O Concurso de Blogueiras, com tema A Origem do meu Feminismo, não poderia ter dado mais certo. Foi fabuloso. Primeiro, fiquei surpresa com a procura. Não esperava 32 inscrições. A maior parte dos posts foi escrita especificamente pra participar do concurso, inspirando blogueiras a colocar no papel (ok, na tela) o que as fez acordar para a desiguald
ade de gênero e tornarem-se feministas. Os posts são todos maravilhosos, e várias leitoras manifestaram a dificuldade em votar em apenas um em cada etapa. Hoje de manhã o dr_aurelio sugeriu que a gente reunisse esses 32 depoimentos e lançasse um livro, com ensaio introdutório e tal. Ele disse que há editoras interessadas em feminismo. Vamos nos articular? Alguém sabe como começar?No total, entre todas as quatro etapas e a final, foram 1476 votos, 921 nas quatro enquetes iniciais, e 555 nesta grande final, que reduziu os posts concorrentes a doze. Mas queria colocar aqui todos os outros vinte posts que participaram do Concurso, pois todos foram importantes (em ordem alfabética, de acordo com o nome da blogueira):
A origem do meu feminismo – Ághata, do Se Perdendo
O feminismo que papai ensinou - Aline, do Meus e Outros
Em defesa do feminismo - B, do Espaço B
Maternidade, plenitude e feminismo. Hein? - Carolina, do What Mommy Needs
Aos 21, era muito mais feminista do que sonhava a minha vã filosofia – Clara, do Gaveta Virtual
Feminismo, ateísmo e outros “ismos” - Deborah, do A Realidade, Maria, é Outra
A origem do meu feminismo – Gabriela, do Ecdise
Sobre a origem do meu feminismo – Ge, do O Ângulo Mais Bonito
Não! Eu não sou obrigada – Glória, do Apenas uma Fresta
Liberal na Alemanha, feminista no Brasil – Isabela, do Berlin Direction
Minhas asas feministas – Jux, do Dolcinha
Feminista graças a Deus (e olha que sou agnóstica) - Laurinha, do Mulher Modernex
O dia em que me tornei feminista – Lúcia, do Memórias
O pop que me deu o caminho – Luna, do Pernície
A anti-garota Anglo – Maíra, do Como Assim?!
De raiz – Monix e Helê, do Duas Fridas
Feminismo, hein? - Nanci, do Lúdica e Ácida
Antes que o galo cante - Renata, do Agruras e Delícias
Mirem-se no exemplo – Somnia, do Borboleta Pequenina na Suécia
A origem do meu feminismo - Wonderwoman, do Coffeee, Clear Heels and Random Thoughts
O feminismo que papai ensinou - Aline, do Meus e Outros
Em defesa do feminismo - B, do Espaço B
Maternidade, plenitude e feminismo. Hein? - Carolina, do What Mommy Needs
Aos 21, era muito mais feminista do que sonhava a minha vã filosofia – Clara, do Gaveta Virtual
Feminismo, ateísmo e outros “ismos” - Deborah, do A Realidade, Maria, é Outra
A origem do meu feminismo – Gabriela, do Ecdise
Sobre a origem do meu feminismo – Ge, do O Ângulo Mais Bonito
Não! Eu não sou obrigada – Glória, do Apenas uma Fresta
Liberal na Alemanha, feminista no Brasil – Isabela, do Berlin Direction
Minhas asas feministas – Jux, do Dolcinha
Feminista graças a Deus (e olha que sou agnóstica) - Laurinha, do Mulher Modernex
O dia em que me tornei feminista – Lúcia, do Memórias
O pop que me deu o caminho – Luna, do Pernície
A anti-garota Anglo – Maíra, do Como Assim?!
