sexta-feira, 20 de agosto de 2010

MINHA INTERPRETAÇÃO DE A ORIGEM, COM SPOILERS

Cobb (Leo) toma banho pra acordar do sonho, mas...

Vi A Origem pela segunda vez e ainda estou apaixonada. Não devo ser nem um pouco criativa, já que, desde a primeira vez, só consegui enxergar o filme de um jeito. Não tenho outra interpretação, só essa. E vou avisando que esta crônica tá cheia de spoilers. Se ainda não viu o melhor filme do ano, um que, se houver justiça, vai ganhar uma penca de Oscars, corra pra ver. E depois volte pra cá pra conferir se a sua interpretação bate com a minha, ou pra me convencer que estou redondamente enganada (redondamente não, que isso alude a minha forma física). A trama você conhece: Cobb (Leonardo DiCaprio) faz um espião especializado em roubar segredos de executivos, entrando em seus sonhos. Tudo que ele quer é poder voltar aos EUA e viver com seus filhinhos, cujo rosto ele não lembra mais. Mas ele foi acusado de matar sua mulher, Mal (Marion Cottilard), que agora vive entrando nos seus sonhos para sabotá-los. Sua chance de ser inocentado é liderando uma missão arriscada, que envolve inserir uma ideia na mente de um jovem herdeiro. Cobb é contratado por Saito (Ken Watanabe), e reúne uma equipe para ajudá-lo, entre eles Ariadne (Ellen Page), a arquiteta que construirá o cenário do sonho. Ok. Confuso? Você ainda não viu nada. Minha interpretação é que tudo, tudim, do começo ao fim do filme, é um sonho de Cobb. Tem quem ache que só é sonho (ou seja, que Cobb não deixou o limbo) a parte depois que ele sai do avião. A julgar pela busca do Google que chegou aqui ao bloguinho, alguém crê que é tudo um sonho do Miles (Michael Caine). E tem quem acredite que o que é narrado é tudo verdade. Tolinhos. Pra mim, Cobb inventa tudo aquilo, a maioria dos personagens, para aplacar sua culpa pelo que causou a Mal e criar um futuro imaginário com seus filhos (interessante como o único meio que ele encontra de perdoar-se a si mesmo pelo mal que fez a Mal ― fraquinha, eu sei, mas não resisti ― é removê-la de sua vida). O ponto principal da dúvida que o filme gera está no final aberto. Cobb retorna a seus filhos, e seu “totem”, um pião, fica girando, mesmo que um tiquinho cambaleante. A câmera corta antes que o pião se decida se continua a girar ou para. Mas vamos ter sérios problemas se nos basearmos apenas no totem. Primeiro que ele não significa que uma pessoa está sonhando ou que está no mundo real. Apenas mostra se o protagonista está no seu próprio sonho ou no sonho de outro. Então tudo bem: Cobb tá no seu próprio sonho. Mas até isso é enganoso. Afinal, o totem não é dele, e sim de Mal (e note como os totens dos outros personagens não chegam a ser usados pra nada).E depois que um totem pode ser falsificado. Um piãozinho girando, ou parando, não é prova de muita coisa. O relevante é que o “toque” do totem tenha uma textura que apele a seu dono. E quantas vezes Cobb toca no pião, ao invés de simplesmente vê-lo girando? Hein? Hein? Mas nem é isso que importa. Cobb sai do recinto, e isso é tudo. Ele não vê se o pião parou ou não de rodar. Essa vai ser a dúvida dele que, no futuro, quando ele se cansar do seu sonho, vai fazê-lo pensar que não está na realidade. O pião é um tanto irrelevante, mas é o que o magnífico diretor e roteirista Christopher Nolan usa pra implantar uma sementinha de dúvida na mente do espectador. E como funciona!Pra sustentar minha interpretação que é tudo um sonho, mais significativo que um piãozinho girando, são as múltiplas pistas deixadas pelo filme. Uma das mais evidentes é Cobb dizendo que, num sonho, a gente nunca sabe como chegou num lugar. A gente só está lá. Perceba como a edição do filme faz com que Cobb nunca chegue num lugar. Ele sempre já está lá. Um exemplo: ele, do lado de fora, vê Miles na sala de aula em Paris, e no próximo corte, ele já está dentro da sala, sentado, e só aí Miles o vê. Outro exemplo, que é praticamente um giveaway: a saída de Cobb do aeroporto, no final. Ele vê o Miles, vai até ele, os dois andam juntos... e na imagem seguinte estão dentro da casa. Com o pião e os filhinhos. (E quem é a tal avó oculta, que nunca aparece, que se recusa a falar com Cobb pelo telefone, de que ouvimos apenas algumas palavras? E que misteriosamente está ausente no retorno de Cobb a sua casa? E por que Cobb tem que ir pra casa? Ele não poderia pedir que Miles levasse as crianças para Paris ou Buenos Aires?). Outra pista é quando Cobb vê sua mulher sentada no parapeito da janela, em frente à janela onde ele está. Hum, como ela chegou do outro lado, se há um abismo entre eles? Ela foi até o outro prédio e entrou naquele quarto? E aí, como a polícia vai pensar que ele a empurrou, se ele está de um lado e ela do outro? Não existe perícia criminal não? Sinto, mas aquela sequência não faz sentido. Mal quer se matar porque tem certeza que está sonhando e quer voltar à realidade, e quer que Cobb venha com ela. Ele acha que ambos estão vivendo