terça-feira, 5 de novembro de 2019

COMPROVADO: PEIXES SÃO MAIS INTELIGENTES QUE TODO O GOVERNO BOLSONARO JUNTO

Esta não pode ficar sem registro.
Na quinta passada, numa das lives de Bolso -- na mesma que o excrementíssimo presidente da republiqueta ameaçou servidores públicos ambientais de ir pra "ponta da praia" (gíria usada na ditadura militar para se referir a torturas e execuções) --, tivemos a participação especial do secretário da Pesca Jorge Seif Jr. 
No meio do maior desastre ambiental da história da costa brasileira, o secretário veio para tranquilizar. 
"Pessoal, nós já fizemos inúmeros testes, [não tem] nenhum peixe contaminado. Podem consumir pescado. Lembrando que o peixe é um bicho inteligente. Quando ele vê uma manta de óleo ali, capitão, ele foge, ele tem medo. Então, obviamente, você pode consumir seu peixinho sem problema algum. Lagosta, camarão, tudo perfeitamente sano".
Bolso o interrompeu: “Obviamente, de vez em quando fica uma tartaruga ali na mancha de óleo -- para não falar que ninguém fica, né? Um peixe, um golfinho pode ficar, mas tudo bem”.
Ah, tudo bem! 
Faz dois meses que o óleo contaminou o Nordeste, atingindo 286 localidades de 98 municípios de todo os nove Estados nordestinos, segundo o Ibama, e o governo faz piada! Enquanto tudo que Bolso e seus secretários sabem fazer é culpar a Venezuela, no sábado o sinistro do Meio Ambiente estava curtindo uma praia em São Sebastião, SP -- no mesmo dia que as manchas de óleo chegavam ao arquipélago de Abrolhos, BA. 
É óbvio que o secretário da pesca (certamente escolhido por meritocracia, baseado em "critérios técnicos", não mamatocracia) mente. A UFBA fez testes para ver se a fala dele estava correta. E encontrou óleo em 100% das amostras de animais marinhos recolhidos. 
Fora isso, de acordo com o Ibama, 110 animais já foram encontrados oleados decorrentes do vazamento. Desses, 81 estão mortos.
Mas provavelmente estamos falando de animais suicidas.

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

A ESPETACULARIZAÇÃO E HUMORIZAÇÃO DO SOFRIMENTO DOS "ATRASADOS DO ENEM"

O "show dos atrasados do Enem" é sempre notícia. Robson Fernando de Souza, escritor e blogueiro vegano e autista aspie, autor dos blogs Veganagente e Consciência Autista e de livros sobre veganismo, além de colaborador frequente aqui do blog, critica a falta de empatia de quem ri da desgraça alheia.

