sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

NA PRÉ-HISTÓRIA NÃO HAVIA MARIDOTECA. EVOLUÍMOS!

Algumas leitoras pediram que eu comentasse uma reportagem do Fantástico do último domingo (veja aqui), e como eu tardo, tardo, tardo, mas não falho (ahan), tô na área. A matéria era sobre maridotecas, um espaço nos shoppings feito pra que os homens relaxassem enquanto suas esposas percorressem todas as lojas como as malucas incontroláveis que somos. O estranho é que eu já tinha lido algo sobre essa “tendência” bem antes da reportagem. Mas, enfim, algumas mulheres são entrevistadas pra provar que o senso comum está absolutamente certo: “Ah, eu adoro gastar!”, diz uma. “Toda mulher gosta demais de um shopping”, diz outra. Eu ouço essas coisas e meu cérebro faz cálculos: eu sou mulher. Eu não gosto de shopping. Logo, eu não sou mulher?
Puxa, mas como assim? Como uma mulher pode não gostar de shopping, ainda mais de shopping completamente lotado em época de natal? É o paraíso na terra!
Não. É ponto pacífico pra reportagem que 1) mulher adora shopping, e 2) homem odeia shopping. Então, pra eles, há um espaço com atendentes jovens e bonitas (não aquelas umas que eles têm em casa), massagem, pebolim, TV com jogos -– sabe, que nem tem brinquedoteca pra deixar as crianças? Nada como infantilizar os homens também e deixar alguém cuidando deles! “Mas antes de entrar, tem pedágio”, diz o repórter. E a câmera mostra os maridos dando dinheiro e cartão de crédito pras suas respectivas. Porque, óbvio, mulher não trabalha! Mulher não tem seu próprio dinheiro, já nos ensinou a Gisele naquele comercial! A preocupação do repórter com os maridos é genuína: “Vocês não 'tão lá pra controlar! E o prejuízo depois?” Pois é, como deixar sua mulher solta por aí? Coleira nela!
Não consegui prestar atenção no resto da reportagem porque ficava pensando como eu gostaria de receber massagem, comer petiscos e jogar pebolim (é tão legal!) enquanto o maridão vai às compras. Exceto que nenhum de nós dois compra muita coisa, graças aos céus. Mas eu queria entender a causa da matéria não fugir nem um tiquinho do senso comum e da vontade de fazer gracinha. Queria que a matéria tentasse resolver esse grande mistério: por que homem vai às compras com a mulher (que em geral, e principalmente no natal, não compra presentes pra ela, mas pros outros)?
Possíveis hipóteses:
- Pra controlar a mulher.
- Pra carregar as sacolas de compras.
- Pra, no caso de um pote de azeitona aparecer na frente deles, o macho conseguir abri-lo.
- Pra olhar feio pra esposa e lembrá-la que o sagrado matrimônio só é sagrado pro papa.
- Pra estacionar o carro (mulher não sabe dirigir; mulher nem tem carro, como já disse o comercial da Gisele).
- Pra participar de um ritual sofrido e sentir-se mais que um provedor -- um grande caçador.
Pode ser isso? Fui atrás de mais informações, e só encontrei um post antigo num blog que parece ser de marketing. O nome do post é “Porque as mulheres gostam tanto de comprar?”, que também poderia se chamar “Por que a reforma ortográfica não reduziu as quatro formas de porque a apenas duas?”
E a resposta é científica. Quer dizer, de um jeito PsicoEvo de ser:
Na pré-história, cabia ao homem a tarefa inglória de ir à caça, buscar carboidratos para alimentar sua família. À mulher, cabia a missão de cuidar do lar, ou melhor, da caverna. Sua rotina era limpar o ambiente, cuidar dos filhos, preparar a comida. Por sua iniciativa, a mulher também gostava de sair da caverna e buscar, na natureza, objetos, vegetais e frutas que pudessem ampliar a dieta da família. Uma frutinha aqui, uma lenha ali, a mulher era a grande colhedora da natureza. O tempo passou, mas este hábito ficou na gene feminina. Hoje, o hábito de consumir representa uma evolução daquela mulher colhedora da pré-história. Não podendo simplesmente colher, a mulher de hoje compra, e adora comprar! Portanto, caras leitoras, não se sintam culpadas por gostarem tanto de um shopping. Isto é genético!

Não é possível, eu devo ter vindo com um cromossomo Y! Defeito de fábrica!
Puxa, a julgar pelo post (puro senso comum), as mulheres já eram parasitas desde a mais tenra idade da humanidade. Enquanto os machos iam com suas potentes clavas buscar carne de mamute, uma tarefa inglória, as fêmeas tinham a tarefa obviamente gloriosa de limpar a caverna, uma caverna sem luz elétrica e alguns séculos antes da invenção do aspirador em pó. A rotina tranquila das fêmeas deixava tanto tempo livre que elas, por sua sua vontade mesmo, e pra se distanciarem do choro dos Bambans e Pedritas, saíam por aí em busca de coisas absolutamente fúteis, porque, né, quem precisa de frutinha se seu homem vai trazer um mamute? Mas hoje sim somos evoluídas: não colhemos, compramos! E pagamos com o cartão de crédito do marido! Uau! E não é pra se sentir culpada, Wilma Flintstone! Você não consegue sair de um shopping porque foi geneticamente programada pra isso!
Como esse tipo de pensamento está arraigado na sociedade! As pessoas acreditam nessas baboseiras sem piscar. Afinal, é ciência! Outro dia uma amiga minha, a Manu, contava o que viu num programa de TV verspertino, cujo público-alvo é composto de mulheres. Um especialista explicava que a gente não pode querer discutir a relação com o companheiro nunca, porque homem não gosta mesmo de ouvir, mas, nos raros casos em que a gente de repente quiser se comunicar com nossos machos, deve escolher a parte da manhã. Por quê? Ah, porque é genético. Na pré-história, os homens saíam pra caçar, geralmente de manhã (por isso, já explicou um psicólogo evolucionista, a cor preferida do homem é azul. Céu azul, sacou? Nós amamos rosa por causa das frutinhas). E à noite os machos estavam exaustos, após tanto esforço físico. Só queriam se jogar no sofá, ver uma partida de futebol na TV, e beber cerveja. Mas, na falta disso tudo, só lhes restava dormir mesmo, pobrezinhos. Nós mulheres precisamos compreender nossos provedores.
Pois é. Cadê o meu mamute?

72 comentários:

Roxy Carmichael disse...

Triste quando as próprias mulheres entendem que o consumo de futilidade é sinônimo de feminilidade: sapatos, perfumes, etc. sempre acompanhados de um gritinho histérico. Sex and the city fez escola, infelizmente. Feliz Natal, Lola, ótimo texto!

