sábado, 21 de março de 2009

COMENTÁRIO DE UMA LEITORA

Uma vez, numa crítica de cinema antiga sobre um filme de terror insignificante, relatei que havia sentado ao lado de um casalzinho adolescente gay que, para minha surpresa, não parou de falar um minuto durante o filme. Um leitor, homossexual, reclamou do que ele viu como preconceito da minha parte: "Por que a surpresa? Por acaso casal gay deve se comportar diferente de casal hétero?". E eu lhe dei razão. Eu achava mesmo que um casal gay se comportaria melhor que os casais héteros que ficam tagarelando durante a sessão, incomodando os espectadores. A gente tende a pensar que membros de minorias são mais iluminados e inteligentes que o padrão dominante. Mas são/somos gente como a gente.
Lembrei disso ao ler o comentário muito interessante que a Carolina deixou no post que escrevi sobre o comercial do Doritos. Entre outras coisas, ela conta como os jovens andam preconceituosos. Decidi transformar o comentário em guest post, porque ele dá o que pensar.

O comercial expressa pensamento comum. Com os jovens funciona para o fim a que se destina, que é fazê-los consumir aquele produto. O comercial faz sucesso entre os jovens porque eles se comportam assim no dia a dia. Se identificam. Falo por experiência própria: a divulgação de notícias sobre esses protestos reforça e muito o preconceito. É triste, mas as crianças, os adolescentes, adultos jovens, estão sendo cooptados para o lado negro da força. Trabalho com adolescentes e travo uma luta diária para conscientizar ou pelo menos arejar um pouco as ideias, mas é difícil. A disputa é acirrada. Todos querem os corações e as mentes das nossas crianças. E a publicidade há muito tempo descobriu que criança e adolescente digerem qualquer coisa. Todos já se deram conta que naquelas massinhas cinzentas dá pra se moldar qualquer forma e influir no consumo do que quer que seja. A indústria de cigarros sabe disso. Os religiosos já perceberam que com elas o rebanho nunca diminui (já reparou como na igreja católica só tem idoso? O rebanho envelheceu e as novas ovelhas estão se alimentando em outro pasto e ingerem preconceitos em doses absurdas). Temos os políticos (de direita, muito eficazes, como se deduz pelos eleitos), já que os da esquerda não atraem a maioria dos jovens (Heloísa Helena e aqueles caras do PSTU de camisa fora de moda? NOT). Que os gays, se quiserem pelo menos andar sossegados nas ruas (de verdade, fora dos guetos) foquem nesse público. Nada de ficar rosnando. É estilo Lulinha paz e amor. Ele entendeu. E 80% do povo gostou. Vai ser um trabalho de anos e anos porque uma geração vai educando a outra. É atrair para o lado bom. A ideia é: gay também é gente normal. Nem santos nem diabos. Normal. Tem que mostrar sempre isso. Aí ficam os ativistas querendo passar a imagem que gay não tem defeito e que travesti não é gay. Gay só os bonitos, jovens, bem sucedidos, estudiosos, etc. Aí se criou um estereótipo. Até ser educado passou a ser visto como "coisa de viado". É sério. Ser identificado como gay é o terror de qualquer homem, tenha a idade que tiver. E ainda mais que hoje tudo é motivo para alguém ser tachado de gay. Demonstrar carinho por alguém, respeito, falar baixo, ceder o lugar a um idoso, tirar boas notas, ter um comportamento digno e educado: "Viado"! Conheço garotos que no seio da família são um exemplo de educação, carinhosos com os pais, amorosos, apontados como exemplo. Põem o pé na rua e viram o bicho, tem que firmar a virilidade a qualquer custo e pra isso esquecem o cidadão em casa. Tem muito gay na minha escola, e sabe como os meninos os identificam? Os que só andam com meninas. Então no recreio você vê aquele bando de moleques de um lado e aquele monte de meninas de outro com um ou outro menino junto (só os que não conseguem disfarçar, porque se conseguissem com certeza estariam engrossando a fileira dos enrustidos do outro lado pra serem aceitos pelos colegas). Se for visto com menina mais de uma vez e não for namoro ou cola: "Viado". Os dois grupos não se misturam. Quem tem amiga mulher é "bicha" e mulher só se for pra "comer". E são grosseiros, esquecem que têm mãe, irmãs, não respeitam ninguém... Os garotos, para demonstrar que são homens e não "viados", passam o dia exercitando os mais cruéis preconceitos. E não só contra os gays. Mulheres, negros, idosos, feios, pobres, nordestinos. É triste porque serão os pais da geração futura e vão incutir os mesmos preconceitos, por mais que se criem leis contra isso. Lei não impede o ódio. Pune, mas não impede. E alcança menor de 18? Tem que pôr o gay no comercial, na novela, no jornal, mas misturado com o resto da população, sem enfatizar, sem colocá-lo como alguém sem defeito, mártir, sem cruz rosa. Gay que vai ao supermercado, que faz cirurgia, que trabalha na obra, que é cobrador de ônibus, que vende bala no sinal, que é garçon, que dá porrada, que xinga na hora da raiva, que sabe se defender e que pode ter amigos homens sim, sem assediá-los, que é o que todo hétero pensa. Gente normal. Comum.
Protestar é um direito e um dever, não se omitir, exigir direitos é uma obrigação, mas proibir é nefasto. O comercial tinha que passar batido, nem olha. Cada vez que se chama atenção para o produto focando no preconceito (claro que nesse caso específico, cada caso um caso), se reverte a situação e o público conservador se posiciona a favor da empresa e ela ganha espaço gratuito. Eu adoraria que um concorrente (coca-cola?) colocasse num comercial pra jovens um monte de garotos, misturados, na paz, sem nenhuma alusão a sexo ou a namoro, de todo tipo, dos machões às mais pintosas, fazendo algo comum aos jovens, sei lá, grafite, skate, surfe, e o foco seria o produto e não a sexualidade da pessoa. Mostrar que há convivência social entre quem tem interesse comum, não importa a orientação sexual. E nem todo gay tem a aparência de um Bruno Gagliasso; colocasse gente normal. Fica a dica. A ABGLT e outras associações têm que pressionar para que todos sejam mostrados como iguais, com defeitos, qualidades, necessidades. Nem melhor nem pior. Gay também pode ter defeito. E ser Jacira ou Isabelita, por que não pode? E uma campanha feroz entre TODOS os gays para que se unam porque povo dividido é povo dominado. Lutem numa só trincheira (uma central única, uma única voz), porque discriminar travesti, drags, trans, etc é dar munição ao inimigo, já disse a grande filósofa Nani People. E acabem com essa micareta gay, virou carnaval fora de época e plataforma eleitoral. Boicotem isso. Não vai ser por aí.

