terça-feira, 3 de maio de 2011

COMO VICIAR NOSSAS MENINAS EM 300 MIL LIÇÕES

Os tempos definitivamente mudaram, só não tenho certeza se foram pra melhor. Tipo, quando eu era criança, não havia ninguém na minha turminha que tingisse o cabelo. E talvez até fosse divertido encher o rosto de blush, mas uma coisa era atacar o estojo de maquiagem da mamãe quando não tinha ninguém olhando, outra era ter o seu próprio estojo, e ficar se checando no espelho o tempo todo. Era extremamente raro alguma menininha adotar esse estilo de vida nos anos 70.
Já hoje é assim: há spas para crianças, e esses spas incluem, além da dieta obrigatória, tirar sobrancelhas e fazer depilação preventiva (lógico, porque assim como ninguém faz dieta pra ficar bonita, só pra ficar saudável, todo esse ritual da aparência não é visto como uma imposição estética, mas higiênica: é sujo ter pelos). Uma grande rede de supermercados acabou de lançar toda uma linha de maquiagem para meninas de 8 a 12 anos, as chamadas tweens (consumidoras no limiar entre a infância e a adolescência). Nos EUA, tweens já gastam cem milhões de dólares por mês em produtos de beleza (e olha que não vou nem mencionar essa praga de concurso de miss pra garotas de 5 anos). As meninas não falam mais em diversão como motivo para copiarem mulheres adultas. Hoje elas dizem que querem ser sexy, mas ser sexy pra quem aos nove anos? Pra si? Pra meninos que nessa fase ainda nem têm interesse pelo sexo oposto? Pra pedófilos?
Tem mais: as cirurgias plásticas para menores de 18 anos dobraram nos EUA na última década. Mais um dado: em 2005, a média de idade das americanas para começar a usar produtos de beleza era 17 anos. Apenas quatro anos depois, essa média já tinha caído pra 13 anos. Outro: uma estimativa aponta que meninas entre 11 e 14 anos são expostas a uma média de 500 anúncios por dia. Imagina o que isso faz pra autoestima.
Por aqui, segundo um estudo da Universidade Federal do Pernambuco, 90% das brasileirinhas entre 10 e 14 anos se acham gordas e fazem regime. Olha só que idade propícia pra se desenvolver doenças gravíssimas como bulimia e anorexia!
A revista Newsweek analisou as últimas tendências de beleza e constatou que uma menina americana de 10 anos, ao chegar aos 50, terá torrado quase 300 mil dólares — só com o seu cabelo e seu rosto! Vamos nos concentrar somente no que uma mocinha gasta com pedicure e manicure, e já dá pra pagar quatro anos de universidade nos EUA (e olha que universidade americana é quase tão cara quanto creminho anti-idade). Se essas meninas já estão obcecadas com rugas imaginárias aos oito anos, não quero nem pensar no que farão quando chegarem a uma idade em que rugas realmente existam.
Pareço exaltada? Pois é. Ainda estou esperando que alguém me explique que isso é bom pras meninas. Tem quem veja minhas queixas como uma tentativa ditatorial de lutar contra o consumismo. As garotas deveriam ter a liberdade de escolher o que consumir, ué. Mas de qual livre arbítrio estamos falando, cara pálida? Não há mais opção. Tente encontrar sapato sem salto para sua filhinha de seis anos, e depois a gente volta a conversar.
Sabe como lanchonetes de fast food anexam brinquedos aos seus hamburguers para que as crianças se tornem consumidoras pra vida toda? Quanto antes se fisga um cliente, mais fiel ele será ― de preferência, pro resto de sua miserável existência. Como isso é diferente de convencer meninas de cinco anos que elas não estarão completas se não estiverem usando batom? Vou fazer analogia com cigarro, se me permite. Por que quase todos os países proibiram propaganda que seduzisse os menores de idade a fumar? Porque ela funciona! Por exemplo, nos EUA, o personagem da marca Camel, Joe Camel, teve de ser extinto, por ser popular demais entre as crianças. E por que a indústria do cigarro tenta cativar seu consumidor quando ele é assim tão novinho? Porque ele tem menos acesso a campanhas anti-tabagistas, e menor poder de discernimento. Ele é mais facilmente influenciável. Dessa forma, esse consumidor-mirim crescerá associando os bons momentos da sua juventude com cigarro.
Certo, no cigarro, pra solidificar o vício, os fabricantes incluem nicotina e mil e um produtos tóxicos que fazem deixar de fumar algo muito, muito difícil. Ah, dirá você, mas fabricantes de produtos de beleza, ao alvejarem as menininhas, não se valem de substâncias viciantes. Não mesmo? Centenas de imagens por dia e toda uma associação de beleza com felicidade e aceitação (e, hoje em dia, com saúde e higiene!) não são viciantes? Pra mim isso soa como lavagem cerebral. Ah, mas dirá você novamente, cigarro faz mal pra saúde, já está provado, enquanto usar produtos de beleza, não. Bom, não sei, acho que é péssimo pruma sociedade submeter metade de sua população a uma ditadura da beleza, ainda mais quando essa metade é justamente a que ganha menos, e forçá-la a dedicar enorme parcela de seus rendimentos a produtos sem fiscalização, que geralmente nem cumprem o que prometem. Pra ser bonita, tem que consumir (não existe mulher feia, só existe mulher pobre, diz o ditado elitista). Pra ser feliz, tem que ser bonita. Pra ser mulher, tem que ser feminina (leia-se vaidosa). Isso tudo a gente ensina a nossas meninas desde a mais tenra idade. Sinceramente? Esses bombardeios eternos me parecem mais viciantes que uma fumacinha com nicotina.

90 comentários:

Deize disse...

Post irretocável,Lola, parabéns!

Guilherme Rambo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Guilherme Rambo disse...

Sem comentários. Perfeito!

Paola disse...

Concordo, concordo, concordo!
Tenho duas filhas, a mais velha, mais desencanada não leva muito a sério essa história de baton. MAs nasceu antes da internet, antes da tv a cabo, só assistiu aos programas infantis da cultura...
A mais nova não, já nasceu na era da internet, viu muita tv a cabo, vira e mexe vem com uma história de querer pintar a unha, fazer sobrancelha... outro dia até se manchucou com a pinça... mas ai vem o papel da mãe... de dizer não de limitar a brincadeira... uma coisa é brincar de "estrela de cinema", pintar a cara, vestir uma roupa cheia de brilho da mãe é bem diferente de querer fazer depilação para usar o short do uniforme, aqui na minha casa a coisa é assim... na base do "bem-do-seu-tamanho" (da Ana MAria Machado), tem tempo para tudo....
Bj
PAola

Pandora disse...

Deus te conserve Lola, assim, fazendo como a Deize disse: "Posts irretocaveis".

No mais, faço como a Paola: "Concordo, concordo, concordo!"

Ághata disse...

Essa indústria de cosméticos é doentia!! É a única que continua lucrando até em período de crise econômica! Por quê? Porque a base da autoestima da mulher está na sua aparência. Não vai conseguir emprego, não será bem tratada, vai ter de engolir conselho e comentários jocosos sobre sua aparência e - o pior! - não vai pegar homem algum se não for linda e deslumbrante!

PS: a maioria dos cosméticos tem substâncias cancerígenas e tóxicas. Tem um vídeo sobre isso naquele "The story of stuff". Confira aqui: http://www.youtube.com/watch?v=N_Jr8BBfD_U

Ultra disse...

além do absurdo dos testes que a industria dos cosméticos faz com animais, o que causa dor, sofrimento e lesões irreversiveis, para garantir que não ajam efeitos nocivos ao homem. =(

Priscila disse...

Heheh, o adjetivo "irretocável" ficou divertido pra descrever um post que fala sobre cosméticos. :) (Sem ironias, Deize, de verdade. ;-))

Eu me considero exceção nessa história por ter crescido em meio aos meus três irmãos mais velhos e aos amigos deles - ou seja, cercada de moleque por todo lado - e nunca me preocupei demais em ser "mulherzinha" (esse conceito nem existia pra mim). Inclusive, eu fazia amizades muito mais facilmente entre os meninos, justamente porque achava as garotas umas fúteis e frescas que só queriam saber de maquiagem e roupas! (Ok, estou generalizando. Tive uma ou outra amiga bacana.)

Hoje estudo fora do Brasil e moro com uma família que tem duas garotinhas, de 4 e 7 anos. Um dia, a maior resolveu brincar com meu estojo de maquiagens, que eu expliquei que só uso em ocasiões especiais e que não gosto de usar todos os dias. Para minha feliz surpresa ela respondeu "é, eu também acho! maquiagem tem que ser especial, e se usar todos os dias deixa de ser especial". POHA, eu quis abraçar a menina!!! Fiquei orgulhosa como se fosse minha filha. :D

Queria tanto ouvir isso das garotinhas brasileiras também.

Roberta disse...

