sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

SOBRE AS PERSONAGENS FEMININAS QUE VOCÊS RECOMENDARAM

A personagem feminina marcante mais recente?

Gente boa, fico muito feliz que o post sobre personagens femininas marcantes no cinema tenha dado o que falar. Não deu pra responder cada um dos comentários individualmente, então aproveito agora pra tratar dos temas mais recorrentes e pra agradecer pelas sugestões.
Pra quem falou da Beatrix Kiddo de Kill Bill, eu concordo em parte. Ela é memorável, sem dúvida, mas acho seu personagem um pouco raso. A gente sabe pouco de suas origens, e a única coisa que a move é a vingança. Se bobear, a personagem da Daryl Hannah em Kill Bill não seria mais marcante, por ser uma psicopata pura? E a mafiosa interpretada pela Lucy Liu? Pelo menos vemos o seu passado em desenho animado. Não sei, apesar de eu ser fã no. 1 do Taranta, e do cara ser um dos diretores que mais criam personagens femininas fortes, tenho dúvidas até que ponto essas personagens são completas. Vejam o caso da Mia Wallace, mulher do chefão em Pulp Fiction, também interpretada pela Uma Thurman. Ela é uma personagem marcante, certo? Muitas coisas no encontro dela com o John Travolta são inesquecíveis. E no entanto sabemos pouquíssimo sobre ela. A Shosanna, a francesa que se vinga dos nazistas em Bastardos Inglórios, também é unicamente movida à vingança, mas creio que ela tenha mais nuances que Beatrix. A personagem do Taranta mais redonda (round), no sentido de completa, deve ser mesmo a Jackie Brown.
E o mesmo sobre Almodóvar, sem sombra de dúvida um cineasta que ama as mulheres e que quase sempre lhe dá papéis de destaque (como o Taranta, em toda sua obra após Cães de Aluguel. Não é necessariamente por esse motivo que eu ame de paixão tanto o Almodóvar quanto o Taranta, mas ajuda). A Raimunda de Volver é absolutamente marcante. Mas o Almodóvar tem um lado feminista incrível, e insiste sempre na união de suas personagens. Pra mim é difícil destacar uma só personagem marcante em Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos e Tudo sobre minha Mãe. São todas. E é a interação entre elas, suas amizades, suas cumplicidades, suas disputas, que tornam esses filmes tão fascinantes.
Sobre a Sarah Connor, concordo totalmente. Não só é uma personagem feminina marcante, como também feminista. E quem insinuou que eu não aprecio esse tipo de filme? Adoro o Exterminador do Futuro 1 e 2. O dois tá até na minha lista das menções honrosas da década de 90 (fica aqui desde já o convite pra que vocês me ajudem a bolar uma lista dos melhores e piores desta primeira década do século 21. Vou precisar muito de ajuda!).
Já a Ripley de Aliens... Bom, ela está mais decidida no filme de 86 que no primeiro (que eu não gosto, sempre durmo no comecinho com todas aquelas naves e não acordo mais). Pelo seu heroísmo, não tem como ela não ser considerada uma personagem feminina marcante. E ninguém se lembra de outro James Cameron, O Segredo do Abismo? A personagem da Mary Elizabeth Mastrantonio é a manda-chuva, briga com todo mundo mas é competente. Quando ela morre, o Ed Harris a ressuscita chamando-a de bitch e dando-lhe um tabefe. Ou eu que estou confundindo as coisas? O Cameron sempre tem personagens femininas cheias de personalidade. Titanic não foge à regra.
Já a Trinity de Matrix eu acho passiva demais. Ela vive pros seus mestres, ambos homens. Não parece ter um pensamento próprio, só obedece. Não sei... Convençam-me que estou errada, please. Quem eu adoro no primeiro Matrix é a vidente, o Oráculo, que diz pro Keanu que ele é bonitinho, porém não muito inteligente.
Ah, Erin Brokovich. Revi o filme outro dia e gostei mais agora. Ok, uma personagem marcante.
Idem pra Amelie Poulain (prometi pra Mei falar mais sobre Amelie depois que o filme passou no ônibus de Joinville pra Floripa. Melhor filme a passar num ônibus ever!).
Das personagens do Woody Allen, é bem provável que a mais marcante seja a que leve seu nome no título original: Annie Hall (de Noivo Neurótico, Noiva Nervosa). Também adoro a Mia Farrow em A Rosa Púrpura do Cairo. Mas, em Hannah e suas Irmãs, como determinar a irmã mais marcante? As três são!
A Kaká lembrou a Glenn Close em Atração Fatal, a Sharon Stone em Instinto Selvagem, a Kathy Bates em Louca Obsessão, e a Louise Fletcher em Estranho no Ninho. Nem discuto, são personagens inolvidáveis. Mas são todas vilãs, né? Todas elas entram fácil na lista dos maiores vilões (homens e mulheres) de todos os tempos. E não será que, a julgar por personagens em novelas da Globo, é mais fácil criar vilãs que mocinhas interessantes?
Sim, Fabiana, quem vê a Blanche DuBois em Um Bonde Chamado Desejo não a esquece jamais. Isso vale também pra quem vê a Elizabeth Taylor em Quem Tem Medo de Viriginia Wolf. E várias de vocês falaram das personagens de Casa dos Espíritos. Eu só vi o filme uma vez, faz tempo, e infelizmente lembro pouco dele.
Ahá, e ninguém mencionou as duas mulheres de Os Imorais (1990)! Tanto a Anjelica Huston, que faz a mãe do John Cusack, como a Annette Benning, estão fantásticas! Aliás, aquele filme é bárbaro. Agora fiquei com vontade de revê-lo. Por que me lembrei de Imorais? Provavelmente porque o Gustavo mencionou a Morticia Adams da Anjelica Huston. Não dá pra imaginar outra atriz no papel. Mas, em A Família Adams, pra mim quem ofusca todo mundo é a Christina Ricci criança.
Bom, gente, melhor eu parar por aqui. Às vezes parece menos difícil pensar em personagens femininas marcantes por diretor. Sabe, qual a personagem inesquecível do Spielberg? E do Kubrick, tem alguma? Por aí vai.