44 comentários:

Paula Fernanda Soares disse...

Pouts! Arrasou! Falou tudo q eu queria falar. PErfeita!

Experiência Diluída disse...

Lola eu concordo como quase tudo o que vc disse. Acho realmente que temos um conceito de que gays são figuras ultra hiper inteligentes, educadas e tal e tal. Uma vez passei por uma...Tinha um grupinho de gays falando em alto e bom som sobre o dia, antes de sairem do armario, que tinha ficado com uma mulher. Que mulher não deveria existir, são seres acefalos. Etc.Etc. Eu fiquei horrorizada, pq as vezes até em questão de feminismo, a gente acha que muitos gays estão do nosso lado. Mas muitos n estão nem ai e são super machsita, tem muito gay preconceituoso, mal educado, etc, etc.
Agora uma coisa que achei que vc falou que discordo. Micareta gay. Acho que é um dia especial a Parada assim como o 8 de março é importante para nos lembrarmos de todas as nossas lutas. Nos reunirmos e mostrarmos que existimos. Certo que em um dia n vamos fazer isso. Mas é uma boa demonstração de que o movimento existe e está ali ativo. Eu discordo de que as "micaretas" acabem. Não vejo como micareta, mas como um dia de luta tbm.

Patrick disse...

Eu deixo aqui como sugestão, a quem não viu, o filme The Corporation. Entre outras tantas informações interessantes, ele mostra como as multinacionais gasstaram rios de dinheiro com psicólogos para descobrir os meios mais efetivos de influenciar crianças e adolescentes. Não é a toa que na Suécia não se permite a difusão de anúncios direcionados à faixa etária de até 12 anos.

L. Archilla disse...

eu concordo q toda minoria pode ter defeitos, mas sou a favor da proibição de comercial homofóbico, SIM. a gente não vai impedir q exista o preconceito, mas podemos conscientizar, principalmente os mais jovens, q ter preconceito é errado! liberar um comercial como o do doritos, por exemplo, é q é dar munição ao inimigo, pois reforça o comportamento preconceituoso, torna-o legítimo.

L. Archilla disse...

ah, ia falar outra coisa, no fim mudei o assunto na hora de escrever. é interessante como os estereótipos são sempre ruins, ainda q sejam positivos. ex: todo negro dança bem/todo japonês é bom em matemática. 1o pq acaba sendo um prêmio de consolação, tipo "ele é japonês, mas pelo menos é bom em matemática!". 2o q existe a possibilidade do japonês NÃO ser bom em matemática, e aí, como fica a auto-estima do cara?

lola aronovich disse...

Obrigada, Paula (agradecendo pela Carolina). Agora deixe-me corrigir rapidinho o título errado (só agora vi!).



Exp. Dil., lembre-se que eu não disse isso, quem disse foi a Carolina. Eu só escrevi a primeira parte, que está em itálico. Tb não concordo com essa avaliação da Parada Gay. Acho um evento importantíssimo.

Experiência Diluída disse...

Ahh...certo Lola, me desculpa, passei despercebida! ;)

Clotilde Tavares disse...

Muito lúcido o texto dessa moça. é de textos e cabeças assim que precisamsos para ver as pessoas como gente, gente apenas, sem julgar ou ver de forma preconceituosa os atributos dela. Eu vou novamente repassar esse post para algumas listas e indicar o blog da Lola a meus leitores.

Ana Rute disse...

muito legal o post!
e é verdade que há um enorme preconceito dentro da comunidade gay!
de gays contra travestis, gays contra lésbicas, lésbicas contra gays muito afeminados e etc.
assim realmente é muito difícil lutar contra o preconceito da sociedade em geral sendo que ele está muito presente dentro da minoria que exige respeito.
tmb concordo com Experiência Diluída sobre a parada!
e nada de banir o comercial! tudo menos censura!

asnalfa disse...

Desculpe, mas eu odeio travesti e drags... pq elas mancham a imagem do gay... elas passam o esteriotipo de que todo gay quer virar mulher.
E alem disso adoro a parada gay. É necessario sim a parada pq é o unico dia do ano em que gay pode beijar na boca no meio da rua.

E eu tenho gabarito sim pra falar disso pq sou homossexual.

Gustavo C. disse...

Pois é, quando se associa homossexualidade a alguém, tudo gira em torno disso, e o resto da personalidade fica em segundo plano, sejam as qualidades ou os defeitos, que todo ser humano tem. Tbm acho que homossexualidade tem um destaque que, num mundo ideal, não devia ter. Devia ser indiferente, a não ser quando vc ficasse a fim de alguém. Ninguém comenta sobre fulano ou fulana ser hétero, pq isso já é inconscientemente esperado. Mas se surgir uma fagulha de possibilidade de alguém ser gay, pronto, já tem aí tema pra muita conversa, seja contra ou em defesa.

Quanto à Parada Gay, eu discordo: não gosto. Pq vejo que se colocar os prós e contras na balança, os contras pesam mais. Aliás, pra que serve a PG? O que é que ela está trazendo de bom, na prática? Alguém já viu algum resultado? Eu queria saber.. Pois pelo que eu vejo, onde há preconceito, a PG faz aumentar o preconceito, onde há homofobia, faz aumentar a homofobia, pq é um gigantesco motivo de piada. Não ajuda em nada a melhorar a visão sobre os homossexuais, pois é visto como um evento muito sexualizado, e cheio de "bichas loucas". Se as pessoas ficam com essa visão, de que adianta? Culpa delas ou culpa da manifestação que tá indo por um caminho errado? Fazer manifestação sim, mas com seriedade. E que além de sério, faça as pessoas verem que é sério. As pessoas que precisam mudar sua visão. Acho que as pequenas atitudes no dia a dia, como discordar de uma piada homofóbica ou questionar a relevância da homossexualidade de alguém, vai fazer muito mais diferença (fazendo as pessaos entenderem que gay e hétero é tudo o mesmo ser humano) do que um carnaval colorido e barulhento que faz muita gente ainda achar que gay é tudo tarado.

