segunda-feira, 13 de abril de 2009

MINHA TESE DE DOUTORADO É SOBRE MACBETH

Vera Fischer e Antonio Fagundes no Macbeth de Ulysses Cruz.

Eu sempre amei teatro, mas da maneira errada. “Ué, existe maneira errada?”, você pode perguntar. Existe. É que eu sempre fui mais de ler peças de teatro que de assisti-las, e os autores não as escrevem para serem lidas, e sim encenadas. Há até uma categoria de teatro que é bem isso, peças para serem lidas, mas esse não é o caso da enorme maioria. A questão é que o texto é apenas uma partezinha de uma produção teatral, e há inúmeras outras, como as atuações, a iluminação, os cenários, a música, os figurinos, a marcação de cena, e inclusive a interpretação/leitura que a equipe faz daquele texto. Claro, ninguém tá me proibindo de continuar lendo as peças que tanto adoro do Chekov, O'Neill, Tennessee Williams, Arthur Miller, Nelson Rodrigues, Ibsen, Edward Albee, Shaw, Peter Shaffer, Beckett, Strinberg, focles, Shakespeare etc, mas é bom eu ter em mente que só ler a peça equivale a plantar uma sementinha e não deixá-la crescer muito, como se fosse um bonsai. Ela não atinge seu potencial de virar uma bela árvore frondosa.
Samantha Monteiro e Luis Melo em Trono de Sangue do Antunes.

Apesar de eu amar teatro desde que me conheço por gente, nunca imaginei que estaria fazendo um doutorado em Shakespeare. Ok, é ridículo dizer que meu doutorado é nisso, já que o velho Shake escreveu 39 peças (e sim, ele existiu mesmo; hoje em dia não há mais dúvidas a respeito), e eu estou falando de somente uma. E nem posso dizer que meu doutorado seja sobre Macbeth (que desde sempre foi minha peça shakespeareana favorita), porque é “só” sobre a violência e o uncanny (o conceito do bizarro, de algo que é estranho e familiar ao mesmo tempo) em Macbeth. E nem é sobre o texto em si, e sim sobre cinco produções da peça, uma britânica, de 1976, com os superdupers Ian McKellen e Judi Dench, duas brasileiras, ambas de 92 (uma com o Antonio Fagundes e a Vera Fischer; a outra do Antunes Filho, com o Luis Melo), e dois filmes - um do Polanski, de 71, e uma adaptação independente de 91, chamada Homens de Respeito, com o John Turturro.Jon Finch e Francesca Annis no Macbeth do Polanski.

Em linhas muito gerais, eu analiso como a violência em cinco momentos cruciais da peça é encenada em cada uma das produções, se dentro ou fora do palco/tela. Minha inspiração foi Cães de Aluguel, do Tarantino. Sabe aquela cena da tortura do policial, em que o Michael Madsen dança e corta a orelha de um tira amarrado, e a gente tem certeza de ter visto a cena mais sangrenta, chocante e horrorosa de nossas vidas, daquela de fechar os olhos mesmo? E aí a gente revê o troço e percebe que o Taranta deliberadamente faz a câmera filmar uma parede! Ele não mostra nada! A gente ouve os gritos e tal, mas não vê as imagens. Acontece que ninguém nota esse “detalhe” na primeira vez. A nossa imaginação se encarrega de fantasiar algo ainda mais atroz do que as imagens poderiam exibir.
Katherine Borowitz e John Turturro em Homens de Respeito.

Macbeth é um prato cheio pra se falar disso, porque a peça, embora curtinha, é ultra violenta, com um assassinato depois do outro. Ela se passa na Escócia no século 11, e Macbeth, general e braço direito do rei Duncan, ouve de três bruxas uma profecia que será rei e, que seu amigo, Banquo, outro general, será pai de uma longa linhagem de reis. Balançado pelas boas novas, Mac escreve uma carta pra sua amada esposa, Lady Macbeth, contando-lhe tudo. Mas o rei nomeia seu filho Malcolm pra ser o próximo na sua sucessão, o que faz Mac pensar sobre como ele precisará agir pra virar rei. Sua Lady insiste para que o marido dê cabo a seus planos de matar Duncan. Quando ele pensa em desistir, ela questiona sua masculinidade. Finalmente, o casal (que se ama e não tem herdeiros) decide aproveitar uma passagem de Duncan pelo castelo deles para matá-lo.Ian McKellen e Judi Dench no Macbeth de Trevor Nunn.

