segunda-feira, 10 de maio de 2010

GROSSERIAS MOSTRAM ESTUPIDEZ MASCULINA

Lembro disso muito bem, como se fosse hoje: eu estava andando de carro com uns amigos na Rua Augusta (SP), indo pra alguma danceteria. E havia uma moça sozinha subindo a ladeira da Augusta, devagar, porque, afinal, é uma subida, né? De repente, todos os carros que passavam por ela começaram a buzinar. Virou um pandemônio aquilo lá, uma barulheira infernal de buzinas. A moça, coitada, só abaixou a cabeça e seguiu andando, enquanto todos os palhaços que passavam buzinavam e gritavam alguma grosseria pra ela. Eu era novinha e me senti muito mal. Não entendi o que fazia aqueles homens agirem assim, naquele comportamento de manada. E eu me pus no lugar da moça sendo hostilizada (porque desde quando buzinaço e palavrões são homenagem?). O que ela tinha feito pra receber isso? Nada, tirando o azar de ter nascido com uma vagina. E estava andando sozinha, sem um macho pra protegê-la, à noite. Não tinha nada de mais na roupa dela. Imagino que ela vestia uma minissaia parecida com a minha. Mas foi só um idiota começar a buzinar que todos os outros empatizaram com ele ― não com ela!
Só agora descobri que o meu profundo mal-estar causado por essa cena não foi incomum. Um estudo mostra que mulheres não apenas não gostam de ouvir cantadas na rua, como veem isso como uma afronta ao seu gênero. E ficam com raiva dos homens em geral, não só daquele cretino em particular. Ou seja, segundo esse estudo com 114 universitárias americanas (que assistiram a um vídeo de um carinha dizendo uma asneira para uma mulher na rua, e foram convidadas a se imaginar como espectadoras, não alvos, desse ato), falar gracinhas na rua é um desserviço que os homens prestam a todos os homens. Dá pra entender? Se você é homem e diz gracinhas pras mulheres na rua, não só não vai conseguir comer ninguém, como ainda vai martelar na cabeça da mulherada o clichê “homem não presta mesmo”.
E só pra enfatizar a primeira parte da colocação: mulheres não gostam de cantadas na rua. Preciso repetir? Rewind: mulheres não gostam de cantadas na rua. Aquela ladainha que mulher a-do-ra ouvir grosseria porque sente-se valorizada (ha, é realmente maravilhoso pra autoestima ser vista como um pedaço de carne num açougue e ouvir de um completo estranho frases da estirpe de “Eu comeria sua menstruação de colherzinha”). Se você conhece mulher que gosta de ouvir cantada, zuzo bem, mas fique sabendo que é exceção. A maior parte não gosta. Só que a gente ouve todo dia que gosta, sim. Mesmo que não goste, “no fundo” a gente adora, vai... (odeio essa idiotice de “no fundo você gosta”, porque é duvidar da minha opinião). Mas nem interessa se existe uma minoria que crê que passar na frente de uma construção faça bem pro ego. Sabe por quê? Porque os homens não cantam uma mulher pra agradá-la. Não é um ato pensando nela, mas neles. Grosserias em grupo são uma forma de socialização masculina, uma competição pra ver quem fala a besteira mais besta. E, quando é individual, é pra que o homem se lembre de quem manda, quem está no poder, quem nasceu pra avaliar, e quem nasceu pra ser avaliada. Sei que dá medo, mas experimente responder a uma cantada com um convite: “Você ganhou, garanhão! Vamos transar agora mesmo”. Quanto você quer apostar que a maior parte dos caras sai correndo? Cantada é prima próxima de estupro: tem muito mais a ver com poder que com sexo. E esse é um dos motivos pelos quais uma grosseria tem pouca relação com o jeito que a mulher tá vestida (quem já não foi cantada usando roupas hiper desleixadas?) ou mesmo com beleza (ou você acha que mulheres fora do padrão estético vigente não ouvem coisas na rua?).
Adoro um episódio de A Sete Palmos, minha série de TV preferida. Ele começa com uma moça andando na rua à noite, quando três caras atrás dela começam a lhe gritar gracinhas. Com medo, ela deixa a calçada e corre pra rua. É atropelada e morre. Mas os três carinhas não eram estupradores em potencial, e sim amigos da moça, e, adivinhe, só estavam brincando. Eles não podiam imaginar que uma mulher sendo perseguida à noite por três sujeitos gritando “Gostosa! Você sabe que você quer, vadia!” pudesse se apavorar. E claro que não sabiam. Como poderiam saber? Nunca passaram por isso. Daí segue-se um diálogo entre Rico e Nate, que trabalham numa funerária e estão preparando o corpo da moça (minha tradução fracote):
Rico: “Garotos estúpidos”.
Nate: “Mas não parece que ela meio que entrou em pânico? Talvez alguma coisa tenha acontecido com ela antes”.
Rico: “Não sei. Sabe, Vanessa [mulher dele] tem medo o tempo todo. Até quando ela sai com os meninos, ela ouve grosserias. Pergunte pra Lisa [mulher de Nate]”.
Nate: “Não tenho certeza se a Lisa ouve tanto isso. Quero dizer, ela não usa salto alto ou saia justa nem nada”.
Rico: “Vanessa diz que ela ouve o tempo todo. Até quando está usando sua calça de moletom folgada”.
Pois é. Garotos estúpidos, de fato.

P.S.: Excelentes dicas de leitoras no outro post sobre cantadas de rua: um ótimo texto (em inglês) sobre a estupidez das grosserias, e um vídeo (também em inglês) de uma mulher que questionou as besteiras que ouviu.

63 comentários:

Giovanni Gouveia disse...

Engraçado como isso é cultural.
Quando Cris se mudou aqui pro Recife, ela me perguntou meio espantada/aliviada:
"Vocês (homens) aqui no Recife não mexem com mulheres na Rua não, né?"
Parece-me que o "tratamento vip", principalmente em São Paulo, dado às mulheres, é muito mais agressivo. Já vi paulistas "cantando" até mulheres acompanhadas, no carnaval, coisa via de regra impensável na índole pernambucana (claro que o medo de um tiro ajudou a "moldar" essa índole :D)

Bruno Stern disse...

Realmente, essas "cantadas de rua" são um exemplo típico de agressão verbal às mulheres.
Eu, e acredito que boa parte dos homens também, só conheço esse fenômeno pelos relatos feitos.