Olha, Lola, fácil não é mesmo. O bombardeio na Tv, na intenet, e a pressão na escola, das amiguinhas, é digno de filminho americano. Aliás, filmes tipo "Barrados no Baile" (não conheço os atuais) viraram vídeos de sobrevivência pra elas. Tenho uma menina de 10 anos e faço de tudo pra ela desencanar dessas coisas. Ela pende mais pro lado do rock, como a mãe, mas é criança, vê desenho e ainda consigo levá-la com as amiguinhas ao parque (coisa que as mães delas não fazem, só vão ao shopping!).
A luta é diária.
Ainda bem que ela mesma acha esses exageros ridículos!
Pobre criança, está fadada a entrar para o "Clube dos Esquisitos" onde a mãe é presidente!
Belo post.

Leila Silva disse...

Eu também concordo concordo concordo e fico igualmente horrorizada com o que estão fazendo com as menininhas. Outro dia uma manicure me disse que faz as unhas de uma menina de 6 anos e que a mãe da menina insiste em que ela tire as cutículas...como uma mãe pode fazer isso? Um dia fui buscar minha sobrinha no curso de dança e uma professora estava esticando os cabelos de uma das meninas, a menina reclamou e a professora disse: 'Não reclama, tem que aprender desde cedo que mulher tem que sofrer pra ficar bonita'
Argh, é cada uma, acho que se eu tivesse filhos (sobretudo filhas) ia ficar neurótica, não tenho a mínima ideia de como iria lidar com essas coisas. É sem dúvida uma lavagem cerebral, não outro nome.
Abraço

Thiago Pinheiro disse...

Verdadeiros absurdos. Às vezes até acho que deveriam ser proibidos os saltos altos e tingimento de cabelo para crianças. Eu não entendo como os pais possam pactuar com este tipo de coisa. É retirar das pequenas a oportunidade de correr e brincar. Embora, saibamos que infância é uma construção social recente em termos histórico,cuja origem havia um componente de classe. Ainda assim é algo para se preservar. Todos nos lembramos como um período especial, então por que permitir que preocupações adultas tão pouco "engrandecedoras" a moldem.

Laetitia disse...

Faz tempo que eu tenho notado isso. Parece que estamos vivendo uma espécie de retrocesso... eu fui educada nos anos 90, mas por uma mãe que saiu da geração revolucionária dos 70 e que me dava os brinquedos dela própria, qdo mais nova, pra eu brincar. Tenho 21 anos, nunca usei salto e hoje a minha maior diversão "feminina" são as coisinhas coloridas como esmaltes e batons, que eu uso esporadicamente, qdo dá vontade. Só fui descobrir essas coisas com uns 18 anos e frequentemente saio de casa despenteada.

Eu simplesmente morro de tristeza quando vejo uma menina com a metade da minha idade e o quádruplo da minha "montação" no ônibus, por exemplo. Gente, o que é isso? Eu sei que o capitalismo tá cagando pras pessoas, mas assim já é demais, né? Não sei se sou pessimista demais, mas já consigo vislumbrar uma geração de futuras "amélias": ignorantes, sem vontade própria e, possivelmente, até mal desenvolvidas fisicamente.

Pq, PQP, uma criança precisa brincar, aprender, aproveitar a infância, e a preocupação em se encaixar nos padrões da sociedade cerceia e MUITO essas atividades. Como vc pode correr, pular, se sujar se está preocupada com o alinho do cabelo e o estado da maquiagem, se está com os pés presos em sapatos inadequados? Como pode ser feliz e se ocupar das muitas atividades da infância se está desenvolvendo transtornos psicológicos em relação à aceitação da própria aparência? Sem contar que perder tempo com estética deve atrapalhar um bocado a vontade de estudar... é comum ver meninas dormindo na aula pq acordaram as 5h da manhã pra fazer chapinha no cabelo. E, mesmo que não chegue a esse extremo, só passar umas horas olhando cosméticos na internet já causa um prejuízo danado.

Laetitia disse...

Ah, outra coisa: andei reparando que algumas escolas particulares voltaram a adotar o uniforme de saia e sapato de saltinho pra meninas. Como assim, gente? Vamos voltar à época em que só os meninos tinham direito de jogar futebol?

Erika Barros disse...

Teve um episódio da Supernanny (a inglesa) em que ela faz 'experimentos' e um desses era avaliar como as meninas se viam em diversas faixas etárias. Espantoso que meninas já na faixa dos 5 anos se viam mais gordas do que realmente eram e gostariam de ser mais magras. E julgavam as crianças e pessoas gordas como incapazes de serem felizes. A própria Supernanny ficou pasma com a experiência.

Nisia disse...

Isso, isso, isso!!!
Como é bom ler isto!
Esse negócio de sapato pra criança de seis anos é realmente um problema. Não tem sandália normal, todas são "sexies". Eca! E dá-lhe plástico cor-de-rosa, e com loiras barbies, xuxas e afins, ou personagens bobos, todas com glitter, metalizados, frufrus mil.
Se eu quero um calçado decente, clássico, tenho que pagar uma fortuna. É o fim. Ate o all-star mais básico custa uns 80 reais.
Agora é a onda do esmalte.
Pelo menos consegui fazer minha filha entender que maquiagem só tem lugar no palco, quando for fazer uma apresentação teatral. Fora isso, necas!
Fica o link que acho que Lola já citou antes, do pinkstinks.co.uk.
É uma ótima proposta.

Denise disse...

Uma palavra: triste... Realmente. Será por essas, dentre outras razões, que quase todas as mulheres que querem ser mães, que conheço, não querem ter filhas (gênero feminino mesmo!)???

Nisia disse...

Laetitia,
Vc tá falando de saia de pregas e sapato boneca? É sério?
Se exigirem isso das meninas, que exijam para os garotos o sapato social e calça correspondente, no mínimo.
Com a opção das meninas usarem calça também, como era no Pedro II.
Acho que o ideal é o uniforme idêntico, assexuado: calça de sarja e camiseta, modelagem quase idêntica para meninos e meninas. No colégio do meu filho é assim, e acho excelente.

bibi move disse...

chocada com as historias nos comentários!
espero que a moça tenha respondido à besteira dita pela professora de dança!
Lola, você já viu o filme curto- the story of cosmetics?
é genial.
poe no google.
a autora (a mesma da story of stuff) aponta diversos dados sobre a salubridade dos corantes, chumbo etc usados em cosméticos.

Suzana Elvas disse...

Eu tenho duas filhas, de 10 e 12 anos. Encrespei essa semana por causa da de 10 anos: a professora dela toda hora vinha com um "Cadê o seu sutiã?" Ela, que mal tem nada, começou a cruzar os braços para tudo, andar curvada e sem querer ir pra escola. Foi mandar um comunicado escrito "minha filha vai corretamente uniformizada todos os dias e quaisquer outras peças do vestuário que porventura a escola vise por bem recomendar deve ser solicitada diretamente a mim, como responsável legal. Outras demandas desse tipo que venham a ser solicitadas à minha filha serão encaradas como assédio moral e assim tratadas legalmente" que rapidinho a alta direção enterrou o assunto debaixo de zilhões de desculpas, e o assunto morreu.

Chacrinha no galinheiro, só assim. Porque insinuações de depilação nas pernas de ambas virou piadinha corrente. Sutiãs com enchimento para as meninas na faixa etária dos 10 anos já viraram moda - e as professoras adoram! Comentam, incentivam, acham uma gracinha!

Esmalte lá em casa só em ocasiões especialíssimas - aqueles brilhantes, bem cheios de purpurina, que é o que criança gosta. Batom elas usam o da Nívea - na verdade, protetores labiais. Minha filha mais velha usou "salto" (2 centímetros) na formatura dela - ocasião em que fez, pela primeira (e única) vez, as unhas no salão.

Como meu pai gosta de dizer, "é a educação moderna". Se os pais não permitem, os filhos não têm. Se os filhos têm, os pais permitiram. E o mercado atende.

Lola, eu sei que você vai ficar tão brava comigo, mas eu tenho que confessar: esses dias senti tanta falta... da sua Mamacita!
Bjs

Lord Anderson disse...

Sem contar aquele absurdo que foi sutiã com enchimento para meninas de 6 anos...

Eu as vezes brigo com minha irmã pelo excesso de rosa que ela escolhe para minhas sobrinhas, mas pelo menos nesse quisito, ela e meu cunhado ficam firmes e não deixam a influencia da publicidade estragar a infancia das meninas.

manuzinnha disse...