na realidade. Mas olha só: quando ele fala pra ela sair do parapeito da janela e voltar pra dentro do quarto, ele faz gestos de “volte pra mim”. Ele não pede pra que ela ande pra trás e volte pro seu quarto. Não, ele pede pra ela vir pra frente ― o que significa uma queda livre, já que há um vão entre eles. Isso lembra aquela cena em que Ariadne deturpa a estrutura física do sonho, juntando dois espelhos. E aí? Tem alguém deturpando aquela realidade do parapeito também? Mas aquilo não é pra ser sonho, é pra ser real.E o que dizer de toda aquela sequência em Mombassa? Ela tem todo um jeitão onírico. Cobb entra num beco, e atrás há agentes atirando nele. Só que a saída desse beco é muito estreita, e parece que vai estreitando cada vez mais. E aí Cobb consegue, sabe-se lá como, sair do outro lado. Isso é tão típico de sonhos... Tudo bem que é o que Hollywood nos mostra direto, mas, num filme que questiona a realidade, aquilo fica muito aparente. Há vários tiros e ninguém acerta Cobb, que ainda marca com o falsificador de se encontrar com ele no mesmo boteco em que os agentes o descobrem. Em outras palavras, ele só dá uma voltinha, um loop, e retorna pra onde saiu.É muito uncanny (bizarra) essa compulsão pra repetir, essa volta aos mesmos lugares, como se, no fundo, Cobb nunca saísse do lugar, do seu sonho. E de repente Saito aparece do nada (como que ele sabe onde está Cobb? Como ele chegou tão rápido a outro país?) pra resgatá-lo, e Cobb, desconfiado, faz essas mesmas perguntas que eu fiz entre parênteses. E Saito responde: “Tenho que proteger meu investimento”. Mas quem tem que proteger seu investimento é Cobb! E Saito é o seu investimento, quem vai lhe ajudar a voltar a sua casa, e perpertuar seu sonho. Saito é sua passagem de ida para a próxima ilusão. Mas não sozinho. Aí que entra Ariadne. Ela é criada por Cobb apenas para ser sua guia nessa jornada. Eu contei isso pro maridão, e ele disse que eu estava falando como o Chico Xavier. Mas, pô, olha o nome da figura: Ariadne. Sabe quem é Ariadne na mitologia grega? A filha de Minos, que dá a Teseu o fio para que ele encontre o caminho pra sair do labirinto. Não é nem um pouquinho de coincidência que a moça que Cobb usa para construir seu sonho em forma de labirinto se chame Ariadne? E que ela faça justamente isso ― mostre uma saída pra Cobb? Por isso que eu penso que tantos personagens são invenções de Cobb. Porque eles são de uma serventia paranormal pra ele. Ariadne, Saito, Miles ― eles só vivem para servi-lo. Estão sempre no lugar certo na hora certa. Na fala que mais faz o público rir, Saito diz que comprou a companhia aérea em que o herdeiro viajará: “Achei que seria mais simples assim”. Mas por que ele faz essa aquisição antes de ouvir o plano? E Miles, que mora em Paris, no final simplesmente aparece nos EUA para pegar Cobb no aeroporto.
Mas tudo isso seria até pouco pra mostrar que Cobb está sonhando, se não fosse que... praticamente todos os personagens dão indiretas pra ele sobre isso. Ainda em Paris, Miles pede pra que ele volte à realidade. Mal, que certamente não é confiável, diz pra Cobb que ele não sabe mais distinguir sonho de realidade. Mas o mais escandaloso é quando Cobb conhece Yusuf, aquele que entende tudo de drogas e pode dopar o pessoal pra criar um sono pesado, que permite um sonho dentro de um sonho dentro de outro sonho (três níveis). Ele possui um lugar onde várias pessoas dormem conectadas, sonhando o mesmo sonho, dopadas, por até quarenta horas. Cobb pergunta: por que alguém vai querer fazer isso? E o velhinho que toma conta do local explica pra ele que elas sonham pra acordar. E ainda emenda: “O sonho se tornou a realidade deles. Quem é você para negar isso, Mr. Cobb?” Um aviso desses, francamente, só falta piscar na tela, pular de lá e nos picar. E tem o final, com o piãozinho girando, e as crianças que Cobb vê sem rostos durante todo o filme, com as mesmas roupas, na mesma pose, e o menininho ainda diz “vamos construir uma casa num precipício” (onde Saito estava). Mas os créditos balançaram um tiquinho a minha convicção de que se trata das mesmas crianças. Porque tá escrito que duas atrizes interpretam Phillipa, a filhinha dele, com 3 e com 5 anos. Mas vamos admitir que tudo é muito parecido, aberto a especulações. E, sei lá, quando as criancinhas falam com o Cobb por telefone, elas soam um pouco mais velhas que aparecem na tela. Será que, de repente, os atores dois anos mais velhos foram usados apenas pra fazer a voz? De todo modo, como é Cobb que está sonhando, ele pode dar a seus filhos a idade e o rosto que quiser.Apesar de eu estar bastante segura da minha interpretação (que não é só minha, logicamente, mas foi o que deduzi da primeira vez que vi A Origem, antes de ler qualquer coisa sobre ele), não posso ter certeza. Parece que o Christopher deixou um minúsculo ponto de interrogação, uma inception, na minha cabecinha. E essa ideia pode crescer. Tem como não adorar um filme desses?

