quarta-feira, 21 de setembro de 2011

GUEST POST: O RACISMO DE TODOS OS DIAS - COMO SABER?

A Capitã Amélica, que tem um blog, deixou um comentário poderoso no post sobre as declarações ultraracistas contra a Miss Universo e as negras em geral. Sabem, aquele que deixou tant@s de nós passando fisicamente mal. A resposta da Amélica nem é uma resposta. É ao mesmo tempo uma constatação sofrida e um tapa na cara do preconceito.

Esse tipo de coisa só não me choca apenas porque já vi e vejo isso.
Sabem, o que me assusta mais do que o que esses idiotas dizem em fóruns e blogs, é pensar que eu trabalho com eles, estudo com eles. Pego ônibus, esbarro no metrô. Compro deles, recebo atendimento médico! Aprendo, faço parte do grupo de amigos. Toco neles por um motivo ou outro. E nesse momento casual eles estão sentindo NOJO de mim.
Ou dó. Eles podem também sentir dó. Por presumirem uma condição a partir de um preconceito, podem interpretar incorretamente um sinal e sentirem dó, dó de mim que não tenho dó deles e lhes cagaria na cara, um a um.
Ou seja, enquanto penso que estou me relacionando de forma saudável com as pessoas, algumas dessas estão me avaliando, cada qual com um nível de racismo aplicado. Fazendo considerações sobre a minha beleza, que aparentemente não pode coexistir com a opinião delas nem com a consciência coletiva.
A mocinha do caixa do restaurante de repente não quer que minha mão toque na dela. Ou o médico já pensando que sou pobre e fodida, algo inerente a minha cor obviamente, me atende mais displicentemente.
Difícil saber com quem se está lidando. Saber qual rejeição é por sua chatice real e qual é por causa da sua pele. Quando não te acham bonita, ou quando não te acham bonita porque você é negra. Como saber?
Já imagino acéfalos refutando e dizendo isso é coisa da minha cabeça. Claro que é. Só que não fui eu que pus porque quis. O mundo não é como eu quero.
Acho normal que as pessoas se avaliem previamente, é natural, é instinto. Mas é foda saber que sua avaliação já sai prejudicada sem mal começar.
Acredito sinceramente que um dos gatilhos para a postura relativamente agressiva que adotei na minha vida é resultado desse receio. Porque já ouvi coisas feias. Hoje as pessoas não dizem mais como diziam (crescemos!). Esperam você virar as costas... só um pouco.
Mas isso me leva à infância. Esses comentários que ressaltam características genéticas étnicas como motivo de descarte imediato são feitos por pessoas com quem convivemos, as piores na minha opinião, aquelas que sentem caladas um desprezo secreto por você. E essas pessoas são os mesmos moleques da infância que diziam na tua fuça macaca. Os mesmos filhosdasputinhas que falavam de cabelo bombril, cabelo pichaim, duro. Que diziam a palavra preta com água na boca, babando, com intenção de ofensa.
Não, essas crianças malditas não foram dizimadas. Elas cresceram. Algumas livraram-se, acredito que até certo ponto, dessa visão equivocada, mas a maioria, ah, a maioria, a maioria... vocês sabem.
Perdoem o exagero, me empolguei, há tempos queria falar sobre isso... Costumo apenas ler... Aí, quando vou falar, dá nisso.

85 comentários:

Thea Carvalho disse...

Eu sinceramente não sei por que tem pessoas q fazem questão de propagar o ódio, de serem desagradáveis, de serem idiotas. Qual é a intenção delas? De mostrarem o quanto são INFELIZES? Custa a entender essas atitudes preconceituosas q não tem razão nenhuma de existir.

Mariana. disse...

me lembro muito bem do comentário no post, e o texto todo me fez lembrar de um trecho do livro "depois daquela viagem" (da valéria, que pegou aids aos 16 anos, na primeira relação de sua vida, com um namorado).

Ela diz que as coisas seriam mais descomplicadas se seu problema fosse algo visível, para que as pessoas que sentem preconceito se afastarem tão logo vê-la, como no caso dos negros.

acho que dois dois jeitos é difícil. se você é negro, a pessoa já faz uma pré avaliação antes mesmo de tentar te conhecer, como bem disse a autora do post. deve ser pobre. deve ser ladrão (e juntam a bolsa no corpo). se você tem aids, a pessoa pode não notar de início, mas já pensou ela descartar tudo que já sabe sobre você (e a faz gostar de você) quando souber que você tem aids e julgar "promiscua".

preconceito é uma m...

Escarlate disse...

Eu li esse comentário e na hora pensei: "gente, isso tem que virar guest post!". Há mais verdade em suas palavras do que em qualquer livro que retrate o racismo. Porque é a sua experiência de discriminação numa sociedade porca e chafurdante. Eu tenho nojo de racistas, até vergonha. Meu pai é negro, e ele mesmo é racista, pq conseguiram colocar na cabeça dele que a pele dele é feia, que ele nunca vai ser tão bom quanto um branco.

Eu sou branquíssima, mas meu cabelo era cacheado. Depois de muito sofrer bullying, aos 13 anos comecei a alisar o cabelo. E adivinhem? Agora estou no padrão de beleza. Eu não me sinto orgulhosa por isso, as vezes me sinto fraca por ter sido vencida pelo sistema. Mas eu tento ir curando com o tempo as feridas deixadas por pessoas infelizes, que precisavam desesperadamente ver os outros infelizes tb.

Lucas disse...

É algo muito, muito complexo.
O pior do racismo, como o machismo, a homofobia e todos os outros problemas do gênero é que ele não tem uma cara, uma instituição, algo organizado (podem até gerar, mas são frutos deles e não suas causas.)
Eles estão na cultura, no dia a dia.
Ninguém te ensina a ser racista no colégio, na matéria "Fundamentos do Racismo 1."
Ele existe e cresce com você como "conhecimento" não refletido, algo natural. Como a chuva que molha, o café que "faz mal" ou qualquer outro elemento cultural.

E por algum motivo, as pessoas, a sociedade, sei lá, não estão prontas para serem criticadas. Você aponta o dedo e diz "opa, perae, isso tá errado" e a reação imediata é defensiva. Uma minoria vai refletir e tentar descobrir pq está sendo chamada de racista, e dessa minoria uma menor parte ainda vai admitir que está pisando na bola.

O resto vai simplesmente dizer que isso não existe, ou que você está errado, ou inventar qualquer desculpa.

Acho que ninguém é inicialmente culpado de ser racista, machista e etc, porque foram valores passados antes de se ter chance de refletir sobre eles. E junto com esses valores, foi passado um egoísmo extremo que te impede de ter auto-crítica e fazer uma reflexão íntima quando alguém te aponta alguma cagada que você esteja fazendo sem perceber.

Sei lá, o racismo já foi tão debatido aqui que me gerou essas outras reflexões sobre como é difícil combatê-lo... acho que até me perdi nas idéias rs.

Daní Montper disse...

O ruim de chegar tarde aos posts da Lola é que a gente perde comentários como este.

Não sei nem o que dizer para a autora, a não ser que também noto esse racismo sutil de hoje que vem desde cedo e não me conformo de não notarem ou não ligarem ou dos que perpetuam (consciente ou inconscientemente) - qual o pior? Nem sei.

Lord Anderson disse...

Post incrivel


O racismo no Brasil é camufludo. diluido.

ninguem gosta de ser lembrado que ele existe (principalmente quem o pratica)


e agora, alem de tudo tem a quantia de idiotas que se orgulha em propagar seu odio e se revolta ao ser criticado.

