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quarta-feira, 23 de março de 2011

QUEM QUER LER MINHA TESE SOBRE IRONIA EM LOLITA?

Faz um tempão que estou pra escrever um (ou mais) post sobre a minha tese de mestrado, defendida em 2005. Gosto dela porque trata de temas queridos pra mim: cinema, literatura, Nabokov, Lolita, Kubrick, ironia, narração em off, essas coisas. Você pode lê-la na íntegra aqui, em inglês. Mas, pra que você possa se situar um pouquinho (e porque sei que não é todo mundo que tem tempo ou vontade de ler uma tese de cento e poucas páginas, por mais interessante que ela seja — e, sem falsa modéstia, minha tese ficou bem interessante), vou falar dela um tiquinho.
Então, a tese recebeu o título de “What have they done to Lolita? The transposition of irony from Nabokov's novel to Stanley Kubrick's and Adrian Lyne's film versions” (“O que fizeram com Lolita? A transposição de ironia do romance de Nabokov às versões fílmicas de Stanley Kubrick e Adrian Lyne”). Essa primeira parte do título é uma referência ao trailer do filme de 62, que perguntava algo parecido, “como fizeram um filme de Lolita?”.
O livro do Nabokov é hoje considerado um clássico indiscutível, mas, claro, nem sempre foi assim. Em 1955, quando o escritor russo tentou publicá-lo, foi recusado por várias editoras. Quando finalmente conseguiu, virou uma espécie de sucesso-escândalo, e foi censurado em muitos países. Eu só vim a lê-lo quando adulta, e fiquei imediatamente hipnotizada por ele. Nem tanto pelo tema, mas pelo estilo. Lolita é um dos romances mais lindamente escritos que já li. Nabokov é um exemplo pra qualquer um que pensa que jamais vai dominar uma língua estrangeira. O inglês (Lolita está escrito em inglês) não foi nem sua segunda língua, mas sua terceira, depois do russo e do francês. E, no entanto, são poucos os autores americanos, ingleses, canadenses, australianos, sul-africanos etc (qualquer autor de país que tenha inglês como língua nativa) que têm um inglês tão rico quanto o de Nabokov. Lolita é praticamente uma declaração de amor à língua inglesa.
Lamento dizer que Lolita é também dos romances mais divertidos que li. É chato atestar isso (faz com que eu pareça uma sádica insensível), porque o livro trata de mil e um assuntos trágicos, principalmente do abuso infantil. Pra quem não conhece a história, quem a narra é um professor de 38 anos chamado Humbert Humbert. Humbert é um pedófilo. Só se interessa sexualmente por meninas com menos de 12, 13 anos. Ele atribui sua predileção a uma paixão de infância, quando ele era um garoto e se apaixonou por Annabelle. Só que ele cresceu, e suas obsessões, as ninfetas (termo inventado por Nabokov), seguiram na mesma idade. Ele vai parar nos EUA, onde aluga um quarto numa casa. Lá mora Charlotte, uma mulher que ele considera vulgar, e que ele topa tolerar pra ficar perto de sua filha, Dolores, ou Lola, ou Lolita, uma menina de 12 anos. Ele fantasia colocar remédio pra dormir na bebida das duas, pra poder abusar de Lolita sem que ela perceba. E até se casa com Charlotte, pra ficar perto de seu objeto de desejo. Logo ele descobre que o plano de Charlotte é mandar Lolita pra um colégio interno. Charlotte lê o diário de Humbert e, entre enojada e revoltada (com justiça), sai de casa. Na rua, é atropelada e morre. Humbert aproveita para mentir para seus poucos conhecidos jurando que, na realidade, é o pai de Lolita. E vai buscá-la no acampamento de férias. Logo Humbert está transando com Lolita e viajando com ela pelos EUA, sem perceber que um outro pedófilo, Quilty, os segue.
Quer dizer, contando a história assim, é horrível, eu nem discuto. Mas não dá pra cruficificar um autor, um livro, um filme, pela sua trama. Na vida real, Nabokov não era um pedófilo. Sua obra-prima não serve pra validar toda uma cambada de estupradores. O pior que o livro fez foi criar termos como Lolita e ninfetas, usados para que homens adultos babem de desejo por meninas menores de idade — o que simplesmente deveria estar fora de cogitação pra qualquer pessoa consciente. Mas o incrível do livro não é tanto do que ele fala, mas como está narrado.
Seu narrador e protagonista, Humbert, é um monstro, não há dúvida. Não apenas por transar com uma menina, mas por pagar-lhe, de vez em quando, para que ela aceite transar com ele (e depois roubar-lhe o dinheiro), e por se aproveitar de que ela não tem lugar pra ir. E, pior, se é que pode ser pior, por pensar no que ele fará quando Lolita completar uma idade (lá pelos 15, 16 anos) que ele não acha mais desejável. Ele cogita até engravidar Lolita para que ela lhe dê uma filha que ele também poderá estuprar!