Não sei se variar de uma região para outra, mas parece que não há restrição de idade, classe social e lugar.

Natália disse...

Adorei a parte do 'Sexismo é ruim para tds. As mulheres sofrem consequências negativas diretas (imagino q cantadas, estupro, violência doméstica, etc), homens são prejudicados pq as mulheres vão ficar com uma imagem negativa deles.'

É importante reforçar q 'hey, homens, assim vcs estão espantando as mulheres, vai ser mais difícil pegar outra'. Sério, claro q acontece das mulheres ficarem com raiva de tds em geral (até pq, ql homem n faz isso, ou no mínimo tá sempre avaliando as mulheres?), mas é sempre importante mostrá-los q estão se prejudicando (mt pouco se formos comparar os danos). Nunca basta só a gnt dizer q n gosta. No fundo essa perspectiva n ajuda mt, até pq eles fazem mt pior e a cultura se encarrega de garantir o amor e esperança das mulheres com relação a eles.

Alana disse...

Essa cultura idiota é barra mesmo. Confesso que esse é um dos motivos que faz com que eu evite roupas mais justas. Outro dia estava fazendo caminhada com minhas tias e um rapaz que estava em grupo falou alguma coisa do tipo, fingi que não ouvi mas depois critiquei esse tipo de atitude. Uma de minhas tias falou aquela velha bobosaeira que às vezes é até elegio pra mulher ser cantada na rua e que eu deveria gostar de ter um corpo bonito e ser admirada por isso. Enfim, eu expliquei pra elas essa mesma coisa que vc escreveu, que eles fazem isso pra eles mesmos e que gosto muito de acreditar que a grande maioria das mulheres ficam ofendidas com esse tipo de atitude. O pior de tudo é ouvir que a forma desleixada como eu me visto é um desperdício,etc etc.

P.S. Também amo A Sete Palmos.

dasilva disse...

isso é estratégia de homem gay. querem que as mulheres odeiem os homens, os homens nao vao mais conseguir arrumar mulher e vão partir pra parceiros do mesmo sexo. e as mulheres idem.

mas falando sério, dá uma raiva essa invasão desses manés. dá vontade de mandar à merda mas não quero alimentar a violência. gosto das respostas ironicas pra morgar o cara mas nao tenho cara nem tempo pra perder com cretinos.

hoje eu ligo menos pra roupa, evito sair com roupa apertada, odeio gente me olhando, muito menos soltando gracinha.

Bearantes disse...

Por isso a minha cena preferida de Thelma & Louise é de quando elas detonam o caminhao do babaca que ficava fazendo gracinha pra elas...!

Márcia disse...

Um dia fui com uma amiga a uma locadora perto de casa. Eu estava de bermuda e ela de mini-saia. O vigilante que ficava sentado à frente da floricultura da esquina meio que assobiou pra nós quando passamos. Digo "meio que" porque aquilo não foi um assobio, mas um barulho com a boca que a gente faz pra dizer que a carne é gostosa. Era um senhor de un 50 anos. Eu virei pra ele e disse que tivesse vergonha na cara e que ele não estava ali pra "essas coisas" não.

A criatura ficou com uma cara murcha que só vendo. Não, eu não tive dó.

Se a loja contrata um vigilante é pra dar segurança a todos e não para incomodar. Ele parece ter entendido isso.

Outro dia, no centro do Recife, um vendedor, lá com seus 60 anos, cabeleira toda branca, fez o mesmo gesto quando passei. Ele estava na porta da loja. Esse tipo de atitude chama atenção de todos que estão em volta, vira tudo um "palco", sabe. Aí, eu virei, olhei bem pra cara dele e cuspi. Tipo, se ele pode demonstrar o que sente eu também posso. A criatura ficou com a cara mexendo e os outros homens ao redor parecem ter sentido vergonha por ele pois todos desviaram o olhar, tipo fingindo não ter visto o fora que ele levou.

Riffael disse...
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Riffael disse...

"isso é estratégia de homem gay. querem que as mulheres odeiem os homens, os homens nao vao mais conseguir arrumar mulher e vão partir pra parceiros do mesmo sexo. e as mulheres idem."

Valha-me Deus!! É cada coisa que eu leio na internet, as vezes chego a repudiar a inclusão digital.

Esse comportamento masculino é repugnante. Quando vejo algum homem ou mulher que me chame atenção na rua não ajo dessa forma bestial. Se for pra chamar atenção do mesmo, acho que um olhar funcionaria de maneira mais benéfica, caso fosse só pra "avaliar", um comentário com algum amigo que esteja comigo basta.

Omar Talih disse...

Estupidez coletiva é muito mais nociva que isto. E as pessoas estão sujeitas a engrossar o nº de idiotas que agem assim! Qualquer tipo de idiotíce tem adeptos. Com machos é pior.

Sheryda Lopes disse...

Lola, vc consegue falar sempre das coisas mais cotidianas de uma forma tão inteligente que acho até mesmo os homens imbecis que fazem isso na rua entenderiam.

Roberta disse...

Hum,um post feminista...

Giovanni Gouveia disse...

Riffael, preste atenção no parágrafo seguinte que dasilva começa com: "Mas falando sério"...

Raiza disse...

Ótimo post Lola.Infelizmente não acho que os homens estão preocupados em não sujar o nome do gênero deles.Na verdade,se eu pudesse quebrava os dentes de todos que falam essas babaquices pras mulheres na rua.

Roberta disse...

Desculpa Lola,primeiro vc escreve um post falando que a violencia domestica(os videos da Amanda)são engraçados pq são ironicos,depois escreve um post feminista...
Hã,é mesmo a Lola?

Mariana. disse...

Adorei o post, irretocável.

Lola, aproveita a época e fala do miss brasil (e concursos de beleza em geral). O fim de semana passou e temos uma nova miss. Analisemos pela ótica feminista?!
Aguardo ansiosa.

Sheryda Lopes disse...

Marcia, sou sua fã! Já tive muita vontade de fazer coisas semelhantes, mas sinceramente tive medo algumas vezes, o que me fez me sentir muito humilhada. Tipo, põ, era p eu ter tido coragem! E o meu discurso feminista, onde tá?

Vivien Morgato : disse...

