segunda-feira, 22 de março de 2010

UNIVERSIDADE PRIVADA NÃO É MELHOR QUE A PÚBLICA?

É isso aí... Capitalismo selvagem é isso aí!

Imagine a seguinte situação: uma universidade federal no Brasil demite seus professores com doutorado e passa a contratar apenas mestres, para economizar. Nas novas admissões, ao invés de realizar concursos, contrata um especialista, para poder pagar menos ainda. Tem mais uma situação cômica, se não fosse trágica: imagine um professor dessa universidade que, com grande esforço, estuda pra virar doutor. E assim que a universidade fica sabendo, o despede. Não seria um escândalo? Um claro sinal de que aquela instituição não leva o ensino a sério? De que a educação pública é um fracasso? Seria sim, eu acho. Felizmente, isso não acontece nas universidades públicas. Mas acontece nas particulares, direto. E o pessoal de direita fica quietinho, o que é contraditório. Afinal, esse pessoal prega que tudo que é público é ruim e e cheio de burocracia e não funciona, e que tudo que é particular é ótimo, porque pra se manter num mercado competitivo é preciso ser bom. Esse pessoal quer um Estado mínimo, que não interfira em nada com o mercado. Porque as empresas sabem se autofiscalizar, não é necessário uma regulamentação. Sei. E como explicam esse comportamento das faculdades privadas? E como ter universidades públicas de qualidade num Estado mínimo, que não invista no social?
Vamos tentar concor
dar em alguns pontos, é possível? Primeiro: é bom que o Brasil forme mais doutores? Se a gente achar que não, tudo bem. Melhor parar por aí. Canadá e Itália, países muito menores que o nosso, formam mais doutores que a gente. O Brasil vem formando dez mil por ano, e o governo investe uma grana federal nessa formação. A iniciativa privada não contribui em nada, enquanto o governo gasta milhões com bolsas. Na direita, existe um sentimento anti-acadêmico muito grande. Ela pensa que todo professor universitário é um comuna querendo doutrinar seus pobres alunos indefesos. Além do mais, a direita vê vários cursos de Humanas como áreas inúteis, que não agregam valor à sociedade. Importante é médico, engenheiro, administrador de empresas e advogado. O resto poderia sumir do mapa.
Uma vez formados, 70% de
sses doutores trabalham no meio acadêmico. Como a maioria das particulares não contrata doutores, podemos imaginar que eles vão parar nas universidades públicas. 11% acabam na administração pública, 8%, em pesquisa, e apenas um porcentual incerto na iniciativa privada. Mas repito a pergunta: é bom formar doutores? Ou tanto faz? Qual a diferença entre um doutor e um mestre?
O doutor, em
geral, é uma pessoa que ficou quatro anos a mais numa faculdade que um mestre. Dá pra ir direto da graduação pro doutorado, mas é raro. Além do mais, o doutor tem que desenvolver uma pesquisa inédita, que contribua na sua área de atuação (requisito que não é exigido para o mestre). Ele redigiu uma tese a mais que um mestre. Se isso o qualifica para dar aulas melhores que um mestre? Depende. Há gente que sabe muito e é péssima professora. Mas, de modo geral, sim. Senão, por que fazer doutorado? Vamos parar de oferecer cursos de doutorado e pronto. A pessoa vira mestre e esse é o ápice da sua vida acadêmica. Aliás, por que fazer o mestrado? Vamos parar na especialização. Entende o ridículo da coisa?
Não estou reclamando por mim, que sou doutora. Tive a sorte de fazer mestrado
e doutorado numa excelente universidade federal e de passar num concurso. Comecei a dar aulas numa federal, sonho de todo professor, ainda mais professor universitário. E foi tudo muito rápido pra mim: defendi o doutorado no final de junho, e no final de agosto fui aprovada no concurso. Não tive que experimentar a frustração de deixar meu currículo em inúmeras universidades particulares e ser ignorada, ou preterida por um professor só com graduação (bom, isso aconteceu numa ocasião). Mas tenho amigos que trabalhavam em particulares e foram demitidos.
A estatística diz que apenas 15% dos professores de particulares são doutores. Para melhorar esse índice (e fazer com que as
privadas parem de demitir seus doutores), o governo deveria intervir nas universidades particulares? Um projeto de lei que tramita no Senado diz que sim. O projeto obrigaria as particulares a compor seu corpo docente com 25% de doutores, 50% de mestres (ou doutores), e 40% de professores com dedicação exclusiva. O projeto, pasmem, leva a assinatura de Arthur Vigilio (PSDB), mas isso não impediu a fúria das particulares. Obviamente, o lobby das privadas diz que não, jamais, nunca, deus nos livre. O Di Gênio, dono do Objetivo (que lucra muito com cursinhos, que as federais querem abolir) e da Unip, não sai de Brasília. Conhece todo mundo. A ele não interessa que o governo institua uma lei que diga que as particulares devem manter 30% de doutores (não de mestres ou doutores) nos seus quadros. Um doutor recebe, em média, 10 reais a mais por hora que um mestre. As particulares não querem pagar isso. Então, o que elas fazem? Muitas contratam doutores até que a instituição receba aprovação do MEC. Assim que o curso é credenciado, os doutores são despedidos e substituídos por mestres (ou até especialistas, por que não?). Isso não parece muito honesto.
Um jornalista perguntou para a última presidente da UNE, Lúcia Stumpf: “Qual a relação mais difícil, com as reitorias das universidades públicas ou das privadas?”. Ela respondeu: “É na universidade privada onde estão os grandes inimigos da Educação. Os reitores das universidades privadas representam os tubarões do ensino. Oferecem um ensino sem qualidade para os estudantes e, na maioria das vezes, promovem desrespeito com o aumento abusivo das mensalidades e constrangimento a estudantes, impedidos de fazer provas ou de assistirem aula porque atrasaram um mês o pagamento. Além disso, muitos reitores proíbem o movimento estudantil dentro das universidades, muitas vezes trazendo a polícia para dento dos campi para tirar lideranças da UNE e de entidades estaduais que estão organizando o movimento”. Ah, mas é a UNE que diz isso! Um bando de comunas e estudantes profissionais!
O ministro da Educação no governo FHC, Paulo Renato Souza, disse à Veja do final de outubro que os sindicatos são um entrave para o bom ensino. Ele defende “mais objetividade e menos ideologia”. Que é idêntico ao que Veja e a dire
ita dizem sobre os professores em geral. Mas olha só que coisa: são os sindicatos os culpados pela má educação! Se deixassem os donos das privadas agirem sozinhos, sem interferência, tudo estaria melhor. Opa, acho que o ex-ministro não está falando que o ensino é ruim nas faculdades particulares. Ele deve estar se referindo ao ensino público!
Eu a-do-ro como a classe média que reclama das cotas, argumentando que elas vão fazer despencar o nível das universidades públicas (quando os estudos provam que alunos admitidos através de cotas têm um rendimento igual ou superior ao dos outros, além de haver menos desistências), raramente fala contra a qualidade das faculdades particulares (isso só vem à tona em momentos de escândalo, tipo minissaia na Uniban). Há inúmeras particulares do tipo “pagou, passou”. Há aquelas, inclusive, que oferecem mestrados. Elas formam mestres meia-boca que serão utilizados por outras faculdades meia-boca, formando alunos meia-boca. Mas isso tudo bem, porque o deus mercado pode tud
o. Ué? Mas, pela ótica neoliberal, o Estado não deveria ser mínimo, e o mercado, máximo? Não é que o governo não serve pra nada e a gente pode deixar as empresas particulares andarem sozinhas, que elas só pensam no que é melhor pra gente? A educação brasileira é o melhor exemplo da ganância e da incompetência privadas. E de como precisamos do Estado.

