sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

"SOFRI ABUSO DE UM PROFESSOR GAY DENTRO DA UNIVERSIDADE PÚBLICA"

Semana passada, quando os detalhes do assédio sexual e moral de Marcius Melhem com Dani Calabresa e outras atrizes ficaram mais conhecidos, muita gente compartilhou no Twitter pedacinhos dos seus próprios dramas. 

Pedi pra Cristiane Viriato contar o seu, já que os personagens não são aqueles de sempre. 

Eu sempre me considerei uma mulher forte, determinada, pronta para não levar nenhum desaforo para casa. A minha voz condiz com o meu temperamento, um tanto quanto grave, e sempre objetiva. 

A minha estatura não é considerada baixa, os adjetivos que normalmente me atribuem não são pela minha delicadeza, eu não sou do tipo que é lido como frágil. Olhando para essa minha descrição, pareço um perfil praticamente imune a abusadores, certo? Errado. Aprendi que para um abuso acontecer só é preciso de algo que independe do perfil da vítima. Só é preciso uma relação de poder.   

Uma vez estabelecida esta relação o abusador pode ter muitas faces, e o que eu posso te afirmar é que ele, o abusador, vai te surpreender. Ouvindo e lendo sobre relatos de outras vítimas, chegaremos à conclusão de que o abuso sempre vem de onde menos se espera. E de que ninguém, absolutamente ninguém olha para alguém e diz "Nossa, esse(a) tem cara de abusador, deixa eu me jogar ali para eu me f'*der um pouquinho". 

Parece óbvio mas não custa lembrar que a vítima é uma vítima, mas infelizmente não estamos livres de julgamentos e nem da soberba de quem diz "Ah, isso nunca aconteceria comigo", e para estes soberbos eu deixo a pergunta -- será?

Eu sofri abuso de um professor assumidamente homossexual dentro de uma universidade pública.

Em 2018 eu era aluna da UFPB (Universidade Federal da Paraíba), as coisas iam muito mal, eu morava em uma cidadezinha do interior, onde ficava o meu campus. A cidade não nos dava a possibilidade de trabalho e as que apareciam (o que era raro, muito raro, entenda como impossível) eram desumanas, o que nos fazia depender cem por cento da universidade para estágio remunerado, bolsas, ou mesmo comer no restaurante universitário. O Brasil tinha sofrido um golpe, e o presidente naquele momento se tornou presidente de forma questionável, o nordeste não aceitou o golpe e a região passou a sofrer sanções do Governo Federal, o que resultou na diminuição de verbas. Nós alunos sentimos isso na pele, ou melhor, no estômago. Nós chamávamos a universidade de universidade da fome. E pra piorar ainda tínhamos mais dois problemas: a escassez de água, ou a água marrom que saía pela torneira quando a tínhamos.  

A minha alimentação nessa época se resumia a uma única refeição provinda do restaurante universitário, que eu dividia em duas para ter o que jantar à noite. Eu dormia e acordava clamando a Deus por uma oportunidade de trabalho dentro da própria universidade. Eu não posso dizer que fui atendida, mas a oportunidade veio. Um professor divulgou nas salas que algumas vagas para um de seus projetos estaria disponível e deu instruções de como aplicar para elas. Eu me esforcei muito, me preparei, e apliquei para uma delas. Logo depois da minha apresentação recebi os parabéns de alguns professores e de alguns estudantes lá presentes. Saí da sala confiante, mesmo depois de ouvir do professor de que ele precisaria pensar.      

As semanas foram passando e eu comecei a ficar muito ansiosa já que a resposta não vinha. Em uma das aulas dele eu perguntei se ele já tinha se decidido, e ele me disse que ainda estava pensando, mas precisava do meu telefone, eu dei, e então levou mais umas duas semanas e duas ligações para que ele se decidisse. Durante as ligações ele me pedia razões para ele se decidir por mim como bolsista e me lembrava de que o outro candidato também tinha ido bem e se eu não achava que ele era quem merecia. Esse foi o primeiro jogo dele comigo. Me abri completamente com ele e disse que eu precisava da bolsa porque nem o que comer eu tinha, e voltar para minha cidade natal não era uma opção, já que eu odeio o companheiro da minha mãe. E no mesmo dia ele me elegeu bolsista.  

