quinta-feira, 1 de maio de 2014
FELIZ DIA DO TRABALHO, ESQUILINHOS
domingo, 5 de julho de 2009
ENFIM, MINHA VOZ
Não sei de onde surgiu essa obsessão pra ouvir minha linda e maviosa voz (taquara rachada é o pai, Mario Sérgio!). Ok, minha voz tá mais pra mafiosa, mas voz é que nem altura: é a que a gente tem, e não dá pra mudar muito (e não seria ótimo se a gente aceitasse outras partes do nosso corpo com a mesma desenvoltura?). Como todo mundo, eu não gosto da minha voz gravada, nem a reconheço, mas quando ouço minha voz ao vivo, enquanto eu falo, até a acho decente.
Semana passada o maridão foi convocado pra procurar alguns vídeos antigos que ele, à la Cloverfield, havia filmado. Não tem muita coisa com a minha voz. Tem esses dois com esquilinhos em Detroit. Ah, os esquilinhos! Aí não dá pra ouvir muito além de “Ai, que fofinho! Que lindo! Que gracinha! Quer mais um amendoim, fofooo?”. Quer dizer, não acho que demonstro essa eloquência toda no vídeo. Mas os esquilos, quando o maridão conseguiu focalizá-los, são maravilhosos. Sinto saudades deles. E não venham me dizer que eles são ratos com caudas peludas! (tá, tem um certo parentesco. Distante!).
Neste outro vídeo mal dá pra ouvir minha voz, mas achei interessante colocá-lo aqui por uma questão de registro histórico. Aqui estamos eu, o maridão, e duas amigas brasileiras, Andie e Carol, nas escadas de um estádio, esperando pra entrar no primeiro comício que o Obama deu em Detroit. Isso foi em junho do ano passado. Mais tarde, em setembro, ele realizaria um segundo comício, bem em frente à universidade que eu frequentava, a duas ou três quadras de casa. Mas, infelizmente, a gente já não estava mais lá. No vídeo, vocês podem ver meus cabelos esvoaçantes ao vento, e meu olhar fuzilador mandando o maridão parar de filmar. Ele obedeceu, que ele não é tão bobo.
Como eu sabia que esses pedacinhos de voz não seriam suficientes pra saciar um público tão exigente como vocês, gravei um vídeo! Duas utilidades em uma! Além de vocês terem acesso ilimitado a minha voz, vocês podem também ver como é o meu quarto. Eu ia dizer que é quarto de pobre, porém honesto e limpinho, mas creio que as imagens me desmentem.
Faz tempo que tenho vontade de fazer algum podcast (se for assim que se diz) ou algo que o valha. Algo falado, não escrito. Mas pra falar sozinha seria hiper chato. E pra falar com o maridão... bom, como vocês podem ver pelo vídeo, ele não fala comigo.
E antes que alguém diga alguma tolice, eu não tenho sotaque catarinense! Eu não falo cantado. É uma percepção totalmente equivocada que meus amigos paulistas têm de mim!
Ok, agora fico aqui no aguardo de altos elogios a minha voz. Podem começar com "Lolinha, você fala quase tão bem quanto escreve". Me iludam que eu gosto.
domingo, 19 de abril de 2009
SAUDADES DE DETROIT ÀS VEZES
internet muito mais rápida faz falta. Netflix, então, nem se fala. Muitos filmes nos cinemas, idem. Parques com esquilinhos. Comida chinesa. Total ausência de baratas. Tudo isso deixa saudades. Mas o que trouxe à tona todo esse saudosismo foi esta foto que o maridão encontrou no computador. Sou eu com minha cachorrinha de estimação lá em Detroit. Ok, a cachorrinha era (é, espero) uma São Bernardo, então de inha não tem nada. E ela não era bem minha. Ela morava numa casa que ficava no caminho de um dos supermercados. No comecinho ela latiu pra mim. Mas já na segunda vez que passei por lá fizemo
s uma grande amizade. Ele era uma fofura, largava tudo que estava fazendo (o que, em se tratando de uma cachorra, não era muito), pra vir me ver. Ficava em duas patas, caía no chão, dava cambalhotas, lambia o meu rosto, pulava. E eu fazia o mesmo em equivalência humana. Felizmente a rua era deserta, a casa não parecia ter ninguém (nunca vi uma só alma humana lá dentro), e não havia testemunhas pra festa que uma fazia à outra. Eu amava muito aquela ca
chorrinha. Lá era raro ver animais que não fossem esquilos. Graças a Deus, não existem cães de rua, abandonados (existem gatos). E como a gente morava em prédio, onde era proibido ter pets, passava muitos dias sem tocar num bichinho peludo. Foi do que mais senti falta por lá: dos meus queridos fofinhos no Brasil, que minha mãe ficou cuidando. Como é triste a vida sem esses felpudos!
