir nisso...

Dora, reinterando alguns comentários aqui, eu também ficaria desesperada com essa situação. O problema é que essa é uma fase terrivel, e em algum momento você vai ter que bater de frente, essa é a verdade. Acredito que sempre fui uma menina consciente das coisas, mas na adolescencia dei uma enlouquecida, e minha mãe que sempre foi aberta e compreensiva com minha escolhas entrou em cenas pra frear as redeas. Morri de raiva dela na época, mas hoje super agradeço por ela ter me proibido de estar em varias situações.
Chama ela pra uma conversa franca e expõe tua queixas e deixa ela expor as dela, vai pegando as redeas da situação e se for o caso (acho que é, levando em consideração a possivel anorexia) leva no psicologo, faz uma terapia em familia... E mais importante, faz mais programas com ela, tenta resgatar o lado moleca da sua filha (que jogava bola), coloca ela em outras atividades e em outros grupos de jovens que tenham interesses variados. Coloca ela pra fazer trabalho voluntário por exemplo, é uma boa pra sair do narcisismo em que ela se encontra.
Por fim eu acho que você deve sim considerar a troca de escola, no fim do ano, porque uma escola que acha normal menina por silicone e que promove concurso de beleza não deve ser muito boa.

don't call me thaisinha disse...

" O problema não é o esmalte, a maquiagem nem nada. O problema é a imposição disso pra ser aceito."

Concordo plenamente. O negócio é que uma escola que promove concursos de beleza entre alunas afirma que há uma certa obrigatoriedade em ser bonita, em estar dentro do padrão de beleza.
O rosa, gostar de roupas, salto alto, maquiagem não é problema, mas não perceber que você pode sim optar por ser diferente, caso não goste daquilo é que é.

Rê_Ayla disse...

há tempos sem comentar, já q sempre fui chamada de troll (por discordar)...

mas gostei bastante das colocações da A.H.B. e da Liana. Pq né, as pessoas falam sobre o tal padrão, mas não imaginam como é a cobrança de estar dentro deste padrão sem fazer esforço, e em TUDO ter q provar q não, não é só mais uma loira burra gostosa, tem cérebro e conseguiu por mérito. Passo por isso acho q só desde q nasci... E não adianta eu ter 2 graduações, falar 4 idiomas, ter pós e mestrado, ter estudado fora: é sempre, always, apenas uma loira gostosa o q a maioria vê e tenho q provar o tempo inteiro q há um cérebro! Falaram em dança? Fiz muitos anos de balé, uns 5 anos de flamenco e há 11 estudo dança do ventre... trabalho com dança tb, e sempre, sempre q sou contratada pra algo já vem o "é só pq ela é bonita, não dança nada". Em tudo é assim, o tempo todo. E esse lado da moeda é tão péssimo quanto estar fora do tal padrão e querer se adequar a ele.

Hum... isso tudo pra fazer uma sugestão: que tal um post que fale deste outro lado, dos julgamentos q quem está dentro do padrão sofre?


Sobre o post... eu fui uma adolescente rebelde típica q fez tudo ao contrário do q a mãe queria (devia ter casado virgem de véu e grinalda se dependesse da minha mãe, inclusive... e tô bem feliz solteira). Sendo realista: não adianta falar, nem argumentar, nem proibir. Só eu q fui adolescente por aqui? Adolescente sempre acha q tá certo. Pode-se proibir muitas coisas, mas adolescente tb sempre acha um jeito de fazer o q quer. Resta confiar na educação dada pela família, não se afastar e prestar atenção. A parte boa é q adolescência passa, e depois a gente percebe o quanto éramos ridículos.

Lara Spagnol disse...

Dora,

não sou mãe, nem adolescente, mas sou leitora. Entendo a sua preocupação, pois acho que, em relação a todos os que queremos bem, temos expectativas. Expectativas estas que se baseiam no que consideramos como certo X o que conhecemos de tal pessoa. Pelo menos eu acho que é assim. No seu caso, então, a dicotomia parece ser a seguinte: um autoconhecimento e um gostar de si mesmo que vá além das questões físicas X o comportamento distinto do seu, que sua filha vem apresentando.
São forças contrárias. Justamente por isso, acho que talvez seu problema se suavize à medida em que a tensão entre estas forças contrárias seja suavizada. Por que sua filha deve ser como você planejou? Você não teve seu tempo de adolescente para experimentar, conhecer coisas novas e, só então, constituir a personalidade que carrega até hoje? Por que privar sua filha da experiência? Acho que você faz sua parte como mãe, dando exemplo e conversando com ela a respeito do que você considera ser um bom caminho. Porém, acredito que a proibição já seja um passo rumo ao autoritarismo. Deixe-a participar, deixe este concurso adquirir a significação necessária na vida dela por enquanto, deixe-a correr o risco de se frustrar ou de "ganhar" o concurso, orientando-a sempre. Há perigos em toda a parte, e você é uma mãe, não uma super heroína. Acredito que não será este concurso ou as roupas que ela usa que formarão a adulta que sua filha será.
boa sorte!

aiaiai disse...

to sem tempo para ler os outros comentários. Mas, como mãe ateia de um menino que escolheu ser católico, acho q posso dar um pitaco.

Eu acho q o povo da escola tem razão quando diz q é uma fase. Você fez um belo trabalho, criou duas filhas independentes. Tanto que uma delas é totalmente diferente de você. Só acho preocupante a questão da saúde, mas o resto ela mesma vai perceber q está perdendo tempo com bobagem. Converse com o pessoal do concurso e fale com a sua filha sobre a conversa q teve com eles. Mostre para ela como esse concurso é uma bobagem e q o mais importante é a formação acadêmica. No mais, deixa rolar.

