segunda-feira, 26 de julho de 2010

BATER EM CRIANÇA MOSTRA CARÁTER

Queria continuar só mais um pouquinho com o meu tema da semana passada, sobre o projeto do governo proibindo agressão às crianças. Primeiro que não aceitar punição física é totalmente diferente de não aceitar punição ou castigo para uma besteira que uma criança apronte. Não é tão difícil de entender: quando um adulto comete um crime, depois de julgado e condenado, ele não recebe punição física. Quer dizer, podemos supor que a restrição de sua liberdade, de seu direito de ir e vir, constitui uma punição física. Mas ele não será chicoteado. Tortura e pena de morte não fazem parte da na nossa constituição. Pessoalmente, não acho que um preso deva ser espancado, estuprado, torturado, “pra aprender”. Querer isso é fascismo, é o velho olho por olho, presente em países retrógrados, e até em alguns mais avançados, como os EUA (o único país desenvolvido no mundo, além do Japão, a adotar a pena de morte). Mas com criança é diferente, claro. Ninguém está pregando pena de morte pra criança (ou está? Tenho minhas dúvidas toda vez que se discute a alteração da maioridade penal). Só estou dizendo que punição física não é o único tipo de punição. Pais podem, e talvez devam, restringir a liberdade de uma criança. Castigos, privações, broncas e sermões, tudo isso é válido e necessário. Toda criança (e adulto) precisa conhecer seus limites. O que me espanta é que as pessoas pensem que só dá pra estabelecer limites através da violência!
Além do mais, a gente sabe que criança imita os pais. É contraditório: se você não quer seus filhos batendo nos coleguinhas (e aconselho atendimento psicológico pra quem quer, ou pra quem ainda confunde violência com masculinidade), vai ensinar-lhes que bater é feio... batendo?!
Claro que gritar também não é educar. Muito menos xingar. Não sei, se educar é considerado um gesto de carinho (e uma obrigação para os pais), como gritar, xingar e bater podem ser vistos como carinho? Entretanto, imagino que os mesmos pais fãs da agressão física como forma de educação reprovam a agressão verbal. Suponho que esses pais ficariam horrorizados vendo outros pais dizerem ao filho “seu traste inútil!”. Isso poderia traumatizar a pobre criança. E bater não?
No post da semana passada, recebi diversos depoimentos de leitoras jovens, que ainda (ainda? Talvez não queiram ser nunca!) não são mães, que dizem se ressentir das palmadas que receberam. Para uma, palmada, tapa e puxão de orelha podem até não causar traumas, mas doem. Para outra, apanhar dos pais fez com que ela se afastasse emocionalmente deles, e perdesse o amor que tinha por eles. E também gerou desconfiança, porque ela percebeu que, quase sempre que apanhou do pai, foi por causa do descontrole emocionl e da falta de argumentação dele, muito mais que por qualquer “crime” que ela tenha cometido. Outra lembrou que bater é adestramento, não educação, como dar choque elétrico em ratinhos de laboratório para eles decorarem o caminho. Ainda outra leitora relatou sua história, que é um belo exemplo de como criança não tem voz alguma na nossa sociedade: ao tentar se defender de uma surra aos 12 anos, ela empurrou a mãe. Foi levada à psicóloga, pois onde já se viu bater na própria mãe?! Criança não tem nem direito à autodefesa, um comportamente intuitivo de tantos seres!
Não é bem verdade que pais batem apenas com a intenção de educar. Muitas vezes batem para descontar em alguém suas frustrações. Como qualquer ser humano, pais nem sempre estão certos. Nisso não vai nenhuma santificação das crianças. Não simpatizo com criança que faz birra. Com criança que maltrata animais, então, eu me meto mesmo. Crianças estão erradas um monte de vezes, é inegável. Mas são crianças, seres que consideramos “em formação”. Pode ser que todos nós adultos sejamos seres “em formação”, mas eu, pelo menos, não tenho ninguém com autoridade absoluta e poder de vida e morte sobre mim.
Imagine sua criança chorando, sofrendo, tendo que engolir a comida aos prantos, porque já apanhou e está ameaçada de apanhar de novo, se não comer tudinho. Eu vi uma das minhas melhores amigas fazer isso com seu filho, e juro, doeu em mim (engolir comida sofrendo é sempre deprimente, em qualquer idade). Ela acompanhou a dor de seu filho, a dor que ela causou. Agora, vamos imaginar que outra pessoa, que não ela, fizesse a mesma coisa com o filho dela. Imagino que, nesse caso, ela iria empatizar com seu filho e se revoltar contra a pessoa, fosse ela professora, amiga, líder religiosa, o que for. Então como é que se deixa de empatizar com alguém só porque foi você que julgou, condenou, e aplicou a pena?
Num outro post que escrevi faz tempo, este sobre estupro (sim, por incrível que pareça pais e padrastos que abusam de suas filhas são também os que mais batem), recebi este comentário de uma leitora:
Já sofri muita violência física e psicológica por parte do meu pai. Já apanhei na cara duas vezes (uma aos 10 anos, outra aos 12). Aos 12 por conta de R$5,00. E o pior é que eu sempre ouvia da minha mãe que se eu fosse menos respondona, mais obediente, ele não faria isso. O velho mito da família burguesa que Marx já falava. Quer dizer, os filhos são propriedade dos pais e portanto estes podem fazer o que quiserem, pois tudo se justifica com um 'estou educando'. Enfim, já na adolescência peitei meu pai quando ele quis me bater e nunca mais ele teve coragem de levantar a mão pra mim. Mas novamente fui julgada pela minha família como a garota rebelde que não sabe respeitar pai e mãe. Detalhe: nunca falei um palavrão com ele, nunca tive comportamento difícil do tipo envolver com drogas, roubar, prostituir. E ainda que tivesse não acho que a violência seja o caminho pra consertar um pau que nasce torto.

Há também um paradoxo: apesar do que as pessoas dizem (de que não há mais valores hoje em dia blá blá blá que as crianças não respeitam mais os pais blá blá bom mesmo era quando os militares estavam no poder blá), creio que o comportamento dos brasileiros não mudou tanto assim ― eles ainda batem nos filhos e acham isso ótimo. Mas, se a maior parte enche os filhos de palmadas educativas, por que tanta criança cresce pra virar psicopata, serial killer, troll de internet? (diz aí, meu troll: seus pais batiam bastante em você, né?). Não é possível que todos os adultos estúpidos de hoje sejam os que não apanharam na infância!
Selecionei alguns poucos comentários de leitores do Estadão pra registrar o nível de indignação contra o projeto do Lula. Perceba: a indignação não é contra crianças apanharem, mas contra o governo ousar sugerir que há formas mais saudáveis de educar seu filho:
- “Lembro-me das palmadas e até correadas que levei dos meus pais, quando fiz por merecer. Hoje agradeço a eles por terem me corrigido, com a finalidade de tornar eu e meus irmãos, pessoas de bem.”
- “Aqueles que não são a favor de tornar um corretivo dado pelo pai ou pela mãe, com amor e carinho, não sabem o que é educar um filho. Criem seus filhos com total liberalidade, que no futuro vocês terão a 'recompensa'...”
- “[Menina lavando louça] é crime para esses loucos, exploração infantil.... Gente, isso é loucura, o fim DA FAMÍLIA decretada por estes discípulos de belzebú.”
- “Este país sempre caminhou plenamente de acordo com a moral e os bons costumes, antes que os intelectuais se metessem na vida do povo. Eu levava meus tapas de meus pais quando fazia coisa errada...Meus filhos de mim e de minha esposa, e graças a Deus são formados, trabalhadores, e sem passagem pela policia. Realmente apanhar não deve fazer bem mesmo, mas apenas para quem não tem vergonha na cara...”
- “O Lula não é nenhum expert educacional para opinar. Pelamor, espero que essa lei tenha, no mínimo, bases cristãs para não ser aprovada. Talvez Lula pense assim por ter origens nordestinas. Eu, como paulista, lembro-me quando nordestinos começaram a invadir e formar uma enorme favela aqui em SP, e como os pais eram extremamente agressivos com os filhos, por qualquer motivo, práticas que eram aberrações para a minha cultura de SP (nao quero generalizar).”
- “Então, solta tudo, abram as penitenciárias, assim êles terão mais eleitores, novas brigadas, tipo FARC. É o que essa corja quer!”
Onde que essa gente aprende essas coisas? (ninguém nasce assim!). Ah, já sei: no livro sagrado! Olha só alguns provérbios bíblicos:
- "Quem se recusa a surrar seu filho o odeia, mas quem ama seu filho o disciplina desde cedo."
- "Os açoites que ferem, purificam o mal; E as feridas alcançam o mais íntimo do corpo."
- "Os castigos curam a maldade da gente e melhoram o nosso caráter."
- "Castiga a teu filho, enquanto há esperança, mas não te excedas a ponto de matá-lo"
Pelo menos a bíblia sugere moderação nas agressões físicas. Bata à vontade, mas não a ponto de matar, que se não interfere num outro mandamento aí. Devem ser essas as “bases cristãs” que a pessoa acima citou...
Aparentemente todos esses comentaristas do Estadão apanharam na infância, e dá pra notar como funcionou para que se tornassem adultos tolerantes e livres de preconceitos. Pessoas com caráter!
Se você bate no seu filho, você está do lado deles. E de um cara como o deste vídeo (Prates é conhecido em SC porque tem uma coluna no Diário Catarinense e no Jornal do Almoço, da RBS), que não apenas defende a “pedagogia da cinta”, como também a pena de morte e a ditadura militar. Quase nenhuma pedagoga, psicóloga, doutora em educação é a favor da palmada. Mas eles são. Continue com suas opiniões, desconte suas frustrações no seu filho, fique nessa ilusão que você está educando-o, mas saiba: você não é muito diferente de um Prates. E, se você fica com medo ao ver alguém alterado como um Prates (eu sei que eu fico), lembre-se que seu filho te vê assim quando você vem com o chinelo na mão pra cima dele.
Ah, recomendo o post do Sakamoto.

