quarta-feira, 2 de novembro de 2011

AGRESSÃO A MONALISA PERRONE É VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER?

Ontem de manhã recebi um email de uma leitora querida: “Você deve ter visto o que houve com a repórter Monalisa Perrone que, enquanto transmitia ao vivo para o Jornal Hoje em frente ao Hospital Sírio-Libanês, foi empurrada por um ou dois rapazes bestinhas que tentavam entrar na frente da câmera. Vi que os rapazes são de um grupo que se diz apartidário, o 'Acampa Sampa'. Pois então, o que vi foi um tonto tentando fazer o que vivem fazendo programinhas feito Pânico ou matérias de TV sobre torcidas de futebol, em que torcedores entram na frente da câmera pra gritar o nome de seu time, essas coisas.
Há um jornalista, o Ale Rocha, que escreveu um post, 'Monalisa Perrone e a violência contra a mulher'. Muita gente está afirmando que o empurrão sofrido pela Monalisa foi 'violência contra a mulher'. Não sou especialista nisso, mas achei forçar demais a barra dizer que um ato que ocorre no mundo todo com jornalistas, tipo 'ossos do ofício', configura-se como 'violência de gênero'. Então ela deveria ter ido em alguma Delegacia da Mulher, feito exame de corpo delito e exigido que o bocó lá mantenha distância de 500 metros dela? Sério que aquilo configura violência contra a mulher? Não tão forçando?
Bem, confio em você pra discernir com clareza sobre o fato, porque os argumentos que tenho visto não me convencem. Não acho que aquilo foi caso de Lei Maria da Penha. Disseram que o cara só fez isso porque ela é mulher, estava 'indefesa' (com trocentos seguranças em volta lá -- imagine se não havia seguranças em frente a um Sìrio-Libanês lotado de repórteres e com o Lula lá dentro?). Será que estão vendo coisas ou eu é que não entendo patavina sobre o que é realmente violência contra a mulher?

Em primeiro lugar, minha solidariedade à repórter. Sou contra qualquer tipo de violência física.
Em segundo lugar, pouco depois de receber o email da leitora e decidir respondê-lo no blog, vi que um site reaça que tem obsessão por mim andou me atacando... de novo (já foram pelo menos cinco posts a meu respeito). Desta vez porque eu, que segundo eles sou representante-mór das feministas radicais (como dizem as verdadeiras feministas radicais, eu tô mais pra feminista ha-ha-radical) não falei da Monalisa. Quer dizer, se eu falo eu levo pedrada, se eu não falo eu levo pedrada também. Qual o padrão que se repete? A pedrada. E já disse aqui que o blog é meu, escrevo sobre o que quiser, quando tenho tempo. Cobranças de gente que me odeia pautando meu blog? Dispenso. Vão cobrar posicionamento das únicas feministas que vocês conhecem, aquelas que posaram de lingerie. Aceito de muito bom grado sugestões de leitor@s. Sei quando é sugestão, e quando é cobrança.
Não dá pra escrever sobre tudo. Sou uma só, e trabalho. Esses dias me pediram pra falar do Lula (Lulinha, adoro você, fique bem logo, por favor), das piadas sobre o câncer do Lula (na minha timeline do Twitter não rolou, eu nem vi; mas o que tem pra dizer? São uns ridículos), do confronto na USP (pedi um guest post à gente do DCE de). Além do mais, odeio escrever sobre o óbvio. Fazer um post pra condenar os cretinos que derrubaram a repórter? Pô, isso é o óbvio do óbvio. Só estou escrevendo este texto porque surgiu uma dúvida razoável: a agressão contra Monalisa foi violência contra a mulher?
Pelo vídeo, nada fica muito claro. Parece haver um bando de homem correndo em direção à repórter. Vários deles são seguranças tentando impedir os loucos de chegar até ela. Um dos rapazes, o mais visível, Thiago de Carvalho Cunha, disse que fez isso pra divulgar seu curta-metragem. Ele conta que havia várias outras emissoras no local, e que escolheu a Globo porque teria mais visibilidade, e porque ela é uma rede nascida na época da ditadura e que manipula as pessoas. No blog deles, que não quero divulgar pra não dar visibilidade pra babaca, o grupelho pede desculpas à repórter: “Foi um acidente de trabalho, fomos empurrados pelos próprios seguranças da Globo, acabamos esbarrando na repórter sem querer, sem intenção de ferir ou remove-la de cena” (sic). Parece que, em outubro, o mesmo grupo interrompeu um outro repórter. Um homem passou em frente à câmera gritando “Cala a boca, Globo!”. Achar que esse pessoal que faz de tudo pra aparecer na TV é politizado não me parece muito realista.
Aí vira pretexto pra direita poder disparar os seus clichês de praxe –- quem não gosta da Globo é comuna (eu, que participei das Diretas Já em 1983, que o diga: os carros da Globo tinham que esconder seus logotipos porque a gente gritava “O povo não é bobo, abaixo a Rede Globo!” -- todos os manifestantes do Diretas Já eram esquerdopatas, lógico!), e quem participa de qualquer protesto é vagabundo, polícia neles!
O jornalista Ale Rocha, que eu respeito e está muito longe de ser um reaça, escreveu: “O pior, no caso de Monalisa Perrone, é a covardia. Trata-se de violência contra uma mulher. A invasão de boletins ao vivo é ação típica de homens. Contra José Roberto Burnier ou Fillipo Mancuso 'ousam' apenas passar gritando uma vazia frase de impacto. Ficam distantes, sem nenhum contato físico. Contra uma mulher, um empurrão. Pelas costas”.
Tenho minhas dúvidas. Se os caras escolheram a Monalisa e a derrubaram por ser mulher, okay, é violência contra a mulher. Mas se eles a escolheram porque ela é da Globo, e se a derrubaram sem querer (continuam sendo babacas em qualquer caso), aí não. A violência contra uma mulher não constitui exatamente violência contra a mulher.
Por exemplo: em 2007, quando eu ainda vivia em Joinville, fui pedir a um vizinho pra que ele abaixasse a música de sua casa, porque estava altíssima e eu não conseguia estudar. O cara, que tinha
a minha idade, e estava bêbado ou drogado, foi atrás de mim quando eu falava com uma outra vizinha e me ameaçou de morte, dizendo que guardava uma pistola debaixo da cama e que iria buscar a arma pra me despachar pro inferno. Ainda encostou o punho no meu rosto e gritou que, se eu fosse homem, me enchia de porrada. E berrou, entre muitos palavrões: “Sua ateu!”. Eu fui a uma delegacia comum (porque a Lei Maria da Penha é para agressões domésticas) e fiz boletim de ocorrência por causa da ameaça. Eu sei que o que ele e outros familiares seus mais odiavam é que uma mulher lhes mandasse fazer alguma coisa, como abaixar o som. E aí, foi uma ameaça contra a mulher? Foi uma ameaça por eu ser ateia? Ele certamente sabia que eu era (sou) ateia, mas foi por isso que ele me agrediu verbalmente e ameaçou me agredir fisicamente? Não tenho opinião formada sobre esse caso.
Violência de gênero é quando a violência é cometida por um motivo: pela vítima ser mulher. Entende-se que os casos de mulheres que são mortas por parceiros e ex-parceiros representam violência de gênero, porque eles ocorrem dentro de uma lógica machista em que o homem se sente dono da mulher. O mesmo com violência doméstica. O mesmo com estupros. Parte de uma situação de domínio, ou de tentativa de poder, que não sei se é o caso dos dois loucos pela fama que derrubaram a Monalisa.
Mas o mais legal dessas cobranças da direita (não estou de jeito nenhum falando do Ale Rocha) é que ela precisa se definir. A direita, como sabemos, não dá a mínima pra violência contra a mulher. Odeia as feministas, acha que feminismo não tem razão de existir, que feminismo e marxismo são a mesma coisa, e que o verdadeiro perseguido hoje em dia, nessa época da praga do politicamente correto, é o homem branco e hétero, pobrezinho. Mas aí, pra fazer uma cobrança a esta feminista ha-ha-radical que vos fala, diz que sem sombra de dúvida a agressão a Monalisa foi uma violência contra a mulher, e que meu silêncio equivale a defender esses meliantes. Então tá. Você ganhou, reaça: batata frita. De agora em diante, qualquer mulher agredida será vista como uma violência de gênero. Vai entrar nas estatísticas, certo? Mulher atropelada na rua? Violência contra a mulher. Mulher morta em assalto? Violência contra a mulher. Mulher manifestante política agredida a cassetadas por essa polícia tão heróica que temos? Violência contra a mulher.
E quando é o Rafinha agredindo as mulheres com piada sobre estupro ser uma grande oportunidade? E quando o Zorra Total recomenda que as mulheres devem adorar serem bolinadas no metrô? Ah, aí não é violência contra a mulher! A violência só vale se for física? Lógica estranha, essa dos reaças: agressão a uma mulher, principalmente se essa mulher trabalha em uma mídia que defende os interesses da direita? = Violência contra todas as mulheres! Agressão a todas as mulheres, que deveriam agradecer por serem estupradas e bolinadas? = Agressão a nenhuma mulher.

134 comentários:

Anônimo disse...

nossa, QUE DESELEGANTE tentar pautar o blog da Lola, gente!

Seguinte: também não sou especialista, mas já trabalhei diretamente como assessora de uma promotora numa vara especializada em violência doméstica e familiar e POSSO AFIRMAR com certeza que isso não se encaixa na Lei Maria da Penha.

Valéria Fernandes disse...

Embora eu acredite que só ousaram empurrar, porque era uma mulher a repórter, seu post foi muito bem articulado, Lola. Não mudou minha opinião, mas é um texto que por vários motivos merece ser lido. Realmente, é muito absurdo cobrarem porque você não falou desse "extremo caso de violência contra uma mulher" e negarem que o que canalhas como Rafinha fazem ou a irresponsabilidade do Zorra Total não são.

Bom feriado!

Flávia disse...

"Vão cobrar posicionamento das únicas feministas que vocês conhecem, aquelas que posaram de lingerie."
Que beleza, Lola, atirando para todo o lado, sempre alfinetando com indiretas gente que nem sabe mais que você existe. Para variar, a mesma desonestidade de sempre.

Frustração Diária disse...

É aquela velha historia da galera que só vê o problema onde quer, quando de alguma forma os atinge.

Tenho um historico de raiva muito grande desse tipo de gente.

Ótimo post Lola!

Frustração Diária disse...

Flavia, pelo que eu entendi, a Lola se referiu aos babacas que criticam feministas sem conhecer as feministas, as que realmente defendem a igualdade de genero, não só posam de lingerie.

Starsmore disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Starsmore disse...

Conlusão, foi violência, mas não foi contra a mulher, e sim contra a empresa. Até aí concordo 100%.

Mas o que eu acho mais bonitinho é essa papinho de esquerda que agarra na bandeirinha vermelha pra chorar.

As outras emissoras são melhores?

O SBT faz doações pro PT e campanha para denegrir o Serra, depois o governo comprar o banco falido do Silvio Santos e os hipócritinhas esquerdistas não reclamam.

A Record faz campanha de esquerda, mantendo assim longe a PF do dízimo, além de poder continuar vendendo programa religiosos, mas os hipócritinhas esquerdistas tbm não criticam.

Ahh é tão bom viver na Suíça brasileira, onde políticos querem ficar doentes para serem atendidos pelo SUS.

Annah disse...

Bom, em geral não ligo para a Globo ou seus jornalistas. De qualquer forma, Lola conseguiu muito bem extrair temas relevantes de um acontecimento que, isolado, não deveria significar muita coisa ou chamar tanta atenção.

lola aronovich disse...

Em vez de dizer que sou desonesta sempre, explique onde está a desonestidade, Flávia. Esse pessoal que me critica conhece muitas outras feministas? As únicas feministas que eles conhecem e admiram não são as que posaram de lingerie? A quem eles vivem cobrando posicionamento? Aponte a desonestidade nessas linhas, por favor. Quanto a pessoas que não sabem mais que eu existo, pois é, né? Eu acabo de falar de mais um post contra mim e eu que estou fantasiando. Talvez você não saiba (eu realmente duvido que não saiba), mas tem gente que faz do rancor seu modo de vida. Gente que faz tumblr desde o LD pra ficar tirando sarro de blogs feministas (este incluso) que não se alinha a um outro tipo de feminismo. A-hã, esse pessoal não sabe mais que eu existo! É só coincidência que o tumblr trate dos mesmos temas do meu blog, nas mesmas datas. Quem está sendo desonesta, Flávia? Vou te dar o benefício da dúvida: talvez você esteja apenas muito mal-informada.

