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terça-feira, 25 de agosto de 2020

GUEST POST: MEU AMOR PELOS ANIMAIS FOI DECISIVO PARA ME TORNAR VEGANA

Publico hoje um excelente texto da musicista Guidi Vieira, colaboradora frequente do blog. 

Sempre fui apaixonada por comida. Dos quatro filhos que minha mãe teve, fui a única da qual ela precisou esconder comida na infância –- principalmente os doces. Todos adoravam comer, mas gula desmedida, mesmo, só eu. Lendo o meu primeiro diário (o único que guardei da infância e adolescência), escrito dos 7 aos 8 anos, vejo que há diversas descrições do que eu comia no café da manhã, dia após dia.
E quando digo que amo comer, não é nada relacionado a restaurantes, comidas refinadas, gastronomia cara, requintes. Nada disso. A comida que se considera mais simples me deixa com água na boca. Comida de almoço caseiro, sabe? É dessa que eu fico lembrando, dias a fio. Chega a ser quase romântico.
Vez ou outra, constranjo os outros com a minha fome: como a panqueca intacta que alguém deixou no café da manhã de um hotel. Como o aipim da mesa ao lado, no bar que oferece refeições. É este o nível de deselegância da minha gulodice. Sempre fico rememorando os sabores que senti em uma festa de aniversário (“e aquele bolo?”), ou o almoço que meu colega fez, despretensiosamente (“e aquele feijão, Jesus!”). Esse é um de meus traços mais marcantes: sou um ótimo garfo.
Esta introdução tem como intuito mostrar o que a comida significa para mim.
E esta explicação sobre o quanto a comida está no topo dos meus prazeres é para mostrar o quanto foi curioso tornar-me vegana. Eu achava que isso seria impossível. Não pela carne, pois já havia ficado dois anos sem comer carne alguma (eu fazia yoga e a coisa foi fluindo, naturalmente –- infelizmente voltei a comer, por pura falta de foco), tempos atrás, e não tinha sido nada difícil
Minha questão, assim como a de tantas outras pessoas, sempre foi em relação ao leite e aos laticínios. Acho que café com leite, queijo e manteiga são alimentos que, se não nos trazem lembranças afetuosas (infância, casa da vó etc), estão arraigados em nossa rotina, nosso dia a dia. Almoços sem carne não são exatamente um mistério (a configuração arroz-feijão-legumes não é incomum em um prato de uma família brasileira, eu diria), mas um café da manhã sem manteiga e sem leite é algo quase “impraticável”.
Esta questão vinha me incomodando há tempos. Eu sentia que estava devendo uma reflexão maior sobre este assunto. Sentia que este era um tópico pendente em minha vida. Por que eu gostava tanto deste universo (vegetarianismo/veganismo) e permanecia fazendo tudo do mesmo jeito? Por que admirava tanto quem estava nessa luta, mas não aderia a ela, fugia do assunto, com medo de descobrir cada vez mais detalhes sobre o que eu consumia? 
Eu me considerava uma verdadeira refém dos alimentos que amava. “Não conseguiria” abrir mão do prazer de provar um bolo de aniversário bem molhado, feito com leite e ovos. “Não conseguiria” abrir mão de um delicioso iogurte com granola. “Não conseguiria” nunca mais comer o pavê que sei fazer tão bem, à base de creme de leite, e que eu como desde a infância (receita de minha mãe).
À época de meu ovolactovegetarianismo (2010-2012), aproveitei para ver os filmes A carne é fraca e Terráqueos, e também para ler alguns livros sobre alimentação sem carne. Tudo ajudava, tudo reforçava o que eu estava fazendo. Mas ainda era muito mais uma questão física. Porém, quando me mudei para onde estou agora (uma rua sem saída, com jeito de roça, onde há muitos cães e gatos de rua vagando), as coisas começaram a mudar, lentamente. Me aproximei mais dos animais. Parece que voltei um pouco à infância, quando eu era louca por cachorro, gato e porco (este último sempre foi meu bicho preferido). 
Fui sentindo novamente aquela proximidade com os bichos, proximidade que a maioria das crianças sente. Fui ficando cada vez mais alegre quando algum gato ou cachorro invadia o quintal. Eles foram se tornando, aos poucos, um assunto frequente em minha cabeça e em minhas conversas com amigos.
Voltei a ver filmes, voltei a ler sobre o assunto. Mas, desta vez, sem fugir dos ovos e laticínios: vegetarianismo estrito. E fui não gostando mais de comer estes alimentos. Não queria mais experimentá-los. Na última vez que fui tentar comer queijo ralado no macarrão, veio à minha mente a imagem de diversas vacas marchando em direção à própria morte, direto das fazendas de leite para os abatedouros. Não tinha mais graça. Era um desprazer. Devo admitir que tive certa sorte por esta relação direta ter vindo de forma tão forte, uma espécie de “bloqueio natural”. 
Facilitou enormemente o processo. E o fato destas imagens virem com tanta nitidez no meu filminho mental fez com que este tipo de comida não tivesse mais o caráter de tentação para mim. São comidas ruins, hoje -– não pelo sabor, mas sim por sua trajetória, sua história, o que estas corroboram.
Fui entendendo que a tal coerência que eu tanto queria finalmente estava sendo alcançada. A coerência de amar os animais e não comer nenhum deles, nem tratar a tortura sofrida por eles como algo que não me dizia respeito. Meu sentimento e minhas ações, finalmente, passaram a conviver em harmonia.
