quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

VAIDADE, CONCURSO, BUFUNFA E SEGUIDORES

A gente pode deixar de participar no Miss Mundo Jovem quando jovem?

Amei todos os comentários que vocês escreveram até agora no post sobre vaidade. Mas vocês são responsáveis por tudo que eu não consegui fazer hoje! (a noite vai ter que ser uma criança bem jovem).

Queria destacar o que a Loy escreveu, que fala mais do que vários tratados:

É interessante parar e se dar conta destas coisas, de como poucas coisas na vida da mulher são escolhas de fato, outras são "escolhas" (como quem tem que escolher entre levar um tiro na mão ou no pé). Por exemplo, quando entrei na adolescência, subitamente comecei a achar que tinha alguma coisa errada no meu rosto e não sabia o que. Parecia descendente, parecia torto. Até o dia em que uma amiga muito 'gentil' pegou uma pinça, e após uma sessão torturante, ajeitou minhas sobrancelhas, tornou-as simétricas. A assimetria dava uma impressão MUITO estranha, elas eram gigantes e disformes. Hoje sei qual o peso da propaganda e da cultura de massa, do padrão de beleza ditado, que me fazia 'sentir' sem mesmo entender que havia algo 'errado' na minha cara, até o dia que me fizeram perceber que o errado eram minhas sobrancelhas assimétricas.
Mas eu tenho um irmão mais velho, que é considerado extremamente atraente. As sobrancelhas dele são exatamente iguais às minhas, antes daquele fatídico dia
”.


E isso que a Lud disse no seu comentário tem tudo a ver: “Ultimamente tenho prestado muito mais no que o meu corpo pode fazer (correr, andar, sentir, descansar) no que como ele está (bonito, feio, magro, gordo)”. Infelizmente, parece que há uma fixação para que as mulheres continuem imóveis, no seu lugar, posando de estátuas, sendo muito mais que fazendo. Vamos quebrar o molde?

Aproveitando, queria lembrar a vocês para votar no terceiro concurso de blogueiras. Já temos mais de 150 votos na enquete, mas quero bater recordes, ok? É só clicar no link e você pode ler cada um dos textos nesses lindos blogs que apareceram em nossas vidas. E muito obrigada às blogueiras que têm ajudado a divulgar o concurso!
Aproveitando mais ainda, vi na minha conta do Submarino que estou praticamente rica! Vocês compraram R$ 1.234 em livros na Submarino através deste blog. Minha comissão, por enquanto, é de R$ 52,58. Tá, talvez eu ainda não possa parar de trabalhar, mas é um momento histórico: a primeira vez na vida que vou ganhar dinheiro com internet! Iuppiiii! (quer dizer, tem que mandar um recibo antes). Agradeço por vocês estarem gastando todo o dinheiro de vocês pra que eu possa me aposentar precocemente.
E vocês devem ter reparado que cheguei aos 400 seguidores! É esse quadrinho aí do lado, cheio de fotos fofas. Fico muito feliz com isso. Tenho a impressão, não sei, que 400 seguidores no Twitter* não é um número exorbitante, mas num blog, até que é. Pelo menos eu não conheço muitos blogs que tenham 400 seguidores. Quer dizer, eu nem dava muita bola pra isso de followers até que, uns meses atrás, vários seguidores sumiram. No mesmo dia! Perdi uns quinze ou vinte em poucas horas, e tudo que eu conseguia pensar era: “Uau, devo ter dito algo particularmente ofensivo hoje” (não me lembro o que era). Mas não era não. Li que isso ocorreu com montes de blogs naquele mesmo dia. Foi um problema do blogger mesmo. Ainda bem, porque se fosse mesmo uma multidão saindo daqui e deixando meu bloguinho às moscas, como eu faria pra enriquecer? E minha vaidade blogoral certamente seria afetada.

* Vocês devem ter percebido que não estou no Twitter. Deve ser pela minh
a incapacidade de me comunicar em menos de, hmmm, 1,400 caracteres?

39 comentários:

dannah5 disse...

hahah Falar sozinha eh chato, ne?

Ate na internet a gente tem que encontrar a nossa turma, pq blog eh q nem a casa da gente, cada um com um jeitinho particular e sua propria linguagem!

Parabens pelos 400 seguidores, realmente eh bastante gente, ainda mais dizendo de verdade o q pensa, nao eh tao simples expor seus valores, dificilmente agradamos a gregos e troianos e nossa parte emocional também vaidosa tem resistencia em entender isso! hehe

Eu nao queria ter seu oliveira nao! :p

beijocas

dannah5 disse...

