sexta-feira, 16 de outubro de 2009

CRÍTICA: BASTARDOS INGLÓRIOS / Segunda parte, a missão

Na primeira vez que vi Bastardos Inglórios, os personagens que me marcaram mais, ou talvez seus intérpretes, não sei, foram:
- O Brad Pitt, excelente numa mistura nefasta de caipira americano/judeu/apache.- O detetive nazista feito pelo Christoph Waltz (não sei se já tinha ouvido falar nele antes), absolutamente perfeito, que rouba todas as cenas. Acho que ele exagera só um tiquinho quando diz “That's a bingo!”. - O Daniel Bruhl, que é aquele fofinho de Edukators e Adeus Lenin. Tá ótimo no papel de soldado alemão transformado em astro de cinema. Gosto de como ele é meio tapadinho, já que faz a sua virada ser ainda mais assustadora. E ainda assim é tipicamente masculina. Li um crítico, não lembro onde, dizendo que a dona do cinema flerta com o Daniel pra conseguir o que quer. Hello? Flerta?! Ela lhe dá patada após patada. Tem que ser homem pra ver paquera na atitude dela. Por falar nessa moça, na primeira vez ela não me impressionou tanto. Nem a personagem da judia vingativa nem a atuação da Melanie Laurent. Gostei mais da Diane Krueger (a Helena de Troia) como estrela e espiã. Mas também não a adorei. Não gosto de metade da cena no veterinário, onde alguém tem que ter a perna consertada. Isso de por o dedo na ferida, literalmente... Não é pra mim. É também o momento menos crível dos intérpretes. Mas antes, e depois, essa personagem da estrela é muito interessante. E o controle que ela tem na longa sequência da taberna é memorável. Mas não dá pra negar: a judia dona do cinema é praticamente a protagonista. Entendi e me identifiquei mais com seu personagem na segunda vez, e adoro como o Taranta homenageia Metrópolis no final, através dela (continuei sem gostar do Hitler, caricato demais. Eu tiraria quase todas as cenas dele).No fundo, a maior parte dos atores era desconhecida pra mim. Tipo o Eli Roth, que faz o Urso Judeu. Na vida real, ele é o diretor e roteirista de cretinices torture porn como Albergue. Mas gostei dele como ator. Tem um olhar psicopata.
Ah, e vocês reconheceram a voz do Samuel L. Jackson em duas narrações em off? E tem a voz do Harvey Keitel também no telefonema com o Brad.Enfim, era tanta coisa pra discutir que eu e o maridão tivemos um dos nossos papos-cabeça altamente intelectuais após a sessão:
Eu: “Quem é o ator que parece o Michael Rooker?”
Ele: “Quem?”
Eu: “O Michael Rooker, aquele de Retrato de um Serial Killer”.
Ele: “Não sei, o que ele faz no filme?”.
Eu: “É um que morre”.
Ele: “Você vai ter que ser um pouco mais específica”.
Eu: “Aquele fingindo ser nazista, que não gosta que toquem nele, e que lembra de ter sido chicoteado”.
Ele: “Ah, esse é o carinha que fez aquele filme. Aquele, vai, da indústria de cigarros”.
Eu: “Obrigado por Fumar?”
Ele: “Esse aí”.
Eu: “O Aaron Eckhart?”
Ele: “Isso”.
Eu: “Amor, não é o Aaron Eckhart nem que a vaca tussa. E não tem nada a ver com ele!”
Ele: “Claro que é! Só tá com um pseudônimo”.
Eu: “Aliás, ele parece é com o John Savage em Franco Atirador. Idêntico!”.
Ele: “Quem?”
Esse ator é o alemão Til Schweiger. Obviamente, nenhuma semelhança com o Aaron Eckhart (o bonitão que tem o rosto deformado pelo Coringa em Batman e vira o Duas Caras). Outro que me chamou muito a atenção foi um tal de Michael Fassbender, que faz o crítico de cinema inglês que tenta passar por nazista. Do jeito que ele parece um galã dos anos 40, podem esperar que vai fazer mais filmes por aí. E é talentoso também. E eu já disse lindo?
Essa cena da taberna, por sinal, me fez lembrar uma conversa que ouvi na locadora, vários anos atrás. Alguém que não conhecia a importância do Taranta foi pegar Cães de Aluguel. E devolveu o filme, revoltado, porque aquele bando não parava de falar da Madonna no começo do filme! Pois é, a marca registrada do Taranta não é tanto a violência, e sim os diálogos ahn, sobrenaturais (assassinos de aluguel falando de massagem nos pés, por exemplo). Em BI, só o Taranta pra incluir um joguinho praticamente inteiro de “adivinhe quem é a celebridade”. Mas a cena funciona!
Posso apostar que o Taranta montou uma apresentação pra muitos dos bastardos (os soldados americanos judeus recrutados pelo Brad pra matar alguns nazistas), e que só não a usou porque faltou espaço. Dizem que ele está bolando um prequel (um filme que mostraria a origem dos personagens). Material pra isso ele tem. Espero muito que ele faça um pré-bastardos.

