segunda-feira, 15 de setembro de 2008

SHHHH, YOU BASTARDS!

Já falei das minhas experiências nos cinemas americanos. Quando morava nos EUA (até o final de julho), parei de ir a um com quatro salas perto da minha casa, no centro de Detroit, porque os espectadores falavam durante toda a sessão, e de nada adiantava eu fazer “shhhhh” ou gritar “vim aqui ouvir o filme, não vocês, you bastards!”. E não era um papinho discreto, com voz abafada. Eram casais tagarelando, às vezes até discutindo, em alto volume. Isso não acontecia por causa do público ser mais pobre. Não era que nas salas dos subúrbios os espectadores, com maior poder aquisitivo, fossem um modelo de virtude. A grande diferença era que nesse cinema do centro não havia iniciativa pra educar o público. Provavelmente os espectadores nem sabiam que não se deve agir assim durante um filme. Já as redes suburbanas realizavam amplas campanhas. Numa delas, um curta-metragem fofinho mostrava um bebê chorando, gente conversando, pessoas falando ao celular, e implorava: “Não acrescente sua própria trilha sonora ao filme”. Outras apenas pediam, num aviso na tela antes da sessão começar, silêncio absoluto e respeito aos espectadores. E o pessoal obedecia.

Um dia, pelo jeito, houve um grande auê num multiplex de subúrbio que nunca tinha ido. A rede decidiu comunicar à imprensa as medidas que tomou. Isso é o que consta até hoje no “Código de Conduta da Cortesia Comum”:

Dentro do auditório, ninguém deverá

- falar de forma que atrapalhe o público.

- utilizar telefone celular, mandar mensagens de texto, usar pager, Bluetooth, Gameboy etc.

- colocar o pé em qualquer parte do assento da frente ou do lado.

- chutar ou empurrar o assento de outro espectador.

- correr no cinema, entre as poltronas, nas escadas, ou no lobby.

- permitir que crianças pequenas chorem, se comportem mal, ou perturbem de qualquer forma.

- jogar chiclete em qualquer lugar que não seja a lata de lixo.

- trazer comida e bebidas que não forem compradas no cinema.

- gravar com qualquer equipamento o que está sendo apresentado na tela.”

O comunidado também explicava que os funcionários seriam treinados pra fiscalizar e fazer respeitar essas regras, e que o espectador que não as cumprisse seria “convidado a deixar o cinema”, sem reembolso do ingresso, e se não saísse, a segurança seria usada para colocá-lo pra fora. E pedia pra que os espectadores que não se sentissem aptos a respeitar essas medidas procurassem outra rede.

Certo, os dois últimos itens protegem os interesses da rede, não necessariamente do público. E as outras regras são tão lugar-comum, tão óbvias, que a gente podia pensar que vêm do berço. Mas os EUA são um país em que até regras ridiculamente óbvias precisam estar escritas. Por exemplo, nos dormitórios da universidade proíbem-se pets (gatos, cães, pássaros, etc), só abrindo exceção para aquários até um certo tamanho. Mas o regulamento precisa especificar: “piranhas não são permitidas nos aquários”. Porque deve ter tido doido varrido que colecionava piranhas, entende?

Mas a iniciativa desta rede eu só posso aplaudir de pé. Já passou da hora das redes brasileiras implantarem algo parecido. Tem toda uma nova geração de espectadores que não entende que cinema é lugar de silêncio. A tela gigante e o som alto são de propósito. É uma atividade passiva: você assiste e escuta, assim como noutras atividades em que somos espectadores e ouvintes (concertos, boa parte dos espetáculos teatrais). Não pode ser tão impossível ficar sem conversar com o amigo durante duas horinhas, pode? Claro que há filmes que pedem irreverência e reações da platéia, mas todos? Ah, eu quero campanha no Brasil. Pode até chamar de “Campanha pra que a Lolinha Continue Indo ao Cinema”.

67 comentários:

Anônimo disse...

Aqui em Portygal, antes da sessão aparecem uma serie de avisos para desligar o telemóvel e de proíbição de captar de qualquer forma imagens ou sons do filme (é crime). Quanto ao barulho, de um modo geral as pessoas respeitam, mas óbvio que há zonas, filmes e até cinemas em que é mais dificil garantir o silencio total porque o ruído estaladiço das pipocas e de refrigerente no fim da lata tambem incomodam!

Anônimo disse...

Lola, eu sou à favor das regrinhas para cinema.
Fomos assistir Coringa (U-huuuuuuuuuuuuu, sim, sei que o nome do filme é 'BATMAN, THE DARK KNIGHT', mas o filme é do Coringa!) e fiquei impressionada com o silêncio sepulcral da platéia - delícia total!

Mas, voltando às regras... acho que elas não foram criadas à esmo, tipo 'não sei o que fazer, então acho que vou criar algumas regrinhas'. Se elas existem, por mais loucas ou tolas, é porque alguém, alguma mente perigosa ou desajustada deu motivos para tal.

No nosso novo condomínio, o estatuto diz que vizinhos anti-sociais e agressivos estarão passíveis de notificações correspondentes a até 10 vezes o valor do condomínio... óbvio que, se existe uma regra assim, é porque algum desajustado ou maluco deve ter saído por aí insultando ou até mesmo brigando com os outros, néam? E por aí vai... tem louco para tudo, até mesmo para colocar piranha em aquário, matar alces e se gabar disso, atirar crianças do 8ª andar, atear fogo a mendigos e afins...

Beijins!

lola aronovich disse...

Mary, legal, mas essas regras são mínimas. Aliás, é incrível que seja necessário que peçam pra desligar o celular. Conheço um monte de gente que não respeita e, além de deixar o fone tocar, ainda atende e começa a falar alto no meio de um filme! É uma incrível falta de respeito. Não dá pra pessoa se desligar do mundo durante duas horinhas? Se estiver mesmo esperando por um telefonema urgente, não vá ao cinema, pô! Mas acho que avisos como “Não converse durante o filme” são igualmente importantes. Tem muita gente jovem que vai ao cinema conversar e que só conhece esse tipo de comportamento. Como o cinema foi perdendo seu status de arte dos anos 80 pra cá, poucos ainda o levam a sério. É puro entretenimento, então por que não conversar com o amigo durante a sessão? Eles nem sabem que isso não é legal e que perturba. Quando eu falo Shhh, eles me olham com cara de “Que planeta essa velha veio?”, porque, aparentemente, TODO mundo fala no cinema hoje. Não nas salas de arte, claro. Quanto ao barulho da pipoca e refrigerante, bom, eu, pessoalmente, não acho que cinema seja lugar de comer (até porque as pessoas deixam um lixo gigante nas poltronas ao ir embora – custa jogar as coisas no lixo?), mas não reclamo desses barulhinhos.

lola aronovich disse...

