segunda-feira, 30 de agosto de 2010

EU FAÇO O MEU MUNDO

Eu acho, sim, que a gente culpa o governo (qualquer governo, de qualquer partido, e tanto o federal, estadual ou municipal) por qualquer coisinha. E, se a gente parar pra pensar bem, o impacto do governo em nossas vidas não é tão enorme (pelo menos pra classe média, que tem plano de saúde e escola particular, e, às vezes, até segurança privada). Tem um monte de coisa que depende de nós, ou do nosso bom exemplo, pra ser implantada. O exemplo mais óbvio que eu vejo é o trânsito. Quem faz o trânsito somos nós. Carros e estradas são apenas acessórios. Quem causa acidentes, quem não respeita faixa de pedestres, quem corre mais do que devia, quem dá fechada, quem estaciona em vaga de idoso ou deficiente ou em cima da calçada, é o motorista. Se o trânsito é caótico (e é, na maior parte das metrópoles), não adianta culpar o governo. E o mais incrível: culpamos o governo por nos multar nas infrações que cometemos. Não quer multa? Respeite as leis!
Não é difícil, basta seguir algumas regrinhas básicas. Não jogar lixo na rua. Recolher o cocô do cachorro. Cuidar bem do seu bichinho de estimação, nunca abandoná-lo e, se você for o feliz dono de um gato, castrá-lo. Ser simpático e sorridente (e isso vale pros nossos relacionamentos cybernéticos também. Pra quê ser estúpido?). Plantar árvores, e espalhar o verde o máximo possível. Nunca escutar música num volume que as outras pessoas possam escutar (quer ficar surdo? Use fone de ouvido! Poupe os outros). Não gritar. Não buzinar, a menos que seja estritamente necessário. Poluição sonora é uma causa de mal-estar tão grande quanto poluição visual. Não furar fila. Evitar julgar. Evitar fofocas maldosas. As pessoas gostam mais de quem as faz sentir bem. Dar espaço. Não transformar tudo numa disputa territorial. Reciclar. Economizar água. Colocar-se no lugar do outro.
Vamos imaginar uma rua arborizada, limpa, bonita, tranquila, onde todos os moradores são simpáticos e solidários uns com os outros. Uma simples rua, um pedacinho de uma vizinhança. Quem não gostaria de viver numa rua assim? Agora vamos estender essa rua, transformá-la numa cidade, num país, e pensar no mundo que queremos. Queremos um mundo melhor? Começa pela gente.

37 comentários:

Jujumeo disse...

De certa forma eu concordo tanto com tudo isso que acho que quem culpa o governo é ignorante. A culpa do governo ser corrupto é do povo. Acho que a corrupção vem de baixo pra cima.

Minha humilde opinião.

Mas no quesito transito acho que erramos muito, mas aqui em SP uma das causas do transito ser horrível é o sitema de transporte público que praticamente obriga a qualquer um ter uma moto (menor renda) ou carro. A Compania de engenharia de tráfico (CET) é muito pequena perto do trânsito que possuimos, e isso faz com que o trânsito piore bastante.

No mais acho mesmo que são as pessoas que formam uma civilização e não o contrário. Por mais óbvio que possa ser.

post bacana.

cronicasurbanas disse...

Lola,
é a tal 'golden rule', né? Não faça com os outros o que você não quer que façam com você. E, por tabela, faça pelos os outros aquilo que quer que façam por você. Só isso já ajudaria um monte.

No trânsito, concordo com Jujumeo. Claro que a culpa não é SÓ do governo, e muitos problemas poderiam ser resolvidos com bom senso e respeito. Mas, né? Tranasporte público amplo e eficiente, estradas em boas condições, sinalização eficaz, isso tudo é mesmo com o poder público. Para isso existem os impostos. Mas concordo que um bocado do caos urbano poderia ser evitado, ou pelo menos minimizado, com um cadinho mais de civilidade...
Mônica

João disse...

Lola, um brevíssimo comentário para parabenizar você pelo conteúdo do texto de hoje. Pena que quem mais precisa não lê muito, especialmente textos informativos ou que despertam para a cidadania.

Pri Sganzerla disse...

Numa sociedade de valores tão distorcidos e educação entendida apenas como transmissão de conteúdos formais, não é raro encontrar quem prefira culpar o governo, o "outro", o "vizinho".

Pois muito mais difícil é assumir a parte que nos cabe e começar a mudança pelos nossos próprios comportamentos e atitudes. Saindo do comodismo, da vitimização e entendendo que a corresponsabilidade é inevitável.