Todos os anos um fenômeno bizarro, promovido pela mídia e por indivíduos de pouca empatia, marcado pela baixaria e pela falta de ética e de compaixão, acontece nos dias do Exame Nacional do Ensino Médio. Trata-se da espetacularização e até humorização do sofrimento de milhares de pessoas que, na maioria das vezes por infelizes injustiças do acaso, muitas vezes dotadas de um contexto de discriminação e exclusão social, são barradas de fazer a prova por causa de poucos minutos ou mesmo segundos de atraso após o fechamento dos portões dos locais de prova.
Já é lugar comum que a maioria dos grandes portais da imprensa e também sites locais e regionais de notícias transformem em “show de entretenimento” o desespero de quem encontrou as portas do futuro literalmente fechadas diante de si. Fazem algo parecido com as conhecidas “videocassetadas”: transformam a dor física ou emocional alheia em motivo de diversão, de riso, de pensamentos desalmados do tipo “Eu acho é bom!” ou “Bem feito, quem manda ser irresponsável?”.
Acabaram sendo destaque também algumas pessoas que foram ao cúmulo de chegar e sentar perto dos portões dos locais de prova, com direito a levar latas de cerveja para consumo próprio, só para assistir à miséria alheia e caçoar do desespero de quem se atrasou. A mídia abordou isso de maneira aparentemente “imparcial”, mas é evidente que, entre essas pessoas carentes de empatia e os noticiários, ficou subentendido um clima de “tamo junto”, já que compartilhavam o prazer sádico de converter o sofrimento de outrem em “atração cultural”.
Por outro lado, o que se viu entre a opinião pública foi uma prevalência dos que gostaram de ver o que viram nas tais notícias –- e até mesmo curtiram e acharam criativos os “engraçadinhos” que foram assistir à dor dos atrasados. Houve muitas pessoas que desaprovaram com veemência e defenderam que a postura da imprensa e dos “espectadores ao vivo” foi de fato absurda e antiética, mas atualmente, pelo que se pode deduzir, ainda são minoria.
Esse “show” de horrores –- nos múltiplos sentidos da expressão -–, incluindo também sua receptividade positiva entre tantas pessoas, nos mostra que paira na sociedade uma tradição de alarmante desvalorização da empatia, uma moral brigadamente divorciada da ética. A maioria das pessoas não se compadece do sofrimento da outra ou do outro –- pelo contrário, ri da dor dela(e) e, muitas vezes, a(o) julga como “culpada(o)” pela própria desgraça.
Essa “moral imoral” de comicizar a dor alheia e julgar quem sofre reflete a crença de muita gente de que a sociedade brasileira é ou deveria ser estritamente meritocrática. Ou seja, pune ou deveria punir com severidade os “perdedores”, mesmo que o motivo da derrota destes seja uma injustiça advinda das desigualdades sociais e discriminações que aflige a maioria da população do país.
Afinal, segundo dizem os ideólogos da meritocracia capitalista, as quedas do indivíduo são culpa dele mesmo, por “não ter se esforçado”, por não ter feito um rigoroso planejamento de sua carreira escolar-acadêmica e empregatícia, por ser “preguiçoso”, por “não ser disciplinado”, entre outros pretextos que ignoram completamente o contexto social no qual a vida de cada pessoa está inserida.
Nessa lógica, mesmo o confeiteiro que no ENEM 2016 chegou atrasado porque o patrão não o havia liberado do trabalho a tempo é o culpado por seu próprio infortúnio, portanto é um “perdedor” e “deve” ser escrachado pelo julgamento público. E, também, aquelas pessoas mais pobres que, não contando com o carro dos pais, moram longe do local da prova e tiveram que pegar dois ou três ônibus para tentar chegar a tempo, ou cujo patrão não deixou que saíssem do expediente a tempo, são penalizadas por esse julgamento, o que escancara o elitismo odiento dos julgadores.
Outro tentáculo dessa mesma “moral imoral” é a cultura do machismo. É aquela que consiste em culpar as mulheres, com os mais absurdos pretextos, pelas violências que elas sofrem -– por exemplo, culpando vítimas de estupro porque “não se davam ao respeito”, ou “usavam roupas curtas demais”, ou “estavam bêbadas”, ou “não estavam acompanhadas de seus maridos ou namorados” etc. De forma ainda mais severa e criminosa, o machismo amplifica contra mulheres vítimas das mais diversas violências a lógica do “júri opressor” imposto contra quem encontrou os portões fechados no vestibular. Julga, condena, ostraciza, maltrata, humilha.
Essa moral julgadora e estigmatizadora precisa ser enfrentada. Precisamos deixar claro que essa falta de empatia e de ética anda de mãos dadas com ideologias opressoras, como a meritocracia, o machismo e o conservadorismo egoísta, se não é diretamente derivada delas. Da mesma maneira, comentemos, em cada notícia que trata como “show de entretenimento” o sofrimento de quem perdeu a prova, como a imprensa viola a cidadania e os direitos humanos quando espetaculariza a desgraça alheia. 
Essa moral sem ética de expor ao julgamento sumário, condenatório e linchador pessoas que são alvos de opressões e infelicidades cruéis não deve mais ser tolerada, caso queiramos uma sociedade mais humana e justa.