Assinados os papéis, eu recebi o calendário do projeto e vi que o calendário dele não batia com o da universidade, já que não tinha férias. Em julho eu sempre vinha para a Dinamarca ver o meu namorado na época, hoje meu marido. Comentei com os meus colegas de projeto e eles disseram que o professor era tão legal que eu não tinha com o que me preocupar. Finalmente, eu comecei a me sentir feliz e segura, o meu rendimento acadêmico melhorou, fiz mais amigos. Decidi contar a novidade para uma das minhas amigas. Ela não esboçou nenhuma alegria, só me mandou ter muito cuidado, já que o professor tinha fama de ser perigoso e era chamado pelas costas de ALMA SEBOSA.  

No segundo jogo psicológico, ele me disse que era para eu ficar com o meu telefone que ele me ligaria no horário de almoço, o que não ocorreu. Então ele  me disse que o meu telefone estaria com algum problema. Foi o suficiente para eu ficar grudada com o meu telefone e disponível. Ele passou a me ligar durante o meu almoço, enquanto eu comia. E de repente eu já sentia que eu não fazia mais nada da minha vida, eu era só funcionária dele. Na disciplina dele eu tive um problema de grupo, de cinco só eu e mais uma fazíamos o trabalho. Eu estava sobrecarregada, pedi ajuda a ele, e o que ele fez foi dividir o grupo, dar outros capítulos para elas e me deixar sozinha me dizendo "você já não fez tudo praticamente sozinha? Então termina." Eu terminei.  

Terceiro jogo psicológico, ele marcou uma reunião e me disse por telefone para não sair do escritório enquanto ele não chegasse, o que me fez segurar um xixi por cerca de uma hora e meia, contando o atraso dele e a reunião. Quando eu finalmente fui ao banheiro eu já senti um pouco de dor, mas nem se compararia ao que me esperava no outro dia. Eu acordei com uma infecção urinária terrível acompanhada de febre e vômito. Mandei mensagem avisando que não estava bem e ele me desafiou dizendo que eu não estava dando conta e que havia se arrependido de ter me escolhido. Fui para a aula assim mesmo, as pessoas em grupos de cinco, e eu sozinha apresentei o meu trabalho passando mal. Ele nem precisava me dizer que a minha apresentação foi horrível, eu já sabia, mas ele fez questão assim mesmo.

Nisso, ele ainda teve a brilhante ideia de criar um grupo chamado "Gaiola das Loucas", criado com o propósito de compartilhar pornografia. Quando eu vi o nome e o conteúdo cheguei a perguntar se ele não tinha me colocado no grupo errado e ele me disse que não, aquele grupo era só para os íntimos. Vi que tinha uns colegas de projeto lá também. Nosso relacionamento com ele era como o de uma seita, nós éramos chamados de discípulos, estávamos também em um grupo com esse mesmo nome. Ele nos comprava com que a universidade da fome nos negava, onde ele estava tinha muita comida, e assim eu ia aguentando dia após dia. Os dias, meses, foram passando e eu precisei conversar com ele sobre a minha viagem de férias. E assim começou o nosso quarto e penúltimo jogo.   

Assim que eu o avisei sobre a minha passagem já comprada e perguntei o que nós poderíamos fazer quanto a isso, ele imediatamente passou a me chamar de mentirosa e decidiu ali que esse seria o meu nome a partir daquele momento. Era muito agressivo, eu me sentia mal e ridicularizada, pra quem olhava de fora parecia, sei lá, uma brincadeira que ele estava fazendo comigo. Enquanto me chamava de mentirosa ele comentava com as pessoas que eu menti sobre a viagem para ficar com a bolsa. Por causa da infecção urinária eu estava tomando antibióticos. Nós, os discípulos, estávamos em uma festa de São João dentro da universidade com professores e funcionários, os meus colegas estavam bebendo e ele percebendo que eu não estava bebendo me perguntou a razão. Eu o lembrei de que eu estava tomando antibióticos, ele então começou a tentar me convencer a beber, mas eu estava irredutível, até que ele se sentou no meu colo e colocou um copo de shot na minha boca me fazendo virar uma dose de cachaça.  