Ótimo texto, Lola! Que muitas pessoas o leiam e que todos nós o coloquemos em prática no nosso dia-a-dia.

Anônimo disse...

lola, voce tah coberta de razao. tem razao pendurada nos seus cabelos. mas essa de que a culpa dos acidentes eh soh do motorista eh soh parte da verdade. tem motorista que morre porque caiu num buraco e perdeu a direçao. ou que, por causa de um outro buraco maldito, teve o pneu estourado e... pimba. ja era. estrada mal cuidada causa morte. e estrada eh obrigacao do governo.

Anônimo disse...

opa!

ass. luciana pereira

lola aronovich disse...

Pessoal que tá tentando encontrar culpados no trânsito pra não fazer autocrítica: a enorme maioria dos acidentes (ainda mais nas cidades) é causada por imprudência do motorista, não por buracos ou falha do carro. Sem falar que as maiores vítimas de acidentes automobilísticos são os PEDESTRES, não os motoristas ou passageiros. E claro que pedestres tb fazem muita coisa errada. A diferença é que eles pagam com a vida, enquanto motorista infrator paga, se muito, com o bolso.
Gente, brasileiro tem um dos piores comportamentos no trânsito no mundo. Qualquer um que já viajou pra país rico (e pode incluir aí o Uuruguai tb) nota a diferença. Aquele negócio de que, na Europa, basta o pedestre colocar o pé na faixa pro carro parar. Aqui a única cidade que faz isso, pelo que me contaram, é Brasília. E isso depois de uma campanha intensa, com multas pesadas (que eu acho que deveria ser espalhada pra todo o Brasil). O sistema público é muito ruim e há carros demais, sem dúvida. Mas não venham me dizer que não dá pra humanizar o trânsito que temos. É possível fazer isso com pequenos gestos - respeitar faixa de pedestre, não correr, não estacionar na calçada, só buzinar quando estritamente necessário, não escutar som alto, dar passagem pra outro carro, fazer "car pooling" como colegas que vão pro mesmo lugar, etc etc. Um tiquinho de gentileza faz toda a diferença.

Bruno Stern disse...

Essa história me lembra de uma época em que ficou muito popular umadesivo de carro escrito "visite Niterói e ganhe uma multa".

Encontrar carros com esse adesivo estacionadas nas calçadas e em outros locais proibidos era pule de dez.

Laurinha (Mulher modernex) disse...

Bem legal o post!
Essa frase então resume o que acho que mais falta hoje em dia:Colocar-se no lugar do outro.
Muitas pessoas parecem não ter empatia nenhuma umas com as outras. Daí tanta intolerância, preconceito, violência, indiferença com o sofrimento alheio.

Anônimo disse...

Concordo em parte, pois o governo estimula que todos tenham/comprem carro(para gerar empregos e impostos). Se priorizasse o transporte público, como já falado aqui, eficiente, com certeza não teríamos este trânsito caótico. Moro em Fortaleza e faço de tudo pra não sair de casa, porque no quesito trânsito a cidade está à beira de um colapso. Acho que o governo tem grande responsabilidade sim, pois se as ruas fossem mais seguras, não teríamos medo de usar bicleta ou ir à pé aos lugares.

somnia disse...

Lolissima,

a Camiletes me falou do seu post de hoje e ai vim conferir rapidinnnn rapidinnn.

nao tenho tido muito tempo para acompanhar voce e os blogs amigos. nao tenho lido os posts sobre a eleicao etc, entao esse e um comentario bem para este post mesmo.

Eu concordo inteiramente com voce que nos brasileiros achamos que o governo e culpado de tudo. nao to falando do governo atual, to falando de todos os tempos.

Nos nos acostumamos sim a achar que se o onibus nao passa no horario certo a culpa e do governo! ouco isso desde que sou adolescente e trabalho fora.