Era ótimo quando a minha maior preocupação era esconder a mancha de terra do uniforme branco da creche. Tudo bem que eu sou desleixada desde sempre, ou sou simplesmente normal por rir das minhas amiguinhas da 2ª série que ficavam parecendo palhaças depois de apanhar de tanta maquiagem que passavam.
Quero muito ser mãe, mas quando vejo a minha priminha fazendo a unha mais que eu e indo a festas e chigando a mãe dela... Penso mais em me clonar pra que minha 'filha' pense mais em subir em arvores do que não querer brincar pra não sujar a roupa.Mas isso não vem de quem educa, infelizmente já que eu ia no McDonalds só pelo brinquedo sim, comprava o produto, pegava o brinquedo e dava o lixo pros meus pais comerem. Bom, isso ninguem colocou na minha cabeça, até porque na época capitalismo devia ser um bicho ou algo do tipo pra mim.
Concordo em genero, numero e grau com o post, só queria uma solução direta pra minha futura filha não se tornar VITIMA disso..

Ginger disse...

Lola isso é horrivel !

Não sou tão nova assim, tenho 16, mas essa pressão de me "cuidar" é demais pra minha cabeça, eu sofro bullying na escola pq eu ando muito relaxa, (isso significa não passar baton, não fazer a sobrancelha e não usar brincos ou outros acessórios).

Falam que eu ja to na idade de me "cuidar" pq ja sou mocinha, sou estranha, esquisita, feiosa, monstro, pq não sou vaidosa.

=/ no Hand passei a jogar de goleira pq dai eu uso calças e não tenho que mostrar a minha perna...

triste, fico muito chateada.

Roberta disse...

Ainda bem que quando eu era criança,eu e meus colegas nos divertiamos correndo na rua e assistindo dragon ball.

Uma materia sobre isso da época.

http://colunas.epoca.globo.com/mulher7por7/2011/04/23/guarda-roupa-de-suri-5-anos-vale-r-6-milhoes/


A filha do Tom Cruise ,Suri,parece uma anã de tanto que ela se "arruma"pra sair na rua.

Nisia disse...

Ginger, vc tem 16 - fica firme, menina! Não ligue pro que os outros dizem, a vida inteira quem foge do padrão tem que ouvir todo o tipo de coisa.
Relaxe e seja feliz.
Você não está sozinha!

Roberval disse...

Que horror isso, meu! Absurdo, essas crianças pintadas me parecem bonecas de filme de terror, acho péssimo.

Pior os pais que acham isso lindo e ficam comprando esses venenos para as meninas, sutiã com enchimento e sapato de salto! Triste, onde o mundo vai parar?

Ana Claudia disse...

Sendo mãe de duas meninas eu fico mesmo preocupada com o futuro... Elas são pequenas (uma tem 4 e a outra tem 2 e meio). Claro que elas querem usar batom igual a mamãe e eu sempre tenho que esconder os meus para que elas não os destruam. Acho muito natural as filhas quererem imitar a mãe, mas eu sempre digo que essas coisas elas só poderão usar quando forem do meu tamanho. Às vezes elas querem passar esmalte ( e bem colorido). Eu passo nelas e digo que é apenas para elas brincarem em casa e não para andar na rua ou passear, porque é apenas uma brincadeira. Mas eu sempre vejo as amiguinhas da creche com as unhas das mãos e dos pés pintadas...

Carolys disse...

Simplesmente espetacular esse post.
Fiquei pensando exatamente isso quando vi um anúncio de um shopping daqui: http://bct.im/1iR
Acho que ele traduz muito bem seu texto.
Me desculpem os criadores desse anúncio mas, essa imagem foi de extremo mal gosto.

Se um dia eu tiver uma filha, vou fazer de tudo pra ela ter uma infância parecida com a minha.

Ginger disse...

Nisia

É dificil tentar encarar tudo isso numa boa, eu até tento mas as pessoas provocam, tentando te colocar no padrão.

Quando eu fiz 15, queriam fazer pra mim aquela papagaiada toda de festa de debutante, ¬¬ ganhei um estojo de maquiagem da minha tia que disse ser "carissimo" e que eu deveria aprender a gostar disso. Imperativo assim.

No ano passado colaram chiclete no meu cabelo, "a monstrinho tem um cabelo bonito hein!?" paf, colaram o chiclete nele, eu fiquei revoltada, chorei muito.

E ainda perguntaram, pq eu tava chorando por causa do cabelo, eu não gostava de me cuidar mesmo.

=/

Letícia Rodrigues disse...

Daqui a pouco tempo é capaz de já estarem fazendo cosméticos para recém-nascidas, e as meninas passarem a sair da maternidade maquiadas, assim como já saem com a orelha furada!
Isso afeta o comportamento das meninas, vc vai a uma festa de criança e percebe que os meninos se divertem mais. Aí quando comenta sobre isso tem sempre alguém para responder que "as meninas amadurecem mais cedo", que "isso é natural". Mas verdade é que as meninas já estão usando seus espartilhos pós-modernos.

Gabriela disse...

Mto bom esse post e incrivelmente triste o que está acontecendo com praticamente crianças...

Estive nos EUA faz pouco tempo e me chamou a atençao a quantidade de maquiagem que as gurias de 10-14 anos estao usando...

Ariadne Melo disse...

Eu tenho uma prima que acabou de fazer 12 anos e desde que se entende por gente anda por aí de salto, roupinha apertada, esmalte, maquiagem, batom, luzes no cabelo... A primeira vez que ela fez luzes no cabelo tinha uns 7 anos.

E aida tira foto de biquini, com pose de modelo sensual pra por em redes sociais... Eu fico super preocupada, pra mim isso é chamariz pra pedófilo. Mas se nem minha tia coloca um limite nessas coisas (ela nunca colocou), como é que eu vou conseguir conscientizar, né? Complicado...

Carolys, esse anúncio é horrível. Fico pensando se hoje o padrão ideal de beleza é de mulher jovem, com 18-22 anos, fico imaginando daqui há alguns anos se as coisas continuarem assim. O padrão de beleza vai ser o que, garotinhas de 12?

Ginger, eu tenho 22 anos e passei por problemas muito parecidos com os seus e sei como é bem complicado tudo isso. =/

Carolina disse...

Vou te dizer, Lola. A vida toda fui taxada de "relaxada" por muita gente, inclusive minha mãe (que também se considera uma), não por falta de banho, mas por não gostar de me arrumar á menos que esteja indo pra uma festa!!! Com duas filhas que foram contaminadas pelo excesso de vaidade por minha irmã e pela escola (pintam as unhas enquanto eu tõ trabalhando ou passam batom antes de ir pro colégio, inclusive) elas próprias acham meu discurso babaca e me taxam de "relaxadona" também! Me diz, Lola, que que eu faço? Me mudo com elas pro Alasca, de repente? O que me dá esperança é que a mais velha, com 11 anos, tomou meu gosto por rock nacional, alguma coisa de MPB já escuta, vê séries e filmes que eu indico, é leitora ávida de Mafalda e, aos poucos, tá começando a admitir que meu discurso não é tããão babaca quanto ela pensava!

Carol disse...

Não quero ser a nostálgica chata... mas na minha época - que nem é tão atrás assim - eu realmente brinquei de correr na rua e subir em árvore até os 12, 13 anos.

Aos 9, 10, eu era doida pelo estojo de maquiagem da minha mãe: pra tentar fazer uma pintura camuflada pra brincar no mato. Juro! Fui aprender a passar essas coisas na cara já na faculdade.

Atualmente, como trabalho num posto relativamente importante, e sou nova (tenho 25) eu até ando maquiada... tento parecer mais velha mesmo. Vai entender, nem eu me explico. Mas não consigo entender uma criança assim!

Sutiã eu comecei a usar velha também. E só quando foi estritamente necessário. Lembro o dia exato em que depilei as pernas pela primeira vez: tinha 15 anos.

A única coisa que usava quando era mais nova (ou seja, menos de 18 anos) era batom de cacau. Mas isso porque aqui em Brasília é muito seco em grande parte do ano, e meus lábios rachavam de sangrar. Aliás, até hoje eu só gosto de batom de cacau... batons 'com cor' sempre me fazem me sentir meio palhaça... E sapatos? Viva as sapatilhas! Sério, existem umas que são meeeeeeeega confortáveis e bonitas. Salto alto eu guardo pra festas - e ainda levo um chinelinho na bolsa, pra trocar ali pelo meio.

E aplausos pra comentarista que disse que ameaçou processar a escola por assédio moral. Tem que ser assim mesmo. E é assédio moral mesmo!

Angélica disse...

Vejo essas coisas e fico me sentindo um ET: tenho 28 anos e comecei a usar creme no corpo outro dia (no rosto a luta tem um pouco mais de tempo porque tenho a pele oleosa e a acne é um tormento).

Quanto a maquiagem, depilação, roupas e sapatos, sou de lua. Tem hora que gosto, tem hora que enche o saco.

Mas, como não poderia deixar de ser, a "ousadia" em não andar montada 24 horas por dia já me rendeu muitas crises de autoestima, algumas alimentadas por críticas da própria mãe à filha "desleixada".

Só que eu acho que nem ela, na sua mais ardorosa defesa da "feminilidade", seria capaz de bizarrices como as que vejo cometerem com crianças tão novas hoje em dia. Estamos diante de um mundo muito perigoso para as pequenas.