Leila Silva disse...

Muito bom mesmo...

Essa coisa de gente educada ser vista como gay é bem verdade no Brasil, já vi mães dizendo aos filhos para 'falar como homem' e para não ficar com tanta firula que era viadagem e coisa e tal.

Mas acho que é preciso se posicionar sim com relação a publicidades e atitudes homofóbicas.

Jadilson disse...

Postarei aqui a mesma resposta que dei para a Carolina sobre esse mesmo comentário dela no post " “Divagações confusas sobre o comercial do Doritos”.

Carolina,

Após as suas colocações onde vc se apropria de todo o discurso homofóbico vc diz:

“Espero q vc entenda meu pitaco.”

É claro que eu não entendo, nem nunca entenderei pitacos homofóbicos como o seu. Acredito que as pessoas só deveriam dar pitaco naquilo que elas conhecem minimamente e não naquilo que elas pensam que conhecem como é o seu caso para falar dos LGBT. Como vc demonstrou total desconhecimento sobre o assunto eu vou escrever o que significa cada letra dessa sigla. A sigla LGBT agrega: Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transsexuais e Transgêneros. A letra L mudou para o início da sigla (a antiga era GLBT) em concordância com a luta feminista dentro do movimento, no caso da luta LGBT, esse L é o das mulheres lésbicas. Quem não conhece sobre um assunto deve no mínimo se informar antes de se atrever a emitir opiniões pessoais equivocadas. E não me venha falar que 80% dos seus amigos são gays, nós militantes já conhecemos os tipos homofóbicos que usam desse pseudo-argumento para achar que conhece alguma coisa do universo LGBT ou que faz uso dele para passar a idéia de que é alguém respeitoso quando na verdade não passam de homofóbicos disfarçados de “simpatizantes”. Carolina, todo o seu texto prega a manutenção do “status quo” do preconceito e da invisibilidade em relação aos homossexuais. De onde vc tirou essa idéia absurda quando diz:

“Aí ficam os ativistas querendo passar a imagem q gay ñ tem defeito e q travesti ñ é gay. Gay só os bonitos, jovens, bem sucedidos, estudiosos, etc.”

Nesse trecho fica claro que vc desconhece totalmente sobre ativismo e militância LGBT. Onde vc ouviu ou viu escrito que os ativistas/militantes LGBT querem passar essa idéia? Isso não tem nada a ver com discurso de nenhum ativista/militante. Mostre-nos qualquer texto, frase ou vídeo de algum militante em que eles queiram “passar essa imagem”. De onde vem esse tamanho absurdo que não da sua própria cabeça? Prove- nos que isso não passa de uma idéia absurda arquitetada na sua própria cabeça. O que vc disse é o que a mídia quer mostrar sobre os LGBT e não a realidade dos LGBT. Realidade essa que com certeza vc também não conhece, e pelo seu comentário fica obvio que nem quer conhecer.

“e os gays, se quiserem pelo menos andar sossegados nas ruas (de verdade, fora dos guetos) foquem nesse público. Nada de ficar rosnando.”

Nesse trecho outra vez vc demonstra seu total desconhecimento sobre a temática da Educação Sem Homofobia e prega que permaneçamos passivos diante da homofobia quando pede para que os ativistas/militantes não fiquem “rosnando”. Vc desrespeitosamente chama a luta e a indignação dos militantes LGBT diante dos preconceitos e dos crimes homofóbicos praticados contra os LGBT de rosnado. Seguindo a mesma linha desse seu discurso de “cale a boca ativistas/militantes”, vc também deve ter aceitado calada o machismo dos funkeiros desvalorizando o gênero feminino chamando as mulheres de “cachorras” em suas músicas. Vc devia conhecer um pouco mais das idéias feministas, da luta feminista e das suas conquistas para perceber que muito dos pilares que sustentam a homofobia está no machismo.

É claro que para vc dizer isso, desconhece o projeto do governo Federal “Brasil sem Homofobia” e também o “Educação sem Homofobia”, se quiser se informar aí estão as fontes:
BSH: http://www.presidencia.gov.br/estrutura_presidencia/sedh/brasilsem/

ESH: http://www.fafich.ufmg.br/nuh/index.php/homofobia/educacao

ESH: http://www.ciranda.net/spip/article94.html


“É triste pq serão os pais da geração futura e vão incutir os mesmos preconceitos por mais q se criem leis contra isso. Lei ñ impede o ódio. Pune, mas ñ impede.”

“Protestar é um direito e um dever, ñ se omitir, exigir direitos é uma obrigação mas proibir é nefasto.”

Nesses dois trechos vc se mostra contra as leis que criminalizam os preconceitos incluso o PLC 122/2006 que pede a criminalização da homofobia. Com certeza vc desconhece a estatística de que no Brasil a cada dois dias um LGBT é morto vitima da Homofobia, Lesbofobia e Transfobia. Vc fala de não se proibir nada e como vc diz:

“concordo com a Lolinha, ela sempre correta nas análises. Adoro.”

Então vc também concorda quando a Lola diz: “Eu particularmente sou contra a censura. Eu acho que os preconceitos têm um lado bom, sim.”?

Desde quando exigir que sejamos respeitados é proibir alguma coisa. Vc mostra uma inocência pueril quando diz:

“por mais q se criem leis contra isso. Lei ñ impede o ódio. Pune, mas ñ impede.”