Nos sempre achamos que dizer que o governo e uma merda e uma forma de dizer que somos politizados e de esquerda, mesmo quando somos de direita, mesmo quando o governo e de esquerda!

nessas poucas semanas de volta o que mais me entristece e ver como todos os dias, todo canto por onde vou ha gente e mais gente agindo sem responsabilidade nenhuma!

e como se o que eu faco aqui nao tivesse consequencia nenhuma ali adiante... e entao age-se como se nos pudessemos de tudo porque o culpado mesmo daquilo e o governo, foi o governo anterior ou sera o futuro...

e isso e pessimo porque, como voce disse, nao assumimos a culpa!

acho sim que nos brasileiros nao separamos o que e culpa e responsabilidade de um governo e o que e nossa, embora, claro, eu saiba que se o dinheiro nao e bem empregado, se obras e promessas nao sao cumpridas isso vai nos levar para muitos e muitos problemas...

talvez a gente tenha aquela sindrome da pessoa que comeca a fazer terapia e vai descobrindo o papel que a educacao dos pais teve sobre ela... e entao comeca a se lamentar, a culpar os pais, a se desculpar por agir assim e assado e ai nunca mudar de comportamento.

como sociedade acho que nao somos crescidos e ainda e preciso muito para que aprendamos a assumir a parte que nos toca...

beijos enormes, somnia

Ághata disse...

Foi você falar em trânsito, Lola, que eu lembrei de uma reportagem aí que afirmava que o povo brasileiro ganhou o 2º lugar no ranking de estresse (só perdeu para o Japão!!!).

Eu tô chocada com esta notícia até agora. Sou uma pilha de estresse, correria e mau humor, mas não achava que tivesse tanta gente na minha sitação (quer dizer, pelo menos aqui no Brasil).

Victor disse...

Concordo plenamente, Lola, e faço isso diariamente - me coloco no lugar das outras pessoas. E acho que essa é a principal diferença entre mim e os meus amigos de direita.

Luna disse...

Tem uma cidade em algum país da Europa [esqueci qual] que as ruas são estreitas e não há semáforos, só placas indicando distâncias e coisas do tipo.

E ninguém sofre acidentes, simplesmente porque há respeito. A falta de sinalização, em vez de servir como desculpa, faz com as pessoas andem mais atentas e respeitem as leis. Achei muito legal, mas não sei se dá pra aplicar nas grandes cidades brasileiras =/

Ronaud disse...

Que mensagem bonita, Lola! Perfeito!

Insana disse...

O mundo assim fica ainda melhor.


bjs
Insana

Nefelibata disse...

Trânsito dá um post inteiro sozinho, Lola.

No da capital de SP, pelo menos, sou ferrenho crítico de automóveis e não engulo fácil desculpa de motorista não. A cidade é feita para eles, e depois, o que sobra, tenta-se dividir para as pessoas.

Só se é cidadão em São Paulo com o pré-requisito do carro. Os carros andam na rua, e os pedestres na calçadas, dizem. Mas faixas de pedestres nem sempre são sinalizadas e nem sempre há semáforos, e quando os motoristas veem um pedestre na iminência de atravessar, aceleram para fazê-lo desistir de passar antes dele. As calçadas são todas irregulares, todas com desníveis, porque é mais importante fazer uma ladeira para o carro entrar na garagem do que um plano confortável e principalmente seguro de se caminhar sobre.

Mas tem algo que não aceito como argumento aqui em SP. Essa história velha de que "somos obrigados a usar carro porque o sistema público de transporte é ruim". Isso pra mim não chega a ser totalmente mentira, mas as pessoas em geral usam isso como desculpa mesmo, porque gostam é de carro, cultuam de verdade essa máquina do mal. Uso transporte público aqui há mais de dez anos e notei (principalmente durante o governo da Marta na prefeitura) que os ônibus melhoraram bastante tanto em tamanho da frota quanto no conforto e na segurança. Metrô vem sendo expandido a passos de tartaruga, mas os que estão disponíveis são no geral (no geral, no geral...) muito bons. Ou seja, não é bem por aí. Cansei de ver essa gente sem resposta quando eu perguntava "ok, qual ônibus ou metrô você pega pra ir ao trabalho/passear pra tal lugar?".

E mais; historicamente, não houve prioridade para transporte público justamente porque a adoração paulistana por carros era chamariz eleitoral. Ou acham que Minhocão de Maluf, marginais, Rodoanel e agora a maldita ponta estaiada são coincidência? Um dos principais eixos de qualquer campanha à prefeitura de SP sempre passou por "abrir pistas, fazer viadutos, pontes", etc.

Anunciação disse...

Tem toda a razão.Quando saio com meus filhos de carro,fico observando e eles também,esses pormenores de falta de educação,de civilidade.Comportamentos transgressores,que se evitados,melhorariam bastante a convivência,o fluxo e a própria vida de todos.

Dáfni disse...

Concordo plenamente com vc Lola. A coisa tem que começar por nós. Eu sempre me lembro, nestas horas, da coleta seletiva de lixo, que depende muito da cooperação da população. E todo o resto que mencionou também.