35 comentários:

Lord Anderson disse...

Ok, Lolinha

Eu vi o filme correndo ontem a noite e minha cabeça ja tava confusa...agora então vc me entortou devez...

Acho sua ideia bem valida...mas acho que vou ter que assistir de novo e de novo...

E quem não gosta desse filme é quem não gosta de persar e só aceita respostas prontas e explicadinhas...


Ok, mais um p/ o #escrevalola

Snorks disse...

Oi Lola,
também adorei o filme e quero revê-lo muito em breve. Mas tive impressões bem distintas das suas. Acho que tudo isso que você coloca como "provas" dele estar sonhando são exatamente montadas para que o espectador fique com a dúvida (outro exemplo é um momento no qual o Cobb tenta girar o pião mas é interrompido), que explode com a cena final.
MAS
durante toda a semana passada eu fiquei atrás de informações sobre o filme e algumas das suas dúvidas já foram esclarecidas, por exemplo não são as mesmas crianças, e elas não estão com a mesma roupa. Uma diferença essencial é a cor dos sapatos que muda pela primeira vez na sequência final.
Uma outra coisa que na minha opinião revela que não seja absolutamente tudo sonho do Cobb, é a ação em outros níveis do sonho nos quais Cobb não está inserido. A sequência da Van e do Hotel. Aquilo seria somente projeção linear do sonho do Cobb? Acho que justificar isso seria diminuir demais o trabalho excepcional de montagem do filme.
Depois de quebrar muito a cabeça e ler um monte de posts sobre o assunto, elegi o que para mim fez mais sentido. E acho um primor de texto, quando puder dá uma olhadinha:
http://thelastpsychiatrist.com/2010/07/the_ultimate_explanation_of_in.html

e para espairecer, vai o Calvin em um tira inception:
http://www.oesquema.com.br/trabalhosujo/wp-content/uploads/2010/08/inception-calvin.jpg

e para quebrar a cabeça, ouça como provavelmente a trilha do filme foi montada:
http://www.wimp.com/inceptionconstructed/

Amanda disse...