Hoje, meu pão com azeite me satisfaz totalmente no café da manhã. Ou só mesmo um belo suco verde, não coado. Meu lanche da tarde pode ser uma deliciosa tapioca com tomate e cheiro verde. Tudo mudou. Quase todas as minhas referências antigas ficaram lá no passado. Me delicio com outros sabores, antes desprezados, ou experimentados muito raramente. De quebra, tudo bem mais saudável. E também mais fácil e barato, incondicionalmente. Porque nada disso faria o menor sentido se fosse para ser elitista. A luta vegana, para mim, é essencialmente anticapitalista. Uma luta contra uma visão que percebe os animais (inclusive os animais humanos) como produtos.
Outra coisa que corroborou a questão da coerência foi: se admiro tanto a ideia de boicote (sempre lembro de Rosa Parks e o boicote aos ônibus de Montgomery); se vejo tanto sentido nas sanções a países genocidas; em suma, se acho que fissurar o capitalismo é uma das formas mais eficazes de se fazer entender uma questão importante, ser vegana era um caminho óbvio para mim. Boicote total à indústria do sofrimento e à escravização dos animais. Não financiar o horror. Demorei a entender que esta era mais uma forma de fazer aquilo que Günter Eich recomendou: “Sede incômodos; sede areia, não óleo, nas engrenagens do mundo”. 
Meu boicote também é ao couro, a empresas eticamente incorretas (estou sendo educada) e tudo aquilo que reforça a exploração animal. E tudo na medida do possível, é claro: me mantenho atualizada sobre as empresas livres de crueldade -– estas informações não são nada difíceis de se obter -–, mas também não me martirizo por não conseguir comprar o macarrão mais adequado, que não está disponível para venda aqui, onde moro. A sociedade ainda é extremamente antivegana, ainda há muitos percalços neste caminho. Mas sigo (seguimos) em frente. E já vejo muitos avanços no mundo, ao mesmo tempo.
Há diversas razões para que alguém queira se tornar vegano. No meu caso, foram os animais. Quando me conectei de vez com eles, vi que o que eles me proporcionavam era muito mais profundo do que qualquer momento fugaz em uma mesa -– mas, principalmente, entendi que o que eles sofrem é muito, muito mais grave e sério do que qualquer sabor que eu queira sentir. (E penso que mesmo aqueles que nem gostam de animais deveriam ter um olhar crítico e honesto sobre o horror que eles sofrem em nossas mãos. O amor é um bônus, um extra: procurar ser justo já é o suficiente para não querer compactuar com a objetificação de seres vivos.)
Continuo amando comer. Só que como outros alimentos, hoje. Minha paixão continua a mesma, ainda mais maravilhada, pois agora não há um sentimento subterrâneo, ali, estragando o barato.
A ideia, com este texto, era falar da minha experiência, dar um breve relato pessoal, apenas. Contar como o processo acabou sendo natural, e não forçado, nem movido por uma culpa que alguém quis introjetar em mim. Considero que foi uma conscientização extrema e irreversível exatamente porque foi de mim para mim mesma. Foi um processo silencioso, e também longo. E o que eu quero, ao falar dessa minha experiência, não é atacar a pessoa não vegana: o que eu quero é atacar essa ideia incrustada, que prega que os animais estão aqui para nos servir. 
Não tenho a intenção de fazer um jogo judaico-cristão de culpa com indivíduos, porque considero isso não só pouco criativo (lugar-comum total: a gente cresce cheia de culpas e isso só serve para que fiquemos mais cheios de raiva, depressivos, sexualmente reprimidos, suicidas, o escambau -– eu realmente odeio a culpa como método), como também pouquíssimo efetivo. Mas vou sempre reiterar: os animais têm tanta vontade de viver quanto nós. E o mesmo medo de morrer.
Entendo perfeitamente os veganos que se impacientam, que são incisivos, que brigam. Querem mudança, exigem uma atitude adulta de nós, seres humanos, que poderíamos, ainda hoje (agora!), acabar com o sofrimento dos animais não humanos, tirando-os do prato. Acham inadmissível que a crueldade continue acontecendo, normalizada. E entendo perfeitamente os veganos que procuram um diálogo, que tentam ter uma abordagem mais suave. 
Querem tornar o veganismo menos assustador, querem atrair mais pessoas -– diminuindo, assim, o número de mortes de animais. Entendo e respeito estas duas formas de lutar. Estou do lado de ambos os grupos, pois os dois estão lutando pelos animais, que não têm voz.
Daqui, fico na esperança de que alguém que leia isso e que esteja com medo de fazer esta importante transição consiga ter força e coragem para seguir em frente com a ideia. Sei que este texto só pode tocar quem já cogitou, quem tem uma mínima abertura para esta possibilidade. Não é uma tentativa de falar para quem odeia o assunto. Eu não sou ingênua a ponto de achar que posso “convencer” pessoas que se irritam só de ouvir falar neste tema.
Para quem está há tempos considerando o veganismo, mas se acha incapaz, digo que o esforço é recompensador e delicioso. E que é totalmente possível virar a chave, mudar a lógica, o gosto. Como consequência deste esforço, a conexão com os animais cresce, fica mais intensa. Eles passam a nos fascinar ainda mais. E, curiosamente, nosso respeito por nós mesmos também cresce. Sejamos veganos.