Nelly disse...

Amada Suzana,
que saudades menina! Tanto tempo, ne. Se bem que eu leio sempre o Breviário das horas e acompanho as aventuras de Zé Colméia e Catatau. Muito obrigada pelo seu carinho e por se lembrar de mim. La Mamacita

Bonnie disse...

Tenho horror a crianças maquiadas, de salto, roupas inapropriadas pra idade... odeio essa coisa de transformar crianças em mini adultos e odeio ainda mais pais e mãs que incentivam esse comportamento. Fico mais horrorizada ao ver o tanto de gente que acha isso normal ou, pior, "uma gracinha". Acha que criança maquiada está "se cuidando". Criança não precisa "se cuidar", criança precisa brincar. A gente vê aqueles programas de concursos de miss dos Estados Unidos e fica horrorizada, mas a realidade brasileira não fica muito atrás.

Laetitia disse...

Sim, Nisia, essa sainha e esse sapatinho sim. E parece que as escolas estão usando como "diferencial" pra atrair as meninas... para os meninos não houve mudanças, pq eles não vêm nenhum atrativo em usar uniforme social (óbvio).

Fabiane Lima disse...

Na minha época (nasci em 87 no interior do Paraná, sou da geração que viveu sua adolescência nos anos 90), quase ninguém usava maquiagem pra ir pra escola. Hoje, indo pro trabalho (agora moro em Curitiba), vejo as meninas oito, dez anos mais novas que eu se parecendo muito mais velhas por conta do excesso de pós, e bases e corretivos.

E eu sofrendo dilemas, pensando: "Poxa, se eu preciso botar pó na cara pra ficar bonita, vou continuar feia, mas uma feia com uma camada de pó na cara. No que isso adianta? Pra ser bonita eu tenho que mudar completamente quem eu sou?"

Laetitia disse...

Suzana, eu já passei da idade das suas filhas faz tempo, mas tb sofri com essas coisas na escola (eu e mais algumas outras meninas... o bicho da burrice já tava pegando na minha época). Vc provavelmente criou suas meninas pra que elas se preocupem com diversão e estudar e só... mas a escola não deixa, né? É um saco. Tem que botar pra quebrar, mesmo. Qdo não é o bullying dos coleguinhas, são os infelizes dos profs que, em vez de passar sabão nos bullies, vão perturbar e culpar as vítimas. Meu caso: eu sou bem branquinha, mas meus pelos são escuros e comecei a ter seios bem cedo, daí, já viu: era todo dia alguém me enchendo o saco pra usar sutiã e depilar a perna - e eu lá, querendo brincar... passei anos só usando calça e o sutiã (que odeio até hoje) fui obrigada a usar pq a profª de educação física inventou, certo dia, que tínhamos que usar "top" durante as aulas, pros seios não ficarem balançando (WTF? os peitos dos meninos gordinhos balançavam tb). Foi um passo pra gente se acostumar com a peça, infelizmente.

Ah, Ginger, aguenta firme aí. Eu aguentei essas palhaçadas e tô viva, feliz e rindo da cara de todo mundo! Problema é de quem não sabe viver fora das "regras" sem sentido e não deixa os outros em paz.

lola aronovich disse...

Obrigada pelos comentários, gente! É, eu admiro muito vcs que são mães e pais de meninas (e meninos também, porque a gente sabe que as pressões que eles sofrem, apesar de diferentes, não são poucas) e tentam educá-las da melhor maneira possível, tentando escapar do consumismo precoce. Não deve ser nada fácil. Eu ficaria muito chateada se tivesse uma filha e ela fosse um monstrinho consumista e “vaidoso”, mesmo tendo pais tão anti-tudo isso. Mas não depende só dos pais, né? Eu realmente sinto que, no sentido de consumismo alvejado pra crianças, e principalmente pra meninas, o negócio só tá piorando.


Leila, eu posso imaginar que meninas escutem muito isso de “tem que se sacrificar em nome da beleza”. Isso eu acho que já ouvia quando era criança. Não sei a partir de quantas vezes que a gente ouve isso a gente passa a acreditar, mas o fato é que a maior parte das mulheres concorda totalmente com esse ditado (incrível a semelhança entre ditato e ditador). Sem esse condicionamento, como vc faz pra uma moça começar a usar salto agulha? (melhor nem falar em depilação...).

lola aronovich disse...

Laeticia, é sério isso dos uniformes nas escolas particulares? Saia e sapatinho?!


Suzaninha, vc por aqui! Faz tanto tempo! Olha, tenho certeza que minha mãe sente muita saudade de vc, porque ela continua falando de vc. Só não sei pq não vai no seu blog.
Puxa, que triste isso da professora da sua filha. Vc deu um ótimo exemplo de como isso afeta a autoestima de uma criança. Putz, eu só comecei a usar sutiã (e isso que eu sou peituda) com mais regularidade depois dos 16 anos. Escutava algumas cobranças aqui e ali, mas nada tão sério. Hoje não tenho dúvida: eu seria bullied. Inclusive pelas professoras, pelo jeito. Como é que pode? Muito bom vc ter reclamado com a escola. PQP, eu acho que menina sem seio não deve usar nem a parte de cima do biquíni na praia (esconder o quê?!), quanto mais sutiã embaixo da roupa!

lola aronovich disse...

Pois é, Ginger, é como eu estava dizendo pra Suzana. Se fosse hoje euzinha aos 16 seria bullied. Pq a minha aparência “relaxada” de hoje era assim aos 16. Ah, e eu fui goleira de handball também! Será uma síndrome? Querida, brincadeiras à parte, aguenta firme aí. É incrível como todo mundo sofre tanta lavagem cerebral sobre o que representa a “normalidade” (em termos de aparência de mulher, voz de homem pra menino, peso, cor “certa”, tipo de cabelo adequado, enfim, todo o padrão dominante que é vendido como o único desejável e aceito) que criamos uma legião de patrulhadores pra forçar que todos se encaixem ao padrão. Os bullies (e trolls de internet) são isso, um exército mirim pronto pra atacar quem não se encaixa. Força aí, que daqui a pouco essa perseguição a vc vai acabar, e vc só vai ter que aguentar trollzinho de internet.


Roberta, é, a Suri é um símbolo de menina vaidosa. Mas, por um lado, se tem um público que baba por cada modelito desfilado por ela, também tem um que critica. Os pais da Suri são beeeem criticados (e merecem).

lola aronovich disse...

Ana Claudia, que horror! Meninas de 2 e 4 anos já aparecendo de unha feita?! Daqui a pouco vira exigência. E, lógico, não exigência estética (que seria demais exigir isso de meninas nessa idade), e sim exigência higiênica e de saúde! Daqui a pouco as meninas já vão deixar o berçário com esmalte.


Ai, Ginger, que horror! Só li o seu outro comentário agora. Eu lembro quando colocaram chiclete no meu cabelo! Foi horrível, mas eu tinha uns 8 ou 10 anos. Também chorei muito, não tem como não chorar, é uma violência muito grande. Quando eu tinha uns 12 ou 13, no ginásio da escola, eu tava saindo do vestuário, e um aluno bem mais velho, que eu nem conhecia, cuspiu no meu rosto. Também chorei um monte, mas até hoje não sei se foi proposital ou um acidente. Até hoje prefiro pensar que foi acidente (sei lá, o cara tava jogando basquete, e foi um porco de cuspir pra frente), inclusive porque eu nem sabia quem era. E na minha escola não tinha muito essa hierarquia por castas (essas que a gente vê em filminho americano), mas tinha por idade. Alunos de 16, 18 anos nem olhavam pra meninas de 13. Por isso, duvido que o cara me conhecesse. Mas sei lá... Ginger, não fica quieta não. Vc tem que denunciar. Bullies não podem fazer isso impunemente. Olha, eu fico com muita raiva ao ouvir essas coisas... Minha solidariedade, querida.

lola aronovich disse...

Ótimos links propostos pelas minhas ótimas leitoras:

- Viram o anúncio horripilante que a Carolys mandou? Eca! Não tem nada a ver com o aniversário de Fortaleza. E fazer um anúncio desses numa cidade que ainda sofre muito com prostituição infantil é cruel mesmo. (Obrigada, Carol! Passei o anúncio do Twitter e foi uma comoção geral).

- A Ághata e a Bibi lembraram o excelente vídeo da série “The Story of Stuff” sobre cosméticos. Como eles fazem mal pro meio ambiente, pros animais (como disse a Ultra, a indústria da beleza AINDA testa produtos em animais, apesar de todos os protestos dos ativistas), e... pras próprias consumidoras. Quem associa cosméticos com higiene se esquece do detalhe que eles não fazem exatamente bem pra pele (sem falar em outros órgãos do corpo).

- E no Twitter a Paula lembrou desta matéria do Estadão sobre socialites mirins publicada no começo de abril.