Chris, vc finalmente foi ver Batman?! Como assim, conseguiu uma babá? Que maravilha. Ai, as regras. Num mundo ideal, regras seriam desnecessárias, porque todo mundo teria o bom senso de não ouvir música alta, que incomoda o vizinho, de não falar no cinema, de não gritar e insultar, de não poder dirigir após beber etc. Mas, infelizmente, não é assim que as coisas funcionam, e até em países em que as pessoas parecem ter mais bom senso, como na Suécia, existem montes de regras e leis.
Uma coisa que pouca gente sabe: no começo do uso dos celulares, os organizadores dos torneios de xadrez pediam aos jogadores, antes das partidas, que os desligassem. Não funcionou. Tinha jogador que esquecia ou deixava ligado de propósito, e o fone tocava e atrapalhava todo mundo. Então endureceram a regra: se o seu telefone tocar durante a partida, tchau. Você automaticamente perde a partida. O ponto vai pro adversário. E isso não foi no Brasil, foi no mundo. O Brasil só importou essa regra. Arbitrária? É. Mas foi preciso.

JAM disse...

aqui na belgica nao temos problemas nos cinemas...entretanto, antes do filme passa um filminho dizendo o que nao se deve fazer...

quando morava no brasil (ha uns 3 anos atras), frequentava praticamente todos os cinemas de minha cidade (recife) e tabmem nao tinha problemas...no geral, pessoas boazinhas que nao conversavam tanto ao ponto de atrapalhar o programa.

bom dia!!

Anônimo disse...

Eu senti a mesma coisa quando fui assistir o festival anima mundi aqui no Rio no Odeon que fica no Centro, logo é um bairro que agrega pessoas de todas as áreas da cidade. Como cada sessão de curtas durava cerca de 1 hora, o ingresso custava apenas 3 a meia, assim notei que muitas das pessoas que estavam ali não iam ao cinema com muita frequencia, pois com a meia por até 11 reais em alguns shoppings nem todos podem bancar. Nunca havia ido em uma sessão tão barulhenta, muitos adolescentes falando e até tirando fotos (!) esta última eu não entendi muito bem até hoje. Aliás sempre que eu vou em uma sessão mais popular tem adolescentes tirando foto. Dentro da sala, no meio do filme e com as luzes apagadas! Mas não estou criticando não, acho muito legais essas iniciativas de proporcionar a ida ao cinema. Como se pode exigir comportamento apropriado de quem quase nunca tem condições de ir ao cinema?
Ah, adoro seu blog, já li quase todos os arquivos rsrsrsrsrs quiz comentar em alguns, mas eram muito velhos e fiquei com medo de vc não ler.

Giovanni Gouveia disse...

Na minha infância/pré adolescência, ir ao cinema era mais ou menos como naquela sala de Cinema Paradiso, gritaria, coisas sendo atiradas do balcão para o piso inferior (onde só os incautos freqüentavam), mãozinhas aparecendo na tela, xingamentos mútuos, barulho de saco estourando, azeitonas (por estas bandas o que o resto do Brasil chama de jamelão nós chamamos de azeitona) sendo jogadas na tela, até o cúmulo de alguém ir à sala com uma galinha numa bolsa e jogá-la ao alto, para delírio dos presentes, e desespero dos funcionários do cinema...

O tempo foi passando e a atitude nos cinemas foi mudando, hoje em dia os cinemas são mais calmos, salvo aqueles imbecis que insistem em comentar cada cena, ou atender o celular, e coisas citadas no post.

Claro que comédias foram feitas pra rir e, não raro, gargalhar, e filmes de terror/suspense ou mesmo aventuras sempre desencadeiam alguns gritos na platéia, um dos conceitos que mais aprecio de arte é aquele que diz que "Arte é aquilo que desperta emoções", a sétima arte não escapa a esse conceito. Mas "despertar a emoção" de querer torcer o pescoço desse povo é algo que em nada lembra a Arte, a não ser Sun Tsu, "A arte da Guerra"...

Anônimo disse...

É realmente um saco isso,tem gente que fala o filme inteiro!e tem vezes que é ainda pior,tipo o filme tem classificação 16 anos por exemplo,mas a retardada da mãe acha que o filhinho de dez tem maturidade suficiente pra assistir,aí começam as cenas e o pivete fica perguntando coisas o tempo todo,e ao invés a mãe mandar o pestinha calar a boca,não,fica lá explicando!e F***-se o resto do cinema.

Mica disse...

Lola, as regrinhas antes do filme são interessantes (em especial a do celular) pq as vezes nos lembram de coisas que esquecemos (em especial o celular). Não é que todo mundo que atende o celular não desligou de propósito, muitas vezes se esquece mesmo.
Agora, gosto das regrinhas como tem sido apresentadas nos cinemas atualmente (bom, pelo menos em algumas redes): com desenhos interessantes e bem agradáveis. Lembro que tinha um em São Paulo que eu adorava (acho que tem uma rede aqui que roda também), onde o carinha entrava no cinema e dizia que devia se jogar o lixo no lixo, que luzes de emergência se acenderiam no caso de falta de energia, que os celulares deveriam ser desligados, que não se deve conversar no cinema, etc, etc, etc (tinha até um fulano no estilo matrix jogando o lixo no lixo). Eu me divertia vendo os avisos.

Agora, eu raramente falo no cinema (principalmente pq 99% das vezes vou sozinha), mas as vezes comento com a pessoa do meu lado alguma coisa que chamou a minha atenção ou que o filme me fez lembrar (mas sempre comentários baixinhos e bem rápidos).

Anônimo disse...

Ahhh,agora me ocorreu uma idéia doida,acho que as pessoas deveriam ter um cartãozinho de identificação no cinema,tipo,toda vez que fossem assistir a um filme tinham que apresentar o cartãozinho,e no cartãozinho ficaria marcado o mau comportamento da pessoa,tipo,o cartão começaria com uns vinte pontos,falou durante a sessão?menos 5.e por aí vai,quando chegasse a zero a pessoa ficaria proibida durante um tempo de ir ao cinema.
Eu viajei, eu sei,mas a idéia é boa não?
Obs:lembrei de mas um detalhe irritante,quando é o NOSSO amigo que fala durante a sessão,você lá tentando ver o filme,e a criatura querendo conversar com você...eu só fico balançando a cabeça pra ver se a pessoa se toca e cala a boca...

Anônimo disse...

O anônimo aí sou eu,não sei porque foi anônimo o.0

lola aronovich disse...