De raiz – Monix e Helê, do Duas Fridas
Feminismo, hein? - Nanci, do Lúdica e Ácida
Antes que o galo cante - Renata, do Agruras e Delícias
Mirem-se no exemplo – Somnia, do Borboleta Pequenina na Suécia
A origem do meu feminismo - Wonderwoman, do Coffeee, Clear Heels and Random Thoughts
Este foi o resultado da grande final, com os doze posts mais votados das etapas anteriores:
Mulheres, homens e mais mulheres – Leika, Proseando 112 votos, ou 20%
Feminista, eu? - Leticia, Chá-Tice 83 votos, ou 14%
Menina pode sim – Rita, Estrada Anil 81 votos, ou 14%
Meu feminismo não tem origem, tem futuro – Nathalia, do Letras na Tela 72 votos, ou 12%
Chega de maçãs – Luci, do Caso me Esqueçam 53 votos, ou 9%
O Feminismo & Eu - Bia, Groselha News 34 votos, ou 6%
Aos treze – Anastasia, do Relicariante 31 votos, ou 5%
Como um machista me transformou em feminista – Amanda, Petit Journal de la Porte Dorée 25 votos, ou 4%
Coisas de menino – Valek, do Aline Valek 19 votos, ou 3%
O começo de tudo – Fernanda, Grito de Fernanda 17 votos, ou 3%
Origem da consciência do meu feminismo – Chris, do Mulheres de Atenas 15 votos, ou 2%
Mulher da vida – Borboleta, do Borboleta nos Olhos 13 votos, ou 2%
Feminista, eu? - Leticia, Chá-Tice 83 votos, ou 14%
Menina pode sim – Rita, Estrada Anil 81 votos, ou 14%
Meu feminismo não tem origem, tem futuro – Nathalia, do Letras na Tela 72 votos, ou 12%
Chega de maçãs – Luci, do Caso me Esqueçam 53 votos, ou 9%
O Feminismo & Eu - Bia, Groselha News 34 votos, ou 6%
Aos treze – Anastasia, do Relicariante 31 votos, ou 5%
Como um machista me transformou em feminista – Amanda, Petit Journal de la Porte Dorée 25 votos, ou 4%
Coisas de menino – Valek, do Aline Valek 19 votos, ou 3%
O começo de tudo – Fernanda, Grito de Fernanda 17 votos, ou 3%
Origem da consciência do meu feminismo – Chris, do Mulheres de Atenas 15 votos, ou 2%
Mulher da vida – Borboleta, do Borboleta nos Olhos 13 votos, ou 2%
Parabéns a todas! E que venham mais concursos. Aliás, se vocês já tiverem algum tema pra sugerir, fiquem à vontade, a casa é sua.
Deixo aqui uma linda homenagem que a Rita fez ontem pro concurso, falando de como ele ajudou para que ela conhecesse outras blogueiras e fizesse novas amizades. Ela recomenda o texto de Marisa Melani, que fala sobre o respeito que Dilma Rousseff merece, e que não vem tendo por va
sta parcela do eleitorado. Entendo perfeitamente a Rita: estamos muito perto das eleições presidenciais, e é difícil não falar nisso. E é prova, inclusive, de como as pautas e redações continuam dominadas por homens que este fato inédito - a grande possibilidade de termos a primeira mulher presidente de nossa história - não está sendo explorado. Nos EUA, nas eleições de 2008, era raro ler um artigo que não aludisse à oportunidade inédita de ter um primeiro presidente negro. Se Dilma ganhar, ela será a mulher mais poderosa do mundo. E estaremos na frente de vários países ricos, como os EUA, a França, a Itália, e tantos outros, que nunca tiveram uma presidenta. Isso deveria ser motivo de orgulho para todos os brasileiros, idependente de suas preferências partidárias. Mostrarmos que elegemos um operário pro cargo mais alto do país, e depois uma mulher. Isso deveria dizer algo sobre a nossa democracia, a nossa tolerância.
sta parcela do eleitorado. Entendo perfeitamente a Rita: estamos muito perto das eleições presidenciais, e é difícil não falar nisso. E é prova, inclusive, de como as pautas e redações continuam dominadas por homens que este fato inédito - a grande possibilidade de termos a primeira mulher presidente de nossa história - não está sendo explorado. Nos EUA, nas eleições de 2008, era raro ler um artigo que não aludisse à oportunidade inédita de ter um primeiro presidente negro. Se Dilma ganhar, ela será a mulher mais poderosa do mundo. E estaremos na frente de vários países ricos, como os EUA, a França, a Itália, e tantos outros, que nunca tiveram uma presidenta. Isso deveria ser motivo de orgulho para todos os brasileiros, idependente de suas preferências partidárias. Mostrarmos que elegemos um operário pro cargo mais alto do país, e depois uma mulher. Isso deveria dizer algo sobre a nossa democracia, a nossa tolerância.Só diz que "não importa se o presidente é homem ou mulher" quem não quer largar o osso do seu privilégio. Outro dia ouvi o absurdo de que "Votar na Dilma por ser mulher é que é sexismo". Certo. Sexismo não é que 91% da política brasileira esteja nas mãos de homens. Sexismo não é que todos nossos presidentes foram homens (e brancos, e hétero
s). Sexismo não é que se use na campanha eleitoral uma bandeira das feministas - a legalização do aborto, pois o corpo é da mulher e cabe a ela decidir - contra a candidata mulher. Sexismo não é gastar páginas e páginas falando da aparência de Dilma (continuo aguardando matéria falando como Serra deve se vestir para afinar sua silhueta). Não, nada disso é sexismo. Tudo que citei é natural, é "assim que as coisas são". Sei. Todo mundo para de acreditar em Papai Noel com uma certa idade, mas tem gente que segue crendo em outras lorotas a vida inteira.
