quinta-feira, 1 de outubro de 2009

GUEST POST: EU, LOLINHA E O ESCORPIÃO

Pedi pro maridão escrever um guest post sobre como é ser casado com uma pessoa “economicamente responsável”. E ele, como prontamente faz com todos os meus pedidos, atendeu. Só levou um ano. Um ano inteiro, sem exagero. E, lendo o que ele escreve, até parece que a única pão-dura da casa sou eu. Como se ele fosse o maior mão aberta! Como se ele não demorasse cinco meses até escolher um par de sapato pra comprar! Ele entra em cada loja, fica olhando, sai, e os vendedores só faltam tacar os sapatos em cima dele. Esse ritual leva cinco meses. Me digam se isso é normal.
Eu venho de uma família que ganhou muito dinheiro e nunca soube guardar um centavo. Já com o maridão é diferente. Sua família inteira é muquirana. Eu lembro como se fosse hoje quando um gato siamês locão que eles tinham derrubou um pote de sal no chão. Foi um escândalo. A mãe do maridão ainda falou: “O gato só continua vivo porque não foi o pote de açúcar que ele derrubou”. Sabe, porque açúcar é caríssimo!
Então acho o máximo que o maridão renegue suas origens e finja não ser o pão-duro miserável que é. Eu até considero ser "economicamente responsável" uma qualidade, e não repreenderia o maridão se ele assumisse ser o que ele (e toda sua família) é. Vamos ver o que o mentecaptinho tem pra dizer de mim.


Alguns de vocês talvez não saibam, mas acredito que a maioria já desconfia: apesar do tão propalado amor da Lolinha pelos gatos e cachorrinhos, o animal de estimação dela é mesmo um escorpião, que ela carrega no bolso, junto com a carteira.
Às vezes me perguntam como é viver com uma esposa “altamente conservadora em relação a gastos financeiros de qualquer espécie”. E que além disso controla com mão de ferro todo o dinheiro da família. Só posso dizer que fico muito feliz com isso. Graças a ela conseguimos, apesar dos baixos salários, nos manter bem e sem dívidas. É claro que existem, como direi?, exageros, coisas como: “Esta semana estamos gastando demais com comida. Chega de jantar!” Ou:
- Você está pondo muito queijo no sanduíche.
- Mas amor, eu já reduzi pra meia fatia.
- É muito. E o presunto, então? Como é possível duas pessoas consumirem mais de 200 gramas de presunto em uma semana?
- Eu também reduzi o presunto à metade. E não esqueça que é o nosso jantar.
- Assim não dá, vamos à falência. Corta o presunto.
- Já cortei ao meio.
- Eu quero dizer pra cortar completamente do menu.
Diálogos assim são corriqueiros. Mas de vez em quando ela vem com a seguinte conversa:
- Eu acho que é melhor comprar um produto de qualidade, que vai durar muito, em vez de um baratinho que em pouco tempo já não serve mais.
- Tá, eu concordo. Só que geralmente esses produtos, mesmo pesquisando muito, são mais caros.
- Não importa que sejam mais caros, se vão durar mais.
Eu, que já sou escolado, nem discuto. Porque sei que ela jamais vai desembolsar dinheiro pra pagar a mais por um produto quando tem um outro, do lado, que custa a metade. [Nota da editora Lolinha: Ha! Me aguarde!].
Outro dia, depois de muitos anos, fui comprar um sapato novo. O meu último já devia ter uma década. Comprei um bem confortável que estava em oferta numa loja. [Nota: ele omite o detalhe que até escolher o sapato levou cinco meses]. Ao chegar em casa mostrei o sapato, que ela não gostou, e assim que avisei que agora só faltava o tênis, o mundo quase veio abaixo: “Assim não dá! Acabou de comprar um pisante e já quer outro. Daqui a pouco vai querer um chinelo também”. [Nota: Pra escolher um chinelo, calculo que ele levaria uns 7 meses. Cálculos conservadores! E quem tem que ouvir cada detalhe de cada chinelo que ele provou em cada loja durante esses 7 meses? Moi!].
Brincadeiras à parte, a mão de ferro da Lolinha evita a maior parte dos desperdícios a que somos induzidos pela propaganda. Mais do que isso, num país como o nosso em que direitos trabalhistas são sumariamente desrespeitados, é mister estar preparados para um momento futuro em que, talvez, não estejamos tão aptos a conseguir nosso sustento às custas de nosso trabalho. Graças a Lolinha, creio que estaremos no pequeno grupo que não vai ter esse problema. Talvez até possamos nos aposentar antes dos 60 anos. E isso sem ter que abrir mão de coisas que gostamos, como viagens, por exemplo. Nada que se compare ao irmão ou à mãe dela, mas já conhecemos muitos lugares do Brasil e do mundo.
Mas às vezes a Lolinha exagera, e esse sentimento de poupar fica tão enraizado nela que ela se atrapalha. Uma das nossas músicas é "Dindi", do Tom Jobim (escute aqui, cantada pela Gal). Outro diz a Lolinha, num momento romântico, começou a cantar a música pra mim. Mas se confundiu e passou a cantar: “Ai, dindim, se soubesses do bem que eu te quero, o mundo seria dindim, lindo dindim, tudo dindim... Ai, dindim, se um dia você for embora, me leva contigo dindim, deixa dindim, fica dindim”. E foi totalmente genuíno, um lapso freudiano mesmo. Eu já apelidei a canção de “Melô da Lolinha”.