Jamine, é, eu acho interessante como, em Detroit, o comportamento variava na mesma cidade. Mas é que onde a rede de cinema faz campanha pra conscientizar o público, o público obedece... Abração!


Danda, concordo totalmente com todas as campanhas de incentivo pro público de baixa renda ir ao cinema. E entendo que, nas primeiras vezes, eles se comportem “mal”. Precisam ser educados tb sobre como devem se comportar.
E que legal vc adorar o meu blog! Olha, isso vale pra vc e pra todo mundo: podem comentar à vontade sobre os posts mais antigos. Só peço que o façam nos posts mais recentes! Avise que leu o post tal e está comentando aqui, por exemplo. Porque realmente é raro eu perceber algum recado em post antigo. Mas comentem nos posts mais recentes sobre os assuntos que quiserem. E apareça sempre, Danda.

Mica disse...

Lola, respondendo sobre In Treatment, minha paciente preferida era a ginasta. Eu não tinha muita empatia com o casal (mas dois dois eu gostava mais do marido). O Alex me dava nos nervos, mas eu gostava dele (olha o contrasenso). Agora, a Laura me tirava do sério. Dava vontade de dar uma surra nela.
Eu gostava das sessões do Paul com a Gina. Engraçado como ele sempre reagia mal a tudo o que ela falava, hehehe.

lola aronovich disse...

Gio, jamelão? Eu nem sei o que é isso! E não gosto que levem galinhas ao cinema. Tadinha da galinha! Imagina o pânico da bichinha?
Acho que existem filmes e filmes. Uma das sessões mais divertidas que já vi na vida foi Tango & Cash, um filme horroroso com o Stallone e o Kurt Russell, no cine Marabá, em SP. O Marabá foi reformado e encolhido, mas naquela época, comecinho dos anos 90, ainda era gigante. A sala lotada de adolescentes. E o pessoal urrava, gritava pra tela, jogava pipoca, xingava o Stallone, essas coisas. E o filme melhorou imensamente por causa da reação do público. Agora, eu não quero ir ver Dogville e ver o público reagindo dessa forma, né? Então, alguns filmes, como terror do tipo Sexta Feira 13, são ótimos pra esse tipo de comportamento. E, na primeira vez que fui ver Homem Aranha, ri pacas com a reação dos adolescentes pelo Peter Parker não querer beijar a namoradinha (coro de “Veado! Veado!”, que é homofóbico, mas ainda assim é engraçado). E, em Mamma Mia, por exemplo, sei que a gente vai ver a Merly Streep cantar, mas eu não me ofenderia se o público todo começasse a cantar junto. Não estou falando dessas reações que, repito, não combinam com todos os filmes. Tô reclamando do casalzinho que vai ao cinema e conversa durante o filme inteiro! Do amiguinho que “narra” a história pro outro. Do sujeito que atende o celular e passa a respondê-lo no meio da sessão. Isso tudo é insuportável. Eu sempre digo “Shhh!”, “Por favor, silêncio”, coisas assim. Às vezes eu me mudo de lugar. O problema é que esse comportamento tá tão disseminado que não adianta mais mudar de lugar. Porque eu sento do lado de outro grupinho que também tá conversando. E o “conversar baixinho” também incomoda, porque a gente quer ouvir a tela e fica ouvindo um zumbido.

lola aronovich disse...

Princesa, é, criança é um caso à parte. Eu lembro quando fui ver ET, edição dos 20 anos, em 2002. Tava legendado, mas, ao mesmo tempo, é um filme pra crianças também, e havia pais que levaram os filhos. Só que criança não consegue ler legenda. É muito rápido pra elas, elas ainda estão aprendendo as letras. Então os pais ficavam explicando tudo. E eu entendo essa atitude, mas atrapalha muito! Conclusão: ou criança não pode ver filme legendado ou os pais devem levar as crianças nas matinês, não à noite, quando o público será mais adulto. É complicado, eu sei.


Mica, também acho que essas campanhas divertidas, com desenhos, funcionam muito bem. E toda rede devia ter uma campanha. Pode custar caro pra fazer, mas dura um tempão. Às vezes eu sinto que as redes não fazem justamente pra não desagradar o público. Faz tempo que sinto que eu sou minoria. Que maioria mesmo é gente que vai ao cinema pra conversar! Na rede que eu mais vou em Joinville, o único aviso é num copo de refri, em letras minúsculas, pedindo pra falar baixinho pra não atrapalhar o próximo. Acho isso errado, pedir pra falar baixinho! Tem que pedir silêncio.
E Mica, se vc é do tipo que comenta durante a sessão, mesmo que baixinho e rapidamente, é bom saber pra gente nunca ir ao cinema juntas! Espera pra comentar depois. Vc vai lembrar...

lola aronovich disse...

Princesa, sua idéia é boa, mas as redes de cinema não querem perder dinheiro afastando clientes. Daqui a pouco quem será afastado é a gente, que reclama do barulho dos demais... Os gerentes aqui de Joinville, que são super gente boa, sempre me contam casos. Pra eles, o pior é adolescente que vai em grupo. Sempre tem quem acabe reclamando do comportamento deles. Alguns os gerentes barram do cinema mesmo: tá proibido de comparecer aqui pelos próximos dois meses. Os gerentes contam que os pais vêm pedir pra abrandar o castigo, mas eles não cedem. É mais do que apenas falar no cinema que eles fazem. É meio vandalismo mesmo, sabe?
Isso de ir ao cinema com o amigo que quer comentar as coisas com vc é terrível! Por isso, depois de uma experiência muito desagradável que tive com uma ótima amiga, que se ofendeu porque, depois da sessão, eu disse que não era legal ficar conversando no cinema, e ela insistiu que era paranóia minha, que ela não falava, que falou super pouquinho – ela falou durante o filme todo, e não era nem baixinho, era em tom bem alto mesmo! - enfim, depois dessa experiência que me fez quase perder uma amiga, eu faço o seguinte: se estou indo ao cinema com alguém pela primeira vez, pergunto se a pessoa é do tipo que conversa durante o filme. E deixo claro que comigo não dá. Que eu tô indo lá ver o filme, não conversar com ela. Que a gente pode e vai conversar antes e depois do filme, mas não durante.
Não sei, acho que algumas pessoas se sentem desconfortáveis com o silêncio. Só pode ser isso!


É, Mica, sobre In Treatment, acho que mais ou menos concordo contigo. Se bem que eu gostava mais do marido que da mulher no tratamento de casal, pelo menos nos últimos quatro episódios. Eu não queria bater na Laura, mas não entendia bem qual era a dela. Nessas horas difíceis, eu ficava era com vontade de dar umas chacoalhadas no psicólogo, que deveria agir mais profissionalmente. Agora, o Alex – como é o nome do ator, Blair Underwood? - era insuportável. Ele englobava tudo que eu detesto nos americanos. Só que ele era tão bonito que era difícil ficar muito brava com ele... Enfim, muito boa a série. Quando sai a segunda temporada?

