quinta-feira, 9 de outubro de 2008

SABE AQUELE FILME QUE...?

“A cena mais horrível de todas é de um filme que vi há muito tempo, não lembro o nome, só recordo que eram três filmes num só... a primeira história era bem boba, com um índio de madeira que criava vida, a segunda mostrava um sujeito que enfrentava uma mancha de óleo viva e devoradora de gente num lago, e a terceira, essa sim apavorante, mostrava uma mulher adúltera que num acidente de carro atropelava um homem e depois era perseguida pelo sujeito morto. Uau, a cena final em que ele surgia debaixo do carro dela (contrariando a nossa esperança de que tudo fosse apenas um pesadelo) é disparada a mais apavorante”. (Guta Gatuna)

Então, aproveitando o comentário da Gatuna (o filme que ela narra parece muito familiar, mas sou péssima nisso de lembrar cenas), devo confessar que eu sempre me recordo com pavor de dois filmes que não sei o nome, os atores, o diretor, nadica de nada. Obviamente hoje eles me provocariam risos, não terror, mas na época eu era criança (ou seja, década de 70 – 1970, só pra deixar claro), e realmente foram marcantes. Um eu me lembro que estava meio sozinha em casa, e era noite. Meus irmãos menores estavam dormindo e meus pais tinham saído. Não lembro se tinha algum adulto em casa, dormindo também. Eu deveria estar dormindo, mas acordei no meio da noite, fui ligar a TV, e lá estava uma mulher vestida de preto chamada Charlotte. Uma das imagens que povoaram meus pesadelos daí em diante foi a de uma mão desmembrada do corpo. Ah, e de um piano tocando sozinho. Olha só que pistas valiosas: o nome da protagonista era Charlotte e tinha um piano que tocava sozinho! Fácil, né?

Do outro filme eu tenho mais memórias. Como o da Gatuna, este também continha três ou quatro histórias de terror. Era sobre um carinha que ia visitar um hospício, e cada um dos internos lhe narrava o seu drama. Um deles era sobre um homem que matou sua mulher, a cortou em pedaços e guardou-os embrulhados no freezer. Só que, de repente, apareciam uns pacotes espalhados, fora do freezer, e não tinha sido ele. Quando ele vai ver no freezer, duas mãos lá dentro o estrangulam. Essa última parte pode ter sido minha imaginação fértil (por que, ahn, como ele estaria narrando, se fora estrangulado?). Quando o carinha ouvindo as histórias tenta sair do hospício, no final do filme, não o deixam. Alguém morre com uma facada no coração. Acho até que havia um brinquedinho que lhe desfere uma facada. Mas aí posso estar confundindo os canais.

E aí, algum bidu sabe do que estou falando? (aproveite e ajude a Gatuna também. O dela é mais fácil, porque ela é jovem, logo, o terror dela deve ser recente). Mas o meu é pré-histórico, isso eu sei. Década de 60 ou 70, provavelmente. Seria legal se existisse um site onde a gente descrevesse, em linhas gerais, a historinha do filme que procura, e aí puf, aparecesse o título, data e tal. Eu quero saber o nome dessas duas produções que me atormentaram a infância!

SUPER UPDATE: Meu amigo Mau-mau, do Antigravidade, desvendou o enigma. Olhem só que bela resposta:


Sabe como é, nerd que é nerd não resiste a um desafio. Então, tentando ajudar: o filme da Gatuna é o Creepshow 2, baseado em histórias do Stephen King, e que no Brasil passou nos cinemas como Show de Horrores (sem 2 no título). Era isso mesmo: o índio de madeira que se vinga de uns ladrões, a mancha de óleo que come gente e a mulher perseguida pelo cara que pode ter atropelado. Aqui o trailer.
Já seu primeiro filme, o da Charlotte, deve ser
Com a Maldade na Alma (Hu
sh, Hush Sweet Charlotte), estrelado pela Bette Davis como a tal Charlotte, uma mulher que todos acreditam ter cortado a cabeça e a mão do noivo anos atrás. Um dia, mais velha, ela começa a achar que está sendo assombrada pelo sujeito, vendo sua mão decepada pela casa (e sua cabeça também) e ouvindo a "música deles" sendo tocada pela casa aparentemente por ninguém. O lance era saber se era a imaginação dela ou se era tudo verdade. O elenco tinha também a Olivia de Havilland e o diretor era o Robert Aldrich. Era esse?
O terceiro filme, me parece, é
Asilo do Terror, produção inglesa de 1972. Desse eu lembro mais ou menos bem, pois me deixou com medo também. Eram quatro histórias de terror: uma sobre as partes humanas no freezer querendo vingança, uma mulher com dupla personalidade (ou possuída) que é presa por assassinato, um terno feito com um tecido amaldiçoado que dá vida a um manequim de madeira e uma que fechava tudo, com um bonequinho matando pessoas, sendo que o tal visitante que ouvia as histórias era considerado culpado pelos crimes e ficava preso no hospício. Veja se este clip lembra algo (o trailer está aqui). Depois comentem se era isso mesmo!