Oi Lolinha, to passando batida deste post, so vou ver esse filme semana que vem! Vim so pra dizer que fiz um post pro concurso de blogueiras:

http://portedoree.blogspot.com/2010/08/como-um-machista-me-transformou-em.html

Semana que vem volto pra ler isso aqui. Beijos!

cronicasurbanas disse...

Lola,
já li e ouvi um monte de interpretações diferentes do filme, todas plausíveis. Acho que é isso que faz o filme tão bacana. E, numa entrevista, o Nolan disse que não ia explicar nada, o que, pensando bem, é uma ótima ideia.
As crianças não são as mesmas não (os créditos mostram isso e o próprio Nolan confirmou), o que pode signficar sim uma passagem de tempo. E li em algum lugar que a costume designer garantiu de pé junto que as roupas das crianças eram diferentes no começo e no fim. Mas disso, sinceramente, eu não me lembro.
Também gostei muito do filme. Quero assistir mais uma vez, mas ainda tenho uma listinha de pendências cinematográficas pra colcar em dia, então...
bom finde.
Mônica

Raquel Correa disse...

Lolinha,
Eu ate gostei do filme, mas nao achei tudo isso, nao. Nao achei assim tao inovador, me lembrou bastante Matrix (este sim, me deu a sensacao de novidade quando assisti pela primeira vez).

Enfim, bom, mas totalmente "esquecivel" para mim.

Diego Hatake disse...

Acho que sua interpretação é uma das mais plausíveis que vi sobre o filme, que é muito bom. Confesso que finais em aberto me deixam irritado, mas entendo que essa era a ideia do diretor mesmo: botar o povo pra pensar, discutir o filme. Poucos filmes lançados nos últimos anos fazem isso.

Tanize Monnerat disse...

Preciso revê-lo urgentemente para por sua interpretação à prova, porque até agora não tinha pensado nela...

Que filme wow!!!!!! Nada mais a dizer, a não ser isso: incrível!!!

bibi move disse...

tem como não esperar um Inception II?
Talvez um onde o DiCaprio acorde e descubra que é um prisioneiro da Ilha do Medo...

Pentacúspide disse...

Também eu penso que preciso de ver o filme de novo.

Nolan é um mestre, uma mágico, um poeta, não haja dúvidas; e a sua poesia, porque é complexa, abrindo-se a interpretações várias, e ao mesmo tempo simplista ao ponto de a mensagem literal ser também cativante, é a das melhores que existe.

Tem certas coisas que eu julgava serem erros de argumento ou de edição que estás a usar como justificativa à tua opinião e com muito sentido. Por exemplo, nas primeiras fases do sonho, ligavam-se todos ao sonhador, mas já na última, não precisaram de ligar, e inclusive arrastaram o morto para o sonho deles. Isso só faria sentido se fosse um sonho, pois nem tudo neles faz sentido.

Ariadne é quem venceu a armadilha de Dédalo, porque raio então tomaria ela o lugar dele, construindo?

A cena de espelhos (edição magistral - ainda não consigo perceber como é que não apareceu a câmara, tendo em conta o ângulo da filmagem), o caledoscópio, lembra um conto de Italo Calvino (Se Numa Noite...), uma pessoa que cria situações e contra-situações que acaba por não saber qual é realidade.

Os que justificam dizendo que tudo não passa de um sonho de Miles, fazem-no, provavelmente porque no livro, que antecede a história do filme, o narrador abre dizendo: "O Professor Miles trouxe-nos para o seu sonho partilhado para provar-nos que a criatividade não tem fronteira." E depois não diz se saíram do sonho.

Nos filme de Nolan (os que vi pelo menos, 5 com este) a causa e o efeito acabam por se tornar cíclicos, o ouroboros, quebrando a linearidade.

Entretanto, não julgo que os cortes do filme (eles no aeroporto, eles em casa) justifiquem a tua opinião, pois o cinema é feito disso.