Seu post me lembrou de duas historinhas:

quando adolescente, era comum ouvir barbaridades na rua....e pasme, vinda de adultos que poderiam ser meus pais.;0(
Um dia, ao ser abordada enquanto tomava um sorvete de casquinha ( vc pode imaginar o que o idiota disse...) agi em um reflexo, disse:
- nossa....
E joguei o tal sorvete no terno do tal idiota.


Um outra feita, eu andava com uma prima, um fulano passou e disse uma bobagem qq pra ela. Ela parou e com um rosto angelical disse que o rosto dele estava sujo...ele parou, atônito, "limpou" a sujeira invisivel, enquanto ela dizia "ih, piorou..." e eu ria.
Demorou pra ele ver que fazia papel de bobo e sair de fininho...


Claro que um elogio é bacana. Mas nada que é vomitado entredentes na rua se parece com um elogio.


beijocas.

Jeff disse...

Bem, não posso negar que me senti muito bem depois de ter lido seu texto, pois, enquanto homo sapiens macho nunca me identifiquei com essa prática. Realmente acho que um olhar é muito mais eficiente.

Adriana Karnal disse...

Para a Geizy (aquela da UNIBAM) as grosserias foram um prato cheio...q coisa de mal gosto, não?

Adriana Karnal disse...

mau* rsrsr

ilka disse...

Como eu queria ter a coragem da Márcia, normalmente eu fico paralisada pela raiva e pela vergonha e ainda me sinto uma covarde por não reagir. Adoro correr e após voltar do trabalho sempre dava uma voltinhas na minha quadra, parei com essa prática de tanto ouvir coisas nojentas.

Até hoje lembro a primeira vez em que ouvi algo do tipo, eu tinha uns 12 anos, estava voltando da escola, um cara passou e disse algo como "eu te lambia todinha", chorei por uns 10 minutos, fiquei um bom tempo com medo de ir à escola sozinha e com vergonha de contar a minha mãe o ocorrido.

Giovanni, não sei se há variações por Estado ou Região, mas vivi 26 anos em Recife e não acho que lá as "cantadas" sejam menos agressivas que em São Paulo, onde também morei por vários anos.

mariuszpudizian disse...
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mariuszpudizian disse...
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Aline Schmitt disse...

Excelente post. Gostei de saber desse estudo(pode ajudar a demontrar para algumas pessoas mais teimosas que cantada na rua não tem nada de elogioso). Claro que é ruim para os homens que a gente passe a desconfiar de todos eles, mas o machismo tem aspectos ainda piores para os homens, como a violência que eles se auto-infligem. Eu tenho visto os noticiários da Record pela manhã, e é um festival de violência entre homens, por motivos banais, como brigas de torcida, brigas no trânsito, abuso de autoridade, por exemplo. Aparecem alguns casos de violência doméstica, também, mas em menor quantidade. Nos intervalos, passa um comercial do ministério da saúde, com estatísticas da mortalidade masculina. Só que essa mortalidade não se deve apenas ao descuido com a saúde (outro prejuízo), mas muito ao envolvimento com criminalidade e violência gratuita. Em Florianópolis, houve um caso de pré adolescentes de classe média se reunindo pra brigar por brigar. É triste ver essa criançada reproduzindo esse péssimo conceito de homem.

Márcia disse...

Gente, não é sempre que eu respondo. Claro que tem uns tipos com cara de marginal mesmo, aí, tô fora, fico na minha que não sou louca.

Mas quando o cara tá lá trabalhando, tá lá pra te atender enquanto cliente e incomoda, falo mesmo!

Agora, houve um tempo que eu passava todas quarta-feiras por uma rua super movimentada no centro do Recife, Rua Imperatriz. Se aproximava o fim de ano, sinônimo de multidão. Aí, ouvi bem rápido, "há uma lamb.. nessa buc...". Demorei alguns segundos pra processar a frase, pois andava com pressa e bem concentrada. Me virei pra olhar pro sujeito que se perdeu na multidão. Comentei com algumas amigas e disseram já terem ouvido falar nessa cara. Sujeito covardezinho mesmo, tarado, cujo passatempo era fazer isso, imagine só! Na quarta feira seguinte, andei com a sombrinha em punho, quando ouvi a voz do sujeito, mesma frase, me virei com a sobrinha pro alto. Ele conseguiu fugir, mas percebi quem era. Ele correu e nunca mais me abordou quando passei de novo pela rua.

Tem gente que diz que ainda vou levar uma bofetada. Eu respondo que vai ser bom se for só uma bofetada, porque vou revidar e gritar "tarado, tarado" pra incitar a população contra o tal.

Sou a pessoa mais calma do mundo, fujo de briga, mas não nesses casos. Meu amigo, eu viro uma fera!

Márcia H. da Costa disse...

Lembro-me de uma ocasião em que, no trajeto do cinema para minha casa, fui cantada insistentemente por um sujeito que, ao perceber suas tentativas fracassarem, passou a me xingar de todas as formas possíveis. De linda, gostosa e maravilhosa passei a galinha, escrota e feia. O sujeitinho claramente não ia deixar barato a rejeição. Como seria possível tamanha ousadia minha, uma simples mulherzinha, de não ceder a seus encantos?

Renata de Oliveira disse...

Quando você postou um dos últimos tópicos sobre o tema, falando sobre a questão da linguística e do poder, de quem tem o poder é quem fala, e ao serem retorquidos, muitas vezes se tornam agressivos, me lembrei de dois episódios da ficção (melhor ficar na ficção, pq se formos, nós, mulheres, contar os inúmeros episódios sobre tais "cantadas", vão ser tantos e tantos casos...
Vamos lá:
1 - Em um episódio de Sex and the city, a personagem Miranda, a advogada ruiva, está sendo constantemente assediada por um operário da construção civil, nas obras de um prédio, ou na rua, não lembro, em frente ao escritório onde ela trabalhava. Era só ela passar na rua que ele gritava coisas do tipo: "vou fazer isso e aquilo com você", e por aí vai. Um dia, ela, cansada de se sentir constrangida, chega para ele e diz: "olha, eu to te querendo! já que vc também me quer tanto assim, vamos agora fazer isso e aquilo!" E o cara fica todo sem jeito, perde o rebolado, e fala: "olha moça, eu sou casado!". Faça sua análise...
2 - Em uma novela dessas da Globo, não lembro qual, mas acho que era uma que tinha o rapaz esquizofrênico, uma das personagens, salvo engano um estereótipo de "perua" ou "madame", que não tem emprego e só fica no shopping e na academia, comenta com a a amiga, que era a Cristiane Torloni, salvo engano: "Ah, minha filha, o teste para saber que a gente ainda está inteira é passar em frente a uma construção: o dia que nem um peão mexer comigo, vou direto pro cirurgião plástico dar uma geral".