Quando eu crescer quero ser que nem o Mau-mau! Aliás, Mau, você bem que podia ter uma seção de "que filme é esse?" no seu blog. Faria o maior sucesso. Eu não conseguiria, mas pra você parece que é bico!

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

OS MORROS ESTÃO VIVOS

Esta crônica é antiga, tem uns seis anos (antes de eu sequer começar o mestrado em Florianópolis), e na realidade é uma compilação de três textos que foram publicados no jornal. A história fez um certo sucesso porque é engraçada, como você vai ver (espero. E nada de ficar com pena do maridão!). Outro dia comentei com o maridão que não iria passar no teste de seleção pro mestrado. Ele respondeu: "Se você não passar, tudo bem. Vou continuar te amando do mesmo jeito". Piiii! Resposta errada! Não era isso que eu queria ouvir. Hoje sei que ele tinha boas intenções e, se eu pudesse voltar atrás, retiraria o tabefe que lhe dei na ocasião. Mesmo sem saber se iria passar, ou melhor, sabendo que não iria passar, descobri que teria que deixar o meu lar doce lar em Joinville e partir pra Floripa pra conhecer minha possível futura orientadora. Como sou medrosa pra dirigir na estrada, convoquei o maridão pra ser meu co-piloto.
Não sei se essa foi uma escolha acertada. O senso de direção dele é melhor do que o meu, o que não significa grand
e coisa. O senso de direção de uma barata tonta é melhor que o meu. Mas digamos que o maridão nunca errou a rua aqui de casa, enquanto eu... Não quero falar nisso. O que me espanta é que as pessoas sempre pedem direções pra mim. Devo ter a maior cara de inteligente. Voltando ao assunto, outro dia eu e o maridão queríamos ir pra Curitiba. Ele estava dirigindo. Ainda bem que paramos num posto de gasolina pra pedir informações, onde descobrimos que estávamos indo na direção oposta. Se seguíssemos pelo mesmo caminho, iríamos chegar logo em Porto Alegre, os frentistas nos contaram. Senti uma pontada de sarcasmo no comentário deles. Sorte que não tínhamos ido muito longe. O maridão, você entende, também é mundialmente conhecido como a lesma morta da estrada. Se a placa diz 80 km por hora, ele obedece e vai a 40.

Voltando mais ainda ao assunto, antes de irmos a Floripa, perguntei ao meu amor se ele estava capacitado pra ser meu co-piloto. Ou seja, se havia se informado ao menos sobre que rumo tomar. Ele disse que não havia problema: era só seguir os pássaros. Segundo aquele intelecto privilegiado, os pássaros migram pro Sul. Não tinha erro.

Teve, claro.

Antes de seguir o passa
rinho, pesquisei e vi que as aves só rumam pro sul à tarde, e nossa viagem era de manhã. Além do mais, comuniquei ao maridão que não podíamos ir atrás de qualquer passarinho. Uma das aves nos dirigiu a uma estrada paralela à BR, que voltava pra Joinville. Depois de entrarmos e sairmos de Ville, Ville duas vezes, decidimos que o passarinho estava nos levando no bico. Acertamos o caminho e lá estávamos eu, uma exímia motorista, e o maridão, um co-piloto limitado, em direção à capital de SC. Mas eu tinha dúvidas se valia mesmo a pena ir até a universidade conhecer a orientadora, já que não iria passar no mestrado. Como sou uma romântica incorrigível, falei pra minha cara-metade:

– Amor, e se a gente não fosse pra Floripa? E se a gente parasse num desses motéis da estrada?
– E ficasse lá fazendo hora até você decidir ir pra Floripa?

