sábado, 27 de fevereiro de 2010

DEVENDO NOTÍCIAS

Estou absolutamente sem tempo, mas com a impressão que devo notícias pra vocês. Então é o seguinte:
1) Compramos a casa, ehhh! Foi ontem. Estamos felizes. Ela é realmente muito boa, grandona, segura, e fica pertinho da universidade. Mas precisa de algumas reformas, principalmente pra transformar uma parte da sala num quarto pra minha mãe, e pra que o lavabo do piso de baixo vire um banheiro decente, com box de banho e tal. Um pedreiro que parece competente veio aqui durante a semana, e explicamos pra ele tudo que queremos fazer na casa (inclusive construir uma cozinha simples em cima). Ele disse que seria trabalho pra um mês (tudo, não só a cozinha). Hoje à tarde ele volta para passar um orçamento. Torçam para que não seja muito caro e para que possa começar já na semana que vem.
2) Não estou mais surda! Na sexta retrasada tive forte dor de ouvido, e o maridão colocou um filetezinho de óleo para que a dor passasse. Crianças, não façam isso em casa. Não se deve colocar nada no ouvido, certo? Fiquei surdinha de um ouvido, e isso continuou no sábado e domingo. No domingo à noite fiquei preocupada que o troço não ia embora e procuramos um hospital perto de casa. Não havia otorrino de plantão. Voltamos na manhã seguinte. Nada novamente. A enfermeira recomendou que eu fosse a uma rua não muito longe onde há várias clínicas a preços populares (tipo R$ 45 a consulta). Fui lá, mas mesmo assim havia uma fila de espera gigantesca. Desisti, porque tinha que buscar alguns atestados que faltavam pra documentação completa da UFC. À noite, liguei pro hospital público pra perguntar se havia um otorrino disponível. A resposta foi que apenas pra emergências, casos de sangramento e objetos dentro do canal. Na terça de manhã, voltei ao hospital, e ouvi a mesma coisa. Mas a assistente recomendou que eu expusesse o meu problema pro médico chefe da equipe, e ele me deu um papelzinho para conseguir uma consulta. E assim foi. Consegui ser atendida após algumas horas por uma otorrina, que disse que a surdez era consequência da gripe mesmo, que eu ainda estava congestionada. Gastei 25 reais em remédios e agora estou quase curada.
Conclusões deste episódio: a ficha caiu. Deu pra perceber que o Nordeste é uma região muito mais pobre que o Sul (embora o Sul esteja longe de ser o primeiro mundo que os separatistas pregam). Em uma semana de Fortaleza, recebi mais pedidos de esmola que em um ano de Joinville. E isso porque parece que a situação por aqui melhorou um monte graças a programas como o Bolsa Família... Bom, só sei que perambulando por aquele hospital, me senti culpada por eu, classe média, estar disputando atendimento com gente muito mais pobre, que realmente não pode pagar por uma consulta. Mas eu não deveria pensar assim. Devo continuar pensando que é meu direito como cidadã ter atendimento médico público, porque creio que saúde e educação são direitos adquiridos. Mas é mais fácil dizer isso na teoria que na prática. Em Joinville nunca tivemos plano de saúde e éramos bem atendidos. Acho que aqui vai ser mais difícil...
Outra conclusão: foi a pior gripe minha dos últimos cinco anos, e uma das piores da minha vida. Sei que tá todo mundo achando que foi psicossomática, resultado do stress da mudança e das indefinições, mas não foi não. Eu sei bem o que foi: beijo do maridão! A verdade é que se aquele gripadão irresponsável não tivesse me beijado, ele não teria me contaminado! Se eu tivesse ficado surda, iria processá-lo.
3) Por falar no dito-cujo, em comentários de um post desta semana um leitor chegou à estranha conclusão que não, não dá pra viver de xadrez, e outra leitora chegou à conclusão mais bizarra ainda que, como não se pode viver de xadrez, o maridão não trabalha, nunca trabalhou, e eu o sustento. Algo do gênero. Ahn, por onde começo? Dá pra viver de xadrez, ué. Assim como "dá pra viver" de muita coisa. Há poucos enxadristas no Brasil que vivem apenas de jogar. A maior parte dá aulas também. É o que faz o maridão: ele joga e dá aulas, e vive disso há quase quarenta anos. Só não dá pra ficar rico. Pra esse propósito, faça medicina.
Ou viva fazendo o que gosta, mas gaste bem pouquinho. Em linhas gerais, o segredo tá mais em quanto se gasta (aprenda a ser frugal e viver com pouco) do que em quanto se ganha. Se você teve o privilégio de, como eu e o maridão, nascer na classe média, sabe que nunca passará fome. Pode fazer o que quiser da vida, que tudo dará certo. Pior é que não estou sendo irônica.
4) Entreguei toda a documentação necessária no departamento da UFC na terça. Tudo ok. Minha posse será na quarta, dia 3. Ainda não sei horário ou procedimento (quando souber eu falo, se vocês tiverem curiosidade pra ouvir o que é uma cerimônia de posse). Já no dia seguinte começo a lecionar. Perguntem se já preparei alguma das aulas... Agora sim estou ficando desesperada! Até porque boa parte do meu possível material está em caixas de papelão espalhadas pelo chão da sala... Os primeiros meses não serão fáceis. Mas toda vez que penso em reclamar, lembro de como sou privilegiada e me acalmo. Tô gostando de Fortaleza. Não tem o que dar errado.