O seriado (que eu adorava, pena que o filme foi fraquíssimo, os personagens não foram as pessoas, mas as marcas...) mostrava as mulheres com alguma atitude, quatro mulheres diferentes, independentes, que faziam suas escolhas e arcavam com as consequencias. A postura da personagem foi assumir uma posição e sair da passividade.

Já a novela... Termometro do desejo masculino, cirurgia para se adaptar a esse desejo, passividade absoluta.

Difícil demais...

Alessandro disse...

Apenas para entender, sem ironia:

Na rua:
1) Olhar pode?
2) Olhar e apreciar pode?

Na praia:
1) Olhar pode?
2) Olhar e apreciar pode?

Na boate:
1) Olhar pode?
2) Olhar e apreciar pode?
3) Cantada pode?

Sério, queria respostas. Pois o mundo ensina a nós, homens, o que deve ser feito.

Desde os desenhos animados do pica-pau e tom & jerry, até os filmes adultos e a própria sociedade.

Laurinha (Mulher modernex) disse...

Lola, nada a ver com o tópico, mas resolvi postar aqui um vídeo do youtube de 2008 de um comentário preconceituoso do Serra em relação a gravidez da Xuxa e a resposta que ela deu... Talvez vc queira ver...

http://www.youtube.com/watch?v=FI7khlJEdxU

Abçs...

danee disse...

Engraçado, eu estava pensando nisso hoje, que foi mais um dia que eu estava indo pra casa do meu namorado (que é SUPER perto) toda relaxada, e mexeram comigo na rua. O engraçado é que mesmo em um percurso tão pequeno sempre há algum metido à machão.
Me lembrei daquele outro texto seu, que falava que homem não esperava resposta de cantada de rua.

É EXTREMAMENTE difícil ver uma mulher cantando rapazes na rua, mesmo as menos reprimidas, e é o que foi dito mesmo, os homens se sentem superiores à ponto de acreditarem que as mulheres estão passando para eles olharem.

Gi disse...

Também acho que tem muito mais a ver com poder, mas existe uma coisa interessante nessa coisa de cantada e isso é o que eu penso: estar/ser/parecer gostosa, com carne envaidece algumas mulheres. E quando um homem repara e dá uma cantada dessas na rua (não tão agressiva) ou olha até o pescoço ficar duro acho saudável sim. Uma maneira masculina de expressar desejo por uma estranha na rua? Sim, mas perfeitamente saudável.

De resto, não suporto "reações Geisy/manadas", mas também deploro consideravelmente homens que lançam "olhares 43 estilo falsos", estilo "ai, meu Deus, que medinho, olha minha mulher aqui ao lado", e mesmo sem esposa, só rodeado de amigos o cara fica com aquela coisa hipócrita quando todos olharam. Tá, ele é o santinho envergonhado. Não creio muito. Acho normal um homem olhar fixamente uma mulher. E acho normal, talvez pela condição/educação, um operário lançar um "gostosa" e rir entre amigos e falar algo gracioso em seguida. Acho até ingênuo na classe mais baixa. Eu gosto, portanto, nessa parte não gostaria que alguma mulher "falasse por mim" generalizando. ;-)

lenra disse...

esse tema é sensível pra mim, tenho 24 anos, aos 15/16 eu ia pra escola a pé (e diga-se de passagem sempre usava jeans folgado e uma blusa do colégio gg que comprei errado rs) e infelizmente do caminho de casa à escola ia ouvindo grosserias que me faziam chorar, eu chegava tanto na escola quanto em casa chorando, eu me sentia um lixo cada vez que escutava 'cantadas' de homens que nem conhecia na rua. Pode parecer exagero chorar mas realmente as palavras eram muito vulgares e por mais que eu andasse rápido de cabeça baixa, séria os homens não tinham idéia de que eu não gostava daquilo.

resumindo odeio "cantadas".

Geovana disse...

Relmente, uma mulher não consegue aguardar um ônibus tranquila, se ela esperar ali uns 10 min, a cada minuto escutara uma buzinada e mtos gracinhas, pode estar vestida de moletom dois numeros acima do seu e a mesma coisa se repete. Agora, o interessante é observar a inversâo desses papéis, isto é, quando uma mulher diz as gracinhas. Esses dias esta assistindo um desses programas humoristicos bestas e a situação era esta... a inversão dos papéis em uma cantada, no meio de uma rua movimentada, durante o dia. Qual era a reação dos homens?? A grande maioria saia correndo, sendo que alguns ainda xingavam a mulher por esta fazendo esse papel.
Com certeza a cantada, as grosseiras são meras formas de alto afirmação masculina, e não as mulheres não gostam disso.

Dani disse...

e toda vez que eu vejo/ouço uma MULHER dizendo que põe uma minissaia e vai andar na frente de uma obra pra ouvir esses "elogios" pra "se sentir bem" eu penso que ela também está fazendo um desserviço às outras mulheres, porque encoraja esse comportamento babaca de muitos homens. não dá nem pra chamar essas grosserias de cantada, acho que a cantada genuina tem a intenção de ser correspondida, é uma aproximação mais sutil, e pode ser sim bem-vinda. mas um grito de "gostosa" não se encaixa nessa categoria.

uma coisa que eu adoro aqui na nova zelândia, onde moro há seis meses: as moças usam saias curtíssimas e NENHUM homem mexe com elas. e eu moro numa cidade em constante ventania, já vi muita calcinha na rua porque o vento levantou a saia. mas mesmo assim, os homens seguem suas vidas numa boa, respeitando a mulherada como deve ser.

Thiago Beleza disse...

Post Show.... Alívio por não pertencer a maioria dominante...rsr...

Dificil entender essa relação de poder maculino e de ódio quando não fao parte da máquina repressora...mas a @Aqueladeborah ta me ajudando....