É Mac que faz tudo; a Lady apenas embebeda os guardas, e, mais tarde, depois que Macbeth se esquece de deixar as espadas ensanguentadas com eles, volta ao quarto e arma isso. Ela diz que ela mesma mataria o rei se ele não a fizesse lembrar tanto de seu pai, mas quem o mata de fato é Mac. Malcolm, temendo pela própria vida, foge pra Inglaterra, e Macbeth vira rei. Na vida real, Macbeth reinou durante uns vinte anos, e só alguns desses anos foram conturbados e violentos, mas Shakespeare condensa toda a ação em poucos momentos. Mac manda matar Banquo e seu primogênito, com medo que a outra profecia se concretize. Ele tem uma ataque epiléptico num banquete, onde imagina que o fantasma de Banquo está presente. Ele e Lady vão se separando cada vez mais, porque ele não compartilha nada com ela, e ela é consumida pela depressão e pela culpa. Quase toda noite, ela, sonâmbula, tenta tirar de suas mãos o sangue de Duncan. Enquanto isso, Macbeth, preocupado, volta a falar com as bruxas, que lhe dizem que ele só será derrotado quando a floresta chegar ao seu castelo, e que só um homem que não tenha nascido de mulher pode matá-lo.
Trono de Sangue do Antunes.

Mac sente-se aliviado, porque não imagina que essas coisas possam ocorrer, mas mesmo assim, gratuitamente, sem nenhum motivo, ordena que seus capatazes assassinem a família de Macduff (um nobre que havia sido fiel a Duncan e que estava na Inglaterra com Malcolm). Na cena do texto de Shake, o filhinho de Macduff é morto no palco, e a mãe sai correndo, com seus algozes atrás dela - uma cena terrível, onde vemos a morte de uma criança e de uma mulher que não têm nada a ver com a história. Malcolm e Macduff, com a ajuda do exército inglês, decidem invadir o castelo de Macbeth para derrubar o tirano. Como estratégia de combate, eles mandam que cada soldado pegue um galho da floresta para se camuflar, o que dá a impressão que a floresta está se mexendo, concretizando uma das profecias. Lady Macbeth, alheia a tudo isso, cada vez mais insana, se suicida. Quando Macbeth é notificado da sua morte, segue-se um dos monólogos mais famosos da língua inglesa: Ian McKellen e Judi Dench no Macbeth de Trevor Nunn.

Tomorrow, and tomorrow, and tomorrow,
Creeps in this petty pace from day to day,
To the last syllable of recorded time;
And all our yesterdays have lighted fools
The way to dusty death. Out, out, brief candle!
Life's but a walking shadow, a poor player,
That struts and frets his hour upon the stage,
And then is heard no more. It is a tale
Told by an idiot, full of sound and fury,
Signifying nothing.
Antonio Fagundes como Macbeth na montagem de Ulysses Cruz.

Quem sou eu pra traduzir Shake? Vou aproveitar a tradução da montagem do Ulysses Cruz:
Amanhã, o amanhã, outro amanhã avança
Dia após dia, até a última sílaba da memória;
E os nossos ontens deixam para os tolos
A estrada empoeirada da morte. Apague-se, candeia transitória!
A vida nada mais é do que uma sombra que passa,
Um pobre ator que gesticula em cena durante algumas horas
Depois ninguém vê mais. A existência,
Uma desesperada istória contada por um louco,
Cheia de som e de fúria,
Significando nada.
"Macbeth" e as três "bruxas" em Homens de Respeito.

Lindo, não? Por isso que o Shake é vangloriado e que Faulkner intitulou um de seus melhores romances O Som e A Fúria. Porém, continuando, Macbeth luta, mata um ou outro soldado, e quando chega a hora de enfrentar Macduff, este lhe confidencia que nasceu de uma cesareana (não de mulher, sacou?). Mac fica com medo mas acaba lutando, e Macfuff o mata. A peça termina com Malcolm sendo coroado rei, com a cabeça de Macbeth exposta pra que todos vejam o destino dos traidores.
Vera Fischer e Paulo Goulart como Duncan no Macbeth de Ulysses Cruz.

