quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

USO SALTO DE 15 CM PRA ME SENTIR BEM

Num post chamado “Lingerie como algo que libera?” (já tem um ano; tô querendo falar disso faz um tempão), o excelente blog Sociological Images coloca um comercial alemão para uma marca de lingerie. Nele, uma mulher jovem e magra se maquia, se enfeita, veste lingerie sexy, e aí se cobre com uma burca antes de sair. A mensagem, imagino, é que a moça precisa sentir-se sexy pra ela própria, mesmo que ninguém mais possa avaliar o material. O Sociological Images diz (minha tradução): “A mulher ainda está gostosa por baixo, confirmando a ideia que ser gostosa é o que faz as mulheres felizes e liberadas. A ideia que uma mulher possa querer ser livre de ser exposta ao olhar masculino (mesmo que imaginário) não é explorada". Pois é, eu detesto essa ideia que a publicidade tenta vender como feminista de que é liberador pra mulher cumprir exatamente o que a sociedade espera dela (andar sempre produzida, por exemplo). Pô, liberador seria não cumprir essas exigências! É não ter que usar salto alto se te machuca o pé ou deforma sua coluna ou te impede, desde que você é criança, de correr. Liberador, pra mim, não é ter que usar cinta-liga só porque você cresceu ouvindo que o mais importante na sua vida é ser feminina.Liberador seria não ter que usar burca. Mas muitas mulheres islâmicas juram que a burca é liberadora, porque desse jeito elas não são constantemente avaliadas e julgadas pelos homens, como acontece com a gente. Mas qual seria a vantagem de usar burca se até por baixo dela a mulher precisa se ater a um padrão de beleza caro e consumista? (isso foi explorado recentemente em Sex and the City 2, quando as quatro brancas ocidentais são salvas por mulheres de burca, que seguem a última moda de Paris e NY por baixo dos panos).Aquilo que a gente vê numa comédia romântica bobinha como Bridget Jones (odeio o segundo mas gosto do primeiro: ter o Colin Firth e o Hugh Grant brigando por mim ao som de “It's Raining Men” pode muito bem ser meu sonho de consumo) é verdade. Quando a gente vai sair pra jantar com um carinha e existe a chance de sexo depois, que calcinha a gente escolhe? A confortável grandona de algodão que modela a nossa barriga ou a preta sexy? (o Hugh Grant olhando pra calcinha da Renee Zellweger e dizendo “Olá, vovó!” é impagável).
Quando você está sozinha em casa você usa lingerie sexy, maquiagem e salto alto? Acho que a maior parte de nós não, né? (bom, eu definitivamente não uso nada disso nem quando estou com o maridão ou quando saio). Então, pra mim, parece meio frágil esse discurso do “uso isso pra me sentir bem, não pra agradar os homens” (ou causar inveja nas mulheres, sempre uma possibilidade - porque a gente aprende a não competir com os homens, mas a ser terrível com nossas rivais femininas).

76 comentários:

Mari Biddle disse...

Lolinha, post maravilhoso. Vai direto ao ponto. Também irei direto ao ponto - uso salto alto e eles não são confortáveis e machucam meus pés. Um dia alcançarei a luz e passarei a usar sapatilhas. Um dia não comprarei mais a idéia de que 'só me sinto poderosa num salto monumental' e vou andar livre leve e solta com flip flops.

Beijão pra ti.

samya disse...

Levante a mão a mulher que:
nao goste de fazer a unha
nao goste de salto alto
nao goste de langerie bonita
nao goste de estar penteada e com alguma bijouteria
Não adianta, todas as tuas leitoras podem respondem o ja previsivel: concordo com tudo o que voce diz, mas elas estaram de calcinha bonitinha combinando com o sutian e com as unhas pintadas e pra balada elas vao colocar um saltinho sim, porque vamos ser honestas? quem gosta de se olhar no espelho e dizer: Sou feia mas sou inteligente? A maioria de nos mortais, com seus kg a mais, e todas as nossas diferenças com as modelos impossiveis da capa da revista, adoramos olhar no espelho e admirar o que somos.

Beatriz disse...

Concordo em muito do que a Samya disse, mas preciso fazer um adendo aqui: Neste caso, em específico, acho que é libertador escolher os momentos em que quero usar desses acessórios pra me sentir bem. Não que eu me sinta feia mas, vez ou outra, gosto de "retocar" as coisas. É fato que a preguiça me faz adiar a ida à manicure ou passar um rímel - por exemplo -, mas certas vezes, me arrumo toda pra FICAR EM CASA, pode acreditar. Me perfumo pra dormir, gosto do aspecto das unhas pintadas, uma lingerie nova, etc. Mas não sou obrigada a manter esse padrão diariamente, não me sinto assim e não deixo que me imponham. Não é uma preocupação frequente, tampouco um vício consumista. Dizer que não gosto de me arrumar seria bobagem. Homens o fazem, animais irracionais (veja o caso do pavão se exibindo) o fazem, por que não nós? É instintivo até.

alexrnbr disse...

samya,

minha noiva lebantaria a mão pras suas 3 primeiras perguntas sem pensar duas vezes.

Inclusive, uma das coisas que me faz admirá-la a cada dia mais é exatamente essa praticidade e esse não conformismo em relação ao status quo.

Ela odeia fazer a unha, e só se mete nessa atividade (sozinha, pois tb odeia salão) qdo há algum ocasião especial, como uma festa de casamento ou algo do tipo.

Salto alto? nem em festas "chiques" essa peça tem sido obrigatória pra ela. Sempre q evitável, ela solenemente dispensa esse objeto de tortura.

Langerie sexy??? Somente e unicamente se for confortável. Caso contrário nem pensar.

E é exatamente essa falta de máscaras que faz dela a pessoa que ela é e por quem eu me apaixonei.

POrtanto, seu comentário generalizante talvez não seja um retrato tão fiel assim da realidade.

Abs

Gabri disse...

eu não gosto de fazer as unhas, não uso maquiagem nem bijouterias, nunca usei salto na vida e nem pretendo.
e não acho que não usar essas coisas deixa alguém feia, me sinto muito bem sem essas coisas.

morgueta disse...

Não faço as unhas há mais da ano (antes vivia com elas grandes e impecáveis, era desconfortável e me fazia perder um tempo que não quero gastar), gosto de lingeries novas "em bom estado" pra me sentir bem, mas não largo mão do conforto e uso calcinha sem costura e sutiã de algodão (até pq minha pele é bem sensível). Raramente uso bijouteria (só ultimamente que tenha gostado mais) e tenho 0 sapatos de salto, já que me causam dor, não combinam com meu estilo e depois de conhecer o feminismo percebi que não tenho a MENOR obrigação de usá-los em absolutamente nenhuma ocasião. É até doloroso parar pra pensar em pq diabos me fizeram me sentir mal por não gostar de salto.

Gosto de me produzir, acho super divertido ficar atenta à moda e me empenhar em combinações de roupas e tudo mais, mas tb foi o interessa por moda que me fez perceber que não preciso de regras de feminilidade pra me sentir bem.
Confesso que gosto de ir em blogs de moda masculinos pra me inspirar... adoro as combiações de cores e adaptar pro meu gosto/contexto, já que os femininos teimam muito nessas regras que já sabemos decor e salteado limitando a criatividade.

Me interesso pelas pessoas pelo estilo, pelo jeito de pensar, pelo respeito aos outros. Mesmo se o objetivo fora atrair alguém, não sei pq comigo tem que ser diferente. Não vivo pra atrair machos que esperam que eu seja como ditam nem pra competir com mulheres pela atenção deles.

Ainda não me sinto 100% livre pq não deixo de me importar com o que os outros pensam de mim, normal, mas já me sinto infinitamente melhor por não me sentir culpada por ser diferente e sinto RAIVA por ter passado tanto tempo da minha vida deixando os outros me fazerem sentir mal por não seguir certas regras de feminilidade.

morgueta disse...

Aliás, uma coisa que acho interessante reparar é em como, em geral, blogs de moda femininos são limitados a regras e os masculinos na criatividade.

Pq, na boa, escolher um sapato de salto alto e o vestido tubinho da estação a gente já aprende com a barbie e nas vitrines. Aí é um bafafá de ROSA É A COR DA ESTAÇÃO VAMOS TODOS COMPRAR PQ NÃO TEMOS MAIS OPÇÃO PRA VARIAR que peloamor né.

aiaiai disse...

