terça-feira, 21 de dezembro de 2010

DE QUEM É O ABUSO DE AUTORIDADE?

Uma leitora me enviou um email recomendando duas notícias do Zero Hora sobre um caso que aconteceu numa praça de Santa Maria, RS, no dia 6 de dezembro. Pelo relato do jornal, um homem de 41 passou por duas policiais militares numa praça, e fez algum tipo de piadinha, chamando uma delas de “gostosa”. A PM não gostou, o abordou, e o sujeito, ao invés de pedir desculpas (pelo jeito ser homem é nunca ter que pedir perdão), pôs a mão dentro da bermuda e fez gestos obscenos. Em seguida, ao notar que seria preso, fugiu. Foi alcançado, levado à delegacia, e lá constatou-se que estava em liberdade provisória há dois anos. Esta última parte não é importante, já que a vida das mulheres seria uma maravilha se apenas detentos fizessem gracinhas com a gente.
Além de narrar o que houve, o jornal reproduziu a entrevista curtinha que a policial militar (não identificada) deu a um jornal local de Santa Maria (que, imagino, deve ser filiado a RBS, senão eles não dariam destaque), em que ela afirma: “Eu e minha colega pensamos: vamos detê-lo para que isso não se repita. Se conosco, que estávamos de farda, ele fez isso, imagina com quem não está de farda. A ideia é coibir isso”. Os poucos comentários no site, todos de homens, estavam indignados ou perplexos, desde “Abuso de autoridade! Não foram ofendidas, foram elogiadas, ainda que de forma obscena. Se não gostou, ignora” e “Não se pode mais elogiar agora? Que palhaçada!”, ao ingênuo “Qual crime ele cometeu?”.
O jornal publicou uma outra notícia (meio superficial, mas melhor do que nada) chamada “Saiba como reagir às 'gracinhas' ditas por homens nas ruas e punir os suspeitos”. Uma delegada recomenda que a mulher ofendida dê voz de prisão a quem a insultou. Na prática, obviamente, isso é quase impossível. Alguém precisaria segurar o agressor até a polícia chegar. E duvido que uma moça desperte muita solidariedade por ter de escutar o que escutamos desde pequenas, e que é visto como absolutamente natural no nosso mundo (aprendemos até que a gente adora isso!). Mas, se um homem passar a mão, é diferente. Nesse caso sim creio que devemos tentar prendê-lo, porque outras pessoas podem empatizar e querer ajudar. Claro que dificilmente vai funcionar. Lembra do caso de uma moça numa van em Brasília, que deu socos e tapas num rapaz que tentou beijá-la, e o levou à delegacia? Depois ela o processou, que é o que se deve fazer. Mas o juiz, metido a engraçadinho, não só deu razão ao agressor como ainda emitiu uma sentença irônica criticando a “donzela” (palavras dele) que ousou incomodar o judiciário com uma besteira.
Pois é, esse terrorismo institucional que faz parte da criação de toda mulher, e que começa quando somos meninas de 8, 10 anos, pros homens é besteira. Eles também são educados, geralmente pelo pai, a dispararem grosserias a qualquer gatinha que passa. Faz parte da sua masculinidade. Opa, você achou exagerado eu chamar grosserias na rua de terrorismo? Então você só pode ser homem. Pergunte pra sua mãe, pra sua irmã, pra sua filha, que idade ela tinha quando ouviu a primeira cantada, e como se sentiu. Sei que a sociedade ou faz pouco caso desse nosso martírio do dia a dia, ou inventa que nós mulheres adoramos ouvir elogios como “Quero ser seu absorvente interno”, porque faz bem pra nossa autoestima. Todas as pesquisas mostram o contrário: que mulher não gosta de ouvir cantada na rua (as que gostam, e devem existir, são uma minoria). E, pior pro gênero masculino: um estudo americano provou que não só as mulheres não gostam, como ainda ficam com raiva dos homens em geral quando isso acontece, não apenas daquele paspalho em particular. Ou seja, diga uma besteira a uma desconhecida, e você estará queimando o filme de toda a espécie dos barbudos.
Acho que temos que reagir ao ser alvo de uma grosseria, mas com cuidado. Assim como não deve existir mulher que não passou por isso, não deve haver quem não conheça algum caso de uma mulher que reagiu (verbalmente!), e foi agredida fisicamente por ousar reclamar.
O princípio da cantada na rua não é o elogio. Não é a proposta, o convite. Pelo contrário, é o insulto. É a dominação. É lembrar quem manda aqui. Só quem está numa posição de poder pode avaliar. Quem é subordinado é avaliado. O “abuso de autoridade”, portanto, não foi da policial de Santa Maria, mas de todos os homens que se acham no sagrado direito de avaliar o corpo de uma mulher. Só porque ele é homem, ela é mulher, e uma sociedade patriarcal totalmente ultrapassada decidiu que ele pode.

83 comentários:

Mônica disse...

Há vários anos, uma amiga minha 'prendeu' e denunciou formalmente um policial civil. Ele fez uma gracinha com ela, mas não sabia que a moça com cara de recém-saída da adolescência era juíza. E o argumento dela foi o mesmo das policiais: "Fiz porque o que ele disse foi um absurdo (ainda mais sendo um 'representante da lei' e eu, como juíza, poderia exercer tranquilamente a minha autoridade nesse caso. Imagino quantas mulheres já foram assediadas por esse sujeito sem que tivessem coragem de fazer qualquer coisa, porque ele é 'autoridade'"
abraço,
Mônica

aiaiai disse...

Adorei essa notícia! Quem sabe com mais mulheres tendo a coragem e, no caso delas, o poder, vamos conseguir ao menos reduzir essa prática.

Ághata disse...

Um inferno, falta de respeito sem limite.
E ainda fica nessa hipocrisia de que foi um 'elogio', mas essas pessoas não são idiotas, elas sabem muito bem que isso intimida as pessoas, que isso é desrespeitoso e ultrajante, tanto que é só acontecer com uma irmã, namorada, mãe pra eles ficarem putos, os nojentos.

Carol disse...

Lola, engraçado que hoje mesmo cheguei no twitter esbravejando porque dois caras (um deles bem velho aliás) ficaram me encarando ininterruptamente no ônibus. Bem na minha frente. Encarei de volta, franzi a sobrancelha, não adiantou. Olhava fixamente, tive que tentar mudar de lugar e ainda dei de cara com o outro que ficou encarando. Eu fervia de ódio por dentro.
Alguém (homem, lógico) no twitter respondeu: "qual é o problema em ficar admirando alguém no ônibus?"

Aparentemente não se percebe a diferença entre "admirar" e causar constrangimento e desconforto. Isso também é uma invasão de espaço, uma espécie de violência silenciosa. Até de encarar de volta pra ver se param eu fico com receio, por medo de isso ser percebido como abertura, e receber algum gesto ou palavra obscena.

Amanaginger disse...

Muito bom ver que jornais (mesmo que filiados a RBS e mesmo que as notícias sejam curtas) estão divulgando estas práticas masculinas como algo negativo. Porque é negativo, e só homens machistas é que não veem isso. Até mesmo o ingênuo do comentário no jornal é machista, infelismente nem ele deve se dar conta disso.

Muito bom lola, é ótimo ter alguém que escreva bem "por mim" para que eu possa divulgar "minhas idéias" e "meus ideias" por ai...hehe
beijos

Milton Ribeiro disse...

Também acho estranhas as mulheres que encaram este hábito como um elogio. Nunca me senti "autorizado" a tanto.

Mas... e o olhar insistente? Aquele implacável?

Amer H. disse...

Na verdade Lola, não é sempre culpa do pai (eterno canalha da sociedade) que um sujeito cresça disposto a ser rude com as mulheres a seu redor.

Como eu digo sempre e sou qualificado muitas vezes como porco machista por isso, há uma cobrança enorme por um certo tipo de comportamento de um homem. Uma dessas cobranças é tratar toda mulher que vê na rua como um pedaço de carne.

Se o sujeito não olha pra toda santa bunda que vê na rua e solta um comentário em seguida, ele é classificado como "bicha" pelos amigos e se torna para sempre o zoado da turma.

Ou seja, se tratamos mulheres como objetos, somos machistas, se não somos afeminados. E independente do que façamos, somos rotulados como canalhas por todas as mulheres que passaram por esse tipo de ofensa e que por tabela odeiam todos os homens.

E ainda digo mais, esse tipo de coisa começa quando estamos lá em nossos 12-13 aninhos. Pressão brutal pra se colocar sobre as costas de um guri tão jovem.

Claro, isso não justifica a atitude dos sujeitos. Mas vejam vocês, se certas mulheres acabam com um comportamento negativo por pressão social, por que o mesmo não aconteceria com homens?

E é preciso saber separar as coisas também. Nem todo homem que observa uma moça no dia-a-dia é um monstro obsceno.