Priscila Boltão disse...

É tanta bobagem nessas reportagens que só consigo fazer cara de pateta e acabar rindo.
Claro que é genético Lola!! Não vê que o marketing da sociedade de consumo voltado pra mulher não tem nada com isso?? Nós somos malucas por natureza!!
Ah, eu amo comprar. Livros. Muitos livros. Só livros tb. Se não fossem as livrarias e os cinemas eu não entrava em shopping nem a força. Pois é, nos viemos com defeito de fábrica.

Feliz natal! Embora vc seja atéia e eu seja, segundo minha irmã, "atoa", feriadinhos sempre me fazem feliz. :)

Amora B. disse...

Caraca! Que post legal! Fiquei horrorizada com a matéria do Fantástico, não tava sabendo disso (nunca assisto àquela porcaria), mas que post bacana.
E você sabe as diferenças entre os "porques", fiquei feliz! Haha, parece besta, mas leio matérias em sites de respeito que fazem perguntas usando "porque" junto, tipo essa aí que você citou, e me dói muito.
Um beijo!

Paulo Roberto disse...

Eu sou homem hétero, vou ao shopping fazer compras de alguns itens. Comida é no supermercado, verduras e legumes é na vendinha e itens de vestuário é melhor no shopping.

Eu considero um absurdo a quantidade de lojas de sapatos femininos, um mais feio que o outro, sempre lotados de mulheres e do lado de fora os maridos sentados esperando.

O fato de existir essa "maridoteca" é sinal que existe uma demanda forte por um local onde os homens possam descontrarir porque não tem necessidade de fazer compras. Se não houvesse demanda, não haveria o espaço. FATO!

Quando eu vou ao shopping vejo que realmente a maioria das pessoas dentro das lojas são mulheres, o único lugar onde existe um balanço ou talvez mais homens é nas mesas dos cafés, lanchonetes e restaurantes.

Eu penso assim: contra fatos não há argumentos. Eu vou ao shopping e vejo fatos. Podemos até interpretar de tal ou qual forma de acordo com nossa ideologia, mas o FATO é que a reportagem mostra uma tendência.

Denise disse...

Eu amo comprar lãs. E pela internet. E com o dinheiro que ganho. Odeio shopping. Não devo ser mulher então...
Maridoteca? Jura? As coisas vão de pior a pior... E o que se esperar da globo?

Bruno S disse...

Paulo Roberto,

não é porque as mulheres, em média, são mais consumistas e também resopnsáveis pelas compras da casa que isso deve ser tratado como natural ou até estimulado.

Se quando crescemos escutamos todo o tempo que fazer compras é um saco, é chato, é coisa de mulher, é esperado que nos tornemos adultos menos propensos a querer ir aum shopping.

Por outro lado as mulheres crescem escutando que comprar é prazer, que é bom ter a roupa da última moda, que o valor dela está na beleza, o resultado claro vai ser diferente.

Somemos isso ao fato de que as compras em nome da família quem faz é a mulher. Acredito que em uma quantidade bem representativa das famílias compostas por homem e mulher, é ela que tá cuidando de comprar presentes para todos os familiares(inclusive os dele) e de preparar ceia de natal, enquanto o cara compra o presente dela (se tanto).

Em resumo, o que vemos é produzido por nós mesmos na sociedade.

Palavras Vagabundas disse...

hahaha...eu também vim com defeito,
acho a maior chatice fazer compras e considero shoppings o templo do mal. Compras só em lojinhas de rua, onde posso ir me distraindo pela calçada.
bjs
Jussara

Aline disse...

Ai Lola, eu odeio ir as compras. Gosto de supermercado, de comprar coisas gostosas pra comer. Mas shopping, sapato, etc? Não gosto não. Principalmente se tiver lotado.
Gosto sim de passear, andar devagar, etc.
Adoraria ir em u shopping que tivesse massagem, etc de graça... kkk

Aline

Kuro Honoo disse...

Não tenho nada contra os shoppings em si, mas sim os shoppings cheios! O shopping tem bastante lojas, eu posso comparar os preços e achar mais barato. De fato, eu gosto de comprar, mas só coisas baratas! Tenho minha paixão por livros, chocolatinhos com licor e yogurtes congelados ^^

The Oldscholler disse...

São muitas pessoas que tem essa ideia que tudo é construido socialmente. Mas o fato é que homens e mulhers têm a psique diferente, isso acarreta em tendências comportamentais diferentes, obviamente o capitalismo procura lucrar com essas tendências. Coloquem nas vossas cabeças que homens e mulheres não são da forma que são por serem moldados, mas as coisas é que são moldadas por homens e mulheres serem da forma que são.

PS: Considero ridículo o nome de "maridoteca", mas considero razoável a criação destes espaços.

Bruna B. disse...

Sobre a 'teoria evolucionista': é aquela velha confusão entre juízo de fato e juízo de valor, e da derivação imprópria de um "deve" a partir de um "é".
Porém, como nos lembra Peter Singer, descobridor de uma ética impecável, abraangente e solidamente alicerçada em fatos científicos de nossa herança evolutiva, o princípio da igualdade não é uma assertiva factual, mas um um princípio ético básico que exige apenas a igual consideração dos interesses das partes afetadas por uma ação.

Claudia disse...

Eu gosto de fazer compras, gosto de shopping mas nao nesta epoca. Ja comprei os presentes de Natal faz tempo. Mas eu nunca levo o namorado para fazer compras comigo. Acho que nem quando casar. O porque disto: eu tenho o meu carro, o meu dinheiro e sou independente. A reportagem so mostrou o tipo de mulher, que infelizmente depende do marido para tudo. Achei um horror a ideia da maridoteca, mas se existe eh porque tem demanda. Temos eh que incentivar o feminismo para que as proximas geracoes (e talvez as atuais mesmo) se libertem deste padrao de dependencia. Feliz Natal pessoas!

Raphael disse...

Não curti! Lugar Viril tem que ter bar, sinuca e tiro ao alvo, porra!

LisAnaHD disse...

eu detesto ir ao shopping... se eu souber exatamente o que tenho de comprar (tamanho e cor), quem vai ao shopping comprar eh meu marido... vou ao shopping talvez uma vez a cada cinco anos e olhe lah..

LisAnaHD disse...

ah e qdo vou fazer comprar ateh em supermercado gosto de ir com meu marido...

Matheus disse...

Tratando-se de Rede Globo, sempre fico um pé atrás, mas parece que essa reportagem foi concebida para entreter e fazer rir.

Quanto ao post de cunho "científico", nem um pouco confiável, né? Muito mais baseado em lugares-comuns e estereótipos do que em ciência.