Bom, aí é tudo uma questão de interpretação, certo? E ela muda de acordo com o lugar e a época em que a peça é montada. Tipo, por que temos que enxergar Macbeth como ditador sanguinário que aplica um golpe de estado, e Duncan e Malcolm como reis legítimos? Desde quando existiam reis bonzinhos, ainda mais na Idade Média? Praticamente todas as montagens atuais terminam sugerindo que Macduff também será picado pela ambição, derrubará Malcolm e se tornará rei. Ou seja, que a violência não começa ou acaba com Macbeth, mas é fruto de todo um sistema.
Agora, sabe uma interpretação que detesto? A de que Lady Macbeth é a déspota da história! Essa é uma visão muito machista, a meu ver. São os homens que guerreiam, ficam se matando uns aos outros, governam, mandam matar mulheres e crianças, e aí a culpa é toda da Lady?! Como? A gente pode dizer que ela é tão responsável por convencer Macbeth a matar Duncan como as bruxas são responsáveis. Se elas não tivessem feito a profecia, a ambição de Mac não viria à tona (antes, inclusive, d'ele compartilhar o segredo com sua esposa).
As bruxas do Macbeth de Polanski encontram-se na praia.

Não há nenhum consenso sobre as bruxas, se elas são mulheres de carne e osso (pro Polanski, são
) ou espíritos, se elas realmente podem ver o futuro ou se elas apenas refletem o que Macbeth quer ouvir. Quanto à Lady, ela participa apenas do primeiro assassinato, como cúmplice. Em seguida, Macbeth a exclui de todos os outros. Um dos motivos que muitos estudiosos apontam pra sua loucura é essa exclusão, ela passar a ficar tão à margem dos acontecimentos. Ela quer governar junto, mas Mac não permite. Ele comanda toda a carnificina sozinho. Ela se arrepende de ter instigado a matar Duncan, enlouquece, se suicida, e ela é a vilã?! Conta outra!
Judi Dench e Ian McKellen no Macbeth de Trevor Nunn.

Nada disso faz parte diretamente da minha tese, mas faz parte da minha verve feminista. Afinal, Lady Macbeth sempre foi a minha personagem feminina preferida do universo de Shake. Mesmo que - tenho que concordar com meu orientador, um dos maiores especialistas em Shakespeare no país - Cleópatra seja mais completa.
Ah, talvez você esteja boquiaberta(o) por um bloguinho tão pouco erudito como este estar mencionando Shakespeare. Mas lembre-se que, 400 anos atrás, quem prestigiava as peças dele não era a elite, e sim o povão. E aí, posso falar um tiquinho mais depois? Deixa?Samantha Monteiro no Trono de Sangue de Antunes Filho.

46 comentários:

Andrea Cristina disse...

Claro que deixamos! Adorei saber mais sobre sua tese. Aposto que a defesa vai ser muito ótima!

Tina Lopes disse...

Conta mais, Lola. Quero saber principalmente como você analisa montagens que não assistiu (não é provocação, é interesse mesmo). Vê em vídeos ou se baseia apenas no texto/críticas? Sabe que eu adorava teatro, fiz uma coisinha amadora, vexaminosa (que tal, garçonete em O Rinoceronte de Ionesco?) e acabei pegando implicância, sabe. Hoje não consigo ir ao teatro e me deixar levar pela montagem, não me concentro. Aguardo a continuação. (aliás, eu não li MacBeth e claro que fiquei louca pra ler, agora, mas sempre achei que as bruxas fossem um delírio dele). Bjk.

Leila Silva disse...

Ah sim, pode contar mais.

Não é à toa que este texto é um dos mais conhecidos da língua inglesa, é lindo mesmo.

Abraço

Masegui disse...

Macbeth é um argentino que mora em SC, é isso?

Chris disse...

Lola, adorei saber o tema de sua tese!!!
MacBeth não é lá a minha favorita de Shakespeare, mas adoro uma versão de 87 com a Greta Scacchi no papel de Lady Macca, muito legal.

Beijocas e ótima semana

asnalfa disse...

Existia cesariana em plena Idade Media? Sem anestesia e tudo?? Vcs mulheres sofrem hein...
Queria tanto assistir a defesa da sua tese. Vc a está escrevendo no latex?

Giovanni Gouveia disse...

Asnalfa, há relatos de cesareanas na época do Império Romano...