Se você proibir ela de participar do concurso vai ser pior. Na experiência q tenho com o meu filho, toda vez q proibi alguma coisa essa alguma coisa tornou-se muito importante para ele.

Nisia disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Nisia disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Aline Costa disse...

Oi Dora!

Estou pensando desde ontem no que escrever pra vc... resultado: 86 comentários e eu sem tempo para lê-los, me perdoa? Se vc tiver tempo para ler o meu, será ótimo}! :D

Eu imagino o que vc está passando. Tenho uma filha de quase 2 anos e meu pesadelo é exatamente o da Lola... e, tbém, este que vc está vivendo com a sua "Susanita".

Mas eu quero te dizer o que acho como ex-adolescente e atual mãe.

Na adolescência, queremos ser aceitas pelo grupo e isso acaba sendo uma prioridade. É um fase, sim! E passa, sim! (lembra-se da sua adolescência?)

Mas tem um outro aspecto que considero o mais importante, Dora. Sua filha não é vc. Ela não pode pensar como vc. Mas, vc como mãe, que já foi adolescente, pode tentar se colocar no lugar dela. Ao invés de julgá-la, ou tentar se culpar (onde foi que eu errei?)tente mostrar mais empatia. Ela está sofrendo de verdade, vc percebeu, né? Quando ela começar a dizer as coisas tipo: a menina da escola já tem silicone, vc não se maquia, não sou magra o suficiente... pq vc não tenta ouvir sem emitir julgamentos e opiniões. Responda: sim minha filha, deve ser difícil não poder colocar silicone tbém... não deve ser muito agradável ter uma mãe que não se importa com padrões de beleza... deve ser difícil correr atrás do peso ideal, etc.

Vc pode torcer o nariz pra mim e dizer que estaria sendo falsa ao fazer isso. Isso não é falsidade, é tentar se colocar no lugar dela! Vc não concorda e não precisa concordar com as opiniões dela. Mas vc entende que, para qualquer pessoa, é fundamental poder se expressar sem julgamentos?

Imagina como ela se sente: não sou boa o suficiente para os meus amigos - eles não me amam! não me enquadro nos padrões de beleza - não sou aceita! minha mãe não entende minhas aflições e anseios - não posso contar com ela!

Viu só, que barra!!! Ela acaba vivendo dois infernos: um DENTRO de casa (que deveria ser seu porto seguro) e outro FORA (na escola).

Concordo com as medidas de procurar os responsáveis pelo concurso, a professoras da escola etc. Mas tente não passar por cima dos sentimentos da sua filha. Por mais que vc os julgue inadequados, eles são legítimos. E não há nada pior que ter nossos sentimentos desprezados pelas pessoas que mais amamos.

Nós não escolhemos os nossos sentimentos, Dora. Nós os sentimos e escolhemos se os colocaremos pra fora ou se serão escondidos. Não condene sua filha pelos sentimentos dela - ela não tem culpa!

Quero muito saber mais sobre o desenrolar dessa história! Se quiser conversar mais: alineoc@gmail.com

Beijos e boa sorte

Nisia disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
uma mosca. disse...

Dokho de Libra, talvez se vc se abrisse um pouco a novas idéias, vc poderia obervar um pouco mais e talvez ler um pouco mais sobre essas coisas e ver que, na verdade, o que criou essa forma de relacionamento foi justamente o machismo! O feminismo, pelo contrário, defende que as pessoas tenham pleno controle sobre o seu corpo ( e isso inclui a sua aparência!!), independentemente de padões definitos por outras pessoas ou por outro tipo de dominação. Defende, ainda, que, em um relacionamento (afetivo, profissional), "estar dentro do padrão de beleza" ou não, não define quem vc É e nem a sua competência, e nem nada sobre vc!

Nina disse...

Dora, querida, vc tá coberta de razao em se preocupar, eu sou mae de três, a mais velha é super descolada, cabeca mesmo, já o segundo (olha o meu caso, deve ser pior do que o seu, onde já se viu um MENINO de 14 anos querer ficar sempre todo arrumadinho e só pensar em músculos e dieta??) Eu piro com ele, Dora! Só quer viver lindo! É claro que nao entro na dele, só compro o que posso e em liquidacao e ele só ganha presente no natal e aniversário e ponto! Fica puto comigo, me xinga e tudo mas é assim e acabou, quem manda em casa e nas minhas contas sou eu, certo?

Mas olha, é bem como a Lola falou, a gente tenta sabe? Mas nao tem jeito, filho nao sai como a gente quer, a gente tenta dar o melhor da gente e qd sao pequenos eles tem mt da gente porque ainda nao podem expressar diretamente o que querem, mas qd crescem, pensam que já sao donos do nariz. Nao tem saída pra isso Dora, e essa fase, de fato, é mt difícil, eles se acham donos da razao e nós somos sempre as bruxas, as erradas, as horrorosas...
Acho que vc tomou todas as providências possíveis, tá mostrando ser uma mae mt atenta a tudo. Tá no caminho certo. Mas procura desancanar, nao fica tao preocupada assim, infelizmente a mídia tem sim, grande poder e a turma tbm. Ms olha, eu acredito que a base que a gente dá, por hora parece ter desaparecido da cabecinha deles, mas volta!! Um dia volta.
Desejo paz e que sua pequena encontre logo o equilíbrio necessário..

Ah, sabe o que alguns pais fazem aqui, qd a situacao com os filhos fica extremamente difícil??? Mandam passar uns dias na África, em companhia de pais de aluguel, super rigorosos, convivendo com a pobreza... Ui, remédio forte né? Os meninos voltam 100% diferentes :-)


Lola, teu blog é ÓTIMO!!!

bastidoresdenosdois disse...

Lembro que era doida por uma maquiagem, hj, só quando vou sair a noite, o que é raro e sempre o básico!