34 comentários:

Vitor Ferreira disse...

Lola, eu achei o filme sádico demais. Apesar de engraçado, até a meia-hora final, quando o humor vai todo pelos ares. Toda cena termina com todo mundo morrendo. O filme pra mim tem duas cenas ótimas: a cena da taverna (ou bar) que é muito boa, cheia de suspense, a Diane Kruger perfeita também (Tarantino queria Natassja Kinski pro papel), mas detestei o fim. Não precisava daquela carnificina, que parece ser a solução do Tarantino pra tudo. Não sabe o que fazer, acabaram os diálogos? Mata todo mundo e pronto. Isso já deve ser patológico. E a cena dos americanos falando italiano. Brad Pitt falando "arrivederci" é impagável. O caçador de judeus é um nojento, criei um ódio por ele inimaginável durante a projeção(e acho que esse era o objetivo). Se alguém tinha que morrer naquele filme, era ele. Mas é o melhor papel de todos e o austríaco merece uma indicação pro Oscar. Tarantino queria o Leonardo DiCaprio pra esse papel. Acho que ele recusou aí o austríaco entrou no lugar.
E judeu vir negar que é vingativo parece evangélico reclamar que não é preconceituoso. Só essas toneladas de filme sobre holocausto já são uma forma de vingança. E depois que a judia morre, o filme perde a graça de vez, porque ela é a "heroína" do filme, a única pessoa por quem a gente torce de fato. Também não fiquei muito a vontade com os intermináveis créditos iniciais (doeu a vista) e com aquela escalpelação coletiva. Parece que o filme não foi bem recebido em Cannes, aí ele reeditou tudo. Enfim, continuo preferindo Jackie Brown.

Andrea Cristina disse...

Oi Lola, vi o Til Schweiger num filme um dia desses na aula de alemão. O filme é uma comédia romântica chamada Kein Ohr Hasen (coelho sem orelhas) - mais infos aqui: http://www.imdb.com/title/tt0960790/ - ele escreveu, dirigiu e atuou como protagonista no filme, além de empregar 3 filhos dele eheheh. Deu maior rolo na aula pq a classificação indicativa do filme na Alemanha foi de 6 anos, mas qdo vimos achamos um absurdo pois tem cenas explicitas e explicadas demais pra crianças. hehehe

Já BI eu quero ver sim, só pelo Brad hehehehe =)

Andrea Cristina disse...

PS - acrescente ao Brad o Daniel Bruhl! Claro!!! Amo esse ator tb, desde Edukators. Mais um colírio pra me motivar a ir ver o filme! uahauhaa

Tina Lopes disse...