Olha so, nao sou sua stalker eh q meu timing hj foi incrivel, vim navegar logo q vc postou!

Na verdade marido acha q to vendo a receita de algo pra festinha de amigo oculto da cria de 4 anos amanha!

Ainda nem pensei o que vou fazer...

beijocas

| viviana | disse...

Lola, eu post foi super interessante e eu tb perdi um tempão lendo os comentários e dando pitacos. Normalmente não comento muito, mas te leio todos os dias. Blogs como o seu me fizeram abrir os olhos para muita coisa relacionada ao papel da mulher. Embora sempre tive um tanto de feminismo dentro de mim desde pequena ("Mãe, pq eu tenho que lavar louça e meu irmão não?"), entendo que é um exercício diário. Concordando ou não com o que você diz, te ler me abre os horizontes.

PS: Nada mais assustador do que concurso de miss infantil.

Devathai disse...

Blogs como o seu me fizeram abrir os olhos para muita coisa relacionada ao papel da mulher. [2]

Mulé, eu viciei nisso aqui ^^

Vivien Morgato : disse...

Vi um programa sobre concursos infantis há algum tempo, acho que na GNT.
Foi aterrorizante.
As meninas pintavam os cabelos e usavam penteados armados, cafonérrimos, bem ao estilo do Litle Miss.

Má disse...

Acho esses concursos de miss crianças asSUSTADORRRRrr.....
Não entendo o porq daqueles cabelos etc..medonho..

Mas a miss sunshine é lindinha demais..

Bjão!

Denise Volpato disse...

Lola,

Lendo seu post, fui até o blog da Lud, tudo muito interessante e tals...daí meu filho de 12 anos veio até minha cama(tadinho, numa crise de choro, medo de reprovar, fez prova final hj!)e comecei a explicar para ele sobre o q eu lia no momento e questioná-lo sobre o q ele achava da vaidade feminina...e "didaticamente" perguntei: vc namoraria uma moça q nunca faz as unhas?? ...ele riu e disse: Q q a unha tem a ver com a pessoa , mae?? e eu , mas e uma moça q nunca usasse salto alto: ele riu mais e construiu um dialogo imaginario: - eu te amo, querida!! Deixa ver tuas unhas: ahhhhhh, deixa ver teus pés: naaaaaaaaooooo p**, vamos terminar!
E riu muito me olhando com a cara de como eu poderia imaginar q alguem se importaria com isso!! Ainda bem q ele pensa assim, né?
E olha q vivemos eu, ele e as duas manas, nós tres bem vaidosas( looonga história, com incursoes a spas, dermatologistas, tratamentos doloridos e carésimos, nas cri inclusive, deus me perdoa!!)
Phophinho ainda imendou um ah mae, mas cada um sabe do q gosta, né? se tu quer te maquiar, beleza, é teu gosto! ( sim, aí entra o mérito da questao, mas admiro a capacidade dele de respeitar os outros, ainda bem!)

Enfim, estou adorando o assunto e amei q ele me proporcionou uma bela hora de carinho e conversa com meu querido, q nessa idade já corre um pouquinho dos meus dengos!

Beijinhos

Denise Volpato

Ps.: impossível tuitar p mim tb...já quase morro p mandar mensagem de celular, heheh!

Adriana Karnal disse...

Lola,
como sempre vc arrasa nos posts...sou sua leitora eventual, mas cada vez q venho aqui dou boas risadas com seus posts cheios de polêmica, razão, "contiúdo" etc...parabéns pelos seguidores, acho fundamental um blog como o seu.
( aliás, pela sua descrição de quando era menina eu era bem parecida com :)

Loy disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Loy disse...

Lola, parabéns pelo seu trabalho, pelas suas idéias, que só poderiam ter como resultado um número consideravel de leitores - e debates efervescendo constantemente.

O dinheiro da net é que veio tarde, mas veio...

[oba, fui citada e adorei :)]

Paloma disse...

Lolita, faça mais resenhas de livros para a gente poder comprá-los e te ajudar a "enriquecer", please!

Luiz Eleno disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Luiz Eleno disse...

Não é pra pegar no seu pé nem nada, mas...

Se você levar ao extremo seus argumentos sobre a vaidade e a aparência, você deveria evitar todas as figuras estilísticas de linguagem nos seus textos, e objetivar um máximo de objetividade sem usá-las. Como um personagem de 1984, antes de sumir como se nunca tivesse existido...

Rita disse...