Lola, lembremos que qualquer mulher, à época, em especial parteiras e enfermeiras, poderia ser acusada de bruxaria, aliás o termo "bruxo" é muito menos citado que "bruxa"...

One question, teacher: por que os britânicos têm superstição com a peça e seu título?



P.S> Nada há de ridículo em escrever sobre qualquer tema. A exigência de ineditismo nas monografias, dissertações e teses faz com que a ultra especialização seja necessária...

lola aronovich disse...

Tina, pois é, isso de como analisar montagens que a gente não assistiu é uma preocupação constante de Teoria de Performance. Tem que fazer um trabalho meio arqueológico mesmo e desenterrar o que der. Isso inclui vídeos, às vezes só fitas com o aúdio, críticas, entrevistas com os participantes, entrevistas com espectadores, maquetes, fotos, desenhos, livretos da montagem, figurinos, trilha sonora etc etc. No meu caso, eu vi as duas montagens brasileiras em 92, mas claro que lembro pouquíssimo delas. Tive sorte de conseguir o vídeo de cada uma das 3 montagens (pros filmes não precisa de nada disso!). Não consegui entrevistar muita gente, infelizmente (o pessoal artístico parece não ter muito carinho pelo meio acadêmico). Alguém que me ajudou bastante foi o diretor musical do Macbeth do Ulysses Cruz.
Ha ha, ficar sabendo sobre a sua experiência teatral me deu vontade de contar a minha. Soon...
Ah, lembre-se que as bruxas de Macbeth, no texto, aparecem pro Mac e pro Banquo ao mesmo tempo. Teria que ser um delírio dos dois.

lola aronovich disse...

Que bom que vc gostou, Andrea! Tomara que vc consiga arranjar tempo pra ver minha defesa.


Leila, é uma beleza mesmo, né? E é tão cheio de ação... Realmente é uma peça muito dinâmica.

lola aronovich disse...

Coincidência vc dizer isso, Mario, porque planejo analisar uma montagem de Macbeth que vi na Argentina em outubro...


Chris, ah, eu vi essa de 87, muito boa. Vi montes de Macbeths... Mas pra mim nenhuma produção pro cinema chega perto da do Polanski. Nem a do Welles, nem a do Kurosawa...

lola aronovich disse...

Asnalfa, vc está convidado pra assistir a minha defesa de tese. Aliás, todos estão. As defesas são abertas ao público. Ainda não tenho uma data definida, mas provavelmente será na segunda quinzena de junho. Em Florianópolis. (mas é em inglês).


Gio, pois é, isso de como cada produção vê as bruxas é muito interessante. Não faz parte da minha tese, mas eu gosto. Talvez renda um post, né?
A superstição com a peça não é só dos britânicos, mas de todo mundo, inclusive no Brasil. Quem participa da montagem tenta não falar da peça pelo nome, e refere-se a ela como “The Scottish Play” (a peça escocesa). Isso é porque há muitos relatos de verdadeiras tragédias envolvendo montagens de Macbeth (gente morrendo no palco e por aí vai; isso rende um outro post). Daí associa-se produzir Macbeth com azar.
Ah, lembre-se que a exigência de ineditismo não vale pras monografias (conclusão de curso) e dissertações (de mestrado). Só pra teses de doutorado mesmo...

Giovanni Gouveia disse...

Exigiram ineditismo na minha monografia, Lola...

Jac. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Tina Lopes disse...

Adorei a foto com o Luís Melo. Conseguiu falar com ele? Parece-me uma pessoa acessível - e tem um grupo de teatro aqui em Curitiba, pertinho pra conversar, entrevistar etc.

Ana Paula disse...

Nossa, que interessante. Como sou da área de exatas (eng. civil comemstrado e doc na área de geotecnia), e nesat área a maioria das teses é pra sobre novas metodologia, fórmulas, equipamentos sempre me pergunto o que se defende na área de humanas.

De onde surgiu a inspiração pro tema? Foi idéia sua ou do seu orientador?

Isso tb de existir defesa completamente em inglês foi novo pra mim. Faz sentido já que seu doutorado é em literatura inglesa!! :))

Mônica disse...