Acho que o ponto importante aqui é que a gente só faz essas coisas (ou até mesmo gosta de fazer essas coisas) porque a sociedade ensinou que TEMOS QUE fazer essas coisas. Pode ser que um homem que decida depilar as axilas acabe achando que é muito bom...fica mais fácil de limpar, fica lisinho e cheiroso (kkkkkk), mas ele não vai TER QUE FAZER isso toda hora, simplesmente porque ninguem espera que ele faça isso.

Já uma mulher TEM QUE DEPILAR AS AXILAS mesmo que não goste ou vai ser chamada de feminazi, né?

E não venham com a falsa simetria de que o homem tem que fazer a barba e bigode. Muitos não fazem e que eu saiba nenhum homem jamais foi considerado radical nazista por causa disso.

Larissa disse...

Lola, acho deprimente mulher que vive em função de ser admirada pela aparência física, seja por homens ou mulheres. Mas não vejo grandes problemas em gostar de estar bonita.. eu adoro maquiagens, acessórios, umas roupinhas novas, saltos altos.. e não me acho fútil ou submissa por isso. Fico assustada com a quantidade de blogs femininos monoassunto, que só falam de maquiagem, cosméticos, moda, e o pior, a maioria ganha dinheiro de grandes empresas pra fazer propaganda disfarçada de post. Fiquei chocada quando vi uma reportagem numa revista dizendo q certos blogs recebem mais de 100 mil acessos por dia, sem contar os milhares de comentários de leitoras invejando o consumismo desenfreado que é incentivado o tempo todo. Isso sem contar as revistas femininas, claro.. show de horror.
Só acho que também não dá pra generalizar que todas as mulheres que usam salto ou maquiagem estão querendo agradar alguém. No meio acadêmico percebo que tem um baita preconceito contra mulheres que gostem dessas coisas, enquanto em outros ambientes o que é criticado é o "desleixo"... não gosto muito de ver o mundo em preto e branco sabe? As pessoas são tão complexas e diferentes umas das outras...

aiaiai disse...

Deixa eu complementar, acho que ainda não ficou claro: as mulheres que fazem isso e dizem que gostam, não estão mentindo...apenas estão repetindo um padrão. A mulher se sente poderosa num saltão porque aprendeu que esse é o "caminho" para o poder. Dai ela se sente bem quando está de salto alto porque sabe que assim estará sendo melhor avaliada.

Não se trata de ser contra mulheres que usam maquiagem ou saltos altos...se trata de mostrar com clareza porque é que a gente faz isso para, quem sabe um dia, libertar aquelas que não gostam disso da obrigação de fazer isso.

Um dos comentaristas falou que a namorada é muito livre, não gosta de fazer nada disso e vive muito bem assim. Mas ele mesmo afirmou que a namorada só faz as unhas quando precisa ...para ir a um casamento, por exemplo. E, eu pergunto, por que é que ela precisa fazer as unhas para ir a um casamento? Ele, o namorado, também se sente na obrigação de fazer as unhas para ir ao casamento? Algum homem ai já TEVE QUE fazer as unhas para ir a um casamento?

Renata A. disse...

Bom, acho que depois de certa idade e esclarecimento não faço mais muita coisa pq a sociedade me ensinou.
Aliás, quando eu era nova odiava usar saia, pq não podia sentar à vontade, como eu gosto. Só usava tenis, jeans e camiseta. Cabelo preso e cara lavada.
Me sentia bem. Não era necessariamente masculina embora andasse com muitos homens - nunca tive problemas de relacionamento. Minha auto-estima estava sempre boa e eu não estava nem aí.
Mas sou inquieta, fui crescendo e explorando vários "estilos" de hippie a skatista e achando cada vez mais divertido a coisa estética, o brincar com a imagem, mudar, me ver diferente.

Nunca gostei de ser olhada por homens, não me produzo para eles e sempre me senti mais lisonjeada qdo me elogiam em uma conversa do que pela aparência. Meus amigos, ainda a maioria homens, sempre souberam disso e nunca foram bajuladores. Até uns tem medo de mim..rs
Aliás, não gosto de ser olhada por ninguém. Se acho que estou "chamativa" demais, eu tiro logo tudo q me faz ter essa sensação.

Menos ainda me produzo para as mulheres. Sou de uma família onde a maioria é mulher e a maioria se veste muito bem, vive de unhas e cabelos feitos e eu nunca tentei me parecer com isso, ser igual a elas ou algo assim.
Hoje, eu acho bastante divertido mudar meu cabelo, se eu qusier estar uma hora d efranja ou outra de prancha ou outra com o cabelo cacheado ou outra dividido ao meio.
Quase não faço as unhas, mas acho divertido pintá-las de cores escuras, aliás, acho que trasnmite personalidade. Prefiro sapatilhas, mas se vejo um belo salto que combina com um belo vestido em uma ocasião especial, não sinto nenhuma culpa em usá-lo. Acho que meus olhos ficam mais bonitos quando passo delinador e sombra negros. Adoro coisas vintage e me sinto muito bem usando. Chato seria andar todo dia como capa de sofá, de cara lavada, a mesma de sempre.
Sei lá, não gosto de mesmice. Nem na minha casa, na vida vida nem na minha aparência. Forçado, no meu caso, seria se eu usasse as roupas sempre da moda, das melhores marcas, me obrigasse a passar maquiagem todo dia, fizesse escova progressiva para ter os cabelos lisos como todas as outras e unhas toda semana, francesinha que é mais chique...rs

Acho que se produzir muitas vezes pode ser só uma questão de estilo.

Renata A. disse...

Aiaiai, meu namorado num casamento não afz as unhas mas sente obrigação de fazer a barba e dar um jeito no cabelo. Coisa q ele não faz no dia-a-dia.
É porque em ocasiões "especiais" a gente quer fazer algo especial, pra sair da mesmice. Do memso jeito que em épocas "especiais, a gente muda a decoração da casa ou faz uma comida diferente.

Quem faz isso sabe que não precisa, mas gosta de fazer. Já fui em muitas festas especiais sem fazer a unha, mas sempre pinto. Porque posso pintar, precisando ou não, gosto de pintar e acho q numa festa, a gente costuma variar um pouco mesmo.
Se eu posso pintar as unhas, pq não vou pintar? Sei que não preciso, mas acho bonito. E se não pretendo ir de jeans e camiseta em todos os lugares que frequento, pintar unha, usar maquiagem ou salto é mais uma questão de opção do que de pressão.

Pelo menos para mim.

Mari Biddle disse...

A Aiaiai disse tudo.

Eu me depilo porquê é higiênico? Balela da grossa. Eu me depilo porquê foi feita toda uma construção para eu aceitar a idéia de que é obrigação de uma mulher se manter depilada. Ou alguém deixa de sair ou fazer sexo com um homem porquê ele não ta com a depilação em dia. Ou ainda, se homens não se depilam então eles não são limpos?


Afirmar que TODA mulher se submete a essas imposições de arrumar cabelo, unha e andar de salto é falso. Nem toda mulher faz e tem uma galera que não tá nem aí. Lola por exemplo passa uma tinta no cabelo de vez em quando. Nada de maquiagem, salto ou tratamentos para ficar sem os pelos. A Ludmila (blogroll da Lola) tá fazendo um exercicio de desapego a essa parafernalia 'feminina' e conta lá no blog. Ela tá mais feliz e livre desde que parou de consumir esses bens que custam tão caro a auto estima da mulher e ao bolso.

Nola disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Nola disse...

Se "ficar bonita" e burca são opressões, acho que isso aqui é um combo

http://www.youtube.com/watch?v=xNLXHd6dM7M

Renata A. disse...

Acho que tem muito mais a ver com sociedade de consumo. Só que as mulheres foram construídas culturamente para serem as maiores consumidoras da moda e estética. A propaganda e a mídia, sempre trilham os caminhos "fáceis" para vender e padronizar, por isso é uma mulher a protagonista, mas não acho que seja mais um problema exclusivamente nosso.

Os homens estão entrando nessa também. Existem homens héteros que se depilam, que usam roupas ou corte de cabelo q as mulheres deles gostam pra agradá-las - já presenciei isso várias vezes.
Eu nunca achei que depilação tivesse a ver com higiene, mas com estética. Não me acho bonita cheia de pelos e nem acho bonitos homens peludos. Não deixo de fazer sexo com eles, mas também não é confortável. E digo que meu namorado passou a se depilar porque uma vez eu disse que achava mais bonitos homens sem pelos, ma snunca pedi que ele fizesse isso. Na primeira vez q ele fez isso ele me disse q ia me fazer uma surpresa, até.