42 comentários:

Mei disse...

aaaaaaaw...Amélie!!! ^_^

Lord Anderson disse...

Oh, fui eu que disse que vc talvez não gostasse da serie Termineitor.

É vc não parece curtir muito FC e acho que nunca vi comentarios a respeito.

Concordo sobre a Trinity, ela é basicamente a namorada do heroi e não uma personagem completa. E a
O-Ren Ishii (Lucy Liu) é a melhor das personagens de Kill Bill.

Bem, o pessoal lembrou de muito mais personagens e isso acabou me dando umas dicas de que filme ver nas ferias e fim de semana.

Má disse...

Lola, dos comentários que vi concordo q achei ÒÒtima as mulheres da Exêntrica Família de Antonia!
Acho de uma sensibilidade incrível aquele filme!

(deixa eu ir q tô terminando a correção do meu tcc....)

bjo

Carla Fernandes de Oliveira disse...

Eu vou lá atrás, lembrar de uma personagem que eu adoro, que foi minha mãe quem me apresentou o filme e sou apaixonada por ele até hoje: a Maria, de "A Noviça Rebelde". Adoro essa personagem da Julie Andrews, sempre irreverente e quebrando regras pra tornar a vida mais leve e feliz!
Beijão, Lolinha!

ceciane disse...

Shirley Valentine...

Lord Anderson disse...

A Noviça Rebelde...

Quanto assistir a repreises desse filmes no anos 80...

E torturar os ouvidos da familia ao tentar cantar como os personagens.


hehehehehe

Giovanni Gouveia disse...

Lola, morreu Bat Masterson

http://diversao.terra.com.br/gente/noticias/0,,OI4151608-EI13419,00-Ator+Gene+Barry+morre+nos+EUA+aos+anos.html

Sobre o post, (dá licença, Shake) "há mais grandes personagens femininas no cinema do julga minha vã filosofia"

MANU disse...