72 comentários:

Luma Perrete disse...

Os EUA não é o único país desenvolvido que tem pena de morte. No Japão também tem para crimes tipo homicídio.

Também não acho que crianças devam apanhar. O problema é que muita gente tem filho e depois tem preguiça de educar, porque dá trabalho e leva tempo, mas se não tem essa disposição, não deveria ter tido filhos. Eu apanhei pouquíssimas vezes quando era criança (palmadas, na maioria das vezes). Uma amiga minha apanhava pra caramba. Já vi ela e os irmãos levando surra de mangueira, chinelo, cinto, o que o pai tivesse por perto. Eu cresci e me considero uma cidadã exemplar. Ela cresceu, se envolveu com drogas e traficantes e teve que fugir pra não ser morta. E há quem ache que bater nos filhos é uma fórmula mágica. Se a pessoa não tiver uma base em casa, não há surra que resolva.
Sem falar que eu acho que bater cria outro problema. A criança deixa de fazer coisas erradas com medo da punição, não porque essas coisas são erradas. Então acho que cria o pensamento de "se ninguém me pegar, então está tudo bem fazer coisa errada". O que eu tento ensinar pros meus irmãos é que eles devem sempre fazer as coisas certas e não fazer coisas erradas porque elas são erradas por tais motivos.

Sem falar que a criança não pode se defender, né? Da mesma forma que antigamente a esposa era considerada propriedade do marido e ele podia fazer o que quisesse com ela, hoje é assim com as crianças.

Simone disse...

Lola,
Concordo plenamente com o educar sem bater. Tenho 27 anos e entre todos os meus amigos sem dúvida fui a que teve a educação mais rígida. Entretanto, NUNCA apanhei na vida. Em minha infância aprendi sobre regras, respeito, limites, sem nunca ter levado nem mesmo uma palmadinha. Meu pai foi duro e rígido comigo e minha irmã Sou uma prova de que é possível sim educar em bater. Tanto que sempre achei um absurdo essa história dos pais baterem nos filhos, e nunca bateria num filho meu.

Jaquee disse...

Bem, eu já não sou mais criança (16 anos é muita coisa!) mas não faz tanto tempo que deixei a infância, por isso mesmo lembro-me das palmadas que levei e até mais que isso, mas nada exagerado. Não me deixou trauma nenhum mas, da mesma forma não me ajudou em nada e nem ajudou na formação do meu caráter. Meus pais são contra essa lei, assim como boa parte dos pais que conheço, mas talvez seja por falta de entendimento do que seja realmente essa lei.
É bom ler teu blog, com isto passo a ter uma visão mais ampla de um monte de assuntos. Obrigada por escrever.

Lord Anderson disse...

Lola, que bom que vc retomou o assunto. É algo que não pode deixar de ser discutido.

A minha familia mais ampla era bem conservadora, do tipo que acha que bater é igual a educar.

Felizmente meus pais foram por um caminho diversso, e apesar de sim, baterem em mim e minhas irmãs, foi com uma frequencia bem menor e sempre seguida de conversas explicando pq oq fizermos era errado e oq era o correto a ser feito.

Embora isso não tenha impedido alguns surras provocadas por explosões emocionais...

Por qualquer angulo que vc olhe, eficacia do metodo, respeito a crinaça como ser humana, empatia, etc, bater não é o caminho.

Educar é trabalhoso e frustrante, eu sei, mas tanta coisa na vida da gente é. Não é justamente aqui que podemos nos dar ao luxo de querer que tudo se resolva rapida e simplismente com uma pancada.

SandraM disse...

Conto nos dedos as vezes que recebi palmadas enquanto filha, e quantas palmadas dei como mae. A favor da lei e contra as surras sim. Barbarismo puro. Tapa na cara entao merecia prisao.
Linda, vi esse video e lembrei de voce. Acho que voce vai gostar. Do filme enquanto experimento e nao do resultado, claro.
http://www.dailymotion.com/video/xe33hy_bater-em-mulher-pode_shortfilms#from=embed

Anônimo disse...

Sou contra todo tipo de violência, mas não posso deixar de observar que, ironicamente, esse tipo de lei age com os pais da mesma forma que estes agem ao bater no filho: adestrando em vez de educar.
(idem para a lei seca)
Tenho medo de que tipo de sociedade essas leis pretendem criar, estimulando a obediência em vez da racionalidade.

Leila Silva disse...

Como disse Saramago, a bíblia é um manual de maus costumes.

Vi uma enquete na folha sobre o assunto e mais de 70% das pessoas que responderam se posicionou a favor da punição física. Fiquei horrorizada e cada vez mais acho que tem muita gente por aí muito despreparada para ter uma família, ou pelo menos filhos, deviam pensar duas vezes antes de por alguém no mundo, duas não, dez, vinte, quarenta...

Lord Anderson disse...

Anonimo.

Tb acho importante discutirmos os limites que qualquer governo tem em atuar sobre a vida privada das pessoas.

Nem que seja pela simples impossibilidade de colocar um "supervisor" dentro de cada casa p/ ver se estamos nos comportando "corretamente" (ao menos por enquanto com a evolução da tecnologia de vigilancia nem sei mais).

Porem, existe a muito tempo discussão sobre a violência "educativa". Essa lei não apareceu do nada, do dia p/ noite, e sim fruto de muitos questionamentos.

Acho que o mais importante agora é justamente reacender o debate e tentar fazer os pais/responsaveis pararem e considerarem outras alternativas.

Pena que os depoimentos colocados pela Lola, mostram que nem pensar a respeito algumas pessoas querem.

Umrae disse...

Outro dia passou alguma coisa relacionada a esse projeto na televisão e comecei a comentar com ele sobre o assunto. Adivinha qual foi a reação dele:
"O que eu acho é que o governo não tem que ficar se metendo na vida dos outros!"
E semana passada o pessoal aqui no trabalho estava falando disso. Uma das pessoas aqui estava contando que uma vez o filho estava fazendo birra e lançou a famosa "Eu não pedi para nascer!", e ela respondeu: "Exatamente, você nasceu porque eu quis, então você é meu e tem que fazer o que eu mando". Eu fiquei embasbacada de ter que ouvir alguém dizendo um negócio desses como se fosse normalíssimo e como se fosse um argumento brilhante.

Surra muitas vezes é falta de argumento mesmo. É o que vem na hora em que os pais cansam de ter que explicar e ensinar, ou quando eles não têm uma justificativa válida. Fazem porque dá menos trabalho para eles, não porque seja bom para o caráter de ninguém. É a gambiarra da correção, aquele ajuste temporário porque não se sabe o jeito certo de resolver, que só vai dar mais problema depois.

lola aronovich disse...

Leila, pois é, vi a pesquisa da Folha hoje. Pelo que entendi (porque li por cima, e agora só está acessível para assinantes do jornal), a maioria, 54%, se posicionou contra o projeto, e um número bem alto, a meu ver, 36%, é a favor. Os 70% é de brasileiros que já apanharam. Ou seja, maioria absoluta, bem como eu pensava. Bater pra educar ainda é costume forte no Brasil. Mas, pelo jeito, muitos dos que apanharam são a favor do projeto...

Gente, estou adorando os comentários. Continuem, please!

Flovi disse...

Também sou a favor dessa lei. Também apanhei quando criança e guardei muito ressentimento. Hoje passou, mas ainda assim não foi nada legal apanhar, e olha que eu não apanhei muito.

Ontem eu estava conversando com um amigo indiano, e vou tentar reproduzir o diálogo aqui:

Ele: Sabe, a maioria das pessoas que eu conheço que imigram para os EUA ficam lá no máximo cinco anos para juntar uma grana e depois voltam.

Eu: É mesmo?

Ele: Sim. Basicamente, porque é muito difícil criar filho na América.

Eu (surpresa): Comassim é muito difícil criar filho na América?

Ele: Ah, é difícil demais. Os americanos não tem valores, assim...