Esse debate já está antiquado, dessa forma. Hoje é uma coisa que diz muito mais à sociedade, aos homens e mulheres e ao consumo.

Ficou estabelecido que mulher "tem" ou "gosta" de se arrumar e cuidar, e estão passando a vender esta idéia agora para os homens também, que estão se tornando metrossexuais. Todos interessados em vender produtos e tratamentos, acho que a questão toca mais fundo aí.

lola aronovich disse...

Samya, levanto a mão para todas as suas perguntas! Nunca fiz a unha! Minhas unhas são virgens da silva. Aliás, eu e o maridão devemos ser um caso único no mundo, porque quantos casais vcs conhecem em que a mulher nunca fez as unhas, e o marido, sim? Aconteceu com a gente! O maridão teve que fazer as unhas uma vez, faz uns 2 ou 3 anos, pra participar de um comercial de xadrez da escola onde ele dava aula. Como iam focar as mãos, as unhas precisavam estar bonitinhas. Mas claro que “fazer as unhas” pra homem não implica botar esmalte.
Eu também nunca usei brinco. Não tenho nem orelha furada. Aliás, nunca usei bijuteria nenhuma. Só relógio. Faz muito tempo que não uso salto alto. Sobre lingerie, pra mim o importante é que seja confortável. Só. E pra mim quase nenhuma é, muito menos as “bonitas”, porque eu tenho o maior peitão. Penteada eu me penteio, todo dia. Mas nada de escova nem nada. E faz anos que não tenho um batom (estojo de maquiagem, rímel, essas coisas, nunca tive). Sempre saio/estou de cara lavada. Uso manteiga de cacau de vez em quando porque meus lábios ficam ressecados.
Não me sinto melhor ou pior que ninguém por não ligar pra nada disso. Mas tenho um pouco de orgulho em ser tão diferente. Tive e continuo tendo muitos padrões pra romper, muitas encucações, mas essa de “ser feminina” eu nunca tive. Ah, e economizo um montão de dinheiro por não depender de nada disso. Sinto-me livre. (Assim como sinto-me livre por não ter religião).
O negócio não é “sou feia mas sou inteligente”. Não tem nada a ver. É: “preciso imitar a Barbie para me sentir bonita?”. Só pode ser bonita quem usa maquiagem e salto alto? Ué, então eu não acharia nenhum homem bonito.

lola aronovich disse...

Larissa, no meio acadêmico que eu frequento (enfim, agora na UFC, antes na UFSC, em todos os cursos que fiz) não há o menor preconceito por mulher que se arruma. Aliás, acho mais é que é a regra. Sou suspeita pra falar, porque eu NEM NOTO se uma mulher tá de maquiagem ou não (a menos que seja muito forte), não sei se a roupa que alguém tá usando é de grife ou não. Como não sigo convenções pra minha aparência, não presto atenção na dos outros. Por exemplo, por mim todo mundo poderia repetir a mesma roupa todo dia, porque eu NUNCA sei o que alguém tava usando no dia anterior. Simplesmente não é importate pra mim. Mas vejo muitas colegas professoras e alunas comprando roupa e produtos, então imagino que, pra elas, seja bem comum. E não acho que elas tenham preconceito contra mim por eu estar tão por fora. Pelo menos no meio acadêmico que eu vivo todo mundo é muito na sua, bem tolerante (pelo menos nisso de aparência).


Concordo com tudo que a Aiaiai disse. Se uma mulher quiser usar tudo que a mídia vende, que use. Minha luta é pra que não precise usar. Pra que a gente conteste o padrão de beleza e passe a ver beleza em todos os tipos.

Flovi disse...

Bom, considerando a realidade das mulheres muçulmanas que eu vejo ao meu redor: essa idéia de que por debaixo da burca se esconde uma mulher ultra-produzida é, na maioria dos casos, uma idealização. A maioria das mulheres que eu vejo usando burca estão bem pouco produzidas por baixo. Porque a própria religião prega que elas devem prezar pela modéstia, e a vaidade não é vista com bons olhos. Sendo assim, a muçulmana que anda produzida por debaixo da burca está sendo sim ousada, ainda que dentro de certos limites.

Como eu disse, uma minoria das mulheres muçulmanas que possuem o devido poder aquisitivo segue esse tipo de regra. E isso é visto, entre elas, como um sinal de sofisticação. Eu sei disso porque já convivi com muçulmanas do Irã, que são consideradas, por aqui, como bem mais sofisticadas (e ocidentalizadas) que as mulheres da Índia ou do Paquistão, por exemplo.

Com relação ao salto: ninguém usa salto pra se sentir bem. Assim como ninguém usa terno e gravata debaixo de um sol de 45 graus pra se sentir bem. Acontece que as pessoas não querem mudar. E as pessoas que querem realmente fazer a diferença são bem poucas, com bem pouca representatividade. Conheço uma mulher que preferiu sair da Loreal a ter que ir trabalhar de salto. Ela é adepta do all-star em qualquer situação. Chamaram a atenção dela por duas vezes, e ela disse que se tivesse que trabalhar de tailleur e salto, então ela preferiria sair da empresa. Eu confesso que eu não faria isso. Sabe aquele texto da Marina Colasanti 'Eu sei mas não devia'? É bem por aí: A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.

Milena Pinheiro disse...

"Se uma mulher quiser usar tudo que a mídia vende, que use".
Enfim posso concordar. Nós, feministas, temos que ter cuidado para não sermos tão enquadrantes quanto quem criticamos. Sempre digo e repito aqui; não acho que importe trabalhar fora ou não, se arrumar ou não, por si só, saber cozinhar ou não. O importante é que cada uma dessas escolhas seja autêntica. O importante é não precisar medir cada uma dessas atitudes pra se enquadrar no tipo "feminista", ou no tipo "mulher fatal", ou em qualquer outro tipo.

aiaiai disse...

complementando um pouco mais...minha luta - acho que nossa, das feministas - é para que os homens também possam ser livres para usar ou não tudo isso!

J.anquevitti disse...

Lola, lendo seu post lembrei daquela dicotomia machista de que mulher tem que ser santa na rua e p*** entre quatro paredes, me parece que é isso que esse comercial quer passar, e infelizmente, tem gente que acredita.

bete disse...

Faço tudo isso. Aliás sou viciada em esmaltes, adoro maquiagem, roupas, sapatos e bolsas. Costumo andar arrumada até porque meu ambiente de trabalho, em suas convenções socais que TODO trabalho tem, pede isso, há uma certa forma de se vestir, tanto para homens quanto para mulheres. Quando não to a fim, uso rasteirinha e sapatilhas e não to de maquiagem. Mas faço por gosto MEU, EU gosto disso tudo, o bofe nem liga, sabe nem que cor estão minhas unhas (aliás não liga se o esmalte é claro, escuro ou estrambiótico, namorados nunca ligaram se minha lingerie é bege. Aliás como sou gordinha acho um saco a falta de lingeries sexys do meu tamanho e quando tem custam uma fortuna, mas sim me sinto mais sexy com elas, desde que confortáveis tb, uma coisa não é inimiga da outra.
Me parece que ha´uma divisão, vc é mais mulher e MAIS feminista se não segue os ditos padrões. Não dividam as mulheres assim, dividam entre as que curtem e as que não curtem, e não ha´nada de errado nisso. Homens tb precisam cortar as unhas, estar limpos, cheirosos e em muitos casos de terno (que acho uma roupa altamente desconfortável). Eu escolho o bonito e confortável que combina com a minha idade e meu biotipo.
Uma mulher com boa auto-estima realmente se arruma par si mesma, eu adoro olhar o resultado no espelho e ficar satisfeita, p. ex. Acho que a grande diferença existe é quando a pessoa que escolhe repetir os padrões, como vcs chamam, faz isso tendo consciência do que o gesto significa sociologicamente, sabendo que há um padrão e escolhendo o que lhe convém, e não somente pq foi imposto pelas leis de mercado. Há uma escolha livre aí. Não considero feminina só a mulher que repete, como vcs querem, os atos de fazer unhas e se depilar, se arrumar etc. Como diz a música da Joyce, feminina está no gesto e no olhar, mas se a pessoa tem consciência dos significados socais desses padrões e gosta, curte, se olhar no espelho e se achar bonita porque está de batom ( a maiorai dos homens que conheci detesta batom e make, to nem aí, eu adoro, se me quiser é com eles) ela não deixa de ser feminista. Ao meu ver a luta está muito mais ligada a condições de trabalho, ter creches, não ser discriminada e preterida porque é mulher. Quanto a se vestir acho que vcs podem e devem esclarecer sociologica e historicamente os padrões, torna as pessoas mais conscientes de suas escolhas, só isso, mas condenar o ato de se arrumar, acho tão bobo quanto condenar qem não liga pra isso. bjs.

bete disse...
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bete disse...

aliás , assino embaixo do que a Milena Pinheiro disse. Nós, feministas, tb temos que tomar cuidado par não ficar dividindo e dizendo: sopu mais feminista que vc por isso ou aquilo. Há escolhas e histórias de vida de todos os matizes e em todos os lugares.

samya disse...

