domingo, 15 de fevereiro de 2009

NA SUÉCIA NÃO TEM CUCARACHAS

A Paola é uma brasileira que mora na Suécia (favor não confundir com a Suíça) e tem um blog com o sugestivo título de Na Suécia Não Tem Barata (já um ótimo motivo pra querer fazer as malas). Ela escreveu um post excelente complementando aquele meu sobre empregada doméstica, bolsa-família e aborto. Lembra que eu dizia que nos EUA não é comum pra classe média ter empregada, porque é caro demais? Várias leitoras(es) avisaram que na Europa é igual. E agora temos a voz da Paola, que conta que, quando vivia no Brasil, sua família e todos os seus amigos tinham empregada, e ela nunca havia parado pra pensar porquê. Por que será? Vamos ver... É a distribuição de renda, stupid! (Não tô chamando a Paola de estúpida, muito pelo contrário. Essa é uma alusão à famosa frase do Clinton pra explicar por que ele iria vencer o Bush Pai: “it's the economy, stupid”). A renda na Suécia é distribuída com muito mais igualdade que a daqui. Logo, segundo a Paola, não existe isso de um médico receber 20 vezes mais que uma empregada. Lá, um médico, se quisesse ter empregada, teria que pagar metade do seu salário a ela (e chato que eu tenha que dizer médicO, homem, e empregadA, mulher. Deve ser porque 70% dos pobres no mundo são mulheres). Quer saber o que mais é raro na Suécia? Violência e pobreza. A Paola vive uma realidade totalmente diferente da nossa. Ela não precisa trancar a porta de casa nem encher o carro de dispositivos de segurança. Por coincidência, na Suécia também existem auxílios sociais. Sabe aqueles que a classe média critica no Brasil? Esses, só que bem maiores. Como diz a Paola, “Aqui na Suécia tem muita gente que recebe auxílio do governo (eu inclusive): auxílio família, auxílio moradia, seguro desemprego, licença saúde, bolsa estudantil. Porque aqui o governo cumpre relativamente bem o que eu considero uma obrigação importantíssima: impedir a concentração de renda”.
No Brasil a bolsa-família é uma medida hiper tímida pra distribuir melhor a renda. E mesmo sendo pra lá de tímida, percebam o grau de choradeira da classe média. Isso é estelionato eleitoral! Ninguém mais vai querer ser empregada doméstica desse jeito! Houve um leitor nos comentários do meu post que chamou o governo brasileiro de Robin Hood, por roubar dos ricos em forma de impostos para, ó injustiça!, dá-los aos pobres. Sim, porque só rico paga imposto no Brasil... Essa classe média que critica os auxílios e acha que o governo deveria sumir da face da Terra pra deixar as empresas privadas, essas sim, fazerem justiça social com as próprias mãos, não consegue ver que é a concentração de renda dos países pobres que gera miséria e violência. Pra esse pessoal, na Suécia não existe pobreza nem violência porque... porque... ahn, porque lá todo mundo é loiro, né? Só pode ser isso. Gente morena não gosta de trabalhar. Ou porque lá é muito frio. O calor transforma todo mundo em baiano. Opa, lá também tem a ética protestante, e brasileiro comete o pecado de ser católico ou macumbeiro, quando não é os dois (se bem que sueco não é lá muito religioso faz tempo). Outra explicação razoável é que o Brasil foi colonizado por um país bárbaro e atrasado como Portugal, enquanto a Suécia foi colonizada por... pelos Vikings, é isso? Esse sim um povo altamente civilizado! Se todas essas hipóteses não colarem, então é porque Deus é sueco mesmo.
Nossa classe média que vilaniza a bolsa-família e acha natural ter empregada ignora o verdadeiro diferencial sueco, que é que seu governo, faz décadas, tem a obrigação de distribuir renda, de cobrar impostos mais altos dos ricos pra financiar uma vida digna para os mais pobres, e ninguém reclama disso. Oh céus, isso é coisa de comunista, e o comunismo já foi enterrado há tempos, Lolinha, não te avisaram? Não sei como os suecos ainda estão vivos. Uau, eles devem ser tão resistentes quanto... baratas.