E como isso tudo é engraçado? Bom, pois é, é o jeito como está contado. Humbert se leva a sério, mas no fundo é um paspalhão. Em inúmeras passagens, Lolita soa mais esperta que ele — o que é estranho, já que a narração é todinha de Humbert. Ele se acha um poeta apaixonado, e justifica seu desejo por ninfetas citando outros loucos, como Edgar Allan Poe e Dante, que também tiveram suas Lolitas (mas Humbert omite que eles eram meninos quando se apaixonaram por suas meninas). Além disso, o livro começa com o (falso) testemunho de um psiquiatra, que decide publicar os diários de Humbert, morto num hospício. Em várias ocasiões, Humbert se refere a nós, seus leitores, como “senhoras e senhores do júri”, e tenta convercer-nos que o que ele fez foi por amor. O tom do romance, do início ao fim, é totalmente irônico. Lolita é frequentemente usado para ilustrar um modelo de ironia. Kubrick, tão gênio na sua área quanto Nabokov na dele, decidiu transformar Lolita em filme em 1962. Deu tudo errado. Hollywood ainda adotava a auto-censura imposta pelo Código Hayes, e Kubrick teve que reescrever o roteiro um monte de vezes. Foi obrigado a transformar Lolita numa garota de 15 anos (interpretada por Sue Lyon, que pode parecer mais velha), e a descartar qualquer trecho menos sutil. Sem falar que, em 62, Kubrick ainda não era o monstro sagrado que se tornou após fazer Doutor Fantástico, 2001, Laranja Mecânica, Iluminado e Nascido para Matar. Era o início de sua carreira, mesmo que ele já fosse respeitado por dirigir O Grande Golpe, Glória Feita de Sangue e Spartacus. Mas Kubrick admitiu depois que, se soubesse dos obstáculos que teria que enfrentar para fazer Lolita, não o teria feito.
Ainda assim, o Lolita de Kubrick é uma graça. James Mason emprega o toque de humor negro no seu Humbert, Sue está muito bem, e Shelley Winters rouba todas as cenas como Charlotte. Mas o meio que Kubrick escolheu para driblar a censura e contar a história foi dar mais destaque a Quilty, aqui interpretado por Peter Sellers, a lenda. O que concluo na minha tese é que, embora o Lolita de Kubrick não seja fiel ao livro no que se refere à trama, ele capta o espírito irônico do romance de Nabokov. É péssimo falar em fidelidade e espírito, porque a gente cai na tentação de crer que uma obra contem uma essência que deve ser seguida (e não de ser uma obra sujeita a interpretações múltiplas). Os estudiosos de cinema dizem que é errado insistir em fidelidade. Mas, ao mesmo tempo, continuam comparando filmes e livros e falando em fidelidade. Não é fácil escapar.
Em 1998, 26 anos depois de Kubrick, Adrian Lyne quis fazer o seu Lolita (veja o trailer). Lógico que Lyne nunca teve um décimo da reputação daquele que é elencado como o segundo diretor mais consagrado da história do cinema (geralmente atrás apenas de Hitchcock). Pelo contrário, Lyne é mais conhecido por sucessos comerciais (e polêmicos) como Flashdance, 9 ½ Semanas de Amor, Atração Fatal, e Proposta Indecente. Ele viu Lolita como sua chance de redenção, de fazer um filme de arte, que fosse levado a sério. Não conseguiu muito. E, tal como Kubrick, também teve problemas com a censura. Os anos 90 foram marcados pela luta contra a pornografia infantil. Clinton havia acabado de proibir que qualquer filme usasse uma criança numa relação sexual, mesmo que fosse um dublê. O Tambor (vencedor do Oscar de filme estrangeiro em 79), por exemplo, mostra uma cena de sexo implícito entre duas crianças. E foi recolhido em algumas locadoras nos EUA nos anos 90. Por causa de toda essa atenção, que em casos como o do Tambor beiravam à histeria, Lyne penou até encontrar uma distribuidora. Lolita foi lançado nos EUA oito meses depois de passar na Europa, o que fez Lyne reclamar: “Se eu estivesse fazendo um filme sobre uma menina de 13 anos que é cortada em pedacinhos por um canibal, eu não teria problemas com a censura”.
O Lolita de Lyne é sério até a medula. Narrado em off por um Jeremy Irons atormentado (e arrependido pelo mal que causa a Lolita), com Melanie Griffith como Charlotte, Frank Langela (de Frost/Nixon) como Quilty, e Dominique Swain como Lolita (ela tinha a idade de Sue Lyon, mas parece mais nova, e Lyne a veste com trancinhas e aparelho nos dentes), o filme segue as mesmas palavras e ações do livro. A diferença, gritante, é o tom. O Lolita de Lyne não é irônico.
Adoro essa citação que peguei de uma revista eletrônica chamada Suck (minha tradução): “[no livro] cada perversão, cada abuso, cada dia que Humbert mantem Lolita prisioneira é visto como poesia de Keats. O livro nunca condena Humbert; ele o celebra. É o que se chama ironia, grande como um celeiro, e Lyne não entendeu isso de um modo tão gritante que a gente não sabe como um cara com tão pouca visão pode ser habilitado a dirigir um carro”.
Mas, pra falar de como o livro e o filme de Kubrick são irônicos, e como o filme de Lyne não é, antes preciso tratar de ironia. Num outro post, pois este já tá quase tão longo quanto a minha tese.
Leia aqui: 60 anos de Lolita, um livro maravilhoso sobre um tema terrível.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