Essa cachorrinha que eu via uma vez por semana ajudava a contornar a angústia. Ela deixava minhas camisas totalmente babadas e cheias de pêlos brancos, mas era por uma boa causa. Foi um pouco decepcionante, confesso, um dia em que eu a peguei no flagra dando carinhos pra uma outra moça que passava. Mas eu não podia exigir exclusividade. Eu também a traía com os esquilinhos. Só que os belos roedores eram interesseiros. Queriam meus amendoins. Já a cachorrinha só queria o meu amor.
Lolinha no parque, esperando um amendoim cair na sua cabeça.quinta-feira, 28 de agosto de 2008
ÚLTIMA CRÔNICA DE DETROIT
Escrevi este texto na última semana de Detroit (um mês atrás), e ele ficou perdido entre milhões de arquivos. Então tá aqui, antes tarde do que nunca.
Voltando da faculdade pra casa, lá pelas 7:30 da noite mas com pleno sol, passei por dois sujeitos, sentados, que falaram, “Good afternoon, young lady”. O young lady me deixou feliz, claro. Daí refleti como os homens de Detroit, em geral, são bem educados. Tudo bem, depende da idade – os mais jovens parecem revoltados, como tantos jovens em tantos lugares. E
também não sei como esses dois sujeitos que me falaram boa tarde se comportariam com alguém da cor deles. É que a segregação aqui é tão grande que tenho a impressão que negros não desejam brancas, e vice versa (no momento estou meio amarela, com cabelo black power dos anos 70 pra ninguém botar defeito). Ok, tem os loucos, que são muitos. E digo loucos literalmente. Desses que andam na rua não apenas falando com eles próprios, mas gritando e se auto-xingando. E aí eles se cansam de brigar com eles mesmos e quebram uma garrafa e partem pra cima de você. Já aconteceu comigo. Me contaram, e eu acredito, que vários hospícios fecharam por falta de verba (saúde pública nos EUA é inexistente; veja o fantástico Sicko – SOS Saúde, do Michael Moore). E os internos foram simplesmente jogados na rua. Mas os não-loucos são gentis. Como eu e o maridão andamos de mãos dadas, é frequente alguém passar e falar, sem nenhum sarcasmo, “Ah! That's true love!” (oh, isso é amor de verdade). Pelo jeito somos o único casal caquético do universo a andar de mãos dadas e, às vezes, abraçados (geralmente um se ap
oiando no outro pra não cair). O zelador do prédio só diz: “Hello, lovers!” (olá amantes/namorados/pombinhos?). A primeira vez que ele falou isso eu pensei: “Ish, será que as paredes do nosso apê são finas demais e calhou de alguém passar no corredor bem quando, no Natal, o título de 'lovers' seria justo?”. Mas agora já me acostumei com o “Hello, lovers!” do zelador.
Eu e o maridão estávamos na principal praça da universidade, alimentando os esquilinhos, quando passaram dois rapazes bonitos. Sorridentes, eles disseram Good afternoon pra gente, a gente respondeu, e eles decidiram falar conosco. Só aí percebi que as roupas formais eram esquisitas pra meninos da i
dade deles. “Não quero afugentar o seu esquilo”, ele começou, e eu gostei que ele reconheceu que o esquilinho aos meus pés tinha dona, “Mas aqui tem um papel, e com esse papel você pode pedir o livro tal. Esse livro mudou a minha vida”. Agradecemos, e eles foram embora, felizes de ter cumprido o que sua religião manda – não basta acreditar, tem que aumentar o rebanho. Eram mórmons. Eu tive que falar pro maridão: “Por que, ó Senhor, por que fazer dois carinhas tão lindinhos gente tão religiosa? Por que eles não podem ser adeptos do amor livre?”. O maridão ainda estava na parte do “seu esquilo”.
