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quinta-feira, 1 de maio de 2014

FELIZ DIA DO TRABALHO, ESQUILINHOS

Descubra quem é o boneco de pelúcia

Queridas pessoas, hoje é feriado, vocês nem estão aqui (todos os blogs são abandonados à própria sorte), e eu deveria estar na praia. E eu vou pra lá, mas volto no sábado, porque não tenho como ficar quatro dias de papo pro ar. 
Aproveito, antes de ir, pra deixar esse teste fácil pra você ver se é ou não feminista.
E esta paródia do que é dito para e sobre as vítimas de estupro.
Por falar em estupro, o governo americano lançou uma campanha muito bacana contra o estupro, o 1 is 2 Many
Veja o vídeo (em inglês) de um minuto em que Obama, Daniel Craig, Benicio del Toro e outros homens famosos afirmam que não querem ser parte do problema, querem ser parte da solução. 
E, aproveitando ainda mais, aproveito pra dar uma oportunidade de trabalho no dia do trabalho. 
Pessoas que têm graduação em Letras-Inglês e moram em Fortaleza (estou pensando em vocês, meus ex-alunxs, mas pode ser por qualquer universidade, não só a UFC), vamos aplicar 10 mil provas de Toefl entre maio e junho. Quem quiser receber R$ 25 a hora para ser fiscalizador da prova, envie um email para isf@ufc.br
E quem quiser se inscrever para fazer uma prova Toefl inteiramente grátis (em vez de pagar os 200 dólares usuais que a instituição cobra), as inscrições estão abertas. Pelo que sei, em todo o país. 
Se vocês quiserem rir um pouco, uma leitora recomendou a comediante feminista Amy Schumer. Ela é ótima mesmo!
Agora vou aproveitar meu feriadinho. 

Lolinha esta semana, antes do feriado: sufoco (sempre quis usar essa imagem do esquilo alemão preso num bueiro).

domingo, 5 de julho de 2009

ENFIM, MINHA VOZ


Não sei de onde surgiu essa obsessão pra ouvir minha linda e maviosa voz (taquara rachada é o pai, Mario Sérgio!). Ok, minha voz tá mais pra mafiosa, mas voz é que nem altura: é a que a gente tem, e não dá pra mudar muito (e não seria ótimo se a gente aceitasse outras partes do nosso corpo com a mesma desenvoltura?). Como todo mundo, eu não gosto da minha voz gravada, nem a reconheço, mas quando ouço minha voz ao vivo, enquanto eu falo, até a acho decente.

Semana passada o maridão foi convocado pra procurar alguns vídeos antigos que ele, à la Cloverfield, havia filmado. Não tem muita coisa com a minha voz. Tem esses dois com esquilinhos em Detroit. Ah, os esquilinhos! Aí não dá pra ouvir muito além de “Ai, que fofinho! Que lindo! Que gracinha! Quer mais um amendoim, fofooo?”. Quer dizer, não acho que demonstro essa eloquência toda no vídeo. Mas os esquilos, quando o maridão conseguiu focalizá-los, são maravilhosos. Sinto saudades deles. E não venham me dizer que eles são ratos com caudas peludas! (tá, tem um certo parentesco. Distante!).


Neste outro vídeo mal dá pra ouvir minha voz, mas achei interessante colocá-lo aqui por uma questão de registro histórico. Aqui estamos eu, o maridão, e duas amigas brasileiras, Andie e Carol, nas escadas de um estádio, esperando pra entrar no primeiro comício que o Obama deu em Detroit. Isso foi em junho do ano passado. Mais tarde, em setembro, ele realizaria um segundo comício, bem em frente à universidade que eu frequentava, a duas ou três quadras de casa. Mas, infelizmente, a gente já não estava mais lá. No vídeo, vocês podem ver meus cabelos esvoaçantes ao vento, e meu olhar fuzilador mandando o maridão parar de filmar. Ele obedeceu, que ele não é tão bobo.
Como eu sabia que esses pedacinhos de voz não seriam suficientes pra saciar um público tão exigente como vocês, gravei um vídeo! Duas utilidades em uma! Além de vocês terem acesso ilimitado a minha voz, vocês podem também ver como é o meu quarto. Eu ia dizer que é quarto de pobre, porém honesto e limpinho, mas creio que as imagens me desmentem.