Uma lastima

felizmete mais e mais pessoas não estão dispostas a baixarem a cabeça diante desses absurdos.

Paola disse...

Eu fico assustada de saber q há mta gente q não tem consciência de q todo mundo sente fome, frio, fica feliz, triste, etc., independente da etnia.
Se todo mundo levasse em consideração de q por fora nós temos uma "embalagem" e q por dentro todos temos sentimentos, as coisas talvez seriam diferentes...
É aquele velho negócio de q falam q o q importa na verdade é a beleza interior, como diria a minha vózinha....
Sempre fiz amizade com negros, japoneses, altos, gordos, magros.... O q importa é o caráter da pessoa para ser meu amigo.
Pq as pessoas têm q complicar tanto? Pq tanto ódio?

letícia disse...

Minha mãe conta que quando era criança, meu avô, era extremamente racista. Eis que uma das filhas dele começou a namorar escondida e só apresentou o namorado quando ele iria se tornar noivo/marido, por ser um cara negro. "Irônicamente" o primeiro neto homem que ele teve, foi filho dessa minha tia e ele passou de pessoa preconceituosa à avo babão.

Todo mundo tem diversos pré julgamentos, mas há quem passe dos limites, de achar que por causa da cor da pele ou do tipo de cabelo a pessoa se encaixa em categorias X ou Y. O tempo passa e é bom ver situações como essa que eu citei, onde a vida dá um "tapa na cara" de gente "cega" de idéias ruins.

E é tão ridículo querer menosprezar alguém por causa da cor da pele...como se isso falasse algo sobre a personalidade/caráter do indivíduo.

A Line disse...

Para mim, racismo é uma faceta tão nojenta e triste da humanidade que eu sequer consigo esboçar um comentário muito racional a respeito. Pensar nas suas diversas manifestações e consequências me dá um embrulho no estômago, principalmente porque eu também sei que estou rodeada por pessoas (umas mais que as outras) que alimentam ódio ou desprezo por negros. Não sinto esse ódio e esse desprezo voltados para mim porque minha pele é clara, mas isso não me torna cega a essa coisa tão lamentável que é o preconceito.

Mas uma notícia positiva: A Caixa Econômica Federal tirou do ar a propaganda com o Machado de Assis branco, após as manifestações negativas na internet e o pedido formal da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial para que parassem de veicular o comercial http://migre.me/5KDKt

Achei muito bom que o assunto tenha dado essa repercussão toda. Acho que tod@s nós temos que fazer muito barulho para que práticas racistas como essa sejam repensadas.

Pra quem quiser saber mais sobre os problemas da campanha publicitária da Caixa, recomendo esse excelente artigo da Ana Maria Gonçalves que um amigo me indicou pelo Facebook http://migre.me/5KDQ1

Abraços a tod@s!

Bruno S disse...

O padrão de beleza para cabelos é de quanto mais liso melhor.

Características como olhos e cabelos claros garantem status de belo automaticamente.

Nariz largo recebe apelidos pejorativos.

Mas ainda tem muita gente que diz que não somos um país racista.

Ginger disse...

Odeio racismo! aff que coisa nojenta.

Pior que minha familia é ultra racista, eu to ficando com um carinha negro (parece que eu gosto de arrumar briga), ele é tipo meu primeiro "namorado", queria muito contar pra minha mãe isso (ela nunca achou que eu ia ficar com alguem no colégio por ser muito 'relaxada').

Mas morro de medo da reação deles, se eles vão mal tratar o menino e darem um gelo em mim =/

Ele diz que ja esta "vacinado" e sabe lidar bem com isso mas eu não confio é nos meus pais!

vergonha, muita vergonha

Juliana disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Juliana disse...

lembro desse comentário da capitã, e pra mim foi mto difícil ver um caso pessoal descrito por uma ótica tão íntima. tenho uma amiga/irmã negra. negra mesmo. mas não enxergo a cor dela. não lembro dela como uma negra, e sim como uma amiga. não é desqualificando a cor da sua pele, mas é que pra mim não faz a menor diferença. é tão natural que eu até me sentiria culpada se desse mais atenção a ela do que para as outras amigas que temos em comum.
eu sempre soube que o racismo existia, mas achava que acontecia longe de mim. é mto difícil ver/"aceitar" essa realidade como minha tb, mas tenho mto que agredecer à capitã por compartilhar seus sentimentos pessoais e me abrir os olhos.

Gre disse...

Sempre achei que o que não se conhece ou o que é diferente causasse medo aos preconceituosos. Não entender, comprovar ou se permitir mudar é algo que assusta pessoas com tanta limitação como os que alimentam esse ódio. É como uma auto-defesa, auto-afirmação.
Já presenciei muitas manifestações de racismo e nunca me calei. Mas é repugnante ouvir os argumentos que usam para reforçar algo tão estúpido. Minha mãe com descendência de índio casou com meu pai gringo nato. Imaginem! Só lamento que esses acéfalos percam tanto ao criar um escudo contra as diferenças.

Mariana. disse...

alguém aí em cima falou que os valores são passados antes mesmo que possamos refletir sobre eles. E isso é a mais pura verdade.

Algumas coisas são reais. Por exemplo, achar que negros são pobres. Oras, eu cresci e vi que as domésticas que limpavam o apartamento que moro são na sua maioria negras; e as pessoas que moram no apartamento e nos aparatamentos vizinhos são brancas.

eu ouço por aí que de fato as pessoas ficam mais apreensivas se encontrarem um negro durante uma caminhada noturna do que um branco. Mas de fato as cadeias estão mais cheias de pessoas negras do que brancas.

São percepções que não passam batido e ajudam a gente a criar alguns conceitos.

Mas a questão se torna mais profunda. Por que tem mais negro na cadeia? por que tem tanto negro pobre?

Já a questão da beleza, também creio que é algo construido. Os mocinhos e mocinhas das novelas sempre foram brancos, louros, olhos claros... Aprendemos a achar isso bonito e muitos acreditam que é apenas gosto pessoal, sem influencia midiática. Eu, pessoalmente, vejo beleza em pessoas negras tanto quanto nas brancas, mas sei que sou minoria. somos.

O único modo de transformar tudo isso é transformar a sociedade e isso leva tempo.

Mariana. disse...

e também tive um episódio racista na família. minha prima se casou com um negro (nem vou contar a novela que foi quando meu tio descobriu que o cara é negro) e ela engravidou. Meu tio passou nove meses com medo (isso mesmo, medo) de que a neném nascesse negra como o pai.

A garota nasceu brança. bem branca de cabelo enrolado (ela já detesta o cabelo aos cinco anos) e eu percebi meu tio aliviado. fiquei tão triste na época que... :/

Giovana Damaceno disse...

Gosto muito de uma frase de Mário Quintana que diz: "Cada um pensa como pode."
O preconceituoso pensa como pensa porque só sabe pensar assim, não avançou e não consegue alcançar algo maior. É um incapaz.
Nosso papel é o de investir na educação, com o pouco de conhecimento a mais que temos, fazendo o que a Lola faz aqui. Ler, ler, ler, aprender muito, adquirir cada vez mais conhecimento. E escrever, escrever, escrever, de preferência e se possível para um número cada vez maior de pessoas.
Desta forma saímos da cômoda posição de lamentadores, reclamadores e xingadores, para uma ação pró-ativa, que realmente promova (ou pretenda promover) uma mudança real no comportamento da sociedade.
Não que queiramos ou que devemos mudar o mundo. Mas podemos tentar fazer alguma coisa pra mudar o mundo à nossa volta. A vida faz mais sentido assim.