50 comentários:

Valdir Fiorini disse...

Danger, danger! Will Smith, sumiu tudo do blog menos as postagens.

Amanda disse...

Que bom Lola, fico feliz que tudo esta dando certo por ai! Aos pouquinhos tudo se ajeita. O pior ja passou, vc ja tem casa comprada e emprego. O resto, é lucro! Beijos!!

Patrick disse...

Lola, é quase lugar comum afirmar que a Bolsa Família injeta bastante dinheiro no Nordeste. No entanto, a Previdência Pública (e a recuperação do salário mínimo nos últimos anos) tem um impacto muito, mas muito maior.

Samira disse...

Claro que vai dar tudo certo!! E suas aulas vão ficar ótimas!!
Mas, como você lida com os pedintes? Isto é uma questão que me deixa com o coração na mão, especialmente no caso de crianças... Eu não sei se dar dinheiro ajuda ou atrapalha e de qulquer forma dar o dinheiro não vai resolver nada e eu nem tenho pra dar pra todo mundo... E as pesssoas vendendo no sinal,aqueles que correm para colocar as balas nos retrovisores e depois pra tirar, muitas vezes descalços,e nos ônibus? Ninguém estaria fazendo isto se não precisasse, né? E isto sempre me lembra o quanto somos privilegiados.Se pudesse falar um pouquinho sobre isto, como vc age, o que vc faz, acho q seria uma boa discussão.

Maria Valéria disse...

Só não dá pra ficar rico. Pra esse propósito, faça medicina.


Lola, adoro quase tudo em seu blog, mas esse seu comentario ,mostra que vc ta meio mal informada qto a condições de trabalho e vida dos médicos, salario, etc. Vivo razoavelmente bem( sou médica de UBS) mas de rica não tenho NADA. Ja me privei de fazer varias coisas que queria( entre elas: viagens, cursos), pq o salario não dava conta.Quem é médico e RICO, ou é pq tem no minimo uns 20 anos de consultorio particular e conseguiu angariar uma clientela com um amplo poder aquisitivo, ou é pq tem 3, 4 empregos, o que juntando o salario, pode chegar perto de uma condição " bem de vida", mas longe de ser chamado de RICO. Vc escreveu pouco antes que não achou otorrino de plantão onde vc mora, que o sistema publico de saude esta um caos. Vc sabe pq? Pq quase ninguem quer trabalhar num lugar onde te pagam tão pouco e muitas vezes vc tem que atender 30 pacientes numa manhã( veja qtos minutos se gasta com cada paciente , com 30 por manhã...) AQui em Campinas as condições de trabalho são bem melhores onde estou do que na maoiria das cidades onde estive, mas o salario me deixa bem longe de ser chamada de rica.(quem me dera)...
Qdo tiver tempo, oportunidade, pergunte a qqer otorrino, clinico de sistema publico , qto ele ganha por mes, vc vai chorar e não vai acreditar no salario...
Se quiser, mande um msgem no meu blog pra trocarmos ideias. beijão

Bau disse...

Pois é, Maria Valéria, acho que hoje quem quer ficar rico ou nasce rico, ou casa com comunhão total de bens com alguém rico, ou ganha na mega-sena, ou entra para alguma atividade ilegal. Eu não me encaixo em nenhuma dessas, e ainda por cima sou professora, outra profissão abaixo daquele lugar mais baixo da cobra.A gente deveria poder passear, comprar aquele livro interessante, ter um carro, uma casa, poder comer uma comida mais cara e tomar um vinho melhor sem ter que entrar no vermelho. Isso não é querer ser rico, simplesmente viver com dignidade, podendo usufruir dos estudos e do trabalho. Mas apesar disso, muito pouca gente tem o que nós temos neste país, não somos valorizados financeiramente, mas como disse Lola, não passamos fome.
Lolinha, querida, fico super feliz de saber que vcs estão bem, e botando os pés no presente e futuro. Vá em frente, amiga! Beijos saudosos.