Sou homem e gosto de shoppings (quando não estão lotados, é claro). São práticos, congregam opções variadas de entretenimento em um mesmo lugar, são mais confortáveis e mais seguros. Também gosto de comprar livros. Se tivesse muito dinheiro e muito tempo livre, compraria livros com muito mais freqüência.

A reportagem e o outro blog deveriam ter analisado também os nichos de consumo majoritariamente masculinos, como, por exemplo, o automobilístico. Não é consumo também? Assim com os homens supostamente se entediam com conversas sobre sapatos e bolsas, as mulheres não se enfadariam com conversas sobre motor, potência, cilindrada, tração, etc?

Concordo com a abordagem de Bruno S e reitero: nos segmentos conservadores da sociedade brasileira, as compras da família ou "do grupo" geralmente recaem sobre as mulheres, enquanto que os homens tendem a focar nas compras individuais.

cabanadeinverno disse...

Jesus, quanta merda.

É aí que a gente vê a forma como os meio de comunicação de massa só reproduzem, reafirmam uma ideologia que DEVE ser reafirmada a todo instante.

O modo como a reportagem se aproxima da realidade, utilizando as pessoas como exemplo, racionalizando a informação e retirando o significado simbólico existente da palavra. É mais fácil quando a linguagem é utiliza para comunicação, aí pode-se retirar o que ela significa e só deixar o que ela designa.

Desta maneira os meios de comunicação reforçam o status da mulher e do homem, reafirmando as normas sociais vigentes.

É defecar pela TV.

Josiane Caetano disse...

A mulher quando quando vai fazer compras, não compra só pra ela, mas para a família inteira. E não vai ser com o cartão do marido: geralmente as mães de família se individam mais porque é o salário delas que compra a roupa das crianças, utilidades da casa, etc.
Acho que a reportagem do Fantástico foi ensaiada. Faz muito tempo que não vejo uma mulher fazendo compras com o cartão de crédito do marido. Ou será que estou vivendo num universo paralelo?

Teresa Silva disse...

Em questão de comportamentos ultrapassados, não está só mostrando a mulher como dependente do homem. Mostra que casais tem que sair juntos para tudo. Em nome do companheirismo, tem muitos casais que pensam que casado é grudado: ou saem juntos ou não saem. E vemos ou o homem ou a mulher fazendo cara de nádegas em programas que detestam por que pensam que devem acompanhar a esposa ou o marido. Nesse caso: o homem acha chato ir com a mulher no shopping? Simplesmente não vai. Em vez de ir pra maridoteca jogar e beber, fica em casa ou em outro lugar de sua preferência jogando ou bebendo.

Blanca disse...

Choro de rir com a ironia da Lola HAHAHAHAHA "Cadê o meu mamute?" AHAHAHA


Que ideia escrota, gente! Maridoteca? Oi?
Cês tão de sacanagem, né?

Eu também sou defeito de fábrica, odeio shopping...

Essa do céu azul eu me lembro de alguém falando, nos coments. hahaha

Teresa Silva disse...

Ah Lola, Feliz Feriado! (meus votos de ateia)

Matheus disse...

Lola,

Falando em consumo, você viu um conjunto de reportagens da revista "The Economist" (do final de Novembro) sobre a mulher no mercado de trabalho?

Apesar de eu não ser muito fã da revista por seu viés neoliberal, gostei bastante das reportagens, que abordam questões pertinentes a maternidade (inclusive discutem licença paternidade), diferença salarial, cotas para mulheres, etc. Acredito que seria interessante se pudéssemos discutir essas questões aqui no seu blog.

Alguns reportagens foram traduzidas pela CartaCapital, mas duas ficaram de fora.

Caso tenha interesse, aqui está o endereço: http://www.economist.com/node/21539928

Garotadpi disse...

Teresa Silva acertaste na mosca. Não gosta de ir? Não vai. Eu também odeio shopping, mas as vezes tem que ir, ainda mais em dia de chuva (depois de outros 3 dias de chuva), para por as crias correrem pelos corredores e gastarem energia :P

Robs disse...

Poxa Lola,assisti essa materia tbm e devo dizer que ela tbm me incomodou.Mas pensando bem sabe que to nem aí pra essa infantilização masculina que ta ocorrendo?
Pense bem,a infantilização e a babaquização dos homens é tamanha que cedo ou tarde esse caras vão sair de sua brinquedotecas(digo...maridotecas XD)e vão se deparar com suas esposas,pessoas com mentalidade adulta,ocupando os cargos mais altos das empresas e arranjando empregos muito melhores que os deles.Os homens um dia vão sair da frente do Atari e de seus brinquedos eletronicos e vão perceber que o mundo é cada vez menos deles.
Então que sigam com essas maridotecas,Lola,o que se deixa largar num lugar assim como se fosse uma criança,um garotinho de 8 anos,que atrapalha a mamãe é um concorrente e a menos no mercado de trabalho.

Robs disse...

Alias,Lola,esposa de lesbica tbm pode entrar nessa maridoteca?XD



PS:Pra quem ta falando que "se tem é pq tem demanda"pensa um pouco!
Hoje em dia quem faz a demanda é o proprio mercado,é aquele velho golpe de criar a necessidade e dar a solução.

Fernanda disse...

Lola, adoro seus posts. É a primeira vez que comento. Eu odeio shopping, compro quando preciso, e prefiro mil vezes ir comprar em horários que não esteja aquela muvuca, como de segunda-feira, por exemplo. Agora, como bióloga, preciso falar que você faz uma ideia errada da biologia/psicologia evolutiva. Qualquer evolucionista sério assume que a evolução não é resposta para o nosso comportamento, mas sim um dos elementos para a compreensão (a psicologia/genética evolutiva deveria trabalhar em conjunto com outras áreas do comportamento, e não fazer um cabo de guerra exaustivo e desnecessário). Não é porque na pré-história as mulheres coletavam, que agora elas vão comprar, isso é construção social. A cultura evolui muito mais rápido que os genes, e qualquer um que tenha o mínimo de ética não poderá utilizar esse argumento. Bem, enfim, essas fontes de internet e jornal hoje não são confiáveis.

Drica Leal disse...

Fiquei com muita raiva dessa reportagem quando vi, é impressionante como a Globo em tudo o que faz dá um jeito de incluir esse padrão "mulherzinha isso, machão aquilo", um saco!

Mas Lola, tá aí um aspecto que foi levantado por aqui que acho interessante nos aprofundarmos: a infantilização do homem. Já tem alguns posts por aqui que abordam essa "babaquização" do homem em propagandas e outros meios, mas será que os caras não se sentem incomodados de serem pintados sempre como crianções, inúteis, bobões, sempre dependendo de uma mulher-babá para fazer as coisinhas chatas do mundo adulto pra eles?