Liana disse...

Muito complicado lidar com situações de preconceito no dia-a-dia e pior ainda quando partem de quem nos é próximo.

Penso que a questão não é ter ou deixar de ter preconceitos, até porque chegar à vida adulta sem ter absorvido nenhum é muito difícil, mas o principal é como lidamos com nossas falhas, o quanto estamos dispostos a refletir e a mudar, entendendo que nossas "certezas" não podem atingir a dignidade alheia, o quanto entendemos que nossas "opiniões" podem ser/são frutos do meio, da (des)educação. Auto-crítica é o grande diferencial.

Uma coisa interessante que acontece em situações tabus é que é razoavelmente fácil apontar quando acontece "fora da nossa área de cobertura", do contrário fazemos ouvidos moucos. Muitas vezes fica ainda aquela situação constrangedora de que se você, tendo sido alvo de preconceito, apontar o erro em alguém da família ou amigo, as pessoas interpretam como se você estivesse tentando desestabilizar os "sólidos" alicerces que mantém todos ali unidos e isso vira uma traição. Há uma permissividade que atinge níveis danosos, os outros podem errar, é normal e humano, mas ninguém deve reclamar, é frescura e falta de amor à família. Sem contar que isso pode levantar questões antigas no embalo.

Rodrigo disse...

O que mais irrita nesse tipo de pessoa não é o racismo em si, mas sim como elas agem em relação ao seu preconceito. É importante admitir seu preconceito, porque se é um defeito, e só passamos a trabalhar na melhora dele quando admitimos a sua existência, então prefiro que alguém publicamente admita ser racista, homofóbico, etc, porém que TRABALHE para que isso desapareça, que permita que a sua mente seja moldada por pessoas que não se encaixam na concepção que ele tem daquele determinado grupo e façam com o que ele mude de opinião. Só o contato de fato com aquele determinado grupo fará com que essa pessoa mude seus conceitos, ponto.

A autora do texto também fala de postura agressiva e achei isso interessante. Muitas vezes um determinado grupo ( suponhamos, católicos) critica a postura agressiva de ateus quando na verdade, essa postura nada mais é do que um reflexo da atitude desrespeitosa que muitos católicos tomam. É como se uma criança estivesse sentada sem fazer nada, e um pai chegasse e batesse nela, provocando seu choro. Logo em seguida ele a bate novamente pq a criança não deveria estar chorando, e estar chorando irrita o adulto( mas na verdade o choro foi resultado de uma agressão física infundada partida do próprio). Não sei se deu pra entender a analogia, mas isso basicamente acontece com qualquer grupo, ou religioso, ou étnico, enfim, o que muda é o nível de tolerância do grupo oprimido. No mais, belo texto!

۩Clio - A filha da Memória۩ disse...

Assim como a capitã, de tanto vivenciar situações como estas, já não me causa espanto. O que me causa real espanto é conhecer pessoas que acreditam que racismo não existe. Comentários do tipo" Os negros tem preconceito com eles mesmos" me causa verdadeira indignação. Pessoas assim mal se dão ao trabalho de refletir o porquê que alguns negros não gostam de ser negros. Será que é por causa de toda racismo que sofreu desde a infância e até hoje vive?
Lembro-me que quando era criança tive meu primeiro dia de aula em uma pré-escola aqui na periferia de SP. Eu tinha por volta dos 6/7 anos de idade, e neste dia lembro-me que conheci duas irmãs, que eram gêmeas identicas, ambas de cabelos loiros e olhos azuis. A primeira vez que as vi, logo me mostraram a língua em um tom de desdém, típico em crianças desta faixa etária. Não retruquei. Logo depois elas começaram a se gabar de ter um cabelo bom e eu cabelo ruim, afirmando que elas eram bonitas e eu feia. Também não retruquei. Até então não conhecia o preconceito, foi nesse dia que descobri que este grande mal pode estar, até mesmo, oculto em crianças, que aparentemente são vistas como 'anjos' aos olhos dos adultos. Quando cheguei em casa toquei no assunto com minha mãe sobre o meu cabelo ser ruim e a minha pele ser mais escura que as demais crianças. Mas logo ela disse "Magina! Seu cabelo é bom, sua pele é linda eu adoro cabelo assim e pele 'morena'". Mas as palavras de minha mãe não surtiram efeito em mim, continuava com a ideia fixa de que meu cabelo é ruim e minha pele é considerada feia.Parecia que ela falava aquilo só para me agradar, porque observava que ela mesmo morria de raiva ao pentear os próprios cabelos. Anos depois ela me disse" Quando eu estava grávida de vc torcia para que você nascesse com cabelo bom". Conclui que: O preconceito parte tanto de casa quanto do contato social. Cada um trás de casa seus preconceitos e dissemina-os no mundo. E voltando a frase, negro tem preconceito consigo mesmo, durante muito tempo tive preconceito de mim mesma, pois não tive EM NENHUM LUGAR valorização de minhas caracteristicas. Até mesmo dentro de casa e fora dela, como amar algo que 'todos' odeiam? que 'todos' menosprezam? Realmente tenho motivos de sobra para odiar minhas características, mas descobri que este pensamento é totalmente retrógrado e não quero me igualar a pessoas que pensam desta maneira. Hoje estou bem comigo mesma.
Parabéns pelo post Lola.

Dai disse...

Não li o comentário no post. Li o guest post pelo greader e 'tinha' de passar para cumprimentar a Amélia, por seu sacolejo, seu testemunho forte, visceral. Lutar contra o racismo é muito importante, para que nós possamos, finalmente, crescer! Beijos Amélia e a vc tb, Lola.

ntwrdprss disse...

Agora me digam uma coisa, e se for questão de gosto mesmo?Eu sou japonês, minha família toda é japonesa, e eu gosto é de japonesa, a tal Leila Lopes lá não é meu tipo,qual o problema?
Então agora eu sou obrigado a gostar do que vcs acham que eu tenho que gostar? Essa é a definição de racismo de vcs?

Lord Anderson disse...

Não nwt

como qualquer raciocinio simples pode te explicar.

racismo é ofender, descriminar, menosprezar e desvalorizar.


ninguem vai te obrigar a mudar o seu gosto, mas se vc em algum momento sair xingando uma pessoa, devido a cor da pele, os traços, etnicos, se fizer afirmaçõs ofensivas como foram feitas no caso da miss Angola, sim, vc vai ser chamado de racista.

simples assim

(mas desconfio que vc sabe disso)

Verô! disse...

