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- Amor, vem dormir. Você nunca vai bater a Lolinha no bolão.Este post-lembrete é obra do Júlio César, que acha que colocando meu nome como imbatível consegue disfarçar suas reais intenções de ganhar todo o dinheiro do bolão. Você não me engana, Júlio!Então. A cerimônia do Oscar acontece no domingo, mas o último dia pra participar do bolão é hoje. Já! Agora! Vamulá que ainda dá tempo, mas só até a meia noite. É só depositar ou transferir R$ 15 pra uma das minhas duas contas -– Banco do Brasil, agência 3653-6, cc 32853-7, ou Santander, agência 3508, cc 010772760 –-, me enviar um comprovante (lolaescreva@gmail.com), e fazer suas apostas aqui. Eu aconselho que todo mundo entre também no bolão não pago. Não custa absolutamente nada, você dá seus chutes em cinco minutos (pra quem é lerdinh@), e torna a festa da entrega do Oscar muito mais emocionante. Não fique de fora!
O que o Brad Pitt gostaria de dizer referente ao bolão do Oscar ou à disputa de melhor ator? A foto acima é de O Homem que Mudou o Jogo, que em inglês leva o sugestivo nome de Moneyball. O filme reduz todo um esporte, o baseball, a números e cifrões. Ou, como baseball é meio chatin
ho mesmo, podemos dizer que ele eleva o esporte a números e cifrões. Eu até que gostei do filme, e gostaria de escrever sobre ele, mas cadê o tempo? Por falar em tempo e dinheiro, você ainda tem tempo pra me dar um pouco do seu dinheiro. Por favor, entre no bolão pago do Oscar. É fácil: deposite R$ 15 numa das minhas contas -– Banco do Brasil, agência 3653-6, cc 32853-7, ou Santander, agência 3508, cc 010772760 –-, mande um comprovante por email (lolaescreva@gmail.com), e aposte aqui. No eventual milagre de outra pessoa que não eu ganhar o bolão, eu, chorando e com profunda
dor n'alma, passarei tudo que foi apostado a você. Chuif. Se houver empate, divide-se o prêmio. Se você não tiver dinheiro ou coragem ou for um pão duro incorrigível, pode entrar no bolão não pago. E mesmo quem entrar no pago pode chutar no não pago. O que não pode é ficar de fora.Por que sabe o que acontece com quem não entra no bolão? Algo abominável: a pessoa vê a cerimônia do Oscar como se fosse um jogo de baseball. Ou seja: sem entender nada e pegando no sono. Pelo amor de Brad, não deixe isso acontecer!
O Robson, do blog Consciência, já nos brindou com diversos guest posts. Um deles, sobre ateofobia, foi dos mais comentados do ano passado. Em outro, ele enfrentou o preconceito contra ateus. Neste aqui, ele conta o que o levou a tornar-se ateu. Acho um relato
fascinante, inclusive por ser bastante raro. Eu, por exemplo, sou ateia há tanto tempo (desde os treze anos), que não me lembro do passo a passo do meu ateísmo. Lembro apenas que havia (há ainda) diferenças irreconciliáveis entre meu feminismo e a crença em uma figura patriarcal, masculina, barbuda e branca que é chamada de Deus (com maiúscula). Gostaria de frisar que nem eu nem o Robson estamos fazendo apologia ao ateísmo, apenas narrando uma experiência pessoal. E não se pode negar que ateus seguem sendo um dos grupos mais discriminados que há no Brasil. Assumir nosso ateísmo com orgulho é uma forma de combater este preconceito. Eis o "testemunho de não fé" do Robson.Um testemunho de não fé pode ser visto com olhos desdenhosos por religiosos e mesmo por alguns irreligiosos, qu
e podem achar que estou fazendo o mesmo que evangélicos que depõem como se converteram ao cristianismo -– ou seja, de alguma forma pregando que sigam meu exemplo, que mais pessoas se tornem ateias.Mas, por outro lado, mostrar às pessoas por que virei ateu poderá lhes derrubar mitos sobre o abandono da fé religiosa –- como a falsa crença de que ateus o são porque “fizeram pacto com o demônio” ou porque queriam uma “liberdade libertina” de “embriaguez, orgias e drogas” a despeito dos ensinamentos das igrejas. Assim sendo, o testemunho ateísta pode servir como uma investida contra o preconceito que tantos religiosos têm contra os ateus, suas (des)crenças e sua motivação para ter abandonado a religião.