Outro dia li uma postagem de Regina Navarro Lins sobre isso, um e-mail que ela recebeu de uma paciente onde a mulher relatava o comportamento ridículo do marido quando ficava doente: mesmo quando o cara tinha um simples resfriado ele se comportava como um bebê para ser cuidado pela mulher, que tinha que dar comida na boca, ele cuspia a comida e tudo quando não queria mais, igual a uma criança! Ela tinha ficar paparicando ele o dia todo... Ou seja, eles vestem as máscaras de machão, frio, racional, calculista o tempo todo para deixá-las cair de maneira desastrosa (porque por mais que neguem, homens e mulheres tem as mesmas necessidades emocionais, afetivas), fazendo com que as esposas e namoradas assumam papel de mãe deles também. E filho de bigode, meu bem, só gata suporta! Imagina, se unir a alguém pensando que está se unindo a um adulto, um igual, um companheiro e na verdade estar arranjando é uma criança grande pra cuidar? Ninguém merece!

Sara disse...

Bom Lola se te consola tb vim com defeito de fabricação, porque odeio compras, e só as faço qdo não me resta mais nenhuma opção, e qdo estou ficando quase pelada sem ter o q vestir, e já aproveito compro um monte pra não ter q voltar tão cedo.
Já deixei de viajar varias vezes pq sabia que as amigas que estavam me chamando pra ir junto na viajem só estavam afins de fazer compras, e eu me recuso, outra coisa que detesto é gente que fica pedindo coisas quando eu viajo, eu n vou comprar nem pra mim que dirá pra outras pessoas. Pra evitar isso nem aviso quando vou viajar, pq acho isso um saco.
O engraçado que meu marido gosta muito mais de comprar do que eu, mas ele jamais me acompanha quando preciso ir às compras, e nem eu qdo ele vai comprar o que ele quer, é bem raro sairmos juntos p isso.
Portanto essa novidade de "maridoteca" pelo menos aqui em casa MIOU.

ana_alice disse...

o problema não é com o espaço, mas o a destinação. pq não chamar de "descansoteca" (pfff), aberta a qualquer um que queira relaxar um pouco das compras?

obrigada pelo post, tb fiquei revoltada qd vi a 'matéria' no domingo... escolheram entrevistar só mulheres casadas e sem renda própria! cadê as solteiras q trabalham? cadê as casadas q trabalham? somos a maioria, a minoria é de dondocas sustentadas por homens, oras. ridículo!

A.H.B. disse...

"Não consegui prestar atenção no resto da reportagem porque ficava pensando como eu gostaria de receber massagem, comer petiscos e jogar pebolim (é tão legal!) enquanto o maridão vai às compras." - Pensei a mesma coisa, Lola.
Aliás, tem outra opção: ao invés de fazer compras, chamar o marido para jogar pebolim e se divertir também! :D

Augusto disse...

Eu vi vo a imcompreensão de ser na minha família o ser que menos consome, aquele que compra só quando realmente sente a necessidade, e não precisa de época para isso. Consumo virou um lema para muitos, sei não mas às vezes eu fico apreensivo ao perceber que muitas pessoas só pensam em comprar, comprar e comprar, cruzes! Shopping? Só pro cine ou tomar um sorvete (q é mto bom por sinal onde eu vou).

Laurinha (Mulher modernex) disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Augusto disse...

Não é a primeira vez que o fantástico faz reportagens machistas. É sempre assim, desde que virei feminista raramente vejo televisão, me da um nojo essas coisas.

Augusto disse...

Não tem nenhum marido que seja consumista e a mulher não? Fiquei pensando se nesse caso a mulher poderia ir lá para descansar. E novamente homens só gostam de futebol, descanso e brincadeiras. PQP

Laurinha (Mulher modernex) disse...

Essa relação da nossa sociedade com mulheres e consumo me tira do sério. Subentende-se que o dinheiro que a mulher gasta nunca é dela e que tudo o que ela compra é para ela e é inútil.

Uma amiga minha ficou muito nervosa essa semana com o cara que foi na casa dela montar um móvel.
Além da loja demorar pra mandar o guarda-roupa que ela comprou, demorar pra mandar a pessoa que ia montar tudo, o cara ainda chega e do nada solta a pérola: Foi seu marido que comprou né. Segundo minha amiga não foi nem uma pergunta, foi tipo uma afirmação,
porque é óbvio que mulher que está em casa é porque não trabalha ou mesmo que trabalhe e esteja de férias ou de folga não tem dinheiro pra comprar um móvel tão caro, provavelmente três vezes mais caro que o carinho que estava lá pra montar ganha por mês.
Mas o problema do carinha não é um móvel custar mais que o salário dele, é uma mulher ter dinheiro pra comprá-lo sem precisar de marido ou pai.

Augusto disse...

O problema é que o projeto é totalmente universalista. Ele excluí todas as minorias de homens que não gostam de futebol, que gostam de ler livros, que gostam de fazer compras e homens que são dependentes de suas mulheres. E também excluí as mulheres não consumistas que são obrigadas a acompanhar o marido ao shopping.

Augusto disse...

Laurinha, amei seu depoimento sobre o móvel da sua amiga. Especialmente a frase final: "Mas o problema do carinha não é um móvel custar mais que o salário dele, é uma mulher ter dinheiro pra comprá-lo sem precisar de marido ou pai."

L. Archilla disse...

Falando de infantilização do homem, olha que legal esse vídeo, é de uma psicóloga que está lançando um livro sobre a questão masculina: http://www.youtube.com/watch?v=Z3iQdp2nito

Luara Tanuri disse...

Como a globo consegue ser podre sempre! E como vc, Lola, consegue ser engraçada sempre! E falando sério, tratando d questões geralmente pesadas e difíceis, mas sempre com uma leveza q eu adoro.

Será q a maridoteca é só p homens e casados? será q mulheres ou homens solteiros podem entrar? já tô afim d ir ao shopping só p jogar, beber e descansar. Puts! ainda tem massagem grátis! vamos ocupar esse espaço, mulheres?

Sara disse...

L Archilla ótimas reflexões da Christina Montenegro, geralmente os homens são fechados em si mesmos.
E finalmente quando atraves da informatica ficou facilitado o contato entre eles, o que se vê é esses blogs mascus, que em vez de discutirem os reais problemas inerentes aos homens, eles simplesmente usam esses espaços apenas e tão somente para denegrir, insultar a figura feminina.

Arlequina disse...

Essa questão da infantilização do homem me irrita. Tenho visto isso MUITO dentro de algumas mídias, desde ficcionais até o Fantástico (que vamos e venhamos, toda vez que mostra esse mundinho Globo me parece um trabalho de ficção também).