E depois desse relato poderoso ainda haverá aqueles calhordas que dirão que o racismo que infesta nossas escolas é só "brincadeirinha" inocente de crianças...
Eu sei que o post não é só sobre racismo nas escolas, mas é que ele me fez lembrar de uma história terrível que presenciei quando estava na sétima série do fundamental.
Eu tinha uma amiga que era negra e deficiente. Uma menina fabulosa, corajosa e que nunca reclamava por causa das dificuldades de locomoção ou qualquer outro motivo. Lembro que nas aulas de educação física ela fazia questão de realizar todos os exercícios e não era incomum que ela caísse e depois se levantasse para continuar a tentar até conseguir. A menina deveria ser admirada pela turma pela coragem e exemplo de superação. Mas essa não era a realidade...
A maior parte da turma a "tolerava", sim, essa coisinha horrível mesmo. Não falavam muito com ela, mas também não implicavam. Havia uns 2 ou 3 que faziam piadinhas com ela, mas nunca conseguiram a ofender muito porque o grupinho que ela andava - eu, mais duas meninas e um garotinho - não deixávamos. A Ju era da nossa galera, e nós protegíamos a nossa galera.
Até que um dia aconteceu uma das coisas mais abomináveis que eu já testemunhei, todos aqueles que a "toleravam" tiveram a oportunidade de vomitar todo o ódio.
Houve um concurso de beleza no colégio e cada turma deveria indicar sua "miss". A Ju era uma menina bonita sim, mas não votaram nela por isso. Votaram nela porque muitos dos boçais achavam que ela era a menina mais feia da turma (imaginem, uma negra deficiente...). A votação massiva na menina foi só um esforço por humilhar e diminuir uma guerreira, uma pessoa fantástica e linda, linda de verdade.
Lembro da minha vergonha enquanto o professor lia os votos e a turma caia na gargalhada a cada voto na Ju. Eu fiquei horrorizada porque o professor não interrompeu a contagem dos votos, como pode uma coisa dessas. Eu estava sentada ao lado da Ju, ela olhava para o nada em silêncio, não disse uma palavra mas se manteve firme, no alto daquela dignidade inabalável (quando conheci a mãe dela entendi da onde vinha aquela bravura). Mas não posso imaginar o que passava na cabeça dela, o sofrimento... ela nunca, NUNCA comentou sobre aquilo.
Quando a reencontrei, anos depois, ela estava estudando matemática e pedagogia e já tinha arrumado um estágio. Fico feliz ao pensar que ela escolheu trabalhar justamente no ambiente que mais a desafiou e tentou diminuir: a escola. Tenho certeza que ela tem muito a contribuir nessa área.

ntwrdprss disse...

@Lord :
Sim eu sei, mas como é a cabeça do pessoal daqui eu tb não duvido de nada.
Como a Lola que não vê diferença entre os 'sanctus' do twitter que ameaçam estuprar crianças e um pai americano que não quer pagar pensão pra um filho que não é dele,( pq como a Lola mesmo disse, pra ela é tudo igual, tudo esse tal de 'mascu') então tb não me surpreenderia se essa fosse a definição oficial de racismo por aqui.

Liana disse...

Tem gente que adora forçar associações.

Lara disse...

OpenID ntwrdprss, não encaro como racismo o gosto pessoal da pessoa de namorar e casar com pessoas de certos biotipos, racismo pra mim é a pessoa se achar superior pq é branca, que o outro é feio pq o nariz não é afilado, o cabelo não é liso (...).
Eu tenho duas primas que são negras e só namoraram com homens brancos e não foi por racismo e sim pq é o que as atrai sexualmente, na época da escola tinha duas amigas loiras de olhos verdes os namorados eram negros, isso acontece muito não vejo nenhuma delas como racista por isso.

Pra mim o mais triste é que mesmo em um país tão diversificado como o nosso o racismo ainda exista.

-lia- disse...

Oi, Lola! dá uma olhada nesse artigo aqui escrito por uma mulher e veja as conclusões brilhantes sobre mulheres em ambientes de trabalho

http://br.mulher.yahoo.com/ser-bonita-demais-atrapalha-a-carreira-.html

Lord Anderson disse...

ntw

na verdade vc faz isso só para manter o habito de discordar de qualque coisa que a Lola escreva.

Simples assim.


E sobre os sanctus bem, talvez vc devesse reclamar com os proprios ou com os masculinistas que os imitam.

não é por culpa da Lola que eles se confundem.

Niemi Hyyrynen disse...

Complicado essa coisa de racismo né?

Racismo é uma coisa que as pessoas aprendem meio que por osmose, tá cheio de figuras caricatas de negros por ai, as pessoas negras são sempre retratadas da pior forma possivel e os legitimos representantes, estes não tem voz suficiente para dizerem umas verdades, dai que acabamos nós acostumando a pensar coisas terriveis sobre eles.

Lembro de ter contato a primeira pessoa negra, com uns 11 anos, mas desde pequena meu pai falava umas afirmações racistas, fiquei meio "desconfiada" não sabia como agir naturalmente na frente da pessoa, isso era muito doido!

Como se a pessoa não fosse tão natural como eu, na verdade o que não é natural, é odiar alguem sem motivo que justifique isso.

Lar Ternura disse...

Hoje mesmo passei por uma situação dessas, tenho uma colega de trabalho que não consegue esconder seu racismo em momento algum, hoje ela disse sobre uma atriz global "tinha que ser negrinha..."
Já debati com ela sobre o fato de a mesma ser racista mas é como alguém disse em um comentário "cada um pensa como pode", a/o racista não aprofunda, não análisa seu "posicionamento" simplesmente vomita ofensas...muitos desses são sim incapazes...

Mesquita disse...
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Mesquita disse...
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Bizzys disse...

Escola é mesmo um lugar comum para sofrer preconceito. Eu lembro que até a 6ª série eu NUNCA tinha ido com o cabelo solto para a aula, eu usava apenas tranças. Meu cabelo é muito cacheado e eu morria de vergonha. No dia em que finalmente criei coragem para soltá-lo, todo mundo ficou surpreso, até as professoras elogiaram, mas não demorou muito tempo até que meus colegas começassem a me chamar de "Maria-moita", "Walderrama", etc. Hoje em dia, eu aprendi a aceitar (e gostar) do meu cabelo, mas não antes de muito sofrimento.


Outra história de preconceito eu e meus pais sofremos dentro da própria família. Minha mãe é branca e se casou com um negro, e minha bisavó, muito preconceituosa não aceitou "um preto" na família de jeito nenhum. Quando eu nasci, ela não quis me ver, porque eu era "filha de preto". Ela sempre dava presentes para os bisnetos, mas não para mim, e desconsiderava minha mãe completamente, pelo menos até meu pai começar a construir a nossa casa - foi quando ela começou a nos tratar um pouco melhor. Pelo menos, é isso que minha mãe conta.

Espantoso é saber que hoje existem pessoas que penam e agem exatamente igual à minha bisavó, com uma mentalidade tão arcaica e preconceituosa.

Lord Anderson disse...

A Niemi falou algo serio

O racismo (e as outras formas de preconceito) é absorvido quase inconscientemente.

As imagens e piadas sobre negros, juntam-se as sobre homosexuais, sobre loiras, etc

tudo vai criando uma imagem pré-concebida das pessoas, que só mudamos quando paramos para refletir.

ter preconceito é facil, basta repetir o monte de merda que é despejado nos nossos ouvidos todo dia.

oq precisa de coragem e reflexão é parar, reconhecer os preconceitos e tentar mudar.

Liana disse...

Mesquita, "a maioria dos negros são criminosos (o que não deixa de ser uma realidade)"? Pensei que você ia dizer: "a maioria dos criminosos são negros."

E vale um adendo, "a maioria dos que são CONSIDERADOS criminosos são negros."

Até porque inventam nomes diferentes para mesma coisa(eufemismos) dependendo de quem pratica o crime: preto "rouba", branco só "desvia verba"; negro é "traficante", branco só "fornece diversão em pó aos amigos porque ele é muito parceiro", e por aí vai.

denise disse...

O racismo é um assunto dolorido de se tratar, porque quem é vitima se sente ferido, e acho que esse tipo de dor não se cura só com palavras.
Acho que as crianças como foi dito em alguns comentarios aqui as vezes podem ser bem cruéis, eu tambem presenciei uma historia muito parecida com a que a Vero contou, só não foi com uma negra e sim com uma garota que era considerada feia na escola em que eu estudei.
Bom seria se os pais ao perceberem qualquer atitude racista ou de descriminação em seus filhos pudessem corrigi-los, mas infelizmente essa atitude não é a regra

MARIA, L.P. disse...