Nossa, maior flashback agora! Meu pai costumava recitar o 'Tomorrow, tomorrow and tomorrow' logo de manhã cedo, dizia que era pra aproveitar que a voz estava mais grave... Quando não era Macbeth, era Dante e seu

"Nel mezzo del camin di nostra vita
mi ritrovai per una selva oscura
che la diritta via era smaritta"

...e por aí vai. Aprendi a recitar ambos muito antes de entender o significado! :-)

lola aronovich disse...

É mesmo, Gio? Estranho! Eu fiz uma disciplina de mestrado sobre Escrita Acadêmica, e ficava claro que, no MUNDO (porque a gente seguia o padrão MLA, ou Modern Language Association), ineditismo só era exigência no doutorado. Na apostila que tenho agora de Metogologia do Trabalho Científico da faculdade a distância que estou cursando, também dizem isso. (Ineditismo, pra quem tá lendo aqui e não sabe, é que não deve ter precedentes, além de ser uma real contribuição pra área. Por exemplo, logicamente há milhares de teses de doutorado no planeta sobre Macbeth. Mas duvido que elas analisem as mesmas montagens que a minha. E provavelmente elas não falam sobre o uncanny). A sua mono era sobre o quê, Gio?


Jac, pois é, pelas suas observações dá pra ver que vc entende do assunto. Sobre as bruxas, é um assunto longo. Elas não FAZEM o destino, mas elas têm a habilidade de prever o que vem por aí. Prever não é fazer. Elas sugerem um caminho, e o Macbeth é quem decide traçá-lo.
Isso de falar sobre os vilões shakespeareanos também é fascinante! Eu ainda quero falar de Titus Andronicus, que tem um vilão extraordinário, o Aaron.
Ah, eu amo Tchecov (apesar de nunca saber se adoto a grafia do nome dele em inglês ou português) e Tennessee Williams quase acima de tudo. Cresci lendo esses dois.
Pode continuar me visitando com a frequência que quiser que não vou me cansar! Só não posso responder sempre, infelizmente. Mas seus coments são ótimos!

lola aronovich disse...

Tina, nem tentei falar com o Luis Melo. Essas celebridades não me parecem acessíveis. E eu nem sabia que ele ainda morava em Curitiba. Pensei que, depois d'ele virar global, ele tivesse se mudado pro Rio.


Mônica, que legal ter um pai que recitava Shake e Dante pra vc! Isso deve até ajudar a aprender inglês e italiano...

lola aronovich disse...

Ana Paula, ah, que bom que vc achou interessante. Tem gente que é muito preconceituosa com a área de humanas. Acha que, se o pesquisador não estiver descobrindo cura pro câncer ou inventando um novo aparelho pra prever terremotos, é dinheiro jogado fora. E na área de Humanas os resultados realmente são menos “práticos” que em Exatas. Mas nem tudo na vida tem que ser prático, né?
A ideia foi minha mesmo. Eu selecionei a peça (Macbeth), por ser a minha preferida, quando ficou claro que eu teria que trabalhar com Shakespeare se eu quisesse trabalhar com o meu orientador. Ele sugeriu falar das bruxas, eu que não quis, porque teria que lidar demais com superstições e coisas que eu não acredito nem um pouco. Eu pensei em falar dos problemas de gênero da peça (tá cheio de falas como “ser um homem”, “agir como um homem”; a Lady pede pros espíritos “unsex” ela, tirar-lhe o sexo, para que ela possa fazer tamanha maldade), que pra mim são fascinantes, mas achei que já tinha coisa demais nisso. Violência em Mac também é clichê, claro, mas comecei a pensar se os momentos de violência na peça aconteciam dentro ou fora do palco e da tela, e se isso os faria mais ou menos violentos. O meu orientador que sugeriu o conceito do uncanny, porque meu projeto tava muito pouco teórico. Mas minha inspiração mesmo foi aquela cena de Cães de Aluguel!

Dai disse...

Lola, que interessante. Adorei. Para não repetir os demais, queria saber mais sobre o conceito uncanny. Vou aguardar o próximo post. Beijos!

VeC! disse...

Lola,de todas essa montagens o que mais me interessou foi o tal conceito "uncanny". Fiquei curioso sobre como vc trata isso... Uma dica para continuação do post. =D

Até!

anália disse...

Oi, Lola!
Adorei o tema da tua tese. assisti à montagem do Antunes e fiquei super impressionada com o Luís Melo. Que ator!
Freud (o próprio) costumava analisar personagens literários. Adorava Shakespeare. É claro, fala muito de Hamlet (prato cheio para um Édipo), mas tb faz uma análise muito interessante de Lady Macbeth.
Bjs,
Anália

Paula P. disse...