Vc acha que algum negro achou que depois da lei que puniu o racismo que o Brasil passou a não ser racista? Com certeza isso não aconteceu. Não somos inocentes em pensar que o Brasil ainda não seja racista. Também não somos ingênuos em pensar que depois da aprovação do PLC 122/2006 ele passará a ser menos preconceituoso em relação à homossexualidade, claro que não, mas a lei serve para que as pessoas sejam responsabilizadas pelos seus atos. A lei não evitará que as pessoas sejam racistas e homofóbicas, mas fará que vc sofra as penalidades pelos seus atos. A lei Maria da Penha não teve o intuito de educar os homens para não serem violentos, mas agora eles sabem que se assim agirem com as mulheres serão punidos pelos seus atos. Seguindo esse seu raciocínio vc também é contra a criminalização do racismo e contra a lei Maria da Penha. Afinal essas duas leis possuem apenas o caráter punitivo e não educativo.

“O comercial tinha q passar batido, nem olha. Cada vez q se chama atenção para o produto focando no preconceito (claro q nesse caso específico, cada caso um caso) se reverte a situação e o público conservador se posiciona a favor da empresa e ela ganha espaço gratuito.”

Nesse trecho acima vc só redunda o seu discurso do “fiquem calados”, deixem passar batido. Se calar? Isso vc não encontrará em nenhum movimento que lute por igualdade de direitos, nunca! Vc acha que as mulheres conseguiram o direito ao voto, a licença maternidade, a lei Maria da Penha e outras conquistas sobre aspectos da sua saúde deixando “passar batido”? Acorde minha querida. Ninguém consegue nada sem luta, e com os LGBT isso não é diferente. Não venha repetir hoje em pleno séc. XXI o discurso das Igrejas que silenciaram as mulheres por tantos séculos.

“Falo por experiência própria q a divulgação de notícias sobre esses protestos reforça e muito o preconceito”

Sobre o trecho acima, desculpe-me, mas a experiência de uma única pessoa não serve como parâmetro nem estatística para nada. É apenas uma opinião, nada mais do que isso. O protesto não cria a homofobia, ele a revela.

Quando vc diz:

“Tem q por o gay no comercial, na novela, no jornal, mas misturado com o resto da população, sem enfatizar, sem coloca-lo como alguém sem defeito, mártir, sem cruz rosa.”

O que vc quer com isso é manter a INVISIBLIDADE dos LGBT. Mais uma vez usarei o exemplo da luta das mulheres. Vc acha que as mulheres teriam conquistado avanços em suas conquistas se tivessem escondido os crimes de terem sido presas e queimadas naquela fábrica nos EUA porque protestavam em favor de melhores condições de trabalho? Vc acha que existiria a Lei Maria da Penha se a própria Maria da Penha não tivesse tornado público o seu caso ao denunciar a agressão do seu marido? Claro que não. Mesmo com a lei, muitas apanham caladas e deixam a situação escondida até hoje. Coitadas, muitas se acostumaram a deixarem “passar batido” as agressões. Então, não venha pregar a INVISILIDADE para com os LGBT. Vc quer ver um mundo sem cruz rosa, vc quer pintar um mundo cor de rosa. Mas a realidade dos LGBT tem outros tons.


“Fica a dica.A ABGLT e outras associações tem q pressionar para q todos sejam mostrados como iguais, com defeitos,qualidades,necessidades.”

Carolina, a ABGLT é uma instituição muito séria, muito bem dirigida e sabe muito bem defender os direitos dos LGBT. A importância da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais pode ser vista por ter sido aceita para participar em julho desse ano, de uma sessão da ONU que poderá lhe conceder o status consultivo no Conselho Econômico e Social da ONU. Acredito que pela sua desinformação a respeito do que defende a ABGLT e outras associações que defendem os direitos LGBT, as suas dicas não passem apenas de “chover no molhado”, mas se quiser enviar as suas dicas é só entrar nesse site e clicar no link Fale Conosco: http://www.abglt.org.br/port/index.php

Ainda deixo o pensamento do Sociólogo Boaventura Souza Santos para que vc possa refletir sobre diferenças e igualdades:

“Falar do direito à diferença nunca é o mesmo que reivindicar direitos iguais para todos. O direito à diferença exige a especificidade sem desvalorização, a alternativa sem culpabilização, a aplicação rigorosa de um imperativo categórico assim enunciado por Boaventura Souza Santos: “temos o direito a ser iguais sempre que a diferença nos inferioriza; temos o direito a ser diferentes sempre que a igualdade nos descaracteriza (1999 : 45)”


“E acabem com essa micareta gay, virou carnaval fora de época e plataforma eleitoral. Boicotem isso. Não vai ser por aí.”

Para finalizar, não é de se estranhar a finalização do seu comentário onde vc queira reforçar sua luta cega pela manutenção do “status quo” do preconceito homofóbico e manutenção da INVISIBILIDADE LGBT. Por isso vc termina seu comentário imperativamente ordenando que os LGBT boicotem um dos eventos de visibilidade deles. Não foi através da invisibilidade que nenhum movimento social conquistou seus direitos, nem o Movimento Feminista, nem o Movimento Negro e nem o será com o Movimento Homossexual Brasileiro. E além disso é muita hipocrisia heteronormativa querer difamar apenas as “micaretas gays”, quando centenas de micaretas acontecem país afora e o carnaval é a maior delas. Questionar de forma acéfala apenas a Parada LGBT é uma forma de demonstrar preconceito e homofobia. Ordenando que “acabem com essa micareta gay” vc quer condenar os LGBT à invisibilidade, mas o que nos alivia é que vc não possui autoridade nem propriedade para fazer isso. Em atitudes como essa não da para ignorar também um alto grau de puritanismo e recalque. Carnavais e micaretas hétero são permitidos e lindos, mas Parada LGBT deve acabar e ser boicotada. Isso não passa de discurso heteronormativo e homofóbico.