Bem, acho o Brad péssimo mesmo fazendo papel de canastra. Botei um link lá no meu blog contando que o Taranta tava desistindo do filme pq não achava um bom ator trilínguê, e procurou pela Alemanha com várias audiências; o Michael Waltz foi um dos últimos a ser avaliado. Ele leu duas frases e o Taranta bateu na mesa: Vamos fazer o filme! Bem, se isso é lenda, não sei, mas gostei. Sou suspeita, com exceção do Mr. Angelina, achei tudo perfeito - mesmo as cenas de escalpo, quando fechei os olhinhos. ;)

Bruno Stern disse...

"E judeu vir negar que é vingativo parece evangélico reclamar que não é preconceituoso. Só essas toneladas de filme sobre holocausto já são uma forma de vingança."

Eu li isso mesmo no comentário do Vitor?

cronicasurbanas disse...

Lola,

o Christoph Waltz - seu recado foi devidamente repassado, by the way! :-) - também foi quem mais me impressionou. Ano que vem devem vir algumas indicações e prêmios e tudo o mais para ele. Se o Di Caprio foi sondado e recusou, Tarantino se deu bem, achei o cara excelente.

A cena no veterinário realmente dá gastura, eca, assim como a do Brad Pitt marcando o Landa no final. Mas esses exageros são a marca registrada do Tarantino, né, ele deve fazer uma certa terapia às nossas custas, hehehe.

Eu vi numa entrevista o Tarantino dizer que o roteiro ainda tinha material para mais de duas horas de filmagem, então imagino que deve vir prequel ou sequel por aí. Vai acabar virando Soderbergh com seu Che 1 e Che 2 (você assistiu?)

bom findi!
Mônica

Bárbara Reis disse...

Lola, eu amei o filme. ADOREI!!! mesmo, muito foda. [desculpa a palavra, mas não tem outra]. Adorei as cores, os diálogos, os movimentos de camera, são um tesão, não tem como explicar, a perfeição daqueles movimentos. Eu acho que nunca vi um filme do Tarantino. Não assisti Kill Bill, mas quero ver todos dele agora. Eu adorei a parte do 'Bingo'... o cara virou uma borboleta... morri de rir. Foi impressionante ver o cinema inteiro gargalhando, como você descreveu. Assim, como o Vitor, eu também achei que algumas partes perdem totalmente a graça. E a parte do bar, eu quase tive um infarto de tanto suspense. E no fim morreu todo mundo. Não achei 'justo' matarem o pai do 'Max', mas ele era nazista e matava judeus, que também eram pais. E fora que matavam crianças tbm. Vide 'O menino do pijama Listrado' é um filme excelente tbm, eu acho. Eu sai do cinema extasiada... vingada... Tarantino arrasou! Gostei da cena na qual o cinema estava em chamas, e os corpos das pessoas pareciam empilhados. Achei inteligente. Também achei o Hitler muito estranho, ele nem era tão ativo assim. Ele ria? Ô_o Na minha concepção de história, Hitler era um frustrado, com problmas psicológicos, porque Freud não pôde atendê-lo. Leia: 'Freud em quadrinhos' muito engraçado. hahaha... A Shoshana (?), linda... nossa... fiquei apaixonada por ela. Adorei o figurino dela, as roupas francesas, as boinas. E a idéia dela de queimar o cinema, com os nazistas dentro. E adorei o modo como o filme defende os negros, de uma certa forma. Assim como o Vitor, eu também odiei o caçador de judeus. Quero assistir de novo! *-* E vamos combinar, se pudesse fumar em cinema, só eu teria fumado um maço. Eles fumam o filme inteiro. Tortura para paulistanos sob a Lei Anti-fumo. HAHAHA... e fiquei com vontade de tomar cerveja e champagne nas cenas do bar... e com vontade de comer aquele doce, no restaurante... hahaha...

Bom, chega, se não vou ficar 3 dias aqui falando do filme. Lembrei de você o filme inteiro.

Beijão, Lola!!!

Bárbara Dayrell disse...