Uma tarde dessas eu estava na Livraria Cultura, quando vi uma ruiva incrivelmente linda checando os DVD's de música.

Por motivos que não devem interessar a ninguem, ruivas me encantam. Eu simplesmente não conseguia parar de olhar para aquela moça, que tinha uma beleza quase sobrenatural.

Mas fiquei a uma certa distância. Eu não encarava e tentava não invadir seu espaço. Não deve ser muito agradável ter um sujeito enorme, que parece um homem das cavernas olhando pra você fixamente.

Depois que ela saiu da loja, fiquei imaginando como seria bom ser menos covarde e ter coragem de falar com ela, para tomar um fora legendário em seguida, pois uma garota linda como aquela com certeza já tinha namorado. XP

Enfim, creio que não fui desrespeitoso ao fazer isso, ou mereço ser julgado e condenado a carregar o estigma de "machista" pelo resto de minha vida por não ter me comportado como um monge?

Masegui disse...

Só pra ilustrar o assunto, vai uma história engraçada que aconteceu em Gov. Valadares, onde morei por alguns anos:

Uma padaria no centro da cidade era um famoso ponto de encontro todas as manhãs. Negociantes, fazendeiros, doleiros e outros exemplares do gênero se reuniam para tomar café, bater papo e fazer negócios.

Passou uma moça bonita e um sujeito, metido a garanhão, falou da forma mais descarada possível:

- Nossa, que tesão!

A mocinha não se intimidou, deu uma olhadinha de desprezo e respondeu na lata:

- Enfia o dedo no cu que passa!

O babaca foi motivo de chacota por um bom tempo!

Sr. Personna disse...

Muito mais complexo do que sou capaz de articular.

Os limites estão cada vez mais difíceis de se precisar, se eu canto sou chulo, se não sou um banana!

De um lado o respeito à privacidade, espaço, dignidade feminina. Do outro a pressão social para o homem ser e acontecer o tempo todo.

Enquanto for papel masculino abrir porta, aposentar mais tarde, tomar a inciativa, se alistar no exército.

As mulheres vão continuar aturando as cantadas chulas, os olhares indiscretos, as ousadias inconvenientes.

Acusamos de machismos uma série de atitudes mas que caminho alternativo foi ensinado pelas maes e pais desses homens e mulheres?

conttra disse...

adorei o post e a atitude da policial de Santa Maria! E aos que estão argumentando que a culpa não é dos homens, ou do pai, mas que são ensinados e pressionados a ser assim, acho que ninguém discorda. Mas é justamente contra esse tipo de cultura, esse tipo de pressão, que somos contra e queremos mudar. A mudança passaria por todos, inclusive as mulheres.

nelsonalvespinto disse...

Incrível a mentalidade do brasileiro. E aindas dizem que é falta de escolaridade (no que eu discordo).

Depois de ver o Prates culpar as meninas da UNESP pelo episódio do "rodeio das gordas" eu nem me surpreendo mais com o que ouço de barbaridades.

Elas são autoridade e devem se fazer respeitadas. Minha prima é professora e certa vez umm aluno passou a mão nela. Ela foi até as últimas consequencias e se impôs. era uma escola onde nenhuma professora ficava. Dois anos depois a escola era outra e virou modelo pra cidade.

Minha modesta opinião de homem. As mulheres deveriam reagir. Encarar mesmo. Dar aquela ensaboada no sujeito no meio da rua.

L. Archilla disse...

Nada justifica uma cantada ou olhar grosseiro - que são bem diferentes de paquera, que fique claro. Uma coisa é vc estar num ambiente comum (livraria, bar, etc) e olhar discretamente, puxar assunto. Outra é mudar de direção na rua pra olhar a bunda da mulher que cruzou com vc.

E sem essa de "oh, coitadinhos, foram ensinados assim"; "oh, vão ficar com fama de gays". Eles sabem muito bem que a gente NÃO gosta disso e continuam fazendo. Quem tem um mínimo de empatia sabe se colocar no lugar do outro, mudar de atitude e assumir as consequências. Quantas vezes já pensaram que eu era lésbica por defender a criminalização da homofobia? E aí, vou dar pra trás pra não "manchar minha reputação"?? À merda!! Sou mais é a favor de cadeia mesmo pra esses abusadores. Quem dera eu ter voz de prisão pra botar essa corja na linha!

nelsonalvespinto disse...

Curioso que além do meu pai foi minha mãe quem me ensinou que mulher nenhuma gosta disso.

Nunca houve lá em casa a filosofia de mãe tipo "Segure tuas cabras que meu bode tá solto."

Carol disse...

Nelson, eu tbm acho. O problema é que não é tão fácil reagir. Ainda mais quando é algo constante. A gente teria que viver em estado de alerta pra reagir prontamente a qualquer grosseria. Isso é bastante stressante. Quando recebo alguma grosseria na rua, eu só quero sumir, e que o sujeito sofra de alguma maneira hahahaha. Sem falar que uma reação muito provavelmente causará uma reação contrária ainda mais violenta.

Uma vez mexeram comigo e eu, que já estava bem sensível no dia, 'respondi' mostrando o dedo do meio. Era um grupo de homens numa mesa de bar na rua. Todos eles fizeram sons e um deles gritou pra eu enfiar o dedo no cu. Foi a gota d'água pra eu despencar.

Lógico, mostrar o dedo é uma reação pueril, mas dificilmente conseguiria pensar em alguma maneira de enfrentar aqueles homens sem me sentir crescentemente exposta ao ridículo, a ser motivo de chacota, ou ser mais agredida. Por isso a gente acostumou a simplesmente olhar pra frente e tentar ignorar... Difícil, muito difícil...

alexrnbr disse...

Infeliz de uma sociedade na qual as mulheres têm que se preocupar se devem reagir a esse tipo de grosseria.

Relatos como o deste post me fazem ver que, felizmente, meu cérebro tem ficado cada vez "menos masculino"... E não é o amadurecimento normal da idade, posto que não posso dizer o mesmo de vários de meus colegas contemporâneos (por volta dos 30).

Há um enorme abismo entre uma paquera, um flerte e uma grosseria, um assédio.

nelsonalvespinto disse...

Carol,

Imagino que não seja fácil reagir. Como este tipo de crime fica impune os sujeitos não se intimidam facilmente.

Mas se você não está disposta a comprar briga o melhor é fazer de conta que nem ouviu nada. Ser ignorado dói no instinto de macho.

Bruno Stern disse...

Eu sempre me lembro do quanto eu fiquei surpreso quando as meninas da escola(na época não devíamos ter 15 anos) contaram das gracinhas que escutavam dos frequentadores de um bar nas proximidades.

Os senhores, todos de cabelos brancos, diziam os maiores absurdos às meninas sozinhas ou em grupo, mas nunca se manifestavam se houvesse um garoto no grupo, tamanha era a covardia.

nelsonalvespinto disse...

Interessante notar o excelente trabalho que as mulheres fazem na polícia.

É baixíssimo o índice de processos envolvendo policiais femininas (corrupção, desvio de função, abuso de poder, etc)

D. disse...

Certíssimas as policiais.

Mas, infelizmente, conheço algumas (poucas) mulheres que gostam desse assédio. Não é culpa delas, elas foram criadas para se auto-objetificarem.

Já sofri muito com isso, especialmente quando era pré-adolescente.

Parabéns, Lola, por divulgar e comentar esses casos.

nelsonalvespinto disse...

verdade, Bruno.

Se no caso que a Carol relata ela tivesse parado na frente dos caras do bar, sacado o celular e dito algo do tipo: "Alô, amor. Você tá chegando. Olha, teve uns sujeitos que mexeram comigo na rua aqui no bar X. Eu estou te esperando bem na frente deles. Vem logo. beijo"

Não teria ficado um ....

Carol disse...

Sou mulher então posso falar: a culpa não é apenas dos homens. Mulher hoje em dia, é só ligar a tv, está mais "cachorra" do que os homens... falam os mesmos absurdos que ouvem para eles, rebolam aleatóriamente e cantam "sou popozuda, vem me pegar".
Tenso, acho que as policiais estão corretíssimas no que fizeram, mas culpar apenas os homens é puro feminismo.

Deborah Leão disse...

Já sofri assédio de um dos seguranças do consulado americano. Eu tinha 17 anos, era a primeira da fila para pegar meu visto. Meu pai não tinha conseguido estacionar o carro, estava dando umas voltas para me esperar.

O cara veio, falou que eu era linda, e diante do meu nítido constrangimento, começou a fazer propostas para sair com ele mais tarde.

O que eu poderia fazer? Naquele ambiente ali, ele era a autoridade. Eu precisava do visto, não podia revidar, sob risco de ele me expulsar da fila com algum pretexto qualquer.

Meu namorado mudou de postura em relação ao feminismo quando comecei a contar para ele algumas das histórias que já tinha vivido. E olha que nem são das piores, não, são "só" esse assédio cotidiano que sofremos pelas ruas.