Oi, Lola. Olha a hora... afe. Bem, não precisa xingar, né?? Fiz várias disciplinas com ele, no mestrado e no doutorado, foi figura fundamental na minha pós. Acho que nunca li tanta coisa boa na Academia como nas disciplinas que fiz com ele. Eu adorava as aulas, morro de saudades das discussões, eram sempre um desafio delicioso. E tive a honra de publicar uma tradução de um texto dele em um livro que ele lançou aqui. E minha orientadora era mulher dele na época da pós. Ou seja, somos praticamente da família, eheheh, menos. O que vc fez com ele? Literatura Americana?

Agora vou mimir. Boas noites. E vê se num xinga, né, ô! ;-)

Rita disse...

Ah, parabéns pela galera, você é praticamente uma sacerdotisa. Parabéns pela grana, você já pode me pagar os cinquenta centavos da aposta. E parabéns pelo concurso de blogueiras que tá fazendo um monte de gente legal trocar ideias!

bjs

lola aronovich disse...

Dananh, vc não tem nem um trollzinho no seu blog? Ah, eu tb não queria ter o Oliveira! Mas são ossos do ofício, pelo jeito... Vc pode ser minha stalker à vontade!


Viviana, que bom que vc ficou aqui o dia todo... Sei como é. Eu também comecei a responder os comentários às 14:30 e de repente vi e era 18 horas! Dá pra acreditar? Não fiz mais nada... Muito obrigada por me ler e ainda achar que abro seus horizontes!

lola aronovich disse...

Devathai, obrigada vc tb! Aquilo que vc contou da Índia no outro post é incrível. Mas isso é pra todas as castas? Esse preconceito vale igual pra todas? Eu tive várias amigas da Índia na escola, e conheci outras recentemente em Detroit. Mas, como moravam fora, estavam mais ocidentalizadas...


Vivien, Má: acho que antes de Little Miss Sunshine eu nem sabia que esses concursos existiam. Ou talvez eu soubesse mas fingia não saber. Mas depois daquele grande filme ficou difícil não ver esses concursos como total freak shows.

lola aronovich disse...

Denise, ah, que legal ouvir o seu relato. Que bom que o meu post rendeu uma boa conversa entre vc e seu filhote. Nessa idade eles já devem começar a ser difíceis, né? Eles já estão totalmente fascinados por meninas, ou ainda estão na fase em que acham nojenta a ideia de beijo de língua? Ou eu que estou completamente defasada? Que fofo o seu menino. Mesmo sem conhecê-lo já me apaixonei por ele!


Adriana, super obrigada por todos os elogios. Quer dizer que éramos parecidas quando crianças?

lola aronovich disse...

Loy, eu ia te citar com link e tudo, mas daí vi que vc não tem blog. Ou pelo menos não encontrei. Apareça sempre, viu?


Paloma, vou fazer sim. Notei que o dia em que vcs compraram quase toda a edição de Para Sempre Alice foi quando publiquei minha resenha. Tem um monte de livros sobre os quais quero falar! (mas alguns estão em inglês e não tem tradução pro português, chuif).

lola aronovich disse...

Luiz, quase duas da matina... Minha capacidade de entender comentários abstratos como o seu não funciona mais neste horário.


Ritinha, espero que vc não tenha levado a mal o insulto. Foi um “cretina” carinhoso! Eu vivo chamando o maridão de estúpido, mas sempre com carinho... É que fiquei impressionada com a sua sacação. Então, o Bellei foi um dos melhores professores que já tive na vida. Tive umas três matérias com ele, amei todas. Também morro de saudades das aulas e das discussões. Lembro que, na época do plebiscito sobre o desarmamento, eu fui assistir uma aula dele. Eu já tinha feito aquele curso com ele e não era mais sua aluna, mas estava com saudades e apareci. E aí a gente ficou debatendo uma hora e meia sobre desarmamento. Claro que eu sou contra qualquer arma, e ele era contra o desarmamento! Mas foi uma boa discussão, bem furiosa. Aí eu não entendo como tem gente que tem medo dele... Aliás, vou mandar um email pra ele. Ele está em Porto Alegre, sabia? (pelo jeito vc sabe muito mais da UFSC do que eu!). Que legal saber que tivemos os mesmos professores! A minha orientadora de mestrado foi a Anelise, e de doutorado o O'Shea, como vc já sabe. E vc, teve a Maria Lucia como orientadora duas vezes?
Vc não faz ideia como sou pão dura! Não vai ser fácil arrancar 50 centavos de mim não!
Tá louco, olha a hora... Vou dormir. Boa noite, princesas da Dinamarca ou algo assim. Agora não consigo pensar direito. Há divergências sobre a palavra “agora” nessa frase.

Bela disse...

difícil, difícil... acho que já fiz 'grande coisa' aceitando meu cabelo maluco e convencendo as pessoas de que cabelo cacheado também pode ser bonito. dai a realmente largar mão... é mto difícil! =D

Devathai disse...