Bete, assino embaixo de tudo o que você falou.
Lola, continuo achando que se arrumar não faz de você uma pessoa menos feminista. E ai vem a pergunta? Se as mulheres pararem de se arrumar, de se preocupar em se depilar ou de qualquer outra coisa que fazem muitas vezes por prazer, e passarem a não ligar a minima pra nada que diz respeito a aparência, quer dizer, se começassem a fazer o que algumas feministas acham que é preciso fazer pra ser feminista, não estarão elas também repetindo um padrão exterior?
Eu tenho uns 6kg a mais do meu peso ideal, ideal para mim, que fique bem claro, adoro unha colorida, ainda que dure umas 24 horas porque vivo com a mão na terra, Gosto muito de sair com batom e langerie bonita, coisa que em geral so eu vejo, meu marido nem olha pra isso, sou menos feminista que outra mulher que não goste e não use?
E em coisas tão superficiais que se baseiam o feminismo?
Concordo plenamente que a moda é ditadora, mas acreditar que toda mulher que gosta de uns frufrus estão fazendo isso por imposição social é absurdo.
E olha que meu traje atual é short, camiseta regata e havaina, mas sempre de brinco e esmalte.

Daniel disse...

Lola, li o post e alguns dos links. Mas tenho algumas restrições. Vamos lá.

Sinceramente acho que está havendo um grande exagero por aqui. Claro que quando uma mulher neurotiza essa questão da beleza a ponto de chegar na anorexia e na bulimia é terrível. Por outro não acho nem um pouco melhor o ideal de "beleza" que é defendido aqui e em outros blogs feministas: uma mulher gorda, sem maquiagem, sem depilação, que só usa calças e tênis.

Há que se ter um meio termo. Sou homem mas me cuido: controlo a alimentação, pratico esportes, corto o cabelo todos os meses e até já fiz uma pequena cirurgia estética para retirar uma verruga do rosto.

Aliás a questão da prática de esportes é algo que falta em toda essa dicussão: nunca vi uma pessoa obesa numa equipe de corrida, com exceção daqueles que estão começando a praticar esportes. Isso me sugere que obesidade metabólica é muito menos comum do que está sendo dito aqui. A imensa meioria dos casos de obesidade é causada por má alimentação e sedentarismo. Várias pesquisas mostram que a alimentação do brasileiro vem piorando nos últimos anos e uma consequencia disso é a obesidade crescente em todas as classes sociais.

Então, sinceramente acho que esse elogio a atitudes do tipo "sou gorda mesmo", ao completo desprezo a estética tão comuns no movimento feminista tão prejudicial quanto o ideal de beleza irrealizável vendido nas capas de revistas. A virtude está em algum ponto do meio do caminho.

Lud disse...

Moças,
tenho tanta coisa pra dizer que acho difícil resumir em um comentário. Como a Mari Biddle lembrou, a minha saga de adeus aos cosméticos tá aqui: www.ludleo.blogspot.com, a partir de setembro de 2009.
Beijos!

morgueta disse...
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morgueta disse...

Engraçado que sempre, em dicussões que envolve feminismo, aparece um monte de gente falando do "sou mais feminista do que você", sendo que, juro por deus, nunca vi uma feminista nem dando a entender isso. Muito pelo o contrário, as vejo, inclusive, fazendo questão de dizer que lutam pelo direito de sermos como quisermos - de salto alto, depilada ou não. Há um abismo entre a crítica da Lola e esse tipo de julgamento.

Posso ter sorte ou simplesmente ter escolhido bem onde me meter (sei que tais "feministas" existem), mas acho que há um exagero e até uma certa perseguição às feministas quando o assunto é "se cuidar". Enxergo como mais uma maneira de justificar atitudes que, no fim das contas, nem tão sendo atacadas pelo medo de sair do conforto de continuar na mesma e enxergar coisas erradas.

Posso tar equivocada, mas sinto até um conforto na hora de falar essas coisas, pq eu tb poderia muito bem achar tudo isso um exagero e me sentir atacada, já que me depilo, faço sobrancelha, raramente saio sem alguma maquiagem e ligo bastante pro que eu tô vestindo. Em momento algum senti superioridade de alguma feminista sobre mim por conta disso. Tudo o que o que me trouxeram levantando essas questões foram coisas boas e maior liberdade pra entender meus gostos e minhas atitudes. (como já disse antes)

Pentacúspide disse...

Eu realmente não entendo este post. Não falo da compreensão semântica e gramatical, mas da ideia a ser defendida.

No post anterior, parece que a ideia defendida era de que a mulher se produz para agradar a si mesmo, de maneira que é violentamente machista ser "elogiada" na rua. Agora, dizem que a mulher se produz porque quer mostrar-se e quer ser avaliada conforme os padrões. Fiquei perdido, a sério, afinal em que ficamos.

É falso que as mulheres muçulmanas, aquelas que usam burca, se produzem debaixo da suas vestes segundo a linha ocidental. Eu convivi com muçulmanos na minha terra, ainda convivo, em menor grau porque são poucos os que conheço em Portugal, e sei que isso é mentira. "Muçulmanos americanos" já não sei, mas parafraseando Cristo: quem acende uma lanterna para a esconder debaixo de um alguidar? E é falso pensar que as muçulmanas são desprovidas de erotismo ou não façam para estar bonitas debaixo da burca, ai, elas fazem, e como são. Diferentes, mas são.

Uma vez perguntei a uma namorada: "por que te compões tanto quando vens à minha casa, se depois despes-te toda e o suor estraga a maquilhagem?" "Porque és estúpido e só gostas de pacotes coloridos", respondeu-me ela. Passou um bom tempo até que eu entendesse a resposta.

A sociedade tem padrões, questionáveis, é certo, e que devem ser questionadas, mas, Lola, homens como o teu marido são bichos-raros (positiva ou negativamente, depende de quem avalia).
Eu lembro-me de uma vez ter ido para a cama com uma mulher com mais dobras e pneus de que o Michelin em idade avançada e não consegui ficar de pau duro, porque fui os padrões diziam-me que aquela mulher não era erótica. Lingerie, composições e tal é para alimentar o erotismo. Quando era adolescente masturbava-me com fotos de um par de mamas, mas qual é a imagem que um adolescente índio usa para se masturbar, se o nu não lhe é erótico? Outro exemplo, um pé de lótus é muito erótico para os chineses, mas para nós não diz nada. Da mesma maneira mulher em lingerie e composta é mais erótica do que mulher sem. Agora podes falar que isto é uma visão machista e tal, mas na verdade negar isso é negar toda uma componente antropo-biológica e socio-cultural, tal como disse Beatriz, se até os pavões pavoneiam...


Eu voto que as pessoas se vistam como querem e como melhor se sentem, aliás, eu sou daqueles que se veste como lhe dá na gana, misturando as modas e modices, porém, seria hipócrita se dissesse que não me chama mais à atenção aquela mulher melhor composta.

jacques disse...
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Maria Valéria disse...