A maior parte dos homens não faz ideia de quanto abuso sofremos o tempo todo, e nos acostumamos a engolir sob os mais variados pretextos.

Tanize Monnerat disse...

"É puro feminismo"?!?!
O que isso quer dizer?! Que feminismo é o oposto de machismo??

Quem me dera ter o poder que essas policiais têm...

Tenho dois irmãos e um deles é bem metido a gostosão e até ele sabe que assédio grosseiro não agrada a nenhuma mulher (ou quase nenhuma)!! É só uma questão de poder mesmo!

Culturalmente os homens são sim levados a reproduzir esse tipo de comportamento, mas é disso que o feminismo trata. De libertar as mulheres de serem consideradas menos humanas e de dar aos homens chance de não terem que ser os machos provedores da idade da pedra!!

adélia disse...

Carol,

Entendo que não é questão de decidir em quem por a culpa, mas sim de combater o problema. Feminismo não é a luta contra os homens. Porém, contudo, todavia, são os homens que nos causam este problema, nos intimidam. Claro que algumas mulheres compactuam com isto. No entanto, não queremos a perpetuação dessa idiotice. Queremos, entre outras coisas, o direito de andar na rua sem sermos intimidadas. Isso é o mínimo, não?

Cris disse...

A grande questão é que a luta não é contra os homens e como alguns já disseram aqui, os homens também sofrem com esse tipo de cultura, sofrendo o peso de serem sempre os machos provedores e garanhões!
Não é uma competição de quem é mais vítima! Mas é fundamental destacar que um homem ao sair na rua vestido com sua roupa mais comum, sem nenhum dinheiro e nenhum objeto pessoal dificilmente se sente ameaçado. Já uma mulher não, aliás a maioria das mulheres que eu conheço sente mais medo de uma violencia relacionada ao fato de ser mulher do que de um assalto.
E isso tudo começa como? As vezes com uma "piadinha", uma "cantada" dizendo que me lambia todinha, como já ouvi vindo trabalhar essa semana.
Como eu me senti? Horrível! E com medo!
Então... não é exagero! É realidade vivenciada pro todas as mulheres, todos os dias!

Jbmartins-Contra o Golpe disse...

O pior que teremos que andar de bico calado e sem assoviar, espero que minha esposa me perdou as cantadas que lhes dei e prometo que não farei mais, desde que esqueça.

Deborah Leão disse...

Jbmartins,

Coitado de você, homem heterossexual, tolhido no seu sacrossanto direito de assediar as mulheres na rua, né?

Foda-se o direito das mulheres de andarem na rua sem serem assediadas, mulher não importa, mesmo, no fundo elas gostam...

Lidiany CS disse...

Eu odeio esse tipo comportamento.
Sou muito esquentada e qualquer coisinha me dá vontade de voltar e estapear o fulano sempre!
Isso é uma tremenda falta de respeito.
Vi o exemplo da juíza ali e vou relatar um caso que aconteceu comigo recentemente.
Estava indo pra universidade de moto, era umas 10:00 hrs e teria aula às 10:30.
Antes de chegar na universidade tem um posto da PRF.
Fui parada por um policial que olhou meus documentos e pediu que eu fizesse o teste do bafômetro (sim ERAM 10 HORAS DA MANHÃ)
Terminei o teste ele foi anotar e perguntou meu endereço e meu telefone. E ficou lá puxando conversa e tomando parte da minha vida. Já estava achando estranho e retada pq tava me atrasando pra aula.
Quando eu estava saindo, o fulano pega em meu braço e fala, ah eu peguei seu telefone, mas só agora vi que vc é noiva, já ia te chamar pra sair, que pena vc é tão linda...
Vejam só que cara de pau do FDP!
Em local de trabalho, fazer um papel ridículo desses...eu fiquei fervendo de raiva!

E eu podia fazer o que, além de falar mal dele dps?

memoriaindividual disse...

Ow... sei que parece babaca... mas algumas questões feministas não são tao claras.. òbvio que não é obrigação das feministas me ensinarem o be-a-bá da luta contra o machismo..mas tem alguns comentaristas aqui que se sentem oprimidos pelo machismo e criticam o feminismo como se ele fosse causa dos problemas.. É preciso ensina-los (sim, pq nem sempre, pra um homem cheio de privilégios) que numa sociedade machista, os homens são os opressores. É algo q tenho observado aqui: a maioria das reclamações dos homens em relação as feministas, são por opressões que estes sofrem de outros homens. Tipo a história do estupro: MULHERES NAO ESTUPRAM HOMENS..

mas é preciso ser didático... como eu disse, nem sempre os pontos ficam tão claros... por isso curto ese blog....

Thiago Beleza

L. Archilla disse...

Ah, claro, a esposa do Jbmartins tava passando na rua, eles nem se conheciam. Aí ele soltou um: "ô lá em casa, hein! delícia! essa eu chupava todinha!"

ela foi até ele, deu um beijo na boca, eles se casaram e viveram felizes para sempre.

¬¬

Joel Bueno disse...

Diálogo que presenciei no Centro do Rio:
- Eu te chupava todinha!...
- Tá me achando com cara de piroca?

OK... a moça não foi nada gentil com os gays... mas o povo em volta riu á beça.

Cantada a uma desconhecida, num conto de Cortázar:
(na saída do metrô, cada um ia pegando uma escada)
- A gente não pode se separar assim!
- Assim, como?
- Sem ter se conhecido!

Andréia Freire disse...

Acho ótimo que homens como o Jbmartins se incomodem. Isso mostra que faz efeito.

Carol disse...

Nelson:

"Se no caso que a Carol relata ela tivesse parado na frente dos caras do bar, sacado o celular e dito algo do tipo: "Alô, amor. Você tá chegando. Olha, teve uns sujeitos que mexeram comigo na rua aqui no bar X. Eu estou te esperando bem na frente deles. Vem logo. beijo"

Hahaha... eu não sei 'atuar' assim. E de qualquer forma, me sentiria meio humilhada de qualquer jeito, tendo que me 'esconder' atrás do namorado (falso, ainda!) pra me defender de outros homens. Parece que reforçaria a idéia de que mulher não pode se defender sozinha, tem que sempre estar com um homem pra não virar alvo de agressões.

lola aronovich disse...

Ha ha, tô adorando os comentários, e ainda mais as respostas às cantadas. Vcs são ótim@s!

E até que demorou pra aparecer um macho reclamando que tá tendo sua liberdade tolhida, né?

Amer H. disse...

Archilla, minha querida (falo isso com afeto, pois você sempre me tratou bem, não me processe ou esfaqueie, por favor), você é psicóloga, non?

Pois então você sabe que hábitos ruins enfiados na cabeça de uma pessoas desde uma tenra idade não desaparecem do dia para a noite.

Ouvi um programa de rádio norte americano uma vez, que entrevistava um grupo de velhinhos que haviam servido juntos na Segunda Guerra mundial. Eles se tratavam por "Crioulo", "judeuzinho babaca" e inúmeras outras coisas que me deixaram de cabelo em pé, mas eram todos amigos (ou seja, aceitavam as palavras ríspidas como forma de camaradagem), eles foram criados em uma época menos sensível para com as diferenças étnicas, onde esse tipo de coisa era comum. A SOCIEDADE os levou a se comportarem dessa forma. Eles simplesmente não conhecem outras forma de agir, não eram racistas de verdade, senão não seriam amigos desde a época da guerra.

Não digo que os sujeitos que são rudes com mulheres estão corretos ou devem ser perdoados, mas isso é um reflexo do meio em que foram criados. Tenho amigos que cresceram em meio opressores, mas conseguiram se desprender disso e serem pessoas que respeitam o espaço alheio, mas nem todos são assim.

E gostaria de perguntar as moças que participam do blog onde está o limite de uma cantada. O que vocês considerariam lisongeiro e o que considerariam ofensivo?

Se eu fosse até uma de vocês em uma livraria e dissesse "Com licença, mas você tem os olhos mais lindos que já ví. Aceitaria tomar um café comigo?", quantas aceitariam o convite e quantas considerariam isso assédio?

alexrnbr disse...

Deixe um perguntar uma coisa.

Vcs já viram aqueles cachorros que correm desesperados atrás dos carros? O que eles fazem quando o carro (objeto de desejo deles) para? Absolutamente nada! Ficam lá parados com cara de babaca...

Não sei se é o caso, mas talvez diante de uma cantada idiota dessas proferida por algum troglodita e após uma resposta contundente, o mané deve ficar lá com uma bela cara de cachorro otário, hehehe...

:p

Patrick disse...

Jbmartins e Amer, vocês gostariam de levar cantada de um gay na rua? Ou isso lhes daria "razão" para agredi-lo?

Pili disse...

pronto, patrick,
vc pegou no ponto!
;)

Amer H. disse...