Nas escolas da minha cidade tem os concursos "garota colégio tal", loca-se um clube ou casa de show local, contrata-se banda e põe tapete vermelho na hora do desfile!

A inscrições não podiam ser feitas por todos, só por quem tinha o padrão do concurso: Alta, magra, olhos e cabelos claros, cabelo liso e se possível, comprido, nada de manchas, espinhas, cicatrizes, negras também não estavam no padrão, mesmo que fosse uma negra perfeita, não se encaixava!

O concurso era muito falado pelos professores, que adoravam... íam para as festas e levavam a vencedora a um motel depois! E a miss virava a chacota do colégio!

Aconteceu com uma garota da minha turma, ela tinha seus 17 anos e ganhou o tal concurso!

Eu acho que a mãe em questão tentou dar a melhor criação, mas acho que querendo acertar ela errou, lá atrás, quando deixava as pequenas escolherem as roupas... Criança não sabe valor de dinheiro, de trabalho para conseguir dinheiro... Você que trabalha, você que sabe qual roupa é adequada e cabe no seu bolso! As propagandas de tv de tênis que piscam e bonecas que falam, roupas com glitter tão aí, de comercial em comercial. Mas não foi isso que fez sua filha ficar assim, e com certeza, ela só quer ser aceita, é muito ruim se sentir excluída!

Acho que o melhor, é tentar se aproximar, não criticar, levar ela a um nutricionista, ela quer perder peso, que perca de uma forma saudável, que não cause danos a sua saúde, ela que atividade física, que fale com um profissional, para avaliar se tá tendo muito desgaste, e a academia tem OBRIGAÇÃO de passar um exercicío que não prejudique!

E principalmente vá a escola, mas não fale só na secretaria e diretoria, fala om professores, que veem como os alunos estão todos os dias, fala com a moça que limpa o banheiro, que vê o que elas conversam... Todos podem te dizer alguma coisa, não se contente com uma resposta falsa de uma diretora!

E o mais importante, Vc e a mafalda, devem se aproximar dela, conversar, não julgar, serem amigas... tirem um sábado, vão a um sítio com a família, ajudem ela ver algo além do concursos, amigas da escola, internet... Um final de semana sem internet, maquiagem, comida congelada, só a família!

=)

aiaiai disse...

complementando e emendando com a Nina...meu filho fez 13 anos agora e virou o maior vaidoso q eu já conheci. Não pode ver um espelho q se olha...só quer usar roupas bacanas, novas, tenis tem q ser de marca...e o boné????? q a tia deu pra ele custou mais de 100 reais!!!!

é fase...ou passa ou ele fica rico p sustentar tanto luxo.

Eu dou risada e não compro nada dessas coisas.

Giovana Damaceno disse...

Sei muito bem o que vivo hoje por não poder escolher praticamente nada durante minha adolescência. Tive uma mãe conservadora, repressora, que sempre via apelo sexual em tudo. Nem estudar em casa de amigas eu pude. E hoje sei que meus desejos eram apenas desejos de adolescente, de uma menina que queria experimentar.
Hoje tenho um filho de 13 anos que está começando a experimentar. Já gostou de super heróis a funk e eu nunca proibi nada. Deixei-o ver, conhecer, ao mesmo tempo em que eu ia apresentando a ele outros valores.
E posso afirmar que o que ocorre coma filha da Dora é fase, sim. E se ela não experimentar agora pra conhecer, vai cobrar da mãe, e pode, em outros momentos da vida, experimentar outras coisas, muito piores, escondido da mãe, e se dar muito mal.
Permitir que ela experimente, com orientação, pode ser o melhor a fazer. Afinal, a Susanita é um ser individual. Nuca vai ser o que a mãe quer que seja.

Ághata disse...

...fico imaginando o nível de colégio que tem desfile e concurso de miss...
Mas que droga, heim...

Discordo que seja só fase.

Discordo que os filhos mudem radicalmente de uma hora pra outra. Acho que alguns pais não notam as mudanças exatamente porque ficam nessa de 'é só uma fase' e quando não dá mais pra ignorar, se surpreendem 'por que ela{e} mudou tanto?'.

Não vou dar conselhos, não serviriam pra nada: não sou mãe, só 'cuidei' de crianças em casos especiais e minhas ideias sobre educação são muito próprias, baseadas em pouca experiência e na criação de meus pais...

Luiz Prata disse...

A meu ver, o grande problema é a questão da saúde, que deve ser acompanhada de perto e com atenção.

E cirugias estéticas nem pensar: ela é muito nova, ainda está se desenvolvendo e toda cirurgia envolve riscos. O caso da coleguinha dela que pôs silicone é um absurdo a ser evitado. Esse tipo de procedimento, só depois de adulta, o corpo já formado e mais consciência. De novo: é uma questão de saúde.

De resto, talvez seja um bom aprendizado para ela participar deste concurso. E é bom que você esteja por perto, tanto pra apoiar e ser um porto seguro pra Susanita, quanto pra estar atenta aos bastidores e ao desenrolar do concurso.
De qualquer forma, cabe um "puxão de orelha" na escola, que não deveria promovê-lo.

Miriane disse...

kkkk... gosto do seu tom crítico que você usa no blog!
Olha, já estou te seguindo no twitter tem uns dias e em pesquisas e mais leituras que me fizeram parar no seu blog, rs.. estamos começaaaando um agora, que chama - Observatório das Mulheres do Acre (http://observatoriomulherac.blogspot.com/) e te adicionei lá de vizinha, para estar aprendendo junto e lendo mais, tudo bem?
Abraço,

Miriane

Aoi Ito disse...

Não sou mãe, mas eu tenho umas opiniões quanto a isso.

Acho que, primeiro, não devemos tratar o que a garota está fazendo como escolha pessoal. Se vivemos em um mundo altamente influenciado pela mídia, que força meninas a fazerem isso, nunca vai ser uma escolha pessoal. Nunca.