No caso das Paradas de Orgulho LGBT, como os homossexuais estão em desigualdades de direitos, eles se unem e tomam o espaço público para reivindicá-los. Esses eventos representam formas de VISIBILIDADE não só numérica, mas também afetiva. Mesmo algumas pessoas considerando esse evento uma grande festa e, ainda que ela aconteça de forma festiva, o mais importante nesse evento é a VISIBILIDADE. São recorrentes os casos de expulsões de LGBT de lugares "apropriados" pelos héteros, expulsões motivadas única e exclusivamente pela demonstração de afeto entre dois homens ou duas mulheres. Tentativas de castração é uma das mais típicas ações homofóbicas. Toda mulher deveria saber o que isso significa, visto que a castração da sexualidade feminina é milenar. Além de tentarem reprimir homossexuais em lugares "apropriados" pelos heterossexuais, ainda têm a petulância de querer cercear a liberdade dos LGBT nas Paradas pregando o discurso da INVISIBILIDADE? No Way! Ou no bom português: De jeito nenhum!


*“Aqui nessa casa
Ninguém quer a sua boa educação
Nos dias que tem comida
Comemos comida com a mão
E quando a polícia, a doença, a distância, ou alguma discussão
Nos separam de um irmão
Sentimos que nunca acaba
De caber mais dor no coração
Mas não choramos à toa
Não choramos à toa

Aqui nessa tribo
Ninguém quer a sua catequização
Falamos a sua língua,
Mas não entendemos o seu sermão
Nós rimos alto, bebemos e falamos palavrão
Mas não sorrimos à toa
Não sorrimos à toa

Aqui nesse barco
Ninguém quer a sua orientação
Não temos perspectivas
Mas o vento nos dá a direção
A vida que vai à deriva
É a nossa condução
Mas não seguimos à toa
Não seguimos à toa

Volte para o seu lar
Volte para lá.”

Jadilson disse...

Ops, no meu comentário ficou fatando os créditos da música "Volte para o seu lar"

*Composição Arnaldo Antunes

lola aronovich disse...

Patrick, The Corporation é um documentário excelente! Eu tenho o filme aqui e até comprei o livro. Faz um tempão que quero escrever sobre eles. Recomendo a todo mundo.


Lauren, não sei se proibir é a melhor forma de conscientizar. A censura é anti-produtiva, a meu ver. Se um comercial como o de Doritos for proibido vai dar munição ao pessoal que é contra o politicamente correto e o que é contra a censura. Mesmo muita gente que detestou o comercial vai ficar a favor dele, simplesmente por ter sido censurado.
É verdade, todos os estereótipos são ruins, até os “positivos”. Nos EUA, quando dizem que um negro tem que ser bom atleta (geralmente velocista), a resposta costuma ser “Run nigger run”. Porque é o clichê de que um negro tem que saber correr. O problema maior, pra mim, não é a autoestima do negro que não seja um bom velocista, e sim que esse estereótipo reduz o negro. Ele só pode ser isso que se espera dele.

lola aronovich disse...

Tudo bem, Exp. Dil, querida. E aí, como estão as coisas aí na sua casa?


Clotilde, também gostei do texto, por isso dei destaque pra ele. Mas o Jadilson, que é militante gay, achou o texto homofóbico. Leia os comentários (mais pro fim) no post sobre o comercial de Doritos.

lola aronovich disse...

Ana Rute, é, eu acho triste que haja preconceito, ponto, mas mais ainda quando esse preconceito é de minorias contra minorias. Pra mim foi um choque descobrir isso. Nunca imaginei (eu sou muito ingênua mesmo). Pensei que todos os LGBT fossem unidos. Aí comecei a perceber nas cartas de leitores do The Advocate (revista gay americana) montes de comentários de gays contra travestis, de gays contra bissexuais etc. E de gays contra outras minorias (mulheres, latinos, negros). Não consigo entender isso.


Asnalfa, pois é, sem querer ser muito grossa, vc é um bom exemplo de gay mal-informado. De gay cheio de preconceitos: contra héteros, contra a esquerda, contra pobres, contra religiosos, e agora ficamos sabendo que também é contra travestis e drags... E vc quer resolver as coisas na base da violência. Vc não tem gabarito nenhum pra continuar sendo preconceituoso, Alfredo. Eu já sugeri antes, e insisto: informe-se. Aprenda. Leia. Mude. Transforme-se num militante gay de verdade. Pra isso vc vai precisar de argumentos. Converse com gays engajados.

lola aronovich disse...

Gustavo C, realmente, é chato que tantas características de uma pessoa sejam reduzidas a apenas uma (é gay/é negro/é mulher). Esse é um lado. Por outro lado, a noção de que todo mundo deve se misturar e conviver numa boa, sem identificar suas diferenças, também é negativa. Porque, nesse “caldeirão democrático” em que todos são supostamente iguais, o sabor mais forte é o do padrão dominante. É ele que vai predominar. Acho que os gays têm que sair do armário (como vêm fazendo). É isso que combate o preconceito na sua forma mais eficaz: um homofóbico conviver com um gay e ver que o gay não é nenhuma anomalia.
Sou totalmente a favor da Parada Gay. Lembre-se: é uma parada de ORGULHO gay. Dá pra ser orgulhoso e solene ao mesmo tempo, como se estivéssemos num funeral? Tem a parte da fantasia, das cores. Mas tem também famílias inteiras, com crianças, que desfilam. É uma festa da diversidade. Os homofóbicos que reclamam das “bichas loucas” já reclamavam muito antes de qualquer parada gay. Quem está errado é o homofóbico, não o gay.

lola aronovich disse...

Leila, que horror! Falar “como homem” é ser rude e coçar o saco? Odeio isso. Esse preconceito não é só homofóbico - é anti-homem tb. Também acho importante nos posicionarmos.


Jadilson, obrigada por postar aqui o mesmo comentário. Eu ia mesmo te pedir pra fazer isso.

asnalfa disse...

Amei o comentario do Jadilson!!

PLAC PLAC PLAC!!!

asnalfa disse...

Eu mal informado??? Eu tenho o direito de gostar de quem eu quiser. Vc sabe quase nada sobre ser gay.. vc nem sequer é lesbica.... tenha dó...
Travestis e afeminados sujam a imagem do gay sim. Passa a ideia de que todo gay quer virar mulerh e sair por ai desmunhecando. Alem disso, as travestis estão relaiconados a prostituicao.
Mas como sou um burro, um idiota, um preconceituoso, nem vou continuar discutindo com vc.

focaccia disse...