Minha raiva é que isso é sempre utilizado como forma de 'empoderar' uma mulher. Como se a mulher não fosse boa o suficiente quando comparada à outro cara, só se você infantilizá-lo pra caramba. E é só quando interessa (óbvio), pra perpetuar clichés dos quais cada vez mais hoje tentamos fugir.

Me lembra muito daquela propaganda da Bombril, das "Mulheres Evoluídas": esses homens são tão estúpidos que nem limpar a casa conseguem... então é por isso que as mulheres tem que limpar!

É um discurso pseudonovo pra perpetuar uma lógica velha e extremamente machista. A máxima do 'você é livre para fazer exatamente o que a sociedade espera de você'. É complicado usar isso nessa escala.

Sawl disse...

Mais uma vez a Globo despejando matéria machista e desnecessária.
Falando em "Globo" o Multishow que faz parte dos canais "Globosat" exibiu um programa tosco feito pelo "sou o máximo" Felipe Neto.
É só ir no http://multishow.globo.com/Ate-que-faz-sentido/Videos/_1675545.shtml
Você verá um monte de besteira e falta de informação deste cara que é um pseudo-intelectual falando asneiras contra o Feminismo.
O curioso é que o programa é sobre "Ismos" e ele NÃO critica o Machismo.
Outro exemplar de machismo pregado por esta empresa(O Globo) foi no Jornal O Globo de alguns dias onde saiu uma matéria sobre o aumento da participação das mulheres cientistas (felizmente) e a dificuldade de um aumento em cargos de chefia na área científica(infelizmente) por várias razões, incluindo, maridos e filhos.
Houve VÁRIOS comentários de homenzinhos machistas, recalcados e com sérias dificuldades de "identidade sexual"(hehe) metendo o malho nestas grandes mulheres, com a máxima " mulher foi feita para ficar em casa cuidando dos maridos e filhos, não trabalhando, o que estas cientistas esperavam". Ridículos! Pseudo-Homens dignos de pena. Infelizmente não pude adicionar meu comentário na seção de comentários porque aceitaram só 11(a maioria homens, recalcados, porque será?) enquanto outra matéria menos importante tinha ceito 40 comentários.
Nem preciso dizer o quanto a matéria do Fantástico foi ridícula e mal feita. Porque eles mostraram que todas as mulheres que frequentam shoppings são fúteis. A MAIORIA(incluindo minha santa mãezinha) vai ao shopping para comprar presentes para família e fazer compras para a ceia de Natal e Ano Novo. Sou mulher, confesso que gosto de shopping por causa do ar-condicionado(moro no Rio, hehe) e para bater perna com amigos(ao contrário do que alega aquele video patético indicado pela menina do outro post no qual um completo mané mostra através de seus amiguinhos filhinhos de papai que homens e mulheres não podem ser amigos) e amigas. PORÉM, como sou muito moleca adoro ir ao cinema para ver filmes de ação(sim, AMO filmes de ação, violência e homem bonito tô dentro, hehe) e ir a casa de jogos para me acabar nos games.
O Mundo não é preto e branco, nem rosa e azul e sim um festival de cores. Um festival de personalidades diferentes, graças a Deus.
Lola, um Feliz Natal para você e um ótimo 2012 com seu bom humor, inteligência e sua garra de sempre.

Caroline disse...

Ai Lola, na escola q eu trabalho tem um grupo de pessoas, todas mulheres que adoram ficar falando em comprar , comprar e comprar. Que tédio que dá, é como se a vida delas girasse em torno de consumo, eu hein.
Esse negócio de generalizar não é legal. Vc não é consumista, eu tb não, e tem um monte de mulher que tb não é.
Claro que não podemos negar que compramos, mas o importante é não fazer disso uma prioridade na vida da gente. Pq haja dinheiro pra tanta gastança, né.

Caroline disse...

Lola, vi uma cena em Barriga de Aluguel que me lembrou vc!!

A novela está reprisando no canal Viva. A história gira em torno de Ana, uma mulher que quer ter filhos mas não pode, daí recorre à uma mãe de aluguel, que é a personagem Clara. Só que ela precisa se consultar com um psiquiatra antes de fazer todo esse processo de alugar a barriga de uma outra mulher. Tudo isso está sendo feito na clandestinidade, pq na época, alugar barriga não era legalizado.
Mas o que me chamou a atenção foi a cena da consulta com o psiquiatra, que eu transcrevo aqui.

Ana - Eu não sei se essa sensação de ser falha, de ser menos mulher do que as outras mulheres nasceu de mim ou se eu aprendi com os outros a me enxergar assim. Por que é assim que os outros me enxergam, com pena, com dó!! Eu tenho uma carreira, eu fiz sucesso, eu tenho um casamento feliz. Agora não tenho filhos. E aí as pessoas me olham como se eu não tivesse nada e aí eu acabo me sentindo como se eu não tivesse nada. E aí eu digo que não quero ter filhos, que eu evito, que eu não faço questão nenhuma...

Psiquiatra - A senhora gosta de lavar pratos? A senhora gosta de arrumar a casa, de fazer uma comidinha pro seu marido?

Ana - Como?

Psiquiatra - É, quer dizer... Como é sua vida no lar? A senhora gosta de ser dona de casa? Como é a sua vida doméstica?

Ana - Bom, eu sou uma profissional do volleibol, minha vida é muito agitada, a minha casa funciona muito bem. Mas é claro que eu não adoro lavar pratos, mas se for preciso, eu lavo. Eu não adoro, mas eu lavo.

Psiquiatra - É, essas condições dessa vida moderna. Mas quando seu marido chega do trabalho, fica esperando por ele? A senhora se prepara, a senhora se enfeita, bota um perfume...

Ana - Doutor, o que isso tem a ver com eu querer ter um filho?

Psiquiatra - Dona Ana, eu estou tentando medir o seu grau de feminilidade.

Poxa, o médico me nenhum momento levou em conta que ela é uma mulher moderna, independente, tem carreira e tal. Pra q essa mulher tenha um filho ela precisa ter feminilidade e pra ser feminina ela precisa ser uma Amélia, é isso? Não sou tão veterana nessas questões de feminismo como algumas que comentam aqui. Me digam se estou viajando em ficar indignada ou se eu estou certa mesmo, por favor.

Hayashi disse...

Engraçado estas reportagens sobre mulheres fúteis...num país de garnde maioria miserável! Será que uma mulher da favela gasta horrores no shoping também? e uma índia no meio da floresta Amazônica? Me lembrou de um livro espirita,sobre a vida em Marte(se é que existe),onde um "espírito iluminado",de nome Ramatiz alega que todas as mulheres da Terra são fúteis e as de Marte não(tá,e depois dizem que kardecismo não é machista).Todas,viu,incluindo as que passam fome na África.