Depois que eu acho que liberdade tem um limite. Uma pessoa é completamente livre para se cortar, se drogar, fazer "coisas piores", mas devemos questionar por que ela faz isso, porque o buraco pode ser mais fundo. Então se uma garota jovem assim (Na verdade acho que qualquer mulher) está correndo perigo de saúde, e perigo psicológico, sofrendo para entrar nos padrões da sociedade, devemos ignorar isso como "escolha" ou "fase"? Eu não ignoraria numa hipotética filha minha. Fazer ela questionar - Por que está fazendo isso? Tem algo de errado? Descobrir o que está a fazendo fazer isso é essencial. Não acho que questionar e tentar achar um porquê é querer cortar a liberdade alheia. Concordo que cada um tem seu corpo, mas quando a tal "liberdade" na verdade é basicamente influenciada por fatores externos, e acaba em um estado psicológico assim, é melhor deixar porque é liberdade e é o corpo alheio ou devemos questionar? Uma pessoa que se mata está exercendo controle sobre seu próprio corpo, mas algo a levou a se matar, e isso devia ser questionado e ajudado. Não é 8-80: Deixar a pessoa se matar porque "é seu direito" ou deixá-la em um mundo que só a traz dor porque "we know better".

Então, se a menina está assim nesse comportamento auto-destrutivo (Eu acho isso auto-destrutivo), não podemos deixar porque é "fase", mas não podemos falar "não, você não pode mais, fim". Questionar é essencial. É mostrar pra ela o que pode acontecer, que está preocupada com ela, que ela está se machucando com isso, que isso pode a deixar muito mal no futuro e até mesmo agora.

Aliás, acho MUITO RUIM quando ignoram experiências que podem ter repercussões para a vida toda porque são o que alguém acha que é "fase". :/ é fase, é fase, aí vai que não é fase e a criança leva consigo um fantasma de algo, ou então nunca sai da fase e sempre achamos que é fase.

Sei lá, só minha opinião. Digo isso porque hoje minha irmã de 13 anos se maquiou para ir pro colégio, porque sim. Ela tem amigas que são bem no estilo emperequitado, já quer emagrecer, faz muita química no cabelo, é uma consumista sem noção, só quer coisas caras, acha que a gente pode mais do que realmente pode, quer super se enturmar e acaba se machucando porque as expectativas dela nunca serão alcançadas.

Então eu acho que minha mãe devia questionar isso, não deixar. Minha irmã é um ser tecnicamente individual, mas isso não significa que não possamos querer o melhor para ela. E, sem pós-modernismo, pra mim uma garota de 13 anos se maquiando e querendo usar saltão e odiando o próprio cabelo porque ele é cacheado e não liso, a ponto de ter feito tanta química que agora a água mal entra no cabelo dela, é ruim, sim.

Mylena M. disse...

comentário 1: Oi 'Dora'! Tenho 17 anos, e talvez por ter uma idade aproximada à de suas filhas, seja de boa ajuda o que vou dizer!
Acho que na maioria das vezes que a gente, filhos adolescentes, fazemos coisas "erradas" não é culpa da criação dos pais, e sim porque ainda estamos formando nossas opiniões, e acabamos sendo bastante vulneráveis... além do fato de nessa idade a maioria das pessoas ser bastante imediatista, e as vezes agir sem pensar!
A questão da vaidade, acho que é uma coisa normal... também sou vaidosa, e conheço poucas garotas da minha idade que não são... a questão é: usar maquiagem não tem nada demais, mas tem limite... eu adoro usar maquiagem, mas não vou à aula de lápis de olho, sombra, rímel e tudo mais... me arrumo assim para sair a noite, para festas e etc... e acho que usar muita maquiagem, sem ter cuidados com a pele, principalmente durante o dia, pode ser perigoso... porque a maquiagem, se usada de forma inadequada, pode fazer com que 'problemas' de pele (espinhas, cravos, oleosidade excessiva, etc) piorem, e isso gera um ciclo vicioso, porque aí vamos buscar mais maquiagens, e a coisa vai piorar, e mais maquiagem de novo, e daqui a pouco a pessoa acaba desenvolvendo uma coisa séria no rosto! Quanto a isso, acho que seria legal você conversar com ela sobre os cuidados que ela tem que ter pra usar maquiagem e não perder a sua beleza natural, e como a maquiagem pode salientar sua beleza, ao invés de mascará-la... você pode sair com ela pra procurar produtos de cuidado com a pele (tônicos, hidratantes, etc), porque isso vai fazer ela perceber que você não quer julgá-la por usar maquiagem como as colegas dela, e sim que você quer o bem dela, e isso pode unir muito vocês!

Mylena M. disse...