NÃO ESTOU CÁ

Desde ontem já nem chego perto de um computador (se bem que estou escrevendo essas linhas tortas na quarta). Minha defesa de doutorado é daqui a algumas horas, e eu espero estar mais confiante do que estou agora (quarta). Se alguém que mora em Floripa quiser ou puder ir, é na UFSC, prédio CCE B, sala Machado de Assis (4o andar), às 14:30, esta sexta. Eu sinto que minha cabecinha simplesmente não guarda informações. Realmente acho que estou em processo degenerativo, e que estava muito mais bem preparada pra minha defesa de mestrado. Claro que deixei pra reler a tese de doutorado nos últimos dias (ahn, horas?), e me surpreendi com o bando de coisa difícil que tem lá. Só espero que a banca não se concentre bem nesses pontos que parecem grego pra mim. Na realidade eu gostaria que a gente só se reunisse pra um bate-papo agradável sobre as cinco produções de Macbeth que analisei, e deixasse a teoria de lado, sabe? Algo me diz que defesas de doutorado não são bem assim...
Sei que vou passar, claro (glupt), porque nunca vi alguém ser reprovado. Já vi gente tirar nota 8, que é, pelo que sei, o mínimo pra passar raspando. Mas, se o cara chega até uma banca com defesa marcada, é porque ele escreveu uma tese, e seu orientador a considerou pelo menos passável. Com o meu orientador é diferente. Ele não permitiria que algo medíocre chegasse na frente de uma banca, até porque sua reputação estaria em jogo (e foi ótimo ter ido ao congresso da Abrapui - Associação Brasileira de Professores Universitários de Inglês, no início do mês, pra lembrar como o meu orientador é respeitado. Até por gente que não trabalha com Shakespeare. Eu falava quem era o meu orientador, e todo mundo só dizia “Oh” e "Uau").
Putz, eu queria ter falado mais do congresso em São José do Rio Preto. Agora meio que passou. Parece que faz um ano, e faz apenas duas semanas. Ou três? Foi tudo uma maravilha por lá. Ótimas apresentações, muitas ideias interessantes. Só vi uns dois trabalhos que me deixaram de cabelo em pé. Melhor nem falar, porque esse mundinho é pequeno (mas foi legal pra ver a diferença de qualidade gritante entre universidades públicas e privadas. Estou generalizando, mas pô, não tem comparação).
Foi também muito divertido conversar com minhas coleguinhas da UFSC Andrea, Silvia e Claudia. Ri um monte. Não sei se coloco aqui pra vocês a coreografia do ursinho da Claudia pro clipe “What what in the butt”, que elas me forçaram a assistir. Aproveitem, meninas. Porque já já eu serei doutora e vocês terão que me tratar com o devido respeito. Será Doutora Lolinha pra vocês. Espero que as três, e mais o urso, estejam presentes na defesa hoje. Espero também não olhar pra vocês, lembrar do ursinho, e cair na gargalhada no meio de alguma pergunta importante da banca.
Quando eu tava voltando de São José do Rio Preto (só frequentei mesmo o hotel e a rodoviária), conheci a Micaela, que é professora da UFRJ. Altas coincidências, porque o primeiro concurso que ela fez foi um na Universidade Federal do Ceará. E agora há outro, e eu vou tentar. Na realidade já me inscrevi, mas não aceitaram minha inscrição! Olha só se não parece o concurso dos meus sonhos: não exigem graduação em Letras, é pra Literatura em Língua Inglesa, são quatro vagas (!), e é pro campus de Fortaleza. Se piorar estraga. Pra minha tristeza, a inscrição venceu no dia 9 de junho e exigia título de doutor. E doutora eu só vou ser hoje. Por causa de dez dias não aceitaram minha inscrição! Bom, tava no edital, e mesmo assim eu decidi arriscar. Mas a boa notícia é que não houve doutores suficientes que se inscreveram pra concorrer às quatro vagas, então até a semana que vem eles abriram a inscrição pra professor assistente, não adjunto, e pedem só mestrado. Lá vou eu, rumo ao meu primeiro concurso. Vou precisar de julho inteiro pra me preparar minimamente, porque são quinze pontos. Quinze pontos é sacanagem. Depois eu falo quais são.
Portanto, minha vida tá assim, essa correria sem fim. Acho que nunca mais vou ter férias. Como dizia o Chico, o sol nunca mais vai se por.
Tá, mas um passo de cada vez. Torçam por mim hoje, que vou precisar de muita, muita torcida. Na volta eu conto tudinho, todos os detalhes sórdidos e picantes.
Opa, acho que tive um bom presságio. Após escrever este texto, saí. E um gato preto se jogou diante do meu carro. Felizmente, consegui frear a tempo. Se eu tivesse atropelado o pobre gato, creio que nem iria defender a tese. Porque deve dar uns sete anos de azar, né?