E tem quem venha me dizer que a culpa por tudo isso é das próprias mulheres, que ora não votam em mulheres, ora não se interessam por política o suficiente para se candidatarem a algum cargo. Sobre a primeira acusação, a diferença entre mulheres e homens que votam na Dilma é pequena. Há mais homens que votam nela que mulheres, e esse fenômeno precisa ser estudado, m
as não é um número tão gigantesco (5% a mais de homens) que possibilite uma generalização. Sobre o segundo, de mulheres não se interessarem por política, vamos só dizer que este é um blog escrito por uma mulher que não está dedicando o tempo necessário ao seu trabalho porque só pensa em política, só respira política, ama política. E, por coincidência, a maior parte dos leitores daqui é de leitoras, muitas tão apaixonadas por política como eu. Não é por mulher não se interessar por política que existam tão poucas mulheres na política brasileira. É só ver que um monte de lideranças comunitárias são mulheres. Este é o início político de muita gente. Por que há tantas mulheres nesse meio, e tão poucas avançam para outros cargos públicos? A desculpa é que elas têm muitas coisas pra fazer, cuidar da casa, dos filhos, do marido, não dá tempo. Mas isso é mentira. Trabalhar para a comunidade também exige tempo pacas, e elas conseguem. A verdade é que ninguém, nem homem, nem mulher, se elege só. Precisa fazer parte
de um partido. Precisa angariar muito dinheiro para poder fazer uma campanha cara e ter chances de eleição. E aí já temos dois problemas: muitos partidos (principalmente os de direita) são Clubes do Bolinha, dirigidos unicamente por homens (e como são partidos elitistas, há poucas pessoas com origens comunitárias e sindicais, que é onde muita gente, homens e mulheres, nascem para a política). Outros partidos à esquerda na teoria defendem a igualdade de gênero, mas, na prática, na hora de escolher entre um companheiro e uma companheira para lançar como candidato, acabam optando pelo primeiro. Há também o problemão de, pela cultura machista da nossa sociedade, ser muito mais difícil para uma candidata mulher conseguir contribuições financeiras para sua campanha que para um homem. Menos dinheiro, menos chance de conseguir votos suficientes pra se eleger, simples assim. Mais um motivo para precisarmos de uma reforma política urgente.
Ah, eu nem precisav
a expor argumentos. Basta pensar: por que existem tão poucos negros na política brasileira? Tão poucos homossexuais saídos do armário? O argumento furado de "eles não se interessam por política" vale pra todos que não têm representação, ou só para nós, mulheres?
Apenas eleger Dilma não muda nada da nossa situação desigual. Mas é um ato simbólico de extrema importância, como foi a eleição de Obama nos EUA, ou como teria sido a de Hillary Clinton. Quem sabe, com Dilma presidenta, meninas cresçam com a ideia de que é possível liderar (acredite em mim: pra uma sociedade, é muito melhor que garotas tenham como role model uma mulher na liderança que uma top model), partidos vejam com bons olhos terem mais de seus quadros preenchidos por mulheres, empresas mudem de ideia e passem a contribuir para a campanha de mulheres. Mas óbvio que ninguém vai votar na Dilma apenas por ela ser mulher. Isso é só um bônus (e que bônus!). Há várias políticas mulheres em que nunca votaríamos por mil e um motivos, apesar de serem mulheres. Recomendo até que, da próxima vez que um paspalhinho te perguntar: "Ugh! Você vai votar na Dilma por ela ser mulher?!" você respon
da com um "E você, vai votar no Serra por ele ser homem?".
Mas que é um momento histórico eleger uma mulher, ah, isso é. E eu me sinto confortável em estar escrevendo isso neste post sobre o Concurso de Blogueiras porque é muito difícil ser feminista e não ser de esquerda, e sei que a maior parte das blogueiras que participaram do Concurso, e que a maior parte das minhas leitoras, se encaixa nessa categoria. Na realidade, posso contar nos dedos de uma mão quantas feministas de direita eu já conheci na vida. Não bate, sabe? Ser feminista envolve enfrentar o status quo, querer mudar o mundo, e o pessoal de direita, neste momento, só quer mudar o Brasil (e só um tiquinho, tirando de lá aquele barbudão e seu projeto ditatorial lulodilmista de distribuir renda e de fazer amizade com países, eca, pobres).