Anônimo disse...

Bom, que não se encaixa na lei Maria da Penha é óbvio; não se trata de violência doméstica e familiar.

Agora, se é violência contra a mulher é difícil saber, porque não sabemos das motivações do agressor. Mas olhando assim, PARECE que não é violência de gênero, pois o agressor queria atacar alguém da Rede Globo, e a repórter da Globo era mulher.

O relato da Lola também é muito difícil de classificar.

Sobre a campanha mandando Lula ir para o SUS, achei esse post maravilhoso:

http://purplesofa.wordpress.com/2011/11/01/eu_o_sus_e_tals/

Niemi Hyyrynen disse...

Tai um exemplo de "desserviço"

Esse tonto do Thiago Cunha dando pano pra manga para que os reacinhas critiquem de uma só vez:

- A esquerda;
- O feminismo/feministas/as mulheres;
- O Lula, o Pt, o sentido da vida e tudo isso e um pouco mais além da compreensão humana;

Tb não ligo para a Globo, tanto assim, a Record ao meu ver está se tornando muito mais perigosa, ela é escancardamente fundamentalista, a Globo pelo menos nesse aspecto é mais velada.

E tb não acho que foi agressão contra à mulher, o abestalhado não quis fazer aquilo por machismo, levar uma mensagem de ódio as mulheres.

Mas foi uma agressão por ela ser mulher, pq dos seguranças homens, ele se esquivou, pq o bonitão(not) não enfrentou os caras? Teve coragem de pular em cima só da reporter?

Enfim... a direita subverte sua lógica sem vergonha alguma, o importante é pregar seus preconceitos.

Isabel SFF disse...

O que você falou sobre as Diretas-já me lembrou da vitória da Dilma, no ano passado. Eu fui comemorá-la na praia do Leme, no Rio de Janeiro, e não tinha um carro sequer da Globo por lá. Tinha um carro da CBN bem longe da comemoração, escondidinho numa parte mal-iluminada... Hahaha! Saudosa noite de 31 de outubro do ano passado.

Pois é, Lola, incrível como tem uma galera surtada distorcendo as coisas só pra poder apontar o dedo pra você e dizer: MAS QUE TIPO DE FEMINISTA APÓIA [insira aqui algum assunto]? ISSO É UM ABSURDO! Mesmo que você nem se pronuncie sobre tal assunto. Enfim, são as mesmas pessoas surtadas que não dão a mínima quando realmente ocorre violência de gênero.

Mas é aquilo, né? Haters gona hate, surtados gonna surtar...

aiaiai disse...

Incrível ver gente q nem sabe mais que a lola existe, comentando em post dela...
surreal.

Qt ao post, concordo totalmente. Foi uma violência mas não foi contra a mulher, foi contra uma profissional da rede globo. Se fosse um homem, teriam feito o mesmo.

Oliveira disse...

Porque era um reporter da Globo, mesmo sendo mulher, não sofreu violêcia. A Lola não viu nada demais.


Entenderam?

Isabel SFF disse...

Sobre os comentários irônicos a respeito da doença do Lula, quem faz isso nem merece resposta. Contra canalhice da direita raivosa, não há argumentos. É melhor deixá-los espumando bem longe de nós.
***

Pra quem é do Rio: no próximo domingo será feita em Copacabana uma manisfestação em defesa do deputado Marcelo Freixo: https://www.facebook.com/event.php?eid=194825737262175

Pandora disse...

Lola, seu texto, como sempre, está impecavel! Didatico, politizado, todo elegante rsrs

Lord Anderson disse...

É mais ou menos oq eu tinha imaginado.

Foi um ato de violencia de um babaca que queria se mostrar(nem dá para falar de protesto ja que ele só queria divulgar seu filme)

mas não especificamente contra a mulher.

quase um boletim de ocorrencia "normal", não o uso da Lei Marinha da Penha.

Niemi Hyyrynen disse...

Lola voltando pra fazer um Jabá

Publiquei o segundo post do meu blog, estou muito feliz com a recepção dele, brigada pelo apoio!

Deixo o link para os curiosos (or not rs)

http://bordadosfeminista.blogspot.com/

:)

Blanca disse...

Hm, o que seriam "feministas radicais"? ._.

Sempre vejo Lola falando "delas". Radicais?


Se alguém puder me explicar...

Anônimo disse...

Isso se chama manipulação da opinião pública, no que a emissora tem décadas de prática. Tudo combinado porque a emissora nunca engoliu o ex-presidente Lula e quer reforçar o pensamento da sociedade de que os seus admiradores são violentos, inconsequentes e perigosos. Visivelmente teatral a reação da apresentadora, um insulto à nossa inteligência.

Oliveira disse...

Viva a revista Veja; viva a Globo. Sem elas os ladrões da esquerda (PT, PD do B etc.) agiriam sozinhos; roubando, errando, violentando e se perpetuando.

Viva a Veja, viva a Globo.

Vcoês da esqeurda não podem com a direira em campo algum, graças ao nosso Deus!

Anônimo disse...

Ah, adorei o selo, kkk, copiei para usar no meu blog, Lola, você me permite? Um abraço.

Gabriele disse...

Muito bom, Lola.
Essa cobrança sem fundamento não dá pra ser levada a sério, é só desocupado pentelhando. Todo mundo que acompanha o blog há pelo menos um mês percebe que esse não é um blog com tema fixo. Não é um portal de notícias nem nada assim, então não faz sentido cobrar se ela deixou ou não de comentar sobre um tema ou outro. Se ela quer falar sobre dinheiro achado na rua, receita de bolo, cinema ou violência doméstica, isso é problema dela. O blog da Lola é o blog da Lola. Ponto.

Liana hc disse...

Também não achei que caiba a lei Maria da Penha. Pode ser que ele não tivesse feito isso com um homem, mas mesmo assim não consideraria isso um caso para ser enquadrado nessa lei. A babaquice toda estava centrada em outros assuntos, e não no fato de ser uma mulher na frente da câmera.

O que interessa dizer é que aquilo foi muito DESELEGANTE.

lola aronovich disse...

Vera, claro, pode usar o selo da Que deselegância!, mas ele não é meu não. Eu vi ontem em algum lugar. Acho que foi no Estadão, falando que já tinham feito selo sobre isso (mas sem falar quem fez). Mas é muito bom, né? Dizer “Que deselegância” numa situação dessas é muito bizarro. Mas é a cara da Sandra Annenberg. Eu já vi bastante Jornal Hoje (agora tá difícil, nunca mais vi), e já a ouvi falar de deselegância outras vezes.


Blanca, então. Em setembro eu escrevi um texto sobre feminismo radical (dizendo o mesmo que vc: que eu nem sei o que é isso). Na caixa de comentários apareceram várias feministas (assumidamente) radicais. Tudo gente boa, não tô criticando. Inclusive acho que a Aoi Ito, que comenta aqui com certa frequência, se define assim. Mas enfim, elas riem sempre que alguém me chama de radical. É uma risada respeitosa que, pra mim, demonstra que é uma piada eu ser chamada de radical. E eu também acho. Mas não sei muito bem o que elas defendem. Até adoraria um guest post se alguém topar fazer.

nenhum disse...

Claro que foi uma violência contra a mulher independente das intenções dos babacas que fizeram isso ou disso se enquadrar na Lei Maria da Penha. O problema que muitas feministas(Radicais ou não) ignoram é que um homem é fisicamente muito mais forte que uma mulher.

Claro que isso não é nada perto do que correspondentes como Christiane Amanpour ou Lara Logan já enfrentaram, mas o problema de qualquer violência física de um homem contra uma mulher é a disparidade de forças(Por isso mesmo que a comparação entre agressões contra homens por mulheres que os masculinistas fazem é boba).

Elaine Cris disse...

Não sei qual o blog em questão, mas acho que vc já disse tudo, é só pra implicar, não devem ter muito sobre o que escrever e aí cismaram com vc.
Se vc escrevesse sobre o caso iam criticar, como não escreveu, criticam.
Se vc dissesse que era violência contra a mulher iam contrariar, vc diz que não é, vão implicar.
Acho que tenho mais preguiça dessa turma que se intitula como moderninha, mas só apóia feminista se ela fala o que ele quer ouvir, concorda com tudo e pousa de lingerie, do que os próprios reaças. No fim das contas, pelo menos os últimos são mais sinceros a respeito de suas opiniões.

Anônimo disse...

Eu também não acho que seja violência contra a mulher não. Os caras ali fariam isso com qualquer repórter. Claro o fato de ela ser mulher facilita o empurra-empurra (eles não fariam isso se fosse um cara gigante), mas não acho que a intenção tenha sido premeditada de "vamos lá porque é mulher".

E como sempre os idiotas compram o discurso da Globo e tudo agora fica como deselegante.

Pessoas, eu tenho um blog e escrevo sobre coisas feministas ocasionalmente. Recentemente fiz um post sobre porque algumas mulheres têm pânico da palavra feminismo. Se alguém quiser ler, eu ficaria feliz. http://mundomel.wordpress.com

Anônimo disse...

Lola

A direita quer libertar vc da vagabundagem, da fanfarronice, quer que vc tenha filhos e como boa mae e sábia esposa eduque-os ao invés de querer disputar salário com marido, indo trabalhar que nem uma louca deixando as crianças na frente da Tv.

se aquela distinta reporter tivesse parindo e cuidando da casa, lavando louça, preparando comida quentinha pro marido e dando-lhe prazer de noite, ela não estaria lá para sofrer essa terrivel agressão de dois marginais comunistas.

pense, reflita, e veja como vc está se rebelando contra os planos do capitalismo para a felicidade da nação.

Elaine Cris disse...

Acho que encontrei o tal site.
Preguiça eterna de um site que linka um texto de um reaça tentando definir o que é feminismo, usando o santo nome de Saussure em vão pra no final ficar em um mimimi ridículo que feminismo é desculpa pra marxismo, que só o homem de direita é criticado se faz uma inocente (segundo ele) piadinha machista. E a piadinha machista inocente dele é ficar comentando uma Playboy enquanto escreve esse texto ridículo e achar que está sendo engraçado.

Débora disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Débora disse...

Quando li o título do post fiquei imaginando quais seriam seus comentários.
Sempre leio tudo de maneira muito critica, pois odeio ser manipulada.
Mas como sempre você foi muito sensata e eu concordei em tudinho.
Beijo Lola.

lola aronovich disse...

Nenhum, se vier um bando de homem correndo e trombar num repórter homem pelas costas, ele também vai cair, independente da força. Por isso que eu acho que, neste caso, não faria diferença se fosse homem ou mulher. Vai saber se os dois idiotas não queriam passar em frente à câmera, como já haviam feito em outra ocasião, mas os seguranças os fizeram correr por trás da repórter? Não estou justificando. Eles estão errados de toda forma. Foi uma agressão, sem dúvida alguma. Só não acho que tenha sido contra a mulher.


Niemi (e outr@s comentaristas), fiquem à vontade para divulgar posts e tal, principalmente se tiverem a ver com os temas. Minha sugestão é que vcs já deixem em azulzinho, com link, aí fica mais fácil clicar e chegar lá. Pra isso, é assim:
Escrevam (mas tudo junto, eu é que vou fazer separado se não o comentário não publica):
< a href (na verdade, essas duas primeiras coisas são separadas, como taí mesmo, mas o resto é tudo contínuo) = o seu link entre aspas “...” fechar com > aí escreva alguma palavra – é essa que vai aparecer em azul, por exemplo, este post (aí a pessoa clica lá e vai direto pro post), e tem que fechar tudo com <> com isso dentro: / a
Sei que tá confuso, mas é só pegar prática que vai!

Sara disse...

Esse Arnold esta inspirado hj, mas como todos aqui não acredito que essa agressão foi violencia contra mulher, mas foi uma agressão pura e simples, e transpareceu ser contra a emissora de TV, no caso ali a jornalista seria quem mais chamaria a atenção e foi ela a vítima, mas poderia ser um reporter tambem.
Agora recebi pelo facebook uma noticia que não sei se é verdadeira, veio acompanhada de um video em que mostra uma reporter mas não cita de qual veiculo noticioso, essa sim foi agredida covardemente por um Vereador Jose Rainha do PT, acho incrivel que uma agressão como aquela não tenha sido noticiada, por isso estou achando que seja uma noticia falsa, mas recebi ainda ontem pelo FB.

Blanca disse...

Eu esqueci de comentar sobre o post, que horror. Gostei bastante. Acho que vc não precisava muito fazer um post sobre isso, Lola, mas como sempre, está nota 10. E não acho que tenha sido violência contra a mulher, mas sim contra a repórter e a emissora.