– Não, amor, fazendo hora não. Fazendo outra coisa...
– A gente podia ficar vendo TV pra matar o tempo.

– Amor! Se a gente parar num motel, não é pra ver TV. É pra fazer sexo.
– Sexo?

Não sou capaz de reproduzir o tom de estranhamento com que o maridão disse "sexo?", como se a palavra fosse uma total abstração pra ele. O clima no carro ficou tenso quando ameacei jogá-lo pra fora do veículo em movimento. Ele travou as portas, só pra garantir. Conversa vai, conversa vem, conseguimos trazer a harmonia conjugal de volta ao carro. E, com ela, as velhas divagações intelectuais de altíssimo nível. Somos um par pautado pelo papo cabeça. Por exemplo, ao passarmos por Gaspar, o maridão quis saber:
– Quem nasce em Gaspar é Gasparzinho?
(Certa vez, umas colegas indagaram sobre o tipo de diálogo travado entre um casal tão sofisticado como eu e o maridão. "Aposto que vocês só falam de filosofia", afirmaram as ingê
nuas. De fato, nossas conversas elevam a sabedoria humana).

– Continuando a Sessão Infâmia, quem nasce em Penha é Penhasco?

Finalmente, graças às instruções precisas de uma amiga, conseguimos chegar a Floripa. Digo mais: conseguimos chegar até à universidade. Nunca tinha estado na UFSC, e o lugar é enorme. Pra descobrir onde era o prédio que eu queria ir foi um sufoco. Mas logo relaxei ao notar que o local estava repleto de carinhas bonitinhos.
Minhas queridas cinco leitoras, ávidas por cultura, abro aqui um parêntese pra recomendar a UFSC. Ainda não tive nenhuma aula lá, e obviamente não terei, já que não passarei no mestrado, mas é só olhar ao redor pra verificar que aquela sim é uma universidade especial, onde se respira conhecimento. Minha constatação não foi em nada influenciada pela grande quantidade de homens maravilhosos que vi por lá, até porque sou uma mulher séria, fiel, de respeito, e que estava com o maridão bem do lado (droga! droga! droga!).
Bom, o fato é que eu e minha paixão estávamos perdidos no meio do campus, dirigindo em círculos. Tínhamos que pedir informações urgentes. Calhou de eu avistar um rapaz divino, desses que exalam inteligência. Quase o atropelei, mas fui capaz de parar o carro a tempo (as marcas de freada no chão não me deixam mentir) de lhe perguntar a direção do prédio tal. Ele respondeu: "Perdón, eu no parlo Portuguese". Eu ia lhe dizer que podíamos nos comunicar através da linguagem internacional do amor, mas reparei que o maridão tava me olhando feio.
Continuamos a rodar e então vi três garotos, um mais fofo que o outro, e eu já tava parando e gritando pro maridão "Oferece carona! Oferece carona!", quando me lembrei que eles tinham idade pra serem meus bisnetos, sem contar que sou uma mulher séria etc (ver penúltimo parágrafo). E claro que o maridão tava no carro. Pensei em pedir pra ele sair e comprar cigarro, mas imaginei que ele só iria até a esquina antes de se recordar que eu não fumo.

Decidi então me informar com um rapaz deslumbrante (e, certamente, dono de um grande Q.I.). Ele perguntou: "Para onde vocês querem ir?", e eu quase respondi: "Vou pra onde você estiver indo, meu Apolo!". Entramos na contramão e logo vi que o melhor a fazer era estacionar o carro e ir a pé para, assim, ter mais contato físico com os acadêmicos. Não, claro que isso não me passou pela cabeça. Estava mais preocupada em encontrar uma vaga e estacionar sem bater nos outros veículos. O sarcástico maridão falou que a vaga encontrada provavelmente era a do reitor.
Mas estacionei lá mesmo e saímos de mãos dadas, eu e o maridão, eu tentando ignorar os olhares convidativos que todos os meninos magníficos me dirigiam, e o maridão tentando desviar das árvores. O campus é lindo, e não só pelos homens – tem também a beleza natural, o verde. Fiquei tão inebriada com aquele clima de passeio no parque que pedi
ao maridão pra fazermos "the hills are alive". Calma, eu explico. Você viu Noviça Rebelde? Tem uma cena em que a Julie Andrews abre os braços e gira cantando "os morros estão vivos com o som da música", mas em inglês, que a Julie não fala português. Abri os braços o quanto pude e rodei (o maridão se recusou a fazer isso em público), mas, infelizmente, não consegui agarrar nem um dos garotos que passavam. Em compensação, dei com o nariz numa árvore.
E algumas semanas depois, devido à minha inteligência superior e ao meu estilo sóbrio, consegui passar no mestrado.