Daní Montper disse...

Lola, existe até sutiã com bojo para meninas de 6 anos!!!!!!!!!

O nº de exclamações refletem a minha indignação com o tema.

O post foi perfeito, nada a acrescentar - além de muitas exclamações de indignação.

Renata Xu disse...

lolinha, como seeempre um ótimo post! acho um absurdo meninas tão novinhas usando produtos de maquiagem e que deviam ser destinados única e exclusivamente para adultos. tenho uma priminha que sou muito apegada, não gosto de dar sapatos ou sandálias com saltinhos, ou roupas que não pareçam de criança de presente para ela...sempre tento dar roupas confortáveis e coloridas, ou livros infantis, ou brinquedos apropriados...mas é superdifícil, perto do aniversário dela fui procurar roupinhas e não acreditei no que via...tudo que via era de alguma maneira insinuante, ou então parecia roupa de adulto em tamanho menor. acho isso triste. as crianças estão deixando de ser crianças cada vez mais cedo.

Bárbara Torrieri. disse...

Olá, antes do comentário sobre o seu post, eu gostaria de lhe dizer, que seu blog é ótimo. Que, por mais que as vees sejam assuntos complexos a alguém da minha idade, eu sempre leio, e tento entender um pouco mais. Bem, resolvi seguir então,a chei o blog por acaso no google, e adorei. Sou uma dos mil e poucos seguidores.. Bem, eu fi um blog também, este ano, mas, sei lá, acho que não sou tão boa com isso.. Bem, a respeito do post, eu não sei se alguém na adolescência, te segue, ou que lê seus post diáriamente quando mostra no painel.. Mas, eu sim, e como o assunto foi sobre nós, claro, mas objetivo nas menores que eu, pois eu tenho os meus 15 anos.. Bem, eu nasci nesta geração aonde diz tudo isso, sei como é, vejo meu dia-a-dia.. Eu não consigo me socializar com pessoas da minha idade, por pensamentos completamente diferentes.. Então, é sempre três anos ou mais, de diferença. Sou muitas vezes vista na escola como uma menina menino, menina "relaxada" , não que eu seja, eu tomo meu banho todos os dias, só que para ir a escola, estudo em uma etec, onde faço o primeiro ano do ensino médio.. Bem, eu acordo, tomo meu banho, boto uma calça jeans, a blusa da escola uma ll star, e prendo meu cabelo com um coque mal feito, só. Enquanto, ao meu redor, uma menina diz que não sai de casa, nem para receber uma amiga, sem maquiagem..
Eu uso maquiagem, sim. Mas só quando vou sair, quando vou a algum lugar importante, com pessoas pimportantes, para poder me socializar, mas isso é raro, pois mal sair de casa, eu gosto, ainda mais na minah cidade, que u não vejo lugares que realmente preste.. Bem, mas, acho que este uso de maquiagem diário,a todo momento, e retocar alie aqui, na nossa idade, mesmo na adolescência faz é MAL! Sim, faz mal a saúde do nosso rosto/corpo, estes cosméticos em exagero, é para gente "velha", que realmente precise, que use como tratamento, não para nós, de pouca idade, que temos o rosto limpinho/lisinho. Sem contar que como diz no seupost, para uma "mulher ser bonita tem que ser vaidosa.." e esses usos exagerados, deixam a pele suja, e como pode ser considerado, como higiene? Ah não né.. Eu uso maquiagem sim, mas nada grandioso, só o básico, e sempre em momentos que eu saiu. Mas, CABELO, eu adoro mecher, acho que já é diferente, pele nãos e troca, acbelo cresce de novo.. Por mais que isso eu esteja errada, eu o faço conciente, e tenho o cabelo bom, agora que eu parei de mecher, mas antes, lá pelos meus 11 a 14 anos eu adorava cortar/pintar meu cabelo, eu fazia sozinha, e por mais que ficasse uma merda, eua dorava. Bem, isso no momento é MODA.. Ai, eu parei, pois detesto ser comparada aos outros, ou ter aquele ar de competição, também criei juízo, rs.
Mas, é verdade, hoje em dia comparado ao tempo da minha mãe, avó, são completamente diferentes, não é a toa que está geração dizem "perdida"...

Ginger disse...

Menin@s brigada pelo apoio! \o/

Eu não vou deixar essa patrulha da beleza me transformar numa bitolada. Tem até nome de programa de Tv com esse conceito de esquadrão né? Exercito...guerra, parece que é isso que eles querem que as mulheres façam, guerra por beleza, pra conquistar o que? Macho?...

No caso dos bulling que eu sofro eu reclamo com a diretoria da escola mas na maioria das vezes eles passam panos quentes isso quando não botam a culpa em mim.

Lola eu antes jogava de central-amador ou então de meia-esquerda, mas to gostando de jogar como goleira! :) tem males que vem para o bem ... espero um dia disputar campeonatos.

tchau gente vlw pela forç@

Paloma disse...

Nunca vou esquecer de quando, aos treze anos, uma amiga mais vaidosa escreveu um MANUAL de como ser mulher de verdade (juro que o título era esse). Ele continham diversas dicas de como ser feminina, como trocar o relógio masculino que eu usava por um delicado, acrescentar pulseiras, usar brincos, brilho labial, fazer sobrancelha, enfim, mil coisas invasivas. Fiquei tipo chocada com "imposição" da coisa toda. Mas não sigo o manual até hoje. haha

Paloma disse...

No mais, me assusta um pouco essas meninas assim tão arrumadas aos 13 como eu nunca estive em vida. Não sei bem o que achar. Só sei que prefiro o jeito da minha irmã. 13 anos de cabelos e unhas naturais, sem nenhum acessório, roupas adequadas para idade e, ainda assim, muito bonita.

Isabel disse...

Tô lendo o que postaram aqui sobre a Suri Cruise... Nem me espanta que ela seja alvo de fotógrafos e ande por aí de helicóptero, já que o pai dela é podre de rico. Mas dá vontade de mandar o conselho tutelar tirar a guarda da Katie e do Tom! PQP! Tratar uma criança como adulto e deixá-la tomar as próprias decisões? É claro que você não vai simplesmente impor sua vontade e tal, ser autoritário, mas crianças precisam de limite! Coitada dessa garota.

Lola, isso é muito deprimente. Tenho exemplo disso na minha família... Uma das minhas primas fez uma mega festa de 15 anos em 2010, dorme todo dia na aula porque acorda cedo pra fazer chapinha e acaba de repetir o primeiro ano. Já outra, até mais nova, tem uns 13 ou 14 anos, tira um milhão de fotos "sexy" pra colocar no orkut, nem se mexe quando tá ná escola pra não desmanchar a chapinha... Pior é que eu falo pra tia dela, com quem eu tenho mais contato, que ela precisa tomar cuidado principalmente com a questão das fotos na internet. Mas a tia acha até engraçado (essa tia, aliás, tem fixação por alisar e clarear o cabelo. É até triste, porque ela é morena, tem olhos castanhos, mas é ressentida porque queria ser branca de olhos claros. Com role models assim, fica até difícil tentar mudar o comportamento da garota).

Eu demorei uns 18 anos pra começar a usar salto, maquiagem, etc. Não me arrependo nem um pouco. Afinal, eu passei nos vestibulares, já as outras meninas... Acho que nem preciso dizer. Infelizmente isso é uma demanda da minha profissão: usar roupas formais, ter cuidados com o cabelo, com aparência em geral. Mas nada disso influencia ou interfere na minha competência ou na de qualquer outr@ profissional, é claro.

Isabel disse...

Ps.: tenho meus sapatos de salto, mas não dispenso meu all star, menos ainda meus chinelinhos havaianas. :)

Euclides disse...

Você desceu o porrete na indústria da publicidade, na de cosméticos e etc. tudo mundo é culpado, ótimo é isso mesmo, mas, onde estão a merda dos pais que não tomam as providências que lhes cabem que é simplesmente dizer um NÃO! Ah! Não pode, porque assim vou magoar a minha pimpolha, criar um trauma e a pressão das coleguinhas como fica? Tudo desculpa esfarrapada para esconder que a sexualização da filha, também é uma massagem no ego dos pais, principalmente das mães que se veem refletidas nelas, daí esses absurdos. Não culpem terceiros, assumam que estão sendo incapazes de encaminhar seus filhos na vida.

Nadja G. disse...

ola, acho o fim da picada isso de meninas tao novas já tao preocupadas com beleza e consumindo tantos produtos do gênero...

Já quando a gente cresce, nao acho um problema ser medianamente vaidosa ou ligada em moda, desde que isso nao afete áreas da sua vida como a financeira e a psicológica. Além disso, ninguém pode se achar melhor que ninguém por ser mais vaidosa ou estar mais arrumada e nem querer impor seus gostos e vaidades pra outras pessoas.