Faz tempo que tenho vontade de fazer algum podcast (se for assim que se diz) ou algo que o valha. Algo falado, não escrito. Mas pra falar sozinha seria hiper chato. E pra falar com o maridão... bom, como vocês podem ver pelo vídeo, ele não fala comigo.
E antes que alguém diga alguma tolice, eu não tenho sotaque catarinense! Eu não falo cantado. É uma percepção totalmente equivocada que meus amigos paulistas têm de mim!
Ok, agora fico aqui no aguardo de altos elogios a minha voz. Podem começar com "Lolinha, você fala quase tão bem quanto escreve". Me iludam que eu gosto.

domingo, 19 de abril de 2009

SAUDADES DE DETROIT ÀS VEZES

Minha cachorrinha americana e sua humana brasileira.

Não sinto falta de muita coisa de Detroit não, pra falar a verdade. Porque nossa vidinha lá era muito parecida à daqui. Claro, internet muito mais rápida faz falta. Netflix, então, nem se fala. Muitos filmes nos cinemas, idem. Parques com esquilinhos. Comida chinesa. Total ausência de baratas. Tudo isso deixa saudades. Mas o que trouxe à tona todo esse saudosismo foi esta foto que o maridão encontrou no computador. Sou eu com minha cachorrinha de estimação lá em Detroit.
Ok, a cachorrinha era (é, espero) uma São Bernardo, então de inha não tem nada. E ela não era bem minha. Ela morava numa casa que ficava no caminho de um dos supermercados. No comecinho ela latiu pra mim. Mas já na segunda vez que passei por lá fizemos uma grande amizade. Ele era uma fofura, largava tudo que estava fazendo (o que, em se tratando de uma cachorra, não era muito), pra vir me ver. Ficava em duas patas, caía no chão, dava cambalhotas, lambia o meu rosto, pulava. E eu fazia o mesmo em equivalência humana. Felizmente a rua era deserta, a casa não parecia ter ninguém (nunca vi uma só alma humana lá dentro), e não havia testemunhas pra festa que uma fazia à outra. Eu amava muito aquela cachorrinha. Lá era raro ver animais que não fossem esquilos. Graças a Deus, não existem cães de rua, abandonados (existem gatos). E como a gente morava em prédio, onde era proibido ter pets, passava muitos dias sem tocar num bichinho peludo. Foi do que mais senti falta por lá: dos meus queridos fofinhos no Brasil, que minha mãe ficou cuidando. Como é triste a vida sem esses felpudos!
Essa cachorrinha que eu via uma vez por semana ajudava a contornar a angústia. Ela deixava minhas camisas totalmente babadas e cheias de pêlos brancos, mas era por uma boa causa. Foi um pouco decepcionante, confesso, um dia em que eu a peguei no flagra dando carinhos pra uma outra moça que passava. Mas eu não podia exigir exclusividade. Eu também a traía com os esquilinhos. Só que os belos roedores eram interesseiros. Queriam meus amendoins. Já a cachorrinha só queria o meu amor.Lolinha no parque, esperando um amendoim cair na sua cabeça.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

ÚLTIMA CRÔNICA DE DETROIT

Escrevi este texto na última semana de Detroit (um mês atrás), e ele ficou perdido entre milhões de arquivos. Então tá aqui, antes tarde do que nunca.