Não precisa pensar muito para ver o quanto estas reportagens são tendenciosas...e mais: se nós mulheres somos geneticamente deste jeito,porque a "ciência" precisa tanto pesquisar para reforçar? Se é algo que acontece naturalemente,precisa tanto de "doutrinas" e explicações? Ninguém precisa nos lembrar de comer e beber água,porque sentimos fome e sede.Se nós temos sempre que sermos "lembradas" do que é ser feminina,então,é a mais forte prova de que a feminilidde é construída socialmente.

Feliz Natal para todas,independente de vcs acreditarem em Cristo ou não.Paz e realizações,e muita força na nossa luta ^_^!

Caroline disse...

Daí depois o marido de Ana, Zeca tb se consulta com o Psiquiatra. Transcrevi tb a cena aqui.

Psiquiatra - Quer dizer que o senhor sempre teve essa vontade forte de ter um filho, né.

Zeca - Sempre.

Psiquiatra - E tendo não conseguido o senhor não pensou em apelar para um outro método? Não tentou de outra maneira?

Zeca - Como assim?

Psiquiatra - Não tentou ter um filho com uma outra mulher?

Zeca - Não, por que?

Psiquiatra - Não, é que isso revela um grau muito baixo de iniciativa, para um homem.

Bom, a novela é da Glória Perez, provavelmente ela tenha tido uma intenção em mostrar isso na novela, não sei. O que vcs acham?

Denise disse...

Caroline,

estou lívida com essas cenas. Eu não vi a novela mas é revoltante. Ainda bem que não vi...
Quer dizer que a mulher só é feminina se usar perfume, se maquiar e se preparar para receber o maridinho?
E o homem para ser macho e ter iniciativa, tem que arranjar filho com outra mulher?
Isso me embrulha o estômago...

Barbie Furtado disse...

Desculpa desapontar as mulheres, mas eu AMO ir ao shopping. Posso passar horas: sete, dez horas, só andando, vendo. E digo, "Não vou comprar nada, quero só olhar." Mas sempre acabo comprando alguma coisinha. Tenho 23 anos e sou solteira, mas, quando eu casar, se meu marido gostar de ir ao shopping comigo, será um sonho, se não, ele pode ficar em casa, ou ir fazer o que ele quiser, que eu vou com a minha mãe. Não tem porque arrastar ele pra lá se ele não gosta e deixar na "Maridoteca", que nem aqueles lugares que deixa o filho. Não gosta, vai fazer outra coisa, que a gente se encontra em casa depois, beijo, té mais tarde, oras.

Robs disse...

Caroline
Não viaja,tá na cara que essas cenas foram pura ironia.Tente compreender o que o autor quis dizer antes.

kai disse...

PRIVATARIA TUCANA

maior reportagem da década
o livro que assassinou a vida política do Serra, possivelmente vai abrir uma cpi

cadê seu post a respeito ?

eu sei que o blog é seu e você posta o que quiser, mas eu quero saber o que você tem a dizer, lolinha!

abraço, kai

p.s.: odeio odeio shoppings.

Padma Shanti disse...

Muito bom! Suas impressões são muito semelhantes ao que pensei/senti sobre a campanha da Gisele, bem como sobre todos estes registros na mídia de uma realidade que para mim é estranha: do homem, retratado como exclusivo provedor das necessidades do lar, e a mulher como leviana, fútil e inconsequente torradora do dinheiro do seu marido, sem capacidade para dirigir um carro, o que dirá sua vida... Não vivo deste modo e não está em meus planos assim viver. Como você, não passo horas em shopping perambulando, sou objetiva para comprar e fico irritada com movimento excessivo. E me pergunto quando esta visão limitada - e limitadora - sobre homens e mulheres vai mudar. Muito bom ler seu post. Um abraço e feliz natal.

darkgabi disse...

a matéria do fantástico é de dar dó, claro, mas eu vou sair do óbvio e falar do psicoevo. acho q a principal crítica a quem usa esse tipo de argumento nao é q isso nao pode ser verdade, mas q, e daí se for verdade? a gente vai se deixar justificar por tudo q é "natural" ou, mais modernamente, "genético"?

diz q um monte de aspectos cognitivos dos seres humanos podem estar relacionados ao hábitos de vida originais da espécie e de outras espécies afins. a pergunta é: e daí? eu como bióloga adoro essas coisas e tem muita matéria e pesquisa séria q, para mim, realmente fazem sentido. mas só por cuasa disso vc vai dizer q td bem? preconceito pode ter cuasas genéticas. só por isso, td bem? violência idem.

é sabido q mts [mas nao todos, é claro] dos presos considerados de alto perigo [principalemente no sistema americano] sao conhecidos como "super machos" e "super fêmeas" e têm uma genética diferente nos cromossomos sexuais, q poderia explicar pq eles sao encontrados em maior freqüência na populacao de cárceres perigosos q em outras populacoes carcerárias ou msm na populacao normal. mas e daí? só pq o cara tem um problema genético q o deixa mais predisposto à violência vc vai excluir a culpa dele e deixá-lo livre? nao, nao vai.

acho q em psicoevo acontece o q aconteceu com a selecao natural de darwin: nao é q a teoria e seus casos aplicados estejam errados, mas as pessoas têm usado elas para justificar um bando de babaquice. o problema nao está na ciência, mas nas pessoas. afinal, todo mundo conehce o tal do "darwinismo social" q obviamente nao foi inventado pelo darwin, mas algum beóceo resolveu ler o trabalho dele superficalmente, pegou o q interessava e distorceu: só o mais forte sobrevive, a ciência disse! logo, eu sou branco e forte, vou sobreviver. vc q é negro/judeu/pobre, tem q ser exterminado! ta-daaaa! brilhante! nao?

por exemplo: eu acho q, em termos gerais [mas de forma alguma absolutos] pode ser sim q a mulher tenha desempenhado o papel de coletora e o homem, de cacador. mas nao consigo ver a relacao entre cacar frutas e andar num shopping. até, até consigo, mas nao há um equivalente masculino. ir pro escritório é matar um mamute? procurar algo q te interessa no meio de muitas ofertas, a capacidade de sorteamento, pode ser relacionado com coletar frutas e outros vegetais. e qual a relacao de cacar e ir pro escritório? nenhuma. é nesse sentido q eu venho essas teorias como furadas, mas nao vejo como furadas as seguintes teorias: homens, em geral, têm melhor senso de localizacao, pensamento de reconstrucao em 3 dimensoes e maior forca física. mulheres têm capacidade de concentracao em múltiplas tarefas, maior memória olfativa e maaos mais ágeis.