Primeiro, deixa eu falar que concordo com todas que disseram que esses concurso de miss infantil são um verdadeiro show de horrores. Também acho um absurdo quando vejo uma criança de seus seis, sete anos dizer com categoria e toda certeza do mundo que 'quer' ser médico, que 'quer' ser engenheiro. Acho bizarro. Via muito isso no Brasil, mas a coisa chega a dimensões assustadoras por aqui.

Então Lola, o que eu contei da Índia vale para todas as castas. É uma mensagem sutil que permeia todas elas: a mulher de verdade NÃO tem vaidade.

Mas eu devo admitir que as mais ricas, e principalmente, as que já moraram fora, burlam muito isso. Mas mesmo essas mulheres, se precisam estar na presença dos parentes mais velhos, se adaptam (usando as vestimentas, as jóias, tudo). Na verdade as bem ricas de famílias tradicionais têm que parecer uma árvore de Natal 24 horas por dia, porque vai que alguém pensa que elas são pobres.

Fabiana disse...

Lola, isso de vaidade estar associada a produtos é tão triste. Porque eu vejo meninas que mal sabem falar, analfabetas funcionais (rede pública, baby) mas que não dispensam a chapinha e a manicure. Todas elas usam uniforme, o mesmo tipo de roupa, corte de cabelo, sapatos... quem viu uma, viu todas.

Torturar as adolescentes é um modo de manter o status quo. Poque, pensa, como é que alguém que se preocupa 24h por dia em como manter o cabelo mais liso, que quer ser igual a todo mundo, pode querer pensar em desigualdade?

Elas sempre me perguntam, se eu não sou vaidosa. Daí eu falo que sou sim. E elas rebatem: "né, não".

Aí eu vou explicar, todo ano isso acontece, que vaidade não tem a ver com a quantidade de cosméticos que a pessoa usa, com a marca de roupa ou com o peso da pessoa. O cuidado de si vai muito além. Que eu tenho uma vaidade intelectual insuportável e por isso não tenho tempo de ficar duas, três horas, no salão comentando o último capítulo da novela. Enfim é uma assunto muito complexo.

Daí vem aqueles programas de transformação, que trocam as roupas da pessoas, alisam e cortam o cabelo, passam um monte de maquiagem, daí no final as participantes falam que isso mudou a vida delas, que fez com que melhorasse a auto-estima.

Lola, onde foi que eu perdi o bonde da história? Na onde que isso é sinal de auto-estima? Eu preciso me internar num hospício, pq nessas horas eu me sinto um Simão Bacamarte, só eu vejo a atrocidade e o desserviço que esses programas fazem com as mulheres de um modo geral?

Lola Churros disse...

Bem, em relacao a vaidade, sou filha de uma mae mt, mt mt vaidosa. Do tipo q vai pelo menos 2vezes na semana no salao. Que faz academia, q coloca botox e q resolveu colocar silicone nos seios aos 48 anos. Minha irma segue mais ou menos o mesmo rumo, é super loira, vive fazendo escova etc.
Antes de morar na Espanha, eu nao era nada vaidosa, nao sei se por minha própria natureza ou se por trauma da minha mae. Nao q hj mt coisa tenho mudado, mas antes eu nem tinha batom, nem nenhum tipo de creme, zero cosméticos no armário. Nunca pintei o cabelo na vida, só vou no salao pra cortar (nao gosto de ser Rapunzel) e qd tenho um casamento pra ir. Comecei a me interessar por maquiagem na Europa, aqui o povo anda mt chique, com o frio tb meu rosto foi ficando cada vez mais pálido e comecei a sentir necessidade de acrescentar alguma corzinha ali, e vou confessar q comecei a gostar da coisa, claro, sem comprometer meu orçamento pq nao sou maluca.
No começo do ano recebi a visita da minha irma, minha prima e uma amiga de infância da minha irma. A amiga da minha irma tinha problemas, sério, foi quase enlouquecedor conviver 1 mes com uma pessoa como ela (e olha q eu sou filha da minha mae super vaidosa), mas me agoniava ver aquela menina tomando remédio pra emagrecer e ela JÁ É MAGRA!(isso pq ela já vez uma super lipo aos 19anos sem a mais mínima necessidade, lembro q na época nem a reconhecia, tiraram quase toda a gordura do corpo da garota, ela ficou parecendo uma criança, o corpo sem curvas, bizarro), era viciada em comprar, comprar mtS roupas, sapatos etc. Chegou a levar daqui 5 ôculos (eu tentava fazer piada com aquele exagero). Tem o cabelo já liso por milhares de escovas de nao-sei-o-que de alisamento, mas mesmo assim sempre ia no salao fazer escova, qd nao estava consumindo ou se embelezando estava dormindo deprimida. Me dava uma pressao no peito aquela escravidao, eu dizia: vá ler um livro, vá ver um filme, vai distrair a cabeca com alguma outra coisa, na esquina da minha casa tem um biblioteca municipal dos sonhos q me faz ter orgamos múltiplos toda vez q entro, mas ela dizia q nao conseguia se concentrar para ler, e nem pra ver filmes, nao se interessava... isso nao pode se normal, quao forte pode ser essas correntes de consumo?!