Lola, já te contei que aqui na Alemanha os filmes no cinema sao todos dublados, neh!?
Entao, como fazer com um filme em que a lingua falada faz parte da caracterizacao dos personagens!? Sabe o que eles fizeram?
1o. Dublaram o inglês, mas só o ingles... A parte em Frances deixaram só com legenda (o mesmo para o Italiano)...
2o. Para nós sabermos se a lingua falada na hora era alemao ou ingles eles fizeram o seguinte: Se o ator/personagem era alemao, quando ele falava ingles, a dublagem era um alemao com sotaque, e quando falava alemao, obviamente sem... agora se o ator/personagem era americano, quando ele falava ingles, a dublagem era um alemao perfeito, mas quando ele falava alemao, era com sotaque! Olha como eles sao loucos!!!
O pior pra mim eh que entendo muito bem o alemao, mas nao reconheco sotaques, entao nao percebia que lingua eles falavam na hora...

Bárbara Dayrell disse...

Ah, o Til Schweiger aqui é igual o nosso Rodrigo Santoro, mas com um pouquinho mais de sucesso no cinema hollywoodiano...

Bárbara Dayrell disse...

gente, ter mais spoiler que nesse comentario da minha xará é impossível, neh!? hauhauhauhauhauhau

Bruno disse...

Lola,

Eu adorei o filme também.Como você disse, é um legítimo Tarantino. Aquela parte de 3 dos BI tentando se passar por italianos é uma das coisas mais sensacionais que já vi no cinema. E a atuação do Christoph Waltz é realemnte impagável!

Ah, e outra, você disse bem: não se pode ver esse filme como se estivesse assistindo a um documentário.Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

Bárbara Reis disse...

Desculpa, xará. HAHAHA... não foi por mal...

T_T

Dai disse...

Spoiler, não leiam esse comentário se não desejam informações sobre o final do filme!
Rs.

Lolinha,

Fui ao cine ontem e DELIREI com esse filme. Não podia ter gostado mais. Como a Bárbara, eu também fiquei apaixonada por Shosana, que atriz linda, o jeito distante e o olhar fio da moça denunciavam o seu passado. Achei a cena do incêndio um dos grandes momentos do cinema. Eu queria aplaudir e tive de me conter.
Eu acho que esse é o grande mérito do Tarantino, fazer cinema *espetáculo* da melhor qualidade. O sangue, a caricatura, a licença poética, tudo se justifica, a glória maior do cinema é entreter e utilizar bastante bem sua aura fantasiosa em função disto.
É tudo 'mentira' afinal, né? Por isso as mortes são tão breves e as aparições todas cronometradas - ninguém dura o bastante numa guerra. E guerras são feitas de sangue. E Hitler morrer daquele jeito: perfeitamente justificável.

Eu fiquei muito emocionada com os momentos de citação cinematográfica - perfeito dizer que é um filme sobre a paixão pelo cinema.
Também achei que é um deboche ao sensacionalismo dos filmes nacionalistas - "sou o sargento york da Alemanha" - precisa gostar muito do fofinho do Daniel Bruhl para não vomitar quando ele espalha sua patetisse.
Também acho que houve o momento de condescendência com os grandes cineastas alemães marcados pelo estigma do nazismo (como Leni Riefenstahl). Senti isso, pode ter sido uma interpretação minha.
E acho que a personagem da Diane é totalmente inspirada na atriz feita pela Carole Lombard em To be or not to be, de Ernst Lubich.
Agora, quanto ao que o Vitor comenta sobre o Cristoph (é isso mesmo?) Waltz (soberbo!!!!!!, que diferença um ATOR de verdade faz a uma obra) achei pertinente a escolha em mantê-lo vivo.

O melhor castigo para o mais bastardo dentre os bastardos não seria a morte, mas, sim, ficar marcado para o resto da vida - como muitos judeus que carregaram por anos os seus 'números' tatuados.

Sugestão: que tal um post sobre os filmes e personalidades do cinema citados em BI, hum?
Eu iria amar...

lola aronovich disse...