50 comentários:

Anônimo disse...

Oi, Lola,

Parabéns pelo post. Concluí o meu mestrado em Linguística Aplicada em uma das melhores universidades públicas do Brasil no ano passado e desde então tenho enviado meu CV às faculdades particulares sem receber ao menos um: "Obrigado, recebemos seu currículo".
Para piorar, conversando com um amigo, vim a saber que as duas faculdades que mais figuram nas listas de "melhores" instituições privadas para se estudar (ambas em Campinas), registram apenas 20% dos professores e, só pagam 12 salários. Pasmei, e pensei: será que se as pessoas soubessem como as coisas acontecem nos bastidores (ou na sala dos professores) ainda se matriculariam nessas faculdades? Confesso que tive medo da resposta. Abraços.

Masegui disse...

Muito bom o texto!

Ps.: Quanto ao “passou, pagou”, acho que você queria dizer o inverso.

Isabela disse...

Lola, vc como sempre muito lúcida. Quando eu era mestre tive meu CV "usado" por uma universidade privada para ter o curso aprovado. Fui na reunião com o parecerista do Mec, defendi o programa da disciplina e depois disso nunca mais me ligaram, nenhuma satisfação. Soube que há bibliotecas itinerantes, que vão de campus em campus quando o Mec realiza a visita. O projeto do governo de inclusão, que dá bolsa de estudo em universidades privadas é vergonhoso. Pelo menos novas federais estão sendo abertas. Enfim, ótimo post: me sinto representada na figura que sonha em trabalhar no ensino público. Por favor, anuncie no blog os próximos concursos da UFPB...hehehe...

Isabela disse...

Ops... UFC!

Rosangela Oliveira disse...

Lola você está muito certa no que diz. Sou estudante de Jornalismo de uma Universidade particular em São Paulo, sou bolsista do ProUni, prova viva que o programa dá certo e que não admite incompetentes, pois tenho boas notas e desenvolvo bons trabalhos. Tenho sorte quanto aos professores, muitos são doutores e acima de tudo não nos passam o sistema robotizado do Jornalismo de hoje, sempre nos dão bons exemplos de como fazer bom Jornalismo com ética e inteligência, o que me dói é a falta de respeito que muitos alunos tem com os professores, se valendo do "eu pago seu salário", mandam e desmandam, falando alto e sendo agressivos em suas palavras, pior é que o professor está sempre de mãos atadas, pois nem colocar o aluno pra fora da sala ele pode.É Lolinha esse é o retrato triste da juventude brasileira de classe média, que não dá valor ao que recebe todos os dias.

Samantha disse...

Essa é a mais pura verdade. Aliás, porque as pesquisas de ponta são desenvolvidas nas universidades publicas? Acho que a dita ELITE não pensa nisso quando critica.

Eu fiz graduação e mestrado em uma universidade pública. Lembro, quando estava no primeiro ano e fazia a disciplina de Cálculo I, eu tinha muita dificuldade, era muito puxado, tive que estudar dobrado (derivadas e limites consumiam meu ser). Na mesma epoca, um amigo que era aluno de uma Uni particular da vida também fazia Calculo I e estava aprendendo... frações. JURO.

Se compararmos o currículo das disciplinas logo se vê a diferença. Um colega meu, que dá aulas em uma uni particular me mostrou uma monografia em que o aluno pegou um artigo de um site, traduziu do ingles para o portugues usando um tradutor online. Quando vi essa "coisa linda" sugeri q meu colega desse zero e fim de papo. Ele me disse: "infelizmente não posso fazer isso samantha, preciso dar uma nota".

Como não quero ser injusta, sei que existem alunos esforçados e brilhantes em universidades particulares, mas um conselho para esses alunos: estudem bastante, bastante mesmo e tentem fazer uma pós numa Publica. Se possivel, façam outra graduação numa pública só para sentir a diferença.

Samantha disse...

onde escrevi currículo das disciplinas, quis dizer EMENTA. rsrs

Anália disse...

Oi, Lola!

Realmente são lamentáveis essas universidades shopping centers... Vc já esteve dentro de uma UNIP ou Uniban? Eles faturam com tudo, da praça de alimentação ao xerox. As aulas são lamentáveis, uma lástima. Uma vez fui tentar fazer um curso, quase tive uma crise de depressão: um monte de gente fingindo que ensina, um monte de gente acreditando que está aprendendo, fazendo o maior esforço, gastando a maior grana. Um engodo!
Bjs,
Anália

Anacris disse...