No Natal do ano passado, quando cheguei na casa dos meus tios havia uma moca de 1,70m mais ou menos, magra, de cabelos loiros, vestido justo e decotado, muito maquiada e de saltos altíssimos. Achei que era uma nova namorada do meu primo de 26 anos, mas nao: era a priminha de 12 anos dele. Que aliás era morena antes, ou seja, cabelo tingido. E quem é a responsável por isso? A mae, que quer porque quer que a filha seja modelo. A menina logo tirou o salto, nao aguenta usá-los... fiquei com muita dó.

Também vi uma menininha no Museu do Ipiranga semana passada que tinha entre 9 e 11 anos. Nem peito tinha ainda, nem curvas, nada... mas já tinha luzes no cabelo, usava sombra branca, rímel, gloss, saltinho e roupas curtas. De novo, fiquei com dó...

Também acho esse tipo de coisa chamariz pra pedófilo. Essas meninas nao tem idade e maturidade para lidar com o interesse que podem provocar dando uma de "sexies". No fundo elas mal sabem o que é isso...

E pra terminar, esse anúncio do Iguatemi Fortaleza é pavoroso!!!! MEDO!

Pentacúspide disse...

Eis uma bela e incrível coincidência.
Hoje no trabalho vi uma menina com uns seis ou sete anos, com os lábios bem vermelhos de baton, uma roupa incoveniente para a sua idade, acompanhada da avó e do pai (pelo menos foi o que percebi da conversa deles), achei super-ridículo os pais exporem daquela maneira a filha, tornando-a num guloseima para pedófilos, e senti pena dela por desde cedo não a deixarem escolher. Não sei, mas julgo que devem tê-la levado a alguma sessão de fotografia, porque ela ainda estava a fazer poses diante da porta do supermercado.

Vivien Morgato : disse...

Lola, caso vc ainda não tenha visto, procure um programa sobre Pequenas Misses emum canal fechado - não me lembro qual - é de dar muito medo, muito medo, pavor. E tristeza.

olharsaturno disse...

Excelente post, Lola!!!
Prá variar, enquanto lia fiquei pensando em como reverter os desastres da propaganda, e a única coisa que me passou pela cabeça foi: ensinando que há MIL-e-UMA coisas de VALOR nessa vida (além da beleza, pq não vai ser assim tão fácil de negociar esse item com as pequerruchas), como a música, a literatura, a natureza, as amizades profundas...

E aí ficou claro porque, qd vc diz "e essas meninas já estão obcecadas com rugas imaginárias aos oito anos, não quero nem pensar no que farão quando chegarem a uma idade em que rugas realmente existam.", me apareceu a seguinte na mente: 'porque finalmente elas vão ver que ruga é inevitável e q há coisas mais importantes que isso na vida'. Com o passar do tempo as crianças vão amadurecendo, e embora uma saraivada de propaganda possa fazer muito estrago, sempre há esperança de que os rumos possam se diversificar... acho que as coisas não são assim tão determinísticas...

Gabriele disse...

Ótimo post Lola. Já assisti o "Criança a alma do negócio" várias vezes e cada vez fico mais indignada. Agradeço por ter uma mãe que na maior parte do tempo não me forçou a barra pra "me cuidar" como vejo que aconteceu com outras. E eu fui uma que também sofri um pouco com isso, os colegas não chegaram ao cúmulo de me dizer que eu era feia, mas como infantilizada e esquisita. Ainda evito comentar alguns fatos como nunca ter contratado uma depiladora, e há muitos anos não boto os pés em um salão (hehe mas tb minha mãe fez um curso de cabelereira, então ela faz o serviço básico de tirar umas pontinhas e cortar a franja de vez em quando). Fico chocada em ver o quanto meninas da minha idade que tem uma vida cheia de compromissos ainda terem de tirar do pouco tempo de folga uma hora semanal pra "cuidar de si mesma" (pra mim, cuido bem mais de mim mesma usando esse tempo pra passar com meu namorado e minha família, me divertindo). É triste ver toda essa paranoia começando cada vez mais cedo. Parece que as meninas, ao invés de se tornarem mais livres nesses "tempos modernos" supostamente igualitários, acabam tendo menos liberdade do que a de gerações anteriores que, pelo menos, podiam exercer seu direito de ser criança um pouquinho mais.

Priscila disse...

Euclides, é a mesma história da Suri Cruise. Os pais alegam que não querem interferir na liberdade de escolha dela. Na verdade é aquela p*rra de pseudo-religião chamada Cientologia que "prega" que as crianças devem ser tratadas como adultos. Hein?

Fico pensando... se essa menininha com cinco anos já se sente no direito de fazer o que bem entender, imagina a peste que ela vai virar daqui a uns dez anos!!!

Em suma, assustador. Repare que até os trolls sumiram desse post, até eles concordam. rs

aiaiai disse...

Eu não sei como reagiria com uma filha que achasse normal usar maquiagem e roupas "sex" com seis anos. Sei que ia tentar proibir, mas pela experiência que tenho com meu filho, sei também que a pressão que ela ia sofrer para usar essas coisas ia ser intensa e a faria ficar com raiva de mim. "As outras mães até ajudam...e você não deixa!!!!" posso até imaginar os gritos e choros.

Quem acha que é fácil fique ai achando enquanto não tem filhos. Assim que tiver vai ver que é muito mais complicado do que parece.

E, se você tem a mídia bombardeando o dia inteiro, ai fica praticamente impossível. Por isso sou a favor da proibição de propaganda para crianças. Eles não tem discernimento para tomar decisões baseadas em propaganda.

A propaganda de um carro vende que se eu tiver esse carro eu serei a pessoa mais feliz e amada do mundo. Mas eu sei que isso é mentira. Posso até comprar o carro, mas vou decidir com base no conhecimento dos meus desejos e do que o carro realmente vai me proporcionar.

Já uma criança vê a propaganda de uma boneca ou outro brinquedo qualquer e acredita que tendo aquele brinquedo tudo em sua vida será mágico e maravilhoso. O pai e a mãe vão ficar com o papel dos vilões que não deixaram a criança alcançar o seu sonho.
Daí, ao invés de proibir a propaganda de brinquedos, a sociedade amplia a propaganda infantil para outras coisas como cremes faciais anti-rugas e sutiãs com enchimento. Ai, desculpa, mas PHODEU!

Larissa disse...

vejam esse post que circulou hoje na internet http://www.blogdathassia.com.br/br/jade-fashion-bday/ e os comentários então? Concordo com tudo do seu post, e diria que além disso é absurdo que crianças super pequenas tenham iphone, e toneladas de brinquedos caríssimos, para aprender desde cedo que é superior quem tem mais que o outro. Por outro lado, só queria deixar um comentário de uma coisa que me incomoda um pouco...certos comentários sobre o fato de não usar maquiagem, salto, etc. parecem partir do pressuposto de que quem não gosta dessas vaidades são pessoas evoluídas e superiores.. esses extremismos me dão uma certa preguiça!

Eduardo R. V. disse...

Existem mulheres que gostem de não usar maquiagem? Ou que sitem que não precisem e não usem? A mulher hoje sabe que corre o risco de parecer uma palhaça?

Negras com orgulho do cabelo, onde estão? Mulheres que queiram ser diferentes, não usando o maldito cabelo alisado/liso?

Ainda existem mulheres ou só manequins da TV?

Nadja G. disse...

Lola, o programa mencionado pela Vivien é no Discovery Home and Health e se nao me engano chama Pequenas Misses (nao sei pq moro na Argentina e aqui ele chama Princesitas). Eu sempre assisto so pra ficar horrorizada. Fico com vontade de matar as maes das criaturas!!

Joel Bueno disse...

Meu depoimento, estritamente pessoal. Sou pai viúvo. Crio sozinho a minha filha mais nova, a Tereza, desde seus quatro anos. Sou branquelo, padrão europeu. Tereza é negra.

Pai branco com filha negra, sem mãe, acreditem - é uma dupla insólita.

Desde pequena ela gosta de batom. Tinha aqueles estojinhos de maquiagem de brinquedo. Ela mesma passava. Eu só fazia os cantos da boca, para não borrar.

Hoje, Tereza tem 16. Outro dia falou que é a única da turma que não gosta de se maquiar. Só o básico, assim mesmo quando tem festa. Esmaltes, ela curte muito, tem um monte de cores.

Os cabelos são um problema. Ela gosta de alisar. No verão, trancinhas afro, pra ir na praia numa boa. Não esquento. Um dia ela se acerta com os caracoizinhos.

Tereza é vaidosa, adora roupas, mas não liga para grifes. Comprar no comércio popular está ótimo. Minhas mais velhas, já adultas, também não se importavam com marca.

O lado positivo dessa vaidade é a aceitação da própria raça, que não foi (não é) muito fácil.

A pressão do consumismo é fortíssima. Tem que ter jogo de cintura. Abrir o jogo, desde cedo, sobre as possibilidades financeiras da família. Explicar que tal ou qual modismo é só uma porcaria que não vale nada. Negociar. Conversar no nível das crianças. Não é fácil, não. Eu sei que erro à beça. Muitas vezes, comprei pra Tereza mais do que devia. Não adianta sentir culpa. Pais e mães são uma influência entre outras.