(Eu até queria pedir pra uma - ou um - das minhas leitoras ultratalentosas que fizessem uma ilustração baseada nesta de quando Obama foi eleito, mas com Dilma. Alguém se habilita?)
Como eu disse, o objetivo de todos os concursos de blogueiras já realizados por este blog (e este foi o quarto concurso) não é a competição, mas a divulgação de excelentes blogs escritos por mulheres. É most
rar que nós, blogueiras, somos seres pensantes, com blogs tão interessantes e diferentes como aqueles escritos por homens. Isso deveria ser óbvio, mas não é. E mostra disso é que, nos inúmeros concursos da blogosfera, para as blogueiras ainda se reservam prêmios de "musa da internet" ou "blogueira mais gostosa". Blogs de mulheres ainda são vistos como um nicho de mercado, geralmente dedicados a assuntos femininos como maquiagem, moda, e cozinha. E as pessoas tendem a achar que todos os blogs escritos por mulheres se restringem a esses temas "femininos". O objetivo de concursos como este (que, eu peço, copiem! Façam outros concursos) é mudar essa mentalidade. A ideia não é competir entre nós, é crescermos juntas. Não há prêmio. Pensando bem, eleger Dilma será nosso maior prêmio.
Deixo aqui um convite. Poucos dias antes do primeiro turno, a Maria Frô mand
ou um email coletivo para umas poucas feministas da blogsfera de quem ela tinha o endereço. Tivemos algumas discussões muito relevantes, que seguem acontecendo. Então a Cynthia resolveu criar um grupo feminista no Google Groups, que a Bia se prontificou para administrar. Portanto, se você quiser participar, envie um email pra ela: srta.bia.mail@gmail.com (é preciso ter conta no Google). Ou, melhor, peça autorização diretamente aqui.
Temos muitas discordâncias entre nós. Você raramente vai encontrar uma feminista que pensa exatamente igual a uma outra (ou uma pessoa que pense exatamente igual a qualquer outra, né?). Mas nossas ideias em comum são mais fortes, e deveriam estar acima de qualquer discordância. Junte-se a nós.
s). Sexismo não é que se use na campanha eleitoral uma bandeira das feministas - a legalização do aborto, pois o corpo é da mulher e cabe a ela decidir - contra a candidata mulher. Sexismo não é gastar páginas e páginas falando da aparência de Dilma (continuo aguardando matéria falando como Serra deve se vestir para afinar sua silhueta). Não, nada disso é sexismo. Tudo que citei é natural, é "assim que as coisas são". Sei. Todo mundo para de acreditar em Papai Noel com uma certa idade, mas tem gente que segue crendo em outras lorotas a vida inteira.E tem quem venha me dizer que a culpa por tudo isso é das próprias mulheres, que ora não votam em mulheres, ora não se interessam por política o suficiente para se candidatarem a algum cargo. Sobre a primeira acusação, a diferença entre mulheres e homens que votam na Dilma é pequena. Há mais homens que votam nela que mulheres, e esse fenômeno precisa ser estudado, m
as não é um número tão gigantesco (5% a mais de homens) que possibilite uma generalização. Sobre o segundo, de mulheres não se interessarem por política, vamos só dizer que este é um blog escrito por uma mulher que não está dedicando o tempo necessário ao seu trabalho porque só pensa em política, só respira política, ama política. E, por coincidência, a maior parte dos leitores daqui é de leitoras, muitas tão apaixonadas por política como eu. Não é por mulher não se interessar por política que existam tão poucas mulheres na política brasileira. É só ver que um monte de lideranças comunitárias são mulheres. Este é o início político de muita gente. Por que há tantas mulheres nesse meio, e tão poucas avançam para outros cargos públicos? A desculpa é que elas têm muitas coisas pra fazer, cuidar da casa, dos filhos, do marido, não dá tempo. Mas isso é mentira. Trabalhar para a comunidade também exige tempo pacas, e elas conseguem. A verdade é que ninguém, nem homem, nem mulher, se elege só. Precisa fazer parte
de um partido. Precisa angariar muito dinheiro para poder fazer uma campanha cara e ter chances de eleição. E aí já temos dois problemas: muitos partidos (principalmente os de direita) são Clubes do Bolinha, dirigidos unicamente por homens (e como são partidos elitistas, há poucas pessoas com origens comunitárias e sindicais, que é onde muita gente, homens e mulheres, nascem para a política). Outros partidos à esquerda na teoria defendem a igualdade de gênero, mas, na prática, na hora de escolher entre um companheiro e uma companheira para lançar como candidato, acabam optando pelo primeiro. Há também o problemão de, pela cultura machista da nossa sociedade, ser muito mais difícil para uma candidata mulher conseguir contribuições financeiras para sua campanha que para um homem. Menos dinheiro, menos chance de conseguir votos suficientes pra se eleger, simples assim. Mais um motivo para precisarmos de uma reforma política urgente.Ah, eu nem precisav