Eu não daria a mínima. Só diria "amigão, eu não jogo no seu time, sinto muito" e iria pra casa com uma boa história pra contar pros amigos depois.

Tenho um quilo de defeitos, mas não sou inseguro ao ponto de me incomodar com isso.

Natália disse...

Lola, os absurdos continuam. Olha aqui o q o jornalista falou da ativista iraniana Shirin Ebadi http://globonews.globo.com/platb/milenio/2010/12/21/a-pequena-e-glacial-shirin-ebadi/

pequena e glacial!!!!!

L. Archilla disse...

Oi, Amer... putz, com um convite desses eu ia ficar super lisonjeada, ainda q não aceitasse!

Mas vamos a todos os pontos q vc citou.

Sou psi, sim, e sei que hábitos ruins têm raízes, e tal. Só que aí vai da gente querer mudá-los. E quando não conseguimos, existem profissionais qualificados pra ajudar. Não acho que nesse caso dos homens é algo que esteja fora do controle psíquico deles. Eles sabem muito bem que incomodam, só que deixar de incomodar tem um custo, que é o de perder a pose de machão dentro do grupo (veja, não é um custo tipo a própria vida, o emprego, a família, etc). Por isso é que sou SUPER a favor de punição. Por que quando a gente não aprende que determinada coisa faz mal pro outro através do bom senso, temos que aprender pela lei.

Quanto ao exemplo dos amigos q se "xingam carinhosamente", pra falar a verdade, eu acho isso super natural. Uma coisa é vc chamar seu amigo de crioulo, negão, ou qualquer adjetivo ofensivo de maneira carinhosa - desde que ele esteja de acordo. Outra é se referir a determinado grupo em público com esses mesmos adjetivos. Não importa quanto carinho vc tenha na sua fala, sempre vai soar ofensivo. Uma coisa é meu melhor amigo fazer piada com alguma besteira q eu tenha feito no trânsito, outra é um motorista desconhecido gritar "tinha que ser mulher", ou algo do tipo.

Quanto ao limite da cantada, acho q um bom exercício é pensar se vc realmente tem alguma chance com o que vc pretende fazer. Ex: elogiar os olhos da moça e convidá-la pra um café, ela poderá aceitar? com certeza. Fazer barulho de chupada com os dentes quando ela passar do seu lado vai fazer ela ficar com tesão ou nojo? E por aí vai. Garanto que não é difícil. :)

Lidiany CS disse...

Um outro comportamento que acho bastante desrespeitoso é quando supostos amigos do meu pai me tratam de uma forma na frente dele.
Mas quando eu estou sozinha, fazem questão de mostrar suas cantadas ridículas, aí eu penso, ué?
Quer dizer que quando estou sozinha não preciso ser respeitada? Só meu pai merece respeito!

Sei que o mesmo acontece com algumas mulheres em relação a amigos de irmãos, amigos, primos e namorados...

Amer H. disse...

Howdy Archilla, como está?

Sim, maus hábitos que vem de berço podem ser mudados de acordo com a vontade da pessoa, mas muitas vezes o sujeito nem percebe que está fazendo algo errado, justamente porque aquilo é tudo que ele conheceu a vida toda.

Novamente, não estou justificando o sujeito e seu comportamento, só tentando mostrar que certas coisas tem raízes que vão mais além do "todo homem é canalha" que muitas vezes acaba sendo o argumento usado pelas pessoas contra esse tipo de coisa.

E as meninas que sofrem assédio ou o que for, tem todo direito de se defender. Recentemente escutei um caso de uma Nova Iorquina que estava no metrô quando um sujeito colocou suas partes inomináveis pra fora e começou a esfregar nela.

O que ela fez? Armou um barraco e e começou a gritar com o cara, que ficou encolhido feito o bosta que era até a polícia chegar e o levar preso.

Meninas tem o direito de fazerem todo o barulho do mundo quando se sentem assediadas, mas despencar em lágrimas após a primeira resposta torta de um homem confrontado não adianta. Infelizmente, esse é um caso em que vocês precisam endurecer e enfrentar o que lhes ofende.

Não é o ideal, nem deveria ser... mas o mundo não é um arco íris de algodão doce, infelizmente. Como disse Rocky Balboa, ele é um lugar sujo que vai te derrubar sempre que puder, o que importa é quantas vezes você levanta.

E aqui vai uma verdade, a menos que o cara esteja bêbado ou drogado, ele NUNCA irá agredí-las fisicamente em público se for confrontado. Isso é um mito.

Então você não aceitaria meu convite, Archilla? É porque eu me pareço um troglodita cheio de anfetaminas, não é? EU SABIA!!! Essas moças de cabelo vermelho vivem partindo meu coração! Vou tomar um balde de sorvete...

*Caminha dramaticamente em direção ao freezer*

yesalel disse...

Realmente detesto homens assim. Nunca gostei que fizessem isso comigo, estamos mais do que certas em reagir de acordo com nossos direitos.

DanDi disse...

Tenho orgulhos de poder ler os posts da Lola.

Mas cara, para mim isso não é 'cantada'. É 'peãosisse', ou seja, coisa de peão. Uma cantada bem dada e no momento certo pode sim aproximar, mas nunca deve ser pautada numa questão hierarquica, em que se submete mulher a algum tipo de abuso.

Amer H. disse...

DanDi, do que você tá falando, meu querido?

DanDi disse...

Amer H.,

Olá! Acredito não ter conseguido passar bem o raciocínio. Mas é que estou falando que há cantadas e cantadas. Se você passar em frente a uma obra vai ouvir de um tipo. Se um homem que te admira falar algo do fundo do coração, será outra.

A não ser que todas aqui considerem qualquer tipo de 'cantada' como uma ofensa.

Se for, daí eu retiro essa analogia e mudo o opinião sobre estes dois tipos de cantadas. Talvez que esta última não seja considerada assim. Talvez esteja mais para uma 'declaração'.

Sei que, de fato, nunca precisei de passar uma cantada. Ainda mais dessas grosseiras. Sempre achei um agravo, e não só às mulheres. Mas às relações por si.

Infeliz do cara que depois nas bodas de ouro se lembre que conheceu sua esposa querida soltando uma 'piada' como a do absorvente que a Lola usou no post.

Certamente ele se arrependeria no mesmo momento e desejaria retornar no tempo para uma abordagem mais respeitosa. A não ser que seja mesmo um calhorda.

:)

lola aronovich disse...

Lau (L. Archilla), pô, por que vc ainda ñ tá no Twitter? Assim ñ pode, assim ñ dá!


Amer, vc fez várias perguntas por aqui, e PROMETO que irei responder parte delas num post, ok? Pra próxima segunda ou terça. Mas, please, não diga isso: “E aqui vai uma verdade, a menos que o cara esteja bêbado ou drogado, ele NUNCA irá agredí-las fisicamente em público se for confrontado. Isso é um mito.” Não é não! Pergunte pra mulheres que reagiram. Muitos caras ficam agressivos pacas ao ouvir uma resposta. Minha irmã reagiu a um cara que ficou encostando nela num ônibus. Ela deu umas cotovelas, xingou o cara. E depois desceu do ônibus. O cara desceu do ônibus tb, pegou ela na calçada e lhe deu um soco. Então, please, não venha falar de mito pra mim.


Dandi, cuidado. “Peãozada, coisa de peão” chega muito próximo de classismo, não acha? Claro que uma coisa é cantada de um estranho, na rua, e outra é de alguém que gosta da gente, num lugar apropriado. Inclusive, o exemplo de cantada que usei (absorvente interno etc) foi ruim, porque isso é o que o príncipe Charles falou pra sua amada por telefone. Eles se amavam, se amam ainda, e pra eles era uma declaração ardente, sei lá. Mas imagina que lindo falar isso pra uma desconhecida na rua!

DanDi disse...

Lola,

reconheço sim o 'classismo' na brincadeira que fiz. Mas era uma brincadeira para desqualificar a atitude. No comentário seguinte eu fui mais claro, acredito. E lendo os outros comentários achei muito legal a definição da L. Archilla sobre a diferença entre cantada e paquera.

Era isso que eu estava tentando destrinchar, mas ela acabou dando uma solução muito mais elegante.

:)

Amer H. disse...

E como você sabe que esse cara que acertou sua irmã não tava bêbado ou zureta de algo, Lola? Como professora universitária, você já deve ter visto quilos de alunos bastante alcoolizados logo pela manhã.

Se em uma faculdade o povo enche a cara quando pode, o que dizer fora dela?

E o que sua irmã fez depois? Chorou e voltou pra casa ou fez um auê na rua pra chamar a atenção do mundo pro cara? Se ela tivesse um spray de pimenta pra atacar o cara, não teria feito diferença?

Com todo respeito, Lola, de verdade mesmo, mas infelizmente ouço muito o argumento de "Oh, não há o que possamos fazer, estamos presas e oprimidas na sociedade." E isso me parece um enorme conformismo, como se a luta pelo feminismo perdesse o significado quando as mulheres revidam em peso.