Fernanda disse...

Ei, Lola! Ei, pessoas!

Primeiro comentário meu aqui.

Nunca tinha formalizado essa questão que a Lud falou. Mas já tinha percebido um reflexo dessa visão. Te contar...

Eu sempre adorei esportes e agora que meu grupo de capoeira acabou, sinto uma falta horrível. Só que eu simplesmente não consigo achar um esporte que eu possa fazer (a não ser individual) porque as mulheres adultas não praticam esportes. E os grupos de homens não aceitam mulheres. Sério!

Meu namorado, meu irmão, os homens do trabalho, todos têm sua "peladinha" e eu não consigo achar mulheres que joguem futebol, ou vôlei, ou qualquer outro esporte.

E sabe qual o correspondente feminino do ritual masculino de encontrar uma turma, jogar futebol e se divertir? Ir ao salão. É sério. A gente gasta um dinheirão, não tem nenhum prazer (a não ser o "prazer" de ficar bonita), não acrescenta em nada na nossa vida, não socializa com ninguém (a não ser que se considere ouvir fofoca do pessoal do salão socializar) e ainda não é nada divertido.

Mulher adulta só (com raras exceções) só se exercita para manter a forma. Faz academia e caminhada, mas sempre visando ficar com o corpo bonitinho, nunca o prazer do exercício. Isso pra mim não tem graça.

Se alguém discordar de mim e conhecer mulheres adultas que praticam esportes não-profissionalmente, por favor, me fale onde elas estão. Se for em Belo Horizonte, vou ficar mais do que feliz em procurá-las e participar da atividade :)

Perdão se fui meio agressiva, mas é que o assunto me deixa indignada de verdade.

Um beijo!

Fernanda disse...

Ah! Explicar como eu cheguei aqui...

Eu sou amiga da Lud. Dia desses, em um almoço que durou umas 5 horas porque o assunto não acabava, nós duas começamos a falar sobre o feminismo e ela me recomendou seu blog.

Agora, quase um mês depois, li seu blog de cabo a rabo (sim, sou meio obsessiva, confesso).

Parabéns! Adoro seus textos e eles me ajudam muito a enxergar algumas coisas.

Eu ainda não cheguei ao seu nível de evolução. Hehe... Infelizmente, fui criada numa família bem machista (e numa sociedade, né? mineiro é ultra conservador) e só estou me dando conta do quanto viver seguindo esse modelo atrapalha minha vida e me coloca numa prisão. E quanto mais eu vou lendo e falando sobre o feminismo, mais vou me libertando, me aceitando e me sentindo bem na minha própria pele.

Foi um prazer conhecer seu blog, Lola!

Um beijo!

Laura disse...

Hey, Lola, acho que vc poderia fazer um twitter. Não precisaria escrever nada por lá. Apenas seria um meio a mais de divulgar os seus posts aqui. Acho que traria ainda mais gente pra esse blog, mais gente compraria no submarino e tão logo vc poderá se aposentar (e dominar o mundo..hahaha)!

Olha, a matéria do el país, elegendo lula o personagem do ano: http://www.elpais.com/articulo/internacional/hombre/asombra/mundo/elpepuint/20091211elpepuint_1/Tes

Pra começar bem o dia :)

Bau disse...

Lolinha, e o Boninho que está procurando UMA LÉSBICA BONITA E ASSUMIDA para o BBB10? Sobre essas e outras formas de fazer a cabeça das pessoas é que vocês já falaram brilhantemente. O link para a "reportagem" é: http://audienciadatv.wordpress.com/2009/12/10/boninho-procura-lesbica-bonita-e-assumida-para-bbb-10/
Beijos (não sei como fazer o clique aqui...)

Bau disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
samya disse...