Lolitcha
amei o post sobre vaidade e tds os comentarios desse povo maravilhoso!não comentei pq não tive tempo! vc mais uma vez ótima anfitriã fazendo com que seu blog seja placo de conversas interessantes!parabéns Lolinha!não é todo bom blogueiro que tem esse dom!voltando a falar das garotas da silver screen,já que vc falou do Kubrick...eu amo a Lolita(Sue Lyon ) dele.pra mim é melhor versão de Lolita ever!e tb gosto da Alice(Nicole Kidman )em de olhos bem fechados.concordo com vc sobre a Trinity,tb acho que ela é mt apagada e mortinha.mas vc tocou msm no meu ponto fraco qnd falou da minha a querida e amada Wednesday Adams!aqui pra nós no Brasil a inesquecível Vandinha da Christina Ricci.ela marcou mt a minha infancia,eu vivia de trancinhas aqui em casa querendo ficar parecida cm ela kkkkkkkk vc tb falou de outra paixão minha Mia Wallace!acho que é eterno na memória de quem assite Pulp Fiction ela dizendo pro Travolta:"I wanna dance,I wanna win,I wanna that trophy ,so dance good!" adoroo!
tb gosto mt da Amelie vc já viu o outro filme do msm diretor do Amelie cm a Audrey Tatou? o nome é eterno amor, mt bom tb!that's it!
bjau Lolinha!

Dani In Sitarland disse...

Lola, estava um dia desse conversando com meu namorado que é super fã de Alan Moore sobre o maravilhoso filme V de Vingança. Sabe o que ele me disse? Que o filme ta na cara e deixam bem explicito "quem o V é", mas que no gibi, tudo aponta que o V é uma mulher, e que muitos fãs do Alan Moore acreditam que o V seja de fato uma mulher.
Nunca tinha ouvido falar nisso, mas pensei que ia ser muito legal realmente, se o V fosse mulher, não? =)

MANU disse...

voltei só pq não posso deixar de falar aqui da maravilhosa Maude(Ruth Gordon)do Harold e Maude,vc já assitiu Lolinha?e tb todas as personagens do excelente filme Caramelo da diretora libanesa Nadine Labaki!mostra com mt sensibilidade várias nuances do mundo feminino.pra qUem ainda não viu,fica a dica !super recomendado viu gente?kkkk bj

L. Archilla disse...

bom, concordo que a Beatrix Kiddo é rasa, mas acho isso muito legal. Pq permite MUITA identificação com a personagem. tipo assim, quem nunca sentiu vontade de sair matando todo mundo por aí (como na cena dos Crazy 88), ou fazendo uma listinha com os "mandantes" da sacanagem q nos aprontaram e segui-los até o fim do mundo em busca de vingança? e como o Tarantino fez isso de maneira esteticamente fantástica, a gente fica com vontade de rever cada vez q sente uma pontinha de raiva. e é essa a grande sacada do filme, por isso q ele se tornou tão popular. (é o mais popular do Tarantino, com certeza, coincidentemente seguido por Pulp, q vc tb cita).

só pra encerrar: EU AMO KILL BILL!

Márcia disse...

Acho que no Sessão da Tarde "O Jardim Secreto", tem uma menininha que é o pipoco. Adoro ela.

aiaiai disse...

Puxa,

Você deixou a Lola de fora de novo? Não acredito que você não ache a personagem marcante!

Gustavo Ca disse...

Opa, vendo uma imagem do post anterior, alguém falou da Olive de Pequena Miss Sunshine? Essa tbm entra na minha lista.

lola aronovich disse...

Putz, é verdade, Aiaiai! Eu esqueci a Lola do Run Lola Run de novo, apesar de várias leitoras terem lembrado dela... A verdade é que eu só vi o filme uma vez, e gostei, mas não amei. Preciso revê-lo urgentemente. E eu esqueci de incluir a Tracy Flick de Eleição também! Taí uma personagem ultra marcante!
Noviça Rebelde entra, pessoal!