Luma Perrete disse...

Aqui em Aracaju tem muita gente na rua pedindo dinheiro. Principalmente crianças. Me dá um pouco de raiva. Porque as crianças ficam lá descalças no sol pedindo dinheiro enquanto os pais ficam na sombra sentadinhos jogando baralho. Acho a maior sacanagem isso.

aiaiai disse...

me admira o maridão, jogador de xadrez, provavelmente com inteligência acima da média, jogar oleo no seu ouvido. É a pior coisa q se pode fazer para quem está com dor de ouvido. mas acho que agora vc já sabe disso, né?

brincadeirinha!!!!

continue com a boa sorte. tenho certeza de que a super gripe foi só um pequeno azar para equilibrar o tantão de sorte que já veio e que virá!

Dai disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Aline disse...

Lola, só uma sugestão: se vc estiver pensando em fazer um plano de saúde, saiba que pela ADUFC é bem mais barato.

Boa sorte nas empreitadas!

Beijos.

Dai disse...

Oi, lolinha. Que bom que tudo está se acertando. A casa vai ficar linda. Estou ansiosa para ver as inovações decorativas da Mamacita, que irá transformar o solar Aronovich em algo parecido com a casa da Frida Kahlo (aliás, beijo, mamacita!). Quanto aos pedintes, desigualdade social, saúde pública, etc: força na peruca, pois esta é a realidade. As desigualdades são, sim, bem mais visíveis aqui. A saúde pública é ruim, infelizmente. Eu também recorro à rede pública e já vivi (como acompanhante, mas, mesmo assim) situações desesperadoras - quando a minha avó se acidentou ou quando o meu namorado teve dengue. Passar por um pronto atendimento não é nada perto de ficar internado num hospital público, os médicos (infelizmente não encontrei nenhum com muito conhecimento de direitos humanos, mas estou certa de que eles existem, por favor, não levem a mal o relato, reflete apenas as minhas experiências) não demonstram grande apreço pelos seus juramentos nessas condições. Já ouvi de uma enfermeira que ela não iria dar mais atenção à minha avó (uma pessoa de 96 anos que não conseguia ingerir medicamentos sólidos) porque, afinal, ela tinha 40 pacientes para medicar naquele turno. Antes de fazerem nela uma intervenção desnecessária, consegui convercer os demais familiares a levar vovó para casa e ela viveu pelo menos mais um ano (uma semana a mais naquele hospital e seria o seu fim, tenho certeza). Eu ainda não me acostumei nem nunca vou me acostumar a ver tanta injustiça como vejo aqui, andando de ônibus ou a pé na rua, não que nada de ruim aconteça em grandes centros como Rio, São Paulo e Brasília, apenas há mais fragilidade de algumas autoridades e no cumprimento de algumas políticas, sobretudo as que favorecem crianças e idosos. Certamente - assim como vc - não sou boba de achar que a culpa é das pessoas. Sobrevivemos aqui a custa de muita luta, remando contra a corrente da má distribuição de recursos e do abuso de poder dos coronéis herdeiros da Ditadura. Por isso as pessoas no Nordeste merecem toda a solidariedade. Por outro lado, pense, Lolinha, estar em contato com esse tipo de realidade, ver o Brasil que não está na novela da globo, faz de nós pessoas mais sensíveis e mais atentas - eu acredito. Seja denunciando, questionando ou apenas analisando criticamente o nosso entorno. Tenho certeza que o seu olhar justo e sensível fará a diferença por aqui.

Ana Flavia disse...

Lola, Parabens pela casa nova. Que bom que a escolha certa foi de primeira escolha.

eu sempre achei curioso que vc nao tivesse plano de saude, Agora entendi: pq la no sul as coisas nao devem ser tao crueis como no Centro oeste. Morava a dez metro de um posto médico, e se quebrasse o braco, tinha de gastar com taxi pq esse posto medico so tem clinico geral e na emfermaria só tem disponivel analgesico, bezetacil e soro fisiologico. Pra qq emergencia verdadeira, tem de ir por conta propria (pq a ambulancia de la ta sempre ocupada ou estragada) para o outro lada da cidade onde tem o hospital geral de urgencia.
Qd finalmente terminei a faculdade e passei num concurso publico, a primeira porvidencia foi prover euzinha e maezinha de plano de saude.