Juliana disse...

Aposto que essas pessoas que estavam conversando na sala do cinema eram negras. Não é preconceito (MESMO!!!) mas a gente sabe que há realmente uma diferença cultural e comportamental entre os negros e os brancos americanos, e que os negros são bem como os brasileiros, falam alto, são escandalosos, gostam de chamar a atenção... e tem ainda um clichê (esse eu aprendi vendo Scrubs) que os negros falam COM o filme no cinema, especialmente em filme de terror. Coisas do tipo "não entre aí!" e por aí vai. Inclusive vivi isso na minha aula de Intro to Film, quando vimos "Sudden Fear," a participação do público foi fenomenal, hehehe.

Giovanni Gouveia disse...

Me lembrei de quando eu assisti "Crônica de uma morte anunciada", eu dei um berro na cena final: "IDIOTA!", pura reação, por um momento esqueci que era um filme, muito menos que estava numa sala de cinema (ainda que fosse o cinema municipal do Teatro do Parque, que era roteiro obrigatório às terças feiras após a aula, quase uma segunda casa). Um amigo que estava ao lado começou a rir, aí eu me toquei, mas já estava nos créditos mesmo...

Clecia disse...

Olá! Aqui em Aracaju, na rede Cinemark, antd do filme, sempre passa um comercial dizendo o que não se pode fazer no cinema. E graças a Deus consigo ver o filme tranquilamente.As pessoas costumam obedecer.Somente em sessões de filmes para crianças é que não hátanto silêncio assim. Mas são crianças, né? Ótimo post!

Unknown disse...

Essas regras ao meu ver exprime a falta de educação do povo, mas vou um pouco mais além. A sociedade americana è muito cheia de "se não é proibido então é permitido" e "se eu fizer e me ferrar 'I'll take you to court!'
A questão dos pets nos alojamentos me fez lembrar de um aviso nas caixas de microondas alertando para não secar animais no microondas.
Pense numa cena de Gremlin total! Algum doido tentou secar o cachorrinho no microondas e não pensou duas vezes antes de processar o fabricante. Ê povo!
Bom, também detesto gente falando no cinema. O que me irrita mais são aquelas pessoas que ficam perguntando "Por que ele fez isso
Ele não tá vendo que ela tá lá. Pr que ele disse aquilo..." Assiste ao filme, pô!

Outra coisa que me chamou a atenção foi a questão dos alimentos. só uma lembrancinha: VENDA CASADA É CRIME. Se o seu cinema quiser proibir vc de entrar com alimentos comprados fora dali, leve seu còdigo de Defesa do Consumidor embaixo do braço...

Unknown disse...

Oops, exprimeM.

Anônimo disse...

argh, os comentadores de cinema que comentam *durante* a exibição! ó-dio!

comé que a pessoa pode dizer que entendeu o que viu se passou o tempo todo falando? e perguntando "que foi que ele disse?"

Suzana Elvas disse...

Lola,

Aqui no Rio passa também um filminho ensinando o básico: saída de incêndio, desligue o celular, não sente no corredor etc. Os cinemas aqui perto agora vendem lugar marcado, o que é ótimo - você compra com antecedência e pode chegar 10 minutos antes da sessão. Mas sempre tem um ixxxperto que quer sentar onde não deve. Ódio.

Há dois quarteirões tem uma galeria chamada Condor, onde havia dois cinemas ótimos (agora são igrejas da Universal). Enfim. Na minha infância, antes de o filme começar aparecia um condor pousado numa montanha. Aí ele saía voando e aparecia os dizeres "Cine Condor Largo do Machado". Pois bem, a curti~ção era berrar "XÔÔÔÔÔ!!!!!!!" até o condor levantar vôo. A gente ria dessa bobeira até não poder mais.

Eu sempre deixo o celular ligado, no vibracall. Quando "toca", tiro o "alarme" e, se precisar atender, peço licença e atendo lá fora.

Bjs

Mica disse...

Eu sou do tipo que fala com o filme, com série, com livro. Mas nunca no cinema.
Lola, eu já fui no cinema contigo e não fiquei falando. Nâo é sempre que eu comento, na verdade, é raro, mas há momentos que a cena me chama tanta atenção (ou me faz lembrar de algo tão forte) que eu sou obrigada a reagir. De modo geral eu odeio conversar assistindo algo (é um dos motivos que eu quase nunca assisto filmes com alguém em casa).

Anônimo disse...

Geralmente quem fala durante o filme está falando também durante a exibição dos alertas e nem presta atenção e mesmo que elas ouçam acabam desrespeitando, igual no metrô que repete as orientações a cada minuto mas mesmo assim as pessoas ignoram e fazem tudo o que não deveriam.

The Red Death disse...

lola, eu tenho vontade de esganar quem faz zona dentro do cinema.

coisas que já aconteceram:

1. vendo "o retorno do rei" um grupo de retardados não parava de rir, falar, gritar. todos já estavam putos com a situação. imagina só: eu, fazendo copmanhia a uma amiga, criando raízes na poltrona, morrendo de frio e ainda tendo que aturar isso!

2. vendo "king kong". a situação era muito semelhante à citada acima, mais o fato de eu e meu namorado estarmos famintos e já ser tarde da noite. a sorte foi que os meliantes foram embora antes do fim.

3. vendo wall-e. o cara do meu lado não parava de atender o telefone. PORRAAAAAAAAA!!!!!!!!! pra que foi ao cinema????? a filhinha dele se comportou melhor que ele.

4. vendo não sei que filme (foi recente). lembro que tinha criança na platéia. eu sei que uma insana (acho que acompanhada de uma amiga) levou várias crianças, incluindo um bebê. uma das crianças não parava de falar e de passear pelos assentos. o bebê chorava horrores. após a sessão e sem-noção atravancou a porta do banheiro, este já tumultuado, com um carrinho de bebê. senhor, salva essa alma!

5. vendo a animação de star wars (eu fui ver em nome do amor ao meu namorado). tinha criança demais! tinha um pivete ao lado do meu namorado que não parava de falar a sessão inteira. os "shhhhhh" não o faziam parar e os pais fingiam que não era com eles.

nessa horas não aparece um universitário psicótico com uma metralhadora...oh, boy!