comentário 2: Agora, quanto ao corpo... esse é um problema sério! Veja bem: sou gorda, desde sempre, minha família toda é gorda, minha própria estrutura óssea é mais larga do que o normal, e é claro que algumas situações do dia-a-dia as vezes me incomodam... quando eu era pequena, já fui muito discriminada por conta da gordura, e por vezes já quis fazer dietas malucas para que isso parasse, mas o meu caso é mais complicado, é genético, e com o tempo, aprendi a gostar do meu corpo, e hoje, não me sinto mais triste ao me ver no espelho, mas por questões de saúde, ainda quero perder peso, e é claro que nesse "questões de saúde" entra um pouco de vaidade, porque é muito chato não encontrar roupas do seu tamanho e etc... quanto à sua filha, acho que uma boa maneira de você lidar com isso, seria conversar com as mães das amigas dela, para ver se está acontecendo a mesma coisa e como elas estão agindo (não inclua a mãe da siliconada, porque pra mim, uma mãe que deixa a filha de 15 anos colocar silicone não tem um pingo de consciência), e também, você conversar com ela abertamente sobre a alimentação, pergunte se ela quer mesmo fazer uma dieta para ficar mais magra, e se ela disser que sim, diga que você vai levá-la a um(a) nutricionista para que ela tenha uma dieta que não prejudique sua saúde, mas não deixe de conversar com ela sobre possíveis influências de amigas, exageros alimentares, como: não comer nada... esse tipo de coisa!
Mas olha, acho que antes de tudo isso, você deve procurar mostrar à sua filha que não adianta ser bonita e magrinha se você não tem conteúdo, se você não se preocupa em desenvolver seu conhecimento... e também seria bom vocês conversarem sobre amizades, e procurar saber como é exatamente a relação dela com essas amigas, porque as vezes, nessa idade, nos sentimos vulneráveis por sermos diferentes da maioria, e aí acabamos encontrando amigas que na verdade não são AMIGAS, são sim pessoas que só têm amigas para tentar contar vantagem sobre elas e se exibir de alguma forma... se esse for o caso, talvez sua filha precise ver que as amigas dela não são assim tudo o que ela pensa, e talvez ela possa mudar, até mesmo junto com as amigas, a forma de pensar e agir!

Mylena M. disse...

comentário 3:O grande problema dessa idade é que nós não gostamos muito de ouvir os conselhos dos nossos pais, queremos aprender tudo o que for possível vivendo, e consequentemente, errando! Aprender errando é ruim porque nos faz sofrer, ter arrependimentos, e etc, mas também tem seu lado bom: traz muito amadurecimento. Talvez ela queira, no fundo, aprender errando... mas você está certíssima de se preocupar com sua filha! Uma mãe que se importa, hoje em dia, é um dos bens maiores que alguém pode ter!

Conheço alguns sites de receitas saudáveis, de maquiagem, literatura, que de repente podem ser úteis... se você quiser os links, e quiser conversar sobre alguma coisa, me envie um e-mail! mylena-melo@hotmail.com

Beijos! Boa sorte!
ps: desculpe pelo comentário dividido, mas tem um limite de caracteres para os comentários e o meu ultrapassou :x

Garota Purpurina disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Garota Purpurina disse...

Tenho 17 anos e, por isso, tenho uma visão mais próxima desse tipo de situação. Acho que nessa idade muitos jovens - tanto mulheres como homens - começam a procurar algo com que se identificar.
Nos meus últimos três anos, correspondentes a cada série do Ensino Médio, foi muito comum ouvir dos nossos professores e dos próprios alunos que os adolecentes crescem muito. E, ao olhar para eu mesma e meus amigos, não só concordo com isso como digo mais: também acabamos nos aproximando mais do que fazia sentido para cada um de nós, e nos afastando daquilo que nos parecia imposto. No meu caso, abandonei de vez o catolicismo e me tornei atéia. Aproximei-me muito mais do feminismo, com que tive contato pela primeira vez na 7ª série em um trabalho escolar, e não deixo de informar meus colegas dos absurdos que acontecem em nossa sociedade hoje. Uma amiga minha, por outro lado, se tornou evangélica, mesmo havendo um preconceito fortíssimo contra essa crença por parte de muito pseudo-intelectual . E nós duas somos realmente felizes do jeito que nós somos, muito diferentes daquelas meninas que entraram no primeiro colegial sem muitos ideais e planos para o futuro.
Por isso acho que é possível que a Susanita da história ainda vai se encontrar. Talvez ela precise de um empurrãozinho, de alguns filmes e leituras - longe de ser lavagem cerebral, mas uma sugestão positiva que, de toda forma, será uma carga cultural a mais. Boa parte de meus colegas são até hoje imaturos ou preocupados demais com questões irrelevantes, mas acredito que boa parte deles aprenderá com a vivência que a vida é mais que meras aparências.

Denise disse...

Eu tenho uma experiência diferente da Giovana. Eu tive também uma adolescência ré dessora. Não saia com os amigos, a roupa era controlada, maquiagem nem pensar, salto alto depois de 16 anos e somente se soubesse andar, étc etc. Isso durou até a faculdade e quase até sair de casa. Briguei muito, mas aprendi a brigar pelas coisas que valem a pena. Algumas coisas foram puramente machiamos, mas eu não tenho nenhum trauma em relação a isso. É absolutamente compreensível considerando a geração e a criação dos meus pais. E também me fez questionar uma série de valores errados (na minha opinião) que várias das minhas amigas e colegas, que tinham muito mais liberdade, tinham. A tal liberdade tem que ser conquistada e não dada de mão beijada. O tal do "entitlement" (achar que temos direito ao que não trabalhamos para ganhar) é uma praga com os jovens de hoje (sei que estou generalizando, mas vejo isso demais). Ficam achando que podem ter tudo sem ter que fazer por onde. É também péssimo para o resto da vida. Esses são adultos muito desajustados. Bom, o que quero dizer com isso? Que embora isso seja uma fase e que talvez passe, ficar fazendo vontade de adolescente para que não sofra é um pouco de exagero. Eles precisam é de um choque de realidade. Razão pela qual eu penso muito em ter um fundo separado para, caso a minha filha precise, eu cato ela e levo para a África para ver o que é não ter nada e passar fome. Ou coloco ela para trabalhar com crianças batalhando câncer. As idéias aparecem....
Concordo que desprezar o tal sofrimento (eu falo tal porque no grande esquema da vida, esse sofrimento é muito pequeno...) não vai resolver, mas também ser totalmente compreensiva também não vai ajudar. Vale questionar, vale ouvir, vale até validar o sofrimento em si, mas as razões? Sei não... Vai ver que apesar de feminista eu sou antiquada...
Existe excesso de liberdade e escolha, assim como existe excesso de repressão e falta de escolha. Os dois são péssimos.