Masegui disse...

Lolinha,

Eu sabia que tudo ia dar certo... quem vive neste mundo de forma digna e honesta, sem prejudicar os outros, sempre é "protegido"... no final dá tudo certo.

Quanto a "ser médico e ficar rico" a Maria Valéria está certa. Eu sei que você generalizou e tem muita razão, talvez entre 80 e 90 por cento, mas existem aqueles que não abrem mão de seus princípios e acabam levando uma vida comum... como nós mortais. Eu, por questões que não vem ao caso, conheço os dois lados...

Quanto ao CM, peça a ele que conte suas peripécias enxadrístico/nordestinas no "All That Chess"...

Dê um beijão na Mamacita por mim!

Anônimo disse...

Lola, moro em São Paulo, mas nasci no Nordeste e, realmente, é discrepante a qualidade de vida no Sul/Sudeste para o Norte/Nordeste ... Há muito essas populações foram esquecidas, menosprezadas, o que é muito triste, considerando-se que fazemos parte de uma só país, cujas diferenças deveriam desenvolvê-lo, não gerar minorias favorecidas e maiorias miseráveis... Mas, enfim, lhe desejo muita sorte aí e muito sucesso!! Porque uma coisa é fato, o pessoal aí é muito animado e o Sol, ah, o Sol...

Masegui disse...

Acabei de ler o comentário da Dai... muito bom, ela disse um monte de verdades.

E... Lolinha... um plano de saúde abre portas... e com saúde não se brinca...

Luciana disse...

2010 prometeu e já tá cumprindo.

Oliveira disse...

Nossa Lola; você descobriu que o Nordeste é muito mais pobre que o sul? Puxa!

Você coloca óleo quente para dor de ouvido? Puxa!

Por isso que ninguém da valor ao estudo.

Obs. O bolsa-familia não ajuda os nordestinos, só corrompe. Coisa de Lula.

Maria Valéria disse...

Dai, li seu comentario, e to morrendo de vontade de responder ao seu questionamento sobre medicos e direito humanos( não levei a mal, pode ficar sossegada, rs). eu conheço os 2 lados da sua questão; estou meio atrasada p um compromisso e assim que voltar, comento com calma e te respondo ;)

Ághata disse...

"Lola, adoro quase tudo em seu blog, mas esse seu comentario ,mostra que vc ta meio mal informada qto a condições de trabalho e vida dos médicos, salario, etc."


...
Gente, vamos combinar, né?
Direito e Medicina dá muito dinheiro.
Isto é fato.
Junto com engenharia acho que são os cursos mais bem pagos do país. tem médigo e advogado ganhando R$ 50 mil por mês (aqui em Brasília).
Agora, é claro que nem todo advogado e médico vão ser ricos, claro que não. Minha professora que é advogada em direitos humanos e atende pessoas carentes, tem de ser professora universitária porque viver só de advocacia não dá. Também tem médicos que ganham pouco como, por exemplo, os médicos que trabalham em hospitais públicos.

Agora, é fato que, quem quer ser rico, vai pra um desses cursos. A probabilidade de você ficar rico é bem maior do que fazendo artes plásticas ou veterinária.

Ághata disse...

Ah, Lola, acho tão legal você falar da sua vida pessoal assim para um bando de gente que você às vezes nem conhece - e mesmo sabendo que tem gente aqui que comenta só pra provocar.

^.^

olhodopombo disse...

a forma de escrever ambigua da margem a interpretações.
como enxadrista profissional, espero que o maridão seja valorizado no Ceará...afinal isso ai deve ser bem uma forma excentrica de viver....

Maria Valéria disse...