The Red Death disse...

ah, sem contar que tenho pânico de quem senta ao meu lado com muita comida. sério! porque se cair refrigerante em mim, vai ter barraco!

esse negócio de ter lugar marcado hoje em dia é até bom. se você não consegue chegar na hora, ao menos você não corre o risco de sentar longe da sua companhia. e se estiver sentado no meu lugar, vai levantar! mando sair mesmo! U.U

e assim, só levo coisa pra comer no cinema se eu estiver sem comer nada durante muito tempo, ou se a sessão for muito longa. fora isso, não! não gosto de correr riscos de ter que levantar pra ir ao banheiro.

Unknown disse...
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Unknown disse...

Sou recente nessa blogagem mas vou dar meus pitacos em relação ao que ju.r escreveu...desculpe-me, mas que brincadeira horrorosa essa de universitário com metralhadora! Peraí aquele foi um episódio horroroso, não dá pra fazer brincadeira com ele...
Quanto às crianças na platéia...Bom, eu tenho um filhinho de 2.5 anos o qual ainda não foi ao cinema. Primeiro por que não entenderia quase nada e segundo porque ficaria correndo pra lá e pra cá e quem ficaria cansada seria eu, mas quanto a esse último, acho que é assim, mesmo. Meu primeiro filme foi um no qual Masaroppi se casava com um cavalo (ou égua) e eu não vi nada porque fiquei correndo pelo cinema. Foi uma experiência incrível. Acho que todos os pais devem levar seus filhinhos pra correrem no Cinema.
Há sessões e sessões. Com certeza não haverá crianças numa sessão das 21:00h, mas num filme tipo Wall-e, Harry Potter, Kung Fu panda é claro que vai haver muitos pequeninos. Os estranhos serão nós...O que que um bando de adultos quer fazer numa sessão pra criança...Só se estressar, mesmo.

The Red Death disse...

cris, quanto ao episódio da metralhadora...é! humor nigérrimo. perdão!

agora com relação a crianças, uma coisa é a criança rir, achar engraçado, comentar alguma coisa com o pai ou com a mãe (to falando em sessão infantil). outra coisa é o responsável "cagar" pra quem está ali também pra assistir. custa pedir pro filho falar mais baixo?? o problema nem foi a criança correr no cinema, o problema foi a mãe ficar gritando "maria eduarda, vem aqui agora". se sabe que a criança não vai parar quieta, das duas uma: ou ensina o certo pra criança, ou deixa pra levar ao cinema quando for maiorzinho. senão acaba se transformando em aborrescente que não recebeu limites quando devia.

lembrei de uma vez que fui ver agente 86 com minha mãe e entrou uma moça com um bebezinho recém-nascido. minha mãe só comentou "ah, que maldade". não deu outra, a criança começou a chorar. não dá, concorda?

Mica disse...

ah, mas se for só uma choradelinha de nada até dá para agüentar...
Ok, nunca aconteceu comigo. Se acontecesse não sei se agüentaria.

Adoro comer no cinema. Adoro mesmo. O filme parece que fica mais gostoso. Agora, tomar refrigerante eu ando mais seletiva ultimamente. Depende do tamanho do copo eu preciso sair para ir ao banheiro, então estou cortando líquido e ficando só com o sólido mesmo.

Kaká disse...

Aqui em Fortaleza também passa o filminho de como se comportar no cinema. Também acho legal ir ver filme de criança com elas porque as reações fazem parte, assim com os de adolescentes.
Eu só não entendo qual é a de ficar tirando fotos dentro do cinema.
Detesto que fica falando no celular, e já sentei do lado de uma que discutiu a relação metade do filme. E ela só saiu depois que eu disse "vai fazer sua DR la fora por favor".
Mas...eu confesso que faço comentários (não muitos)com os amigos no meio do filme. Bem baixinho, mas faço porque minha memória é péssima e se eu deixar para depois eu esqueço. :)

Lolla Moon disse...

mas você não tinha me criticado justamente porque eu havia ficado chateada com as velhas cantantes de mamma mia? ok, você pode argumentar que elas cantavam JUNTO com a música, e que dava pra entender anyway. mas além de entender, eu queria OUVIR a voz dos artistas interpretando aquelas músicas. E praticamente não era possível.

por essas e outras, eu ia tão pouco ao cinema no brasil. presenciei atitudes patéticas, e outras até perigosas (uma vez a pessoa sentada quase ao meu lado estava injetando drogas em si mesma). aqui é mais tranquilo, mas nem sempre - vide as velhinhas, blablabla.

lola aronovich disse...

Ju B, bom, o cinema era no centro de Detroit, a população em Detroit é 80% negra... Claro que eles eram negros! Mas pra mim a questão é mesmo a falta de campanha naquele cinema específico. Afinal, vi vários negros em outros cinemas nos subúrbios e lá eles se comportavam direitinho. Mas sim, muitos deles falam bem alto, e são bastante sociáveis. Eu via nos ônibus. E acho ótimo que o pessoal converse no ônibus. Agora, no cinema... Isso do Scrubs eu não sabia. A gente aprende cada coisa vendo TV...


Gio, acho que não há nada de errado em falar com a tela de vez em quando. Quando um filme de terror me pega, eu digo “Não vai aí!”, “Sai daí! Sai!”, essas coisas. Normal. É até legal quando um filme faz com que tenhamos essas reações tão viscerais.

lola aronovich disse...

Oi, Clecia! Aracaju, é? Eu quero morar aí no nordeste! Então, acho que essas campanhas ajudam muito. Pelo menos as pessoas ficam sabendo que não é recomendável falar no cinema. Apareça!


Concordo, Cris. Americano é cheio de regra, leis, avisos... E são muito inflexíveis. Um pouco de “jeitinho” (no bom sentido, no sentido de ser maleável) é bom. É ridículo que eles tenham que colocar aviso pra tudo, como esse do microondas que vc falou. Eles passaram a colocar avisos nos copos de café (do tipo: “Cuidado! O líquido pode estar quente”) depois que várias pessoas processaram Starbucks e afins por se queimarem tomando café. Quer dizer... A pessoa não vê que o copo tá quente? Não sai fumacinha e tal? É impressionante. Mas, também, colocar um aviso não custa tanto. Se vai impedir que um zé mané totalmente sem noção se queime ou coloque o bichinho no microondas, tudo é válido.
Ah é, tem isso da venda casada. Acho que nunca comprei alguma coisa num cinema na minha vida. Não que eu me lembre.

lola aronovich disse...

Batata Naomi, os comentores durante a sessão são os piores. Tem quem narra o filme INTEIRO pro amiguinho, que deve ser cego, tadinho. Só pode!