Discordo em alguns pontos.. Você passa a idéia de que a esquerda política e os movimentos GLS não têm influencia sobre os jovens de hoje, se você realmente pensa assim, acredito que esteja deveras desinformada. Pelo menos em Brasília, onde moro, jovens gays ou simpatizantes tem aos montes, o movimento esquerdista não é mesmo muito forte, mas em outras cidades brasileiras, como Porto Alegre, que conheço muito bem, os esquerdistas, principalmente os jovens, tem muita expressividade.

lola aronovich disse...

Asn, vc tem o direito de gostar de quem quiser. Mas saiba que está se igualando aos homofóbicos quando diz essas coisas contra os travestis e gays mais afeminados. Aliás, está usando exatamente o mesmo discurso dos homofóbicos. E eles também destilam seus preconceitos dizendo “eu tenho o direito de gostar de quem eu quiser!”. E só porque eu não sou lésbica eu não posso falar de GBLT? Não posso ser simpatizante? Alfredo, eu acredito que vc possa aprender e mudar. Mas desde que vc surgiu no meu blog vc não tem dito coisas muito inteligentes, não. Tem que QUERER mudar. Vc quer? Eu quer ficar fazendo apologia dos seus preconceitos?


Focaccia, eu ou a Carolina? É um guest post. Fico feliz em saber que aí em Brasília os movimentos gays e de esquerda têm influência sobre os jovens. Aqui em SC, não tem. Eu não vejo isso, pelo menos. Vejo muitos jovens preconceituosos (principalmente meninos, mais do que meninas).

asnalfa disse...

Va tomar banho na soda!!! faça-me o favor!!!
to destilando ódio nenhum.. é a mais pura verdade.... travesco e "florzinhas" acabam com a imagem dos verdadeiros homossexuais...

lola aronovich disse...

Alfredo, um gay que ataca os travestis e os gays mais afeminados e ainda fala que “é a pura verdade” (não é preconceito, entende? É A Verdade) merece o mesmo desprezo que um hétero que diz a mesma coisa. Mas vou ser honesta: sinto ainda mais desprezo por um gay que diz isso que um hétero. Porque às vezes o hétero assume sua homofobia. E porque um gay faz parte (ou deveria fazer parte, a meu ver) de um movimento GBLT. Sabe que o T inclui travestis, transgêneros? E o G não representa “Só os Gays que não sejam Florzinhas”. Vc está traindo o seu próprio movimento. Quer dizer, vc não faz parte dele... ainda! Mas espero que comece logo. Espero de coração que vc vire militante GBLT. Porque aí vai ter dificuldades de continuar sendo preconceituoso e ainda dizer que não é preconeito, é Verdade (com V maiúsculo).
E vc não disse que leu e adorou o blog do Vincenzo? Pelo jeito não leu tudo. Leia este post sobre gays afeminados.

Juliana Bittencourt disse...

Só uma observação:

"já reparou como na igreja católica só tem idoso? O rebanho envelheceu e as novas ovelhas estão se alimentando em outro pasto e ingerem preconceitos em doses absurdas"

reveja seus dados. Procure informações sobre encontros (inclusive encontro mundial) de jovens católicos, os acampamentos da Canção Nova, o Emaús... e depois venha me dizer se na igreja católica só tem mesmo jovem, especialmente na Renovação Carismática Católica.

Gio disse...

Asnalfa, você ainda não entendeu. Quem tem que mudar não são os travestis e gays afeminados, mas sim os homofóbicos e heteros que desconhecem a realidade dos homossexuais. Você quer privar a felicidade de alguns por causa da ignorância de outros.

asnalfa disse...

Querido Gio....
eu quero que travecos e florzinhas tb sejam felizes... mas eles atrapalham a cabeca dos heteros.... eles mancham a reputação dos homossexuais discretos. Os heteros acham que gays querem ser mulheres, muito pelo contrario, so sentimos atração pelo mesmo sexo do mesmo fenótipo. Se aprovarem nesse país o casamento gay e a adoção gay e todos aquels direitos civis para esta classe, eu calo a minha boca.

Gio disse...

Pois então asnalfa...
Pelo que eu entendi de você, eles estão atrapalhando a pobre cabecinha dos ignorantes, e por isso têm que mudar seu jeito de ser.
Se alguém está ofendendo o homossexual discreto, nesse caso é a mídia que o esteriotipa com todas aquelas piadas de mau gosto.

Masegui disse...

Agora eu acho que entendi. O cara quer sentar em cima da coisa, mas fica indignado porque o outro senta e rebola...

asnalfa disse...

Se quiser eu sento e rebolo na sua Masegui...
nao precisa ficar regulando nao que nao é por falta de bunda nao viu..

Ollie disse...

Uma bela parcela dos gays que eu conheço - raras exceções - são espíritos sem luz. Gente uó mesmo.
Principalmente aqueles que pertencem a uma classe social mais abastada.

Imagine Lolinha, se você achava o clodovil misógino e arrogante, eu digo que alguns desses garotos (gays e descolados que eu conheço) conseguem ser ainda piores que ele.
Não que os héteros sejam melhores,longe disso. Caráter não se define por sexualidade, mas por uma escolha, isto é, você é bom, porque quer ser bom. E é tolerante porque quer ser tolerante.

Porém é uma pena que as pessoas repitamm dentro do seu mundo o preconceito do qual são vítimas no mundo exterior. É mais ou menos como a questão racial nos EUA onde cada etnia quer defender o seu lado e esta pouco ligando para as outras.
E a maioria nem se dá conta do quanto isso é ruim, porque o preconceito cega e emburrece.

Felizmente eu aprendi a não julgar todo mundo pelo comportamento de um grupo específico. Enquanto por um lado eu encontro gente (gays e héteros) que me fazem perder a esperança no gênero humano, por outro lado encontro também muita gente (gays, héteros, bis, omnisexuais) que me faz resgatá-lo.
Ainda bem, né? Creio que há esperança de um mundo melhor antes de 2012. :)

A verdade é que o fato de você pertencer a uma minoria historicamente discriminada não faz de você uma pessoa mais iluminada ou tolerante.
Deveria fazer, mas o ser humano não age dessa maneira. A tolerância é uma virtude que devemos praticar todos os dias.