Lola, me deixa chateada ler isso, tão generalizado. Não considero a universidade que estou cursando uma coisa tão ruim assim. E estou aqui porque não passei num vestibular para a federal de SC, enquanto que neste vestibular fiquei entre os primeiros colocados. Tenho muitos colegas, acho que são a maioria, que entraram por processos seletivos, mas a gente tá aqui, tá aprendendo e não admito ser discriminada por estudar em universidade particular. Acredito que o ensino se baseia numa interação, na qual o aluno tem que ser ativo, então não adianta ter os melhores professores do mundo se você não se envolve, mas adianta sim não ter professores tão bons, mas estar envolvido no processo. E eu preferia que tivesse vaga pra todo mundo em faculdade federal, mas vamos ser realistas: não tem!

Anacris disse...

Ah tá, eu acho absurdo o comércio. o "tô pagando" de alguns alunos (estou chocada pois perderei uma professora excelente por causa de um aluno insolente e me sinto de mãos atadas). Acho absurdo pagar multa abusiva por atraso de matrícula, pagar até o ar que respiro aqui dentro, mas temos que ser sensatos e entender que num mundo que funciona assim, não dá pra simplesmente fechar essas universidades. Vocês como doutores tem uma visão diferente da nossa como aluno, nós precisamos ter logo uma profissão pra poder se manter nesse mundo! Então enquanto não há como cursar uma federal, temos que nos contentar em cursar uma particular. Temos pressa de terminar também, pois já se sabe que essa termina e já tem que começar a próxima. Esse assunto vai longe...

Viviane disse...

Oi Lola! Hoje mesmo tive uma discussão com minha irmã (que é de direita) e ela me disse o seguinte: "Engraçado como a esquerda acha que tudo de ruim na educação é culpa dos governos anteriores à Lula". Poxa... E por acaso ngm enxerga as melhoras nesses 8 anos? O ensino superior (apesar de ainda restrito a poucos) nunca esteve tão acessível. E o que é melhor do que investir em universidades públicas? Deixar o mercado se auto-regular, esperando a benevolência dos grandes empresários? Conforme demonstra o seu post, isso não está dando certo. Todos conseguimos enxergar claramente o baixo nível da maioria das universidades privadas. Todos nós sabemos de algum exemplo de professor tolhido na sua liberdade de ensinar, por não poder dar uma nota baixa ou reprovar um aluno em uma universidade particular (e, caso ousasse, seria demitido). Na minha cidade, existe uma faculdade que dá descontos progressivos conforme um aluno traga outros alunos à instituição. Ou seja, quem traz mais um aluno, ganha 10% de desconto na mensalidade. Quem traz mais 2 alunos, ganha 20%, e assim por diante. Como uma loja, uma liquidação, uma promoção. É isso que a gente quer? Que bondade dos grandes empresários da educação, hein? Segundo a direita, eles que realmente pensam em nós.

Fabiano Camilo disse...

A melhor história que conheço sobre o baixo nível da quase totalidade das instituições de ensino superior privado brasileiras foi protagonizada por uma amiga minha. Ela trabalhava em uma faculdade localizada em uma cidade satélite de baixa renda do Distrito Federal. Infelizmente, há uma relação diretamente proporcional entre o nível de renda, a formação prévia dos alunos e, consequentemente, a qualidade do ensino superior privado. Ao final do semestre, minha amiga, professora de história medieval, decidiu reprovar onze alunos. Pelo seu desempenho, os demais alunos não seriam aprovados se estivessem em uma instituição pública, obviamente. Como estavam em uma instituição privada, onde as circunstâncias tendem a compelir o professor a reduzir o rigor nas avaliações – do contrário, quase ninguém ou às vezes ninguém seria aprovado ao final de um semestre –, minha amiga os aprovou.

Quando a coordenadora soube que minha amiga pretendia reprovar onze alunos, instalou-se uma crise. Minha amiga, vencida pelo cansaço, cedeu parcialmente. Disse que aprovaria sete alunos, porque eram semi-alfabetizados, mas os outros quatros ela reprovaria porque eram praticamente analfabetos. A coordenadora disse-lhe que ela estava sendo muito preconceituosa, que ela estava discriminando os analfabetos, porque os analfabetos também tinham direito a um diploma de nível superior.

Eu sei que a história parece ficção, mas não é.

Convém recordar que os recursos destinados pelo governo federal para o Prouni tem como contrapartida benefícios tributários concedidos às instituições privadas de ensino que participam do programa. Eu gostaria de saber se há um equilíbrio entre o montante da renúncia de receitas e o montante da despesas com as bolsas de estudo concedidas pelo Prouni. É provável que o montante de receitas ao qual o Estado renuncia seja superior ao montante de despesas realizado. Estou apenas supondo.

Desde o início considerei o Prouni um péssimo programa porque envolvia justamente as instituições privadas de ensino, as quais, como é e era notório, apresentam, em sua maioria, baixíssima qualidade. Não seria muito melhor se toda essa renúncia de receitas e essas despesas com bolsas de estudo fossem revertidas para as instituições federais?

Votei no PT e não me arrependo, mas isso não significa que eu deva avaliar positivamente todas as ações do atual governo. Uma das minhas decepções em relação ao governo Lula foi justamente a manutenção e a expansão da política educacional para o ensino superior privado instituída no governo FHC. Houve um ano do governo Lula em que, até o mês de setembro, o número de autorizações de funcionamento de novas faculdades tinha sido superior ao número de autorizações de qualquer um dos anos do governo FHC.

De toda maneira, essa política não interessa apenas aos proprietários das instituições privadas, mas também ao governo, motivo pela qual não apenas é mantida como incrementada. À medida que aumenta o número de indivíduos com diploma de nível superior, melhora nosso Índice de Desenvolvimento Humano.

PS 1: O projeto do senador Arthur Virgilio estabelece que pelo menos 25% dos professores de uma instituição privada sejam doutores? Acho... pouco. O percentual mínimo deveria ser de 60%. Entretanto, independentemente do percentual mínimo que uma lei porventura exija, o buraco é gigantesco. De que adianta um corpo docente formado exclusivamente por doutores ministrando aulas para alunos que são analfabetos funcionais? Eu fui professor em uma faculdade particular, por um curto período. Os alunos, quando liam os textos, não entendiam quase nada ou nada.