Eu disse antes e digo de novo: LUTEM, REAJAM!!! Existem inúmeras maneiras a que vocês podem recorrer para se defenderem se estiverem dispostas. Não só fisicamente, mas pela legislação, que também oferece muitos recursos a mulher.

"Oh, não adianta nada procurar a justiça!"

Sim, com esse discurso conformista não adianta mesmo.

O mundo não é bonito, vocês vão levar bordoada de vez em quando, mas lutar por uma causa é isso! Ou vocês acham que Martin Luther King esperava ser ouvido pacificamente por toda a oposição?

E mais, nem sempre vocês vão vencer, mas hey... lutar pela causa não é o mais importante? Erguer a cabeça e dizer "eu fiz minha parte" não é o que conta?

Corro o risco de parecer (mais ainda) o vilão aqui, mas simplesmente reclamar das coisas no mundo virtual e não lutar de volta na vida real não é o que vai fazer diferença no mundo.

Peço desculpas se ofendi alguem, mas já cansei de escutar os argumentos "todo homem é canalha", "homem não cuida dos filhos como a mãe" e "o homem só tem privilégios em nossa sociedade."

Se as mulheres querem ser consideradas iguais aos homens, devem largar os discursos prontos e se prepararem pra apanhar da vida quando resolverem lutar por aquilo que lhes é de direito.

Agora fiquem a vontade para rir de mim, me chamarem de louco ou ignorante. Eu nasci homem, isso aparentemente é o bastante para ser desprezado por muitas das pessoas que aqui escrevem.

Laurinha (Mulher modernex) disse...
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Laurinha (Mulher modernex) disse...
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Laurinha (Mulher modernex) disse...

Revoltante... se um homem que fizesse uma dessas com um policial que fosse homem ou falasse outro tipo de gracinha com ele, ninguém ia achar absurdo, mas mulher querer ser respeitada, ter o direito de andar na rua sem ser incomodada é abuso de autoridade.

Perdi as contas de quantas vezes estava andando na rua e a troco de nada fui obrigada a ouvir comentários sobre a minha aparência que não foram solicitados sem fazer nada. Umas 3 vezes resolvi reagir, mas o desgaste que vc tem com o cara que começa a bater boca com vc porque acha um absurdo que vc não fique calada e de cabeça baixa pra tudo o que ele fala, talvez nem compense.

Não é o ideal, mas até acho que alguém dizer um "bom dia" suspeito, falar que vc é bonita ou algo do tipo, não tem nada demais, mas palavras como "gostosa" e daí pra baixo, são ofensas sim, é uma espécie de invasão.

Ontem mesmo em um ônibus presenciei um adulto ensinando pra um menino de uns oito anos, como devia se enxergar e se referir à mulheres. Apontava pra mulheres que passavam e dizia coisas como "imagina aquele b***** no seu colo. Vc gosta?", "olha como elas gostam de se mostrar, está até rachando"... Deu nojo. E o pior é que a gente não pode fazer nada e se reclama, não é levada a sério ou é ofendida.

lola aronovich disse...

Ai, Amer, deixe de ser besta. Odeio esse tipo de argumento: vem aqui, fala umas besteiras, e fica dizendo “Podem me bater”, REZANDO pra ser vilanizado pra comprovar a sua tese – de que nascer homem “é o bastante para ser desprezado por muitas das pessoas que aqui escrevem”. Ninguém vai te desprezar por vc ser homem, Amer. Vai te desprezar pela quantidade de besteiras por metro quadrado que vc tá dizendo.
Bom, eu vivo falando pras mulheres reagirem. Acho que a gente faz tudo ficar muito fácil pros homens se não houver reação. Mas, claro, com o maior cuidado. Não é pra colocar nossa segurança pessoal em risco. Se houver uma turma de homens, a reação não é mesmo o melhor caminho. Mas, em caso de tentativa de estupro, as estatísticas (que são poucas e duvidosas, já que a maior parte dos estupros não é nem relatado) dizem que é melhor reagir. E acho que seria ótimo a gente fazer curso de defesa pessoal. E bora colocar nossas filhas pra aprender judô desde cedo.
Mas isso tudo é colocar toda a responsabilidade em evitar estupros e violência física (saber defesa pessoal não evita grosserias na rua) NA MULHER. E a responsabilidade não pode ser da vítima, tem que ser do agressor. Então, Amer, já que vc é tão ágil nas propostas pras mulheres deixarem de ser umas amebas, o que vc sugere pro seu próprio sexo? Como vocês homens podem fazer esse esforço descomunal de não bater mais em mulher, não estuprar mais mulher, não dizer grosserias pra uma estranha na rua? Faça o favor de ensinar pra eles. Até adoraria que vc fosse em blogs com maioria masculina e comentasse lá, dizendo pra eles o que fazer. E, talvez, por que fazer. Ou vc seriamente acredita que homem não tem nada com isso? Que estupro e violência doméstica são assuntos de mulheres?
Sobre o carinha que bateu na minha irmã, ele não tava alcoolizado. Imagino que vc saiba mais do que ela, que foi bolinada e depois levou o soco. Putz, Amer, vc formula uma tese (“É mito que homens batem em mulheres que reagem a grosserias”), e daí vc faz de tudo pra defendê-la. Mesmo contra as evidências. Conheço um monte de mulheres que ou apanhou ou foi seriamente ameaçada após reagir. Mas, pra vc, todos os homens estavam bêbados. Homens sóbrios não são desrespeitosos com mulheres. Aham.
E nunca vi um aluno meu alcoolizado, desculpe. E olhe que dou aula de manhã, à tarde e à noite.

NAPP disse...

Gostei, mas...
Você poderia ter evitado generalizações conceituais como essa:
"e o sujeito, ao invés de pedir desculpas (pelo jeito ser homem é nunca ter que pedir perdão), pôs a mão dentro da bermuda e fez gestos obscenos. "

Essas opiniões só abrem caminho para críticas pouco fundamentadas, desviando do que você e eu queríamos com esse texto.

Abs

Carol disse...

Amer, seu discurso parece algo no estilo "seja macho!!", cobrando esse tipo de reação das mulheres que são agredidas.

Não, nós NÃO podemos estar prontas pra guerra o tempo todo. É justamente esse o problema. Nós NÃO temos o dever de parar pra bater boca com todo mané que mexer com a gente na rua ou fazer qualquer porcaria assim. Eu sinceramente só gostaria de ser deixada em paz. Não tenho disposição pra ficar na defensiva-agressiva toda vez que um cara me incomodar. Não é bem por aí o negócio. S

im, provavelmente todas nós deveríamos reagir mais - não só a esse tipo de situação, mas a todas as outras - mas "lutar por uma causa" não significa estar em estado de alerta belicoso o tempo todo. E acredite, às vezes recebemos vários tipos de agressão o tempo todo. Muitas vezes por dia.

Somos humanas, sabe? Só queremos sair pra trabalhar de boa, poder andar na rua sem nos preocuparmos.
Insinuar que nós somos muito conformistas pq não reagimos como vc acha que deveríamos, e que "o mundo não é bonito, portanto aguentem", é bem ruim. "Aprender a se preparar para apanhar na vida pra ter aquilo que lhe é direito", pra mim tem algo tão errado nessa frase...

Pentacúspide disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Pentacúspide disse...

Eu não passo a mão no corpo de uma desconhecida, a não ser quando estamos a dançar. Mas eu olho pos decotes, quando são muito convidativos, olhos pas bundas quando são bonitas, olho pas mulheres quando são atraentes. Eu gosto da beleza e admiro a beleza.

A mulher a quem puser mão em cima pode fazer o escândalo que quiser, pois não tenho esse direito, mas quando olho para uma mulher linda e estou à vontade para o fazer, sempre lhe digo que é muito linda. Não se trata de uma cantada, e mesmo que fosse, mas de expressão de admiração.

E não me digam que uma mulher usa decotes para não ser olhado. Não me digam que uma mulher usa saias curtas para dizer "tenho pernas feias, não olhem para elas", e não me digam que a mulher gasta duas horas à frente do espelho para passar despercebida na rua.

Pois bem, quando um homem "alto e gostoso" e aparentemente culto ou bem sucedido é que faz o elogio ou a cantada, aí já não há muito incómodo (se é que há), mas quando é um zé ruela, aí é ordinarice, pois, em jeito de comparação, o rico defeca e o pobre caga.

Tem ordinarices disfarçadas de elogios, eu sei, mas se mulheres elogiam os homens (se vocês não o fazem, azar vosso), por que não pode o homem elogiar a mulher sem ser considerado predador.

Eu trabalho num supermercado, não sou um pão, mas sou simpático o suficiente para mulheres, jovens e idosas, principalmente estas últimas, andarem a flirtar comigo. Devo exigir o meu direito de mandá-las para a puta que as pariu porque não me conhecem de lado nenhum?