Respondendo a Dai sobre médicos que tenha conhecimentos de direitos humanos( e acho melhor nem responder tudo aqui, pq o post da Lola não foi sobre isso, e essa fds ou semana que vem vou colocar um posto no meu blog só sobre esse assunto, vc pode ler e opinar lá), Mas vamos aos fatos: Eu trabalho em sistema publico desde que saí da faculdade, por isso, Dai, consigo ver os 2 lados da situação que vc expos. O lado da sua avó( que precisava ser vista naquela hora) e o da enfermeira que precisava dar medicação pra mais 40 pessoas que tinham chegado lá antes, e sabe-se lá se estavam em melhores ou piores condições que sua avó. Então, tem os 2 lados: o lado de vcs, pacientes que precisam de atendimento humanizado, e ou lado de nós, que temos 30 pessoas pra atender numa manhã;. sobrecarregados, pq nenhum governo quer pagar médico em numero suficiente p/ dar esse atendimento " humanizado". Eu já saí de um serviço que me obrigava a atender 30 pacientes por manha, se vc fizer as contas vai ver que não dá nem 10 min pra atender cada um , nem conversar direito... é claro que existe a forma de falar, a forma de olhar nos olhos e dizer " daqui a pouco volto p/ ver sua avó, tem muita gente esperando e estou sozinha p/ atender todo mundo, ou algo assim". não sei a maneira nem o tom de foz como foi dito, mas se nos cobram o atendimento humanizado, tem que exigir que os governantes ponham mais profissionais em numero suficiente p/ atender a demanda. a culpa não é nossa. eu atendo com a maoir calma e paciencia do mundo,e ja ouvi xingos, berros, do tipo" estou esperando aqui ha mais d2 de horas", o que posso fazer, se só tem horario comigo sei la as 15 e o cara cheou la as 13? isso não é culpa minha, mas qdo chegar a vez dele, vou atende-lo da melhor forma possivel.
generalizar é ruim e sei que tem maus e bons profissionais em tds areas, seja no publico ou privado, com certeza tem médico que entende do juramento que fez e de direitos humanos e ai me incluo eu e um monte de gente que trabalha comigo, mas os pacientes precisam se lembrar que nós não temos culpa, qdo o numero de médicos é insuficiente p/ atender todo mundo e que tbem ngem tem que chegar berrando na porta da nossa sala cobrando atendimento " na hora", exceto caso se for uma emergencia tipo parada cardiaca ou algo assim, aí o paciente é passado na frente dos outros, logico.
Não escreverei mais aqui p/ não prolongar o asusnto, mas seu comentario me inspirou a postar um texto sobre isso no meu blog, depois via la conferir( so nao sei se postarei esse fds ou semana que vem). bjs e qdo quiser trocamos ideias.

Liana disse...

Ághata, direito e medicina dá muito dinheiro? hahahaha!!! Moro em Brasília tb, e discordo veementemente de vc. Pq a maioria absoluta dos médicos e advogados q conheço ralam pra caramba pra ter uma boa condição de vida e estão bem longe de ser ricos. A minoria é q ganha mais de R$ 50 mil (por sinal, a minoria em qq profissão).

quem quer ser rico vai é pra política, não pra medicina ou direito (piadinha infame, mas com um fundo de verdade).

E nossa né Lola... vc achava o q do nordeste? Sul e Sudeste são disneylândia se compararmos com norte-nordeste. Pra se surpreender com a condição ridícula de abandono do norte-nordeste a pessoa tem q viver numa bolha e nunca ter ido nestes locais e nem ter família no próprio sudeste q vive no meio da roça sem nada (meu caso).

é isso aí... governo melhorando a condição de vida dos nordestinos e nortistas dando bolsas X Y e Z enquanto o sistema de saúde apodrece e definha junto com o sistema educacional. Parabéns Brasil!!!

Maria Valéria disse...

Pois é... eu quando adolescente, Liana, tbem ouvia essa piadinha( ou conselho, dica, sei la) do professor de história do colegial:
" Quer ter certeza que vai ficar rico? Vai ser político", "de resto escolham o que vão prestar no vestibular de acordo com o que gostam e querem fazer...não tenham ilusões qto a medicina, direito, engenharia. alias, o porteiro da univesdiade onde me formei era formado em direito(...)... entre outras situações semelhantes que ja vi...
E olha, a única ( e grande vantagem) de ser médico é que não fica se desempregado e vc não precisa se sujeitar a trabalhar em coisas que não tem nada a ver com a area que vc se formou. O emprego e o salário podem ser péssimos, mas sem emprego de médico vc só fica se for por opção e escolha sua.
Gosto do meu emprego atualmente, não tenho o salario que tinha em sp capital( onde privatizaram quase td a saude e aboliram concursos, pagam mais, mas... não compensa), mas em Campinas - concursada- achei as condições de trabalho bem melhores e não estou sendo obrigada a atender 30 pessoas numa manhã... bem melhor p/ mim e p/ os pacientes;)

Masegui disse...

Maria Valéria,

Gostei, parabéns!

Ághata disse...

"Pq a maioria absoluta dos médicos e advogados q conheço ralam pra caramba pra ter uma boa condição de vida e estão bem longe de ser ricos. A minoria é q ganha mais de R$ 50 mil (por sinal, a minoria em qq profissão)."