Su, acho que cinema com poltrona marcada, até agora, eu só peguei em Buenos Aires. Achei legal e tal, mas é aquilo que eu disse: se eu estiver sentada ao lado de um povo que fala durante o filme, e eu pedir silêncio várias vezes e eles continuarem falando, eu me mudo. Porque eu fico estressada e perco o filme falando shhh. É raro eu pegar cinema lotado tb. Ah, esse do Condor eu me lembro. Como será que me lembro? Devo ter visto em algum filme. Sobre o celular, Su, sei que vc tem duas filhas, mas não dá pra não atender celular por duas horinhas? Atrapalha muito tb a pessoa que sai no meio da sessão pra atender celular, ainda mais se tiver que sair mais de uma vez... Sei que quem tem filho quer ficar ligado o tempo todo, mas lembre-se: antes do celular existir, os pais conseguiam ficar um pouco “inalcançáveis” durante uma sessão de cinema. Lá na escola onde eu era coordenadora, tivemos esse problema com uma professora que tinha filho pequeno. O celular dela tocava durante a aula! A gente explicou que a pessoa podia ligar pra secretaria, e que se fosse algo urgente mesmo, a secretária chamava. Porque, querendo ou não, é desrespeitoso com os alunos.

lola aronovich disse...

Ish, Mica, que fora! Já fomos ao cinema juntas? Não lembro! Qual filme fomos ver? Certamente vc não falou comigo durante o filme, ou eu me lembraria... Agora que eu tô pensando, talvez eu tenha ficado com trauma de comentaristas por causa do meu amado pai. Era um inferno ver Jornal Nacional com ele! Ele sempre comentava a notícia. Qualquer notícia! Hoje sinto falta daqueles comentários, lógico. Mas TV (e vídeo) é um meio mais sociável, digamos, que cinema e teatro.


Ashen Lady, isso é verdade. Mas as pessoas que falam durante a sessão prestam o mínimo de atenção no que está se passando na tela. Elas vão perceber uma campanha que, antes de todo e qualquer filme, peça pra que elas se calem. E aí fica mais fácil pros espectadores que não gostam dos comentaristas cobrar, sem que os comentaristas me olhem com cara de “Quequié?! Qual a graça de ir ao cinema sem poder conversar?”.

lola aronovich disse...

Ha, Ju R, eu não me lembro de muitos casos específicos, ao contrário de vc. Pra falar a verdade, é tão comum pegar um comentarista numa sessão que eu nem registro mais. Acabo sempre colocando nas minhas críticas, de um jeito ou de outro. Isso do celular: não é só o barulho do celular que atrapalha. É a luzinha, a pessoa se levantando pra atender, tudo. Note que nessa rede americana que citei eles proíbem não apenas celular, como pager, bluetooth, mensagem de texto, tudo. Tudo isso incomoda. Se a pessoa vai ficar atendendo celular o tempo todo, ou não deveria ir ao cinema, ou deveria ficar na porta. Veja o filme lá do corredor, ué. Quer dizer, isso tb incomoda, mas menos.
Reclamar de criança é mais complicado, porque eu não tenho filhos, mas entendo o drama de quem tem. É difícil e caro arranjar babá, e o casal com filho pequeno acaba nunca mais indo ao cinema. O que é uma questão de prioridades, claro. Mas acho que esses pais devem fazer um esforço grande pra levar os filhos nas matinês, antes das seis da tarde, onde haverá mais crianças. E, numa sala cheia de crianças, em que os adultos sejam a minoria, paciência. Acho que elas têm o direito de correr, gritar e brincar, e os adultos que não deveriam ir a essas sessões da tarde. Mas também, depois das seis, pais, please, não levem as crianças ao cinema.
Sobre comida, eu acho esse cheiro da pipoca que vendem nos cinemas muito enjoativo. Mas não falo nada. Às vezes eu e o maridão dividimos um chocolate no cinema (comprado no supermercado, claro). Sexta passada, pra falar a verdade, fizemos algo inédito: como estávamos atrasadíssimos, mas com fome, levamos dois pastéis pra comer no cinema. Mas nos sentamos longe de todo mundo, e a comilança acabou em cinco minutos, e não fizemos sujeira. Eu sempre levo água pra beber. Bom, sempre levo água pra beber a todo lugar que vou. E nunca vou ao banheiro durante um filme, a menos que eu esteja passando mal, o que foi o caso quando fui ver Cavaleiro Negro. Triste! Perdi uns três minutos do filme!

lola aronovich disse...

É, Cris, nisso eu concordo (veja o comentário acima). Algumas sessões são pra crianças mesmo, e adultos sem filhos não deveriam estar lá. Mas levar bebê pro cinema é complicado... Eles invariavelmente vão começar a chorar. Acho que não tem jeito: pais têm que se abster de cinema e teatro durante uns anos.


Miquinha, falei sobre comer no cinema na minha resposta imensa pra Ju R.

lola aronovich disse...

Kaká, já vi gente discutir relação pelo celular no cinema. E também ao vivo. É uma total falta de respeito. E uma total falta de amor próprio. Quem quer ouvir os problemas do casal? Isso tem que ser tratado em casa, com privacidade. Sobre celular, eu continuo sem entender o troço. Odeio celular. Tivemos um nos EUA por necessidade, já que não tínhamos linha fixa em casa. A Andie é testemunha de uma vez que eu liguei pra ela e comentei da estranheza que é andar e falar num telefone ao mesmo tempo. Enfim, pra mim dá tranquilamente pra ficar incomunicável por algumas horas.
Ish, Kaká, vc fala durante o filme? Isso é pecado, não pode! Espera pra falar depois. Se esquecer é porque não era tão importante. Eu, que sou crítica de cinema, já tentei levar um caderninho pra anotar algumas observações durante o filme. Fiz até umas linhas amarelas no caderninho, pra ver se dava pra ver no escuro. Não dá. Várias vezes rabisquei algumas linhas ou palavras-chave no caderninho. Elas ficavam incompreensíveis depois. Não faço mais. O que faço, quando noto que vou esquecer o filme no ato, é anotar imediatamente após a sessão. Aí resolve.


Lolla, eu entendo perfeitamente a sua revolta com as velhinhas cantando em Mamma Mia. Mas também entendo o lado das velhinhas. É como eu falei, alguns tipos de filmes praticamente pedem uma reação da platéia. Outros não. E, como já te disse: você teve sorte em não ouvir o Pierce Brosnan cantando, trust me. Alguém se injetando drogas durante uma sessão? Nossa, que horror! Qual era o filme? Pra mim, hors concours foi um carinha que foi se masturbar ao lado da minha mãe em Berlin Alexanderplatz, um filme de 11 horas (dividido em 3 sessões) super deprê sobre nazismo.

maria disse...