Dani In Sitarland disse...

Bonnie Parker, de Bonnie e Clyde

NiNah disse...

Adoro Amélie, mas faltou a Nikita. Versão original. hehehe
Beijas

Tina Lopes disse...

Ah, Lola, eu já ia reclamar da ausência da minha única indicação - a Tracy Flick! O sucesso ocidental em sua face mais cruel. Adoro.

Leandro disse...

Lola, eu sei que isso o que eu vou colocar aqui não tem nada a ver com o tópico, mas eu apenas gostaria de te mostrar que, bem, exatamente como você falou, o Brasil (e o Lula) são extremamente bem vistos lá fora. Sim, eu realmente estou tendo de dar o braço a torcer, pois quando o presidente da Espanha escreve um artigo sobre o Lula, e quando este (Lula) é escolhido por um jornal espanhol como um dos 100 iberoamericanos do ano, acredito que deva ser chamada a atenção para tal fato. Matéria em: http://www.elpais.com/articulo/internacional/hombre/asombra/mundo/elpepuint/20091211elpepuint_1/Tes

Marússia disse...

hLola, escrevi um comentário sobre seu post: minha opinião sobre a vaidade. Acho que escrevi depois que você fez seus comentários. Se você ainda puder comentar! É importante ouvir sua opinião. Você leu uma matéria na Veja desta semana sobre a paternidade? Você sentirá náuseas, mas acho que tem tudo haver com o seu concurso de blogueiras. Aliás, uma das blogueiras, que escreveu o texto: eu, o marido e as babás, infelizmente tem a mesma opinião do cara que escreveu o texto para a Veja. Eu escrevi um texto sobre o artigo no meu blog, mas sugiro que você lei a matéria completa. Quem desejar ver só os trechos principais pode ler no blog: http://www.marussiaguedes.blogspot.com/

aiaiai disse...

Lola,

eu nem ia falar nada...mas aproveitando o comentário da Marussia, mando já:

esse post "eu, o marido e as babás" é um NOJO! Esse concurso podia ter um jeito da gente votar negativo. Deixo aqui a minha revolta, sempre radical kkkkkk

Helen disse...

Correndo o risco de ninguem concordar comigo ( sem tomates, por favor :p) eu acho que a Aeon Flux eh uma personagem muito forte e talvez feminista, alias ela faz de gato e sapato a maioria dos homens pq de forma alguma se sente intimidada por eles.

Lembrando dos quadrinhos tbm, a Mulher maravilha nasceu em berço feminista tbm.

Personagens de cinema nao me recordo de muitos agora, acho que ficar 5 horas no photoshop fritou meu cerebro, mas se lembrar de alguma depois eu posto!

ps, AMO de paixao a Amelie, ela eh simplesmente um doce!

Beijocas

Devathai disse...

Como eu falei da Trinity, deixa eu tentar me explicar, hehe. Eu tenho que confessar que li um texto que influenciou bastante a minha opinião sobre tal personagem. É uma (tentativa) de análise feminista da trilogia. Como é feita por um homem, ela tem suas falhas e deslizes. Como a parte em que ele compara a Trinity com Thelma e Louise e diz que aquela é uma personagem muito mais completa do que essas, o que eu achei problemático de dizer. Mas tá, a análise de uma forma geral me agradou. Então eu vou tentar resumir a parte que estou de acordo:

Onde reside a força de Trinity? Sabemos que ela tem uma força física inequívoca. Mas é preciso mais do que isso para medirmos a força de uma personagem. Podemos argumentar que a Trinity não passa de uma personagem criada através da perspectiva do homem, pelo homem e para desfrute do homem. Talvez a Trinity seja um ideal nerd.

No entanto, há outras possibilidades de análise. Pode-se, por exemplo, dizer que ela é uma pessoa que sabe bem quem é. É ela quem diz a Neo que a 'Matrix não pode lhe dizer quem você é', dando a entender que o caminho para o autoconhecimento está dentro de si. Ela morre de forma trágica, heróica - o que já faz dela uma personagem memorável.