Rebeca disse...

Esse post me lembrou um pouco o filme (também tem a série) "10 things I hate about you" que a irmã mais velha é feminista e não tá nem aí pra opinião alheia e a mais nova que quer a todo custo ser popular e é super vaidosa. Seria legal fazer ela assistir esse filme, e outros, as vezes um filme paassa uma mensagem pra nossas vidas que a gente nem imagina.

Laetitia disse...

eu não li todos os comentários, mas vi que algumas pessoas estavam falando sobre livros... bom, a leitura sempre foi o meu caminho pra conquistar uma maneira autônoma de pensar! se a Susanita gostar de ler, creio que já seja meio caminho andado. claro que, na adolescência, no meio daquela coisa de querer ser aceito, até o meu gosto pela leitura foi visto como caretice e eu confesso que tentei sufocá-lo um pouco... mas, sem sucesso, ainda bem! se ela não gostar dos livros ou estiver nessa fase de conflitos com eles, estimule-a com leituras mais leves ou filmes, vídeos e músicas, que muitas vezes não são valorizados como "cultura letrada" mas nos ajudam muito tb.

um livro maravilhoso, que transforma qq uma em feminista (rs), e que é de fácil leitura é A Cor Púrpura, da Alice Walker. não é feito pra crianças, mas pq crianças não podem ler livros "de adultos"?

filmes, creio que a Lola deva ter citado vários ao longo dos anos de existência do blog, mas tem até desenhos com foco feminista, como Mulan ou o mais recente Persépolis. o Mulheres Perfeitas é uma comédia q chega a ser meio grosseirona, mas aborda esse tema da artificialidade, da aparência de uma forma bem direta a fácil de perceber.

música, desde Chico Buarque até um Born this Way da Lady Gaga têm conteúdo interessante.

eu acho q é por aí, direcionar a atenção da Susanita pra coisas além do que a TV, uma boa parte da internet e das colegas dizem. boa sorte! ;)

exit disse...

creio que algo que atrapalha muito o relacionamento de mães e filhas e entre irmãs é comparar uma filha com a outra. ou um filho com o outro.

o fato de ela querer fazer parte do concurso não tem nada a ver com a irmã que é feminista.

às vezes aquela que é feminista engoliu suas idéias sem nem mastigar e a que está te contrariando tem suas dúvidas, talvez não queira simplesmente ser igual a vc e a irmã e ao invés de pensar melhor,resolveu radicalizar,indo pro completo oposto.

já fui muito incentivada a por silicone por tias. as mais cruéis quiseram me fazer inveja porque a filha pos silicone (como se eu morresse de vontade de ter enormes seios de mentirinha). mas uma coisa que percebi é que meu maior medo por não ser beleza padrão é ser descartada pelos meus homens. mas se a gente pensar bem quem disse que essas beldades da tv não são descartadas também? tá cheio de siliconada e não vi promessa de felicidade nisso.
fora as tantas vezes que me vi obrigada a mudar meu estilo,meu modo de me arrumar pra agradar homens que não faziam nem metade por mim. nem se eu pedisse, nem se eu brigasse e fizesse um barraco! haha

se isso tudo é pela idéia de príncipe encantado sentado num cavalo branco, creio que o único jeito de encontrá-lo é procurar nos lugares certos.

e é só uma fase mesmo. aprendi muito mais quebrando a cara moderadamente do que deixando de viver. eu sou a favor da experiência de vida, desde que feita com cuidado. deixaria minha filha participar, desde que ela comesse alimentos saudáveis que mantenham a imunidade dela lá no alto e dêem energia pro tanto de esportes que ela quer fazer. silicone, só quando vc tiver seu próprio dinheiro. é um modo de incentivá-la a ser mais independente! ela pode se maquiar todo dia se quiser,depois dos 18,mas que aprenda a pagar as próprias contas também.

gostei da idéia de pedir a ela que leia um livro ou de cobrar dos diretores e professores explicações sobre esses concursos! se os pais não cobram e não reclamam, a coisa não muda.

Ághata disse...

Concordo com Aoi Ito, sendo que eu acho que algumas coisas devem ser proibidas mesmo, principalmente quando a criança e adolescente estão num estado de muita ansiedade e sem conseguir exercer a tal escolha.

Por mais desgosto que me causasse, eu não proibiria uma filha ou filho de entrar num concurso de beleza, desde que ela(e) estivesse bem, feliz, ansioso pro desfile e talz... Mas nessa de ficar sem comer, querendo perder peso a qualquer custo e já pensando em colocar silicone... Se a espera pelo concurso tá assim, quero ver depois do concurso e do resultado.

Acredito que a liberdade de escolha deve ser dada entre as opções saudáveis e de acordo com a formação e personalidade da criança/adolescente.

Eu não soltaria uma criança num restaurante self service pra ela comer qualquer coisa que ela escolhesse ("Batata frita não."), da mesma forma que não deixaria um adolescente consumir o que bem entendesse ("Anabolizantes e remédios para emagrecer estão Fora de Questão").

Tem certas escolhas cujas consequências nos acompanham durante anos e interferem em oportunidades futuras, por isso, as escolhas devem ser dadas de acordo com a maturidade e fase de cada um.

Não se trata nem apenas de restrições, mas de oferecer oportunidades que os próprios jovens não cogitaram ainda.

Aoi Ito disse...

Aliás, eu tenho 18 anos, e por mais que eu tenha uma aparência extremamente contra-gênero, essa coisa de aparência também me pegou.

Eu tenho muita dificuldade para engordar. No mínimo tenho 45kg e no máximo, 50kg. Tenho 1,65m de altura. E já cheguei a épocas que eu olhava a balança com ENORMES 48kg e eu ficava tipo "aaaaah, vou ficar gorda, vou comer menos". Problema é que, além de eu já ser magra, eu como muito mal, muito pouco. E aí eu às vezes passava o dia todo com dois salgados forrando o estômago, o dia todo, morrendo todo o momento, mas sem querer comer porque né.