PS 2: Pergunta que eu a-do-ra-ria que um jornalista fizesse ao ex-ministro Paulo Renato Souza: o senhor permitiria que um filho ou um neto seu estudasse em uma universidade particular – desconsideremos as faculdades e os centros universitários, para tentar manter o nível em um patamar pelo menos um pouquinho mais elevado – como a Universidade Bandeirante de São Paulo, UNIBAN para os íntimos?

Laurinha (Mulher modernex) disse...

Pois é, Lola, acho que faltou falar de um detalhe: que no Brasil quando chega na hora da faculdade a situação se inverte...
O ensino fundamental e médio público é bem deficiente... Aí acaba sendo mais fácil que estudantes das particulares entrem nas públicas...
O pessoal das classes mais baixas que fez escola pública muitas vezes não consegue entrar nas universidade públicas, que são mais exigentes e aí vão fazer faculdade particular, que na maioria das vezes não são lá essas coisas...
Mas não sabia que chegava-se a esse ponto de demitirem doutores pra não terem que gastar mais... Absurdo...

Alba Almeida disse...

Olá, Lolíssima.

É impressionante como suas palavras são coerentes e deveria ser ouvida pela cúpula da nação, pra evitar tantos desrespeitos.
É isso,... continuo sempre aqui , aprendendo.
Beijos

Strepsiades disse...

Uai, mas não é o Governo Federal e o MEC (atualmente, de "esquerda") que controlam a qualidade e liberam o ensino privado para funcionar?

Sou egresso de universidade federal (UnB, uma das melhores do país) e sei que a qualidade nas públicas é, na grande maioria das vezes, superior à das particulares. Porém, não caio nessa demagogia ultrapassada de descer o pau no ensino privado e culpar o capitalismo por isso. O buraco é muito mais embaixo e os problemas muito mais complexos.

Problemas existem, e às pencas, mas a existência do ensino privado é essencial para o crescimento do país. Até mesmo pq o Estado não tem condições de fornecer ensino superior para toda população. E os "neoliberais" (insistem em dizer isso apesar da ideologia política brasileira nos anos 90 NUNCA ter sido semelhante ao modelo clássico de neoliberalismo) tiveram o mérito de democratizar essa forma de ensino no Brasil.

Se a qualidade é baixa, o Estado também tem sua (GRANDE) parcela de culpa ao não cobrar a qualidade mínima necessária para formar bons profissionais/pesquisadores (opa! será que esse tipo de universidade forma gente assim?).

Ah, e quanto aos sindicatos, o que o PRS disse não é tão preto no branco assim não. Convenhamos, quando um sindicato se opõe à reestruturação em plano de carreira que prevejam desconto salarial por faltas e incentivos salariais por desempenho do docente, eles estão SIM atrapalhando o desenvolvimento do ensino.

As coisas não são tão simples e facilmente demonizadas assim não, viu? Nos últimos anos, o governo conseguiu TRIPLICAR o orçamento para educação e ainda assim as metas do PNE para 2010 estão muito longes de serem atingidas. O percentual de alunos no ensino superior está em 13,9%, menos da metade dos 30% previstos. O indíce de analfabetismo continua em dois dígitos, longe dos 4% previstos - e isso sem contar com o analfabetismo funcional. O Planalto demitu por telefone um Ministro da Educação com propostas inovadoras para toda a educação no país e colocou no lugar, um fantoche que apenas concorda com o que vem da Casa Civil. Então, antes de endemonizar a "direita" e o "capitalismo", ou o "lobby" do ensino privado, lembre-se que se a "esquerda" realmente quisesse fazer alguma coisa para mudar, teria feito, afinal de contas estão com a faca e o queijo na mão.

Acreditar em bem e mal na política, ou em qualquer outra coisa na vida real, é querer viver numa eterna fantasia esquizofrênica.

marinabernabe disse...

Lola,

Sou sua fã!!

Concordo com 99,9 % das coisas que vc escreve.

Seu blog traz a esperança de um mundo diferente e com pessoas diferentes, mais comprometidas!

Muito beijos

cronicasurbanas disse...

Lola,
era um comentário enoooorme, fui jogada pra fora do blog e sumiu tudo, snif... :-(

Bom, resumo da ópera: é realmente uma vergonha o que acontece hoje em dia, e pelo visto é generalizado no país, com as boas e honrosas exceções, ainda bem.

Mas tem o lado B: professores de universidades públicas com dedicação exclusiva e que têm pavor de sala de aula, querem ficar na pesquisa e produção de artigos a todo custo, porque a Capes não sai da cola. Resultado (comentário de gente da própria Capes): pesquisas irrelevantes com artigos de qualidade duvidosa e atividade docente apenas marginal. O que, paradoxalmente, é uma situação que parece ser incentivada pela própria Capes...

Sem contar os professores que deveriam estar em seus gabinetes quando não estão dando aula, mas raramente são encontrados. Muitos dizem que preferem trabalhar em casa, com computadores melhores e sem a 'interrupção de alunos e colegas'.

A mesma estabilidade que permite que trabalhem com segurança também pode fazer com que muitos se acomodem nessa mesma segurança e fiquem satisfeitos com a mediocridade.

Ainda temos um loooongo caminho a percorrer em termos de educação neste país, tanto na esfera pública quanto na privada (sem trocadilhos...)

abraço,
Mônica

Anônimo disse...

A despeito de haver algo aproveitável no que a Lola escreveu, ainda bem que apareceu o Strepsiades para colocar um contrapeso na balança.

Engraçado como para a blogueira e comentaristas (na quase totalidade) tudo que é bom é da esquerda e tudo que não presta é da direita.

Alguém deve estar esquecendo-se de que o salário dos professores das públicas é pago com o dinheiro da classe média via impostos. Ou não é? Se não existisse classe média (vide Cuba), a situação seria muito pior, não? Aquela frase de criticando PRS por ele ter dito que sindicatos atrapalham a educação também não me caiu bem; não aceitar corte no salário por conta de faltas não é atrapalhar a educação?!

Bem, não preciso me alongar muito aqui. Só peço licença ao Strepsiades para assinar embaixo do que escreveu. E aplaudo. Marciane.

Isabela Campoi, disse...