29 comentários:

Nalu A*) disse...

Ótimo, como sempre Lola. Beijo

asnalfa disse...

Mas as bolsas que tem no Brasil são descadaramente eleitoreiras. Vão até ter bolsa geleadeira.

Paola disse...

A minha vida só vai melhorar de verdae se a vida de todo mundo que está à minha volta melhorar também.
No tempo que eu trabalhava num EGJ (Espaço Gente Jovem) muitos pretensos voluntários reclamavam que naquele espaço onde as crianças tinham atividade depois da escola, alimentação de qualidade e deliciosa era uma coisa "Indecente", onde já se viu? Filho de pobre tendo aula de informática, esporte, tudo de graça? Se quisesse dar isso aos filhos tinha que pagar!
Era uma coisa muito chata explicar que a entidade recebia dinheiro de contribuintes que gostavam de pensar que dessa forma, aquelas crianças teriam oportunidades diferentes que aquelas que a vida tinha traçado.
Nessa entidade uma das coordenadoras sempre apontava o medo da classe média de perder seu status, na verdade é a ignorancia da classe média, como se ter empregada fosse segurança de estabilidade social.
Aqui em São PAulo está cada dia mais difícil encontrar empregada-escrava, graças à concientização, as mais moças estão estudando, se profissionalizando...as mais velhas, que agora estão tendo novas oportunidades de atendimento como as aulas de ginástica nos céus (Aqueles da MArte), já não topam chegar no serviço às 6 horas da manhã para servir o café da manhã.
Chegaremos ao ponto de não ter mais quem se disponha à esse tipo de trabalho, chegaremos ao ponto de haver empresas de manutenção de casa, tudo registrado, tudo nos conformes!
Limpar a a casa não tira pedaço!

Beijo

PAola

Santiago disse...

Lola:

Pare de falar bobagem! Já não chega o post anterior que você quebrou a cara? A moça atacada por Nazistas na Suíça é somente uma mulher com problemas psicológicos.

Deixa de ser uma feminista infantil e para com esse lero-lero de comprar esse lixo do bolsa-família com a distribuição de renda na Suécia.

A classe média no Brasil não é a da Suíça. Classe média do Brasil é um bando de fracassados, covardes, pernósticos, de joelhos pra bandidagem.

Vikings? Portugueses bárbaros? O que isso tem a ver com os que dirigem a Suecia e o Brasil hoje?
Deixa de ser tola.

Pare de falar de coisa que você não entende.

Paola disse...

Paola aqui na Suécia existem empresas de limpeza, quando se contrata uma delas o serviço é pago por hora.Eu acredito que a hora esteja em torno de uns R$50 com impostos. Muita gente contrata quando se muda porque a casa ou apartamento precisam ser entregues limpíssimos. Ano passado o governo - a Suécia é hoje governada por uma coligação de partidos de centro-direita - reduziu os impostos para serviços domésticos medida que teve muitas críticas da oposição.

Eu também acho que limpar não mata ninguém, mas que se alguém for viver de limpar a casa dos outros deve ganhar o suficiente para poder viver de forma decente. Afinal de contas é uma profissão importante tanto quanto médicos, engenheiros, professores e advogados.

Um outro exemplo aqui são os lixeiros, eles ganham, antes dos impostos uns 7 mil reais, mas o salário deles pode chegar a 10 mil. O que é um salário considerado bom aqui. É o mesmo (talvez um pouco mais) que profissionais com nível universitário em início de carreira ganham. Mas os lixeiros entram no trabalho as 5 da manhã, carregam peso o dia todo e trabalham com, bem, com o nosso lixo que se fosse algo bom e desejável não teria o fim que tem. Semana passada os lixeiros de alguns bairros de Estocolmo fizeram greve porque a nova empresa contratada prometeu reduzir gastos, o que significaria que eles teriam que trabalhar mais ganhando menos. Coisa que ninguém quer, muito menos os lixeiros. Como eles tem consciência de classe, todos apoiaram a greve e em menos de uma semana a empresa prometeu negociar com eles. Todo mundo sabe o que pode acontecer se o lixo ficar se empilhando nas ruas.