Concordo com algumas coisas do post, mas não totalmente. Quero dizer:Se um dia vc vai encontrar uma pessoa especial, qual o problema de se arrumar para ele?? Não é uma delicia, vc esperar pela pessoa de quem vc gosta, e escolher o vestido mais bonito, a lingerie mais bonita, e caprichar na maquiagem?... tudo bem, tem quem goste de andar largada qualquer que seja a ocasião, respeito- mas daí a generalizar como se arrumar para uma pessoa especial fosse sinônimo de submissão, de pressão da sociedade, é bem outra coisa...
Sou meio caretona, acho que estar bem arrumada é uma homenagem à pessoa com quem vc vai se encontrar. E ainda asism, não só quando o encontro é com um homem, mas com amigas e pessoas queridas ajo assim.Não sei viver de outro jeito.
´Lógico que no dia- a- dia, trabalho, ou quando o programa pede para andar muito não uso salto alto, não uso maquiagem no dia a dia,( meu normal é cara lavada e calça comprida ou vestido leve mesmo), mas quando vou encontrar uma pessoa querida( amigos/ romance), visto o que tenho de melhor... quem não se sente feliz se ver que a pessoa se arrumou só pra encontrar com vc?,,,
então, discordo um pouco nesses pontos, embora acredite que cada um tem seu estilo e vive como gosta e acha melhor.
se quiser andar largada, ok, mas se quiser se produzir, não vejo problema algum. (desde que seja escvolha sua e não imposição dos outros).
quanto às burcas, concordo com vc...
beijão:))

Koppe disse...

"seria hipócrita se dissesse que não chama mais à atenção aquela mulher melhor composta."

Depende do que significar "melhor composta". Pra mim especificamente, uma mulher usando calça jeans, camiseta e tênis é muito mais atraente do que uma usando vestido, salto alto e maquiagem. Unhas compridas? Só se eu fosse o Batman paquerando a Mulher-Gato...

Giovanni Gouveia disse...

Não se iguala, nem com margem de erro de 49,5%, com os "apetrechos e artifícios" que as mulheres são submetidas a realizar, mas queria saber quem foi o sádico, ou masoquista, que inventou o tal do sapato "bico fino", usei uma vez e era pior que cueca apertada, eu não conseguia pensar, quase enlouqueci naquele casamento... Paletó no "frio do meio dia do Recife" também não é lá tão agradável, mas os advogados, e outros loucos, acham que é peça obrigatória para "manter o respeito".
Uma vez ouvi alguém dizer que sua mãe ensinava que "uma mulher não tem frio, calor nem dor, apenas o compromisso com a elegância".
Eu acho tudo uma estupidez!!!

Koppe disse...

Acho que sapatos de bico fino são a piada de mau gosto da indústria da moda. São ruins pra quem usa, dizem que incomodam mais que dor de dente, e são ruins pra quem vê alguém usando, porque são mais feios do que briga de facão...

Vivien Morgato : disse...
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Vivien Morgato : disse...
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Vivien Morgato : disse...

Como sempre, gostei do post e dos comentarios. Alguns foram bem ao encontro do que penso, no tocante as nucanes , as matizes e, em espcial, a questao da escolha.
Eu nao consigo me identicar nem com a perua louca que tem como grande objetivo na vida ser a Barbie...assim como nao tenho praticamente nada em comum com quem acha que precisa ter sovaco peludo pra ser mais ou menos feminista.

Tai. A questao da depilacao.

Eu concordo que a imagem feminina esta atrelada,amarrada a um tipo especifico de erotizacao, de servico ao prazer masculino.Quando leio isso , de forma sempre interessante que vc coloca, concordo enfaticamente. Entretanto...naoacho que o argumento ~ eu me arrumo so pra mim~ possa ser efetivametne o unico ouo melhor.Na verdade, nem sei se posso pensar nele como real.
Entretanto....quando vejo que alguem argumenta que tal coisa e cultural, so posso...concordar. Mas o que nao [e cultural, ne?
Ainda que nao sejamos vitimas da moda, usamos roipuas que sao aceitaveis dentro da sociedade ocidental do seculo XXI.Posso ate cuetir os vestidos medievais, mas nao vou usar por ai.

Vivien Morgato : disse...

Dentro dessa cultura ocidental do seculo XXI, a depilacao feminina e associada a higiene e beleza. Nao era , nao foi durante seculos, mas agora e. Pode-se luar contra ela...mas eu me pergunto...pra que?

Obviamente que nao existe nenhuma verdade inquestionavel...ninguem fica - naturalmente, intrinsecamente - mais higiencia e mais bonita assim. Mas culturalmente, essa e a mensagem, Entendo que muitos discordem, mas eu a aceito como uma das milhoes de coisas que fazemos cotidianamente ligadas a nossa cultura historicamente datada.

Vejo todo o erro do mundo em ser escrava da estetica. Particularmente nao vejo problema em saber que estou inserida dentro de um contexto em que alguns codigos sao compreendidos como cuidados esteticos.

Pensar que posso me livrar de todos eles seria pensar que acho que podemos ser livres...e em uma sociedade de consumo, nao acredito da liherdade. Acredito em nuances dela. So.

Acho que insistir em determinados temas apenas fragmenta os grupos femininos, deixando a pecha de feminista ser associada a um determinado padrao.


Nao foi aqui que li sobre a camiseta que dizia ~ e assim que uma feminista se parece - pra mostrar que somos de todas as cores, formatos e padroes?


Grande beijo.

Pentacúspide disse...

ESTE POST É UM APELO AO NATURALISMO?

Koppe, na transcrição que fizeste, esqueceste-te do pronome "me". E sim, se calhar é preciso definir a composição. Ok. Partindo da ideia de que uma mulher simples, está simplesmente nua, e partindo de que se esta a criticar o padrão da beleza, e a composição e usar maquilhagem e roupas à passarelle de hollywood, acho que a "composição" determinar-se-ia pela capa da Elle ou da Vogue.

Rosa Lopes disse...
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Rosa Lopes disse...
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Rosa Lopes disse...
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Rosa Lopes disse...

Nossa hoje eu li todos os comentários (31 até o momento), olha que luxo!

Me identifiquei com aiaiai quando diz:
"Não se trata de ser contra mulheres que usam maquiagem ou saltos altos...se trata de mostrar com clareza porque é que a gente faz isso para, quem sabe um dia, libertar aquelas que não gostam disso da obrigação de fazer isso."

Não há dúvidas que os padrões de beleza foram implantada em momento da nossa história muito mais que o desejo natural de exercer-lo.

Mas sobre a questão feminista propriamente dita me identifiquei também num ponto que a Bete tocou, a divisão.
"Me parece que ha´uma divisão, vc é mais mulher e MAIS feminista se não segue os ditos padrões."

Eu tenho dúvidas sobre isso também e com a questão religiosa muito mais.
Não posso ser feminista se sou religiosa ?

Tive a impressão que o post coloca as mulheres que usam o padrão comum como vítimas do sistema social machista por ignorância da manipulação que sofrem.
Evidente que essas existem e são maioria, mas vejo até pelo posicionamento da maioria dos comentários que talvez passe aqui uma generalização.

Falo das que conscientemente usam o padrão comum e também são feministas, atuantes. Se apropriaram da liberdade de escolha. São assim pq já passaram pelo: "essa sou eu?"

Não estaria se formando um padrão feminista de conduta ?

Realmente a industria que justifica a visão que a mídia divulga é incansável, mas não vejo que só algumas tenham consciência disso.
As discriminações dirigidas à mulher não tem diferença para as com batom ou as sem batom.

João Dias disse...

Não é estranho que a gente se sinta bem olhando pra nossa imagem "produzida" (mas incômoda ao corpo) no espelho. A sociedade construiu isso na gente, disse que a gente tem que se sentir bem daquele jeito.

"Não se trata de ser contra mulheres que usam maquiagem ou saltos altos...se trata de mostrar com clareza porque é que a gente faz isso para, quem sabe um dia, libertar aquelas que não gostam disso da obrigação de fazer isso."

Concordo plenamente, e, sem a intenção de traçar uma simetria, apenas uma comparação por cima, estendo isso aos padrões "masculinos" que a sociedade espera de nós, homens, também.

Adriana Karnal disse...

Lola,
tbm já fui super despreocupada com a aparência,mas sabe? com a idade, gostei de me maquiar pra sair, de usar roupas novas e escovar o cabelo( aliás, uma escova é tudo de bom) unhas só fui pintar depois des 40...não me sinto perua nem menos feminista por isso...o problema acontece com a mulher que se escraviza pela imagem idealizada da mulher gostosa....ou o q é pior: aquela q compra a imagem da capa da revista imaginando chegar aquele padrão ( burrice, é claro, viva o photoshop!)gostar de "pintar a cara", usar adornos no corpo ou roupas especiais pra festividades faz parte de TODAS as culturas, acho que chega a ser um universal...

aiaiai disse...

caramba...onde que a lola disse que pra ser feminista tem que parar de usar maquiagem e salto alto???? Gente, vamos ler com atenção pra não ficar perdendo tempo discutindo bobagem, né?

recomendo muito o blog da ludmila...adorei os posts dela, muito bem humorados e verdadeiros.