Pentacúspide disse...

link para o livro:
http://www.megaupload.com/?d=OO5KV1A0

Beca disse...

Olha, Lola. Eu não interpretei como você. Não li muita coisa sobre, só me baseio no filme. Mas acho que essas dicas que você falou, serve pra nos deixar confuso. E houve umas forçações de barra da sua parte. Ora, como ele apareceu em casa? O aeroporto mostra. Voce queria que mostrasse todo o caminho do avião até a casa?

Mas enfim. Isso é que é filme bom. Não tem um certo, mas eu gosto de final feliz.

lola aronovich disse...

Snorks, link interessante, esse que vc deixou. Mas, no fundo, tudo que ele diz é que não se pode dar valor ao totem do pião (eu tb disse isso), nem a outros símbolos, como a aliança do Leo/Cobb. Eu nem quis me meter na questão da aliança de casamento dele (li várias interpretações a respeito) porque sou a última pessoa na Terra a notar se alguém tá com ou sem aliança. Mas legal isso que o cara viu do Nolan ESCONDER a mão esquerda do Leo na maior parte das cenas, pra que o pessoal que fica procurando pistas de sonho/realidade através da aliança não possa sequer vê-la. Sinal que ele pensou em tudo MESMO! Ah, e que incrível isso que o cara disse, de que quando um personagem diz “nós temos uma hora pra executar o trabalho”, o filme leva exatamente uma hora pra completar o troço, como se nós, espectadores, estivéssemos num sonho.
Isso que vc cita, do filme mostrar os outros níveis do sonho, a seq da van e do hotel, por exemplo, realmente depõe contra a minha teoria de “é tudo um sonho”. Mas acho que o sonhador Cobb PRECISA sonhar com todas essas coisas pra parecer que seu sonho é real. Se fosse fácil ele não acreditaria, não se livraria da culpa. Mas, nos sonhos, a gente tb sonha com cenas em que não estamos presentes, não? Pelo menos eu sonho! (meus sonhos são muito elaborados e corridos, parecem filmes de ação. Eu nem estou presente em todos).

lola aronovich disse...

Lord, obrigada por fazer um tag do escrevalola no twitter. Achei chique nas últimas!



O filme é o máximo, gente! Que outro filme nos últimos tempos gerou tanta especulação, tantas interpretações, tantas discussões? E é um incrível exercício de metalinguagem. O diretor/roteirista faz a gente pensar no cinema como fábrica de sonhos/ilusões, e questiona a realidade. Ok, não é o primeiro a fazer isso de jeito nenhum, mas ele certamente chama a atenção pra sua arte. Olha só como a gente tá discutindo EDIÇÃO. Nada mais cinematográfico que edição!

lola aronovich disse...

Penta/Beca, eu acho aquela cena do final, em que eles saem do aeroporto e entram na casa, gritante demais. Não é como em outros filmes não. Lógico que não precisa mostrar o trajeto do aeroporto pra casa, mas é evidente demais isso deles sairem do aeroporto e entrarem em casa, como se fosse algo contínuo, sem cortes. É lógico que o Nolan fez isso propositalmente. Ainda mais porque ele põe um de seus personagens (logo o protagonista) pra explicar que, nos sonhos, a gente nunca sabe como chega num lugar. Vejam o filme de novo e notem como ele tá cheio de uma edição estranha, justamente isso dos personagens nunca chegarem num lugar, sempre estarem lá. Mas nada é mais evidente que essa cena do aeroporto. Mesmo que não houvesse piãozinho girando, depois dessa cena do aeroporto eu estaria convencida que é tudo um sonho. Pensem só se não houvesse o pião no final. O pião não é importante pro Cobb, mas é pra gente. Ele é a dúvida que Nolan implanta na nossa mente. Sem aquele piãozinho no final, muita gente não pararia pra discutir se é tudo sonho ou realidade, ou parte sonho e parte realidade, ou Cobb ainda está no limbo etc etc. O pião é o inception, o que definitivamente planta a ideia da dúvida. Mas, pra mim, a dúvida já estava plantada antes do pião. O pião só a reforçou.