Beijos e parabéns pelo post!

Ana Fiori disse...
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Ana Fiori disse...

Acerca do trânsito, que mobilizou boa parte dos comentários, temos que considerar algumas coisas.

Temos um transporte público ineficiente em sp, isso é fato. Faltam carros nas linhas, faltam linhas, falta um planejamento que faça com que as linhas existentes não convirjam todas pelos mesmos eixos de escoamento, muitas vezes de forma desnecessária, faltam corredores de ônibus. E, principalmente, falta um planejamento holístico que torne o sistema de transporte público existente mais estável e mais apto a lidar com "contingências" como acidentes, alagamentos, shows, passeatas e feriados.

Ao mesmo tempo temos um governo que proporcionou um aumento no poder aquisitivo médio do brasileiro, facilidades de crédito, etc. somado a estímulos de diversas ordens para a aquisição de carros. Uma parte disso se relaciona à proximidade de Lula com os sindicatos do ABC, embora certamente não se resuma a isso. Já nos primórdios do pró-alcool o carro próprio era um projeto de ascensão social. Isto está mais viável agora.

Agora, junto a esse monte de veículos particulares na rua, temos uma massa de gente que trabalha no trânsito. Motoboys e caminhoneiros que são constantemente demonizados. O que não se leva em conta é que são profissões vulneráveis, seja pela dificuldade de organização em categoria (caso dos motoboys), seja em função das condições precárias de trabalho e da pouca fiscalização. Se o tempo é mercadoria e condição sine que non de trabalho, não dá para simplesmente culpar esses motoristas por burlar a lei, sem criar condições para que as coisas sejam feitas de outra maneira.

Outra coisa que tem implicações graves é a falta de planejamento urbanístico, que transforma setores das cidades em bairros dormitórios, nega o acesso a serviços básicos e promove a violaçao de diversos quesitos dos direitos à cidade. Soma-se a isso a falta de manutenção e de sinalização e você tem cidades que não comportam os meios de transporte que tem e que obrigam a população a comportamentos de risco e estresses.

Lembrar as pessoas a respeitarem os códigos que regulam o deslocamento sempre tem a sua função, mas atinge uma parcela pequena da população e talvez desloque a atenção do que é realmente grave, que é a (falta de) política pública.

Ana disse...
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Ana disse...
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Ana disse...
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Anônimo disse...
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Hugo disse...

Em primeiro lugar... Ué, 'Anônimo', os jovens de hoje eram crianças no governo de FHC... Os adultos de hoje eram jovens na Ditadura e nos governos Collor e Sarney... Educação é investimento a longo prazo. Era pra educação de doze anos de educação de direita estar começando a fazer efeito, não acha? E isso desconsiderando que a educação de base não é, em sua maioria, responsabilidade ESTADUAL e MUNICIPAL. Fora as crianças de escola particular, que TAMBÈM NÃO LEVANTAM PRA DAR LUGAR A IDOSOS nos ônibus ou metrôs.

Se a educação do governo de direita fosse tão boa quanto você diz, não teria formado os brasileiros tão mal a ponto de elegerem DUAS VEZES um presidente de esquerda (já que, na sua opinião, isso é um tiro no pé). Aliás, as pesquisas sugerem que farão isso pela TERCEIRA VEZ. CONSECUTIVA.

Sobre a diferença que a educação e o respeito à lei fazem... Aqui no Rio de Janeiro a Avenida Rio Branco, no centro da cidade, é varrida de cabo a rabo SEIS vezes por dia. Bota aí que são mais de um quilômetro e meio de rua. E, a qualquer hora do dia ou da noite, as calçadas estão sempre IMUNDAS.

Depois, quando tem uma enchente aqui na cidade, ninguém sabe porquê.

Leticiabon disse...

Lola, gostei do seu post. Principalmente a parte das multas. Não sou simpática, então eu detesto mesmo esse povo que diz que o governo multa para roubar dinheiro. Nossa!!! Será que um dia meu carro vai ficar parado na minha garagem e vai chegar uma foto dele provando que eu passei no sinal vermelho? Sim, eu tenho várias multas, mas tenho também consciência que eu fiz errado e não ao contrário. Agora, quando aos engarrafamentos, pelo menos aqui em Brasília ou Distrito Federal, não chegamos ao ponto de São Paulo, mas aqui é tudo muito concentrado, todas as pessoas DF e Entorno (GO ou quem sabe MG) trabalham em Brasília. Não tem vagas, tem que sair super cedo para não pegar engarrafamento. Eu ainda dei sorte porque trabalho no contra-fluxo (é assim que se escreve?). O que está melhorando é a construção de mais pistas, mas mesmo assim o metrô fica só de um lado (o sul?), quem mora do outro lado, nem ônibus direito tem, e o transporte "alternativo" foi banido pelo Arruda. Sei lá. Estou reclamando demais, mas pelo menos no trânsito, acho que não é tão fácil assim não...Beijos. Tô te devendo algo.