Mas me pergunto: se fosse UM repórter, o pessoal teria coragem de fazer o que fez? Me pergunto.

--

Off topic, Lola (xD), totalmente off, aliás. Pra ser professor de universidade pública é preciso ter mestrado e doutorado na mesma área?

Aproveitando que te vi online, resolvi perguntar. Mas se alguém quiser responder tb, sem problemas. ^^

yulia disse...

boa pergunta! esses mesmos direitinhas fãs da globo e do cqc, onde estavam quando rafa misógino fez piadas sobre o estupro? ah , é mesmo... estavam todos defendendo o coitadinho.

Não considero o que aconteceu com a Monalisa Perrone violencia contra a mulher. O cara é um retardado total, teve a infelicidade de tropeçar em cima da Monalisa, mesmo assim cabe um b.o comum.

Arlequina disse...

Como a Niemi falou por aí, isso é prova de desserviço mesmo. Só dá mais pano na manga pro pessoal criticar.

lola aronovich disse...

LisAnaHD, pode vir e comentar sem medo. Fico feliz que vc decidiu ler um pouquinho mais do blog e dos comentários antes de postar mais aqui. É só que vc começou um pouquinho mal, dando aulas de etiqueta nas comentaristas e mandando a gente ler blogs e comentários em inglês que seriam mais chiques. Depois vc passou a postar apenas links pra Wikipedia, sem nenhum contexto. Não tenho nada contra a Wiki, só acho que colocar links sem explicar nada (nem que seja em uma ou duas linhas, explicando por que está colocando aquele link) não é muito eficaz – no sentido de: alguém clica? Detesto quando alguém me manda só um link pelo Twitter. Não clico nunca. Pô, pode até ser vírus! Mas LiAnaHD, tudo isso são águas passadas. Acho que vc já se “redimiu”, se redenção fosse necessária, e passou a fazer outros comentários interessantes. Ninguém guarda mágoa aqui não. Gostei da sua serenidade, a sua escolha em não revidar. Abraço!


Arnold, o triste é saber que vc e os demais mascus falam sério quando vomitam essas bobagens. Estou chegando a uma conclusão. Eu vivo falando que vcs querem voltar a viver nos anos 1950 (única década no século XX em que o número de mulheres estudando retrocedeu!). Mas acho que o pessoal dos 50 era progressista demais, se comparado a vcs. Acho que vcs querem mais é viver nos tempos bíblicos do velho testamento.

yulia disse...

Viva a Veja, viva a Globo.

kkkkkkkkkkkkkkkk

que surtado esse Oliveira.

a globo e a veja, e imprensalona tentam derrubar um governo democraticamente eleito desde 2003 SEM sucesso. que engulam seu ódio. viúvinhas da ditadura.

lola aronovich disse...

Blanca, já falei um pouco sobre isso de mestrado e doutorado precisarem ser na mesma área aqui, aqui, aqui, e aqui. Espero que ajude. Não posso falar por todas as áreas, apenas pela minha. Mas tudo depende muito dos editais dos concursos!

yulia disse...

A direita quer libertar vc da vagabundagem, da fanfarronice, quer que vc tenha filhos e como boa mae e sábia esposa eduque-os ao invés de querer disputar salário com marido, indo trabalhar que nem uma louca deixando as crianças na frente da Tv.
_____________

arnold, arnold.... se decida!!!

ou ela é vagabunda fanfarrona, ou ela trabalha feito louca!!!
as duas coisas ao mesmo tempo é
impossível.

Samilla Fonseca disse...

Oi Lola! primeira vez que venho aqui, e também sou do Ceará, de sobral.

Na minha opinião, não houve violência contra a mulher, justamente porque o caráter de "inferioridade" seja fíisica ou de poder que atribuem ao sexo feminino e que transforma a mulher em vítima não ficou configurado. A repórter estava com vários seguranças ao redor. Para mim, os dois sujeitos que invadiram as câmeras não fizeram isso porque a Monalisa estava em desvantagem por ser mulher ou porque eles se sentiram superiores diante disso. Eles queriam aparecer, somente isso. Talvez se o repórter fosse um homem eles tivessem tentado aparecer de maneira mais comedida porque perceberiam subconscientemente que outro homem é igualmente ou mais forte do que eles, mas conscientemente o fato não ocorreu por uma questão de hierarquia de gêneros.

Opinião dada.
No mais, parabéns pelo post! Estou te seguindo no twitter e vou acompanhar seu blog com mais frequência! =)

Ana B. disse...

Acho engraçado isso...

Vejo blogueiros sendo atacados por abordarem assuntos que estão no auge e tb por não abordarem determinados assuntos.

Engraçado que esse tipo de opinião nunca parte do público que lê o blog pq gosta do blog, mas sim de quem costuma policiar um blog pra encher o saco.

E por mais que eu acompanhe certas mídias que não gosto pra ter noção do nível de atrocidade ao qual alg pode chegar, não consigo me sentir no direito de criticar questões como a liberdade de escolha.

Quer criticar a opinião, critique... Mas criticar o assunto escolhido, o fato de se ter ou não ter uma opinião, de se expressar ou não expressar a mesma é o mais nauseante de tudo.

Quanto ao post, acho que foi bastante esclarecedor. Muitas vezes fico em dúvida se a violência é motivada pelo machismo realmente, pela condição da mulhere, ou se foi apenas cometida contra uma mulher... Na minha lógica, sempre tento colocar um homem na mesma situação, ou imaginar como o agressor se comportaria se a vítima fosse um homem... Mas nem sempre as respostas estão claras.
Contudo, nesse caso da Monalisa, realmente acho que n teria sido diferente com um homem.

Anônimo disse...

Obrigada, Lola. Eu tenho pensado em abordar Ayn Rand aqui. Provavelmente vc sabe quem ela foi, mas vou elaborar pro pessoal, OK? Ayn Rand foi uma escritora e pensadora judia nascida na Rússia, saiu de lá e morou em creio que dois países europeus até chegar aos EUA onde ela se radicou. Era feminista e capitalista convicta. Não digo feminista de carregar bandeira e liderar movimento feminista, pois eu sei apenas que ela era feminista pela postura dela como pensadora e escritora... acho que grupo feminista, pelo menos o termo feminista, ainda não existia na juventude de Ayn Rand.

Bem, se a Lola tiver tempo e quiser eu gostaria de saber num post a opinião dela sobre o filme em preto e branco com Gary Cooper, baseado no livro The Fountainhead/A Nascente, de Ayn Rand. Se não me engano o título do filme em português é "Vontade Indomável", mas o livro traduzido pro português é "A Nascente". Eu vi o filme.

No livro e filme, o arquiteto (herói da obra) manda bombardear um edifício em construção. Acusado e levado pra julgamenteo, ele faz sua auto-defesa com um discurso espetacular. No filme (e mais ainda no livro) podemos avaliar ideias socialistas/comunistas X ideias capitalistas. Ainda não li o livro e nem sou estudiosa de Ayn Rand (a página em inglês da Wikipedia está muito boa).

(Lola, eu não disse que ler comentários em inglês seria mais chique.... eu disse que pra quem sabe inglês poderia ler os comentários do link em inglês que vc postou pra aprender a se expressar melhor... pq vc sabe como é estudar composição nos EUA... a gente tem de enxugar bem o texto, assim no estilo Graciliano Ramos.)

No mais, tenho aprendido um bocado de coisas boas aqui, pois clicando aqui e ali uma coisa leva a outra e tem me levado a muita coisa boa. Um abraço!

yulia disse...

A Veja tentou derrubar o Fernando Henrique?
_________
FHC apenas posava de esquerda, ASSIM que ganhou se uniu ao PFL-DEM(ARENA), vendeu quase todas as Estatais a preço de banana(quase dado) para empresas internacionais e foi serviçal dos ''steitiz''. que o psdb jamais volte ao planalto.
Já basta o desastre que é sp.

yulia disse...

e vai se preparando oliveirinha...

para a volta do Lula em 2014.

Biazin=* disse...

Arnold, esse teu comentário só reforça o que afirmei num comentário direcionado a você no post do dia 28/11 (bingo da psicologia evolucionista).
Não sei se vc passou batido por ele (vi comentários seus posteriores a ele), mas gostaria muito que fizesse a gentileza de comenta-lo. Reproduzo-o abaixo.
Obrigada.

"O patriarcado ajudou vc's mulheres dando-lhes uma sociedade organizada, mas vc's criticam a hierarquia não pq ela não funciona (chegamos até aqui né?olha só...)mas pq não são vc's que estão no topo, estão na base e essa frustração é sistematizada. Intencional e maldosa."

Arnold, sabe o que acontece com vcs, mascus? Vcs tem MEDO das mulheres.

Veja só, eu estudei na UFPR, Universidade + antiga do Brasil. Passei no vestibular sem ter direito à cotas (e meus colegas cotistas ñ deviam nada pra ngm, eram ótimos). Cursei Direito. Dentro da faculdade há painéis com fotos das primeiras turmas que se formaram, e não lembro de ter visto uma só mulher nessas turmas + antigas.
Atualmente, porém, o curso é bem misto, o número de mulheres e homens é praticamente o mesmo em todas as turmas, sendo que em algumas há até mais mulheres que homens. Para os homens dignos de admiração, isso não é um problema. Aliás, creio que todos concordem que o melhor para as classes profissionais é ser o + mista possível.
Mas para os mascus, isso representa uma ameaça, pois um espaço que antes era só deles, agora é dividido com as mulheres.
E que coisa mais terrível competir com uma mulher, não é mesmo? Pior ainda, perder para uma? Oh Senhor, minha honra ñ suportará isso.

E não termina por aí. Eu trabalhei do 1º ao 5º ano, e lhe digo que NUNCA, em uma entrevista de estágio/emprego, fui preterida por um homem. Sou melhor por ser mulher? Ñ, apenas era + qualificada para o cargo. Cheguei a competir com colegas de classe, e ao ser aprovada, estes me parabenizavam. Mas para um mascu isso ñ é possível, né....como uma mulher pode ser preferida em relação a ele?

Eis que hoje há homens e mulheres sendo aprovados em concursos públicos (claro, ambos estudaram, são capacitados e tem intelecto). Há mulheres Juízas, Promotoras, Procuradoras do Estado. Há autoridades femininas às quais os mascus e todo o restante da população deve respeitar, por bem ou por mal (experimenta não acatar a ordem de uma juíza só por machismo pra ver se ñ vai até a força policial te fazer cumpri-la).

É meu caro, os tempos são outros. Os verdadeiros homens honrados respeitam e admiram as mulheres. Os falsos tem medo delas, e tendam fazê-las voltar à situação de submissão de outrora.

Parabéns aos VERDADEIROS homens honrados!

Rodrigo Souza disse...

Relendo a pergunta do post, sou da opinião que não foi violência contra a mulher per se. Parece que o símbolo da mulher estava em segundo plano nesse contexto em relação ao símbolo da Globo.

Mas, por outro lado, a decisão de fazê-lo contra uma mulher partiu, certamente, da ponderação das chances deles conseguirem seu intento. Imagino que o mesmo aconteceria se fosse um repórter homem com o mesmo shape corporal deles.

Só sei que em algum universo paralelo bizarro, se o jornalista da Globo fosse o Anderson Silva, ou qualquer outro dessa classe, certamente nada disso teria acontecido (ou se tivesse, o desfecho pelo menos teria sido bem mais interessante...)

Anônimo disse...

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHH meu!!!!! NADA A VER!!!
Pra mim, naõe tem nada a ver!!!!!!
A empurraram pq ela é da Globo, pq estavam falando do LUla e pq o jornal tem notorieade nacional. Se fosse um homem, seria a mesma coisa. Nada a ver, nada a ver, nada a ver!Tão viajando!

Anônimo disse...

Gente, que feministas que posaram de lingerie????
Que tem de mal posar de lingerie??
EU sou louca por lingerie ^^!

Monalouca disse...

Eu estava necessitando urgentemente deste post seu, Lolinha. Muita gente dizendo que tinha sido violência de gênero, caso pra Maria da Penha, eu dizendo que não, que não, e o povo insistindo que, desta vez, não achei que foi violência contra a mulher, porque foi contra repórter da Globo.
Pode? E eu sou mulher de querer encobrir violência contra mulher porque a pessoa é de Globo ou seja lá de que lugar que não me agrade? E eu tinha visto o site "Poltrona", onde o Ale Rocha (que gosto muito, nada contra ele) onde ele escreveu Monalisa Perrone e a Violência contra a Mulher.. Tentei dizer a ele várias vezes que não foi o caso, mas em vão.
E tô contigo, Lola. Nada de as pessoas quererem lhe pautar, ainda mais aquele tipo de blog daquele im be cil (desculpe baixar o nível). Nada como ter uma Lola maravihosa neste mundo. ehehehe
Excelente post!