Que livro, Penta? Pensei que fosse um roteiro original do Christopher Nolan. Aliás, alguém tem o link do roteiro, por favor?

Pentacúspide disse...

o livro foi lançado antes do filme, para o promover e explica-lhe o início: o porquê de atacarem Saito.

No livro, ele acorda, gira o pião e diz: "não estou a sonhar", o que quer dizer que os tótens não s
são pistas falsas ou elementos de distracção como diz aquele site, não, ainda mais que é o único link (pode-se usar estrangeirismo?) à realidade apresentado.

Eu não acho a resitência ser o tema do filme, como diz aquele site (pena o meu inglês não dá pra arguir), mas a felicidade. Os sonhadores do árabe preferem o sonho porque ali são mais felizes, a mulher dele preferira o sonho porque era ali mais feliz.

Interpretações variadas e interessantes, só falta quem diga que é a mulher dele que se encontra no limbo e está a tentar purgar-se.

Koppe disse...

Lola, acabei de perceber que virou hábito, a primeira coisa que faço quando abro o navegador é entrar aqui.

Esse filme parece interessante. Infelizmente não tenho tido tempo de ir ao cinema. Nem de ver filmes baixados no PC.

Rebeca disse...

eu sou da teoria que quiseram passar a mensagem de que pouco interessa se ele ta morto, no limbo, dentro de um sonho, o que importa é estarmos em paz com nossa consciencia e feliz, não importa se isso seja real ou não, pq a realidade nada mais é do que aquilo que acreditamos ser real, no momento em que eu passo a desconfiar da realidade desse meu mundo ele passar a ser inverossimil aos meus olhos. Compliquei um pouco pra variar -.-", mas acho que deu pra entender meu ponto de vista, ou não -.-"

escrevi algumas coisas meia soltas sobre a origem tb, da uma conferida lola ^^: http://rebecaneiva.blogspot.com/2010/08/inception-origem.html

e gostaria de informar tb que comentei sobre um post seu em meu blog: http://www.rebecaneiva.blogspot.com/
caso se incomode eu retiro o link ^^

Kaká disse...

Lola, eu também fiquei bolada com ele não poder ver os filhos em outro país afinal, se a mulher dele era francesa e o Michael Caine morava em Paris o que essas crianças estavam fazendo nos EUA?

Ao mesmo tempo, não acho que era tudo um sonho, mas no fim acho que era sim especialmente quando todos olham para ele no avião com aquela cara de "agora vai ficar tudo bem".

Acho que cada um ali representava um layer do subconsciente dele.

Vou ter que ver esse filme outra vez. (a edição é espetacular, e a trilha sonora também)

Anônimo disse...

Hummm...amei o que a Rebeca escreveu!!!!!

Júlio César disse...

Quando acabei de assistir e sem me apegar aos detalhes e pistas, minha conclusão foi que o filme todo é uma inserção do Miles na mente do Cobb, uma forma de fazê-lo acreditar que se encontrou com os filhos novamente pois, na verdade, Miles sabia que Cobb não teria mais chances de reencontrar os filhos. Quando eu assistir de novo, provavelmente teria uma nova teoria.

olhodopombo disse...

o filme so quer acentuar as teorias orientais de que a vida não passa de um sonho....

Natália disse...

:) gostei mto desta interpretacao. uma coisa q me levou pra ela (mas eu soh vi o filme 1 vez e acabei de chegar do cinema, entao nao sei) eh o tema do arrependimento. cobb fala para o saito velhinho q ele-saito eh um homem cheio de arrependimentos, qd na verdade quem se arrepende eh o proprio cobb. assim, parece q ele estah falando para si msm na manifestacao de seu subconsciente. achei especialmente importante pq alguem jah tinha falado de arrependimento antes no filme e, alem disso, a musica de acordar eh "je ne regrette rien". apesar de ser em frances, nao seria tao opaca pros americanos pq "regrette" eh cognato. (e pra ser infame tb, a musica diz "ni le MAL qu'on m'a fait..." hahaha)

Boh disse...

Você já viu Waking Life?

Gabriela Domiciano disse...

Vi o filme ontem e me lembrou muito um trecho do manifesto do movimento surrealista (curso artes visuais, e fiz uma disciplina recente sobre isso, então acabei relacionando). O trecho diz que não são os sonhos que interrompem a vida, a vida é que interrompe os sonhos.