O mais importante é que as crianças cresçam, crescendo também em consciência crítica.

(ficou longo, desculpem)

Laetitia disse...

Lolinha, sem querer eu achei esse vídeo aqui (muito fofo, por sinal), que mostra o corredor de uma escola, certamente particular e, pelo título, no Sul. Dá uma olhada nas meninas que aparecem lá no fundo.

http://www.youtube.com/watch?v=8ezE9VBZ1DA

(não sei fazer link direto...)

elen mars disse...

tb sou vista como relaxada e sou contra depilação a n ser q a mulher realmente queira,o que acho n é a maioria.

fazem só pq os homens assism querem,engraçado que só é falta de higiene mulher q n se depila,homem pode ser porco,eles tem esse direito!

e sou relaxada,pq segundo os padrões,tenho q sair na rua como uma palhaça,senão n sou vaidosa.
homem n usa nada, acho q só tomam banho e olhe lá,pq eles n são relaxados?

pq as pessoas aceitam esses absurdos?

eu sou vaidosa,n do jeito q a sociedade diz, mas gosto de cuidar do cabelo,de tentar acabar com minhas espinhas,mas n saio na rua parecendo o bozo,como ja vi inúmeras garotas.

n vejo sentido em passar rimel,se depois n posso tocar nos meus olhos,pra n borrar tudo,batom sai rapido e ainda resseca a boca e o resto nem se fala.

é tanto pó e base,q parece uma mascara,sem falar no blush,uma bolota vermelha q cobre toda a buchecha,parecendo mais q levou um tapa na cara.

o mundo me desanima.

Augusto disse...

Olá Pessoal!
A postagem da Lola lembrou o manifesto Publicidade Infantil NÃO. Acessem o site: http://www.publicidadeinfantilnao.org.br/ asssinem o manifesto e assistam ao documentário "Criança, A Alma do Negócio". Infelizmente as fases do desenvolvimento humano estão sendo atropeladas, porém não vamos desacreditar, e sim, conscientizar amigos, tios, primos, enfim, conhecidos com filhos.

sandra disse...

Ótimo post Lola!
Acompanho seu blog, mas é a primeira vez que comento. Lendo sobre o assunto de hj, me lembrei de um vídeo com o Tom Hanks, que trata especificamente sobre aqueles bizarros concursos de beleza mirim nos EUA. Segue o link:
http://www.youtube.com/watch?v=dPLWKBWkn3s
Bjs

lola aronovich disse...

É isso aí, gente! Por favor, assinem o manifesto contra a publicidade infantil, que representa uma luta importante pra quem tem filh@s. Aqui, pessoal.


Ha ha, o vídeo que o Tom Hanks fez com a filha pra satirizar os concursos de beleza é muito bom. E tem a participação especial do diretor Ron Howard. O link é este.

Jackeline disse...

@Denise sobre o comentário de mães que não querem ter filhas, no meu caso é diferente: muitas colegas que eu tinha diziam que quando fossem mães, prefeririam que fossem meninas, para "ficarem mimando e enfeitando como se fosse uma bonequinha". Veja só como são as coisas... acredito que muitas das próprias mães incentivam esse consumo. :/

No meu caso, a minha mãe é super religiosa e na igreja dela essa vaidade é visto como pecado, então graças a ela, que nunca me comprou nada dessas coisas, eu praticamente não fui influenciada. Eu lembro que quando era menor ficava com raiva dela, por não ter me ensinado a ser mais vaidosa e a "me cuidar melhor", porque eu cresci super relaxada com essas coisas e também sofria bullying por não me encaixar no padrão.
Só comecei a usar maquiagem quando pude comprar com meu próprio dinheiro (e isso quer dizer há não muito tempo atrás) e mesmo assim, de um jeito bem básico... tb me sentiria uma palhaça se me montasse toda.

Eu tenho muita vontade de ter filhos, pelo menos um garoto e uma garota... mas esse mundo tá tão dificil. :/ Eu posso fazer o meu melhor pra dar uma boa educação... mas e essa pressão toda que eles passariam fora de casa? E se eles também sentissem bravos comigo, se fossem excluídos?
Muitas coisas nesse post me deram ainda mais medo (e não é a primeira vez), a começar pela foto da menininha modelo. Que DIABOS é aquilo, minha gente? Achei repulsivo, medonho!! Parece que colocaram a cabeça de uma mulher num corpinho de criança!! E sutiãs com enchimento pra garotinhas? É a primeira vez que vejo falarem disso e tou passada pelo absurdo... pra quê uma menina de 6, 10 anos precisa parecer que tem seios, alguém me explica?

Jackeline disse...

Ops, desculpa pelo comentário gigante, mas só completando...

Hoje em dia eu agradeço por ter crescido livre de tudo isso.

E é de doer o coração... tudo isso tá matando a inocência da infância, precocizando a sexualidade e tornando as pessoas materialistas desde muito cedo.
Tenho pena dessa próxima geração. :/

Fabio Salvador disse...

O MECANISMO DE SEDUÇÃO DO DEMÔNIO IMPERIALISTA
Minha filha de 5 anos me encheu o saco até que eu a levasse a um MacDonalds, porque afinal de contas, ela queria UM BRINQUEDO DA HELLO KITTY que só poderia ser ganho ao comprar o MacLanche-qualquer-porcaria lá. E pasmem: minha esposa deu força á vontade da criança, de ir lá. Sabem com qual argumento? "As coleguinhas dela, todas, já foram ao MacDonalds, algumas vão de maneira frequente, e quando ela diz que nunca foi, fica parecendo um bichinho do mato."

Agora... deixa eu ver se eu entendi...

... ao NÃO LEVAR MINHA FILHA AO MACDONALDS, eu estou condenando-a à exclusão social, ao ridículo?

No final, encheram tanto o saco que eu levei a turma ao shopping (um lugar que me causa muito desconforto - de fato, às vezes aquela multidão e aquela artificialidade toda me causam tanta irritação, que eu vejo aqueles pais de família com caras de bundão, se achando no ápice da civilização por irem ao shopping, e faço muita força para me segurar e não enfiar um soco bem no meio da cara de um deles... mas um soco daqueles, de afundar os dentes, sabe?). Eu detesto shopping. Odeio. Mal me controlo dentro de um. Passo mal. Mas fui lá.

Só que EU RI POR ÚLTIMO, porque a minha filha, depois de pegar o famigerado brinquedo, disse não ter gostado da comida. Nem acabou de comer. Acho que nunca mais vou ter que voltar lá.


ALIÁS, A CULPA É O SENTIMENTO QUE MOVE O CONSUMO
No meu blog (QUEM QUISER OLHAR, WWW.FABIOSALVADOR.COM.BR) tem um cartaz de um Papai Noel dizendo "você tem que gastar um monte de grana para mostrar que ama sua família". Está em inglês, mas a tradução porca é essa aí. E é uma realidade: a gente é pressionado a gastar, não para dar real diversão e benefício ás nossas crianças, não para satisfazer ao nosso ego. Somos pressionados a gastar porque fica subentendido que, se a filhinha não tiver o laptop da Xuxa, ela vai ser uma excluída, uma jeca, motivo do riso das coleguinhas.

E assim a gente vai: eu tenho um carro quase tão velho quanto eu, um Del Rey Ghia 88 (que eu AMO DE PAIXÃO e qualquer dia vou colocar GNV, para ele ficar econômico e eu deixar de me culpar pela poluição produzida). É um carro velho. Já me perguntaram, abertamente, se a minha filha não sente "vergonha de ser largada na escola desembarcando de uma lata velha dessas, enquanto o as coleguinhas todas saem de carros zero". Porque a cultura pregada pela publicidade é essa: o carro velho pode estar andando perfeitamente bem, mas VOCÊ QUER QUE A SUA FAMILIA PASSE VERGONHA SENDO VISTA DENTRO DELE?

E assim é com o tênis, a camisa, a roupa, e OS HÁBITOS.

ORA BOLAS...

é certo que um pai responsável e maduro (e olha que eu não sou muito não), diante da filha querendo se maquiar aos cinco aninhos, diria "ah, deixa de bobagem, vai ser criança", e sairia dessa numa boa. Mas a pressão não é da criança sobre os pais. É da sociedade sobre a criança, de forma coercitiva, e os pais temem que o filho seja o jeca da escola, o idiota da turma. Afinal, as coleguinhas estão maquiadas, perfumadas, vestidas como se fossem strippers, e a filha do cara destoa totalmente, vestida como criança.

Ela vai ser a diferente, a esquisita, a ridícula, a não-maquiada, a não-arrumada, a "não-civilizada", a "não-moderna". E segundo o discurso da modernidade, isso vai determinar a vida dela e ela vai ser uma fracassada. As outras serão juízas, advogadas, empresárias, e ela, a não-embonecada, aquela que sempre ficou para trás, vai fazer faxina na casa das outras.