Fale pela sua experiência, os advogados que eu conheço ganham de 20 mil por mês para cima e, bem, são mais de 10 contando aqui comigo.
Observe o pagamente dos concursos para pessoas da área de direito. O mínimo que ganham é, hum, 6 mil por mês...?
Segundo minha irmã, no curso de fisioterapia o top é passar no sara e receber 7 mil por mês...
Compare com os outros cursos.
Os de médicina, pelos professores de meus amigos e médicos que conheço, também é a mesma faixa do de direito. (Alunos da Fepecs, nem são da Unb.)


...
Agora, é claro, né, Liana pode pensar que nem uma amiga minha que acha que 20 mil por mês é classe média e que este valor dá para viver de forma confortável e só. Como ela disse 'Nem dá pra viajar pra Europa todo ano sem se preocupar em gastar'.

L. Archilla disse...

cara, na boa, acho que em toda a minha vida nunca conheci ninguém q ganhasse perto de R$50 mil por mês. sério.

mas enfim, não sei de maneira geral como anda a remuneração das profissões, mas uma coisa que disseram é verdade: em concursos, a área jurídica é absurdamente mais bem remunerada que outras como saúde e educação. realmente, concurso que pague 7 mil pra fisioterapeuta, TO, psicólogo, enfermeiro, etc, é raridade. já na área jurídica, é um salário corriqueiro...

Mari Biddle disse...

Oi, Lola...

que bom que tudo ta se encaminhando!

Eu acabei de chegar de ferias de Natal - RN e sou nordestina. Sempre me 'assombrou' a pobreza a que nos nordestinos nos encontramos. Nao precisou eu vir morar nos EUA e depois retornar de ferias para levar esse choque. A pobreza tava e esta la presente e sempre me fez pensar que diabos ta acontecendo...na BA de um lado existe gente morando em casa confortavel com gipe Hammer (podre!) na garagem e de outro lado os casebres de gente sem nada. Sabe como os ricos apelidaram o local em que os pobres moram? Iraque. Eu ficaria com vergonha de morar na casona com o gipe Hammer cafonetico ao lado de gente tao 'precisando de tudo'. E eu nao conheco ninguem que ganhe 50 mil reais. Acho que nao conheco ninguem que ganhe 10 mil reais. Enfim, eu vi meninas e meninos vendendo coisinhas na praia em Natal igual a tantos anos atras. Fico morrendo de pena. Eu tenho uma forma de lidar com a situacao dos vendedores na praia. Primeiro eu fico pessima olhando aquelas criancas ralando daquele jeito. Depois eu compro somente de mulheres. Redes, comida, agua, cerveja, espetinho....compro soh se for se a vendedora for mulher. Sei que isso nao muda nada e eh meio estupido mas, eh assim que faco. Eu acho tao arrogante gente falando de valores em torno de 50 mil reais num pais onde eu preenchi fichas de capinadores analfabetos que iam ganhar 1 salario minimo por mes.

Depois diz ai pra gente como vc lida com essa questao de dar ou nao dinheiro no sinaleiro..etc. Bjs

Maria Valéria disse...

Na boa,
Ser concursado na área juridica é maravilhoso, exceto delegoado d e policia( que o salario não presta- sei pq conheço uns de perto)- tds outros cargos pagam muito bem.
Ser concursado na área da saúde? Nem tem comparação. A vantagem é estabilidade, pq o salário, nem chega perto do concursado juridico. O unico concurso que paga bem pra saúde, é o de cargos federais, tipo médico da assembleia legislativa da capital( e mesmo esse nem sonha em chegar perto dos juridicos)... abs a tds;)

Manu disse...

Os sul-separatistas não acham que aqui é o primeiro mundo... muito pelo contrário, o argumento deles é que o sul paga muito imposto e recebe pouquíssimo retorno desse imposto, mesmo tendo muitas injustiças sociais por aqui.

Antes que as pessoas fiquem horrorizadas, vale lembrar que "sul-separatistas" são uma parte ínfima da população. Se você sair perguntando na rua é muito improvável que ache alguém que concorde com eles :P

Dai disse...