Hugo disse...

Puxa, Lola... Você removeu o comentário do Anônimo, minha resposta perdeu o sentido... Mas fica o comentário sobre a falta de educação aqui no Rio. Acho, inclusive, muito engraçado que a religião mais numerosa aqui no Brasil seja justamente a que prega como principal mandamento 'amai-vos uns aos outros como eu vos amei'. E, mesmo assim, ninguém pratica essa regrinha, tão simples, mas tão nobre e grandiosa. Porque será?

Roberta disse...

^ Oliveira

Koppe disse...

Lola, na cidade de Gramado, na serra gaúcha, também acontece isso de pararem quando alguém coloca o pé pra atravessar a rua. Mas Gramado é uma exceção em inúmeras coisas, principalmente por ser cidade turística.

Excelente post. Não sou muito de ficar criticando classe média porque não faço parte dessa classe e poderia estar sendo preconceituoso, mas uma das coisas que eu acho ridículas e que posso falar porque afetam todo mundo é essa priorização total aos carros e ao trânsito. Outra coisa é sempre reclamarem das multas, criaram até a expressão "indústria da multa" pra criticar as autoridades que cuidam do trânsito, como se fosse um direito deles passar aquele sinalzinho vermelho de vez em quando, ou estacionar em fila dupla na hora de buscar as crianças na escola.

Quanto ao barulho incomodando vizinhos, aqui na vila ninguém ousa fazer isso. Só na minha quadra já teve um bailão apedrejado, uma terreira de candomblé ameaçada de levar pedras e uma igreja evangélica xingada pelas caixas de som e "ovada" por vizinhos. Sei que são atos agressivos e pouco civilizados, mas ninguém pode negar que são eficientes - a única coisa que não conseguimos nos livrar são os carros que passam tocando funk a todo volume, às vezes de madrugada. Ah, e esses carros de som de campanha política, que com certeza não levam ninguém a votar num monte de m* que paga um carro de som pra ficar berrando propaganda às 7 da manhã num domingo...

lola aronovich disse...

Ah, desculpa, Hugo. Apaguei o comentário do anônimo (que exalava um cheirinho de Oliveira, como no desodorante Oliveira - é para trolls) pq assim, quem sabe, o sujeito se cansa e vai embora. Troll quer holofote, a gente sabe. O cara vem e me chama de mentirosa compulsiva (sendo que não minto nunca, nem sei mentir), e ainda diz que eu o estou deixando irritado. Tá irritadinho, meu bem? Vai pastar em outra freguesia! Até parece que alguém tá obrigando o idiota a vir aqui (onde não é bem-vindo) ser mal-educado!

joshua disse...

Acredito na necessidade de cada qual fazer a sua parte, mas é fundamental não deixar os Governos sem escrutínio, sem crivo, se marcação cerrada, em cima, homem a homem: a falta de escrutínio permite o mensalão e outro tipo de entorses imorais sobre os recursos públicos.

É ao serviço da Sociedade Civil que o Estado se encontra e cabe à Sociedade Civil sancionar os abusos e exorbitâncias do Estado sempre que a ignora.

Mais Péricles. Menos Niccolò di Bernardo dei Machiavelli.

aiaiai disse...

concordo muito...e tem mais: a questão do transito pesado nas grandes cidades não é culpa só dos diversos governos que não investem no transporte público. É culpa principalmente da sociedade - da classe média sobretudo porque tem mais voz - que acha que utilizar transporte público é coisa pra pobre, portanto sempre vai ser ruim.

Essa gente não enxerga que em outros paises - aqueles mesmos que elas acham o suprasumo da qualidade (europa e eua) o transporte público funciona muito bem porque os cidadão exigem isso. As pessoas têm carros, mas não os usam para tudo porque podem confiar no metro, no onibus, no trem, nas barcas.

Qt a buzina, tem uma declaração incrível de um amigo meu da noruega. Depois de uma semana aqui na minha cidade (que nem é tão grande e nem tem transito tão pesado) ele me disse:

- Nessa semana eu ouvi mais buzina do que em toda a minha vida!