Meu ateísmo veio em fevereiro de 2005, bem antes de eu ter a visão de mundo que tenho hoje. Posso dizer que foi a primeira grande revolução pessoal pela qual passei –- as outras foram o vegetarianismo e o hábito de ler. Eu já estava com minhas crenças teístas em decadência desde meados de 2004, e o ateísmo foi a conclusão dessa desconversão.Até a primeira metade de 2004 eu era bastante cristão, embora não frequentasse igrejas. Era um cristianismo de tendência protestante. Eu orava todos os dias, acreditava que Jesus existiu e “morreu na cruz para nos salvar”, cria em demônios e encostos –- quando havia briga na família, eu achava que era intervenção demoníaca –-, levava a sério que Jesus poderia voltar a qualquer momento e a
banda que eu mais apreciava era uma banda cristã de metal alternativo.Então frequentador de fóruns virtuais de tema livre, me deparei em um deles (já extinto), em julho de 2004, com o conto (provavelmente lendário) da entrevista à radialista cristã Laura Schlessinger, no qual se mostrava que o deus cristão era benevolente para com a escravidão e outros absurdos da lei do Pentateuco. Foi minha primeira decepção com a Bíblia -– que, a saber, eu nunca tinha lido fora do Salmos 91.Poucos dias depois, li em um outro site que Deus não só apoiava a escravidão
no Velho Testamento como também fazia guerras no mesmo, tal como um grão-general. Minha ideia sempre tinha sido a de que Deus tinha uma ética imutável e pacifista e que os hebreus bíblicos eram um povo pacífico que só guerreava para se defender. Entendi então que eu era cristão simplesmente porque não conhecia a Bíblia.Então, já voltei às aulas (do pré-vestibular que eu fazia na época) não mais cristão, mas ainda crente em Deus -– numa certa crença teísta que denomino pós-cristã. Continuava orando, acreditando em providência divina e crendo que Deus me ajudaria a fazer um grande vestibular. Tanto que, num blog pessoal que eu mantinha naquele tempo (que não era o Consciência Efervescente nem tampouco o Consciencia.blog.br), inseria em cada post, nas semanas anteriores ao vestibular que eu faria para Jornalismo, uma frase parecida com “Deus, me guie rumo à vitória!”, e
expressava o desejo de que Deus ajudasse John Kerry a tirar o malfeitor George W. Bush do poder nas eleições estadunidenses de então.A crença teísta pós-cristã permaneceu estável até o terrível tsunami do Oceano Índico. Tanto que paguei promessa por ter passado no vestibular com uma nota alta andando um grande pedaço da avenida que liga minha casa à UFPE e beijando o chão do prédio onde eu estudaria (por apenas dois meses, desistindo do curso de Jornalismo por crise psicológica).Depois do tsunami, li em uma notícia um ateu falando que o tsunami e as tantas mortes humanas causadas eram uma prova da inexistência de um deus pessoal como aquele em que eu ainda acreditava. Minha fé então foi minada, e passei por uma transformação gradual da crença à descrença. Via Deus como uma entidade de existência cada vez mais du
vidosa. Em janeiro de 2005 fiz uma “oração de despedida”, esperando que a divindade provasse sua existência me ajudando mesmo sem orações.Poucos dias depois da “oração de despedida”, minha crença “decaiu” ao deísmo –- eu passei a acreditar que Deus nada mais era do que uma energia cósmica transcendental que movia o universo, inclusive crendo que a energia escura seria algo que transcendia o universo material, como uma característica do deus-energia transcendente.Mas a crença não parou mais de “decair”, de modo que passei a ser agnóstico depois de ter deixado de acreditar na energia transcendental, adquirindo um ceticismo incipiente que era o embrião do meu atual pensamento irreligioso. Às vésperas do meu aniversário de 18 anos, em fevereiro de 2005, completei então minha transição ao ateísmo.Por algumas poucas ve