Prity disse...

A luta por poder ser o que quiser e viver como quer sem enfrentar críticas diárias, é utopia.
Mas concordo que faço as unhas porque trabalho em um lugar que tanto os clientes como os colegas esperam ver alguém "bem cuidada". Elogiam, ou percebem se a gente não faz. Isso é um saco.Até eu mesma me sinto incomodada se estou com as unhas naturais, dão aspecto de desleixo.
Realmente na nossa cultura atual, preza-se muito a beleza clean, como se não fosse higiênico estar ao natural.

L. Archilla disse...

Putz, nem tive paciência de ler todos os comentários, porque né? Não é sobre você que estamos falando, como diz o título de um post recente no Biscoito (acho). Basta tocar nesse assunto pra vir a galera se justificar aqui: "eu faço tal tal e tal coisa mas não sou fútil", "eu gosto de salão de beleza e não sou menos feminista", "eu não sinto tesão por gordas, sou preconceituoso?"...

Pelo amor de Deus, gente... não estamos falando do PESSOAL, estamos falando de SOCIAL. Ser obesa/magra/vaidosa/relaxada/adepta ou não de regimes/frequentadora de salão de beleza não faz ninguém mais ou menos feminista e, como a aiaiai acabou de dizer, a Lola NUNCA falou que isso fazia diferença. O fato é que fazemos tudo isso por construção cultural SIM. Ou vc andaria de salto 15, maquiagem e escova numa ilha deserta?

Incrível como todo mundo entra na defensiva na hora que pisam no calo.

E NÃO, se arrumar pra sociedade não significa se arrumar pra ouvir cantada de desconhecido na rua - mas acho que alguns aqui não vão entender, quem sabe se a gente desenhar...

E claro, não podia faltar o homem dizendo como devemos nos portar; no caso, "o meio termo é ideal". Sobre isso eu nem vou comentar.

Obs: sobre não ter obesos no grupo de corrida, talvez seja pela corrida ser um esporte de impacto e não fazer bem pra saúde dos obesos. Já tentou procurar nas academias de hidro?

Carla Mazaro disse...

A L.Archila disse muito!

A questão não é VOCÊ que faz isso porque gosta e ainda assim se sente feminista, a questão é que a maior parte das mulherers se sentem obrigadas a fazer as coisas.
Acho que depilação é o maior exemplo disso.
Vou citar a Lud novamente. Como foi dito num dos comentários ela está num experiencia de desapega a coisas "femininas". Eu acompanho o blog dela, ela já disse que não usa mais saltos, maquiagem,etc... mas e a depilação? "e infelizmente eu não evoluí o suficiente para desafiar as convenções sociais nesse ponto específico"
Post completo:
http://ludmilismos.blogspot.com/2010/09/o-caso-dos-pelos-mais-um.html

Como fica claro, isso não é necessáriamente uma questão de escolhe, né?
Esses dias eu vi uma menino no metro, linda, magra, cabelos compridos, de vestido, sentada no banco. Quando noto duas mulheres "suuuuuupperrr" discretas comentado e apontando para ela. E porque? porque ela não depilava a perna!!
Que direitos as mulheres tem de apontar e julgar a outra por causa disso?
Do meu ponto de vista essa eh a luta do feminismo, que tenhamos igualdade e PODER DE ESCOLHA.
E seria bom se as pessoas olhassem alem do proprio umbigo. Quando a Lola escreve um post desses ela nao esta apontando o dedo a sua cara e gritando voce eh machista porque usa salta. Ela esta expondo o nos faz se sentir bem usando salto. Porque toda a questao das propagandas eh fazer voce se sentir bem fazendo uma coisa que nao eh exatamente necessaria.
Como o caso dos protetores diarios de calcinha

Ufa falei demais, espero que de para entender

Carla Mazaro disse...

Esse tal de Pentacuspede eh chato pra caralho neh?
Vamos explicar uma coisa, a internet permite a fulidez e a informalidade da lingua falada. Esquecer um pronome, ou adverbio nao ira comprometer a mensagem. Afinal esse eh o objetivo da linguagem, fazer-se entender... DANE-SE se nem todas as malditas regras linguisticas foram seguidas!! A mensagem foi passada.

* Antes que alguem questione sobre isso: A mesma coisa naum pode ser aplicadas em trabalhos academicos e/ou profissionais, pois eles requerem uma linguagem formal.

Koppe disse...

L. Archilla disse... "Incrível como todo mundo entra na defensiva na hora que pisam no calo."

É mesmo, não tinha pensado nisso. Se aplica em muitas discussões, talvez até a maioria dos posts faça algumas pessoas agirem assim.


Agora mudando de assunto, ontem fui comprar presentes, inclusive pros meus sobrinhos. No setor infantil vi mães tentando convencer meninas a aceitarem de presente bonecas que imitam bebês, fazem xixi, choram, etc., quando as meninas queriam outros brinquedos, mais evoluídos, que despertam a curiosidade e ajudam a desenvolver melhor o raciocínio, ou que evocam aventura e liberdade, mas o pensamento retrógrado e antiquado diz que são coisas "de menino". Essas mães querem que as filhas fiquem carregando bebês de plástico, treinando pra ser mães e nada mais. Daí surge a próxima geração de "amélias". Lamentável.

Renata A. disse...

Hm, eu não entendi o post como um "eu sou mais feminista que vc", não.

Eu entendi o post como uma idéia antiquada, de um feminismo antigo, quando as mulheres eram apenas bibelôs e era "obrigatório" ou melhor, fazia parte do "ser mulher" se arrumar, se maquiar, usar salto e essa coisa toda.

A impressão que me deu do post foi de uma certa generalização de que todas as mulheres que se arrumam, que usam salto ou etc fazem isso para se enquadrar no q os padrões exigem e não sabem disso. É aí que eu escrevo um post sobre mim, querendo dizer: me inclua fora dessa!

Mas acho que desde, sei lá, os anos 60, desde aquela coisa hippie, de Baby Consuelo que não depilava as axilas, que esse assunto é debatido e muitas mulheres, feministas ou não, estão cientes das manipulações da mídia. Pelo menos as esclarecidas.

Hoje em dia, acho que não se define mais mulher dessa forma. Se cobra sim, que mulher tenha que se arrumar e pentar e maquiar, mas menos para "ser mulher" e mais para consumir o último tratamento, o último creme revolucionário, o sapato mais em voga. Por isso acho que a pressão da indústria da moda/estética é outra, ela atinge os homens também.

O que se vende hoje é que todos tem que ser "higiênicos" e andar na moda e consumir produtos e tratamentos. Os homens estão sendo presisonados tbm, pq "as mulheres preferem". Então é um problema que diz respeito a toda a sociedade, não só as mulheres.
Claro que é mais fácil encontrar homens que não estão nem aí pra isso, pq é um fenômeno novo pra eles, os que aderem são os "modernos", mas no finald as contas, é a mesma coisa.

Sobre a propaganda, pelo que eu entendi, a idéia era mostrar que toda mulher, mesmo as que usam uma burca, gostam de se produzir, não deixam de ser "femininas" e todas essas coisas pra vender produtos e idéias. E eu me lembro do livro Persépolis, da Marjane Satrapi, que viveu numa cultura completamente diferente da nossa, no Irã, e sempre foi contra o sistema que se instaurou. Usar maquiagem era transgressor. E ela usava, assim como camisetas de bandas de rock.

Enfim, acho que este debate precisa ser atualizado, principalmente levando em consideração que muitas mulheres já são esclarecidas o suficiente e se elas querem "se enquadrar" é pq às vezes não querem gastar energia mesmo contra algo que pode ser infrutífero.

Me lembra a entrevista da Marta Lamas (que já é uma senhora, pra ver como esse debate é velho), onde ela diz que independente das criticas feministas, ela passou a lutar pelo que acreditava de salto e maquiagem, se era assim q ela seria ouvida. E que assim ela conseguiu que o aborto fosse descriminalizado e as meninas hoje o fizessem de forma segura e gratuita - o que vale mais q qq discurso.