Dai disse...

Lola, eu estou em véspera de viagem para o Maranhão. E estou tremendo de medo de comentar e falar alguma besteira, mas, lá vai: em minha leitura diagonal eu não poderia discordar mais do texto da Carolina. Se segui corretamente a linha de raciocínio dela, queria dizer que os gays não tem culpa alguma dos estereótipos que a sociedade lhes imputa. Cabe lembrar que um estereótipo é uma forma de se reduzir a identidade de alguém, classificando essa pessoa exatamente em função da fobia e do fetiche que representam ao olhar convencional. Não entenod a relação com a ação dos ativistas no caso do comercial. Eu não entendo como exigir direitos claramente expressos por lei (há um código de ética na publicidade que prevê punição a este tipo de veiculação, que aliás é violado rotineiramente, assim como o código de ética do jornalismo e da TV também são tripudiados o tempo todo sob as nossas vistas e a gente meio que naturalizou) possa ser sinônimo de defasagem para qualquer minoria. Honestamente, eu acho que a comunidade LGBTT, por razões de protagonismo histórico, está cumprindo exatamente o seu papel. As feministas fizeram isso nos anos 70, quando era crucial, estamos com outro timing político hoje, o que não considero exatamente um avanço, mas penso que é coerente que seja a vez e a hora da comunidade gay se pronunciar. E, como já disseram, se não há como provar por A + B que é um comercial homofóbico - já que a ofensa é subliminar, está na ambiguidade simbólica do video - ainda assim é importante que se pronunciem, que demarquem, que provoquem aqueles que estão imcumbidos da produção cultural, que vigiem este conteúdo. Olha, eu posso ter entendido tudo errado, mas fiquei me coçando ao ler o que a moça escreveu. Eu acho que não é responsabilidade dos gays mudar o consumo juvenil nem está ao alcance deles manipular o conteúdo político das imagens que divulgam a seu respeito. Mas, usar a lei para coibir absurdos, isto sim, é o dever dos ativistas gays e de qualquer ativista. Se o atraso medieval em que a juventude se encontra não lhe permite compreender este tipo de manobra, sinto muito por eles, cresçam!

E estou contente que se pronunciaram. Beijos e desculpa a afobação.

Dai disse...

Ah, e outra coisa: "lado negro da força", Carolina? Esta é uma expressão que os ativistas (estes, os chatos de plantão, a patrulha do politicamente correto que se vê forçada a chamar a atenção de algumas pessoas bem intecionadas, mas desinformadas) quer banir para sempre do vocabulário humano. Como já disse alguém nos comentários, é complicado falar de ativismo sem conhecer a história dos movimentos sociais, sem compreender exatamente a dinâmica de sua luta e de que amálgamas estamos tratando. Aliás, os ativistas de todos os movimentos são pintados dos piores estereótipos, novelas de Aguinaldo Silva estão aí pra comprovar. Recomendo que você, Carolina, procure alguns textos tanto sobre o movimento gay quanto sobre o negro. A respeito de feminismo você pode ler mais aqui mesmo, no Blog da Lola.
Mais uma vez, desculpem a afobação, tá?

Dai disse...

Outra coisa: eu, pessoalmente, já fui hostilizada por um militante gay. Como também já tive embates com feministas de grupos que tinham idéias diferentes das minhas. Existe unidade na diversidade, mas isto não é nada fácil, quem acreditar no contrário irá se desiludir drasticamente. O mundo está fragmentado e segmentado, as minorias refletem isso, mas voltar contra elas o estigma que a sociedade lhes impinge é um erro. Os movimentos sociais tem, sim, contradições. Mas estas imagens estereotipadas e generalistas que difundem sobre as teorias é parte da estratégia hegemônica de implodir qualquer iniciativa de questionamento do status quo. Por favor, gente, vamos pensar um pouco antes de acharmos que o comportamento de alguns gays, algumas lésbicas, algumas feministas representam a causa em que estes indivíduos estão inseridos. Não vamos acreditar que simplesmente "os gays são misóginos" ou "gays odeiam travestis" ou "feministas não se entendem", não, né! Duvidem desta simplicidade e procurem investigar a origem desse discurso. Pronto, não posso mais escrever, vou arrumar a mala. Beijos!

creepie. disse...

Quando entrei no seu blog, não esperava que o post fosse sobre isso e muito menos abordado desta maneira... Confesso que me surpreendi.
E que concordo em grande parte com você, por incrível que pareça. Sou gay, a grande maioria dos meus amigos também, e sei bem como as pessoas costumam ter idéis errôneas sobre "o grupo". Tem sempre alguém pra generalizar. Alguma hora ou outra ele vai acabar cometendo esse erro e é aí que os gays são privados de muitas coisas, como por exemplo... Pq um ator gay nunca é chamado para um papel gay? E dificilmente para um heterossexual? Ator gay E assumido, vira logo motivo de chacota, pois para o público gay é sempre afeminado, desbocado, mal educado e cabelereiro. Cansei disso, de boa.
Até mesmo programas como o The L Word, focado especialmente nas lésbicas, peca sobre generalizar suas meninas. Desde quando um gay não pode ter um amigo do mesmo sexo sem nenhuma má intenção por trás disso?
Todos nós temos defeitos, indiferente de religião, orientação sexual, cor e seja lá o que for. Mas não é por ser pobre, evangélico, gay ou negro que eles se agravam, não mesmo.
Por isso mesmo que eu sou contra comerciais preconceituosos de qualquer espécie, seja contra gay, religiosos, negros, pobres, o que for! É tanta luta pra tentar diminuir isso e vem uma empresa qualquer, com tanto alcance ao grande público e vai lá e "cobre" tudo já conquistado. Se ao invés disso seus publicitários pudessem usar a cabeça para comerciais ainda mais criativos, talvez a mente dos jovens de hoje em dia não estaria tão corrompida. Mas a grande idéia é vender, vender e vender, não é mesmo?