Beijos, querida.

Monalouca disse...

Flávia, a Lola jamais é desonesta. Ela é muito digna em tudo o que escreve, tenta ser justa, embora se fosse eu, acho que já teria perdido as estribeiras há muito tempo, diante de tanta gente que a acusa e a xinga pra todo lado.
As únicas feministas que muitos conhecem são realmente essas, que posam de lingerie. Vi muitos homens postando as fotos delas no twitter e tripudiando, mas também comemorando, porque afinal são feministas gostosas.. Machismo tão deselegante e você não entende isso?

Liana hc disse...

Dayane Ok, foi no tal LingerieDay, no twitter. A Lola deu a opinião dela:

http://escrevalolaescreva.blogspot.com/2009/07/eu-nao-resisto-minha-opiniao-sobre-o.html

http://escrevalolaescreva.blogspot.com/2009/07/coisinhas-ainda-na-minha-cabeca-sobre-o.html

Tem também outros como o da Cynthia Semíramis:

http://cynthiasemiramis.org/2009/07/28/meu-faq-sobre-o-lingerieday/

Algumas feministas foram a favor, outras foram contra, um tanto colocou foto delas de lingerie.

Monalouca disse...

Havia tantos seguranças ali em volta, como Lola disse. A violência não foi contra mulher, eles estavam correndo, tentando vazar os seguranças, por isso acabaram empurrando a repórter. Fariam o mesmo se fosse um homem. No sábado houve uma entrada dessas, um pouco menos corporal, num link do Jornal Nacional. Lola não iria ser a favor de violência contra a mulher (e nem foi a favor desse sem noção do caso da Monalisa Perrone). Apenas está dizendo que não se configura Violência contra a Mulher, mesmo que ela tenha sido empurrada no meio do corre-corre entre o rapaz que queria aparecer e os seguranças.
Fico impressionada. As pessoas não leram o que a Lola escreveu?

Ela não foi a favor do fato em si. Está apenas debelando dúvida se é ou não caso de Lei Maria da Penha.

Tava na cara que não era, mas o post era necessário, pois muitas especulações errôneas estavam rolando pelas redes sociais.

Enquanto isso, povo que viu violência contra a mulher neste caso, não vê mesmo como programas de humor são machistas a ponto de incitarem violência real contra a mulher.
Quanta distorção!

E também, quanta má-fé, não só de homens mascus que comentam aqui, mas de mulheres também. Triste é mulher machista. Triste, triste..

Andre Kenji disse...

"Nenhum, se vier um bando de homem correndo e trombar num repórter homem pelas costas, ele também vai cair, independente da força. Por isso que eu acho que, neste caso, não faria diferença se fosse homem ou mulher."

Sim, mas mas um homem caindo no chão e uma mulher caindo no chão são coisas distintas. Pode ser machismo meu, mas acho que numa mulher não se deve tocar sem seu consentimento.

Andre Kenji disse...

"Só sei que em algum universo paralelo bizarro, se o jornalista da Globo fosse o Anderson Silva, ou qualquer outro dessa classe, certamente nada disso teria acontecido"

Não seria preciso ser o Anderson Silva. O Michael Ware, ex-CNN, estava no painel do último Real Time do Bill Maher. Se fosse com ele os dois moleques estavam no hospital...

Blanca disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Blanca disse...

Valeu pela resposta, Lola, mas é que eu perguntei se o mestrado e o doutorado devem ser na mesma área tipo "entre si", entre eles e a graduação. Tipo, vc fez Pedagogia e teve que fazer Letras depois. Mas e uma pessoa que fez Letras, quer fazer doutorado em, sei lá, sociologia. E doutorado em literatura. Ela pode, depois, dar aula de literatura em uma universidade pública ou deve fazer outro mestrado em Letras?

:***

lola aronovich disse...

Ish, gente, não queria trazer o assunto do Lingerie Day à tona. Já faz tanto tempo... Pra mim, sinceramente, foi uma discussão muito sem importância. Só um dos organizadores, que é o mesmo babaca reaça por trás do site que já fez pelo menos cinco posts sobre mim, se beneficiou da discussão. Essa polêmica que rolou na época era tudo que eles queriam, tanto que ficaram atiçando nas edições seguintes do LG, sempre nos chamando de feminazis, e nenhuma feminista deu mais bola. Aí, sem polêmica, o troço passou em branco, foi relegado à falta do que fazer de gente do Twitter, tão relevante como, sei lá, os eventos que montam @s fãs do Justin Bieber. Com as duas feministas que participaram do LD e se queimaram bonito por isso, eu já tinha brigado antes de 2009. Nem me lembro o porquê. Mas pra uma dessas moças, e é por isso que o comentário da Flavia é risível, o LD nunca vai acabar. Ela vai se lembrar disso pra sempre, sempre com muito rancor. Tanto que (e a gente só descobriu recentemente) existe um tumblr feito desde o LD só pra tirar sarro das feministas que foram contra elas no LD. O tubmlr é anônimo, típica arma dos covardes, então não dá pra saber de quem é. Mas a pergunta é: de quem mais pode ser? Quem mais daria tanto valor a umas briguinhas estúpidas? Anyway, o tumblr não tem nenhuma repercussão. Poucos sabem que existe, e sorry, gente, não vou ser eu quem vai divulgá-lo. Mas esse site reaça que eu cito no post vive falando de mim, como se eu fosse representante-mor das feministas. Eu nem acho que eles me odeiam tanto por eu ser feminista (bom, talvez sim... Até quadrinhos em minha homenagem eles fazem!). Acho que é mais por ser de esquerda mesmo. E por ter um blog popular e combativo. Se meu blog tivesse cem visitas por dia, óbvio que eles não iam gastar cinco posts pra falar de mim. Ah, isso sem contar os posts contra mim nos blogs pessoais desses caras... E isso é porque essa turminha da pesada nem sabe que eu existo! Imagina se soubesse!


André, mas acho que num homem também não se deve tocar sem seu consentimento. E quem é esse Anderson Silva de quem tanto falam?

lola aronovich disse...

Blanca, pelo que eu tenho visto, geralmente pedem graduação e doutorado na mesma área, ou áreas equivalentes. O mestrado pode ser o coringa da história, já que o que importa mesmo num edital é o doutorado, e muitas vezes eles exigem graduação na mesma área. O problema é descobrir o que são “áreas equivalentes”, “áreas afins”. O mestrado é o que menos importa. Há também algumas linhas de pesquisa, como estudos de gênero, que parecem valer pra várias graduações. Por exemplo, conheço gente que se graduou em Jornalismo, em Sociologia, em Crítica Literária, e sua linha de pesquisa no doutorado foi em estudos de gênero. Aí não tem problema. Estudos de gênero é uma área bem interdisciplinar, e isso é ótimo.
Mas realmente depende de cada edital. No meu caso, eu me graduei em Pedagogia, e fiz mestrado e doutorado em Literatura em Língua Inglesa. E aí comecei a ver que a maior parte dos editais exigia graduação em Letras, não em áreas afins. Esse foi um problema, por isso comecei a cursar uma outra gradução, em Letras. Mas felizmente não precisei continuar, porque consegui passar no primeiro e único concurso que fiz até agora, que foi o da UFC (que não exigiu graduação em Letras).

Gabriele disse...

Anderson Silva é um lutador, Lola.

João Suado disse...

Esse cara que você chama de "Lulinha lindo" é a mesma pessoa que a Heloísa Helena que você tanto idolatra chama de bandido vingativo.

Lord Anderson disse...

"Anderson Silva é um lutador, Lola."

e o

O Capitão América é um grande lutador
E contra o inimigo é sempre vencedor.
É um homem forte, enfrenta a morte
Com coragem e amor para onde for.
O Capitão América é um grande vencedor!

hhehheh

desculpe Lola, não resisti

PS: quem ententer a musiquinha vai provar que é velho e nerd. eheheh

Flávia disse...

Viu só, Lola, é exatamente isso que é desonesto em você: "não queria trazer o assunto do Lingerie Day à tona". Então por que cargas d'água mencionou isso no post? O que essas feministas têm a ver com o assunto do post? Nada, óbvio. Mas você menciona, sempre que tem uma oportunidade, e daí fala que não queria desenterrar o assunto.

Blanca disse...

Poxa, Lola, muito obrigada mesmo. E ainda foi no ponto que eu queria, fazer mestrado ou doutorado em Gênero.

Beijos!

Serge Renine disse...

Eu li no Kibe Loko que a Monalisa escolheu travessura no dia das braxas.

lola aronovich disse...

Flávia, eu fui agredida num post que não tinha nada a ver comigo. Fui escolhida para ser atacada apenas porque não falei do assunto que os reaças acham que eu tenho o dever de falar (e este é mais ou menos o quinto post que fazem isso). Eles vivem também dizendo que, como não falo da situação das mulheres no Irã, é porque apoio o regime. Ou seja... Eu quis dizer que quase nenhuma feminista (pelo menos que eu tenha lido) mencionou a agressão a Monalisa. E que essa turminha reaça conhece, e admira, e são amiguinhos, de apenas duas feministas. E, já que as conhece, por que não cobra que ELAS falem de todos os assuntos que eles acham que feministas deveriam falar? Elas também não são feministas? Mas não preciso explicar. Tenho certeza que vc entendeu.
E se vc não tivesse aparecido por aqui pra me chamar de desonesta, minha frase teria passado em brancas nuvens. Mas aproveite que está aqui e encontre em que outros posts meus eu menciono as feminstas do LD “sempre que tenho a oportunidade”. E, sinceramente? Desonesta eu acho que é vc, que vem aqui dizer que elas nem sabem mais que eu existo, quando imagino que vc saiba muito bem da existência de um certo tumblr que é só rancor. Mas tumblr anônimo não é desonesto, né?
Imagine se EU fizesse um tumblr anônimo pra tirar sarro de algumas feministas e seus amigos reaças. Seria bonito? Vcs têm um senso ético bastante distorcido, vou te contar.

Sara disse...

Li num blog que no dia 25 de Novembro, estão organizando marchas pelo, Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres, em alguns paises europeus.
sairão à rua para dizer:
-Nem mais uma!
-Não somos cúmplices ou indiferentes e estamos vigilantes!
http://feministassemfronteiras.blogspot.com/
Ainda não ouvi nada sobre alguma organização desse tipo aqui no Brasil, o que é uma pena, pois gostaria de participar.
Vou publicar no meu FB.

nenhum disse...

"André, mas acho que num homem também não se deve tocar sem seu consentimento."

Sim, mas para mulher isso fica ainda mais complicado porque mulheres geralmente tem menos massa corporal e força que um homem. Ou pode ser apenas meu lado assumidamente machista em ação.

não é caso da Lei Maria da Penha, mas não deixa de ser algo no mínimo coisa de gente babaca.

"E quem é esse Anderson Silva de quem tanto falam?"

Campeão do UFC, famoso pelo seu uso de violentos e fulminantes chutes contra seus adversários.

Aida disse...

Oi, Lola!

Bom, respondendo à pergunta-título, eu digo que sim, foi uma volência contra a mulher, não interessa muito a motivação. Fico com a interpretação do jornalista citado.
Agora, não penso que seja obrigação tua opinar sobre qualquer caso de violência contra a mulher. Já pensou se fosse?
Até onde eu sei, não representas nenhum grupo social, então não existe essa obrigação.

K.T.E. disse...

Sic semper tyrannis

Anônimo disse...

Denise, fui lá no linkk/site que vc indicou e vi o vídeo de Saramago em entrevista à TV espanhola... tava pensando se a Lola poderia postar o vídeo aqui no blog, mas daí o vídeo é em espanhol... a menos que ela saiba como legendá-lo daí sim poderia ser um bom exemplo pra engajar homens na defesa dos direitos de igualdade da mulher.

Anônimo disse...

Be, quanto eu fato do Lingerie Day, acho que não tem nada a ver com feminismo, foi só uma "brincadeirinha erótica" de internet. Me poupe que veio feminista dizer "que é meu direito posar de lingerie na net se eu quiser e não ser cobiçada por isso!". Acho que ficar pelada seria mais feminista que ficar de Lingerie, já que a lingerie é intimamente ligada com sensualidade e fetiche!
Não tenho nada contra o LingerieDay, achei legal até, encarei como uma brincadeira, um vestuário feminino que eu,aliás, gosto muito!No meu serviço muitas meninas falaram mal das garotas do setor que participaram do LingerieDay e eu não entendi o pq! Claro, uma coisa é ficar sensual de lingerie, outra coisa é querer parecer atriz pornô!