Além do mais, como muito se diz, se Neo é uma alegoria do Cristo, soa blasfêmico colocá-lo ao lado de alguém signficante. Porque isso implica em uma necessidade emocional por parte do Neo. Isso já mostra o peso de uma Trinity que quebra regras.

Em uma outra camada, podemos pensar na Trinity como alguém sexualmente bem resolvida. O que é um problema para a tradição judaico-cristã, que considera a sexualidade como algo ruim e sujo.

Já no início do primeiro filme, Neo se mostra surpreso pelo fato de Trinity ser uma mulher. Quando ele diz 'eu pensei que você era homem', ao conhecê-la, todo um machismo se explicita. E no desenrolar dos três filmes (o último um pouco decepcionante, tenho que admitir), a personagem da Trinity se constrói deixando margem a várias dúvidas: ela sabe mesmo quem é? Ou se constrói à sombra dos homens? Ela toma decisões e parece agir muito bem em vários momentos. Em outros, nem tanto assim... no entanto, ela é o único ser humano que viu o sol. E dá a impressão que é iluminada demais.

Por fim, tendo em vista todas as características apresentadas, chega-se à conclusão: se os irmãos Wachowskis tentaram criar um mito da cultura moderna, apresentando todos os seus conflitos e questões fundamentais, então a Trinity tinha que morrer. O que leva a crer que, mais do que um ideal nerd, a Trinity pensava por si própria. E mulheres que pensam demais não têm lugar nesse mundo machista.

Lola, eu não estou dizendo aqui que a Trinity é uma perfeita feminista. Porque ela não é. Mas a maneira como ela é retratada pode nos levar à reflexão. Porque ela se sacrifica - e essa história de amor sacrificial é manjada. Nós, mulheres, sabemos o quanto a sociedade nos pressiona a esse tal amor que se anula em nome da família, marido, filhos. A Trinity encarna isso. Ela é uma personagem 'livre', e ao mesmo tempo melancólica com a sua condição. Talvez seja por isso que eu ache-a memorável. Por representar tão bem o que a sociedade faz das mulheres.

O texto a que me refiro: http://www.thematrix101.com/contrib/sfaller_mater.php

muitopelocontrario disse...

Como assim 2 linhas pra batalhadora Erin Brockovich com a Julia Roberts ?

E a Telma e Louise ?

Nao tô entendendo nada. Nao é melhor fazer uma votação?

Vai no Poll Daddy polldaddy.com

Abçs,

muitopelocontrario disse...

ahaha, nao tenho tido tempo pra navegar por ai, agora que vi lá embaixo a Thelma e a Louise. Foi malz.

Luciana disse...

Gente! Quanto filme pra assistir e rever!!! Lendo essa lista eu vejo como minha memória tá ruim hausdhaush.

E já que mencionaram Tarantino, em Death Proof, na segunda parte, as personagens botam pra quebrar (eu ri demais).

Anônimo disse...

Oi, Lola,

Do Spielberg, que tal a Miss Celie (Whoppie Goldberg) ou a Sophia (Oprah Winfrey), de "A Cor Púrpura"?

Miss Celie parece um passarinho, com medo do mundo (e principalmente dos homens), e depois cresce, ao relacionar-se com mulheres fortes como Sophia e Shug, a cantora libertária que é amante de seu marido. E ela cresce mais ainda depois que ele diz, ao saber que ela está indo embora: "Quem você pensa que é? (...) Você é preta, pobre, feia, mulher. Você não é nada!"

E ela responde, indo embora: "Eu sou probre, preta, e talvez até seja feia, mas, meu Deus, eu estou aqui!" (querendo dizer: Eu estou viva!)

Beijos,
Sandra

Anônimo disse...

Ah, Lola, e tem essa frase maravilhosa da Sophia, depois de uma briga com o marido (em que ela apanhou, mas também bateu):

"Toda a minha vda eu tive que lutar. Lutei com meu pai. Lutei com meus tios. Lutei com meus irmãos. Uma garota não está a salvo em uma família de homens. Mas nunca imaginei que teria que lutar em minha própria casa".