Se essa é a minha visão de mundo? Não. Mas é a que a propaganda nos vende.

Nosso papel é impor resistência.

Nisia disse...

Fábio,

Ao contrário. Quem consegue sair do padrão desde cedo, mesmo que à custa de certo sofrimento emocional, é quem mais tarde conseguirá se impor ao status quo.
Vivo isso na minha família. Somos "esquisitos". Mas somos realizadores, e não meros consumidores.
Eu sei o que passei por ser diferente na adolescência, sei que meus filhos sofrem. Mas compensa, a sensação de liberdade é indescritível, apesar dos pequenos aborrecimentos.
A questão é saber usar a opinião pública e os padrões a seu favor. Você tem que entender os códigos de vestimenta, de ostentação.
Você (eu, nossos filhos) é que tem que ser dono das suas roupas, da sua maquiagem, do seu carro, e não eles serem donos de você e determinarem a sua vida e a dos seus filhos.
Há uma diferença nisso tudo, mas a consciência disso passa pela privação - só quando você descobre que pode viver sem nada desse consumo besta e de aparência montada é que você pode dominar a sua situação.
Quando sua filha provou e viu que realmente era ruim: bingo!

Nisia disse...

Fábio, só pra concluir: concordo contigo, e não podemos nos deixar abater por qualquer remorso que tentem nos impor.
Crianças PRECISAM aprender que a vida não é simples. Aqui em casa é bem difícil, minha filha de 6 anda numa manha que só com essas coisas que vendem na TV. Até ano passado não tínhamos TV em casa. Depois que veio, junto com a TV a cabo, me arrependo. To pensando em tirar de novo.

Inês disse...

Eu nem sou mãe, mas fico sempre indignada com essas propagandas e pessoas que enfiam goela abaixo padrões de beleza nas meninas. Hoje li um post que se encaixaria perfeitamente no seu blog: festa de aniversário de uma menina de dois anos com o tema São Paulo Fashion Week.

Está aqui: http://www.blogdathassia.com.br/br/jade-fashion-bday/

Fico pensando que nossa sociedade está criando (mais) uma geração de mulheres fúteis e infelizes.

florallain disse...

Lola querida, adoro seus posts!!! Tanto que muitas vezes gostaria de compartilhá-los, mas qdoo seu link de compartilhamento pelo facebook, o texto base que aparece é dos comentários, e nao do post em si!! Tem como mudar isso?! Pois a chamada do texto é importantíssima para atrair a atenção!!!
Bjos e parabéns!!

Erika Barros disse...

Inês, mas que absurdo!! E o pior, os comentários de todas as deslumbradas com a festa, querendo saber cada contato para imitar...

Denise disse...

Fábio, você tá certo. Temos que impor resistência. É nosso propósito, pois se não for assim, apenas seguiremos a multidão no oba-oba. E todo mundo quer nos fazer ler a "cartilha". Essa que "normaliza" todo o mundo. Babaquice! Pura! Ginger, seja forte e seja mais você! Aproveita a tua fama e dá uma de doida, só assim que você vai conseguir passar por essas pessoas de mentalidade fraca. Jackeline: é, eu não sei ao certo o que faz as mulheres, que conheço, no geral não querer ter filhas. Mas talvez seja muito relativo mesmo (mas às vezes, eu acho que é por causa de uma certa sobrevalorização do gênero masculino, viu? Não sei...).

Darlana Godoi disse...

http://www.blogdathassia.com.br/br/jade-fashion-bday/

Veja essa festa!!!!!!

Laetitia disse...

Fábio, aplausos pra vc. É isso aí. Não se trata de proibir um hábito para um@ filh@, mas de deixar que ela decida por si mesma, quando tiver capacidade pra isso... sua filha provou o lanche e odiou (qq pessoa sensata, que não tenha sido acostumada ao lixo desde cedo, vai odiar). Com maquiagem, roupas e qq coisa do gênero, idem... ela precisa antes ter discernimento pra poder decidir se quer usar algo ou não. Eu fui ver graça em batom e esmalte com uns 18 anos, mas nunca tive o uso dessas coisas como uma obrigação... isso faz toda a diferença. E não morri por causa da "exclusão social", rs...

Mariana. disse...

Tenho 22 anos e AMO maquiagem e esmalte, mas isso era absolutamente proibido durante a minha infância (raríssimas exceções, como pintar uma florzinha no dedão ou roubar o batom da minha mae).

Fui uma adolescente rebeldinha, não ligava pra cabelo ou maquiagem, e minhas amigas eram moderadas, mas a maioria das meninas a partir dos 12 fazia unha e pintava cabelo rotineiramente. Só na faculdade comecei a me ligar em maquiagem (que não uso todo dia, todo dia só filtro solar) e tô ficando boa mesmo. =)

Mas isso é pra moça da minha idade, não pra meninas de 4 anos, como minha prima, que chorou nos shopping pq queria um estojinho de maquiagem e n toma refri pq "dá furinho" (celulite). Foi a mãe que botou isso na cabeça dela. Ela diz que dá sapato de saltinho e maquiagem pq as meninas da escola são assim e ela não quer que a filha seja discriminada. Então ensina a filha a argumentar né?

N sei se alguém viu, concurso de miss mirim na xuxa. tinha cada bruxinha de seis anos que, se não fosse a altura, poderiam ser confundidas com adultas. sério.

mypomb disse...

Taí isso é consequencia de q? do feminismo de merda

mypomb disse...

Denise
Uma palavra: triste... Realmente. Será por essas, dentre outras razões, que quase todas as mulheres que querem ser mães, que conheço, não querem ter filhas (gênero feminino mesmo!)???

>>Deve ser mais por temer a vadiagem mesmo¬¬

Leandro Correia disse...

lembro do filme canadense "little miss sunshine", o concurso de beleza infantil no fim, mostra meninas "drag queens" ... o filme todo é muito bom. é assombroso o que fazem com nossas crianças.

Luci disse...

http://oglobo.globo.com/blogs/moreira/posts/2011/05/06/menina-de-7-anos-recebe-aplicacao-de-botox-faz-preenchimento-labial-378727.asp

Nath Gingold disse...

Olá Lola!
Pois é...nem tenho muito o que comentar...Mas me lembrei de você (e do post) quando vi a campanha publicitária de uma loja de cosméticos aqui onde moro, interior de SP (são josé do rio preto).
Aqui no site http://www.lojaslivia.com.br/ch/index.aspx tem um banner localizado na parte superior...com algumas das fotos.
Não sei qual é melhor, a memininha ao lado do produto "Expert Lift" Ou dos absorventes....

Abraços!

Matthaeus disse...

"Hoje elas dizem que querem ser sexy, mas ser sexy pra quem aos nove anos? Pra si? Pra meninos que nessa fase ainda nem têm interesse pelo sexo oposto? Pra pedófilos? "

Por isso aumentaram os casos de pedofilia que antigamente eram raridade.

Aline disse...

Pessoal, vc falando ai de mcdonalds eu to me sentindo uma ET... Eu nunca tinha comido no mcdonalds, até meus 16 anos, eu era meio "anti-imperialista" e tals. Raramente comia porcarias pq minha familia não tinha dinheiro.
Quando comi no mcdonalds a primeira vez eu adorei o lanche. Me esforcei muito pra não voltar lá, até por que eu seu que o lanche é calorico, cheio de gordura e tals. Mas não consigo, eu adoro o lanche de lá e de outros fast food também, no caso o burger king e a subway...

Eu tenho uma amiga que morreu de cancer nessa época, e ela foi amparada por um instituto chamado ronald mcdonalds, que deu a ela e a mãe abrigo na cidade onde ela tinha que fazer tratamento e conseguiu até um doador de medula pra ela. Infelizmente ela morreu na véspera do transplante. Apartir de então todo mes de agosto, no mcdia feliz, mesmo sem eu gostar do bigmac(o único lanche que eu não gosto, já que de todos os componentes eu só gosto do pão da carne e do queijo) eu compro um bigmac. Para que outras pessoas possam receber o auxilio que minha amiga recebeu?
É jogada de marketing pra eles parecerem bonzinhos? Pode até ser... mas eu não ligo, pq com marketing ou sem eles estão fazendo algo...

aline

Juliana Oliveira disse...

Nossa, concordo muito. Fico satisfeita em saber que nao sou a única que está incomodada com estes novos tempos infantis...

Anônimo disse...

Aproveito o ensejo para que assistam também o vídeo que esta disponível no YouTube com o titulo: "Criança a alma do negócio". Vai colaborar com tudo o que foi dito e escrito. Parabéns pela ajuda em compreender que a infância é o melhor pedaço da vida e cabe aos adultos proporcionar melhores condições daquelas impostas pela mídia mercantil.