Eduardo Marques disse...

Blá, blá, blá, blá, blá...

É agressão à mulher ou não?

M disse...

É só digitar "repórter agredido" no Google que é possível ver vários casos de jornalistas homens que passaram por coisa parecida. No caso da MonaLisa o agressor é um babaca de toda maneira, mas não acho que tenha sido motivado pelo gênero... Transformar tudo em violência contra a mulher é o caminho mais curto para conseguir invalidar casos reais de violência...

Eu não me considero de esquerda, nem de direita (acho que em muitos aspectos elas são exatamente a mesma coisa no Brasil), mas até eu sei que uma emissora (ou um grupo como é o caso da Globo) com tanto poder nas mãos não faz bem ao pais e a democracia.

Annah disse...

LisAnaHD: Ayn Rand é totalmente antifeminista por ser uma ridícula de ultra-direita. Ela é a musa dos anarco-capitalistas, que por sinal enfrantam um grande impasse, pois são incapazes de respeitar uma mulher.
mas claro que uma reacionária como você iria gostar desse lixo.

Annah disse...

Atualmente os maiores leitores da Rand são os ultra-conservadores do Tea Party americano. Não tem nada de útil ou razoável nas teorias dessa mulher para qualquer pessoa com um pouco mais de compreensão sobre política.

Annah disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Annah disse...

Ela é basicamente uma teórica de ultra-direita que opõe-se a qualquer forma de estado, apoiando capitalismo laissez-faire (mercado totalmente desregulado), o que ela acredita ser o único sistema social que protege os "direitos individuais".
Aliás, olha como ela é coerente nas suas opiniões: apóia aborto, foi contra a guerra do vietnã, apoiou Israel na guerra de 1973 alegando que tratava-se "do homem civilizado lutando contra [os árabes] selvagens", disse que os colonos europeus tinham o direito de tomar as terras dos Nativos Americanos echamou homossexualidade de "imoral" e "nojenta".
Parece até os trollzinhos do blog da Lola.

Ah, fontes: Mayhew, Robert, ed (2006). Essays on Ayn Rand's The Fountainhead. Lanham, Maryland: Lexington Books; Heller, Anne C. (2009). Ayn Rand and the World She Made. New York: Doubleday. e Rand, Ayn (2005). Mayhew, Robert. ed. Ayn Rand Answers, the Best of Her Q&A. New York: New American Library.

Annah disse...

"acho que grupo feminista, pelo menos o termo feminista, ainda não existia na juventude de Ayn Rand." - Existia muito antes.

Os termos "feminismo" ou "feminista" apareceram primeiro na França e nos Países Baixos em 1872
(as les féministes); no Reino Unido, o termo aparece pela primeira vez numa edição de 1894 do dicionário Oxford de lígua inglesa e, em 1910, é introduzido no vocabulário dos Estados Unidos.

Fontes: Dutch feminist pioneer Mina Kruseman in a letter to Alexandre Dumas - in: Maria Grever, Strijd tegen de stilte. Johanna Naber (1859-1941) en de vrouwenstem in geschiedenis (Hilversum 1994), page 31
^ Offen, Karen. "Les origines des mots 'feminisme' et 'feministe'". Revue d'histoire moderne et contemporaine. July–September 1987 34: 492-496
^ Cott, Nancy F. The Grounding of Modern Feminism. New Haven: Yale University Press, 1987 at 13-5.
^ Oxford English Dictionary (2nd ed.). Clarendon Press. 1989.

Annah disse...

E já vou me adiantar: feminismo não pode ser apolítico, porque é impossível existir como movimento isolado de outros temas. Quem falar que é "apolítico", na verdade, está propondo um feminismo dentro de uma ideologia capitalista/neo-liberal, como a Naomi Wolf.

Annah disse...

Aqui tem um forúm de libertário/anarco-capialistas: Reddit - pode conferir como a maioria venera a Ayn Rand, com uns e outros que acham que ela era paranóica e sem noção.

Sara disse...

E quem não tem as mesmas posições politicas q vc n pode ser feminista AHB?

Sara disse...

Acho totalmente absurdo alguma ideologia politica querer se apropriar do termo "feminista", que eu saiba o Feminismo é um movimento social, filosófico e político que tem como meta direitos equânimes (iguais) e uma vivência humana liberta de padrões opressores baseados em normas de gênero.
Até wikepedia sabe disso.
Eu sou apolitica e meu voto vai pra qualquer um até pro satanas se ele se propuser a defender as mulheres em seu caminho a igualdade de fato.

Niemi Hyyrynen disse...

denise

Vc é contra um movimento político se apropriar do termo feminista, mas diz que o feminismo é um movimento politico...

É isso msm???

ué.....então o feminismo não pode se apropriar do termo "politico"?

Sara disse...

O feminismo carece de qualquer movimento político para efetivá-lo em suas reivindicações e posturas, mas não é monopólio de nenhuma ideologia política.

Sara disse...

E se não for assim, perdera muito da sua força.
As mulheres e homens que apoiam o feminismo são tão diversos em seus pensamentos, realidades, e ideologias que pra mim é verdadeiro absurdo querer pradonizar a atitude politica de toda essa massa de gente.

Elizabeth disse...

Boa Lola! Ja esta mais que na hora de a violencia contra a mulher sair do plano do "conveniente"! Os avancos na repressao a violencia contra a mulher so poderao se concretizar quando olharmos de uma maneira racional ao problema nunca casuistica, ou seja, A partir de um olhar critico que nos permita reprimi-la e proteger as mais vulneraveis. Aquelas das cifras ocultas que as sofrem sem ter quem representa-las! Trabalhar para defende-las nunca sera "conveniente" afinal, estao escondidas em seus lares e sua protecao nao traz notoriedade.

Annah disse...

Não existe ninguém apolítico, denise. O negócio é que você é conervadora do status-quo econômico e só está preocupada com um voto orientado para questões de gênero, o que é muito tipíco desse tempo de "pós modernismo".

E o feminismo, historicamente, é uma ideologia de esquerda.
A Ayn Rand não é feminista por ser escritora, do mesmo jeito que a Margaret Teatcher não era feminista por ser primeiro-ministra britânica. Existem mulheres machistas e existem mulheres defendendo sistemas econômicos que, em última instância, prejudicarão a luta por igualdade de gênero.

Temos é que parar com essa cegueira de "apolítico".

Annah disse...

O feminismo perdeu muito depois que tópicos políticos e sócio-econômicos pararam de ser discutidos, porque esses são justamente os responsáveis pela existência de opressão e o reforçamento de papéis de gênero desiguais.

Sara disse...

AHB no passado fui ativista política, e me sinto responsável por muita barbaridade que eu vejo hoje implantada nesse pais, me envergonho desse passado, mas sei que minha imaturidade e boas intenções me levaram a fazer tudo o que fiz, hoje vivo uma realidade totalmente diferente, e tenho outros posicionamentos, e assim como respeito os seus, gostaria que vc respeitasse os meus, ficar acusando pessoas de não terem a mesma ideologia sua não acrescenta em nada o feminismo, muito pelo contrario, só traz mais divisões.
O que vc disse sobre mim eu poderia tranquilamente dizer sobre vc Tb, ainda mais baseada em grupos que vc defende e apóia.
Mas não quero me fixar nisso, a única coisa que me interessa em vc, e eu irei apoiar é o fato de vc se assumir feminista.

Anônimo disse...

Lola, alguém aí nos comentários já me atacou por conta de Ayn Rand. Eu a citei unicamente com ref. ao filme... como vc é cinéfila e o filme aborda ideias que eu acho vc dará importância --seja por concordar ou discordar-- elaborei um pouquinho só sobre Ayn Rand e disse que não sou estudiosa dela. Foi o suficiente para a deselegância e grosseria fazer-se presente nos comentários. Sinto muito.

Annah disse...

denise: desde seus tempos de "ativista" você deveria estar em um vazio teórico.

E não, você não poderia dizer o mesmo sobre mim porque eu não falo por aí que sou apolítica e islamofóbica.

Annah disse...

LisAnaHD: certo, você levanta uma coisa num mural de tópicos onde todas as pessoas comentam e agora se faz de vitíma porque alguém falou que não gosta da Ayn Rand e apontou vários motivos para não se gostar dessa autora.

O que vai fazer agora, tentar dar lição de moral de novo?

Annah disse...

LisAnaHD: E não, eu não ataquei você em momento algum. Falei da autora e porque ela não é feminista - ela nunca contribuiu para teoria feminista nenhuma, inclusive!

A única coisa que falei e que te deixou nervosa foi isso: "mas claro que uma reacionária como você iria gostar desse lixo." - Peço desculpa se te chateou tanto assim, mas pelo pouco que vi, seus comentários demonstram um pensamento tipicamente reaça.

Sara disse...

Não estou em nenhum vazio nem teorico, nem existencial AHB.
Se eu mudei minhas posições politicas , é apenas porque minha vida mudou tambem, amadureci me casei tive filhos, por incrível que pareça vejo a vida com outros olhos sabia?
Tambem acho que apoiar o islã e ser feminista, isso sim é bem contraditorio.
Mas pra ser sincera o seu problema é sua imaturidade, o que na realidade nem é um problema, afinal não precisa ter muito idade pra se identificar com o feminismo.

Anônimo disse...

A.H.B., você não me deixou nervosa. Apenas achei desagradável sua maneira de se expressar referindo-se a mim. No mais, estamos conversadas.

Annah disse...

Eu queria ver o que antropólogos que já são minimamente informados inclusive em suas aulas de primeiro ano, após lerem Edward Said, diriam sobre a sua postura colonizada sobre o oriente.
O seu problema é a sua imaturidade teórica. Se você acha que só através da experiência de ter filhos e amadurecer se adquire uma expansão de perspectiva, isto é somente mais um sintoma do anti-intelectualismo da sua postura reacionária.

Carol M disse...

Denise, é normal misturar o islã com governos teocráticos que oprimem mulheres. Eles não são a leitura mais fiel e honesta da religião muçulmana.

É como dizer que os evangélicos discriminadores que tem por aqui são o que há de mais fiel ao "verdadeiro cristianismo".

É necessário separar as duas coisas, senão acabamos discriminando grupos por causa do que achamos que eles são.

E da mesma forma que existem muitas variáveis do budismo, do cristianismo, do hinduísmo, do judaísmo, etc, existem várias vertentes da religião muçulmana. Colocar todo mundo num saco de gatos e chamar de "islã" é injusto.

marcio disse...

Olá Lola, é primeira vez que estou comentando no seu blog que leio com alguma frequencia (sempre que me indicam) e gostaria de aproveitar para parabenizá-la por ele.
Estou escrevendo para tentar esclarecer um mal entendido no seu texto.

O texto começa com um e-mail dizendo que aqueles que empurraram a reporter fazem parte do "Acampa sampa". Acampasampa é o nome que tem sido usado para a ocupação que está ocorrendo desde o dia 15 de outubro embaixo do viaduto do anhangabaú (não cabe aqui ficar falando muito sobre o acampamento, mas enviarei um link sobre ele no próximo comentário). Estou acampado lá desde o começo da ocupação e gostaria de exclarecer que, apesar de esses indivíduos frequentarem o acampamento, a ação foi tomada por eles, como vc mesma disse, para promover um curta deles (que não tem NADA a ver com a acampada). As desculpas que vc mencionou que eles pediram foi atravez do site DELES que não tem NADA a ver com a acampada e em nenhum momento nós da acampada discutimos sobre essa ação que foi tomada individualmente por esses sujeitos.

Sei que em nenhum momento foi sua intensão sujar o nome de nosso movimento, mas tlvz o post da forma como foi escrito possa passar essa impressão. Escrevo somente para evitar esse mal entendido.

Muito agradecido

Márcio

marcio disse...

Segue o link da acampada para esclerecer o que estamos fazendo embaixo do vale do anhangabaú. Estou enviando num comentário separado para que, caso vc compreenda que isso é uma forma de usar de seu blog para promoção do acampamento, vc possa excluí-lo sem danos ao comentário enviado anteriormente.

http://15osp.org/2011/10/28/coluna-do-leitor-sobre-a-ocupacao-do-anhangabau/

Elisa Maia disse...

Ué, mas o Alcorão não diz: "se a mulher não for obediente, o homem deve instrui-la, levá-la a uma cama separada e bater nela"?