Parei de ler: penso que esse post e seus comentários viraram um documento valioso. Vamos lincar para as autoridades...\o/

Bruno Stern disse...

Ainda podemos acrescentar as instituições que têm essas práticas descritas se traduzem em concorrência desleal com as poucas instituições particulares aproveitáveis.

Diversas universidades e faculdades particulares de tradição andam em situação financeira crítica devido à concorrência com as quitandas de diploma.

Os se adequam ao padrão dominante ou tem grande chance de fechar.

Giovanni Gouveia disse...

Não sei como estão as universidades hoje, mas quando eu estudava (federal), todos os professores eram obrigados a ensinar na graduação, ao contrário do que sugeriu um(a) comentarista mais acima.
Reduzir a oposição do sindicato ao Plano de cargos, simplesmente por se contra "o corte de ponto" é no mínimo patético. O projeto de educação de Paulo Renato de Souza, ministro ou secretário, sempre foi de pão e água para a educação.
Engraçado que quando fala mal da esquerda sempre lembram "Cuba", esquecendo que TODOS os países nórdicos têm tradição de esquerda, e figuram entre as melhores condições de vida do planeta.
Mas, voltando à questão da Universidade, penso que há dois tipos de ensino "pós médio" no país.
Por um lado há as Universidades, que produzem conhecimento e depois o transmitem, e aí é fundamental a presença de doutores(se bem que tive um professor, Mestre, que tinha conhecimento suficiente pra dar aula no doutorado, mas a linda "redentora" o obrigou a voltar do exterior em 1964 antes que concluísse o doc). Fundamentalmente as Universidades Públicas fazem isso, mas não podemos negar que alqumas raras, e honrosas, exceções o fazem, a exemplo das PUCs.
Do outro lado há os "escolões", que apenas vomitam conteúdo já produzido, sem desenvolver nada que não seja o lucro dos donos, aula em auditórios, com mais de uma centena de alunos, e professores que não conseguem fazer nada além de preparar o ponto do dia e corrigir provas dada a carga horária estafante. Duvido que haja alguma pública federal ou estadual que se enquadre nesses moldes...

Ághata disse...

"Diversas universidades e faculdades particulares de tradição andam em situação financeira crítica devido à concorrência com as quitandas de diploma."

Pois é, ainda tem essa!

Yo estudo em faculdade particular e alguém aí falou que "tem alunos de faculdades particulares que se esforçam muito para ter tanto conhecimento quanto alunos de universidades públicas".
...cara, se esforçar não é suficiente. E se você se esforça ao menos um pouquinho, sabe que a faculdade vai atrapalhar. Não vou falar de intercâmbio porque é praticamente impossível. Mas até desenvolver projeto de extensão e artigo é difícil em particular! Minha irmã passou em primeiro lugar num concurso de monitoria interno aqui da facul. Acredita que não a chamaram porque ela já dava outra monitoria? Cara foi uma confusão para ela conseguir entrar nesta monitoria - e ela nem tava ganhando nada com isso em tese - porque já tinham entregue as vagas para umas gurias aí que passaram em 3 e 5 lugar, me parece.

Luz! disse...

Lola,

adorei o post! Adorei ver a cara e a voz do movimento estudantil (UNE e UBES) por aqui!

...

mas, na verdade, vim lhe trazer dois links que me deixaram um tanto perplexa.

O primeiro (http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u709956.shtml) é a entrevista de uma cientista chamada Susan Pinker, uma ex-feminista que, dentre outras coisas, sustenta a tese de que as mulheres não tem os maiores salários simplesmente porque, diferente dos homens, não é isso que elas priorizam na vida. Diz ainda que as mulheres ganham menos porque preferem as áreas que pagam menos (ex: pedagogia, assistência social etc)!! É assustador!! Então, se ainda não tiver visto isso e tiver tempo disponível, dá uma olhadinha...

O segundo link é algo mais ilustrativo, mas que me deixou indignada... trata-se de um dos novos "best sellers" que andam por aí fazendo sucesso nas livrarias e lojas de departamento. Falei brevemente sobre ele no meu blog, onde postei um trecho de um resumo que encontrei na net. O livro chama-se "comporte-se como uma dama, pense como um homem"! http://sete-faces.blogspot.com/2010/03/que-p-e-essa.html

Um beijooo pra você!

Natália disse...

Engraçado é q esse povo só qr os filhinhos deles matriculados nas PUBLICAS.

Eu msma sou filha de um q vive defendendo privatização, adora Veja e q no ensino médio falou pra mim 'cuidado com esses professores de Geografia e História, eles são um bando de vagabundos q n gostam de trabalhar e só qrem estudar com o nosso dinheiro' e qndo entrei na facul publica, reforçou o discurso pra eu n seguir o msm caminho. HAHA!

Ótimo texto, Lola!

Melina F. disse...

Olá Lola!
Gostei bastante do texto! Agora discordo em algumas partes. Por exemplo: eu acredito que esse boom de universidades particulares em cada esquina é porque também não há vagas suficientes nas universidades públicas. Basta passar por qualquer cursinho pré vestibular e ver como as salas estão lotadas de alunos. E em alguns casos, não em todos, claro, algumas universidades particulares tem uma estrutura de ensino muito boa. Eu, por exemplo, mudei de cidade e hoje, estudo numa Universidade Estadual. Mas não é raro o professor faltar. E quando os alunos vão se informar, descobrem que o professor está dando prioridade aos seus alunos da outra insituição particular. E isso não é regional, tenho amigos de minha cidade que passam pelas mesmas dificuldades na Federal de minha cidade. Tem funcionário público que não se preocupa porque "não pode ser demitido".

E ainda, na minha universidade pública, é visível a diferença que há entre os cursos. Faço parte do departamento de Letras e Artes e a estrutura é TOTALMENTE diferente quando vamos comparar com o departamento de Direito. As salas são de outro nível, com outra estrutura.

Claro que eu quero profissionais qualificados, doutores no meu país. Mas acho que a melhoria do ensino tem que surgir tanto em instituições privadas e públicas. Está muito longe de qualquer uma das duas atingir um modelo considerado no mínimo "bom".

lola aronovich disse...