zes, nos meses que se seguiram, passei por momentos de conflito com familiares e amigos intolerantes para com ateus. Mas depois deixei de ter esses problemas, uma vez que as pessoas com quem convivo aceitaram tacitamente meu ateísmo. Vez ou outra algum(a) parente ainda tenta me perturbar, insistindo a mim que “Deus (o da Bíblia) existe” e que “Jesus morreu na cruz para nos salvar”, comportamento a que respondo com indiferença.Hoje vivo muito bem em se tratando de condicionamento psicológico e espiritual. Ao contrário do que o preconceituoso senso comum religioso acredita, não tenho nem um pingo de infelicidade espiritual, nenhum problema relacionado à falta de “respostas” metafísicas. Contemplo a natureza e o fenômeno da vida com muito regozijo, ao contr
ário do desencanto que supostamente marca o pensamento ateísta segundo religiosos.Minha posição sobre a morte é que ela é o fim de minha existência, a volta para o nada, mas nada impediria que surgisse uma nova consciência em algum lugar do universo -– ou, quem sabe, em outros universos paralelos -– que assumisse o papel que minha consciência exerce hoje, o de contemplar e interagir com o mundo fora do meu corpo -– a grosso modo, uma espécie de reencarnação sem espírito.E, para tornar minha convicção ateísta ainda mais sólida do que já é, periodicamente tomo conhecimento de novos fatos que me comprovam que a crença em um deus pessoal é incoerent
e: orações frustradas com a morte ou sofrimento de pessoas religiosas, pessoas mostrando como o deus em que creem é relativo e subjetivo demais para existir objetivamente, catástrofes que atestam a inexistência de providência divina interventora etc.Assim eu vou vivendo, sem nenhuma divindade e com muita disposição para viver uma vida feliz.
E havia boatos de que quem ganha o bolão vive na pior...
Conceito e frase acima do Júlio César, o criativo e ganancioso organizador dos formulários do bolão. Vamulá, gente. Renda-se ao esforço do Júlio e participe do meu tradicional bolão do Oscar (o pago e o não pago). É por uma boa causa: pra eu poder me aposentar com a bolada e ir morar no Havaí. Ha ha, com todo o respeito: por que alguém que vive no nordeste iria querer morar no Havaí? Mas convenhamos que Os Descendentes é um belo maior cartão postal do estado americano onde nasceu Obama (alguns loucos de direita juram que
ele não nasceu nos EUA e, portanto, não poderia ser presidente).
Eu vi Os Descendentes e achei bonitinho. George Clooney está ótimo; Nick Krause, rapaz que faz o amigo da filha, rouba todas as cenas (anote o nome, porque a gente ainda vai ouvir falar muito nele), o roteiro tem aquele estilo brincalhão/melancólico/estranho de todas as obras do Alexander Payne... mas o filme é muito molinho pra ser indicado a cinco Oscars! E ainda dá o vexame de não problematizar a questão de uma só família (branca!) ser dona de todo o Havaí. Por mais que eu adore o Payne, vou ficar torcendo aqui pra que só o Clooney leve a estatueta (e será que leva? Tenho minhas sérias dúvidas).
Como eu não fui muito bullied na infância (em compensação, estou pagando todos os meus pecados agora, com juros e correção monetária) e como não tenho filha (nem
filho), nunca parei pra pensar nisso que aborda um post americano recomendado por uma leitora. Seguinte: parece que é muito comum meninas serem empurradas, derrubadas, chutadas, estapeadas, e terem seu cabelo puxado por meninos. Claro, imagino que por outras meninas também, mas não é esse o foco do post. Parece que é mais comum ainda o adulto que ouve essa reclamação vinda de uma menina justificar com um "Ah, isso quer dizer que ele gosta de você". E aí, aqui no Brasil é
assim que esse comportamento é explicado? Porque, se for, realmente não soa como uma explicação convincente. O que a autora defende é que quer que sua filha aprenda que meninos que gostam dela vão tratá-la bem, não de uma forma agressiva. E ela tem toda a razão. O coleguinha insuportável que colocou chiclete no meu cabelo quando eu tinha sete ou oito anos -- eu tive que cortar uma parte da minha cabeleira pra conseguir tirar a nojeira -- certamente não gostava de mim, isso eu tenho certeza.
