quarta-feira, 7 de outubro de 2009

O PRIVILÉGIO BRANCO, AO VIVO E EM CORES

Ilustração da Shery. Ela acha cabelo negro bonito e ótimo de desenhar.

Em dezembro, fiz uma pequena lista do que é privilégio masculino (ou seja, coisinhas corriqueiras que nós mulheres sofremos todos os dias, mas que os homens, por nascerem com um pênis, nem sabem que existem. Um exemplo básico de privilégio é que um homem, quando sai de casa, tem medo apenas de ser assaltado, enquanto que pra mulher geralmente o medo do assalto fica em segundo plano). É importantíssimo discutirmos privilégios, mas é também difícil. As pessoas odeiam ser lembradas que são privilegiadas. Preferem aquele discurso de que lutaram para chegar aonde chegaram por méritos próprios e através de um esforço descomunal, não porque nasceram com o bumbum pra lua. E as pessoas preconceituosas são as que menos se dão conta dos seus privilégios. Elas quase sempre negam tanto o preconceito quanto o privilégio. Mas eles existem. Um privilégio bastante típico que eu e a maior parte do meu leitorado compartilhamos é que somos classe média e não temos problemas físicos e mentais. Que privilégios há em ser classe média? Vários, mas o principal, a meu ver, é não correr o mínimo risco de passar fome. Esse medo não faz parte da nossa realidade, mas faz parte do cotidiano de três em cada quatro pessoas no planeta. E o que não ter problemas físicos significa? Que vivemos num mundo feito sob medida pra gente. Pergunte pra um cadeirante se ele pensa que o mundo foi feito pra ele.
Quando finalmente nos damos conta dos nossos privilégios, podemos começar a entender os desafios que pessoas sem esses privilégios têm. Na sociedade em que vivemos, os maiores privilegiados são homens brancos e héteros. Isso não quer dizer que a vida seja um mar de rosa pra eles, só que será bem menos difícil.
Logicamente, por ser mulher, falar de privilégio masculino é infinitamente mais fácil pra mim. Desde que pensei nas vantagens de ser homem, venho querendo abordar outros tipos de privilégios, como o privilégio branco e o heterossexual. Pra mim é muito mais complicado pensar nisso porque faço parte de grupos favorecidos―afinal, sou branca e hétero. Eu tenho que me colocar muito na cabeça de um negro e de um homossexual para tentar entender o que eu tenho de graça, e o que lhes é negado. E isso não é fácil de fazer. Mas eu tentei. Semana que vem falo de privilégio hétero. Agora, cito uns exemplos de privilégio branco (o termo é muito mais conhecido em inglês: white privilege. Aqui, um ativista branco pró-negros fala―em inglês―de como foram seus encontros com a polícia quando ele era jovem. Pense como seriam se ele fosse negro. Aqui, o Alex fez uma série sobre privilégio. Eu tenho o privilégio d@s comentaristas do bloguinho serem mais perspicazes que os comentaristas dele). Por favor, ajude. Tenho certeza absoluta que a lista está incompleta. Mas é um comecinho. Preste atenção em algumas vantagens que temos apenas por nascermos com a “cor certa”. A primeira é nem precisar pensar duas vezes pra decifrar qual cor é considerada a certa na nossa sociedade. Portanto, privilégio branco é:

Ninguém mudar de calçada ao me ver.
É não me confundirem com o garçom/atendente/serviçal.
É ter muito menos chance de ir pra cadeia.
A primeira coisa que as pessoas reparam em mim não é a minha cor.
Se um vizinho me vir pulando o muro da minha casa, porque esqueci a minha chave, ele provavelmente irá me ajudar, e não chamar a polícia.
É poder usar o elevador que quiser sem que ninguém me olhe feio.
Quando eu entro num supermercado ou numa loja, os seguranças não ficam de olho em mim.
Se eu faço alguma coisa errada, as pessoas vão julgar que esse foi um erro individual, não um erro do meu grupo.
A polícia não vai me parar a toda hora por eu ser um suspeito em potencial.
É receber um salário mais alto que meu colega negro, ainda que desempenhando a mesma função.
Meu cabelo é considerado sempre bom, mesmo quando eu estou num “bad hair day”.
Posso dirigir um carrão que ninguém vai achar que eu o roubei.
Numa faculdade, as pessoas vão achar que estou lá porque estudei muito e mereci entrar, não porque uma lei me beneficiou.
As pessoas não me descrevem apenas pela minha cor.
Não tenho que fazer cirurgia plástica no meu nariz pra ele ser considerado adequado.
Vou viver mais: minha expectativa de vida é maior que a de um negro.
As pessoas que aparecem na TV e nos filmes são da minha cor.
O padrão de beleza começa por ser branco (pelo menos essa vantagem eu já tenho).
Quando eu era criança e brincava de boneca, as bonecas eram da minha cor.
Cresci ouvindo que tudo que é branco é bom, e tudo que é preto é ruim. Isso afeta a minha autoestima.
Raramente a família de alguém vai se opor a me ter como genro ou nora.
Tenho muito mais chance de ingressar numa faculdade por ser branco (sim, apesar das cotas. É só ver as estatísticas. Por que as cotas foram criadas? Não pra atazanar a minha vida, mas porque há tão poucos negros nas universidades).
Meus antepassados não foram escravizados (no caso dos negros) ou varridos da face da Terra (no caso dos índios).
Tenho muito mais chance de me tornar um professor universitário.
Pra eu ser preso, terei que cometer um crime hediondo.
A maquiagem produzida pela indústria é feita pra pessoas da minha cor.
Não associam a minha religião à macumba (esse é tema de outro privilégio, o religioso).
Muitos defeitos meus são perdoados por causa da minha cor.
Eu não pareço ameaçador para outras pessoas.
Posso parar uma pessoa na rua para pedir informações sem que ela ache que vou assaltá-la.
As pessoas que me avaliam geralmente são da minha cor.
Numa entrevista de emprego, o entrevistador quase sempre é branco.
Numa banca de defesa de monografia/mestrado/doutorado, os membros são quase todos da minha cor.
Nunca parei para pensar como pessoas da minha cor oprimiram pessoas de outras cores ao longo da história.
Ninguém se nega a sentar do meu lado no ônibus.
Na hora de alugar um apartamento, o dono do apê é branquinho como eu.
Quando vejo comerciais ou programas sobre a minha cidade, todo mundo é da minha cor.
As pessoas nunca associam a minha cor ao meu cheiro.
Todos os heróis da minha pátria são brancos.
Os escritores que fazem parte da grade curricular da minha escola/faculdade são quase todos brancos.
Eu não sou responsável pelo que meus antepassados brancos fizeram contra os negros, mas os negros de hoje são responsáveis pelo que seus antepassados negros fizeram contra sua própria raça.
É ver meus gostos pintados como universais e naturais.
É não ser compararado com macaco.
Serei ouvido se quiser reclamar de alguma coisa.
Quando me junto com outras pessoas da minha cor, raramente somos considerados uma gangue.
Na adolescência, não fui chutado e espancado por policiais.
Eu posso ser preguiçoso e não gostar de trabalhar sem que associem isso a minha cor.
Se eu tiver uma arma, vai ser pra autodefesa, não pra matar alguém.
Quase todos os ministros, juízes, e congressistas que me representam são brancos.
O meu Deus me fez a sua imagem e semelhança. Até o filho Dele é da minha cor.
Eu posso pintar a minha casa de amarelo brilhante sem que meus vizinhos critiquem a minha escolha, dizendo ser “coisa de branco”.
Todos os presidentes do meu país (o cargo mais alto a que alguém pode aspirar) foram da minha cor.
Eu não preciso me superar pra me destacar no trabalho ou nos estudos.
Quando cometo um erro, ninguém acha que o cometi por ser branco.
As piadas que ouço não giram em torno da minha cor.
É poder acreditar que todas as minhas conquistas são baseadas no meu mérito, e não no meu privilégio racial.
Aliás, eu nunca nem tinha parado pra pensar nesse tal de privilégio branco. Só pode ser coisa de preto!

56 comentários:

Samantha disse...

Brilhante Lola. Também acredito que a gente tem que discutir isso,para esclarecer e tirar da mente de muita gente que acredita que não existe racismo no Brasil.

Lembrei da história de um colega que conheci no twitter, o Jonatas. Ele estuda jornalismo lá em Santos (PUC). O Jonatas trabalha com esse site: http://www.mixpoint.com.br/ e tem esse blog http://www.jonatas.com.br/

Outro dia ele me contou que foi ao mercado, e os seguranças pediram que ele lacrasse a mochila. Lá foi ele, na maquininha de lacrar e fez tudo direitinho. Ao entrar na loja, ele percebeu que ele era o único com a bolsa lacrada.Coincidentemente, ele é negro. Coincidentemente???

Um outro dia, ele foi ao mesmo mercado. O segurança novamente pediu que ele lacrasse a bolsa. Ao que ele respondeu educadamente:
- Vou lacrar, mas se for como no outro dia, em que apenas eu tive minha bolsa lacrada, vocês terão sérios problemas.
O segurança deixou ele entrar e não falou mais nada.

O Jonatas também comentou que outro dia pessoas atravessaram para o outro lado da rua. Ele ainda 'brincou': "E olha que eu estava bem vestido, com roupa social!".

É lamentável que as pessoas pensem assim, ainda mais no Brasil. E infelizmente o Jonatas não é a unica pessoa q conheço que sofreu preconceito por ser negro.

Nara disse...

Quando criança, você mesmo sendo negro, não vai se sentir humilhado por ser comparado com o Lima Barreto, como aconteceu numa escola da minha cidade. Você não vai ter "crise de identidade", sendo negro e negando a própria raça.
E olha que interessante o que diz o José Vicente, reitor da Faculdade Zumbi dos Palmares: "Nós estamos agora contestando a cota de 10% ou 20%. Criamos a cota de 1. Você vai ver que em alguns lugares os caras agora fazem questão de pôr um negro: 'Olha, tem um aqui, tem um no bolso pra você'. Ou quando você discute espaços de responsabilidade social: "põe um negro aí na propaganda, pra que possamos nos apresentar politicamente corretos". Mas o 'politicamente correto' é um negro e 30 não-negros do lado".

anália disse...

Lola,
Mais uma para sua lista:
Quando eu brigo por alguma coisa, estou fazendo valer meus direitos. Se fosse negro, estaria armando barraco (mas, é claro, não posso brigar muito, pq como sou mulher, posso ser tachada de histérica).
Bjs,
Anália

L. Archilla disse...

engraçado, anteontem comecei a rascunhar um post desse tipo. mas diferente. logo logo vc verá... :)

LaLoka disse...

Temos uma amiga que abriga gatos para adoção, ela disse que os gatos que mais demoram pra ser adotados, quando são, são os pretos. Mas, aí acho que não rola racismo, mas a associação com a idéia de gato de bruxa, satanismo e outras coisas que associam aos felinos pretos. Lembrei disso quando vi a foto com os gatos preto e branco no início do post.
Sobre racismo, realmente só quem passou sabe o quanto humilhante é. E, sim ele existe, mas como a gente é "beeeeem" legal dá uma camuflada. Muito triste.