Voltando da faculdade pra casa, lá pelas 7:30 da noite mas com pleno sol, passei por dois sujeitos, sentados, que falaram, “Good afternoon, young lady”. O young lady me deixou feliz, claro. Daí refleti como os homens de Detroit, em geral, são bem educados. Tudo bem, depende da idade – os mais jovens parecem revoltados, como tantos jovens em tantos lugares. E também não sei como esses dois sujeitos que me falaram boa tarde se comportariam com alguém da cor deles. É que a segregação aqui é tão grande que tenho a impressão que negros não desejam brancas, e vice versa (no momento estou meio amarela, com cabelo black power dos anos 70 pra ninguém botar defeito). Ok, tem os loucos, que são muitos. E digo loucos literalmente. Desses que andam na rua não apenas falando com eles próprios, mas gritando e se auto-xingando. E aí eles se cansam de brigar com eles mesmos e quebram uma garrafa e partem pra cima de você. Já aconteceu comigo. Me contaram, e eu acredito, que vários hospícios fecharam por falta de verba (saúde pública nos EUA é inexistente; veja o fantástico Sicko – SOS Saúde, do Michael Moore). E os internos foram simplesmente jogados na rua. Mas os não-loucos são gentis. Como eu e o maridão andamos de mãos dadas, é frequente alguém passar e falar, sem nenhum sarcasmo, “Ah! That's true love!” (oh, isso é amor de verdade). Pelo jeito somos o único casal caquético do universo a andar de mãos dadas e, às vezes, abraçados (geralmente um se apoiando no outro pra não cair). O zelador do prédio só diz: “Hello, lovers!” (olá amantes/namorados/pombinhos?). A primeira vez que ele falou isso eu pensei: “Ish, será que as paredes do nosso apê são finas demais e calhou de alguém passar no corredor bem quando, no Natal, o título de 'lovers' seria justo?”. Mas agora já me acostumei com o “Hello, lovers!” do zelador.

Eu e o maridão estávamos na principal praça da universidade, alimentando os esquilinhos, quando passaram dois rapazes bonitos. Sorridentes, eles disseram Good afternoon pra gente, a gente respondeu, e eles decidiram falar conosco. Só aí percebi que as roupas formais eram esquisitas pra meninos da idade deles. “Não quero afugentar o seu esquilo”, ele começou, e eu gostei que ele reconheceu que o esquilinho aos meus pés tinha dona, “Mas aqui tem um papel, e com esse papel você pode pedir o livro tal. Esse livro mudou a minha vida”. Agradecemos, e eles foram embora, felizes de ter cumprido o que sua religião manda – não basta acreditar, tem que aumentar o rebanho. Eram mórmons. Eu tive que falar pro maridão: “Por que, ó Senhor, por que fazer dois carinhas tão lindinhos gente tão religiosa? Por que eles não podem ser adeptos do amor livre?”. O maridão ainda estava na parte do “seu esquilo”.

E por falar em esquilos, desta vez pegamos um maníaco. Tão maníaco que, mesmo depois de ter devorado ou enterrado uns dez amendoins, ainda partiu pra cima de outro esquilo que queria um reles amendoinzinho. Eu apelidei o maníaco de Coringa. Esse não tinha o menor medo da gente. Pelo contrário. Se a gente demorava meio segundo pra dar o amendoim seguinte pra ele, ele já ficava em duas patinhas, nos encarando, quase ameaçando subir nas nossas pernas e escalar até as nossas mãos. Todo mundo passava e falava “How cute!”, mas eu sabia a verdade. Tanto que falei pra ele: “Ó, você pode estar fazendo o maior sucesso entre os humanos, mas desconfio que você não seja muito popular entre seus colegas esquilinhos”. Ele não ouviu e exigiu o próximo amendoim. Quando ele pisou no pé do maridão, ele (humano) até teve de dizer: “Cuidado, tá?! Eu sou maior que você!”. Mas ainda assim achamos de bom tom ir embora. Discretamente, pra ninguém captar o terror em nossos olhos.