Nota da Lolinha: Não sei como um sujeito que leva um ano para escrever um textinho simples sobre a mulher maravilhosa, irresistível e modesta que tem pode ter um fã clube. Mas sempre aparece algum louco(a) aqui pra dizer como o maridão é sagaz, divertido e inteligente. Pra esses birutas, aviso que ontem foi o aniversário da peça. Apareçam no blog dele pra dar os parabéns, se quiserem.

26 comentários:

Alba Almeida disse...

Olá, Lola.
Bom dia!

Espero que apesar de todo a economia do maridão, que vocês tenham ao menos comemorado com 1 fatia inteira. ahahahah!! (brincadeirinha)
Que vocês possam desfrutar de muito mais.
Beijos.

LudLeo disse...

Hohoho, minha irmã também diz que eu tenho um escorpião do bolso. E eu considero um elogio.

Acho uma tática inteligente concentrar os gastos (já que os recursos são limitados, como os economistas gostam de dizer) nas áreas que realmente nos dão prazer. No meu caso e do Maridinho, é viajar. A gente realmente não liga para freqüentar restaurantes caros, ter roupas de marca e carro/celular do ano (embora alguns amigos façam cara de ponto de interrogação pra gente).

E nem para ter casa própria, já que eu sou funcionária pública e, portanto, dinheiro no fim do mês para aluguel e comida não vai faltar (espera-se).

Então, quando o Maridinho quis parar de trabalhar para voltar a estudar, foi tranqüilo, porque a gente tinha dinheiro guardado. E uma das nossas idéias é juntar mais para, com nossos próprios fundos, nos aposentarmos antes dos 30/35 anos que a lei exige.

Ah, e tem mais: o baixo consumo é altamente ecológico. Pão-dura eu sempre fui, só que agora estou (estamos) na moda!

Marilia disse...

Maridão arrasou no post!
hahaha

Masegui disse...

Parabéns CM, muitas felicidades e muitas vitórias, dentro e fora do tabuleiro!

Ps: Recebeu o abraço que eu mandei com a "munheca de samambaia"? ou ela é econômica até nisso?

Débora disse...

Ah magoei, eu também demoro esse tempo em média para escolher um sapato, aliás não só sapato como tudo que eu precisar comprar e não for em caráter emergencial, senão são vários meses de pesquisa, primeiro para escolher um modelo, depois pesquisa de preço. Acho digno.

L. M. de Souza disse...

de fato, ele tem senso de humor.

Marcela disse...

Ola Lola!

Adorei o seu post, tambem sou bem responsavel financeiramente, mas gostaria de ser mais (estou tentando)!

Posso deixar um link totalmente nao relationado? Acho que vai te interessar... E uma carta da editora da revista Glamour (edicao dos EUA) em que relata o novo compromisso da revista em mostrar modelos de todos os tamanhos (espero que o link funcione): http://lifestyle.msn.com/your-life/just-dreaming/articleglamour.aspx?cp-documentid=21997158&gt1=32002

Beijos,

Marcela

Marcela disse...

Ah, nao, escrevi "relationado" em vez de "relacionado" e nem percebi... E eu que achei que estava imuni a escorregar no ingles quando escrevo em portugues...

Sorry pelo typo! ;)

Cynthia Santos disse...