Lola, peço desculpas antecipadas por ocupar mais uma vez seus comentários, mas, acho que devo esta resposta:

Oi, Maria Valéria,

Antes de mais nada quero deixar claro não fiz generalizações, já que disse que estou certa de que existem médicos que conhecem direitos humanos, apenas não os encontrei quando precisei de atendimento. Não apenas no caso de minha avó, mas com meu namorado, a quem o médico deu uma sentença de morte depois de um exame mal feito (achou que ele estava com dengue hemorrágica e me disse secamente que ele provavelmente ia morrer). O que eu tenho a dizer não diz respeito à totalidade da classe médica, mas aqueles que encontrei quando precisei. Trata-se de um testemunho: da experiência horrenda que vivi, da qual ainda omiti muitos detalhes. Não desajaria a nenhum ser humano presenciar o que presenciei, não apenas com a minha avó, mas com outras pessoas em meu entorno. Neste caso, me dói particularmente. Eu estou falando da pessoa que mais amei nesse mundo e não tenho a menor condição de relativizar. Mas, fora do meu histórico no atendimento público, eu conheço médicos bacanas, pessoas que encontrei em meu trabalho como pesquisadora. Tive a sorte de conhecer uma grande médica, uma lutadora pelos direitos humanos, faz capacitação e sensibilização em direitos humanos no Hospital em que atua - e lida com a resistência e o preconceito de inúmeros colegas por conta disso. Conversamos muito e ela era muito desiludida com a classe. Uma coisa que ela me dizia, era que às vezes as pessoas levavam conhecidas/os para que fossem atendidas por ela e pediam atenção privilegiada, da seguinte forma: "esta é fulaninha, trate-a como se fosse sua filha, por favor". E ela se indignava com a recomendação, respondendo: "tratarei dela com todo o respeito de cidadã que merece". No caso desta atendente hostil e despreparada, lamento não ter dito a ela que não gostaria que tratasse aquela senhora idosa como sua avó, mas, apenas que reconhecesse que ela era uma cidadã e tinha o direito de ser atendida com dignidade.

aiaiai disse...

inaugurando meu avatar, teste para ver se dá certo!

aiaiai disse...

não deu certo aiaiai

Maria Valéria disse...

Oi Dai...
Não tem problema, eu imagino o que é um médico dar um tratamento completamente inadequado a alguem da sua familia. não sabia dessa parte da historia e nem precisa contar tudo a mim , se não quiser. eu só te respondi achei que seria bom explicar a parte do" não posso te atender agora pq tem 30, 40 la fora me esperando e estou sozinha p/ ver todo mundo", isso é uma realidade no nosso sist. publico. no mais, se quiser, passe no meu blog para trocarmos ideias. beijão;)

Leo Pasqualini de Andrade disse...

Lola, uma boa discussão no seu blog!
Só quero dizer que o professor de xadrez pode não ganhar muito, mas traz um retorno muito bom quando vemos as crianças curtindo e se desenvolvendo. Boa sorte pra voces aí!

Alba Almeida disse...

Olá, Lolíssima.
Saudades!!...
De comentar, porque de ler, dou um jeitinho e todos os dias aqui estou.
Que felicidade saber que deu e continua dando tudo certo. De fato Lolíssima você é uma privilegiada, e eu,pego carona nisso, que ai os posts são cada vez melhores. A saúde publica no nordeste é complicada. Quanto as aulas, basta vc com todo esse envolvimento falar um pouco de vc, na primeira aula. E ai, minha amiga, tudo caminhará bem e vc terá tempo pra abrir suas caixas. Ahahah! (brincadeirinha).
Vc viu o comentário que deixei no orkut? Sobre o livro.
Continuo firme nessa leitura, que tanto me faz bem. É isso... bjs.

Maria Valéria disse...

Oi, Lola, acabei de lembrar que voltando ao assuntto original do seu post, eu adoro jogar xadrez.muito bacana a profissão do seu marido. eu não precisaria necessariamente de um professor, mas precisaria treinar, pq jogo muito mal. e jogo mal,pq não encontro ninguem que goste ou que tope jogar comigo. Vou ver se aqui na cidade( mudei ha 4 meses pra ca) descubro alguem que se interesse tbem... risos.. beijão

Mateus Luciano disse...

toda sorte do mundo para você e todos os seus.

Anônimo disse...

Lola, você viu o filme Um Olhar do Paraíso (The Lovely Bones)? Achei o filme muito massa e gostaria de ler o que você acha dele.

Liana disse...

Ághata, eu acho q quem vive no meio de pessoas q acham q 20 mil é classe média pelo visto é vc né, não eu. Classe média tá bem abaixo disso (pelo menos no mundo real da maioria da população).

Concurso na área jurídica de fato paga bem, e bem melhor do q nas outras áreas. Mas contudo, entretanto, todavia... tb é a minoria dos advogados q é concursado. E alguém q só conhece concursado pracisa sair um pouco da ilha da fantasia e ver como a maioria das pessoas se vira ralando de verdade né.

Luciana disse...