embora simplificar a biologia da cosia toda nesses termos seja qs certo de falhar, acho q dá pra entender por onde eu quero seguir. e dizer q, em geral, mulheres sao assim e homens sao assados nao é ofensivo. é ofensivo qd a gente se prende a isso e nao dá oportunidade de outras possibilidades serem apreciadas. mas nao vejo problemas em tentar tracar uma média, msm q haja inúmeras excecoes. o problema é estar tao preso à descricao q qd um se depara com algo diferente, nao o aceita. esse é o problema.

darkgabi disse...

complementando: afinal, a nossa espécie já deixou, em mts aspectos, de ser moldada pela natureza ao redor e o próprio número absoluto de pessoas na populacao humana dá margem para que casos incomuns [ou menos comuns] de genética e comportamento aparecam.

por isso q hj em dia eu prefiro falar de "tem pessoas q sao assim e tem pessoas q sao assado" ao invés de "mulheres x homens", "velhos x jovens", "brancos x negros", um país x outro país".

pq exigir q todo mundo tenha uma reflecao por trás das palavras é mt custoso e é mais fácil mudar o jeito de falar para demosntrar q certas coisas nao tem mais importância. pq, como foi discutido em outro post aki, a língua está mt relacionada com os valores culturais.

alexrnbr disse...

Ótimo comentário, darkgabi. Bem esclarecedor e sensato!

Lola, permita-me comentar apenas um pequeno trecho do seu post:

"eu queria entender a causa da matéria não fugir nem um tiquinho do senso comum e da vontade de fazer gracinha"

Poxa, sério que vc esperava algo mais elaborado desse programa?

O Fantástico é apenas uma fantástica coleção de bobagens, eventualmente pontual com uma o outra coisa quase interessante...

Eu disse...

O que ninguém diz é que comprar também é uma arte e uma ciência...quem não sonda o mercado, geralmente paga caro, não encontra o que procura, não percebe a hora de estocar nem o que estocar e compra demais de uma só vez. Os homens tb sabem comprar o que lhes interessa. Pesquisam bastante, negociam outro tanto (acho que mulher negocia pouco, o que acham?)
Mas concordo que é esperar demais de um programa tão raso quanto o Fantástico, que virou boletim policial há muito tempo.

femiliada disse...

Acho que Darwin ia querer se enforcar usando os próprios intestinos se tivesse uma vaga ideia das porcarias de pseudociência que iam surgir a partir das teorias dele. Toda vez que alguém começa uma frase com "É porque no tempo das cavernas..." eu tenho vontade de dar na cabeça com um tacape de madeira.

Tigra disse...

Certo, primeiramente considerações sobre a Globo:
Transformou-se na maior transmissora em massa de mensagens em prol da manutenção de valores estúpidos. Exemplos:

- Mulher que escolhe trabalhar, ou que resolve dar um saída pra se distrair, ainda que com a mãe e a irmã de chaperon está 'abandonando o filho';
- Todas as mulheres sexualmente ativas [que tomam a iniciativa], tem caráter duvidoso;
- Gays ou são caricatos ou são sinônimo de xingamento [personagem xingando a rival de travesti foi o cúmulo].
- Os homens nunca são responsáveis por seus atos. Se são, estavam apenas 'confusos' e tem a possibilidade de redenção, normalmente em nome do amor [olha a antiga fórmula de 'como consertar um homem' aí], às mulheres nunca é dado esse benefício.

Resumindo, essa emissora já não pode ser levada à sério há um tempo.

Sobre consumo. Sou mulher, solteira, normalmente compro pra mim, pro meu filho e um presente ou outro de vez em quando. Costumo reservar dinheiro [em espécie] e comprar roupas para mim e pro pequeno em ocasiões específicas, pesquisando antes, e negociando desconto à vista. Isso toma tempo, e se eu tiver que gastá-lo no shopping, gastando apenar o que planejei no orçamento e comprando pouco, mas com qualidade, ok. Portanto não acho que eu me inclua na categoria louca por compras, mas despendo tempo considerável nisso duas ou três vezes por ano seguindo meu sistema.

Sobre compras em casal, e principalmente nessa época do ano. Quem compra o que num casal? Eu conheço rapazes que se viram muito bem com as próprias compras. Mulheres, poucas, que detestam comprar o que quer que seja. Agora famílias, eu vejo tristemente que seguem, ainda, em sua maioria uma dinâmica um tanto preocupante.

Uma coisa que eu notei conversando com um amigo homem que não entende o porquê eu não compartilho dessa euforia de Natal - data que ele adora e diz se divertir muito com - é que ele nunca se deu conta do trabalho que dá fazer a festa acontecer. E de que quem compra os presentes, limpa, faz a comida e serve para todo mundo na família são as mulheres. Uma ou várias delas coordenadas pela mulher-matriarca.

Essa mulher, que pode ser a mãe, ou avó, ou irmã mais velha. Ela faz a lista, tenta lembrar-se de todos os membros, incluindo os familiares do marido, os amigos dos filhos, as crianças de ambos os clãs. Ela normalmente trabalha e tem o próprio dinheiro e é com esse dinheiro, geralmente combinado com o do marido, que ela faz essas compras.

Isso vale também pra a ceia, que normalmente conta com a com a contribuição dos filhos e agregados. Ou seja, elas gastam dias, em compras e preparações. Muitas vezes com muita pouca ajuda prática [ir, pesquisar, escolher, ver tamanhos, cores, sabores, quantidades, etc...] É uma tarefa hercúlea é comprar e embalar presentes, cozinhar para um batalhão e ainda limpar a casa antes, e depois da festa.

Agora chego ao ponto principal da minha argumentação a respeito da temática central do post. Porque todo mundo criticou a Globo. A generalização do consumismo feminino, a infantilização. Mas ninguém falou na divisão das tarefas. Não dos papéis apenas, mas das tarefas. A infantilização do homem está na pressuposição de que ele é TAMBÉM é incapaz de fazer bem as compras para sua família. Que nós podemos, merecemos e sim devíamos ter direito a um lugar com massagem, jogos e diversão, é óbvio. Mas, se as compras são para todos, filhos do casal, parentes dos dois, para o jantar da família, porque não dividir as listas e os preparativos?

Não basta justificar o tempo de compras ou o suposto consumismo da mulher. Não basta dizerem que homens também consomem muito. Não basta deixar o homem em casa se ele não gosta de ir às compras. Não basta não ser consumista. Não basta nos darem massagem e pebolim.

Se todas as tarefas continuarem conosco.

Panthro disse...