Quer mais crônicas lolísticas antigas? Tem mosquitos, jornal, gafes, sobrenatural, prova de seleção do mestrado, prova de fonética, linchamento na faculdade, diálogos musicais com o maridão, beijos, e o meu já lendário bolo de cenoura.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

CRÍTICA: VIOLÊNCIA GRATUITA / Parte 2

- Quando éramos felizes.

Outras coisinhas sobre o instigante Violência Gratuita que não couberam na crítica (aproveite porque agora sim o filme estreou nos cinemas):

- O Violência de 2008 é realmente uma refilmagem cena a cena do de 1997. Deve ser até legal fazer um jogo dos sete erros entre o original e o remake.

- É curioso que a Naomi Watts (que tá virando a rainha dos remakes, com King Kong, O Chamado e – pasmem! - Os Pássaros, programado pra 2009) não tenha apenas estrelado o filme, mas também entrado como produtora. O papel dela e do Tim Roth são quase genéricos. Eles estão bem, lógico, só que de maneira alguma será com eles que a gente associará o filme. Será com o Michael Pitt (de Paixão Proibida), que tá excelente. Esses vilões educados vestidos de mímicos (ou tenistas?), com roupas brancas e luvas, são os piores.

- Por sinal, os psicopatas não carregam armas. O que eles usam é improvisado, encontrado na casa invadida. Tacos de golfe, facas, rifles. Fico imaginando o que eles usariam se entrassem na minha casa, onde não tem nada disso. Faquinha de janta? Eu não colocaria muita fé nessas facas de passar manteiga. Acho que eles acabariam se cansando e jogariam ovos na gente.

- Típico! No recinto tá acontecendo a maior violência, ameaça de estupro, sentimento de impotência, e um dos personagens fala pros malvadões não usarem linguagem chula perto de uma criança. E, no meio de grande tensão, o que você mais quer é que alguém desligue aquela maldita televisão (só Poltergeist é tão claramente anti-TV como Violência).

- A trilha sonora (ou a ausência dela) do filme é muito importante. A música clássica no começo, dentro do carro, é abruptamente interrompida por um heavy metal bem pauleira. No resto do tempo é tudo música que só ouvimos porque os personagens a ouvem também. Um carinha até põe um CD antes de perseguir alguém.

- Acho que a família não tem consideração com seu cão de estimação. Às vezes me pergunto por que as pessoas têm um cachorro, se não vão lhe dar o mínimo de atenção.

- Teve uma hora em que tudo que consegui pensar é que, se me mandassem ficar só em trajes íntimos, de jeito nenhum que minha calcinha estaria tão branquinha-recém-saída-da-máquina como a da Naomi. Mas há bem pouco glamour. Até seu sutiã não combina! Não é uma lingerie sexy. Aliás, não há absolutamente nada de sexy em Violência.

Mesmo que o remake americano não chegue a sua cidade (a distribuição é pra lá de restrita, embora tenha se ampliado um pouco), veja o original austríaco em dvd, ou na internet. Vale muito a pena.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