Comentário nada a ver com o assunto: eu nunca tinha dado bola pro link do ExtremeTracking (nem sabia o que era), e hoje, por curiosidade, resolvi clicar...
To assustada até agora com o nível dos termos pesquisados.

Giovanni Gouveia disse...

Explicar a carência de médicos apenas pelos "baixos salários" é, sem dúvida, reduzir o real problema.
Aqui em Pernambuco, em em boa parte do país o que há é ausência de médicos seja na rede privada seja na pública.
NÃO HÁ MÉDICO DESEMPREGADO! O mesmo número de médicos que se formava há cinqüenta (até 2012 posso usar o trema ;)) anos forma-se hoje, a Universidade de Pernambuco, por exemplo, está na segunda tentativa de abertura de uma faculdade de medicina no Interior, a primeira foi barrada pelo CREMEPE (conselho regional de medicina).
Não mais há "greve de médicos", eles simplesmente pedem demissão.
Há cidades no interior que pagam 40 horas para ter um médico que trabalha, no máximo, 10 horas e o prefeito tem que fazer vista grossa porque senão fica sem nenhum.
Na negociação salarial da prefeitura do Recife (minha área, minha praia), no ano passado, o Prefeito foi visitado por um dono de um grande hospital pedindo que o prefeito não desse o salário "X", ois assim ele ficaria sem médicos.
Participei, recentemente, de um seminário do SUS, e o pessoal de RH do Ministério informou que há prefeituras, sobretudo no norte do país, que oferecem verdadeiras fortunas para ter um médico de atenção básica à saúde, sem sucesso.
Algumas especialidades não se encontra médicos nem na rede privada nem na pública.
E preparem-se para o pior, se houver a aprovação e sanção da lei do Ato Médico, os médicos, que hoje já não dão conta de suas atuais responsabilidades, vão ter que se responsabilizar, também, pelas atividades dos fisioterapeutas, enfermeir@s, pisicólog@s... até mesmo dos tatuadores 8-()

bibi move disse...

que bom que está tudo certo aí- que idéia de girico pingar azeite no ouvido!!!!
Lola, escrevi um micro post sobre o Mala do eliéser no bibimove- desde o teu post anti-dourado onde expliquei porque acho que o eliéser é mil vezes pior fiquei com o assunto ardendo! vai lá flor.
beijos

Penélope Charmosa disse...

(TO SEM ACENTO!!!!!)
Eh, Lola, a saude publica no nordeste nao eh boa mesmo nao. Sou piauiense e sei. Mas que bom que vcs jah estao se instalando aih em Fortaleza. Eu adoro essa cidade. Espero que vcs consigam se adaptar ao calor e a vida nova e possam curtir a cidade.
Abs,
Clarissa

Maria Valéria disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Christina Frenzel disse...

Lollinha, quanto tempooooo!!!
Que bom que as coisas aos poucos vão se acertando! Tenho um feeling que você vai curtir muito Fortaleza. ;)

Muitos beijos e boa sorte na quarta,

Chris

Flora disse...

Oi Lola,

Acompanho seu blog há mais de um ano
mas nunca me manifestei por aqui,
uma vez te escrevi um e-mail, lembra?

Só para constar que não é tão estranho assim viver de xadrez,
xadrez é um esporte,
como tantos outros, muitas
prefeituras contratam técnicos e
jogadores. Não sei pq o espanto
das leitoras!
Inclusive meu namorido vive de
xadrez tbm, e ele é superfã do seu
maridão Lola.

Bjão!!

Ághata disse...

Este Ato Médico é uma vergonha...

Ághata disse...

"Fale pela sua experiência, os advogados que eu conheço ganham de 20 mil por mês para cima e, bem, são mais de 10 contando aqui comigo."

Meo deos, depois, relendo este trecho, notei que parecia que eu Era advogada e que ganhava tudo isso, não, não, sou estagiária, o 'contando aqui comigo' foi só força de expressão, eu contando pelos que eu conheço.

Nina disse...

Lola, sei que o post é antigo, mas eu queria deixar registrado que para perceber as diferenças de norte/sul no Brasil nem precisa sair do mesmo estado. Sou mineira, moro no sul de Minas Gerais, meu namorado mora em Diamantina (que é norte de Minas). Pelas conversas, coisas da rotina dele e meus passeios, vi que o acesso a saúde é diferente lá. Não há tantos especialistas, um pouco mais de demora no atendimento público... Enfim, não é uma diferença tão absurda mais ela existe. E isso dentro do mesmo Estado!

Beijos!