Eu: hmm vc quer dizer que os indianos vão pros EUA, e tentam voltar o mais rápido possível para que os filhos não se contaminem com a cultura ocidental?

Ele: Mais ou menos. Veja o caso da minha prima. Ela voltou pra Índia três anos depois de ter se mudado pros EUA. Ela planejava ficar lá uns dez anos mas não deu. Tudo porque ela bateu na filha e a menina ligou pra polícia. Onde já se viu isso?

Eu: Ué, a menina fez certo, não?

Ele: Mas isso é um absurdo! Ligar pra polícia? Eles fizeram certo voltar mesmo, a educação lá não presta. Tem que bater pra educar!

Daí eu comecei uma longa discussão e no final ele acabou concordando comigo que realmente há outras saídas mais eficazes para corrigir crianças. Mas eu fico pensando, essa mentalidade retrógrada existe desde muito tempo e mudar isso vai ser bem difícil. Aí no Brasil as pessoas se apoiam na Bíblia. Por aqui vemos que é praticamente uma tradição hindu bater nos filhos. Sem contar a naturalidade com que muita gente aqui encara a violência contra crianças e mulheres. Inclusive as vítimas acham isso natural, pq não conhecem outro sistema mesmo :-(

Tanize Monnerat disse...

Concordo com o anônimo.

Acho muito fácil para nós, do alto das nossas graduações acadêmicas, vivências urbanas e não religiosas e com acesso a diferentes fontes de informação (que não apenas a Veja e o JN), dizermos que bater não traz benefícios. Já ouvimos isso inúmeras vezes!
Mas muita gente ainda não consegue entender isso, porque é um hábito muito antigo, que não se muda da noite pro dia.

Por isso apoio a lei sim, mas muito mais que isso apoio uma tentativa de educação pública nesse sentido. Vamos gastar com publicidade que seja educativa!!

Lily Dragon disse...

Bater nas crianças, na minha opinião, é justamente quem tem preguiça de educar, e não quem está educando. Educar exige paciência, carinho e diálogo para mostrar para a criança o porquê de seu comportamento ser errado, e, se houver a necessidade de um castigo, que ele seja compatível com a "infração".

Já quem bate é porque a educação falhou. É bastante raro ver aquela mãe ou pai que pega o chinelo calmamente com uma expressão serena, para bater no filho - geralmente esse bater é um descontrole emocional dos pais, mascarado por um falso pretexto de "educação".

Eu só não entendo como o pessoal que é contra essa lei ainda se denomina CRISTÃO. Gente, até os pastores sensatos dizem "como os hebraicos não tinham códigos de leis ou de comportamento que fossem fora da religião, acabava que todos os costumes deles foram parar na Bíblia. Ou seja, lá você tem os ensinamentos de inspiração divina, mas você também tem muita coisa datada e anacrônica.

Agora, quando dizem "ensina à criança o caminho em que deve andar, pois quando for velho, não se desviará" - e não "dê porrada pra criança seguir o caminho certo".

Caríssimos cristãos, se vocês querem dizer que seguem uma religião revolucionária, pautada por um cara que pregava o amor acima de tudo,a solidariedade e a não-violência, então tem que começar em casa, e não usar a religião como um escudo para justificar o conservadorismo e a barbárie.

Mas enfim. É isso que dá quando você descontextualiza totalmente um livro, usa de escudo para justificar qualquer baboseira irracional e conservadora, e ainda quer que o resto da humanidade faça o mesmo... >.<

Ludmila disse...

Um detalhe interessante: a mídia está chamando o projeto de 'Lei da Palmada' (está na capa da Folha de hoje). Interessante, não? Fica parecendo que os pais não poderão 'encostar' nos filhos. Não que uma palmada seja justificável, porém a imprensa 'minimiza' a agressão física ao menor e questiona se a lei não é intrusiva. Na mesma capa a Folha publica o seguinte depoimento: 'tomei poucas e foram bem dadas. Há coisas que não adianta tranferir para a lei', Secretário de DIREITOS HUMANOS da Prefeitura de SP. (A população de São Paulo está super bem servida...) Vale ressaltar que o texto do projeto de lei diz: 'estabelece o direito da criança e do adolescente de serem cuidados sem o uso de CASTIGOS CORPORAIS OU DE TRATAMENTO CRUEL E DEGRADANTE'. É bem diferente de 'uma palmadinha' não? Acho que o importante é justamente avaliarmos qual o objetivo da lei e o que queremos para nossa sociedade. Leis não mudam a realidade no momento em que são sancionadas, mas podem, ao longo do tempo, influenciar os cidadãos a fazer uso de boas práticas de convívio. Elas podem nos ajudar a evoluir, se deixarmos, é claro.

Pri Sganzerla disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Pri Sganzerla disse...
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Roberta disse...

Adorei seu texto Lola
Vc sempre desenvolve o tema tão bem
Parabéns

Marlena disse...

Meu pai nunca me bateu, a discipina em casa era tarefa da minha mãe de quem apanhei muito, das mais variadas formas - surras com correia de máquina, palmatória, chinelo etc. Minha mãe apanhou muito de minha avó, que apanhara muito de minha bisavó. Este círculo se fechou quando, bem jovem, tive meu único filho, a quem eduquei e disciplinei sem agressão física ou moral. Mesmo quando era bem pequenino e fazia birra, disciplinava-o apenas mudando o tom da voz, que se tornava mais grave e firme, sem a necessidade do grito. À medida que crescia, estimulei-o a dizer o que sentia e gradativamente desenvolvemos um relacionamento baseado no diálogo e na confiança. Jamais chamei sua atenção na frente de terceiros, nem mesmo de alguém da família; até hoje considero muito humilhante submeter qualquer pessoa - especialmente crianças - a esse tipo de situação.
Hoje meu filho tem quase 30 anos e é alegre, bem sucedido, otimista, auto-estima elevada, atencioso, com baixo grau de julgamento das pessoas, equilibrado. Compartilha comigo a mesma idéia de educação e pretende criar seus filhos da mesma forma que o eduquei. Não tenho mágoa alguma de minha mãe, eu a amo, mas a única coisa boa que aprendi com as surras que levei foi exatamente a educar meu filho de maneira oposta a que ela me criou.

lola aronovich disse...

Pri, que legal o seu depoimento! O que mais me chamou a atenção foi essa parte: “Olha o absurdo: ela não se machucou mas EU fui lá machucá-la, dando as 3 chineladas!”. Isso é algo que eu penso bastante. Apesar de nunca ter apanhado, lembro sempre do escândalo que meu amado pai fazia sempre que eu me machucava, ou me colocava no risco de me machucar. Eram gritos, algumas ameaças... E eu sempre tentava lembrá-lo que o que ele estava fazendo doía mais do que o meu machucado físico, ou se eu tivesse me machucado. E olha que nunca quebrei nada do corpo, nunca tive mão ou perna enfaixada nem nada! Mas a reação dele sempre me parecia irracional. Entendo que deve ser muito comum isso — afinal, os filhos são, pra maior parte das pessoas, a maior fonte de amor e carinho, e os pais querem (e devem) fazer de tudo pra protegê-los. Mas me parece uma reação estranha... a criança cai, bate ou raspa alguma parte do corpo, e a gente briga com a criança?! Sei que depois vem o consolo, o “vc está bem?”, o “já vai passar”, mas o primeiro momento geralmente é uma explosão de raiva da parte dos pais. E, se os pais têm o costume de bater, essa explosão vem em forma de violência física. E vcs que têm filho, me digam: criança é um bicho tão tonto mesmo, que vai cometer o erro de se machucar sozinha da mesma forma muitas vezes? Quer dizer, não tô falando de colocar o dedo na tomada... Eu não me lembro de ter feito essas besteiras quando era pequena. A maior parte dos meus machucados aconteciam por acidente mesmo (cair, escorregar etc. Normal!).

Marlena (e outras), parabéns por conseguir romper o círculo vicioso de que quem apanha quando criança bate nos filhos quando adulto. Isso não deve ser nada fácil. É preciso muita análise e auto-crítica!

Todos os relatos de vcs são excepcionais! Tenho o maior orgulho das minhas leitoras e leitores.

Ludmila disse...

Pri Sganzerla, assino embaixo de suas excelentes palavras: "Escolhi por outros motivos e sou feliz por ser mãe - e isso não me torna um ser idiotizado que só vê o lado colorido da função." :-)

Pri Sganzerla disse...

"criança é um bicho tão tonto mesmo, que vai cometer o erro de se machucar sozinha da mesma forma muitas vezes? "

hahahahahaha Adorei!

Pois é... As crianças são é muito inteligentes! Pois elas sempre estão inventando novas maneiras de se machucarem! rsrsrs Brincadeira.

É uma questão de entender a respeito do amadurecimento infantil em várias esferas. A criança vai apropriando-se do seu corpo aos poucos. Tenho noção do esquema corporal e de como ocorre seu manejo no espaço físico. Vai compreendendo os perigos na prática (ou seja, caindo e se machucando) e também na teoria (os pais martelando na cabeça delas o "não chega perto da janela" (que tem grade), "olha pros dois lados ntes de atravessar" (segurando nas mãos).