Gente, eu fico impressionada em ver gente culpando o Estado até quando a responsabilidade é visivelmente do setor privado! Sobre o meu post, em nenhum momento eu disse que as universidades públicas são um paraíso, ou que as particulares são uma porcaria. Existem particulares boas. Aqui mesmo, em Fortaleza, dizem que a maior universidade particular, a Unifor, é muito boa. Eu não conheço direito, mas pelo menos a infraestrutura parece excelente. Além do mais, as particulares são fundamentais para suprir o papel do Estado (já escrevi sobre isso aqui). Se houvesse universidades públicas em todo canto, com vagas de acordo com a demanda, não haveria necessidade de particulares. Isso está longe de ser a realidade. O governo Lula avançou bastante nisso de abrir universidades públicas no interior, não nas capitais. Mas na maior parte das cidades ainda há cursos ofertados apenas pelas particulares. E eu acredito, sinceramente, que existam bons alunos e bons professores tanto nas públicas quanto nas particulares. O que questiono é essa prática das particulares em não contratar doutores. Pelo contrário: em despedir doutores! Pelamordedeus, defensores do livre mercado, isso não é condenável? Isso não mostra que muitas particulares estão interessadas apenas no lucro? E isso não vai contra a ideia que vcs defendem de que o Estado só atrapalha, que não deve haver interferência do Estado, porque o mercado sabe se autoregulamentar? Agora vcs aparecem para dizer que, se há particulares que se compotam mal, a culpa é do governo, que não as fiscaliza! Ué, até parece que vcs são a favor de fiscalização! Vcs pregam o livre mercado, liberdade total para as empresas, sem interferência governamental. Mas a área da educação superior no Brasil é um claro exemplo de como é preciso que haja Estado. Sem Estado, teríamos apenas Unips e Unibans, livres para fazer o que quisessem. Sério mesmo que é isso que vcs querem?

Priscilla "S" disse...

Que da hora!O "Strepteases" foi exatamente uma ilustração dos comentários da Lola!

Blog bom é blog ilustrado!

Fabiano Camilo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Fabiano Camilo disse...

Desculpe-me, Lola, mas vocês quem? Eu em nenhum momento defendi o livre mercado e a não intevenção estatal. Muito pelo contrário.

Com efeito, o Estado atrapalha, e atrapalha muito, exatamente quando não realiza a contento suas funções (constitucionais) de regulação e de fiscalização. Em relação a atividades como a educação, que apresenta relevante interesse social, a regulação e a fiscalização precisam ser mais rigorosas.

Evidentemente, existem boas instituições privadas de ensino superior, mas são a minoria. A maioria, caso o MEC efetivamente realizasse a atividade de fiscalização, nem sequer teriam sido autorizadas a funcionar.

Se a maioria dessas instituições privadas de educação não oferecem um ensino minimamente razoável, parcela da responsabilidade é do Estado. Porque foi o Estado que instituiu esse sistema. No governo FHC, esse sistema foi criado; no governo Lula, foi continuado e expandido.

O governo Lula fez e está fazendo muitíssimo pelo ensino superior público, mas, lamentavelmente, não promoveu uma revisão do sistema de ensino superior privado. Ademais, repito o que escrevi no comentário anterior, não me agrada nada que benefícios fiscais sejam concedidos a essas instituições, mesmo às que primam por uma educação de qualidade. Esses recursos aos quais o Estado renuncia poderiam ser mais bem aproveitados se fossem investidos na área de educação pública.

Um abraço!

Pedro disse...

Bom hahaha, quanto a universidade privada ou pública, eu não sou uma pessoa muito legal para escrever sobre isso... mesmo ñ tendo mta maturidade, eu realmente preferi deixar minha energia de estudo para materias que eu pudesse aplicar na minha vida. Quimica e Fisica ? Logaritmo ? Ahn ? HEHE... Logo eu nem fiz vestibular para públicas, pq sei das dificuldades para se passar em faculdades assim desconhecendo determinadas materias... e eu acho que no fundo quem faz a faculdade é o aluno e que cada aluno pode determinar seu futuro com suas atitudes, e hahaha no momento, eu ainda prefiro a estrutura das faculdades particulares.

Pedro disse...

Ah hahahaha e não sei se é apenas cmg, mas toda vez que eu leio a Lolinha falando "UFC", eu só fico imaginando ela com roupa de VALE TUDo hahaha detonando o Minotauro.

Andrea disse...

Acho bem triste isso Lola, a gente se mata e se mata de estudar. Faz o mestrado e depois o doutorado (me aguardem mais 4 anos!) e depois implora por um concurso publico ou mente no curriculo pra ser admitido numa facu particular! É bem complicado pra quem sonha com a carreira de professor universitário. Você deu muita sorte!!! ;) SEria muito bom se aprovassem essa lei para obrigar as particulares a terem o quadro melhor qualificado. Sem contar que seria melhor para a formação dos alunos também!

Um abração!
By the way, obrigada pela visita e comments no blog! Q honra ter você como minha follower número 1!
Andrea
http://segredosdaborboletadomar.blogspot.com/

Francine Barbosa disse...

Lola, concordo com a obrigação das faculdades privadas terem doutores, MAS peloamordedeus que haja um percentual geral (no total de professores) e não um percentual obrigatório em cada curso. Explico: cursei Cinema, e especificamente para algumas matérias desse cursos, precisamos de professores que tenham experiência de mercado (ou seja, num set de filmagem). Pra matéria de produção ou fotografia, por exemplo, é melhor um professor só com graduação mas que tenha trabalhado em dezenas de filmes do que um professor doutor que não tenha muita experiência de set, entende? É bom deixar claro que alguns cursos tem necessidades específicas.
Estudei numa faculdade privada razoável que tinha outra regra absurda: para economizar em encargos CLT, cada professor precisava dar aula em no mínimo duas disciplinas do curso. Por causa disso perdemos um professor de animação ótimo, um dos caras mais competentes do país, porque a faculdade não queria contratá-lo para apenas uma disciplina dentro do curso de Cinema? Dá pra aguentar?
Quanto ao Prouni, se a verba fosse revertida para as federais, não seria nada bom. Porque essas vagas seriam ocupadas pelos mesmos filhos da classe média e da elite que estudaram em colégio particular. O principal do Prouni é que é obrigatório ter cursado o Ensino Médio em escola pública e há cota para negros, e isso faz todo a diferença no perfil dos alunos.