Eu andei lendo comentários em sites e jornais e a maioria era favorável a greve e achava que os lixeiros merecem um salário decente pelo trabalho que fazem. Imagino que no Brasil eles seriam chamados de vagabundos para baixo, ainda por cima se ganhassem o mesmo que alguém que vai para a universidade.

analia disse...

Oi, Lola!

O problema no Brasil é que rico não paga imposto. Só paga imposto pobre e classe média. Até a CPMF, que era o imposto mais justo, foi extinta...
Aí, esse imposto é pego e vai alimentar uma máquina estatal super inchada.
Não sobra quase nada para uma política assistencial séria, né?
BJS,
Anália

anália disse...

Falando em rico não pagar imposto, alguém sabe se o Bradesco começou a pagar? Isso estava sendo finalmente cogitado. Não sei se vcs sabem mas o Bradesco é (pasmem!) uma fundação (portanto sem fins lucrativos, hahahaha!)
Bjs,
Anália

asnalfa disse...

"Não sobra quase nada para uma política assistencial séria, né?"

ta gozando com a nossa cara?? o Brasil é país recordista de impostos... mesmo com o fim da CPMF (q nao tem nada de democratico) a captação de impostos foi batendo recorde mês após mês. Se quiserem investir em políticas sociais devem prender os proprios politicos (eles altos salariso, nem sei quantos decimos terceiros, quartos, quintos, 4 assessores para cada um e um monte de regalias desnecessarias). Além disso, vereador é o cargo mais inutil que existe.

asnalfa disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
asnalfa disse...

Paola.... a Lola abomina médicos e advogados.. ela acha que essas profissoes sao corruptas por natureza.

Lolla Moon disse...

Até onde eu saiba, na Europa inteira tem pobreza e gente que paga dez mil dólares numa bolsa. Concentração de renda existe em qualquer país; só é mais evidente e mais cruel nos de subdesenvolvidos e corruptos como o nosso.

Concordo com o Asnalfa: bolsa, no Brasil, é eleitoreira sim. Uma miséria dada a quem vai ficar satisfeito com qualquer migalha (até porque tem muito pouco) e vai dar o seu voto em troca de migalhas. Vide o sucesso no Rio das gestões Garotinho (remédio a um real, almoço a um real, etc).

E também existe empregada doméstica na Europa, sim. Até eu, que não sou nada rica, tenho diarista. Várias amigas do meu marido têm babá e doméstica em tempo integral. Porque têm grana sobrando e podem pagar. E as domésticas não ganham nenhuma fortuna, não; a maioria é de imigrantes, mas o padrão de vida delas é melhor do que seria nos países de origem. E até meu marido que não é rico (e nem médico) ganha sim mais de 20 vezes o que a minha diarista ganha (e ela não passa fome, tem carro e os dois filhos na escola).

A Europa não é um paraíso socialista. Se fosse, não seria tão rica. Quem produz riqueza com idéias, empreendimento e trabalho, enriquece também. Pagam impostos que são altos, claro. Mas ainda sobra muito pra consumir e até desperdiçar. Com a crise econômica isso deu uma desacelerada, mas tem muuuita gente ainda que nem sabe que bicho de crise é essa.

Ainda sobre domésticas, a diferença é que no Favelón (Brasil) TODO mundo quer ter uma escrava de estimação. Até quem é de classe média baixa e fica barganhando o salário da infeliz, o que eu acho patético.

Paola disse...

Lolla a Europa é bem grande e cheia de diferenças, acho que a Lola não falou de toda a Europa e eu no meu post só falei daqui da Suécia. Acredito que em países como a Grécia ou a Turquia ou a Polônia haja mais concentração de renda do que aqui. Na Inglaterra, onde eu morei 5 anos, o consenso é que a concentração de renda tem aumentado nos últimos anos.
Lá é bem possível ter diarista, na casa que eu dividia com mais 2 pessoas nos tínhamos 1x por semana, custava £8 por hora. Não sei se ela pagava impostos, mas lá eu não conhecia nenhuma empresa de limpeza doméstica, apenas comercial.