Oi tudo bem? Acho que é o meu segundo ou terceiro comentario no teu blog apesar de ja acompanha-lo faz um tempinho. Pode ser que voce nao goste muito do comentario mas vai la: Eu acho que você discute sobre vaidade como se todas as mulheres vaidosas se arrumassem ou se embelezassem so para respeitar um padrão social, para ser aceitas ou quem sabe amadas, mas eu pergunto: e todas as outras que gostam de ver as unhas pintadinhas, o cabelo arrumado e malham para se sentir melhor? Te digo isso porque ainda que eu sou a antitese da vaidade de revista eu sou muito vaidosa e adoro sentir minha pele perfumada e macia e tirar minha sombrancelha para ficar com o rosto mais limpo ou me depilar porque detesto pelos. Apesar de nunca antes ter feito exercicios decidi entrar numa academia pois estava me sentindo pesada e com menos pique para fazer as coisas que gosto e te digo, estou adorando! Quero malhar todos os dias pelo menos um pouquinho porque me sinto melhor, tenho mais fôlego e também é uma forma interessante de socializar e eu prezo (quase) todas as relações humanas. Por outro lado, você não acha que se preocupar o tempo todo com o numero de pessoas que visitam o teu blog, com quantos seguidores tem, com quem te lê, te admira, concorda com tudo o que você diz, não é também uma forma de vaidade? Uma vontade de ser aceita por um determinado grupo de pessoas, ainda que sejam as centenas de pessoas que te visitam diariamente? Me lembro de um post, que você fala de seu mãe, que explica a ela que não são teus leitores,são visitantes do blog, e no mesmo post você usa duas ou três vezes a palavra leitores para se referir a esses visitantes.
Sendo assim, como se pode dizer que a vaidade feminina no que diz respeito aos aspectos fisicos do corpo é muito mais para agradar os outros do que escrever textos e saber que tem um monte de seguidores e ficar contando quem entra no blog?
Ai você pode me responder que ser amada ou admirada pela produção intelectual é muito mais importante que ser amada pelo seu aspecto fisico. Mas sera que a necessidade não é a mesma?

=draupadi= disse...

uai, mulher, eu te sigo mas não te sigo. venho aqui TODOS todos to-dos T-o-d-O-s os dias.. mas não devo estar nessa lista.
Comofas?

lola aronovich disse...

Bela, que bom que vc “aceitou” seu cabelo “maluco” pelo menos!


Devathai, eu hein? Isso de se exibir com joias, de ter que usar joias o tempo todo pra mostrar que o marido trata bem a esposa, parece horrível. Acho que seria muito difícil morar num lugar assim. E isso de querer clarear a pele é incrível. As indianas são lindas. Eu queria ter essa cor! (e o cabelo das indianas é vendido a peso de ouro pras negras americanas).

lola aronovich disse...

Fabiana, é sim uma estratégia de dominação. Primeiro vc acaba com a autoestima da pessoa, dizendo-lhe todo dia que ela é feia e gorda e que isso trará consequências desastrosas pra sua vida amorosa. Vc até dá uma colherzinha de chá, dizendo que ela pode ser bonita se investir muito tempo e principalmente nessa atividade. E, pra completar, vc ensina que o que conta mesmo é a sua aparência, mais do que qualquer coisa que vc possa realizar. É isso que a sociedade faz com as mulheres. Enquanto a gente tá falando de dieta, a gente tá deixando de falar de violência doméstica ou equiparação salarial. E esses programas de transformação... Talvez a verdadeira transformação ocorresse se a mulher parasse de se obcecar pela aparência?


Lola, isso que vc contou da sua amiga me lembrou de um tempinho que eu passei em Washington DC quando eu tinha 17 ou 18 anos. Fui fazer um curso de Ciência Política, e foi ótimo. Tinha adolescentes de várias partes do mundo. Dos EUA, tinha uma turminha do Havaí e de Nevada. Eu dividi o quarto com uma menina do Havaí, muito inteligente e bonita. Bom, ela precisava de pelo menos uma hora por dia no banheiro no começo da manhã pra se arrumar. 17 anos e ela não saía do quarto sem estar maquiada dos pés à cabeça. Eu fiquei impressionada, porque no meu círculo de amizades na época (década de 80), no Brasil, as meninas não eram assim. Mas pelo que me falaram todas as americanas naquele curso se comportavam desse jeito. Era seu ritual matinal. Essa sua amiga é um caso extremo, mas quantas pessoas assim a gente não conhece?

lola aronovich disse...

Fernanda, bem-vinda! Adorei o seu comentário. Posso inclui-lo num post?
Que bom que a Lud te apresentou a este meu bloguinho! E boa sorte com seu blog recém-começado!