domingo, 3 de novembro de 2019

PARA COMEÇAR A ENTENDER O BOLSONARISMO

Recomendo muito este texto da antropóloga Isabela Kalil, que vem pesquisando sobre o bolsonarismo e concluiu que ele é maior do que Bolsonaro (ou seja, é um erro achar que, se ele cair, tudo de nefasto que ele representa acaba).
No artigo, Kalil aponta três principais estratégias de comunicação do "mito" e como elas estão sendo usadas agora que seu nome foi citado no caso Marielle. O primeiro é o padrão da imobilidade, explorado no vídeo do leão (Bolso não fugiu dos debates durante a campanha, esteve hospitalizado; ele quer cumprir promessas, os outros é que não deixam).
O padrão do renascimento, de que Bolso tornou-se um novo homem depois de sobreviver à facada, foi um fator decisivo para humanizar o candidato e assim conquistar o voto feminino durante a campanha, diz Kalil. Continua sendo uma estratégia forte do governo e, lógico, apela aos evangélicos.
O padrão do espelho (mas e o PT? E o Lula?) é sempre usado por Bolso e seus apoiadores. Para abafar todos esses escândalos recentes, eles tentaram trazer de volta um caso (já resolvido) de 2002, o do assassinato de Celso Daniel. 
Kalil explica que Bolso não sabe mais qual o alcance de sua base de apoio, porque tem perdido eleitores desde abril. Portanto, a live com ele surtando é uma forma de testar e medir o apoio e o alcance que ainda tem.
Aproveitando, este artigo da antropóloga Rosana Pinheiro-Machado, outra grande pesquisadora do bolsonarismo, dialoga perfeitamente com o de Kalil e mostra que estamos dormindo no ponto. Rosana alerta que é um erro acharmos que Bolso e sua família vão cair sozinhos pelos inúmeros erros que cometem. Não vão. E precisamos nos mobilizar desde já para as eleições municipais do ano que vem.