E gosto muito de psicologia evolutiva, mas chamar aquele trecho de psicologia evolutiva é ofensa. Caçar pra trazer CARBOIDRATO??? Please, nigga! E fora usar colher como se fosse sinônimo de coletar. E a teoria completamente alucinada a seguir, tudo cagado. Não dá pra ser contra a psicologia evolutiva por conta disso, do mesmo jeito que não dá pra ser contra a democracia por conta das eleições da Coréia do Norte. Idiotas não podem contar no debate.

Cris Aguiar disse...

Oi, Lola!!

Gosto de Shopping pela comodidade: variados serviços concentrados em um só lugar com estacionamento relativamente fácil. Mas em época de Natal, fujo deles e das compras natalinas 'tradicionais'.
Vi um trecho da reportagem da maridoteca no Fantástico e achei meio patético. Não seria o caso deles (os maridos) simplesmente ficarem em casa já que não gostam de ir às compras?

Que sua noite de Natal seja bem legal, com comidinhas gostosas e bastante chocolate.

Bjo!

Shishiu disse...

Adoro shopping (vazio) e odeio feiras e seus similares. Gente demais me deixa angustiado. Não me importo em pagar mais pelo conforto.

Concordo que a Teoria da Evolução da Espécies é aplicada e generalizada de forma leviana e rasteira.

É sabido que nossas escolhas são reduzidas (nulas?), que o que temos é uma ilusão de controle e de escolhas. Acho sim que a culpa deve ser tirada da equação das relações humanas. Somos marionetes, quer queiramos ou não.

deLira disse...

O pior de tudo não foi o fantástico ter feito essa matéria, e sim, o shopping ter criado um lugar desse! Hello, people! Não é culpa da Globo ou dos editores chefes do Fantástico se alguém foi babaca - para não falar outros adjetivos - o bastante para pensar numa "maridoteca".
Isso é de um desrespeito sem fim. Com as mulheres, que são indiretamente chamadas de descontroladas e com os homens, que são chamados de criança.

Carol disse...

Manter o gado no curral e pastando. Essa é a rede globo. Não parei de ver tv a toa sabe...

Tiago leal disse...

Antes de tudo, adorei o post. Sou um homem gay e acho muito bom que haja esse debate acalorado na web. Trabalho em um setor só com mulheres e ouço cada vez mais horrorizado que "homem bom é homem duro. Pq sem dinheiro ele não trai" ou então "Quem gosta de piru é viado, mulher gosta de dinheiro". Mas então, pq elas trabalham? Para pagar o cabelereiro, a manicure, as roupas da moda, o kit do sex shopping (pq segundo elas, é preciso investir no marido pra ganhar um troco a mais). E ai de mim se abrir a boca pra dizer que racho a conta do restaurante quando saio com uma moça (não me assumi no trab) sou logo taxado de machista. Fico tonto de ver como essas mulheres educam seus filhos. Tem que lavar a louça pra mostrar que é moderno, mas não pode fazer balé pra não ficar afeminado. A outra morre de medo da filha perder a virgindade por um lado e por outro acha uma loucura a moça já com 15 anos não dar a mínima para sapatos, bolsas e sutiã com bojo. Nunca em casa fui recriminado por usar os colares da minha mãe ou brincar de boneca com a minha irmã. O machismo caminha lado a lado com a homofobia.

Iara disse...

Bom saber que não sou a única a fugir dos shopings, tenho horror a esses lugares !

ana_alice disse...

se esse espaço realmente existe, eu sugiro um OCCUPY maridoteca ahahaha será q vão impedir mulheres, homens solteiros, gays, lésbicas, enfim, todos os excluídos do playground?

Caroline disse...

Robs,

eu vi depois o resto do episódio e entendi o que a autora quis dizer com essas duas cenas. Como eu não sou muito entendida desse negocio de feminismo, coloquei aqui pra saber a opinião dos outros justamente pra saber se eu tava viajando ou não rs ;)

ana_alice disse...

caroline, as cenas fora do contexto parecem horrorosas mesmo. só vendo pra saber...

por ex, o personagem do paulo betti na novela das 6 fala as coisas mais terríveis, sobre mulheres não poderem ser gordas, não poderem ser velhas, só valerem pela aparência, mas é uma crítica a essa forma de pensamento, né? só que há de ter quem interprete ao pé da letra, infelizmente...

carolinapaiva disse...

Nossa, quando vi essa reportagem pensei exatamente nisso, nas teorias evolucionistas. Essa babaquice limitadora, como se o cultural não influenciasse nosso comportamento. Pff.
Pontos a destacar:
- A imagem das mulheres como consumistas desenfreadas (claro, sempre com o dinheiro do marido, afinal, não temos genes de provedor).
- A infantilização dos homens, com termos como "maridoteca" e a incrível falta de responsabilidade sobre a compra de presentes para o Natal. Homem não presenteia os familiares e amigos também, ou é tudo responsabilidade da mulher? São incapazes de fazer as SUAS próprias compras, e com o SEU dinheiro?
- A ideia de mulheres como recepcionistas/massagistas da "maridoteca". As mulheres só estão ali para servir aos homens másculos e viris, que podem ter sua masculinidade afetada por um massagista homem. Nada mais justo que ter mulheres jovens e bonitas à disposição.
- Mulheres como mãe dos próprios maridos, que, após as compras, vão buscar os bebezões na maridoteca.

Tudo mais do mesmo, homens provedores e incapazes de cuidar de assuntos considerados "do lar" e mulheres consumistas e dependentes financeiramente dos homens, bancando a mamãe de vez em quando.

Juliana Leodoro disse...

Nossa, queria dar um "like" no comentário do Bruno S.

As compras de presentes aqui recaem sobre mim. Gosto de escolher presentes, odeio shopping, compro pela net. Mas se eu quiser bater perna em loja, deixo o maridão em casa cuidando das crias; não tem nada mais ridículo que creche pra marmanjo.

Que tal uma creche pra eu ficar enquanto ele escolhe eletrônicos? Não, aí eu fico em casa!

Blanca disse...

Tiago parabéns até um homo tem olhos para ver como anda a educação que mães estão dando


Lola o que vc trouxe de bom ao mundo sua bruxa do caralho?




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Alana disse...

Que merda de teorias são essas....? Tiraram do cu, isso, porque da ciência (quer dizer, ciência como pessoas com cérebro entendem o termo), não foi. Sem mais. Não tenho nem o que falar.

Unknown disse...

LOLA
td bem?
Vc me fez lembrar do dia que liguei para a correspondente bancaria do financiamento do apt que to comprando para pedir informações e ela me perguntou: qual o nome do seu marido. E eu tentando explicar pra ela que nao tenho marido, e ela nao acreditando e insistindo....Senhora, preciso do nome do seu marido. Sabe pq Lola? Pq mulher sem marido nao compra apt ....Só rindo mesmooo