Agora, só uma observação... me impressiona pessoas tão libertárias, livres de preconceitos como as frequentadoras desse blog, usarem sempre o argumento padrão do "PASSAR EM FRENTE A CONSTRUÇÃO"... Quem trabalha em construção é pedreiro, em sua maioria nordestinos, e todos pobres...
Relacionar cantadas a constuções, relaciona esta prática a clase social, nível de instrução e até região de origem...

o Único comentário sensato em relação a este ponto que eu li aqui, foi o do Bruno Stern, que afirma "que não há restrição de idade, classe social e lugar."

Esse tipo de relação é padrão.. Li um comentário que falava de "uns com cara de marginal".. como é a cara de um marginal? Preta? Suja? Roupa rasgada e cabelo despenteado? Bandido tem cara?

Lola, adoro seu blog, mesmo....mas confesso qeu essas opniões emitidas me emputecem...
é absurdo dizer que MULHER É ISSO OU AQUILO POR SER MULHER....agora, substitu a palavra mulher por pobre,e todos acham normal...

Poxa vida, ninguém merece né?

GiGi disse...

Alessandro,

Toda mulher gosta de ser apreciada e se sentir desejada. Hipocrisia dizer que não. No entanto, o problema está em COMO isso é feito.

O que acontece é que os homens em geral, com exceção de um ou outro, são extremamente invasivos. Não sabem olhar, não sabem apreciar. É como a Lola disse, eles acham que TODAS as mulheres gostam de grosserias e estupidez, o que não é verdade. Sim, há aquelas que gostam, mas como saber se não conhecer a mulher? Aí está.

É uma tremenda falta de respeito e caráter dizer baboseiras a qualquer um na rua, sendo homem, mulher, idoso ou criança, seja lá quem for. Afinal, não se conhece a pessoa, nunca se a viu na frente. Assim, por que dizer asneiras? Só para se provar superior? Se for este o motivo, melhor procurar tratamento psiquiátrico.

GiGi disse...

Thiago Beleza,

Interessante o ponto que vc tocou. Complemento com uma pequena e talvez polêmica observação.

Para muitas mulheres, o impacto causado por uma cantada (ou mesmo um olhar) de "pedreiro" é bem diferente do causado por uma cantada de um homem mais bem apessoado, por assim dizer. Ambas podem causar desconforto, mas a do pedreiro sempre ocasionará uma sensação pior, muito provavelmente pelos níveis social e educacional.

Ainda que muitas mulheres tornaram-se bastante seletivas, há aquelas que caem na lábia de um bonitão, por mais tosco que ele seja. Aí cria-se o mito de que mulher gosta de ser maltratada, pois por mais que o cara a trate mal ela permanece com ele por outros motivos, seja por sua boa aparência, seja por sua excelente condição financeira.

Bem, é isso que observo no meu dia-a-dia, estão livres para discordar!

Thiago Beleza disse...

Oi gigi... eu, pessoalmente concordo.. e acho que esta atitude também é fruto dessa dscriminação....

Como se condição social representasse o carater...

Luci disse...

gigi, eu nao concordo com voce quando voce diz que uma cantada de um pedreiro vai causar maior desconforto que uma cantada de um homem "mais bem apessoado"? fui cantada uma vez por um flanelinha. passei por ele no mesmo momento em que uma brisa levantou meu vestido. eu o segurei rapidamente (o vestido, nao o flanelinha heheh) e escutei do flanelinha "opa, segura esse vestido". mas ele disse isso sorrindo. dai eu ri tambem e fiquei vermelha depois. mas se chegasse um cara de terno e gravata e dissesse com a voz mais sebosa do mundo um "como voce estah linda hoje" com cara de quem quer me comer, eu teria muito nojo! e olha, a maioria das cantadas que levo nao sao de pessoas de classe baixa. eh de gente que faz faculdade mesmo, sabe, que recebe educacao de pai e de mae em casa. imbecilidade nao escolhe berco.

alessandro:

eu nao sei se voce foi ironico, mas pareceu bem inocente. obvio que voce pode olhar e paquerar a menina, mas nao precisa ser um animal quando faz isso (nao estou dizendo que voce o eh). nao custa nada ser gentil quando se aborda alguem, seja quem for, seja qual for o objetivo.

lola aronovich disse...

Ótimos comentários por aqui. Gostaria de ter tempo de respondê-los. Mas só uma rápida resposta ao Thiago: me incomoda sim que, às vezes, as críticas aos “operários da construção” tenha um caráter elitista e classista. Não acho que seja o caso nos comentários aqui (eu pelo menos não detectei nenhum preconceito de classe), mas é óbvio que isso existe. Só que acho que a gente fala tanto em “pessoal da construção” porque, em geral, os homens ficam mais corajosos para falar grosserias quando estão em grupo. Aí fica não só uma coisa de afirmação, mas de competição, de ver quem choca mais, quem é mais criativo. E a mulher que é o alvo, pra variar, não tem a menor importância. O importante é o grupo, e como atazanar alguém fora do grupo (uma mulher) unifica o grupo (de homens). E, no dia a dia, é mais comum pras mulheres encontrarem grupos de homens na rua ao passar por uma construção. Ou por um barzinho com mesas na calçada (e aí, de qualquer nível social). Digamos assim, grupos de homens na rua são de uma classe social mais baixa. Os de classe mais alta costumam andar de carro (e buzinam pras mulheres, os infelizes). O fato é que boa parte dos homens (de qualquer classe social) dizem grosserias para as mulheres. No caso dos operários, é a chance de um homem de classe baixa lembrar quem manda. Quer dizer, operários numa construção vão “cantar” mulheres de qualquer classe social, assim como grupinhos de playboys farão o mesmo. Mas sinto que há um sentimento (talvez inconsciente) de alguém de classe baixa dizer pra alguém de classe alta (uma executiva, por exemplo) que, apesar d'ela ganhar mais, ele, por ser homem, continua tendo poder de avaliá-la e, inclusive, de ameaçá-la.
Agora vou voltar correndo ao trabalho.

Letícia disse...

Tiago- Uma parte do seu post me chamou atenção,não tem exatamente a ver com o texto da Lola, mas acho que vale a opnião:

"Esse tipo de relação é padrão.. Li um comentário que falava de "uns com cara de marginal".. como é a cara de um marginal? Preta? Suja? Roupa rasgada e cabelo despenteado? Bandido tem cara?"