Estou com essas imagens fresquinhas na cabeça, pois acabei de rever "A Cor Púrpura". :)

Sandra

Marcos disse...

Já que você encerrou o post falando de dois personagens da Anjelica Houston, lembrei que pra mim a melhor atuação dela é como a Maerose Prizzi de "A honra do poderoso Prizzi".

O que me leva a propor outro tipo de escolha. Melhor personagem de cada atriz:

Meryl Streep -> Sophie, é claro. Menção honrosa para a personagem dupla de "A mulher do tenente francês".
Catherine Deneuve -> Miriam Blaylock (Fome de viver)
Winona Ryder -> Abigail Williams (As bruxas de Salem)
Sigourney Weaver -> Paulina Escobar (A morte e a donzela)
(E agora percebo que isso pode se estender por milhares de posts)

Mirella Nogueira disse...

Oi Lola!
Pegando o gancho vou falar sobre algo que li esses dias e quem tem a ver com personagens feminimos da ficção.
Vou falar sobre os personagens dos desenhos Disney, já que influenciam tanto as crianças e por consequência nossas atitudes desde pequenas.
Eu li sobre a evolução feminista ao longo dos anos nesses personagens, nas princesas Disney.
Vou citar mais ou menos o que eu li, é interessante:

Primeiro é a Branca de Neve, de 1937, protagonista do primeiro clássico da Disney, ela inaugura o ideal de princesa que se mantém há mais de sete décadas: uma mulher bonita, dócil, pura e de bom coração. Ao comer a maçã envenenada, Branca de Neve é traída por sua ingenuidade e derrubada pela competição feminina, a rainha má. E as únicas pessoas que tem compaixão por ela e a ajudam são homens: os anões e o caçador que tem pena que matar ela e a liberta. Além disso, a salvação de Branca de Neve está na passividade: ela deve aguardar deitada e casta até que o príncipe encantado apareça e resolva o problema.

A segunda é a Cinderela, de 1950, também bela, pura, casta e bondosa, ela é submetida pela madrasta e pelas irmãs a uma rotina de servidão e humilhações (já que a competição e a maldade feminina imperam), e aceita o sofrimento com doçura. Mais uma vez, a princesa tem uma atitude passiva diante dos problemas, mas desta vez é a Fada Madrinha quem traz a salvação, num passe de mágica. Porém, com uma advertência e uma punição para as mulheres que desobedecem a hora de voltar pra casa. Mulheres de respeito não podem ficar a partir da meia-noite na rua. A salvação de sua rotina de humilhações está novamente num homem, ou precisamente, no casamento.

A terceira é Aurora, a bela adormecida de 1959. Entre as princesas, é certamente a que tem um papel mais passivo na trama, já que só aparece acordada em menos de 20 minutos de filme. Está sempre preocupada em agir de acordo com o que os outros querem e não reafirma suas próprias opiniões. E claro, é salva por um homem e o casamento.

A quarta é A pequena sereia, de 1989. A sereia deseja ter pernas para tentar conquistar o príncipe e não hesita em modificar sua aparência física para estar de acordo com o padrão estético sugerido, mesmo que para isso tenha que sacrificar também sua voz, ou seja, sua liberdade de expressão. Para claro, conseguir o que toda mulher deseja, casamento. E novamente, a personagem má da história é uma personagem feminina (a bruxa do mar) e que não atende a nenhum esteriótipo de beleza, ela não é branca, não tem cabelos compridos e é bem gorda. Porém, aqui a princesa mostra algum avanço, ao desafiar o poder patriarcal e sair um pouco da passividade já que ela toma a iniciativa perante o homem.