sábado, 11 de julho de 2020

NAJA ÍCONE

E continua a saga da Naja que picou seu raptor, 
o estudante de Medicina Veterinária Pedro Krambeck (pra quem não conhece a história, tem um post meu e meu vídeo).  
Em primeiro lugar, as 16 outras cobras que foram encontradas num haras estão magras e com lesões nas escamas. Todas ficarão em quarentena por 20 dias, por enquanto no zoológico de Brasília. A Naja, que vale até R$ 20 mil no mercado ilegal, também está em quarentena.
Por causa da sua picada e tudo que resultou dela, a polícia do DF pode ter revelado um grande esquema de tráfico de animais silvestres. Ontem foi descoberto, por exemplo, um aquário clandestino na Colônia Agrícola Samambaia, no DF. Tinha três tubarões lá, além de outras seis serpentes e um lagarto teiú! 
A polícia investiga o envolvimento de Pedro e colegas da faculdade particular Faciplac. O delegado falará com responsáveis pela faculdade e também com o padrasto de Pedro, Clovis Eduardo Condi, que é tenente-coronel da Polícia Militar. 
Já tem gente que ficou com medo e entregou as cobras que tinha em casa pro Ibama. 
Pedro saiu do coma e os médicos tiraram os tubos. Agora que ele passa bem, vai descobrir que seu mundo ruiu, com denúncia de abuso sexual e tudo. O detalhe é que a denúncia foi feita numa rede social ainda em maio, ou seja, bem antes disso tudo.
Como brasileiro é um bicho com muito senso de humor, estão sendo criados vários memes sobre Naja. Gostei muito desses dois tuítes:
"Naja é a maior coisa que aconteceu na quarentena. Não só lutou contra o seu encarceramento picando aquele que supostamente a tirou do seu habitat natural para fins pessoais, ela ainda foi responsável pela libertação de outras 16 cobras! She's a legend and she is the moment!" (@vaijuanc
"A Naja só conseguiu criar a revolução quando partiu pro ataque. Pergunta se teria dado certo uma carta de repúdio no lugar" (Naja Comunista, ou @JoaoAAAArthur).
Brincadeiras à parte, quantas vidas de outros animais silvestres traficados Naja não salvou por se defender do seu algoz? Go Naja!