Eu diria 'o racismo nosso de todos os dias'.

Achei o guest post ótimo, por caber perfeitamente na minha realidade e na minha experiência.
Realmente, as vezes tenho dúvidas se o problema é se não sou atraente o suficiente para alguns, ou se o problema é simples e puramente a minha etnia.
O lado 'bom' disso, é que naturalmente me afasto desse tipo de gente.

Abraço"

L disse...

A descrição da infância da autora do guest post, me lembrou a minha. Minha família por parte de mãe é majoritariamente branca, e sempre fui muito próximas a minhas primas. E elas sempre usavam as mesmas ofensas que a autora citou pra referir a meu cabelo. Isso sempre me atingiu de uma forma que o primeiro relaxamento que pedi pra minha mãe dar no meu cabelo foi aos 5/6 anos. E ela deu (era daqueles relaxamentos do netinho, pra crianças). E até hoje, por mais que eu não viva pranchando meu cabelo, sempre estou o relaxando. Mas demorei de ligar toda essa implicância que tinham com meu cabelo ao racismo. Até que eu uma discussão, que foi sobre eu não me encaixar nos padrões estúpidos que elas viviam sugerindo( além da implicância que elas criaram por eu não pranchar o meu cabelo, elas passaram implicar com meu peso, e nem é como se eu fosse gorda, meu imc é 18 e uma fração, era só por futilidade mesmo), uma delas disse : Você tem inveja, eu não tenho culpa de você ter nascido preta.

Tipo, ela quis dizer que eu tinha inveja da cor dela, como se a minha cor fosse inferior a dela.
Depois quando ela veio se desculpar, ela disse que não tinha nem porque eu ter me ofendido, que eu nem era preta. Era parda, moreninha, sei lá o quê. Nada menos que um velho padrão racista de tentar esbranquiçar algumas pessoas. Não há negros no Brasil, há pardos -N

O triste é pensar em quantas crianças crescerão como eu e a autora do post cresceram: Ouvindo que o cabelo é de pichaim, tendo a cor de sua pele citada em tom de ofensa, aprendendo desde cedo que o mundo a julgarão pela aparência...

Flasht disse...

"Os mesmos filhosdasputinhas"

Isso culpa essas mães que não dão educação e ensinam preconceitos

Lord Anderson disse...

claro.

afinal os pais não tem nenhuma obrigação com a educação dos filhos.

Capitã Amélica disse...

Flasht,

vc tem razão na sua observação. No calor do momento usei uma expressão infeliz.

Podem ser filhosdosputinhos ou netosdosvozinhos ou das vozinhas, ok?

Capitã Amélica disse...

Lord Anderson,

pra você digo que penso totalmente diferente. Imagino que tenha sido irônico, mas quero deixar claro que não compactuo com esse pensamento: acredito que a responsabilidade é sempre dos dois.

Tenho uma filha e o pai dela tem metade da responsabilidade na educação dela. Nunca houve outra alternativa. Nos parecia óbvio.

Ela é filha de ambos quando faz merda ou quando faz algo bonito. Ainda mais nos dias de hoje, com os homens se aproximando mais do papel de 'pais emocionais', isso (a responsabilidade) parece indiscutível.

Mesquita disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lord Anderson disse...

Capitã

Eu fui irônico sim.

é que não importa o assunto, quando não consegue negar o tema do post o Flash (e alguns outros) sempre querem colocar a culpa nas mulheres.

Se for feminista então...


No mais concordo totalmente com vc e seu marido.

a responsabilidade é do casal, isso é obvio, mas tem muita gente que ainda não se toca disso.

Mesquita disse...

Liana, eu troquei as palavras. Quis dizer que os a maioria dos marginais, criminosos são negros porque sempre foi visto nos presídios uma grande quantidade de negros. Mas é claro que existem brancos criminosos, mas na rua a pessoa tem mais medo de um negro do que um branco. Porque existe na consciência de muitos que a cor de um criminoso é a cor negra. O que é muito triste e horrível esse pensamento!

Gre disse...

Ah, esqueci de mencionar que meus avós paternos a cada neto que nascia ela raspava a pele com a unha e dizia: Mas pode ficar branquinha ainda! rs Crescemos com tratamentos diferenciados em relação aos primos e até com relação à minha irmã que é "bianchina"...

Mariana, será que a maioria dos criminosos ou supostos criminosos não seriam negros porque a população negra em nosso país é maior que a de brancos? Sempre tive essa dúvida, porque não consigo ver de outra forma.

Maria disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Joel Bueno disse...

Branco completamente azedo, pai de uma linda moça negra, fiquei um pouco negro também. Entendo perfeitamente o que vc diz.

Maria disse...

Liana, Mesquita, Mariana e Gre,
existe um livro chamado "Segredos e Truques da Pesquisa" em que Becker (o autor) fala muito sobre isso. Na verdade, não diretamente sobre racismo, mas sobre como conceitos são deturpados de acordo com o que se quer mostrar. Eu não entendi a afirmação da Mariana como preconceituosa, mas como evidenciadora do preconceito que nos é passado sutilmente sempre e sempre. E sempre e sempre nos martelam que as cadeias são apinhadas de negros/pardos.
De fato, o fato de a população brasileira ser formada em sua maioria por negros e pardos pode ser considerado um fator que contribuí para a proporção deles nas cadeias, mas não é só isso. Tem a ver também com o que a Liana disse: pobres (e aí deixo de lado a questão da etnia porque, apesar de ser extremamente importante, ela não é considerada o fator decisivo por cientistas sociais nesta segregação) são automaticamente vistos pelo sistema judiciário como corruptores, como meliantes. Já a elite dominante (de novo, não importando se ela é "branca" - até porque falar em branco no Brasil chega às raias da graça -, "japonesa", "tutsi", "nagô" ou o que seja), quando perpetra crimes, tem imensa facilidade em apelar para doenças mentais, desvios de personalidade e todos os outros nomes bonitos que se queiram colocar. É só ver o caso desse playboy que roubou o ônibus aqui no Rio: de fato, ele provavelmente sofria mesmo de transtorno bipolar, mas, se ele fosse pobre, acham mesmo que O Globo daria algum destaque para a alegação paterna? Ou colocaria rapidamente: "o delegado disse..." como uma figura de autoridade mais competente a respeito do comportamento do rapaz?

Desculpem pelo comentário gigante, mas é que tocou-se em um ponto que me fascina e eu adorei o livro do Becker :)

Joel Bueno disse...

Só agora li os comentários. E preciso dizer duas coisinhas.
Lord: racismo camuflado e diluído? só pra quem é branco.
Mariana: vc é racista. Se toque. Tem conserto.

Flasht disse...

Lembrem-se que os negros eram escravos e quando foram libertos não tinham nada e ainda não lhe davam a oportunidade

PS: apontem onde a Mariana foi racista

J. Machado disse...

Mariana racista?? Onde??

Lord Anderson disse...

Joel

Eu quiz dizer que oficialmente nosso pais e nossa sociedade não se vé como racista.

A constituição diz que todos somos iguais, e a propaganda diz que somos uma democracia racial.

preconceito? que isso?


mas a verdade do dia a dia é diferente, mas poucos são quem admite seu racismo e preconceito (geralmente só o fazem protegidos pelo anonimato da net), mesmo que o vivam praticando.

O camuflado foi nesse sentido.

Daní Montper disse...