E também diz: "Dize às mulheres fiéis que recatem os seus olhares, conservem os seus pudores e não mostrem os seus atrativos, além dos que normalmente aparecem".

O islã é uma religião patriarcal, como cristianismo e judaísmo. Todos oprimem as mulheres. Ou estou mal informada? Não sou muito conhecedora do islã, tanto é que fui procurar esses versos na internet (em sites alegadamente "neutros", ou seja, que não têm por objetivo difamar a religião) então agradeceria esclarecimentos, se for o caso.

Sara disse...

AHB vc citando os livros que leu é bem mais eficiente que qqr sonífero, mas não se esqueça q eu leio muito Tb, li as coleções inteiras do manual do escoteiro do pato Donald, sem contar que assisti religiosamente todos os episódios da saga do chaves, aquele da Chiquinha.

Anônimo disse...

Estou esperando um comentário seu sobre reportagem da Epoca em que aponta a violência das adolescentes MULHERES nos namoros. De acordo com a reportagem, elas agridem mais, seja verbal ou fisicamente que os homens.

Carol M disse...

Então Elisa, a bíblia tb diz várias monstruosidades, mas vários cristãos cagam e andam pra elas. Nem todas as denominações de uma religião seguem seu livro sagrado a risca.
Sou atéia, e por isso mesmo reconheço o valor dos religiosos moderados (razoáveis na minha opinião) para combater os preceitos dos fundamentalistas.

Elisa Maia disse...

Carol, nem estou questionando a conduta da maioria dos religiosos, sejam eles cristãos ou muçulmanos. É exatamente como você falou, em geral as pessoas descartam as partes monstruosas de seus livros sagrados. Mas isso é justamente mérito das pessoas, e não das religiões. Quer dizer, o islã e o cristianismo pregam uma série de barbaridades em seus livros sagrados, isso é fato. Se os religiosos não dão trela, é mérito deles. Em resumo, as religiões são um horror, os religiosos (nem todos) é que são decentes.

alice disse...

denise, n acho q vc seja apolítica, a partir do momento q vc se identifica com uma forma de pensamento e quer ser representada por quem se proponha a defende-la. eu diria q vc é apartidária e até mesmo q n tem especial simpatia pela direita ou pela esquerda, acho q é oq chamam de centrista, moderada ou algo assim. embooora eu veja o feminismo como um movimento mais próximo da esquerda pq quer a intervenção do estado na sociedade e tal. a direita quer q a vontade privada reja o mundo (mesmo q essa vontade n represente a maioria, mas um grupo privilegiado).
mas eu posso estar falando bobagem pq n entendo nada de política (mas n me considero apolítica, enfim)

eu acho mesmo q os caras nem queriam derrubar a mulher, só queriam aparecer. mas n deixa de ser lamentável alguém usar a força bruta pra ser ouvido. e eu to cansada desse tipo de mentalidade violenta... todo mundo q prefere bater do q dialogar devia ser posto no cantinho da disciplina (/supernanny) até aprender a se comportar.

Sara disse...

O grupo religioso dos muçulmanos em minha opinião não é possível ser colocado no mesmo patamar de intolerância que os outros grupos religiosos, com exceção dos praticantes de religiões animistas de algumas partes da África que fazem infibulações, circuncisão feminina, mutilação genital nas mulheres, nenhuma religião é tão cruel com as mulheres como a religião islâmica, nenhuma trata a mulher com tanta desvalorização perante os homens como esta.
Não há nenhuma outra religião na face da Terra que ainda apedreje suas mulheres, por adultério, ou que permita as praticas que eu citei acima.
Todas as religiões são em minha opinião extremamente injustas com as mulheres, mas nenhuma delas chega aos excessos cometidos pelos muçulmanos e essas religiões Africanas mais primitivas.
Com relação a eu detestar política Ana Alice, na verdade eu considero um mal, mas necessário.
Não consigo enxergar ninguém que queira exercer a política, como pessoas realmente preocupadas com o bem estar coletivo, eu fui testemunha disso muitas vezes e sinceramente não tenho fé nenhuma em políticos.
Tantos os da esquerda como os da direita tem objetivos exatamente iguais.
Se eu usei meus votos para eleger alguns políticos de esquerda, não foi absolutamente porque acredito nas boas intenções deles, e sim porque se propuseram a defender as mulheres, e não há muitos políticos de direita engajados nessa causa, que pra mim pelo menos é muito importante.

Matheus disse...

Considerando que o ocorrido seja verdadeiro, e não um grande teatro da Rede Globo (o que não me surpreenderia, para ser honesto), o fato é que houve violência contra uma mulher. Se a violência foi motivada por questões de opressão de gênero, aí não dá para saber.

Li alguns comentários no Youtube que defendiam a ação dos rapazes, alegando que eles estariam apenas fazendo uso do seu direito de ir e vir. Ao meu ver, o comportamento deles foi imprudente e agressivo. Já que queriam tanto se deslocar, poderiam ter desviado o caminho. Ser empático, respeitoso e civilizado não machuca.

Algumas pessoas estão criticando/ridicularizando a reação de Sandra Annenberg. Bom, eu tenho uma relação muito similar à dela quando tomo conhecimento de situações que me deixam perplexo. O texto é praticamente o mesmo ("mas que deselegante!" ou "mas que desagradável!"). Pelo menos no meu caso, é apenas uma forma de manter a compostura e não cair na vulgaridade.

E quanto à discussão que se iniciou nos comentários mais recentes... Não acredito que existam pessoas "apolíticas" vivendo em um contexto social. Qualquer decisão em relação a como proceder em um ambiente social e que envolva poder pode ser considerada política. Acredito, contudo, em pessoas apartidárias.

Para finalizar, concordo com o que Elisa Maia escreveu. As religiões abraâmicas (Judaísmo, Cristianismo e Islamismo) nascem em um contexto de dominação do homem sobre a mulher, de guerras entre nações e de rejeição à não-heterossexualidade. É fato e está registrado nos seus livros "sagrados". Não há como negar que essas religiões tragam valores que são considerados, na Contemporaneidade, como machistas/sexistas, belicosos, anti-Direitos Humanos e homofóbicos.

Como se tratam de religiões, e que, como tais, se utilizam da fé para perpetuar seus ensinamentos, automaticamente postulam dogmas. Se os seus fiéis optam por ignorá-los e não segui-los, estão, então, virando as costas a certos princípios de suas religiões. Se isso é uma coisa, aí fica a critério de cada um. Citando Elisa Maia, "mérito das pessoas, não das religiões".

Denise, a Bíblia é tão violenta quanto o Alcorão. A diferença é que a maioria dos países desenvolvidos e de população majoritariamente cristã tem uma distinção entre Estado e religião bem clara (embora não perfeita), além de ser signatária da Declaração Universal dos Direitos Humanos, o que não acontece com a maior parte dos países de maioria muçulmana.

Se houvesse um país cristão teocrático e que seguisse à risca a Bíblia (o Vaticano não conta porque tem menos de mil habitantes, muitos dos quais sacerdotes), você não veria muita diferença em relação aos países onde a sharia (lei islâmica) serve como código normativo jurídico.

Elisa Maia disse...

O problema dos livros "sagrados" é justamente esse: são "sagrados". Portanto, não podem ser alterados. Foram escritos de centenas a milhares de anos atrás, por autores cujo senso de moral e justiça nem vou comentar, e não podem ser atualizados. Qualquer Estado cuja lei seja a Biblia, o Alcorão ou a Torá será uma barbárie.
Dois poréns: imagino que o Vaticano não seja pior pra morar do que um Irã, por exemplo, porque a Igreja Catolica já percebeu há muito tempo que tem de se modernizar pra continuar atraindo fieis (não tem funcionado lá muito bem hoje em dia), e ela o faz de maneira sutil. O próprio catolicismo descartou as normas malucas do Velho Testamento, pois, segundo eles, Jesus aboliu a velha lei (não explica por que o Velho Testamento continua a fazer parte da Biblia católica... Podiam pelo menos publicar com uma advertência: "Atenção, estes textos estão aqui para contextualização histórica, suas leis não valem mais").

Já o caso do Islã é mais grave, porque, em muitos paises, foi seqüestrado por gente completamente louca (pior que Maomé). Por que em alguns paises islâmicos a mulher deve "apenas" cobrir os cabelos, enquanto em outros deve usar a burca completa? Decisão do governo. É só reler o trecho do Alcorão que eu deixei aí em cima, ele é super ambíguo. A mulher deve cobrir seus atrativos, mas o que são seus atrativos? Peito, bunda, cabelo, rosto? Quem decide são os governantes. Taí um exemplo de como, se a religião é um horror, os religiosos podem ser piores. São exceções, eu sei, mas exceções que aterrorizam a vida de muita gente.

Rafael disse...

"E berrou, entre muitos palavrões: 'Sua ateu!'."

Eu vivo para o dia em que alguém me "xingar" de ateu em público. Será o momento mais feliz da minha vida!

Carol M disse...

Concordo que religiões, especialmente as monoteístas são abusivas contra a mulher e tudo mais que falaram. Tb concordo que se alguns abstraem isso é mérito das pessoas e não da religião. Mas nós convivemos com pessoas e não com um avatar da religião. As pessoas incorporam a religião que seguem em suas identidades, daí se ter algum tato pra tratar do assunto. Eu fico mto puta quando colocam ateus num grande saco de gatos pq existem os mais variados tipos de ateu. Por isso mesmo não gosto de usar o termo "islã" como uma forma de rotular todas as pessoas de religião muçulmana. Falar de governos fundamentalistas islamicos,ok, vou concordar em genero, número, e grau. Se aqui fosse uma teocracia evangelica não acho que seria muito melhor. Mas isso não é motivo pra colocar indivíduos sob um rótulo.

Elisa Maia disse...

Carol, acho que você está certíssima. Assim como existem cristãos e cristão, existem muçulmanos e muçulmanos. Precisamos fugir do estereótipo do islâmico terrorista e anti-ocidental. Em toda religião haverá os fundamentalistas e os moderados. Eu só tenho um problema com os moderados: ao continuar seguindo a religião, eles estão sendo coniventes com as barbáries ensinadas e praticadas em nome dela. É como aquelas pessoas que sabem que o político X é corrupto, mas continuam votando nele, por simpatia, fidelidade partidária, ou porque acham que ele também faz coisas boas.

Matheus disse...

Elisa Maia e Carol,

Concordo com o que disseram, mas gostaria de fazer uma ressalva.

Se o Vaticano puder (pode mesmo?) ser considerado um lugar melhor para se viver que, por exemplo, o Irã, será exatamente porque a Igreja Católica terá resolvido desconsiderar certos princípios da Bíblia. Se a Igreja seguisse a Bíblia à risca, acredito que o Vaticano não seria muito melhor que país islâmico teocrático algum.

De acordo com o Novo Testamento, Jesus Cristo alegou não ter vindo para substituir ou desfazer qualquer coisa escrita no Antigo Testamento (razão pela qual muitos judeus ortodoxos dizem que o Cristianismo é uma cópia do Judaísmo), então se o Catolicismo o tiver descartado, estará automaticamente em dissociação com o seu próprio livro "sagrado".

Também não gosto quando tentam projetar o Islã como uma religião de fundamentalistas terroristas anti-ocidentais, mas, para mim, quanto mais próximo um Estado for do laicismo e dos Direitos Humanos, melhor.

Francisca disse...

Denise, concordo inteiramente com você. É um absurdo que determinadas ideologias queiram se apropriar da luta das mulheres pela igualdade. Através de belos discursos, alguns querem convencer que só é possível a igualdade dentro de determinados sistemas político-econômicos. É uma forma marota de nos desviar da luta pela igualdade para o apoio cego e radical a certos grupos políticos.

Por que qual sistema político-econômico estabeleceu igualdade entre os gêneros? Isso não ocorreu, por exemplo, em nenhum dos países socialistas. Ou alguém aqui sabe citar uma, uma só, liderança feminina importante nesses países? Vale de qualquer lugar: Cuba, Venezuela, China, a antiga União Soviética etc. Mas não vale citar Rosa Luxemburgo ou outros ícones, porque Rosa e outras foram líderes fortes e atuantes na fase que antecedeu a tomada do poder. Enquanto a defesa do socialismo era uma luta perigosa, havia muitas mulheres nos papéis mais importantes, mas depois, quando o regime já estava estabelecido, a coisa mudou. E as mulheres voltaram a atuar apenas nos tradicionais papéis secundários.