E o cara tinha 46 anos!!!!! kkkkkkkkkkk

Eu sempre ficava preocupada qd ele ia andar sozinho porque na noruega estão acostumados a andar como se os carros não existissem. O motorista do carro é que se preocupa com o pedestre, não o contrário. E sabe por que? Não é porque eles são seres superiores kkkkkkkk é porque se vc atropelar de leve um pedestre, vai pra cadeia e perde a sua licença de motorista para SEMPRE!

Se vc for pego dirigindo apos beber, além de pagar uma multa muito alta (quase dá para comprar um carro), perde a carteira por 3 anos!!!!!! e tem que tirar outra depois (o que também custa quase o valor de um carro).

Anônimo disse...

Você não mente NUNCA Lola?

E dizer que o Lula e a Dilma são o melhor para o Brasil, quando você sabe que é mentira, já que a sua única base pra acreditar nisso são as pesquisas de opinião que são feitas com as pessoas que estão no cabresto (bolsa-familia) do Lula, não é mentira?

Falar que ser gordo não faz mal a saúde, quando a única coisa que você quer é ser aceita do jeito que é; isso, alem de MENTIRA, é induzir as pessaos a morte. Gordura corporal é um problema grave de saúde pública.

Você não mente NUNCA? A mentira é seu modo de viver.

Oliveira

zewrok disse...

Lola, se a classe média precisa pagar plano de saúde, escola particular e segurança particular é pq o Estado falhou na saúde, educação e segurança pública. Ou seja, é culpa do Estado.

Liana disse...

Bom, é óbvio pra qq ser q pense um pouco q o governo não é culpado de tudo. Tb é óbvio q se queremos um mundo melhor, isso começa pela gente.

Mas pelo amor dos deuses, você tem mesmo a coragem de afirmar que “se a gente parar pra pensar bem, o impacto do governo em nossas vidas não é tão enorme (pelo menos pra classe média, que tem plano de saúde e escola particular, e, às vezes, até segurança privada)”??? Que tipo de ignorância sua é essa? É forçada ou fingida, dissimulada?. Você é bilionária pra afirmar q o impacto do governo em nossas vidas não é tão enorme?!?!? Pq assim, não tenho segurança privada – logo, a (in)segurança pública tem um grande impacto em minha vida, visto q nem andar sozinha a noite eu posso. Ah sim, e vc não deve pagar impostos né... pq eu trabalho 12 meses por ano e praticamente 5 destes meses são pagos em impostos, impostos estes q deveriam prover educação e saúde de qualidade, mas q eu pago duplamente – pois devo pagar os impostos e os planos e escolas particulares. De qual fantasia-filme-sonho vc tirou q o impacto do governo em nossas vidas não é tão enorme? Me fala, pq eu quero viver nessa realidade paralela q vc vive!

Carros e estradas são apenas acessórios? Vc já viajou de carro por essse país? Acessórios?!? Em q realidade paralela vc vive mesmo?!? É fato q o brasileiro em geral não tem senso de comunidade, de civilidade, do bem comum... e isso fica + patente se passamos um período morando fora onde isso exista. Mas dizer q estradas são acessórios?!? Aff... ou eu sou muito louca e tive alucinações todas as vezes em q viajei por esse país e dirigi + de mil km por aí, ou vc é uma pessoa q distorce q realidade horrores né... pq só distorcendo a realidade horrores alguém q já dirigiu país afora diria q estradas são acessórios.

Clara Gurgel disse...

Koppe, "indústria da multa" não "fabrica" multas quando "você passa naquele sinalzinho vermelho de vez em quando",e nem quando "você pára em fila dupla na frente da escola". Essas multas,para mim,são mais que necessárias e muito bem vindas.O "certo é o certo",não é? Também penso assim! O problema é que, a "indústria da multa","fabrica" multas indevidas,(principalmente em rodovias),com equipamentos inadequados e mal sinalizados,com o intuito não de educar o motorista, mas tão somente de puni-lo.Não sei se,sou classe média,classe média baixa ou classe pobre alta,mas que estou falando em causa própria, estou.Como já disse aqui, em outro post,já fui multada em Vinhedo, por excesso de velocidade, sem nunca ter ido lá. Requeri, mas meu pedido foi indeferido e tive que pagar a multa de 574,00.Esse é o meu prêmio por ser uma motorista correta? Esse é o meu prêmio por ser uma cidadã consciente de minhas responsabilidades sociais?