Tem situações sem as quais quase ninguém namorava ou ficava com ninguém, porém que, dependendo da forma como quem as trata as quer tratar, torna-se assédio.
Estão a pôr esta questão em termos de: ou preto ou branco, e não querem ver as áreas cinzentas.

PATRICK, a tua pergunta pode ser legítima mas é bem homofóbica. Não sei sobre as pessoas a quem dirigiste a pergunta, mas eu já fui cantado por gays pelo menos quatro vezes nos últimos três anos. Mas, porque depois aprendi que eu invado a anonimia de uma mulher, fazendo-lhe uma cantada(não ordinária, é claro), não tive nenhum problema em lidar com os gays que invadiram a minha cantando-me. Por quê ficar irritado? Aliás, senti-me lisongeado. Quem estivesse de longe a ver e quisesse pensar que também sou gay, problema dele, mas continuei a falar normalmente com os meus assediadores explicando-lhes que não estou interessado e que jogo no outro time.
Antes o único gay que eu conhecia dava-me ascos pois ficava a chupar os dedos, ou a lamber o beiço, ou a acariar o peito enquanto olhava para mim. Esses gestos queria quer fossem uma mulher a fazer e não um homem. Hoje, não sei como iria reagir se um gay me abordasse assim, mas de certeza que não vai ser pela violência ou insulto.

Fabio Salvador disse...

Ôôôô Lola...
ser chamada de "gostosa" é ofensa?

Desculpe se eu não entendi onde está a parte ofensiva. Eu sou homem, e não um homem acostumado a chamar as pessoas de "gostosa" pelas ruas (eu sou bastante tímido para essas coisas), mas...

Eu já fui chamado de "elogiado" por alguém que eu não conheço, mas acho que foram só umas duas vezes na vida, e eu lembro que foram por travestis. Não sei o que haveria de ofensivo se isso me acontecesse todo dia...

... só que nunca acontece, claro, porque eu sou muito feio. Mas aí, não é caso de se elogiar o quão civilizadas minhas concidadãs são, e sim, de ponderar sobre o quão sovina a natureza foi ao me fazer, o que é um papo totalmente diferente.

Fabio Salvador disse...

E vou te dizer mais: então, quando houver um show e as meninas na platéia ficarem gritando "lindo, tesão, bonito e gostosão", vai todo mundo pro xilindró?

E se uma mulher chamar um policial de "gostoso", ela vai presa e todo mundo vai achar o máximo, assim como tu estás achando esse caso aí?

Então, não vamos mais elogiar ninguém interessante na rua, nem passar cantadas, porque podemos receber voz de prisão? Em que sociedade vivemos? Será que já viramos todos cidadãos daquele mundo do filme "O Demolidor" com o Stallone? Um bando de bundões incapazes da mínima expressão individual?

Ora, no dia em que cantada, ou elogio bagaceiro, derem mesmo prisão, se acabou tudo. Daí só vai faltar mesmo, multas por dizer palavrão, e um agente do governo ir até a nossa casa pela manhã para escolher a roupa que devemos usar.

Cai na real! Nem tudo tem que virar um crime ou uma discussão sociológica.

E agora com licença, que eu tenho que malhar um pouco antes de ir pro trabalho. Quero ver se, neste verão, pelo menos uma "mente criminosa" me "ofende" me achando gostoso. Apesar que vai ser difícil. Engordei um pouco no inverno, sabe...

Ághata disse...

Ai, como eu admiro a paciência de vocês, meninas!

Eu não tenho paciência quando um homem chega e diz 'Isso do cara bater em mulher é mito!', não dá vontade de discutir, dá vontade de olhar e perguntar "Ah, é, você que deve saber, né! Você que ouve grosserias na rua o tempo todo, ao contrário de nós! Com certeza, deve saber como essa corja se comporta quando enfrentada!".

Me lembro de um colega meu, o Cau, que conheci pela net que diia que a maior contribuição ao feminismo que um cara pode fazer é calar a boca e ouvir. Não dói ouvir o que a gente tem a dizer, sabe? Ainda mais se você não passou por isso.

Nossa, eu não tenho uma conhecida que já levou uns socos, não. Já cansei de ouvir colegas relatando como foi apanhar de um cara na rua porque ou reagiu ou tentou frear o ânimo do cara na base da conversa. Uma delas levou um tapa na bunda, reagiu e só escapou de apanhar de dois caras porque apareceu outro com o dobro do tamanho e disse 'Quem bater na loirinha vai se ver comigo!'.

Já vi uns depoimentos de gurias dizendo que o melhor método é colocar o dedo no nariz e jogar meleca no cara. Essa eu ainda não tentei.

Patrick disse...

Eu estranhei a resposta de Amer, porque a minha experiência na vida real é bem diversa. Cito três casos (o 1 me foi relatado, o 2 e o 3 foram consequências de questionamentos meus em sala de aula):

1) um amigo, defensor dos direitos das minorias, anti-homofóbico, sem preconceitos, ao passear de mãos dadas com sua esposa por uma praia nos Estados Unidos, com alto índice de frequência de homossexuais, sentiu-se constrangido só de pensar em levar uma cantada.

2) um colega de sala, na faculdade de direito, relatou como, ao brincar no carnaval de Olinda, entrou por engano numa "rua gay", e saiu de lá correndo com medo de receber uma cantada. Ele fez esse relato para justificar porque tinha preconceito com homossexuais e era contra o PL que criminalizava a homofobia.

3) um professor de direito penal relatou porque alguns tipos penais estão ultrapassados. Deu como exemplo que não se pode considerar como atentado ao pudor um beijo de língua numa mulher, mesmo que arrancado à força, durante uma festa carnavalesca, ainda que em via pública. Na visão dele, se a mulher está lá, implicitamente concordou com um "contrato social" que estabelecia um "vale tudo" em certos aspectos. Quando lhe questionei, então, se isso também valia para "um negão de 2m que o abraçasse e arrancasse à força um beijo de língua" (ironizei três preconceitos simultaneamente: machismo, racismo e homofobia), ele respondeu que era "obviamente uma situação diferente" e puxou uma leva de risadas da turma para me constranger e evitar responder à minha pergunta.

Letícia Castro disse...

Oi Lola!

Primeira vez q comento no blog, apesar de te acompanhar sempre.

Acompanhei ontem a polêmica pelo Twitter e vi q eqto as mulheres adoraram o tema, os homens tiveram dificuldade de acreditar q algo tão brasileiro e "natural" como aquelas abordagens explicitamente sexuais no meio da rua vindas de completos estranhos pudessem incomodar, ao invés de agradar em cheio... rs

Acho q o q talvez os faça entender um pouco como nos sentimos é se imaginar andando sozinho pela rua e dar de cara com um grupo de outros homens q elogiam alto, em público, partes específicas do seu corpo - dando nota, até! -, descrevem o q gostariam de fazer com vc e evidenciam sua excitação através daqueles sons masculinos típicos, tipo aquele "sssssss", sabe?

E aí, meninos, foi agradável viver essa cena na imaginação?

Pois é... vcs provavelmente sentiram o q sentimos qse diariamente com tantas demonstrações tão públicas e passionais. rs

A verdade é q a paquera - aquele jogo MÚTUO de sedução - é uma delícia, e mesmo ser abordada de forma ousada por um completo estranho Q TE ATRAIA MT - raridade absoluta - pode ser bem excitante, mas confesso q eu dispensaria solenemente 99,99% das cantadas de rua q já ouvi por aí...

E não tenho estatísticas qto ao índice de sucesso dessas abordagens - imagino, pela minha própria experiência e OUVINDO as de amigas e conhecidas, q deve ser baixíssimo - mas para cada cantada bem sucedida desse tipo, vcs meninos incomodaram/aborreceram/desrespeitaram/intimidaram/constrangeram tvz centenas de mulheres...

Será q vale a pena manter a prática?

Bjs para todos e todas, até a próxima!

@fiz_mesmo

Carol disse...

Sério mesmo que tem homem aqui querendo defender o 'direito de mexer com mulheres na rua'.

"Ser chamada de gostosa é ofensa??"

O pior são os que tentam relativizar invertendo os papéis, dizendo que ADORARIAM ser "elogiados" assim por mulheres na rua, e que estamos reclamando de boca cheia... hummm vamos ver se elas também vão agredi-los e estuprá-los. Ah, acho que vcs adorariam, né? Sexo de surpresa!

Dá licença, vou ali...

Ana disse...

Maravilhoso texto. Muito bem dito. Que bom ver essas opiniões para sabermos que não somos vozes isoladas! Sempre digo que essas manifestações dos homens na rua são em geral agressão à mulher e exibição de poder.

Parabéns para a autora!

Amanda G. Carneiro disse...

Nossa, faz um tempo que não apareço por aqui... mas ÓTIMO post, como sempre, e divulguei lá no twitter.