Dani disse...

Lola, eu também concordo com a sua teoria.
Só que ninguém falou nisso, e estou aqui coçando a cabeça se só eu que vi isso: pra mim, o filme todo é em loop. Isso porque ele termina (com exceção da cena do avião e da casa, que são um adendo-final-feliz) exatamente onde começa, com o Cobb sendo trazido arrastado até onde está o Saito velhinho. Pra usar a imagem do filme, é exatamente aquela estória da escada que dá volta sobre si mesmo, o paradoxo. Porque quem dá origem a toda a história, encomendando a inception, é o Saito, que começa o filme velhinho igual terminou, sozinho.
Faz sentido ou eu viajei?

lgmribeiro@bol.com.br disse...

Muito boa sua interpretação do filme. O Nolan quis mostra para gente que é possível a inserção e é isto que ele faz no filme, uma simples ideia de o Cobb( DiCaprio), ver sua família implantam a ideia em nossa mente de que ele tenha uma família e que ele volte para a família e esta ideia cresce em nossa mente como se fosse nossa ideia ou nossa interpretação, mas na verdade é uma semente plantada por ele, que faz pensar que é nossa. Bizarro.

Dialógico disse...

Lola!
Jamais assitiria a esse filme, se não fossem as 3 primeiras frases da tua resenha... hehehehe... Bueno, ainda esta semana, darei um jeito de assiti-lo e terminar de ler o que escreveste!
:-)
Claudia.

Valney.gama disse...

Malucos de Podcast na internet endoidando por esse filme sustentam que exista realidade no filme, baseado no fato de que o Cobb (Neo?) usa aliança nos sonhos, e não na realidade.

Eu NUNCA prestaria atenção nisso.

Valney.gama disse...

Ah. Agora li os comments. Esquece.

Mas tem essa resenha:
http://www.saindodamatrix.com.br/archives/2010/08/inception.html

Valney.gama disse...

Link corrigido

Marcos Costa Melo disse...

Lola, só vi o filme uma vez, mas também achei que tudo era um sonho do Cobb.

Reparei em algumas coisas que voce cita nessa ótima análise, porém o momento "decisivo" para mim foi justamente a sequencia final, desde o momento em que ele acorda no avião, sai pelo aeroporto e é recebido pelo sogro. Achei todo aquele desenrolar, no mínimo, "estranho".

Por fim, o pião não cai e as crianças estã na mesma posição e eu achei com as mesmas roupas tambem, mas sobre isso não lembro com certeza.

É um filme sensacional, mais um, aliás, do Nolan.

Ulisses Adirt disse...

Só vi o filme agora e, tenho de dizer, discordamos pouco. Acho, tb, q o Cobb está sonhando, mas ele acredita mesmo q aquilo é a realidade. Ele não quer moldar a realidade/sonho de maneira alguma para aplacar a própria dor, ele só acredita q, como é a realidade, é difícil chegar aos próprios filhos.

Mal, diga-se de passagem, está viva. Ela só acordou, enquanto Cobb continua dormindo.

Fui confuso?

Valney.gama disse...

OH WAIT

Michael Caine conta o final de A Origem

Diana disse...

Concordo com sua explicaca lola, mas acredito que Cobb nao é o unico criador dos sonhos, na verdade Michael Caine seria o verdadeiro arquiteto de tudo por isso ele indica Ariadne para resgatá-lo inserindo a ideia em Cobb para se libertar de Mal, e a partir daí Cobb cria toda uma sequencia de sonhos para conseguir isso. Nada o impedia de voltar a realidade, casa e filhos, apenas seus proprios conceitos, sua culpa que Michael Caine descobriu uma forma de induzir Cobb a voltar do labirinto da propria mente e chegar a realidade.

Christian Barreto disse...

Uma dúvida que eu tive: Os chutes.

Eu não vejo esse filme há muito tempo, mas se tudo fosse um sonho, não haveria nenhuma cena em que o Léo provavelmente acordaria?

Eu era daqueles que achavam que o sonho era só depois do avião, mas vi desavisadamente e só uma vez.