Eu encarei aquela festa como uma despedida. Enquanto eu o ouvia combinar uma ida a um lugar onde pessoas dançavam sem roupa em troca de dinheiro com os outros discípulos, eu nem esperei chegar em casa para começar a me sentir triste. Eu queria chorar ali mesmo, mas me controlei. Após essa festa eu mudei, o que fez com que os insultos se tornassem ainda mais agressivos. Em seu último jogo, após tentar me obrigar a remarcar a minha viagem, ele me mandou escolher entre o projeto e meu namorado. Isso foi, além de baixo, ridículo. Respondi o óbvio e ele no ápice de sua ira me fez ameaças, disse que além de sujar o meu nome na universidade, iria fazer com que nenhum professor quisesse mais trabalhar comigo. Como ele não parava de me enviar mensagens, eu o bloqueei em todas as redes sociais e nunca mais falei com ele. Todos os meus colegas de projeto pararam de falar comigo. Em novembro de 2019 o perfil da UFPB do projeto dele que eu fui bolsista comentou com o emoji gargalhando em uma das minhas fotos, o que me deixou com a sensação de que ele queria que eu soubesse que ele ainda me stalkeia. 

Quanto à denúncia, o curso teve uma mudança de coordenação bem durante esse período. Mudou da liderança de uma professora muito querida para uma que eu mal conhecia. Eu pedi aconselhamento para essa primeira professora que mencionei, ela me aconselhou a procurar a nova coordenadora. Conversando com ela, e com outros alunos de períodos acima, eu soube que eu não fui a primeira. Ele tem até modus operandi, e abusa sempre do mesmo perfil: mulheres desamparadas. 

Já da coordenação eu não recebi nenhum suporte, nem emocional. Só ouvi  dela: "ele é concursado, você é aluna, amanhã você sai da universidade e eu vou continuar trabalhando com ele." Ela me aconselhou a denunciar na UFPB sede, ali eu já soube que não daria em nada. E foi assim que eu abandonei o meu curso.

23 comentários:

Anônimo disse...

Nossa, que história horrível. Histórias similares na universidade em que estudei. Professores e funcionários com esse perfil, que se aproveitam de mulheres em situação de fragilidade econômica e emocional. Embora em menor proporção, pois não fui agredida verbalmente nem fisicamente, infelizmente tive que lidar com um desses tipos quando fui estudante de pós graduação lá, na década passada. Um outro tempo, ninguém falava sobre isso, ninguém denunciava e passava batido e assim a vida seguia. Soube recentemente que esse indivíduo hoje está sendo processado por assédio sexual, por uma estudante. Força para você, espero que vc se recupere e consiga seguir em frente.

Anônimo disse...

Lamentável o que a estudante da federal da Paraíba passou, abusos físicos, psicológicos e pior assédio moral no ambiente de trabalho com a alma sebosa do professor, eu sei o que é assédio moral, pois passei por isso é até relatei no blog da Lola. Força moça, não desista de seus objetivos, quem perdeu foi a UFPB, existem no Brasil e no mundo universidades conceituadas e haverá respeito, oportunidades para uma mulher esforçada, batalhadora como você.

Anônimo disse...

Caraca. Um dos piores casos de asseio moral que eu ia vi. Na torcida para que esse canalha misógino e covarde pague pelo que fez com ela e com as outras vítimas.

Beth disse...

Que pena que esse escroto não teve nenhuma punição... Que horror! Como tem psicopata por aí... Prazer em torturador, humilhar...

Anônimo disse...

Tô lendo e relendo e me perguntando se me falta empatia... Sinceramente, estava no contrato bem claro que não haveria férias, o calendário do trabalho era diferente do da faculdade... Passa fome mas vai pra Dinamarca? Qd eu passei fome na faculdade pesava 42 kg e não conseguia pagar o ônibus. Sei lá, acho que o problema hoje sou eu mas ficou bem estranho de se entender pra mim ficou

Lara disse...

Por isso eu digo, o problema não é só os mascu: homem de direita, esquerda, branco, preto, hétero, gay, rico, pobre... pode ser assediador, a mulher tem que ter dois pés atrás qdo for interagir com qualquer homem.

Anônimo disse...

Sou obrigada a concordar contigo quanto a viagem para a Dinamarca, pois eu passei dificuldades na minha vida, fome não, pois seria hipocrisia da minha parte afirmar isso, mas durante anos entre a adolescência e começo da vida adulta devido a viuvez de minha mãe e o salário mínimo ganho no trabalho comíamos arroz e feijão quase todos os dias sem tempero, apenas com água e sal para pagar as contas, inclusive aos finais de semana, café da manhã? Era feita uma mistura de um pouco de farinha de trigo com água e sal, colocávamos em uma frigideira, evitava usar forno para economizar no gás. Os meus irmãos às vezes eram mandados para a casa dos meus avós por serem crianças, pois pediam pão, frutas e nem sempre dava para fazer algo em casa a lembrar pão ou tinha algum dinheiro para a xepa da feira. A moça passou por assédio moral e isso é horrível, mas faltou explicar sobre a passagem comprada para a Dinamarca.