É lógico que, quando um menino bate em outro menino, ele não vai ouvir como explicação "Isso significa que ele te adora". Pelo contrário, vai ser ensinado a reagir, quase sempre com violência. E nem imagino qual é a razão dada para uma menina bater em outra menina, mas duvido que seja "She loves you ié ié ié". Então porque chamamos de amor o comportamento abusivo dos meninos? Ou não chamamos? Iluminem-me, por favor.
P.S.: Hoje acordei com esta notícia aterradora: durante o carnaval em Nova Iguaçu, RJ, uma moça ouviu uma grosseria na rua, que os jornais e o senso comum chamam de "cantada". Segundo o Extra, ela o empurrou (o que denota que a "cantada" provavelmente não ficou só no campo verbal). O rapaz deve ter falado mais grosserias, ou tocado nela, e ela o estapeou. Ele tirou um revólver e lhe deu um tiro na testa. Ela morreu na hora, ele fugiu.
Este é mais um cas
o horrível, e que mais uma vez prova que grosserias na rua estão relacionadas a poder, a dominação, ao sentimento de "entitlement" (merecimento), ao velho "olha quem manda aqui", e não a paqueras e muito menos a tentativa de romance. Sempre que falo contra grosserias na rua, vem algum energúmeno dizer que se não reagimos, a culpa é nossa, e que nenhum homem é violento após receber uma cortada. E a gente vive contando casos de como, em questão de segundos, a "cantada" se transforma em ameaça, agressão física, ou o habitual disfarce da indiferença ("Você é gorda e eu nem queria nada com você mesmo, sua p*ta"). Mas tem homem que não acredita, pelo único motivo que isso nunca aconteceu com ele, e ele costuma empatizar com o agressor, não com a vítima.
Por outro lado, dependendo das circunstâncias, acho que temos que reagir, falar alguma coisa, não tornar a vida desses misóginos tão fácil. Mas é sempre um risco.
Voltando ao tema do post, minha opinião é que quem tem filha pequena deve colocá-la pra aprender algum tipo de defesa pessoal desde cedo. Além de ser um ótimo exercício físico, saber lutar ensina uma atitude e pode elevar a autoestima. Claro que não ia resolver nesse caso terrível do carnaval. E, pra quem tem filho, pequeno ou não, ensine a respeitar as pessoas. A começar pelas mulheres.
UPDATE: A grosseria que a moça ouviu não foi na rua, foi em um baile de carnaval. E, conforme eu suspeitava, não ficou nas palavras. O rapaz passou a mão nela e a encostou na parede. Ela o empurrou (a versão do tapa não existe mais). Em represália, ele sacou o revólver e atirou, fugindo em seguida em meio aos foliões. Como avisou
a leitora Marina, a Globo.com levou o dia inteiro para mudar a chamada: de "Paquerada na rua reage e é morta com tiro" a "Assédio acaba em execução em baile de carnaval". Ou seja, não é muito diferente do caso do playboyzinho que quebrou o braço de uma moça porque ela o rejeitou numa balada em Natal. A diferença está mais na arma usada, mas a intenção é a mesma: punir a mulher que ousou rejeitar o homem "merecedor". Já a narração da mídia continua a mesma: nenhuma contextualização, nenhuma comparação com outros casos. A Globo ainda fala que o rapaz "exagerou na dose durante a investida". Exagerou, né? Na investida e na sua reação. Se ele "só" tivesse quebrado o braço da garota que o empurrou, talvez nem viraria notícia.