A quinta é a Bela (a bela e a fera), de 1991. A heroína que se apaixona pela Fera e enxerga além de sua aparência monstruosa inovou ao esnobar o rapaz mais desejado do povoado e demonstrar seu amor pela literatura. Aliás, no começo Bela nem pensava em casamento apenas almejava sair da cidade pequena e progredir. O interessante é que ela é vista na cidade como uma mulher muito estranha. Todos se perguntam pq ela não quer casar e pq não se interessa por vaidade, apenas por leitura. E é legal também pq colocaram um personagem masculino bem boçal e machista, mostrando como ele é grotesco. Também foi a primeira vez que a Disney mostrou uma princesa na posição de salvadora do príncipe, e não o contrário, como de costume.

CONTINUA

Mirella Nogueira disse...

A sexta é Jasmin (Aladin), de 1992. A filha do sultão é uma das princesas mais avançadas em termos de representação da mulher moderna. Rebelde frente ao poder patriarcal e à ordem da realeza, ela desafia a estrutura social ao assumir o amor por um rapaz de classe bem mais baixa. Um pobre. Diferentemente da maioria das princesas, ela tenta fazer seu próprio destino, sem esperar passivamente pela ajuda dos outros. E é também a primeira vez que a heroína não é branca e com características européias, e o personagem mau do filme é um homem, porém, claro, feio... que não atende nenhum esteriótipo de beleza. Até pq, os bonitos são bons.

A sétima é Pocahontas, de 1995. Pocahontas é também um marco da visão mais feminista nos desenhos Disney. Ela desafia o poder Patriarcal, não aceita o noivo que o pai lhe impõe, não pensa em casamento, e também não é passiva. Ela toma a iniciativa e pasmem! beija um homem (e aqui é beijão de lingua... hahaha) sem pensar em casamento. No final, é ela quem salva o homem e toda a sua tribo e ainda discusa com propriedade e sabedoria.

A oitava é Mulan, de 1998, que, quando o imperador ordena que um homem de cada família seja convocado para servir ao exército e sabendo que seu pai está velho e doente e, portanto, não resistiria à guerra, decide assumir o lugar dele, se disfarça de homem e se apresenta no exército, de armadura, espada e tudo. É legal a parte em que mostra ela indignada com a condição das mulheres, que tem que se enfaixar, se intupir de maquiagem e andar toda retida, com aqueles tamancos altíssimos. Ela odeia isso tudo. E, quando se disfarça de homem, cortando os cabelos, tirando a maquiagem, tirando os vestidos apertados e colocando calças, ela se sente muito mais confortável e feliz. E ainda se dá melhor do que os homens! Se torna o melhor, mais persistente e mais inteligente soldado, mesmo com algumas limitações femininas como a força, ela se dá melhor. O que é uma vergonha para os homens. No final é ela quem salva um país inteiro!
No processo, Mulan se tornou a protagonista atual mais feminista da Disney.

E agora, este ano, a Disney está lançando a personagem Tiana (a princesa e o Sapo). Agora a Disney aposta na primeira heroína negra da história do estúdio. Pelo que eu li, Tiana é a primeira do panteão de princesas a trabalhar fora, como garçonete, mas acaba servindo uma branca rica. Apesar de sua beleza, ela passa a maior parte do filme transformada em um sapo, ao lado de um príncipe boêmio, falido e amaldiçoado, longe de estereótipos anteriores. E desta vez, a mocinha é a racional da história, e ele é o romântico que deseja se casar.

Então Lola, o que vc acha dessa trajetória dos desenhos Disney? Esses desenhos são importantes por todas as suas mensagens, tanto diretas, indiretas e subliminares, até pq é o que é passado pelas crianças e é o que elas absorvem.

Beijo pra vc!

Marcos disse...

Desconstruindo as princesas (e os príncipes):

http://contexts.org/socimages/2009/10/25/disney-princesses-deconstructed/

Mirella Nogueira disse...

Marcos, legal esse link que vc passou...