quinta-feira, 9 de julho de 2020

UM EXEMPLO DE POR QUE O TRÁFICO DE ANIMAIS É DETESTÁVEL

Essa história da naja me causa revolta em nível altíssimo.
Que história?, você pode perguntar. Pois bem, aconteceu esta semana numa zona nobre de Brasília. Um estudante de 22 anos tinha uma cobra Naja de um metro e meio de comprimento, uma das espécies mais venenosas do mundo. Viviam juntos na sua casa. O nome do rapaz é Pedro Henrique Santos Krambeck Lehmkul e ele cursa Medicina Veterinária. Mas como assim, ele tinha uma naja? Não é que essas cobras só existem na Ásia? E não é uma animal silvestre? Como pode ser tido como um bicho de estimação? Pois é.
Na terça, Pedro foi picado pela naja. Teve sintomas como palidez, tontura, visão turva e dormência nos membros, e foi levado ao hospital pelos pais. Por estar com insuficiência respiratória, foi entubado. Seu quadro é muito grave. Para tentar se recuperar, precisa de soro. Mas, como a naja não existe no Brasil, soro de naja também não existe. Para trazê-lo ao Brasil no meio de uma pandemia, fica difícil. Felizmente, o Instituto Butantan, em SP, tem -- uma única dose, que foi enviada a Brasília. 
Ontem o Ibama foi à casa de Pedro para apreender a serpente (que não tem registros oficiais de entrada no Brasil, ou seja, não chegou aqui legalmente). Só após negociações com o padrasto, que estava dentro da casa e não permitia a entrada, os oficiais puderam entrar, mas não encontraram a naja, apenas gaiolas vazias onde eram guardados camundongos para alimentar a serpente. Pânico no condomínio! Os vizinhos temiam que a cobra tivesse sido jogada no vaso sanitário e que poderia se locomover a outros apartamentos pela tubulação. 
Um amigo de Pedro finalmente contou à polícia militar ambiental onde o animal havia sido deixado: próximo a um shopping, no Setor de Clubes Sul. A naja foi capturada na noite de ontem e passa bem.
Espero que o estudante sobreviva. Mas veja o tamanho e os custos da irresponsabilidade! Quanto tempo, esforço e recursos foram gastos por servidores públicos (oficiais do Ibama, da PM ambiental, do Butantan etc) para lidar com o resultado decorrente da vaidade de um indivíduo de ter um animal silvestre em casa! A multa que ele terá de pagar será de no máximo R$ 5 mil! (veja tuíte abaixo: Pedro terá que pagar R$ 2 mil de multa, e Gabriel, seu amigo que soltou a cobra, mais 2 mil).
Essa história me revolta porque ela não é apenas sobre Pedro e a cobra que ele trouxe ilegalmente ao Brasil, e que depois descartou criminosamente, pondo em risco outras pessoas. Ela é sobre tráfico de animais silvestres, uma indústria bilionária que, só no Brasil, movimenta mais de 3 bilhões de reais por ano. Uma indústria que conta com o apoio da população, que acha lindo ter papagaio, arara, macaco, cobra, lagarto em casa. 
A população sabe que é ilegal, mas não se importa. Talvez, se soubesse que, de cada dez animais traficados, apenas um sobrevive, se importasse um pouco mais. Talvez, se desde crianças fossem ensinadas nas escolas que quem compra é cúmplice dessa matança que remove cerca de 38 milhões de espécimes a cada ano da natureza, parariam de achar bonito o tráfico.
Um dado repulsivo: existem mais tigres em cativeiro nos Estados Unidos do que soltos no resto do mundo. É o animal transformado em mercadoria, que vira troféu dos ricos para ser exibido pros amigos e pra mídia. 
Mais de 80% dos bichos vendidos no Brasil são aves, as maiores vítimas do tráfico. É preciso acabar com a cultura de que é fofo ter pássaro preso na gaiola. 
Nem animais de estimação devem ser comprados. Muito menos os que vivem na natureza. 
UPDATE: Mais 16 cobras foram encontradas hoje em cativeiro num sítio do Distrito Federal. O Batalhão da PM Ambiental (BPMA) vê ligação entre a naja capturada ontem. "Vemos que está tendo um contrabando não só dentro do Brasil, mas também internacional dessas cobras para cá". 
Vejam meu vídeo sobre o caso no #FalaLolaFala!