Barbara disse...

Mais um:

- posso entrar numa agencia de banco no Rio de Janeiro sem ter que mostrar pro seguranca tudo que esta na minha bolsa, mesmo tendo chave, guarda chuva e um monte de metais dentro dela. (ja cansei de entrar direto em banco enquanto um negro do meu lado passava horas sendo vasculhado pelo guarda. O detector de metais nao funciona com brancos, eu acho)

Mei disse...

talvez pelo fato de ter negros na minha família eu vejo esse preconceito de cor como uma das coisas mais absurdas da humanidade. Eu não entendo, juro.É só cor de pele, assim como tem diferente cores de olhos...



LaLoca...gatos pretos são meus favoritos! ^_^

Mariana N. disse...

Interessante você falar hoje sobre o privilégio branco. Hoje de manhã ví uma notícia de um engenheiro que foi preso por racismo contra um porteiro de escola (adivinha só: negro). Aposto que ele não vai ficar nem uma semana enjaulado porque, afinal, é branco e suponho eu que de classe mais abastada.

Aguardo ansiosamente o post sobre o privilégio hétero!

Obs.: Lola, eu adoro as coisas que você escreve.

Junior disse...

Lola, uma consideração interessante seria ver até que ponto os privilégios são válidos, por exemplo, um cara branco tem vários privilégios, mas ele sendo gay, perde todos? alguns? Como se dá essa relação... e o que pensar de uma mulher negra, homossexual, mãe solteira e atéia?

Lembrando, a minoria mais hostilizada que existe é dos ateus... perdem para negros, homossexuais, etc...

Alba Almeida disse...

Lola, Sensasional !!
Isso me faz lembrar de um fato ocorrido, dois garotos foram recolhidos pela polícia, por estarem pichando o muro de uma residência, quando tomei conhecimento do fato, a pessoa que contou era um negro e ao final do relato ele disse: ...”tenho certeza que foi aquele negro safado que induziu o colega a pichar”. Na verdade era uma dupla, um branco e um negro. Ao conversar com os dois, garoto “branco”, me relatou que o amigo só estava naquele local, porque estava tentando evitar que ele fizesse a pichação e que os polícias nem se quer deixaram que o amigo se explicasse e ainda ele havia sido tratado de forma cordial e o amigo com desprezo.

São situações que não se pode calar.
Um abraço.

| viviana | disse...

Brilhante, Lola. Como a gente tem muito que evoluir!

LaLoka, o preconceito com relacao a gatos pretos tem bastante a ver com o preconceito com relacao a negros na medida em que aprendemos que preto = Mal, branco = Bem. Magia ruim e' magia negra, ne'? (A proposito, gatos pretos vivem mais, sao mais sadios e mais espertos!).

Junior, gostei da proposta de pensar na relacao entre "minorias" que voce propos. So' discordo um pouco quanto o que vc disse sobre ser ateu. Sim, ateus sofrem preconceito absurdo, mas apenas quando se dizem ateus. Negros, mulheres e grande parte dos homossexuais nao tem como esconder o que eles sao. Ou vc se apresenta "Oi, sou fulano, sou ateu?".

Débora disse...

Ótimo texto.
A série sobre privilégios que o Alex escreveu está ótima também.

Mariana N. disse...

lembrei agora de um conhecido meu, negro também, que até brinca que não pode fazer cooper pois a polícia para ele pensando que ele assaltou alguém.

Alba Almeida disse...

Ui!!!
sensacional (corrigindo)

Gustavo Ca disse...

Sabe quando vc tá meio sonolento, distraído, e alguém te pega no braço, te sacode, e aí vc acorda? Esse post foi mais ou menos isso..

Vai ter post sobre o privilégio religioso tbm?

Bau disse...

Lolita, por coincidência esta semana um homem entregador de remédios da Droga Raia, em São Paulo, entrou com sua motocicleta e ficou andando sobre a calçada de um condomínio buscando o número da casa onde devia entregar um medicamento. Uma amiga minha, Deía Batista, negra, estava em frente à sua casa, na noite de seu aniversário, e chamou a atenção do enrtegador para que não transitasse sobre a calçada, mas sim na rua. O homem a chamou de macaca, e disse mais outros tantos desaforos. Deía está buscando as formas legais de punir essa ação.

Maíra Teixeira disse...

Adorei Lola.
Quando puder faz um post sobre
gordofobia.
Abs

Kinna disse...

"Lembrando, a minoria mais hostilizada que existe é dos ateus... perdem para negros, homossexuais, etc..."

Júnior, gostaria de saber de onde você tirou essa informação. Porque, pelo que sei, não há nenhuma pesquisa sobre 'qual minoria mais hostilizada', mas ainda assim, intuitivamente, eu suponho que os gays/lésbicas/travestis ainda sejam os que mais despertam ódio em virtude das várias religiões homofóbicas.

Mas gostaria muito de saber em que base você se baseou para afirmar categoricamente tal coisa.

Junior disse...

Kinna,

Não vi isso em pesquisa ou algo assim, mas é dia a dia mesmo. Mesmo as pessoas mais tolerantes, acabam tendo preconceitos contra ateus. Além disso, ateus sofrem preconceito dentro de suas próprias famílias ou círculos de amizade, inclusive, tendem a se esconder mais do que homossexuais.

Kinna disse...

À propósito, lembrei de uma frase: "o maior preconceito que existe é sempre aquele que nós sofremos." Sendo assim, suponho que você seja ateu, Júnior.