Aqui na Suécia segundo uma pesquisa de 2006 do SCB (Statistics Sweden)- e olha que se tem coisa que os suecos sabem fazer é estatistica - os salários da categoria chamada de "servicos gerais" ficam em torno de coroas antes dos impostos, um advogado ganha em torno de 42 mil e um médico 49 mil. A pesquisa esta aqui: http://di.se/Nyheter/?page=/Avdelningar/Artikel.aspx%3Fmenusection%3DDinapengar%3BDinapengarNyheter%26ArticleID%3D2006%255C09%255C30%255C2031
.

Eu não acho que a Suécia - nem a Europa, for that matter - seja um paraíso socialista, só acho que aqui as pessoas recebem um salário justo pelo serviço que fazem.

Se existe exploração aqui? Claro que existe, pricipalmente de imigrantes. Eu escrevi sobre isso no meu blog http://paolasartoretto.wordpress.com/2007/11/02/para-que-servem-os-jornalistas/. Mas aqui isso é assunto de programa de jornalismo investigativo, enquanto na Inglaterra, por exemplo, é algo tão comum que ninguém mais comenta.

Leila disse...

Ahmm tá não comentei no post antigo de empregada doméstica mas vou postar nesse.
Lola, eu discordo em muitos pontos de vc. mas vamos aos q eu concordo antes.
Importancia de distribuição de renda, a importancia de existir as bolsas familia, bolsa moradia, bolsa sei la o que.
Mas pera, a indignação da menina da empregada da professora deixar de trabalhar e viver de bolsa, ué pq a mulher nao continua trabalhando e ainda ganha a bolsa, isso quer dizer, mais dinheiro p ela, mais possibilidades p os filhos dela, não? pelo menos é como eu vejo!

Sobre a classe média, vc só critica a classe média, mas vem cá, vc já percebeu q a dispariedade entre a classe media e a classe rica é ENORME?
Td bem se quer ter mais igualdade social, mas por favor envolva TODAS as classes nisso. Os ricos deixam de pagar zilhares de impostos e eles nao sofrem consequencias alguma, e eu nao falo isso apenas de uma maneira social, as grandes empresas tbm sao assim!
Vc sabia q manter uma pequena empresa é dificilimo pelos impostos que tem q pagar, mtas vezes pessoas abrem falencia só por causa dos impostos.
Mas as grandes empresas não, elas facilmente sonegam! e ning vai lá encher o saco delas pq os fiscais sao comprados, afinal elas tem dinheiro.

Entao tá, o q eu quero dizer é q igualdade social é otimo, mas faça ser IGUAL, e nao exija de uma classe só

asnalfa disse...

O bolsa familia funciona como complemento de renda e nao como distribuição. Para haver distribuição de renda é necessário uma politica mais duradoura pensando no futuro como melhoria do ensino e diminuição da taxa de criminalidade e melhoria dos fatores sociais (alimentação e sanemamento básico). Alem disso, é necessario diminuir a taxa de fecundidade, o povo faz muito filho, principalmente pobres. Os países nordicos tem apenas 6, no maximo 10 milhoes de pessoas, ou seja, assim é mais facil de distruibir renda. Sou a favor de vasectomia quando o cara completar 18 anos em troca de 5 mil reais. Assim diminui-se a quantidade de pobre e melhorem-se a renda.

Daniela disse...

O post está muito bom, mas achei MUITO infeliz essa colocaçao:

"O calor transforma todo mundo em baiano".

O calor pode transformar as pessoas em muitas coisas: irritadas, nervosas, cansadas, desanimadas, mal humoradas...

Mas pra ser baiano tem que nascer na Bahia.

lola aronovich disse...

Daniela, acho que vc não entendeu a ironia. A frase "o calor transforma todo mundo em baiano" é tão absurda quanto "gente morena não gosta de trabalhar". Nesse trecho do post há dois quilos de frases irônicas. Releia e veja como não estou dizendo exatamente o que está escrito...

Milla disse...