Tá cheio de spoilers em toda a caixa de comentários. Recomendo que o pessoal só leia os comentários depois de ver o filme.
Vitorzinho querido, ah, não achei o filme sádico. Pode ter alguns personagens sádicos (e os mais sádicos de todos nem são os nazistas, mas os bastardos), mas o filme em si nem é tão violento. Ok, é violento, lógico, e tem pelo menos três cenas muito violentas (a mais mais é o dedo na ferida, e a “obra prima” na testa, no final), mas filme sádico é um que mostra tudo, que dá close pra cada ato de violência, como Albergue e Jogos Mortais. E tem o que se chama de “Mexican standoff”, que acontece bastante nos filmes do Taranta (Cães de Aluguel termina assim), que é aquele confronto em que todo mundo atira em todo mundo e quase todos morrem. Mas a cena da taberna (ou taverna, eu chequei, os dois estão certos, ufa) não tem como acabar diferente. Ou entravam os bastardos e matavam todas as “testemunhas” (entre elas o dono do bar e a mocinha), ou se matavam uns aos outros. Notou como o nazista que morre, o pai do Max, faz um discurso pedindo pra viver, pra poder ver o filho crescer, parecido com o da Uma Thurman em Kill Bill, quando ela descobre que está grávida? Adorei isso, e fiquei chateada que ele foi morto. E não fiquei com ódio do caçador de judeus, ele é muito galante e educado pra se ter ódio dele (e essa é uma crítica que muitos judeus fazem ao filme: como que um dos personagens mais cativantes é um nazista competente?). E a judia morre no finalzinho do filme, ué. Aliás, o “espectro” dela vive, e aquela cena do fantasma dela saindo da tela é fantástica.

lola aronovich disse...

Andrea, nunca ouvi falar do Til. Quer dizer que o rapaz também dirige? Vai longe. Mas que ele é a cara do John Savage, ah é. Vai ver.
O Daniel Bruhl é uma gracinha! Ele tá muito bem no papel, como esteve em Edukators e Lenin. Não lembro se vi mais algum filme com ele.


Tininha, tadinho, deixa o Brad em paz. Ele tá perfeito no papel, que é uma caricatura mesmo. Mas o Christoph Waltz rouba todas as cenas, de fato. E ele fala quatro línguas, não? Não três. Que bom que o Taranta o encontrou. Torço muito pra que o Waltz receba no mínimo uma indicação pra coadjuvante, porque merece. Mas o Oscar não dá muita bola pro Taranta...

lola aronovich disse...

Bruno, pois é, nosso amigo Vitor pegou pesado.

Monica, pois é, eu fico muito feliz que, em geral, cada ator interpretou sua própria nacionalidade. Deu um tom muito mais realista, num filme que não é realista! Mas concordo totalmente com o que a Barbara diz, que cada sotaque, cada nacionalidade, acrescenta muito a cada personagem. Já pensou se tivesse sido feito por um outro diretor? Teríamos todo mundo falando inglês, mas um ator americano (ou inglês) falando inglês com sotaque pra se passar por alemão, outro americano falando inglês com sotaque pra se passar por francês etc etc. Como sempre é nos filmes! (bom, isso tem mudado nos últimos anos, e convenhamos, por mais que Apocalypto seja uma droga, o Mel conseguiu fazer um filme de grande orçamento falado numa língua extinta). Tomara que o Taranta faça um Bastardos 2 (ou um prequel) com as cenas que tem. Ah, não vi o Che. Só o trailer. Parece bom, mas não vai passar aqui nunca.

lola aronovich disse...