P.S.: Lola, excelente post! É realmente difícil pensar no privilégio branco sendo branca, não consegui pensar em situações além das já citadas.

Kinna disse...

Junior, eu sendo mulher, branca, homossexual e atéia não concordo em absoluto que o preconceito contra ateus seja maior do que contra outras minorias citadas. Mas acho que é uma discussão difícil, porque nos basearemos apenas em experiências pessoais e especulação.

Além do mais, minoria mais hostilizada por quem? Porque o grau de hostilidade varia de acordo com o contexto social do indivíduo, então realmente fica complicado afirmar algo assim.

meujazz disse...

Privilégio branco é reservar mesa em um bom restaurante, chegar, comer, pagar e ir embora, sem ter que ser inquirido, quando chega, se você "é mesmo fulano de tal". Essa já rolou comigo, e vou te dizer - QUE CONSTRANGIMENTO! A fome, a noite, tudo descendo pelo ralo.

meujazz disse...

Junior, tentando responder à sua pergunta, acho que as discrminações rolam por acúmulo. Não à toa, quem é que está no nível mais baixo da pirâmide social? A mulher negra, evidentemente.

Mensurar isso não é fácil, e nem sei se é possível. Mas penso sempre que, a cada "signo" discrminado que você carrega consigo (seu sexo, etnia, sexualidade), são tirados privilégios de você. Difícil dizer qual desses signos é o que mais tira privilégios. E também depende do privilégio. Num geral, eu acho que o fator racial é o que mais tira "pontos" do indivíduo na sociedade. Isso em termos de poder. Mas, em outros termos, pode ser pelo gênero (os "desprivilégios" femininos que a Lola já listou aqui, por exemplo, não atingem um homem negro). E é sempre muito relativo. Por exemplo, eu duvido que o povo brasileiro elegesse um candidato à presidência "afeminado" (não estou nem dizendo se ele é gay, veja bem). Acho mais fácil elegerem um presidente negro, ou uma presidenta. Mas, ao mesmo tempo, homens brancos gays ("afeminados" ou não) e mulheres brancas estão bem acima dos negros em termos de rendimento salarial (mesmo com escolaridade igual), representação na mídia, possivelmente até em cargos de chefia (esse último não tenho certeza).

Agora, não me venha com esse papinho de que os ateus sofrem mais discriminação do que negros, mulheres, homossexuais. Sem a menor chance. Os negros têm um histórico de 350 anos de escravidão em 500 de história do Brasil, o que gera um prejuízo social sem precedentes, que vai desde violências simbólicas até espancamentos e assassinatos de autoria do próprio Estado (a polícia); as mulheres vivem numa sociedade patriarcal, sexista, e sequer o direito de andar na rua sem ter os seus corpos tocados elas conseguiram; homossexuais são assassinados e violentados diariamente por conta de sua orientação sexual.

Um ateu não sofre NADA disso. Não há violência física, pra começar. Se já aconteceu, é a exceção que confirma a regra. Aliás, falando de religião, espíritas, candomblecistas e umbandistas têm suas casas QUEBRADAS e corpos machucados por fanáticos cristãos. Um ateu não tem a sua casa quebrada, jamais. Um ateu não perde emprego por ser ateu. Mulheres, negros(as) e homossexuais perdem todos os dias. Se quiser, dá pra continuar essa lista e muito. O ateu está pressionado por uma sociedade que vive um momento de intolerância religiosa muito grande, mas não pode ser comparado ao prejuízo desses outros grupos que têm por trás questões históricas e sociológicas muito mais profundas.

Rafael C.

Barbara disse...

Sobre os ateus:

Kinna e Meujazz, uma pesquisa feita recentemente nos EUA mostrou que seria mais facil a populacao americana eleger um presidente negro (como ja fez), mulher, ou gay, do que um presidente ateu.

Nao sei se vc lembra da situacao em que o fernando Henrique ficou, durante a campanha para presidente, quando perguntaram para ele se ele acreditava em Deus.

O preconceito contra ateus pode nao ser violento, mas existe e eh forte sim. E pode prejudicar a vida de uma pessoa, tanto que muitos ateus nao "saem do armario" para evitar problemas.

Nao digo que seja o pior preconceito do mundo, mas vcs deveriam se informar antes de sair dizendo que nao existe. (uma busca rapida no google por brights, Humanist society, Fundacao dawkins, ja ajuda)

meujazz disse...

Bárbara,

Veja o que eu escrevi:

"O ateu está pressionado por uma sociedade que vive um momento de intolerância religiosa muito grande". Ou seja: eu concordo com você que há preconceito, sim, contra ateus. A Kinna falou que não há como saber qual a minoria mais hostilizada. Ou seja, ela também concorda que há preconceito contra ateus - só acha, como eu, que é algo menor do que com outras minorias.

Essa pesquisa americana, se fosse feita no Brasil, acho que daria o mesmo resultado. Mas, como eu disse, há situações. "Presidência" é algo muito específico, relacionado à representação etc. Em termos gerais, não dá pra dizer que os ateus são mais prejudicados do que mulheres ou negros. O preconceito que sofrem, embora não menos absurdo, é muito pontual.

Rafael disse...

Uma amiga minha compartilhou seu post no google reader. Penso exatamente assim e queria lhe mostrar um video que fiz sobre o assunto - como certos preconceitos se manifestam sob a manta de um discurso politicamente correto: http://www.youtube.com/watch?v=H5llNK8Zi7s
espero que goste!
bjs
Rafael

Laura disse...

Acho que se vc perguntar todo mundo tem várias histórias de horror (vivenciadas ou presenciadas) sobre racismo pra contar.

Barbara disse...