Ou não? Existe ou existiram líderes femininas poderosas nesses países? Porque se sim, eu realmente quero conhecer os nomes dessas mulheres!

Francisca disse...

Matheus,

Essa interpretação de que Cristo não alterou a Lei do Antigo Testamento é bem polêmica entre os cristãos.

Porém, todos concordam que Cristo foi realmente transformador em sua postura em relação a Antiga Lei. Tanto no Alcorão quanto no Torá se diz que a mulher adúltera deve ser apedrejada até a morte. Era a Lei, mas questionado sobre essa questão, Cristo disse: "Aquele que nunca pecou atire-lhe a primeira pedra" João 8,7.

Então, há realmente algumas diferenças entre essas três religiões. Acho interessante que sempre que um cristão quer ser misógino ou homofóbico, por exemplo, ele recorre ao Antigo Testamento ou a Paulo, nunca a Cristo. Esse cristão também vai ser alguém que ou defende que Cristo não alterou a Antiga Lei ou que só a alterou nos pontos em que ele não concorda com ela!

Sara disse...

Francisca quero te agradecer por seus comentários, realmente eu nunca havia me focado nesse aspecto que vc falou, e é uma realidade incontestavel, eu tambem nunca vi nesses paises que foram ou que ainda vivem regimes politicos de esquerda, nomes de mulheres que tenham sido lideres, na verdade, acho que as mulheres foram usadas como massa de manobra simplesmente.
Talves nesse aspecto até a direita tenha aberto mais possibilidades as mulheres do que a esquerda.
Mas de qualquer forma minha visão da politica é utilitarista mesmo, voto de preferencia em mulheres e que assumam compromissos com a causa feminina.

Matheus disse...

Francisca,

Não, o Novo Testamento é muito claro e, tal como qualquer livro sagrado, baseia-se em dogmas que devem ser seguidos pelos fiéis.

Em Coríntios 1, capítulo 11, versículos 8 e 9, respectivamente: "Com efeito, o homem não foi tirado da mulher, mas a mulher do homem; nem foi o homem criado para a mulher, mas a mulher para o homem". (http://www.bibliacatolica.com.br/01/53/11.php)

Em Efésios, capítulo 5, versículos 22 e 23, respectivamente: "As mulheres sejam submissas aos seus maridos, como ao Senhor, pois o marido é o chefe da mulher, como Cristo é o chefe da Igreja, seu corpo, da qual ele é o Salvador". (http://www.bibliacatolica.com.br/01/56/5.php)

Em Pedro 1, capítulo 3, versículo 1, a mensagem é bem clara: "Vós também, ó mulheres, sede submissas aos vossos maridos [...]". (http://www.bibliacatolica.com.br/01/67/3.php)

É um livro misógino e machista, tanto quanto o Alcorão ou a Torá. Se há uma diferença entre os cristãos e os muçulmanos, é mérito das pessoas, não das religiões, como já falaram. Assim como Jesus Cristo não escreveu a Bíblia, Alá também não escreveu o Alcorão, mas tanto o Cristianismo quanto o Islã se utilizam desses respectivos livros como códigos básicos e inexoráveis para a sua doutrinação.

Só acho curioso como algumas pessoas e religiões se baseiam Bíblia para condenar, por exemplo, a homossexualidade, mas se esquecem que a própria Bíblia condena o lucro ou quem trabalha aos sábados. Contraditório, não?

Acho ótimo que existam cristãos (e muçulmanos e judeus) moderados e pró-Direitos Humanos, mas esta é uma conquista deles, não das religiões que seguem.

Francisca e Denise,

Vale ressaltar que não existe apenas uma forma de esquerda, assim como não existe apenas uma forma de direita. A União Soviética, seus satélites europeus e Cuba são uma expressão totalitária da esquerda "marxista", que acabou se fechando num sistema unipartidário. Quanto à China, não concordo de maneira alguma que seja um país "socialista" ou "de esquerda". É um país ultra capitalista, que projeta os interesses econômicos acima dos demais, mas de cunho totalitário.

Embora a União Soviética, seus satélites europeus e Cuba tenham prontamente ignorado muitos princípios do Marxismo, o Marxismo, ou seja, a doutrina na qual se embasavam (apenas teoricamente, porque na prática a situação era outra), tinha como fundamento a igualdade plena entre os cidadãos. Se não colocaram em prática, também mérito (mérito? XD) deles.

Já a Escandinávia (região com os maiores índices de igualdade de gênero, de renda e de oportunidades do planeta) adotou (e a Noruega ainda adota) uma esquerda de cunho keynesiano, que prega que o capitalismo deva ser regulado e submetido aos interesses da maioria da sociedade, e não o oposto.

Para a direita clássica, a sociedade deve se submeter ao mercado, pois este transformará o "egoísmo natural" do ser humano em bem comum, e o Estado deve ser um mero espectador de tudo. Já para a direita neoclássica (a seguida por certos partidos políticos brasileiros), o mercado ainda será responsável pelo bem comum, e o Estado, desta vez, deverá intervir apenas para assegurar que a ordem social seja mantida (o que inclui a supremacia do mercado). Em ambos os casos, o eixo é o mercado e a questão econômica, não social. Alguém vê igualdade aí? Eu, não.

Denise,

Acho excelente que você tenha uma visão pragmática da política e seja honesta a este respeito. Vota em quem tem agenda feminista e admite - parabéns! Mas fique atenta e acompanhe se os políticos que alegam defender a agenda feminista realmente o fazem ou apenas ficam no discurso.

Saudações!

Francisca disse...

Denise, também só me liguei recentemente, porque agora a gente fala tanto das mulheres no poder. Mulheres que presidem grandes empresas (Xerox, HP, Oracle, Archer etc), as Altas Cortes da Justiça e até países (Brasil, Alemanha, Austrália etc). É claro que não podemos julgar um sistema só porque nele algumas mulheres assumem os cargos mais importantes, mas é um dos critérios.

Francisca disse...

Matheus,

Você praticamente só citou Paulo. Como eu disse, quando um cristão quer atacar os outros, ele quase nunca usa as palavras ou as atitudes de Cristo, descritas nos Evangelhos. Eu não sou cristã, mas reconheço que muitas da palavras e atitudes de Cristo, mesmo vistas com um olhar não religioso, são belas e inteligentes.

Sobre os países socialistas, sempre achei que Cuba, a União Soviética e muitos outros eram horríveis, mas muita gente da esquerda os defende. A China se assemelha a esses países na política (partido único, repressão, controle absoluto do Estado), mas implantou um capitalismo sem qualquer tipo de regra. É a própria definição de capitalismo selvagem. Desconfio que a única maneira de fazer isso seja justamente usando o Estado para controlar a economia da forma tirânica e absoluta que o PCC faz.

Os limites para o poder de interferênica do Estado é a nossa grande questão. Eu sou liberal, mas não sou contra o poder do Estado. Se o Estado regula nossa segurança, porque não a economia? Porém, deve existir limites claros para o exercício desse poder. Precisamos discutir cada vírgula dos poderes que estamos concedendo ao Estado para regular nossas ações, seja no aspecto íntimo, criminal ou econômico. Muitos defendem uma espécie de controle em que ninguém sabe ao certo o que se controla, até onde e por quais meios. Um atentado contra a nossa democracia.

Sobre os países nórdicos, acho que lá eles vivem em uma espécie de social-democracia, mas não sei se daria certo num país com quase 200 milhões de habitantes. Talvez, se aqui houvesse uma descentralização do poder, dando mais liberdade aos estados, isso fosse possível em cada um deles. Porque o sistema nórdico, penso eu, só funciona com populações menores, onde é mais efetivo o controle do Estado pelos cidadãos. Todavia, acho que descentralizar tanto o poder, principalmente com a atual desigualdade econômica entre os estados, não seria inteligente.

Sara disse...

Matheus na medida do possível tento acompanhar sim, @s politic@s em que voto, embora não sejam tão fácil assim o acesso as informações.
Agora sobre o que a Francisca falou é irretocável a observação q ela fez a respeito da liderança de mulheres de esquerda, em qualquer nuance de esquerda que existem atualmente ou que já existiram no passado, não ha e nem houve liderança nenhuma de mulheres, pelo menos eu nunca vi nenhuma, e não sou tão mal informada assim.

Annah disse...

É, porque aqui houveram muitas lideranças femininas antes da década de 80-90! - Ou houve alguma presitente mulher nos EUA? - A ministra Margaret Teatcher fez alguma coisa pelo feminismo oprimindo todo o movimento trabalhista britânico e controlando fábricas de armas na África do Sul? - Por favor, né?
Ter uma líder mulher faz pouca diferença, se ela estiver alinhada com o status-quo. Deveria ser óbvio. Feminismo não exite num vácuo político, só sendo muito anti-intelectual e obtuso sobre o que é feminismo para achar que "grupos políticos se apropriam da luta das mulheres mimimi". Vão ler sobre a história do feminismo!

Para os desenformadinhos de plantão, houveram várias mulheres envolvidas nas forças armadas de países socialistas e sendo liderançar partidária. Será que não é óbvio que a mídia aqui simplesmente não divulga esse tipo de coisa?
Posso citar Jiang Qing, que era uma líder maoísta.
A Rosa Luxemburg era uma grande líder do trabalhismo alemão e acho totalmente válido falar dela, porque é uma prova de que feminismo e política não são coisas isoladas uma da outra. Já ouviram falar da espiã e revolucionária Tamara Bunke? E da major Jovanka Broz?
Em Cuba, elege-se representantes de grupos de jovens, mulheres, minorias raciais, etc...

Procurando um pouco na internet, dá para achar um monte de mulheres envolvidas em cargos de alto-escalão.

Realmente, plataformas apolíticas deveriam ficar longe do feminismo, porque sempre se tratam de conservadores disfarçados.

Aliás, mais da Ayn Rand: os masculinistas adoram as teorias dela! Ela é a mãe da teória econômica favorida deles, que é o anarco-capitalismo.

Francisca disse...

A.H.B.,

Desculpe-me por não ter opiniões iguais às suas. Mas antes de você dizer, eu não sabia que minhas opiniões eram anti-intelectuais e obtusas. Agora, devidamente esclarecida, eu deveria me calar. Porém, você sabe que hoje nem os anti-intelectuais se negam a emitir uma opinião.

Em que parte da minha pergunta eu disse que a líder deveria ser uma feminista? Eu disse feminina. Uma mulher, apenas. Porque, na minha obtusidade, considero o fato de uma mulher chegar ao mais alto posto político um sinal de que alguém pode ser julgada por algo além do seu sexo, afinal. E assim como muitos homens, mulheres de diferentes ideologias já estiveram nesse papel. E sim, considero que Thatcher, Golda Meir e outras eram lideranças femininas, independente da ideologia que elas seguissem.

Atualmente, muitos não votaram em Dilma, Merkel, Gillard e outras. Porém, elas foram eleitas democraticamente nesses países capitalistas. Porque não se pode dizer que o Brasil e esses outros não sejam democracias capitalistas, não é mesmo? O certo é que, desde o fim da II Guerra, tem havido cada vez mais líderes femininas nesta parte do mundo que seguiu o capitalismo e a pluralidade de visões que elas representam indicam o quão forte é a nossa democracia.

Porque é sobre isso que estamos falando, sobre como cada uma de nós deve ser livre para escolher o próprio caminho e lutar por igualdade de gênero de acordo com seu próprio entendimento. Não existe nenhum ser supremo para nos dizer que não se possa ser feminista e defender esta ou aquela ideologia. Mesmo Thatcher, conservadora e implacável como é, pode ser feminista, embora eu não esteja afirmando que a Dama de Ferro seja. Mas recordo de uma ocasião em que ela se indispôs com a falecida Rainha-Mãe, porque esta fez um comentário negativo sobre as mulheres no poder.

Em relação às mulheres que você citou, sim eu as conheço. Rosa e Bunke foram líderes revolucionárias, ou seja, antes da tomada efetiva do poder. Infelizmente, elas morreram, então nós nunca saberemos se iriam governar ou ser postas de lado. Jiang Qing, esposa de Mao, e Broz, esposa de Tito, estão em outra categoria. A primeira é aquela que se defendeu dizendo que apenas seguia as ordens do marido. Juro que nunca acreditei que ela se suicidou, mas não diria isso na China, você sabe. A segunda, dizem que não tinha influência nenhuma sobre o marido poderoso, mas isso é fofoca discutível. De concreto, sabemos que o poder dela não resistiu à morte do marido e ela foi relegada à pobreza e ao esquecimento na Ioguslávia.