Anônimo disse...

Passagem comprada pelo namorado, talvez.

Anônimo disse...

Mesmo que o namorado tenha pago a passagem, esta história ficou muito estranha mesmo.
A moça estava morrendo de fome, mas foi passar férias na Dinamarca?!
Eu não duvido desta denuncia de assédio, pois isso acontece mesmo, não só no ambiente acadêmico, mas também nas empresas.
Quem já trabalhou em ambiente corporativo sabe que tudo isso acontece: assédio, perseguições, humilhações, rasteiras e "pudada a de tapete" tanto dos chefes quando dos colegas em lateralidade.
Eu trabalho há 23 anos em empresas, e ja vi tudo isso acontecer, e também já sofri tudo isso.
Infelizmente esse papel de assediador não é uma característica exclusivamente masculina. Muitas mulheres quando alcançam um cargo de chefia agem exatamente da mesma forma! E nem precisa chegar ao cargo de chefe. Ja vi colegas do mesmo cargo é função "puxarem o tapete" dos outros pra pisar em cima e subir na empresa.
Eu mesma já sofri isso.
Minha maior lição nestes anos todos de trabalho em ambiente corporativo é:
NÃO DÁ PRA CONFIAR EM NINGUEM!!!
Nem em homens nem em mulheres, nem em gays nem em heteros, nem em chefes nem em colegas ou subordinados.
No ambiente corporativo não existe amizade, apenas interesses. É uma selva! Todo mundo pode ser um traidor e/ou um assediador em potencial!

Anônimo disse...

Eu tb já fui vítima de abusos através de pessoas que deveriam ser consideradas 'progressistas', isso desde a minha infância. Desde homens negros (eu sendo negra), a pai esquerdista, da mãe (negra como eu e só um pouco mais clara que eu), avó e tia machistas. Sem contar com bullying na escola e pessoas altamente egoístas na faculdade de psicologia (sendo muita dessa gente negra como e militante esquerdista). Todo esse mal causou um grande estrago na minha vida. Infelizmente é assim, gente ruim tem em tudo quanto é lugar e de todo jeito, mas a gente se sente muito pior quando vem de 'minorias' como a gente.

Jane Doe disse...

Eu já cansei de falar: ser gay/mulher/negro/pobre ou qualquer outra minoria não torna ninguém santo. A falta de caráter é uma falha humana grave independente gênero, credo, cor, sexualidade ou orientação política e JAMAIS deveria ser usado como atenuante/justificativa para as barbaridades que fazem.

Anônimo disse...

Achei esse relato um tanto quanto homofóbico.

Anônimo disse...

"Achei esse relato um tanto quanto homofóbico."

Sim, se fosse hétero ela só falaria "um professor"... quando fala "aquele/o/um negro" é racismo, porque quando fala "aquele/o/um gay" não é homofobia?

Anônimo disse...

Quanto ao assédio, totalmente revoltante.
Agora, passava fome, mas ia todo ano pra Dinamarca?
Oi???

Anônimo disse...

Penso que devemos ter muita cautela ao usar a palavra abuso, principalmente em respeito as vítimas. O que houve no relato foi assédio moral, coisa que condeno, mas não um abuso.
A moça leu no contrato que não haveria férias do trabalho com a da faculdade e mesmo assim comprou passagens pra Dinamarca sem antes consultar se realmente seria liberada. Ficou presa sem poder sair de uma sala ou ele pediu q esperasse seu retorno no local de trabalho? Ir ao banheiro é continuar no local... ficou confuso
De toda forma sinto muito pelo o que ela passou, lamentável esse tipo de assédio.

Anônimo disse...

E eu, que recentemente, sofri assédio moral da minha chefe? Pois é, se diz esclarecida, mas, transformou minha vida num inferno. Relacionamento abusivo. Não importa o gênero, a posição de poder dá asas para gente desse tipo.

Cristiane Viriato disse...