Passei só para falar isto:

Flasht, quem estava usando o computador? Não esqueça de deslogar!! Ou hackearam? Pois não é possível que você tenha escrito isto daqui:


Flasht diz:
Lembrem-se que os negros eram escravos e quando foram libertos não tinham nada e ainda não lhe davam a oportunidade

PS: apontem onde a Mariana foi racista

Gente, fiquei emocionada! Só espero que na próxima mensagem ele não estrague tudo...

denise disse...

Tambem estranhei o comentário do flasht, deve ser algum fake dele.

Liana disse...

rsrs Daní, pensei a mesma coisa. Tive que ler duas vezes, quando normalmente não leio nem meia. Notei que de uns tempos para cá o Flash t tem ensaiado umas poucas opiniões mais moderadas e compreensíveis. Será fase, será fake? rs Eu acho que quem falou foi aquele que está registrado na certidão de nascimento, Flash t é o personagem que ele criou como válvula de escape para seus problemas com mulheres. Ora um, ora outro.

Mariana levantou questões muito válidas. Quando se cresce num ambiente no qual se vê de forma repetitiva um grupo de pessoas vivendo da mesma maneira, exercendo os mesmos ofícios, protagonizando os mesmos problemas relegados as mesmas faixas de atuação na sociedade tende-se a criar uma identidade que suprime, de forma bem imediatista, a realidade que os relega a esta situação. Confundimos ESTAR numa situação, com SER aquela situação. Isso pode se traduzir em racismo e em tantos outros preconceitos. Acho compreensível e não critico isso.

Não adianta demonizar as pessoas. Ninguém nasce racista nem está livre de estereotipar os outros. É preciso compreender os mecanismo que levam alguém a construir este tipo de pensamento para que eles possam ser desconstruídos. O que não significa, é claro, ser "bonzinho" nem ter sangue de barata. Ofensas como "macaca" ou coisa que o valha são inadmissíveis.

Ser capaz de ir além do óbvio do que nossos sentidos recebem exige uma educação que nos permita um pensamento crítico. Muitos não o fazem e nem sabem como, por isso educação desde muito cedo é fundamental. Depois de adultos, fica difícil.

Arlequina disse...

Isso me lembrou da minha falecida avó. Filha não de negra, mas de índia e com ascendência moura na família, meu pai saiu escuro, com cara de árabe. Quando ia brincar na rua de pequeno, voltava queimado de sol... "negro". Ela esfregava ele com álcool e sabão pra ver se tirava a "cor" dele, e embranquecia.

[Substituia uma cor pela outra: ele ficava era vermelho de carne viva.]

E mesmo ela sendo extremamente bonita, minha avó inventava de pintar o cabelo loiro. Quando o câncer pegou o estômago dela, ela comemorou que, pelo menos, ela estava de volta aos 50 kgs, isso com seus 70 anos.

O mais cretino é que às vezes me pego chocada com essa lembrança, mas, quando tenho alguma doença por qualquer motivo que seja, sempre penso que "pelo menos, perdi peso".

Lutar contra as coisas que te impõe é um trabalho diário. E a questão do racismo é a mesmíssima coisa. Lutar contra cada piadinha sem graça, contra cada lugar comum é algo que você tem que fazer todo dia. Porque tá todo mundo sujeito à deslizes, quando a gente tá cansado e acaba repetindo algo sem pensar.

É foda.

Gre disse...

Penso e espero estar certa de que a Mariana fez os questionamentos sem ironia e não vi preconceito aqui:
"Mas a questão se torna mais profunda. Por que tem mais negro na cadeia? por que tem tanto negro pobre? " Ela apenas pergunta como forma de questionar a origem de tudo isso, quando eu complementei questionando ao considerar que somos em maior parte negros, e claro que não é só esse o motivo Maria. Há toda uma construção histórica dessas (sem)noções preconceituosas.

Eu sou tão bem resolvida quanto as diferenças que sem hipocrisia nenhuma quis apenas dizer: Ei, estão na cadeia por que cometeram crimes, independente de cor, devem pagar pelos seus atos. Agora se são em maior parte, penso que não por serem negros, mas por sermos em quantidade maior.

O único lugar deste país onde a população negra é visivelmente menor é no sul. Sou de lá e sei muito o que essa minoria passa.
As cadeias de lá aprisionam loiros de olhos azuis em sua maioria. Apenas isso.


Também fiquei admirada com o Flasht.

Caroline disse...

Eu tenho um colega e faz pouco tempo que descobri que ele é extremamente racista. Ele costumava ficar fazendo piadinha racista e eu falava pra ele que, apesar de eu ser branca, meu avô era negro, africano, um homem honesto, trabalhador, como toda pessoa de bem, independente da cor, e que eu não gostava desse tipo de piada racista perto de mim. Bom, ele se tocou e parou com isso.
Mas daí um dia ele escreveu um absurdo no Twitter. Foi assim, ó: "Princesa Isabel fez a pior coisa pra esse país: aboliu a escravidão." Daí eu disse que ele não poderia estar falando sério. Ele me respondeu que estava falando mais sério do que nunca e arrematou com "o que esse tipo de gente faz? contravenções penais e eu fui vítima." Dai eu descobri que ele foi vitima de um assalto e que os dois assaltantes eram negros, por isso ele disse isso. Bom, daí eu disse pra ele que a cor da pessoa nada tem a ver com o que ela é ou deixa de ser. Bandido, gente ruim existe em todas as raças e credos. Ele me disse que "há exceções, mas que foi uma péssima idéia dela (Princesa Isabel)". No twitter aparentemente só eu dei reply nesse absurdo que ele tuitou. O resto nem deu trela.

E não satisfeito ele disse o mesmo no Facebook, mas daí ele foi bombardeado pelas pessoas. Uns disseram que isso poderia levar ele em cana, pra ele cuidar mais do que fala e etc. Acabaram com ele nos comentários. Ele apagou logo depois. Um absurdo né Lola. Fiquei decepcionada e muito chateada com ele.
Ele nunca mais fez comentários racistas no Twitter e no Facebook, mas vive enchendo a timeline de cantadas machistas, piadinhas machistas. Ele é ateu e fica todo dia criticando as pessoas que acreditam em algum Deus, que tem religião. Adora impor que o ateismo é o que há e que as pessoas são tolas e idiotas por terem fé. Se fossem só opiniões respeitosas, tudo bem, mas ele quer impor algo pras pessoas. Não é assim que funciona. Conheço ateus que são super educadas e que nunca me apontaram o dedo só pq eu tenho religião. É muito chato ver uma pessoa que vc achava que era legal fazer umas coisas dessas, né.
Bom, mas infelizmente gente assim tá cheio, né.

Meus aluninhos vira e mexe ficam fazendo comentários preconceituosos contra amiguinhos negros e eu no mesmo momento os repreendo. Tem que mostrar pra eles desde pequenos a respeitar as pessoas, não importanto a cor de pele q ela tenha.

Beijão Lola!!

Mylena M. disse...

Nunca sofri preconceitos por conta da minha cor, mas já sofri por outros motivos, como ser gorda (o que é muito estranho em um país em que uma grande parte da população é obesa) ou ser ateia, que é um motivo pelo qual sou muitíssimo discriminada... inclusive vi um video sobre a incitação ao ódio aos ateus hoje (http://www.youtube.com/watch?v=P3k-eRUO47A) que me deixou chocada por saber que como se já não bastasse grande parte da população declarar claramente que odeia ateus, uma pessoa pública disse na televisão aberta, pra quem quiser ouvir, que ateus são "do mal" (o video comenta a incitação ao ódio aos ateus que Datena fez em seu programa)... e toda vez que eu me sinto discriminada por conta do ateísmo eu penso sobre como deve ainda mais revoltante você sofrer preconceito por conta da sua cor... um simples traço genético... étnico...sobre o qual a pessoa não tem controle... e que não faz ninguém melhor do que ninguém!