Barbara Reis, ah, corra pra ver os outros Tarantino. Se vc gostou de BI, vai gostar dos outros. Só precisa ter mais carinho com Jackie Brown, que é diferente. Bom, o Hitler no filme tá muito caricato, e lógico que é proposital. É até interessante, porque os dois personagens mais caricaturais, o Hitler e o Aldo, o do Brad, são adversários. E muitas das cenas estão editadas como se um dialogasse com o outro. Ou pelo menos reagisse ao outro. Isso que vc fala dos negros é super pertinente. Não sei se o filme defende os negros (eu daria mais tempo de tela pro projecionista, que aparece muito pouquinho), mas a cena da taberna é importante nesse ponto. Quando eles estão fazendo aquela brincadeirinha de “adivinhe quem é a celebridade”, e o nazista tem na testa o King Kong, ele faz perguntas referentes ao tráfico negreiro. Ou seja, ele é quem estabelece uma conexão entre os escravos negros e o King Kong. Ele, um nazista racista, vê uma conexão que talvez os aliados nem percebam. E só sobre isso dá pra escrever um outro artigo sobre BI (o King Kong sendo morto também por se apaixonar por uma loira, que é o que se espalha sobre os negros desde que o mundo é mundo. Mulheres brancas, cuidado com os negros, que são todos animais estupradores! Porque a gente sabe que branco não estupra...).

lola aronovich disse...

Barbara Dayrell, putz, não acredito que fizeram uma coisa dessas! Que absurdo! Pô, bem que os exibidores alemães podiam abrir uma exceção e legendarem todas as falas do filme que não fossem em alemão, né? Pra que dublar o inglês, se vão ter que legendar o francês e o italiano? Eu também sou muito ruim em reconhecer sotaques. Aquele nazista da taberna me impressionou. Ele sabia de onde vinha cada alemão pelo sotaque. E depois aquela analogia sobre o King Kong... O cara era inteligente. Numa outra oportunidade, talvez, ele e o crítico de cinema podiam passar horas falando de cinema.
Ah é, o Til é famoso aí na Alemanhã? Bom pra ele. Tomara que ele faça mais filmes americanos. Ele tava em 300, não? (quer dizer... ele e mais 299).


Bruno, aquela cena dos três “italianos” é pura comédia. Uma das coisas mais engraçadas que vi no cinema recentemente. E todo mundo riu alto. Incrível isso, porque é uma cena tensa, quase no clímax do filme, e a gente lá, morrendo de rir. E sim, espero que ninguém veja BI com a intenção de aprender História com ele. Mas taí: por que filmes sobre temas históricos como a Segunda Guerra devem ser “reais”? Isso eu vi o Taranta dizer numa entrevista: todo mundo sempre fantasia matar o Hitler, e tá cheio de filme em que o herói chega bem pertinho de realizar essa fantasia, e falha na hora H. Bom, o Taranta matou o Hitler. E bem morto!

lola aronovich disse...

Dai, eu tô louca pra ver de novo. Ontem minha mãe foi ver o filme e voltou ensandecida. Ela vai vê-lo de novo amanhã.
Eu tive que aprender a gostar da Shosana, da primeira vez não fiquei muito impressionada não. Mas aí notei que ela é a alma do filme. É realmente um filme sobre a paixão pelo cinema, e ela personifica isso melhor que ninguém. Isso eu não podia falar no post, mas acho que posso falar nos comentários (spoilers): minha referência favorita no filme é a Metropolis. Aquela cena no final, da Shoshana rindo na tela, a tela queimando, e aí a gente só vê o espectro, é uma das maiores homenagens ao cinema que eu já vi. Porque é assim que o cinema película é descrito, como “flickering shadows”, um espectro, um fantasma, algo bizarro, uncanny, que se repete sem parar. Só no cinema (e na TV) a gente pode ver pessoas mortas condenadas a repetir uma ação pelo resto da eternidade. E essa compulsão pra repetir é uma das características mais marcantes do sinistro, do bizarro, e tb do cinema. Então essa cena da Shoshana rindo vem de Metropolis (pra quem não sabe, clássico alemão de 1927), de quando a Maria falsa é queimada numa fogueira, e ela morre rindo, meio louca, até se transformar no roboô que ela é. Em BI, naquela cena final, é a primeira e única vez que vemos Shoshana rindo. Parece uma outra pessoa, como se a Shoshana que vimos antes era a falsa Shoshana, e agora estamos presenciando a verdadeira – que é uma moça ensandecida por vingança. E aí, quando a tela que a projeta já não existe mais, Shoshana não se transforma num robô, como a Maria de Metropolis, mas num fantasma – no próprio espírito do cinema! Acho isso muito, muito genial. Algo que só um total cinéfilo como o Taranta poderia fazer.
Não achei o filme condescendente com os cineastas alemães. Eles falam da Leni e, enquanto o Daniel Bruhl mostra sua grande admiração, a Shoshana diz que não tem escolha, tem que passar esse pessoal no seu cinema, porque a França tá ocupada pelos nazistas. E ela diz algo ainda mais importante: “Somos franceses, nós respeitamos os diretores”. Que é uma indireta do Taranta não sei pra quem, ou pelo menos um recadinho pessoal dele dizendo como ama Cannes. Mas no diálogo entre Shoshana e o Daniel, a superioridade moral é toda dela. Até literalmente, ela tá em cima do Daniel, ou por cima. E assim, como cinéfila, eu não posso negar o talento da Leni. Ela era ótima na forma. No conteúdo é que era um problema... Mas qual a diferença entre a Leni e o Griffith, ideologicamente falando? Nenhuma. Ambos fascistas. Mas ambos importantes na história do cinema, e o Taranta sabe disso.
Bom, isso vai longe... Tô pra escrever um post sobre O Nascimento de uma Nação faz tempo.