Então o ponto é que não adianta sonhar com o dia em que ninguém mais vai comprar o que a publicidade e a mídia vendem, mas tentar lidar com isso da melhor maneira possível.

Daniel disse...

" Obs: sobre não ter obesos no grupo de corrida, talvez seja pela corrida ser um esporte de impacto e não fazer bem pra saúde dos obesos. Já tentou procurar nas academias de hidro? "

Não é verdade, conforme opinião da minha médica como pelo que pesquisei a respeito. A corrida é um dos melhores esportes para obesos porque pode ter a intensidade regulada de acordo com físico. Quanto comecei (e era obeso) só corria 2 minutos, andava 4 minutos, corria mais 2 até completar meia hora. É difícil fazer isso com outros esportes. E além de mim mesmo conheço numerosos exemplos de pessoas que deixaram de ser obesas através da corrida.

Quanto ao "homem dizendo o que a gente tem que fazer" só me resta lamentar o sexismo evidente nesta frase.

cris comenta tudo disse...

Oi Alexrbn, por acaso vc está falando de mim??????? heheheh brincadeira, claro q não namoramos, mas penso igualzinha a sua namorada. Não combino calcinha com sutian, ha uns dias atras descobri uma especie de "cueca box feminina", que é extremamente confortável... Não saberia ser outro jeio...é impossivel...Tb estou sempre de cara lavada, com meu all star, minhas calcas jeans super confortáveis e minhas camisetas. às vezes tenho vontade de ficar mais sexy, então coloco uma batinha, mas salto alto é o fim. Usei um num casamento onde fui madrinha, assim que entrei no carro, o tirei....

Larissa disse...

Lola, que bom que sua experiëncia no meio acadêmico foi diferente, eu passei cinco anos a universidade e como meu curso não tinha prédio, eu frequentava aulas na faculdade de direito, de economia e de ciências sociais/história/geografia. Eram 3 universos bem diferentes mas em todos havia cobranças implícitas com relação ao jeito de vestir e à aparência.. durante um tempo eu ia direto do trabalho e todo mundo me olhava torto na faculdade de ciëncias sociais. Isso nunca me incomodou, mas acontecia. Vale a pena dar uma olhada nesse post que li há um tempo: http://dechanelnalaje.wordpress.com/2010/09/05/depoimento-crocs-e-preconceito-no-mundo-academico/

Pentacúspide disse...

CARLA, volta pa escola até compreendes que a falta de uma palavra ou o acréscimo de outra numa transcrição seja académica ou de qualquer outro tipo pode mudar o sentido da frase.
Lê lentamente e aprende: usando "me" eu tratei de uma observação, transcrevendo o que disse sem usar o "me", Koppe transformou a minha frase numa observação generalista. Leia de novo, eu recomendo.

L.ARCHILLA, não tem sentido dizer: "a questão não é você", quando a própria autora do post, para justificar a sua ideia diz: "EU nunca... o MEU marido..."

E quando se referem ao usar o salto de agulha, ou de alfinete ou seja lá do que tipo for, falar da tortura física. Sim, pode ser doloroso, eu nunca usei, acredito em vocês, mas não se referem à satisfação psicológica. Se a pessoa que usasse salto fosse torturada psicologicamente por isso, mais facilmente deixava de o usar.

Aliás, é até sem sentido que andem por cá a criticar saltos, decotes e pinturas, quando o próprio feminismo fez parte da luta para que as mulheres os pudessem usar conforme quisessem.

L.Archilla, mulheres não se compõem para serem cantadas na rua, nada mais lógico, mas isso quer dizer que não se compõem para serem apreciadas e satisfazer o ego? Considerando o post anterior e lendo este, até parece dizer que as mulheres que se compõem, obedecendo assim "cegamente" às imposições masculinas, até que são culpadas das cantadas.

L. Archilla disse...

Daniel, então talvez não seja o caso de culpar os diversos meios de comunicação que informam errado o fato de corrida ser bom pra obesos, ao invés de culpar os próprios? Porque eu corro, e nunca ouvi falar que esportes de impacto fossem bom pra pessoas acima do peso.

E me explica o sexismo de eu achar um absurdo um homem entrar num debate sobre vaidade/feminismo pra dizer o quanto de vaidade nós devemos ter.

L. Archilla disse...

Pois é, penta, o caso é que nós NÃO estamos criticando saltos, decotes e pinturas.

"mulheres não se compõem para serem cantadas na rua, nada mais lógico, mas isso quer dizer que não se compõem para serem apreciadas e satisfazer o ego?"

mas o que ser apreciada e satisfazer o ego tem a ver com o assunto do outro post, q era de cantadas na rua? não entendi.

"Considerando o post anterior e lendo este, até parece dizer que as mulheres que se compõem, obedecendo assim "cegamente" às imposições masculinas, até que são culpadas das cantadas."

juro que ainda não entendi a relação entre ser apreciada (e não só pelos homens, pela sociedade em geral) e ser cantada por um desconhecido.

Rosa Lopes disse...

Eu não sei se reler o post adiantou muito não.
Verdade que não passou pelo texto nada que dissesse claramente que mulheres que atendem ao padrão atuem menos que as que não fazem.

Mas não perdi a ideia da generalização.
Certo que o grupo que vai de acordo com a mídia por opção não seja o foco e sim a grande maioria de mulheres que adotam sem questionamentos esses padrões.
Só que a questão é que isso não ficou claro e daí a facilidade com que a discussão tomou rumo de defesa pessoal.

Me parece que a lenda que pra ser feminista é preciso abdicar de tudo relacionado a estética está tão forte quanto nunca. Independente que quem e com que intenções foi plantada essa semente, ainda giramos nesse ponto.

Realmente diante de tanta coisa ainda por conquistar isso parece menor, mas quem sabe se não está aí o "problema".

Milena Pinheiro disse...

L. Archilla, não acho que o Daniel tenha entrado no debate para dizer como devemos ser, mas pra dizer do que ele gosta - assim como eu tenho alguns ideais de comportamento masculino.

Em relação ao meu comentário, não quis dizer que a Lola disse quem é mais ou menos feminista, mas é inegável que alguns grupos de muito respeito segregam e olham torto pra mulheres mais arrumadas - o que não é meu caso, deixa eu abrir esse parêntese, pra não dizer que é advocacia em causa própria, rs.
Longe de discordar do que a Lola disse no post, só quis atentar pra heterogeneidade do movimento feminista e pra importância de que todas e todos exerçamos sempre a auto-crítica, para que não reproduzamos comportamentos que criticamos. Isto é, eu acho rasteirinha mais confortável e por isso prefiro, mas sou eu que vou dizer que todas têm que preferir, pelo meu critério, e que quem não o faz tá dominada por um inconsciente coletivo? De novo, não foi isso que a Lola disse, mas já vi muita gente boa pensar assim.

L. Archilla disse...

Oi, Milena! Bom, pra mim, quando se diz "há que se ter um meio termo" num debate como esse, a pessoa está ditando um ideal, sim. Porque está bem claro que a Lola, por exemplo, está num extremo, enquanto outras feministas (como a do blog Rosa e Radical, que é maquiadora profissional) estão em outro. E é muito significativo que, quando estamos justamente falando de não seguir regras em relação a aparência, um homem venha e diga o que ele gosta. É como eu disse, "não é sobre você que estamos falando". Não se trata de gostos pessoais.

Quanto ao preconceito com mulheres muito arrumadas, acho que é uma armadilha do próprio machismo, também. Se vc não se arruma nem um pouco, é desleixada. Se se enfeita demais, é perua, fútil, exibida. Até entendo q algumas feministas tenham esse preconceito, mas acho que é mais uma característica do machismo, mesmo. Então a gente fica louca tentando passar uma imagem de pessoa limpinha, arrumada, estilosa, mas tomando cuidado pra não exagerar. Leio muito blogs de moda e percebo essa preocupação, sabe? Tipo: se for usar isso, não use aquilo, menos é mais, atualize seu look pra não ficar com cara de 2009, enfim, um mooonte de regrinhas pra atingir esse famoso "meio termo" que alguns pregam. O que a gente quer é a espontaneidade, só isso. Seja ela o meio termo, o exagero ou o nada...

Ulisses Adirt disse...