Eu pedi para que a Lola publicasse com meu nome e sobrenome por que eu imaginei que quem escolhesse ficar do lado do agressor (por incrível que pareça sempre tem) poderia ter esse tipo de questionamento, ou até mesmo duvidar que a pessoa do relato exista. Eu existo. E se te conforta eu pesava 49 kg nessa época. E sim, quem pagou a minha passagem foi o meu namorado, que hoje é meu marido. Por isso eu vinha para a Dinamarca e por esses mesmo motivo hoje eu moro aqui. Você deve saber, porém não custa lembrar que namoro não é estado civil, é apenas um estado emocional, então ele não tinha a obrigação de pagar meu aluguel ou me alimentar. Eu sabia que essa era responsabilidade minha como sempre foi na maior parte da minha vida. E Naquela época o meu marido também era estudante e nós não tínhamos dinheiro como temos hoje. Mas já que você não conseguiu sentir empatia por mim porquê por eu vir para Europa, sinta quem sabe pelas outras vítimas dele já que eu não fui a primeira.

Cristiane Viriato disse...

Eu não fui em todos os anos, o meu namorado (hj marido) também ia para o Brasil. E ele não tinha a obrigação de pagar as minhas contas né, ele era só namorado.

Cristiane Viriato disse...

A definição de abuso segundo o dicionário:
a·bu·sar - Conjugar
(latim eclesiástico abusari)
verbo transitivo
1. Usar ou consumir de forma excessiva, errada ou inconveniente (ex.: ele abusa dos calmantes).

2. Ter relações sexuais com alguém sem o seu consentimento (ex.: foi acusado de abusar da rapariga).

3. [Brasil] Insultar.

verbo transitivo e intransitivo
4. Agir de forma a servir apenas os próprios interesses, mesmo se prejudicando outrem.


"Abuso", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2020, https://dicionario.priberam.org/Abuso [consultado em 19-12-2020].

Eu só recebi o calendário do projeto depois de ter assinado o contrato. A viagem era em julho, mas a passagem tinha sido comprada em fevereiro.

E quanto ao banheiro isso já foi no final, quando eu já não tinha mais psicológico pra lidar com ele. Eu tive pânico de deixar a sala e correr o risco de parecer atrasada ou irresponsável por não ter obedecido ao comando.

Anônimo disse...

Cristiane Viriato, exatamente por causa da definição de número 2 desde o começo do relato pensei que ele tinha abusado sexualmente de você e que não era gay coisa nenhuma. Esse receio e apreensão sobre abuso sexual perdurou por todo o relato até o final da explicação do tipo de abuso que ele realmente cometeu. Não sei se foi sua intenção ou não escrever o relato dessa forma, que o deixa ainda mais aterrorizante, mas o título do post induz a essa ideia...

Anônimo disse...

Como vítima de um abuso sexual na infância me sinto extremamente incomodada com o uso da palavra em qualquer contexto. A definição de uma palavra em um dicionário não representa necessariamente o que ela diz no discurso das pessoas.
Você sofreu um assédio moral, o que condeno.
O título do seu relato induz a um abuso sexual quando menciona a orientação sexual do assediador. O q ele ser gay tem relação com seu relato?

Anônimo disse...

Não foi uma escolha pelo assediador e sim partes do relato dubia, como essa:
"Assinados os papéis, eu recebi o calendário do projeto e vi que o calendário dele não batia com o da universidade, já que não tinha férias. Em julho eu sempre vinha para a Dinamarca ver o meu namorado na época, hoje meu marido. Comentei com os meus colegas de projeto e eles disseram que o professor era tão legal que eu não tinha com o que me preocupar".
Se no momento de assinar o contrato você leu que não haveria férias compatíveis com sua passagem já compradas deveria ter avisado o professor ou assumido o risco de não viajar.

Anônimo disse...

na minha faculdade (tb federal, daqui no Rio) tb tinha um professor assediador & abusador que se referia aos alunos como discípulos. Passei pelo grupo dele.
Ele mandava os alunos chamarem ele de Mestre. Quem não chamava era ridicularizado por ele e por outros membros do grupo.
Eu acho que alguns garotos eram, o que se pode chamar, de abusados sexualmente sim por ele.
Pq tinha encontros extra classe diversos. Às vezes ele mandava 1 sentar no colo dele. E os outros a colocar pressão pra q o garoto se sentasse.
Uma vez ele insistiu mto que um dos alunos desse um selinho e ele deu. Foi o primeiro beijo gay do garoto que era zoado por ser hetero por ele.
O garoto meu amigo ficou em choque.
Fico me perguntando até qndo essas pessoas passarão impunes e abusarão do poder que possuem nas universidades.
Outros professores são corporativos. Sabem que isso existe, mas não fazem nada. Os alunos que se ferrem.