E por falar em esquilos, desta vez pegamos um maníaco. Tão maníaco que, mesmo depois de ter devorado ou enterrado uns dez amendoins, ainda partiu pra cima de outro esquilo que queria um reles amendoinzinho. Eu apelidei o maníaco de Coringa. Esse não tinha o menor medo da gente. Pelo contrário. Se a gente demorava meio segundo pra dar o amendoim seguinte pra ele, ele já ficava em duas patinhas, nos encarando, quase ameaçando subir nas nossas pernas e escalar até as nossas mãos. Todo mundo passava e falava “How cute!”, mas eu sabia a verdade. Tanto que falei pra ele: “Ó, você pode estar fazendo o maior sucesso entre os humanos, mas desconfio que você não seja muito popular entre seus colegas esquilinhos”. Ele não ouviu e exigiu o próximo amendoim. Quando ele pisou no pé do maridão, ele (humano) até teve de dizer: “Cuidado, tá?! Eu sou maior que você!”. Mas ainda assim achamos de bom tom ir embora. Discretamente, pra ninguém captar o terror em nossos olhos.
domingo, 11 de maio de 2008
FELIZ DIA DAS MÃES, MAMÃEZINHAS QUERIDAS
Não sou nada de ligar pra datas comerciais, mas sei que muita gente é, então queria desejar um feliz dia das mães a todas as mães que lêem o meu bloguinho. Pra comemorar, selecionei o trailer de Mamãzinha Querida. Tá, eu sei que minha escolha é pouco ortodoxa e que esse filme camp (cafonérrimo, exagerado, desses tão-ruim-que-acaba-ficando-bom) de 1981 não é bem um modelo de como uma mãe deve se comportar. É que eu pensei nele anteontem, quando estava selecionando falas clássicas, e esbarrei em “No wire hangers... ever!” (“Nada de cabides de arame! Jamais!”). A trama, pra quem não viu, conta a história real da estrela de Hollywood Joan Crawford, interpretada aqui com gusto pela Faye Dunaway (que concorreu à Framboesa de Ouro na época, pelos excess
os). Joan já era rica, e ficou mais rica ainda após se casar com o presidente da Pepsi. Mas faltava-lhe alguma coisa na vida, e ela decidiu adotar uma menininha. Ela não sabia que a menininha ia crescer e escrever um bestseller contando todos os maus-tratos sofridos na mão da megera. Mommie Dearest, o filme, é baseado no livro. Joan humilha a garota, não demonstra nenhum tipo de carinho nunca e, quando se cansa dela, a despacha prum colégio interno. O auge mesmo, e provavelmente o motivo que os gays a-do-ram imitar a Faye imitando a Joan, é quando a estrela descobre que um dos valiosos vestidos da filhinha foi pendurado num cabide de arame. Aí, sai de baixo (veja o trailer acima). Você pode adotar isso como uma piadinha interna entre você e seu marido, ou entre você e sua filha. Segundos antes de você ter um chilique não-justificado, a vítima da ira deve perguntar: “Nada de cabides de arame?”. Sabe, como quem pergunta, “Me Tarzan, you Jane?”. É um bom código pra você se dar conta que está saindo um pouco da casinha (ouvi essa expressão e amei, mas não sei
se alguém mais entende o que quer dizer. “Sair da casinha” significa enlouquecer. Acho). domingo, 30 de março de 2008
ESQUILINHOS E ESPECTROS
Na realidade, o esquilinho estava lá em cima. Levou umas cinco fotos até o maridão notar.
Mas pobrezinho, não do esquilinho, e sim do maridão. Ele comprou uma câmera nova da Fuji por 157 dólares, que chegou pelo correio faltando vários itens, e com um manual xerocado. O maridão desconfiou, já que pagou o preço de uma câmera nova, não reformada. A comprovação veio ontem, quando ele tava passando as fotos esquilísticas pro computador. Tinha fotos do último dono! É tão sinistro ver na sua câmera fotos que não são suas. Felizmente não havia nada impróprio, mas existia um quarto que nunca vimos mais gordo, uma pessoa deprê, e uma espécie de espectro. Sério, parecia um fantasminha passando em frente à lente. Dá pra fazer um filme de terror com o material.