E falando mais da Pequena Sereia, quando a bruxa do mar lhe diz que ela terá que perder a voz, a sereia lhe pergunta então como ela conseguirá conquistar o príncipe. Ao que a malvada lhe diz: "Vc terá sua aparência, seu belo rosto e não subestime a linguagem do corpo". E ainda canta uma musica pra ela que diz assim (versão dublada brasileira): "O homem abomina tagarelas; garota caladinha ele adora. Se vc ficar falando, o dia inteiro fofocando, o homem se zanga diz adeus e vai embora. Não vai querer jogar conversa fora, que os homens fazem tudo pra evitar. Sabe quem é mais querida? É a garota retraída. E só as bem quietinhas vão casar."

É mole isso?? Grotesco né?

Mirella Nogueira disse...

Mandei email Lola!!

lola aronovich disse...

Mirella, não recebi seu email! Manda de novo?
É
lolaescreva@gmail.com

Será que eu escrevi errado no seu blog?
Gostei muito dos seus comentários sobre as princesas no post. E obrigada pelo link, Marcos, do Sociological Images. Eu já conhecia, mas vou usar no guest post!

Mirella Nogueira disse...

Mandei novamente e vou postar aqui tb, pra caso vc não consiga visualizar novamente o email, ok?

Oi Lola!!!

Então, procurei aqui onde eu tinha lido e achei!!!
Foi um PDF nesse endereço: www.intercom.org.br/papers/regionais/sul2009/resumos/R16-0120-1.pdf

É muito bom e ele é mais detalhado. Dá uma lida que é bem legal. E o resto eu escrevi do que eu refleti sobre os filmes, tenho todos eles e já os assisti diversas vezes.

E achei o video da Pequena Sereia, com a parte em que ela decide modificar sua aparência e perder a voz. Dá uma olhada no que diz nas falas e na música, é grotesco: http://www.youtube.com/watch?v=9unEgTSr5Pc

E sobre o próximo desenho da Disney (A princesa e o sapo), sua estréia aqui no Brasil será no começo do ano. Nos EUA parece que está para estreiar ainda esse mês.
Achei esses dois links: http://www.animatoons.com.br/the-frog-princess/disney-lanca-trailer-dublado-de-a-princesa-e-o-sapo/

http://www.clicrbs.com.br/especial/sc/donnadc/19,0,2745682,A-Princesa-e-o-Sapo-traz-a-primeira-mocinha-negra-da-Disney.html

Espero ter ajudado!

Beijão!

Meg disse...

Notou que todo mundo acha que mulher não gosta de filme de ação? O que você tem a dizer sobre isso? :)

Marcos disse...

Mirella:

O conto do Andersen é explícito. Tem isso que você comentou, de a bruxa dizer que bastará o corpo para conquistar o príncipe. Mais: "Todos lhe admirarão a beleza, e você manterá o andar ligeiro e gracioso, mas cada um dos seus passos lhe há de causar tanta dor como se andasse sobre pontas de alfinetes e lhe fará escorrer sangue".

Ela aceita e no fim ainda se sacrifica para o príncipe poder ser feliz casado lá com a princesa que ele arrumou.

Deborah disse...

amei esse tipo de filme

Vitor Ferreira disse...

Natalie Portman em Closer. Catherine Zeta Jones em Chicago. Bridget Jones. Meryl Streep em Julie e Julia, O Diabo Veste Prada, A Escolha de Sofia. Kate Hudson em Quase Famosos. A dupla de Laços de Ternura. Talvez Juno, mas eu odeio o filme. A June Carter da Reese Witherspoon. E também a Tracy Flick. E a Legalmente Burra. Digo, Loira. A Felicity Huffman em Transamérica. A Melanie Griffith em Working Girl. Diane Keaton em As Filhas de Marvin. As gordinhas dos Hairsprays. Olivia Newton-John em Grease.

Raquel Correa disse...

Marla Singer (Helena Bohan-Carter) de O Clube da Luta. Jane Eyre (Charlotte Gainsbourg), do filme homonimo. Maria Elena (Penelope Cruz) em Vicky Cristina Barcelona...vou lembrando de outras...

marcelo c disse...

Idgie Threadgoode, Tomates Verdes Fritos