Sim, é possível que a mídia não nos informe sobre estas e outras mulheres do mundo socialista. Mas, sempre poderemos contar com você para nos informar os nomes da mulheres poderosas de Cuba, China e companhia.

Sobre Ayn Rand, nunca a li e não a defendo.

Annah disse...

Lideranças femininas podem ser anti-feministas, vide Thatcher.

Francisca disse...

A.H.B.,

É verdade que algumas mulheres podem mesmo agir contra a igualdade entre os sexos. Não sei se esse é o caso da Thatcher. É uma longa discussão.

A questão aqui, pra mim, é se alguém pode ser feminista e defender o capitalismo e a democracia. Bom, eu acredito que sim. Afinal, o feminismo é a defesa da igualdade entre os gêneros e existe independente de determinadas ideologias políticas.

Porém, respeito se você discorda.

Abraços

Sara disse...

Francisca parabens nem vou responder pra AHB porque simplesmente vc disse tudo, até muito mais do que eu poderia dizer pra ela, obrigada.

Matheus disse...

Francisca,

Não, eu citei três diferentes "livros" da Bíblia. Antes você havia dado a entender que a misoginia bíblica se resumia a Paulo, e então eu citei outros "autores".

O fato de três diferentes "autores" bíblicos defenderem o machismo só mostra que a misoginia é recorrente neste livro "sagrado", e não que eu só tenha buscado um "autor".

Francisca e Denise,

Sim, não posso dizer que conheço líder feminina alguma do alto escalão dos governos soviético e cubano, mas o fato de estes países totalitários de esquerda não terem tido líderes femininas no alto escalão (ou de eu, na minha ignorância, desconhecê-las) não significa que a igualdade seja particularidade da direita e do capitalismo.

A própria Golda Meir, ex-primeira ministra israelense, era socialista, integrava o Partido Trabalhista de Israel e já fez parte do alto escalão da Internacional Socialista.

A social democracia keynesiana (implementada na Escandinávia) também é uma face da esquerda no capitalismo. A Suécia, em meados de 2003 e 2004, tinha o parlamento nacional composto por, aproximadamente, 45% de mulheres.

Será que isso já aconteceu nos Estados Unidos ou no Reino Unido, defensores supremos do neoliberalismo (para os outros, claro)?

Julia Gillard, primeira ministra da Austrália, forte defensora da regulamentação econômica e do capitalismo de Estado, em seu discurso de posse (ao qual eu assisti pelo Youtube), deixou bem claro que o Estado não poderia se ausentar na hora de prover as condições e os serviços básicos para que os cidadãos tivessem igualdade de oportunidade. Esta não é uma plataforma liberal, é?

Na província do Québec, no Canadá, no período da Revolução Tranqüila, uma das pautas mais bem trabalhadas foi a da igualdade de gênero, o que fez com que o feminismo quebequense se projetasse por todo o Canadá. Quem estava no poder era um governo de esquerda.

Na Suíça, paraíso do capitalismo neoliberal e do controle da economia por grandes bancos privados (que são considerados paraísos fiscais e sempre estão envolvidos em lavagem de dinheiro, por sinal), as mulheres só obtiveram o direito ao voto em nível nacional na década de 1970. Apesar de eu admirar muito o sistema político suíço (democracia semi-direta), o fato mostra que capitalismo liberal, por si só, não representa avanço em à relação igualdade de gênero.

Acredito, sim, que a social democracia (a verdadeira, não a do PSDB) seja possível em um país com 200 milhões de habitantes, porque, ao passo que temos mais pessoas, também temos mais recursos.

Francisca disse...

Matheus,

Você citou dois autores bíblicos: Paulo e Pedro. Coríntios e Efésios são cartas de Paulo às comunidades cristãs dessas regiões.

Não nego que a Bíblia seja machista. O que eu disse antes foi que nenhum cristão cita Cristo para dizer tolices misóginas. Como não o considero um Deus, mas um ser humano, admiro profundamente a genialidade com que ele critica a Lei Antiga, mas sem confrontá-la diretamente. A passagem da mulher adúltera é apenas um desses casos.

Sim, Golda Meir era socialista, mas foi eleita em uma democracia capitalista. Assim como Gillard. Quando falei, estava perguntando sobre os países onde o sistema econômico vigente não é o capitalismo e/ou o sistema político é baseado em um partido só. São nesses que afirmo não ter visto presença feminina nos mais altos postos.

Por isso, não considero os países nórdicos parte desse grupo. Lá a economia tem forte controle privado, até mais que na maioria dos países, e a política é democrática. Até onde entendo, Keynes pregava a interferência do governo na economia, não a estatização desta nem a competição entre o Estado e o mercado.

O Partido Liberal de Quebec não é de esquerda. Durante os anos 60, esse partido realmente mudou a Lei Civil para reconhecer a igualdade entre os cônjuges, o que repercurtiu bastante no resto do Canadá.

Pessoalmente, não admiro a Suíça. Com sua economia oportunista, que dá abrigo a dinheiro proveniente da corrupção e de todo tipo de crime, ela é uma erva daninha. Fala-se até que ela está mudando. Quem viver, verá!

Você acha que daria certo? Porque a questão não são os recursos, mas o controle pelos cidadãos. Nesses países, os cidadãos entendem exatamente quais são os impostos e onde eles são empregados. Também sabem como e onde o Estado age na economia. No nosso país, enorme e complexo, esse tipo de controle se torna difícil sem descentralização.

Anônimo disse...

Francisca: "- Existe ou existiram líderes femininas poderosas nesses países? Porque se sim, eu realmente quero conhecer os nomes dessas mulheres!"

Não, Francisca, não existiu. Fidel Castro até mesmo censurou a viúva de Che Guevara qdo ela se casou novamente. Fidel queria fazer dela tb uma mártir pra usar ao bel prazer dele junto à imagem do Che. E o Brasil tem uma mulher na Presidência por causa do homem forte que a apoiou. Sem a mão forte de Lula, Dilma não teria sido eleita da mesma forma que outra mulher tb teria sido eleita tendo Lula como suporte e respaldo.

"- Acho interessante que sempre que um cristão quer ser misógino ou homofóbico, por exemplo, ele recorre ao Antigo Testamento ou a Paulo, nunca a Cristo."

Exatamente isso, Francisca. E Paulo foi quem praticamente fez a cabeça dos autores dos quatro evangelhos e alguns outros textos do Novo Testamento... pois os quatro evangelhos vieram depois de O Ato dos Apóstolos e várias pregações de Paulo... é como se os textos fossem se arranjando depois dessa ou daquela pregação de Paulo.

Excelentes considerações as suas e as de Matheus... dá gosto ler textos redigidos com seriedade por pessoas competentes no assunto de que tratam!

Matheus disse...

Francisca,

É excelente que os cristãos que você conheça não citem a Bíblia para defender misoginias (embora eu conheça alguns, especialmente católicos e "protestantes neopentecostais"), mas o eixo da discussão era se um país teocrático cristão seria tão machista quanto é um país teocrático muçulmano, e a minha defesa foi a de que, sim, seria - caso existisse.

Como você mesma pontuou, esses cristão que você conhece não citam Cristo para defender misoginias, mas isso não anula o fato de que as misoginias estão escritas no livro "sagrado" da religião que dizem professar, o que nos leva a concluir que - ao contrário dos governos teócraticos muçulmanos - desconsideram certas normas contidas no seu livro "sagrado". Não seguem, portanto, a Bíblia à risca. Se seguissem, não difeririam em nada dos países teocráticos muçulmanos.

Quanto aos países que instituíram o Socialismo marxista como forma de governo e modo de produção, eu realmente não posso discordar. Não conheço líder feminina alguma que tenha feito parte do alto escalão dos governos soviético e cubano.

O problema foi que você falou de liberalismo e Denise deu a entender que não existia luta pela igualdade de sexo na "esquerda", e eu defendi que, na esquerda do capitalismo (segmento no qual a Escandinávia, o Québec e a Austrália se encaixam) existe, sim.

O Partido Liberal do Québec ficou no poder até o ano de 1968, quando o Partido Quebequese (Parti Québécois) conseguiu maioria das cadeiras da Assembléia Nacional (como os quebequenses chamam o parlamento provincial). Mesmo que o Partido Liberal do Québec se defina como de centro-direita, à época, atendendo aos clamores populares e ciente da necessidade de superar o atraso histórico provincial em relação ao resto do país, o Partido Liberal advogou pela construção de um Estado de Bem-Estar Social, e isso é uma plataforma de esquerda.

O PSDB se diz partido social democrata (ou seja, esquerda), mas qualquer um com um mínimo de discernimento político-econômico sabe que o partido é neoliberal (direita), então fica claro que não é o nome que define a orientação política de um partido, não é mesmo?

Sim, bem lembrado, a população escandinava sabe (atualmente) qual é o papel dos seus Estados, por que e para que paga impostos, mas nem sempre foi assim. Elas atingiram esse nível de consciência social porque foram educadas para tal.

Se os escandinavos foram educados, por que os brasileiros não podem vir a ser? A Noruega era um país quebrado no século XIX e início do século XX, e hoje desponta como o país mais desenvolvido do planeta, segundo a ONU (por Índice de Desenvolvimento Humano). Se ela conseguiu, por que não conseguiríamos?

Matheus disse...

LisAnaHD,

Muito obrigado! Fico contente em saber que a nossa discussão lhe dá gosto. :)

Anônimo disse...

Lola, finalmente eu dei com um vídeo do ocorrido contra Monalisa Perrone... tamanho estardalhaço em blog alheio te cobrando um posicionamento que eu pensei que a repórter tivesse até mesmo sido hospitalizada... qual o quê... 1-2-3 e ela estava lá recuperada diante das câmeras falando que estava tudo bem... além do que blog de Lola não precisa ser porta-voz de nenhuma estação de TV pq essa gente sabe cuidar de seus interesses muitíssimo bem e com os melhores recursos legais disponíveis.

Francisca disse...

Matheus, obrigada pela nossa conversa. É sempre bom conhecer melhor o lado do outro. Podemos concordar ou não, mas é ótimo poder ver as coisas de uma forma diferente.

Bom, o fato é que os cristãos já seguiram uma interpretação bem radical da Bíblia e isso gerou mesmo um época terrível. Porém, nossa grande conquista nesse aspecto foi justamente a liberdade para ter outras interpretações da Bíblia. Para dizer: "Olha, essa palavra não foi colocada nesse sentido." Para lembrar que Cristo, símbolo maior dessa religião, pregava o amor e o perdão. Muitas vezes, seguir determinadas partes da Bíblia vai contra esses valores pregados por Cristo e um cristão então deveria seguir apenas seu Salvador. Mas, não é o que muitos deles fazem.

Sim, o Partido Liberal adotou algumas medidas estatizantes, poucas, mas fez isso no contexto de uma proposta separatista, de levar Quebec a romper com o resto do Canadá. Entendo como algo bem delimitado dentro de um propósito.

Mas compreendo seu pensamento. Entendo que você considere que adotar um Estado de Bem-Estar Social é uma proposta da esquerda capitalista. Muita gente concorda. Eu não havia entendido antes que você estava dizendo isso. Não considero o PLQ de esquerda por muitas outras coisas que ele já fez, mas faz sentido as razões pelas quais você o julga assim.

Não acompanhei bem o governo FHC, porque na época eu era bem jovem, então ainda estou tentando entender ao certo o que aconteceu e quais eram as ideias na cabeça dele. Mas conheço algumas agências reguladoras criadas com a privatização. Elas são agéis, bem organizadas e arrecandam bem mais recursos para a União que as antigas estatais. É outro mundo.

Se você pegar a Anatel, por exemplo, não tem comparação com a Telebrás. A agência coordena um setor bilionário, com algumas das maiores empresas do mundo na área de telefonia, e pela lei arrecada quase 2% da receita bruta anual dessas empresas para os fundos da agência, além de outras taxas. É um negócio colossal. A estrutura de regulação é ultra complexa. Enfim, as agências, hoje, são uma peça fundamental para entender a 6ª maior economia do mundo.

Sim, é verdade que nós talvez pudéssemos ser como os escandinavos. Porém, são muitas questões. Educação para a democracia é apenas uma delas, talvez a mais importante. Também precisaríamos de mudanças profundas na nossa estrutura política e isso envolve uma disputa política bem complicada. Primeiro, teríamos que definir o que devemos mudar e obter um consenso. Depois, conseguir implementar essas mudanças.

Porém, é sempre bom ter esperanças, estou até sentido um pouco da tua animação pra essa luta! Risos!

LisAnaHD, obrigada pelo seu comentário. Foi muito gentil!

Anônimo disse...

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