{indignação da menina da empregada da professora deixar de trabalhar e viver de bolsa, ué pq a mulher nao continua trabalhando e ainda ganha a bolsa, isso quer dizer, mais dinheiro p ela, mais possibilidades p os filhos dela, não? pelo menos é como eu vejo!}

Eu não vejo nada disso.
Fui numa comunidade carente em Itapoã, tinham crianças que passavam o dia inteiro sozinhas em casas [sendo muito generosa] sem proteção nenhuma, a mercê de vizinhos e de todo tipo de perigo porque a mãe tinha que trabalhar sabe-se lá quantas horas na casa de dona fulana e levava muito tempo para ir e voltar para casa. Ou seja, era criança cuidando de outras crianças, além de se virarem sozinhas [para ir na escola, para se alimentar etc].
Para mim, a presença e o cuidado desta mãe para com suass crianças vale muito mais que a esmola que a classe média paga as empregadas.

Milla disse...

Qual é a deste Santiago? Só fez reclamar e não conseguiu rebater um argumento do feminismo infantil de Lola.
Ah, vai arranjar um blog sexissista para encher, vai.

anália disse...

Nossa, Asnalfa!

Puxa, antes de se inflamar leia tudo. Vc pinçou uma frase do que eu disse fora do contexto! Rico não paga imposto direito. Classe média e pobres sim. Esse dinheiro arrecadado tem que sustentar uma máquina governamental inchada. Não sobra dinheiro mesmo para uma política assistencial decente.
Bjs,
Anália

Bárbara Dayrell disse...

Aqui na Alemanha também nao tem barata (alegria da minha vida), eu também nao tranco a porta quando tem gente em casa, e quase ninguem tem empregada, porque é muito caro... mas sabe como o pessoal resolve esse problema?
Com au-pair, meninas que veem de outros paises para aprender alemao e trabalham como babás em casa de familia. Posso dizer porque conheco muitas, dos meus cursos de alemao, que elas trabalham como empregadas, e nao recebem quase nada por isso. Tenho uma amiga, por exemplo, que vem da Geórgia (leste europeu), que nao tinha dinheiro para comprar um dicionário. No seu aniversário a sua "mae" lhe deu 50€ de presente, e só assim ela pôde comprar o tal dicionário. Ela vive num quartinho minusculo, acorda todos os dias às 6 para fazer o cafe da manha para a familia e trabalha o dia inteiro. No domingo, que ela teoricamente tem livre, se ela nao sai de casa, nao para de trabalhar... Ela cuida de um menino de 3 anos e um bebê de menos de um ano, que ela diz que é como se fosse filho dela, que prefere ficar com ela do que com a mae... ela limpa, cozinha e cuida das criancas, agora me fala se nao é empregada?

Bárbara Dayrell disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Daniela disse...

Eu vi todas as suas frases irônicas, Lola. E uma coisa é dizer "gente morena nao gosta de trabalhar", outra "o calor nos transforma em preguiçosos" e outra diferente "o calor nos transforma em baianos" pq aí, nesse ponto, vc assume que baiano e preguiçoso sao sinônimos.

Continuo achando infeliz. Pelo que conheço de você(porque leio seus textos frequentemente) acredito inclusive que nao foi o que vc quis dizer, mas foi o que vc disse.

Somnia Carvalho disse...

Lola, você é tão sarcástica que, as vezes dou risada sozinha aqui...

Quando li seu post sobre as empregadas eu havia acabado de voltar de ferias do Brasil com um post imenso na cabeça sobre o mesmo assunto...

Dai acabei lendo o da Paola e pensei que talvez seria repetitiva... mas ainda quero escrever. O choque de ver nosso exercito de empregadas todas da mesma cor, descendo dos onibus no meu bairro foi demais...

E ver como temos gente para fazer todo tipo de trabalho nada a ver possivel... Gente que teria potencial para fazer muito mais, mas esta apertando o botao do elevador o dia inteiro... Gente que trabalha como escrava cuidando do filho da madame, mas tem que andar de branco que e para todo mundo ver que ela não é da familia, ELA E A BABA, A ESCRAVA da familia...

Sempre fui muito pobre, mas agora tenho condição de viajar e ver um pouco mais claro... fiquei tão tão imcomodada com as babás aos milhares nos shoppings caros ou nos hoteis...