quinta-feira, 4 de junho de 2009

UM EXEMPLO DE UMA MONTAGEM EQUIVOCADA DE MACBETH

Eu e meus amiguinhos num lindo museu em La Plata, Argentina.

Em outubro, estive em um congresso internacional em La Plata, uma cidade argentina perto de mi Buenos Aires querida. Foi tudo ótimo, mesmo que o trânsito da cidade meta medo. Sabe como é você pensar que será atropelado a cada vez que atravessa a rua? Pois é, com argentino dirigindo é assim. Pior é que com brasileiro também. Mas não é sobre isso que eu quero falar. O congresso foi um estouro. A ideia foi do meu orientador, que era um dos principais palestrantes, aquele que fecha o congresso. Ele incentivou que seus orientandos de mestrado apresentassem seus projetos por lá, e aí me convidou pra ser moderadora da mesa redonda. Eu acabei apresentando o meu projeto também, o que é um pouco estranho, porque já passei dessa fase de projeto faz um tempão. Mas a gente foi muito aplaudida, todos vieram nos parabenizar, disseram que éramos um exemplo pros alunos argentinos seguirem (chique!), e já nos convidaram pra dois outros congressos nos próximos dois anos, um em Mendoza, outro em Córdoba (mais chique ainda!). Ou seja, recepção mais calorosa, impossível. Valeu muito a pena ter ido lá.
Mas também não era sobre isso que eu ia falar. É que, durante o congresso, houve uma apresentação de uma montagem teatral de uma peça shakespereana. E logo qual? Macbeth! Não era nada amador, era num teatro lindo, e ela já vinha se apresentando há alguns meses. Eu tava super ansiosa pra ver uma montagem logo do meu objeto de estudo no doutorado, e em espanhol! O problema é que ela era péssima. Você não tem noção da ruindade do espetáculo. Nada funcionava. Cheia de erros conceptuais. Ok, sei que tudo é questão de interpretação, mas as pontas têm que fechar um tiquinho. A interpretação precisa ser coerente. Não pode desvirtuar totalmente o texto. Por exemplo, em 2006, em Curitiba, vi uma montagem fantástica chamada Otelo da Mangueira. Era Otelo, lógico, mas transformado num musical, com canções da Mangueira. E foi simplesmente extasiante. Todo mundo amou. Mas esse Macbeth argentino... Primeiro que acho que tentaram transformar uma tragédia numa comédia. Até aí sem problemas, adaptações estão aí pra isso. Mas se o negócio não faz rir, fica ruim. O chato é que nossa mesa redonda no congresso foi na manhã seguinte ao espetáculo, e como eu expus meu projeto sobre violência em Macbeth, alguém no público perguntou o que eu tinha achado da montagem. E aí sabe quando você não quer falar mal, quer ser diplomática? Olha, não foi fácil. Eu tive que me virar com a linha “Há qualidades”, sem deixar de apontar, por cima, os defeitos. Minha resposta rapidinho se espalhou pelo congresso.
No dia seguinte, o diretor e a produtora da montagem apresentaram eles mesmos um trabalho discorrendo sobre seu Macbeth, e aí, na hora das perguntas, eu achei que tinha o direito de questionar algumas escolhas. Tudo em espanhol (no meu caso, portunhol)! Tipo, por que o Banquo, melhor amigo de Macbeth, é retratado como um tarado na montagem? É até compreensível que ele estupre a bruxa que lhe conta as profecias (é uma interpretação válida, imagino; afinal, as mulheres eram cidadãs de terceira classe), mas por que, ao falar de Lady Macbeth, ele faz um gesto imitando um boquete? Olha o que o diretor, muito arrogante, respondeu: que no texto o Banquo pergunta pras bruxas “Que uso vocês têm?”, e ele levou isso pro lado sexual. E que o Polanski também sugeria que as bruxas eram estupradas, já que elas aparecem nuas. Oh my God, fiquei de cara com esse machismo! Só porque uma mulher aparece nua ela tem que ser estuprada?