Só discordo, novamente em partes, sobre a "micareta gay". Pode até parecer um carnaval fora de época visto assim, de fora, mas é também o único dia em que podemos fazer certas coisas com mais liberdade (como os casais hetero) e ainda assim tomarmos o máximo de cuidado na volta para casa com tantos playboys esperando para exercer sua homofobia com prazer. Tá certo que muitos exageram e esse dia poderia sim ser usado de uma melhor maneira e ser visto como uma oportunidade de luta e prova de que homossexualismo não é sinônimo de promiscuidade. Mas enfim, isso já é assunto para outro comentário... haha

Só queria lhe dizer que adorei seu post e já estou indo ler os outros! Beijos!

Marcio disse...

Adorei os comentários da Dai e do Jadilson!

Estou morando no exterior por um tempo, em um país onde os direitos das minorias estão em um patamar mais evoluído (Austrália). Semi-habituado ao cenário local, onde ver casais gays de mãos dadas na rua ao lado de muçulmanas cobertas de panos e loiras decotadíssimas é cena corriqueira, a idéia desse comercial homofóbico do Doritos fica ainda mais espantosa (vixe, a frase ficou enorme). Aceitação e respeito entre os mais diversos grupos é assunto recorrente aqui.

Como publicitário sou a favor de fugir do politicamente correto que transforma um monte de coisa em tabu supremo. Penso que, se diante do garoto que dança YMCA a reação dos amigos no carro fosse a de riso e piadas, a peça seria inofensiva. Fraca, mas de uma incorreção inofensiva. O problema mesmo foi a cara de "tá querendo apanhar viado?" feita pelo grupo, levando o contexto a um outro nível (de piada fraca a homofóbica).

Morro de saudades do Brasil e pretendo sim retornar, ainda que esse lado da realidade do meu país me decepcione enormemente. Poderia ser melhor? Poderia e deveria.

(Escrevendo em teclado gringo, perdoem erros ortográficos.)

Marcio disse...

Voltei. Sendo o primeiro comentário, faltou dar os parabéns pelos excelentes textos.
Leio o blog há algum tempo e acho ótimo.
BJS

Ana Rute disse...

pois é lola! um absurdo mesmo!
e o que mais tem são pessoas como o asnalfa, que ainda procuram uma desculpa para serem preconceituosos e homofóbicos!

Gabriela Martins disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Gabriela Martins disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Gabriela Martins disse...

(apaguei pra poder editar e colocar tudo junto)

Que os jovens ainda são preconceituosos, isso é vero, e um fato recente tá me confirmando isso: um colega meu apanhou na porta da moradia universitária. O cara que bateu atacou pelas costas, chutou e chamou de "viadinho" e "bichinha", bateu na amiga do cara q tentou apartar, e no final ainda soltou algo sobre ter "nojo de bicha".

Criaram tópico na comunidade do orkut da universidade, e óbvio que apareceu um monte de gente pra falar merda. Que não é só porque o menino é gay que o caso envolvia homofobia; que a treta foi pessoal e que o agredido podia estar dizendo q foi por preconceito pra botar todo mundo do lado dele; ou mesmo q ele deve ter passado a mão na bunda do sujeito e aí o agressor resolveu tirar satisfação (e no fundo ficou a sensação de q só faltou o cara completar com "eu faria o mesmo", mas só não fez por motivos óbvios).

Se foi treta pessoal, não me importa. O que importa é que um aluno foi agredido, e que tem punição prevista no estatuto da universidade. E que mesmo quando o que bateu chamou de "bicha", ainda tem gente dizendo que não houve preconceito e que o rapaz só disse isso pra ver o outro expulso da faculdade (ou seja, vingança) e que "essa gente vê preconceito em tudo".

Concordo com todas as letras do post da Dai. Quanto ao que a Carolina falou, eu simpatizo com a idéia de "gay de todos os tipos" nas mídias, desde que isso não seja usado como justificativa pra preconceito. Um exemplo: colocam um cabeleireiro gay sórdido e chiliquento numa novela, o público reclama e o autor justifica com "nem todo gay é santo". Malz aê, mas isso é mais velho que cagar agachado. Podem pôr vilão gay? Pode, mas por que não fugir dos estereótipos? Nesse ponto acho que algumas séries gringas estão anos-luz à frente.

Quanto à Parada Gay, não sou nem um pouco contra: quem não gosta de gay não vai passar a gostar se eles vestirem terninho careta e protestarem dessa forma, sempre vai achar um motivo pra criticar. Quem gosta, não vai deixar de gostar por causa delas.

Sou a favor sim de criticar certos aspectos. Uma colega minha, por exemplo (lésbica, por sinal), acha péssimo que nos dias de Parada corre o risco de encontrar pessoas transando nas rua adjacentes. É a mesma crítica que se faria ao comportamento do público de uma micareta, por exemplo.

E péssimo o comentário contra travestis e drags. A gente imagina que por ser gay a pessoa saiba o que é preconceito e tenha mais tolerância com as diferenças, mas tem que topar com uma idéia de "se não for do meu jeito tá errado"...

Vivo dizendo que no dia que uma piada de gay for só uma piada, e não reflexo de um preconceito velado e pesado, eu vou ficar feliz.

Barbara disse...

Sobre transformar os gays em figuras iluminadas, educadas e quase perfeitas, concordo! A gente tem que entender que existe gente chata e gente legal hetero e gay... (que na verdade a opcao sexual eh irrelevante na hora de avaliar se alguem eh mal educado e barulhento ou nao - ou pelo menos deveria ser irrelevante)

Isso me lembrou uma discussao que eu vi no blog sobre cadeirantes (pessoas que andam de cadeira de rodas) no Globo. Os cadeirantes estavam reclamando de nunca serem revistados em shows e eventos. Quer dizer que so porque eles nao podem andar, sao pessoas santinhas, incapazes de carregar drogas ou uma faca dentro da bolsa ou da cadeira?

Ainda que as pessoas facam isso com bia intencao, eh um preconceito ao contrario que so faz eles se sentirem mais "diferentes" do resto...

Chris disse...

MARAVILHOSOOOO!!!!
Adorei o post, parabéns!

Beijos