Enfim, criança não é um bichinho idiota. Temos que equacionar (1) o fato de existir exploração necessária que promove a aprendizagem e (2) a nossa tendência a achar que criança é mini adulto com toda a consciência corporal, cognitiva e emocional que um adulto tem.

A nossa função é intermediar a relação da criança com o mundo propiciando um espaço seguro e confiável, para que ela vá se desenvolvendo em todas as esferas: física, emocional, intelectual, etc. E isso se faz estabelecendo uma relação que não deve ser pautada na violência ou no discurso vazio não seguido de exemplo. Mas com amor, firmeza aos mostrar limites e sendo genuíno ao transmitir valores nos quais acredite.

No mais, acho mesmo terrível os pais que quando a criança se machuca ficam bravos ao invés de acolher, socorrer e depois orientar. Já ouvi uma mãe dizendo: "Se você se machucar, antes de te levar pro hospital, te dou uma surra!" hahahaha ABSURDO!

Pri Sganzerla disse...

Pois é, Ludmila... Vejo algumas pessoas romantizando a questão e fazendo parecer que tudo é "um mar de rosas". Não é - fato. É gasto de dinheiro, abdicar da liberdade em muitos momentos, enfim, não é essa coisa cor de rosa que vendem pra gente. Por isso é importante ter consciência de que é possível ESCOLHER viver essa experiência. Não é obrigação. É apenas UMA das várias experiências que podemos ter no decorrer da nossa existência, não é? ;-)

Leticiabon disse...

Sou a favor desse projeto de lei. Palmada ou surra não adianta nada. Essa história da comida, por exemplo, eu concordo com você. obrigar a comer e coisa de doido.

Lia disse...

Tortura e Pena de morte fazem sim, parte de nossa constituição. O detalhe é que estão PROIBÍDAS pela constituição.

Ah, queria te agradecer por me iniciar no maravilhoso mundo dos filmes do Michael Moore. Eu já tinha ouvido falar, mas nunca fui atrás. Agora que aprendi a fazer downloads (segredo nosso, viu) baixei todos os filmes dele.

Eu tb to adorando ver como vc tem se adaptado à minha cidade. Vivi lá minha vida inteira, até os 23 anos, quando saí pra fazer cursos fora e só volto de férias. Eu morava ali do lado, no Bairro de Fatima, numa paralela à Treze de Maio, e ia caminhando pra casa de cultura, e pra FEEAC. Que saudade! Muito gostosa aquela área, nao?

Anália disse...

Oi, Lola!
Acho ótimo que o Governo tenha trazido à luz a questão da violência contra a criança. Bater como forma de educar é errado e deveria ser mal-visto e punido. Eu me lembro num aeroporto de um casal com 3 filhos: dois meninos de 10 e 7 anos e uma menininha de 1 ano. O menino mais velho, brincando com o irmão, sem querer esbarrou na menina, que estava no colo do pai. A menina começou a chorar. O pai olhou tão feio para o menino, que ele fez xixi nas calças. Eu fiquei horrorizada, com certeza aquele menino apanhava muito do pai.
Por outro lado, existem situações onde não vejo alternativa senão uma palmada. Muito naquela fase birrenta das crianças, lá pelos 3 anos, quando um adulto não tem mais força para segurar e conter a criança e ela está se colocando em risco ou colocando outra pessoa em risco. A única vez que dei uma palmada no meu filho foi numa situação dessas: estávamos na fila do supermercado e ele estava brincando com o portãozinho de ferro do caixa tentando fechá-lo repetidamente, com muita força, sobre a perna da mulher que estava na nossa frente. Não havia como ela se afastar, não havia espaço para que eu conseguisse me interpor entre ele e o portão, eu já o havia mandado parar algumas vezes e ele já era pesado demais para que eu o conseguisse conter no ataque de birra que viria. Dei-lhe uma palmada pois tinha que fazê-lo parar de machucar a pessoa na nossa frente, pô! Tb já vi uma situação de uma amiga tentando tirar a filha de uma piscina. A menininha começou a fazer a maior birra, a se jogar para trás, etc, etc. Num ambiente escorregadio e correndo o risco de ferir a cabeça gravemente contra os azulejos da borda da piscina. O que fazer?
Eu acho que o tema devia ser mais discutido...
Bjs,
Anália

Umrae disse...

Eu tenho curiosidade de saber qual a melhor forma de agir nesses casos de birra extrema (vulgo criança que se joga no chão do supermercado gritando e esperneando, essas coisas). Eu não tenho filhos mas talvez um dia tenha um, e eu não entendo nada de lidar com crianças pequenas. Bater é errado, mas o que é o certo a fazer? Li uma vez em um site de uma pedagoga que tinha que deixar ela berrar até cansar e ver que não vai funcionar. Mas vocês que tem mais experiência nisso (já que aqui tem várias mães e pedagogas também, pelo que já percebi): é mesmo o certo? Tem algo que funcione melhor? E como fica a questão das outras pessoas que estão se sentindo incomodadas (aliás, me senti mega culpada depois que eu li isso, porque sempre que uma criança fazia isso onde eu estava, eu olhava muito feio para os pais porque eles não faziam nada a respeito, e, de repente, eles que estavam certos)?
Como lidar?

João disse...

Opinião de quem criou dois filhos que agora, na adolescência, fase mais difícil da vida, são muito educados, reponsáveis, respeitosos e felizes (que se dão muito, muito bem comigo, mas, ao mesmo tempo, demonstram o respeito que devem demonstrar a um Pai): ninguém fica traumatizado ou debilitado piscologicamente por levar uma palmada. (Dizer isso é terrorismo medíocre!)

Acho todo radicalismo execrável. Todo! Não estou dizendo que se deve bater até conseguir o que se quer; estou dizendo que qualquer radicalismo deve ser evitado! Claro que uma criança ou jovem que leva um tapa de um pai ou mãe pode ficar aborrecido, na hora até diz que odeia a pessoa, mas isso também pode acontecer com o adolescente cujo pai ou mãe o põe de castigo, que não bate. Seja qual for o corretivo que se dá a um filho, deve-se explicar o porquê; isso é muito importante. Quem não tem filhos é cheio de teorias (claro, não preciso ir a Cuba para detestar aquele regime! Posso conhecê-lo sem ir lá); entre os que educaram filhos, há dois grupos: os que aceitam a palmada e os que não aceitam. Em qualquer dos casos, repito: extremismo em qualquer dos lados é maléfico. Só isso.

Outra coisa: não acho necessário que todos precisem educar da mesma maneira. Fato: uma grande parte dos que têm filhos não está preparada psicologicamente para isso. Por consequência, muitas das atitudes que esses pais e mães tomam (ou que deixam de tomar) estão relacionadas a isso.

João disse...

Umrae,
deixar a criança gritar num ambiente onde há outras pessoas até ela cansar me parece a pior hipótese possível. E o que me espanta é que um estudioso tenha dito isso... Imaginem só você estar num ambiente onde isso acontece e os pais esperam que a criança se canse e pare. Ela deve ser levada dali e ensinada como se portar em público (provavelmente isso acontece em casa também...).

Cinthya Rachel disse...

Parabéns pelo texto, assino embaixo. Quem bate é pq não tem controle sobre a criança. Não digo que é fácil educar, mas as pessoas tem filhos pra isso, ou não?

Umrae disse...

João: a autora do texto mencionava que há algumas crianças que fazem a birra porque não querem estar/ficar no lugar e sabem que isso funciona para que elas sejam levadas embora, ou seja, a birra funcionaria para que essas fossem atendidas, ainda que tivessem que enfrentar algum castigo, que provavelmente seria menos pior do que ter que aturar a situação tediosa (eu não duvido muito não de que tenha crianças que realmente façam isso com esse objetivo, sei lá, quando criança eu provavelmente preferiria ficar de castigo em casa do que umas 3, 4 horas em pé em algum lugar muito chato tipo uma fila de repartição pública ou uma loja de material de construção).
Mas e nos casos em que se está sozinho com a criança, aguardando alguma coisa importante, como por exemplo uma consulta, ou numa fila imensa para resolver algum assunto burocrático, e em que não se pode sair dali naquele momento?
(Só estou colocando situações e problemáticas diferentes porque quero ler as possíveis soluções, por curiosidade mesmo, porque é uma questão extremamente complexa, ao meu ver).

Vanessa Andretto disse...

Minha mãe tem uma opinião forte sobre "bater pra educar", se funcionasse, todo mundo da família dela tinha virado doutor. Nem preciso dizer que não foi o caso? E não só se tratando de educação formal, mas tem algumas pessoas da família que ignoram totalmente questões de ética.