Sobre o filme do Polanski, é o seguinte: ele o fez em 1971, pouco tempo depois de sua mulher grávida, a atriz Sharon Tate, e mais quatro amigos, terem sido barbaramente assassinados pela gangue do Charles Manson na mansão de Polanski em Hollywood (o diretor estava na Inglaterra). Polanski achava, erroneamente, é óbvio, que filmar uma peça de Shakespeare afastaria comparações com a tragédia da sua vida real. Ele conseguiu financiamento da Playboy, e isso também pegou mal. Os críticos da época, machistas que só eles (não muito diferentes dos de hoje), cismaram que a Lady Macbeth aparece nua na cena do sonambulismo pra agradar o dono da Playboy, Hugh Heffner. É ridículo, porque não dá pra ver nada da sua nudez (seu cabelo cobre tudo). Eles também invocaram com a cena do covil das bruxas, em que elas estão nuas (mais de um crítico disse que a cena era chocante e asquerosa, porque, sabe, corpo de mulher nua que não seja coelhinha da Playboy é nojento). E um menino também está nu numa cena, enquanto sua mãe lhe dá banho. Nenhuma dessas cenas é gratuita ou apelativa, e sua intenção parece ser a de unir todas essas personagens, destacando sua vulnerabilidade.
Mas o diretor da montagem argentina, por ser homem, interpretou que as bruxas nuas no filme do Polanski denotam sedução, e por isso fez com que Banquo estuprasse uma delas. Ué, o que sedução tem a ver com estupro?
Eu perguntei se a intenção da montagem era ser cômica, e ele disse que não exatamente, mas que ele usou elementos cômicos pra acentuar a tragédia, como Shakespeare faz em todas as suas peças. Certo, isso se chama comic relief (alívio cômico), no que o velho Shake é mestre. Mas Macbeth é famosa por ser praticamente livre de comic relief. Na peça inteira, há só um momento de alívio, quando o porteiro do castelo de Macbeth atende a porta e se diz "porteiro do inferno". Talvez por isso Macbeth seja a peça mais densa e compacta entre a vasta produção shakespeareana. O diretor argumentou comigo que a cena do massacre da família do Macduff é cômica, já que é ridículo, segundo ele, que a mulher seja advertida que estão vindo matar todo mundo, e ela fica lá, parada. Putz, você acha engraçado ou patético, no sentido de gerar pena, que ela diga “Mas eu não tenho para onde ir”? Ou que ela afirme pro seu interlocutor, “Mas eu não fiz nada”?
Na montagem argentina, Lady Macbeth diz que está grávida. Isso não está no texto, mas é uma possibilidade - inclusive, Kurosawa adota essa estratégia em Trono de Sangue, filme de 1957. Só que não dá pra só jogar esse dado e deixar por isso mesmo. Tem que ir além. Essa novidade tem que servir algum propósito. Senão, porque inclui-la? Em Trono, Kurosawa faz isso como uma tentativa de Lady Macbeth de acalmar a loucura de seu marido (e ela está grávida de verdade, não está mentindo). Com ela grávida, Macbeth terá um herdeiro; logo, não precisará matar Banquo e seu filho. Mas na montagem argentina Lady aparece tramando o assassinato de Banquo. E o diretor, pra se explicar, disse que, no texto do Shake, a Lady está por trás de todas as mortes! Não está, não. É textual: ela pergunta o que Macbeth está tramando, e ele responde “melhor não saber de nada”.
Também questionei por que, na montagem, a Lady parece meio louca desde sua primeira aparição no palco, muito antes do assassinato de Banquo (porque isso prejudica o desenvolvimento da personagem), e o diretor respondeu que a intenção era mostrar a Lady como se fosse uma criança. Hã?
O debate foi interessante, mas fiquei abismada em como o cara interpretou mal Shake, Polanski, Kurosawa, e quem mais apareceu pela frente. Ao mesmo tempo, não quis ser tão dura, porque sei que tem muito esforço, dinheiro e dedicação numa montagem dessas. E é chato uma pessoa vir de um outro país pra falar mal de algo feito no país anfitrião. No entanto, eu queria dar o meu feedback, até porque é raro a gente estar numa posição em que é especialista em alguma coisa. O diretor ficou espumando, mas pouco depois a produtora veio falar comigo e, muito simpática, me abraçou e agradeceu as críticas. Bom, eu sabia que não era a única a ter detestado a montagem, mas não sabia se alguém iria querer ouvir o porquê.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

DEFESA MARCADA!