Infelizmente bandido tem cara sim. Pelo menos se a gente levar em conta os crimes padrões que representam 90% dos processos judiciais(roubo, furto e tráfico, no grosso).
Vc deve saber que aprox. 95% da população carcerária no país é parda/negra, pobre,homem e jovem (até 30 anos).
Isso é preconceito? Não. O fato de a população negra e pobre ser a maior parte dos presidários não nos diz que são piores pessoas que o resto da sociedade, apenas diz que este grupo, por vários motivos, cometem mais crime. Com certeza tem muito mais a ver com o contexto social em que se vive quando se é negro e pobre, e não com o fato de se-lô.
Exemplificando denovo, a maior parte dos que cometem crimes de colarinhos branco são homens brancos e com poder. É um preconceito isso? Certamente não. É um fato muito mais ligado ao fato de que, por exemplo, as mulheres quase não tem acesso aos cargos de poder e portanto proporcionalmente cometem muito menos este crime.
Enfim, é um retrato da sociedade, esta sim MUITO preconceituosa e elitista, que separa as pessoas por castas e impede a mobiliddae social.

Mas dizer que 'bandido' não tem cara é hipócrita e irreal.

Bandido tem cara e tem perfil(Mais um exemplo, boa parte dos estelionatários tem bom indice de estudo e poder aquisitivo melhor que os demais criminosos).

E não se esqueça que a execeção não faz a regra, é claro que existem mulheres brancas de classe média assaltantes, mas justamente por ser a execeção chama tanto a atenção.

Thiago Beleza disse...

Leticia... esses dados são de onde??? da veja???

O fato de a maioria dos criminosos CONDENADOS serem negros, mostra que o sistema é injusto, e não que negros são mais propensos ao crime....

hipocrisia não é dizer que marginal não tem cara, é dizer exatamente o contrário....

os que espancaram a empregada, não eram negros e nem pobres...tampouco os que queimaram o indio galino, ou os que mataram os pais, ou foram recentemente condenados por matar a filha....

nunca passou pela sua cabeça que sempre são condenaods por seus crimes aqueles que não podem pagar pra dobrar a justiça???

sua opnião demonstra má-fé, pela analise de dados para provar sua teoria, deixando de lado uma análise historica do problema... ou, no mínimo ignorancia total... uma visão de quem esta por fora....

li no twitter da marjorie hj que com gente que diz que o céu é verde, a gente não discute, pq legitima a babaquice...gente que diz que o céu é verde, a gente expõe o ridículo.. não debate... não há argumentos que contrariem ou modifiquem essa visão limitada de um problema social tão complexo... pra vc, do alto de sua arrogância, recusa-se a enxergar a realidade a apóia-se no discurso dominante....

meu pai sempre me diz, que é melhor ficar quieto e fazer os outros pensarem que voce é um idiota do que abrir a boca e fazer os outros terem certeza

Thiago Beleza disse...

Lolinha querida... prometo não tocar mais no assunto nessa postagem... ta desviando o assunto principal, que é uma discussão super necessária...

mas gostaria de sugerir.. que tal uma postagem sobre o assunto???

sei que anda sem temp, mas no meu blog tem varias postagens a respeito dessa discriminação contra os mais pobres....se quiser dar uma olhada....seria um privilégio...

até a proxima visita

Aline Schmitt disse...

Só pra constar... a única cantada que eu recebi na rua que não me ofendeu, partiu de um trabalhador de construção.
Eu passava pela calçada, distraída, tomando um sorvete e ele cantarolou: "Você é linda/mais que demais..." Talvez por não forçar uma resposta, uma interação. Então eu sorri e segui o meu caminho numa boa.

Letícia disse...

Thiago- Qto as fontes primeramente peço desculpa estou sem tempo de te listar, mas se vc tive rinteresse pode ver que no os indices são sim mais ou menos estes, por pesquisas e censos de algumas instituições das mais sérias. Não sei pra vc, já que citou, mas Veja pra mim não é fonte.



"O fato de a maioria dos criminosos CONDENADOS serem negros, mostra que o sistema é injusto,"

Eu não disse condenado, disse presidiários(oq é bem diferente, mais uma vez cito percentagens 60% dos presos são provisórios). E sim o sistema é injusto. Sequer quero entrar nest mérito pq a discussão é longa e foge do que coloquei aqui.
"
e não que negros são mais propensos ao crime...."

Por favor releia meu texto com menos paixão, e vc vai ver que eu NUNCA disse isso,aliás muito pelo contrário eu disse:

""O fato de a população negra e pobre ser a maior parte dos presidários não nos diz que são piores pessoas que o resto da sociedade, apenas diz que este grupo, por vários motivos, cometem mais crime. Com certeza tem muito mais a ver com o contexto social em que se vive quando se é negro e pobre, e não com o fato de se-lô.""


Eu NÂO disse que os negros são propensos ao crime, por serem negros,seria ridiculo e xenofobo. Eu disse que a população negra por se encontrar em 'população de risco' (entenda-se mais pobre e negligenciada que a população branca acaba por cometer mais crimes). E ainda frizei que estou me referindo a alguns TIPOS de crime,e não todos por razões óbvias, que são em geral crime de pobre como: tráfico , roubo e furto.

Ou vc acha que rico fica na beirada no morro vendendo pedra? Que rico põe a mão e arma e vai roubar um celular pra vender por 30 reais?Se rico for traficante vai ser aquele que financia, e que é pego um a cada 20 anos. Se rico for ladrão vai ser de milhões em alguma falcatrua.
E estes meu amigo NÂO vão pra cadeia, pq crime que dá cadeia no Brasil são crimes de pobre: tráfico, roubo e etc.(EM GERAL, nunca se esqueça que eu estou falando do geral da maioria e não da minoria) estes que eu coloquei aí em cima.



"os que espancaram a empregada, não eram negros e nem pobres...tampouco os que queimaram o indio galino, ou os que mataram os pais, ou foram recentemente condenados por matar a filha...."

Como eu já tinha antecipado que vc faria, isso é execeção por isso horrorizam tanto. A classe média não tem MOTE pra cometer crimes como os que levam a classe pobre a cometer. Essas pessoas que vc citou são crueis e horriveis, gente que existe em toda classe social e NÂO representam a população carcerária, que como eu te disse é feita em sua maioria por pessoas que cometem outros tipos de crime.