segunda-feira, 27 de abril de 2020

DINOSSAUROS NÃO ESTÃO EXTINTOS. AS AVES SÃO OS DINOS QUE SOBREVIVERAM

Outro dia estava enrolando no Twitter quando vi esta linda foto
Imediatamente pensei: putz, como pode ter gente que não acredita em evolução? Partes desta ave são parecidíssimas com dinossauros bem assustadores!
E aí me lembrei de uma das minhas experiências mais bacanas do ano passado, que foi ter conhecido o museu de paleontologia de Santana do Cariri, no sul do Ceará, perto de Juazeiro do Norte. Uma guia esperta me apresentou ao Santanaraptor Placidus, um dinossauro que viveu no Ceará há 110 milhões de anos. 
O nome é uma homenagem ao local (Santana do Cariri) em que o fóssil desse dino foi descoberto, e também ao fundador do museu, o professor e então vice-reitor da Universidade Regional do Cariri, Plácido Cidade Nuvens (que nome pra um paleontólogo, gente!). 
Fiquei muito impressionada com esse dino do grupo dos Tiranossauros Rex. Ele não era tão grandão (cerca de 1m60 de comprimento e 70 cm de altura) e era coberto por penas. Parecia uma galinha perigosa! 
Bom, um leitor me recomendou esta thread (do final de fevereiro, que reproduzo aqui) do Biodiversidade Brasileira. Recomendo também este vídeo (As penas através dos tempos) de alunos da UFPE. Super didático! Imaginem quantos dinossauros fracassaram antes que algum conseguisse voar?
Dinossauros não estão extintos.
Resolvi fazer isso pra mostrar por que os dinossauros ainda existem e mostrar que as aves de hoje são dinossauros.
Primeiro precisamos entender o que é um grupo monofilético (veja ao lado):
Um grupo monofilético é aquele que inclui o ancestral comum mais recente do grupo e todos os descendentes desse ancestral. Na imagem, A e B são monofiléticos, pois cumprem esses pré-requisitos.
Exemplo: essa letra D não é um grupo monofilético pois aquela ramo ali da ponta não está incluso, então ele se torna parafilético. Agora, se esse quadrado laranja estivesse também incluindo aquele ramo, todo esse grupo seria monofilético.
Por isso falamos que Reptilia (réptil) não é um grupo monofilético, pois aves estão dentro desse grupo. Pra você considerar répteis monofilético, teria que chamar as aves de répteis também, e sabemos que isso não acontece.
Agora explicando o por quê das aves serem dinossauros (répteis). Todos sabem do grande meteoro que dizimou QUASE todos os dinossauros há 65 milhões de anos. Exatamente, quase todos. Os dinossauros que sobreviveram deram origem às aves atuais.
As aves são os dinossauros que sobreviveram. Como falar isso na árvore da vida, evolutivamente? Repare nessa ''árvore'' (clado) dos dinossauros. Vou usar essa imagem mais vezes daqui pra frente. Tudo que está marcado é um dinossauro.
Reparem que bem na ponta tem ''BIRDS'' (aves). Ou seja, para ''Dinosaurs'' ser monofilético, que significa ser um grupo natural, ave tem que obrigatoriamente estar inclusivo.
Agora se eu retirar ''birds'', fica exatamente como um dos exemplos que eu dei lá em cima, repare na imagem:
Agora tanto como ''dinosaurs', quanto esse exemplo da letra D não são mais monofiléticos, ou seja, não são grupos naturais.
Por isso é errado falar que os dinossauros foram extintos. Eles estão super vivos e muito bem. Só no Brasil são cerca de 2 mil espécies.
Do pinguim ao pombo, da arara ao beija-flor, todos, TODOS são literalmente dinossauros!