domingo, 11 de maio de 2008

FELIZ DIA DAS MÃES, MAMÃEZINHAS QUERIDAS


Não sou nada de ligar pra datas comerciais, mas sei que muita gente é, então queria desejar um feliz dia das mães a todas as mães que lêem o meu bloguinho. Pra comemorar, selecionei o trailer de Mamãzinha Querida. Tá, eu sei que minha escolha é pouco ortodoxa e que esse filme camp (cafonérrimo, exagerado, desses tão-ruim-que-acaba-ficando-bom) de 1981 não é bem um modelo de como uma mãe deve se comportar. É que eu pensei nele anteontem, quando estava selecionando falas clássicas, e esbarrei em “N
o wire hangers... ever!” (“Nada de cabides de arame! Jamais!”). A trama, pra quem não viu, conta a história real da estrela de Hollywood Joan Crawford, interpretada aqui com gusto pela Faye Dunaway (que concorreu à Framboesa de Ouro na época, pelos excessos). Joan já era rica, e ficou mais rica ainda após se casar com o presidente da Pepsi. Mas faltava-lhe alguma coisa na vida, e ela decidiu adotar uma menininha. Ela não sabia que a menininha ia crescer e escrever um bestseller contando todos os maus-tratos sofridos na mão da megera. Mommie Dearest, o filme, é baseado no livro. Joan humilha a garota, não demonstra nenhum tipo de carinho nunca e, quando se cansa dela, a despacha prum colégio interno. O auge mesmo, e provavelmente o motivo que os gays a-do-ram imitar a Faye imitando a Joan, é quando a estrela descobre que um dos valiosos vestidos da filhinha foi pendurado num cabide de arame. Aí, sai de baixo (veja o trailer acima). Você pode adotar isso como uma piadinha interna entre você e seu marido, ou entre você e sua filha. Segundos antes de você ter um chilique não-justificado, a vítima da ira deve perguntar: “Nada de cabides de arame?”. Sabe, como quem pergunta, “Me Tarzan, you Jane?”. É um bom código pra você se dar conta que está saindo um pouco da casinha (ouvi essa expressão e amei, mas não sei se alguém mais entende o que quer dizer. “Sair da casinha” significa enlouquecer. Acho).

Tá, mas por que escolher Mamãezinha Querida pra celebrar o dia das mães? Bom, é que gosto do filme – é sempre uma delícia ver celebridades agindo tão mal. E também pra que vocês possam se comparar com a Joan Crawford e pensar, “Puxa, eu deveria receber o título de Mãe do Século”. Quero dizer, sei que todas as mães leitoras deste bloguinho são as melhores mães do mundo y sus arrededores, como dizia meu pai. E pra não dizer que não falei de flores (uma vez escrevi esse verso do Geraldo Vandré numa crônica, e um leitor não-familiarizado mandou um email revoltado, gritando: “Que flores? Além de não entender nada de cinema, bebe?!”), deixo vocês com um micro-vídeo de um esquilinho. Notem que o maridão evoluiu muito e que a câmera fotográfica mal está tremida desta vez. Gostaria de dizer que o esquilinho é uma esquilinha e encontra-se cheinha não por causa dos 438 amendoins que lhe dei, e sim por estar grávida. Mas a verdade é que eu não saberia distinguir um esquilo macho de uma fêmea. E que, se a esquilinha estivesse grávida, ela ficaria encaramujada dentro de alguma árvore enquanto seu marido, el esquilón, fosse procurar amendoins e sorvete de pistache no meio da madrugada pra ela. Seria o que eu faria (exigindo sorvete de chocolate, lógico).

domingo, 30 de março de 2008

ESQUILINHOS E ESPECTROS

O maridão tirou várias fotos desta árvore, crente que havia um esquilinho no meio.

Na realidade, o esquilinho estava lá em cima. Levou umas cinco fotos até o maridão notar.


Mas pobrezinho, não do esquilinho, e sim do maridão. Ele comprou uma câmera nova da Fuji por 157 dólares, que chegou pelo correio faltando vários itens, e com um manual xerocado. O maridão desconfiou, já que pagou o preço de uma câmera nova, não reformada. A comprovação veio ontem, quando ele tava passando as fotos esquilísticas pro computador. Tinha fotos do último dono! É tão sinistro ver na sua câmera fotos que não são suas. Felizmente não havia nada impróprio, mas existia um quarto que nunca vimos mais gordo, uma pessoa deprê, e uma espécie de espectro. Sério, parecia um fantasminha passando em frente à lente. Dá pra fazer um filme de terror com o material.

domingo, 23 de março de 2008

OLHAR MANÍACO DE ESQUILO?