Lola, interessante o tema da sua tese.
Sabe, eu não tive uma experiência muito boa com Shakespeare. Macbeth eu nunca li, mas li outros da coleção da Martin Fontes, que era o resumo do resumo do resumo, então achei bem chatinhos, e um tanto quanto machistas. Depois nunca mais tive vontade de ler.
Quanto ao ineditismo da monografia, também pedem isso na minha faculdade de jornalismo, apesar de outros professores terem falado que não era necessário. Na minha disciplina TCC a gente tem que fazer a justificativa do tema, mostrando exatamente o que ele vai trazer de novo.
Felizmente eu escolhi um tema bastante contemporâneo, Fanfictions, então não tenho problemas quanto a isso.

Paula P.

Santiago disse...
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Somnia Carvalho disse...

Olá Lola!

Volto depois de uma semana cheia e de passeio de Páscoa típico com toda os romanos e a santidade toda lá em Roma! Minha insonia me pegou e vim parar na sua tese. Ainda quero comentar o da Pascoa, mas nao terminei de ler. Então começo por esse...

Muito legal mesmo saber de sua tese. Compartilhar isso. Todas as vezes que sentei num bar da augusta e fiquei tagarelando sobre a Anita Malfatti com minhas amigas minha tese andava muito depois. Trocar ideia e muito bom, mesmo que seja so para voce expor para nos reles mortais.

Eu sou mais ou menos o tipo que adora ler a peça, mas perto de voce nao li nada. Coitada de mim!

De qualquer jeito, na facul eu e minha amiga Lud lemos milhares de vezes juntas "Esperando Godot" e outras do Becket. A gente amava e ria e se divertia imaginando as cenas e fazia isso a madrugada toda, porque o Becket era tema de uma aula de filosofia nossa...

Mais tarde, fiz o mesmo com outra amiga lendo Shakeaspere, porque a gente pensava que nao dava pra pensar nossa existencia intelectual sem conhecer as peças do ingles. E depois comecei com outra, a Lu, a ler os clássicos gregos, mas ficamos só no Sófocles, por falta de tempo.

Acho que gostar de ler as peças, no meu caso, tem a ver com o fato de poder imaginar a cena "perefeita". Quando conheço a peça e vejo a encenação com atores nao muito bons fica tragico. É mais ou menos o que acontece quando li o livro e vejo o filme...

Do seu amago Shake eu só tinha visto o Rei Lear com o finado Raul Cortez... foi entao que vi a versao do Verdi para ópera do Macbeth, sem querer, no Scala de Milão... uauuuuu!

Eu não sei o que voce acha da versão operizada, mas pra mim ver "shake" mesmo de segunda mão com aqueles atores cantores foi uma das experiencias mais fantasticas da minha vida que tentei narrar num post... (http://borboletapequeninanasuecia.blogspot.com/search?q=milão). E acho que teve a ver o fato de eu só conhecer Macbeth de ouvir dizer, de resumo dos outros.

Depois daquela vez voltei e li a peça toda, quase engolindo! E agora vendo seu post me da vontade de ler de novo e de novo!

Vou adorar poder ler sua tese um dia! Mesmo que seja pensar a pimboca da parafuseta de um tema eu acho que um doutorado vale já pela experiencia que proporciona pra gente... o resto! e resto!

beijos e pode falar a vontade que tô ouvindo!!!

Anônimo disse...

por respeito nao so a vc mesma como aos seus leitores ja passou da hora de vc aprender a bloquear esses imprestáveis

Samantha disse...

Eu sou de formação na área de exatas e não entendo muito bem algumas coisas, mas acho interessantíssimo.
Outro dia minha prima, que faz letras, estava me mostrando seu trabalho de IC: "Crítica Genética do autor X." Eu, com minha ignorância e simploriedade no assunto, apenas ri de Genética...rs.