Lendo os comentários que vc citou, fiz uma associação sobre educar e jardinagem. Se uma planta nasce torta, vai resolver dar uma paulada todo santo dia pro outro lado e ver se resolve? Quem cuida de plantas ou convive com quem gosta delas (como aqui em casa) sabe que pra uma planta pra crescer pra cima precisa de uma estaca que a conduza todo dia pro lugar certo, além de água, luz, vento, tudo na medida. E sabe mais ainda que pra não se perder uma planta é preciso muita disciplina e paciência, zelo e dedicação. E dá um trabalho... Infelizmente as pessoas não querem ter trabalho, nem disciplina nem nada, querem resolver tudo imediamente, criando esses pequenos "montros" consumistas que só precisam de um pouco de atenção.

Acho que aquela analogia de que quem cuida de uma planta sem matá-la pelo excesso ou falta de cuidado pode ter um filho é bem correta.

P.S.: Acompanho seu blog há um bom tempo e recomendo pra todo mundo. Vc é fantástica.

L. Archilla disse...

Dizer que intelectual que nunca teve filho não pode dar palpite na educação infantil é igual dizer que oncologista que não teve câncer não deve trabalhar nessa área... sem comentários.

Umrae, eu também olho feio pra criança que faz escândalo em lugar público, seja mercado, ônibus, igreja, o que for. Me incomoda profundamente, dá vontade de bater na criança, no pai e na mãe. Mas vou te falar uma coisa: dificilmente uma criança que é bem orientada faz isso mais que uma vez. Ou seja, você conversa antes de sair, explica que vai ter que se comportar assim e assado e os porquês. Avisa que se as regras forem violadas, ficará de castigo. Se ela der showzinho, por exemplo, pra comprar algo no mercado e no fim os pais cederem (é o que geralmente acontece), pronto. Show garantido em todas as visitas ao mercado - idem para bater porém comprar o que ela queria. Se não e ainda derem castigo, dificilmente ela insistirá naquela atitude. Se todos os pais agissem assim, seria bem mais raro presenciar cenas como essas em locais públicos.

O que me irrita são os absurdos que a gente vê por aí... outro dia a recepcionista de uma clínica estava com o filho pequeno junto ao balcão (a irmã viria pegar mais tarde, ou algo do tipo). O menino queria mexer no telefone, ela tirava a mão dele e dizia: "não pega aí que dá choque" - e em seguida pegava no aparelho. Aí reclama que o filho não obedece e "tem que dar palmada". Sem falar no "não faz isso que a moça vai brigar com você". Quando a "moça" sou eu, tenho vontade de falar: "não vou, não, quem devia fazer isso são os irresponsáveis dos seus pais".

Vanessa Andretto disse...

Umrae,

Aqui em casa somos três irmãos e cada um teve direito a uma birra na vida. Quando cada um fez a sua, minha mãe se afastou silenciosamente (ela anda feito gato) e se posicionou num lugar em que pudesse nos ver sem ser vista. Assim cada um de nós aprendeu, no seu tempo, que a birra além de não funcionar, faz a gente passar uma vergonha danada. Isso que a especilista falou funciona sim e não cria um monstro que vai fazer um auê por causa de uma bala. Minha mãe ainda adicionou o elemento vergonha, que eu me lembro de Desperate Housewives ter abordado láá nas primeiras temporadas como um método "educacional" tanto pra crianças como adultos.

E sobre apanhar, seja com força ou não, a lei fala sobre humilhação e degradação. Eu preferia muito mais ter levado 100 cintadas na bunda do meu pai do que um tapa na cara que ele me deu e preferia também apanhar da minha mãe a ouvir dela uma ameaça de bater pregos nas minhas orelhas caso eu não parasse de colocar meu cabelo atrás delas. Isso foi educativo?

lola aronovich disse...

Obrigada, Vanessa! Gostei da analogia da planta!


Lau, vc disse: “Dizer que intelectual que nunca teve filho não pode dar palpite na educação infantil é igual dizer que oncologista que não teve câncer não deve trabalhar nessa área... sem comentários.”
O exemplo que eu sempre gosto de dar pra esse discurso do “só quem passou por isso pode opinar” é: então ginecologista só pode ser mulher, certo?

Clara Gurgel disse...

Umrae, estou de férias na casa da minha cunhada e, ela usa esse método de não se deixar impressionar pelo "chororô" das crianças. Só que, ao contrário de "deixar a criança chorando até cansar", ela vai conversando com a criança. Fala que tem todo o tempo do mundo para esperar a criança parar de chorar, que não poderão continuar o passeio enquanto a birra continuar,relata tudo que a criança estaria perdendo por estar chorando...(e ela para mesmo, senta com a criança e fica esperando) enfim, vai conversando, conversando, sempre no mesmo tom de voz até que, é impressionante mas no final ela sempre consegue contornar a situação e, sem ganhar a inimizade da criança.É sensacional! No final, dá até vontade de aplaudi-la.(rsrsrs) Quando venho para cá faço "verdadeiros workshops" nessa área de educação infantil. Aprendo muuuito!!!

Pri Sganzerla disse...

Confesso que tenho total aversão à criança "chiliquenta" e birrenta. Mas mais aversão ainda tenho das mães e pais que usam essa "técnica" de deixar a criança berra até cansar. Falta de noção pura! Se quiserem fazer isso em casa, quando somente eles vão ouvir os berros, tudo bem. Mas forçar pessoas de um mercado inteiro, uma loja, uma sala de espera ou um avião a ficar ouvindo escândalo de criança é falta de educação pura! Falta de senso!

Criança é inteligente, se ela perceber que consegue as coisas através da birra, claro que ela vai usar essa tática sempre que quiser alguma coisa. Por isso é uma questão de educação: fez birra, os pais não devem ceder, senão vai virar um círculo vicioso infernal.

Cada um descobre o que serve para si numa hora dessas. No meu caso, quando minha filha estava nessa fase de 3, 4 aninhos e ensaiou um draminha desses, eu a peguei de lado, conversei, expliquei e disse que se ela continuasse, além de ficar sem o brinquedo preferido por 1 semana, eu ficaria bastante triste por ela me incomodar e incomodar todas as outras pessoas que estavam no local. Ela repetiu a tentativa de birra por outras 2 ou 3 vezes em momentos diferentes. Depois viu que não daria certo e parou. Nunca mais aprontou isso. Agora ela tenta cobnseguir as coisas através da fala, da argumentação, de vencer pelo cansaço. Eu uso os mesmos argumentos: a fala e a argumentação.

Fazer o que a criança quer pra se livrar do problema é ensiná-la que ela está utilizando a técnica certa para obter o que deseja. Aí é que se perde o controle...

Sim, educar dá trabalho. É cansativo... rs Trabalho sem fim!

L. Archilla disse...

verdade, Lola! ótimo exemplo! (fico pensando em que tipo de vivência os veterinários deveriam ter...)

bruna disse...

eu não consigo ter opinião sobre o assunto. minha mãe me batia, diz ela que sempre "teve um motivo" pra isso, mas eu não lembro de quase nada da minha infância, então... a última vez que ela me bateu eu tinha 15 anos, ia viajar pro exterior no outro dia, ficar semanas fora. ela me deu um tapa no rosto por absolutamente nada e não foi me levar no aeroporto nem nada, praticamente desligou na minha cara quando eu liguei pra avisar que tinha chegado e tinha dado tudo certo com o vôo. meu pai nunca me bateu, pelo que eu lembre, mas POR NADA ele rasgou meus gibis "mais raros" quando eu era criança, na minha frente. ficou super arrependido e colou todos com fita durex e me pede desculpas até hoje. mas... não sei, acho que os tapas que eu levei não marcaram muita coisa, não. o pior foi agressão verbal, mesmo. tapa dói na hora e passa, nunca me importei muito. agora, ouvir que tu deveria nem ter nascido, que tu é louca, que tu isso, tu aquilo... daí não dá, fica pra sempre. volta e meia, em horas de crise, lembro e chooooro. então... não sei. não consigo ter opinião formada. quando minha madrasta dá palmadas na minha irmã eu fico muito, muito brava. acho ridículo. mas realmente, nunca me importei muito com as que eu levava...

Machão disse...

caraca lolinha, tu já viu a delegada lindona que ficou responsavél pelo caso Rafael Mascarenhas ?

mó filezão, dificil de acreditar que uma mulher bonita quis uma profissão assim.

fiquei encantado com o jeito dela se articular, eu nem prestava atenção no que ela falava, só ficava olhando pro rosto dela =~

DH disse...

Lola, alguém já viu (ou indicaram) isso:
http://www.casacinepoa.com.br/o-blog/jorge-furtado/dez-falsas-raz%C3%B5es-para-n%C3%A3o-votar-na-dilma

?

Anônimo disse...