Laura, vc acha? Fazer um twitter só pra colocar links pros meus posts? Será que alguém seguiria um twitter tão chato assim? Concordo que ter um bom twitter aumenta a divulgação de um blog. Eu sinto isso quando alguém twitta algum dos meus textos, o número de visitas cresce. Mas, não sei... Eu teria que investir muito tempo e energia num twitter... Obrigada pela matéria do El País! Homem do ano, né?


Bauzinha, ué, lésbica bonita e assumida podia ser vc! Pena que o BBB não pegue ninguém acima dos 25-30 anos, né? A gente pode só imaginar como será a lésbica bonita e assumida do BBB... Mas será que essa “inovação” não traz nada de bom? Quando aquele rapaz, como é o nome, o Jean?, ganhou um BBB, não foi bom pra aceitação da homossexualidade? Claro que ele não era bonito... Pra homem isso não é pré-requisito. Bauzinha, gostaria que vc escrevesse algo sobre isso.

lola aronovich disse...

Samya, todas nós fazemos parte da nossa cultura. Fomos moldadas por ela, vivemos nela, respiramos essa cultura todos os dias. Espero que vc não esteja negando que o padrão de mulheres terem que se arrumar seja algo cultural, ensinado desde bem cedo, né? Mas nem por isso é algo negativo. Praticamente tudo que fazemos é uma construção social. Falar é uma construção social. Se vestir. Comer o que comemos, etc. E eu acho que boa parte de nós GOSTA de pertencer a essa cultura. Tem muita coisa que a gente queira mudar, mas também tem muita coisas que a gente gosta, não? E é óbvio que muitas mulheres gostam de se embelezar. Até porque traz vantagens pessoais fazer parte de um padrão de beleza numa sociedade que valoriza isso acima de tudo.
Sobre vaidade, eu já respondi nos comentários do outro post que existem muitos tipos de vaidade. Eu estava mais me fixando na vaidade física, que é a primeira (e pra muita gente, única) coisa que vem à mente quando falamos de “vaidade feminina”. Concordo contigo que ter um blog é uma questão de vaidade e também, por que não, de aceitação (eu não havia nem pensado no meu blog dessa forma, de escrever pra ser aceita, mas é algo pra se pensar).
Acho que vc adotou uma postura um pouco agressiva (ou defensiva) no seu comentário porque sentiu que eu agredi quem é vaidosa. Mas eu não acho que fiz isso. Só disse que eu não sou vaidosa e que as pessoas deveriam pensar no que fazem, ao invés de fazerem automaticamente, sem pensar. E que não se ater às convenções sociais de como uma mulher deve se arrumar pode ser uma forma de liberdade.
Só pra esclarecer, porque acho que não ficou claro naquele post que falo do número de visitas e da minha mãe. Minha mãe vê o número do SiteMeter (que conta o número de acessos num blog; eu não preciso contar!) e pensa, uau, vc tem meio milhão de leitores! Mas esse número não corresponde ao número de leitores, e sim de visitas (não de visitantes, como vc disse). Tem gente (eu, inclusive) que entra no blog dez, vinte vezes por dia. Eu não sei o número de leitores que tenho. Gostaria de saber, mas acho que o SiteMeter não diz isso. O SiteMeter é um dos medidores gratuitos que existem pra contar número de visitas num blog. Quase todos os blogueiros instalam algo do gênero no blog porque é uma forma de saber quantas visitas têm, de onde vem os leitores, se o número sobe ou desce a cada mês etc. Aliás, meu SiteMeter está aberto aos leitores. É só clicar lá e vc pode ver tudo isso que eu estou te dizendo. (eu o abri aos leitores quando incluí o Submarino. Pensei: ah, se vou contar quanto dinheiro ganho com o blog, acho natural deixar que meus leitores saibam de tudo. Antes eles podiam ver os números pelo Extreme Tracking, embaixo de tudo na página do blog, mas tem números um pouco diferentes). Enfim, esses contadores viciam! Tem blogueiro que, depois de um tempo, os tira do blog, porque é comum a gente entrar lá direto.
Mas voltando a sua colocação, vc diz: “Ai você pode me responder que ser amada ou admirada pela produção intelectual é muito mais importante que ser amada pelo seu aspecto fisico. Mas sera que a necessidade não é a mesma?”. Bom, pra mim, ser admirada pela produção intelectual é muito mais importante que ser admirada pelo meu aspecto físico. Mas não é assim pra todo mundo. Pruma atriz, por exemplo, ser admirada pelo aspecto físico é muito mais importante. No meu caso, mesmo que eu quisesse ser admirada pelo meu aspecto físico (e eu nunca dei bola pra isso, nem quando estive dentro do padrão), não dá mais. Tenho 42 anos. Estou fora do padrão de beleza imposto, e isso que só estou falando da idade. Aliás, aí está um bom argumento pras mulheres fazerem como os homens e procurarem ser admiradas pela produção intelectual mais do que pela aparência física: a produção intelectual pode ser admirada pela vida toda. A física tem prazo de validade.

samya disse...