Lola, sobre a enquete da cena de terror, não achei onde responder ao Qual, da opção "outra". Por isso vou comentar aqui...apesar de ter me apavorado com o fim da Blair, a mais aterrorizante pra mim foi a hora que o Nicholson deu de cara com aquela mulher descarnada na banheira em O Iluminado, e a cena nas opçãoes era outra. Ah!...amei suas fotos de criança, ou mocinha, uma graça... Beijos, Teresa.

Tina Lopes disse...

Sabe aquele episódio de Seinfeld em que a Elaine pede silêncio no cinema... durante os trailers? Sou eu.

Anônimo disse...

Lola!!!
Ontem fui ao cinema aqui no centro de Santiago (Chile) e descobri que eles vendem pizza (dessas de grandes redes internacionais, bem gordurosas, com cheiro fortíssimo) e se pode entrar na sala com a caixa da pizza! Fiquei inconformada! Já pensou vc vai ver um filme bacana, tá a fim de prestar atençao, nao come pipoca no cinema pra nao incomodar os outros, e vem alguém e senta do seu lado comendou pizza! Aquele cheiro o filme inteiro!!! Desespero total! Fiquei sem saber o que fazer... será que nesse caso eu posso sair do cinema e exigir o $ da minha entrada de volta???

Anônimo disse...

opa, erro de digitaçao, era "comendo", nao "comendou"! Mas a minha dúvida já é de algum tempo... será que eu posso pedir meu $ de volta se alguém ficar comendo (as coisas que o proprio cinema vende) do meu lado? Isso atrapalha muuuito! É tao irritante qto pessoas conversando durante o filme. O pior é que aqui tem muito pouca opçao de cinemas, a maioria é de cadeias internacionais... e tanto no centro como no bairro mais "exclusivo", sempre tem muita gente comendo... Eu sou totalmente contra comer no cinema... se quer comer assistindo filme, assista em casa. Pô, é pedir muito nao incomodar os demais? Exemplo: eu fumo, mas jamais fumo na rua ou em outros locais onde possa incomodar os demais... fumo na minha casa (qdo o namorado nao está, pq ele nao fuma), ou na casa de amigos fumantes. Nao quero incomodar ninguém, e tb nao quero ser incomodada.
PS: as pouquissimas salas de cine-arte aqui sao de dar pena... sinto saudades das de S. Paulo... pelo menos nesses lugares o público geralmente é mais consciente... é super dificil ouvir alguem comendo pipoca ou batendo papo durante o filme...
adoro seu blog!
abraços!

Anônimo disse...

Realmente! Poderia chamar assim: "Campanha para as pessoas que gastaram o seu dinheiro, seu tempo e que realmente desejam estar no cinema!"
XD

Já xinguei váááários por conta do meu "estréssssiii"

XD

Beijo!

Juliana disse...

http://www.youtube.com/watch?v=-55qaYl6GLE

Masegui disse...

Faz tempo que não vou ao cinema... acho que teria sido morto ou matado alguém. Num lugar público, onde vai todo mundo, todo mundo tem que ser respeitado, você não deve fazer nada que incomode o próximo.

A Thais disse muito bem... se você vier aqui em casa saiba que é tudo enfumaçado, a casa é minha, f...-se. E pode ficar tranquilo que jamais fumarei em sua casa...

Se vou num estádio de futebol eu vou pular, gritar, xingar o juiz. Agora, no cinema eu vou pra ver o filme, ouvir o filme, prestar atenção no filme, entender o filme. Quer comer? coma em casa... tem criança sapeca? fique em casa... tem ligação importante? resolva antes em casa... tá com problemas? e eu com isso?????
EU QUERO VER A P... DO FILME, C@R@#%O!

Beijocas... ;)

The Red Death disse...

"hors concours foi um carinha que foi se masturbar ao lado da minha mãe em Berlin Alexanderplatz, um filme de 11 horas (dividido em 3 sessões) super deprê sobre nazismo."

poutz!!! essa superou! :o

Unknown disse...

Tive poucos problemas com conversas no cinema. Não sei porque mas no GNC, passa um vídeo onde dão maior atenção para as saídas de emergência e quase se esquecem dos avisos de silêncio.
Lola vc já soube que o Michael Moore vai disponibilizar para download, a partir do dia 23, seu novo filme "Slacker Uprising"?

Santiago disse...

Ah Lola!

E eu que vou o mínimo o cinema - ia de duas a tres vezes por semana, agora nem uma vez por mês - por causa dos imbecis que comem um quilo de pipoca, mais bala, mas tudo o que é porcaria, fazendo um barulho irritante; sào somente duas horas, não podem comer depois? Depois reclamam que não perdem peso! Por que não vão comer em casa ou em um restaurante?

Agora você vem falar que nos EUA é ainda pior. O mudo está perdido de gente idiota sem educação e sem respeito pelos outros. Tem que ser gente da classe média; os covardes alienados.

Anônimo disse...

Pôxa Lolinha,encontrei por aqui um compêndio acerca do comportamento
de pessoas nas salas de cinema do mundo!Na minha cidade há prédio (excelente por sinal) onde já teve sala de cinema. A sala continua lá,
e com tão boa acústica e palco que Procópio Ferreira encenou com Bibi "O Avarento" nos anos 60.
Peninha que fechou. Depois virou templo de um Igreja. Depois Secretaria de Cultura e agora nem sei o que funciona lá. Uma dó!
Nos tempos de matiné era uma zorra
até o início da sessão, depois havia "o lanterninha" um zelador que aparecia se a molecagem insistisse. Na "sessão das moças"
(já teve tambem isto), era tudo muito classudo eheheh. Atualmente vou ao cinema quando vou a capital.
Lá no Centro Integrado de Cultura,
geralmente, que é bem tranquilo.
Gostei do tema! Abraço da Fatima.

Giovanni Gouveia disse...

"Pra mim, hors concours foi um carinha que foi se masturbar ao lado da minha mãe em Berlin Alexanderplatz, um filme de 11 horas (dividido em 3 sessões) super deprê sobre nazismo."

Um tarado fez isso ao lado de uma prima minha, que tinha uns 14 ou 15 anos, à época, e nem "ligou o nome à pessoa" de imediato, mas o cara foi preso na hora, com a ajuda de uma figura que, parece, não existe mais, o "lanterninha"...

Eu morria de medo deles (por que eu ia pro cinema pra assistir o filme, mas também pra tirar onda), sempre respeitei, e hoje sinto falta (no bom sentido, claro) deles.

Talvez seja essa a solução, campanha (inter)Nacional:

QUEREMOS OS LATERNINHAS DE VOLTA!!!!


P.S. Espero que o cargo de "Lanterninha" tenha o mesmo nome nos vários recantos desse Brasilzão..