Minhas queridas leitoras(es), este post é bem curtinho, só pra informar que minha defesa de doutorado em literatura em língua inglesa está marcada. Passei a semana passada inteira fazendo sete cópias da minha tese. Como entre as 250 páginas há umas cem coloridas, porque uso muitas fotos das cinco produções de Macbeth que analiso, o negócio saiu caro pacas. Até agora, 300 reais só em cópias. E isso que é cópia em espiral, só pra banca. Quando for exemplar encadernado e definitivo, vai custar talvez três vezes mais (glupt). Também gastei R$ 115 pra enviar uma cópia via sedex pra uma professora de Curitiba e outra pro meu co-orientador em Detroit, que participará da banca via teleconferência. Acho que minha banca será excelente, porque haverá experts em várias áreas diferentes - um em performance em teatro, um em cinema, um em análises mais contextuais (e, por isso, políticas), e um em Shakespeare histórico e escrito. Fora o meu orientador, lógico. Que, aliás, graças aos céus só me disse agora que nunca na vida teve um orientando que não defendeu, ou que sequer se atrasou. Porque seria uma responsabilidade enorme pra mim ser a primeira. Mas tudo bem, estou totalmente dentro do prazo. Agora, não é por nada não, mas isso é que é orientador, né? Existe muito aluno que desiste no meio do curso, por uma série de motivos. Mas ter um orientador sempre presente, que lê as versões dos capítulos e dá feedback valioso na mesma semana que a gente entrega alguma coisa pra ele, ajuda muito a insistir até o fim. Quando crescer quero ser que nem ele (sem falar que nem acreditei quando vi que ele acabou de lançar suas duas mais recentes traduções: No Coração das Trevas, do Conrad, e Foi Apenas um Sonho, do Richard Yates. Ele vive traduzindo Shakespeare e Joyce, entre outros - e inclusive Harold Bloom -, mas achei uma coincidência incrível que ele tenha traduzido Revolutionary Road bem quando estou escrevendo um paper sobre esse grande livro. O paper também é sobre o grande filme. Mais pra frente eu falo disso).
Pra quem é leigo em vida acadêmica, a defesa é assim: há quatro pessoas na banca, mais o orientador, que faz as honras da casa mas não pode participar muito, mais o suplente, que entra caso alguma pessoa não possa vir. A banca deve receber a tese com um mês de antecedência, pra poder lê-la e anotar suas colocações com calma. Aí, no dia da defesa, o doutorando faz uma apresentação de meia hora, e cada membro da banca tem mais ou menos meia hora pra questionar o candidato. Eu já vi bancas muito agressivas, que fizeram picadinho do pobre doutorando, mas óbvio que a minha não será assim (até pelo grande prestígio do meu orientador, que nunca teve um orientando que não foi bem numa defesa, porque pra chegar nesse ponto de poder defender, o candidato teve que passar por um orientador que provavelmente foi mais exigente que os membros da banca).Nesta rara foto você pode me ver durante a defesa de mestrado, em fevereiro de 2005. Como a banca foi muito querida e achou divertida minha tese sobre ironia no Lolita de Nabokov e nos filmes do Kubrick e do Lyne, acabamos rindo bastante. Eu tô devendo postar o link pra minha tese. Mas é que quero falar um pouco sobre ela antes, já que é tudo em inglês. Fica mais fácil entender depois de conhecer melhor o assunto.
Mas então, você está mais do que convidada(o) para assistir a minha defesa de do
utorado. Será na UFSC, em Floripa, claro, no dia 19 de junho, numa sexta-feira, às 14:30. O evento (aberto ao público) deve levar umas três horas. Além de ser uma chance de conhecer o maridão e a mamacita, também será uma boa oportunidade pra praticar seu inglês. Apareça, e não se esqueça de levar os pompons. Aqueles de cheerleader, sabe? Faixas no estilo "Go Lola Go" também são bem-vindas.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

MINHA TESE DE DOUTORADO É SOBRE MACBETH

Vera Fischer e Antonio Fagundes no Macbeth de Ulysses Cruz.

Eu sempre amei teatro, mas da maneira errada. “Ué, existe maneira errada?”, você pode perguntar. Existe. É que eu sempre fui mais de ler peças de teatro que de assisti-las, e os autores não as escrevem para serem lidas, e sim encenadas. Há até uma categoria de teatro que é bem isso, peças para serem lidas, mas esse não é o caso da enorme maioria. A questão é que o texto é apenas uma partezinha de uma produção teatral, e há inúmeras outras, como as atuações, a iluminação, os cenários, a música, os figurinos, a marcação de cena, e inclusive a interpretação/leitura que a equipe faz daquele texto. Claro, ninguém tá me proibindo de continuar lendo as peças que tanto adoro do Chekov, O'Neill, Tennessee Williams, Arthur Miller, Nelson Rodrigues, Ibsen, Edward Albee, Shaw, Peter Shaffer, Beckett, Strinberg, focles, Shakespeare etc, mas é bom eu ter em mente que só ler a peça equivale a plantar uma sementinha e não deixá-la crescer muito, como se fosse um bonsai. Ela não atinge seu potencial de virar uma bela árvore frondosa.
Samantha Monteiro e Luis Melo em Trono de Sangue do Antunes.