E na Suécia? Não! na Suecia isso e impensavel. Mas sabe o que eu complementaria no seu lindo post Lola? Que aqui nao e assim porque o governo faz bem sua parte... mas porque os suecos exigem que o governo faça! Por que aqui o povo paga o preço de ser um pais igualitario. Eu não tenho baba, empregada, cozinheira, jardineiro, entregador de pizza, coletor de lixo na minha porta. FAzemos tudo nos mesmos. Ninguem pega minha sacola no mercado, ninguem empacota ou fica me servindo como seu fosse o senhor de engenho...

Todos são iguais em tudo! Então nao adianta a gente querer uma parte do desenvolvimento... a igualdade exige posturas dfierentes e e por isso que o Brasil nao muda.... porque mudar a postura desses milhares muito acomodados a serem patroes e terem escravos e mais dificil do que fazer Deus ser sueco.

Paola disse...

CORRIGINDO:
Aqui na Suécia segundo uma pesquisa de 2006 do SCB (Statistics Sweden)- e olha que se tem coisa que os suecos sabem fazer é estatistica - os salários da categoria chamada de "servicos gerais", onde entram serviços de limpeza, ficam em torno 20 mil coroas antes dos impostos, um advogado ganha em torno de 42 mil e um médico 49 mil(todos os valores são por mês). A pesquisa esta aqui: http://di.se/Nyheter/?page=/Avdelningar/Artikel.aspx%3Fmenusection%3DDinapengar%3BDinapengarNyh
Até uma pessoa como eu, com conhecimentos matemáticos prá lá de parcos consegue ver que a diferença não é gritante.

Eu concordo com a Sônia, aqui as pessoas - em geral - tem muito mais consciência política. Eles sabem que político não existe para dar cesta básica, emprego de CC ou contratar a empresa X sem licitação e com caixa 2, só porque a empresa X é do amigo.

Bárbara Dayrell disse...

encontrei um texto na internet falando da relacao da diferenca no mercado de trabalho entre os sexos e a pobreza... da uma olhada, é curto, mas interessante...
http://www.pnud.org.br/pobreza_desigualdade/reportagens/index.php?id01=3132&lay=pde

Huntress disse...

Ohhhhhhh, finalmente um lugar perfeito. E pelo visto é perfeito mesmo.. Se minha vida não der certo em Volta Redonda depois de formada, já tenho pra onde fugir...

Paola disse...

Não, aqui não é perfeito. Tem coisas boas, tem coisas ruins como em qualquer lugar. Tem muito brasileiro (a) aqui sonhando em voltar para o Brasil para poder ter empregada, sol, manicure uma vez por semana, poder ir num médico especialista quando quiser - quem paga plano de saúde, fique bem claro.

Para mim essas coisas não são prioridade, então está bom aqui.
Eu gosto de saber que posso deixar meu sapato no corredor da academia e ao voltar ele vai estar lá, sábado eu deixei a chave para fora na porta do meu apartamento e só descobri domingo de tarde. Ninguém entrou, ninguém roubou nada.

Para mim é importante ter 400 dias de licença maternidade/paternidade, licença que pode ser dividida entre os pais.

Quando eu somo tudo o que eu gosto aqui e subtraio o que eu não gosto, o resultado é positivo.

Barmen disse...

Bem Lola, na verdade os Vikings eram um povo bem culto, não eram animais violentíssimos como costumamos pensar... É que associamos essa violência com barbárie, mas os maiores e mais duradores impérios foram bem violentos (inclusive os que vieram às Américas e dizimaram os índios). Mas fora isso, bom texto, enquanto você vê esses neoliberais mostrarem o quanto os países pobres melhoraram com a entrada de multinacionais, é bom mostrar que na Europa e, por enquanto nos EUA, os governos são fortes porque agem certo e agem certo porque são fortes. Ótimo blog, aliás, continue o trabalho.

Anônimo disse...

Acho que a maioria de vcs acharam o caminho para solução dos terríveis problemas do Brasil: o aeroporto.Contribuem muito!