Meujazz,

Como eu disse, o preconceito contra ateus nao chega perto do que passa, por exemplo, um negro. Mas acho importante que as pessoas tenham nocao de que existe o preconceito sim.

| viviana | disse...

Barbara, eu lembro deste caso do FHC. Mas nao acho que isso seja exclusividade dos ateus. Neste mesmo barco poderiamos colocar pessoas que apoiam a legalizacao do aborto, ou casamento gay, ou qualquer outra opiniao que vai contra "as leis de Deus". O preconceito contra negros, mulheres e homossexuais e' um preconceito diario, indelevel, impossivel de ser escondido. Acredito ser uma esfera totalmente diferente e e' complicado comparar. E' o que vc acredita, seus principios, versus o que vc e'. Voce pode moldar ou esconder ou minimizar o que voce acredita (de acordo com a situacao), mas nao pode moldar ou esconcer ou minimizar o que voce e'.

lola aronovich disse...

Gente, muito interessante essa discussão de vcs, e merece um post. Mas, desde já, uma coisa que não devemos fazer (e que eu já fiz no caso dos gordos) é criar um “Oppression Olympics”, sabe, uma competição pra escolher qual a minoria mais discriminada. Porque todas são, e as minorias deveriam se unir pra lutar juntas contra todo tipo de preconceito. Claro que, só porque não deveríamos fazer uma competição da discriminação, não impede que falamos disso. Rende discussões interessantes. Vou escrever um post sobre isso.
Sobre o FHC, ele perdeu a eleição quando se declarou ateu. Mas isso não foi nas eleições pra presidente (que ele ganhou, duas vezes), e sim quase dez anos antes, em 1985, na disputa pra prefeito de SP. O Bóris Casoy perguntou pra ele: “O senhor acredita em Deus?”, e o FHC ficou todo sem jeito e disse: “Você me disse que não faira essa pergunta”. E depois enrolou um pouquinho, mas o estrago já tava feito. E não ajudou ele ter sentado na cadeira de prefeito antes das eleições (que depois o Jânio, eleito, desinfetou). Depois, em 94, o FHC virou hiper religioso desde criancinha.

Má disse...

Oi Lolaa.

"Depois, em 94, o FHC virou hiper religioso desde criancinha.. "

kkkkkkk...hilário,,,

apesar de não gostar do FHC político, vejo que era o único jeito dele conseguir algo com o espírito de nossa época para um ateu político...

Bjão!

Michele disse...

Oi Lola,

Puxa vida, adoro quando você acerta em cheio, ou seja, sempre! Seu posto, como muito outros escritos por você, me fez refletir bastante.

Sabe, sempre me senti mal, pensando na injustiça das dificuldades que as pessoas tem por nascerem do sexo certo, da cor certa, com a condição de consumo/classe "adequada", etc. Mas a forma como você colocou, como os privilégios que nós brancos temos, surpreendente, me fez sentir mais claramente o quanto a vida é mais difícil para negros e indígenas - claro, negros principalmente. E sabe o que acontece: pensar assim dói mais, incomoda mais, o que é ótimo. Obrigada por contribuir com minhas reflexões e questionamentos.

Samantha disse...

Engraçada essa pergunta que fizeram ao FHC, pois me lembro de uma entrevista com a Dilma, em q fizeram a mesma pergunta (como se crer ou não crer em Deus fosse determinar se fulano(a) será um bom profissional ou bom em qualquer coisa que faça). Bem, a Dilma respondeu: “Prefiro me equilibrar nessa questão.”
No país em que vivemos, em que ser ateu é ser considerado ser “do mal”, pois sempre associam bondade a ter “Deus no coração”, sorte da Dilma essa declaração não ter repercutido muito.

Não achei a entrevista, mas achei um coemntário.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u557257.shtml

P.S.: nem sou ateísta, mas defendo o direito das pessoas acreditarem (ou não acreditarem) naquilo que quiserem.

Ana disse...

Vi uma camiseta em Amsterdam. Dizia, em letras que imitavam as letras árabes:

"I am a tourist, not a terrorist".

É por aí, em seu país ou viajando, nós brancos não seremos confundidos jamais com imigrantes ilegais ou terroristas. Se formos morar lá não ficarão nos apressando a aprender todos os modos do novo país ao mesmo tempo em que nos consideram incapazes disso.

Andréia Freire disse...

Samantha, eu acho que a tolerância religiosa de 85 era bem menor que a de 2009.

Eu sou atéia, e não saio falando disso pra todo mundo, pois sei que há preconceito sim e evito. Mas é isso, eu não preciso dizer que sou atéia. Já que eu sou mulher, isso é visível, o mesmo caso se eu fosse negra. Já o homossexual não pode expressar sua sexualidade e sofre preconceito dentro da própria família (acho que não ocorre muito com negros, né, no ambiente familiar? a mulher sofre, mas menos, ela não vai ser posta pra fora de casa apenas por ser mulher, como pode acontecer com homossexuais) ao demorar pra aparecer com uma namorada ou um namorado, por exemplo. Enfim, são várias as esferas, e dependendo delas um vai ser mais prejudicado que o outro.

L. M. de Souza disse...

excelente. mas sinto que há muito preconceito de classe social tb. ninguém fala disso. eu sinto q nao tive oportunidades iguais prq eu tive que começar a trabalhar aos 12 anos, e se nao tivesse ficado desempregado no 3ano do ginasio, nao sei se teria passado no vestibular. daí o mestrado e o doutorado, graças a educaçao gratuita consegui chegar onde estou. só acho que cota pra negros em concurso pra professor de universidade federal é exagero. machado de assis era mulato. o euclides da cunha tb, se nao me engano.