Apesar de eu amar teatro desde que me conheço por gente, nunca imaginei que estaria fazendo um doutorado em Shakespeare. Ok, é ridículo dizer que meu doutorado é nisso, já que o velho Shake escreveu 39 peças (e sim, ele existiu mesmo; hoje em dia não há mais dúvidas a respeito), e eu estou falando de somente uma. E nem posso dizer que meu doutorado seja sobre Macbeth (que desde sempre foi minha peça shakespeareana favorita), porque é “só” sobre a violência e o uncanny (o conceito do bizarro, de algo que é estranho e familiar ao mesmo tempo) em Macbeth. E nem é sobre o texto em si, e sim sobre cinco produções da peça, uma britânica, de 1976, com os superdupers Ian McKellen e Judi Dench, duas brasileiras, ambas de 92 (uma com o Antonio Fagundes e a Vera Fischer; a outra do Antunes Filho, com o Luis Melo), e dois filmes - um do Polanski, de 71, e uma adaptação independente de 91, chamada Homens de Respeito, com o John Turturro.Jon Finch e Francesca Annis no Macbeth do Polanski.

Em linhas muito gerais, eu analiso como a violência em cinco momentos cruciais da peça é encenada em cada uma das produções, se dentro ou fora do palco/tela. Minha inspiração foi Cães de Aluguel, do Tarantino. Sabe aquela cena da tortura do policial, em que o Michael Madsen dança e corta a orelha de um tira amarrado, e a gente tem certeza de ter visto a cena mais sangrenta, chocante e horrorosa de nossas vidas, daquela de fechar os olhos mesmo? E aí a gente revê o troço e percebe que o Taranta deliberadamente faz a câmera filmar uma parede! Ele não mostra nada! A gente ouve os gritos e tal, mas não vê as imagens. Acontece que ninguém nota esse “detalhe” na primeira vez. A nossa imaginação se encarrega de fantasiar algo ainda mais atroz do que as imagens poderiam exibir.
Katherine Borowitz e John Turturro em Homens de Respeito.

Macbeth é um prato cheio pra se falar disso, porque a peça, embora curtinha, é ultra violenta, com um assassinato depois do outro. Ela se passa na Escócia no século 11, e Macbeth, general e braço direito do rei Duncan, ouve de três bruxas uma profecia que será rei e, que seu amigo, Banquo, outro general, será pai de uma longa linhagem de reis. Balançado pelas boas novas, Mac escreve uma carta pra sua amada esposa, Lady Macbeth, contando-lhe tudo. Mas o rei nomeia seu filho Malcolm pra ser o próximo na sua sucessão, o que faz Mac pensar sobre como ele precisará agir pra virar rei. Sua Lady insiste para que o marido dê cabo a seus planos de matar Duncan. Quando ele pensa em desistir, ela questiona sua masculinidade. Finalmente, o casal (que se ama e não tem herdeiros) decide aproveitar uma passagem de Duncan pelo castelo deles para matá-lo.Ian McKellen e Judi Dench no Macbeth de Trevor Nunn.

É Mac que faz tudo; a Lady apenas embebeda os guardas, e, mais tarde, depois que Macbeth se esquece de deixar as espadas ensanguentadas com eles, volta ao quarto e arma isso. Ela diz que ela mesma mataria o rei se ele não a fizesse lembrar tanto de seu pai, mas quem o mata de fato é Mac. Malcolm, temendo pela própria vida, foge pra Inglaterra, e Macbeth vira rei. Na vida real, Macbeth reinou durante uns vinte anos, e só alguns desses anos foram conturbados e violentos, mas Shakespeare condensa toda a ação em poucos momentos. Mac manda matar Banquo e seu primogênito, com medo que a outra profecia se concretize. Ele tem uma ataque epiléptico num banquete, onde imagina que o fantasma de Banquo está presente. Ele e Lady vão se separando cada vez mais, porque ele não compartilha nada com ela, e ela é consumida pela depressão e pela culpa. Quase toda noite, ela, sonâmbula, tenta tirar de suas mãos o sangue de Duncan. Enquanto isso, Macbeth, preocupado, volta a falar com as bruxas, que lhe dizem que ele só será derrotado quando a floresta chegar ao seu castelo, e que só um homem que não tenha nascido de mulher pode matá-lo.
Trono de Sangue do Antunes.

Mac sente-se aliviado, porque não imagina que essas coisas possam ocorrer, mas mesmo assim, gratuitamente, sem nenhum motivo, ordena que seus capatazes assassinem a família de Macduff (um nobre que havia sido fiel a Duncan e que estava na Inglaterra com Malcolm). Na cena do texto de Shake, o filhinho de Macduff é morto no palco, e a mãe sai correndo, com seus algozes atrás dela - uma cena terrível, onde vemos a morte de uma criança e de uma mulher que não têm nada a ver com a história. Malcolm e Macduff, com a ajuda do exército inglês, decidem invadir o castelo de Macbeth para derrubar o tirano. Como estratégia de combate, eles mandam que cada soldado pegue um galho da floresta para se camuflar, o que dá a impressão que a floresta está se mexendo, concretizando uma das profecias. Lady Macbeth, alheia a tudo isso, cada vez mais insana, se suicida. Quando Macbeth é notificado da sua morte, segue-se um dos monólogos mais famosos da língua inglesa: Ian McKellen e Judi Dench no Macbeth de Trevor Nunn.