Adorei o texto!
E os comments da editora, então, são de rachar o bico!
Seguinte, meu marido tb pensa, repensa, re-re-pensa até decidir comprar alguma coisa... eu chego a desistir, não tenho paciência pra isso...ehehehehe

Christina Frenzel disse...

Lolinha, adorei o texto de maridão e os seus comentários, óbvio.
Muito bom mesmo!

Lá em casa eu sempre fui (muito) mais mão aberta que marido, mas hoje, em dias de crise, penso muito antes de comprar alguma coisa.

Beijos, adorei mesmo!!!

cronicasurbanas disse...

Lola,

não tem mal nenhum o maridão comprar um par de sapatos, né? É só não deixar ele usar os dois pés ao mesmo tempo...

Mônica

Giovanni Gouveia disse...

Enquanto isso, por estas bandas
às márgens do Capibaribe, eu acho que tenho uma draga no bolso...

Junior disse...

Gostaria de ser mais pão duro. Infelizmente não sou. Gosto de presentear, e quando eu boto o olho em algo que me agrada, fica difícil resistir. Masssss tenho sido bem pão duro ultimamente....rs

bípede falante disse...

Que sorte ter entrado aqui. Nem sei como vim. Mas sei como voltar. Gostei demais desse post. Vocês dois escrevem para lá de bem.

Mucinho disse...

Conheço os dois, e ambos falam a verdade. (Com o perdão da economia de palavras...)

Peraí, lembrei de um episódio: Lolinha e Silvão em São Paulo, percorrendo 3 mega mercados (distantes uns 5 kilômetros um do outro) apenas para achar qual deles vendia uma barra de chocolate mais barata. Eles (sim, os dois) torraram litros de combustível ($$$) só pelo gosto de pagar centavos a menos pelo chocolate. Ah, francamente.

Dånut disse...

Hahaha, adorei o texto e os comentários da editora :P

Parece que os dois tem o dom de fazer os outros rirem ^^

Viviane disse...

é bom aprender a ser economicamente mais responsável e ao mesmo tempo me divertir!
abs!

Anônimo disse...

bom, fazia muito tempo q não ria lendo um post no seu blog! (anda muito sério...)

Bárbara Reis disse...

HAHAHAHA... eu ri muito.

Obrigada por isso!

Lola, eu sou sua fã! :D

Bom, estou tentando ser economicamente responsável, mas dói na alma, ver um livro, sentir vontade de lê-lo... e não poder comprar pra não sair do orçamento.

:]

Admiro vocês!

Se quiserem uma filha criada, quase formada, inteligente, educada, bonita e modesta, me adotem! o/

beijos!

Rosa Lopes disse...

Lola, não acho justo uma pessoa equilibrada financeiramente ser chamada de pão-dura, jamais assumirei esse termo, além do mais com o trabalho que tenho para dobrar, trazer à razão, proteger a pessoa q amo dos gastos absurdos, não é fácil...Pois vc é uma sortuda amiga blogueira, o meu marido nunca cortaria a fatia de queijo pela metade.

Mica disse...

Ontem? 30 de setembro? E eu só fui saber disso em 2 de outubro? (culpa do trabalho que não me deixou entrar em site algum devido a correria) Que mico...dar parabéns atrasado...
Ah, mas eu gostei do post do maridão. Cá entre nós, vocês me fazem pensar em como sou perdulária....e olha que me chamam de pão-dura!
Mas também demoro horrores para comprar sapato (ou qualquer coisa). Pra ser sincera ou eu compro em arroubo de consumismo (digo, olho gosto e compro), o que é bem raro, ou eu entro em inúmeras lojas, provo inúmeras vezes, volto e volto de novo, e namoro a coisa, e só então...eu desisto de comprar. Mesmo assim não sou economicamente responsável. Sinto orgulho de vocês dois. Uma hora eu consigo seguir o (bom) exemplo ^_^.

André Gonçalves disse...

Oi. Eu sou de BH, mas moro em Teresina há 20 anos. Venha, quando quiser. Mosto Teresina e o Piauí. Tem coisas lindas aqui. Beijo.

Bárbara Dayrell disse...

Parabéns pro Maridao!!! #Ele reclama de barriga cheia, melhor uma esposa economicamente responsável que uma que gosta mais do cartao de credito do que dele!!!

Andrea Cristina disse...

Parabéns maridón da Lola! Pelo aniversário e pelo guest post! Ficou muito engraçado. A vida de casal de vcs dois deve ser hilária!!! kkk

Anônimo disse...

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Anônimo disse...

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