Niemi Hyyrynen disse...

Flasht

Parabens! Vc demonstrou ter empatia por alguma coisa, viu? Acho que as pessoas aqui do blog ficaram felizes por vc e surpresas de um modo positivo!

Sobre o comentário da Mariana:

Eu acho que ela não é preconceituosa, pelo menos nunca demonstrou um posicionamento assim. Acho que ela quis mais fazer uma reflexão e se perguntar pq os negros tem uma situação tão desfavorecida no Brasil ao ponto de serem marginalizados e tendo que procurar outras formas de sobrevivencia que ficam a margem da sociedade.

:)

Luna disse...

Caroline, eu sei que não resolvia nada, mas se eu fosse você, teria tirado print dessa coisa de Princesa Isabel e mandado pro Classe Média Sofre que é basicamente um mural das merdas preconceituosas que o povo diz. Ou então o 'Não tenho preconceito, mas...'.

Lamento o fato dele ser ateu. Eu sou atéia e fico com MUITA vergonha alheia quando ateus agem assim. É como se estivessem me envergonhando pessoalmente, e só bagunça as coisas porque ateu já sofre um preconceito desgraçado e um desses ser todo preconceituoso não ajuda a desmitificar a imagem que o Brasil tem dos ateus.

Acho esses sites que divulgam comentários preconceitos importantes. Óbvio que não são revolucionários nem nada, mas dão uma boa idéia de como o preconceito está incorporado na sociedade.

Eu nunca sofri racismo, acho. Não de forma direta. Com as piadinhas de "cabelo ruim", sim, muito. Meu cabelo sempre foi cacheado, muito cacheado e até aceitá-lo foi um problema. E até querer mudá-lo e ficar com medo de trair os meus próprios princípios foi outro imenso processo.

Eu não consigo lembrar das atitudes racistas de algum conhecido meu. Me pergunto se é porque eu ignoro 90% do que se passa ao meu redor (eu sou assim, totalmente desligada do mundo. A maioria das pessoas falam merda e eu simplesmente não escuto pra retrucar -deficência auditiva de 40% define, rs) ou se é porque estou bem relacionada com as pessoas de modo que não tem nenhum racista no grupo (já que eu considero preconceito fator fundamental. Não consigo fazer amizade com gente machista/homofóbica/racista/preconceituosa). Eu espero, sinceramente, que seja a segunda explicação '-'

frô disse...

As vezes falta um "Curtir" nos blogs.. pq tem hora q nao da vontade de comentar nd.. nao pq nao exista nada pra comentar.. mas é como vc disse... se todo mundo for falar o q ta entalado, dá merd@... entao, fica aqui o meu "curtir"...
* frô curtiu seu post!

Caroline disse...

Luna to lendo nos sites os absurdos que as pessoas escrevem.

E quanto ao meu amigo, eu nem ligo pelo fato dele ser ateu. Pra mim é algo normal e nem tenho preconceito com isso. O que me deixa puta é que ele é um racista que quer impor a opinião dele a qualquer custo, nem que pra isso ele tenha que humilhar quem quer que seja. Lamentável.

Mylena M. eu li o video do link que vc postou. Concordo com tudo que ele disse. Esse Datena é um idiota preconceituoso.

Mariana. disse...

Gre

então deveria ter essa proporcionalidade em tudo. se tem mais negro na cadeia pq a maioria da população é negra, deveria também ter mais negro CEO, empresário, médico, advogado... essa proporcionalidade não existe aí não é?
e isso é culpa nao da inferioridade do negro (algo que não existe) e sim da falta de oportunidade.

Mariana. disse...

Joel Bueno: você não sabe interpretar um texto, se toque.

A todos os demais que compreenderam o que eu quis dizer, obrigada.
Não vou perder meu tempo com o Joel tentando provar que não sou racista. Não preciso. :)

Gre disse...

Mariana,

Read again, please.

Penso e espero estar certa de que a Mariana fez os questionamentos sem ironia e não vi preconceito aqui:
"Mas a questão se torna mais profunda. Por que tem mais negro na cadeia? por que tem tanto negro pobre? " Ela apenas pergunta como forma de questionar a origem de tudo isso, quando eu complementei questionando ao considerar que somos em maior parte negros, e claro que não é só esse o motivo Maria. Há toda uma construção histórica dessas (sem)noções preconceituosas.

;)

Mariana. disse...

Gre,

estava me referindo a esse comentário aqui:

"Mariana, será que a maioria dos criminosos ou supostos criminosos não seriam negros porque a população negra em nosso país é maior que a de brancos? Sempre tive essa dúvida, porque não consigo ver de outra forma".

Mas de qualquer forma já tinha visto esse outro. entendo e concordo com o que vc disse, obrigada!

Gre disse...

Ok Mariana...compreendido também.

Alice disse...

Muito legal o guest post. Contundente, fiquei com os olhos marejados.

Joel Bueno disse...

Numa coisa o Lord está certo: muitos racistas não admitem que o são.

verônica alcovér disse...

trabalho com crianças e é muito difícil quando um aluno, desses bem lindos e especiais, diz que odeia seu cabelo cacheado, crespo. Ele tem sete anos e fala em ÓDIO por não ter o cabelo lisinho da colega!
Me sinto condescendente dizendo que há beleza na diferença, que ele é lindo, que tem que ter orgulho da "raça" e da cultura dele quando tudo indica o contrário. Como incutir orgulho em uma criança que cresce nesse mundo feio? É difícil falar do valor das diferenças quando o padrão se tão violentamente...

Oráculo do Dragão disse...

Concordo que o racismo no Brasil é diluído. Assim como concordo que um racismo implícito gera tanto desconforto quanto o racismo descarado.
Meu tio é negro. Gerente de vendas de uma multinacional. Comprou um carro não muito popular, importado, zero km. Na mesma semana foi parado por policiais militares que queriam saber de quem era o carro, onde foi adquirido e conferir se não era roubado.

O PM que o abordou também era negro.

Eu estava lecionando desenho artístico em um bairro carente, uma das meninas, negra, desenhou uma menina, pintou o cabelo dela de loiro e os olhos de azul. Depois me perguntou "Que cor eu uso pra pele? Qual lápis é cor de pele?"
Eu retirei da caixa de 48 cores todos os lápis com tonalidade entre o ocre (bege) e o marrom. Pedi para ela riscar outra folha com todos os lápis e usar a cor que fosse mais próxima à cor de seu braço. A personagem dela ficou assim: Loira, olhos azuis e de pele bem marrom.

As crianças já crescem sob o estigma de que para ser bonito tem que ser loiro de olhos azuis. Até mesmo os próprios negros são criados em meio à pessoas que afirmam que a cor escura da pele determina caráter, lembrando que meu tio foi parado por um PM negro.

As consequências do racismo implícito estão claras no nosso dia-a-dia. No dia-a-dia de nossos parentes, amigos, namorados (as) e cônjuges. No dia-a-dia de nossas crianças. Pois as crianças prendem muito mais imitando os adultos do que dando ouvido à eles. De que vale você ensinar seu filho que discriminar é feio, se você mesmo conta piada de negros na roda de amigos, ou atravessa a rua ao se deparar com uma pessoa negra?