A VICE QUE VEIO DO GELO, E OUTRAS NOTAS QUENTINHAS

Oi, pessoal! Voltei ontem, deu tempo de votar, aleluia (faltava uma hora pra fecharem as urnas), o maridão trabalhou como fiscal do PT pela primeira vez na vida, e o nosso candidato a prefeito fez mais de 100 mil votos e, com 37%, tá no segundo turno. É a quinta vez que Carlito Merss disputa a prefeitura de Joinville, e a primeira que ele vai pro segundo turno. Ele tem uma vantagem boa sobre o candidato da situação que ficou em segundo, com 24%, mas agora a direita se une, e vamos ver (eu não compreendo bem porque, nas notícias, o nome e a foto do Carlito vem em segundo. Seria pela ordem alfabética? Hmm, o candidato do DEM chama-se Darci de Matos. E eu pensava que Carlito viesse antes de Darci, ou que quem tivesse mais votos seria considerado o vencedor do primeiro turno. Eu sou tão ingênua!). Quem vai definir mesmo o pleito é o eleitor do terceiro colocado, que é do PP (partido do Maluf, eca), um radialista famoso por essas bandas. Ele fez quase 19%. Isso vai ser interessante porque, ao mesmo tempo que o eleitor joinvilense do PP é de direita, ele também é oposição ao governo estadual e municipal. Então agora ele vota na esquerda, ou vota na direita, que é também a situação que o eleitor abomina? Vou acompanhar de olhos bem abertos.
Pra quem não viu o debate dos vices entre Sarah Palin e Joe Biden, ou pra quem viu e vai entender melhor ainda as referências (eu tô no time dos que não viram), minha dica é pra assistir logo a este ótimo esquete do Saturday Night Live (logo porque já já eles tiram do ar). Ainda não nasceu ninguém melhor que a Tina Fey pra imitar a Sarah. Infelizmente tá tudo em inglês, sem legendas, mas tenha paciência que acho que dá pra entender. Adoro como a Sarah diz no final que, se você quiser votar em alguém que não pronuncia o g no final das sílabas, ou que não fica analisando por que uma pessoa diz algumas coisas ou a ordem em que as palavras são colocadas, ela é a sua candidata ideal. A “resposta inequívoca” do Joe sobre casamento gay também é hilária. Não sei, só sei que ri pacas. Fica um pouco menos engraçado quando a gente lembra que esse cenário de terror tem chance de se tornar realidade daqui a um mês. Mas vamos ver se o Obama ganha, graças à crise econômica. Lembre-se: crise econômica (daquelas que nos salvam, de acordo à histórica capa da Veja - aliás, folheei a revista da semana passada e, após a barriga inesquecível, não havia um só “Oops, erramos feio”, ou “Desculpe, leitor, nos empolgamos com o poderio americano”, ou “É, nossa força jornalística imparcial está mesmo na cobertura da política brasileira” - nada! É como se a Veja jamais tivesse publicado aquela capa) é boa pros democratas; guerra é boa pros republicanos. Se alguém estourar uma bombinha de São João em solo americano até 4 de novembro, o McCain e sua fantástica vice que veio do gelo ganham.
Ah, aproveitando, bem rapidinho, pra falar do resultado da enquete sobre o partido do seu candidato(a) a prefeito. 74 pessoas votaram, e o PT ficou em primeiro, com 40%. Em segundo, outro partido que não fosse dos seis maiores, com 32% (isso é tudo pro Gabeira e pro PSTU?). Em terceiro, com 12%, PSDB. E em quarto, empatados com 6%, DEM e "não sei o partido", o que realmente é parecido. Afinal, como alguém pode votar no DEM sabendo que tá votando no partido que foi ex-Arena, ex-PDS, ex-PFL?
Depois eu falo mais sobre a viagem à Argentina, que foi uma delícia. Agora vou responder às dezenas de comentários... Meu bloguinho foi meio abandonado esses dias, o número de visitas caiu bastante, mas fico feliz que os comentaristas continuaram comentando. Podem voltar todos que eu já tô aqui!

ELE É CÍNICO

Maridão uns 17 anos atrás, em Buenos Aires. Não sou só eu que envelheci...

Com o maridão é assim: eu peço e ele obedece, sem reclamar. Como nesse diálogo iniciado por mim:

- Eu preciso te pedir uma coisa. Você vai achar ridículo, mas...

- Geralmente é.

- Ô, anjo, claro que não. Eu vou repetir e você diz: “Nunca é”, tá bom? Então vamulá: eu preciso te pedir uma coisa. Você vai achar ridículo, mas...

- Não fala uma coisa dessas, minha flor!

[Nós dois caímos na gargalhada. Eu finalmente consigo dizer:] - Não dá pra ser menos cínico não?

E o meu pedido nem era tão ridículo assim. É que tinha uma pontinha de cobertor em cima do armário do quarto e, toda vez que eu passava e olhava pra cima, pensava que podia ser uma barata. Só queria que minha cara-metade empurrasse o trocinho pra dentro. Eu poderia fazer isso, mas teria que pegar um banquinho pra alcançar. Embora o maridão não seja o homem mais alto do mundo (ele mesmo se intitulou de “sueco anão”), com uns pulinhos ele chegaria lá. Viu como era algo de suma importância? Ele deveria se ajoelhar no milho por julgar meus pedidos ridículos.