Lola, para começar gostaria de me desculpar se pareci agressiva, em nenhum momento foi essa minha intenção até porque acho de mau gosto sair por ai agredindo as pessoas pela internet, eu não faria. Quanto ao meu comentario, gostaria primeiro de começar te agradecendo pela resposta, para mim foi mais esclarecedora que o post. Eu continuo achando que escrevemos ou publicamos fotos na net (o meu caso) por vaidade sim, para receber comentarios positivos para ter nossa produção reconhecida ainda que seja por poucos amigos.
Quanto aos padrões de beleza como construção e até de imposição cultural também estou de acordo com você, mas sou uma otimista. Acredito que vaidade fisica possa muitas vezes estar mais relacionada como o amor proprio que com o que esperam de nos, pelo menos para mulheres da nossa idade, eu tenho 38 anos.
Eu gosto de ser reconhecida pelo meu nivel de educação, gostaria também de ser admirada por minhas posições feministas (isso nunca ocorreu), mas também gosto que me achem bonita, ainda que eu seja a mulher mais normal do mundo, aqui so ultrapassa os limites o ego mesmo.
Bom, e quanto a beleza ser efêmera, estou completamente de acordo, mas eu quero ser uma velhinha de brincos e tatuagens. Um abraço

P.S.: Estou reaprendendo a escrever em português, alias, estou reaprendendo faz tempo, prometo ser tentar ser mais clara nos proximos comentarios.

Mariana disse...

"Pruma atriz, por exemplo, ser admirada pelo aspecto físico é muito mais importante"

Então você tá dizendo que a unica coisa que se precisa para ser atriz é uma carinha e um corpinho bonitos.
Tudo bem, todo mundo sabe que os atores são muito valorizados pela sua beleza, etc, mas e quanto ao talento, esforço, enfim, a competencia da pessoa no que faz. Desculpa, mas acho que você generalizou muito e ofendeu quem faz parte do meio. (sou atriz de teatro {amador})

Beijinhos

lola aronovich disse...

Desculpe, Mariana, eu não quis desvalorizar a importância do trabalho das atrizes. Lógico que atriz não é só um rosto e corpo bonitos. Aliás, seria ótimo se pudéssemos ver mais atrizes que não fossem tão bonitas, tão dentro do padrão. Mas eu estava pensando na carta de suicídio da Leila Lopes, sabe? Quando ela explica que era melhor deixar de viver que envelhecer. Pra ela, não há dúvida que a aparência física era vital pro seu trabalho. Quanto mais envelhecia, menos trabalho ela iria conseguir. Ela seria mesmo forçada a uma “aposentadoria precoce”, ou a fazer filmes pornôs (também, só por um certo tempo) ganhar dinheiro. E isso de atrizes não terem mais trabalho depois dos 40, 45 é muito comum em Hollywood. Alguns estudos indicam que o auge de uma atriz hollywoodiana se dá entre os 25 e os 30 anos. Depois disso, é só ladeira abaixo. O salário cai, os convites começam a rarear. Depois dos 40, então, nem se fala. E o que acontece com a atriz? Obviamente ela não “desaprendeu” a atuar após os 30. É só que sua beleza, a cada ano que passa, fica mais distante do padrão. Portanto, imagino que a maior parte das atrizes profissionais leva muito a sério sua aparência. Retardar o envelhecimento passa a ser uma questão de sobrevivência (ou sobrevida) profissional. Gostaria que não fosse assim, óbvio. Acho extremamente cruel. E acho péssimo que não haja bons papéis para mulheres mais velhas. E que nós, espectadoras, não vejamos mulheres mais velhas. Mas o que eu quis dizer é que não dá pra comparar como uma atriz tem a sua aparência avaliada a como eu, uma não-atriz, tem.

Bárbara disse...

Eu tinha acabado de escrever um comentário aqui quando fechei a janela :(

O que eu (acho que) tinha escrito é o seguinte: adorei saber que nós podemos ver as buscas do Google pelo Extreme Tracking. Morri de rir com as poucas que li. Que saudades d'"As buscas estranhas que o Google manda pra cá"!

Ah, e eu acabei de comprar os DVDs. Você recebeu a sua parte? Porque quando eu entrava na página de compra do produto, seu numerozinho saía...

Por falar, tem como você saber se alguém já comprou pela Submarino algum bendito bebê? Hahaha!