Um dos exóticos leitores que chegaram aqui esta semana através do Google escreveu na sua busca "olhar maníaco esquilo". Não conheço esse olhar nos meus inocentes esquilinhos. Será este olhar maníaco a que o leitor se refere?Ou este?Ou, de repente, este?Alguma os esquilinhos devem ter aprontado em outra encarnação, porque existe até uma marca chamada Bad Squirrel (Esquilo Mau). Parece que às vezes eles mastigam cabos elétricos e, óbvio, morrem eletrocutados, tadinhos, mas não sem antes provocar algum blecaute. Por isso que é bom que eles sempre tenham algo mais nutritivo pra comer. Outro dia, quando eu e o maridão alimentávamos os esquilinhos, chegou uma hora em que os amendoins acabaram. Estavámos cercados por uns cinco esquilos. Perguntei pro maridão: "E agora, o que a gente faz?". E ele: "Recomendo que a gente saia daqui rapidinho". Besteira! Esquilinhos jamais iriam me machucar. Com ou sem olhar maníaco.

domingo, 16 de março de 2008

MARIDÃO TREINANDO PRA CLOVERFIELD - COM ESQUILO

Meu primeiro vídeo! Eu e o maridão fomos ao campus da faculdade ver se encontrávamos alguns esquilinhos. E encontramos! Tiramos muitas fotos, e o maridão até fez este vídeo. No blog dele ele pôs um outro, bastante parecido, mas este é melhor. Se você conseguir vê-lo, preste atenção nos dois passinhos que o esquilo dá pra acertar seu equilíbrio enquanto devora um amendoim (tão fofinho!), e no pavor total do maridão quando o esquilinho ataca a câmera. Com este vídeo, acho que a vaga pra cameraman no próximo Cloverfield tá garantida!

O ESQUILINHO VISITADOR VOLTOU

Pois é, agora que a neve deu um pouco de trégua, eis o esquilinho de volta a minha casa. Desta vez ele fez questão de frequentar todas as janelas. Bom, talvez não a do banheiro. Esta foto que eu tirei é do esquilinho calmamente sentado numa das duas janelas do meu quarto/sala (aqui só há três ou quatro recintos: banheiro, cozinha, quarto/sala, com closet!). Note o negócio azul do lado de dentro da janela. É um par de meias que compramos e nunca serviu. Achamos que ele teria mais utilidade bloqueando a entrada de ar gelado que às vezes vem pela frestinha. Mas voltando ao esquilo: ele não é lindo? Primeiro fui ver a janela da cozinha, onde ele já havia começado a cavar um buraquinho na tela em outra ocasião. Olhei, olhei, e não vi nada. Até que vi sua cauda. Ele estava pendurado de cabeça pra baixo, e só dava pra ver a cauda, que mais parecia um porco espinho. Mas o esquilinho sentiu-se observado e, mesmo de cabeça pra baixo, subiu a cabecinha pra me ver. E nosso olhar se cruzou naquele momento. Não tenho um momento romântico desses com o maridão há séculos. Opa, preciso dar um nome pro esquilinho. Alguma sugestão?

domingo, 2 de março de 2008

UM ESQUILINHO VEIO ME VISITAR

Não sei se dá pra ver direito, porque quem tirou a foto foi o maridão, mas tem um esquilinho na janela! Essa daí é a janela da nossa cozinha em Detroit. Repare no pão (integral!) em cima da geladeira (e não sei como a geladeira saiu tão limpinha). Enfim, um esquilo super fofinho veio uns quatro dias seguidos me ver. Ele até começou a cavar um buraquinho na tela. Num dos dias eu nem tava aqui, e o esquilinho veio de qualquer jeito. O maridão tava em outro recinto, a janela ficou aberta na cozinha, e ele ouviu um barulho. Foi ver e era o esquilinho tentando entrar pelo túnel na tela, certamente desesperado pra me encontrar. Quando cheguei, o maridão me disse que a gente precisa sempre fechar a janela quando sair, ou senão o esquilo entra. E eu: "Amor, tem uma coisa que você precisa saber a meu respeito. Os esquilinhos são bem-vindos aqui! Mi casa, su casa! Eu não ligo. Esquilinhos! Esquilinhos!". Mas o frio voltou a atormentar minha vida, e acho que o esquilo decidiu hibernar por mais um tempo. Sumiu. Tenho certeza que ele retornará. Eles são tão fofinhos... Aproveitando, tenho um truque infalível pra identificar nacionalidades no norte dos EUA. Como se chama a pessoa que fica três horas embaixo de uma árvore observando, deslumbrada, um esquilinho? Fácil: brasileiro!