(Aí eu comecei a me aceitar depois de umas coisas e estou tentando parar com o desespero ao ver 49kg ou 50kg na balança)

É difícil, mas a gente consegue.

Aline Costa disse...

FILHOS - KHALIL GIBRAN

"Vossos filhos não são vossos filhos.
São filhos da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E, embora vivam convosco, a vós não pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
Pois eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã, que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis faze-los como vós,
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
Vós sois o arco dos quais vossos filhos, quais setas vivas, são arremessados. O Arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com Sua força para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do Arqueiro seja vossa alegria:
Pois assim como Ele ama a flecha que voa, ama também o arco, que permanece estável".

Ramon Duarte disse...

Compreendo o desespero desta mãe ao se ver nesta situação inesperada, mas a sensação de impotência é uma impressão falsa.

Converse* com sua filha e proponha** um acordo que permita a menina conhecer melhor o ambiente em que ela vive, como exercer trabalho voluntário num orfanato ou num hospital público, por exemplo. O choque de realidade provavelmente será suficiente para fazer com que seu cérebro ative o pensamento abstrato - ramo cognitivo que permite que a pessoa ponha-se no lugar das outras -, que ainda está em desenvolvimento aos 15 anos de idade.

Lembre-se de que a personalidade da menina ainda está em formação, portanto evite todos os julgamentos possíveis e mantenha a mente aberta.

Desejo-lhe paciência, pois o instinto maternal natural das mulheres, seu conhecimento adquirido e sua boa vontade serão devidamente eficazes no momento correto.

OBS:

*Conversar é um processo bilateral. Quem conversa precisa falar e ouvir. Conversar não é dar "sermão", não é impor, não é julgar.

**Propor algo deixa à contraparte o direito de aceitar ou recusar a oferta. Propor não é impor, é convencer o interlocutor das vantagens e da importância do acordo.

Caroline disse...

Tenho horror a essas mini-misses porque me parece mais uma imposição de certas mães que não tiveram boneca na infância do que vontade da criança. Agora, uma coisa que tenho notado Lola (tipo, adoro e concordo com a maioria dos seus textos) é que o feminismo ainda tem esse embate tolo beleza x inteligência. Acho que não é bem por ai, essa forma de pensar é muito limitada. Se a mocinha em questão tem vaidade, não acho certo recrimina-la por isso. A questão é: por que ela quer se vestir bem/ se maquiar?Só para a agradar aos outros ou para se sentir bem consigo mesma? Não acho que seja uma imposição sobre as mulheres, beleza é algo que tanto machos quanto fêmeas procuram, é natural, o belo sempre nos atraiu. Só não pode transformar isso no objetivo de vida e achar que não precisa mais estudar, trabalhar e basta ser um rostinho bonito e nada mais. Somos mulheres do século XXI, podemos perfeitamente cuidar da nossa aparência, da nossa saúde (inclusive, sempre em primeiro lugar)e dos nossos trabalhos intelectuais.
Um conselho para a mãe é não bater de frente com a filha (adolescentes ficam mais fechados quando se tem esse tipo de atitude). Chama ela pra conversar, diz que maquiagem não é um problema se não for exagerada (alguns produtos até cuidam da pele). Que se vestir bem não significa gastar 2 milhões numa roupa de grife, mas manter a elegância e o bom gosto com peças atemporais e que combinem com a personalidade dela (não com a personalidade das amigas siliconadas). Quanto aos exercícios, diga que a prioridade sempre tem que ser a saúde, os benefícios estéticos são consequências secundárias. Um beijo!

Vinicius Barnabé disse...

Deixe sua filha seguir o rumo que quiser.^^

Juliana Leodoro disse...

Dora,

Vejo duas ações que podem ajudar:

1. Mudar de escola para ontem, mas não para qualquer escola. Uma escola onde a solidariedade seja maior que a competição, provavelmente uma escola waldorf ou montessori. Minha filha ainda é pequena, mas já noto as diferenças: os vizinhos que estudam em escola tradicional separam as brincadeiras e o convívio por gênero e idade, fazem disputas de quem tem mais brinquedos, quem pode mais, etc, e os colegas de escola da minha pitoca são habituados a conviver juntos (diferentes faixas etárias), a se ajudar, a fazer qualquer tipo de tarefa independente do gênero, não são consumistas, têm menos contato com a mídia. E os que já estão no ensino médio, que vieram de outra escola, notam a ausência de bullying, o companheirismo... Acho que isso seria bom para ela.

2. Investir em terapia. Um psicólogo ajudaria demais nessa fase. Mas aborde o tema com cuidado, não a colocando como a errada. /todo adolescente devia ter direito a terapia, ao auto-conhecimento, a uma opção para lidar com o estresse.

Assim, sua filhinha pode continuar gostando de se arrumar, mas conhecendo outra realidade, saindo de um meio onde isso é hiper-valorizado para então ser valorizada pelo ser humano que é. Sei que a família certamente a valoriza assim, mas ela teria a aprovação de seus pares, de outros adolescentes, o que para ela conta muito agora.

Outra coisa, eu denunciaria essa escola, seja na Secretaria de Educação ou no Ministério Público. Incentivar cirurgias plásticas fere o direito a saúde (física e psicológica) previsto no ECA. Entre outras coisas.

Abraços

Janaina disse...

olha dora, a menina deve estar sofrendo, ele não se ve bonitao suficiente, magra o suficiente,...
acho que seria caso de fgazer terapia, pra ela tentar enxerrgar.
mas na adolescencia a gente testa os valores dos pais, depois rewafirma ou nega o que não nos serve, mas no caso dela tá além do limite, tá fazendo mal pra saude dela.