"nunca passou pela sua cabeça que sempre são condenaods por seus crimes aqueles que não podem pagar pra dobrar a justiça??? "

Nem quero entrar neste mérito, mas no Brasil além de termos a Defensoria Pública(que é composta por pessoas muito bem preparadasem sua maioria) os juízes tb são em sua maioria MUITO honestos, e não estão vinculados a acusação. Erros judiciais, e injustiças acontecem, mas são como eu disse EXECEÇÃO e por isso mesmo chocam e não confirmam a regra.

Letícia disse...

"nunca passou pela sua cabeça que sempre são condenaods por seus crimes aqueles que não podem pagar pra dobrar a justiça??? "

Nem quero entrar neste mérito, mas no Brasil além de termos a Defensoria Pública(que é composta por pessoas muito bem preparadasem sua maioria) os juízes tb são em sua maioria MUITO honestos, e não estão vinculados a acusação. Erros judiciais, e injustiças acontecem, mas são como eu disse EXECEÇÃO e por isso mesmo chocam e não confirmam a regra.

"sua opnião demonstra má-fé, pela analise de dados para provar sua teoria, deixando de lado uma análise historica do problema... ou, no mínimo ignorancia total... uma visão de quem esta por fora...."

É bem provável que eu esteja muito mais por dentro do que vc, já que além de advogada, fui estagiária de Defensoria pública Criminal por 2 anos, e devo ter atuado em mais de 200 processos. Conheci MUITOS presidiários e seus familiares.

"li no twitter da marjorie hj que com gente que diz que o céu é verde, a gente não discute, pq legitima a babaquice...gente que diz que o céu é verde, a gente expõe o ridículo.. não debate... não há argumentos que contrariem ou modifiquem essa visão limitada de um problema social tão complexo... pra vc, do alto de sua arrogância, recusa-se a enxergar a realidade a apóia-se no discurso dominante....

meu pai sempre me diz, que é melhor ficar quieto e fazer os outros pensarem que voce é um idiota do que abrir a boca e fazer os outros terem certeza"

Bom aqui vc se limita a me ofender com argumentos ad hominem. e pressuposições completamente sem fundamento.
Uma pena, já que eu em momento nenhum ataquei diretamente vc, e sim seu ARGUMENTO. Eu disse que o seu argumento/ afirmação era hipócrita e apenas isso.


E por fim só pra deixar beeem claro: no texto eu me refiro ao do fato óbvio que a maior parte dos pobres do nosso país são negros, por vários motivos: preconceito remanescente, escravidão e etc. E não quero dizer que os negros são incompetentes ou qualquer coisa qu eo valha.

Sabe Thiago nem todo mundo que discorda de vc é 'mauzinho'.
No ultimo parágrafo vc se utilizou de umas 15 expressões que JAMAIS serviriam pra me descrever.

Thiago Beleza disse...

Leticia, querida.... julgo ma fé, a análise tando de forma bizarra, apenas pra provar suas teorias.

É fácil pra vc, que nunca apanhou da polícia, nunca sofreu qqr tipo de discriminação pelo numero de digitos no seu holerith ou pela cor, dizer que eu sou hipócrita. è muito fácil, do alto de]a sua torre de marfim, olhar pros plebeus aqui em baixo, analisar os NÚMEROS e bater o martelo.

Dizer que criminoso tem cara de pobre, negro, favelado?

Sobre seu trabalho,alguma vez vc ja precisou da defensoria pública? Imaginoi que não... senão ia entender como as coisa funcionam...Imagino que qdo eu reclamar da saúde, vc vá dizer que existem hospitais públicos... e da educação , qu existem escolas públicas....

Hipocrisia é achar mesmo que entende da dinâmica da violência por ser advogada. Acredite, todas as teorias que vc leu, eu VI....beeeem de perto....

Você passou pela defensoria, cuidou de mais de 20 processos e ainda assim, presidiarios são só numero pra vc....

Sobre a paixão, isso é o qu eu menos carrego, pode acreditar....não é paixão.. é odio....

Seu raciocínio justifica a violência desmedida contra os mais pobres.. mas foda-se certo? Descendente de europeus, narizinho empinado, filha de empresário.. magina que vc vá se preocupar....

Hipocrisia é dizer que classe média qdo comete crime é exceção, pobre qdo comete crime, é regra....

Escrevi no meu blog, um post só pra vc, se quiser, continuamos a discusão por la...


http://memoriaindividual.wordpress.com/2010/05/12/mais-pensamentos-soltos-sobre-a-discriminacao/

Letícia disse...

Thiago- Olha numa boa não dá pra 'conversar' com vc. Vc se limitou a me agredir gratuitamente e dizer coisas que não tem contexto nenhum com oq estavamos debatendo. Como eu não pretendo levar a discussão por este lado(agressão pessoal) eu paro por aqui.

Só pra constar eu não tenho ascendencia Európeia e muito menos meus pais são empresários. Muito pelo contrário BTW. Sou descendente de nordestinos e brasileiros de São Paulo mesmo. E tanto meu pai como minha mãe já passaram até fome, minha mãe já até pegou comida no lixão...
Eu felismente não passei pos isso. Sou realmente privilegiada e sei disso.

MAS, e se assim não fosse, que deferença faria oq eu disse?
Vc desqualifica a pessoa e não o argumento, oq é uma pena.
E EU que sou arrogante, e que olho por cima de uma torre de marfim?

Encerro por aqui.

Thiago Beleza disse...

Bom dia pra vc, advogada, q acha que sua profissão lhe da a sabedoria universal pra reconhecer um criminoso só de olhar....


Saiba que eu sou professor, e convivo com o seu "bandido em potencial" 20 anos antes dele chegar a suas mãos... Quem conhece mais a história do meliante?

Ricardo disse...

Oi, Lola!
Gostaria de sugerir um assunto pro seu blog.
Estou em meio a uma discussão com amigos a respeito de como a sociedade encara e como deveria encarar (tanto os machistas como feministas) as diferenças entre os sexos.
Tudo começou com uma página de humor que desembocava no seguinte artigo:
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/17924523
Resumindo (muito) meu ponto de vista: Podem haver diferenças, mas as diferenças não justificam as barbaridades ou, mesmo, coisas mais "inofensivas" que vemos as pessoas fazerem.