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

COMO A DIREITA RADICALIZA UM CARINHA NORMAL NA INTERNET

Recebi um link para um excelente documentário de 41 minutos feito pelo canal Innuendo Studios, com legendas em português, sobre como radicalizar uma pessoa (quase sempre homem) "normal" e torná-la uma extremista patética da direita. Os alvos principais são homens brancos héteros que se sentem emasculados pela sociedade.
Vou compartilhar o que achei mais interessante com vocês, com alguns comentários meus baseados na minha experiência com esses grupos. Mas, por favor, vejam o vídeo, que realmente explica muito. 
Uma estratégia para recrutar homens "normais" (ou seja, não misóginos, racistas e neonazistas de saída) para se radicalizarem é criar fóruns e canais que o carinha encontre sem querer (por exemplo, um "inocente" canal criticando que superheróis brancos dos quadrinhos sejam interpretados por negros ou mulheres). Outra é se infiltrar nos canais que o carinha já acessa.
Uma tática relevante é que a direita não vende política como política (pois política não é legal, e nenhum político exceto o mito presta, lembram?), mas como um estilo de vida conservador. Ataques a feministas, negros, LGBT e outros grupos funcionam como portas de entrada. É o que a gente vive dizendo: misoginia é a porta de entrada na internet para drogas mais pesadas.
O carinha não está a princípio procurando neonazismo ou misoginia, mas uma cura para o seu mal- estar. Ele quer ser feliz, sentir-se melhor, porque se sente um m*rda.
Aí vem outra tática importante: isolar o alvo, fazer com que ele não ouça o contraditório. Isso é típico de lavagem cerebral. Tem muita gente da direita (ironicamente "pró-família") que recomenda cortar laços com a própria família.
O vídeo explica que a esquerda poderia explorar e se beneficiar desses problemas que o carinha sente, mas ele aprende versões racistas e machistas do problema: 
Sim, existe um problema dos trabalhadores serem mal pagos e explorados, mas a solução para combater isso não é criar e apoiar sindicatos, é expulsar imigrantes.
Sim, existe um problema de concentração de renda que deixa um pouquinho de gente com muito e a maioria com nada, e sabemos  que os ricos têm muito poder e influência, mas o problema não é o capitalismo. São os judeus (é só ver o que reaças falam de George Soros, um bilionário).
Sim, há solidão e raiva em ser um homem hoje, mas o problema não é a masculinidade tóxica que o patriarcado impõe, é as mulheres serem vadias. Isso é muito comum entre os mascus. Eles culpam as "mulheres modernas" e o feminismo pra tudo. Mas não são as mulheres nem o feminismo que defendem que o homem seja o provedor da casa. É o patriarcado, estúpido! Não são as mulheres nem o feminismo que exigem que o homem seja um garanhão. É o patriarcado! E aí os mascus, em vez de focarem sua raiva no sistema que os oprime, foca nas mulheres. São uns otários mesmo.
Logo os algoritmos das redes sociais percebem as tendências do carinha e param de recomendar qualquer conteúdo de esquerda. O alvo se afasta da "agenda esquerdista" (ou do marxismo cultural) que pode desprogramá-lo. Ele ficará cada vez mais isolado. 
Pode-se comparar a jornada do carinha ao radicalismo com as camadas de uma cebola. Cada fase se vende como a verdade final e absoluta e nega a validade das fases anteriores (as pessoas daquelas fases estavam dormindo, você está acordado). As fases seguintes (cada vez mais radicais) não existem e você não está sendo direcionado a elas, é apenas imaginação dos esquerdopatas.
Mas, na realidade, crer nessas "verdades absolutas" e cultivar o ódio não ajuda o carinha. Expulsar imigrantes não melhora a economia, e odiar mulheres não faz os homens menos solitários nem menos zangados. Só que a essa altura -- quando o carinha percebe que não está mais feliz, muito pelo contrário -- ele já está tão isolado, tão submerso naquele universo, que sua única alternativa é afundar ainda mais. Tomar a próxima pílula vermelha.
E tudo isso ocorre na base de muita, muita repetição. Através da repetição, as ideias mais radicais e absurdas parecem normais. E agora o carinha quer odiar. Ódio motiva, é um combustível. Ele sempre vai encontrar alguém para odiar. Ele vai a fóruns para ficar com raiva. É a mesma dinâmica de relacionamentos abusivos. 
Quando uma comunidade oferece ao carinha uma piada racista (que não é vendida como racista, e sim como irreverente, polêmica), ele vai ter que escolher entre rir com seus amigos ou não ser racista. O carinha solitário precisa de amigos, e rir de uma piada racista é pessoal. Não rir é político. Ficar numa comunidade que tem nazistas é pessoal, e sair dela é político. O pessoal é o que junta as pessoas, o político é o que as separa. Por isso que uma máxima do feminismo (cooptada pela esquerda de modo geral), "o pessoal é político", é das coisas mais ameaçadoras que podem ser ditas em fóruns de direita. 