Entretanto, eu gosto de ler e ver filmes. De Shakespeare, ja li Sonho de uma noite de verão e já vi um desses filmes adaptacao de Macbeth e achei interessantíssimo. O que vi, acho que foi o do Roman Polanski porque o "jeito" das coisas me fez lembrar o Tess (aliás Lola, já viu Tess, do Roman Polanski com a Natasha Kinski, adaptação do romance de Thomas Hardy? Seu olhar feminista sobre a obra seria interessantissimo).
Bom, voltando a MacBeth. Minha interpretacao simploria e a impressão q eu tive é que ele só virou rei porque as bruxas o persuadiram a isso.Ele nem tinha pretenção para tal.Como se ele chegasse em casa e dissesse pra mulher: amor, 3 loucas me pararam na rua e disseram isso. Daí a mulher arquiteta tudo e acha uma "ótima idéia", entrando na questão de que ela é a malvada-manipuladora-estraga-tudo.
Eu não li o original, nem vi a peça no teatro (eu adoraria). Talvez eu teria uma outra interpretação.

Mas de fato nao usaria uma paródia hilariante e inteligentíssima (ironia on) de Diogo Mainardi como ponto de partida.

Boni disse...

Lola, duas coisinhas: faltou uma fotinha do filme do Kurosawa (ou foi o burro aqui que não viu direito?), que o Harold Bloom acha que foi o artista que melhor compreendeu Shakespeare, mesmo sem falar inglês.
A outra é essa notícia absurda que eu vi sobre barebacking:

http://jbonline.terra.com.br/nextra/2009/01/03/e030115675.asp

Adoraria ver o que você tem a dizer sobre o assunto.

Ana Rute disse...

ai que preguiiiiça do santiago! até esqueci o que eu ia comentar... deixa pra segunda parte do post.

elenmateus disse...

Eu sou muito parecida contigo no quesito "leio muito peças de teatro, mas não as vejo representadas no teatro". Me sinto um pouco menor por isso (cabecinha de bonsai!):(
***

Adorei ler um post tão enriquecedor culturalmente - o que mais esperar de uma leitura que reúne de forma criativa talentos tão distantes no tempo e na forma de fazer arte (Shakespeare e Tarantino)? ;D

Andréia Freire disse...

Olá, descobri o blog há um mês mais ou menos. Acho que o que me trouxe pra cá foi o texto do Dia da Mulher da Marjorie, não lembro bem onde vi o link, mas tudo bem. E através daqui conheci o blog dela também. Adorei os dois. Também dei uma boa lida no Síndrome de Estolcomo, que eu já tinha ouvido falar, mas não tinha lido direito! Adorei também! Tenho 20 aninhos só, como já vi você dizer, com 20 anos a gente ainda é uma criança. Me identifiquei com isso, tenho amigas que estão fazendo 20 anos e dizem "oh, estou ficando velha!". Oo Queria dizer que vocês são exemplos pra mim. ;)

Bom, nada a ver com esse post, mas tem a ver com o post sobre roupas de heroínas de HQ's. Olha isso aqui: http://www.omelete.com.br/quad/100019162/Marvel_cria_minisserie_de_heroinas_inspirada_em_Sex_and_The_City.aspx Não pude deixar de reparar que a roupa é colada, mas parece ser confortável e elas não usam salto! Mas continua o apelo sexual, o decote, mas já alguma coisa, né?

Andréia Freire disse...

http://www.omelete.com.br/quad/100019162/Marvel_cria_minisserie_de_heroinas_inspirada_em_Sex_and_The_City.aspx

O link ficou cortado, vamos ver se dá certo agora.

Bom, tenho duas mini histórias de horror. Ainda vou escrever sobre elas no post correspondente.

Beijos.

Andréia Freire disse...

Que droga. Acrescenta no final isso aqui: _and_The_City.aspx

;]

Juliana Bittencourt disse...

eu não tenho mais comentado mas continuo lendo quando dá, só que me irrita profundamente ter que ler ataques gratuitos e irreais como os do santiago. não agüento mais esse cara. Eu só vejo ele vindo bater na Lola sem mostrar nada de superior ao que ele considera banal, muito pelo contrário.

E falando em uma linguagem que você entende, Santiago: você é burro mesmo ou só pseudointelectual? Porque se burrice tem cura, como você diz, vai se tratar! Mas você parece o tipo que acha que ler as coisas superficialmente e arrotar palavras difíceis faz você parecer a pessoa mais importante e superior do universo, enquanto tudo o que você gera em nós, probres e ignorantes mortais de inteligência mediana, é a desprezo e pena. Quando você aprender a ler prestando atenção às palavras, note que a Lola é doutoranda em LITERATURA EM LÍNGUA INGLESA, e não em português, seu energúmeno!