Eu tenho um texto falando sobre isso (http://incautosdoontem.opsblog.org/2010/08/18/apoiando-a-propria-tortura/) que acabou por resultar comentários absurdos das próprias mulheres e q, portanto, acabou por me render outro texto (http://incautosdoontem.opsblog.org/2010/08/23/apoiando-a-propria-tortura-comentarios-ou-apoios/).

Laetitia disse...

Eu tenho a incurável mania de gostar de me enfeitar... não nego que essa vontade tenha surgido quando comecei a namorar, ou seja, passar pelo 'crivo' de um homem na intimidade, mas acho que a coisa 'piorou' quando comecei a ter mais amizade com mulheres vaidosas. Hoje em dia gosto de roupas bonitas, um pouco de maquiagem e esmaltes, mas eu me nego a usar/fazer qualquer coisa que agrida o meu corpo, restrinja meus movimentos ou meu conforto. Tenho inclusive pensado em parar de me depilar, pois minha pele é muito sensível e está quase sempre irritada por conta da constante agressão da lâmina ou cera.

Eu gosto de me vestir, me maquiar e pintar as unhas da mesma maneira como fazia quando criança: sem nenhuma técnica, nenhuma obrigação, como brincadeira. Não vou deixar de sair à rua se meu cabelo estiver despenteado (aliás, ele quase sempre está! rs) ou se não estiver convenientemente arrumada! Aliás, gosto de combinar roupas ao meu bel-prazer, usar batons e esmaltes de cores inusitadas... dane-se quem achar que estou esquisita. Não sou um daqueles animais que se enfeitam quando estão no cio pra atrair parceiros!

Acho ridículo que a imagem de "poder feminino" seja tão associada justamente às coisas que nos cerceiam! Pq, vamos combinar: qual o poder de usar salto? Só se for poder cair, poder tropeçar, poder se quebrar, poder não prestar atenção em nada além dos próprios pés! Já cheguei a me sentir um ET por não conseguir me equilibrar nos benditos saltos, até me dar conta de que não existe nenhum gene especial na mulher que a faça andar confortavelmente numa porcaria de sapato alto! Quem anda sofre e se conforma com o sofrimento! Hoje em dia, só tenho sapatilhas e rasteiras. E não tenho nenhuma roupa que aperte. Nem perco horas do meu sono pra ajeitar o cabelo. Não sou um outdoor pra ser admirado o tempo todo!

Andréia Freire disse...

Samya, desculpa desapontar a tua generalização, ela foi bem grosseira. Nunca dei a mínima pra isso de usar sutiã e calcinha combinando, não uso salto e não faço unha. Gosto de estar penteada e adoro brincos. Mas acho errado vc chegar e afirmar assim com tanta propriedade sobre as outras.

Daniel Olivetto disse...

post excelente... tava com saudade desse blog!

Feliz 2011 Lola!

Nathália. disse...

Eu adoro maquiagem, adoro mesmo!
Quando estou em crise existencial, por exemplo, me achando perdida no mundo (profissional, acadêmico e pessoal), gosto de me maquiar,colocar uma lingerie linda (sou apaixonada por lingerie) repassar na minha mente todas as minhas conquistas (profissionais, acadêmicas e pessoais), pegar a minha bike e sair por aí, ou então sair pra caminhar mesmo.
Eu sei que ninguém vai reparar na minha maquiagemou na minha lingerie enquanto eu caminho ou pedalo (até porque a gente fica suada), mas eu me sinto bem comigo mesma.
Então sim, tirando o salto alto (que se usado muito dói o pé), acho que é possível a gente se sentir bem realçando o que há de mais bonito na gente (seios, cintura, perna, olhos, boca...)

... como se eu fosse a única. disse...

Eu ODEIO maquiagem. Odeio mesmo. Se passo, não consigo nem tocar no meu rosto. Fico louca para lavá-lo. Gosto da minha cara crua, nua. Nada de "revoltada", mas do mesmo jeito que eu n consigo dormir com a porta do quarto aberta, não consigo relaxar se eu tiver de maquiagem, principalmente batom. Socorro.

Roupa íntima? Pô! Uso tudo confortável.

Se a gente é feliz quando se sente bem consigo mesma... me sinto bem quando não tou acima do peso que acho que deve ter, quando não como coisas gordurosas e quanto tou de calça moleton, camiseta, cabelo amarrado, meias e ipanema anatômica! Oooi? Nada sexy, mas se o que dizem é que fazemos tudo pra se sentir bem, com certeza, se eu tiver de salto, vestido apertado, roupa íntima enfiando.. meu, estarei qualquer coisa, menos bem comigo mesma!

Anastasia disse...

Lendo esse post me lembrei de uma situação vivida com a minha irmã. Uma vez eu era adolescente e ela já tinha pra lá dos seus 20 anos. Começou a me descascar no meio de uma praça de alimentação do shopping com nossos amigos em volta e o namorado dela, dizendo que eu não me arrumava, que eu não iria encontrar ninguém, que eu roía unha, que isso e aquilo. Me senti péssima nesse dia, senti como se fosse uma obrigação eu me adequar aos padrões. Mas porque me adequar aos padrões se eu me sentia bem com o que eu vestia, e se era mentira que eu não iria encontrar ninguém? Mesmo adolescente e "mal arrumada" eu era muito paquerada, tinha vários rolinhos.

Hj eu sou livre! Muito mais do que eu era antes, pq eu me feria com comentários desse tipo. Hj não me machuco mais.

Na maior parte do tempo estou sim largada, vou pro trabalho de tenis, agradecendo por trabalhar num local que não cobra certas indumentárias! Não faço as unhas, acho inclusive uma violência tirar cutículas. Mas tb sou livre o suficiente de colocar maquiagem e um sapato mais fino quando estou a fim. Em suma: uso o que quero e o que tenho vontade!

O que eu li nesse post da Lola foi uma crítica às imposições da sociedade para a mulher, que nem minha irmã fazia comigo no passado. Não li ela dizendo que mulheres tem que ser assim ou assado, ou que "sou mais feminista do que vc".

A mulher tem que ser livre para usar e ser o que quiser e como quiser, sem imposições.

Gabriela Galvão disse...

Pois eh, o pior eh q hah Samyas da vida para cairem na esparrela, endossá-la e ter certeza certa q eu
gosto d fazer a unha
gosto d salto
gosto d langerie (sic) bonita
gosto d estar penteada e com alguma bijouteria bonita.
E certamente eh impossível estar bonita, atraente e sentir-se mto bem ñ me curvando ao q dizem q sem o qal eu ñ o estaria.
Olha, mta canseira, viu?!. Mas a gente joga uma aguinha gelada na cara e vai (sem poh, base, corretivo...)!

Gabriela Galvão disse...

Deixa-me falar uma coisa (ainda ñ li todos os comentários): fico irritada qando vejo afirmações generalistas e taxativas como as q a Samya fez porqe acho mto perigosa a repetição d certos clichês. Isso ajuda a perpetuá-los.

O discurso influencia o comportamento. O negócio eh esse.

(Retratação: acho q o 'langerie' dela eh conciente como o meu internetês. Inclusive uso 'saite' e o próprio 'langerie'.)

Carol F. disse...

Esse post é antigo mas eu queria deixar registrado que sou bem relapsa com essa parte de me arrumar. Não sei bem o que as pessoas entendem por lingerie, compro calcinhas macias nas lojas americanas e afins, nunca tirei cutícula, não gosto de salto, vivo de calças pq esqueço (tenho preguiça) de depilar a perna etc etc. Ainda bem que ninguém nunca disse que eu tinha que fazer essas coisas, nem mãe, nem namorado/marido. Não acho muito importante e realmente me acho muito bonita sem tudo isso. Talvez seja excesso de auto-estima, mas me acho mesmo. Ah, nunca usei e nem pretendo usar um salto de 15 cm.

Juliana disse...

Eu ja ouvi mulheres falando que colaram silicone na bunda pra se sentirem bem com elas mesmas(rsrs),hilário.

Anônimo disse...

Considerado que as mulheres vão pra balada pra se divertir e fazem todas essas coisas que não gostam como lista a samya, uma boa notícia:
A vida não é feita só de baladas, haha poderia até dizer que balada é uma das coisas menos divertidas pra se fazer.

Anônimo disse...

Pra tirar a mulherada da crise façam a seguinte pergunta: é prático ou é decorativo? tudo que for decorativo e não tiver nenhuma função prática é imposição social, afinal o decorativo não possui nenhuma praticidade.