Nota Preta disse...

Sim! É bem verdade...

Sou negro e já sofri, sofro e ainda sofrerei muito o preconceito racial da sociedade.

Quase todos os exemplos que tu abordou em teu texto já aconteceram comigo.

Na classe média é onde o racismo se encontra mais concentrado! Talvez pelo fato de eles praticamente não conviverem socialmente com negros!

Quando vêem um, ficam visivelmente alterados e deixam transparecer o preconceito - estampado na face!

Quando ocorre de tratar-se realmente de um negro assaltante, um sujeito violento, um marginal, um bandido... Aí... devido a sua ignorância ele... reagirá de forma... extremamente violenta!

É mole?

São problemas antiquíssimos!

Tomara que meus filhos não vejam isso em suas épocas!

Um abraço!

Maria Leão da Rosa disse...

Comentário dirigido a meujazz: não há traços históricos de violência contra ateus? Estamos vivendo um momento de intolerância religiosa? Intolerância religiosa, sério mesmo? Estamos vivendo um dos momentos de maior tolerância religiosa da História (vejam bem, eu não acho nem de longe que é o melhor que poderia ser).
Ateus foram por MILÊNIOS condenados ao ostracismo, à exclusão social e, com registros mais enfáticos na Idade Média, à morte. MORTE. E não precisamos parar em uma coisa que ocorreu há mil anos não.
O nazismo matou judeus? Matou. Matou negros? Matou. Matou ciganos? Matou. Mas é engraçado que eu nunca vejo ninguém comentar quantos ateus foram mortos pelo nazismo, nunca vi nenhuma cifra falando, especialmente, dos comunistas jogados em campos de concentração. Bem, nós ateus não existimos (na verdade, somos todos satanistas que odiamos Deus e fingimos que não acreditamos Nele assim como as mulheres feministas fingem que não têm inveja peniana) e os comunistas são a escória da humanidade. O problema do Hitler não é ter matado ateus ou comunistas, o problema é que não matou todos.

Ok, saiamos da Europa, vamos a um lugar mais quente e próximo de nós... Brasil. O casamento civil só ter surgido no século XX não é uma prova da coerção social a que era submetida toda a população (incluindo os ateus)? Assim como a ausência de registros civis além dos obtidos na pia batismal?

E, me desculpe, mas eu não sofro preconceito só no momento em que me digo atéia não. A partir do momento que descobrem que, não, eu não acredito em deus NENHUM, minha vida se torna um mini-inferninho dentro de alguns círculos sociais. Exemplo: "Você é a favor da legalização do aborto? Ah, tinha que ser atéia."
Ou até coisas menores e mais ridículas, como afirmar que eu não dou esmola porque não tenho amor aos pobres e não recebi Jesus em meu coração.

Então, resumindo tudo o que eu tenho a dizer: eu não acho que os ateus sofrem o PIOR tipo de preconceito, até porque acho que todo tipo de preconceito é o pior que existe, mas acho que só alguém que não passa por isso pode negá-lo. É, cara, você faz parte da maioria e tem seus privilégios assim como o eu tenho a minha dose privilégio branco (embora também é só no Brasil, né? Nos idolatrados U.S.A, sou uma latinazinha repugnante como outra qualquer).


Amei o seu texto, Lola, como todos os que eu li até aqui. :)

Aline disse...

Lola, segundo os historiadores Jesus era mulato ou negro, com cabelo crespo, nariz largo. Mas como a maioria das pinturas é feita por brancos ele é representado como o branco perfeito. Mas não existiam pessoas brancas naquela região naquela época. Enfim.
Um filme que eu gosto é o auto da compadecida que mostra Jesus Negro.
Temos muitos privilégios como brancos, e ignoramos tais privilégios. Estudei em uma escola particular, com bolsa de estudos, e entre TODOS os estudantes da escola só havia um negro. Na minha turma de faculdade nenhum.
Eu li uma matéria na superinteressante que diz que somente pessoas 100% negras são 100% Homo Sapiens e nós brancos temos DNA Neandertal.
Escrevi sobre isso e meus alunos entraram em uma polêmica, dizendo que dizendo que isso era extremismo... Alguns argumentavam que era ciência. Mas algo que eles não aceitavam era: como que brancos pensavam que eram a raça pura, oprimiram, mataram e turturam negros por considerá-los inferiores, animais, etc? Agora uma revista ai vem com uma matéria dizendo que tudo isso está errado e que na verdade a pureza de ser Homo sapiens é dos negros?

Nesse link comento com detalhes essa matéria.

Beijos
Aline

karen disse...

Uma vergonha dos tt's hj...#conscienciabranca, Orgulho Hetero....já posso querer meu apocalipse ou terei q ler mais idiotices?

Anomimo disse...

"Tenho muito mais chance de ingressar numa faculdade por ser branco "

Essa foi a pior de todas. Quer dizer que se um negro e um branco sentarem de frente para a prova do vestibular, ceteris paribus, o branco terá um desempenho melhor na prova?

A racista é você!

Anomimo disse...

"como que brancos pensavam que eram a raça pura, oprimiram, mataram e turturam negros por considerá-los inferiores, animais, etc?"

Os próprios negros faziam isso uns com os outros na África (quem você acha que vendia os escravos aos europeus?). Aliás, fazem até hoje.

Alexandre Lancaster disse...