Débora. disse...

uai, e a liberdade da menina em querer ser miss?

o negócio é alertá-la quanto aos riscos à sua saúde, pra que ela não caia na besteira de passar fome ou algo do tipo. de resto, cada um segue seu caminho. não é essa a tal da liberdade?

ana_alice disse...

sim, claro, mas q bem faz a ela querer se adequar a um padrão q ela nunca vai atingir? não são estranhas reprimindo uma mulher adulta, é uma mãe querendo o melhor pra saúde mental da filha adolescente.

Débora. disse...

sei lá. uma mãe deve conversar com a sua filha sempre, e cuidar da sua saúde mental, mas não é como se ela tivesse que se matar de tristeza porque a filha dela quer ser miss. não precisa incentivar, mas não precisa demonizar. quando eu era criança já quis ser até contorcionista. a idéia naturalmente saiu da minha cabeça.

é como eu disse, o negócio é proteger a saúde da menina. de resto, ela tem direito às suas próprias idéias. reitero: não é essa a tal da liberdade?

denise disse...

Fiquei pensando na questão do "pior pesadelo" e eu também tenho um pior pesadelo. Comentei num post anterior que a gente tem o direito de fazer o que quer com o próprio corpo (pq pode ser nosso ÚNICO statement), o que se estente à minha opinião quanto ao corpo do outro: a gente não tem direito sobre o outro (seja de propriedade, estético, etc.).

Eu tenho porém um sobrinho que desde muito pequeno sempre gostou de armas e filmes violentos. E não por influência de ninguém (fora a INDÚSTRIA CINEMATOGRÁFICA BÉLICA, né? hehe), mas como uma vontade de guerrear. O meu pior pesadelo? É esse. Eu, que acho uma covardia qualquer luta que não seja entre iguais e de mão na mão, já me peguei pensando em cenários futuros (ele tem 13 anos hoje) em que ele vai, orgulhoso, me dizer que está nas forças armadas, ou na polícia... E nessas encenações futuras eu penso que o melhor que posso fazer é orientá-lo a não ser CRUEL com os outros para que não sejam com ele também.
Mais ou menos o que se imagina da "cena" de você saindo do armário (eu sou uma sainte-do-armáriossexual, digamos) e as pessoas que se importam contigo contendo o - natural - drama sobre sua forma de vida...

Não é fácil, mas se eu o amo, o máximo que posso fazer é apoiá-lo para protagonizar o meu pior pesadelo.

Guilherme Rambo disse...

@Denise Não se preocupe muito com isso, apenas oriente ele e explique que isso é coisa de filme, que é tudo 'de mentirinha', etc. Eu sempre gostei de filmes e jogos violentos desde pequeno mas sou completamente contra qualquer violência, mesmo que seja "entre iguais e de mão na mão".

Lia Vainer Schucman disse...

Lola, pensei muito na Miss ontem. Até escrevi sobre... queria muito sua opinião http://lianotrampolim.blogspot.com/2011/09/o-concurso-de-miss-torcida-por-angola-e.html

Libu disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Libu disse...

Que absurdo um concurso de beleza na escola!!!!!!!! Que lixo de escola é essa, tira JÁ!!! Recomendo a Escola Waldorf Rudolf Steiner, se for de São Paulo. Puta que pariu, fico PUTA com essas coisas...

MARis disse...

kkakskuasuksauk
Então você provavelmente gostaria de ser minha mãe.
Só fui me interessar por moda ano passado (e mesmo assim, estilos fora do mainstream), era uma criança feminista que detestava a Barbie (Consegue imaginar?)
O problema aqui de casa era eu não sendo mulherzinha ou me acabando em cabelo, roupa e maquiagem, mas a cobrança não foi suficiente pra eu me encanar.
E não creio que a Dora tenha errado.

Anônimo disse...

Eu trocaria ela de escola,usaria a desculpa da outra formando. Tb procuraria um intercâmbio na Europa, as vezes até Estados Unidos para que ela saísse do Brasil, o país das aparências. Engajaria as meninas em um projeto social com crianças ou adolescentes que não tem quase nada, para ela sair do mundinho cor de rosa dela.

Acho que uma aproximação é necessária, Talvez ela se arrume tanto para compensar o pouco que vc se arruma. Talvez sua aparência seja motivo de vergonha, e ela queira mostrar que é diferente de vc para os amigos. Eu me senti assim pela minha mãe, tinha vergonha das roupas e cabelos dela e fazia exatamente o contrário. Espero ter ajudado.

Anônimo disse...

eu sou adolecente e eu ja participei de um comcurso assim, ele exigem maquiagem boa forma só mas ela ta inventando coisa eu ganhei mas sem colocar silicone e etc... eu acho que corta algumas coisas e deixa ela so passar maquiagem fraca fico feliz em ajudar bjocas

Anônimo disse...

A Dora deveria fazer alguns questionamentos, do tipo se ela enxerga a filha, além de uma mulher que devia pensar de forma feminista? Porque, pelo que percebi, o problema está mais na mãe do que na filha. E isto está afetando o seu próprio orgulho, que pode estar escondido ou disfarçado de mãe preocupada. Em vez de recriminar - o que, pra mim, parece estar afastando mais as duas - ir conversar com a menina, para saber como está sendo pra ela viver essa fase da vida dela e ouvir o que ela tem a dizer. Ela parece não escutar o que a mãe diz, porque pode não haver uma relação de confiança entre as duas e deve ficar aquela frase conhecida de "mais um papo feminista chato". Uma terapia iria ajudar muito a ambas, porque a menina deve sofrer de baixa autoestima e a mãe pode encarar isto, como um enfrentamento de seus próprios fantasmas interiores.