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

ESQUILINHOS ARREPENDIDOS

Três ou quatro coisinhas muito boas aconteceram comigo na minha emocionante volta pra casa pro almoço. Vamos pela ordem: 1) Na entrada do elevador do prédio da faculdade, encontrei o meu querido faxineiro (esse merece um post só pra ele). Com aquela voz maravilhosa, ele, espantado com a minha roupagem de inverno - vestida como se eu estivesse indo pruma expedição no Alasca - perguntou se o tempo abaixo do equador onde eu vivo é muito diferente. Ele não elogiou meu cachecol multi-colorido, mas notei nos seus olhos que tava morrendo de vontade de comentar alguma coisa. 2) Vi um esquilinho lá fora, no jardim da biblioteca pública. Tá tudo coberto de neve, mas lá estava o esquilo, gordinho ainda por cima, o que prova que não está passando fome. O bichinho deu alguns passos, fez um túnel subterrâneo na neve, e saiu do buraco com algo parecido com uma noz. Eu, claro, fiquei lá parada, aplaudindo (e todo mundo me olhando esquisito, com pinta de “O que aquela boneca de neve tá fazendo? Parece que nunca viu um esquilo!”). Mas confesso que achei a atitude esquilística estranha também. Muitas vezes eu já joguei amendoim pra esquilos, e, quando não acerto um bem no meio da testa, eles ficam procurando a guloseima. Quase sempre tá no focinho deles, e eles não vêem. Como que um esquilo mergulha no meio da neve e acha uma noz? Deve ser um super-esquilo (tem que ser, pra sair da bat-árvore no meio do inverno). 3) Um senhor começou a falar comigo do nada. Primeiro me desejou um “Happy Valentine’s Day!” (me controlei pra não revelar que meu próprio marido, aquele traste, não me disse isso hoje), depois confidenciou que seu presente de Valentine’s pra ele mesmo será sair de Michigan, porque a economia americana tá péssima, então ele vai se mudar pra New Mexico, fronteira com o México, e fazer uns contrabandos. Muito simpático. 4) Finalmente cheguei em casa e o maridão pediu desculpas de joelhos. Aí em cima você pode ver o desenho que fez no cartão. É o esquilo com a maior cara de Rei Leão que eu já vi, mas valeu a intenção. Apesar d’o maridão dizer “Alguém pisei na bola”, implorar meu perdão e tal, disse pra ele que aquele cartão não era bem uma declaração de amor, e sim um pedido de desculpas. E pedi pra ele escrever outro, uma verdadeira declaração de amor agora, como se deve, porque amar é nunca ter que pedir perdão.

domingo, 2 de setembro de 2007

AMOR NÃO CORRESPONDIDO

Como raramente se vêem cães e gatos aqui em Detroit (eles ficam presos nas casas e quintais), uso os esquilos pra tentar saciar meu amor pelos animais. Mas esquilos não são substitutos à altura. Primeiro que são silvestres, não domesticados. Depois que muita gente poderia confundi-los com ratos com cauda peluda. Não eu. Pra mim esquilos são fofos e graciosos. Eu adquiro amendoim com casca pra alimentá-los e, assim, tentar comprar seu afeto. É bastante humilhante, confesso. A maior parte dos esquilinhos foge ao me ver, e eu corro atrás, e às vezes acerto um amendoim em suas cabecinhas de vento. O maridão disse, cruelmente, que eles devem me confundir com um esquilão, e que à noite eles provavelmente se reúnem ao redor de uma fogueira e contam histórias de terror sobre o Grande Esquilo. Outro dia um policial da faculdade passou, viu a minha constrangedora perseguição a um esquilo apavorado, e comentou que, com a maioria das pessoas, eles vêm comer na mão. Existem dois ou três esquilinhos que vêm na minha direção, ao invés de subir na árvore mais próxima e de lá jogar nozes na minha cabeça. Mas mesmo os mais corajosos nem chegam perto da minha mão estendida e suplicante. Ainda assim continuo amando esquilinhos. Ah, e quer saber? Tico e Teco não são esquilos, são o que o pessoal chama de chipmunks. Fomos enganados a nossa vida toda!