Liana disse...

"A despeito de haver algo aproveitável no que a Lola escreveu, ainda bem que apareceu o Strepsiades para colocar um contrapeso na balança."

Só peço licença ao Strepsiades para assinar embaixo de tudo q ele escreveu.

Oops... jájá ele será classificado como troll tb né...rs...

Anônimo disse...

Lola, eu vou prestar vestibular esse ano, estudo em uma escola particular (inclusive, uma das melhores da minha cidade, e mais caras, que meus pais trabalham muito pra pagar e eu estudo muito pra fazer o dinheiro deles valer) e só o que tudo mundo fala é em passar NA FEDERAL. Ninguém quer saber de faculdade pública, nem se forem das boas. Acho que as federais deveriam abrir mais vagas e pagar melhor os professores (pelo menos os daqui de brasília estão em greve, pois querem tirar cerca de 26% do salário deles).

Leila disse...

Oi lola,
desculpa nao aparecer mais para comentar, mas continuo lendo sempre! estou super sem tempo ehehhee
como estudante de graduação da unesp eu posso dizer categoricamente que a UNE não é presente nas universidades.
fui parte do CA do meu curso e participo ativamente do ME da UNESP e percebemos que a UNE virou tao burocratica e cheia de politicagem que você nao pode contar com ela para começar o movimento e acompanhar ativamente as lutas alem de ajudar os alunos com seus direitos.
é so muito triste pq eu sei da importancia q a une já teve para o ME..

Matheus Simonato disse...

Você obviamente não entende que a função dessas universidades particulares no Brasil é servir aos alunos "2nd tier", seguindo simplesmente a lei de oferta e demanda (os alunos porcaria também querem ter um diploma).

Dessa forma, doutores se fazem desnecessários para atender alunos de segundo nível (que existem tanto por inadequação ao trabalho escolar quanto à ineficiência do ensino público).

O inverso ocorre no ensino fundamental e médio. O ensino público é um lixo. Dessa forma, escolas particulares suprem a demanda de alunos que podem pagar por uma educação de qualidade.

Analise o caso americano. Nos EUA, a maioria das universidades de alto nível são particulares (as Ivies, MIT, Stanford, etc). Existem também universidades públicas de alto nível (as Public Ivies e outras).

Dessa forma, é simples perceber que um ensino superior particular emergiria se houvesse a demanda.

Abraços.

I ♥ MILK disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lucas Calado disse...

Olá Lola,

Não posso argumentar sobre o post pois não conheço as situações das universidades brasileiras, porém, acho que dei sorte, a federal do meu estado não é muito boa, tem algumas greves(ou quando não o acontece, os professores faltam muito) e não investe em educação para outras áreas, que não seja, as citadas em seu post.
O local que eu estudo ainda é um Centro Universitário, mais está investindo na formação de mestres e doutores, e cada vez mais, em cursos de atualização para os professores, a média do ENADE é baixa, pois muitos alunos sem consciencia, o boicotam. Estou muito feliz com minha instituição. E além do mais, estudo com os mesmos professores das públicas, a diferença é que eu assisto aula e nas públicas isso fica meio complicado!!!
Quanto ao pagou, passou... Pode até ser no vestibular(pois, nós mesmos alunos brincamos com isso) mas, pra passar de período é "ruinzinho". É como meus colegas dizem: -Entrar é fácil, o negócio é conseguir sair...
Quero ser professor universitário e mesmo que não consiga fazer doutorado, espero que seja bom... (Pois tenho profesores especialistas e mestres, que ensinam muito melhor que os doutores!)

Parabéns pelo post...
Bjão!!!

Ps.: Desculpa a pontuação e grafia erradas é que to escrevendo meio apressado!!!

MaNdy disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
MaNdy disse...

Eu acho q o grande problema é que existe uma cultura aqui no Brasil de que o diploma universitário é a salvação da colheita. E não é.

Abrem-se esses escolões de ensino superior vendendo diplomas e as pessoas têm a ilusão de que vão mudar de vida e no fim oq acontece é q teremos faxineiras , taxistas e balconistas "qualificados", mt gnt gasta oq não tem para conseguir um diploma e não consegue se inserir no mercado pois se a instituição não tem critérios o mercado sim, e ele é cruel .

Acho q o governo deve investir em mais escolas técnicas e profissionalizantes são a solução . Esses cursos superiores de péssima qualidade na verdade só estão enganando o povo e se proliferando pq a população vê a universidade como único modo de ascenção. Faltam técnicos no Brasil e um bom técnico às vezes consegue melhor aceitação no mercado e melhores salários que os sub-profissionais que são formados nessas sub instituições. Se o povão tivesse mais opções esses escolões de ensino teriam q se aprimorar mt mais para conseguir alunos.

Não é preconceito mas eu particularmente acho q o ensino universitário não é pra todo mundo.Há pessoas que simplesmente não têm esse perfil seja por questões pessoais , educacionais ou mesmo intelectuais. E essas pessoas que não tem o perfil de um universitários tem poucas opções.

E é aí que surge o grande problema, a maior parte das pessoas (não todas) que vão para as particulares ou são pessoas que nunca tiveram compromisso nenhum com a própria educação mesmo tendo recursos para tal,ou n tem perfil de universitário ou são pessoas pobres que sonham em mudar de vida mas q têm deficiências de ensino.

E se é esse o nicho de mercado q essas faculdades quitanda querem atingir venhamos e convenhamos pra que professores doutores pra esse tipo de gente que mts vezes são até analfabetos funcionais? É como vc dar uma obra de Nietzsche a um semi analfabeto,oq ele vai absorver dali?
Oferecer professores de alto nível em instituições cujo corpo discente é de baixo nível não só n é lucrativo como é prejuízo na certa.Pra isso acontecer a instituição teria q aumentar o preço das mensalidades e pobre que em geral é o público alvo dessas instituições não poderia pagar.
É realmente mais viável e lucrativo investir em uma infra estrutura de shopping Center e preços baixos .