Eu fico abismada. Esses caras não têm limites... nem uma mulher da PM os intimida!

É bom que coisas desse tipo recebam maior atenção dos meios de comunicação, da mídia (qualquer que seja).

Eu mesma passei por uma situação pior do que qualquer "gostosa" ou gracinhas do tipo:

Eu estava na padaria e um senhor começou a me contar que quando ele era mais novo teve muitas namoradas... que uma vez estava beijando a namorada dele e passou a mão nela e ela estava toda "molhadinha" (resumindo). Eu fiquei fingindo que não estava ouvindo, mas ele começou a passar a mão no meu braço... foi muito REPUGNANTE! Só tirei o braço, o padeiro logo chegou e fui embora.

O problema é que eu tinha uns 13 anos (ou menos) e não tive reação/coragem para fazer nada, só ignorei e fui embora... Não tem como esquecer da cara do INFELIZ, e pior que esse senhor mora por aqui, então o vejo às vezes. Ahh se isso tivesse acontecido nesses tempos...

Espero que mais caras desse tipo sejam punidos e, para isso, tem que haver mais reação da parte das mulheres no geral. É óbvio que temos que ter um certo cuidado, mas é questão de bom senso: se estiver de noite e você sozinha na rua, é melhor não arriscar! Mas se ficarmos caladas, deixarmos que esses infelizes nos intimidem isso vai demorar para ser resolvido somente pel@s autoridades!

Jussara disse...

O texto está ótimo mesmo, e os comentários da maioria tb.
Muitas falam para reagirmos, mas como? O que falar numa hora dessas que não faça a situação ficar pior (pra nós mulheres?).
Isso de dar voz de prisão, como saiu na matéria do Zero Hora, a Lola mesmo disse que é quase impossível. Ficar quieta e engolir a raiva e o constrangimento é horrível, mas reagir como? Alguém tem alguma sugestão que já tenha adiantado? Até pq como bem disse a Carol ... "uma reação muito provavelmente causará uma reação contrária ainda mais violenta".

Amanda G. Carneiro disse...

Jussara, entendo o que disse.

Teve um exemplo que o Masegui deu. Sinceramente, não sei se xingar, mandar à merda, etc. é a melhor forma(e eu já fiz isso muitas vezes), mas não podemos ficar caladas e ignorar.

Quando os caras falam essas coisas ou ficam encarando, eu não ignoro e finjo que não escuto ou vejo, eu olho com uma cara muito feia pra eles! E quando eu tô acompanhada eu faço questão de falar alto: Esses caras não se tocam!

Não tenho uma ideia certa. Acho que não tem como criar um manual para reagir às ofensas desses caras.

O mínimo que a gente pode fazer é não fingir que não é com a gente... dar uma resposta nem que seja com uma olhada de reprovação. Talvez dizer algo como "Se toca!". Depende da situação.

Laurinha (Mulher modernex) disse...

Pelas experiências que já tive, o que costumo fazer é olhar com a cara bem fechada ou resmungar sozinha, mas bem alto a ponto de todo mundo ouvir "que nojo", porque assim a gente reage mas sem precisar bater boca com o infeliz e geralmente ficam sem graça, ainda que dêem aquela risadinha tentando fingir que não se importaram ou com cara de susto.
No mais acho irritante demais essa arrogância masculina. Cem mulheres podem dizer a mesma coisa, mas é ele, o machão que sabe exatamente o que elas querem, o que pensam e sentem.
Tanta arrogância desanima.
Sem falar na empatia, que é zero.

Carina Prates disse...

Exatamente, Laurinha.

Raphael disse...

Não sei porque ainda tem gente que faz isso. Será que eles acham que a cantada vai funcionar e a mulher vai cair nos braços deles? Quem diz essas cantadas não faz o menor sucesso com a mulheres, só conseguem realizar as fantasias gritando pra anônimas no meio da rua. Que vida mais triste...

Gaia disse...

Respondendo ao Pentacúspide...

"E não me digam que uma mulher usa decotes para não ser olhado. Não me digam que uma mulher usa saias curtas para dizer "tenho pernas feias, não olhem para elas", e não me digam que a mulher gasta duas horas à frente do espelho para passar despercebida na rua."

[ironia]Realmente, nós não podemos sentir calor... [/ironia]
Falando sério agora.
Sim, as mulheres se preocupam muito com a aparência. Isso é por causa de várias pressões sociais.
Atualmente, uma mulher bem sucedida é a "gostosona" casada com um "ricão". E isso explica porque um elogio nojento costuma ser ignorado quando o cara é rico.
Quando uma mulher tem sucesso profissional, a maioria deduz que ela é infeliz.

"... por que não pode o homem elogiar a mulher sem ser considerado predador."

Pode elogiar. O problema é o tom. Isso depende muito do contexto.
É muito recente o direito das mulheres poderem sair de casa desacompanhadas. Nesse contexto, um "te chupava todinha", falado por um homem no meio da rua, pra nós é super agressivo, porque inconscientemente (me corrija se estiver errada L. Archilla) ele tá é falando "quem mandou sair de casa. Vai ralar o umbigo no fogão". E notamos isso.

Pentacúspide disse...

Gaia, concordo com a parte de cima, mas não acredito que um "chupava-te todo" significa "inconscientemente", ou não, "quem te mandou sair de casa". Eu digo chupava-te todo e comia-te em todos os estilos às minhas amigas e a muitas mulheres, quando a conversa permite abertura para isso sem que signifique que as as queiras violar. Ok, vais dizer aqui, são tuas amigas e o contexto talvez permita o dizer. Mas também olho para mulheres e penso nelas num tom que talvez as ofendesse se dito, mas nem isso significa que as queira violar. Mas esse sou e a maneira como eu penso não quer dizer que seja a regra de pensar, porque eu deixo certos pensamentos para mim pensando na sua incoveniência, outros não, talvez por falta de tacto, de análise, ou simplesmente por asnice.
E desta maneira, quanto ao teu "argumentum ad verecundiam", não podes dizer, "inconscientemente significa", porque mesmo a autoridade a quem recorreste, L.Archila, sabe que indivíduos diferentes (e até mesmo um mesmo indíviduo) dão diferentes respostas às mesmas situações.

Jussara disse...

Obrigada pelas respostas, Amanda e Laurinha.
Cara feia eu sempre faço, fico muito incomodada, mas vejo que não é o suficiente. Eu nunca sei o que falar pq ninguém espera ser agredida verbalmente na rua, então, me falta presença de espírito. Não consigo xingar nem mostrar dedo (no caso da Carol acabou sendo pior) pois tenho receio de ser ainda mais agredida. Mas com os exemplos que vcs deram agora pelo menos tenho uma ideia do que dizer.


Às vezes eu queria ser a personagem da Uma Thurman, em Kill Bill 2, sabe? Falo isso hipoteticamente, até pq não mato uma mosca. Por isso é muito bom ver atitudes como a da policial, pois só quem já passou por isso sabe como é péssima a sensação.

Jussara disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Zangão disse...

Agradeço ao meu irmão por SEMPRE falar besteiras às mulheres pois eu abominava o comportamento dele e não adquiri este hábito masculino. Não consigo entender esta mania de falar toda sorte de coisas nojentas para mulheres. Será q eles acham q vai dar certo com alguma mulher algum dia? Q ela não vai resistir ao se imaginar sendo um picolé na sua boca e vai correndo com vc para um motel transar enlouquecidamente com um estranho? E se der certo? Vc conquistou a mulher ou foi apenas usado por ela? Por outro lado concordo q não é fácil ser homem não, meninas. Ver aquele seio lindo sem sutiã num decote generoso deixa qquer monge fora de si. Ou aquela saia q mais parece um cinto com aquele par de coxas de parar o trânsito, olha, vou te contar... é complicado. E o instinto de reprodução onde fica nisto? Mito? Mas concordo em gênero, número e grau: falar o que vc pretende fazer com uma mulher na cama é inútil para os nossos propósitos e constrangedor para vocês.

Amer H. disse...

Primeiro, já coloquei inúmeros argumentos aqui, de forma civilizada e educada. Eu até faço piadas de vez em quando, pra manter o clima leve.

Mesmo assim, meus comentários são ignorados, algumas leitoras riem abertamente deles sem sequer debater seus pontos, ou são derrubados com o discurso "você está errado porque sim." Até nos pontos em que concordo com as opiniões femininas aqui postadas, ouço mais críticas do que qualquer coisa.

Não devo me sentir vilanizado então?

O que eu faria para mudar a postura masculina no tocante a seu comportamento desagradável com as mulheres? Bom, a SOCIEDADE precisaria de uma reforma violenta, de modo que maus hábitos e comportamentos inflingidos há decadas fossem mudados.

Por onde eu começaria? Bem, por onde Martin Luther King começou? Malcom X, por onde começou? Eu tentaria seguir do mesmo ponto de partida deles se fosse seguir por essa luta.