cronicasurbanas disse...

Lola,
também acho muuuito melhor o filme falado no original. Essa história de sotaque é uma roubada - se é pra falar inglês, 'lose the accent' porque não vai fazer a menor diferença...

Daniel Brühl também fez um filminho super bonitinho com a Judi Dench e Maggie Smith, sempre fantásticas, chamado 'O Violinista que veio do mar' ('Ladies in Lavender', no original). Os três estão ótimos.

abraço,
Mônica (câmbio e desligo o computador, porque o céu vai desabar a qq momento, com direito a raios e trovões...)

Marcelo Delfino disse...

E continua a fixação de Tarantino por pés femininos. Em cada filme ele inventa uma cena só para mostrar em close a planta dos pés de uma das atrizes. O pior é que ele quase sempre escolhe as atrizes com os pés mais feios. No caso deste filme, um dos pés de Diane Krueger, que só são não é tão feio quanto os de Uma Thurman da franquia Kill Bill.

Serge Renine disse...

Aronovich:

Bastardos Inglórios; eu concordo plenamente com você, é maravilhoso! Eu quero apontar algumas curiosidades. Espero não estar estragando nada para quem ainda vai.

- A aparição do ator Rod Taylor, o galã e protagonista do filmes Os Pássaros, do Alfred Hitchcock. O Rod Taylor está bem velhinho e aparece na primeira cena do espião inglês que você gostou; alias, nesta cena também aprece o ator Mike Myers, fazendo o papel...bem... do Austin Powers.
- O Brad Pitt, depois de disfarçado de italiano, incorpora o Don Corleone em todas as expressões faciais, corporais e no jeito de falar.
- O ator que faz o espião inglês é incrivelmente parecido com o Sean Connery jovem, ou seja, se alguém o tivesse visto antes ele seria o candidato perfeito para James Bond, tem exatamente o mesmo ar de cinismo e de perigo que o Sean Connery irradiava como o agente secreto inglês. Pena que não o escolheram.

O Tarantino é o único cineasta que ainda faz o cinema conforme o cinema se propôs: a ilusão lúdica, como quem diz “de realidade já estamos cheios”.

Alba Almeida disse...

Olá, Lola.
Só pra dizer que vim aqui,...putz ainda não assistir, pretendo nesse final de semana.
Beijos../00\

Alba Almeida disse...
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artesmenores disse...

Poxa Lola, vou ficar insuportável! Mostrei pra todo mundo que você respondeu meu email sobre doutorado sanduíche aqui no seu blogue!

Falando sério, obrigada pela atenção.