a expor argumentos. Basta pensar: por que existem tão poucos negros na política brasileira? Tão poucos homossexuais saídos do armário? O argumento furado de "eles não se interessam por política" vale pra todos que não têm representação, ou só para nós, mulheres?Apenas eleger Dilma não muda nada da nossa situação desigual. Mas é um ato simbólico de extrema importância, como foi a eleição de Obama nos EUA, ou como teria sido a de Hillary Clinton. Quem sabe, com Dilma presidenta, meninas cresçam com a ideia de que é possível liderar (acredite em mim: pra uma sociedade, é muito melhor que garotas tenham como role model uma mulher na liderança que uma top model), partidos vejam com bons olhos terem mais de seus quadros preenchidos por mulheres, empresas mudem de ideia e passem a contribuir para a campanha de mulheres. Mas óbvio que ninguém vai votar na Dilma apenas por ela ser mulher. Isso é só um bônus (e que bônus!). Há várias políticas mulheres em que nunca votaríamos por mil e um motivos, apesar de serem mulheres. Recomendo até que, da próxima vez que um paspalhinho te perguntar: "Ugh! Você vai votar na Dilma por ela ser mulher?!" você respon
da com um "E você, vai votar no Serra por ele ser homem?".Mas que é um momento histórico eleger uma mulher, ah, isso é. E eu me sinto confortável em estar escrevendo isso neste post sobre o Concurso de Blogueiras porque é muito difícil ser feminista e não ser de esquerda, e sei que a maior parte das blogueiras que participaram do Concurso, e que a maior parte das minhas leitoras, se encaixa nessa categoria. Na realidade, posso contar nos dedos de uma mão quantas feministas de direita eu já conheci na vida. Não bate, sabe? Ser feminista envolve enfrentar o status quo, querer mudar o mundo, e o pessoal de direita, neste momento, só quer mudar o Brasil (e só um tiquinho, tirando de lá aquele barbudão e seu projeto ditatorial lulodilmista de distribuir renda e de fazer amizade com países, eca, pobres).
(Eu até queria pedir pra uma - ou um - das minhas leitoras ultratalentosas que fizessem uma ilustração baseada nesta de quando Obama foi eleito, mas com Dilma. Alguém se habilita?)Como eu disse, o objetivo de todos os concursos de blogueiras já realizados por este blog (e este foi o quarto concurso) não é a competição, mas a divulgação de excelentes blogs escritos por mulheres. É most
rar que nós, blogueiras, somos seres pensantes, com blogs tão interessantes e diferentes como aqueles escritos por homens. Isso deveria ser óbvio, mas não é. E mostra disso é que, nos inúmeros concursos da blogosfera, para as blogueiras ainda se reservam prêmios de "musa da internet" ou "blogueira mais gostosa". Blogs de mulheres ainda são vistos como um nicho de mercado, geralmente dedicados a assuntos femininos como maquiagem, moda, e cozinha. E as pessoas tendem a achar que todos os blogs escritos por mulheres se restringem a esses temas "femininos". O objetivo de concursos como este (que, eu peço, copiem! Façam outros concursos) é mudar essa mentalidade. A ideia não é competir entre nós, é crescermos juntas. Não há prêmio. Pensando bem, eleger Dilma será nosso maior prêmio.Deixo aqui um convite. Poucos dias antes do primeiro turno, a Maria Frô mand
ou um email coletivo para umas poucas feministas da blogsfera de quem ela tinha o endereço. Tivemos algumas discussões muito relevantes, que seguem acontecendo. Então a Cynthia resolveu criar um grupo feminista no Google Groups, que a Bia se prontificou para administrar. Portanto, se você quiser participar, envie um email pra ela: srta.bia.mail@gmail.com (é preciso ter conta no Google). Ou, melhor, peça autorização diretamente aqui.Temos muitas discordâncias entre nós. Você raramente vai encontrar uma feminista que pensa exatamente igual a uma outra (ou uma pessoa que pense exatamente igual a qualquer outra, né?). Mas nossas ideias em comum são mais fortes, e deveriam estar acima de qualquer discordância. Junte-se a nós.