Tomorrow, and tomorrow, and tomorrow,
Creeps in this petty pace from day to day,
To the last syllable of recorded time;
And all our yesterdays have lighted fools
The way to dusty death. Out, out, brief candle!
Life's but a walking shadow, a poor player,
That struts and frets his hour upon the stage,
And then is heard no more. It is a tale
Told by an idiot, full of sound and fury,
Signifying nothing.
Antonio Fagundes como Macbeth na montagem de Ulysses Cruz.

Quem sou eu pra traduzir Shake? Vou aproveitar a tradução da montagem do Ulysses Cruz:
Amanhã, o amanhã, outro amanhã avança
Dia após dia, até a última sílaba da memória;
E os nossos ontens deixam para os tolos
A estrada empoeirada da morte. Apague-se, candeia transitória!
A vida nada mais é do que uma sombra que passa,
Um pobre ator que gesticula em cena durante algumas horas
Depois ninguém vê mais. A existência,
Uma desesperada istória contada por um louco,
Cheia de som e de fúria,
Significando nada.
"Macbeth" e as três "bruxas" em Homens de Respeito.

Lindo, não? Por isso que o Shake é vangloriado e que Faulkner intitulou um de seus melhores romances O Som e A Fúria. Porém, continuando, Macbeth luta, mata um ou outro soldado, e quando chega a hora de enfrentar Macduff, este lhe confidencia que nasceu de uma cesareana (não de mulher, sacou?). Mac fica com medo mas acaba lutando, e Macfuff o mata. A peça termina com Malcolm sendo coroado rei, com a cabeça de Macbeth exposta pra que todos vejam o destino dos traidores.
Vera Fischer e Paulo Goulart como Duncan no Macbeth de Ulysses Cruz.

Bom, aí é tudo uma questão de interpretação, certo? E ela muda de acordo com o lugar e a época em que a peça é montada. Tipo, por que temos que enxergar Macbeth como ditador sanguinário que aplica um golpe de estado, e Duncan e Malcolm como reis legítimos? Desde quando existiam reis bonzinhos, ainda mais na Idade Média? Praticamente todas as montagens atuais terminam sugerindo que Macduff também será picado pela ambição, derrubará Malcolm e se tornará rei. Ou seja, que a violência não começa ou acaba com Macbeth, mas é fruto de todo um sistema.
Agora, sabe uma interpretação que detesto? A de que Lady Macbeth é a déspota da história! Essa é uma visão muito machista, a meu ver. São os homens que guerreiam, ficam se matando uns aos outros, governam, mandam matar mulheres e crianças, e aí a culpa é toda da Lady?! Como? A gente pode dizer que ela é tão responsável por convencer Macbeth a matar Duncan como as bruxas são responsáveis. Se elas não tivessem feito a profecia, a ambição de Mac não viria à tona (antes, inclusive, d'ele compartilhar o segredo com sua esposa).
As bruxas do Macbeth de Polanski encontram-se na praia.

Não há nenhum consenso sobre as bruxas, se elas são mulheres de carne e osso (pro Polanski, são
) ou espíritos, se elas realmente podem ver o futuro ou se elas apenas refletem o que Macbeth quer ouvir. Quanto à Lady, ela participa apenas do primeiro assassinato, como cúmplice. Em seguida, Macbeth a exclui de todos os outros. Um dos motivos que muitos estudiosos apontam pra sua loucura é essa exclusão, ela passar a ficar tão à margem dos acontecimentos. Ela quer governar junto, mas Mac não permite. Ele comanda toda a carnificina sozinho. Ela se arrepende de ter instigado a matar Duncan, enlouquece, se suicida, e ela é a vilã?! Conta outra!
Judi Dench e Ian McKellen no Macbeth de Trevor Nunn.

Nada disso faz parte diretamente da minha tese, mas faz parte da minha verve feminista. Afinal, Lady Macbeth sempre foi a minha personagem feminina preferida do universo de Shake. Mesmo que - tenho que concordar com meu orientador, um dos maiores especialistas em Shakespeare no país - Cleópatra seja mais completa.
Ah, talvez você esteja boquiaberta(o) por um bloguinho tão pouco erudito como este estar mencionando Shakespeare. Mas lembre-se que, 400 anos atrás, quem prestigiava as peças dele não era a elite, e sim o povão. E aí, posso falar um tiquinho mais depois? Deixa?Samantha Monteiro no Trono de Sangue de Antunes Filho.