Sobre o BI, saí do cinema sorrindo, não parei até ir pra cama. Fiquei fazendo uma análise pseudo semiótica, postei no meu blog.

http://artesmenores.wordpress.com/2009/10/11/below-the-belt-inglorious-besterds/

Fora isso, acho que já falaram tudo. Até demais né? (Alguém gritou spoiler por aí!) Beijo!

FELIPE G2 disse...

Lola, não posso falar muito sobre o Taranta, embora eu adore os únicos filmes que eu vi dele sejam Kill Bill e o Bastardos. Entre os dois volumes de Kill Bill e Bastardos, eu prefiro Bastardos. Além de ser uma carta de amor para o cinema, o filme ainda muda um pouco dessa história repetitiva da Segunda Guerra Mundial que todo mundo já viu nas telinhas. Sem falar nas cenas que ele faz, que me tiram o fôlego, como a cena em câmera lenta do cigarro...

Mica disse...

Lolinha, acabei de vir do cinema e estou encantada. Muito bom o filme! São duas horas e quarenta e eu nem senti passar.
E fiquei super feliz de poder ler sua crítica ^_^. E adorei também.

Achei legal você falar do Michael Fassbender, porque eu passei o filme inteirinho tentando lembrar de onde eu o conhecia e só depois de ler sua crítica é que me dei conta que ele faz HEX (um seriado britânico sobre bruxas e anjos caídos...ele é o Azazeal, o meu personagem preferido, diga-se de passagem ~_^).

O que eu mais gostei no filme foi justamente esse negócio dos idiomas e sotaques. Foi um diferencial e tanto. Aquela cena que a Shoshanna fica com cara de playmobil (no café) reflete exatamente como o público (no caso, eu) estava se sentindo sem a legenda, hehe.

Também gostei do Eli Roth (ele me lembra o Zachary Quinto), mas quem roubou a cena foi definitivamente o Christoph. Fantástico. Acho que nunca mais olharei para um copo de leite da mesma maneira.
E o final foi muito bom. Na verdade, tudo foi muito bom. Mas concordo com você, eu tiraria as cenas com o Hitler, com exceção das últimas que foram curtas e precisavam aparecer.

lola aronovich disse...

Serge, eu nem reconheci o Rod Taylor na cena. E não sei até que ponto gosto daquela cena. Eu gosto do crítico de cinema falando de cinema alemão, mas o resto, não sei. O Mike Myers não tá mal, mas também não tá nada de mais. Não acho o Michael Fassbender parecido com o Sean Connery jovem. Acho-o, inclusive, muito mais bonito que o Sean!


Mica, ha ha, cara de playmobil foi ótima! E muito bem lembrado: na cena do café, não tem legenda pro alemão que o Daniel Bruhl fala com os outros nazistas. Sobre o Eli Roth, não sei se concordo que ele é parecido com o Zachary (esse é o que faz o novo Spock, né?). O Zachary pode ser bonito, enquanto o Eli... só tem cara de psicopata mesmo.

Mica disse...

Quando vi o Eli imediatamente eu pensei 'nossa, que parecido com o Zach!', mas não falei nada. Alguns minutos depois meu colega me chamou e perguntou 'é o Sylar?' (papel do Zach em Heroes). Pra ver que não foi só eu a ver a semelhança, hehe. Mas de fato o Zachary é bem mais bonito.

"Antonio" disse...
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Bípede Falante disse...

O Tarantino disse que a história de Soshana, do assassinato da família até a parte em que a gente a reencontra, pode render um outro filme. Tomara!

Anônimo disse...
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karla disse...

NOSSA ESSE FILME E UM MAXIMO ASSISTIR ELE JA TRES VEZES OU MAIS EU AMO O ATOR ELI ROTH (URSO JUDEU)RSRSRSRS ELE E MUITO LINDO PRINCIPALMENTE O SORRISO DELE SE EU TIVESSE NESSE FILME QUERIA FAZER PARTE DO GRUPO DELE TODAS AS PARTES DO FILME SAO BOAS,ESSE FILME MERECI NOTA 1000 OU MAIS.

Gabriele disse...
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