Essa história eu tenho que contar, porque realmente parece uma "piada de negro". E assustadoramente, não é. Aconteceu com um advogado que trabalha com meu pai (que é funcionário público).
Esse advogado comprou um carro – ele adorava carros, sempre quis um carro negro, mas dizia que se fizesse isso, o confundiriam com o motorista porque ele sempre anda de terno a trabalho. Bom, em um fim de semana – quando ele NÃO estava de terno – esse carro acabou tendo um pneu furado na rua e restou a ele parar e cuidar dele. Então ele pegou o macaco automático e ia trocar a roda.
Foi quando apareceu do nada uma moto. O sujeito já chegou falando: "você fica com as rodas que eu fico com o rádio" – e imediatamente quebrou o vidro com alguma coisa que ele tinha em mãos e esse advogado não identificou. O sujeito rapidamente esticou a mão, arrancou o rádio do carro e saiu com a moto, correndo.
Se pensarmos bem, essa história é mais assustadora do que se pensa.

Natália Perez disse...

Oi Lola. Post bem legal. Tentei achar uma indicação bibliográfica das suas fontes e não encontrei nada no seu post. Seria bacana mencionar o texto de 1988 de Peggy Mcintosh "Unpacking the Invisible Knapsack", que deve ter te inspirado. Aqui vai um link: http://www.library.wisc.edu/edvrc/docs/public/pdfs/LIReadings/InvisibleKnapsack.pdf

Anônimo disse...

Pois é... infelizmente muitas das coisas que você descreveu é verdade, os negros passam por isso. só que eu penso que as palavras são um tanto agressivas, achei seu texto porque existe uns outros em resposta a ele em outros sites, um que li se chamava "vantagens de ser negro". Mesmo que você não publique o que eu escrevo aqui, sei que pelo menos você estará lendo. Eu sou branca, tenho nojo de assuntos preconceituosos, e mesmo vc querendo falar q é só um texto, ou uma opinião do planeta terra e não seu... dá pra perceber que você sente que temos alguma vantagem em ser brancos. Isso tudo é coisa da sua cabeça. Gente racista é gente medíocre que não mereçe nem o ar que respira. O que tem de branca levando chifre na cabeça de mulher negra, isso você não posta né... que homens brancos preferem as negras como mulher e pegam uma branca de fachada você não fala né...e é verdade.

Anônimo disse...

Um post como esse é interessante porque nos confronta com nosso privilégios (direitos PRIVADOS que alguns tens e muitos não). E pensar e refletir sobre o privilégio nosso de cada dia nunca é uma tarefa das mais satisfatórias. Dá aquele gosto amargo na garganta. Isso se chama ZONA DE CONFORTO CHAQUALHADA.Hoje em dia não é fácil encontrar um preconceituoso. Chame alguém de preconceituoso e você corre o risco de ser processado (talvez). Por isso é bom falar em privilégios. Porque aquele branco que não se incomoda de ter amigos negros, pare e pense que ele vai sim ser tratado de maneira diferente )pra melhor) por causa da cor da sua pele. Que aquele homem (branco ou negro) não precisa se preocupar de ser encoxado no trem ou no ônibus cheio. Que aquele magrinho(a) não será recriminado por pedir 2 x-tudo.
Concordo com a Lola quando ela diz que não devemos fazer uma competição de qual minoria é a mais sofredora. O post de hoje é específico para pensarmos nos privilégios BRANCOS. Então, você ateu, homossexual, mulher, gordo; olhe para o tom da sua pele e pense no que você sofre ou goza por causa dela. O dia que a Lola postar sobre o privilégio de ser magro, vamos pensar sobre isso. O dia que a Lola postar sobre o privilégio de ser heterossexual, vamos pensar sobre. O dia que a Lola postar sobre o privilégio de se cristão, vamos pensar sobre.
O dia de hoje é dedicado a pensar no mal estrutural que concede PRIVILÉGIOS AOS BRANCOS EM DETRIMENTOS DO NEGROS, OU QUASE NEGROS.

Ricardo Araújo.
Cristão, heterossexual, magro e quase branco.

Luiz disse...

Tinha escrito um texto enorme, mas não foi aceito pelo número de caracteres então foi comentar apenas um ponto.
.
"É poder acreditar que todas as minhas conquistas são baseadas no meu mérito, e não no meu privilégio racial."
.
Então todas as minhas conquistas são só frutos de privilégios ? Não é um exagero tão grande quanto atribuir cada insucesso que um negro possa ter na vida a sua cor ?
.
Dentro os privilégios, muitos eram sobre fulano, presidentes,banca da facudlade, juizes terem a minha cor, como se isso me trouxesse alguma vantagem pessoal...no caso de banca, se vc acha que isso é um benefício, só pode estar implicando em achar que os componentes da banca por serem brancos julgarão a cor do aluno, ou seja, vc está dizendo que eles não são imparciais ao julgar o mérito do aluno. Você está dizendo praticamente que ser branco é ser racista.

Jonatas disse...

Achei muito boa a lista, para que haja informação. Eu mesmo me percebo dentro de uma bolha ao ver coisas assim, pois muitas das coisas dessa lista me parecem absurdos que já deixaram de ser praticados por nossa sociedade, infelizmente sei que não.

Porém, há um item na lista que incorre em um preconceito religioso, talvez acidental, mas o preconceito surge mesmo da ignorância então vale a pena esclarecer:

"Não associam a minha religião à macumba (esse é tema de outro privilégio, o religioso)."

O modo como esse item é colocado na lista dá a conotação de que "macumba" é uma coisa negativa. Macumba pode significar duas coisas:
- Um instrumento de percursão
- Prática de rituais sincréticos de religiões como o Candomblé entre outras. Benzer, jogar sal na casa, pular sete ondinhas, tudo isso pode ser considerado macumba

Praticantes do candomblé não acham negativo que sua religião seja ligada à macumba, pois eles sabem o significado da palavra.