O passo seguinte na radicalização é receber uma missão. Mas o vídeo diz que a alt-right (a extrema direita) não pode fazer isso, pois deixaria de ser uma mera hashtag inofensiva ou um grupo que se diz moderado. Entre os mascus, não há essa preocupação. Eles recrutam mesmo, diariamente. Um dos mantras deles é "O mundo te odeia, devolva esse ódio". Outro é "Leve a escória junto", para que rapazes que querem se suicidar cometam massacres e matem mulheres, negros, LGBT, antes de se matarem ou serem mortos pela polícia.
É uma máquina de produção de "lobos solitários". Porque os caras já estão furiosos e precisam desse ódio, e não tem o que fazer com ele. Nos EUA, onde o acesso a armas é mais fácil e incentivado, fazer com que esse carinha cometa um massacre armado é mais fácil. Aqui no Brasil, todos esses carinhas votaram no Bolso não apenas por se identificarem totalmente com suas ideias preconceituosas, mas pela promessa da liberação das armas de fogo. Certamente, diz o vídeo, a violência é a conclusão lógica para uma ideologia de ódio. 
Ou o carinha pode progredir na sua violência começando levemente, por exemplo, xingando pessoas no Twitter, daí se juntando a um grupo organizado que xinga coletivamente, daí compartilhando nudes e fazendo doxxing (descobrir e divulgar dados pessoais de alguém, para assim poder atacá-la), ligar pra elas, mandar fotos da entrada da casa de alguém, gravar vídeos contra elas, ameaçá-las (tudo isso e muito mais já foi feito contra mim, geralmente a mando de um líder mascu). Esses atos são competitivos (quem oprime mais? Quem conseguiu fazer com que a vítima deletasse sua conta?) e tornam o carinha mais aceito na comunidade. 
Se ele sair da comunidade, o vídeo diz, o carinha pode se sentir culpado pelos seus atos. Então o negócio é não deixá-lo sair. Ele tem que ser convencido que, se sair, a esquerda fará com ele o mesmo que ele fez com pessoas de esquerda. 
O cara fica cada vez mais paranoico e anti-sociável, faminto por algum tipo de conexão emocional (eu sinto que muitos dos mascus que me atacam querem que eu me torne amiga e confidente deles; eles fantasiam laços comigo, o que pra mim soa muito doentio), com medo de ser exposto ou denunciado. 
Não há muitas opções. Por isso mesmo aqueles que não tinham tendências suicidas desenvolvem essas tendências nos fóruns. 
O vídeo lembra que esses conservadores são minoritários e nem de longe representam a maioria dos homens (eu concordo!), e que, se você conhece um carinha assim, pode valer a pena falar com ele e tentar afastá-lo do mal, mas é péssimo gastar mais tempo com eles do que se gasta com pessoas que são vítimas de preconceitos de verdade. E, como o vídeo mostra, o seu valor como esquerdista não se baseia em mudar a cabeça de um carinha desses. 
É verdade, e eu nunca dialogo com mascus, porque isso seria dar-lhes a atenção e a conexão emocional que eles tanto desejam. Eu nunca vou mudar um neonazista como o Emerson (que foi preso e condenado em 2012, saiu da cadeia em 2013, depois foi preso nos EUA e deportado, e agora está foragido na Espanha), que sofreu abuso na infância e até hoje, aos 41 anos, tenta se vingar do mundo por conta desses abusos, um cara claramente perturbado e mitomaníaco que precisa de um terapeuta (mas que odeia psicólogas, tornando-o alvo fácil das garras de pastores e de líderes nazis), então eu nem tento. Mas fico feliz quando um texto meu impede que uma mulher se relacione com ele e tenha sua vida arruinada. 
O vídeo termina com razões que podem fazer o carinha sair da comunidade de ódio (ela pode deixar de existir, o carinha pode ser preso ou hospitalizado, ele pode entender que está sendo manipulado, ele pode conhecer alguém e se apaixonar, ou sair para tentar salvar seu relacionamento). Mas o que não funciona são os argumentos de um estranho que prova que todos os seus fatos estão errados e que sua ideologia é uma farsa. Fatos não funcionam porque fatos não ligam pros sentimentos do carinha. Ele queria pertencer, ser aceito. Foi isso que o aproximou do grupo de ódio.
Se existe uma verdade sobre tudo isso, é a seguinte: nenhum carinha sai de uma comunidade de ódio mais feliz do que entrou. Ele se afunda no ódio, só consegue pensar nisso. Vê seus projetos se paralisarem, vê sua vida estagnar. Um exemplo é o Kyo, apelido de André. 
Não sei quando ele começou a frequentar fóruns mascus, a princípio no Orkut, mas pelo menos desde 2010 ele era parceiro de Marcelo (que hoje está na cadeia, cumprindo uma sentença de 41 anos). 
É bem possível que ele tenha entrado nessa vida ainda menor de idade. Com 29 anos, quando decidiu se matar e foi convencido pelo chan que moderava a "levar a escória junto" (ele escolheu Luciana, uma moça que ele nunca tinha visto na vida e que sequer sabia de sua triste existência), ele estava no mesmo ponto de uma década atrás: continuava morando e sendo sustentando pelos pais numa cidade pequena que odiava, não trabalhava, não estudava, não namorava. 
Eu não tenho pena do Kyo, tenho pena da Luciana. Mas ele é um representante da vida que aguarda os caras que odeiam: nada além de ódio e miséria.
Sei que esses carinhas me odeiam e francamente não dou a mínima. Mas fica a sugestão: afastem-se dessas comunidades de ódio. 
Não confiem no meu prognóstico. É só olhar em volta e ver quem são seus "confrades" -- eles parecem felizes? Estão indo a algum lugar? Tem alguma esperança?