Combater o racismo no Brasil é como combater um inimigo invisível. O racista não tem profissão definida, gênero definido e nem mesmo uma etnia definida.

Discriminados desde sempre, até mesmo os próprios negros já estão começando a pensar como os racistas.

Isso não deveria ser uma guerra. Não deveria existir a segregação...
... mas, como sempre, a raça humana está atrasada até nisso.

lola aronovich disse...

Daní, vc escreveu sobre o Flasht:

“Gente, fiquei emocionada! Só espero que na próxima mensagem ele não estrague tudo...”

Finalmente descobri alguém que tem mais fé na humanidade do que eu!



Caroline, vc conta um caso ótimo: o seu amiguinho deixou de manifestar opiniões e piadinhas racistas quando viu que elas não eram bem recebidas no seu círculo social. Mas ele PRECISAVA ser preconceituoso de alguma forma (ou “politicamente incorreto”, que é como eu aposto que ele prefere se definir), e então passou a fazer piadinhas machistas. Porque o machismo não é criminalizado, e, portanto, ainda é socialmente aceito numa boa. Ele deve ter algum problema pra ter que descontar num grupo já marginalizado.

Lord Anderson disse...

Joel

Estar certo é um habito que eu tenho.


hehehehehe


(sorry Lola, sem querer tirar a seriedade do post)

Daní Montper disse...

É, Lola, eu ainda tenho... mas não sei se isso é um defeito ou qualidade. xD

Masegui disse...

Folga na hibernação para bater palmas pra essa mulher porreta!

CLAP, CLAP, CLAP, CLAP!!!

Ps.: mesmo sem tempo consegui dar uma olhadinha no blog dela: a muié não só escreve bem como pensa muito bem! palmas de novo CLAP, CLAP, CLAP!

Flávio Brito™ disse...

Não sei se alguém aqui já teve a oportunidade de ver algum pôster de alistamento do exército brasileiro. Geralmente no pôster eles colocam a imagem de três jovens: um branco, um negro e um índio.
Trabalhei sete anos no QG do exército, vi centenas de Generais entrando e saindo diariamente do forte.
Quantos Generais negros eu vi ao longo desses anos?
Nenhum!
Mas uma Senhora que trabalhava lá há uns 25 anos disse que uma vez ouviu boatos que teve um coronel negro que a poucos dias de se aposentar foi promovido a general.
Oficial negro já é coisa rara, índio então nem se fala.

Meu esporte favorito é a formula 1 e quantos pilotos negros ha na temporada?
Acho que vocês já sabem a resposta.

Quando eu era moleque me perguntava vendo a TV: Perai, porque todas as apresentadoras dos programas (infantis) são loiras?

E não me lembro de já ter me consultado com médico negro.

A tão civilizada, laica e moderna Europa ao ver um jogador negro em seus gramados têm a torcida dos times de futebol jogando bananas no campo e imitando macacos...

E quando era criança lembro-me ouvir algumas pessoas dizendo: Uma menina tão bonita com um negro desses...

Mas as coisas já foram piores estamos melhorando a passos lentos

Miriam Jácome disse...

Eu não consigo aceitar essa "arenga" toda em torno das raças. Sou apaixonada pelo olhar do negro, pelo sorriso maravilhoso. Amo um negão lindo, que é pai dos meus tesouros. Somos felizes nessa mistura perfeita que formamos. O que falta às pessoas é se despirem de suas insatisfações pessoais parar de jogar nos que são diferentes delas a culpa por suas próprias imperfeições. Negro, branco, amarelo, que importa? O que vale é que são essas diferenças que nos fazem crer na vida, crer que alguém perfeito criou isso tudo e que é isso que nos faz menos monótonos e sem graça. Essa coisa de racismo, preconceito, só revela em que nível de atraso a maioria da humanidade se encontra em relação à vida e ao autoconhecimento. Deus tenha misericórdia de nós!

Bruna disse...

Acho mto dificil uma pessoa que cresceu em um país como o nosso não carregar vida afora várias concepções racistas. Acho dificil mesmo, quase impossível. É preciso se vigiar todos os dias, treinar a reflexão sobre as idéias que já chegam prontas, educar o próprio olhar pra não acreditar num só tipo de beleza. Todos os dias, pra sempre... Mas às vezes é mais fácil encontrar o racismo na fala do outro, como aconteceu com o comentário da Mariana. Bom, quem sabe já é um começo.

Flasht disse...

Vcs são muito emocionais mesmo hein? Sou eu mesmo, o 1º e único Flasht
, já apoiei a Liana que me mandou fazer terapia (ou me mandar cuidar de uma planta, um animal e depois evoluir para pessoas, sem saber que moro num sítio e já faço muito isso¬¬), a Niemi, que já disse que eu não tinha mais jeito... procuro não atacar ninguém em particular, apesar de poder ter saido algum ataque meu por aí, mas depois de ter levado vários

Gosto de Todos aqui
E viram como minha 1ª postagem neste post foi útil? a autora apareceu
E quero dizer para ela que fui implicante no seu vício de linguagem rsrs mas ela teve o mérito de eu apontar apenas esse "erro"

ntwrdprss disse...

@Lord coisa:
Se tu lesse o que eu escrevo antes de falar besteira notaria que eu concordo com ela sim em muita coisa.Por ex aquele demente que ameaça estuprar uma menina de dez anos, tem que prender, internar, o que for.Eu não falo mais sobre isso porque é uma coisa tão óbvia que não tem mesmo o que falar, pelo menos quem não tem o grande dom da encheção de linguiça.

Agora por outro lado, A SUA atitude falando que eu só quero discordar por discordar, em vez de focar nos argumentos, (uma idéia pra ser verdadeira não depende de quem fala,é, eu sei que vcs não conseguem entender isso) é outro exemplo do mesmo padrão que eu cansei de encontrar em dezenas de esquerdinhas pela net: argumentum ad hominem.
google, quem sabe vc aprenda algo.

Maria disse...

@ntwrdprss

Já que você gosta de brincar, vamos brincar também: Assim como não vemos diferença entre o policial que prendeu judeus no Vel d'Hiv e o conterrâneo francês que denunciou a família à polícia, pois ambos eram nazistas, não, não vemos diferenças entre masculinistas.
"Reductio ad absurdum" com o seu argumento, viu só como eu também posso falar latim e parecer arrogante também?

Só um palpitinho na sua vida? Por que não ouve mais música, sorri mais para o seu vizinho e defende menos gente que odeia os outros?

Ó, Beatles para todo mundo que tem amor no coração!
http://www.youtube.com/watch?NR=1&v=LedUjMuTR7Q

Liana disse...

(segundo utilização corrente na internet, não corresponde a definição correta do termo)

"argumentum ad hominem": moderno mecanismo de fuga intelectual utilizado por quem não quer ser diretamente criticado pelas trollagens que pratica ou pelas incorreções que comete. Grita-se, em latim pra ficar xiki, tentando tirar o seu (*) da reta.

Engraçadinho é que essa gente esquece que existe algo chamado "Ad hominem não falacioso", que é quando a crítica à pessoa procede. Válido também é destacar que quem reclama de ter sua resposta avaliada segundo este tipo de argumento, muitas vezes, o usa frequentemente.

Quero ver é falar "ad hominem" no botequim, na festa de fim de ano com a família, durante o sexo ou, quem sabe, discutindo com um estranho na rua.

Diálogo após uma fechada no trânsito:

- Seu filho da put*!!
- Isso foi argumentum ad hominem.

Pelo menos ia ser engraçado, mais do que quando leio isso numa telinha brilhante.