Giovanni Gouveia disse...

Quando a referência "intelectual" de alguém é dioguito e esse alguém acredita piamente que isso é o suprassumo da tampa de crush, é melhor ter piedade...

Mari Biddle disse...

Amei saber mais sobre a sua tese. Olha, seria pedir demais se vc fizesse um post sobre "como foi a defesa, a banca etc .."?

Mica disse...
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Cristine Martin disse...

Oi Lola!

Adorei seu texto sobre a tese, está mesmo muito interessante; engrossando o coro do pessoal, depois conte como foi a defesa e se a tese foi publicada, quero lê-la! :-)

Na verdade só li o Macbeth naquela versão resumida do Charles e Mary Lamb, mas agora fiquei com vontade de ler o texto inteiro. E se você recomenda o filme do Polanski, é outra ótima idéia, vou procurar. Pena que não podemos ver o Sir Ian e a Dame Judi, será que a peça foi gravada?

Achei bom você ter excluído os chatos de plantão, cheguei a ler os comentários ontem e dali não se aproveitava nada. Só hoje tive um tempinho pra comentar, e vi que eles haviam sumido. É isso aí!

Beijos e força na tese (e eu na tradução), uma boa semana pra todos nós!

Cris

lola aronovich disse...

Deletei sem dó 3 comentários do trololó. Ofendeu leitora minha, será deletado. Minha paciência tem limites. (Publicarei um post sobre isso na quinta).


Mari, claro que vou escrever sobre minha defesa! Vcs não vão deixar de ouvir sobre minha tese tão cedo! (Ainda tô devendo falar da minha defesa do mestrado e colocar o link pra tese, pra que quem quiser possa lê-la).

lola aronovich disse...

Miquinha querida, deletei seu comentário porque vou transformá-lo em post. Achei suas dúvidas muito interessantes, e acho que muita gente vai se identificar com elas. Vou responder num post (ainda esta semana, prometo!), e assim outras leitoras poderão dar ótimas dicas, como sempre. Aguarde!

Mica disse...

Thanks, Lolinha ^_^.

Bruno Oliveira disse...

Lola, parabéns pelo conteúdo. Estamos fazendo um trabalho sobre a obra e vai nos ajudar muito. Gostaria de saber se você possui algum vídeo digitalizado da peça do Ulysses, com o Fagundes e a Vera Fischer. Nossa orientadora comentou a respeito dessa apresentação e disse ser muito interessante caso consigamos apresentá-la. Se não for incomodar muito, meu email é (bruno.gtx@hotmail.com). Agradeço antecipadamente e novamente, parabéns pelo trabalho!

Anônimo disse...

Lola, me interessei pela sua tese e gostaria de lê-la assim que possível. Dirijo um grupo na pacata Iracemápolis (interior de SP) chamado Núcleo de Vivência Teatral. Os atores têm entre 07 e 12 anos e as nossas montagens são quase sempre adaptações de clássicos da literatura. Nosso trabalho mais recente é Macbeth.

http://www.youtube.com/watch?v=a1j1dGgp16A

Entre outras coisas, procuramos quebrar aquele velho preconceito de que crianças não têm capacidade para realizações cênicas de qualidade e que estariam supostamente fadadas ao "teatrinho infantil" débil e professoral.

Com Macbeth, conseguimos provar o contrário. É possível pensar num teatro inteligente com crianças e usando recursos mínimos (mínimos mesmo!)

Por trabalhar obras de Guimarães Rosa, Machado, Shakespeare, entre outros, nosso Núcleo já foi imensamente criticado pelos xaropes de plantão; e eu, por pouco, não fui queimado em praça pública. rs

A questão da violência, claro, sempre foi uma pedra no sapato do povo. Daí meu interesse súbito por sua tese.

Aguardo notícias. Quando puder, faça uma visita:

http://nucleodevivenciateatral.blogspot.com

abraço!
Daniel

lola aronovich disse...

Pô, que droga, Bruno. Só vi o seu comentário de quase dois meses atrás hoje. Te mandei um email.


Daniel, que excelente iniciativa. Só vi a primeira parte do vídeo no YouTube, mas realmente parece ser um trabalho de qualidade. Deixei um comentário no seu blog.