Ví que minha menção a MLK foi lindamente ignorada, que coisa não?

Mas hey, que tal isso pra começar: vamos todos nos unir e tornar o porte de spray de pimenta legal e praticamente obrigatório para as mulheres. Mesmo que não queiram, vocês terão algo para se defenderem sempre que acharem que foram desrespeitadas. Boa? É plausível, não? Já é um começo, não?

Já estou ouvindo os argumentos de "não deveriamos precisar disso", mas novamente digo, o mundo não é perfeito. Se fosse, minha amiga milionária não precisaria morar em uma casa com cerca eletrificada e seguranças.

Quanto a dar minha opinião em blogs de maioria masculina, lamento dizer, reclamar em blogs não traz mudança alguma ao mundo. Se blogs tivessem a menor importância, não seriam abertos para qualquer crustáceo criar um.

Sim, incluo os meus blogs no bloco "não fará diferença para o mundo se for deletado de repente."

Quanto a minha tese, não, eu não a formulei do ar. Tenho um quilo de amigas e algumas delas são bem brigonas, nenhuma NUNCA apanhou na rua. Uma das minhas amigas comprou briga com uma galera inteira no cinema, porque não paravam de falar durante o filme e nada lhe aconteceu.

Você conhece várias mulheres que foram agredidas, ok. Mas são pessoas do seu convívio ou casos espalhados pelo país que lhe mandaram relatos de suas experiências?

Não estou justificando o que aconteceu, pelo amor de Deus, longe de mim fazer isso. Mas casos isolados não constituem uma regra.

E uma coisa extremamente desagradável que vejo é o cinísmo em relação aos homens corretos. Seu sarcasmo ao falar dos "homens que fazem o enorme esforço de não agredirem ou estuprarem mulheres."

"Damned if you do, damned if you don't." O homem é sempre o inimigo, aquele que trata as mulheres com dignidade "não faz mais que sua obrigação."

Sério, é assim que tem que ser?

E admito, eu estava errado. Nem todo homem que agride uma mulher na rua vai estar alcoolizado, eu retiro o que disse e peço desculpas por isso.

Mas partir daí e dizer que uma mulher SEMPRE corre o risco de apanhar na rua se revidar aos comentários de um homem, é exagerar um bocado os fatos.

Finalmente, não me referi exclusivamente aos seus alunos, mas a universidade como um todo, você nunca viu NENHUM aluno alcoolizado ou fumando maconha perto das premissas da mesma?

Nunca?

Kelli Semolini disse...

O homem é sempre o inimigo, aquele que trata as mulheres com dignidade "não faz mais que sua obrigação."

Minha primeira vez no blog e foi muito bom sentir que não estou sozinha.

Amer, sim, tratar uma mulher com dignidade não é nada mais que a obrigação de QUALQUER pessoa. Não é um favor que se faz, é o mínimo que se espera de uma pessoa civilizada - tratar o outro, quem quer que seja, com dignidade. Eu achei que em 2010 já não era mais preciso explicar isso, mas enfim...

E sim, o medo é constante. Eu já fui vítima de violência dum maluco que levou um fora e um ano depois achou que era uma boa ideia sentar à minha mesa, sem ser convidado. Nenhum garçom atendeu meu pedido de tirar ele da minha mesa. Quando eu fui sair, depois de ser brutalmente ofendida, ele jogou cerveja na minha comida. Retribuí a gentileza e levei um soco. Quando você acha que isso vai acontecer em uma lanchonete cheia? É raro, mas não importa, porque a gente nunca sabe quem vai ser o maluco que vai se descontrolar. Por isso que o medo é constante. A gente simplesmente não sabe e não pode arriscar uma situação assim o tempo todo.

E eu, devia ter feito o quê? Na época, não tinha Lei Maria da Penha. O máximo que podia acontecer com ele era pagar uma cesta básica ou fazer algum serviço comunitário e, óbvio, ficar ainda mais com raiva de mim. Moro numa cidade pequena. Sem ter prestado queixa (coisa de que me envergonho até hoje, mas o medo foi maior), já fico mal quando encontro o sujeito por acaso, imagine se eu tivesse feito alguma coisa contra ele! Minha outra opção, talvez, seria recorrer a outro homem - um irmão, namorado, amigo. E eu me recuso. Acho um absurdo eu depender de homem para assegurar minha integridade física e moral. Isso deveria ser meu direito. Aliás, isso não deveria ser nem motivo de discussão, pelo menos não mais do que a sua própria.

Rogério Santos disse...

Putzz!! Li esse post ontem, e fiquei até agora pensando nas merdas que eu já fiz por aí. Lola, eu já fiz tudo isso (que vergonha!!).

Lembro-me de uma vez em que eu estava voltando de uma festa que acabou lá pelas tantas da madrugada. A rua estava deserta, e eu vi uma mulher andando na minha frente. Não havia mais ninguém na rua, só eu e ela. Ao perceber que o ambiente estava favorável, eu comecei a dizer toda sorte de absurdos a essa mulher, todos os insultos e piadinhas de mau gosto possíveis e imagináveis. E quanto mais a mulher ficava apavorada por não ter a quem recorrer e andava rápido para fugir de mim (ela certamente pensou que seria estuprada se eu conseguisse alcançá-la), mais eu dizia as coisas mais impublicáveis do mundo - e me divertia sadicamente com isso. Alguns metros depois, três amigos dela vinham andando no sentido contrário e, ao ver isso, ela correu e se atirou nos braços deles para escapar daquele terrorismo psicológico que eu estava fazendo com ela. Gravei na mente até o momento em que ela suspirou de alívio.

Ao notar que aqueles três cabras eram amigos dela, desta vez quem correu fui eu. Afinal de contas, se ela dissesse a eles o que eu fiz, eles poderiam vir atrás de mim para me dar porrada.

Relutei pacas em dar esse depoimento aqui. Nem sei se você vai lê-lo, mas foi a forma que eu encontrei de exorcizar os meus fantasmas e me tornar menos machista. Já melhorei bastante (o fato narrado aconteceu há cerca de doze anos; eu tinha 18 na época), mas ainda preciso mudar mais.

escravo roger{RF} disse...

"O princípio da cantada na rua não é o elogio. Não é a proposta, o convite. Pelo contrário, é o insulto. É a dominação"

E taí porque creio que muitos homens reagem com ódio e violência quando recebem cantada de gay.

Não é todo homem que aceita ser "marcado", que gosta de ver "uma bichona" tentando dominá-lo.

O cara não precisa ser necessariamente homofóbico, só o fato de outro homem confrontar seu poder já é motivo suficiente para partir pra briga.

escravo roger{RF} disse...

(Complementando)

Um machista não precisa ser necessariamente homofóbico para atacar um gay que o paquerou.

Trocar de papéis, ficar no lugar da mulher no flerte, isso já basta para mexer com o orgulho dele.

Polinha disse...

Acho que pior que os "elogios" grosseiros, é a encoxadinha básica que toda mulher passou ou vai passar. Principalmente andando de transporte público.

Lembro de uma vez, num ônibus cheio. Fui pega totalmente de surpresa, tentei escapar, mas com o ônibus lotado, o máximo que conseguia era dar uns passos para o lado.

E não era um ônibus só de mulheres. Tinham vários homens e muitos deles perceberam o que estava acontecendo. Ninguém fez nada. Tive que me virar sozinha.

Não consegui encontrar uma forma de reagir, tamanha foi a minha surpresa, indignação e desconforto com o que estava acontecendo.

Acho que, depois dessa primeira vez, o próximo (se tiver, é claro), vai ficar com dois furos nos pés... um de cada salto.

Estava conversando isso ontem, com uma amiga. Tem umas coisas que a sociedade aceita como natural, e só mostra como a mulher é tida como algo inferior, um objeto. Atrevo-me a dizer que, para alguns, uma mulher nada mais é do que uma vagina que anda. E esses alguns são uma boa parte, infelizmente.

Joane Farias Nogueira disse...

"""Pois bem, quando um homem "alto e gostoso" e aparentemente culto ou bem sucedido é que faz o elogio ou a cantada, aí já não há muito incómodo (se é que há), mas quando é um zé ruela, aí é ordinarice, pois, em jeito de comparação, o rico defeca e o pobre caga.
""""
Discurso de machista que não anda tendo atenção feminina para legitimar uma agressão às mulheres.
Tipo, se o rico pode assediar uma mulher, por qual motivo eu não posso. Não passa pela cabeça dele que ainda que isso fosse verdade, eu , sendo dona do meu corpo, posso decidir se é certo ou errado. Posso restringir o certos homens a me cantarem. Acha mesmo que dá para saber quando um homem tem dinheiro quando ele te canta? Acha que cantadas grosseiras doem menos quando vem de pessoas ricas?Acabou de chamar metade da população do planeta -as mulheres - de vendidas e não quer se chamado de machista, aposto!