Eu não vejo as universidades particulares como os únicos monstros da história elas apenas estão atendendo a demanda. Se o governo estivesse cumprindo o papel dele e oferecendo ensino básico de qualidade ,escolas técnicas e escolas profissionalizantes ou seja oferecendo a população educação básica com qualidade e opções de ensino certamente essas universidades meia boca teriam que se esforçar mt mais para agarrar um aluno e não precisariam se nivelar por baixo para se manter e aí sim prevaleceria a instituição que oferecesse o melhor ensino.

Felipe disse...

Parabéns por defender as universidades federais, onde professores podem faltar sem se justificar, onde não há professores substitutos, onde tanto faz se o aluno absorve ou não o que é passado em sala.
Parabéns também por não conhecer as estatísticas sobre o número de professores com doutorado em universidades privadas.Só uma informação, há menos de 30% de professor sem mestrado, os outros mais de 70% possuem mestrado ou até mesmo doutorado.
Outra coisa, as universidades privadas são a que mais investem na contratação de professores, são as que pagam melhores salários.
Minha ultima observação, saiba que os professores das universidades públicas, são em sua maioria pessoas que mal possuem um mestrado.

lola aronovich disse...

Nossa, quanto absurdo que vc falou, Felipe. Apresente estatísticas, por favor, comprovando qualquer uma dessas coisas que vc falou. Porque neste artigo eu apresentei um monte de dados.
Converse com professores de universidades públicas e privadas, e veja o que eles têm a dizer. Por exemplo: universidades privadas DESPEDEM (e não contratam) doutores só pra poder pagar menos a mestres. Conheço um monte de casos assim. É assustador, viu?

........................................... disse...

O interessante disso tudo é a ilusão que os alunos de particulares vivem.Eles realmente acreditam que sairão dali preparados para o mundo(não digo profissionalmente,pois querendo ou não um diploma certifica que você é formado em alguma coisa).Todos os alunos de particulares que conheço(sem distorção)não possuem um engajamento político nem uma opnião ou interesse social.Traduzindo,são alienados que futuramente terão um diploma na mão,embora eu acredite que a maioria deles,não tem a bagagem educacional de um bom aluno de E.M .
Eles se gabam que terminarão a faculdade no prazo correto.

Mahmud Hassan disse...

Gostaria de saber, para efeito de pesquisa sobre exclusão na pós-graduação, se algum fé vocês que concluíram ou estão concluindo o mestrado ou doutorado em universidades públicas são oriundos de graduação em universidade privada? (não vale PuC pó ter a mesma clientela pequeno burguesa das universidades públicas).
Grato
Saulo Souza -RJ

Mahmud Hassan disse...

Lola, seus comentários reforçam uma cadeia de exclusões quando fala sobre as universidades meia-boca. O aluno da univ privada é vítima do ensino básico público, e será rejeitado nas universidades públicas tanto na graduação, quanto na pós-graduação. Esse é um funil que privilegiou os alunos da escolas básicas privadas.

Luiz disse...

Oi Lola,

Virei seu fã!

Sempre defendi ideias semelhantes às suas, mas me faltavam argumentos tão claros.

Como você escreveu, nem todas as particulares são ruins. Mas no geral, a realidade é essa: o importante é ter uma massa pagando.

Quanto aos comentários que colocam os alunos das privadas como "vítimas" do sistema, podem até representar uma certa verdade... Mas quero dizer que não é isso que minha experiência de vida tem demonstrado.

Minha filha estudou em escola pública durante o ensino básico e sempre teve notas excelentes. Nas reuniões de pais, os poucos que apareciam, protagonizavam um desfile de carrões. Eu tenho um carro (muito) velho e sempre pensei se, tendo condições para comprar um carro novo, eu deixaria minha filha na escola em que ela estava...

Ano passado, ao terminar o 2o. ano do médio, minha filha disse que gostaria de fazer a UFSC e ela queria nada menos que Engenharia Mecânica. Ela tentou resolver provas antigas e ficou claro que seria impossível conseguir.

Eu não moro em Florianópolis.

Eu vinha economizando para me livrar do carro velho e o dinheiro que eu havia guardado era mais ou menos o que custaria para mantê-la por um ano em Florianópolis e pagar um preparatório.

Eu fiz minha escolha e minha filha estudou muuuuuito.

Resumidamente, em um ano em Floripa ela não fez um único passeio. Por não ter tempo e por não ter grana. Nas poucas folgas, vinha para casa.

Penso que é o preço a pagar por quem deseja extrapolar a própria realidade.

O resultado foi que o dia 10/01/2013 será sempre um dos mais felizes das nossas vidas. O nome da minha filha está na lista de aprovados!

Penso que não há dúvidas que o Brasil está longe de ser justo.

Podemos resmungar, ou pensarmos em como ajudar nossos filhos a mudarem o destino que lhes é "determinado" pelo sistema.

Talvez o problema seja que a formação de um filho demore 25 anos, mas o "sistema" exige que a gente troque de carro todo ano.



Anônimo disse...

há pessoas EXCELENTES tanto na particular quanto na pública. Não existe isso de quem se formou na federal é melhor ou vice-versa. Ignorância de quem pensa dessa forma,o importante é você saber atuar com qualidade na área que você escolheu.

Anônimo disse...

Não tenho nada contra o que você falou, só acredito que houve uma generalização, igual quando dizem que os alunos de particulares não são capazes, os professores são importantes, suas qualificações também, mas o aluno ele escolhe o que quer ser,é preciso esforço, lutar por um objetivo, ninguém tem o direito de dizer que você conseguirá só porque paga, assim como federal tem alunos bons as particulares também tem,só não tiveram as mesmas oportunidades.

Anônimo disse...

Quando alguém próximo me fala que não há diferença eu faço questão de esfregar na cara as diferenças.
Não tenho condições nem hoje pra morar pelo menos mais próximo da faculdade,gastei três anos estudando ora conseguir, me mantendo com o mínimo necessário, sem vida social nenhuma.

E o esforço ainda fica maior pra conseguir um emprego devido ao número de pessoas no mercado sem qualificação decente atrapalha,mascara os números reais de profissionais, mesmo quando conseguimos o salário fica abaixo do piso já que para os patrões isso é uma beleza.