Ainda, a tua colocação foi infeliz porque implica que apenas negros praticam o candomblé. Esta é uma religião afro-brasileira que não tem preconceitos nem de raça e nem de credo.

Desculpe-me desenterrar um texto de 2009, mas acho que a informação vem a tempo ainda que demore pra chegar.

Leio Lola Leio disse...

Texto brilhante. Exercício de reflexão que deve ser feito inúmeras vezes na vida.

Leio Lola Leio disse...

Bom, parando para pensar sobre minha vida, acho que tenho síndrome de mártir. Gosto de pensar que conquistei as coisas com muito esforço e suor. Realmente venho de família humilde e um tanto desestruturada. Uma pessoa que influenciou muito nos caminhos que acabei sendo conduzida (e também me conduzindo) foi uma professora do colégio público em que estudei que disse à minha mãe que eu era "muito boa para estar ali". Daí, minha mãe fez um esforço enorme para me manter em colégios públicos, pagando e dando calote por não ter condições de pagar até que finalmente consegui bolsa num bom colégio particular. Mas, confesso que esse lado do suor e lágrimas da minha história de vida é onde eu mais debruço o meu olhar. A parte dos meus privilégios ao longo da vida (na qual esse texto me fez pensar) é bem extensa. Sei que consegui alguns empregos de secretária, recepcionista, animadora de festas, atendente... Sei que a minha aparência abriu inúmeras portas. Lembro de preencher fichas nas quais tinha que dizer quanto tinha de altura, qual o tamanho de roupas e lembro de situações em que uma amiga minha gorda não foi chamada para emprego enquanto eu fui...
Sei também que por ser branca e letrada, algumas pessoas me levavam mais em conta, respeitavam e me davam mais atenção. Lembro que isso de certa forma me ajudava a iniciar conversas, paqueras, pedir informações nos lugares. Sem contar que em alguns desentendimentos, mal entendidos da vida, ou mesmo desavenças, as pessoas tendiam para o meu lado, eu era considerada a dona da verdade da situação e até mesmo a vítima. Gozado como eu pagava de santa quando me era conveniente. O meu irmão sempre teve mais liberdade de transitar pelos espaços da cidade, para se relacionar com as pessoas e etc, mas eu tinha vantagem sobre ele por sempre ser considerada a vítima. Como tinha vantagem numa entrevista de emprego em relação à mulheres mais velhas, mais gordas, "menos brancas" (isso, evidentemente, em cargos que exigiam pouca qualificação). Ai, ai, que bizarro pensar sobre essas coisas! Fico com um sentimento de que o mundo é muito besta mesmo.

Anônimo disse...

TÁ BOM, SOU BRANCO E JÁ FIQUEI MUITAS VEZES PRESO NA PORTA DO BANCO, JÁ TIVE MOCHILA LACRADA, JÁ FUI O ÚLTIMO A RECEBER PEDAÇO DE BOLO POIS ERA BRANCO E TIVE QUE PEDIR, JÁ ME DEIXARAM DE FORA DE FESTAS POIS EU NÃO ERA BEM-VINDO.

VOCÊ SABE O QUE É SER BRANCO CONVIVENDO EM UM LUGAR DE NEGROS?
HAHAHA, NÃO NÉ.

POIS É, O PRECONCEITO É O MESMO.

Anônimo disse...

E brancos não já escravizaram brancos tbm ? Vai estudar história "cara pálida". Sem sentido essa tua argumentação. Branco quando não é estúpido na entrada é na saída ( isso é racismo reativo). Tenha a porra de uma boa vida, inclusive com os privilégios.

Anônimo disse...

O que eu não entendo é o cara dizer mas aqui é assim. Como se nosso país tivesse sido arauto da liberdade aqui tinha gente que mal tinha o de comer mas tinha um escravo aqui os grilhões eram mais apertados que em outros lugares no mundo.

Thiago Jara disse...

Queria deixar um comentario por fui levado a esse post por causa dessa pagina
https://nerdice.wordpress.com/2009/11/22/desvantagens-de-ser-branco/#comment-1744
eu achei a ideia meio infantil mas nao vou julgar

Anônimo disse...

Com este Post realmente pude reavaliar como é a situação dos negros, sou mistura de negro + pardo, e realmente é decepcionante a forma como somos tratados, todos os pontos que você disse concordo com toda a certeza, ressaltando o tópico em que "os brancos são feitos a imagem de Deus". Aonde quero chegar: bem sei que negro é uma cor feia associada a todos os males, ações, etc, concordo que visualmente somos desprezíveis, mais convido você a meditar somos "ser Humano" embora não sejamos pessoas boas a vista, temos consciência, sentimentos, enfim, por isto peço a todos de cor Clara, se não é melhor dizer branco!, que não faça com que nós nos sinta inferior a vocês, sabemos o nosso lugar (pelo menos eu!), sintam-se feliz com a vida que lhe foram concebida, enquanto nós lutamos por miseráveis conquistas, parabéns pelo Post, necessário é que o negro saiba o seu lugar assim como eu faço, sou Negro com bastante vergonha, porém tenho mentalidade a isso me limito e fico feliz.

Anônimo disse...

Os brancos combinam bem com tatuagens já que são como papéis brancos a serem escritos.
Aqui quem fala é um negro hein!.
Gosto de ressaltar minha cor pois já estou cansado de ver negros criticando brancos, ou ainda buscar esperança de beleza a respeito de minha cor, e os únicos que dão esperança são os da minha própria cor.
Detesto/Odeio ser negro mas posso cobiçar os brancos.
kkkkkk