Lola, esse assunto mexe um pouco comigo... digo um pouco pq nunca apanhei msm, segundo a minha mãe... ela e o meu pai tiveram uma pancada de filhos, eram bem jovens e foram educados na base da porrada. Meus irmãos mais velhos tiveram menos sorte nesse quesito.
Sei q minha mãe fez um aborto antes de mim por pressão do meu pai, mas qdo ficou grávida de mim, ela bateu o pé... ele nunca me bateu (talvez por consciência pesada, mas no meu irmão mais novo ele já bateu com o q tivesse à mão), só tentou uma vez, já ela vive dizendo q tenho sorte pq "eu nunca apanhei". Não é bem verdade, pq ela meu deu alguns tapas qdo eu era pequena e chegou a me dar chinelada na adolescência... ela contava sempre em tom de piada do episódio da chinelada, só parou qdo eu disse o quanto era humilhante... já me envergonhou uma vez qdo ameaçou me bater na frente de visitas em casa (e eu já tinha 15 anos) e se permitisse, me bateria até hj pq qdo a gente discordava ela vinha pra cima de mim mesmo eu já sendo adulta. E nem motivo tinha, tipo, nunca avancei nela pra agredir nem nada parecido... até hj ela acha q educar é bater...

Ainda bem q não tenho filhos, pq até os meus 23 anos eu tinha quase a msm opinião q ela... hj qdo cuido do meu sobrinho, posso dizer q já dei umas 3 palmadas nele e foi o suficiente para me arrepender...eu faço o possível para tratá-lo com respeito, mas sou firme o suficiente para estabelecer limites, não gosto desse negócio de chamar a criança de "besta", de mandar calar a boca, ou de ameaçar com tapas, principalmente na frente de estranhos.
Minha mãe não tem paciência nenhuma com o meu sobrinho, quando ele teima ela grita e fica falando sem parar o quanto ele é malcriado, desobediente... eu não quero ser assim... agora, vai falar pra alguém assim e dessa idade sobre isso... Pra ela, não tenho filhos e tenho metade da idade dela, não tenho razão nenhuma...
(foi mals o livro q escrevi...)

Rita disse...

Meu bedelho: criança faz cena quando tem público. Em caso de birra, retiro a criança para um lugar seguro (o quarto, uma sala; se acontecer fora de casa - nunca aconteceu - vou ver o que faço) e aviso que ela pode voltar para perto de nós quando parar de chorar. E peço que ela chore mais baixo porque eu não estou interessada em ouvir o choro. O choro sempre cessa após poucos minutos, porque não tem graça ficar lá chorando sozinho/a. Tem funcionado muito bem. :-) Temos até o "choródromo" aqui em casa. Ninguém quer ir pra lá, porque é muito chato. Hihihi... Claro, que isso funciona para as birras; choro legítimo é conversado, consolado e negociado, pq infância é tempo de sorrisos.

Bj, Lola. Excelente texto, viu? Tem certeza que vc num tem fihos? JOKING!

Rita

Geovana disse...

Olá Lola, sou totalmente a favor do projeto de lei como já comentei no outro post e como sou de Santa Catarina ouço frequentemente as barbaridades faladas por Prates. Eu não suporto mais ouvir as barbaridades que ele fala no jornal, e olha que não sou tão velha assim..hehe, tanto escrito quando televisivo, é deprimente, e assim como o próprio jornal do almoço em si isso acusa a decadencia na qualidade da informação. O jornal é ruim e fica fazendo sensacionalismo em cima de bobagem, e como nele se fala tudo, menos as noticias locais importantes nem o considero mais como um meio de comunicação. No caso do Prates somente se ouve idéias machistas, conservadoras... é a favor das palmadas, do trabalhos das crianças e tal. Como sempre Lola, ele integra o time dos conservadores que se esforçam em não modernizar suas tecnicas de educação, que apontam para a defesa dos direitos humanos, porque disciplina não é agressão fisica e trabalho infantil não é a realização de tarefas domésticas no próprio lar.

Umrae disse...

Bruna: com certeza, a agressão verbal deixa mais marcas. Coisas do tipo "Você só serve para me dar problema", "Eu não estou criando filha para ela ser um(a)(insira aqui xingamento de preferência) na vida", e tal machucam bem mais que palmadas.

Lauren: Hahahaha, "não faz isso porque a moça vai brigar com você" é ridículo, mas eu já ouvi várias vezes.

Legais as idéias anti-birra.

Talita disse...

Parabens a todos que quebraram o ciclo vicioso da educaçao atraves da violencia fisica e verbal. Essa è a parte mais dificil e a mais importante.
Alguém contou uma historia de um menino de 10 anos q fez xixi nas calças sò por causa de um olhar de repreensao do pai. Essa criança deve apanhar MUITO pra ter uma reaçao dessas. E' assustador. Me fez lembrar de um bonito filme espanhol "Te doy mis ojos" (è sò procurar no youtube) è um filme sobre violencia domestica marido/mulher mas tem uma cena q me fez lembrar a desse menino do aeroporto.
Outra pessoa falou sobre educar a populaçao atraves de propagandas na midia. Eu tenho certeza que essa è a forma mais eficaz de mudar um mau-habito. Eu sou de Curitiba e era pequena quando começaram a fazer a separaçao do lixo. Fomos bombardeados de propaganda que explicavam e incentivavam. Os caminhoes q recolhiam o lixo reciclavel passavam soando um sino e era uma festa entre a criançada do bairro que disputava entre os irmaos pra ver quem ia là entregar o lixo. A propaganda (muita na TV, nao apenas aqueles folhetos explicativos q terminam indo pro lixo sem serem lidos) foi efetiva para os adultos mas para as crianças se ultrapassou. Lembro bem de corregir a minha mae quando ela nao separava o lixo direito como falavam na tv. Eu acredito fortemente que as grandes mudanças sò acontecerao com uma boa educaçao às crianças. Sao elas que crescendo adultos conscientes quebram tantos ciclos viciosos.

Talita

Samantha disse...

Meu priminho é educado de uma maneira muito interessante, muito próximo ao método da Supernanny. Minha tia elaborou um quadro com estrelinhas, como recompensa para suas boas atitudes. Se ele faz algo errado, fica no cantinho da disciplina, que nada mais é do que um castigo.

Ele é um menino adorável, muito educado. Quando vem a casa de meus pais, não mexe em nada sem pedir antes e não faz bagunça. Quando ele começa a abusar, minha tia só dá uma olhada de "canto de olho" e ele já sabe que se continuar, vai para o cantinho da disciplina quando chegar em casa.

Minha tia conversa muito com ele, fala sobre tudo, fala inclusive sobre o perigo que alguns adultos oferecem, com relação a abuso sexual e físico (respeitando as limitações de conhecimento dele, claro, pois ele tem apenas 6 anos).

Se eu tiver filhos um dia, pretendo aplicar um método desse tipo. Sou contra palmadas, acho desnecessário. Crianças aprendem se conversarmos com elas.

Lord Anderson disse...

Falando em educar os pais, alguem viu isso?:

Mulher é espancada até a morte por
reclamar de travessura de criança

http://noticias.r7.com/sao-paulo/noticias/mulher-e-espancada-ate-a-morte-por-reclamar-de-travessura-de-crianca-20100724.html

João disse...

Samantha, que bom que você mencionou sem desprezar o programa Supernanny. Já assisti a ele algumas vezes e o considero dos melhores da televisão aberta no Brasil - afinal, temos tão poucos programas educativos, não é mesmo?

Lord Anderson, eu vi esse assunto numa reportagem de tevê. Achei muito, muito deprimente! Na reportagem disseram que a criança cuspiu na cabeça da moça e ela foi tirar satisfação com os adultos que acompanhavam a criança. Muito, muito triste! E a moça morreu pouco tempo depois em decorrência das agressões.

Vivien Morgato disse...

Vamos lá:


Eu sempre me perguntei, a babá que bate vai para a cadeia, a mãe que bate...educa?
Mulher não pode apanhar...mas criança pode?

NÃO PODE.


Defender a "palmadinha" - interesaante como os jornais estão usando o diminutivo...- e dizer "apanhei porque mereci", me desculpem os que discordam, mas é idiota.

Minha mãe foi criada sem tapas, eu fui criada sem tapas e meu filho foi criado sem tapas. Creio que meu futuro neto tb será criado assim.

Educar com dor é aglo inadmissível e os diminutivos não tornam isso mais palatável.

Ontem vi o José Neumane Pinto falando suas merdinhas habituais...pra ele, se chover, claro, é culpa do Lula.
E - segundo ele, um presidente não deve ser meter onde os pais tem autoridade, pois eles sabem o que fazem - ....ah, então tá.
Não vale a pena enumerar as atrocidades que pais e mães fazem com seus filhos diariamente...pois "eles sabem o que fazem".

lola aronovich disse...

Nossa, que horror esse caso, Lord! Esse da mulher espancada por um grupo de mulheres por reclamar de uma menina. Eu vi o vídeo, e nao consigo acreditar. Saiu em algum outro lugar?


Vivien, excelente colocação a sua: “Eu sempre me perguntei, a babá que bate vai para a cadeia, a mãe que bate...educa?”. Pois é, onde está a lógica? Quer dizer que pode-se bater numa criança apenas por ela ser sua? Ó o sentimento de posse falando mais alto que tudo! Esse mesmo sentimento de posse que é a causa por trás dos assassinatos de mulheres por parceiros e ex-parceiros...