The Red Death disse...

concordo plenamente com o amigo aí acima: LANTERNINHAS, VOLTEM!!!!!!

Anônimo disse...

ei, dá uma lida:

http://www.guardian.co.uk/film/2008/sep/15/worldcinema

abraço! :)

aninha

Mica disse...

Lola, fomos assistir aquele filme (lá na Americanas) com o Ryan Philliip e o Tim Robbins em que ele vai trabalhar no vale do silício e descobre uma conspiração, lembra? (do filme com certeza lembra, agora, de mim, sei não, hehehe).

Unknown disse...

Vi outro dia no Jornal Hoje que em São Paulo tem umas sessões para mamães de bebês. Aí eles podem chorar à vontade, mesmo, mas a mãe tenta ver alguma coisa. Eu e Gio por exemplo. A gente não ficava 1 semana sem ir ao Cinema (principalmente depis que descobrimos a Sessão família aos domingos, meio dia em que todos pagam meia), mas depois que Danton nasceu fica muito difícil....

lola aronovich disse...

Tudo bem, Teresa, pode escrever sempre no post mais recente, mesmo que nao tenha a ver com o tema. É, essa cena do Iluminado é ótima sim. Abração, e apareça sempre!


Ha, muito boa, Tina! Acho que sou eu tb. Quando vejo o pessoal muito empolgado conversando nos trailers, SEI que nao vao parar quando o filme começar...

lola aronovich disse...

Thais, de fato, assim não dá! Se não vira piquenique no cinema! Daqui a pouco fazem churrasco, levam farofa e tal. Fica difícil. Eu já acho o cheiro de pipoca com manteiga enjoativo... Sem falar que tem muita gente que fica arrotando depois de tanto refri. Enfim... Eu tento nao me incomodar com essas coisas, porque sao muito comuns.
Sobre pedir o dinheiro do ingresso de volta, não sei se dá. Depende da rede. Vc pode tentar falar com o gerente, e explicar que isso te incomoda. Mas, se todo mundo faz isso, ele nao vai te dar razao. Pode até te devolver o dinheiro daquele dia, mas o problema vai se repetir.
Público de cinema de arte é diferente. É raro ver essas atrocidades dos cinemas comerciais nos filmes mais sérios. Obrigada pela contribuiçao, Thais!


Bobby, entao vc é um adolescente respeitador no cinema?

lola aronovich disse...

Ju B, que fofinho! Gostei dos caras vendo a cirurgia, gritando e dando sugestões.


Anotar no meu caderninho: nunca entrar na casa enfumaçada do Mario Sergio... No fundo concordo contigo nisso que vc falou de ficar em casa, mas, na vida real, temos que ser mais tolerantes. Pelo menos um pouquinho! Mas as pessoas que incomodam precisam se tocar tb!

lola aronovich disse...

Ju R, aconteceu de verdade, acho que na década de 80. Minha mãe foi sozinha no cinema e voltou meio traumatizada.


O que, Clau? No GNC de Joinville não passa nenhum aviso pedindo bons modos! Que maravilha isso do Michael Moore. Não sabia, nao. Me lembra no dia 23? E vc sabe sobre o que é o documentário?

lola aronovich disse...

Santiago, nao acho que nos EUA é ainda pior. O meu ponto é que é pior, sempre, em qualquer lugar, onde o cinema nao promove campanhas de conscientizaçao do público. Quando o cinema pede com jeitinho, e com insistência, o público costuma obedecer.


Sabe, Fatima, isso que vc contou me lembrou da conversa que tive com o gerente do cinema na sexta. Ele disse que, quando a rede fez os primeiros cinemas num shopping, achava que não ia dar certo. Imagina, eles achavam que a idéia de cinema em shopping podia nao pegar! Dá pra acreditar? Sinto falta dos cinemas de rua, chuif.

lola aronovich disse...

Gio, acho que os lanterninhas ainda existem, apenas que acumularam mil e uma funções. Agora são bilheteiros, faxineiros pós-bagunça da sessão, etc. Pessoalmente, acho que nunca tive muita necessidade de tê-los por perto, porque sempre me comportei no cinema. Acho, imagino, que, com os shoppings, a situação tenha melhorado pras mulheres. Na minha época de moça jovem e bonita, era impossível ir sozinha ao cinema. Os caras nao podiam ver uma mulher sozinha, que sentavam do lado e puxavam conversa. Durante o filme! Quando nao sentavam e começavam a se tocar ao seu lado. Eu tinha que mudar várias vezes de lugar! Era difícil pros caras entenderem que uma mulher podia estar lá pra ver o filme, e nao pelo prazer da maravilhosa companhia deles!


Obrigada, Aninha. Não gostei muito do artigo, não. Achei meio limitado na análise.

lola aronovich disse...

Mica, nao lembro do filme mesmo! Acho que escrevi uma crítica sobre um com o Ryan Phillipe e informática. Mas tinha o Tim Robbins?! (tá vendo? Vc tá em boa companhia. Não é só de ter ido ao cinema contigo que nao lembro!).


Interessante isso, Cris, de sessões pra mães de bebês. Mas realmente nao tem jeito. Há muitas coisas que casais com filhos pequenos precisam deixar de fazer, pelo menos por um tempo. Ir ao cinema parece ser uma delas. Evidentemente há muitas compensações em contrapartida!

Anônimo disse...

eu também não, mandei justamente pra ver o que vc achava e se valia a pena pra abrir alguma discussão.
o povo do guardian desceu a crítica no Tropa de Elite e esse artigo veio pouco depois.

[]'s :)

Anônimo disse...

Lola, só não respeito que não me respeita!

Se é pra falar alto do meu lado eu xingo mesmo! XD

lola aronovich disse...

Aninha, nem acompanhei a polêmica: o The Guardian odiou Tropa de Elite? Por quê? Acharam fascista e o que mais?


Bobby, põe uma foto sua no seu blog? Preciso ver vc enfezado!

Anônimo disse...

lola, cheguei aqui por meio das fridas.
nossa, lola, adorei ler isso. nao me conformo com essas falta de civilidade e muito me espanto que os DONOS das salas declinem do seu direito de gerir seu patrimônio e ao mesmo tempo se omitam de sua obrigaçao de zelar pelo bem-estar de todos. há pouco tempio escrevi para todos os -plex de minha cidade sobre o assunto, e recebi algumas respostas burocráticas. na minha mensagem eu perguntava se eles estariam com medo de perder esse público mal-educado e informava a eles que na verdade já estavam perdendo o público que, como eu, nao se conformava com as agressoes a que a falta de fiscalizaçao deles o sujeitava.

abraço