Márcia disse...

Já que quem utilizou a expressão "cara de marginal" fui eu, vou esclarecer.

"Cara de marginal" quis dizer sujeito que dá a impressão que me daria um porrada se eu respondesse, gente com cara de mau, sabe, que faz uma merda e depois faz aquela cara de ameaça se alguém contrariar, tipo que vai bater mesmo. Coisa bem comum entre alguns homens, fazem ou falam merd... e depois se incham como sapo cururus.

Me dei o direito de chamar de marginal sim, isso, pra mim, nao é atitude urbana, civilizada, e a gente vê aos montes por aí.

fmoreirat disse...

Oi, é o thiago beleza....

http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2010/05/comandante-do-bope-diz-que-policial-errou-mas-que-situacao-era-de-risco.html

Bom, só passei pra postar essa notícia....Nossa amiga, advogada, conhecedora das causas da violência contra pobres talvez precise se informar um pouco mais pra saber que a idéia de uqe BANDIDO TEM CARA SIM gera este tipo de ação...

Direitos humanos? Pra quem?

Iso não foi acidente, foi execução...

novavidanovelhomundo disse...

Lola, esse teu post é antigo mas eu unca esqueci dele. Aiás, parece que foi ontem que tu escreveu, lembrava muito bem dele. Acontece que voltei a morar no Brasil depois de um tempinho na Suécia e estou horrorizada com esse comportamento do homem brasileiro, me sentindo sem privacidade na rua. Tendo isso dito, vim avisar (já que não deves ter tempo pra responder a tantos comentários, principalmente antigos) que vou colocar o link dele num post que estou escrevendo. Qualquer coisa contra é só avisar. Beijos e bom final de semana.

Dona Flor disse...

Eu uso é roupa apertada msm, e saiu preparada pra guerra (um guarda-chuva em riste, chave pronta pra espetar, corpo eriçado, pronta pra correr tbm), e eles sentem o cheiro disso, tanto q os mais corajosos só aparecem qdo eu tô andando distraída (doente ou deprê).

E cá pra nós, não é muito diferente da forma como eles andam não. Um homem pode andar desarmado, sem documento e solitário, mas não anda distraído, pelo contrário, a maioria anda muitíssimo alerta.

Tente pegar um amigo e uma amiga no susto na rua: bem mais fácil com ela q com ele.

GuerrEiro Maraca disse...

Gostei do post, Lola.De fato tem muito idiota que infelizmente acha que ser macho é faltar com o respeito e acredir psiquicamente as mulheres.Quando minha mulher tá comigo,não sei pq, ninguém a importuna.Adoraria moer na porrada um vagabundo desses,mas eles são tão covardes que coagem as mulheres quando estão só. Aqui em Recife o pessoal não canta muito as mulheres pq geralmente isso dá em morte.Soltar cantada p mulher de bandido ou pm é problema certo.

luana disse...


Lola,depende da cantada e da pessoa.Se eu ouvir uma cantada do tipo gatinha,lindinha entre outros elogios, eu gosto.Mas se eu ouvir uma cantada grosseira é claro que eu não vou gostar.Mas confesso que tenho receio de responder até as cantadas educadas,num país machista como o nosso quando tranzamos com alguem nunca sabemos se vamos ser respeitadas ou desvalorizadas.

Patty Kirsche disse...

Poxa, eu tinha 10 anos quando os caras começaram a mexer comigo e/ou com minha mãe pra me atingir. Sabe, não tem essa de que não é agressão. É violência de gênero sim. Eu nunca vi uma mulher adulta chamar o pai dum moleque de 10 anos de sogro. Mas com minha mãe, isso vivia acontecendo. Homem barbado a chamava de sogra quando estávamos andando juntas pela rua. É lógico que isso não é uma gentileza. Isso é pra mostrar pra menina qual o lugar dela na sociedade desde que ela está entrando na puberdade. Funciona como o estupro porque controla o comportamento feminino.

Jessica disse...

Primeiramente: como é bom saber que você gosta de Six Feet Under, Lola, essa também é uma das minhas séries preferidas. Cantadas de rua sempre me deixaram com muito nojo. Esses tempos encontrei minha tia na rua e ela reclamou que eu ando de cabeça baixa. Pensando agora pode ser um reflexo dessas grosserias na rua que tanto ouvimos. Tu passa com a cabeça baixa pra chamar o menos possível de atenção, mas quem disse? Isso quando não passam a mão, algo que aconteceu comigo duas vezes. Na segunda, eu berrei de tanta raiva, mas era noite e o corredor de ônibus estava vazio. Como alguém pode achar que isso deixa uma mulher feliz? É uma agressão, é como se estivéssemos nuas em praça pública, sei lá.

Enfim, isso prejudica ambos gêneros. Nós porque somos agredidas e reproduzimos esteriótipos, como vc bem disse, em relação aos homens. E eles porque reproduzem essas atitudes achando que estão sendo machos e viris.

Mauren Pinho disse...

Morei a vida toda em uma cidade do interior do RS chamada Rio Grande. Desde que me conheço por gente, estou acostumada a baixar a cabeça e encolher o corpo sempre que passo por grupos formados por pelo menos dois ou três homens na rua. É como se eu quisesse sumir, passar sem ser vista por ninguém nesse momento, esconder qualquer parte do meu corpo que possa ser alvo de uma cantada (e isso que nunca fui de usar poucas roupas ou roupas curtas, vale ressaltar já que para muitos as nossas roupas são o motivo de recebermos cantadas).

Complicado crescer e perceber que me obriguei a ter esse comportamento desde jovem por perceber essa realidade em que homens vomitam "elogios" por cima da gente enquanto passamos na rua...

Aline Gonçalves disse...

Mais que um Post feminista, um Post FEMININO.

Aline Gonçalves disse...

Muito bom. Eu costumava ouvir besteiras de um babaca sempre que ia levar meus irmãos p escola . Tinha uns 18 anos na época. Um dia, cansada de ouvir a voz nojenta desse cara olhei pra cara dele e falei em alto e bom som: PALHAÇO. O cara arregalou os olhos, ficou branco e nunca mais falou nada p mim.

Aline Gonçalves disse...

Vc é burro mesmo ou só se faz?