Ághata disse...

HUahuahuahuahuahuahuahuahuahuha!
Lolinha!! Essa imagem aí contra a violência contra as crianças foi a que usamos num panfleto num dia de ação global e numa capacitação de professoras numa escola estadual! XD Não tenho certeza, mas acho que foi montada mesmo pela minha professora!
Que coincidência!
Huahuahuahuahuahuaha!

Mariana Bennemann disse...

Eu apanhei pouquíssimas vezes dos meus pais, mas foi o suficiente pra eu ter certo respeito (e confesso que medinho) da autoridade que eles impunham. E por ter medo, deixava de aprontar um monte de coisa que eu sabia que estava errado. Tudo bem, me educaram pelo medo, mas pelo menos eu não cresci e botei fogo em mendigos e nem sai espancando prostitutas por aí. Sei lá, não discordo totalmente com a parte de bater, eu discordo com a parte de espancar a criança, de deixar marcas, agora um tapa ou outro de vez em quando funciona, mas tipo os que meus pais me davam, que era mais pelo "susto" do que pra doer. Era pra impor limites, já que eu era bem desaforada também e teimosa e falar não adiantava muita coisa.

Lord Anderson disse...

Lola, João

Eu não vi em nenhum outro lugar, e fiquei abismado.

A violencia em si, a crueldade, e o exemplo.

Quer dizer, essas pessoas passaram p/ a crinaça que ela não só tem direito de fazer algo que desrespeite os outros como tb deve reagir com agressão se alguem for "besta" de reclamar.

Horrivel e emblematico.

Guilherme Scalzilli disse...

Porrada
Agredir crianças é torpeza indesculpável em qualquer circunstância. A defesa da infame “palmadinha” reproduz a tolerância popular com os abusos cotidianos praticados por autoridades públicas. Afinal, tem gente que “merece” levar uma surra dos policiais.
Qual seria o equivalente adulto da hostilidade educativa? Que tal desferir um tapa na cara de todo motorista que burla regras de trânsito? Ou apertar as banhas de quem joga lixo na rua com uma chave inglesa? E não é bom também dar umas cintadas na mulher, para ensiná-la a se comportar?
O lamentável disso tudo é que o demente, quando se torna pai, desconta as violências da própria infância em seres inocentes e indefesos, que não podem responder à altura. Na hora de encarar gente do seu tamanho, o machão afina.

http://www.guilhermescalzilli.blogspot.com/

Ághata disse...

"Tudo bem, me educaram pelo medo, mas pelo menos eu não cresci e botei fogo em mendigos e nem sai espancando prostitutas por aí."

Nossa, uma estrelinha para você. Ainda bem que foi apanhando e pelo medo que aprendeu a não pôr fogo em mendigos e espancar prostitutas.

Uma dúvida: tem certeza que os rapazes que cometeram estes crimes Não apanharam na infância.

Ághata disse...

Acho que pelos depoimentos deixados aqui no blog, é óbvio que, sim, palmadinhas (= violência doméstica contra crianças) deixam marcas e traumatizam. Isso não quer dizer que todas as crianças vão ficar ressentidas e traumatizadas. Não. Algumas podem encarar o caso de outra forma e se tornarem agressivas e autoritárias - exatamente como seus papais e mamães cheios de amor - e podendo até utilizarem isso no seu dia à dia, batendo ou amedrontando o coleguinha para obterem o que querem.

Uma moça um dia me contou que, para acabar com a birra dos filhotes, ela mandava eles gritarem mais alto porque ela não estava ouvindo.

...fico imaginando essas pessoas à favor de violência contra crianças conversando com minha orientadora e professora de Direitos Humanos...
Colocamos um projeto em prática e tivemos que lidar com crianças que acusavam de ter problemas na escola. Claro que nossa professora nem precisou dizer que não podereíamos bater, xingar ou ameaçar as crianças, mas deixou bem claro que não podíamos se quer falar em voz alta, autoritária ou mesmo dar ordem às crianças. Era tudo na base da sugestão e diálogo.

Luciano disse...

Podemos também criar uma lei que obrigue todo mundo a escovar os dentes, que tal? Duas vezes por dia um fiscal do governo vem verificar se voce escovou mesmo os dentes. Podemos ter uma lei que proíba assistir televisao depois das dez, ou ainda que force a presença de salada no prato em todas as refeições. As possibilidades são infinitas! Nossa Lola, como é bom ter um governo que nos diga o que fazer!! Viva Lula, que nos protege de nossa ignorância!

João disse...

Será que quem usa como argumento o fato de que criança que apanha vai ficar desajustada, traumatizada, vai ser um nada na vida também acha que dizer não pra criança vai traumatizá-la?

Está cheio de exemplos por aí tanto de crianças que levaram palmadas como das que não levaram. O fato de ela ser boa pessoa ou não não depende de ter ou não levado uma palmada. Não consigo entender por que tantas pessoas se acham no direito de convencer as outras a pensar da mesma forma que elas! Quem pensa diferente está errado! Como é que pode???

Agatha, uma pessoa falou de si própria, reforçando o fato de que mesmo tendo levado umas palmadas é uma ótima pessoa e você a ridicularizou. Isso não é preciso! Será que ela precisa pedir sua autorização pra discordar de você?

Luciano, gostei muito de seu ponto de vista!

Pentacúspide disse...

Odeio hipocrisia, e como! Não sei se a maior parte está aqui a tentar passar por bem comportado, ou porque tem medo de discordar de Lola. Como se costuma dizer: à frente das pessoas toda a gente faz festas ao cão. Educar não passa pela violência, a Bíblia exagera; mas não dar umas palmatória à criança quando as merece soa-me a exagero.
Eu já lidei com crianças que tive de educar: os meus irmãos mais novos, o filho da minha namorada e os meus sobrinhos. Lidava melhor com os meus irmãos mais novos, porque só precisava de olhar para eles de uma certa maneira para saberem que estão a portar-se mal, e fazia apenas repreensões verbais (o que não se traduz por, como vocês dizem, xingamentos), mas antes disso tive de lhes dar algumas palmatórias. Já o filho da minha namorada deixava-me tremendamente frustrado, embora só tivesse dois anos, porque só fazia o que queria e falar ou olhar para ele não resolvia nada, e eu não gritaria, nem daria palmatórias a ele, o que fazia a sua mãe ficar irritada comigo, porque parecia que eu não me preocupava em seguir o seu filho. (digam que somos, eu e ela, antiquados e incivilizados, pois eu digo que vocês estão a armar-se em pró-civilizados.)
Castigos físicos (não falo dos pais sádicos que batem nos filhos por tudo e por nada, simplesmente deslocando a agressão), quando correctivos adequados funcionam e funcionam bem.
Agora vamos imaginar (que é o que eu faço): uma criança, que se sente amada pelos pais, é castigada fisicamente; aparecem os fiscais e aplicam o correctivo nos pais (o correctivo aqui em Portugal e tirar a criança aos pais e dar ao Serviço Social para enviar para um centro qualquer). Será que assim se contribui melhor para a educação dela?
Engana-se a si mesmo quem diz que o medo não funciona. Eu não sou adepto do medo, mas do respeito, e os castigos físicos, eu sei, mais rapidamente podem tender para o medo do que ensinar o respeito. Mas a sua ausência... bah, já me estou a repetir.
Façam as leis que quiserem esses governante hipócritas que falam em nome da família e da criança e não proporcionam aos pais tempo de qualidade para usarem com os filhos (http://montedepalavras.blogspot.com/2008/12/o-trabalho-dignifica.html), falam das crianças, quando na verdade só as usam como meios para atingir fins (http://ashikodi.blogspot.com/2008/12/explorao-infantil.html), façam mais leis em vez de focarem na verdadeira raiz do problema, ou em vez de se focarem na prcura dessa raíz (eu também não sei qual é).
Escrevi de forma emotiva, por isso não sei se tive coerência textual, mas espero que se me compreenda.

Pentacúspide disse...
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Pentacúspide disse...
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Renato Brodzinski disse...

Lola,

Antes de mais nada, deixo claro que gosto dos seus textos e aprendo muito com você. Mas tem coisas que me incomodam...

- Por exemplo, nesse trecho aqui: "Aparentemente todos esses comentaristas do Estadão apanharam na infância, e dá pra notar como funcionou para que se tornassem adultos tolerantes e livres de preconceitos. Pessoas com caráter!"

Você ironiza na hora de criticar, eu considero isso desrespeitoso, além de que você não tem como saber se o que você disse é verdade (será que todos eles apanharam na infância? Só dá pra saber dos que contaram...).

- Você está "de um lado" e joga bombas do outro lado: "... você não é diferente de um Prates." Achei esse trecho muito desrespeitoso.

Mas deixa eu explicar melhor: O Prates (concordando ou não com ele) deixa muito clara qual é a sua posição, e eu o respeito mesmo que não concorde. Aliás, aprendi muito com ele também. Mas veja, eu concordo bem mais com você, no entanto eu aprendo com os dois, que são posições contrárias (em algum sentido). Mesmo assim, me sinto mais confortável vendo ele falar do que lendo os teus textos, porque ele já se coloca na posição dele e joga os seus argumentos de forma direta. Já você faz um discurso mais para cativar o leitor e depois acaba insultando alguém com a opinião contrária e leva o leitor junto com você para o seu lado. Não que haja alguma coisa errada nisso, mas me parece que o discurso do Prates é mais explícito, direto ao ponto, desnudo de artimanhas, etc (talvez seja por isso que ele seja tão criticado, apesar de defender seu lado da forma mais genuína). Se passar um "pente fino" no teu texto, quais são os argumentos que ficam?

Desculpa, eu não queria ser desrespeitoso, mas está difícil de explicar o que eu quero dizer...

Anônimo disse...

Ainda bem que esse panaca do Prates não está mais no jornal!

Será que essas pessoas bateriam em alguém que trabalha com elas pq estava fazendo trabalho errado???
Claro que não!! não são donos deles e serão demitidos!!!

Pq bater nos filhos??não tem ninguém para punir os pais e os filhos são propriedade deles!!ridículo!!

Depois vão parar no asilo quando ficam velhos e não sabem pq...meus filhos não deram valor....
valor pra quê??pra violência???

Anônimo disse...

Bater em menor é proibido? Só se for a lei!

Maria de Fatima disse...

Gostaria de saber se existe como impor limite numa pessoa que da chineladas numa criança de menos de 3 anos, só porque ele não consegue ainda ir ao banheiro? Sendo que esta criança foi passa apenas 8 dias com a madrasta. Se tem o pai e a mãe que lei é essa da palmada, se a madrasta não responde...

Niklaus Mikaelson disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

Eu já tenho 21 anos e com 20 meu pai me avançou, e eu peitei ele mesmo assim ele continuou me batendo, foi uma luta mas como ele era mais forte sai perdendo. Hoje novamente a cena se repetiu mas o ameacei de ligar pra policia, ele é uma pessoas frustada que aprendeu assim as coisas, na empresa dele as pessoas tirar chacota pela personalidade explosiva, eu até tentei dizer para ele parar de ser assim brigar por qualquer coisa, começamos a brigar pq falei de uma cena da novela. acho que quando ele atingir os seus 70 anos ou ira se arrepender pelas pessoas que riram da personalidade dele. ou vai ser cada vez pior.

Anônimo disse...

nem todos os textos que você usou da Bíblia Sagrada são sobre educação dos filhos. voc está certa em 90% do que falou, mas não misture as coisas. corrigir não faz mal não, desde que de maneira centrada e quem não o consegue, então que não faça, pois os traumas e marcas acompanham sim a criança.você está certa, mas não significa que o governo esteja. não é correto bater na cara nem castigar ao ponto da criança ficar mole de tanta dor, mas vamos com calma, pois Deus sabe muito mais de educação de filhos do que nós, pois ele tem milhões de filhos desobedientes para cuidar e não os liquida da face da Terra diante de um ato errôneo...
Deus tem compaixão e também devemos ter, mas nos mostra como erramos e nos corrige sim, pois do contrário, como saberíamos que erramos?

Anônimo disse...

Lola,

boa tarde.

Preciso de sua ajuda. Concordo com seu texto e sua opinião, por isso lhe procuro. Tenho um filho de sete anos e eu o amo muito, é fato. Mas ás vezes me descontrolo com ele por besteira ou por outras questões que envolvem escola e estudo, porém, nesse últimos meses isso tem acontecido com uma certa frequência, então acabo batendo nele, dando palmadas e outras vezes chineladas, mas logo depois me arrependo. Normalmente procuro sempre conversar com ele, mas ainda sim, quando ele repete algo errado mais de três vezes que eu pedi para não fazer mais, vêm o descontrole, começo a gritar e acabo excedendo. Estou ciente do meu erro, converso com o meu filho e peço desculpas por ter me descontrolado. Não quero continuar com isso, mas parece que não estou conseguindo mudar o meu "modus operandi"de lidar com os erros dele. Confesso que ando frustrada como mãe e como mulher, lembro-me de ter sido uma pessoa mais feliz e alegre, pois tive uns problemas recentemente que me deixaram endurecida. Entretanto, sei que não é justo transferir essa carga para meu filho, afinal ele tem apenas sete anos e é um menino alegre, sorridente, diz que me ama muito também e ele fala que eu sou uma boa mãe, no entanto quero ser uma mãe melhor para ele. Sei que sou cuidadosa e zelosa, mas no que tange a educar sem precisar bater tenho falhado. Ficaria feliz se me desse um conselho, pois estou aqui humildemente precisando de ajuda urgentemente para melhorar. Obrigada.

Mãe triste.

Fernando Marins Machado disse...

Prezada mãe,

Sou psicólogo infantil e estou pesquisando sobre esse assunto por isso entrei nesse blog, ao me deparar com o seu depoimento, sentir a necessidade em lhe ajudar. Em primeiro lugar não se sinta a pior mãe do mundo, muitas passam por isso todos os dias e em segundo lugar é muito bom você está consciente e estar disposta a mudar e esse é um grande passo. Você já identificou os momentos que esses roupantes acontecem, então, sabendo que seu filho tem dificuldades nesse aspecto redobre sua atenção no que cerne a sua paciência, tolere as falhas dele e não deseje que ele seja perfeito, pois quando você faz isso está transferindo toda a sua insatisfação para ele, é como você falasse: "Se a minha vida não é perfeita, você tem que ser PERFEITO!", daí o descontrole sem maiores justificativas. Crianças nessa fase passam por um processo de adaptação na vida escolar, muitas ainda desejam viver no universo lúdico e rejeitam as responsabilidades que a escola começa impor, se na hora dos estudos você grita, fica nervosa, você estará adiando o momento dele sentir "prazer" em estudar. Tenha mais tempo com o seu filho passeando, vendo um filme ou desenho, conte estórias, desenhe e brinque mais. Saiba vê-lo como alguém que é reflexo de suas ações, se todas as vezes você gritar, brigar e bater nele, com certeza, mesmo que ele te ame muito, irá criar aos poucos um distanciamento. Procure se distrair, quanto mais companheira e alegre for, menos espaço terá para essas ações descontroladas. Repense na sua vida de forma mais macro, pois você relatou que não está satisfeita como mãe e como mulher. Use a relação com seu filho não como um detonador de frustrações, mas sim como um motivador para viver bem. No mais, uma mãe que expôs de maneira tão honesta suas falhas, ao invés de esconder em detrimento da vaidade, merece toda a compreensão. Muitos não falam de si, mas falam dos outros e a sua coragem de dizer que age assim, mas quer mudar me motivou a lhe dar esse feedback. Lembre-se você ama o seu filho e ele te ama, não desperdice esse sentimento tão nobre o qual te levou até aqui. Ah, e continue conversando com ele, o dialogo é uma grande ferramenta para fortificar os laços afetivos.

Anônimo disse...

Fernando, foi com grande alegria que li o seu comentário e fiquei muito contente em ter entendido minha situação. Quando li os comentários anteriores tive dúvidas se devia escrever pedindo ajuda, pois geralmente as pessoas apontam mais o dedo do que estendem a mão. Ainda mais, li muito comentários de pessoas que disseram apanhar durante a infância ou que alguém bate, mas nunca uma pessoa se apresentou como o caso que relatei em que assume que as vezes bate (no meu caso palmadas), mas está disposto(a) a mudar. Desculpe por não ter agradecido antes, mas fiz dessa semana o momento de mudança, seguindo o que me aconselhou e o resultado foi MARAVILHOSO! Estou mais calma, alegre, ocupando minha cabeça com coisas boas e realmente nesses sete dias aquelas atitudes descontroladas sumiram. Muito obrigada, por me ajudar.Vou continuar assim!

Mãe feliz.

Claudia Pires disse...

Estou passando por esse problema e vim nesse blog lê sobre o assunto. Vi muitos jogarem pedras e dizerem ser ou ter sido vitimas de seus pais, mas apenas uma pessoa teve a coragem de dizer que passa por isso e que precisa mudar. Achei muito bonito, pois muitos pais não são covardes e mau caráter, muitos tem problemas também, amam seus filhos incondicionalmente, seriam capazes de dar a vida por eles, mas talvez por ignorância ou por falta de controle acabam dando umas palmadas em seus filhos. Apanhei do meu pai quando criança, mas ele sempre esteve ao meu lado quando precisei. Quando tive meu filho ele acolheu a mim e meu marido, enquanto a mãe do meu marido que nunca encostou a mão nele, foi a primeira a nos atacar e inclusive disse que o nosso filho não era neto dela. Então, não vamos generalizar e nem julgar as pessoas, todos estamos evoluindo e nem sempre o que parece é o que realmente é.